15 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Governo lança plano para compensar emissões de gases da Rio+20

Governo lançou estratégia nesta quinta, no Riocentro.
Emissões são medidas seguindo padrões internacionais.

O governo brasileiro divulgou nesta quinta-feira (14), no Riocentro, no Rio de Janeiro, um plano que vai compensar as emissões de gases de efeito estufa provenientes da Rio+20, como forma de reduzir o impacto ambiental da conferência, que teve início oficialmente nesta quarta-feira.

De acordo com o governo, a “Estratégia Nacional de compensação de emissões de gases de efeito estufa” englobará a realização de um inventário para mensurar os gases provenientes da Rio+20 e seguirá padrões internacionais. Além disso, todos os participantes poderão doar online o equivalente às suas emissões em deslocamentos na Conferência. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, fez a sua doação no Riocentro.

Para evitar uma quantidade maior de impacto ambiental, o Comitê Nacional de Organização da Rio+20 já seguiu a recomendação do decreto brasileiro que prevê compras públicas sustentáveis, assinado no último dia 5 de junho pela presidente Dilma Rousseff.

Ainda segundo o ministério das Relações Exteriores, gastos de recursos hídricos, produção de resíduos sólidos, energia e queima de combustível fóssil com transportes terrestres durante a conferência terão suas emissões compensadas por meio do mercado de crédito de carbono, inserido no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), instrumento do Protocolo de Kyoto.

Protocolo de Kyoto é um acordo global para reduzir a emissão de gases estufa, como o dióxido de carbono, com o objetivo de conter o avanço das mudanças climáticas. O mercado de créditos de carbono foi criado dentro de um instrumento do protocolo chamado “Mecanismo de Desenvolvimento Limpo” (MDL) e permite a países desenvolvidos (como os europeus) comprar toneladas de CO2 que não foram emitidas por países em desenvolvimento (como o Brasil) graças à implantação de tecnologias limpas em diferentes áreas. Um crédito de carbono equivale a uma tonelada não-emitida.

Ministro Antônio Patriota recebe certificado por ter compensado emissões de gases (Foto: Alexandre Durão/G1)

Ministro Antônio Patriota recebe certificado por ter compensado emissões de gases (Foto: Alexandre Durão/G1)

Fonte: Globo Natureza


21 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Empresas correm para aprovar projetos no mercado de carbono

Primeiro período de vigência do Protocolo de Kyoto vai até dezembro.
Burocracia pode atrapalhar andamento de iniciativas brasileiras.

A pouco mais de sete meses do final do primeiro período de vigência do Protocolo de Kyoto, empresas brasileiras dos setores de energia e resíduos sólidos correm para que o governo federal e a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovem a tempo projetos voltados à redução das emissões de gases de efeito estufa. O objetivo é captar recursos no mercado de créditos de carbono antes que as regras do protocolo mudem.

Entre as iniciativas que aguardam aprovação estão a instalação de equipamentos em aterros que evitam a emissão de gases do tratamento de lixo, a construção de pequenas centrais hidrelétricas ou torres eólicas para geração de energia e o reflorestamento de áreas para sequestro de CO2.

O Protocolo de Kyoto é um acordo global para reduzir a emissão de gases estufa, como o dióxido de carbono, para conter o avanço das mudanças climáticas. O mercado de créditos de carbono foi criado dentro de um instrumento do protocolo chamado “Mecanismo de Desenvolvimento Limpo” (MDL) e permite a países desenvolvidos (como os europeus) comprar toneladas de CO2 que não foram emitidas por países em desenvolvimento (como o Brasil) graças à implantação de tecnologias limpas em diferentes áreas. Um crédito de carbono equivale a uma tonelada não-emitida.

Na prática, empresas brasileiras que investem em tecnologias limpas podem vender seus créditos de carbono para empresas de países desenvolvidos, gerando renda.

O protocolo expiraria inicialmente em dezembro de 2012, mas foi renovado para um novo período, de 2013 até 2017 ou 2020 – a data final ainda será definida. Porém, países da União Europeia já sinalizaram que vão adquirir apenas créditos de projetos aprovados até o fim de 2012 — já que, a partir de 2013, as regras do mercado podem mudar. Por isso, a correria das empresas brasileiras.

A Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima (Cimgc), que reúne 11 diferentes ministérios brasileiros, espera um aumento no envio de projetos até o fim do ano.

Segundo Carlos Nobre, secretário de políticas e programas de pesquisa e desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), havia uma expectativa maior quanto à procura.

“Todo mundo tem ideias de requerer a aprovação de um projeto. Esperávamos um número grande esse ano, mas, por enquanto, a procura tem sido menor”, disse Nobre.

Em análise
Dados fornecidos ao Globo Natureza pelo MCTI mostram que 54 projetos das áreas de resíduos sólidos, energia e florestas estão na comissão para aprovação ou revisão. Um trâmite que é obrigatório antes de sua aprovação final pela Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), que coordena o Protocolo de Kyoto, com sede na Alemanha.

Uma das empresas que tentam acelerar a aprovação de projetos é a Estre, uma das maiores do setor de resíduos sólidos do Brasil. Desde 2006, a Estre tem cinco projetos implementados para reduzir as emissões de CO2 em aterros sanitários, que geraram 4,14 milhões de toneladas de carbono já negociados com a iniciativa privada da Europa.

Agora, a empresa tenta homologar outras cinco iniciativas nas comissões do Brasil e da ONU.

“Há uma corrida entre as empresas para conseguir aprovar os projetos até o final do ano, sendo que alguns são de aterros que nem foram inaugurados. Já há uma demanda de trabalho muito grande nesta área”, afirmou Bruno Caldas, especialista em biogás da Estre Ambiental.

Demora e risco
O Grupo Cemig, do setor de energia, que atua em Minas Gerais e em outros 18 estados brasileiros, também tenta aprovar na comissão interministerial projetos de instalação de parques eólicos para gerar 294 megawatts (MW) de potência.

Segundo Ezequiel Teodoro Elorde, responsável pelos projetos de MDL da Cemig, é preciso mais agilidade na aprovação de projetos por parte do governo para que as propostas sejam encaminhadas à ONU mais rapidamente, de preferência até o final do ano. “O prazo para obtenção do registro tem sido bastante moroso”, explicou.

Para Fernando Pinheiro Pedro, advogado e consultor do Banco Mundial sobre o mercado de crédito de carbono, a demora por parte do governo federal pode fazer com que muitas empresas “fiquem com o mico na mão”.

Ele explicou que muitas empresas que já implantaram tecnologias voltadas à redução de emissões podem não conseguir resgatar os créditos de carbono para investimentos ambientais. “Se esses projetos não forem aprovados no Brasil rapidamente, o risco de perda é alto”, alertou.

Nobre, do MCTI, diz que trabalha para reduzir o tempo de análise por parte da comissão interministerial. Segundo o secretário, o tempo de trâmite atualmente varia entre 100 e 110 dias (dados de 2009). Incluindo o prazo que as empresas têm para responder questionamentos da comissão, o trâmite pode chegar a 150 dias — cinco meses.

“Vamos reduzir o espaçamento entre as reuniões da comissão, que passarão a ser mensais, e a meta é acelerar nossas análises para aprovar projetos em, no máximo, 60 dias”, prometeu. Na ONU, o tempo médio de registro de um projeto pode levar até quatro meses.

O QUE É O MERCADO DE CRÉDITO DE CARBONO?
Criado dentro das normas do Protocolo de Kyoto, permite aos países desenvolvidos comprar toneladas de CO2 que não foram emitidas por países em desenvolvimento que implantaram tecnologias consideradas limpas. Um crédito de carbono equivale a uma tonelada de CO2 que deixou de ser enviada à atmosfera.

Crise do carbono
Na prática, o mercado de crédito de carbono é uma espécie de “permissão” para que os países ricos liberem gases de efeito estufa, se eles comprarem créditos dos países em desenvolvimento.

O documento prevê a redução de emissões de gases em 5,2% entre 2008 e 2012, em relação aos níveis de 1990. Mas o tratado não compreende os Estados Unidos, um dos principais poluidores, e não obriga ações imediatas de países em desenvolvimento, como China, Índia e Brasil. Mesmo assim, empresas nacionais e a BM&FBovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) criaram um mercado voluntário de créditos de carbono.

A crise que afeta a Europa prejudica a negociação do carbono enquanto commodity — como são chamadas as matérias-primas negociadas nas bolsas de mercadorias. De acordo com o escritório Pinheiro Pedro Advogados, a cotação atual da tonelada de carbono está entre US$ 5 e US$ 16.

Durante a realização da conferência da UNFCC em Durban, na África do Sul, o preço alcançou o menor patamar: US$ 3 – custo dez vezes menor aos US$ 30 alcançados em março de 2006, considerado seu ápice. Seu impacto já pode ser percebido, por exemplo, no terceiro leilão de créditos de carbono da Prefeitura de São Paulo, previsto para acontecer em 12 de junho.

Segundo a Secretaria de Finanças, o valor estimado de arrecadação é de R$ 5 milhões. A estimativa é bastante inferior ao que foi obtido nos dois leilões anteriores que arrecadaram, respectivamente, R$ 34 milhões (em 2007) e R$ 37 milhões (em 2008). Os recursos obtidos são, obrigatoriamente, investidos em projetos ambientais nas áreas próximas aos aterros.

Mercado interno de compensação
Para o advogado Fernando Pinheiro Pedro, é provável que o preço deste derivativo permaneça baixo por mais um ano, o que pode prejudicar as atividades brasileiras. “Principalmente os projetos mais custosos”, destacou.

Ele afirmou que uma solução é o próprio governo brasileiro criar um mercado regional de compensação de emissões, que estabeleça limites de emissões de gases e partículas que não estão contempladas no Protocolo de Kyoto.

“Isso vai obrigar as indústrias de estados mais ricos a limitar progressivamente seus níveis de poluição até chegar um momento em que vão necessitar comprar derivativos de outros estados para compensar. É um mercado de carbono interno e isso pode movimentar o setor”, disse.

Aterro da Estre em Paulínia, no interior de São Paulo, que implantou tecnologias para reduzir as emissões de CO2 desde 2006 e já negociu 600 mil toneladas no mercado de crédito de carbono. (Foto: Divulgação/Estre)

Aterro da Estre em Paulínia, no interior de São Paulo, que implantou tecnologias para reduzir as emissões de CO2 desde 2006 e já negociou 600 mil toneladas no mercado de crédito de carbono. (Foto: Divulgação/Estre)

Fonte: Globo Natureza


2 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Organização propõe usar crédito de carbono para ajudar produtores

Certificação a agricultores e pagamento pela preservação estão em foco.
Recursos seriam aplicados para tornar produção sustentável.

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), organização que trabalha pelo desenvolvimento sustentável do bioma, lançou nesta quarta-feira (28) análise que aponta uma nova estratégia para manter a floresta em pé e reduzir as mudanças climáticas.

A proposta do Ipam, citada na revista “Nature” desta semana, quer unir dois mecanismos já existentes e que apresentam dificuldades de emplacar. Um deles é o comércio de crédito de carbono, pelo qual emissores de CO2 pagam para manter a floresta intacta. Para o instituto, a comercialização não tem sido fácil porque faltam produtores interessados em vender os créditos.

Outro mecanismo é a tentativa de alguns agricultores e pecuaristas de tornar suas propriedades sustentáveis para atender padrões internacionais de qualidade. Estes padrões conferem “selos” de certificação, que podem aumentar o valor do produto. No entanto, diz o Ipam, as recompensas não são compatíveis com os custos necessários para tornar o negócio sustentável.

“[Compradores internacionais] impõem padrões, mas não dá mecanismo para pagar [os gastos com as mudanças necessárias]. Estamos tentando oferecer um mecanismo para pagar a conta”, resume Daniel Nepstad, coordenador de programas internacionais do Ipam.

Segundo o Ipam, as duas pontas são complementares e devem ser unidas em um consórcio. Ou seja, créditos de carbono devem ser usados para ajudar produtores rurais a tornar suas propriedades sustentáveis, recuperando áreas desmatadas e aumentando a produtividade para produzir mais alimentos sem a necessidade de novas terras e novos desmatamentos.

“A ideia é viabilizar transição da agricultura predadora para agricultura sustentável. Essa transição não é sempre barata, precisa de dinheiro, investimento, política pública, mas precisa também de demanda”, afirma.

Em junho no Rio de Janeiro, durante a Rio+20, a Conferência do Desenvolvimento Sustentável da ONU, o Ipam pretende apresentar projetos pilotos para a implementação deste consórcio em áreas da Amazônia.

Consórcio global
Segundo o instituto, é possível e necessário viabilizar o consórcio em nível global. Isso seria possível porque os dois lados da moeda têm correspondentes em larga escala.

Do lado do comércio de carbono, está em gestação a criação de um mecanismo que “compensa” financeiramente as nações que preservam a floresta e contribuem para a redução dos gases causadores do efeito estufa. Chamado de Redd+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação), ele foi negociado na Conferência do Clima em Durban, em 2011 — mas não obteve avanços e por isso deve deve voltar a ser discutido.

Já do lado das melhorias nas propriedades rurais para obter selos de qualidade, existem mesas de negociação internacionais para criar padrões de sustentabilidade para algumas culturas. Até agora, já foram realizadas três, segundo o Ipam: a Bonsucro, para a cana, a RTRS, para a soja, e a RSPO, para o óleo de palma.

“Estamos tentando construir ponte entre dois processos paralelos, que buscam várias coisas em comum, mas que até agora não foram costurados. Eles andam no mesmo rumo, mas paralelamente. Um são as mesas redondas das commodities e outro é o Redd”, resume Nepstad.

Para mostrar como o consórcio poderia ser aplicado globalmente, o Ipam mapeou países que já têm as duas iniciativas: projetos de Redd a nível local e aplicação de padrões exigidos nas mesas redondas das commodities. Entre as nações encontradas estão o Brasil, México e Indonésia.

Críticas
O representante do Ipam admite que a proposta pode ser vista como uma vantagem para compradores internacionais que querem comprar produtos mais sustentáveis sem pagar pelo seu custo.

Por outro lado, pode ser acusada de favorecer setores do agronegócio, que vão obter recursos de créditos de carbono para realizar algo que é uma obrigação legal: a preservação da floresta.

“Estamos em uma bifurcação super importante. A agricultura brasileira pode se sentir impune, por exemplo, se ganhar a votação do código florestal. Ou ela pode escolher um segundo caminho, imbutindo um compromisso sócio ambiental. Assim, o Brasil garantiria liderança não só na agricultura, mas também nas questões ambientais. Nós esperamos contribuir para a segunda opção”, conclui Nepstad.

Mapa do Ipam mostra áreas que poderiam usar o sistema de consórcio entre crédito de carbono e certificação ambiental de propriedades rurais. (Foto: (Foto: Reprodução / Ipam))

Mapa do Ipam mostra áreas que poderiam usar o sistema de consórcio entre crédito de carbono e certificação ambiental de propriedades rurais. (Foto: Reprodução / Ipam)

Fonte: Globo Natureza


3 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Seguro de crédito de carbono chega ao Brasil

Em parceria com a Munich Re, maior resseguradora do mundo, a Fator Seguradora está lançando um seguro para projetos de crédito de carbono e instrumentos de redução de gases de efeito estufa.

A apólice cobre a perda de receita caso o projeto não gere os créditos de carbono previstos e comercializados.

 

O Brasil é o terceiro país com o maior número de projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), instrumento criado pelo Protocolo de Kyoto que traz a possibilidade de utilização de mecanismos de mercado para que os países desenvolvidos possam cumprir seus compromissos de redução de emissão de gases de efeito estufa. Nele, países emergentes podem, voluntariamente, desenvolver projetos de redução de emissão (conhecidos como “crédito de carbono”) para posterior venda dessas reduções para países desenvolvidos.

 

“São projetos caros que geralmente precisam de financiamento. Um seguro que garante a receita desse projeto vai melhorar a aceitação do financiamento”, afirma André Gregori, presidente da Fator Seguradora. Ele lembra que, no ano passado, foi aprovada no Brasil a lei que institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima, que deve impulsionar a realização desses projetos. Na política, o país assume meta para reduzir entre 36,1% a 38,9% suas emissões de gases de efeito estufa até 2020, com ações no âmbito federal, estadual e municipal por entidades públicas e privadas.

 

“Além disso, a maioria dos bancos mundiais exigem projetos de captura de CO2 para conceder financiamento para obras de infraestrutura”, ressalta Gregori.

 

A apólice indeniza a perda de receita de projetos de redução de gases numa eventual ineficiência ou dano físico do projeto, insolvência do fornecedor ou do comprador dos créditos, além de problemas provenientes de variação climática. Gregori explica, porém, que o risco de eventos naturais é uma cobertura extra, que pode ser incluída na apólice. Ele explica que o preço do seguro varia de acordo com o projeto de redução e com as coberturas contratadas, mas varia, em média, entre 2% a 5% do valor do projeto.

 

“Este não é um produto de prateleira, ele é montado de acordo com a particularidade de cada operação”, explica Tânia Amaral, superintendente de riscos financeiros da Munich Re. A resseguradora já comercializa o produto em outros países e tinha o interesse de trazer a cobertura para cá por conta do Brasil ser um dos países que podem desenvolver instrumentos de redução de gases.

 

O Brasil possui 499 projetos do tipo, equivalente a 6% dos 7.742 projetos espalhados pelo mundo, segundo dados de junho deste ano do Ministério da Ciência e Tecnologia. Isso coloca o país no terceiro lugar em número de projetos de MDL no mundo. A China é a líder do ranking, com 3.056 projetos (39%) e, em segundo lugar, a Índia com 2.098 projetos (27%).

 

O lançamento do produto faz parte da estratégia de diversificação do portfólio da seguradora, que trabalha basicamente com seguros ligados a obras de infraestrutura. Há três anos, quando foi criada, a companhia atuava apenas com seguro garantia. Nesta ano, passou a atuar com seguro de engenharia, responsabilidade civil, riscos diversos de equipamentos, eventos e aeronáutico.

Fonte: Valor Econômico


8 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Especialistas sugerem uma nova estratégia para o REDD

 mecanismo de redução de emissões por desmatamento e degradação (REDD) das Nações Unidas sempre enfrentou diversos problemas, um deles sendo a chamada ‘leakage’ (vazamento), quando uma determinada área da floresta está sob proteção e as comunidades próximas simplesmente passam a explorar outras regiões, provocando assim a mesma destruição.

Uma possível solução para essa questão foi apresentada por um grupo de pesquisadores na revista Nature Climate Change. A idéia central propõe que o dinheiro arrecadado com o REDD seja utilizado para suprir as demandas dos povos nativos para que não exista mais a necessidade de desmatar.

“Para usar de forma inteligente o dinheiro dos créditos de carbono, você deveria aproveitar esses recursos para combater os fatores que levam as pessoas a provocar a destruição da floresta”, afirmou Brendan Fisher, economista ambiental da Universidade de Princeton e autor do estudo.

Para embasar sua teoria, a equipe de pesquisadores liderada por Fisher analisou os impactos do mecanismo de REDD+ (uma evolução do REDD que leva em conta o manejo florestal sustentável) na Tanzânia.

O que eles perceberam foi que o dinheiro arrecado com o mecanismo mal compensava as perdas das pessoas por não poderem converter a floresta em área agrícola. Segundo Fisher, a maior parte das análises do REDD+ subestimam os ganhos que as comunidades conseguem transformando árvores em carvão, por exemplo. Dessa forma, o mecanismo, se seguido à risca, acabaria levando os já humildes povoados para uma pobreza ainda maior.

“Somente conservando uma área de floresta não significa que um mercado de algum lugar estará disponível para suprir os povos nativos com alimentos. O dinheiro, por si só, não garante a subsistência dessas pessoas, ainda mais se os recursos estiverem aquém do que seria justo”, esclarece Fisher.

Diante dessa constatação, os pesquisadores chegaram a idéia do ‘Smart-REDD’ (‘REDD Inteligente’). Nesse novo modelo, os recursos arrecadados com os créditos de carbono seriam destinados para melhorias na agricultura, como financiamentos e transferência de tecnologias. Além disso, o REDD funcionaria em parceria com iniciativas de construção de fornos mais limpos e eficientes, que melhoram a qualidade de vida das pessoas e utilizam menos lenha.

Claro que isso tem um preço. Para sair do papel, o ‘Smart-REDD’ necessita que o preço da tonelada de carbono esteja no mínimo em US$ 6,50, quase o dobro dos US$ 3,90 pagos atualmente no mecanismo convencional.

Porém, o novo modelo apresentaria uma série de benefícios, já que ao mesmo tempo em que evitaria o ‘vazamento’ e reduziria as emissões, aumentaria a produção de alimentos e a qualidade de vida das populações.

Mesmo levando em conta os possíveis custos para melhorar a capacidade agrícola de uma região a ponto de que dobre sua produção para compensar a não exploração da floresta em outra, o preço final ficaria em torno dos US$ 12 a tonelada do carbono. O que seria ainda abaixo dos atuais US$ 24/t cobrados nos mercados de carbono compulsórios, como o Esquema Europeu de Comércio de Emissões (EU ETS), que não inclui projetos de REDD.

“O custo do ‘Smart-REDD’ é bastante competitivo. Seria um dos modelos mais baratos para reduzir o aquecimento global”, afirmou Doug Boucher, diretor de pesquisas climáticas e análise da Union of Concerned Scientists.

Segundo Fisher, pode ser que em locais diferentes fora da Tanzânia existam outros fatores que impulsionam o desmatamento além da produção de alimentos e lenha, mas a idéia central do ‘Smart-REDD’ seria a mesma: identificar esses fatores e compensá-los com os recursos adquiridos pelos créditos de carbono.

“É possível manter os estoques de carbono, aumentar a segurança alimentar e preservar a biodiversidade com um custo baixo”, concluiu Fisher.

Fonte: Mater Natura.


20 de abril de 2009 | nenhum comentário »

Carbono de floresta não ajuda clima, afirma ONG

É difícil ver ONGs ambientalistas e governos em acordo. Ainda mais quando o assunto é o comércio de emissões de carbono de florestas, a organização é o Greenpeace e o governo é o do Brasil. Mas, no caso do Redd (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal), mecanismo em negociação no âmbito das Nações Unidas para mitigar o efeito estufa e compensar as nações pobres, é precisamente isso o que vem acontecendo.

Um novo estudo do Greenpeace dá apoio à posição que o governo brasileiro defende praticamente sozinho na Convenção do Clima, a de não incluir o desmatamento no mercado internacional de carbono.

Num mercado desse tipo, países ricos financiariam a redução do desmatamento em países pobres em troca de “créditos” que lhes permitissem deixar de cortar emissões.

De acordo com o relatório, divulgado na semana retrasada em Bonn, na Alemanha, se as florestas entrassem indiscriminadamente nesse mercado, o preço do carbono cairia até 75%. Carbono barato demais atrapalha os esforços para conter a mudança climática.

A pesquisa mostra também que a medida poderia fazer com que países em desenvolvimento, como China, Índia e Brasil, perdessem bilhões de dólares por ano em investimentos em tecnologias de energia limpa. Esses países dependem de incentivos para fazer a transição para tecnologias que emitem menos carbono. O setor perderia interesse porque os créditos de floresta são mais baratos.

Mudanças no uso da terra, em especial o desmatamento, causam 20% das emissões de CO2 no mundo. Por isso, é importante incentivar sua redução. Acabar com o desmatamento seria uma forma rápida de reduzir emissões globais.

O estudo foi elaborado por especialistas da Nova Zelândia sob encomenda do Greenpeace. Ele considera que o Redd tem o potencial para trazer reduções no curto e médio prazos, o que ajudaria a atingir metas que forem definidas para o ano de 2020 no novo regime de proteção do clima, a ser negociado em dezembro em Copenhague. Porém, defende que se deve reduzir o desmatamento usando recursos de outras fontes, não do mercado.

is red on dvd yet

“Créditos florestais baratos soam atraentes, mas eles são uma opção perigosa que não irá salvar as florestas ou parar as galopantes alterações climáticas. Entre as muitas opções de financiamento na área de floresta na mesa, esta é a pior”, disse Roman Czebiniak, do Greenpeace International.

Inundação – O governo brasileiro vai na mesma linha: de que se as florestas entrarem nesse mercado de carbono, podem inundá-lo com créditos baratos – o que torna mais fácil para os países ricos comprarem créditos do que reduzirem suas emissões. Créditos na área de energia valeriam o dobro ou mais.

O Brasil defende que seja ampliada a ideia do Fundo Amazônia, em que os países doam recursos voluntariamente para reduzir o desmatamento. (Fonte: Afra Balazina/ Folha Online)






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15 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Governo lança plano para compensar emissões de gases da Rio+20

Governo lançou estratégia nesta quinta, no Riocentro.
Emissões são medidas seguindo padrões internacionais.

O governo brasileiro divulgou nesta quinta-feira (14), no Riocentro, no Rio de Janeiro, um plano que vai compensar as emissões de gases de efeito estufa provenientes da Rio+20, como forma de reduzir o impacto ambiental da conferência, que teve início oficialmente nesta quarta-feira.

De acordo com o governo, a “Estratégia Nacional de compensação de emissões de gases de efeito estufa” englobará a realização de um inventário para mensurar os gases provenientes da Rio+20 e seguirá padrões internacionais. Além disso, todos os participantes poderão doar online o equivalente às suas emissões em deslocamentos na Conferência. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, fez a sua doação no Riocentro.

Para evitar uma quantidade maior de impacto ambiental, o Comitê Nacional de Organização da Rio+20 já seguiu a recomendação do decreto brasileiro que prevê compras públicas sustentáveis, assinado no último dia 5 de junho pela presidente Dilma Rousseff.

Ainda segundo o ministério das Relações Exteriores, gastos de recursos hídricos, produção de resíduos sólidos, energia e queima de combustível fóssil com transportes terrestres durante a conferência terão suas emissões compensadas por meio do mercado de crédito de carbono, inserido no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), instrumento do Protocolo de Kyoto.

Protocolo de Kyoto é um acordo global para reduzir a emissão de gases estufa, como o dióxido de carbono, com o objetivo de conter o avanço das mudanças climáticas. O mercado de créditos de carbono foi criado dentro de um instrumento do protocolo chamado “Mecanismo de Desenvolvimento Limpo” (MDL) e permite a países desenvolvidos (como os europeus) comprar toneladas de CO2 que não foram emitidas por países em desenvolvimento (como o Brasil) graças à implantação de tecnologias limpas em diferentes áreas. Um crédito de carbono equivale a uma tonelada não-emitida.

Ministro Antônio Patriota recebe certificado por ter compensado emissões de gases (Foto: Alexandre Durão/G1)

Ministro Antônio Patriota recebe certificado por ter compensado emissões de gases (Foto: Alexandre Durão/G1)

Fonte: Globo Natureza


21 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Empresas correm para aprovar projetos no mercado de carbono

Primeiro período de vigência do Protocolo de Kyoto vai até dezembro.
Burocracia pode atrapalhar andamento de iniciativas brasileiras.

A pouco mais de sete meses do final do primeiro período de vigência do Protocolo de Kyoto, empresas brasileiras dos setores de energia e resíduos sólidos correm para que o governo federal e a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovem a tempo projetos voltados à redução das emissões de gases de efeito estufa. O objetivo é captar recursos no mercado de créditos de carbono antes que as regras do protocolo mudem.

Entre as iniciativas que aguardam aprovação estão a instalação de equipamentos em aterros que evitam a emissão de gases do tratamento de lixo, a construção de pequenas centrais hidrelétricas ou torres eólicas para geração de energia e o reflorestamento de áreas para sequestro de CO2.

O Protocolo de Kyoto é um acordo global para reduzir a emissão de gases estufa, como o dióxido de carbono, para conter o avanço das mudanças climáticas. O mercado de créditos de carbono foi criado dentro de um instrumento do protocolo chamado “Mecanismo de Desenvolvimento Limpo” (MDL) e permite a países desenvolvidos (como os europeus) comprar toneladas de CO2 que não foram emitidas por países em desenvolvimento (como o Brasil) graças à implantação de tecnologias limpas em diferentes áreas. Um crédito de carbono equivale a uma tonelada não-emitida.

Na prática, empresas brasileiras que investem em tecnologias limpas podem vender seus créditos de carbono para empresas de países desenvolvidos, gerando renda.

O protocolo expiraria inicialmente em dezembro de 2012, mas foi renovado para um novo período, de 2013 até 2017 ou 2020 – a data final ainda será definida. Porém, países da União Europeia já sinalizaram que vão adquirir apenas créditos de projetos aprovados até o fim de 2012 — já que, a partir de 2013, as regras do mercado podem mudar. Por isso, a correria das empresas brasileiras.

A Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima (Cimgc), que reúne 11 diferentes ministérios brasileiros, espera um aumento no envio de projetos até o fim do ano.

Segundo Carlos Nobre, secretário de políticas e programas de pesquisa e desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), havia uma expectativa maior quanto à procura.

“Todo mundo tem ideias de requerer a aprovação de um projeto. Esperávamos um número grande esse ano, mas, por enquanto, a procura tem sido menor”, disse Nobre.

Em análise
Dados fornecidos ao Globo Natureza pelo MCTI mostram que 54 projetos das áreas de resíduos sólidos, energia e florestas estão na comissão para aprovação ou revisão. Um trâmite que é obrigatório antes de sua aprovação final pela Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), que coordena o Protocolo de Kyoto, com sede na Alemanha.

Uma das empresas que tentam acelerar a aprovação de projetos é a Estre, uma das maiores do setor de resíduos sólidos do Brasil. Desde 2006, a Estre tem cinco projetos implementados para reduzir as emissões de CO2 em aterros sanitários, que geraram 4,14 milhões de toneladas de carbono já negociados com a iniciativa privada da Europa.

Agora, a empresa tenta homologar outras cinco iniciativas nas comissões do Brasil e da ONU.

“Há uma corrida entre as empresas para conseguir aprovar os projetos até o final do ano, sendo que alguns são de aterros que nem foram inaugurados. Já há uma demanda de trabalho muito grande nesta área”, afirmou Bruno Caldas, especialista em biogás da Estre Ambiental.

Demora e risco
O Grupo Cemig, do setor de energia, que atua em Minas Gerais e em outros 18 estados brasileiros, também tenta aprovar na comissão interministerial projetos de instalação de parques eólicos para gerar 294 megawatts (MW) de potência.

Segundo Ezequiel Teodoro Elorde, responsável pelos projetos de MDL da Cemig, é preciso mais agilidade na aprovação de projetos por parte do governo para que as propostas sejam encaminhadas à ONU mais rapidamente, de preferência até o final do ano. “O prazo para obtenção do registro tem sido bastante moroso”, explicou.

Para Fernando Pinheiro Pedro, advogado e consultor do Banco Mundial sobre o mercado de crédito de carbono, a demora por parte do governo federal pode fazer com que muitas empresas “fiquem com o mico na mão”.

Ele explicou que muitas empresas que já implantaram tecnologias voltadas à redução de emissões podem não conseguir resgatar os créditos de carbono para investimentos ambientais. “Se esses projetos não forem aprovados no Brasil rapidamente, o risco de perda é alto”, alertou.

Nobre, do MCTI, diz que trabalha para reduzir o tempo de análise por parte da comissão interministerial. Segundo o secretário, o tempo de trâmite atualmente varia entre 100 e 110 dias (dados de 2009). Incluindo o prazo que as empresas têm para responder questionamentos da comissão, o trâmite pode chegar a 150 dias — cinco meses.

“Vamos reduzir o espaçamento entre as reuniões da comissão, que passarão a ser mensais, e a meta é acelerar nossas análises para aprovar projetos em, no máximo, 60 dias”, prometeu. Na ONU, o tempo médio de registro de um projeto pode levar até quatro meses.

O QUE É O MERCADO DE CRÉDITO DE CARBONO?
Criado dentro das normas do Protocolo de Kyoto, permite aos países desenvolvidos comprar toneladas de CO2 que não foram emitidas por países em desenvolvimento que implantaram tecnologias consideradas limpas. Um crédito de carbono equivale a uma tonelada de CO2 que deixou de ser enviada à atmosfera.

Crise do carbono
Na prática, o mercado de crédito de carbono é uma espécie de “permissão” para que os países ricos liberem gases de efeito estufa, se eles comprarem créditos dos países em desenvolvimento.

O documento prevê a redução de emissões de gases em 5,2% entre 2008 e 2012, em relação aos níveis de 1990. Mas o tratado não compreende os Estados Unidos, um dos principais poluidores, e não obriga ações imediatas de países em desenvolvimento, como China, Índia e Brasil. Mesmo assim, empresas nacionais e a BM&FBovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) criaram um mercado voluntário de créditos de carbono.

A crise que afeta a Europa prejudica a negociação do carbono enquanto commodity — como são chamadas as matérias-primas negociadas nas bolsas de mercadorias. De acordo com o escritório Pinheiro Pedro Advogados, a cotação atual da tonelada de carbono está entre US$ 5 e US$ 16.

Durante a realização da conferência da UNFCC em Durban, na África do Sul, o preço alcançou o menor patamar: US$ 3 – custo dez vezes menor aos US$ 30 alcançados em março de 2006, considerado seu ápice. Seu impacto já pode ser percebido, por exemplo, no terceiro leilão de créditos de carbono da Prefeitura de São Paulo, previsto para acontecer em 12 de junho.

Segundo a Secretaria de Finanças, o valor estimado de arrecadação é de R$ 5 milhões. A estimativa é bastante inferior ao que foi obtido nos dois leilões anteriores que arrecadaram, respectivamente, R$ 34 milhões (em 2007) e R$ 37 milhões (em 2008). Os recursos obtidos são, obrigatoriamente, investidos em projetos ambientais nas áreas próximas aos aterros.

Mercado interno de compensação
Para o advogado Fernando Pinheiro Pedro, é provável que o preço deste derivativo permaneça baixo por mais um ano, o que pode prejudicar as atividades brasileiras. “Principalmente os projetos mais custosos”, destacou.

Ele afirmou que uma solução é o próprio governo brasileiro criar um mercado regional de compensação de emissões, que estabeleça limites de emissões de gases e partículas que não estão contempladas no Protocolo de Kyoto.

“Isso vai obrigar as indústrias de estados mais ricos a limitar progressivamente seus níveis de poluição até chegar um momento em que vão necessitar comprar derivativos de outros estados para compensar. É um mercado de carbono interno e isso pode movimentar o setor”, disse.

Aterro da Estre em Paulínia, no interior de São Paulo, que implantou tecnologias para reduzir as emissões de CO2 desde 2006 e já negociu 600 mil toneladas no mercado de crédito de carbono. (Foto: Divulgação/Estre)

Aterro da Estre em Paulínia, no interior de São Paulo, que implantou tecnologias para reduzir as emissões de CO2 desde 2006 e já negociou 600 mil toneladas no mercado de crédito de carbono. (Foto: Divulgação/Estre)

Fonte: Globo Natureza


2 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Organização propõe usar crédito de carbono para ajudar produtores

Certificação a agricultores e pagamento pela preservação estão em foco.
Recursos seriam aplicados para tornar produção sustentável.

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), organização que trabalha pelo desenvolvimento sustentável do bioma, lançou nesta quarta-feira (28) análise que aponta uma nova estratégia para manter a floresta em pé e reduzir as mudanças climáticas.

A proposta do Ipam, citada na revista “Nature” desta semana, quer unir dois mecanismos já existentes e que apresentam dificuldades de emplacar. Um deles é o comércio de crédito de carbono, pelo qual emissores de CO2 pagam para manter a floresta intacta. Para o instituto, a comercialização não tem sido fácil porque faltam produtores interessados em vender os créditos.

Outro mecanismo é a tentativa de alguns agricultores e pecuaristas de tornar suas propriedades sustentáveis para atender padrões internacionais de qualidade. Estes padrões conferem “selos” de certificação, que podem aumentar o valor do produto. No entanto, diz o Ipam, as recompensas não são compatíveis com os custos necessários para tornar o negócio sustentável.

“[Compradores internacionais] impõem padrões, mas não dá mecanismo para pagar [os gastos com as mudanças necessárias]. Estamos tentando oferecer um mecanismo para pagar a conta”, resume Daniel Nepstad, coordenador de programas internacionais do Ipam.

Segundo o Ipam, as duas pontas são complementares e devem ser unidas em um consórcio. Ou seja, créditos de carbono devem ser usados para ajudar produtores rurais a tornar suas propriedades sustentáveis, recuperando áreas desmatadas e aumentando a produtividade para produzir mais alimentos sem a necessidade de novas terras e novos desmatamentos.

“A ideia é viabilizar transição da agricultura predadora para agricultura sustentável. Essa transição não é sempre barata, precisa de dinheiro, investimento, política pública, mas precisa também de demanda”, afirma.

Em junho no Rio de Janeiro, durante a Rio+20, a Conferência do Desenvolvimento Sustentável da ONU, o Ipam pretende apresentar projetos pilotos para a implementação deste consórcio em áreas da Amazônia.

Consórcio global
Segundo o instituto, é possível e necessário viabilizar o consórcio em nível global. Isso seria possível porque os dois lados da moeda têm correspondentes em larga escala.

Do lado do comércio de carbono, está em gestação a criação de um mecanismo que “compensa” financeiramente as nações que preservam a floresta e contribuem para a redução dos gases causadores do efeito estufa. Chamado de Redd+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação), ele foi negociado na Conferência do Clima em Durban, em 2011 — mas não obteve avanços e por isso deve deve voltar a ser discutido.

Já do lado das melhorias nas propriedades rurais para obter selos de qualidade, existem mesas de negociação internacionais para criar padrões de sustentabilidade para algumas culturas. Até agora, já foram realizadas três, segundo o Ipam: a Bonsucro, para a cana, a RTRS, para a soja, e a RSPO, para o óleo de palma.

“Estamos tentando construir ponte entre dois processos paralelos, que buscam várias coisas em comum, mas que até agora não foram costurados. Eles andam no mesmo rumo, mas paralelamente. Um são as mesas redondas das commodities e outro é o Redd”, resume Nepstad.

Para mostrar como o consórcio poderia ser aplicado globalmente, o Ipam mapeou países que já têm as duas iniciativas: projetos de Redd a nível local e aplicação de padrões exigidos nas mesas redondas das commodities. Entre as nações encontradas estão o Brasil, México e Indonésia.

Críticas
O representante do Ipam admite que a proposta pode ser vista como uma vantagem para compradores internacionais que querem comprar produtos mais sustentáveis sem pagar pelo seu custo.

Por outro lado, pode ser acusada de favorecer setores do agronegócio, que vão obter recursos de créditos de carbono para realizar algo que é uma obrigação legal: a preservação da floresta.

“Estamos em uma bifurcação super importante. A agricultura brasileira pode se sentir impune, por exemplo, se ganhar a votação do código florestal. Ou ela pode escolher um segundo caminho, imbutindo um compromisso sócio ambiental. Assim, o Brasil garantiria liderança não só na agricultura, mas também nas questões ambientais. Nós esperamos contribuir para a segunda opção”, conclui Nepstad.

Mapa do Ipam mostra áreas que poderiam usar o sistema de consórcio entre crédito de carbono e certificação ambiental de propriedades rurais. (Foto: (Foto: Reprodução / Ipam))

Mapa do Ipam mostra áreas que poderiam usar o sistema de consórcio entre crédito de carbono e certificação ambiental de propriedades rurais. (Foto: Reprodução / Ipam)

Fonte: Globo Natureza


3 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Seguro de crédito de carbono chega ao Brasil

Em parceria com a Munich Re, maior resseguradora do mundo, a Fator Seguradora está lançando um seguro para projetos de crédito de carbono e instrumentos de redução de gases de efeito estufa.

A apólice cobre a perda de receita caso o projeto não gere os créditos de carbono previstos e comercializados.

 

O Brasil é o terceiro país com o maior número de projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), instrumento criado pelo Protocolo de Kyoto que traz a possibilidade de utilização de mecanismos de mercado para que os países desenvolvidos possam cumprir seus compromissos de redução de emissão de gases de efeito estufa. Nele, países emergentes podem, voluntariamente, desenvolver projetos de redução de emissão (conhecidos como “crédito de carbono”) para posterior venda dessas reduções para países desenvolvidos.

 

“São projetos caros que geralmente precisam de financiamento. Um seguro que garante a receita desse projeto vai melhorar a aceitação do financiamento”, afirma André Gregori, presidente da Fator Seguradora. Ele lembra que, no ano passado, foi aprovada no Brasil a lei que institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima, que deve impulsionar a realização desses projetos. Na política, o país assume meta para reduzir entre 36,1% a 38,9% suas emissões de gases de efeito estufa até 2020, com ações no âmbito federal, estadual e municipal por entidades públicas e privadas.

 

“Além disso, a maioria dos bancos mundiais exigem projetos de captura de CO2 para conceder financiamento para obras de infraestrutura”, ressalta Gregori.

 

A apólice indeniza a perda de receita de projetos de redução de gases numa eventual ineficiência ou dano físico do projeto, insolvência do fornecedor ou do comprador dos créditos, além de problemas provenientes de variação climática. Gregori explica, porém, que o risco de eventos naturais é uma cobertura extra, que pode ser incluída na apólice. Ele explica que o preço do seguro varia de acordo com o projeto de redução e com as coberturas contratadas, mas varia, em média, entre 2% a 5% do valor do projeto.

 

“Este não é um produto de prateleira, ele é montado de acordo com a particularidade de cada operação”, explica Tânia Amaral, superintendente de riscos financeiros da Munich Re. A resseguradora já comercializa o produto em outros países e tinha o interesse de trazer a cobertura para cá por conta do Brasil ser um dos países que podem desenvolver instrumentos de redução de gases.

 

O Brasil possui 499 projetos do tipo, equivalente a 6% dos 7.742 projetos espalhados pelo mundo, segundo dados de junho deste ano do Ministério da Ciência e Tecnologia. Isso coloca o país no terceiro lugar em número de projetos de MDL no mundo. A China é a líder do ranking, com 3.056 projetos (39%) e, em segundo lugar, a Índia com 2.098 projetos (27%).

 

O lançamento do produto faz parte da estratégia de diversificação do portfólio da seguradora, que trabalha basicamente com seguros ligados a obras de infraestrutura. Há três anos, quando foi criada, a companhia atuava apenas com seguro garantia. Nesta ano, passou a atuar com seguro de engenharia, responsabilidade civil, riscos diversos de equipamentos, eventos e aeronáutico.

Fonte: Valor Econômico


8 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Especialistas sugerem uma nova estratégia para o REDD

 mecanismo de redução de emissões por desmatamento e degradação (REDD) das Nações Unidas sempre enfrentou diversos problemas, um deles sendo a chamada ‘leakage’ (vazamento), quando uma determinada área da floresta está sob proteção e as comunidades próximas simplesmente passam a explorar outras regiões, provocando assim a mesma destruição.

Uma possível solução para essa questão foi apresentada por um grupo de pesquisadores na revista Nature Climate Change. A idéia central propõe que o dinheiro arrecadado com o REDD seja utilizado para suprir as demandas dos povos nativos para que não exista mais a necessidade de desmatar.

“Para usar de forma inteligente o dinheiro dos créditos de carbono, você deveria aproveitar esses recursos para combater os fatores que levam as pessoas a provocar a destruição da floresta”, afirmou Brendan Fisher, economista ambiental da Universidade de Princeton e autor do estudo.

Para embasar sua teoria, a equipe de pesquisadores liderada por Fisher analisou os impactos do mecanismo de REDD+ (uma evolução do REDD que leva em conta o manejo florestal sustentável) na Tanzânia.

O que eles perceberam foi que o dinheiro arrecado com o mecanismo mal compensava as perdas das pessoas por não poderem converter a floresta em área agrícola. Segundo Fisher, a maior parte das análises do REDD+ subestimam os ganhos que as comunidades conseguem transformando árvores em carvão, por exemplo. Dessa forma, o mecanismo, se seguido à risca, acabaria levando os já humildes povoados para uma pobreza ainda maior.

“Somente conservando uma área de floresta não significa que um mercado de algum lugar estará disponível para suprir os povos nativos com alimentos. O dinheiro, por si só, não garante a subsistência dessas pessoas, ainda mais se os recursos estiverem aquém do que seria justo”, esclarece Fisher.

Diante dessa constatação, os pesquisadores chegaram a idéia do ‘Smart-REDD’ (‘REDD Inteligente’). Nesse novo modelo, os recursos arrecadados com os créditos de carbono seriam destinados para melhorias na agricultura, como financiamentos e transferência de tecnologias. Além disso, o REDD funcionaria em parceria com iniciativas de construção de fornos mais limpos e eficientes, que melhoram a qualidade de vida das pessoas e utilizam menos lenha.

Claro que isso tem um preço. Para sair do papel, o ‘Smart-REDD’ necessita que o preço da tonelada de carbono esteja no mínimo em US$ 6,50, quase o dobro dos US$ 3,90 pagos atualmente no mecanismo convencional.

Porém, o novo modelo apresentaria uma série de benefícios, já que ao mesmo tempo em que evitaria o ‘vazamento’ e reduziria as emissões, aumentaria a produção de alimentos e a qualidade de vida das populações.

Mesmo levando em conta os possíveis custos para melhorar a capacidade agrícola de uma região a ponto de que dobre sua produção para compensar a não exploração da floresta em outra, o preço final ficaria em torno dos US$ 12 a tonelada do carbono. O que seria ainda abaixo dos atuais US$ 24/t cobrados nos mercados de carbono compulsórios, como o Esquema Europeu de Comércio de Emissões (EU ETS), que não inclui projetos de REDD.

“O custo do ‘Smart-REDD’ é bastante competitivo. Seria um dos modelos mais baratos para reduzir o aquecimento global”, afirmou Doug Boucher, diretor de pesquisas climáticas e análise da Union of Concerned Scientists.

Segundo Fisher, pode ser que em locais diferentes fora da Tanzânia existam outros fatores que impulsionam o desmatamento além da produção de alimentos e lenha, mas a idéia central do ‘Smart-REDD’ seria a mesma: identificar esses fatores e compensá-los com os recursos adquiridos pelos créditos de carbono.

“É possível manter os estoques de carbono, aumentar a segurança alimentar e preservar a biodiversidade com um custo baixo”, concluiu Fisher.

Fonte: Mater Natura.


20 de abril de 2009 | nenhum comentário »

Carbono de floresta não ajuda clima, afirma ONG

É difícil ver ONGs ambientalistas e governos em acordo. Ainda mais quando o assunto é o comércio de emissões de carbono de florestas, a organização é o Greenpeace e o governo é o do Brasil. Mas, no caso do Redd (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal), mecanismo em negociação no âmbito das Nações Unidas para mitigar o efeito estufa e compensar as nações pobres, é precisamente isso o que vem acontecendo.

Um novo estudo do Greenpeace dá apoio à posição que o governo brasileiro defende praticamente sozinho na Convenção do Clima, a de não incluir o desmatamento no mercado internacional de carbono.

Num mercado desse tipo, países ricos financiariam a redução do desmatamento em países pobres em troca de “créditos” que lhes permitissem deixar de cortar emissões.

De acordo com o relatório, divulgado na semana retrasada em Bonn, na Alemanha, se as florestas entrassem indiscriminadamente nesse mercado, o preço do carbono cairia até 75%. Carbono barato demais atrapalha os esforços para conter a mudança climática.

A pesquisa mostra também que a medida poderia fazer com que países em desenvolvimento, como China, Índia e Brasil, perdessem bilhões de dólares por ano em investimentos em tecnologias de energia limpa. Esses países dependem de incentivos para fazer a transição para tecnologias que emitem menos carbono. O setor perderia interesse porque os créditos de floresta são mais baratos.

Mudanças no uso da terra, em especial o desmatamento, causam 20% das emissões de CO2 no mundo. Por isso, é importante incentivar sua redução. Acabar com o desmatamento seria uma forma rápida de reduzir emissões globais.

O estudo foi elaborado por especialistas da Nova Zelândia sob encomenda do Greenpeace. Ele considera que o Redd tem o potencial para trazer reduções no curto e médio prazos, o que ajudaria a atingir metas que forem definidas para o ano de 2020 no novo regime de proteção do clima, a ser negociado em dezembro em Copenhague. Porém, defende que se deve reduzir o desmatamento usando recursos de outras fontes, não do mercado.

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“Créditos florestais baratos soam atraentes, mas eles são uma opção perigosa que não irá salvar as florestas ou parar as galopantes alterações climáticas. Entre as muitas opções de financiamento na área de floresta na mesa, esta é a pior”, disse Roman Czebiniak, do Greenpeace International.

Inundação – O governo brasileiro vai na mesma linha: de que se as florestas entrarem nesse mercado de carbono, podem inundá-lo com créditos baratos – o que torna mais fácil para os países ricos comprarem créditos do que reduzirem suas emissões. Créditos na área de energia valeriam o dobro ou mais.

O Brasil defende que seja ampliada a ideia do Fundo Amazônia, em que os países doam recursos voluntariamente para reduzir o desmatamento. (Fonte: Afra Balazina/ Folha Online)