3 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas prendem chip de rádio em mais de mil formigas no Reino Unido

Pesquisa visa desvendar comunicação dos insetos da Grã-Bretanha.
Área estudada pela Universidade de York abriga vários ninhos de formigas.

Cientistas da Universidade de York, no Reino Unido, prenderam chips de rádio em mais de mil formigas de uma espécie de floresta para estudar como elas se comunicam, seu comportamento e o trajeto que fazem entre seus ninhos.

O animal pesquisado é um tipo comum na região norte da Grã-Bretanha. A experiência está sendo realizada em Longshaw, uma área de proteção ambiental inglesa em que é possível encontrar milhares de ninhos deste tipo de formiga e cerca de 50 milhões de espécimes.

Os transmissores vão permitir saber como as formigas “falam” com suas colegas em outros ninhos, que são interligadas por uma rede de passagens e possuem centenas de rainhas.

A ideia é reunir o material para fazer o controle das formigas e da floresta em que elas são encontradas. Os radiotransmissores têm cerca de um milímetro de tamanho.

Cada transmissor funciona como um “documento de identidade” para marcar a formiga, afirmou o cientista responsável pelo estudo, o biólogo Samuel Ellis, ao site da Universidade de York.  Ele ressaltou que estes insetos formam um sistema “complexo” de vida e possuem um intrincado” método de comunicação, até agora pouco conhecido pela ciência.

Ellis afirmou que a pesquisa é inédita e deve durar três anos, aproximadamente.

Formiga recebe chip de rádio aplicado por pesquisador britânico (Foto: Changing Views/Universidade de York/Divulgação)

Formiga recebe chip de rádio preso às suas costas (Foto: Changing Views/Universidade de York/Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


7 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Sistema de comunicação dos elefantes é similar ao dos seres humanos

Sons de baixa frequência são emitidos pela passagem do ar por ‘cordas vocais’ e não pela contração dos músculos, como nos gatos

Os elefantes africanos são conhecidos por serem grandes comunicadores, mas até agora os cientistas não sabiam ao certo se os sons eram emitidos por contrações musculares, como o ronronar de um gato, ou por vibrações nas cordas vocais, como os seres humanos e outros mamíferos. A análise da laringe de um elefante africano permitiu que os cientistas desvendassem o mistério: eles se comunicam usando uma estrutura semelhante às cordas vocais, e emitem um som de frequência extremamente baixa (infrassom), abaixo do que os humanos podem ouvir completamente. A descoberta foi publicada na revista Science.

De acordo com o estudo de Christian Herbst, da Universidade de Viena, feito com colegas da Alemanha, Áustria e Estados Unidos, os elefantes têm o mesmo mecanismo que produz a fala em humanos – e também em muitos outros mamíferos – para se comunicarem em sons baixos.

Para chegar a essa conclusão, eles analisaram em laboratório a laringe de um elefante africano, que vivia em um zoológico em Berlim. Por meio de um mecanismo que imitava o fluxo de ar nos pulmões, puderam induzir os movimentos das ‘cordas vocais’ e a vibração de baixa frequência.

Isso demonstra que os elefantes contam com um mecanismo de aerodinâmica mioelástica – quando une a elasticidade das cordas vocais e a passagem do ar por elas para emitir o som. O cérebro do elefante também pode estar envolvido para relaxar e tencionar as cordas vocais se outro mecanismo, como o ronronar do gato, estiver envolvido.

Os pesquisadores também encontraram um padrão não linear no modo como as ‘cordas vocais’ dos elefantes vibram, assim como nos seres humanos. Essas irregularidades geralmente ocorrem quando os bebes choram ou quando cantores de heavy metal gritam, por exemplo. “Isso também pode ser observado em jovens elefantes, em situações de extrema excitação”, disse Herbst.

Cientistas detectam como os elefantes se comunicam

Cientistas detectam como os elefantes se comunicam (Jan-Hendrik van Rooyen/Getty Images/iStockphoto)

Fonte: Veja Ciência


4 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Poluição sonora atrapalha ‘diálogo’ de aves

Você odeia ser interrompido durante uma boa conversa com os amigos? Agora imagine se isso acontecesse o tempo todo. Deve ser assim que os psitacídeos, passarinhos como os papagaios, os periquitos e as araras, se sentem no cerrado brasileiro.

Quem identificou possíveis interferências na comunicação entre os bichos foi o biólogo Carlos Barros de Araújo, em sua tese de doutorado na Unicamp. Após sete anos de pesquisa de campo nos Estados de Goiás e Tocantins e no Distrito Federal, Araújo demonstra que essas aves conseguem “bater um papinho” a distâncias de até 1,5 km.

Essa comunicação de longo alcance faz parte da dinâmica de vida dos bichos, que se separam em bandos pequenos durante o dia para se alimentar e avisam uns aos outros onde achar comida. “O que você vê em campo são esses pequenos bandos se juntando e se separando constantemente.”

Proteger o grupo contra inimigos e afastar possíveis rivais também são outras utilidades dessa comunicação.

Segundo Araújo, já foi possível identificar notas emitidas em contextos específicos, como a sinalização feita por sentinelas. “Um indivíduo fica na copa da árvore observando a presença de predadores e emitindo um som de intensidade baixa. Quando um deles se aproxima, o sentinela emite uma nota de alarme para avisar aos demais.”

A interferência do homem, no entanto, tem reduzido a distância na comunicação entre os animais de 1.500 m para menos de 50 m.

“Se você corta a comunicação, você corta a capacidade de informar onde tem alimento. [A ave] vai ter uma menor probabilidade de sobrevivência e de reprodução”, afirma o biólogo.

A interferência sonora pode até fazer o animal mudar seu canto. “Muitas espécies passam a cantar em frequências mais agudas e com uma maior intensidade quando submetidas a ruídos de grande intensidade.”

As medições realizadas pelo biólogo foram feitas em fazendas e também na Universidade de Brasília, um ambiente urbano mas bem tranquilo se comparado ao centro de grandes cidades. Mesmo assim, já foi percebida a grande redução no raio de comunicação entre as aves.

Barreiras sonoras em rodovias e avenidas perto de áreas onde os bichos vivem podem ajudar a protegê-los.

“Ao lado do Parque Nacional de Brasília passa uma grande rodovia. Em uma área que tem 80 decibéis de ruído é claro que os pássaros serão afetados de alguma forma.”

A próxima etapa do trabalho, que centrou esforços no estudo do periquito-rei, do maracanã-nobre e da arara-de-barriga-amarela, será descobrir o impacto da poluição sonora na sobrevivência dos bichos. “Estamos correndo contra o tempo.”

Casal de periquito-do-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri), no Parque Nacional de Brasí­lia. Espécie foi uma das estudadas sobre o prejuí­zo causado pela poluição sonora humana na comunicação entre os psitacídeos

Casal de periquito-do-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri), no Parque Nacional de Brasí­lia. Espécie foi uma das estudadas sobre o prejuí­zo causado pela poluição sonora humana na comunicação entre os psitacídeos. Foto: Divulgação

Editoria de arte/Folhapress

 

Fonte: Folha.com


29 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Golfinhos têm assobio individual que usam para fins sociais

Golfinhos nariz-de-garrafa têm assobios individuais que usam exclusivamente para saudar outros membros da espécie, anunciaram biólogos marinhos em estudo que será publicado nesta terça-feira. Usando hidrofones, cientistas da Universidade de Saint Andrews, gravaram golfinhos nadando na Baía de Saint Andrews, na costa nordeste da Escócia, nos verões de 2003 e 2004.

Quando grupos de golfinhos se encontravam, eles trocavam assobios aparentemente com o mesmo som. Mas análises forenses revelaram que os assobios eram, na verdade, assinaturas individuais, uma vez que não combinavam ou eram imitados por outros animais.

“As trocas de assobios indviduais são uma parte significativa de uma sequência de saudações que permite aos golfinhos identificar conespecíficos (membros da mesma espécie) ao encontrá-los na natureza”, destacou o estudo.

Segundo a pesquisa, os assobios são claramente importantes, uma vez que foram ouvidos em 90% dos encontros, acrescentou. Um sinal em particular veio daquele que parecia ser o líder do grupo, aparentemente dando o “OK” para os companheiros se unirem ao outro grupo.

Outros assobios poderiam ser relacionados com a aprovação sobre os papéis na busca de comida ou a identificação de indivíduos para socialização. Os golfinhos nariz-de-garrafa atuam em uma sociedade “fissão-fusão”, o que significa que eles vivem em grupos cujo número é fluido.

O estudo, realizado por Vincent Janik e Nicola Quick, é publicado no periódico britânico Proceedings of the Royal Society B. A descoberta adiciona uma curiosidade sobre o golfinho nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus), um das poucas espécies capazes de inventar ou copiar ruídos.

As demais são as aves cantoras, as baleias, as focas e os morcegos, mas nestas espécies, o truque aprendido tem como objetivo a reprodução e são os machos que aprendem a cantar para atrair as fêmeas.

Segundo os cientistas, ao usar assobios para divulgar identidade e detalhes do meio ambiente, os golfinhos compartilham habilidades similares às do falante papagaio-cinzento.

Fonte: Portal Terra


10 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Primata emite ruído ultrassônico para comunicação e caça, diz estudo

Társio-filipino envia sons de alta frequência imperceptíveis aos humanos.
Investigação científica foi publicada nesta quarta na revista ‘Science’.

Estudo divulgado nesta quarta-feira (8) pela revista científica “Science” afirma que o társio-filipino (Tarsius syrichta), espécie endêmica das Filipinas, utiliza de sons ultrassônicos para se comunicar com outros espécimes, sem que humanos ou outros animais percebam.

A pesquisa aponta que esses moradores de árvores podem emitir sons “estridentes” em ocasiões raras, que não são percebidos por predadores. Poucos mamíferos terrestres conseguem emitir frequências acima da faixa normal da audição humana, que é de cerca de 20 kilohertz (kHz). Os morcegos, por exemplo, conseguem tal feito.

A investigação científica foi conduzida por especialistas da Humboldt State University, na Califórnia, Estados Unidos.

De acordo com a antropóloga Marissa Ramsier, coautora do artigo científico, o comportamento estranho desses mamíferos foi o que chamou a atenção para a pesquisa. As criaturas de hábitos noturnos ocasionalmente abriam a boca, como se foesse gritar, mas não eram percebidos sons.

Um microfone, utilizado para gravar sons de morcegos, foi levado à selva das Filipinas para registrar o hábito do társio. Os cientistas conseguiram registrar ruídos de até 90 kHz.

Marissa sugere que esses ruídos são utilizados pelos animais “para ouvir, falar e para não ser comido”. Mães e filhotes conseguem conversar na floresta sem que nenhum predador perceba.

Além disso, a habilidade de emitir ruídos ultrassônicos auxilia na alimentação, já que esses primatas se alimentam de pequenos insetos como traças e gafanhotos, que também utilizam frequências muito altas para comunicação. O “diálogo” desses insetos é interceptado pelas orelhas empinadas do társio e acabam indicando a localização das presas.

Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, na tradução do inglês), este pequeno mamífero está quase ameaçado de extinção.

Társio-filipino está ameaçado de extinção. (Foto: Joe Sinclair/AFP)

Társio-filipino está quase ameaçado de extinção, de acordo com a IUCN. (Foto: Joe Sinclair/AFP)

Fonte: Globo Natureza


30 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Corvos fazem gestos e usam objetos para se comunicar, diz estudo

Comportamento só tinha sido encontrado entre primatas.
Gestos levam a interação entre aves de sexos opostos.

Os corvos são capazes de se comunicar por meio de gestos como apontar e mostrar objetos uns aos outros. A descoberta é de uma pesquisa do Instituto Max Planck de Ornitologia, em Seewiesen, na Alemanha, e da Universidade de Viena, na Áustria, e foi publicada pela revista “Nature Communications”.

As aves selvagens observadas pelos pesquisadores usam o bico para mostrar e oferecer objetos como musgo, pedras e gravetos. Em geral, os gestos são direcionados a parceiros do sexo oposto e resulta na interação entre eles – tocando os bicos ou utilizando o objeto em conjunto, por exemplo.

Segundo os autores do estudo, é a primeira vez que gestos são detectados fora do grupo dos primatas – constituído por humanos e nossos parentes mais próximos. Porém, os animais da família dos corvos são considerados inteligentes pelos cientistas, por resultados de testes anteriores.

“Os estudos de gestos focaram as habilidades comunicativas só dos primatas durante muito tempo. O mistério das origens da linguagem humana, no entanto, só pode ser solucionado se olharmos em uma esfera maior e considerarmos também a complexidade dos sistemas de comunicação de outros grupos de animais”, acredita Simone Pika, cientista do Instituto Max Planck.

Corvos pegam pedras com o bico e fazem gestos para se comunicar (Foto: Thomas Bugnyar/Divulgação)

Corvos pegam pedras com o bico e fazem gestos para se comunicar (Foto: Thomas Bugnyar/Divulgação)

Fonte: G1, São Paulo


9 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Golfinhos podem se chamar pelo “nome”

Quando separados, animais imitam o assobio que identifica cada um deles.

Cientistas descobriram que os golfinhos podem se chamar pelo “nome”. Stephanie King, da Universidade de St Andrews (Escócia), e colegas, monitoraram 179 pares de golfinhos nariz-de-garrafa na costa da Flórida (EUA) entre 1988 e 2004. De acordo com matéria publicada no site da revista New Scientist, o grupo de pesquisadores descobriu que pelo menos 20 deles copiavam o “assobio” de identidade de outros golfinhos — a forma como eles se identificam. Os resultados foram apresentados na conferência da Associação para o Estudo do Comportamento Animal, na Universidade de St Andrews.

Esse tipo de comportamento nunca foi registrado. Apenas golfinhos que eram muito próximos, como mãe e filho ou parceiros da caça, imitavam o assobio uns dos outros. O novo estudo sugere que os animais não copiam o assobio de identidade apenas para imitar. A frequência do som produzido pelos mamíferos analisados mudou da mesma forma que o original que tentavam imitar, mas ou não tinha a mesma duração ou se iniciava a partir de uma frequência maior.

Os cientistas supõem que a imitação do assobio entre golfinhos acontece quando eles querem se reunir. Isso porque o comportamento só foi observado quando eles estavam separados. Stephanie acredita que os animais estavam utilizando uma forma própria de chamarem uns aos outros.

Contudo, a pesquisa deve ser encarada com cautela. De acordo com especialistas consultados pela New Scientist, para ter certeza de que os animais estão usando o assobio para se referir a um indivíduo específico, os pesquisadores teriam que mostrar que os golfinhos respondem quando são imitados em qualquer situação.

Saiba mais:

  1. A “voz” dos golfinhos – Os golfinhos conseguem produzir vários tipos de sons usando bolsas nasais. Podem ser divididos em três categorias: assobios modulados, pulsos ultrassônicos ou estalos. Os dois primeiros são utilizados para se comunicar e os estalos para a ecolocalização, uma forma de utilizar o som para extrair informações do ambiente que cerca o animal.
  2. Assobio? – Apesar de o som ser bastante semelhante, os golfinhos não assobiam de verdade. Um grupo de cientistas da Dinamarca gravou o assobio de um golfinho depois de ele ter respirado gás hélio e posteriormente ar comum. O som era praticamente o mesmo nos dois casos. Se o animal estivesse assobiando mesmo — empurrando o ar através de uma câmara —, o hélio teria mudado a frequência do som. Contudo, um som semelhante pode ser produzido ao vibrar uma membrana.

Parceiros: cientistas supõem que golfinhos muito próximos imitam o assobio de outros quando querem chamá-los

Parceiros: cientistas supõem que golfinhos muito próximos imitam o assobio de outros quando querem chamá-los (Tom Brakefield/Stockbyte/ThinkStock)


29 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Baleias ficam em silêncio em águas rasas para evitar predadores

Cientistas que pesquisam as misteriosas baleias de bico de Blainville publicaram um estudo no qual concluem que esses mamíferos ficam em silêncio em águas rasas para evitar o ataque de predadores.

A pesquisa, publicada na revista científica “Marine Mammal Science”, é uma das primeiras a registrar como essas baleias se comunicam.

Os pesquisadores também gravaram sons produzidos pelas baleias quando nadam em grandes profundidades.

ENIGMÁTICA

A espécie Mesoplodon densirostris tende a habitar regiões profundas dos oceanos, formando grupos pequenos, que não ultrapassam dez indivíduos.

Além do bico característico, ela possui dentes, alcança até cinco metros de comprimento e pesa, quando adulta, cerca de 800 kg.

Tímidos e discretos, esses cetáceos (ordem dos mamíferos formada por animais adaptados à vida aquática) evitam embarcações, o que dificulta seu estudo e lhes dá um caráter enigmático.

ESTUDO

A pesquisadora Natacha Aguilar, da Universidade de La Laguna, em Tenerife (Espanha), e seus colegas da Woods Hole Oceanographic Institution, em Massachusetts (EUA), e da Universidade Aarhus, na Dinamarca, conectaram dispositivos de escuta em oito baleias de bico de Blainville.

Os animais foram monitorados durante 102 horas.

Os aparelhos gravaram sons produzidos pelas baleias quando vinham à tona para respirar e nadavam próximo da superfície, e também quando os mamíferos mergulhavam em profundidades de até 900 metros.

Os resultados mostraram que a espécie fica silenciosa quando nada a profundidades de cerca de 170 metros.

As baleias também permanecem silenciosas quando estão subindo à tona após seus mergulhos –uma jornada que pode levar até 19 minutos.

A equipe acredita que este comportamento tenha a função de evitar que as baleias sejam detectadas por seu predador, as temidas orcas (Orcinus orca), também conhecidas como “baleias assassinas”.

As orcas tendem a circular em águas rasas e se alimentam de várias espécies de baleias.

Ao se “esconder” dessa maneira, a baleia de bico de Blainville adotaria uma estratégia efetiva de evitar sua predadora, já que a espécie não é capaz de nadar mais rápido do que a orca e não possui outras defesas contra ela.

Ainda assim, o comportamento surpreendeu os cientistas, que imaginavam que os animais continuariam em contato para manter seus vínculos sociais, especialmente porque tendem a nadar em grupos coesos.

“Para um grupo que vive em sociedades tão coesas e coordena suas atividades, ficar em silêncio perto da superfície é um comportamento inesperado que contrasta bastante com o de outras baleias dentadas”, afirmaram os pesquisadores em seu artigo.

SONS

Quando nadavam a mais de 450 metros de profundidade, as baleias emitiam diversos tipos de sons que permitiam não apenas que se comunicassem, mas que também se orientassem no espaço e procurassem suas presas, afirma a pesquisa.

Segundo os cientistas, alguns dos sons registrados –que eles descrevem como apitos e uma série de sons estridentes– nunca haviam sido gravados antes.

A equipe acredita que os sons em série tenham o papel de coordenar os movimentos dos membros do grupo à medida que se dispersa no final do mergulho, para caçar.

Fonte: BBC Brasil


10 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas vão testar comunicação com golfinhos por computador

Um computador capaz de reconhecer o som emitido por golfinhos e gerar respostas em tempo real é o trabalho que está sendo desenvolvido pela organização Projeto de Golfinhos Selvagens, na Flórida (USA).

Grupos desses cetáceos têm se comunicado com humanos, por meio de desenhos e sons, desde a década de 60. Mas a comunicação é quase de uma mão única, explica Denise Herzing, que está à frente da pesquisa.

Desde 1998, Herzing e colegas tentam estabelecer uma comunicação de duas vias com os golfinhos. Primeiro, pelo uso de sons artificiais e, depois, associando-se os sons emitidos a quatro símbolos que aparecem em um keyboard especial usado debaixo d’água.

O golfinho pode pedir coisas apontando para cada um dos símbolos, como brincar ou pegar uma carona em uma onda, e não apenas receber ordens humanas.

O projeto é uma colaboração com o pesquisador de inteligência artificial Thad Starner, do Instituto de Tecnologia de Georgia, em Atlanta (EUA). A meta é criar um sistema de linguagem com os quais os golfinhos selvagens se comuniquem naturalmente que, por si só, já é uma grande desafio.

Os golfinhos podem produzir sons em frequências mais altas a 200 quilo-hertz –ou seja, quase dez vezes mais do que o ouvido humano é capaz de captar. Outro ponto a ser superado é como os animais projetam sons em diferentes direções sem mexer a cabeça, o que torna mais difícil reconhecer o “som-palavra” que emitiu.

Para contornar esse problema, Starner e colegas estão construindo um protótipo de computador do tamanho de um smartphone, dotado de dois fones de ouvido concebidos para funcionar debaixo d’água e captar os mais variados sons para então decifrá-los.

“Nem mesmo sabemos se os golfinhos usam palavras”, admite Herzing. “Poderíamos usar os sinais deles, se nós os conhecêssemos.”

Fonte: DA “NEW SCIENTIST”






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3 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas prendem chip de rádio em mais de mil formigas no Reino Unido

Pesquisa visa desvendar comunicação dos insetos da Grã-Bretanha.
Área estudada pela Universidade de York abriga vários ninhos de formigas.

Cientistas da Universidade de York, no Reino Unido, prenderam chips de rádio em mais de mil formigas de uma espécie de floresta para estudar como elas se comunicam, seu comportamento e o trajeto que fazem entre seus ninhos.

O animal pesquisado é um tipo comum na região norte da Grã-Bretanha. A experiência está sendo realizada em Longshaw, uma área de proteção ambiental inglesa em que é possível encontrar milhares de ninhos deste tipo de formiga e cerca de 50 milhões de espécimes.

Os transmissores vão permitir saber como as formigas “falam” com suas colegas em outros ninhos, que são interligadas por uma rede de passagens e possuem centenas de rainhas.

A ideia é reunir o material para fazer o controle das formigas e da floresta em que elas são encontradas. Os radiotransmissores têm cerca de um milímetro de tamanho.

Cada transmissor funciona como um “documento de identidade” para marcar a formiga, afirmou o cientista responsável pelo estudo, o biólogo Samuel Ellis, ao site da Universidade de York.  Ele ressaltou que estes insetos formam um sistema “complexo” de vida e possuem um intrincado” método de comunicação, até agora pouco conhecido pela ciência.

Ellis afirmou que a pesquisa é inédita e deve durar três anos, aproximadamente.

Formiga recebe chip de rádio aplicado por pesquisador britânico (Foto: Changing Views/Universidade de York/Divulgação)

Formiga recebe chip de rádio preso às suas costas (Foto: Changing Views/Universidade de York/Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


7 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Sistema de comunicação dos elefantes é similar ao dos seres humanos

Sons de baixa frequência são emitidos pela passagem do ar por ‘cordas vocais’ e não pela contração dos músculos, como nos gatos

Os elefantes africanos são conhecidos por serem grandes comunicadores, mas até agora os cientistas não sabiam ao certo se os sons eram emitidos por contrações musculares, como o ronronar de um gato, ou por vibrações nas cordas vocais, como os seres humanos e outros mamíferos. A análise da laringe de um elefante africano permitiu que os cientistas desvendassem o mistério: eles se comunicam usando uma estrutura semelhante às cordas vocais, e emitem um som de frequência extremamente baixa (infrassom), abaixo do que os humanos podem ouvir completamente. A descoberta foi publicada na revista Science.

De acordo com o estudo de Christian Herbst, da Universidade de Viena, feito com colegas da Alemanha, Áustria e Estados Unidos, os elefantes têm o mesmo mecanismo que produz a fala em humanos – e também em muitos outros mamíferos – para se comunicarem em sons baixos.

Para chegar a essa conclusão, eles analisaram em laboratório a laringe de um elefante africano, que vivia em um zoológico em Berlim. Por meio de um mecanismo que imitava o fluxo de ar nos pulmões, puderam induzir os movimentos das ‘cordas vocais’ e a vibração de baixa frequência.

Isso demonstra que os elefantes contam com um mecanismo de aerodinâmica mioelástica – quando une a elasticidade das cordas vocais e a passagem do ar por elas para emitir o som. O cérebro do elefante também pode estar envolvido para relaxar e tencionar as cordas vocais se outro mecanismo, como o ronronar do gato, estiver envolvido.

Os pesquisadores também encontraram um padrão não linear no modo como as ‘cordas vocais’ dos elefantes vibram, assim como nos seres humanos. Essas irregularidades geralmente ocorrem quando os bebes choram ou quando cantores de heavy metal gritam, por exemplo. “Isso também pode ser observado em jovens elefantes, em situações de extrema excitação”, disse Herbst.

Cientistas detectam como os elefantes se comunicam

Cientistas detectam como os elefantes se comunicam (Jan-Hendrik van Rooyen/Getty Images/iStockphoto)

Fonte: Veja Ciência


4 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Poluição sonora atrapalha ‘diálogo’ de aves

Você odeia ser interrompido durante uma boa conversa com os amigos? Agora imagine se isso acontecesse o tempo todo. Deve ser assim que os psitacídeos, passarinhos como os papagaios, os periquitos e as araras, se sentem no cerrado brasileiro.

Quem identificou possíveis interferências na comunicação entre os bichos foi o biólogo Carlos Barros de Araújo, em sua tese de doutorado na Unicamp. Após sete anos de pesquisa de campo nos Estados de Goiás e Tocantins e no Distrito Federal, Araújo demonstra que essas aves conseguem “bater um papinho” a distâncias de até 1,5 km.

Essa comunicação de longo alcance faz parte da dinâmica de vida dos bichos, que se separam em bandos pequenos durante o dia para se alimentar e avisam uns aos outros onde achar comida. “O que você vê em campo são esses pequenos bandos se juntando e se separando constantemente.”

Proteger o grupo contra inimigos e afastar possíveis rivais também são outras utilidades dessa comunicação.

Segundo Araújo, já foi possível identificar notas emitidas em contextos específicos, como a sinalização feita por sentinelas. “Um indivíduo fica na copa da árvore observando a presença de predadores e emitindo um som de intensidade baixa. Quando um deles se aproxima, o sentinela emite uma nota de alarme para avisar aos demais.”

A interferência do homem, no entanto, tem reduzido a distância na comunicação entre os animais de 1.500 m para menos de 50 m.

“Se você corta a comunicação, você corta a capacidade de informar onde tem alimento. [A ave] vai ter uma menor probabilidade de sobrevivência e de reprodução”, afirma o biólogo.

A interferência sonora pode até fazer o animal mudar seu canto. “Muitas espécies passam a cantar em frequências mais agudas e com uma maior intensidade quando submetidas a ruídos de grande intensidade.”

As medições realizadas pelo biólogo foram feitas em fazendas e também na Universidade de Brasília, um ambiente urbano mas bem tranquilo se comparado ao centro de grandes cidades. Mesmo assim, já foi percebida a grande redução no raio de comunicação entre as aves.

Barreiras sonoras em rodovias e avenidas perto de áreas onde os bichos vivem podem ajudar a protegê-los.

“Ao lado do Parque Nacional de Brasília passa uma grande rodovia. Em uma área que tem 80 decibéis de ruído é claro que os pássaros serão afetados de alguma forma.”

A próxima etapa do trabalho, que centrou esforços no estudo do periquito-rei, do maracanã-nobre e da arara-de-barriga-amarela, será descobrir o impacto da poluição sonora na sobrevivência dos bichos. “Estamos correndo contra o tempo.”

Casal de periquito-do-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri), no Parque Nacional de Brasí­lia. Espécie foi uma das estudadas sobre o prejuí­zo causado pela poluição sonora humana na comunicação entre os psitacídeos

Casal de periquito-do-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri), no Parque Nacional de Brasí­lia. Espécie foi uma das estudadas sobre o prejuí­zo causado pela poluição sonora humana na comunicação entre os psitacídeos. Foto: Divulgação

Editoria de arte/Folhapress

 

Fonte: Folha.com


29 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Golfinhos têm assobio individual que usam para fins sociais

Golfinhos nariz-de-garrafa têm assobios individuais que usam exclusivamente para saudar outros membros da espécie, anunciaram biólogos marinhos em estudo que será publicado nesta terça-feira. Usando hidrofones, cientistas da Universidade de Saint Andrews, gravaram golfinhos nadando na Baía de Saint Andrews, na costa nordeste da Escócia, nos verões de 2003 e 2004.

Quando grupos de golfinhos se encontravam, eles trocavam assobios aparentemente com o mesmo som. Mas análises forenses revelaram que os assobios eram, na verdade, assinaturas individuais, uma vez que não combinavam ou eram imitados por outros animais.

“As trocas de assobios indviduais são uma parte significativa de uma sequência de saudações que permite aos golfinhos identificar conespecíficos (membros da mesma espécie) ao encontrá-los na natureza”, destacou o estudo.

Segundo a pesquisa, os assobios são claramente importantes, uma vez que foram ouvidos em 90% dos encontros, acrescentou. Um sinal em particular veio daquele que parecia ser o líder do grupo, aparentemente dando o “OK” para os companheiros se unirem ao outro grupo.

Outros assobios poderiam ser relacionados com a aprovação sobre os papéis na busca de comida ou a identificação de indivíduos para socialização. Os golfinhos nariz-de-garrafa atuam em uma sociedade “fissão-fusão”, o que significa que eles vivem em grupos cujo número é fluido.

O estudo, realizado por Vincent Janik e Nicola Quick, é publicado no periódico britânico Proceedings of the Royal Society B. A descoberta adiciona uma curiosidade sobre o golfinho nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus), um das poucas espécies capazes de inventar ou copiar ruídos.

As demais são as aves cantoras, as baleias, as focas e os morcegos, mas nestas espécies, o truque aprendido tem como objetivo a reprodução e são os machos que aprendem a cantar para atrair as fêmeas.

Segundo os cientistas, ao usar assobios para divulgar identidade e detalhes do meio ambiente, os golfinhos compartilham habilidades similares às do falante papagaio-cinzento.

Fonte: Portal Terra


10 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Primata emite ruído ultrassônico para comunicação e caça, diz estudo

Társio-filipino envia sons de alta frequência imperceptíveis aos humanos.
Investigação científica foi publicada nesta quarta na revista ‘Science’.

Estudo divulgado nesta quarta-feira (8) pela revista científica “Science” afirma que o társio-filipino (Tarsius syrichta), espécie endêmica das Filipinas, utiliza de sons ultrassônicos para se comunicar com outros espécimes, sem que humanos ou outros animais percebam.

A pesquisa aponta que esses moradores de árvores podem emitir sons “estridentes” em ocasiões raras, que não são percebidos por predadores. Poucos mamíferos terrestres conseguem emitir frequências acima da faixa normal da audição humana, que é de cerca de 20 kilohertz (kHz). Os morcegos, por exemplo, conseguem tal feito.

A investigação científica foi conduzida por especialistas da Humboldt State University, na Califórnia, Estados Unidos.

De acordo com a antropóloga Marissa Ramsier, coautora do artigo científico, o comportamento estranho desses mamíferos foi o que chamou a atenção para a pesquisa. As criaturas de hábitos noturnos ocasionalmente abriam a boca, como se foesse gritar, mas não eram percebidos sons.

Um microfone, utilizado para gravar sons de morcegos, foi levado à selva das Filipinas para registrar o hábito do társio. Os cientistas conseguiram registrar ruídos de até 90 kHz.

Marissa sugere que esses ruídos são utilizados pelos animais “para ouvir, falar e para não ser comido”. Mães e filhotes conseguem conversar na floresta sem que nenhum predador perceba.

Além disso, a habilidade de emitir ruídos ultrassônicos auxilia na alimentação, já que esses primatas se alimentam de pequenos insetos como traças e gafanhotos, que também utilizam frequências muito altas para comunicação. O “diálogo” desses insetos é interceptado pelas orelhas empinadas do társio e acabam indicando a localização das presas.

Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, na tradução do inglês), este pequeno mamífero está quase ameaçado de extinção.

Társio-filipino está ameaçado de extinção. (Foto: Joe Sinclair/AFP)

Társio-filipino está quase ameaçado de extinção, de acordo com a IUCN. (Foto: Joe Sinclair/AFP)

Fonte: Globo Natureza


30 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Corvos fazem gestos e usam objetos para se comunicar, diz estudo

Comportamento só tinha sido encontrado entre primatas.
Gestos levam a interação entre aves de sexos opostos.

Os corvos são capazes de se comunicar por meio de gestos como apontar e mostrar objetos uns aos outros. A descoberta é de uma pesquisa do Instituto Max Planck de Ornitologia, em Seewiesen, na Alemanha, e da Universidade de Viena, na Áustria, e foi publicada pela revista “Nature Communications”.

As aves selvagens observadas pelos pesquisadores usam o bico para mostrar e oferecer objetos como musgo, pedras e gravetos. Em geral, os gestos são direcionados a parceiros do sexo oposto e resulta na interação entre eles – tocando os bicos ou utilizando o objeto em conjunto, por exemplo.

Segundo os autores do estudo, é a primeira vez que gestos são detectados fora do grupo dos primatas – constituído por humanos e nossos parentes mais próximos. Porém, os animais da família dos corvos são considerados inteligentes pelos cientistas, por resultados de testes anteriores.

“Os estudos de gestos focaram as habilidades comunicativas só dos primatas durante muito tempo. O mistério das origens da linguagem humana, no entanto, só pode ser solucionado se olharmos em uma esfera maior e considerarmos também a complexidade dos sistemas de comunicação de outros grupos de animais”, acredita Simone Pika, cientista do Instituto Max Planck.

Corvos pegam pedras com o bico e fazem gestos para se comunicar (Foto: Thomas Bugnyar/Divulgação)

Corvos pegam pedras com o bico e fazem gestos para se comunicar (Foto: Thomas Bugnyar/Divulgação)

Fonte: G1, São Paulo


9 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Golfinhos podem se chamar pelo “nome”

Quando separados, animais imitam o assobio que identifica cada um deles.

Cientistas descobriram que os golfinhos podem se chamar pelo “nome”. Stephanie King, da Universidade de St Andrews (Escócia), e colegas, monitoraram 179 pares de golfinhos nariz-de-garrafa na costa da Flórida (EUA) entre 1988 e 2004. De acordo com matéria publicada no site da revista New Scientist, o grupo de pesquisadores descobriu que pelo menos 20 deles copiavam o “assobio” de identidade de outros golfinhos — a forma como eles se identificam. Os resultados foram apresentados na conferência da Associação para o Estudo do Comportamento Animal, na Universidade de St Andrews.

Esse tipo de comportamento nunca foi registrado. Apenas golfinhos que eram muito próximos, como mãe e filho ou parceiros da caça, imitavam o assobio uns dos outros. O novo estudo sugere que os animais não copiam o assobio de identidade apenas para imitar. A frequência do som produzido pelos mamíferos analisados mudou da mesma forma que o original que tentavam imitar, mas ou não tinha a mesma duração ou se iniciava a partir de uma frequência maior.

Os cientistas supõem que a imitação do assobio entre golfinhos acontece quando eles querem se reunir. Isso porque o comportamento só foi observado quando eles estavam separados. Stephanie acredita que os animais estavam utilizando uma forma própria de chamarem uns aos outros.

Contudo, a pesquisa deve ser encarada com cautela. De acordo com especialistas consultados pela New Scientist, para ter certeza de que os animais estão usando o assobio para se referir a um indivíduo específico, os pesquisadores teriam que mostrar que os golfinhos respondem quando são imitados em qualquer situação.

Saiba mais:

  1. A “voz” dos golfinhos – Os golfinhos conseguem produzir vários tipos de sons usando bolsas nasais. Podem ser divididos em três categorias: assobios modulados, pulsos ultrassônicos ou estalos. Os dois primeiros são utilizados para se comunicar e os estalos para a ecolocalização, uma forma de utilizar o som para extrair informações do ambiente que cerca o animal.
  2. Assobio? – Apesar de o som ser bastante semelhante, os golfinhos não assobiam de verdade. Um grupo de cientistas da Dinamarca gravou o assobio de um golfinho depois de ele ter respirado gás hélio e posteriormente ar comum. O som era praticamente o mesmo nos dois casos. Se o animal estivesse assobiando mesmo — empurrando o ar através de uma câmara —, o hélio teria mudado a frequência do som. Contudo, um som semelhante pode ser produzido ao vibrar uma membrana.

Parceiros: cientistas supõem que golfinhos muito próximos imitam o assobio de outros quando querem chamá-los

Parceiros: cientistas supõem que golfinhos muito próximos imitam o assobio de outros quando querem chamá-los (Tom Brakefield/Stockbyte/ThinkStock)


29 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Baleias ficam em silêncio em águas rasas para evitar predadores

Cientistas que pesquisam as misteriosas baleias de bico de Blainville publicaram um estudo no qual concluem que esses mamíferos ficam em silêncio em águas rasas para evitar o ataque de predadores.

A pesquisa, publicada na revista científica “Marine Mammal Science”, é uma das primeiras a registrar como essas baleias se comunicam.

Os pesquisadores também gravaram sons produzidos pelas baleias quando nadam em grandes profundidades.

ENIGMÁTICA

A espécie Mesoplodon densirostris tende a habitar regiões profundas dos oceanos, formando grupos pequenos, que não ultrapassam dez indivíduos.

Além do bico característico, ela possui dentes, alcança até cinco metros de comprimento e pesa, quando adulta, cerca de 800 kg.

Tímidos e discretos, esses cetáceos (ordem dos mamíferos formada por animais adaptados à vida aquática) evitam embarcações, o que dificulta seu estudo e lhes dá um caráter enigmático.

ESTUDO

A pesquisadora Natacha Aguilar, da Universidade de La Laguna, em Tenerife (Espanha), e seus colegas da Woods Hole Oceanographic Institution, em Massachusetts (EUA), e da Universidade Aarhus, na Dinamarca, conectaram dispositivos de escuta em oito baleias de bico de Blainville.

Os animais foram monitorados durante 102 horas.

Os aparelhos gravaram sons produzidos pelas baleias quando vinham à tona para respirar e nadavam próximo da superfície, e também quando os mamíferos mergulhavam em profundidades de até 900 metros.

Os resultados mostraram que a espécie fica silenciosa quando nada a profundidades de cerca de 170 metros.

As baleias também permanecem silenciosas quando estão subindo à tona após seus mergulhos –uma jornada que pode levar até 19 minutos.

A equipe acredita que este comportamento tenha a função de evitar que as baleias sejam detectadas por seu predador, as temidas orcas (Orcinus orca), também conhecidas como “baleias assassinas”.

As orcas tendem a circular em águas rasas e se alimentam de várias espécies de baleias.

Ao se “esconder” dessa maneira, a baleia de bico de Blainville adotaria uma estratégia efetiva de evitar sua predadora, já que a espécie não é capaz de nadar mais rápido do que a orca e não possui outras defesas contra ela.

Ainda assim, o comportamento surpreendeu os cientistas, que imaginavam que os animais continuariam em contato para manter seus vínculos sociais, especialmente porque tendem a nadar em grupos coesos.

“Para um grupo que vive em sociedades tão coesas e coordena suas atividades, ficar em silêncio perto da superfície é um comportamento inesperado que contrasta bastante com o de outras baleias dentadas”, afirmaram os pesquisadores em seu artigo.

SONS

Quando nadavam a mais de 450 metros de profundidade, as baleias emitiam diversos tipos de sons que permitiam não apenas que se comunicassem, mas que também se orientassem no espaço e procurassem suas presas, afirma a pesquisa.

Segundo os cientistas, alguns dos sons registrados –que eles descrevem como apitos e uma série de sons estridentes– nunca haviam sido gravados antes.

A equipe acredita que os sons em série tenham o papel de coordenar os movimentos dos membros do grupo à medida que se dispersa no final do mergulho, para caçar.

Fonte: BBC Brasil


10 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas vão testar comunicação com golfinhos por computador

Um computador capaz de reconhecer o som emitido por golfinhos e gerar respostas em tempo real é o trabalho que está sendo desenvolvido pela organização Projeto de Golfinhos Selvagens, na Flórida (USA).

Grupos desses cetáceos têm se comunicado com humanos, por meio de desenhos e sons, desde a década de 60. Mas a comunicação é quase de uma mão única, explica Denise Herzing, que está à frente da pesquisa.

Desde 1998, Herzing e colegas tentam estabelecer uma comunicação de duas vias com os golfinhos. Primeiro, pelo uso de sons artificiais e, depois, associando-se os sons emitidos a quatro símbolos que aparecem em um keyboard especial usado debaixo d’água.

O golfinho pode pedir coisas apontando para cada um dos símbolos, como brincar ou pegar uma carona em uma onda, e não apenas receber ordens humanas.

O projeto é uma colaboração com o pesquisador de inteligência artificial Thad Starner, do Instituto de Tecnologia de Georgia, em Atlanta (EUA). A meta é criar um sistema de linguagem com os quais os golfinhos selvagens se comuniquem naturalmente que, por si só, já é uma grande desafio.

Os golfinhos podem produzir sons em frequências mais altas a 200 quilo-hertz –ou seja, quase dez vezes mais do que o ouvido humano é capaz de captar. Outro ponto a ser superado é como os animais projetam sons em diferentes direções sem mexer a cabeça, o que torna mais difícil reconhecer o “som-palavra” que emitiu.

Para contornar esse problema, Starner e colegas estão construindo um protótipo de computador do tamanho de um smartphone, dotado de dois fones de ouvido concebidos para funcionar debaixo d’água e captar os mais variados sons para então decifrá-los.

“Nem mesmo sabemos se os golfinhos usam palavras”, admite Herzing. “Poderíamos usar os sinais deles, se nós os conhecêssemos.”

Fonte: DA “NEW SCIENTIST”