12 de março de 2013 | nenhum comentário »

Pesquisadores criam banco de dados sobre corujas do mundo todo

David Johnson, diretor do Projeto Global das Corujas, está trabalhando com pesquisadores de 65 países para compilar um vasto banco de dados sobre as corujas. O banco contém informações sobre as descrições, a história natural, a genética, as vocalizações, as estimativas populacionais, os mitos e as lendas desses animais.

Os ocidentais adoram as corujas, segundo Johnson, numa tradição que remonta pelo menos à Grécia antiga e à associação das corujas com a deusa da sabedoria, Atenas. Em alguns países, porém, as corujas são vistas como aves de mau agouro, um prenúncio da morte –talvez, propôs Johnson, por causa do hábito de fazer ninhos em cemitérios, onde as árvores crescem desimpedidas, com cavidades confortavelmente grandes.

Jovem coruja-das-torres alimenta irmãos famintos; cientistas estão tentando decifrar os chamados, garganteios e pios da coruja-das-torres

Jovem coruja-das-torres alimenta irmãos famintos; cientistas estão tentando decifrar os chamados, garganteios e pios da coruja-das-torres. Imagem: Amir Ezer

No imaginário ocidental, a coruja, capaz de girar sua cabeça em 270°, certamente compete com o pinguim pelo título de ave preferida. “Todo mundo adora as corujas”, disse o paleobiólogo David Bohaska, do Museu Natural de Ciências Naturais do Smithsonian, em Washington.

Mas, a despeito da aparente familiaridade, só recentemente os cientistas começaram a compreender detalhes dessas aves.

Descobriram, por exemplo, que corujas-das-torres jovens podem ser generosas, doando regularmente porções da sua comida para irmãos menores e mais famintos –uma demonstração de altruísmo que se supõe rara entre animais.

Os cientistas também descobriram que as corujas-das-torres expressam necessidades e desejos por meio de sons complexos e regrados –garganteios, gritos e pios–, numa língua que os pesquisadores agora buscam decifrar.

“Elas conversam a noite toda e fazem um barulhão”, disse Alexandre Roulin, da Universidade de Lausanne, na Suíça, que recentemente descreveu o altruísmo da coruja-das-torres na revista “Animal Behaviour”, com sua colega Charlene Ruppli e com Arnaud da Silva, da Universidade de Borgonha, na França.

Outros pesquisadores estão monitorando as vidas de corujas mais raras e de proporções mais descomunais, como o ameaçado bufo-de-Blakiston (Bubo blakistoni), da Eurásia. Com quase um metro de altura, até cinco quilos e dois metros de envergadura, essa é a maior coruja do mundo, segundo Jonathan Slaght, do programa para a Rússia da ONG Wildlife Conservation Society. Ela poderia facilmente passar por um urso ou uma árvore. Esse poderoso predador é capaz de puxar de um rio um salmão adulto com duas ou três vezes o seu próprio peso.

A ferocidade é essencial para uma ave que está presente até no Círculo Ártico e que é capaz de procriar e se alimentar no auge do inverno. Sergei Surmach, colega de Slaght, gravou em vídeo uma fêmea sentada sobre seu ninho durante uma nevasca. “Ao final, só dava para ver a cauda dela para fora do ninho”, disse Slaght.

Engenheiros estudam corujas para aperfeiçoar modelos de asas de aviões. Muitas espécies de corujas são conhecidas por voarem silenciosamente, sem o ruflar das asas que poderia alertar a presa sobre a sua aproximação.

A maior parte da asa das corujas é ampla e curva, com uma plumagem aveludada que ajuda a absorver o som. Além do mais, as penas na borda da asa são serrilhadas, o que interrompe e atenua a turbulência do ar.

Numa reunião da Sociedade Americana de Física, em 2012, pesquisadores da Universidade de Cambridge propuseram que perfurações bem posicionadas nas asas de um avião poderiam ter um efeito semelhante para aplacar turbulências, levando a voos mais silenciosos e com menos gasto de combustível.

As corujas datam de 60 milhões de anos atrás, ou mais, e são encontradas em praticamente todo tipo de habitat. Há 229 espécies conhecidas, e a lista não para de crescer: em meados do ano passado, duas novas espécies de coruja-gavião foram descobertas nas Filipinas, e, em fevereiro, pesquisadores descreveram uma nova espécie na ilha de Lombok, na Indonésia.

Algumas espécies de corujas possuem alguns dos melhores sistemas auditivos conhecidos. Tim Birkhead, professor da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, observa que a cóclea da coruja é “enorme” e densamente equipada com cílios sensoriais.

Há a “cara amassada” das corujas, também chamada de disco facial –que pode ter a forma de torta em algumas espécies ou de uma máscara de coração no caso da coruja-das-torres. O disco facial funciona como uma espécie de antena parabólica, que capta ondas sonoras e as direciona, graças a penas especiais.

As aves são as donas da noite e caçam incansavelmente.

Estima-se que um bando com dez famílias de corujas vivendo em um celeiro da Flórida elimine cerca de 25 mil roedores por ano dos canaviais adjacentes.

Jonathan Slaght, da ONG ambiental WCS, com um bufo-de-Blakiston, a maior coruja do mundo

Jonathan Slaght, da ONG ambiental WCS, com um bufo-de-Blakiston, a maior coruja do mundo. Imagem: S. Avdeyuk/Amur-Ussuri Centre for Avian Biodiversity

Fonte: Folha.com


22 de maio de 2009 | nenhum comentário »

Agricultores substituem pesticidas por corujas em Israel

Corujas e gaviões estão sendo empregados por fazendeiros no Oriente Médio para controlar pestes de roedores na agricultura.

Muitos fazendeiros estão instalando caixas para encorajar a construção de ninhos pelos pássaros, que são predadores naturais dos roedores.

Em Israel, onde há uma iniciativa para reduzir o uso de pesticidas tóxicos na agricultura, a prática foi transformada em um programa com financiamento do governo nacional.

Agora, cientistas e organizações pela conservação da natureza da Jordânia e dos territórios palestinos se uniram ao esquema.

Segundo a ONG BirdLife International, centenas de aves de rapina – entre elas várias espécies ameaçadas – foram mortas em Israel por comer roedores que haviam ingerido raticida colocados nas plantações para combater as pragas.

Mas os cientistas agora trabalham junto aos agricultores para combater o problema usando os pássaros em vez do veneno.

Sem fronteiras – “Muitos fazendeiros acreditam que os pesticidas químicos são sua única opção. Eles usam grandes quantidades, borrifando a substância nas plantações com a ajuda de aviões”, disse Motti Charter, pesquisador da Universidade de Tel Aviv e líder do Global Owl Project em Israel.

“Temos procurado os fazendeiros para encorajá-los a diminuir o uso de raticidas e instalar as caixas para ninhos.”

O esquema começou em 1983, quando algumas caixas para ninhos foram erguidas perto de um kibbutz, uma fazenda comunitária, no vale de Bet-She’na, ao sul do Mar da Galileia.

O projeto foi se expandindo gradualmente para incluir caixas que encorajem a construção de ninhos por gaviões.

“Os gaviões caçam durante o dia e as corujas caçam durante a noite”, disse Charter.

“Esta ameaça constante de predadores 24 horas por dia causou mudanças no comportamento das pragas, resultando em menos danos à produção agrícola.”

Segundo a World Owl Trust, que financiou parte da pesquisa de Charter, há cerca de 1.000 ninhos de corujas-de-igreja em vários locais em Israel.

A ONG chegou a instalar uma câmera em uma dessas caixas.

Como a sub-espécie de coruja-de-igreja em Israel é menos territorial do que as da Europa, e porque a população de roedores é estável durante todo o ano, as caixas para a construção de ninhos podem ser colocadas a uma distância relativamente curta umas das outras.

“A Jordânia entrou recentemente a bordo do esquema”, disse Tony Warburton, presidente honorário do World Owl Trust. “Então o projeto está realmente unindo as pessoas.”

alice in wonderland film download

“Os pássaros constroem ninhos onde quer que haja comida e um habitat adequado. Eles não conhecem fronteiras nacionais”, disse Charter. (Fonte: Estadão Online)






Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

dezembro 2018
S T Q Q S S D
« mar    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31  

12 de março de 2013 | nenhum comentário »

Pesquisadores criam banco de dados sobre corujas do mundo todo

David Johnson, diretor do Projeto Global das Corujas, está trabalhando com pesquisadores de 65 países para compilar um vasto banco de dados sobre as corujas. O banco contém informações sobre as descrições, a história natural, a genética, as vocalizações, as estimativas populacionais, os mitos e as lendas desses animais.

Os ocidentais adoram as corujas, segundo Johnson, numa tradição que remonta pelo menos à Grécia antiga e à associação das corujas com a deusa da sabedoria, Atenas. Em alguns países, porém, as corujas são vistas como aves de mau agouro, um prenúncio da morte –talvez, propôs Johnson, por causa do hábito de fazer ninhos em cemitérios, onde as árvores crescem desimpedidas, com cavidades confortavelmente grandes.

Jovem coruja-das-torres alimenta irmãos famintos; cientistas estão tentando decifrar os chamados, garganteios e pios da coruja-das-torres

Jovem coruja-das-torres alimenta irmãos famintos; cientistas estão tentando decifrar os chamados, garganteios e pios da coruja-das-torres. Imagem: Amir Ezer

No imaginário ocidental, a coruja, capaz de girar sua cabeça em 270°, certamente compete com o pinguim pelo título de ave preferida. “Todo mundo adora as corujas”, disse o paleobiólogo David Bohaska, do Museu Natural de Ciências Naturais do Smithsonian, em Washington.

Mas, a despeito da aparente familiaridade, só recentemente os cientistas começaram a compreender detalhes dessas aves.

Descobriram, por exemplo, que corujas-das-torres jovens podem ser generosas, doando regularmente porções da sua comida para irmãos menores e mais famintos –uma demonstração de altruísmo que se supõe rara entre animais.

Os cientistas também descobriram que as corujas-das-torres expressam necessidades e desejos por meio de sons complexos e regrados –garganteios, gritos e pios–, numa língua que os pesquisadores agora buscam decifrar.

“Elas conversam a noite toda e fazem um barulhão”, disse Alexandre Roulin, da Universidade de Lausanne, na Suíça, que recentemente descreveu o altruísmo da coruja-das-torres na revista “Animal Behaviour”, com sua colega Charlene Ruppli e com Arnaud da Silva, da Universidade de Borgonha, na França.

Outros pesquisadores estão monitorando as vidas de corujas mais raras e de proporções mais descomunais, como o ameaçado bufo-de-Blakiston (Bubo blakistoni), da Eurásia. Com quase um metro de altura, até cinco quilos e dois metros de envergadura, essa é a maior coruja do mundo, segundo Jonathan Slaght, do programa para a Rússia da ONG Wildlife Conservation Society. Ela poderia facilmente passar por um urso ou uma árvore. Esse poderoso predador é capaz de puxar de um rio um salmão adulto com duas ou três vezes o seu próprio peso.

A ferocidade é essencial para uma ave que está presente até no Círculo Ártico e que é capaz de procriar e se alimentar no auge do inverno. Sergei Surmach, colega de Slaght, gravou em vídeo uma fêmea sentada sobre seu ninho durante uma nevasca. “Ao final, só dava para ver a cauda dela para fora do ninho”, disse Slaght.

Engenheiros estudam corujas para aperfeiçoar modelos de asas de aviões. Muitas espécies de corujas são conhecidas por voarem silenciosamente, sem o ruflar das asas que poderia alertar a presa sobre a sua aproximação.

A maior parte da asa das corujas é ampla e curva, com uma plumagem aveludada que ajuda a absorver o som. Além do mais, as penas na borda da asa são serrilhadas, o que interrompe e atenua a turbulência do ar.

Numa reunião da Sociedade Americana de Física, em 2012, pesquisadores da Universidade de Cambridge propuseram que perfurações bem posicionadas nas asas de um avião poderiam ter um efeito semelhante para aplacar turbulências, levando a voos mais silenciosos e com menos gasto de combustível.

As corujas datam de 60 milhões de anos atrás, ou mais, e são encontradas em praticamente todo tipo de habitat. Há 229 espécies conhecidas, e a lista não para de crescer: em meados do ano passado, duas novas espécies de coruja-gavião foram descobertas nas Filipinas, e, em fevereiro, pesquisadores descreveram uma nova espécie na ilha de Lombok, na Indonésia.

Algumas espécies de corujas possuem alguns dos melhores sistemas auditivos conhecidos. Tim Birkhead, professor da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, observa que a cóclea da coruja é “enorme” e densamente equipada com cílios sensoriais.

Há a “cara amassada” das corujas, também chamada de disco facial –que pode ter a forma de torta em algumas espécies ou de uma máscara de coração no caso da coruja-das-torres. O disco facial funciona como uma espécie de antena parabólica, que capta ondas sonoras e as direciona, graças a penas especiais.

As aves são as donas da noite e caçam incansavelmente.

Estima-se que um bando com dez famílias de corujas vivendo em um celeiro da Flórida elimine cerca de 25 mil roedores por ano dos canaviais adjacentes.

Jonathan Slaght, da ONG ambiental WCS, com um bufo-de-Blakiston, a maior coruja do mundo

Jonathan Slaght, da ONG ambiental WCS, com um bufo-de-Blakiston, a maior coruja do mundo. Imagem: S. Avdeyuk/Amur-Ussuri Centre for Avian Biodiversity

Fonte: Folha.com


22 de maio de 2009 | nenhum comentário »

Agricultores substituem pesticidas por corujas em Israel

Corujas e gaviões estão sendo empregados por fazendeiros no Oriente Médio para controlar pestes de roedores na agricultura.

Muitos fazendeiros estão instalando caixas para encorajar a construção de ninhos pelos pássaros, que são predadores naturais dos roedores.

Em Israel, onde há uma iniciativa para reduzir o uso de pesticidas tóxicos na agricultura, a prática foi transformada em um programa com financiamento do governo nacional.

Agora, cientistas e organizações pela conservação da natureza da Jordânia e dos territórios palestinos se uniram ao esquema.

Segundo a ONG BirdLife International, centenas de aves de rapina – entre elas várias espécies ameaçadas – foram mortas em Israel por comer roedores que haviam ingerido raticida colocados nas plantações para combater as pragas.

Mas os cientistas agora trabalham junto aos agricultores para combater o problema usando os pássaros em vez do veneno.

Sem fronteiras – “Muitos fazendeiros acreditam que os pesticidas químicos são sua única opção. Eles usam grandes quantidades, borrifando a substância nas plantações com a ajuda de aviões”, disse Motti Charter, pesquisador da Universidade de Tel Aviv e líder do Global Owl Project em Israel.

“Temos procurado os fazendeiros para encorajá-los a diminuir o uso de raticidas e instalar as caixas para ninhos.”

O esquema começou em 1983, quando algumas caixas para ninhos foram erguidas perto de um kibbutz, uma fazenda comunitária, no vale de Bet-She’na, ao sul do Mar da Galileia.

O projeto foi se expandindo gradualmente para incluir caixas que encorajem a construção de ninhos por gaviões.

“Os gaviões caçam durante o dia e as corujas caçam durante a noite”, disse Charter.

“Esta ameaça constante de predadores 24 horas por dia causou mudanças no comportamento das pragas, resultando em menos danos à produção agrícola.”

Segundo a World Owl Trust, que financiou parte da pesquisa de Charter, há cerca de 1.000 ninhos de corujas-de-igreja em vários locais em Israel.

A ONG chegou a instalar uma câmera em uma dessas caixas.

Como a sub-espécie de coruja-de-igreja em Israel é menos territorial do que as da Europa, e porque a população de roedores é estável durante todo o ano, as caixas para a construção de ninhos podem ser colocadas a uma distância relativamente curta umas das outras.

“A Jordânia entrou recentemente a bordo do esquema”, disse Tony Warburton, presidente honorário do World Owl Trust. “Então o projeto está realmente unindo as pessoas.”

alice in wonderland film download

“Os pássaros constroem ninhos onde quer que haja comida e um habitat adequado. Eles não conhecem fronteiras nacionais”, disse Charter. (Fonte: Estadão Online)