16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Queimadas na Mata Atlântica jogam carvão vegetal no oceano

O desmatamento por queimadas na mata Atlântica deixou uma enorme quantidade de carvão vegetal no solo. Segundo pesquisa de Carlos Eduardo de Rezende, biogeoquímico da UEFN (Universidade Estadual do Norte Fluminense), a prática criminosa não destruiu apenas a área verde do Brasil, hoje reduzida a menos de 8% do terreno original, como também pode devastar o resto do ecossistema por milênios.

O estudo, feito em parceria com o centro de estudos alemão Max Planck, descobriu que mais de 2,7 toneladas de carvão vegetal são despejadas no oceano Atlântico todo ano. O grupo liderado por Rezende, que coletou amostras da água do mar a cada duas semanas por 11 anos, entre 1997 e 2008, estima que já foram despejados de 50 mil a 70 mil toneladas do componente no meio marinho.

Segundo o brasileiro, o corte e a queima da vegetação depositaram entre 200 milhões e 500 milhões de toneladas da substância negra na superfície terrestre. Como os sedimentos são levados pela chuva, eles chegam até os rios e, depois, desembocam no oceano. Este processo de limpeza do solo, feito durante a época das tempestades, pode demorar entre 630 e 2.200 anos para terminar.

Por isso, mesmo após quase 40 anos da proibição das queimadas, os vestígios de carvão vegetal ainda são despejados no mar. Sem apontar as consequências reais, o material demonstra que a queimada vai além do ato isolado na área e gera uma reação em cadeia e prejudicial ao restante do ambiente.

Fonte: UOL


2 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Mapa interativo mostra distribuição desigual de emissões de carbono

Tamanho dos países foi distorcido para representar dados de carbono.
Quanto maior a responsabilidade nas emissões, maior fica o país.

A emissão de carbono, que acentua o aquecimento global, ocorre de forma desigual no mundo — por isso, as consequências das mudanças climáticas não são as mesmas em todos os países. Para mostrar estas diferenças, um jornalista e um programador criaram um mapa interativo, o “Mapa do Carbono”, lançado nesta quinta-feira (29).

Nele, o tradicional mapa mundi aparece de uma forma totalmente diferente. Os tamanhos dos países foram distorcidos para mostrar o peso relativo de cada um nas emissões globais de carbono e nas consequências do aquecimento global, de acordo com dados do Banco Mundial.

O objetivo é dimensionar a responsabilidade e a vulnerabilidade de cada um.

Assim, no quesito emissão de carbono atual, China, Índia, Japão, Estados Unidos e Europa ganham formas gigantes, porque são os maiores emissores. América do Sul e África têm formas menores. Já quando se analisa o acumulado de emissões desde 1850 (sendo que “a maior parte delas ainda continua no ar”, segundo projeto), o peso da Ásia diminui e a responsabilidade recai sobre América do Norte e Europa.

Mapa distorcido mostra o tamanho proporcional dos países de acordo com a emissão de carbono desde 1850. (Foto: Reprodução / The Carbon Map)

Mapa distorcido mostra o tamanho proporcional dos países de acordo com a emissão de carbono desde 1850. (Foto: Reprodução / The Carbon Map)

Vulnerabilidade
Por outro lado, quando se avalia a vulnerabilidade às mudanças climáticas, a Ásia domina o mapa. A África também é apresentada com um tamanho relativo maior. Os outros continentes ficam bastante reduzidos. Os dados mostram o número de pessoas que podem ficar feridas, ser desalojadas ou precisar de ajuda de emergência devido a cheias, secas ou temperaturas extremas.

Em todas as variáveis, o Brasil é apresentado com um tamanho menor do que o real. Isto indica que nem sua responsabilidade nas emissões globais nem na vulnerabilidade são altas, em comparação com o resto do mundo.

No mapa, o usuário também pode escolher uma variável para colorir os países. Ao optar por emissão de CO2 por pessoa, por exemplo, as nações ficam mais escuras à medida que aumentam os valores.

De acordo com Duncan Clark, jornalista do jornal britânico Guardian e um dos idealizadores do projeto, existem três vantagens de apresentar os dados desta forma.

“Primeiro, a distorção do mapa mundi é uma boa maneira de compreender muitos números com apenas um olhar. Segundo, animar as distorções torna a interação com os dados divertida. Terceiro, é possível escolher a variável para colorir o mapa distorcido, o que ajuda a perceber relações”, afirma Clark.

Vulnerabilidade da Ásia aos efeitos do aquecimento global é muito maior que no restante do globo. (Foto: Divulgação / The Carbon Map)

Vulnerabilidade da Ásia aos efeitos do aquecimento global é muito maior que no restante do globo. (Foto: Divulgação / The Carbon Map)

Com relação às emissões atuais de carbono, China, Índia, Japão, EUA e Europa têm um peso maior que o restante do mundo. (Foto: Divulgação / The Carbon Map)

Com relação às emissões atuais de carbono, China, Índia, Japão, EUA e Europa têm um peso maior que o restante do mundo. (Foto: Divulgação / The Carbon Map)

Fonte: Amanda Rossi, Globo Natureza


28 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas voltam a alertar sobre consequências do novo Código Florestal Cientistas voltam a alertar sobre consequências do novo Código Florestal

Às vésperas de a Câmara dos Deputados retomar as discussões sobre o texto do novo Código Florestal, alterado pelo Senado Federal, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) entregaram hoje (27) ao deputado Paulo Piau (PMDB-MG), relator da proposta, um documento em que revela 11 pontos no texto que ainda podem trazer “graves problemas” ao País. O objetivo da área científica, mais uma vez, é alertar sobre as possíveis consequências que podem resultar do projeto de lei (PLC 30/2011) que altera a legislação em vigor.

A expectativa é de que os deputados retomem a análise do texto na próxima semana, nos dias 6 e 7 de março. Após esse trâmite, o texto seguirá ao Palácio do Planalto que pode sancionar ou vetar o projeto.

 

Ao analisar a versão do Código Florestal apresentada pelos senadores em dezembro, os cientistas, ao mesmo tempo em que alertam sobre os pontos negativos do texto, também reconhecem avanços conquistados no Senado Federal.

 

“Ainda é uma incógnita o que vai ocorrer na Câmara, mas espero que os deputados mantenham [também] os ganhos obtidos no Senado”, estima José Antônio Aleixo da Silva, um dos responsáveis pelo grupo de trabalho da SBPC e ABC, instituído com objetivo de fornecer dados técnico-científicos para subsidiar as discussões dos parlamentares sobre o assunto.

 

“Na minha avaliação, o Senado fez um esforço grande para modificar o documento. Nessas modificações alguns pontos foram bons. Outros, ruins”, complementa Aleixo da Silva, também professor associado do Departamento de Ciência Florestal da Universidade Federal de Pernambuco (UFRPE).

 

À assessoria de imprensa da SBPC, o professor Ricardo Rodrigues, da Esalq/USP, também integrante do grupo de trabalho, disse que a ideia dos cientistas é fornecer “os parâmetros necessários para que os deputados façam as alterações que ainda são possíveis” no texto.

 

Dentre os pontos negativos, os cientistas listam o problema relacionado às áreas de preservação permanente (APPs). “Todas as áreas de preservação permanente (APPs) nas margens de cursos d’água e nascentes devem ser preservadas e, quando degradadas, devem ter sua vegetação integralmente restaurada. A área das APPs, que deve ser obrigatoriamente recuperada, foi reduzida em 50% no texto atual”, destacam eles no documento.

 

Segundo o documento da SBPC e ABC, as APPs de margens de cursos d’água devem continuar a ser demarcadas, como foram até hoje, “a partir do nível mais alto da cheia do rio”. A substituição do leito maior do rio pelo leito regular para a definição das APPs torna vulneráveis amplas áreas úmidas em todo o País, particularmente, na Amazônia e no Pantanal. “Essas áreas são importantes provedoras de serviços ecossistêmicos, principalmente, a proteção de nossos recursos hídricos e por isso, objeto de tratados internacionais de que o Brasil é signatário, como a Convenção de Ramsar [Convenção sobre Zonas Úmidas de Importância Internacional]“, sublinham os cientistas. Nesse caso, a expectativa de especialistas é de que esse ponto seja vetado pelo Palácio do Planalto, já que esse item já havia sido aprovado na Câmara Deputados.

 

Os cientistas também reiteram que os usos agrícolas praticados pelas comunidades tradicionais e por ribeirinhos devem ter tratamento diferenciado. Em particular, as áreas de pousio devem continuar sendo reconhecidas apenas à pequena propriedade ou posse rural familiar ou de população tradicional, como foram até o presente.

 

“As comunidades biológicas, as estruturas e as funções ecossistêmicas das APPs e das reservas legais são distintas. Não faz sentido incluir APPs no cômputo das Reservas Legais (RLs) como proposto no artigo 16 do Projeto de Lei”, enfatiza o documento da SBPC e ABC.

 

O documento destaca também que a reforma do Código Florestal, em discussão no Congresso Nacional, sob a influência de grupos de pressão setoriais, representa “a desregulação” do setor do agronegócio com sérios riscos para o meio ambiente e para a própria produção agrícola. Alertam que “a proteção de áreas naturais está sendo consideravelmente diminuída e perde-se assim a oportunidade de produzir alimentos com mais eficiência e com sustentabilidade ambiental, o que deveria ser o grande diferencial da agricultura brasileira”.

 

Fonte: Viviane Monteiro – Jornal da Ciência


8 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Novos estudos reforçam consenso de que Terra está mais quente

Duas pesquisas recentes reafirmam o consenso científico em torno da realidade do aquecimento global, embora também mostrem as incertezas do fenômeno.

A primeira, coordenada pelo físico Richard Muller, da Universidade da Califórnia em Berkeley, foi divulgado numa conferência nos EUA e aguarda para ser publicado.

Mas já ganhou relevância porque, até o mês passado, Muller era um cético do clima. Para ele, os dados usados para mostrar que o planeta está aquecendo não eram confiáveis.

Decidido a colocar o consenso climático à prova, Muller organizou um estudo, o Best (sigla inglesa de “projeto Berkeley sobre a Temperatura da Superfície Terrestre”).

A pesquisa recebeu parte de seu financiamento da fundação Charles Koch, ligada à indústria do petróleo e responsável por bancar outros céticos climáticos e políticos conservadores nos EUA.

Em artigo no “Wall Street Journal”, um dos poucos grandes jornais em que a comunidade de céticos climáticos ainda tem voz, Muller explica o porquê de suas dúvidas iniciais sobre o aquecimento global: dados porcos.

O xis do problema são as estações meteorológicas, principais responsáveis por recolher dados de temperatura e criar uma série histórica capaz de dizer se, afinal, o planeta está mais quente.

Seguindo os dados obtidos por essas estações, o IPCC, painel do clima da ONU, estima que a temperatura média da Terra subiu 0,64 grau Celsius nos últimos 50 anos.

Só que há um problema, escreve Muller: 70% dessas estações nos EUA possuem uma margem de erro superior a essa variação.
Além disso, grande parte das medições de temperatura é feita em áreas urbanas, que ficaram mais quentes com asfalto, calçadas e concentração de prédios.

Muller explica que a equipe do estudo Best usou uma série de controles experimentais para contornar esses vieses. Primeiro, eles usaram uma massa maior de registros do que as pesquisas tradicionais sobre o tema.

Resultado: de quase 40 mil estações medidoras de temperatura mundo afora, dois terços mostraram sinais de aquecimento.

Além disso, eles trabalharam com dados de satélite para levantar as tendências de temperatura apenas nas estações de medição em áreas rurais, e não houve diferença em relação às mais urbanas.

E a magnitude do aquecimento é comparável tanto nas estações de boa qualidade quanto nas que trazem dados mais incertos.

“Embora as estações de baixa qualidade tragam temperaturas incorretas, elas ainda assim seguem as mudanças de temperatura”, afirma.

INCERTEZAS

Muller e colegas, porém, não investigaram as causas do aquecimento nem o que acontecerá daqui para a frente. Nesse último ponto, uma pesquisa publicada recentemente na revista científica “Journal of Geophysical Research” mostra que os cientistas ainda terão muito trabalho pela frente.

Julia Crook e Piers Forster, da Universidade de Leeds (Reino Unido), fizeram uma análise detalhada dos modelos climáticos, as simulações por computador que servem para prever o futuro do clima.

O jeito tradicional de verificar se esses modelos são úteis é tentar ver se eles reproduzem o que ocorreu com o clima no século 20.

Eles conseguem isso, dizem os pesquisadores, mas de um jeito que não depende da força dos feedbacks positivos do clima, ou seja, da maneira como mudanças atuais amplificam o aquecimento futuro. Por exemplo: derreter gelo no Ártico torna a região mais escura. Com isso, ela absorve mais luz solar e esquenta ainda mais.

Por causa disso, é provável que nenhum modelo atual seja capaz de capturar como será o clima do futuro.

Arte/Folhapress

Fonte: Reinaldo José Lopes, Editor de Ciência e Saúde, Folha.com


16 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Do Código Florestal à água da torneira

Artigo de Suzana M. Padua, Claudio Padua, Eduardo Ditt e Thomaz Almeida publicado na Folha de São Paulo de ontem (15).

Para muita gente pode ser difícil perceber que as perdas de florestas decorrentes da mudança no Código Florestal vão afetar nosso bem-estar. Estamos falando de perdas fundamentais, como a água. Desmatamento em nascentes, cursos d’água e reservatórios afetarão a disponibilidade da água, e a tendência é que isso aconteça exponencialmente se o código sofrer as mudanças em discussão.

Vamos usar um exemplo que conhecemos amiúde. O reservatório do rio Atibainha, localizado em Nazaré Paulista, São Paulo, é uma das represas que compõem o sistema Cantareira. Construído entre as décadas de 1960 e 1970, o sistema visava atender à demanda crescente por água decorrente do aumento da população da Grande São Paulo.

Hoje, o sistema fornece mais de 50% da água de São Paulo, 95% da água de Campinas e quase a totalidade das cidades da região, com mais de 9 milhões de habitantes-consumidores.

Aproximadamente 50% das terras no entorno do Atibainha são ocupadas por remanescentes de mata atlântica. Uma proporção extraordinária. É essa riqueza ambiental que torna a região uma verdadeira produtora de águas. As matas garantem a proteção das nascentes dos rios, a qualidade dos cursos d’água e sua produção, e o reservatório funciona como uma grande caixa d’água.

O desmatamento, se permitido legalmente pelas mudanças propostas no Código Florestal, causará um efeito direto que pode ameaçar a quantidade e a qualidade de água disponível em um dos maiores conglomerados humanos do país. Estudos do IPÊ (Instituto de Pesquisas Ecológicas) quantificam o efeito dos usos do solo.

Uma área de 7.000 hectares ao redor do reservatório tem sedimentação quase inexistente se ocupada por floresta nativa. Se substituída por pastagem, nosso cálculo é que seja como um carregamento de 1.470 toneladas de sedimentos entrando na represa por ano -equivalente a 270 caminhões de terra-, o que o encherá até não haver espaço para a água, comprometendo sua disponibilidade para consumo.

Desde que o reservatório Atibainha foi construído, as pressões têm aumentado, como em outras regiões do país. É um exemplo de local com riqueza natural e desafios sociais, o que pode dar a impressão de que para ter progresso é preciso destruir a natureza.

Mas o mundo mudou, e os valores precisam ser atualizados para que haja chance de um futuro de bem-estar para todos. A natureza não deveria mais ser computada como um “presente”, sem valor nas equações econômicas. O IPÊ há mais de 15 anos vem tornando a região um laboratório de pesquisa e ação, desenvolvendo metodologias de reflorestamento e restauração da paisagem. Melhorias sociais, no entanto, podem levar mais tempo.

Se o Código Florestal for alterado, os desmatamentos serão permitidos por lei e trarão impactos que incluem a água produzida na região do Atibainha, que sai nas torneiras de milhares de pessoas.

Suzana M. Padua é doutora em educação ambiental pela UnB, é presidente do IPÊ (Instituto de Pesquisas Ecológicas) e vencedora do Prêmio Empreendedor Social 2009. Claudio Padua é doutor em ecologia pela Universidade da Flórida (EUA), é reitor da Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade (Escas) e vencedor do Prêmio Empreendedor Social 2009. Eduardo Ditt é doutor em ciência ambiental pelo Imperial College London, é diretor da empresa Arvorar Soluções Florestais. Thomaz Almeida é biólogo, é pesquisador do IPÊ e mestrando na Escas.






Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

novembro 2019
S T Q Q S S D
« mar    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
252627282930  

16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Queimadas na Mata Atlântica jogam carvão vegetal no oceano

O desmatamento por queimadas na mata Atlântica deixou uma enorme quantidade de carvão vegetal no solo. Segundo pesquisa de Carlos Eduardo de Rezende, biogeoquímico da UEFN (Universidade Estadual do Norte Fluminense), a prática criminosa não destruiu apenas a área verde do Brasil, hoje reduzida a menos de 8% do terreno original, como também pode devastar o resto do ecossistema por milênios.

O estudo, feito em parceria com o centro de estudos alemão Max Planck, descobriu que mais de 2,7 toneladas de carvão vegetal são despejadas no oceano Atlântico todo ano. O grupo liderado por Rezende, que coletou amostras da água do mar a cada duas semanas por 11 anos, entre 1997 e 2008, estima que já foram despejados de 50 mil a 70 mil toneladas do componente no meio marinho.

Segundo o brasileiro, o corte e a queima da vegetação depositaram entre 200 milhões e 500 milhões de toneladas da substância negra na superfície terrestre. Como os sedimentos são levados pela chuva, eles chegam até os rios e, depois, desembocam no oceano. Este processo de limpeza do solo, feito durante a época das tempestades, pode demorar entre 630 e 2.200 anos para terminar.

Por isso, mesmo após quase 40 anos da proibição das queimadas, os vestígios de carvão vegetal ainda são despejados no mar. Sem apontar as consequências reais, o material demonstra que a queimada vai além do ato isolado na área e gera uma reação em cadeia e prejudicial ao restante do ambiente.

Fonte: UOL


2 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Mapa interativo mostra distribuição desigual de emissões de carbono

Tamanho dos países foi distorcido para representar dados de carbono.
Quanto maior a responsabilidade nas emissões, maior fica o país.

A emissão de carbono, que acentua o aquecimento global, ocorre de forma desigual no mundo — por isso, as consequências das mudanças climáticas não são as mesmas em todos os países. Para mostrar estas diferenças, um jornalista e um programador criaram um mapa interativo, o “Mapa do Carbono”, lançado nesta quinta-feira (29).

Nele, o tradicional mapa mundi aparece de uma forma totalmente diferente. Os tamanhos dos países foram distorcidos para mostrar o peso relativo de cada um nas emissões globais de carbono e nas consequências do aquecimento global, de acordo com dados do Banco Mundial.

O objetivo é dimensionar a responsabilidade e a vulnerabilidade de cada um.

Assim, no quesito emissão de carbono atual, China, Índia, Japão, Estados Unidos e Europa ganham formas gigantes, porque são os maiores emissores. América do Sul e África têm formas menores. Já quando se analisa o acumulado de emissões desde 1850 (sendo que “a maior parte delas ainda continua no ar”, segundo projeto), o peso da Ásia diminui e a responsabilidade recai sobre América do Norte e Europa.

Mapa distorcido mostra o tamanho proporcional dos países de acordo com a emissão de carbono desde 1850. (Foto: Reprodução / The Carbon Map)

Mapa distorcido mostra o tamanho proporcional dos países de acordo com a emissão de carbono desde 1850. (Foto: Reprodução / The Carbon Map)

Vulnerabilidade
Por outro lado, quando se avalia a vulnerabilidade às mudanças climáticas, a Ásia domina o mapa. A África também é apresentada com um tamanho relativo maior. Os outros continentes ficam bastante reduzidos. Os dados mostram o número de pessoas que podem ficar feridas, ser desalojadas ou precisar de ajuda de emergência devido a cheias, secas ou temperaturas extremas.

Em todas as variáveis, o Brasil é apresentado com um tamanho menor do que o real. Isto indica que nem sua responsabilidade nas emissões globais nem na vulnerabilidade são altas, em comparação com o resto do mundo.

No mapa, o usuário também pode escolher uma variável para colorir os países. Ao optar por emissão de CO2 por pessoa, por exemplo, as nações ficam mais escuras à medida que aumentam os valores.

De acordo com Duncan Clark, jornalista do jornal britânico Guardian e um dos idealizadores do projeto, existem três vantagens de apresentar os dados desta forma.

“Primeiro, a distorção do mapa mundi é uma boa maneira de compreender muitos números com apenas um olhar. Segundo, animar as distorções torna a interação com os dados divertida. Terceiro, é possível escolher a variável para colorir o mapa distorcido, o que ajuda a perceber relações”, afirma Clark.

Vulnerabilidade da Ásia aos efeitos do aquecimento global é muito maior que no restante do globo. (Foto: Divulgação / The Carbon Map)

Vulnerabilidade da Ásia aos efeitos do aquecimento global é muito maior que no restante do globo. (Foto: Divulgação / The Carbon Map)

Com relação às emissões atuais de carbono, China, Índia, Japão, EUA e Europa têm um peso maior que o restante do mundo. (Foto: Divulgação / The Carbon Map)

Com relação às emissões atuais de carbono, China, Índia, Japão, EUA e Europa têm um peso maior que o restante do mundo. (Foto: Divulgação / The Carbon Map)

Fonte: Amanda Rossi, Globo Natureza


28 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas voltam a alertar sobre consequências do novo Código Florestal Cientistas voltam a alertar sobre consequências do novo Código Florestal

Às vésperas de a Câmara dos Deputados retomar as discussões sobre o texto do novo Código Florestal, alterado pelo Senado Federal, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) entregaram hoje (27) ao deputado Paulo Piau (PMDB-MG), relator da proposta, um documento em que revela 11 pontos no texto que ainda podem trazer “graves problemas” ao País. O objetivo da área científica, mais uma vez, é alertar sobre as possíveis consequências que podem resultar do projeto de lei (PLC 30/2011) que altera a legislação em vigor.

A expectativa é de que os deputados retomem a análise do texto na próxima semana, nos dias 6 e 7 de março. Após esse trâmite, o texto seguirá ao Palácio do Planalto que pode sancionar ou vetar o projeto.

 

Ao analisar a versão do Código Florestal apresentada pelos senadores em dezembro, os cientistas, ao mesmo tempo em que alertam sobre os pontos negativos do texto, também reconhecem avanços conquistados no Senado Federal.

 

“Ainda é uma incógnita o que vai ocorrer na Câmara, mas espero que os deputados mantenham [também] os ganhos obtidos no Senado”, estima José Antônio Aleixo da Silva, um dos responsáveis pelo grupo de trabalho da SBPC e ABC, instituído com objetivo de fornecer dados técnico-científicos para subsidiar as discussões dos parlamentares sobre o assunto.

 

“Na minha avaliação, o Senado fez um esforço grande para modificar o documento. Nessas modificações alguns pontos foram bons. Outros, ruins”, complementa Aleixo da Silva, também professor associado do Departamento de Ciência Florestal da Universidade Federal de Pernambuco (UFRPE).

 

À assessoria de imprensa da SBPC, o professor Ricardo Rodrigues, da Esalq/USP, também integrante do grupo de trabalho, disse que a ideia dos cientistas é fornecer “os parâmetros necessários para que os deputados façam as alterações que ainda são possíveis” no texto.

 

Dentre os pontos negativos, os cientistas listam o problema relacionado às áreas de preservação permanente (APPs). “Todas as áreas de preservação permanente (APPs) nas margens de cursos d’água e nascentes devem ser preservadas e, quando degradadas, devem ter sua vegetação integralmente restaurada. A área das APPs, que deve ser obrigatoriamente recuperada, foi reduzida em 50% no texto atual”, destacam eles no documento.

 

Segundo o documento da SBPC e ABC, as APPs de margens de cursos d’água devem continuar a ser demarcadas, como foram até hoje, “a partir do nível mais alto da cheia do rio”. A substituição do leito maior do rio pelo leito regular para a definição das APPs torna vulneráveis amplas áreas úmidas em todo o País, particularmente, na Amazônia e no Pantanal. “Essas áreas são importantes provedoras de serviços ecossistêmicos, principalmente, a proteção de nossos recursos hídricos e por isso, objeto de tratados internacionais de que o Brasil é signatário, como a Convenção de Ramsar [Convenção sobre Zonas Úmidas de Importância Internacional]“, sublinham os cientistas. Nesse caso, a expectativa de especialistas é de que esse ponto seja vetado pelo Palácio do Planalto, já que esse item já havia sido aprovado na Câmara Deputados.

 

Os cientistas também reiteram que os usos agrícolas praticados pelas comunidades tradicionais e por ribeirinhos devem ter tratamento diferenciado. Em particular, as áreas de pousio devem continuar sendo reconhecidas apenas à pequena propriedade ou posse rural familiar ou de população tradicional, como foram até o presente.

 

“As comunidades biológicas, as estruturas e as funções ecossistêmicas das APPs e das reservas legais são distintas. Não faz sentido incluir APPs no cômputo das Reservas Legais (RLs) como proposto no artigo 16 do Projeto de Lei”, enfatiza o documento da SBPC e ABC.

 

O documento destaca também que a reforma do Código Florestal, em discussão no Congresso Nacional, sob a influência de grupos de pressão setoriais, representa “a desregulação” do setor do agronegócio com sérios riscos para o meio ambiente e para a própria produção agrícola. Alertam que “a proteção de áreas naturais está sendo consideravelmente diminuída e perde-se assim a oportunidade de produzir alimentos com mais eficiência e com sustentabilidade ambiental, o que deveria ser o grande diferencial da agricultura brasileira”.

 

Fonte: Viviane Monteiro – Jornal da Ciência


8 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Novos estudos reforçam consenso de que Terra está mais quente

Duas pesquisas recentes reafirmam o consenso científico em torno da realidade do aquecimento global, embora também mostrem as incertezas do fenômeno.

A primeira, coordenada pelo físico Richard Muller, da Universidade da Califórnia em Berkeley, foi divulgado numa conferência nos EUA e aguarda para ser publicado.

Mas já ganhou relevância porque, até o mês passado, Muller era um cético do clima. Para ele, os dados usados para mostrar que o planeta está aquecendo não eram confiáveis.

Decidido a colocar o consenso climático à prova, Muller organizou um estudo, o Best (sigla inglesa de “projeto Berkeley sobre a Temperatura da Superfície Terrestre”).

A pesquisa recebeu parte de seu financiamento da fundação Charles Koch, ligada à indústria do petróleo e responsável por bancar outros céticos climáticos e políticos conservadores nos EUA.

Em artigo no “Wall Street Journal”, um dos poucos grandes jornais em que a comunidade de céticos climáticos ainda tem voz, Muller explica o porquê de suas dúvidas iniciais sobre o aquecimento global: dados porcos.

O xis do problema são as estações meteorológicas, principais responsáveis por recolher dados de temperatura e criar uma série histórica capaz de dizer se, afinal, o planeta está mais quente.

Seguindo os dados obtidos por essas estações, o IPCC, painel do clima da ONU, estima que a temperatura média da Terra subiu 0,64 grau Celsius nos últimos 50 anos.

Só que há um problema, escreve Muller: 70% dessas estações nos EUA possuem uma margem de erro superior a essa variação.
Além disso, grande parte das medições de temperatura é feita em áreas urbanas, que ficaram mais quentes com asfalto, calçadas e concentração de prédios.

Muller explica que a equipe do estudo Best usou uma série de controles experimentais para contornar esses vieses. Primeiro, eles usaram uma massa maior de registros do que as pesquisas tradicionais sobre o tema.

Resultado: de quase 40 mil estações medidoras de temperatura mundo afora, dois terços mostraram sinais de aquecimento.

Além disso, eles trabalharam com dados de satélite para levantar as tendências de temperatura apenas nas estações de medição em áreas rurais, e não houve diferença em relação às mais urbanas.

E a magnitude do aquecimento é comparável tanto nas estações de boa qualidade quanto nas que trazem dados mais incertos.

“Embora as estações de baixa qualidade tragam temperaturas incorretas, elas ainda assim seguem as mudanças de temperatura”, afirma.

INCERTEZAS

Muller e colegas, porém, não investigaram as causas do aquecimento nem o que acontecerá daqui para a frente. Nesse último ponto, uma pesquisa publicada recentemente na revista científica “Journal of Geophysical Research” mostra que os cientistas ainda terão muito trabalho pela frente.

Julia Crook e Piers Forster, da Universidade de Leeds (Reino Unido), fizeram uma análise detalhada dos modelos climáticos, as simulações por computador que servem para prever o futuro do clima.

O jeito tradicional de verificar se esses modelos são úteis é tentar ver se eles reproduzem o que ocorreu com o clima no século 20.

Eles conseguem isso, dizem os pesquisadores, mas de um jeito que não depende da força dos feedbacks positivos do clima, ou seja, da maneira como mudanças atuais amplificam o aquecimento futuro. Por exemplo: derreter gelo no Ártico torna a região mais escura. Com isso, ela absorve mais luz solar e esquenta ainda mais.

Por causa disso, é provável que nenhum modelo atual seja capaz de capturar como será o clima do futuro.

Arte/Folhapress

Fonte: Reinaldo José Lopes, Editor de Ciência e Saúde, Folha.com


16 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Do Código Florestal à água da torneira

Artigo de Suzana M. Padua, Claudio Padua, Eduardo Ditt e Thomaz Almeida publicado na Folha de São Paulo de ontem (15).

Para muita gente pode ser difícil perceber que as perdas de florestas decorrentes da mudança no Código Florestal vão afetar nosso bem-estar. Estamos falando de perdas fundamentais, como a água. Desmatamento em nascentes, cursos d’água e reservatórios afetarão a disponibilidade da água, e a tendência é que isso aconteça exponencialmente se o código sofrer as mudanças em discussão.

Vamos usar um exemplo que conhecemos amiúde. O reservatório do rio Atibainha, localizado em Nazaré Paulista, São Paulo, é uma das represas que compõem o sistema Cantareira. Construído entre as décadas de 1960 e 1970, o sistema visava atender à demanda crescente por água decorrente do aumento da população da Grande São Paulo.

Hoje, o sistema fornece mais de 50% da água de São Paulo, 95% da água de Campinas e quase a totalidade das cidades da região, com mais de 9 milhões de habitantes-consumidores.

Aproximadamente 50% das terras no entorno do Atibainha são ocupadas por remanescentes de mata atlântica. Uma proporção extraordinária. É essa riqueza ambiental que torna a região uma verdadeira produtora de águas. As matas garantem a proteção das nascentes dos rios, a qualidade dos cursos d’água e sua produção, e o reservatório funciona como uma grande caixa d’água.

O desmatamento, se permitido legalmente pelas mudanças propostas no Código Florestal, causará um efeito direto que pode ameaçar a quantidade e a qualidade de água disponível em um dos maiores conglomerados humanos do país. Estudos do IPÊ (Instituto de Pesquisas Ecológicas) quantificam o efeito dos usos do solo.

Uma área de 7.000 hectares ao redor do reservatório tem sedimentação quase inexistente se ocupada por floresta nativa. Se substituída por pastagem, nosso cálculo é que seja como um carregamento de 1.470 toneladas de sedimentos entrando na represa por ano -equivalente a 270 caminhões de terra-, o que o encherá até não haver espaço para a água, comprometendo sua disponibilidade para consumo.

Desde que o reservatório Atibainha foi construído, as pressões têm aumentado, como em outras regiões do país. É um exemplo de local com riqueza natural e desafios sociais, o que pode dar a impressão de que para ter progresso é preciso destruir a natureza.

Mas o mundo mudou, e os valores precisam ser atualizados para que haja chance de um futuro de bem-estar para todos. A natureza não deveria mais ser computada como um “presente”, sem valor nas equações econômicas. O IPÊ há mais de 15 anos vem tornando a região um laboratório de pesquisa e ação, desenvolvendo metodologias de reflorestamento e restauração da paisagem. Melhorias sociais, no entanto, podem levar mais tempo.

Se o Código Florestal for alterado, os desmatamentos serão permitidos por lei e trarão impactos que incluem a água produzida na região do Atibainha, que sai nas torneiras de milhares de pessoas.

Suzana M. Padua é doutora em educação ambiental pela UnB, é presidente do IPÊ (Instituto de Pesquisas Ecológicas) e vencedora do Prêmio Empreendedor Social 2009. Claudio Padua é doutor em ecologia pela Universidade da Flórida (EUA), é reitor da Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade (Escas) e vencedor do Prêmio Empreendedor Social 2009. Eduardo Ditt é doutor em ciência ambiental pelo Imperial College London, é diretor da empresa Arvorar Soluções Florestais. Thomaz Almeida é biólogo, é pesquisador do IPÊ e mestrando na Escas.