22 de março de 2013 | nenhum comentário »

Dia Mundial da Água: aumento da demanda e contaminação preocupam

Temática deste ano é a Cooperação pela Água; relatório da ONU aponta que demanda vai crescer 55% até 2050

A disputa pela água exige atenção cada vez maior. Em 40 anos, a demanda deve crescer mais de 50%. Enquanto isso, os recursos hídricos do planeta estão sendo contaminados. É o que, neste Dia Mundial da Água, 22 de março, lembram o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a gestão da água e Carlos Eduardo Morelli Tucci, referência mundial no assunto.

Garota toma banho nas Filipinas no Dia Mundial da Água Foto: Reuters

Garota toma banho nas Filipinas no Dia Mundial da Água Foto: Reuters

A data foi estipulada por recomendação da ONU, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, conhecida como Rio-92. Desde então, define-se um tema anual com o intuito de abordar os problemas relacionados aos recursos hídricos. Neste ano, a temática é a “Cooperação pela Água”.

 

O tema não representa apenas este dia. A ONU definiu 2013 como o Ano Internacional de Cooperação pela Água. A intenção é conscientizar a população mundial a respeito dos desafios do gerenciamento da água do planeta e da necessidade de um esforço global para enfrentar o problema. A má utilização da água no mundo é, justamente, um dos pontos básicos da 4ª edição do relatório da ONU sobre o desenvolvimento dos recursos hídricos. O texto, que ainda aponta questões como pressões do clima, crescimento demográfico e aumento da demanda por energia e alimentos, foi apresentado na abertura do 6º Fórum Mundial da Água, em Marselha, na França, no ano passado.

De acordo com o relatório, a demanda mundial por água vai crescer cerca de 55% até 2050. Enquanto isso, o crescimento demográfico nos próximos 40 anos está estimado em dois a três bilhões de pessoas. Tucci, doutor em Recursos Hídricos pela Colorado State University e professor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explica o problema. “Existem dois riscos: o risco de escassez por aumento da demanda (maior quantidade de usuários e demanda) e da escassez de qualidade devido à contaminação da água disponível”.

 

Conforme o professor, a demanda cresce não apenas devido ao aumento da população, mas também por causa de mudança de hábitos, incremento da renda e outros fatores. “Não é a água que pode faltar, mas o aumento de demanda que faz com que a mesma quantidade seja disputada por um maior número de usuários, além da redução da disponibilidade pela contaminação”, explica o professor.

A água não acaba
A impressão que se tem quando se lê algumas manchetes alarmistas é de que a água de fato está acabando e de que seu consumo pode extingui-la. Na verdade, através de um fenômeno chamado Ciclo Hidrológico, a quantidade de água na Terra é praticamente a mesma há milhões de anos. Águas do mar e dos continentes evaporam, formam nuvens, voltam à terra (chuva, neve), escorrem para rios, lagos e subsolo e, finalmente, retornam ao mar. Como se perde a água, então? Com a poluição e a contaminação dos recursos hídricos.

Consumo
Esses recursos são consumidos por diversos setores. Segundo Tucci, o maior é a agricultura irrigada, que utiliza 70% da água, seguida pela indústria (20%) e pela população (10%). O cenário é o seguinte: uma pessoa deve beber 2 litros de água por dia, mas são necessários de 2 mil a 5 mil litros de água para produzir sua alimentação diária, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.

 

Regiões
Nem sempre a região de maior demanda é a de maior oferta de água. “O semiárido, com 10% da área do país, é uma região carente de disponibilidade. As áreas metropolitanas, com grande concentração de população, têm alta demanda de água em pouco espaço, o que, associado à contaminação das fontes de água por esgoto, produzem grande pressão quanto à escassez quantitativa e qualitativa da água”, alerta. Em um futuro cenário de escassez de água, o Aquífero Guarani é apontado por muitos como uma alternativa interessante. Nas regiões onde está aflorante, ele já é utilizado, como no interior de São Paulo, Mato Grosso do Sul e fronteira do Rio Grande do Sul. Mas Tucci ressalta que o uso depende de condicionantes físicos, como proximidade da demanda e profundidade do aquífero para ser economicamente explorável. “Na parte central, pode estar a mais de 1500 metros de profundidade, aumentando o seu custo de uso”, afirma.

Dois terços da população mundial podem sofrer com falta de água potável até 2025, segundo a Unesco Foto: AP

Dois terços da população mundial podem sofrer com falta de água potável até 2025, segundo a Unesco Foto: AP

Previsões
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) estima que, até 2025, 2/3 da população mundial seja afetada, de alguma forma, por falta de água potável. Mas esse tipo de previsão não é unanimidade. “Cada região pode ter suas fortalezas e fraquezas em função da disponibilidade e usuários”, pontua Tucci. O doutor em Recursos Hídricos também justifica as correntes divergentes de pensamento sobre o tema. “Os que dizem que o cenário não é catastrófico provavelmente estão mirando regiões onde existe muita água e com poucos conflitos. Já os outros estão mirando as regiões problemáticas. Portanto a resposta geral é pouco informativa, e o assunto deve ser associado sempre a uma região específica ou a uma bacia hidrográfica”, afirma.

Valor
O Dia Mundial da Água busca prevenir esse cenário estimado para 2025. Apesar de iniciativas e campanhas como essa, a água ainda é pouco valorizada pela sociedade. Para Tucci, a população está acostumada a pagar pouco e a desperdiçá-la, sem se importar em ver um rio ou riacho contaminado. No Brasil, menos de 40% do esgoto é tratado. “Como qualquer produto, a água somente será valorizada quando, nesta região específica do usuário, ocorrer falta de água ou ela estiver contaminada. Por isso, o preço deve ser ajustado a uma gestão racional, já que não existe órgão mais sensível do que o bolso”, sentencia.

 

Fonte: Terra

 


15 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Empresários discutem meios de conciliar produção e ambiente

A redução do consumo pelas pessoas, assim como a redução da produção por parte das empresas, não é o caminho para a transição para a economia verde, afirmou ontem (14) Tim Wall, representante do Fórum de Sustentabilidade Corporativa, evento da Rio+20 organizado pela ONU.

A busca por um novo modelo de negócios, que alie rentabilidade das empresas com desenvolvimento sustentável, será o objetivo fórum que começa nesta sexta-feira (15) e vai até o dia 18, no hotel Windsor Barra, zona oeste do Rio de Janeiro.

Wall, contudo, não deu uma receita de como alcançar o equilíbrio entre as necessidades básicas do capitalismo e os anseios ambientais.

No fórum, disse ele, serão discutidos o uso de materiais menos poluentes, reutilização de água e fontes mais limpas de geração de energia.

Também será debatido o papel dos governos no incentivo e promoção de práticas mais sustentáveis das empresas.

Ao final da conferência, que reunirá mais de mil empresas ao redor do mundo em cerca de cem palestras, um documento será apresentado aos chefes de Estado, que irão se reunir de 20 a 22, no Rio Centro.

“A crise financeira mostrou que a busca por lucros no curto prazo é insustentável. Não acho que a redução do consumo é o caminho para um novo modelo, mas isso não significa que tenhamos que discutir novas formas de fazer negócios”, disse, durante coletiva de imprensa no Palácio do Itamaraty, no Rio.

O evento é uma iniciativa do Pacto Global das Nações Unidas, que reúne cerca de 7.000 empresas signatárias. O objetivo é criar tendências de modelos de negócios menos impactantes. O Brasil possui 280 empresas signatárias.

Companhias brasileiras como Petrobras, Eletrobras e Vale farão palestras. A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster e o secretário-geral da presidência da República, Gilberto Carvalho, são dois dos convidados a falar.

Fonte: Folha.com

 


17 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Com participação de astronauta, relatório mostra que ‘pegada’ do Brasil supera a da China e a da Índia

A pegada ecológica do Brasil é maior que a média mundial e maior que a de todos os países do grupo Brics exceto a Rússia (o grupo inclui China, Índia e África do Sul).

Os dados são do Relatório Planeta Vivo 2012, divulgado pela ONG WWF com a participação do astronauta holandês André Kuipers.

Pegada ecológica é a quantidade de hectares necessária para suprir as necessidades de consumo de cada ser humano versus a capacidade de regeneração da Terra.

O relatório mostra que a pegada da humanidade hoje excedeu em 50% a capacidade de regeneração do planeta. Ou seja, para sustentar o padrão de consumo atual, seria necessário 1,5 planeta.

A pegada ecológica da humanidade dobrou desde 1966. Entre os países com maior pegada estão nações emergentes e de território pequeno, como Qatar (1°) e Dinamarca (4°), além dos gigantes consumistas EUA (5°).

O Brasil tem uma pegada ecológica de 2,93 hectares por pessoa, contra 2,70 da média global. Segundo Cecília Wey de Brito, secretária-geral do WWF Brasil, o que mais pesa aqui é a agropecuária, que consome muita terra e água.

A pegada cresceu ligeiramente em 2012 em comparação a 2010 e só não é maior porque o Brasil detém a maior biocapacidade (capacidade de regeneração) do mundo, por conta de suas florestas.

“O Código Florestal é um dos garantidores de que isso continue”, disse Brito, pedindo o veto de Dilma ao código aprovado pela Câmara.

Fonte: Folha.com


20 de abril de 2012 | nenhum comentário »

África tem reservas subterrâneas gigantes de água, dizem cientistas

Cientistas dizem que o continente africano, conhecido pelo clima seco, tem enormes reservas subterrâneas de água.

No mais completo mapa já feito da escala e distribuição da água existente embaixo do deserto do Saara e em outras partes da África, os especialistas dizem que esses reservatórios subterrâneos poderiam fornecer água suficiente para o consumo e agricultura em todo o continente, mas admitem que o processo de extração pode ser complexo.

O trabalho, publicado na revista científica Environmental Research Letters, diz ainda que muitos dos antigos aquíferos africanos foram preenchidos pela última vez 5 mil anos atrás.

Escassez

Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas na África não tenham acesso a água potável e a demanda deve aumentar consideravelmente nas próximas décadas, devido ao crescimento populacional e à necessidade de irrigação para plantações.

Rios e lagos estão sujeitos a enchentes e secas sazonais, que podem limitar a disponibilidade da água. Atualmente, apenas 5% das terras cultiváveis africanas são irrigadas.

Agora, os cientistas da British Geological Survey (BGS) e da University College London (UCL) esperam que o novo mapeamento chame atenção para o potencial dos reservatórios subterrâneos.

“As maiores reservas de água subterrâneas ficam no norte da África, em grandes bacias sedimentares, na Líbia, Argélia e Chade”, diz Helen Bonsor, da BGS.

“A quantidade armazenada nessas bacias é equivalente a 75 metros de água sobre aquela área. É uma quantidade enorme.”

Estratégia

Devido a mudanças climáticas que transformaram o Saara em um deserto ao longo dos séculos, muitos dos aquíferos subterrâneos receberam água pela última vez há mais de 5 mil anos.

Os cientistas basearam suas análises em mapas de governos dos países africanos, assim como em 283 estudos de aquíferos.

Eles afirmam que muitas das nações que enfrentam escassez de água têm, na verdade, reservas consideráveis embaixo do solo.

No entanto, os pesquisadores alertam que a perfuração de poços tubulares profundos pode não ser a melhor maneira de extrair a água, já que poderiam esgotar a fonte rapidamente.

“Poços profundos não devem ser perfurados sem que haja um conhecimento detalhado das condições das reservas locais. Poços simples e bombas manuais, desenvolvidos de forma cuidadosa e nos locais certos, têm mais chance de ser bem-sucedidos”, disse à BBC Alan McDonald, principal autor do estudo.

Helen Bonsor concorda que meios de extração mais lentos podem ser mais eficientes.

“Muitos aquíferos de baixo volume estão presentes na África subsaariana. No entanto, nosso trabalho mostra que com exploração e construção cuidadosas, há água subterrânea suficiente na África para fins de consumo e irrigação comunitária”, diz ela, acrescentando que as reservas poderiam contrabalançar os problemas causados pela mudança climática.

“Mesmo nos menores aquíferos em áreas semi-áridas, com baixíssimo índice de chuvas, as reservas subterrâneas ainda durariam algo entre 20 e 70 anos”, afirma Bonsor.

“Então, nos índices atuais de extração para consumo e irrigação em pequena escala, os reservatórios fornecem e continuarão a fornecer proteção contra as variações do clima.”

Fonte: BBC Brasil


19 de março de 2012 | nenhum comentário »

Moscas rejeitadas pelas fêmeas recorrem ao álcool, diz estudo

As moscas que buscam sexo e são rejeitadas pelas fêmeas estão muito mais propensas a consumir álcool que seus pares satisfeitos, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira pela revista Science. “Durante muito tempo as moscas drosófilas (conhecidas também como moscas-da-fruta) foram usadas como modelo para o estudo do alcoolismo”, explicou a neurobióloga chilena Ulrike Hebertein, da equipe da Universidade da Califórnia que realizou os experimentos.

O estudo liderado por Galit Shohat Ophir, do Departamento de Anatomia da Universidade da Califórnia, ajuda a entender melhor uma “área de recompensas” no cérebro que pode ter implicações na dependência. “Sabemos que quase 50% da propensão ao consumo de álcool está ligada aos genes, mas as experiências na vida também afetam o consumo humano de álcool”, acrescentou.

Para determinar o grau no qual as experiências estressantes podem levar a um elevado consumo de álcool, pelo menos nas moscas, os cientistas decidiram expor os machos à “rejeição sexual das fêmeas” durante uma hora três vezes por dia e durante quatro dias.

Para comparar os resultados, outro grupo de machos foi eleito para receber a companhia, cada um deles, de cinco moscas virgens e amplas oportunidades para acasalar. “Depois comparamos o consumo voluntário do álcool em ambos grupos. Constatamos que os machos rechaçados pelas fêmeas mostraram uma preferência notável pela comida com 15% de álcool, em detrimento da comida normal”, continuou Ulrike. “Essa diferença no consumo de álcool continuou por vários dias”, disse a pesquisadora.

A vida média das moscas drosófilas é de 26 dias para as fêmeas e 33 dias para os machos, de modo que uma propensão ao alcoolismo por “vários dias” pode representar uma porção significativa na vida desse inseto. Para uma comprovação adicional do impacto da rejeição sexual na propensão ao consumo de álcool, Ulrike e os outros pesquisadores separaram os machos frustrados em dois subgrupos, e a um deles foi permitida a companhia de moscas virgens durante duas horas e meia.

“A preferência pelo álcool foi notavelmente menor no subgrupo de machos primeiro rechaçados e depois colocados na companhia das fêmeas”, destacou o artigo.

Fonte: Portal Terra


12 de março de 2012 | nenhum comentário »

É preciso correr, adverte a ciência

Artigo do jornalista Washington Novaes publicado no jornal O Estado de São Paulo de sexta-feira (9).

Deveria ser leitura obrigatória para todos os governantes, de todos os níveis, todos os lugares, o documento de 22 páginas entregue no último dia 20 de fevereiro, em Nairóbi, no Quênia, aos ministros reunidos pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, escrito e assinado por 20 dos mais destacados cientistas que já receberam o Prêmio Blue Planet, também chamado de Prêmio Nobel do Meio Ambiente. Entre eles estão a ex-primeira-ministra norueguesa, Gro Brundtland, coordenadora do primeiro relatório da ONU sobre desenvolvimento sustentável; James Lovelock, autor da “Teoria Gaia”; o professor José Goldemberg, ex-ministro brasileiro do Meio Ambiente; sir Nicholas Stern, ex-economista-chefe do Banco Mundial, consultor do governo britânico sobre clima; James Hansen, do Instituto Goddard de Estudos Espaciais (Nasa); Bob Watson, conselheiro do governo britânico; Paul Ehrlich, da Universidade Stanford; Julia Marton-Lefèvre, da União Internacional para a Conservação da Natureza; Will Turner, da Conservação Internacional – e vários outros.

 

Nesse documento os cientistas traçam, com palavras sóbrias e cuidadosas, um panorama dramático da situação do mundo, hoje, em áreas vitais: clima; excesso de consumo e desperdício; fome; necessidade de aumentar a produção de alimentos e escassez de terras; desertificação e erosão; perda da biodiversidade e de outros recursos naturais; subsídios gigantescos nas áreas de transportes, energia, agricultura – e a necessidade de eliminá-los. Enfatizam a necessidade de “empoderamento” das mulheres e de grupos sociais marginalizados; substituir o produto interno bruto (PIB) como medida de riqueza e definir métodos que atribuam valor ao capital natural, humano e social; atribuir valor à biodiversidade e aos serviços dos ecossistemas e deles fazer a base da “economia verde”.

 

É um documento que, a cada parágrafo, provoca sustos e inquietações, ao traçar o panorama dramático que já vivemos em cada área e levar todo leitor a perguntar qual será o futuro de seus filhos e netos. “O atual sistema [no mundo] está falido”, diz Bob Watson. “Está conduzindo a humanidade para um futuro que é de 3 a 5 graus Celsius mais quente do que já tivemos; e está eliminando o ambiente natural, do qual dependem nossa saúde, riqueza e consciência. (…) Não podemos presumir que a tecnologia virá a tempo para resolver; ao contrário, precisamos de soluções humanas”.

 

“Temos um sonho”, afirma o documento. “De um mundo sem pobreza e equitativo – um mundo que respeite os direitos humanos – um mundo de comportamento ético mais amplo com relação à pobreza e aos recursos naturais – um mundo ambientalmente, socialmente e economicamente sustentável, onde desafios como mudanças climáticas, perda da biodiversidade e iniquidade social tenham sido enfrentados com êxito. Esse é um sonho realizável, mas o atual sistema está profundamente ferido e nossos caminhos atuais não o tornarão realidade”.

 

Segundo os cientistas, é urgente romper a relação entre produção e consumo, de um lado, e destruição ambiental, de outro: “Crescimento material sem limites num planeta com recursos naturais finitos e em geral frágeis será insustentável”, ainda mais com subsídios prejudiciais em áreas como energia (US$ 1 trilhão/ano), transporte e agricultura – “que deveriam ser eliminados”. A tese do documento é de que os custos ambientais e sociais deveriam ser internalizados em cada ação humana, cada projeto. Valores de bens e serviços dos ecossistemas precisam ser levados em conta na tomada de decisões. É algo na mesma direção das avaliações recentes de economistas e outros estudiosos, comentadas neste espaço, a respeito da finitude dos recursos naturais e da necessidade de recompor a vida econômica e social em função disso.

 

O balanço na área de energia é inquietador, com a dependência de combustíveis fósseis, danos para a saúde e as condições ambientais. Seria preciso proporcionar acesso universal de toda a população pobre aos formatos “limpos” e renováveis de energia – a transição para economia de “baixo carbono” -, assim como a formatos de captura e sepultamento de gases poluentes (ainda em avaliação). Como não caminhamos assim, as emissões de dióxido de carbono equivalente já chegam a 50 bilhões de toneladas anuais, com a atmosfera e os oceanos aumentando suas concentrações para 445 partes por milhão (ppm)- mais 2,5 ppm por ano, que desenham uma perspectiva de 750 ppm no fim do século. E com isso o aumento da temperatura poderá chegar a mais 5 graus Celsius.

 

Na área da biodiversidade, 15 dos 24 serviços de ecossistemas avaliados pelo Millenium Ecosystem Assessment estão em declínio – quando é preciso criar caminhos para atribuir valor à biodiversidade e seus serviços, base para uma “economia verde”. Mas para isso será preciso ter novos formatos de governança em todos os níveis – hoje as avaliações cabem a estruturas políticas, sociais, econômicas, ambientais, separadas e competindo entre elas.

 

E para que tudo isso seja possível, dizem os cientistas, se desejamos tornar reais os nossos sonhos, “o momento é agora” – enfrentando a inércia do sistema socioeconômico e impedindo que sejam irreversíveis as consequências das mudanças climáticas e da perda da biodiversidade. Se falharmos, vamos “empobrecer as atuais e as futuras gerações”. Esquecendo que vivemos em “uma sociedade global infestada pela crença irracional de que a economia física pode crescer sempre, deslembrada de que os ricos nos países desenvolvidos e em desenvolvimento se tornam mais ricos e os pobres são deixados para trás”.

 

Não se trata de um manifesto de “ambientalistas”, “xiitas” ou hippies. São palavras de dezenas dos mais conceituados cientistas do mundo, que advertem: “A demora [em mudar] é perigosa e seria um erro profundo”. É preciso ler esse estudo (www.af-info.or.jp). Escutar. E dar consequências.

 

Fonte: Jornal da Ciência


17 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Mosca-das-frutas bebe álcool como remédio contra parasitas, diz estudo

Prática aumentaria taxa de sobrevivência do inseto.
Pesquisa questiona efeitos positivos do álcool para tratar doenças.

A larva de mosca da fruta poderia curar infecção por ovos de vespa através do consumo de álcool (Foto: Divulgação)

A mosca-das-frutas poderia curar parasitas através do consumo de álcool (Foto: Divulgação)

A mosca-das-frutas consome álcool quando está infectada por um tipo de parasita, para se automedicar. A afirmação é de um estudo da Universidade Emory, nos Estados Unidos, publicado na revista científica “Current Biology” nesta quinta-feira (16).

A ingestão de álcool permitiria a sobrevivência de 60% das moscas-das-frutas infectadas. Já os insetos que não bebem o líquido morrem, segundo o estudo.

O parasita em questão é a vespa, que injeta ovos nas larvas de mosca de fruta. Ela também deposita veneno com a função de bloquear o sistema imunológico do inseto, permitindo que os ovos se desenvolvam. Em seguida, larvas de vespa começam a comer a mosca-das-frutas de dentro para fora.

O álcool poderia bloquear o efeito do veneno e impedir a continuidade do ciclo de vida da vespa, de acordo com o estudo.

 

A hipótese dos pesquisadores era que as moscas-das-frutas consumem álcool para combater o parasita. Para testá-la, eles colocaram lado a lado alimento com e sem álcool. Após 24 horas, 80% dos insetos infectados por vespas comiam o alimento com álcool.

Os cientistas esperam que a pesquisa estimule mais estudos sobre o uso de álcool para controlar doenças em outros organismos, inclusive nos seres humanos.

“Apesar de muitos estudos em humanos demonstrarem a diminuição do sistema imunológico em consumidores crônicos de álcool, pouco tem sido feito para analisar qualquer efeito benéfico do consumo da substância”, afirmou Todd Schlenke, geneticista que conduziu o experimento, em material de divulgação.

Fonte: Globo Natureza, São Paulo

 


28 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Consumo de carne de peixe invasor no Caribe causaria envenenamento

Descoberta de biotoxina em peixe-leão ameaça planos de conter espécie.
Pescado invadiu águas caribenhas e ameaça biodiversidade local.

Ambientalistas presentes em Saint Martin, ilha localizada no Caribe, alertam os moradores para que não consumam a carne do peixe-leão (Pterois volitans), espécie considerada invasora, devido ao risco de contaminação por uma toxina natural.

O fato põe em xeque os esforços do pequeno território para conter a propagação do predador, nativo dos oceanos Índico e Pacífico, que colonizou grandes áreas da região após escapar de um tanque da Flórida, nos Estados Unidos, em 1992.

Seguindo o exemplo de outras ilhas caribenhas, Saint Martin (ou St. Maarten) tinha a esperança de promover o uso deste peixe na culinária, servindo pratos com o pescado frito, empanado ou grelhado, o que retardaria sua propagação.

O peixe-leão foi encontrado no território holandês da ilha em julho do ano passado e se multiplicou desde então. A espécie invasora devora peixes nativos e crustáceos, colocando em risco a biodiversidade marinha do local. Os pesquisadores observaram apenas um peixe-leão comendo até 20 outros peixes em menos de 30 minutos. Para a União Mundial de Conservação, o peixe-leão vermelho é uma das piores espécies invasoras do mundo

Insegurança alimentar
Segundo Tadzio Bervoets, chefe da Fundação St. Maarten para natureza, nos exemplares de peixe-leão capturados foram encontrados biotoxinas que levam ao envenenamento por ciguatera (intoxicação alimentar causada pelo consumo de peixes). É uma ameaça que tem sido crescente.

Pessoas que comeram peixe contaminado podem sentir dor abdominal, náuseas, vômitos, diarréia, formigamento e dormência. A maioria dos pacientes se recupera em poucos dias, mas há casos raros de paralisia e até morte. “Isso significa que não podemos promover com segurança o consumo deste peixe”, disse Bervoets.

A Administração de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) ainda não tem um um relatório oficial sobre as doenças associadas ao consumo de filés de peixe-leão. “Mas em áreas endêmicas de ciguatera, as toxinas foram detectados em níveis superiores ao recomendado pela FDA”, disse o porta-voz do departamento Douglas Karas. Os cientistas ainda pesquisam o que mantém peixe-leão fora de seu ambiente nativo.

Foto de arquivo mostra um peixe-leão a cerca de 40 metros de profundidade, a 88 quilômetros da costa da Carolina do Norte, EUA.  (Foto: Doug Kesling /NOAA Undersea Research Center via AP - julho de 2006)

Foto de arquivo mostra um peixe-leão a cerca de 40 metros de profundidade, a 88 quilômetros da costa da Carolina do Norte, EUA. (Foto: Doug Kesling /NOAA Undersea Research Center via AP - julho de 2006)

Fonte: Globo Natureza, com informações Associated Press.


14 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Indonésia tenta conter comércio ilegal de pangolins e sua extinção

Carne e escamas da espécie são contrabandeadas para a China.
Ambientalistas dizem que leis do país são fracas para crimes ambientais.

Autoridades da Indonésia tentam combater a ocorrência de tráfico de animais cada vez mais intensa entre Jacarta, a capital do país, para cidades da China. Uma das principais vítimas deste crime é o pangolim, cuja carne e escamas que tem sido contrabandeada para os chineses, que aplicam tais produtos na culinária e na fabricação de medicamentos artesanais.

Pouco estudado e considerada uma espécie ícone, os pangolins são encontrados na Ásia e África. Eles são controladores naturais de pragas, engolindo formigas e cupins.

Os chineses acreditam que o animal pode curar uma série de doenças e aumentar a potência sexual. Por conta disto, a população da espécie reduziu drasticamente e hoje são encontradas apenas em poucas regiões da Indonésia, Filipinas, além de partes da Malásia e Índia.

“Estamos assistindo uma espécie desaparecer”, afirma o ambientalista Chris Shepard, que monitora o tráfico de animais selvagens na Ásia há duas décadas. Ele diz que é necessário aumentar em cem vezes os esforços para salvar o pangolim.

Imagem de outubro de 2010 mostra a apreensão de pangolins em uma casa na Tailândia (Foto: AP)

Imagem de outubro de 2010 mostra a apreensão de pangolins em uma casa na Tailândia (Foto: AP)

Dificuldades
Em julho, oito toneladas de carne e escamas, estimados em US$ 269 mil, foram encontrados em 20 caixas de papelão no aeroporto de Jacarta, prontos para o envio à China. Quatro pessoas foram presas. “Estamos tentando ganhar a guerra”, afirmou Raffles Brotestes Panjaitan, oficial da polícia ambiental do país.

Entretanto, ele lista uma série de desafios contra esta prática: pobreza, corrupção, além de uma força policial inadequada aliada à cooperação internacional fraca.

O comércio desta espécie foi proibido em 2002, por meio da Convenção Internacional sobre espécies ameaçadas. Apesar da legislação, o crime continua sendo cometido por caçadores rurais, incluindo os trabalhadores nas plantações da Indonésia.

Filhote da espécie recebe alimento em zoológico de Bangcoc, na Tailândia (Foto: AP)

Filhote da espécie recebe alimento em zoológico de Bangcoc, na Tailândia (Foto: AP)

Penas leves
“Tudo está contra eles, que não têm dentes e sua única defesa é se enrolar como uma bola, usando suas escamas como proteção”, disse Shepherd. Sob estresse, esses animais podem desenvolver úlceras, que os levam à morte.

Além da China, Vietnã e Coreia do Sul também figuram na lista das encomendas ilegais.
Se comparados aos lucros obtidos pela venda dos animais, as penas para o tráfico são baixas. Um pangolim inteiro poderia ser comprado na Indonésia por US$. Entretanto, dependendo do tamanho do animal, o preço poderia subir para US$ 275. Já as escamas eram arrematadas por até US$ 750 o quilo na China

De acordo com o governo da Indonésia, as penas para crimes ambientais deverão ser endurecidas. Embora as apreensões e prisões de pequenos contrabandistas tenham aumentado substancialmente, quase nenhum dos principais compradores foram colocados atrás das grades.

Nesta foto de dezembro de 2009, oficiais do governo da Indonésia incineram mais de 700 kg de carne de Pangolim confiscados em uma cidade do país (Foto: AP)

Nesta foto de dezembro de 2009, oficiais do governo da Indonésia incineram mais de 700 kg de carne de Pangolim confiscados em uma cidade do país (Foto: AP)

Fonte: Do Globo Natureza, com agências internacionais


14 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

SP terá cálculo sobre o consumo da biodiversidade por habitante

O estado e a capital paulista assinaram uma parceria com WWF-Brasil.
Juntos eles vão calcular o quanto cada cidadão consome da natureza.

Os moradores de São Paulo vão poder saber o quanto o seu modo de vida e hábitos de consumo impactam a biodiversidade.

Uma parceria entre a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o WWF-Brasil e as secretarias do Meio Ambiente do estado e do município vai levantar os dados para o cálculo da pegada ecológica dos paulistas.

A pegada ecológica de um país, cidade ou pessoa corresponde ao tamanho das áreas produtivas de terra e mar necessárias para sustentar determinado padrão de consumo para se manter um padrão de vida ao ano. É computado o quanto de território uma pessoa ou sociedade usa para ser alimentar, locomover, mover e possuir bens.

“Mais importante do que conhecermos os números finais é descobrimos quais são as oportunidades que existem para mitigarmos o problema e propormos um modelo de sustentabilidade mais amplo”, diz Michel Becker, coordenador do Programa Pantanal-Cerrado do WWF-Brasil e responsável pelo cálculo em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

O cálculo da cidade sul-matogrossense foi divulgado em abril. O levantamento revelou que todos os moradores da cidade consomem 3,14 hectares de recursos naturais renováveis. Campo Grande foi a primeira cidade do Brasil a usar a metodologia desenvolvida pela “Global Footprint Network” (GFN), também em teste em outras cidades do mundo.

Défict ecológico
Se toda a população mundial tivesse o mesmo padrão de consumo de Campo Grande, seria necessário 1, 7 planeta para dar conta da necessidade de recursos, já que a capacidade máxima que a natureza pode repor de biodiversidade por pessoa é de 1,8 hectare.

“Um ponto positivo do estudo foi descobrir quais são os setores responsáveisl por esse excedente”, diz Becker, do WWF-Brasil. O consumo de carne foi apontado como um dos vilões no uso da biodiversidade da cidade. A pecuária e as pastagens juntas engolem quase 45% dos recursos naturais.

Hoje a pegada ecológica média mundial é 2,7 hectares globais por pessoa. Isso coloca a humanidade em um grave déficit ecológico de 0,9 hectares globais per capita, pois a capacidade disponível de biodiversidade no planeta para cada ser humano é de apenas 1,8 hectare global.

Os resultados da cidade e do estado de São Paulo vão ser divulgados durante a Conferência Mundial do Meio Ambiente Rio+20, que vai acontecer em 2012 no Rio de Janeiro. A parceria entre o WWF-Brasil, a Fiesp e os governos estadual e municipal vai tentar também apontar soluções para os números que serão descobertos.

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


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22 de março de 2013 | nenhum comentário »

Dia Mundial da Água: aumento da demanda e contaminação preocupam

Temática deste ano é a Cooperação pela Água; relatório da ONU aponta que demanda vai crescer 55% até 2050

A disputa pela água exige atenção cada vez maior. Em 40 anos, a demanda deve crescer mais de 50%. Enquanto isso, os recursos hídricos do planeta estão sendo contaminados. É o que, neste Dia Mundial da Água, 22 de março, lembram o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a gestão da água e Carlos Eduardo Morelli Tucci, referência mundial no assunto.

Garota toma banho nas Filipinas no Dia Mundial da Água Foto: Reuters

Garota toma banho nas Filipinas no Dia Mundial da Água Foto: Reuters

A data foi estipulada por recomendação da ONU, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, conhecida como Rio-92. Desde então, define-se um tema anual com o intuito de abordar os problemas relacionados aos recursos hídricos. Neste ano, a temática é a “Cooperação pela Água”.

 

O tema não representa apenas este dia. A ONU definiu 2013 como o Ano Internacional de Cooperação pela Água. A intenção é conscientizar a população mundial a respeito dos desafios do gerenciamento da água do planeta e da necessidade de um esforço global para enfrentar o problema. A má utilização da água no mundo é, justamente, um dos pontos básicos da 4ª edição do relatório da ONU sobre o desenvolvimento dos recursos hídricos. O texto, que ainda aponta questões como pressões do clima, crescimento demográfico e aumento da demanda por energia e alimentos, foi apresentado na abertura do 6º Fórum Mundial da Água, em Marselha, na França, no ano passado.

De acordo com o relatório, a demanda mundial por água vai crescer cerca de 55% até 2050. Enquanto isso, o crescimento demográfico nos próximos 40 anos está estimado em dois a três bilhões de pessoas. Tucci, doutor em Recursos Hídricos pela Colorado State University e professor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explica o problema. “Existem dois riscos: o risco de escassez por aumento da demanda (maior quantidade de usuários e demanda) e da escassez de qualidade devido à contaminação da água disponível”.

 

Conforme o professor, a demanda cresce não apenas devido ao aumento da população, mas também por causa de mudança de hábitos, incremento da renda e outros fatores. “Não é a água que pode faltar, mas o aumento de demanda que faz com que a mesma quantidade seja disputada por um maior número de usuários, além da redução da disponibilidade pela contaminação”, explica o professor.

A água não acaba
A impressão que se tem quando se lê algumas manchetes alarmistas é de que a água de fato está acabando e de que seu consumo pode extingui-la. Na verdade, através de um fenômeno chamado Ciclo Hidrológico, a quantidade de água na Terra é praticamente a mesma há milhões de anos. Águas do mar e dos continentes evaporam, formam nuvens, voltam à terra (chuva, neve), escorrem para rios, lagos e subsolo e, finalmente, retornam ao mar. Como se perde a água, então? Com a poluição e a contaminação dos recursos hídricos.

Consumo
Esses recursos são consumidos por diversos setores. Segundo Tucci, o maior é a agricultura irrigada, que utiliza 70% da água, seguida pela indústria (20%) e pela população (10%). O cenário é o seguinte: uma pessoa deve beber 2 litros de água por dia, mas são necessários de 2 mil a 5 mil litros de água para produzir sua alimentação diária, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.

 

Regiões
Nem sempre a região de maior demanda é a de maior oferta de água. “O semiárido, com 10% da área do país, é uma região carente de disponibilidade. As áreas metropolitanas, com grande concentração de população, têm alta demanda de água em pouco espaço, o que, associado à contaminação das fontes de água por esgoto, produzem grande pressão quanto à escassez quantitativa e qualitativa da água”, alerta. Em um futuro cenário de escassez de água, o Aquífero Guarani é apontado por muitos como uma alternativa interessante. Nas regiões onde está aflorante, ele já é utilizado, como no interior de São Paulo, Mato Grosso do Sul e fronteira do Rio Grande do Sul. Mas Tucci ressalta que o uso depende de condicionantes físicos, como proximidade da demanda e profundidade do aquífero para ser economicamente explorável. “Na parte central, pode estar a mais de 1500 metros de profundidade, aumentando o seu custo de uso”, afirma.

Dois terços da população mundial podem sofrer com falta de água potável até 2025, segundo a Unesco Foto: AP

Dois terços da população mundial podem sofrer com falta de água potável até 2025, segundo a Unesco Foto: AP

Previsões
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) estima que, até 2025, 2/3 da população mundial seja afetada, de alguma forma, por falta de água potável. Mas esse tipo de previsão não é unanimidade. “Cada região pode ter suas fortalezas e fraquezas em função da disponibilidade e usuários”, pontua Tucci. O doutor em Recursos Hídricos também justifica as correntes divergentes de pensamento sobre o tema. “Os que dizem que o cenário não é catastrófico provavelmente estão mirando regiões onde existe muita água e com poucos conflitos. Já os outros estão mirando as regiões problemáticas. Portanto a resposta geral é pouco informativa, e o assunto deve ser associado sempre a uma região específica ou a uma bacia hidrográfica”, afirma.

Valor
O Dia Mundial da Água busca prevenir esse cenário estimado para 2025. Apesar de iniciativas e campanhas como essa, a água ainda é pouco valorizada pela sociedade. Para Tucci, a população está acostumada a pagar pouco e a desperdiçá-la, sem se importar em ver um rio ou riacho contaminado. No Brasil, menos de 40% do esgoto é tratado. “Como qualquer produto, a água somente será valorizada quando, nesta região específica do usuário, ocorrer falta de água ou ela estiver contaminada. Por isso, o preço deve ser ajustado a uma gestão racional, já que não existe órgão mais sensível do que o bolso”, sentencia.

 

Fonte: Terra

 


15 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Empresários discutem meios de conciliar produção e ambiente

A redução do consumo pelas pessoas, assim como a redução da produção por parte das empresas, não é o caminho para a transição para a economia verde, afirmou ontem (14) Tim Wall, representante do Fórum de Sustentabilidade Corporativa, evento da Rio+20 organizado pela ONU.

A busca por um novo modelo de negócios, que alie rentabilidade das empresas com desenvolvimento sustentável, será o objetivo fórum que começa nesta sexta-feira (15) e vai até o dia 18, no hotel Windsor Barra, zona oeste do Rio de Janeiro.

Wall, contudo, não deu uma receita de como alcançar o equilíbrio entre as necessidades básicas do capitalismo e os anseios ambientais.

No fórum, disse ele, serão discutidos o uso de materiais menos poluentes, reutilização de água e fontes mais limpas de geração de energia.

Também será debatido o papel dos governos no incentivo e promoção de práticas mais sustentáveis das empresas.

Ao final da conferência, que reunirá mais de mil empresas ao redor do mundo em cerca de cem palestras, um documento será apresentado aos chefes de Estado, que irão se reunir de 20 a 22, no Rio Centro.

“A crise financeira mostrou que a busca por lucros no curto prazo é insustentável. Não acho que a redução do consumo é o caminho para um novo modelo, mas isso não significa que tenhamos que discutir novas formas de fazer negócios”, disse, durante coletiva de imprensa no Palácio do Itamaraty, no Rio.

O evento é uma iniciativa do Pacto Global das Nações Unidas, que reúne cerca de 7.000 empresas signatárias. O objetivo é criar tendências de modelos de negócios menos impactantes. O Brasil possui 280 empresas signatárias.

Companhias brasileiras como Petrobras, Eletrobras e Vale farão palestras. A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster e o secretário-geral da presidência da República, Gilberto Carvalho, são dois dos convidados a falar.

Fonte: Folha.com

 


17 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Com participação de astronauta, relatório mostra que ‘pegada’ do Brasil supera a da China e a da Índia

A pegada ecológica do Brasil é maior que a média mundial e maior que a de todos os países do grupo Brics exceto a Rússia (o grupo inclui China, Índia e África do Sul).

Os dados são do Relatório Planeta Vivo 2012, divulgado pela ONG WWF com a participação do astronauta holandês André Kuipers.

Pegada ecológica é a quantidade de hectares necessária para suprir as necessidades de consumo de cada ser humano versus a capacidade de regeneração da Terra.

O relatório mostra que a pegada da humanidade hoje excedeu em 50% a capacidade de regeneração do planeta. Ou seja, para sustentar o padrão de consumo atual, seria necessário 1,5 planeta.

A pegada ecológica da humanidade dobrou desde 1966. Entre os países com maior pegada estão nações emergentes e de território pequeno, como Qatar (1°) e Dinamarca (4°), além dos gigantes consumistas EUA (5°).

O Brasil tem uma pegada ecológica de 2,93 hectares por pessoa, contra 2,70 da média global. Segundo Cecília Wey de Brito, secretária-geral do WWF Brasil, o que mais pesa aqui é a agropecuária, que consome muita terra e água.

A pegada cresceu ligeiramente em 2012 em comparação a 2010 e só não é maior porque o Brasil detém a maior biocapacidade (capacidade de regeneração) do mundo, por conta de suas florestas.

“O Código Florestal é um dos garantidores de que isso continue”, disse Brito, pedindo o veto de Dilma ao código aprovado pela Câmara.

Fonte: Folha.com


20 de abril de 2012 | nenhum comentário »

África tem reservas subterrâneas gigantes de água, dizem cientistas

Cientistas dizem que o continente africano, conhecido pelo clima seco, tem enormes reservas subterrâneas de água.

No mais completo mapa já feito da escala e distribuição da água existente embaixo do deserto do Saara e em outras partes da África, os especialistas dizem que esses reservatórios subterrâneos poderiam fornecer água suficiente para o consumo e agricultura em todo o continente, mas admitem que o processo de extração pode ser complexo.

O trabalho, publicado na revista científica Environmental Research Letters, diz ainda que muitos dos antigos aquíferos africanos foram preenchidos pela última vez 5 mil anos atrás.

Escassez

Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas na África não tenham acesso a água potável e a demanda deve aumentar consideravelmente nas próximas décadas, devido ao crescimento populacional e à necessidade de irrigação para plantações.

Rios e lagos estão sujeitos a enchentes e secas sazonais, que podem limitar a disponibilidade da água. Atualmente, apenas 5% das terras cultiváveis africanas são irrigadas.

Agora, os cientistas da British Geological Survey (BGS) e da University College London (UCL) esperam que o novo mapeamento chame atenção para o potencial dos reservatórios subterrâneos.

“As maiores reservas de água subterrâneas ficam no norte da África, em grandes bacias sedimentares, na Líbia, Argélia e Chade”, diz Helen Bonsor, da BGS.

“A quantidade armazenada nessas bacias é equivalente a 75 metros de água sobre aquela área. É uma quantidade enorme.”

Estratégia

Devido a mudanças climáticas que transformaram o Saara em um deserto ao longo dos séculos, muitos dos aquíferos subterrâneos receberam água pela última vez há mais de 5 mil anos.

Os cientistas basearam suas análises em mapas de governos dos países africanos, assim como em 283 estudos de aquíferos.

Eles afirmam que muitas das nações que enfrentam escassez de água têm, na verdade, reservas consideráveis embaixo do solo.

No entanto, os pesquisadores alertam que a perfuração de poços tubulares profundos pode não ser a melhor maneira de extrair a água, já que poderiam esgotar a fonte rapidamente.

“Poços profundos não devem ser perfurados sem que haja um conhecimento detalhado das condições das reservas locais. Poços simples e bombas manuais, desenvolvidos de forma cuidadosa e nos locais certos, têm mais chance de ser bem-sucedidos”, disse à BBC Alan McDonald, principal autor do estudo.

Helen Bonsor concorda que meios de extração mais lentos podem ser mais eficientes.

“Muitos aquíferos de baixo volume estão presentes na África subsaariana. No entanto, nosso trabalho mostra que com exploração e construção cuidadosas, há água subterrânea suficiente na África para fins de consumo e irrigação comunitária”, diz ela, acrescentando que as reservas poderiam contrabalançar os problemas causados pela mudança climática.

“Mesmo nos menores aquíferos em áreas semi-áridas, com baixíssimo índice de chuvas, as reservas subterrâneas ainda durariam algo entre 20 e 70 anos”, afirma Bonsor.

“Então, nos índices atuais de extração para consumo e irrigação em pequena escala, os reservatórios fornecem e continuarão a fornecer proteção contra as variações do clima.”

Fonte: BBC Brasil


19 de março de 2012 | nenhum comentário »

Moscas rejeitadas pelas fêmeas recorrem ao álcool, diz estudo

As moscas que buscam sexo e são rejeitadas pelas fêmeas estão muito mais propensas a consumir álcool que seus pares satisfeitos, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira pela revista Science. “Durante muito tempo as moscas drosófilas (conhecidas também como moscas-da-fruta) foram usadas como modelo para o estudo do alcoolismo”, explicou a neurobióloga chilena Ulrike Hebertein, da equipe da Universidade da Califórnia que realizou os experimentos.

O estudo liderado por Galit Shohat Ophir, do Departamento de Anatomia da Universidade da Califórnia, ajuda a entender melhor uma “área de recompensas” no cérebro que pode ter implicações na dependência. “Sabemos que quase 50% da propensão ao consumo de álcool está ligada aos genes, mas as experiências na vida também afetam o consumo humano de álcool”, acrescentou.

Para determinar o grau no qual as experiências estressantes podem levar a um elevado consumo de álcool, pelo menos nas moscas, os cientistas decidiram expor os machos à “rejeição sexual das fêmeas” durante uma hora três vezes por dia e durante quatro dias.

Para comparar os resultados, outro grupo de machos foi eleito para receber a companhia, cada um deles, de cinco moscas virgens e amplas oportunidades para acasalar. “Depois comparamos o consumo voluntário do álcool em ambos grupos. Constatamos que os machos rechaçados pelas fêmeas mostraram uma preferência notável pela comida com 15% de álcool, em detrimento da comida normal”, continuou Ulrike. “Essa diferença no consumo de álcool continuou por vários dias”, disse a pesquisadora.

A vida média das moscas drosófilas é de 26 dias para as fêmeas e 33 dias para os machos, de modo que uma propensão ao alcoolismo por “vários dias” pode representar uma porção significativa na vida desse inseto. Para uma comprovação adicional do impacto da rejeição sexual na propensão ao consumo de álcool, Ulrike e os outros pesquisadores separaram os machos frustrados em dois subgrupos, e a um deles foi permitida a companhia de moscas virgens durante duas horas e meia.

“A preferência pelo álcool foi notavelmente menor no subgrupo de machos primeiro rechaçados e depois colocados na companhia das fêmeas”, destacou o artigo.

Fonte: Portal Terra


12 de março de 2012 | nenhum comentário »

É preciso correr, adverte a ciência

Artigo do jornalista Washington Novaes publicado no jornal O Estado de São Paulo de sexta-feira (9).

Deveria ser leitura obrigatória para todos os governantes, de todos os níveis, todos os lugares, o documento de 22 páginas entregue no último dia 20 de fevereiro, em Nairóbi, no Quênia, aos ministros reunidos pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, escrito e assinado por 20 dos mais destacados cientistas que já receberam o Prêmio Blue Planet, também chamado de Prêmio Nobel do Meio Ambiente. Entre eles estão a ex-primeira-ministra norueguesa, Gro Brundtland, coordenadora do primeiro relatório da ONU sobre desenvolvimento sustentável; James Lovelock, autor da “Teoria Gaia”; o professor José Goldemberg, ex-ministro brasileiro do Meio Ambiente; sir Nicholas Stern, ex-economista-chefe do Banco Mundial, consultor do governo britânico sobre clima; James Hansen, do Instituto Goddard de Estudos Espaciais (Nasa); Bob Watson, conselheiro do governo britânico; Paul Ehrlich, da Universidade Stanford; Julia Marton-Lefèvre, da União Internacional para a Conservação da Natureza; Will Turner, da Conservação Internacional – e vários outros.

 

Nesse documento os cientistas traçam, com palavras sóbrias e cuidadosas, um panorama dramático da situação do mundo, hoje, em áreas vitais: clima; excesso de consumo e desperdício; fome; necessidade de aumentar a produção de alimentos e escassez de terras; desertificação e erosão; perda da biodiversidade e de outros recursos naturais; subsídios gigantescos nas áreas de transportes, energia, agricultura – e a necessidade de eliminá-los. Enfatizam a necessidade de “empoderamento” das mulheres e de grupos sociais marginalizados; substituir o produto interno bruto (PIB) como medida de riqueza e definir métodos que atribuam valor ao capital natural, humano e social; atribuir valor à biodiversidade e aos serviços dos ecossistemas e deles fazer a base da “economia verde”.

 

É um documento que, a cada parágrafo, provoca sustos e inquietações, ao traçar o panorama dramático que já vivemos em cada área e levar todo leitor a perguntar qual será o futuro de seus filhos e netos. “O atual sistema [no mundo] está falido”, diz Bob Watson. “Está conduzindo a humanidade para um futuro que é de 3 a 5 graus Celsius mais quente do que já tivemos; e está eliminando o ambiente natural, do qual dependem nossa saúde, riqueza e consciência. (…) Não podemos presumir que a tecnologia virá a tempo para resolver; ao contrário, precisamos de soluções humanas”.

 

“Temos um sonho”, afirma o documento. “De um mundo sem pobreza e equitativo – um mundo que respeite os direitos humanos – um mundo de comportamento ético mais amplo com relação à pobreza e aos recursos naturais – um mundo ambientalmente, socialmente e economicamente sustentável, onde desafios como mudanças climáticas, perda da biodiversidade e iniquidade social tenham sido enfrentados com êxito. Esse é um sonho realizável, mas o atual sistema está profundamente ferido e nossos caminhos atuais não o tornarão realidade”.

 

Segundo os cientistas, é urgente romper a relação entre produção e consumo, de um lado, e destruição ambiental, de outro: “Crescimento material sem limites num planeta com recursos naturais finitos e em geral frágeis será insustentável”, ainda mais com subsídios prejudiciais em áreas como energia (US$ 1 trilhão/ano), transporte e agricultura – “que deveriam ser eliminados”. A tese do documento é de que os custos ambientais e sociais deveriam ser internalizados em cada ação humana, cada projeto. Valores de bens e serviços dos ecossistemas precisam ser levados em conta na tomada de decisões. É algo na mesma direção das avaliações recentes de economistas e outros estudiosos, comentadas neste espaço, a respeito da finitude dos recursos naturais e da necessidade de recompor a vida econômica e social em função disso.

 

O balanço na área de energia é inquietador, com a dependência de combustíveis fósseis, danos para a saúde e as condições ambientais. Seria preciso proporcionar acesso universal de toda a população pobre aos formatos “limpos” e renováveis de energia – a transição para economia de “baixo carbono” -, assim como a formatos de captura e sepultamento de gases poluentes (ainda em avaliação). Como não caminhamos assim, as emissões de dióxido de carbono equivalente já chegam a 50 bilhões de toneladas anuais, com a atmosfera e os oceanos aumentando suas concentrações para 445 partes por milhão (ppm)- mais 2,5 ppm por ano, que desenham uma perspectiva de 750 ppm no fim do século. E com isso o aumento da temperatura poderá chegar a mais 5 graus Celsius.

 

Na área da biodiversidade, 15 dos 24 serviços de ecossistemas avaliados pelo Millenium Ecosystem Assessment estão em declínio – quando é preciso criar caminhos para atribuir valor à biodiversidade e seus serviços, base para uma “economia verde”. Mas para isso será preciso ter novos formatos de governança em todos os níveis – hoje as avaliações cabem a estruturas políticas, sociais, econômicas, ambientais, separadas e competindo entre elas.

 

E para que tudo isso seja possível, dizem os cientistas, se desejamos tornar reais os nossos sonhos, “o momento é agora” – enfrentando a inércia do sistema socioeconômico e impedindo que sejam irreversíveis as consequências das mudanças climáticas e da perda da biodiversidade. Se falharmos, vamos “empobrecer as atuais e as futuras gerações”. Esquecendo que vivemos em “uma sociedade global infestada pela crença irracional de que a economia física pode crescer sempre, deslembrada de que os ricos nos países desenvolvidos e em desenvolvimento se tornam mais ricos e os pobres são deixados para trás”.

 

Não se trata de um manifesto de “ambientalistas”, “xiitas” ou hippies. São palavras de dezenas dos mais conceituados cientistas do mundo, que advertem: “A demora [em mudar] é perigosa e seria um erro profundo”. É preciso ler esse estudo (www.af-info.or.jp). Escutar. E dar consequências.

 

Fonte: Jornal da Ciência


17 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Mosca-das-frutas bebe álcool como remédio contra parasitas, diz estudo

Prática aumentaria taxa de sobrevivência do inseto.
Pesquisa questiona efeitos positivos do álcool para tratar doenças.

A larva de mosca da fruta poderia curar infecção por ovos de vespa através do consumo de álcool (Foto: Divulgação)

A mosca-das-frutas poderia curar parasitas através do consumo de álcool (Foto: Divulgação)

A mosca-das-frutas consome álcool quando está infectada por um tipo de parasita, para se automedicar. A afirmação é de um estudo da Universidade Emory, nos Estados Unidos, publicado na revista científica “Current Biology” nesta quinta-feira (16).

A ingestão de álcool permitiria a sobrevivência de 60% das moscas-das-frutas infectadas. Já os insetos que não bebem o líquido morrem, segundo o estudo.

O parasita em questão é a vespa, que injeta ovos nas larvas de mosca de fruta. Ela também deposita veneno com a função de bloquear o sistema imunológico do inseto, permitindo que os ovos se desenvolvam. Em seguida, larvas de vespa começam a comer a mosca-das-frutas de dentro para fora.

O álcool poderia bloquear o efeito do veneno e impedir a continuidade do ciclo de vida da vespa, de acordo com o estudo.

 

A hipótese dos pesquisadores era que as moscas-das-frutas consumem álcool para combater o parasita. Para testá-la, eles colocaram lado a lado alimento com e sem álcool. Após 24 horas, 80% dos insetos infectados por vespas comiam o alimento com álcool.

Os cientistas esperam que a pesquisa estimule mais estudos sobre o uso de álcool para controlar doenças em outros organismos, inclusive nos seres humanos.

“Apesar de muitos estudos em humanos demonstrarem a diminuição do sistema imunológico em consumidores crônicos de álcool, pouco tem sido feito para analisar qualquer efeito benéfico do consumo da substância”, afirmou Todd Schlenke, geneticista que conduziu o experimento, em material de divulgação.

Fonte: Globo Natureza, São Paulo

 


28 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Consumo de carne de peixe invasor no Caribe causaria envenenamento

Descoberta de biotoxina em peixe-leão ameaça planos de conter espécie.
Pescado invadiu águas caribenhas e ameaça biodiversidade local.

Ambientalistas presentes em Saint Martin, ilha localizada no Caribe, alertam os moradores para que não consumam a carne do peixe-leão (Pterois volitans), espécie considerada invasora, devido ao risco de contaminação por uma toxina natural.

O fato põe em xeque os esforços do pequeno território para conter a propagação do predador, nativo dos oceanos Índico e Pacífico, que colonizou grandes áreas da região após escapar de um tanque da Flórida, nos Estados Unidos, em 1992.

Seguindo o exemplo de outras ilhas caribenhas, Saint Martin (ou St. Maarten) tinha a esperança de promover o uso deste peixe na culinária, servindo pratos com o pescado frito, empanado ou grelhado, o que retardaria sua propagação.

O peixe-leão foi encontrado no território holandês da ilha em julho do ano passado e se multiplicou desde então. A espécie invasora devora peixes nativos e crustáceos, colocando em risco a biodiversidade marinha do local. Os pesquisadores observaram apenas um peixe-leão comendo até 20 outros peixes em menos de 30 minutos. Para a União Mundial de Conservação, o peixe-leão vermelho é uma das piores espécies invasoras do mundo

Insegurança alimentar
Segundo Tadzio Bervoets, chefe da Fundação St. Maarten para natureza, nos exemplares de peixe-leão capturados foram encontrados biotoxinas que levam ao envenenamento por ciguatera (intoxicação alimentar causada pelo consumo de peixes). É uma ameaça que tem sido crescente.

Pessoas que comeram peixe contaminado podem sentir dor abdominal, náuseas, vômitos, diarréia, formigamento e dormência. A maioria dos pacientes se recupera em poucos dias, mas há casos raros de paralisia e até morte. “Isso significa que não podemos promover com segurança o consumo deste peixe”, disse Bervoets.

A Administração de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) ainda não tem um um relatório oficial sobre as doenças associadas ao consumo de filés de peixe-leão. “Mas em áreas endêmicas de ciguatera, as toxinas foram detectados em níveis superiores ao recomendado pela FDA”, disse o porta-voz do departamento Douglas Karas. Os cientistas ainda pesquisam o que mantém peixe-leão fora de seu ambiente nativo.

Foto de arquivo mostra um peixe-leão a cerca de 40 metros de profundidade, a 88 quilômetros da costa da Carolina do Norte, EUA.  (Foto: Doug Kesling /NOAA Undersea Research Center via AP - julho de 2006)

Foto de arquivo mostra um peixe-leão a cerca de 40 metros de profundidade, a 88 quilômetros da costa da Carolina do Norte, EUA. (Foto: Doug Kesling /NOAA Undersea Research Center via AP - julho de 2006)

Fonte: Globo Natureza, com informações Associated Press.


14 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Indonésia tenta conter comércio ilegal de pangolins e sua extinção

Carne e escamas da espécie são contrabandeadas para a China.
Ambientalistas dizem que leis do país são fracas para crimes ambientais.

Autoridades da Indonésia tentam combater a ocorrência de tráfico de animais cada vez mais intensa entre Jacarta, a capital do país, para cidades da China. Uma das principais vítimas deste crime é o pangolim, cuja carne e escamas que tem sido contrabandeada para os chineses, que aplicam tais produtos na culinária e na fabricação de medicamentos artesanais.

Pouco estudado e considerada uma espécie ícone, os pangolins são encontrados na Ásia e África. Eles são controladores naturais de pragas, engolindo formigas e cupins.

Os chineses acreditam que o animal pode curar uma série de doenças e aumentar a potência sexual. Por conta disto, a população da espécie reduziu drasticamente e hoje são encontradas apenas em poucas regiões da Indonésia, Filipinas, além de partes da Malásia e Índia.

“Estamos assistindo uma espécie desaparecer”, afirma o ambientalista Chris Shepard, que monitora o tráfico de animais selvagens na Ásia há duas décadas. Ele diz que é necessário aumentar em cem vezes os esforços para salvar o pangolim.

Imagem de outubro de 2010 mostra a apreensão de pangolins em uma casa na Tailândia (Foto: AP)

Imagem de outubro de 2010 mostra a apreensão de pangolins em uma casa na Tailândia (Foto: AP)

Dificuldades
Em julho, oito toneladas de carne e escamas, estimados em US$ 269 mil, foram encontrados em 20 caixas de papelão no aeroporto de Jacarta, prontos para o envio à China. Quatro pessoas foram presas. “Estamos tentando ganhar a guerra”, afirmou Raffles Brotestes Panjaitan, oficial da polícia ambiental do país.

Entretanto, ele lista uma série de desafios contra esta prática: pobreza, corrupção, além de uma força policial inadequada aliada à cooperação internacional fraca.

O comércio desta espécie foi proibido em 2002, por meio da Convenção Internacional sobre espécies ameaçadas. Apesar da legislação, o crime continua sendo cometido por caçadores rurais, incluindo os trabalhadores nas plantações da Indonésia.

Filhote da espécie recebe alimento em zoológico de Bangcoc, na Tailândia (Foto: AP)

Filhote da espécie recebe alimento em zoológico de Bangcoc, na Tailândia (Foto: AP)

Penas leves
“Tudo está contra eles, que não têm dentes e sua única defesa é se enrolar como uma bola, usando suas escamas como proteção”, disse Shepherd. Sob estresse, esses animais podem desenvolver úlceras, que os levam à morte.

Além da China, Vietnã e Coreia do Sul também figuram na lista das encomendas ilegais.
Se comparados aos lucros obtidos pela venda dos animais, as penas para o tráfico são baixas. Um pangolim inteiro poderia ser comprado na Indonésia por US$. Entretanto, dependendo do tamanho do animal, o preço poderia subir para US$ 275. Já as escamas eram arrematadas por até US$ 750 o quilo na China

De acordo com o governo da Indonésia, as penas para crimes ambientais deverão ser endurecidas. Embora as apreensões e prisões de pequenos contrabandistas tenham aumentado substancialmente, quase nenhum dos principais compradores foram colocados atrás das grades.

Nesta foto de dezembro de 2009, oficiais do governo da Indonésia incineram mais de 700 kg de carne de Pangolim confiscados em uma cidade do país (Foto: AP)

Nesta foto de dezembro de 2009, oficiais do governo da Indonésia incineram mais de 700 kg de carne de Pangolim confiscados em uma cidade do país (Foto: AP)

Fonte: Do Globo Natureza, com agências internacionais


14 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

SP terá cálculo sobre o consumo da biodiversidade por habitante

O estado e a capital paulista assinaram uma parceria com WWF-Brasil.
Juntos eles vão calcular o quanto cada cidadão consome da natureza.

Os moradores de São Paulo vão poder saber o quanto o seu modo de vida e hábitos de consumo impactam a biodiversidade.

Uma parceria entre a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o WWF-Brasil e as secretarias do Meio Ambiente do estado e do município vai levantar os dados para o cálculo da pegada ecológica dos paulistas.

A pegada ecológica de um país, cidade ou pessoa corresponde ao tamanho das áreas produtivas de terra e mar necessárias para sustentar determinado padrão de consumo para se manter um padrão de vida ao ano. É computado o quanto de território uma pessoa ou sociedade usa para ser alimentar, locomover, mover e possuir bens.

“Mais importante do que conhecermos os números finais é descobrimos quais são as oportunidades que existem para mitigarmos o problema e propormos um modelo de sustentabilidade mais amplo”, diz Michel Becker, coordenador do Programa Pantanal-Cerrado do WWF-Brasil e responsável pelo cálculo em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

O cálculo da cidade sul-matogrossense foi divulgado em abril. O levantamento revelou que todos os moradores da cidade consomem 3,14 hectares de recursos naturais renováveis. Campo Grande foi a primeira cidade do Brasil a usar a metodologia desenvolvida pela “Global Footprint Network” (GFN), também em teste em outras cidades do mundo.

Défict ecológico
Se toda a população mundial tivesse o mesmo padrão de consumo de Campo Grande, seria necessário 1, 7 planeta para dar conta da necessidade de recursos, já que a capacidade máxima que a natureza pode repor de biodiversidade por pessoa é de 1,8 hectare.

“Um ponto positivo do estudo foi descobrir quais são os setores responsáveisl por esse excedente”, diz Becker, do WWF-Brasil. O consumo de carne foi apontado como um dos vilões no uso da biodiversidade da cidade. A pecuária e as pastagens juntas engolem quase 45% dos recursos naturais.

Hoje a pegada ecológica média mundial é 2,7 hectares globais por pessoa. Isso coloca a humanidade em um grave déficit ecológico de 0,9 hectares globais per capita, pois a capacidade disponível de biodiversidade no planeta para cada ser humano é de apenas 1,8 hectare global.

Os resultados da cidade e do estado de São Paulo vão ser divulgados durante a Conferência Mundial do Meio Ambiente Rio+20, que vai acontecer em 2012 no Rio de Janeiro. A parceria entre o WWF-Brasil, a Fiesp e os governos estadual e municipal vai tentar também apontar soluções para os números que serão descobertos.

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


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