21 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisadores do clima dizem ter resolvido mistério da elevação do mar

Extração de águas subterrâneas explicariam parte do aumento dos níveis.
Causas da elevação do nível do oceano ainda não são totalmente conhecidas.

A extração massiva de águas subterrâneas pode resolver um mistério relacionado à elevação dos níveis do mar nas últimas décadas, pesquisadores japoneses informaram neste domingo (20).

Especialistas estimam que os níveis globais do mar tenham aumentado, em média, 1,8 milímetros por ano de 1961 a 2003, mas a grande questão é o quanto disso pode ser atribuído ao aquecimento global.

Um relatório de 2007 divulgado no Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU, o IPCC, atribuía a elevação de 1,1 milímetros por ano à expansão térmica dos oceanos e ao degelo das geleiras, calotas polares e calotas da Groenlândia e da Antártida. Os outros 0,7 milímetros não têm origem atribuída e acabaram se tornando um mistério para vários cientistas, que se perguntavam se os dados estavam realmente corretos.

Em um estudo publicado no jornal “Nature Geoscience”, um time de pesquisadores liderado por Yadu Pokhrel, da Universidade de Tóquio, diz que a resposta está na água que é extraída dos aquíferos subterrâneos, rios e lagos, para o desenvolvimento humano, e nunca é reposta.

Eventualmente, essa água chega ao oceano por meio de rios e da evaporação, informa o estudo. A pesquisa afirma que a extração dessa água é um componente importante para resolver o mistério da elevação dos níveis do ar.

“O uso insustentável das águas subterrâneas, represas artificiais, armazenamento terrestre de água causado pelo clima e a perda de água de bacias fechadas contribuíram para o aumento dos mares de 0,77 milímetros por ano de 1961 a 2003, cerca de 42% do aumento observado”, diz a pesquisa.

O estudo pretende preencher uma das lacunas na complexa ciência das mudanças climáticas. Os pesquisadores admitem que existem muitas incógnitas sobre as maneiras com as quais os oceanos respondem ao aquecimento, e uma delas é relacionada ao aumento dos níveis do mar.

Mesmo que pequeno, um aumento repetido ano após ano pode, eventualmente, causar um impacto dramático nas localizações que são vulneráveis a tempestades ou ao influxo de água salgada nos aquíferos e campos costeiros.

O estudo divulgado em 2007 pelo IPCC revela que os oceanos se elevarão algo entre 18 e 59 centímetros até o final do século. Apesar disso, a estimativa não leva em consideração às águas derretidas das calotas da Groenlândia e da Antártida.

Uma pesquisa publicada no ano passado pelo Projeto de Monitoramento e Avaliação do Ártico afirma que os níveis do mar subirão, pelas tendências atuais de derretimento, de 90 centímetros a 1,6 metros até 2100.

Fonte: Globo Natureza


12 de março de 2012 | nenhum comentário »

Groenlândia seria mais sensível ao aquecimento do que se pensava

Aumento pequeno de temperatura derreteria todo o gelo no longo prazo.
Elevação de 2ºC, limite sugerido pela ONU, provocaria degelo em 50 mil anos.

A cobertura de gelo da Groenlândia está mais sensível ao aquecimento global do que se pensava. Uma elevação relativamente pequena da temperatura no longo prazo derreteria o gelo completamente, segundo estudo publicado na revista “Nature Climate Change”, neste domingo (11).

Pesquisas anteriores sugeriram que seria necessário um aquecimento de pelo menos 3,1 º C acima dos níveis pré-industriais, , em uma faixa de 1,9ºC a 5,1º C, para derreter completamente a camada de gelo. Mas novas estimativas estabelecem o limite em 1,6 º C em uma faixa de 0,8 º C a 3,2 º C, embora esta temperatura tenha que ser mantida por dezenas de milhares de anos para apresentar este efeito.

Groenlândia é, depois da Antártica, a maior reserva de água congelada em terra. Se derreter completamente, provocará uma elevação do nível do mar em 7,2 metros, encharcando deltas e terras baixas.

Segundo o estudo, se o aquecimento global se limitar a 2 º C, uma meta estabelecida em negociações climáticas da ONU, o derretimento completo aconteceria em uma escala de tempo de 50 mil anos.

Acima de 2ºC
As emissões atuais de carbono, no entanto, situam o aquecimento muito além desta meta. Se não forem controladas, um quinto da cobertura de gelo derreteria no prazo de 500 anos. Em 2 mil anos, seria extinta, segundo o estudo.

O estudo foi feito por cientistas do Instituto Postdam de Pesquisa sobre o Impacto do Clima (PIK) e da Universidade Complutense de Madri. Segundo eles, o risco de perda total do gelo parece remota, em vista da imensa escala de tempo, porém alertaram que suas descobertas contestam muitas suposições sobre a estabilidade da cobertura de gelo com relação ao aquecimento no longo prazo.

A atmosfera terrestre já se aqueceu 0,8 º C desde o início da Revolução Industrial, em meados do século XVIII, e o dióxido de carbono emitido hoje ainda perdurará por séculos. A cobertura de gelo é vulnerável a um tipo de círculo vicioso, também conhecido como “feedback positivo”, que impulsiona o derretimento, segundo o artigo.

Derretimento
Chegando a 3.000 metros de espessura em alguns lugares, a cobertura de gelo se beneficia hoje do efeito protetor de altitudes maiores e mais frias. Mas quando derrete, a superfície desce para altitudes mais baixas, com temperaturas mais elevadas, demonstra o modelo de computador.

Além disso, porções de terra expostas pelo gelo absorvem radiação por serem mais escuras e não refletirem a luz. À medida que se aquecem, elas ajudam a derreter o gelo em seus arredores.

“Nosso estudo demonstra que, sob certas condições, o derretimento da cobertura de gelo da Groenlândia se torna irreversível. Isto sustenta a noção de que a cobertura de gelo é um elemento preponderante no sistema terrestre”, disse Andrey Ganopolski, cientista do PIK.

“Se a temperatura global superar o limiar significativamente a longo prazo, o gelo continuará a derreter e não se recuperará, mesmo se o clima voltar, após milhares de anos, aos níveis pré-industriais”, acrescentou.

Foto tirada em 12 de julho e liberada pelo Greenpeace mostra seção no glaciar Petermann. Um pedaço gigantesco de gelo, de 260 quilômetros quadrados, se soltou da geleira na Groelândia.   (Foto: AFP)

Mesmo um pequeno aumento de temperatura provocaria derretimento de toda a cobertura de gelo da Groenlândia (Foto: AFP)

Fonte: Da France Presse


2 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Degelo no Ártico acelera aquecimento mais do que o previsto

Derretimento de solo permanentemente congelado libera carbono.
Artigo foi publicado pela revista ‘Nature’.

O degelo do permafrost, solo permanentemente congelado do Ártico, pode acelerar o aquecimento global mais do que o previsto, afirmou nesta quarta-feira (30) um grupo de cientistas, em artigo publicado pela revista “Nature”.

Por volta do ano de 2100, o volume de carbono liberado pelo pergelissolo poderia ser entre “1,7 e 5,2 vezes maior” do que o tinha sido previsto até agora, segundo a importância do aquecimento na superfície da terra.

O volume liberado é comparável ao dos gases causadores de efeito estufa resultante do desmatamento atualmente, mas o impacto no clima seria 2,5 vezes maior, já que grande parte do gás emitido será metano (CH4), com efeito 25 vezes maior sobre o aquecimento global do que o dióxido de carbono (CO2).

Atualmente, o desmatamento produz 20% do total de gases de efeito estufa responsáveis pelo aquecimento do planeta.

A publicação deste artigo coincide com a realização da conferência das Nações Unidas sobre o combate ao aquecimento global, inaugurada na segunda-feira passada em Durban (África do Sul) e que visa a dar um novo impulso às negociações sobre o Protocolo de Kyoto.

O permafrost cobre permanentemente cerca de um quarto das terras do hemisfério norte. Trata-se de uma reserva gigantesca de carbono orgânico, que contém restos de plantas e animais que foram se acumulando durante séculos. Com o degelo deste solo, estes materiais começam a se decompor, liberando na atmosfera parte deste carbono, na forma de metano e dióxido de carbono.

Segundo estudos anteriores, este fenômeno já teria começado a acontecer em partes da tundra e em alguns lagos de gelo.

No total, as terras do Ártico conteriam 1,7 bilhão de toneladas de carbono.

Isto representa “cerca de quatro vezes mais do que todo o carbono emitido pelas atividades humanas nos tempos modernos e o dobro do que a atmosfera contém atualmente”, afirmam os biólogos americanos Edward Schuur e Benjamin Abbott.

Segundo estes cientistas e cerca de 40 outros especialistas da rede Permafrost Carbon Research Network, que assinaram o estudo, isto representa “o triplo” do estimado anteriormente pelos modelos de mudanças do clima.

Fonte: Da France Presse


29 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Ano de 2011 é o 10º mais quente; degelo no Ártico é recorde

O aumento na temperatura tornou 2011 o décimo ano mais quente da história, segundo a WMO (World Meteorological Organization).

O relatório da agência de meteorologia ligada à ONU, que fornece um panorama do clima em nível global, indica também que a extensão do gelo ártico é o segundo menor.

Os dados, divulgados nesta terça-feira durante a COP-17 (17ª Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas), mostram que a temperatura sofreu uma pequena redução pela ação do La Niña, fenômeno que costuma provocar o resfriamento das águas do oceano Pacífico, mas ainda assim 2011 foi considerado quente para os padrões.

“Nossa ciência é sólida e prova inequivocadamente que o mundo está se aquecendo, e esse aquecimento é em razão da atividade humana”, comentou o secretário-geral da WMO, Michel Jarraud.

Jarraud acrescentou que as emissões de gases-estufa estão em seus níveis mais altos, fazendo com que haja um aumento de 2 a 2,4 graus Celsius na temperatura global.

Segundo estimam cientistas, esse cenário pode levar a mudança profundas e irreversíveis do planeta Terra, da sua biosfera e de seus oceanos.

A WMO também alertou para o degelo que ocorre no Ártico. Em 9 de setembro deste ano, a área do gelo chegou ao patamar de 4,33 milhões de quilômetros quadrados.

O número é 35% inferior à média registrada entre 1979-2000 e um pouco mais do que o recorde mais baixo já registrado em 2007.

Fonte: Folha.com


6 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Estudo diz que quantidade de gelo no Ártico atingiu recorde negativo

Cálculo foi feito em relação à espessura da camada de gelo.
Degelo pode desencadear problemas como aumento do nível do mar.

A quantidade de gelo que cobre o Ártico caiu no verão boreal de 2010 ao mínimo já registrado, afirmam pesquisadores. Os resultados do estudo serão publicados oficialmente em breve e sugerem que o afinamento do gelo superou a recuperação na área.

O estudo estimou que a cobertura de gelo no Ártico em 2010 — calculada com base na sua espessura e extensão — foi inferior ao recorde negativo anterior, em 2007, refletindo a tendência global de aquecimento.

Cientistas preveem que o Ártico pode ficar totalmente sem gelo durante o verão daqui a algumas décadas. Isso criaria oportunidades lucrativas em áreas como navegação e exploração de petróleo, mas também teria consequências climáticas para o mundo todo, a começar pelo aumento do nível dos mares.

Os autores do estudo, da Universidade de Washington, em Seattle, desenvolveram um modelo para estimar a espessura do gelo no oceano Ártico com base em medições dos ventos e da temperatura atmosférica e oceânica. Os resultados foram comparados com amostras reais.

“O fato realmente preocupante é a tendência de redução nos últimos 32 anos”, disse Axel Schweiger, principal autor do estudo, referindo-se aos registros por satélite do Ártico. A redução em 2010, segundo o estudo intitulado “Incerteza no volume de gelo marinho do Ártico estimado por modelos”, foi “por uma margem suficiente para estabelecer um novo recorde estatisticamente significativo”.

Schweiger divulgou os dados em email à reportagem da Reuters a bordo do quebra-gelo Arctic Sunrise, do Greenpeace, que está no oceano Ártico, entre a ilha norueguesa de Svalbard e o Polo Norte.

A espessura do gelo é tão importante quanto a sua extensão, ou até mais, para entender o que está acontecendo no Ártico. Alguns especialistas argumentam que a redução dramática na extensão da camada de gelo nos últimos anos ocorre por causa de um afinamento constante nas últimas décadas.

O método usado no estudo é criticado por alguns especialistas, que o consideram menos preciso que as observações diretas. Os autores argumentam, porém, que a tendência geral de afinamento do gelo acaba sendo registrada por esse método.

Na semana passada — faltando ainda duas semanas para o fim da temporada do degelo — a cobertura de gelo no oceano Ártico ficou abaixo dos 4,6 milhões de quilômetros quadrados. A menor extensão já registrada foram 4,13 milhões de quilômetros quadrados em 2007.

O gelo marítimo propriamente dito não eleva o nível do mar quando se descongela, mas o aquecimento do Ártico pode acelerar o derretimento da camada de gelo da Groenlândia, que é composta por água doce acumulada sobre a terra, num volume suficiente para elevar o nível global dos oceanos em 7 metros.

Fonte: Da Reuters


27 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Aquecimento do Ártico está liberando na atmosfera substâncias tóxicas presas em gelo e água

Mais um problema do aquecimento global.

O aquecimento do Ártico está liberando na atmosfera substâncias químicas tóxicas que estavam presas no gelo e na água gelada, descobriram cientistas canadenses e noruegueses. Os pesquisadores avisam que a quantidade de material venenoso na região polar é desconhecida e sua liberação poderia “minar os esforços globais para reduzir a exposição ambiental e humana a eles”.

De acordo com reportagem publicada no “Guardian”, os produtos químicos incluem os pesticidas DDT, lindano e clordano, assim como os bifenil policlorados (PCBs, na sigla em inglês) e o fungicida hexaclorobenzeno (HCB). Todos eles são conhecidos como poluentes orgânicos persistentes (POPs), proibidos pela Convenção de Estocolmo em 2004.

Os Pops podem causar canceres e má formação em fetos. Eles levam muito tempo para se degradarem. Nas últimas décadas, as baixas temperaturas do Ártico prenderam as substâncias em gelo e água resfriada. Mas cientistas no Canadá e na Noruega descobriram que o aquecimento global está liberando esses compostos novamente. O trabalho dos cientistas está publicado na “Nature Climate Change”.

Fonte: O Globo


26 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Onda de calor no hemisfério Norte acelera degelo no Ártico

A onda de calor que atingiu o hemisfério Norte neste mês acelerou o degelo sazonal do Ártico. Cientistas americanos alertam que a região pode ter em 2011 a menor extensão de gelo marinho já registrada.

Segundo o NSIDC (Centro Nacional de Dados de Gelo e Neve dos EUA), o gelo marinho no oceano Ártico está “a caminho de ficar abaixo do nível de 2007″, quando bateu seu recorde.

Naquele ano, a Passagem Noroeste, que liga o Atlântico ao Pacífico pelo norte do Canadá, foi aberta pelo degelo pela primeira vez em séculos.

A passagem ainda não se abriu neste ano. Mas no último domingo a área coberta pelo gelo marinho era de 7,56 milhões de quilômetros quadrados, quase 3 milhões de quilômetros quadrados inferior à média 1979-2000.

“A extensão está menor nesta época do ano em 2011 do que em 2007″, disse à FolhaJosefino Comiso, da Nasa.

Segundo ele, um sinal positivo é que há mais gelo marinho espesso (menos propenso a derreter) neste ano. “No entanto, relata-se que as temperaturas no Ártico estão relativamente altas, e de fato poderemos ter um novo recorde de redução do gelo permanente neste ano.”

Em julho, o Ártico tem perdido a cada dia uma área maior que a do Estado de Pernambuco em sua cobertura de mar congelado.

Isso se deve às temperaturas anormais: o polo Norte está de 6ºC a 8ºC mais quente que o normal neste mês. No litoral da Sibéria, elas estão de 3ºC a 5ºC maiores que o normal.

PULSO

O gelo marinho no Ártico tem um “pulso anual”: ele atinge sua extensão máxima na primavera, em abril, e sua mínima em setembro, no outono. O aquecimento do planeta tem causado mais degelo no verão e menos recongelamento no inverno.

O gelo e a neve refletem 90% da radiação solar de volta para o espaço. O mar exposto pelo derretimento do gelo marinho, por outro lado, aumenta a absorção de radiação, elevando ainda mais a temperatura, porque é mais escuro. É por isso que o aquecimento global é mais grave no Ártico do que no resto do mundo.

Neste ano, a extensão máxima do gelo marinho foi a segunda menor já registrada. Em abril, a Folha sobrevoou regiões da Groenlândia que deveriam estar congeladas, mas que estavam completamente abertas.

O recorde de 2007 só não foi batido então por causa de uma onda de frio no começo da primavera, que deu esperança aos cientistas de que 2011 não fosse ser tão ruim.

Mas o degelo começou mais cedo na primavera –dependendo da região, até dois meses mais cedo, segundo o NSIDC–, formando poças d’água que aumentam ainda mais o derretimento.

Fonte: Claudio Angelo, De Brasília, Folha.com


6 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Aquecimento dos oceanos ajudará a elevar nível do mar, diz estudo

Estudo da Universidade do Arizona, nos EUA, indica que o gelo da Groenlândia e da Antártida podem derreter mais rapidamente do que previsto pelos cientistas devido ao aquecimento das águas do oceanos, fazendo elevar o nível do mar ainda mais rapidamente do que se pensava.

Projeções climáticas normalmente levam em conta o aquecimento da atmosfera, mas deixam de lado o fato de que as águas do mar também estão tendo suas temperaturas elevadas. Esse fator, incluído nos cálculos do estudo em questão, fará com que glaciares em ambas as regiões polares do planeta derretam mais rapidamente.

“Se você coloca um cubo de gelo num quarto quente, ele vai derreter em várias horas. Mas se você o coloca numa xícara de água quente, ele vai desaparecer em minutos”, compara Jianjun Yin, um dos autores da pesquisa publicada neste domingo na “Nature Geoscience”. As águas abaixo da superfície do mar na Groenlândia devem ficar 2 graus mais quentes até 2100, por exemplo.

“Esse estudo se soma às evidências de que poderíamos ter um aumento do nível do mar de cerca de 1 metro até o fim do século e um tanto a mais nos séculos seguintes”, disse à agência AP o co-diretor do Instituto de Meio Ambiente da Universidade do Arizona.

Fonte: Globo Natureza


7 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Impacto do calor sobre as geleiras é mais complicado do que se pensava

Verões mais quentes podem, paradoxalmente, diminuir a velocidade com que as geleiras correm para o mar, sugere um novo estudo.

Com importantes implicações nas estimativas da eventual futura subida do nível da água do mar, este estudo usou dados do mais antigo satélite ambiental da Agência Espacial Europeia (ESA),

Teoria que se vai – Os cientistas verificaram que, nos últimos anos, as geleiras da Groenlândia têm caminhado para o mar a velocidades superiores às do passado – um fato que vinha sendo atribuído, em parte, à elevação da temperatura global, que derreteria a superfície das camadas de gelo.

A teoria era de que a água derretida na superfície escorreria até a base do glaciar, através de fendas e buracos. Assim, teorizava-se que esta água iria lubrificar a base da geleira, empurrando-a mais rapidamente em direção ao mar.

No entanto, a aceleração do escoamento do gelo durante o verão é um fenômeno difícil de modelar em computador, o que levou a incertezas nas projeções da eventual elevação no nível das águas do mar.

O artigo publicado na edição desta semana da revista Nature explica que o aumento do ritmo de fusão das geleiras pode estar na realidade retardando o seu deslizamento.

Processo mais complicado – Andrew Shepherd, professor na Universidade de Leeds, no Reino Unido, que conduziu o estudo disse: “Pensava-se que o aumento da fusão iria acelerar o escoamento, levando a que os lençóis de gelo recuassem mais rapidamente, mas a nossa investigação sugere que o processo é mais complicado.”

O estudo baseou-se em seis geleiras terrestres do sudoeste da Groenlândia, a partir de dados de radar do satélite ERS-1, recolhidos de 1992 a 1998. Este período incluiu verões particularmente quentes na Groenlândia, sendo que 1998 foi o mais quente de todos.

“Usamos dados do ERS-1 e uma técnica chamada rastreamento de intensidade, durante períodos de 35 dias, para estimar a velocidade com que as geleiras se deslocavam ao longo do período do estudo,” explica Shepherd.

“A nossa investigação sugere que aumentos no degelo na superfície podem não alterar a taxa de deslizamento [da geleira]. No entanto, isto não quer dizer que as camadas de gelo estejam a salvo das alterações climáticas, uma vez que alterações no degelo oceânico também desempenham um papel importante.”

Drenagem eficiente – As observações do ERS-1 mostraram, que apesar de a velocidade inicial ser semelhante em todos os anos, o glaciar sofreu um impressionante atraso nos anos mais quentes, quando havia mais água derretida.

A equipe atribui este fato a uma drenagem subglacial eficiente durante as estações quentes do degelo – um processo que se observa normalmente nos sistemas glaciares alpinos.

Apesar de ainda haver muito a descobrir sobre a dinâmica do movimento das geleiras, estas novas descobertas devem ser levadas em conta na avaliação da contribuição dos gelos da Groenlândia para a eventual subida do nível da água do mar em razões das mudanças climáticas e eventualmente atribuídas ao aquecimento global.

Satélites ERS – Lançado em 1991, o ERS-1 foi o primeiro satélite de radar da Europa dedicado ao monitoramento ambiental.

O sucesso desta primeira missão forneceu as bases do monitoramento remoto que os cientistas acabaram por considerar a ferramenta essencial para desvendar as complexidades do funcionamento da Terra.

the green hornet download dvdrip

O ERS-1, e seu irmão mais velho, o ERS-2, mostraram-se missões importantes e inovadoras.

Para tirar o máximo partido da extraordinária informação científica resultante dos dados do ERS, a ESA está avaliando a possibilidade de haver uma fase adicional do ERS-2 dedicada ao monitoramento do gelo, antes do fim da missão, em meados de 2011.

Fonte: Ambiente Brasil


28 de janeiro de 2011 | nenhum comentário »

Groenlândia degela menos que o previsto, dizem europeus

O aquecimento global é uma realidade, mas algumas das catástrofes relacionadas ao fenômeno podem ter que ser revistas. É o caso do manto de gelo da Groenlândia, que pode estar menos ameaçado que o previsto.

Pesquisadores europeus realizaram um estudo, publicado na revista “Nature”, em que afirmam que o degelo da ilha pode levar mais tempo do que se imaginava.

A causa do temor dos glaciólogos era um fenômeno denominado drenagem subglacial. A água gerada pelo derretimento do gelo infiltra-se em pequenos canais e alcança a camada rochosa abaixo do manto gelado.

Essa água, então, escorre em direção ao mar, formando uma lâmina aquática que atua como lubrificante e faz com que blocos de gelo “escorreguem” para o oceano.

Mas cientistas perceberam, analisando a ilha por satélite, que a drenagem subglacial causa menos estragos do que se pensava.

Editoria de Arte/Folhapress  

A partir de um limite de derretimento do gelo –1,4 centímetro por dia do manto–, a água para de abastecer a interface entre gelo e rocha e começa a se infiltrar em canais no gelo, escoando para o mar. O efeito lubrificante é, então, reduzido.

Os cientistas calculam que, em anos quentes, conforme o verão avança e as temperaturas sobem, a velocidade com que os blocos de gelo se deslocam para o mar se reduz entre 46% e 78%.

“O estudo é uma contribuição importante para a correção dos modelos matemáticos usados para prever o ritmo de redução do gelo da ilha”, diz o glaciólogo Jefferson Simões, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera. Ele ressalta que os efeitos do aquecimento global sobre o gelo continuam valendo.

Segundo Andrew Shepherd, da Universidade de Leeds (Inglaterra) e um dos autores do trabalho, o estudo mostra que o gelo está mais seguro na Groenlândia do que o imaginado.

As previsões sobre o aumento do nível do mar –o IPCC (o painel da ONU para o clima) previa até 59 centímetro em cem anos– talvez tenham de ser revistas, diz ele. Especialmente porque a Groenlândia é uma das grandes vilãs da elevação do nível dos mares.

watch letters to juliet online

Isso porque, em razão da localização, suas geleiras ficam a uma temperatura muito próxima da de fusão do gelo. “É necessário muito menos calor para derreter o gelo da ilha do que, por exemplo, o da Antártida”, diz Simões.

Em 2007, o IPCC tinha causado polêmica ao estimar mais degelo do que o real. O órgão dizia que o gelo do Himalaia sumiria até 2035 –em 2010, o IPCC voltou atrás.

 

Fonte: Folha.com






Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

dezembro 2019
S T Q Q S S D
« mar    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

21 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisadores do clima dizem ter resolvido mistério da elevação do mar

Extração de águas subterrâneas explicariam parte do aumento dos níveis.
Causas da elevação do nível do oceano ainda não são totalmente conhecidas.

A extração massiva de águas subterrâneas pode resolver um mistério relacionado à elevação dos níveis do mar nas últimas décadas, pesquisadores japoneses informaram neste domingo (20).

Especialistas estimam que os níveis globais do mar tenham aumentado, em média, 1,8 milímetros por ano de 1961 a 2003, mas a grande questão é o quanto disso pode ser atribuído ao aquecimento global.

Um relatório de 2007 divulgado no Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU, o IPCC, atribuía a elevação de 1,1 milímetros por ano à expansão térmica dos oceanos e ao degelo das geleiras, calotas polares e calotas da Groenlândia e da Antártida. Os outros 0,7 milímetros não têm origem atribuída e acabaram se tornando um mistério para vários cientistas, que se perguntavam se os dados estavam realmente corretos.

Em um estudo publicado no jornal “Nature Geoscience”, um time de pesquisadores liderado por Yadu Pokhrel, da Universidade de Tóquio, diz que a resposta está na água que é extraída dos aquíferos subterrâneos, rios e lagos, para o desenvolvimento humano, e nunca é reposta.

Eventualmente, essa água chega ao oceano por meio de rios e da evaporação, informa o estudo. A pesquisa afirma que a extração dessa água é um componente importante para resolver o mistério da elevação dos níveis do ar.

“O uso insustentável das águas subterrâneas, represas artificiais, armazenamento terrestre de água causado pelo clima e a perda de água de bacias fechadas contribuíram para o aumento dos mares de 0,77 milímetros por ano de 1961 a 2003, cerca de 42% do aumento observado”, diz a pesquisa.

O estudo pretende preencher uma das lacunas na complexa ciência das mudanças climáticas. Os pesquisadores admitem que existem muitas incógnitas sobre as maneiras com as quais os oceanos respondem ao aquecimento, e uma delas é relacionada ao aumento dos níveis do mar.

Mesmo que pequeno, um aumento repetido ano após ano pode, eventualmente, causar um impacto dramático nas localizações que são vulneráveis a tempestades ou ao influxo de água salgada nos aquíferos e campos costeiros.

O estudo divulgado em 2007 pelo IPCC revela que os oceanos se elevarão algo entre 18 e 59 centímetros até o final do século. Apesar disso, a estimativa não leva em consideração às águas derretidas das calotas da Groenlândia e da Antártida.

Uma pesquisa publicada no ano passado pelo Projeto de Monitoramento e Avaliação do Ártico afirma que os níveis do mar subirão, pelas tendências atuais de derretimento, de 90 centímetros a 1,6 metros até 2100.

Fonte: Globo Natureza


12 de março de 2012 | nenhum comentário »

Groenlândia seria mais sensível ao aquecimento do que se pensava

Aumento pequeno de temperatura derreteria todo o gelo no longo prazo.
Elevação de 2ºC, limite sugerido pela ONU, provocaria degelo em 50 mil anos.

A cobertura de gelo da Groenlândia está mais sensível ao aquecimento global do que se pensava. Uma elevação relativamente pequena da temperatura no longo prazo derreteria o gelo completamente, segundo estudo publicado na revista “Nature Climate Change”, neste domingo (11).

Pesquisas anteriores sugeriram que seria necessário um aquecimento de pelo menos 3,1 º C acima dos níveis pré-industriais, , em uma faixa de 1,9ºC a 5,1º C, para derreter completamente a camada de gelo. Mas novas estimativas estabelecem o limite em 1,6 º C em uma faixa de 0,8 º C a 3,2 º C, embora esta temperatura tenha que ser mantida por dezenas de milhares de anos para apresentar este efeito.

Groenlândia é, depois da Antártica, a maior reserva de água congelada em terra. Se derreter completamente, provocará uma elevação do nível do mar em 7,2 metros, encharcando deltas e terras baixas.

Segundo o estudo, se o aquecimento global se limitar a 2 º C, uma meta estabelecida em negociações climáticas da ONU, o derretimento completo aconteceria em uma escala de tempo de 50 mil anos.

Acima de 2ºC
As emissões atuais de carbono, no entanto, situam o aquecimento muito além desta meta. Se não forem controladas, um quinto da cobertura de gelo derreteria no prazo de 500 anos. Em 2 mil anos, seria extinta, segundo o estudo.

O estudo foi feito por cientistas do Instituto Postdam de Pesquisa sobre o Impacto do Clima (PIK) e da Universidade Complutense de Madri. Segundo eles, o risco de perda total do gelo parece remota, em vista da imensa escala de tempo, porém alertaram que suas descobertas contestam muitas suposições sobre a estabilidade da cobertura de gelo com relação ao aquecimento no longo prazo.

A atmosfera terrestre já se aqueceu 0,8 º C desde o início da Revolução Industrial, em meados do século XVIII, e o dióxido de carbono emitido hoje ainda perdurará por séculos. A cobertura de gelo é vulnerável a um tipo de círculo vicioso, também conhecido como “feedback positivo”, que impulsiona o derretimento, segundo o artigo.

Derretimento
Chegando a 3.000 metros de espessura em alguns lugares, a cobertura de gelo se beneficia hoje do efeito protetor de altitudes maiores e mais frias. Mas quando derrete, a superfície desce para altitudes mais baixas, com temperaturas mais elevadas, demonstra o modelo de computador.

Além disso, porções de terra expostas pelo gelo absorvem radiação por serem mais escuras e não refletirem a luz. À medida que se aquecem, elas ajudam a derreter o gelo em seus arredores.

“Nosso estudo demonstra que, sob certas condições, o derretimento da cobertura de gelo da Groenlândia se torna irreversível. Isto sustenta a noção de que a cobertura de gelo é um elemento preponderante no sistema terrestre”, disse Andrey Ganopolski, cientista do PIK.

“Se a temperatura global superar o limiar significativamente a longo prazo, o gelo continuará a derreter e não se recuperará, mesmo se o clima voltar, após milhares de anos, aos níveis pré-industriais”, acrescentou.

Foto tirada em 12 de julho e liberada pelo Greenpeace mostra seção no glaciar Petermann. Um pedaço gigantesco de gelo, de 260 quilômetros quadrados, se soltou da geleira na Groelândia.   (Foto: AFP)

Mesmo um pequeno aumento de temperatura provocaria derretimento de toda a cobertura de gelo da Groenlândia (Foto: AFP)

Fonte: Da France Presse


2 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Degelo no Ártico acelera aquecimento mais do que o previsto

Derretimento de solo permanentemente congelado libera carbono.
Artigo foi publicado pela revista ‘Nature’.

O degelo do permafrost, solo permanentemente congelado do Ártico, pode acelerar o aquecimento global mais do que o previsto, afirmou nesta quarta-feira (30) um grupo de cientistas, em artigo publicado pela revista “Nature”.

Por volta do ano de 2100, o volume de carbono liberado pelo pergelissolo poderia ser entre “1,7 e 5,2 vezes maior” do que o tinha sido previsto até agora, segundo a importância do aquecimento na superfície da terra.

O volume liberado é comparável ao dos gases causadores de efeito estufa resultante do desmatamento atualmente, mas o impacto no clima seria 2,5 vezes maior, já que grande parte do gás emitido será metano (CH4), com efeito 25 vezes maior sobre o aquecimento global do que o dióxido de carbono (CO2).

Atualmente, o desmatamento produz 20% do total de gases de efeito estufa responsáveis pelo aquecimento do planeta.

A publicação deste artigo coincide com a realização da conferência das Nações Unidas sobre o combate ao aquecimento global, inaugurada na segunda-feira passada em Durban (África do Sul) e que visa a dar um novo impulso às negociações sobre o Protocolo de Kyoto.

O permafrost cobre permanentemente cerca de um quarto das terras do hemisfério norte. Trata-se de uma reserva gigantesca de carbono orgânico, que contém restos de plantas e animais que foram se acumulando durante séculos. Com o degelo deste solo, estes materiais começam a se decompor, liberando na atmosfera parte deste carbono, na forma de metano e dióxido de carbono.

Segundo estudos anteriores, este fenômeno já teria começado a acontecer em partes da tundra e em alguns lagos de gelo.

No total, as terras do Ártico conteriam 1,7 bilhão de toneladas de carbono.

Isto representa “cerca de quatro vezes mais do que todo o carbono emitido pelas atividades humanas nos tempos modernos e o dobro do que a atmosfera contém atualmente”, afirmam os biólogos americanos Edward Schuur e Benjamin Abbott.

Segundo estes cientistas e cerca de 40 outros especialistas da rede Permafrost Carbon Research Network, que assinaram o estudo, isto representa “o triplo” do estimado anteriormente pelos modelos de mudanças do clima.

Fonte: Da France Presse


29 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Ano de 2011 é o 10º mais quente; degelo no Ártico é recorde

O aumento na temperatura tornou 2011 o décimo ano mais quente da história, segundo a WMO (World Meteorological Organization).

O relatório da agência de meteorologia ligada à ONU, que fornece um panorama do clima em nível global, indica também que a extensão do gelo ártico é o segundo menor.

Os dados, divulgados nesta terça-feira durante a COP-17 (17ª Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas), mostram que a temperatura sofreu uma pequena redução pela ação do La Niña, fenômeno que costuma provocar o resfriamento das águas do oceano Pacífico, mas ainda assim 2011 foi considerado quente para os padrões.

“Nossa ciência é sólida e prova inequivocadamente que o mundo está se aquecendo, e esse aquecimento é em razão da atividade humana”, comentou o secretário-geral da WMO, Michel Jarraud.

Jarraud acrescentou que as emissões de gases-estufa estão em seus níveis mais altos, fazendo com que haja um aumento de 2 a 2,4 graus Celsius na temperatura global.

Segundo estimam cientistas, esse cenário pode levar a mudança profundas e irreversíveis do planeta Terra, da sua biosfera e de seus oceanos.

A WMO também alertou para o degelo que ocorre no Ártico. Em 9 de setembro deste ano, a área do gelo chegou ao patamar de 4,33 milhões de quilômetros quadrados.

O número é 35% inferior à média registrada entre 1979-2000 e um pouco mais do que o recorde mais baixo já registrado em 2007.

Fonte: Folha.com


6 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Estudo diz que quantidade de gelo no Ártico atingiu recorde negativo

Cálculo foi feito em relação à espessura da camada de gelo.
Degelo pode desencadear problemas como aumento do nível do mar.

A quantidade de gelo que cobre o Ártico caiu no verão boreal de 2010 ao mínimo já registrado, afirmam pesquisadores. Os resultados do estudo serão publicados oficialmente em breve e sugerem que o afinamento do gelo superou a recuperação na área.

O estudo estimou que a cobertura de gelo no Ártico em 2010 — calculada com base na sua espessura e extensão — foi inferior ao recorde negativo anterior, em 2007, refletindo a tendência global de aquecimento.

Cientistas preveem que o Ártico pode ficar totalmente sem gelo durante o verão daqui a algumas décadas. Isso criaria oportunidades lucrativas em áreas como navegação e exploração de petróleo, mas também teria consequências climáticas para o mundo todo, a começar pelo aumento do nível dos mares.

Os autores do estudo, da Universidade de Washington, em Seattle, desenvolveram um modelo para estimar a espessura do gelo no oceano Ártico com base em medições dos ventos e da temperatura atmosférica e oceânica. Os resultados foram comparados com amostras reais.

“O fato realmente preocupante é a tendência de redução nos últimos 32 anos”, disse Axel Schweiger, principal autor do estudo, referindo-se aos registros por satélite do Ártico. A redução em 2010, segundo o estudo intitulado “Incerteza no volume de gelo marinho do Ártico estimado por modelos”, foi “por uma margem suficiente para estabelecer um novo recorde estatisticamente significativo”.

Schweiger divulgou os dados em email à reportagem da Reuters a bordo do quebra-gelo Arctic Sunrise, do Greenpeace, que está no oceano Ártico, entre a ilha norueguesa de Svalbard e o Polo Norte.

A espessura do gelo é tão importante quanto a sua extensão, ou até mais, para entender o que está acontecendo no Ártico. Alguns especialistas argumentam que a redução dramática na extensão da camada de gelo nos últimos anos ocorre por causa de um afinamento constante nas últimas décadas.

O método usado no estudo é criticado por alguns especialistas, que o consideram menos preciso que as observações diretas. Os autores argumentam, porém, que a tendência geral de afinamento do gelo acaba sendo registrada por esse método.

Na semana passada — faltando ainda duas semanas para o fim da temporada do degelo — a cobertura de gelo no oceano Ártico ficou abaixo dos 4,6 milhões de quilômetros quadrados. A menor extensão já registrada foram 4,13 milhões de quilômetros quadrados em 2007.

O gelo marítimo propriamente dito não eleva o nível do mar quando se descongela, mas o aquecimento do Ártico pode acelerar o derretimento da camada de gelo da Groenlândia, que é composta por água doce acumulada sobre a terra, num volume suficiente para elevar o nível global dos oceanos em 7 metros.

Fonte: Da Reuters


27 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Aquecimento do Ártico está liberando na atmosfera substâncias tóxicas presas em gelo e água

Mais um problema do aquecimento global.

O aquecimento do Ártico está liberando na atmosfera substâncias químicas tóxicas que estavam presas no gelo e na água gelada, descobriram cientistas canadenses e noruegueses. Os pesquisadores avisam que a quantidade de material venenoso na região polar é desconhecida e sua liberação poderia “minar os esforços globais para reduzir a exposição ambiental e humana a eles”.

De acordo com reportagem publicada no “Guardian”, os produtos químicos incluem os pesticidas DDT, lindano e clordano, assim como os bifenil policlorados (PCBs, na sigla em inglês) e o fungicida hexaclorobenzeno (HCB). Todos eles são conhecidos como poluentes orgânicos persistentes (POPs), proibidos pela Convenção de Estocolmo em 2004.

Os Pops podem causar canceres e má formação em fetos. Eles levam muito tempo para se degradarem. Nas últimas décadas, as baixas temperaturas do Ártico prenderam as substâncias em gelo e água resfriada. Mas cientistas no Canadá e na Noruega descobriram que o aquecimento global está liberando esses compostos novamente. O trabalho dos cientistas está publicado na “Nature Climate Change”.

Fonte: O Globo


26 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Onda de calor no hemisfério Norte acelera degelo no Ártico

A onda de calor que atingiu o hemisfério Norte neste mês acelerou o degelo sazonal do Ártico. Cientistas americanos alertam que a região pode ter em 2011 a menor extensão de gelo marinho já registrada.

Segundo o NSIDC (Centro Nacional de Dados de Gelo e Neve dos EUA), o gelo marinho no oceano Ártico está “a caminho de ficar abaixo do nível de 2007″, quando bateu seu recorde.

Naquele ano, a Passagem Noroeste, que liga o Atlântico ao Pacífico pelo norte do Canadá, foi aberta pelo degelo pela primeira vez em séculos.

A passagem ainda não se abriu neste ano. Mas no último domingo a área coberta pelo gelo marinho era de 7,56 milhões de quilômetros quadrados, quase 3 milhões de quilômetros quadrados inferior à média 1979-2000.

“A extensão está menor nesta época do ano em 2011 do que em 2007″, disse à FolhaJosefino Comiso, da Nasa.

Segundo ele, um sinal positivo é que há mais gelo marinho espesso (menos propenso a derreter) neste ano. “No entanto, relata-se que as temperaturas no Ártico estão relativamente altas, e de fato poderemos ter um novo recorde de redução do gelo permanente neste ano.”

Em julho, o Ártico tem perdido a cada dia uma área maior que a do Estado de Pernambuco em sua cobertura de mar congelado.

Isso se deve às temperaturas anormais: o polo Norte está de 6ºC a 8ºC mais quente que o normal neste mês. No litoral da Sibéria, elas estão de 3ºC a 5ºC maiores que o normal.

PULSO

O gelo marinho no Ártico tem um “pulso anual”: ele atinge sua extensão máxima na primavera, em abril, e sua mínima em setembro, no outono. O aquecimento do planeta tem causado mais degelo no verão e menos recongelamento no inverno.

O gelo e a neve refletem 90% da radiação solar de volta para o espaço. O mar exposto pelo derretimento do gelo marinho, por outro lado, aumenta a absorção de radiação, elevando ainda mais a temperatura, porque é mais escuro. É por isso que o aquecimento global é mais grave no Ártico do que no resto do mundo.

Neste ano, a extensão máxima do gelo marinho foi a segunda menor já registrada. Em abril, a Folha sobrevoou regiões da Groenlândia que deveriam estar congeladas, mas que estavam completamente abertas.

O recorde de 2007 só não foi batido então por causa de uma onda de frio no começo da primavera, que deu esperança aos cientistas de que 2011 não fosse ser tão ruim.

Mas o degelo começou mais cedo na primavera –dependendo da região, até dois meses mais cedo, segundo o NSIDC–, formando poças d’água que aumentam ainda mais o derretimento.

Fonte: Claudio Angelo, De Brasília, Folha.com


6 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Aquecimento dos oceanos ajudará a elevar nível do mar, diz estudo

Estudo da Universidade do Arizona, nos EUA, indica que o gelo da Groenlândia e da Antártida podem derreter mais rapidamente do que previsto pelos cientistas devido ao aquecimento das águas do oceanos, fazendo elevar o nível do mar ainda mais rapidamente do que se pensava.

Projeções climáticas normalmente levam em conta o aquecimento da atmosfera, mas deixam de lado o fato de que as águas do mar também estão tendo suas temperaturas elevadas. Esse fator, incluído nos cálculos do estudo em questão, fará com que glaciares em ambas as regiões polares do planeta derretam mais rapidamente.

“Se você coloca um cubo de gelo num quarto quente, ele vai derreter em várias horas. Mas se você o coloca numa xícara de água quente, ele vai desaparecer em minutos”, compara Jianjun Yin, um dos autores da pesquisa publicada neste domingo na “Nature Geoscience”. As águas abaixo da superfície do mar na Groenlândia devem ficar 2 graus mais quentes até 2100, por exemplo.

“Esse estudo se soma às evidências de que poderíamos ter um aumento do nível do mar de cerca de 1 metro até o fim do século e um tanto a mais nos séculos seguintes”, disse à agência AP o co-diretor do Instituto de Meio Ambiente da Universidade do Arizona.

Fonte: Globo Natureza


7 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Impacto do calor sobre as geleiras é mais complicado do que se pensava

Verões mais quentes podem, paradoxalmente, diminuir a velocidade com que as geleiras correm para o mar, sugere um novo estudo.

Com importantes implicações nas estimativas da eventual futura subida do nível da água do mar, este estudo usou dados do mais antigo satélite ambiental da Agência Espacial Europeia (ESA),

Teoria que se vai – Os cientistas verificaram que, nos últimos anos, as geleiras da Groenlândia têm caminhado para o mar a velocidades superiores às do passado – um fato que vinha sendo atribuído, em parte, à elevação da temperatura global, que derreteria a superfície das camadas de gelo.

A teoria era de que a água derretida na superfície escorreria até a base do glaciar, através de fendas e buracos. Assim, teorizava-se que esta água iria lubrificar a base da geleira, empurrando-a mais rapidamente em direção ao mar.

No entanto, a aceleração do escoamento do gelo durante o verão é um fenômeno difícil de modelar em computador, o que levou a incertezas nas projeções da eventual elevação no nível das águas do mar.

O artigo publicado na edição desta semana da revista Nature explica que o aumento do ritmo de fusão das geleiras pode estar na realidade retardando o seu deslizamento.

Processo mais complicado – Andrew Shepherd, professor na Universidade de Leeds, no Reino Unido, que conduziu o estudo disse: “Pensava-se que o aumento da fusão iria acelerar o escoamento, levando a que os lençóis de gelo recuassem mais rapidamente, mas a nossa investigação sugere que o processo é mais complicado.”

O estudo baseou-se em seis geleiras terrestres do sudoeste da Groenlândia, a partir de dados de radar do satélite ERS-1, recolhidos de 1992 a 1998. Este período incluiu verões particularmente quentes na Groenlândia, sendo que 1998 foi o mais quente de todos.

“Usamos dados do ERS-1 e uma técnica chamada rastreamento de intensidade, durante períodos de 35 dias, para estimar a velocidade com que as geleiras se deslocavam ao longo do período do estudo,” explica Shepherd.

“A nossa investigação sugere que aumentos no degelo na superfície podem não alterar a taxa de deslizamento [da geleira]. No entanto, isto não quer dizer que as camadas de gelo estejam a salvo das alterações climáticas, uma vez que alterações no degelo oceânico também desempenham um papel importante.”

Drenagem eficiente – As observações do ERS-1 mostraram, que apesar de a velocidade inicial ser semelhante em todos os anos, o glaciar sofreu um impressionante atraso nos anos mais quentes, quando havia mais água derretida.

A equipe atribui este fato a uma drenagem subglacial eficiente durante as estações quentes do degelo – um processo que se observa normalmente nos sistemas glaciares alpinos.

Apesar de ainda haver muito a descobrir sobre a dinâmica do movimento das geleiras, estas novas descobertas devem ser levadas em conta na avaliação da contribuição dos gelos da Groenlândia para a eventual subida do nível da água do mar em razões das mudanças climáticas e eventualmente atribuídas ao aquecimento global.

Satélites ERS – Lançado em 1991, o ERS-1 foi o primeiro satélite de radar da Europa dedicado ao monitoramento ambiental.

O sucesso desta primeira missão forneceu as bases do monitoramento remoto que os cientistas acabaram por considerar a ferramenta essencial para desvendar as complexidades do funcionamento da Terra.

the green hornet download dvdrip

O ERS-1, e seu irmão mais velho, o ERS-2, mostraram-se missões importantes e inovadoras.

Para tirar o máximo partido da extraordinária informação científica resultante dos dados do ERS, a ESA está avaliando a possibilidade de haver uma fase adicional do ERS-2 dedicada ao monitoramento do gelo, antes do fim da missão, em meados de 2011.

Fonte: Ambiente Brasil


28 de janeiro de 2011 | nenhum comentário »

Groenlândia degela menos que o previsto, dizem europeus

O aquecimento global é uma realidade, mas algumas das catástrofes relacionadas ao fenômeno podem ter que ser revistas. É o caso do manto de gelo da Groenlândia, que pode estar menos ameaçado que o previsto.

Pesquisadores europeus realizaram um estudo, publicado na revista “Nature”, em que afirmam que o degelo da ilha pode levar mais tempo do que se imaginava.

A causa do temor dos glaciólogos era um fenômeno denominado drenagem subglacial. A água gerada pelo derretimento do gelo infiltra-se em pequenos canais e alcança a camada rochosa abaixo do manto gelado.

Essa água, então, escorre em direção ao mar, formando uma lâmina aquática que atua como lubrificante e faz com que blocos de gelo “escorreguem” para o oceano.

Mas cientistas perceberam, analisando a ilha por satélite, que a drenagem subglacial causa menos estragos do que se pensava.

Editoria de Arte/Folhapress  

A partir de um limite de derretimento do gelo –1,4 centímetro por dia do manto–, a água para de abastecer a interface entre gelo e rocha e começa a se infiltrar em canais no gelo, escoando para o mar. O efeito lubrificante é, então, reduzido.

Os cientistas calculam que, em anos quentes, conforme o verão avança e as temperaturas sobem, a velocidade com que os blocos de gelo se deslocam para o mar se reduz entre 46% e 78%.

“O estudo é uma contribuição importante para a correção dos modelos matemáticos usados para prever o ritmo de redução do gelo da ilha”, diz o glaciólogo Jefferson Simões, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera. Ele ressalta que os efeitos do aquecimento global sobre o gelo continuam valendo.

Segundo Andrew Shepherd, da Universidade de Leeds (Inglaterra) e um dos autores do trabalho, o estudo mostra que o gelo está mais seguro na Groenlândia do que o imaginado.

As previsões sobre o aumento do nível do mar –o IPCC (o painel da ONU para o clima) previa até 59 centímetro em cem anos– talvez tenham de ser revistas, diz ele. Especialmente porque a Groenlândia é uma das grandes vilãs da elevação do nível dos mares.

watch letters to juliet online

Isso porque, em razão da localização, suas geleiras ficam a uma temperatura muito próxima da de fusão do gelo. “É necessário muito menos calor para derreter o gelo da ilha do que, por exemplo, o da Antártida”, diz Simões.

Em 2007, o IPCC tinha causado polêmica ao estimar mais degelo do que o real. O órgão dizia que o gelo do Himalaia sumiria até 2035 –em 2010, o IPCC voltou atrás.

 

Fonte: Folha.com