12 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Crustáceo descoberto no Caribe recebe nome em homenagem a Bob Marley

Espécie é parasita de peixes e pode ajudar pesquisadores a estudar a degradação dos corais e a saúde dos animais marinhos

Parasitas jovens que acabaram de se alimentar com o sangue do peixe; quando adultos, eles morrem em até três semanas, possivelmente após acasalarem

Bob Marley está vivo nos corais de recifes do mar do Caribe. O ícone do reggae serviu de inspiração ao biólogo Paul Sikkel para batizar minúsculos crustáceos descobertos na costa leste das ilhas caribenhas. Em homenagem ao cantor, morto em 1981, a nova espécie foi chamada Gnathia marleyi.

O crustáceo é a primeira espécie a ser descrita na região em mais de duas décadas. “Essa espécie é única e exclusiva do Caribe, assim como Marley”, disse nesta terça-feira Sikkel, professor-assistente de ecologia marinha na Universidade do Estado de Arkansas, nos Estados Unidos.

Gnathia marleyi vive escondido em cascalhos de corais, esponjas do mar e algas. Os jovens são parasitas e infestam os peixes que passam pelos locais onde estão. Quando adultos, os Gnathia marleyinão se alimentam de nada. “Achamos que os adultos sobrevivem por duas ou três semanas com o que foi sugado durante a juventude. Depois, morrem, possivelmente após acasalarem”, falou Sikkel.

Cerca de 80% dos organismos dos corais são parasitas. Os gnathiids (família à qual pertence o Gnathia marleyi) são os parasitas mais comuns nos oceanos e são os principais causadores ou transmissores das doenças que atingem os peixes. Além disso, a saúde dos peixes está diretamente ligada à saúde dos corais, conhecidos como “florestas do mar”, devido à alta biodiversidade.

Sikkel e seu time de pesquisadores estão monitorando a relação entre peixes e parasitas para analisar a degradação dos corais.

Velho conhecido — Sikkel descobriu o Ghnathia marleyi há dez anos nas Ilhas Virgens Americanas. Lá a espécie é tão comum que Sikkel achava que alguém já a tinha nomeado e descrito. Movido pela curiosidade, pediu para um dos pesquisadores do seu time investigar qual espécie era aquela e descobriu que ela não havia sido estudada a fundo.

Homenageados — Marley não é o único famoso homenageado por pesquisadores. Um líquen já foi batizado em homenagem a Barack Obama. O comediante Stephen Colbert serviu de inspiração para uma nova espécie de abelha, Elvis Presley deu nome a uma vespa, e Bill Gates, a uma nova mosca de flor.

Peixe infestado por parasitas que receberam nome de 'Gnathia marleyi', em homenagem a Bob Marley

Peixe infestado por parasitas que receberam nome de 'Gnathia marleyi', em homenagem a Bob Marley (Elizabeth Brill)

Fonte: Veja Ciência


3 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Metade da bacia do Pantanal está sob risco ambiental, avalia estudo

Foram avaliadas áreas no Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina.
Degradação de nascentes e barragens são apontadas como ameaças.

Metade da bacia do rio Paraguai, que abriga o Pantanal, está sob alto ou médio risco ambiental, mostra estudo divulgado nesta quinta-feira (02). Realizado ao longo de três anos pelo WWF, The Nature Conservancy e Centro de Pesquisas do Pantanal, ele coloca hidrelétricas e atividades humanas entre as maiores ameaças.

Planaltos e chapadões que circundam o Pantanal, onde nascem os principais rios da bacia, seriam as áreas que enfrentam os maiores riscos. A pesquisa avaliou regiões no Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina e tem como objetivo subsidiar os governos dos quatro países no desenvolvimento de uma agenda de adaptação do Pantanal às alterações do clima.

“A bacia do rio Paraguai apresenta alto risco ecológico potencial, requerendo ações urgentes e prioritárias de proteção das cabeceiras”, afirma o estudo.

As barragens e hidrelétricas, apontadas como fatores de risco, devem aumentar no Pantanal nos próximos anos. De acordo com o relatório, existem 115 barramentos previstos para a década, 75% de pequenas centrais hidrelétricas, o que deve elevar os riscos ambientais.

“Barramentos ameaçam a duração e a intensidade dos ciclos de cheias e vazantes, colocando em cheque a vida, economias e populações que dependem do equilíbrio ecológico do Pantanal”, considerou Albano Araújo, coordenador da Estratégia de Água Doce do Programa de Conservação da Mata Atlântica e das Savanas Centrais da The Nature Conservancy.

Entre as atividades humanas, as maiores ameaças seriam a pecuária e a agricultura. Desmatamento, hidrovias, rodovias e mineração também são apontados no estudo como fatores de risco.

Cabeceiras, nas bordas do Pantanal, enfrentam os maiores riscos, segundo pesquisa (Foto: Divulgação / WWF)

Cabeceiras, nas bordas do Pantanal, enfrentam os maiores riscos, segundo pesquisa (Foto: Divulgação / WWF)

Preservação
A pesquisa avalia que seriam necessárias novas medidas de preservação do Pantanal. Uma delas seria a criação de novas unidades de proteção, principalmente em áreas de cabeceiras. Atualmente, existem 170 áreas protegidas na bacia do rio Paraguai, mas elas não estão distribuídas de forma adequada, critica o estudo.

Outra medida seria a implantação de medidas de conservação em terras privadas, por exemplo, melhores práticas de manejo de água e solo em atividades agropecuárias. No caso das hidrelétricas, uma possível solução, de acordo com a pesquisa, seria a implementação de esquemas de operação que mantenham os ciclos de cheias e vazantes de modo semelhante ao natural.

O Pantanal é a maior planície inundável do planeta. Seus ciclos anuais de cheias e secas são fundamentais para a vida de milhares de espécies, além de terem importantes impactos econômicos, como a fertilização natural dos campos.

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


7 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Ecoeficiência de sacolas depende do comportamento do consumidor

Em tempos de ecoeficiência, há quem acredite que as sacolas retornáveis são a melhor opção na hora de fazer compras.

Mas, de acordo com um estudo inédito, realizado pela Fundação Espaço ECO e Instituto Akatu, não é tão simples assim dizer que as sacolas retornáveis são melhores para o meio ambiente.

O estudo concluiu que a a ecoeficiência de cada tipo de sacola depende do hábito do consumidor.

Ciclo de vida das sacolas plásticas – Os pesquisadores analisaram o chamado “ciclo de vida” de oito opções de sacolas disponíveis no mercado brasileiro.

Isso incluiu sacolas descartáveis (de polietileno tradicional, de polietileno de cana-de-açúcar e as aditivadas com promotor de oxibiodegradação) e algumas retornáveis (papel, ráfia, tecido e TNT – tecido não-tecido). Todas foram avaliadas para um período de um ano.

Foram considerados vários cenários, envolvendo maior ou menor volume de compras, maior ou menor frequência de idas ao supermercado e de descarte do lixo, matéria-prima utilizada na produção das sacolas, capacidade de carga, custo de cada uma, número de vezes em que é utilizada, reutilização ou não da sacola como saco de lixo e envio ou não para reciclagem.

“Percebemos que cada material tem um desempenho mais adequado dependendo da função e da maneira como é empregado”, explica o gerente de ecoeficiência da Fundação Espaço ECO, Emiliano Graziano.

Vantagens e desvantagens de cada tipo de sacola – Segundo o pesquisador, a relação entre o número de idas do consumidor ao supermercado, o número de vezes que ele dispõe seu lixo em sacolas plásticas e o tamanho de sua compra definem quais sacolas são mais eficientes do ponto de vista da preservação ambiental.

Segundo os pesquisadores, as sacolas descartáveis são vantajosas em um cenário considerado de poucas compras (até duas idas ao supermercado por semana).

Já em situações de mais compras (mais de três visitas semanais ao supermercado), as sacolas descartáveis só seriam vantajosas se usadas no descarte de lixo ao menos três vezes por semana.

As sacolas de papel não se mostraram vantajosas em relação às demais em nenhum tipo de cenário. O motivo é a baixa capacidade de carga, reúso e reciclagem.

“O papel, por ter ficado como alternativa mais impactante no caso base do estudo, não significa que será sempre pior nas situações em que pode ser substituído pelo plástico. Ou seja, o desempenho da sacola de papel, como também ocorre nas outras alternativas, está diretamente ligada ao seu eco design (forma, estrutura, quantidade de matéria-prima empregada) e à sua condição de uso e durabilidade,” esclarece Graziano.

A sacola oxidegradável também não apresentou desempenho ambiental melhor do que a sacola descartável tradicional.

Polêmicas – O resultado é contrário ao que tem sido apregoado pela mídia, mas é coerente com outras pesquisas.

Este estudo, foi financiado pela Braskem, maior produtora de resinas termoplásticas das Américas, portanto, com interesses na questão.

Por outro lado, a empresa já fabrica também plásticos à base de cana-de-açúcar e teve o primeiro plástico verde certificado do mundo.

Outra crítica é que o trabalho não incluiu entre os fatores de impacto ambiental o tempo de decomposição de cada um dos materiais, principal preocupação daqueles que se opõem às sacolas plásticas.

Ou seja, perdeu-se uma boa oportunidade para um parecer científico sobre o assunto.

Hoje a população recebe como informação apenas boatos e mitos: é possível encontrar na imprensa estimativas de degradação das sacolas plásticas que variam de 50 a 1.000 anos, sem a citação de nenhum estudo científico para embasar as afirmações.

Fonte: Site Inovação Tecnológica


26 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

“Desertificação avança no mundo, mas ainda é possível agir”, diz secretário-geral da ONU

Para Ban Ki-moon, políticas públicas podem deter o crescimento dos desertos

Cena comum: mulheres retiram água de poço no estado indiano do Rajastão, que tem parte do território coberto por desertos

Cena comum: mulheres retiram água de poço no estado indiano do Rajastão, que tem parte do território coberto por desertos (Latinstock)

A desertificação ganha terreno no mundo, mas não é uma fatalidade e pode ser revertida de acordo com a política adotada pelos governos, afirmou nesta terça-feira o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em reunião durante a Assembleia Geral anual das Nações Unidas, realizada em Nova York.

“Por que permitir a deterioração destas terras áridas?”, questionou o secretário-geral da ONU em seu discurso. “Tomemos hoje a iniciativa de reverter a tendência. Contrariamente a uma percepção muito disseminada, nem todas as terras áridas são estéreis”, disse Ban Ki-moon. “Uma ação oportuna da nossa parte pode liberar estas riquezas e aportar soluções”, acrescentou o chefe da ONU.

Em seu discurso, Ban Ki-Moon apresentou certos casos bem-sucedidos, entre eles a restauração de antigos terraços nos Andes do Peru ou a plantação de árvores para conter o avanço das dunas do Saara. “Há exemplos em todos os continentes de governos que revertem a tendência à desertificação e melhoram a produtividade das terras”, disse Ban.

Segurança alimentar — Cerca de 40% das terras do mundo são áridas ou semi-áridas. A cada ano são perdidos 12 milhões de hectares de terras produtivas, segundo a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (CNUCD). Dois bilhões de pessoas dependem destes solos para a sua subsistência. A cada minuto são perdidos 23 hectares de terras produtivas por causa da degradação, uma superfície que daria para produzir 20 milhões de toneladas de cereais, segundo a CNUD.

O presidente da Assembleia Geral da ONU, Nassir Abdulaziz Al-Nasser, insistiu no fato de que a desertificação traz à tona a questão da segurança alimentar, de que é exemplo o leste da África. “O custo humano e econômico da desertificação é enorme”, advertiu.

Segundo a ONU, a questão da desertificação abarca o desaparecimento de terras onde as populações tinham a capacidade de plantar ou criar gado e que se tornaram áreas áridas. São regiões onde vivem 2,3 bilhões de pessoas de quase 100 países.

Fonte: Veja Ciência


15 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas pedem ‘cinturões verdes’ para proteger florestas primárias

Biodiversidade em regiões tropicais nunca se recupera após degradação.
Artigo com brasileiro co-autor será publicado na Nature nesta quinta-feira.

Estudo que será publicado nesta quinta-feira (15) na revista “Nature” alerta sobre a necessidade de se criar mais áreas de proteção a florestas tropicais primárias (aquelas que não sofreram degradação e são praticamente intactas), no intuito de preservar a biodiversidade local.

De acordo com o documento, elaborado por 11 pesquisadores, entre eles o brasileiro Carlos Peres, que é docente da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, o impacto do ser humano tem reduzido o valor da biodiversidade.

A rápida conversão da floresta tropical em áreas destinadas à agricultura, produção de madeira e outros usos fazem com que a vegetação não se regenere mais, extinguindo espécies de animais residentes nessas localidades.

 

 

A pesquisa reuniu informações de 28 países, incluindo dados de desmatamento na região da Amazônia brasileira. Foram feitas 2.220 comparações em 92 tipos de paisagens diferentes. Apesar da conhecida devastação do maior bioma do país, com dados divulgados pelo ministério do Meio Ambiente, os cientistas constataram que a cobertura florestal da Ásia é a que mais perde com a exploração humana.

Alta densidade demográfica
“A mudança do uso do solo nesta região e sua degradação ocorrem principalmente pela alta densidade demográfica. Tem muita gente. Além disso, as florestas são muito antigas e os bichos sensíveis a essas alterações. Em países como Indonésia e Malásia são produzidos o óleo de palma para o mundo inteiro nessas áreas devastadas”, disse Carlos Peres.

As aves são as principais espécies afetadas por essas mudanças, afirma o estudo, principalmente quando o solo é utilizado para agricultura. Já as queimadas afetam a recomposição vegetal.

Outro ponto citado no artigo é que a abertura de estradas florestais facilitaria a migração humana para fronteiras da mata nativa, desencadeando a exploração madeireira ilegal. Ambientalistas brasileiros temem esta possibilidade em uma região que compreende os estados do Mato Grosso e Pará, em decorrência da construção da BR-163, estrada federal que liga Cuiabá a Santarém e que corta uma grande área da Amazônia.

Foco de incêndio em área da floresta amazônica que está em regeneração. Desde o começo do ano, Pará registrou 4.039 focos de queimada, segundo o Inpe (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)

Foco de incêndio em área da floresta amazônica que está em regeneração no Pará. Degradação de vegetação primária em áreas tropicais afeta a biodiversidade. Solução é criar cinturões de proteção, sem reduzi-la posteriormente por interesses econômicos (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)

 

Impacto no Brasil
Segundo Peres, o processo de perturbação na Amazônia, pela derrubada e aumento da caça, afeta sistemas naturais da floresta que podem impactar no cotidiano de outras regiões.

“Apesar de falarem que o bioma perdeu apenas de 18% de seu total, há estragos que não são constatados. Essa penetração no interior da floresta quebra o ciclo de preservação. Com as secas constantes que têm sido registradas, se perde biomassa e o processo de evapotranspiração (forma pela qual a água da superfície terrestre passa para a atmosfera no estado de vapor). Tais fatos reduzem as chuvas, que alimentam boa parte do Brasil”, diz o pesquisador.

“Se colocar na ponta do lápis e quantificar os serviços ambientais da Amazônia e suas bacias hidrológicas, os contribuintes brasileiros não conseguiriam pagar nunca. Mas como é tudo de graça, ninguém liga para o que está ocorrendo”, complementa.

De acordo com Peres, é importante “cercar” as áreas protegidas constituindo unidades de conservação para “segurar” a degradação por prazo indeterminado. “O que não se pode fazer é reduzir os níveis de proteção em razão de interesses econômicos”, disse.

 

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo.

 


7 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Para secretário do MCT, o futuro do País é explorar a biodiversidade

Em audiência no Senado, Carlos Nobre falou também sobre a importância da ciência e da tecnologia para a agricultura sustentável.

A contribuição da ciência nas discussões sobre os Desastres Naturais e nas alterações propostas ao Código Florestal foi tema de debate ontem (6) em audiência na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado Federal, em Brasília.

 

Em sua exposição, o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia (SEPED), Carlos Nobre, mostrou a importância da ciência e da tecnologia para a expansão da agricultura sustentável no País. Ele destacou o programa de recuperação de áreas degradadas, a agricultura de baixo carbono e a exploração econômica da biodiversidade brasileira.

 

“O futuro do País é explorar o potencial de nossa biodiversidade. Para isso, precisamos de muita ciência, tecnologia, inovação e políticas públicas que sinalizem que esse e o caminho”, disse.

 

Sobre o Código Florestal, o especialista disse que é preciso parâmetros específicos para áreas urbanas e incorporar o princípio de salvaguarda da vida humana, além da proteção da biodiversidade, da água e do solo. “É muito importante que haja no Código uma visão diferenciada das áreas urbanas para prevenir desastres naturais.

 

Para o presidente da Comissão, senador Eduardo Braga (PMDB/AM), a discussão não deve envolver apenas ruralistas e ambientalistas, mas todo o povo brasileiro. “A ciência e a tecnologia são a chave para encontrar respostas”, disse Braga. De acordo com ele, o momento é de oportunidade para debater o tema de tanta importância econômica, social e ambiental.

 

Participaram também da audiência representantes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Academia Brasileira de Ciência (ABC), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), dos ministérios da Agricultura (Mapa) e do Meio Ambiente (MMA), senadores e deputados.

Fonte: Agência MCT


31 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Pacto pela Restauração da Mata Atlântica e seus (bons) resultados

Carta-resposta da secretaria-executiva do Pacto
30 de Maio de 2011

O movimento Pacto pela Restauração da Mata Atlântica vem a público lamentar a publicação do artigo “Salve o Planeta e fique também milionário,” de autoria do sr. Germano Woehl, publicado no dia 19 de maio de 2011 no site ((o))eco, que trata de forma não recomendável os projetos de restauração florestal na Mata Atlântica.

Por isso, se faz necessária a apresentação e divulgação de alguns esclarecimentos.

O Pacto pela Restauração da Mata Atlântica conta, atualmente, com 184 membros que participam do que é o maior movimento do Brasil para restauração florestal de áreas degradadas com espécies nativas. Reunir organizações e profissionais em torno de um mesmo propósito é algo desafiador e o Pacto vem conquistando resultados cada vez mais sólidos.

O movimento já contribuiu e continuará contribuindo para aperfeiçoar as atuais e criar novas técnicas de campo e mecanismos de financiamento para as atividades de restauração.

O Pacto atua entre as esferas pública e privada, articulando o diálogo entre governo, empresas e proprietários de terra para impulsionar resultados em restauração e conservação da biodiversidade. O Pacto não é uma empresa, não tem fins lucrativos e não visa beneficiar nenhum ator específico. Quem se beneficia de seu sucesso é a biodiversidade, o clima e toda a sociedade brasileira.

Apoiamos a primeira edição da Iniciativa BNDES Mata Atlântica que está investindo mais de R$ 70 milhões de reais na restauração de mais de quatro mil hectares de restauração – não apenas R$ 2,5 milhões. Esses recursos viabilizarão a restauração de áreas que vão propiciar qualidade de vida, água em quantidade e qualidade, além de equilíbrio climático para milhares de pessoas em zonas rurais e urbanas.

O Pacto reforça a importância das estratégias e políticas de conservação e muitos dos seus membros atuam também nessa área. Os signatários entendem que a restauração do bioma Mata Atlântica é a melhor solução para proporcionar segurança ambiental e qualidade de vida para as populações, gerando também trabalho e renda em atividades de restauração.

Como informado no site do movimento, o Pacto vem cadastrando as iniciativas de todos os membros. Nos primeiros dois anos, o movimento cadastrou mais de 90 iniciativas no site, somando mais de 40 mil hectares em processo de restauração florestal. As áreas se encontram em diferentes estágios de restauração, variando entre inicial e médio, principalmente.

No intuito de contribuir para a estruturação da cadeia produtiva da restauração, o Pacto publicou em 2009 (com versões atualizadas em 2010 e 2011) dois documentos referenciais que são distribuídos gratuitamente para todos os membros e demais interessados, por exemplo: pesquisadores, empresas, universidades e ONGs que atuam em restauração.

Além disso, em fevereiro de 2011, o Pacto reuniu, em Campinas-SP, mais de 60 instituições de todo o Brasil, entre universidades, governos, empresas e ONGs, para a construção de um Protocolo de Monitoramento de Projetos de Restauração, que já foi aprovado e será oferecido, sem custo, para todos os membros e a toda a sociedade brasileira.

Trata-se de um conjunto de indicadores ecológicos, sociais, econômicos e de gestão para os projetos de restauração na Mata Atlântica. Este importante instrumento possibilitará a padronização do processo de monitoramento dos plantios executados por seus membros, permitindo a comparação de desempenhos com a utilização de diferentes técnicas e métodos de restauração e a melhoria da eficiência dos projetos. O Pacto é um movimento agregador, transparente em suas atuações e os interessados podem se informar através do nosso site e das publicações acima mencionadas.

A Secretaria Executiva atua em conjunto com diversos profissionais extremamente capacitados na execução e gestão de todas as iniciativas do Pacto, e todos estão sempre à disposição para atender aos interessados em conhecer mais sobre o movimento e sobre restauração.

O Pacto agradece a oportunidade de esclarecer as estratégias do movimento. A contribuição de cada membro é fundamental para manter o caráter aberto, participativo, produtivo e transparente.

Neste espírito, o Pacto convida todas as organizações que atuam na Mata Atlântica a contribuir para o alcance da meta de viabilizar a restauração de 15 milhões de hectares até 2050 e transformar a Mata Atlântica em um lugar seguro e saudável para mais de 120 milhões de brasileiros.

Fonte: Secretaria-Executiva do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica


10 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Extração agressiva deve continuar na região mineira

Os governos federal e estadual afirmaram que ações de médio e longo prazo podem reverter o processo de desertificação em Minas Gerais.

O Ministério do Meio Ambiente concentra seus esforços no PAN (Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação). Minas espera a ajuda federal, mas já desenvolve ações na região afetada.

De acordo com a Secretaria para o Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha, Mucuri e do Norte de Minas, R$ 166 milhões estão sendo investidos neste ano em programas como Combate à Pobreza Rural e Convivência com a Seca.

O programa de construção de barragens, para recuperação do potencial hídrico da região, por exemplo, prevê investimentos de R$ 8 milhões para entregar 70 obras até junho de 2012.

Desde 2009, foram construídas 104 barragens em 39 cidades, de acordo com informações do governo mineiro. Na opinião de Vladia Oliveira, professora do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará, os investimentos oficiais podem ajudar a frear o processo de desertificação, mas é importante focar mais na prevenção do que na recuperação de áreas já degradadas.

“Tem de agir em todas as frentes, mas a recuperação é bastante cara, demorada e restrita”, diz a especialista.

Para ela, não adianta o poder público investir milhões para recuperar pequenas áreas enquanto regiões muito maiores continuam sendo degradadas. “As pessoas não têm informação ambiental nem opções que não sejam o extrativismo agressivo”, conclui.

Fonte: Raphael Veleda, Belo Horizonte


30 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Caça que afeta a flora

Uma série de estudos realizados na Mata Atlântica indica que a defaunação – perda de mamíferos e aves devido à caça –, ao modificar as forças seletivas, pode desencadear rápidas mudanças evolucionárias. As pesquisas demonstraram que o processo gera novos impedimentos ecológicos para a população de plantas, afetando sua demografia ao aumentar a predação de sementes.

Os estudos estão relacionados ao Projeto Temático “Efeitos de um gradiente de defaunação na herbivoria, predação e dispersão de sementes: uma perspectiva na Mata Atlântica”, financiado pela FAPESP e coordenado por Mauro Galetti, professor do Instituto de Biociências de Rio Claro da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Galetti, que pesquisa o tema há cerca de 20 anos, apresentou alguns dos resultados do Projeto Temático durante a conferência internacional Getting Post 2010 – Biodiversity Targets Right realizada este mês pelo Programa Biota-FAPESP em parceria com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

De acordo com Galetti, o Brasil tem 35% das espécies ameaçadas de mamíferos no mundo. A perda de habitat e a fragmentação da floresta são os principais fatores de ameaça, mas metade das espécies sofre com a caça. O tamanho do corpo é um dos preditores de ameaça de extinção. Segundo o cientista, a escala de defaunação é gigantesca em todo o mundo, chegando a 20 milhões de animais mortos por ano em regiões como a África central.

“Verificamos que na Mata Atlântica do Estado de São Paulo há muita caça também. Um de nossos mestrandos entrevistou caçadores por um ano no Parque Estadual da Serra do Mar e constatou que 96 mamíferos haviam sido abatidos”, disse Galetti.

É um número alto, considerando as características da região, segundo ele. Em um Projeto Temático anterior coordenado por Galetti, sobre a conservação de grandes mamíferos, os dados da Mata Atlântica foram comparados com os da Amazônia, indicando a abundância no número de espécies de mamíferos no primeiro bioma.

A abundância de mamíferos na floresta contínua com pouca caça na Mata Atlântica é muito maior do que em locais com caça. No caso da queixada (Tayassu pecari), por exemplo, a abundância é 30 vezes menor em áreas com caça.

Os mamíferos são responsáveis por pelo menos 30% da dispersão das cerca de 2,5 mil espécies de plantas na Mata Atlântica. Mas isso corresponde a um processo complexo que envolve os efeitos da presença de animais de diversos tamanhos com inúmeras relações com as espécies vegetais.

“Desenvolvemos um modelo de redução de megaherbívoros para estudar esses efeitos. Conforme aumentamos a perturbação no modelo, as populações de grandes mamíferos entraram em colapso. Mas, por outro lado, as populações de mamíferos de médio porte chegam a aumentar em áreas perturbadas”, disse.

O modelo, segundo ele, aponta um aumento quase linear na abundância de roedores quando há uma perturbação que leva as populações de grandes mamíferos ao colapso. “Esse modelo já foi testado experimentalmente na savana africana, na observação da abundância de ratos em áreas com e sem elefantes. Quando não há elefantes, a população de ratos aumenta muito”, contou.

Na savana africana, no entanto, há apenas um roedor. Na floresta tropical, com diversidade muito maior de pequenos mamíferos, os processos são mais complexos.

O grupo de Galetti realizou um estudo comparando a abundância de pequenos mamíferos em duas áreas separadas por uma distância de 15 quilômetros. Ambas apresentavam uma diferença considerável quanto à biomassa de mamíferos.

“A riqueza de espécies nas duas áreas era exatamente igual. Mas há uma estrada que passa entre as duas áreas e, de um lado, o ambiente é dominado por queixadas, enquanto do outro lado predominam os esquilos. Com exceção dessa característica, que resulta em uma diferença na biomassa dos mamíferos, as populações de animais nas duas são muito semelhantes”, explicou.

Duas tecnologias foram usadas para avaliar os mamíferos: as armadilhas de interceptação e queda conhecidas como pitfall traps e as armadilhas do tipo live trap. A primeira mostrou mais eficiência para registrar as diferenças na abundância dos animais.

“Avaliamos se a diferença de abundância das duas espécies nas duas áreas poderia ser decorrência da abundância de cobras, mesopredadores, limitação de recursos e de microhabitat. Mas tudo isso foi rejeitado como hipótese alternativa. A hipótese que estamos aceitando é que a presença da queixada afeta a abundância de pequenos roedores”, disse Galetti.

Dispersão modificada – De acordo com o coordenador do Projeto Temático, espera-se que a predação de sementes seja maior em uma floresta com mais presença de roedores.

“Testamos isso em um estudo com a palmeira Euterpe edulis, que é usada na produção de palmito. Ela tem suas sementes predadas por aves e muitas espécies de mamíferos. Escolhemos quatro áreas sem queixadas e três com queixadas para fazer o estudo”, contou Galetti.

Os pesquisadores instalaram, nas áreas escolhidas, câmeras que permitem calcular o número de sementes predadas. “Nas áreas defaunadas, sem as queixadas, a predação de sementes por roedores cresce consideravelmente. Nos fragmentos defaunados só os roedores predam as sementes da palmeira, mas a proporção dessa predação é aumentada em seis vezes”, disse.

Além do aumento na predação, as áreas defaunadas sofrem com maior dificuldade de dispersão das sementes, que é feita principalmente por animais que as ingerem e as regurgitam em outras partes da floresta.

Em áreas não defaunadas, segundo Galetti, o maior dispersor das sementes do palmito é o tucano. Quando a área é defaunada, o maior dispersor são aves do gênero Turdus, que inclui o sabiá. O problema é que sua capacidade de dispersão não é a mesma, pois trata-se de uma ave sete vezes menor que o tucano.

“As aves grandes consomem sementes maiores. Testamos isso com aves em cativeiro. Na área defaunada, há uma redução do tamanho das sementes dispersas. As plântulas que se originam das sementes grandes têm mais vigor e podem sobreviver mesmo depois de ser parcialmente predadas”, disse.

Os estudos mostraram também que, nas áreas defaunadas, as sementes maiores apresentam maior chance de escapar da predação, devido à ausência de predadores de médio e grande porte. “Sementes menores sofrem maior pressão de predação”, disse Galetti.

(Fonte: Agência Fapesp)


1 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Acordo sobre florestas em conferência de Cancún beneficiaria Brasil

A criação de instrumentos para promover a redução de emissões por desmatamento e degradação (conhecidos pela sigla REDD) em países em desenvolvimento tem boas chances de ser um dos resultados práticos da conferência das Nações Unidas sobre mudança climática em Cancún, no México. Um acordo na área pode significar o aporte de bilhões dólares ao Brasil, com suas vastas reservas florestais.

Se aprovados, instrumentos de REDD+ (o sinal acrescenta a remuneração de atividades que levem a conservação de florestas, manejo sustentável e reforço de estoques de carbono de florestas em países em desenvolvimento) poderiam canalizar este dinheiro de um fundo específico financiado por governos, bem como da iniciativa privada ou mercados de carbono e verbas para mitigação (redução de emissões).

O Brasil tem grande interesse em uma implementação relativamente rápida de REDD, tanto que deve assumir a liderança, ao lado da França, do grupo internacional Parceria REDD – criado neste ano com quase 70 países para viabilizar mecanismos REDD no mundo.

Uma vez aprovada uma estrutura internacional de REDD, o país pode sair na frente por ter mais de 20 projetos pioneiros já em prática.

Talvez o mais conhecido e bem-sucedido seja o projeto Juma, da Fundação Amazonas Sustentável, que já possibilita o sustento de 338 famílias na Reserva de Juma, no Amazonas.

Moeda de troca – Desde a conferência de Copenhague, em 2009, negociadores admitem que as discussões estão em uma fase adiantada, faltando pouco mais que definições de forma no texto.

the green hornet divx online

No entanto, por fazer parte das complexas negociações por um acordo mais abrangente, o tema pode acabar sendo usado como moeda de troca entre os negociadores.

‘Os países utilizarão a REDD como peça no jogo de xadrez que gire em volta das outras negociações, principalmente o financiamento e as metas de redução de emissões. De fato um acordo sobre REDD não trará benefícios para o planeta sem um compromisso firme para reduzir as emissões globais’, afirmou à BBC Brasil Raja Jarrah, especialista em REDD da organização não-governamental Care International.

‘Podem sim fechar um acordo específico sobre REDD em Cancún, mas seria parcial e deixaria muito a desejar.’

Sem um mecanismo internacional que norteie as iniciativas florestais, tanto o financiamento quanto a própria estrutura dos projetos ficam indefinidas.

Apesar da grande expectativa por um acordo parcial de REDD, há também quem seja contra o mecanismo. Muitos ativistas temem que projetos REDD acabem levando à expulsão de comunidades indígenas ou nativas de florestas.

Riscos – A ONG Friends of the Earth International considera o mecanismo ‘perigoso’ já que poderia incentivar o agronegócio e o setor madeireiro.

‘O estímulo à plantações de árvores é baseado nas falsas promessas de criação de empregos, desenvolvimento sustentável, mitigação de mudanças climáticas e proteção da biodiversidade. Mas testemunhos e estudos de caso (reunidos pela ONG) mostram que plantações têm impactos muito severos sobre a população e a natureza locais’, afirmou um dos coordenadores do grupo, Sebastian Valdomir.

Mesmo a Care, que apoia iniciativas REDD em tese, alerta para o risco de uma versão ‘aguada’ do mecanismo.

Os ativistas dizem que no esforço por acomodar interesses distintos durante o encontro de Cancún, corre-se o risco de ‘nivelar tudo por baixo’.

‘Tecnicamente seria relativamente fácil encontrar uma forma de palavras que agrade a todos’, afirmou Raja Jarrah, acrescentando que elementos importantes poderiam ser deixados de lado, como a obrigação de monitorar salvaguardas sociais e ambientais.

‘Aí teríamos um mecanismo que facilita o fluxo de finanças e o negócio de carbono, mas que deixa as populações que dependem da floresta expostos a exploração.’

A 16ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas começou na segunda-feira, 29 de novembro, e vai até o dia 10 de dezembro.

Poucos esperam que um acordo abrangente saia do encontro no México. A expectativa é de que representantes de mais de 190 países pavimentem um possível acordo para o encontro de 2011, na África do Sul.

(Fonte: G1)


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12 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Crustáceo descoberto no Caribe recebe nome em homenagem a Bob Marley

Espécie é parasita de peixes e pode ajudar pesquisadores a estudar a degradação dos corais e a saúde dos animais marinhos

Parasitas jovens que acabaram de se alimentar com o sangue do peixe; quando adultos, eles morrem em até três semanas, possivelmente após acasalarem

Bob Marley está vivo nos corais de recifes do mar do Caribe. O ícone do reggae serviu de inspiração ao biólogo Paul Sikkel para batizar minúsculos crustáceos descobertos na costa leste das ilhas caribenhas. Em homenagem ao cantor, morto em 1981, a nova espécie foi chamada Gnathia marleyi.

O crustáceo é a primeira espécie a ser descrita na região em mais de duas décadas. “Essa espécie é única e exclusiva do Caribe, assim como Marley”, disse nesta terça-feira Sikkel, professor-assistente de ecologia marinha na Universidade do Estado de Arkansas, nos Estados Unidos.

Gnathia marleyi vive escondido em cascalhos de corais, esponjas do mar e algas. Os jovens são parasitas e infestam os peixes que passam pelos locais onde estão. Quando adultos, os Gnathia marleyinão se alimentam de nada. “Achamos que os adultos sobrevivem por duas ou três semanas com o que foi sugado durante a juventude. Depois, morrem, possivelmente após acasalarem”, falou Sikkel.

Cerca de 80% dos organismos dos corais são parasitas. Os gnathiids (família à qual pertence o Gnathia marleyi) são os parasitas mais comuns nos oceanos e são os principais causadores ou transmissores das doenças que atingem os peixes. Além disso, a saúde dos peixes está diretamente ligada à saúde dos corais, conhecidos como “florestas do mar”, devido à alta biodiversidade.

Sikkel e seu time de pesquisadores estão monitorando a relação entre peixes e parasitas para analisar a degradação dos corais.

Velho conhecido — Sikkel descobriu o Ghnathia marleyi há dez anos nas Ilhas Virgens Americanas. Lá a espécie é tão comum que Sikkel achava que alguém já a tinha nomeado e descrito. Movido pela curiosidade, pediu para um dos pesquisadores do seu time investigar qual espécie era aquela e descobriu que ela não havia sido estudada a fundo.

Homenageados — Marley não é o único famoso homenageado por pesquisadores. Um líquen já foi batizado em homenagem a Barack Obama. O comediante Stephen Colbert serviu de inspiração para uma nova espécie de abelha, Elvis Presley deu nome a uma vespa, e Bill Gates, a uma nova mosca de flor.

Peixe infestado por parasitas que receberam nome de 'Gnathia marleyi', em homenagem a Bob Marley

Peixe infestado por parasitas que receberam nome de 'Gnathia marleyi', em homenagem a Bob Marley (Elizabeth Brill)

Fonte: Veja Ciência


3 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Metade da bacia do Pantanal está sob risco ambiental, avalia estudo

Foram avaliadas áreas no Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina.
Degradação de nascentes e barragens são apontadas como ameaças.

Metade da bacia do rio Paraguai, que abriga o Pantanal, está sob alto ou médio risco ambiental, mostra estudo divulgado nesta quinta-feira (02). Realizado ao longo de três anos pelo WWF, The Nature Conservancy e Centro de Pesquisas do Pantanal, ele coloca hidrelétricas e atividades humanas entre as maiores ameaças.

Planaltos e chapadões que circundam o Pantanal, onde nascem os principais rios da bacia, seriam as áreas que enfrentam os maiores riscos. A pesquisa avaliou regiões no Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina e tem como objetivo subsidiar os governos dos quatro países no desenvolvimento de uma agenda de adaptação do Pantanal às alterações do clima.

“A bacia do rio Paraguai apresenta alto risco ecológico potencial, requerendo ações urgentes e prioritárias de proteção das cabeceiras”, afirma o estudo.

As barragens e hidrelétricas, apontadas como fatores de risco, devem aumentar no Pantanal nos próximos anos. De acordo com o relatório, existem 115 barramentos previstos para a década, 75% de pequenas centrais hidrelétricas, o que deve elevar os riscos ambientais.

“Barramentos ameaçam a duração e a intensidade dos ciclos de cheias e vazantes, colocando em cheque a vida, economias e populações que dependem do equilíbrio ecológico do Pantanal”, considerou Albano Araújo, coordenador da Estratégia de Água Doce do Programa de Conservação da Mata Atlântica e das Savanas Centrais da The Nature Conservancy.

Entre as atividades humanas, as maiores ameaças seriam a pecuária e a agricultura. Desmatamento, hidrovias, rodovias e mineração também são apontados no estudo como fatores de risco.

Cabeceiras, nas bordas do Pantanal, enfrentam os maiores riscos, segundo pesquisa (Foto: Divulgação / WWF)

Cabeceiras, nas bordas do Pantanal, enfrentam os maiores riscos, segundo pesquisa (Foto: Divulgação / WWF)

Preservação
A pesquisa avalia que seriam necessárias novas medidas de preservação do Pantanal. Uma delas seria a criação de novas unidades de proteção, principalmente em áreas de cabeceiras. Atualmente, existem 170 áreas protegidas na bacia do rio Paraguai, mas elas não estão distribuídas de forma adequada, critica o estudo.

Outra medida seria a implantação de medidas de conservação em terras privadas, por exemplo, melhores práticas de manejo de água e solo em atividades agropecuárias. No caso das hidrelétricas, uma possível solução, de acordo com a pesquisa, seria a implementação de esquemas de operação que mantenham os ciclos de cheias e vazantes de modo semelhante ao natural.

O Pantanal é a maior planície inundável do planeta. Seus ciclos anuais de cheias e secas são fundamentais para a vida de milhares de espécies, além de terem importantes impactos econômicos, como a fertilização natural dos campos.

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


7 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Ecoeficiência de sacolas depende do comportamento do consumidor

Em tempos de ecoeficiência, há quem acredite que as sacolas retornáveis são a melhor opção na hora de fazer compras.

Mas, de acordo com um estudo inédito, realizado pela Fundação Espaço ECO e Instituto Akatu, não é tão simples assim dizer que as sacolas retornáveis são melhores para o meio ambiente.

O estudo concluiu que a a ecoeficiência de cada tipo de sacola depende do hábito do consumidor.

Ciclo de vida das sacolas plásticas – Os pesquisadores analisaram o chamado “ciclo de vida” de oito opções de sacolas disponíveis no mercado brasileiro.

Isso incluiu sacolas descartáveis (de polietileno tradicional, de polietileno de cana-de-açúcar e as aditivadas com promotor de oxibiodegradação) e algumas retornáveis (papel, ráfia, tecido e TNT – tecido não-tecido). Todas foram avaliadas para um período de um ano.

Foram considerados vários cenários, envolvendo maior ou menor volume de compras, maior ou menor frequência de idas ao supermercado e de descarte do lixo, matéria-prima utilizada na produção das sacolas, capacidade de carga, custo de cada uma, número de vezes em que é utilizada, reutilização ou não da sacola como saco de lixo e envio ou não para reciclagem.

“Percebemos que cada material tem um desempenho mais adequado dependendo da função e da maneira como é empregado”, explica o gerente de ecoeficiência da Fundação Espaço ECO, Emiliano Graziano.

Vantagens e desvantagens de cada tipo de sacola – Segundo o pesquisador, a relação entre o número de idas do consumidor ao supermercado, o número de vezes que ele dispõe seu lixo em sacolas plásticas e o tamanho de sua compra definem quais sacolas são mais eficientes do ponto de vista da preservação ambiental.

Segundo os pesquisadores, as sacolas descartáveis são vantajosas em um cenário considerado de poucas compras (até duas idas ao supermercado por semana).

Já em situações de mais compras (mais de três visitas semanais ao supermercado), as sacolas descartáveis só seriam vantajosas se usadas no descarte de lixo ao menos três vezes por semana.

As sacolas de papel não se mostraram vantajosas em relação às demais em nenhum tipo de cenário. O motivo é a baixa capacidade de carga, reúso e reciclagem.

“O papel, por ter ficado como alternativa mais impactante no caso base do estudo, não significa que será sempre pior nas situações em que pode ser substituído pelo plástico. Ou seja, o desempenho da sacola de papel, como também ocorre nas outras alternativas, está diretamente ligada ao seu eco design (forma, estrutura, quantidade de matéria-prima empregada) e à sua condição de uso e durabilidade,” esclarece Graziano.

A sacola oxidegradável também não apresentou desempenho ambiental melhor do que a sacola descartável tradicional.

Polêmicas – O resultado é contrário ao que tem sido apregoado pela mídia, mas é coerente com outras pesquisas.

Este estudo, foi financiado pela Braskem, maior produtora de resinas termoplásticas das Américas, portanto, com interesses na questão.

Por outro lado, a empresa já fabrica também plásticos à base de cana-de-açúcar e teve o primeiro plástico verde certificado do mundo.

Outra crítica é que o trabalho não incluiu entre os fatores de impacto ambiental o tempo de decomposição de cada um dos materiais, principal preocupação daqueles que se opõem às sacolas plásticas.

Ou seja, perdeu-se uma boa oportunidade para um parecer científico sobre o assunto.

Hoje a população recebe como informação apenas boatos e mitos: é possível encontrar na imprensa estimativas de degradação das sacolas plásticas que variam de 50 a 1.000 anos, sem a citação de nenhum estudo científico para embasar as afirmações.

Fonte: Site Inovação Tecnológica


26 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

“Desertificação avança no mundo, mas ainda é possível agir”, diz secretário-geral da ONU

Para Ban Ki-moon, políticas públicas podem deter o crescimento dos desertos

Cena comum: mulheres retiram água de poço no estado indiano do Rajastão, que tem parte do território coberto por desertos

Cena comum: mulheres retiram água de poço no estado indiano do Rajastão, que tem parte do território coberto por desertos (Latinstock)

A desertificação ganha terreno no mundo, mas não é uma fatalidade e pode ser revertida de acordo com a política adotada pelos governos, afirmou nesta terça-feira o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em reunião durante a Assembleia Geral anual das Nações Unidas, realizada em Nova York.

“Por que permitir a deterioração destas terras áridas?”, questionou o secretário-geral da ONU em seu discurso. “Tomemos hoje a iniciativa de reverter a tendência. Contrariamente a uma percepção muito disseminada, nem todas as terras áridas são estéreis”, disse Ban Ki-moon. “Uma ação oportuna da nossa parte pode liberar estas riquezas e aportar soluções”, acrescentou o chefe da ONU.

Em seu discurso, Ban Ki-Moon apresentou certos casos bem-sucedidos, entre eles a restauração de antigos terraços nos Andes do Peru ou a plantação de árvores para conter o avanço das dunas do Saara. “Há exemplos em todos os continentes de governos que revertem a tendência à desertificação e melhoram a produtividade das terras”, disse Ban.

Segurança alimentar — Cerca de 40% das terras do mundo são áridas ou semi-áridas. A cada ano são perdidos 12 milhões de hectares de terras produtivas, segundo a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (CNUCD). Dois bilhões de pessoas dependem destes solos para a sua subsistência. A cada minuto são perdidos 23 hectares de terras produtivas por causa da degradação, uma superfície que daria para produzir 20 milhões de toneladas de cereais, segundo a CNUD.

O presidente da Assembleia Geral da ONU, Nassir Abdulaziz Al-Nasser, insistiu no fato de que a desertificação traz à tona a questão da segurança alimentar, de que é exemplo o leste da África. “O custo humano e econômico da desertificação é enorme”, advertiu.

Segundo a ONU, a questão da desertificação abarca o desaparecimento de terras onde as populações tinham a capacidade de plantar ou criar gado e que se tornaram áreas áridas. São regiões onde vivem 2,3 bilhões de pessoas de quase 100 países.

Fonte: Veja Ciência


15 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas pedem ‘cinturões verdes’ para proteger florestas primárias

Biodiversidade em regiões tropicais nunca se recupera após degradação.
Artigo com brasileiro co-autor será publicado na Nature nesta quinta-feira.

Estudo que será publicado nesta quinta-feira (15) na revista “Nature” alerta sobre a necessidade de se criar mais áreas de proteção a florestas tropicais primárias (aquelas que não sofreram degradação e são praticamente intactas), no intuito de preservar a biodiversidade local.

De acordo com o documento, elaborado por 11 pesquisadores, entre eles o brasileiro Carlos Peres, que é docente da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, o impacto do ser humano tem reduzido o valor da biodiversidade.

A rápida conversão da floresta tropical em áreas destinadas à agricultura, produção de madeira e outros usos fazem com que a vegetação não se regenere mais, extinguindo espécies de animais residentes nessas localidades.

 

 

A pesquisa reuniu informações de 28 países, incluindo dados de desmatamento na região da Amazônia brasileira. Foram feitas 2.220 comparações em 92 tipos de paisagens diferentes. Apesar da conhecida devastação do maior bioma do país, com dados divulgados pelo ministério do Meio Ambiente, os cientistas constataram que a cobertura florestal da Ásia é a que mais perde com a exploração humana.

Alta densidade demográfica
“A mudança do uso do solo nesta região e sua degradação ocorrem principalmente pela alta densidade demográfica. Tem muita gente. Além disso, as florestas são muito antigas e os bichos sensíveis a essas alterações. Em países como Indonésia e Malásia são produzidos o óleo de palma para o mundo inteiro nessas áreas devastadas”, disse Carlos Peres.

As aves são as principais espécies afetadas por essas mudanças, afirma o estudo, principalmente quando o solo é utilizado para agricultura. Já as queimadas afetam a recomposição vegetal.

Outro ponto citado no artigo é que a abertura de estradas florestais facilitaria a migração humana para fronteiras da mata nativa, desencadeando a exploração madeireira ilegal. Ambientalistas brasileiros temem esta possibilidade em uma região que compreende os estados do Mato Grosso e Pará, em decorrência da construção da BR-163, estrada federal que liga Cuiabá a Santarém e que corta uma grande área da Amazônia.

Foco de incêndio em área da floresta amazônica que está em regeneração. Desde o começo do ano, Pará registrou 4.039 focos de queimada, segundo o Inpe (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)

Foco de incêndio em área da floresta amazônica que está em regeneração no Pará. Degradação de vegetação primária em áreas tropicais afeta a biodiversidade. Solução é criar cinturões de proteção, sem reduzi-la posteriormente por interesses econômicos (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)

 

Impacto no Brasil
Segundo Peres, o processo de perturbação na Amazônia, pela derrubada e aumento da caça, afeta sistemas naturais da floresta que podem impactar no cotidiano de outras regiões.

“Apesar de falarem que o bioma perdeu apenas de 18% de seu total, há estragos que não são constatados. Essa penetração no interior da floresta quebra o ciclo de preservação. Com as secas constantes que têm sido registradas, se perde biomassa e o processo de evapotranspiração (forma pela qual a água da superfície terrestre passa para a atmosfera no estado de vapor). Tais fatos reduzem as chuvas, que alimentam boa parte do Brasil”, diz o pesquisador.

“Se colocar na ponta do lápis e quantificar os serviços ambientais da Amazônia e suas bacias hidrológicas, os contribuintes brasileiros não conseguiriam pagar nunca. Mas como é tudo de graça, ninguém liga para o que está ocorrendo”, complementa.

De acordo com Peres, é importante “cercar” as áreas protegidas constituindo unidades de conservação para “segurar” a degradação por prazo indeterminado. “O que não se pode fazer é reduzir os níveis de proteção em razão de interesses econômicos”, disse.

 

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo.

 


7 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Para secretário do MCT, o futuro do País é explorar a biodiversidade

Em audiência no Senado, Carlos Nobre falou também sobre a importância da ciência e da tecnologia para a agricultura sustentável.

A contribuição da ciência nas discussões sobre os Desastres Naturais e nas alterações propostas ao Código Florestal foi tema de debate ontem (6) em audiência na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado Federal, em Brasília.

 

Em sua exposição, o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia (SEPED), Carlos Nobre, mostrou a importância da ciência e da tecnologia para a expansão da agricultura sustentável no País. Ele destacou o programa de recuperação de áreas degradadas, a agricultura de baixo carbono e a exploração econômica da biodiversidade brasileira.

 

“O futuro do País é explorar o potencial de nossa biodiversidade. Para isso, precisamos de muita ciência, tecnologia, inovação e políticas públicas que sinalizem que esse e o caminho”, disse.

 

Sobre o Código Florestal, o especialista disse que é preciso parâmetros específicos para áreas urbanas e incorporar o princípio de salvaguarda da vida humana, além da proteção da biodiversidade, da água e do solo. “É muito importante que haja no Código uma visão diferenciada das áreas urbanas para prevenir desastres naturais.

 

Para o presidente da Comissão, senador Eduardo Braga (PMDB/AM), a discussão não deve envolver apenas ruralistas e ambientalistas, mas todo o povo brasileiro. “A ciência e a tecnologia são a chave para encontrar respostas”, disse Braga. De acordo com ele, o momento é de oportunidade para debater o tema de tanta importância econômica, social e ambiental.

 

Participaram também da audiência representantes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Academia Brasileira de Ciência (ABC), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), dos ministérios da Agricultura (Mapa) e do Meio Ambiente (MMA), senadores e deputados.

Fonte: Agência MCT


31 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Pacto pela Restauração da Mata Atlântica e seus (bons) resultados

Carta-resposta da secretaria-executiva do Pacto
30 de Maio de 2011

O movimento Pacto pela Restauração da Mata Atlântica vem a público lamentar a publicação do artigo “Salve o Planeta e fique também milionário,” de autoria do sr. Germano Woehl, publicado no dia 19 de maio de 2011 no site ((o))eco, que trata de forma não recomendável os projetos de restauração florestal na Mata Atlântica.

Por isso, se faz necessária a apresentação e divulgação de alguns esclarecimentos.

O Pacto pela Restauração da Mata Atlântica conta, atualmente, com 184 membros que participam do que é o maior movimento do Brasil para restauração florestal de áreas degradadas com espécies nativas. Reunir organizações e profissionais em torno de um mesmo propósito é algo desafiador e o Pacto vem conquistando resultados cada vez mais sólidos.

O movimento já contribuiu e continuará contribuindo para aperfeiçoar as atuais e criar novas técnicas de campo e mecanismos de financiamento para as atividades de restauração.

O Pacto atua entre as esferas pública e privada, articulando o diálogo entre governo, empresas e proprietários de terra para impulsionar resultados em restauração e conservação da biodiversidade. O Pacto não é uma empresa, não tem fins lucrativos e não visa beneficiar nenhum ator específico. Quem se beneficia de seu sucesso é a biodiversidade, o clima e toda a sociedade brasileira.

Apoiamos a primeira edição da Iniciativa BNDES Mata Atlântica que está investindo mais de R$ 70 milhões de reais na restauração de mais de quatro mil hectares de restauração – não apenas R$ 2,5 milhões. Esses recursos viabilizarão a restauração de áreas que vão propiciar qualidade de vida, água em quantidade e qualidade, além de equilíbrio climático para milhares de pessoas em zonas rurais e urbanas.

O Pacto reforça a importância das estratégias e políticas de conservação e muitos dos seus membros atuam também nessa área. Os signatários entendem que a restauração do bioma Mata Atlântica é a melhor solução para proporcionar segurança ambiental e qualidade de vida para as populações, gerando também trabalho e renda em atividades de restauração.

Como informado no site do movimento, o Pacto vem cadastrando as iniciativas de todos os membros. Nos primeiros dois anos, o movimento cadastrou mais de 90 iniciativas no site, somando mais de 40 mil hectares em processo de restauração florestal. As áreas se encontram em diferentes estágios de restauração, variando entre inicial e médio, principalmente.

No intuito de contribuir para a estruturação da cadeia produtiva da restauração, o Pacto publicou em 2009 (com versões atualizadas em 2010 e 2011) dois documentos referenciais que são distribuídos gratuitamente para todos os membros e demais interessados, por exemplo: pesquisadores, empresas, universidades e ONGs que atuam em restauração.

Além disso, em fevereiro de 2011, o Pacto reuniu, em Campinas-SP, mais de 60 instituições de todo o Brasil, entre universidades, governos, empresas e ONGs, para a construção de um Protocolo de Monitoramento de Projetos de Restauração, que já foi aprovado e será oferecido, sem custo, para todos os membros e a toda a sociedade brasileira.

Trata-se de um conjunto de indicadores ecológicos, sociais, econômicos e de gestão para os projetos de restauração na Mata Atlântica. Este importante instrumento possibilitará a padronização do processo de monitoramento dos plantios executados por seus membros, permitindo a comparação de desempenhos com a utilização de diferentes técnicas e métodos de restauração e a melhoria da eficiência dos projetos. O Pacto é um movimento agregador, transparente em suas atuações e os interessados podem se informar através do nosso site e das publicações acima mencionadas.

A Secretaria Executiva atua em conjunto com diversos profissionais extremamente capacitados na execução e gestão de todas as iniciativas do Pacto, e todos estão sempre à disposição para atender aos interessados em conhecer mais sobre o movimento e sobre restauração.

O Pacto agradece a oportunidade de esclarecer as estratégias do movimento. A contribuição de cada membro é fundamental para manter o caráter aberto, participativo, produtivo e transparente.

Neste espírito, o Pacto convida todas as organizações que atuam na Mata Atlântica a contribuir para o alcance da meta de viabilizar a restauração de 15 milhões de hectares até 2050 e transformar a Mata Atlântica em um lugar seguro e saudável para mais de 120 milhões de brasileiros.

Fonte: Secretaria-Executiva do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica


10 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Extração agressiva deve continuar na região mineira

Os governos federal e estadual afirmaram que ações de médio e longo prazo podem reverter o processo de desertificação em Minas Gerais.

O Ministério do Meio Ambiente concentra seus esforços no PAN (Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação). Minas espera a ajuda federal, mas já desenvolve ações na região afetada.

De acordo com a Secretaria para o Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha, Mucuri e do Norte de Minas, R$ 166 milhões estão sendo investidos neste ano em programas como Combate à Pobreza Rural e Convivência com a Seca.

O programa de construção de barragens, para recuperação do potencial hídrico da região, por exemplo, prevê investimentos de R$ 8 milhões para entregar 70 obras até junho de 2012.

Desde 2009, foram construídas 104 barragens em 39 cidades, de acordo com informações do governo mineiro. Na opinião de Vladia Oliveira, professora do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará, os investimentos oficiais podem ajudar a frear o processo de desertificação, mas é importante focar mais na prevenção do que na recuperação de áreas já degradadas.

“Tem de agir em todas as frentes, mas a recuperação é bastante cara, demorada e restrita”, diz a especialista.

Para ela, não adianta o poder público investir milhões para recuperar pequenas áreas enquanto regiões muito maiores continuam sendo degradadas. “As pessoas não têm informação ambiental nem opções que não sejam o extrativismo agressivo”, conclui.

Fonte: Raphael Veleda, Belo Horizonte


30 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Caça que afeta a flora

Uma série de estudos realizados na Mata Atlântica indica que a defaunação – perda de mamíferos e aves devido à caça –, ao modificar as forças seletivas, pode desencadear rápidas mudanças evolucionárias. As pesquisas demonstraram que o processo gera novos impedimentos ecológicos para a população de plantas, afetando sua demografia ao aumentar a predação de sementes.

Os estudos estão relacionados ao Projeto Temático “Efeitos de um gradiente de defaunação na herbivoria, predação e dispersão de sementes: uma perspectiva na Mata Atlântica”, financiado pela FAPESP e coordenado por Mauro Galetti, professor do Instituto de Biociências de Rio Claro da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Galetti, que pesquisa o tema há cerca de 20 anos, apresentou alguns dos resultados do Projeto Temático durante a conferência internacional Getting Post 2010 – Biodiversity Targets Right realizada este mês pelo Programa Biota-FAPESP em parceria com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

De acordo com Galetti, o Brasil tem 35% das espécies ameaçadas de mamíferos no mundo. A perda de habitat e a fragmentação da floresta são os principais fatores de ameaça, mas metade das espécies sofre com a caça. O tamanho do corpo é um dos preditores de ameaça de extinção. Segundo o cientista, a escala de defaunação é gigantesca em todo o mundo, chegando a 20 milhões de animais mortos por ano em regiões como a África central.

“Verificamos que na Mata Atlântica do Estado de São Paulo há muita caça também. Um de nossos mestrandos entrevistou caçadores por um ano no Parque Estadual da Serra do Mar e constatou que 96 mamíferos haviam sido abatidos”, disse Galetti.

É um número alto, considerando as características da região, segundo ele. Em um Projeto Temático anterior coordenado por Galetti, sobre a conservação de grandes mamíferos, os dados da Mata Atlântica foram comparados com os da Amazônia, indicando a abundância no número de espécies de mamíferos no primeiro bioma.

A abundância de mamíferos na floresta contínua com pouca caça na Mata Atlântica é muito maior do que em locais com caça. No caso da queixada (Tayassu pecari), por exemplo, a abundância é 30 vezes menor em áreas com caça.

Os mamíferos são responsáveis por pelo menos 30% da dispersão das cerca de 2,5 mil espécies de plantas na Mata Atlântica. Mas isso corresponde a um processo complexo que envolve os efeitos da presença de animais de diversos tamanhos com inúmeras relações com as espécies vegetais.

“Desenvolvemos um modelo de redução de megaherbívoros para estudar esses efeitos. Conforme aumentamos a perturbação no modelo, as populações de grandes mamíferos entraram em colapso. Mas, por outro lado, as populações de mamíferos de médio porte chegam a aumentar em áreas perturbadas”, disse.

O modelo, segundo ele, aponta um aumento quase linear na abundância de roedores quando há uma perturbação que leva as populações de grandes mamíferos ao colapso. “Esse modelo já foi testado experimentalmente na savana africana, na observação da abundância de ratos em áreas com e sem elefantes. Quando não há elefantes, a população de ratos aumenta muito”, contou.

Na savana africana, no entanto, há apenas um roedor. Na floresta tropical, com diversidade muito maior de pequenos mamíferos, os processos são mais complexos.

O grupo de Galetti realizou um estudo comparando a abundância de pequenos mamíferos em duas áreas separadas por uma distância de 15 quilômetros. Ambas apresentavam uma diferença considerável quanto à biomassa de mamíferos.

“A riqueza de espécies nas duas áreas era exatamente igual. Mas há uma estrada que passa entre as duas áreas e, de um lado, o ambiente é dominado por queixadas, enquanto do outro lado predominam os esquilos. Com exceção dessa característica, que resulta em uma diferença na biomassa dos mamíferos, as populações de animais nas duas são muito semelhantes”, explicou.

Duas tecnologias foram usadas para avaliar os mamíferos: as armadilhas de interceptação e queda conhecidas como pitfall traps e as armadilhas do tipo live trap. A primeira mostrou mais eficiência para registrar as diferenças na abundância dos animais.

“Avaliamos se a diferença de abundância das duas espécies nas duas áreas poderia ser decorrência da abundância de cobras, mesopredadores, limitação de recursos e de microhabitat. Mas tudo isso foi rejeitado como hipótese alternativa. A hipótese que estamos aceitando é que a presença da queixada afeta a abundância de pequenos roedores”, disse Galetti.

Dispersão modificada – De acordo com o coordenador do Projeto Temático, espera-se que a predação de sementes seja maior em uma floresta com mais presença de roedores.

“Testamos isso em um estudo com a palmeira Euterpe edulis, que é usada na produção de palmito. Ela tem suas sementes predadas por aves e muitas espécies de mamíferos. Escolhemos quatro áreas sem queixadas e três com queixadas para fazer o estudo”, contou Galetti.

Os pesquisadores instalaram, nas áreas escolhidas, câmeras que permitem calcular o número de sementes predadas. “Nas áreas defaunadas, sem as queixadas, a predação de sementes por roedores cresce consideravelmente. Nos fragmentos defaunados só os roedores predam as sementes da palmeira, mas a proporção dessa predação é aumentada em seis vezes”, disse.

Além do aumento na predação, as áreas defaunadas sofrem com maior dificuldade de dispersão das sementes, que é feita principalmente por animais que as ingerem e as regurgitam em outras partes da floresta.

Em áreas não defaunadas, segundo Galetti, o maior dispersor das sementes do palmito é o tucano. Quando a área é defaunada, o maior dispersor são aves do gênero Turdus, que inclui o sabiá. O problema é que sua capacidade de dispersão não é a mesma, pois trata-se de uma ave sete vezes menor que o tucano.

“As aves grandes consomem sementes maiores. Testamos isso com aves em cativeiro. Na área defaunada, há uma redução do tamanho das sementes dispersas. As plântulas que se originam das sementes grandes têm mais vigor e podem sobreviver mesmo depois de ser parcialmente predadas”, disse.

Os estudos mostraram também que, nas áreas defaunadas, as sementes maiores apresentam maior chance de escapar da predação, devido à ausência de predadores de médio e grande porte. “Sementes menores sofrem maior pressão de predação”, disse Galetti.

(Fonte: Agência Fapesp)


1 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Acordo sobre florestas em conferência de Cancún beneficiaria Brasil

A criação de instrumentos para promover a redução de emissões por desmatamento e degradação (conhecidos pela sigla REDD) em países em desenvolvimento tem boas chances de ser um dos resultados práticos da conferência das Nações Unidas sobre mudança climática em Cancún, no México. Um acordo na área pode significar o aporte de bilhões dólares ao Brasil, com suas vastas reservas florestais.

Se aprovados, instrumentos de REDD+ (o sinal acrescenta a remuneração de atividades que levem a conservação de florestas, manejo sustentável e reforço de estoques de carbono de florestas em países em desenvolvimento) poderiam canalizar este dinheiro de um fundo específico financiado por governos, bem como da iniciativa privada ou mercados de carbono e verbas para mitigação (redução de emissões).

O Brasil tem grande interesse em uma implementação relativamente rápida de REDD, tanto que deve assumir a liderança, ao lado da França, do grupo internacional Parceria REDD – criado neste ano com quase 70 países para viabilizar mecanismos REDD no mundo.

Uma vez aprovada uma estrutura internacional de REDD, o país pode sair na frente por ter mais de 20 projetos pioneiros já em prática.

Talvez o mais conhecido e bem-sucedido seja o projeto Juma, da Fundação Amazonas Sustentável, que já possibilita o sustento de 338 famílias na Reserva de Juma, no Amazonas.

Moeda de troca – Desde a conferência de Copenhague, em 2009, negociadores admitem que as discussões estão em uma fase adiantada, faltando pouco mais que definições de forma no texto.

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No entanto, por fazer parte das complexas negociações por um acordo mais abrangente, o tema pode acabar sendo usado como moeda de troca entre os negociadores.

‘Os países utilizarão a REDD como peça no jogo de xadrez que gire em volta das outras negociações, principalmente o financiamento e as metas de redução de emissões. De fato um acordo sobre REDD não trará benefícios para o planeta sem um compromisso firme para reduzir as emissões globais’, afirmou à BBC Brasil Raja Jarrah, especialista em REDD da organização não-governamental Care International.

‘Podem sim fechar um acordo específico sobre REDD em Cancún, mas seria parcial e deixaria muito a desejar.’

Sem um mecanismo internacional que norteie as iniciativas florestais, tanto o financiamento quanto a própria estrutura dos projetos ficam indefinidas.

Apesar da grande expectativa por um acordo parcial de REDD, há também quem seja contra o mecanismo. Muitos ativistas temem que projetos REDD acabem levando à expulsão de comunidades indígenas ou nativas de florestas.

Riscos – A ONG Friends of the Earth International considera o mecanismo ‘perigoso’ já que poderia incentivar o agronegócio e o setor madeireiro.

‘O estímulo à plantações de árvores é baseado nas falsas promessas de criação de empregos, desenvolvimento sustentável, mitigação de mudanças climáticas e proteção da biodiversidade. Mas testemunhos e estudos de caso (reunidos pela ONG) mostram que plantações têm impactos muito severos sobre a população e a natureza locais’, afirmou um dos coordenadores do grupo, Sebastian Valdomir.

Mesmo a Care, que apoia iniciativas REDD em tese, alerta para o risco de uma versão ‘aguada’ do mecanismo.

Os ativistas dizem que no esforço por acomodar interesses distintos durante o encontro de Cancún, corre-se o risco de ‘nivelar tudo por baixo’.

‘Tecnicamente seria relativamente fácil encontrar uma forma de palavras que agrade a todos’, afirmou Raja Jarrah, acrescentando que elementos importantes poderiam ser deixados de lado, como a obrigação de monitorar salvaguardas sociais e ambientais.

‘Aí teríamos um mecanismo que facilita o fluxo de finanças e o negócio de carbono, mas que deixa as populações que dependem da floresta expostos a exploração.’

A 16ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas começou na segunda-feira, 29 de novembro, e vai até o dia 10 de dezembro.

Poucos esperam que um acordo abrangente saia do encontro no México. A expectativa é de que representantes de mais de 190 países pavimentem um possível acordo para o encontro de 2011, na África do Sul.

(Fonte: G1)


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