6 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Mais de 40 novas espécies de peixes são encontradas no Rio Madeira

A descoberta foi feita durante trabalho de monitoramento.
Rio Madeira tem quase mil espécies, algumas ainda desconhecidas.

Uma pesquisa feito na Bacia do Rio Madeira, em Porto Velho, encontrou peixes que não passam dos 30 centímetros de comprimento e que possuem estruturas ósseas, morfologia dentária, padrão de cores, olhos e número de escamas nunca antes descritos pela ciência. As 40 novas espécies ainda serão catalogadas e reconhecidas científicamente.

Seja em dois metros de profundidade, seja em 60 metros, o Rio Madeira não para de surpreender. A maior parte dos novos animais encontrados são de pequeno porte, que dificilmente atingem mais de 15 centímetros e são encontrados em profundidades de dois a 60 metros.

Arraia encontrada no Rio Madeira. Nome cientifico Potamotrygon motoro, com tamanho de 60 cm. Possui um ferrão na calda (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

Arraia encontrada no Rio Madeira. Nome cientifico Potamotrygon motoro, com tamanho de 60 cm (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

Peixe raro encontrado somente em lençóis freáticos. A espécie não tem olhos (Foto: Unir/Divulgação)

Peixe raro encontrado somente em lençóis freáticos. A espécie não tem olhos (Foto: Unir/Divulgação)

Entre as novas espécies encontradas, o maior animal registrado mede 30 centímetros e recebeu o nome de Ageneiosus spn. Vittatus, tem a cabeça alongada e com um filamento que se parece com uma antena, é da cor branca com listras marrons. Como ainda estão sendo estudadas, não se sabe muito sobre os hábitos e comportamentos destas novas espécies.

“Descobrir exemplares novos também pode ser um indicativo de que determinada espécie está se extinguindo antes que possamos conhecê-la e isso pode ser um reflexo da interferência humana no ecossistema”, reflete o biólogo e coordenador do inventário taxonômico da pesquisa, João Alves de Lima Filho.

Uma das novas espécies encontradas. Nome cientifico Ageneiosus sp n vittatus (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

Uma das novas espécies encontradas. Nome cientifico Ageneiosus sp n vittatus (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

A pesquisa
Foram monitorados 1,7 mil quilômetros do Rio Madeira, entre os estados de Rondônia, Mato Grosso e Amazonas. Foram catalogadas 907 espécies, o que garante ao Rio Madeira o primeiro lugar como o rio mais em diversidade de peixes do mundo.

Uma coleção de ictiofauna [estudo dos peixes] está sendo montada por biólogos e pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (Unir) a partir do resultado do monitoramento, que foi desenvolvido durante quatro anos para conhecer as consequências da construção da Usina Hidrelétrica Santo Antônio. Os estudos fazem parte das condicionantes impostas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos  Naturais Renováveis (Ibama) para a liberação da Licença de Operação à concessionária Santo Antônio Energia.

Esta já é a coleção que possui o segundo maior banco de registros genéticos do Brasil, com 16 mil amostras e também o terceiro maior em número de espécies.

Loricarideo em reprodução, com os ovos no  ventre. Uma das espécies que fazem parte da coleção de ictiofauna da Unir (Foto: Diogo Hungria/Unir/Divulgação)

Loricarideo em reprodução, com os ovos no ventre. Uma das espécies que fazem parte da coleção de ictiofauna da Unir (Foto: Diogo Hungria/Unir/Divulgação)

Segundo o biólogo coordenador da coleção, João Alves, todas os indivíduos que não foram identificados estão em processo de estudo.

O estudo é feito manualmente, a medição e análise das caracteríscas e do ambiente. Além disso, é feita a aferição do código genético dos animais encontrados.

“No final, para divulgação da nova espécie e suas especificidades é redigido um artigo científico que é publicado para que a comunidade científica tome conhecimento da descoberta”, conta João Alves.

Espécie rara na Bacia Amazônica, encontrada apenas em regiões profundas do rio. Nome cientifico Planiloricaria cryptodon com tamanho aproximado de 25.3 cm (Foto: Unir/Divulgação)

Espécie rara na Bacia Amazônica, encontrada apenas em regiões profundas do rio. Nome cientifico Planiloricaria cryptodon com tamanho aproximado de 25.3 cm (Foto: Unir/Divulgação)

Em novembro, a Unir espera que pelo menos uma das novas espécies seja reconhecida. “Um dos nossos pesquisadores está finalizando o artigo sobre um dos novos animais descobertos. Essa seria uma nova espécie de lambari”, antecipa João.

O estudo para a publicação de um artigo como este demora em média um ano e meio. “O primeiro passo é descrever essas espécies, e posteriormente iniciar os estudos de sua biologia e ecologia”, conta João Alves.

Monitoramento e captura?
Os pesquisadores vão à campo no Rio Madeira e seus afluentes com uma metodologia padronizada de captura dos animais.

Captura dos animais para estudo e monitoramento da ictiofauna na Bacia do Madeira. Aplicação da metodologia de rede de cerco.  (Foto: Maria Fonseca/Unir/Divulgação)

Captura dos animais para estudo e monitoramento da ictiofauna na Bacia do Madeira. Aplicação da metodologia de rede de cerco. (Foto: Maria Fonseca/Unir/Divulgação)

Todo os espécies coletados em campo passam por um processo de análise e armazenamento específico para que possa fazer parte da coleção de estudos e para poder durar até 150 anos em bom estado de conservação.

Fonte: Globo Natureza


26 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Saneamento básico seria o problema ambiental número um no Brasil

Saneamento básico é o maior problema ambiental do Brasil estando à frente do desmatamento ou execução de projetos para a obtenção de energia, segundo o professor de engenharia civil e ambiental da Universidade de Brasília, Oscar Netto. Em sua avaliação, “em média, todo brasileiro vai se deparar, em algum momento do seu dia, com problemas ambientais causados pela falta de saneamento. Sobretudo no que se refere a saneamento urbano, nós temos um grade desafio pela frente”, explica.

A Região Norte do Brasil é onde o problema de falta de coleta e tratamento de esgoto é pior. Enquanto a média nacional de coleta de esgoto nas residências é 44,5%, no Norte do país é apenas 6,2%, segundo dados de 2009 do Ministério das Cidades, quando foi concluído o último Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto.

Em artigo publicado pela Agência Brasil, o professor exemplifica a situação citando o caso da última enchente do Rio Negro, no Amazonas. “A falta de coleta e destinação adequada dos detritos sólidos agravou um evento natural periódico devido ao lixo que boiava e causava contaminação”.

Oscar Netto acredita que a população deva cobrar das autoridades medidas para que esse quadro, da falta de saneamento básico, seja transformado e exigir que o assunto esteja no topo das políticas públicas. A mesma crítica ele estende ao movimento ambientalista que não estaria se dedicando com afinco a essa questão.

O diretor adjunto de Campanhas do Greenpeace, Nilo D’Ávila, discorda que o assunto seja esquecido pelo movimento ambientalista. Ele admite que esta não seja uma bandeira da organização da qual faz parte, mas garante que há outras organizações não governamentais (ONGs) no país trabalhando para que seja dada mais atenção à limpeza de rios e aterros sanitários.

Na opinião de D’Ávila, a falta de dedicação à questão do saneamento básico é dos governos. Ele, contudo, acha que o Brasil também não está indo bem nas outras frentes da batalha ambiental. A queda do desmatamento apresentada pelo governo nas últimas semanas, para ele, está mais relacionada a questões econômicas do que à eficiência na fiscalização. “Você percebe que a curva do desmatamento e do dólar são parecidas. O desmatamento na Amazônia é ligado à exportação de commodities. O dólar alto e a impunidade que existe nas questões ambientais levam as pessoas a cometerem ilícitos. Tanto que o desmatamento caiu, mas 80% dele ainda é ilegal”, diz.

Fonte: Amda


11 de abril de 2012 | nenhum comentário »

No Amazonas, pesquisa utiliza fezes do peixe-boi para conhecer o ciclo reprodutivo da espécie

Cientistas do Instituto Mamirauá estão percorrendo rios, lagos e igarapés das Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, no noroeste do Amazonas, em busca de amostras de fezes de peixe-boi amazônico.

A procura, que pode parecer estranha à primeira vista, faz parte de uma pesquisa que pretende conhecer o processo de reprodução da espécie em vida livre.

O estudo é parte do projeto Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert), desenvolvido por pesquisadores do Instituto Mamirauá, com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras ambiental.

Com um acervo de mais de 300 amostras fecais, algumas coletadas há quase duas décadas, os pesquisadores querem analisar as variações nas taxas de hormônios sexuais: os hormônios femininos progesterona (responsável pela manutenção da gestação) e estradiol (ligado à função cíclica ovariana); e o hormônio masculino testosterona (ligado ao funcionamento dos testículos).

De acordo com a médica veterinária Carolina Oliveira, que realiza o estudo, são escassos os relatos científicos sobre a reprodução do peixe-boi amazônico em ambiente silvestre.

“Os dados que se tem são, na grande maioria, provenientes de animais de cativeiro. Em vida livre pode ser diferente, já que soltos os animais recebem influência direta de fatores como a variação do nível da água nas estações de seca e cheia e disponibilidade de alimento”, diz a veterinária.

Segundo Carolina, por meio do estudo da variação das concentrações hormonais é possível estimar em que época do ano os peixes-boi acasalam e em quais épocas as fêmeas estão parindo. Para extração de dosagens de hormônios, é utilizado somente 0,5 grama de fezes.

Os pesquisadores procuram por fezes nas “comedias”, que são concentrações de plantas aquáticas remexidas por peixes-boi durante a alimentação. As amostras coletadas são identificadas e armazenadas em refrigeradores localizados nas bases de pesquisa. Posteriormente, o conteúdo é transportado para a sede do Instituto Mamirauá, no município de Tefé – a 525 quilômetros de Manaus -, onde as amostras serão analisadas.

Pesquisas com exemplares da espécie em cativeiro indicam que o peixe-boi tem baixa capacidade de se reproduzir. A fêmea do peixe-boi só tem um filhote a cada três anos e precisa amamentar a cria por dois anos.

De acordo com a veterinária, a vantagem da coleta de amostras fecais está no fato de a pesquisa obter dados sobre a biologia do peixe-boi sem a necessidade de capturar animais, processo que seria danoso aos animais pelo estresse causado, além de ser caro.

Fonte: A Crítica/AM


1 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Produto ‘biodegradável’ é vilão se descartado de forma errada, diz artigo

Decomposição de copos descartáveis e outros utensílios libera metano.
Descarte em aterros sem tratamento contribui para emissão de poluentes.

Cientistas da Universidade Estadual da Carolina do Norte, dos Estados Unidos, divulgaram pesquisa nesta terça-feira (31) apontando que o descarte inadequado de produtos chamados ‘biodegradáveis’ pode ser prejudicial ao meio ambiente.

A justificativa é que a decomposição de copos descartáveis e outros utensílios com esta denominação libera gás metano, causador do efeito estufa. A preocupação dos pesquisadores é que se este tipo de lixo for colocado em aterros sanitários que não capturam ou queimam o gás, o metano será liberado para a atmosfera e poderá contribuir para as emissões de poluentes.

“O metano pode ser uma valiosa fonte de energia quando capturado, mas é um gás de efeito estufa se lançado na atmosfera”, afirmou Morton Barlaz, co-autor da pesquisa e professor da universidade. “Em outras palavras, os produtos biodegradáveis podem não respeitar tanto o meio ambiente quando descartado em aterros inadequados”, complementou.

Segundo a Agência de Proteção Ambiental norte-americana, 35% dos resíduos sólidos urbanos do país vão para locais que capturam o metano e o transformam em energia.Outros 34% vão para aterros que queimam o gás (usinas de biogás). Entretanto, 31% do lixo urbano dos Estados Unidos vai para ambientes sem tratamento e que permitem liberar o gás de efeito estufa na  atmosfera.

O alerta sobre o assunto foi dado também porque os produtos ‘biodegradáveis’ sofrem processo rápido de decomposição. De acordo com a pesquisa, ‘se os materiais degradam e liberam metano rapidamente, significaria menos combustível potencial para uso de energia e mais emissões de gases de efeito estufa’.

“Se queremos maximizar os benefícios ambientais dos produtos biodegradáveis em aterro, nós precisamos ampliar a coleta do metano e modificar o design desses produtos para que eles se decomponham mais lentamente”, disse.

Fonte: Globo Natureza, em São Paulo


4 de março de 2011 | nenhum comentário »

Nova espécie de peixe é descoberta na bacia amazônica

Uma nova espécie de peixe foi descoberta durante expedições realizadas na bacia amazônica por pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). As informações são da Agência de Comunicação do MPEG.

O peixe foi coletado durante expedição realizada no igarapé Curuá, afluente do rio Amazonas, no Pará, na Estação Ecológica Grão Pará.

“É um peixe muito pequeno, que foi coletado quase no fim dos trabalhos no igarapé. Devido ao seu tamanho, acreditamos ser uma espécie difícil de ser encontrada, tanto que só conseguimos coletar um único individuo” relata Wolmar Wosiacki.

Wolmar é pesquisador e curador da coleção ictiológica do MPEG. A descoberta da espécie foi divulgada em um artigo na revista Revista Zootaxa em janeiro de 2011, publicada por Walmar, Luciano Montag, professor da Universidade Federal do Pará, e Daniel Coutinho, do Programa de Pós-Graduação em Zoologia.

A espécie foi identificada com o nome científico Stenolicmus ix.

Esta espécie de peixe se difere das outras pelo comprimento dos barbilhões (filamento olfativo ou gustativo) nasais e maxilares; pelo padrão de coloração da região dorsal do tronco e pelos olhos e comprimento da cabeça proporcionalmente grandes, entre outras características descritas no artigo.

Habitat – A nova espécie foi coletada com uma peneira nas cabeceiras do Rio Curuá (PA) e, com ele, outras quinze espécies foram observadas.

Segundo os autores do artigo, não é possível afirmar o tipo de ambiente utilizado pelo peixe, porque não foram realizadas observações das espécies em seu habitat natural.

No entanto, pode-se sugerir uma associação a ambientes arenosos considerando o fato de que a maioria das espécies próximas à descrita são associados a este tipo de ambiente.

Fonte: A Crítica/AM


5 de novembro de 2010 | nenhum comentário »

Brasil reciclou 98,2% das latas de alumínio durante 2009

No ano passado, o processo de reaproveitamento movimentou R$ 1,3 bilhão

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O Brasil atingiu, em 2009, mais um recorde de reciclagem de latas de alumínio. Foram reutilizadas 98,2% das latinhas vendidas. Ou seja: das 202,5 mil toneladas de alumínio vendidas, foram recicladas 198,8 mil toneladas. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (28/10) pela Associação Brasileira do Alumínio (Abal) e pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas).
Na comparação entre 2009 e 2008, a quantidade de latas recicladas aumentou 19,9%. Em 2008, foram reutilizadas 91,6% das latas vendidas pela indústria (cerca de 165 mil toneladas). É possível que esse movimento acompanhe o crescimento das vendas de latinhas, já que, de acordo com a Abralatas, o índice de comercialização desse tipo de embalagem não parou de crescer nos últimos cinco anos. No primeiro semestre de 2010, com o estímulo da transmissão da Copa do Mundo, foram compradas 21,8% a mais de latinhas que no mesmo período de 2009 — e, no segundo semestre, a previsão é que haja um aumento de mais dez pontos percentuais.
“Se toda coleta de latas fosse feita por uma empresa só, ela estaria entre as mil maiores do país”, complementou Henio de Nicola, presidente da Abal. Em 2009, a reciclagem das latas de alumínio movimentou R$ 1,3 bilhão ; desse total, R$ 382 milhões foram gerados só com o trabalho de coleta do material.
Com a reciclagem do alumínio das latas, também foram economizados 2,9 mil gigawatts-hora (GWh), quantidade de energia capaz de atender à demanda anual de uma cidade como Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, que tem 1,2 milhão de habitantes.
Fonte: por Globo Rural Online, com informações da Agência Brasil

15 de julho de 2009 | nenhum comentário »

CNPq vai autorizar coleta de fauna e flora

Acordo entre ministros da Ciência e Tecnologia e do Meio Ambiente tira do Ibama competência de licenciar pesquisa. Projeto ainda precisa ser submetido ao Congresso; verba para institutos de pesquisa ainda não saiu, seis meses depois de sua criação

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Eduardo Geraque escreve para a “Folha de SP”:

O histórico problema do acesso à biodiversidade brasileira e aos seus recursos genéticos, que tanto atrapalha as pesquisas, segundo os cientistas, pode ter uma solução em breve.

As autorizações, dadas hoje por órgãos do Ministério do Meio Ambiente, passarão a ser aprovadas pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Mas isso só depois que um novo projeto de lei for aprovado pelo Congresso Nacional.

“Eu e o ministro Carlos Minc chegamos a um consenso de que o melhor é que a responsabilidade pelas autorizações mude de órgão”, disse o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, ontem em Manaus. Ele participou do primeiro dia da 61ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).

Segundo Rezende, o acordo com o Meio Ambiente para facilitar o acesso de cientistas à fauna e à flora vai constar de um novo projeto de lei.

Esse acesso é motivo de conflito há anos. Hoje, o trabalho dos pesquisadores é feito sob regras de uma medida provisória editada em 2001. Cientistas costumam reclamar que são tratados como biopiratas.

Um deles, o zoólogo Carlos Jared, do Instituto Butantan, foi multado em R$ 21 mil pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) em 2007 e teve a sua licença de coleta cassada após mandar espécimes de um invertebrado a um colaborador na Alemanha.

Em 2007, uma portaria do Ibama prometeu acelerar a concessão de licenças de coleta -que demoravam até dois anos-, mas, para os cientistas, a medida não adiantou.

“A mentalidade deles é que a gente é bandido até prova em contrário”, disse Jared, que comemorou as declarações de Sergio Rezende. “É maravilhoso sair da mão desse regime policialesco do Ibama.”

Sem dinheiro

Apesar do discurso contra a burocratização da ciência, que voltou a ser repetido ontem, cientistas presentes em Manaus mostraram preocupação com o fato de os recursos para os INCTs (Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia) ainda não estarem sendo liberados.

Pelo programa, serão liberados mais de R$ 600 milhões para 123 grupos de pesquisa de todo o Brasil. “Pelo edital, os recursos deveriam começar a ser repassados para os grupos de pesquisa em janeiro. Até agora eu não recebi um tostão”, disse Philip Fearnside, pesquisador do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e coordenador de um INCT.

O Inpa tem quatro institutos aprovados. Três não receberam nenhuma verba ainda. Um apenas, coordenado por Adalberto Val, diretor do Inpa, recebeu uma pequena parcela.

Há duas maneiras de fazer os contratos para o repasse dos recursos. Numa deles, o contrato é feito entre o MCT e o coordenador do INCT -caso de Val.

A segunda forma é entre o governo e a instituição. Mas, desde que o TCU (Tribunal de Contas da União) congelou o repasse de verba para as fundações de pesquisa, esse tipo de contrato ficou mais restrito.

No desenho imaginado antes da decisão do TCU, tomada em novembro de 2008 após os escândalos na Universidade de Brasília, centros de pesquisa como o Inpa criariam novas pessoas jurídicas para receber os recursos dos INCTs.
(Folha de SP, 14/7)






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6 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Mais de 40 novas espécies de peixes são encontradas no Rio Madeira

A descoberta foi feita durante trabalho de monitoramento.
Rio Madeira tem quase mil espécies, algumas ainda desconhecidas.

Uma pesquisa feito na Bacia do Rio Madeira, em Porto Velho, encontrou peixes que não passam dos 30 centímetros de comprimento e que possuem estruturas ósseas, morfologia dentária, padrão de cores, olhos e número de escamas nunca antes descritos pela ciência. As 40 novas espécies ainda serão catalogadas e reconhecidas científicamente.

Seja em dois metros de profundidade, seja em 60 metros, o Rio Madeira não para de surpreender. A maior parte dos novos animais encontrados são de pequeno porte, que dificilmente atingem mais de 15 centímetros e são encontrados em profundidades de dois a 60 metros.

Arraia encontrada no Rio Madeira. Nome cientifico Potamotrygon motoro, com tamanho de 60 cm. Possui um ferrão na calda (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

Arraia encontrada no Rio Madeira. Nome cientifico Potamotrygon motoro, com tamanho de 60 cm (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

Peixe raro encontrado somente em lençóis freáticos. A espécie não tem olhos (Foto: Unir/Divulgação)

Peixe raro encontrado somente em lençóis freáticos. A espécie não tem olhos (Foto: Unir/Divulgação)

Entre as novas espécies encontradas, o maior animal registrado mede 30 centímetros e recebeu o nome de Ageneiosus spn. Vittatus, tem a cabeça alongada e com um filamento que se parece com uma antena, é da cor branca com listras marrons. Como ainda estão sendo estudadas, não se sabe muito sobre os hábitos e comportamentos destas novas espécies.

“Descobrir exemplares novos também pode ser um indicativo de que determinada espécie está se extinguindo antes que possamos conhecê-la e isso pode ser um reflexo da interferência humana no ecossistema”, reflete o biólogo e coordenador do inventário taxonômico da pesquisa, João Alves de Lima Filho.

Uma das novas espécies encontradas. Nome cientifico Ageneiosus sp n vittatus (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

Uma das novas espécies encontradas. Nome cientifico Ageneiosus sp n vittatus (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

A pesquisa
Foram monitorados 1,7 mil quilômetros do Rio Madeira, entre os estados de Rondônia, Mato Grosso e Amazonas. Foram catalogadas 907 espécies, o que garante ao Rio Madeira o primeiro lugar como o rio mais em diversidade de peixes do mundo.

Uma coleção de ictiofauna [estudo dos peixes] está sendo montada por biólogos e pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (Unir) a partir do resultado do monitoramento, que foi desenvolvido durante quatro anos para conhecer as consequências da construção da Usina Hidrelétrica Santo Antônio. Os estudos fazem parte das condicionantes impostas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos  Naturais Renováveis (Ibama) para a liberação da Licença de Operação à concessionária Santo Antônio Energia.

Esta já é a coleção que possui o segundo maior banco de registros genéticos do Brasil, com 16 mil amostras e também o terceiro maior em número de espécies.

Loricarideo em reprodução, com os ovos no  ventre. Uma das espécies que fazem parte da coleção de ictiofauna da Unir (Foto: Diogo Hungria/Unir/Divulgação)

Loricarideo em reprodução, com os ovos no ventre. Uma das espécies que fazem parte da coleção de ictiofauna da Unir (Foto: Diogo Hungria/Unir/Divulgação)

Segundo o biólogo coordenador da coleção, João Alves, todas os indivíduos que não foram identificados estão em processo de estudo.

O estudo é feito manualmente, a medição e análise das caracteríscas e do ambiente. Além disso, é feita a aferição do código genético dos animais encontrados.

“No final, para divulgação da nova espécie e suas especificidades é redigido um artigo científico que é publicado para que a comunidade científica tome conhecimento da descoberta”, conta João Alves.

Espécie rara na Bacia Amazônica, encontrada apenas em regiões profundas do rio. Nome cientifico Planiloricaria cryptodon com tamanho aproximado de 25.3 cm (Foto: Unir/Divulgação)

Espécie rara na Bacia Amazônica, encontrada apenas em regiões profundas do rio. Nome cientifico Planiloricaria cryptodon com tamanho aproximado de 25.3 cm (Foto: Unir/Divulgação)

Em novembro, a Unir espera que pelo menos uma das novas espécies seja reconhecida. “Um dos nossos pesquisadores está finalizando o artigo sobre um dos novos animais descobertos. Essa seria uma nova espécie de lambari”, antecipa João.

O estudo para a publicação de um artigo como este demora em média um ano e meio. “O primeiro passo é descrever essas espécies, e posteriormente iniciar os estudos de sua biologia e ecologia”, conta João Alves.

Monitoramento e captura?
Os pesquisadores vão à campo no Rio Madeira e seus afluentes com uma metodologia padronizada de captura dos animais.

Captura dos animais para estudo e monitoramento da ictiofauna na Bacia do Madeira. Aplicação da metodologia de rede de cerco.  (Foto: Maria Fonseca/Unir/Divulgação)

Captura dos animais para estudo e monitoramento da ictiofauna na Bacia do Madeira. Aplicação da metodologia de rede de cerco. (Foto: Maria Fonseca/Unir/Divulgação)

Todo os espécies coletados em campo passam por um processo de análise e armazenamento específico para que possa fazer parte da coleção de estudos e para poder durar até 150 anos em bom estado de conservação.

Fonte: Globo Natureza


26 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Saneamento básico seria o problema ambiental número um no Brasil

Saneamento básico é o maior problema ambiental do Brasil estando à frente do desmatamento ou execução de projetos para a obtenção de energia, segundo o professor de engenharia civil e ambiental da Universidade de Brasília, Oscar Netto. Em sua avaliação, “em média, todo brasileiro vai se deparar, em algum momento do seu dia, com problemas ambientais causados pela falta de saneamento. Sobretudo no que se refere a saneamento urbano, nós temos um grade desafio pela frente”, explica.

A Região Norte do Brasil é onde o problema de falta de coleta e tratamento de esgoto é pior. Enquanto a média nacional de coleta de esgoto nas residências é 44,5%, no Norte do país é apenas 6,2%, segundo dados de 2009 do Ministério das Cidades, quando foi concluído o último Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto.

Em artigo publicado pela Agência Brasil, o professor exemplifica a situação citando o caso da última enchente do Rio Negro, no Amazonas. “A falta de coleta e destinação adequada dos detritos sólidos agravou um evento natural periódico devido ao lixo que boiava e causava contaminação”.

Oscar Netto acredita que a população deva cobrar das autoridades medidas para que esse quadro, da falta de saneamento básico, seja transformado e exigir que o assunto esteja no topo das políticas públicas. A mesma crítica ele estende ao movimento ambientalista que não estaria se dedicando com afinco a essa questão.

O diretor adjunto de Campanhas do Greenpeace, Nilo D’Ávila, discorda que o assunto seja esquecido pelo movimento ambientalista. Ele admite que esta não seja uma bandeira da organização da qual faz parte, mas garante que há outras organizações não governamentais (ONGs) no país trabalhando para que seja dada mais atenção à limpeza de rios e aterros sanitários.

Na opinião de D’Ávila, a falta de dedicação à questão do saneamento básico é dos governos. Ele, contudo, acha que o Brasil também não está indo bem nas outras frentes da batalha ambiental. A queda do desmatamento apresentada pelo governo nas últimas semanas, para ele, está mais relacionada a questões econômicas do que à eficiência na fiscalização. “Você percebe que a curva do desmatamento e do dólar são parecidas. O desmatamento na Amazônia é ligado à exportação de commodities. O dólar alto e a impunidade que existe nas questões ambientais levam as pessoas a cometerem ilícitos. Tanto que o desmatamento caiu, mas 80% dele ainda é ilegal”, diz.

Fonte: Amda


11 de abril de 2012 | nenhum comentário »

No Amazonas, pesquisa utiliza fezes do peixe-boi para conhecer o ciclo reprodutivo da espécie

Cientistas do Instituto Mamirauá estão percorrendo rios, lagos e igarapés das Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, no noroeste do Amazonas, em busca de amostras de fezes de peixe-boi amazônico.

A procura, que pode parecer estranha à primeira vista, faz parte de uma pesquisa que pretende conhecer o processo de reprodução da espécie em vida livre.

O estudo é parte do projeto Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert), desenvolvido por pesquisadores do Instituto Mamirauá, com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras ambiental.

Com um acervo de mais de 300 amostras fecais, algumas coletadas há quase duas décadas, os pesquisadores querem analisar as variações nas taxas de hormônios sexuais: os hormônios femininos progesterona (responsável pela manutenção da gestação) e estradiol (ligado à função cíclica ovariana); e o hormônio masculino testosterona (ligado ao funcionamento dos testículos).

De acordo com a médica veterinária Carolina Oliveira, que realiza o estudo, são escassos os relatos científicos sobre a reprodução do peixe-boi amazônico em ambiente silvestre.

“Os dados que se tem são, na grande maioria, provenientes de animais de cativeiro. Em vida livre pode ser diferente, já que soltos os animais recebem influência direta de fatores como a variação do nível da água nas estações de seca e cheia e disponibilidade de alimento”, diz a veterinária.

Segundo Carolina, por meio do estudo da variação das concentrações hormonais é possível estimar em que época do ano os peixes-boi acasalam e em quais épocas as fêmeas estão parindo. Para extração de dosagens de hormônios, é utilizado somente 0,5 grama de fezes.

Os pesquisadores procuram por fezes nas “comedias”, que são concentrações de plantas aquáticas remexidas por peixes-boi durante a alimentação. As amostras coletadas são identificadas e armazenadas em refrigeradores localizados nas bases de pesquisa. Posteriormente, o conteúdo é transportado para a sede do Instituto Mamirauá, no município de Tefé – a 525 quilômetros de Manaus -, onde as amostras serão analisadas.

Pesquisas com exemplares da espécie em cativeiro indicam que o peixe-boi tem baixa capacidade de se reproduzir. A fêmea do peixe-boi só tem um filhote a cada três anos e precisa amamentar a cria por dois anos.

De acordo com a veterinária, a vantagem da coleta de amostras fecais está no fato de a pesquisa obter dados sobre a biologia do peixe-boi sem a necessidade de capturar animais, processo que seria danoso aos animais pelo estresse causado, além de ser caro.

Fonte: A Crítica/AM


1 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Produto ‘biodegradável’ é vilão se descartado de forma errada, diz artigo

Decomposição de copos descartáveis e outros utensílios libera metano.
Descarte em aterros sem tratamento contribui para emissão de poluentes.

Cientistas da Universidade Estadual da Carolina do Norte, dos Estados Unidos, divulgaram pesquisa nesta terça-feira (31) apontando que o descarte inadequado de produtos chamados ‘biodegradáveis’ pode ser prejudicial ao meio ambiente.

A justificativa é que a decomposição de copos descartáveis e outros utensílios com esta denominação libera gás metano, causador do efeito estufa. A preocupação dos pesquisadores é que se este tipo de lixo for colocado em aterros sanitários que não capturam ou queimam o gás, o metano será liberado para a atmosfera e poderá contribuir para as emissões de poluentes.

“O metano pode ser uma valiosa fonte de energia quando capturado, mas é um gás de efeito estufa se lançado na atmosfera”, afirmou Morton Barlaz, co-autor da pesquisa e professor da universidade. “Em outras palavras, os produtos biodegradáveis podem não respeitar tanto o meio ambiente quando descartado em aterros inadequados”, complementou.

Segundo a Agência de Proteção Ambiental norte-americana, 35% dos resíduos sólidos urbanos do país vão para locais que capturam o metano e o transformam em energia.Outros 34% vão para aterros que queimam o gás (usinas de biogás). Entretanto, 31% do lixo urbano dos Estados Unidos vai para ambientes sem tratamento e que permitem liberar o gás de efeito estufa na  atmosfera.

O alerta sobre o assunto foi dado também porque os produtos ‘biodegradáveis’ sofrem processo rápido de decomposição. De acordo com a pesquisa, ‘se os materiais degradam e liberam metano rapidamente, significaria menos combustível potencial para uso de energia e mais emissões de gases de efeito estufa’.

“Se queremos maximizar os benefícios ambientais dos produtos biodegradáveis em aterro, nós precisamos ampliar a coleta do metano e modificar o design desses produtos para que eles se decomponham mais lentamente”, disse.

Fonte: Globo Natureza, em São Paulo


4 de março de 2011 | nenhum comentário »

Nova espécie de peixe é descoberta na bacia amazônica

Uma nova espécie de peixe foi descoberta durante expedições realizadas na bacia amazônica por pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). As informações são da Agência de Comunicação do MPEG.

O peixe foi coletado durante expedição realizada no igarapé Curuá, afluente do rio Amazonas, no Pará, na Estação Ecológica Grão Pará.

“É um peixe muito pequeno, que foi coletado quase no fim dos trabalhos no igarapé. Devido ao seu tamanho, acreditamos ser uma espécie difícil de ser encontrada, tanto que só conseguimos coletar um único individuo” relata Wolmar Wosiacki.

Wolmar é pesquisador e curador da coleção ictiológica do MPEG. A descoberta da espécie foi divulgada em um artigo na revista Revista Zootaxa em janeiro de 2011, publicada por Walmar, Luciano Montag, professor da Universidade Federal do Pará, e Daniel Coutinho, do Programa de Pós-Graduação em Zoologia.

A espécie foi identificada com o nome científico Stenolicmus ix.

Esta espécie de peixe se difere das outras pelo comprimento dos barbilhões (filamento olfativo ou gustativo) nasais e maxilares; pelo padrão de coloração da região dorsal do tronco e pelos olhos e comprimento da cabeça proporcionalmente grandes, entre outras características descritas no artigo.

Habitat – A nova espécie foi coletada com uma peneira nas cabeceiras do Rio Curuá (PA) e, com ele, outras quinze espécies foram observadas.

Segundo os autores do artigo, não é possível afirmar o tipo de ambiente utilizado pelo peixe, porque não foram realizadas observações das espécies em seu habitat natural.

No entanto, pode-se sugerir uma associação a ambientes arenosos considerando o fato de que a maioria das espécies próximas à descrita são associados a este tipo de ambiente.

Fonte: A Crítica/AM


5 de novembro de 2010 | nenhum comentário »

Brasil reciclou 98,2% das latas de alumínio durante 2009

No ano passado, o processo de reaproveitamento movimentou R$ 1,3 bilhão

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O Brasil atingiu, em 2009, mais um recorde de reciclagem de latas de alumínio. Foram reutilizadas 98,2% das latinhas vendidas. Ou seja: das 202,5 mil toneladas de alumínio vendidas, foram recicladas 198,8 mil toneladas. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (28/10) pela Associação Brasileira do Alumínio (Abal) e pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas).
Na comparação entre 2009 e 2008, a quantidade de latas recicladas aumentou 19,9%. Em 2008, foram reutilizadas 91,6% das latas vendidas pela indústria (cerca de 165 mil toneladas). É possível que esse movimento acompanhe o crescimento das vendas de latinhas, já que, de acordo com a Abralatas, o índice de comercialização desse tipo de embalagem não parou de crescer nos últimos cinco anos. No primeiro semestre de 2010, com o estímulo da transmissão da Copa do Mundo, foram compradas 21,8% a mais de latinhas que no mesmo período de 2009 — e, no segundo semestre, a previsão é que haja um aumento de mais dez pontos percentuais.
“Se toda coleta de latas fosse feita por uma empresa só, ela estaria entre as mil maiores do país”, complementou Henio de Nicola, presidente da Abal. Em 2009, a reciclagem das latas de alumínio movimentou R$ 1,3 bilhão ; desse total, R$ 382 milhões foram gerados só com o trabalho de coleta do material.
Com a reciclagem do alumínio das latas, também foram economizados 2,9 mil gigawatts-hora (GWh), quantidade de energia capaz de atender à demanda anual de uma cidade como Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, que tem 1,2 milhão de habitantes.
Fonte: por Globo Rural Online, com informações da Agência Brasil

15 de julho de 2009 | nenhum comentário »

CNPq vai autorizar coleta de fauna e flora

Acordo entre ministros da Ciência e Tecnologia e do Meio Ambiente tira do Ibama competência de licenciar pesquisa. Projeto ainda precisa ser submetido ao Congresso; verba para institutos de pesquisa ainda não saiu, seis meses depois de sua criação

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Eduardo Geraque escreve para a “Folha de SP”:

O histórico problema do acesso à biodiversidade brasileira e aos seus recursos genéticos, que tanto atrapalha as pesquisas, segundo os cientistas, pode ter uma solução em breve.

As autorizações, dadas hoje por órgãos do Ministério do Meio Ambiente, passarão a ser aprovadas pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Mas isso só depois que um novo projeto de lei for aprovado pelo Congresso Nacional.

“Eu e o ministro Carlos Minc chegamos a um consenso de que o melhor é que a responsabilidade pelas autorizações mude de órgão”, disse o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, ontem em Manaus. Ele participou do primeiro dia da 61ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).

Segundo Rezende, o acordo com o Meio Ambiente para facilitar o acesso de cientistas à fauna e à flora vai constar de um novo projeto de lei.

Esse acesso é motivo de conflito há anos. Hoje, o trabalho dos pesquisadores é feito sob regras de uma medida provisória editada em 2001. Cientistas costumam reclamar que são tratados como biopiratas.

Um deles, o zoólogo Carlos Jared, do Instituto Butantan, foi multado em R$ 21 mil pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) em 2007 e teve a sua licença de coleta cassada após mandar espécimes de um invertebrado a um colaborador na Alemanha.

Em 2007, uma portaria do Ibama prometeu acelerar a concessão de licenças de coleta -que demoravam até dois anos-, mas, para os cientistas, a medida não adiantou.

“A mentalidade deles é que a gente é bandido até prova em contrário”, disse Jared, que comemorou as declarações de Sergio Rezende. “É maravilhoso sair da mão desse regime policialesco do Ibama.”

Sem dinheiro

Apesar do discurso contra a burocratização da ciência, que voltou a ser repetido ontem, cientistas presentes em Manaus mostraram preocupação com o fato de os recursos para os INCTs (Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia) ainda não estarem sendo liberados.

Pelo programa, serão liberados mais de R$ 600 milhões para 123 grupos de pesquisa de todo o Brasil. “Pelo edital, os recursos deveriam começar a ser repassados para os grupos de pesquisa em janeiro. Até agora eu não recebi um tostão”, disse Philip Fearnside, pesquisador do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e coordenador de um INCT.

O Inpa tem quatro institutos aprovados. Três não receberam nenhuma verba ainda. Um apenas, coordenado por Adalberto Val, diretor do Inpa, recebeu uma pequena parcela.

Há duas maneiras de fazer os contratos para o repasse dos recursos. Numa deles, o contrato é feito entre o MCT e o coordenador do INCT -caso de Val.

A segunda forma é entre o governo e a instituição. Mas, desde que o TCU (Tribunal de Contas da União) congelou o repasse de verba para as fundações de pesquisa, esse tipo de contrato ficou mais restrito.

No desenho imaginado antes da decisão do TCU, tomada em novembro de 2008 após os escândalos na Universidade de Brasília, centros de pesquisa como o Inpa criariam novas pessoas jurídicas para receber os recursos dos INCTs.
(Folha de SP, 14/7)