5 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Clima mais quente já afeta tamanho de plantas na Austrália, diz estudo

Mudança de temperatura no país reduziu largura de folha em 2 mm.
Segundo cientistas, vegetais se adaptam à nova realidade do planeta.

A mudança climática já afeta espécies de plantas da Austrália, alterando o tamanho das folhas.

É o que aponta uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Adelaide, na Austrália, divulgada na noite desta terça-feira (3) no site da Sociedade Real Britânica pela publicação “Biology Letters”.

Segundo o estudo, foram analisadas exemplares da planta popularmente conhecida como vassoura-do-campo, subespécie angustissima (Dodonaea viscosa subsp. Angustissima). Foram feitas comparações com amostras recolhidas entre 1880 até o presente momento, encontradas nas montanhas Flinders, no Sul da Austrália.

A análise revelou uma diminuição de 2 milímetros na largura da folha (em um total avaliado que variava de 1 a 9 milímetros) ao longo de 127 anos. Entre 1950 e 2005, houve um aumento de 1,2ºC nas temperatuas máximas no Sul da Austrália, mas pouca alteração na precipitação na região da montanha.

Em comunicado divulgado pela universidade, o principal autor do estudo, Greg Guerin, disse que a mudança climática é frequentemente discutida em termos de impactos no futuro, porém, segundo ele, “mudanças de temperatura nas últimas décadas já têm efeitos ecológicos significativos”.

Ainda de acordo com o Guerin, as alterações do clima estão impulsionando mudanças adaptativas nas espécies de plantas, assim como ocorreu com a subespécie de vassoura-do-campo. “Demonstra processo adaptativo em relação ao clima”, complementa o professor.

 

Fonte: Globo Natureza


20 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Mudança climática já faz plantas ‘escalarem’ montanhas, afirma estudo

Picos mais frios têm recebido novas espécies de vegetais.
Montanhas do Mediterrâneo são as que mais perdem plantas devido ao calor.

Estudo liderado pela Academia Austríaca de Ciências aponta que a mudança climática já causa o deslocamento de espécies de plantas nas principais regiões montanhosas da Europa, o que pode acarretar o desaparecimento de vegetais em áreas afetadas por secas e falta de chuvas.

De acordo com uma pesquisa publicada nesta semana na revista “Science”, as plantas têm “escalado”, literalmente, as montanhas em direção ao cume para sobreviver em temperaturas que estariam mais amenas devido às alterações do clima.

O estudo constatou que algumas espécies chegaram a subir até 2,7 metros em busca de um ambiente melhor para sobrevivência.

Entre 2001 e 2008 foram analisados 66 picos de montanhas em 17 diferentes regiões da Europa, entre elas a área que margeia o Mar Mediterrâneo e as cadeias montanhosas das regiões boreais, mais próximas ao Ártico.

No período, novas espécies apareceram em 45 cumes, a maioria na região mais fria e houve redução de plantas em dez cumes, principalmente nos que estão próximos ao Mediterrâneo.

Segundo o estudo, a seca constante no Sul da Europa e a redução de chuvas estariam causando o desaparecimento ou migração dos vegetais para regiões mais frescas.

Fonte: Globo Natureza


28 de março de 2012 | nenhum comentário »

Animais gigantes da Austrália foram extintos por humanos

Teoria corrente creditava desaparecimento da megafauna australiana, por volta de 40 mil anos atrás, às mudanças climáticas

Pesquisa de seis universidades australianas mostrou que os primeiros habitantes da Austrália podem ter tido o costume de caçar animais gigantes, quando chegaram, há 40 mil anos, ao território onde hoje fica o país. Com isso, os cientistas acreditam ter posto fim ao longo debate sobre como esses vertebrados de grande porte – como cangurus, gansos e lagartos gigantes – desapareceram subitamente do ecossistema australiano.

Com a extinção desses animais herbívoros, o consumo de material vegetal caiu fortemente, o que teria causado uma rápida e dramática mudança na paisagem australiana. Antes, as terras mesclavam florestas com áreas abertas de pastagem. Mas as florestas depois passaram a se espalhar, e árvores de eucalipto roubaram a cena do lugar, segundo os pesquisadores.

Sabe-se que a maioria dos grandes animais terrestres foi extinta nos últimos 100 mil anos, mas as razões para este desaparecimento são tema de constantes discussões entre cientistas. Os últimos argumentos defendiam que a diminuição dessas espécies decorreu de uma grande mudança climática ou de um incêndio generalizado. Mas pesquisa publicada nesta sexta-feira na revista Sciencecontradisse essa teoria.

Para resolver o mistério, os cientistas rastrearam os herbívoros de grande porte ao longo dos anos por meio de um método que analisa os esporos (unidades de reprodução) de fungos específicos que viviam em seus excrementos. “Os esporos desses fungos podem ser preservados em sedimentos em pântanos e lagos. Como os sedimentos se acumulam ao longo do tempo, é possível saber em que período da história houve ou não abundância de grandes herbívoros no ambiente”, explica Chris Johnson, líder do estudo.

Segundo o pesquisador, partículas de pólen e de carvão vegetal também ficam presas nesses sedimentos, ou seja, é possível analisar a história e a abundância dos grandes animais em relação às mudanças na vegetação do ambiente e a um possível incêndio. A pesquisa se focou, em grande parte, em um pântano chamado Lynch’s Crater, no nordeste do estado australiano de Queensland.

Os cientistas descobriram que a quantidade de mamíferos gigantes era estável até pouco antes de 40 mil anos atrás, momento em que subitamente caiu. “Isto exclui as mudanças climáticas como causa da extinção, já que antes do desaparecimento houve vários períodos de seca que não causaram nenhum efeito sobre a quantidade dos animais. E no momento em que eles foram extintos, o clima era estável”, diz Johnson.

Ainda de acordo com os dados cronológicos levantados pela pesquisa, os cientistas perceberam que a extinção se seguiu logo após o momento em que pessoas chegaram à região – também há 40 mil anos –, por isso acreditam que os seres humanos foram os responsáveis por ela. “Nosso estudo não se concentrou em descobrir diretamente de que forma as pessoas causaram a extinção, mas o mecanismo mais provável é a caça”, conclui o pesquisador.

Sthenerus

Canguru gigante australiano pertencente ao extinto gênero Sthenurus. Ele chegava a medir até três metros de comprimento, sendo aproximadamente duas vezes maior que o canguru moderno (Divulgação/Wikipedia)

Fonte: Veja Ciência


17 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Pássaros são menos fiéis em temperaturas extremas ou instáveis

Aquecimento global deve afetar comportamento sexual das aves.
Dados são de estudo publicado pela revista científica ‘PLoS One’.

A mudança climática influi sobre a vida selvagem de várias maneiras. A lista de aspectos afetados vai desde o habitat dos ursos polares até a fidelidade das aves. Um estudo publicado nesta quinta-feira (16) pela revista científica “PLoS One” mostra que as aves monogâmicas passam a procurar outros parceiros sexuais com mais frequência se a temperatura atinge condições extremas ou incertas.

A pesquisa foi feita com centenas de espécies de aves, incluindo andorinhas, pardais, patos, gansos e gaivotas. Os cientistas estudaram os hábitos desses animais no cuidado com os filhotes, verificando se os casais trabalham em conjunto ou não.

Depois, eles cruzaram esses dados com os registros de temperatura e chuvas. Assim, eles descobriram que as aves que vivem em regiões de temperatura mais instável traem seus parceiros com mais frequência.

Segundo o autor Carlos Botero, da Universidade do Estado da Carolina do Norte, nos EUA, a promiscuidade vale a pena quando a temperatura atinge condições extremas. Procriar com diferentes parceiros garante a diversidade genética dos filhotes, e isso aumenta a chance de que pelo menos um deles se adapte bem ao clima que enfrentar.

Além disso, cada ambiente favorece um tipo de animal diferente – na busca por alimentos, por exemplo. Um bom parceiro no verão pode ser ruim no inverno. Quando isso acontece, aumenta a chance de que um animal simplesmente abandone o outro, e cresce o número de “divórcios” entre as aves em climas instáveis.

Como nada disso é consciente, Botero disse é possível que isso também afete os humanos, embora ainda não haja nenhuma evidência científica.

Pesquisa foi feita com pássaros mandarins na Alemanha. (Foto: Karen Hull / Flickr - Creative Commons 2.0 genérico)

Casal de pássaros mandarins (Foto: Karen Hull / Flickr - Creative Commons 2.0 genérico/arquivo)

Fonte: Globo Natureza


27 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Ovelhas alteram registro do anéis das árvores

Pesquisadores da Noruega descobriram o tradicional método de analisar os anéis dos troncos da árvores para saber como era o clima no passado não é tão certeiro quanto parecia. Eles constataram que animais herbívoros, como as ovelhas, podem alterar estas marcações.

Em altas latitudes e altitudes, as árvores crescem mais rápido nos anos mais quentes, o que faz com que a largura dos anéis varie de acordo com a mudança das temperaturas. Elas servem como uma janela para o passado e tem sido usado com registro climático desde o início de 1900. No entanto, quando muitos animais se alimentam das folhas e brotos, as árvores crescem menos. “Menos folhas significa menos fotossíntese”, disse ao iG James Speed autor do estudo publicado no periódico científico Functional Ecology.

Árvores crescem mais rápido nos anos mais quentes e isto pode ser notado nos anéis de seus troncos. Foto: Getty Images

A equipe de pesquisadores analisou o tronco de 206 bétulas em uma região montanhosa da Noruega. Depois de nove verões foram medidas as larguras dos troncos e o tamanho dos anéis. O grupo comparou o resultado com a temperatura do local e a densidade populacional de ovelhas na região. De acordo com o estudo, a largura dos anéis é mais afetada pela quantidade de ovelhas que do que pelo clima. Os pesquisadores destacam que embora ocorra as alterações nos padrões dos anéis, é possível identificar que a temperatura continuasse relacionada com a largura dos anéis.

“É importante que estes estudos também estimem o número de herbívoros que vivia no passado por meio de registros fósseis de esporos de fungos que viviam no esterco dos herbívoros. Seria interessante comparar estes registros com o dos anéis das árvores”, disse.

Speed afirma que seu estudo não atenua os efeitos das mudanças climáticas. “O estudo diz apenas que podemos estimar melhor as temperaturas do passado a partir dos anéis de árvore. De qualquer forma, pode ser que as mudanças climáticas podem ter sido superestimadas ou subestimadas”, disse.

Fonte: Maria Fernanda Ziegler/ Portal iG


24 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Mudar a cor da nuvem pode ajudar clima, afirmam cientistas

Mudar a cor das nuvens e injetar aerossóis nas camadas altas da atmosfera podem servir para o combate das mudanças climáticas, afirmaram especialistas internacionais em geoengenharia, convocados em Lima por um programa das Nações Unidas para discussão sobre o tema.

Essas novas tecnologias poderiam reduzir os níveis de radiação solar sobre a vida terrestre e diminuir os efeitos do aquecimento global, acrescentou.

Os cientistas pertencem ao IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, da ONU), organismo criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial e o Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), cujo objetivo é propor medidas de mitigação para as mudanças climáticas.

O cientista Christopher Field, do Instituto Carnegie para a Ciência (EUA), disse na quarta-feira que uma das “tecnologias complexas” seria mudar a cor do brilho das nuvens. Outras mais simples incluem a semeadura de árvores.

Field afirmou que é preciso avaliar o impacto que a tecnologia poderia ter sobre o clima, os oceanos, as pessoas, os sistemas sobre o clima e os sistemas terrestres.

“Estamos nas etapas iniciais de um estudo sobre essas novas tecnologias, que poderiam ser úteis ou não para responder às mudanças climáticas”, explicou.

Co-presidente do IPCC e catedrático da Universidade de Berna, na Suíça, Thomas Stocker informou que, entre os métodos modernos, também está a possibilidade de injetar aerossóis nas camadas altas da atmosfera e da estratosfera.

Outro cientista, Ottmar Edenhofer, do alemão Instituto Potsdam para a Pesquisa das Mudanças Climáticas, considerou que todas as ações devem ser analisadas para enfrentar o problema das variações climáticas.

Nova tecnologia como mudar cor das nuvens poderia reduzir níveis de radiação solar e diminuir os efeitos do aquecimento (Mary Persia/Folhapress)

Nova tecnologia como mudar cor das nuvens poderia reduzir níveis de radiação solar e diminuir os efeitos do aquecimento (Mary Persia/Folhapress)

 

Fonte: DA FRANCE PRESSE


22 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Noruega e Alemanha doam US$ 93 milhões para o Fundo do Clima

Noruega e Alemanha anunciaram nesta terça-feira (21) ajuda de US$ 93 milhões ao Banco Mundial destinado a programas de redução do desmatamento em florestas tropicais, um dos responsáveis pela aceleração das mudanças climáticas.

A Noruega, principal doadora para proteção das florestas foi responsável pela doação de US$ 50 milhões ao Fundo de Carbono do Banco Mundial, como parte do mecanismo imposto pela Organização das Nações Unidas.

Já a Alemanha informou que os US$ 43 milhões são referentes a doações passadas. A quantia cedida pelas duas nações europeias eleva o total do Fundo de Carbono para US$ 200 milhões, que já conta com dinheiro da Grã-Bretanha, Austrália e Estados Unidos.

Segundo Erik Solheim, ministro do Meio Ambiente da Noruega, o dinheiro vai ajudar nos projetos bilaterais, o que inclui US$ 1 bilhão para o Brasil e Indonésia. O desmatamento responde por cerca de 20% das emissões de gases na atmosfera. As árvores nativas funcionam como capturadoras de dióxido de carbono durante o crescimento.

Preocupação – Apesar da novidade, o representante do Banco Mundial, Andrew Steer, afirmou que o dinheiro para Fundo do Clima, criado pela ONU durante a conferência de Copenhague de 2009 e oficializado em Cancún no ano passado, tem aparecido muito lentamente. “Estamos muito preocupados com o gap que já está aparecendo”, afirmou Steer.

O gap citado é o intervalo entre os acordos obrigatórios pra redução das emissões. Atualmente em vigência está o Protocolo de Kyoto, que atinge 40 países desenvolvidos, exceto os Estados Unidos, obrigando à diminuição das emissões entre 2008 e 2012.

Entretanto, um novo tratado que incluiria as novas potências emergentes e os principais emissores mundiais, entre eles a China, ainda está em discussão e não tem data para ser definido.

Fonte: Globo Natureza


30 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Código Florestal pode agravar clima, dizem brasileiros do IPCC

Quatro dos cientistas brasileiros que fazem parte do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), da ONU, alertaram para o possível agravamento sobre o clima com a entrada em vigência da atual versão do Código Florestal aprovada pela Câmara.

Segundo eles, o aumento da pressão sobre as áreas de florestas comprometerá os compromissos internacionais firmados em 2009 pelo Brasil na Conferência de Copenhague, de diminuir em até 38,9% a emissão de gases-estufa e reduzir em 80% o desmatamento na Amazônia até 2020.

Os cientistas, que são ligados à Coppe-UFRJ (Coordenação de Programas de Pós-Gradução de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro), falaram sobre o assunto durante um seminário que abordou as conclusões de um relatório do IPCC sobre energias renováveis, realizado na última quinta-feira (26).

Para a cientista Suzana Kanh, as posições internacionais assumidas pelo país serão prejudicadas, se o Senado não mudar o texto do código aprovado pela Câmara ou se a presidenta da República, Dilma Rousseff, não apresentar vetos.

“O impacto do código é muito grande, na medida em que o Brasil tem a maior parte do compromisso de redução de emissão ligada à diminuição do desmatamento. Qualquer ação que fragilize esse combate vai dificultar bastante o cumprimento das metas brasileiras”, afirmou.

A cientista alertou que haverá mudanças climáticas imediatas no Brasil e na América do Sul com o aumento da derrubada de florestas para abrir espaço à agricultura e à pecuária, como vem ocorrendo no Cerrado e na Amazônia.

“Com o desmatamento, há o aumento da liberação de carbono para a atmosfera, afetando o microclima, influindo sobre o regime de chuvas e provocando a erosão do solo, prejudicando diretamente a população.”

O cientista Roberto Schaeffer, professor de planejamento energético da Coppe, disse que a entrada em vigor do Código Florestal, como aprovado pelos deputados, poderá prejudicar o investimento que o país faz em torno dos biocombustíveis, principalmente a cana, como fontes de energia limpa.

“Hoje os biocombustíveis são entendidos como uma das alternativas para lidar como mudanças climáticas. No momento em que o Brasil flexibiliza as regras e perdoa desmatadores, isso gera desconfiança sobre a maneira como o biocombustível é produzido no país e se ele pode reduzir as emissões como a gente sempre falou”, disse.

O geógrafo Marcos Freitas, que também faz parte do IPCC, considerou que o debate em torno do código deveria ser mais focado no melhor aproveitamento do solo, principalmente na revitalização das áreas degradadas.

“O Brasil tem 700 mil quilômetros quadrados de terra que já foi desmatada na Amazônia, e pelo menos dois terços é degradada. Se o código se concentrasse nessa terra já seria um ganho, pois evitaria que se desmatasse o restante. A área de floresta em pé é a que preocupa mais. Pois a tendência, na Amazônia, é a expansão da pecuária com baixa rentabilidade”, afirmou.

Para ele, haverá impactos no clima da região e do país, se houver aumento na devastação da floresta decorrente do novo código. “Isso é preocupante, porque a maior emissão [de gases-estufa] histórica do Brasil, em nível global, tem sido o uso do solo da Amazônia, que responde por cerca de 80% de nossas emissões. Nas últimas conferências [climáticas], nós saímos bem na foto, apresentando cenários favoráveis à redução no desmatamento na região. Agora há uma preocupação de que a gente volte a níveis superiores a 10 mil quilômetros quadrados por ano.”

A possibilidade de um retrocesso ambiental, se mantida a decisão da Câmara sobre o código, também foi apontada pelo engenheiro Segen Estefen, especialista em impactos sobre os oceanos. “Foi decepcionante o comportamento do Congresso, uma anistia para quem desmatou. E isso é impunidade. Uma péssima sinalização dos deputados sobre a seriedade na preservação ambiental. Preponderou a visão daqueles que têm interesse no desmatamento. Isso sempre é muito ruim para a imagem do Brasil”, disse.

O diretor da Coppe, Luiz Pinguelli, enviou uma carta à presidenta Dilma, sugerindo que ela vete parte do código, se não houver mudanças positivas no Senado. Secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Pinguelli alertou para a dificuldade do país cumprir as metas internacionais, se não houver um freio à devastação ambiental.

“O problema é o aumento do desmatamento em alguns estados, isso é um mau sinal. Com a aprovação do código, poderemos estar favorecendo essa situação. Seria possível negociar, beneficiando os pequenos agricultores. Mas o que passou é muito ruim”, afirmou Pinguelli, que mantém a esperança de que o Senado discuta com mais profundidade a matéria, podendo melhorar o que foi aprovado na Câmara.

Fonte: Agência Brasil.


2 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Mudança do eixo da Terra por terremoto não afeta o clima

O clima mundial não é afetado pelos deslocamentos do eixo da Terra provocados por grandes abalos sísmicos, explica Allegra N. LeGrande, do Centro de Pesquisa de Sistemas Climáticas da Universidade Columbia: “As alterações são pequenas demais”, diz ela.

Pesquisadores do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa calculam que o terremoto recente no Japão deslocou o eixo de rotação da Terra em mais de 16,5 centímetros, alterando levemente a distribuição de massa no planeta.

Porém, “alterações naturais na massa da Terra, na atmosfera e oceanos, também causam mudanças de aproximadamente 99 centímetros no eixo de rotação, todo ano”, segundo LeGrande. “Trocando em miúdos, as mudanças ligadas a terremotos são muito menores do que as alterações imperceptíveis que acabam ocorrendo todos os anos”.

De acordo com LeGrande, alterações maiores no eixo provocam mudanças climáticas. A mudança cíclica na inclinação do eixo associada a deslocamentos astronômicos, chamadas de obliquidade, tem um ciclo bastante longo, cerca de 41 mil anos, e mudam a inclinação de cerca de 22,1º para 24,5º. No presente momento, ela está ao redor de 23,4º.

Em latitudes mais altas, uma obliquidade maior significa maior irradiação anual total. Nas latitudes baixas, o oposto é válido e, nas médias, praticamente inexiste mudança. Segundo LeGrande, quando a obliquidade é elevada, as diferenças entre o equador e os polos na irradiação total e, também, na temperatura, é mais ampla, em resultado o ciclo das estações do ano se torna mais extremo. “Só que as alterações que acontecem todo ano com a obliquidade são tão minúsculas que não percebemos”.

Fonte: Portal iG


29 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Ar-condicionado natural

Morar em um país como o Brasil, onde cada região possui um clima diferente, pode ser bom para uns e ruim para outros. Um estudo realizado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) sobre chaminés solares , no entanto, pode ajudar a refrescar quem vive em áreas mais quentes.

A chaminé solar desenvolvida pelo professor Maurício Roriz e seus orientandos Fernando Sá Cavalcante e Letícia de Oliveira Neves, do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da UFSCar, adota o mesmo princípio de um aquecedor solar de água e pode ser instalada para estimular a ventilação natural em residências ou escritórios.

“A chaminé funciona como um coletor solar: os raios solares atravessam um vidro e aquecem uma placa metálica preta, situada abaixo dele. Aquecida, a placa emite calor, mas em frequência diferente da que vem do sol e para a qual o vidro é opaco. Assim, o calor entra, mas não consegue sair”, disse Roriz à Agência FAPESP.

Nos coletores solares convencionais a água se aquece ao circular em tubos que passam sob a placa quente. “Na chaminé solar, em vez de água passa o ar”, disse.

Esse ar-condicionado natural se baseia no chamado “efeito chaminé”: no interior da estrutura, o ar aquecido se torna mais leve e tende a subir, aspirando o ar dos ambientes e substituindo-o pelo ar exterior, mais puro e geralmente mais confortável, particularmente nos climas típicos do Brasil.

“Trata-se, portanto, de um processo de ventilação provocado por diferenças de temperatura e de pressão, sendo muito eficiente para promover o conforto térmico nas horas quentes, mesmo em áreas urbanas densamente ocupadas, onde os obstáculos impedem o aproveitamento da ação direta do vento”, comentou Roriz.

Arquitetura bioclimática – Por uma conjugação de diversos fatores, as cidades se tornam cada vez menos confortáveis, provocando as chamadas ilhas urbanas de calor. “Além dos obstáculos à ventilação natural, as áreas com pavimentação impermeável crescem, invadindo os espaços onde havia parques, bosques e jardins, cuja vegetação contribuiria significativamente para amenizar o clima”, disse o pesquisador.

De modo geral, os edifícios também não são projetados e construídos de modo a favorecer os processos naturais de promoção do conforto térmico. O uso indiscriminado do vidro, sem o devido sombreamento, transforma a edificação em verdadeiro coletor solar.

“Tentando se proteger, o usuário fecha cortinas, interrompendo a ventilação natural e escurecendo o ambiente. Então, acende lâmpadas, que também geram calor, assim como os outros equipamentos elétricos que usamos em nossos escritórios e residências. Desse círculo vicioso resultam desconforto e desperdício de energia”, disse Roriz.

Segundo ele, existem diversas técnicas e estratégias, denominadas bioclimáticas, que poderiam contribuir para elevar a qualidade dos edifícios, mas que ainda são pouco conhecidas e aplicadas no Brasil. Essas técnicas têm como objetivo contribuir com a preservação do meio ambiente e a eficiência energética do ambiente construído, obtidas por meio do uso racional dos recursos naturais, além de proporcionar o conforto térmico aos ocupantes das edificações.

A chaminé solar é uma das técnicas da arquitetura bioclimática, assim como as coberturas “verdes” (uso de vegetação sobre as coberturas das edificações), a refrigeração evaporativa (sistema natural de resfriamento baseado na evaporação da água) e a inércia térmica do solo e dos sistemas construtivos (que guarda o calor nas horas quentes para combater o frio das madrugadas, ou vice-versa).

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De acordo com Roriz, é possível construir edifícios confortáveis sem condicionador de ar, aproveitando a ventilação natural. “Os condicionadores convencionais de ar ressecam o ambiente e prejudicam o sistema respiratório humano, além de impactarem negativamente o meio ambiente. A chaminé solar proporciona ventilação, sem consumir eletricidade e sem agredir a natureza”, afirmou.

Como um dos resultados da pesquisa, o professor desenvolveu um software, chamado Chaminé, que calcula a ventilação provocada por diferentes situações de uma chaminé solar, contém dados climáticos de mais de 300 cidades de todo o país e pode ser baixado gratuitamente no endereço www.roriz.eng.br/download_6.html.

Fonte: Mônica Pileggi/ Agência Fapesp


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5 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Clima mais quente já afeta tamanho de plantas na Austrália, diz estudo

Mudança de temperatura no país reduziu largura de folha em 2 mm.
Segundo cientistas, vegetais se adaptam à nova realidade do planeta.

A mudança climática já afeta espécies de plantas da Austrália, alterando o tamanho das folhas.

É o que aponta uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Adelaide, na Austrália, divulgada na noite desta terça-feira (3) no site da Sociedade Real Britânica pela publicação “Biology Letters”.

Segundo o estudo, foram analisadas exemplares da planta popularmente conhecida como vassoura-do-campo, subespécie angustissima (Dodonaea viscosa subsp. Angustissima). Foram feitas comparações com amostras recolhidas entre 1880 até o presente momento, encontradas nas montanhas Flinders, no Sul da Austrália.

A análise revelou uma diminuição de 2 milímetros na largura da folha (em um total avaliado que variava de 1 a 9 milímetros) ao longo de 127 anos. Entre 1950 e 2005, houve um aumento de 1,2ºC nas temperatuas máximas no Sul da Austrália, mas pouca alteração na precipitação na região da montanha.

Em comunicado divulgado pela universidade, o principal autor do estudo, Greg Guerin, disse que a mudança climática é frequentemente discutida em termos de impactos no futuro, porém, segundo ele, “mudanças de temperatura nas últimas décadas já têm efeitos ecológicos significativos”.

Ainda de acordo com o Guerin, as alterações do clima estão impulsionando mudanças adaptativas nas espécies de plantas, assim como ocorreu com a subespécie de vassoura-do-campo. “Demonstra processo adaptativo em relação ao clima”, complementa o professor.

 

Fonte: Globo Natureza


20 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Mudança climática já faz plantas ‘escalarem’ montanhas, afirma estudo

Picos mais frios têm recebido novas espécies de vegetais.
Montanhas do Mediterrâneo são as que mais perdem plantas devido ao calor.

Estudo liderado pela Academia Austríaca de Ciências aponta que a mudança climática já causa o deslocamento de espécies de plantas nas principais regiões montanhosas da Europa, o que pode acarretar o desaparecimento de vegetais em áreas afetadas por secas e falta de chuvas.

De acordo com uma pesquisa publicada nesta semana na revista “Science”, as plantas têm “escalado”, literalmente, as montanhas em direção ao cume para sobreviver em temperaturas que estariam mais amenas devido às alterações do clima.

O estudo constatou que algumas espécies chegaram a subir até 2,7 metros em busca de um ambiente melhor para sobrevivência.

Entre 2001 e 2008 foram analisados 66 picos de montanhas em 17 diferentes regiões da Europa, entre elas a área que margeia o Mar Mediterrâneo e as cadeias montanhosas das regiões boreais, mais próximas ao Ártico.

No período, novas espécies apareceram em 45 cumes, a maioria na região mais fria e houve redução de plantas em dez cumes, principalmente nos que estão próximos ao Mediterrâneo.

Segundo o estudo, a seca constante no Sul da Europa e a redução de chuvas estariam causando o desaparecimento ou migração dos vegetais para regiões mais frescas.

Fonte: Globo Natureza


28 de março de 2012 | nenhum comentário »

Animais gigantes da Austrália foram extintos por humanos

Teoria corrente creditava desaparecimento da megafauna australiana, por volta de 40 mil anos atrás, às mudanças climáticas

Pesquisa de seis universidades australianas mostrou que os primeiros habitantes da Austrália podem ter tido o costume de caçar animais gigantes, quando chegaram, há 40 mil anos, ao território onde hoje fica o país. Com isso, os cientistas acreditam ter posto fim ao longo debate sobre como esses vertebrados de grande porte – como cangurus, gansos e lagartos gigantes – desapareceram subitamente do ecossistema australiano.

Com a extinção desses animais herbívoros, o consumo de material vegetal caiu fortemente, o que teria causado uma rápida e dramática mudança na paisagem australiana. Antes, as terras mesclavam florestas com áreas abertas de pastagem. Mas as florestas depois passaram a se espalhar, e árvores de eucalipto roubaram a cena do lugar, segundo os pesquisadores.

Sabe-se que a maioria dos grandes animais terrestres foi extinta nos últimos 100 mil anos, mas as razões para este desaparecimento são tema de constantes discussões entre cientistas. Os últimos argumentos defendiam que a diminuição dessas espécies decorreu de uma grande mudança climática ou de um incêndio generalizado. Mas pesquisa publicada nesta sexta-feira na revista Sciencecontradisse essa teoria.

Para resolver o mistério, os cientistas rastrearam os herbívoros de grande porte ao longo dos anos por meio de um método que analisa os esporos (unidades de reprodução) de fungos específicos que viviam em seus excrementos. “Os esporos desses fungos podem ser preservados em sedimentos em pântanos e lagos. Como os sedimentos se acumulam ao longo do tempo, é possível saber em que período da história houve ou não abundância de grandes herbívoros no ambiente”, explica Chris Johnson, líder do estudo.

Segundo o pesquisador, partículas de pólen e de carvão vegetal também ficam presas nesses sedimentos, ou seja, é possível analisar a história e a abundância dos grandes animais em relação às mudanças na vegetação do ambiente e a um possível incêndio. A pesquisa se focou, em grande parte, em um pântano chamado Lynch’s Crater, no nordeste do estado australiano de Queensland.

Os cientistas descobriram que a quantidade de mamíferos gigantes era estável até pouco antes de 40 mil anos atrás, momento em que subitamente caiu. “Isto exclui as mudanças climáticas como causa da extinção, já que antes do desaparecimento houve vários períodos de seca que não causaram nenhum efeito sobre a quantidade dos animais. E no momento em que eles foram extintos, o clima era estável”, diz Johnson.

Ainda de acordo com os dados cronológicos levantados pela pesquisa, os cientistas perceberam que a extinção se seguiu logo após o momento em que pessoas chegaram à região – também há 40 mil anos –, por isso acreditam que os seres humanos foram os responsáveis por ela. “Nosso estudo não se concentrou em descobrir diretamente de que forma as pessoas causaram a extinção, mas o mecanismo mais provável é a caça”, conclui o pesquisador.

Sthenerus

Canguru gigante australiano pertencente ao extinto gênero Sthenurus. Ele chegava a medir até três metros de comprimento, sendo aproximadamente duas vezes maior que o canguru moderno (Divulgação/Wikipedia)

Fonte: Veja Ciência


17 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Pássaros são menos fiéis em temperaturas extremas ou instáveis

Aquecimento global deve afetar comportamento sexual das aves.
Dados são de estudo publicado pela revista científica ‘PLoS One’.

A mudança climática influi sobre a vida selvagem de várias maneiras. A lista de aspectos afetados vai desde o habitat dos ursos polares até a fidelidade das aves. Um estudo publicado nesta quinta-feira (16) pela revista científica “PLoS One” mostra que as aves monogâmicas passam a procurar outros parceiros sexuais com mais frequência se a temperatura atinge condições extremas ou incertas.

A pesquisa foi feita com centenas de espécies de aves, incluindo andorinhas, pardais, patos, gansos e gaivotas. Os cientistas estudaram os hábitos desses animais no cuidado com os filhotes, verificando se os casais trabalham em conjunto ou não.

Depois, eles cruzaram esses dados com os registros de temperatura e chuvas. Assim, eles descobriram que as aves que vivem em regiões de temperatura mais instável traem seus parceiros com mais frequência.

Segundo o autor Carlos Botero, da Universidade do Estado da Carolina do Norte, nos EUA, a promiscuidade vale a pena quando a temperatura atinge condições extremas. Procriar com diferentes parceiros garante a diversidade genética dos filhotes, e isso aumenta a chance de que pelo menos um deles se adapte bem ao clima que enfrentar.

Além disso, cada ambiente favorece um tipo de animal diferente – na busca por alimentos, por exemplo. Um bom parceiro no verão pode ser ruim no inverno. Quando isso acontece, aumenta a chance de que um animal simplesmente abandone o outro, e cresce o número de “divórcios” entre as aves em climas instáveis.

Como nada disso é consciente, Botero disse é possível que isso também afete os humanos, embora ainda não haja nenhuma evidência científica.

Pesquisa foi feita com pássaros mandarins na Alemanha. (Foto: Karen Hull / Flickr - Creative Commons 2.0 genérico)

Casal de pássaros mandarins (Foto: Karen Hull / Flickr - Creative Commons 2.0 genérico/arquivo)

Fonte: Globo Natureza


27 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Ovelhas alteram registro do anéis das árvores

Pesquisadores da Noruega descobriram o tradicional método de analisar os anéis dos troncos da árvores para saber como era o clima no passado não é tão certeiro quanto parecia. Eles constataram que animais herbívoros, como as ovelhas, podem alterar estas marcações.

Em altas latitudes e altitudes, as árvores crescem mais rápido nos anos mais quentes, o que faz com que a largura dos anéis varie de acordo com a mudança das temperaturas. Elas servem como uma janela para o passado e tem sido usado com registro climático desde o início de 1900. No entanto, quando muitos animais se alimentam das folhas e brotos, as árvores crescem menos. “Menos folhas significa menos fotossíntese”, disse ao iG James Speed autor do estudo publicado no periódico científico Functional Ecology.

Árvores crescem mais rápido nos anos mais quentes e isto pode ser notado nos anéis de seus troncos. Foto: Getty Images

A equipe de pesquisadores analisou o tronco de 206 bétulas em uma região montanhosa da Noruega. Depois de nove verões foram medidas as larguras dos troncos e o tamanho dos anéis. O grupo comparou o resultado com a temperatura do local e a densidade populacional de ovelhas na região. De acordo com o estudo, a largura dos anéis é mais afetada pela quantidade de ovelhas que do que pelo clima. Os pesquisadores destacam que embora ocorra as alterações nos padrões dos anéis, é possível identificar que a temperatura continuasse relacionada com a largura dos anéis.

“É importante que estes estudos também estimem o número de herbívoros que vivia no passado por meio de registros fósseis de esporos de fungos que viviam no esterco dos herbívoros. Seria interessante comparar estes registros com o dos anéis das árvores”, disse.

Speed afirma que seu estudo não atenua os efeitos das mudanças climáticas. “O estudo diz apenas que podemos estimar melhor as temperaturas do passado a partir dos anéis de árvore. De qualquer forma, pode ser que as mudanças climáticas podem ter sido superestimadas ou subestimadas”, disse.

Fonte: Maria Fernanda Ziegler/ Portal iG


24 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Mudar a cor da nuvem pode ajudar clima, afirmam cientistas

Mudar a cor das nuvens e injetar aerossóis nas camadas altas da atmosfera podem servir para o combate das mudanças climáticas, afirmaram especialistas internacionais em geoengenharia, convocados em Lima por um programa das Nações Unidas para discussão sobre o tema.

Essas novas tecnologias poderiam reduzir os níveis de radiação solar sobre a vida terrestre e diminuir os efeitos do aquecimento global, acrescentou.

Os cientistas pertencem ao IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, da ONU), organismo criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial e o Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), cujo objetivo é propor medidas de mitigação para as mudanças climáticas.

O cientista Christopher Field, do Instituto Carnegie para a Ciência (EUA), disse na quarta-feira que uma das “tecnologias complexas” seria mudar a cor do brilho das nuvens. Outras mais simples incluem a semeadura de árvores.

Field afirmou que é preciso avaliar o impacto que a tecnologia poderia ter sobre o clima, os oceanos, as pessoas, os sistemas sobre o clima e os sistemas terrestres.

“Estamos nas etapas iniciais de um estudo sobre essas novas tecnologias, que poderiam ser úteis ou não para responder às mudanças climáticas”, explicou.

Co-presidente do IPCC e catedrático da Universidade de Berna, na Suíça, Thomas Stocker informou que, entre os métodos modernos, também está a possibilidade de injetar aerossóis nas camadas altas da atmosfera e da estratosfera.

Outro cientista, Ottmar Edenhofer, do alemão Instituto Potsdam para a Pesquisa das Mudanças Climáticas, considerou que todas as ações devem ser analisadas para enfrentar o problema das variações climáticas.

Nova tecnologia como mudar cor das nuvens poderia reduzir níveis de radiação solar e diminuir os efeitos do aquecimento (Mary Persia/Folhapress)

Nova tecnologia como mudar cor das nuvens poderia reduzir níveis de radiação solar e diminuir os efeitos do aquecimento (Mary Persia/Folhapress)

 

Fonte: DA FRANCE PRESSE


22 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Noruega e Alemanha doam US$ 93 milhões para o Fundo do Clima

Noruega e Alemanha anunciaram nesta terça-feira (21) ajuda de US$ 93 milhões ao Banco Mundial destinado a programas de redução do desmatamento em florestas tropicais, um dos responsáveis pela aceleração das mudanças climáticas.

A Noruega, principal doadora para proteção das florestas foi responsável pela doação de US$ 50 milhões ao Fundo de Carbono do Banco Mundial, como parte do mecanismo imposto pela Organização das Nações Unidas.

Já a Alemanha informou que os US$ 43 milhões são referentes a doações passadas. A quantia cedida pelas duas nações europeias eleva o total do Fundo de Carbono para US$ 200 milhões, que já conta com dinheiro da Grã-Bretanha, Austrália e Estados Unidos.

Segundo Erik Solheim, ministro do Meio Ambiente da Noruega, o dinheiro vai ajudar nos projetos bilaterais, o que inclui US$ 1 bilhão para o Brasil e Indonésia. O desmatamento responde por cerca de 20% das emissões de gases na atmosfera. As árvores nativas funcionam como capturadoras de dióxido de carbono durante o crescimento.

Preocupação – Apesar da novidade, o representante do Banco Mundial, Andrew Steer, afirmou que o dinheiro para Fundo do Clima, criado pela ONU durante a conferência de Copenhague de 2009 e oficializado em Cancún no ano passado, tem aparecido muito lentamente. “Estamos muito preocupados com o gap que já está aparecendo”, afirmou Steer.

O gap citado é o intervalo entre os acordos obrigatórios pra redução das emissões. Atualmente em vigência está o Protocolo de Kyoto, que atinge 40 países desenvolvidos, exceto os Estados Unidos, obrigando à diminuição das emissões entre 2008 e 2012.

Entretanto, um novo tratado que incluiria as novas potências emergentes e os principais emissores mundiais, entre eles a China, ainda está em discussão e não tem data para ser definido.

Fonte: Globo Natureza


30 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Código Florestal pode agravar clima, dizem brasileiros do IPCC

Quatro dos cientistas brasileiros que fazem parte do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), da ONU, alertaram para o possível agravamento sobre o clima com a entrada em vigência da atual versão do Código Florestal aprovada pela Câmara.

Segundo eles, o aumento da pressão sobre as áreas de florestas comprometerá os compromissos internacionais firmados em 2009 pelo Brasil na Conferência de Copenhague, de diminuir em até 38,9% a emissão de gases-estufa e reduzir em 80% o desmatamento na Amazônia até 2020.

Os cientistas, que são ligados à Coppe-UFRJ (Coordenação de Programas de Pós-Gradução de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro), falaram sobre o assunto durante um seminário que abordou as conclusões de um relatório do IPCC sobre energias renováveis, realizado na última quinta-feira (26).

Para a cientista Suzana Kanh, as posições internacionais assumidas pelo país serão prejudicadas, se o Senado não mudar o texto do código aprovado pela Câmara ou se a presidenta da República, Dilma Rousseff, não apresentar vetos.

“O impacto do código é muito grande, na medida em que o Brasil tem a maior parte do compromisso de redução de emissão ligada à diminuição do desmatamento. Qualquer ação que fragilize esse combate vai dificultar bastante o cumprimento das metas brasileiras”, afirmou.

A cientista alertou que haverá mudanças climáticas imediatas no Brasil e na América do Sul com o aumento da derrubada de florestas para abrir espaço à agricultura e à pecuária, como vem ocorrendo no Cerrado e na Amazônia.

“Com o desmatamento, há o aumento da liberação de carbono para a atmosfera, afetando o microclima, influindo sobre o regime de chuvas e provocando a erosão do solo, prejudicando diretamente a população.”

O cientista Roberto Schaeffer, professor de planejamento energético da Coppe, disse que a entrada em vigor do Código Florestal, como aprovado pelos deputados, poderá prejudicar o investimento que o país faz em torno dos biocombustíveis, principalmente a cana, como fontes de energia limpa.

“Hoje os biocombustíveis são entendidos como uma das alternativas para lidar como mudanças climáticas. No momento em que o Brasil flexibiliza as regras e perdoa desmatadores, isso gera desconfiança sobre a maneira como o biocombustível é produzido no país e se ele pode reduzir as emissões como a gente sempre falou”, disse.

O geógrafo Marcos Freitas, que também faz parte do IPCC, considerou que o debate em torno do código deveria ser mais focado no melhor aproveitamento do solo, principalmente na revitalização das áreas degradadas.

“O Brasil tem 700 mil quilômetros quadrados de terra que já foi desmatada na Amazônia, e pelo menos dois terços é degradada. Se o código se concentrasse nessa terra já seria um ganho, pois evitaria que se desmatasse o restante. A área de floresta em pé é a que preocupa mais. Pois a tendência, na Amazônia, é a expansão da pecuária com baixa rentabilidade”, afirmou.

Para ele, haverá impactos no clima da região e do país, se houver aumento na devastação da floresta decorrente do novo código. “Isso é preocupante, porque a maior emissão [de gases-estufa] histórica do Brasil, em nível global, tem sido o uso do solo da Amazônia, que responde por cerca de 80% de nossas emissões. Nas últimas conferências [climáticas], nós saímos bem na foto, apresentando cenários favoráveis à redução no desmatamento na região. Agora há uma preocupação de que a gente volte a níveis superiores a 10 mil quilômetros quadrados por ano.”

A possibilidade de um retrocesso ambiental, se mantida a decisão da Câmara sobre o código, também foi apontada pelo engenheiro Segen Estefen, especialista em impactos sobre os oceanos. “Foi decepcionante o comportamento do Congresso, uma anistia para quem desmatou. E isso é impunidade. Uma péssima sinalização dos deputados sobre a seriedade na preservação ambiental. Preponderou a visão daqueles que têm interesse no desmatamento. Isso sempre é muito ruim para a imagem do Brasil”, disse.

O diretor da Coppe, Luiz Pinguelli, enviou uma carta à presidenta Dilma, sugerindo que ela vete parte do código, se não houver mudanças positivas no Senado. Secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Pinguelli alertou para a dificuldade do país cumprir as metas internacionais, se não houver um freio à devastação ambiental.

“O problema é o aumento do desmatamento em alguns estados, isso é um mau sinal. Com a aprovação do código, poderemos estar favorecendo essa situação. Seria possível negociar, beneficiando os pequenos agricultores. Mas o que passou é muito ruim”, afirmou Pinguelli, que mantém a esperança de que o Senado discuta com mais profundidade a matéria, podendo melhorar o que foi aprovado na Câmara.

Fonte: Agência Brasil.


2 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Mudança do eixo da Terra por terremoto não afeta o clima

O clima mundial não é afetado pelos deslocamentos do eixo da Terra provocados por grandes abalos sísmicos, explica Allegra N. LeGrande, do Centro de Pesquisa de Sistemas Climáticas da Universidade Columbia: “As alterações são pequenas demais”, diz ela.

Pesquisadores do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa calculam que o terremoto recente no Japão deslocou o eixo de rotação da Terra em mais de 16,5 centímetros, alterando levemente a distribuição de massa no planeta.

Porém, “alterações naturais na massa da Terra, na atmosfera e oceanos, também causam mudanças de aproximadamente 99 centímetros no eixo de rotação, todo ano”, segundo LeGrande. “Trocando em miúdos, as mudanças ligadas a terremotos são muito menores do que as alterações imperceptíveis que acabam ocorrendo todos os anos”.

De acordo com LeGrande, alterações maiores no eixo provocam mudanças climáticas. A mudança cíclica na inclinação do eixo associada a deslocamentos astronômicos, chamadas de obliquidade, tem um ciclo bastante longo, cerca de 41 mil anos, e mudam a inclinação de cerca de 22,1º para 24,5º. No presente momento, ela está ao redor de 23,4º.

Em latitudes mais altas, uma obliquidade maior significa maior irradiação anual total. Nas latitudes baixas, o oposto é válido e, nas médias, praticamente inexiste mudança. Segundo LeGrande, quando a obliquidade é elevada, as diferenças entre o equador e os polos na irradiação total e, também, na temperatura, é mais ampla, em resultado o ciclo das estações do ano se torna mais extremo. “Só que as alterações que acontecem todo ano com a obliquidade são tão minúsculas que não percebemos”.

Fonte: Portal iG


29 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Ar-condicionado natural

Morar em um país como o Brasil, onde cada região possui um clima diferente, pode ser bom para uns e ruim para outros. Um estudo realizado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) sobre chaminés solares , no entanto, pode ajudar a refrescar quem vive em áreas mais quentes.

A chaminé solar desenvolvida pelo professor Maurício Roriz e seus orientandos Fernando Sá Cavalcante e Letícia de Oliveira Neves, do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da UFSCar, adota o mesmo princípio de um aquecedor solar de água e pode ser instalada para estimular a ventilação natural em residências ou escritórios.

“A chaminé funciona como um coletor solar: os raios solares atravessam um vidro e aquecem uma placa metálica preta, situada abaixo dele. Aquecida, a placa emite calor, mas em frequência diferente da que vem do sol e para a qual o vidro é opaco. Assim, o calor entra, mas não consegue sair”, disse Roriz à Agência FAPESP.

Nos coletores solares convencionais a água se aquece ao circular em tubos que passam sob a placa quente. “Na chaminé solar, em vez de água passa o ar”, disse.

Esse ar-condicionado natural se baseia no chamado “efeito chaminé”: no interior da estrutura, o ar aquecido se torna mais leve e tende a subir, aspirando o ar dos ambientes e substituindo-o pelo ar exterior, mais puro e geralmente mais confortável, particularmente nos climas típicos do Brasil.

“Trata-se, portanto, de um processo de ventilação provocado por diferenças de temperatura e de pressão, sendo muito eficiente para promover o conforto térmico nas horas quentes, mesmo em áreas urbanas densamente ocupadas, onde os obstáculos impedem o aproveitamento da ação direta do vento”, comentou Roriz.

Arquitetura bioclimática – Por uma conjugação de diversos fatores, as cidades se tornam cada vez menos confortáveis, provocando as chamadas ilhas urbanas de calor. “Além dos obstáculos à ventilação natural, as áreas com pavimentação impermeável crescem, invadindo os espaços onde havia parques, bosques e jardins, cuja vegetação contribuiria significativamente para amenizar o clima”, disse o pesquisador.

De modo geral, os edifícios também não são projetados e construídos de modo a favorecer os processos naturais de promoção do conforto térmico. O uso indiscriminado do vidro, sem o devido sombreamento, transforma a edificação em verdadeiro coletor solar.

“Tentando se proteger, o usuário fecha cortinas, interrompendo a ventilação natural e escurecendo o ambiente. Então, acende lâmpadas, que também geram calor, assim como os outros equipamentos elétricos que usamos em nossos escritórios e residências. Desse círculo vicioso resultam desconforto e desperdício de energia”, disse Roriz.

Segundo ele, existem diversas técnicas e estratégias, denominadas bioclimáticas, que poderiam contribuir para elevar a qualidade dos edifícios, mas que ainda são pouco conhecidas e aplicadas no Brasil. Essas técnicas têm como objetivo contribuir com a preservação do meio ambiente e a eficiência energética do ambiente construído, obtidas por meio do uso racional dos recursos naturais, além de proporcionar o conforto térmico aos ocupantes das edificações.

A chaminé solar é uma das técnicas da arquitetura bioclimática, assim como as coberturas “verdes” (uso de vegetação sobre as coberturas das edificações), a refrigeração evaporativa (sistema natural de resfriamento baseado na evaporação da água) e a inércia térmica do solo e dos sistemas construtivos (que guarda o calor nas horas quentes para combater o frio das madrugadas, ou vice-versa).

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De acordo com Roriz, é possível construir edifícios confortáveis sem condicionador de ar, aproveitando a ventilação natural. “Os condicionadores convencionais de ar ressecam o ambiente e prejudicam o sistema respiratório humano, além de impactarem negativamente o meio ambiente. A chaminé solar proporciona ventilação, sem consumir eletricidade e sem agredir a natureza”, afirmou.

Como um dos resultados da pesquisa, o professor desenvolveu um software, chamado Chaminé, que calcula a ventilação provocada por diferentes situações de uma chaminé solar, contém dados climáticos de mais de 300 cidades de todo o país e pode ser baixado gratuitamente no endereço www.roriz.eng.br/download_6.html.

Fonte: Mônica Pileggi/ Agência Fapesp


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