26 de fevereiro de 2015 | nenhum comentário »

Pássaro tem penugem que imita lagarta venenosa para se proteger

Estudo observou filhote de ave amazônica chorona-cinza, que vive no Peru.
Ao ficar parecido com lagarta venenosa, filhote se protege dos predadores.

  Imagem de cima mostra filhote da ave chorona-cinza (Laniocera hypopyrra); imagem de baixo mostra uma lagarta venenosa da área (do gênero Megalopyge ou Podalia sp), que tem padrão parecido com a plumagem da ave (Foto: Santiago David Rivera/Wendy Valencia/Divulgação)

Imagem de cima mostra filhote da ave chorona-cinza (Laniocera hypopyrra); imagem de baixo mostra uma lagarta venenosa encontrada na mesma região (do gênero Megalopyge ou Podalia sp), que tem padrão parecido com a plumagem da ave (Foto: Santiago David Rivera/Wendy Valencia/Divulgação)

Um pássaro amazônico que vive no sudeste do Peru desenvolveu uma curiosa estratégia de defesa contra os predadores. Quando filhote, a chorona-cinza (Laniocera hypopyrra) tem uma penugem que lembra os pelos de uma lagarta venenosa que vive na região.

A descoberta do mimetismo foi feita por pesquisadores que participavam de um estudo ecológico sobre aves em 2012 na região. Eles notaram que o padrão das penugens da espécie eram muito peculiares: com fiapos longos de cor laranja vibrante e pontas brancas.

Os cientistas observaram que os filhotes moviam suas cabeças  vagarosamente de um lado para o outro, movimento parecido com o de algumas lagartas. Em seguida, constataram a presença de uma lagarta, do gênero Megalopyge ou Podalia sp, com os mesmos padrões de cores da penugem do passarinho.

A hipótese defendida pelos pesquisadores é que se trata de uma estratégia de mimetismo batesiano, em que o animal desenvolve características que o fazem parecer com uma outra espécie mais perigosa, afastando os predadores.

O resultado da pesquisa foi publicado na edição de janeiro da revista científica “The American Naturalist”.

Fonte: Globo Natureza


28 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Mecanismo de defesa de cefalópodes é usado há 160 milhões de anos

Descoberta de melanina em bolsas de tinta de antepassados da lula leva pesquisadores a concluir que a produção dessa substância existe desde o período Jurássico

Um grupo internacional de cientistas descobriu a presença de melanina em duas bolsas de tinta pertencentes a fósseis de cefalópodes de 160 milhões de anos. O pigmento encontrado é praticamente idêntico ao de linhagens descendentes do animal pré-histórico estudado: lulas, sépias e polvos. O estudo envolveu pesquisadores dos Estados Unidos, Índia, Japão e Reino Unido e foi publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Para chegar a esses resultados, os cientistas analisaram um fóssil encontrado há dois anos no Sudoeste da Inglaterra. A descoberta indica que o mecanismo de defesa usado por cefalópodes — como sépias, polvos e lulas — que consiste na liberação de tinta para confundir e assustar seus predadores, é a mesma desde o período Jurássico (compreendido entre 199 milhões e 145 milhões de anos atrás).

“Embora os outros componentes orgânicos dos cefalópode que estudamos já tenham se esvaído há muito tempo, nós descobrimos através de vários métodos de pesquisa que a melanina se manteve em uma situação em que conseguimos estudá-la com um detalhamento profundo”, disse John Simon, químico e professor da Universidade de Virginia e um dos autores do estudo.

Uma das bolsas de tinta estudada é única intacta já descoberta. Phillip Wilby, do Centro Britânico de Pesquisa Geológica encontrou as bolsas em Christian Malford, Wiltshire, oeste de Londres, perto de Bristol. As amostras foram analisadas por um grupo de especialistas em melanina que, usando avançados métodos químicos, concluiu que a melanina foi preservada ao longo do tempo.

Em uma segunda etapa, os pesquisadores compararam a composição química da melanina do fóssil ao pigmento de sépias contemporâneas, Sepia officinalis, molusco encontrado nos mares Mediterrâneo, Norte e Báltico.

A análise mostrou que as substâncias são bastante semelhantes. “A aproximação entre elas é suficiente para que eu argumente que a pigmentação nessa classe de animais não sofreu evoluções em um período de 160 milhões de anos”, disse Simon.

“É muito curioso que esta poderosa arma de defesa não tenha ainda se tornado obsoleta, tendo sido preservada e utilizada provavelmente por toda esta imensidão temporal. Talvez, do ponto de vista evolutivo, este equipamento tenha sido o grande responsável pela longa existência destes animais nos oceanos”, afirma Luiz Eduardo Anelli, paleontólogo da Universidade de São Paulo (USP), que não participou do estudo.

Exceção — Cientistas explicam que geralmente o tecido animal se degrada rapidamente, já que é composto em sua maioria por proteína. Passados milhões de anos, tudo que se pode encontrar de um animal são os restos de esqueleto ou uma impressão da forma do material em rochas da região onde ele estava. Muito se pode descobrir sobre um animal através de seus ossos e suas impressões, mas na ausência de matéria orgânica, muitas questões permanecem sem resposta.

Os autores explicam que a melanina é uma exceção. Embora seja orgânica, ela é altamente resistente à degradação ao longo do tempo.

“De todos os pigmentos orgânicos encontrados em seres vivos, a melanina é a que possui maiores condições de ser encontrada em fósseis”, explica Simon. “Esse atributo também traz um desafio ao estudo. Nós tivemos que usar métodos inovadores da química, da biologia e da física para separar a melanina do material inorgânico.”

Saiba mais

MELANINA
Melanina é um pigmento biológico encontrado em bactérias, fungos, plantas e animais que tem uma série de funções ecológicas e bioquímicas: ajuda animais a se proteger contra predadores, raios solares nocivos, causadores de doenças e também compõem a aparência física que alguns animais usam como atração de seus pares para reprodução, como é o caso nas penas coloridas de algumas aves.

CEFALÓPODES
Classe de moluscos invertebrados ao qual pertencem a lula, o polvo e a sépia. Esses animais produzem uma tinta escura que é usada como mecanismo de defesa: ao se sentirem ameaçados, contraem a glândula de tinta e lançam na água uma grande nuvem negra que assusta e distrai um possível predador. Essa classe leva esse nome porque uma de suas características é a presença de tentáculos – espécie de patas – ligados à cabeça do animal.

bolsa de tinta

Cientistas encontraram melanina preservada em bolsas de tinta de fóssil de 160 milhões de anos (British Geological Society)

Fonte: Veja Ciência


4 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Poluição sonora atrapalha ‘diálogo’ de aves

Você odeia ser interrompido durante uma boa conversa com os amigos? Agora imagine se isso acontecesse o tempo todo. Deve ser assim que os psitacídeos, passarinhos como os papagaios, os periquitos e as araras, se sentem no cerrado brasileiro.

Quem identificou possíveis interferências na comunicação entre os bichos foi o biólogo Carlos Barros de Araújo, em sua tese de doutorado na Unicamp. Após sete anos de pesquisa de campo nos Estados de Goiás e Tocantins e no Distrito Federal, Araújo demonstra que essas aves conseguem “bater um papinho” a distâncias de até 1,5 km.

Essa comunicação de longo alcance faz parte da dinâmica de vida dos bichos, que se separam em bandos pequenos durante o dia para se alimentar e avisam uns aos outros onde achar comida. “O que você vê em campo são esses pequenos bandos se juntando e se separando constantemente.”

Proteger o grupo contra inimigos e afastar possíveis rivais também são outras utilidades dessa comunicação.

Segundo Araújo, já foi possível identificar notas emitidas em contextos específicos, como a sinalização feita por sentinelas. “Um indivíduo fica na copa da árvore observando a presença de predadores e emitindo um som de intensidade baixa. Quando um deles se aproxima, o sentinela emite uma nota de alarme para avisar aos demais.”

A interferência do homem, no entanto, tem reduzido a distância na comunicação entre os animais de 1.500 m para menos de 50 m.

“Se você corta a comunicação, você corta a capacidade de informar onde tem alimento. [A ave] vai ter uma menor probabilidade de sobrevivência e de reprodução”, afirma o biólogo.

A interferência sonora pode até fazer o animal mudar seu canto. “Muitas espécies passam a cantar em frequências mais agudas e com uma maior intensidade quando submetidas a ruídos de grande intensidade.”

As medições realizadas pelo biólogo foram feitas em fazendas e também na Universidade de Brasília, um ambiente urbano mas bem tranquilo se comparado ao centro de grandes cidades. Mesmo assim, já foi percebida a grande redução no raio de comunicação entre as aves.

Barreiras sonoras em rodovias e avenidas perto de áreas onde os bichos vivem podem ajudar a protegê-los.

“Ao lado do Parque Nacional de Brasília passa uma grande rodovia. Em uma área que tem 80 decibéis de ruído é claro que os pássaros serão afetados de alguma forma.”

A próxima etapa do trabalho, que centrou esforços no estudo do periquito-rei, do maracanã-nobre e da arara-de-barriga-amarela, será descobrir o impacto da poluição sonora na sobrevivência dos bichos. “Estamos correndo contra o tempo.”

Casal de periquito-do-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri), no Parque Nacional de Brasí­lia. Espécie foi uma das estudadas sobre o prejuí­zo causado pela poluição sonora humana na comunicação entre os psitacídeos

Casal de periquito-do-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri), no Parque Nacional de Brasí­lia. Espécie foi uma das estudadas sobre o prejuí­zo causado pela poluição sonora humana na comunicação entre os psitacídeos. Foto: Divulgação

Editoria de arte/Folhapress

 

Fonte: Folha.com


24 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Vespas farejam pulgões imunes e mudam estratégia de ataque

Bactéria ajuda pulgão a impedir crescimento de larvas parasitas de vespa.
Para bloquear a defesa, ela deposita mais ovos no hospedeiro.

A vespa parasita Asphidius ervi pode farejar pulgões de ervilha resistentes a seus ataques e modificar a estratégia para infectá-lo, segundo estudo publicado nesta sexta-feira (24) no jornal científico “BMC Biology”

Pulgões não imunes são contaminados com apenas um ovo de vespa. Dele, nasce uma larva que se alimenta do próprio inseto. Já os resistentes têm a bactéria simbióticaHamiltonella defensa que não permite que a larva se desenvolva.

Para romper a proteção dos pulgões imunes, as vespas depositam dois ovos no hospedeiro. As secreções liberadas na germinação dos dois ovos derrotam a defesa bacteriana. No entanto, apenas um dos ovos vai germinar e, consequentemente, uma larva vai sobreviver.

“Nós descobrimos que a A. ervi deposita dois ovos nos hospedeiros infectados [por Hamiltonella defensa] e apenas um ovo nos pulgões desprotegidos. Nós não sabemos ao certo como as vespas fazem a discriminação”, disse o pesquisador Kerry Oliver, que coordenou a pesquisa. Segundo ele, os pulgões que têm a bactéria liberam um tipo de substância que pode ser reconhecido pelas vespas.

Vespa parasita ataca o pulgão de ervilha e deposita ovos dentro dele. (Foto: Divulgação / Alex Wild)

Vespa parasita ataca pulgão de ervilha e deposita ovos dentro dele. (Foto: Divulgação / Alex Wild)

Fonte: Globo Natureza, São Paulo






Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

maio 2018
S T Q Q S S D
« mar    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

26 de fevereiro de 2015 | nenhum comentário »

Pássaro tem penugem que imita lagarta venenosa para se proteger

Estudo observou filhote de ave amazônica chorona-cinza, que vive no Peru.
Ao ficar parecido com lagarta venenosa, filhote se protege dos predadores.

  Imagem de cima mostra filhote da ave chorona-cinza (Laniocera hypopyrra); imagem de baixo mostra uma lagarta venenosa da área (do gênero Megalopyge ou Podalia sp), que tem padrão parecido com a plumagem da ave (Foto: Santiago David Rivera/Wendy Valencia/Divulgação)

Imagem de cima mostra filhote da ave chorona-cinza (Laniocera hypopyrra); imagem de baixo mostra uma lagarta venenosa encontrada na mesma região (do gênero Megalopyge ou Podalia sp), que tem padrão parecido com a plumagem da ave (Foto: Santiago David Rivera/Wendy Valencia/Divulgação)

Um pássaro amazônico que vive no sudeste do Peru desenvolveu uma curiosa estratégia de defesa contra os predadores. Quando filhote, a chorona-cinza (Laniocera hypopyrra) tem uma penugem que lembra os pelos de uma lagarta venenosa que vive na região.

A descoberta do mimetismo foi feita por pesquisadores que participavam de um estudo ecológico sobre aves em 2012 na região. Eles notaram que o padrão das penugens da espécie eram muito peculiares: com fiapos longos de cor laranja vibrante e pontas brancas.

Os cientistas observaram que os filhotes moviam suas cabeças  vagarosamente de um lado para o outro, movimento parecido com o de algumas lagartas. Em seguida, constataram a presença de uma lagarta, do gênero Megalopyge ou Podalia sp, com os mesmos padrões de cores da penugem do passarinho.

A hipótese defendida pelos pesquisadores é que se trata de uma estratégia de mimetismo batesiano, em que o animal desenvolve características que o fazem parecer com uma outra espécie mais perigosa, afastando os predadores.

O resultado da pesquisa foi publicado na edição de janeiro da revista científica “The American Naturalist”.

Fonte: Globo Natureza


28 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Mecanismo de defesa de cefalópodes é usado há 160 milhões de anos

Descoberta de melanina em bolsas de tinta de antepassados da lula leva pesquisadores a concluir que a produção dessa substância existe desde o período Jurássico

Um grupo internacional de cientistas descobriu a presença de melanina em duas bolsas de tinta pertencentes a fósseis de cefalópodes de 160 milhões de anos. O pigmento encontrado é praticamente idêntico ao de linhagens descendentes do animal pré-histórico estudado: lulas, sépias e polvos. O estudo envolveu pesquisadores dos Estados Unidos, Índia, Japão e Reino Unido e foi publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Para chegar a esses resultados, os cientistas analisaram um fóssil encontrado há dois anos no Sudoeste da Inglaterra. A descoberta indica que o mecanismo de defesa usado por cefalópodes — como sépias, polvos e lulas — que consiste na liberação de tinta para confundir e assustar seus predadores, é a mesma desde o período Jurássico (compreendido entre 199 milhões e 145 milhões de anos atrás).

“Embora os outros componentes orgânicos dos cefalópode que estudamos já tenham se esvaído há muito tempo, nós descobrimos através de vários métodos de pesquisa que a melanina se manteve em uma situação em que conseguimos estudá-la com um detalhamento profundo”, disse John Simon, químico e professor da Universidade de Virginia e um dos autores do estudo.

Uma das bolsas de tinta estudada é única intacta já descoberta. Phillip Wilby, do Centro Britânico de Pesquisa Geológica encontrou as bolsas em Christian Malford, Wiltshire, oeste de Londres, perto de Bristol. As amostras foram analisadas por um grupo de especialistas em melanina que, usando avançados métodos químicos, concluiu que a melanina foi preservada ao longo do tempo.

Em uma segunda etapa, os pesquisadores compararam a composição química da melanina do fóssil ao pigmento de sépias contemporâneas, Sepia officinalis, molusco encontrado nos mares Mediterrâneo, Norte e Báltico.

A análise mostrou que as substâncias são bastante semelhantes. “A aproximação entre elas é suficiente para que eu argumente que a pigmentação nessa classe de animais não sofreu evoluções em um período de 160 milhões de anos”, disse Simon.

“É muito curioso que esta poderosa arma de defesa não tenha ainda se tornado obsoleta, tendo sido preservada e utilizada provavelmente por toda esta imensidão temporal. Talvez, do ponto de vista evolutivo, este equipamento tenha sido o grande responsável pela longa existência destes animais nos oceanos”, afirma Luiz Eduardo Anelli, paleontólogo da Universidade de São Paulo (USP), que não participou do estudo.

Exceção — Cientistas explicam que geralmente o tecido animal se degrada rapidamente, já que é composto em sua maioria por proteína. Passados milhões de anos, tudo que se pode encontrar de um animal são os restos de esqueleto ou uma impressão da forma do material em rochas da região onde ele estava. Muito se pode descobrir sobre um animal através de seus ossos e suas impressões, mas na ausência de matéria orgânica, muitas questões permanecem sem resposta.

Os autores explicam que a melanina é uma exceção. Embora seja orgânica, ela é altamente resistente à degradação ao longo do tempo.

“De todos os pigmentos orgânicos encontrados em seres vivos, a melanina é a que possui maiores condições de ser encontrada em fósseis”, explica Simon. “Esse atributo também traz um desafio ao estudo. Nós tivemos que usar métodos inovadores da química, da biologia e da física para separar a melanina do material inorgânico.”

Saiba mais

MELANINA
Melanina é um pigmento biológico encontrado em bactérias, fungos, plantas e animais que tem uma série de funções ecológicas e bioquímicas: ajuda animais a se proteger contra predadores, raios solares nocivos, causadores de doenças e também compõem a aparência física que alguns animais usam como atração de seus pares para reprodução, como é o caso nas penas coloridas de algumas aves.

CEFALÓPODES
Classe de moluscos invertebrados ao qual pertencem a lula, o polvo e a sépia. Esses animais produzem uma tinta escura que é usada como mecanismo de defesa: ao se sentirem ameaçados, contraem a glândula de tinta e lançam na água uma grande nuvem negra que assusta e distrai um possível predador. Essa classe leva esse nome porque uma de suas características é a presença de tentáculos – espécie de patas – ligados à cabeça do animal.

bolsa de tinta

Cientistas encontraram melanina preservada em bolsas de tinta de fóssil de 160 milhões de anos (British Geological Society)

Fonte: Veja Ciência


4 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Poluição sonora atrapalha ‘diálogo’ de aves

Você odeia ser interrompido durante uma boa conversa com os amigos? Agora imagine se isso acontecesse o tempo todo. Deve ser assim que os psitacídeos, passarinhos como os papagaios, os periquitos e as araras, se sentem no cerrado brasileiro.

Quem identificou possíveis interferências na comunicação entre os bichos foi o biólogo Carlos Barros de Araújo, em sua tese de doutorado na Unicamp. Após sete anos de pesquisa de campo nos Estados de Goiás e Tocantins e no Distrito Federal, Araújo demonstra que essas aves conseguem “bater um papinho” a distâncias de até 1,5 km.

Essa comunicação de longo alcance faz parte da dinâmica de vida dos bichos, que se separam em bandos pequenos durante o dia para se alimentar e avisam uns aos outros onde achar comida. “O que você vê em campo são esses pequenos bandos se juntando e se separando constantemente.”

Proteger o grupo contra inimigos e afastar possíveis rivais também são outras utilidades dessa comunicação.

Segundo Araújo, já foi possível identificar notas emitidas em contextos específicos, como a sinalização feita por sentinelas. “Um indivíduo fica na copa da árvore observando a presença de predadores e emitindo um som de intensidade baixa. Quando um deles se aproxima, o sentinela emite uma nota de alarme para avisar aos demais.”

A interferência do homem, no entanto, tem reduzido a distância na comunicação entre os animais de 1.500 m para menos de 50 m.

“Se você corta a comunicação, você corta a capacidade de informar onde tem alimento. [A ave] vai ter uma menor probabilidade de sobrevivência e de reprodução”, afirma o biólogo.

A interferência sonora pode até fazer o animal mudar seu canto. “Muitas espécies passam a cantar em frequências mais agudas e com uma maior intensidade quando submetidas a ruídos de grande intensidade.”

As medições realizadas pelo biólogo foram feitas em fazendas e também na Universidade de Brasília, um ambiente urbano mas bem tranquilo se comparado ao centro de grandes cidades. Mesmo assim, já foi percebida a grande redução no raio de comunicação entre as aves.

Barreiras sonoras em rodovias e avenidas perto de áreas onde os bichos vivem podem ajudar a protegê-los.

“Ao lado do Parque Nacional de Brasília passa uma grande rodovia. Em uma área que tem 80 decibéis de ruído é claro que os pássaros serão afetados de alguma forma.”

A próxima etapa do trabalho, que centrou esforços no estudo do periquito-rei, do maracanã-nobre e da arara-de-barriga-amarela, será descobrir o impacto da poluição sonora na sobrevivência dos bichos. “Estamos correndo contra o tempo.”

Casal de periquito-do-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri), no Parque Nacional de Brasí­lia. Espécie foi uma das estudadas sobre o prejuí­zo causado pela poluição sonora humana na comunicação entre os psitacídeos

Casal de periquito-do-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri), no Parque Nacional de Brasí­lia. Espécie foi uma das estudadas sobre o prejuí­zo causado pela poluição sonora humana na comunicação entre os psitacídeos. Foto: Divulgação

Editoria de arte/Folhapress

 

Fonte: Folha.com


24 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Vespas farejam pulgões imunes e mudam estratégia de ataque

Bactéria ajuda pulgão a impedir crescimento de larvas parasitas de vespa.
Para bloquear a defesa, ela deposita mais ovos no hospedeiro.

A vespa parasita Asphidius ervi pode farejar pulgões de ervilha resistentes a seus ataques e modificar a estratégia para infectá-lo, segundo estudo publicado nesta sexta-feira (24) no jornal científico “BMC Biology”

Pulgões não imunes são contaminados com apenas um ovo de vespa. Dele, nasce uma larva que se alimenta do próprio inseto. Já os resistentes têm a bactéria simbióticaHamiltonella defensa que não permite que a larva se desenvolva.

Para romper a proteção dos pulgões imunes, as vespas depositam dois ovos no hospedeiro. As secreções liberadas na germinação dos dois ovos derrotam a defesa bacteriana. No entanto, apenas um dos ovos vai germinar e, consequentemente, uma larva vai sobreviver.

“Nós descobrimos que a A. ervi deposita dois ovos nos hospedeiros infectados [por Hamiltonella defensa] e apenas um ovo nos pulgões desprotegidos. Nós não sabemos ao certo como as vespas fazem a discriminação”, disse o pesquisador Kerry Oliver, que coordenou a pesquisa. Segundo ele, os pulgões que têm a bactéria liberam um tipo de substância que pode ser reconhecido pelas vespas.

Vespa parasita ataca o pulgão de ervilha e deposita ovos dentro dele. (Foto: Divulgação / Alex Wild)

Vespa parasita ataca pulgão de ervilha e deposita ovos dentro dele. (Foto: Divulgação / Alex Wild)

Fonte: Globo Natureza, São Paulo