14 de maio de 2012 | nenhum comentário »

‘Primo’ mais antigo dos pandas viveu há 11 milhões de anos na Espanha

Pesquisadores encontraram fósseis dos ursos ‘Agriarctos beatrix’, parentes dos pandas gigantes da atualidade, na Península Ibérica

A análise de fósseis de dentes encontrados no nordeste da Espanha indica que ‘parentes’ do panda gigante, espécie que hoje habita a China, viveram na região há 11 milhões de anos. Essa foi a primeira evidência encontrada de um urso semelhante aos pandas na Península Ibérica.

O fóssil analisado no estudo é de uma nova espécie de urso, Agriarctos beatrix, que foi descoberta no sítio arqueológico de Nombrevilla, na província de Saragoça, na Espanha. “Nós encontramos esse fóssil em escavações feitas há muito tempo, na década de 1980. Nós pensávamos que era de um tipo de urso qualquer, ele estava lá em uma caixa esperando alguém estudá-lo”, explica Jorge Morales, do Museu Nacional de Ciências Naturais e um dos autores do trabalho.

Os resultados da análise do fóssil foram publicados na edição do segundo semestre de 2011 do periódico Estudios Geológicos, mas apenas agora foram divulgados pelos cientistas.

Ainda que a espécie encontrada seja parecia ao panda gigante em aspectos alimentares e de formato dos dentes, as duas espécies diferem bastante em tamanho. “Essa espécie era ainda menor do que o urso malaio [que tem cerca de 1,5 metro de altura e pesa pouco mais de 60 quilos, em média], considerada atualmente a menor espécie de ursos. Ele não deveria pesar mais do que 60 quilos”, afirma Juan Abella, pesquisador do Departamento de Paleobiologia do Museu Nacional de Ciências Naturais e principal autor do estudo. Os pandas gigantes da atualidade pesam cerca de 100 quilos e medem em média 3,5 metros.

Embora seja difícil determinar sua aparência típica, já que foram encontrados apenas fósseis de dentes, os cientistas acreditam que o animal tinha pelo escuro com manchas brancas, principalmente no peito, em volta dos olhos e provavelmente próximas à cauda. “Esse é considerado o padrão de pelo em ursos primitivos”, explica Abella.

Os ursos Agriarctos beatrix teriam vivido na floresta e seriam menos nômades do que espécies que costumam caçar, como os ursos marrom e polar. De acordo com os pesquisadores, esse urso extinto deveria fugir de grandes carnívoros escalando árvores. Segundo Abella, a dieta do animal “deveria ser similar à do urso malaio ou do urso-de-óculos, que come vegetais, frutas, e pouca carne”.

Formato dos dentes — Jorge Morales explica que uma das principais características que aproxima a nova espécie descoberta dos pandas gigantes é a morfologia dos dentes. “Os dentes encontrados tinham formato mais arredondado, característica de animais que quase não se alimentam de carne. Os dentes dos pandas de hoje são menos pontiagudos, já que eles são herbívoros e não precisam ter dentes afiados para cortar carne.”

“Nós sabemos que é uma espécie diferente daquelas documentadas até agora devido a suas diferenças morfológicas e o tamanho de seus dentes”, diz Abella. Para chegar a essas conclusões, os cientistas compararam os fósseis encontrados com dentes de espécies atuais, como ursos marrons e polares.

Ainda que não se possa saber com certeza quais razões levaram essa espécie à extinção, para Abella a causa mais provável é que “a vegetação florestal tenha dado espaço para locais mais secos e abertos que proporcionaram o surgimento de espécies similares, maiores e mais competitivas.”

panda espanha

Cientistas acreditam que o urso do fóssil encontado tinha pelo escuro e manchas brancas em algumas regiões do corpo como na região dos olhos, no peito e na cauda (Ilustração do SINC)

Fonte: Veja Ciência


15 de março de 2012 | nenhum comentário »

Roedores mamíferos podem ter convivido com dinossauros

Eles apareceram nos últimos 20 milhões de anos do reinado dos dinos.
Com dentição complexa, animais deveriam se alimentar de vegetais.

Multituberculado teria vivido durante período Mesozoico e convivido com dinossauros. (Foto: Divulgação / Jude Swales)

Multituberculado teria vivido convivido com dinossauros (Foto: Divulgação / Jude Swales)

Os cientistas acreditavam que, durante a era Mesozoica, os mamíferos eram criaturas pequenas que viviam à sombra de outras. No entanto, agora, eles dizem que pelo menos um grupo de mamíferos conseguiu prosperar.

Criaturas semelhantes a roedores, chamados multituberculados, apareceram nos últimos 20 milhões de anos de reinado dos dinossauros e sobreviveram após a extinção destes, há 66 milhões de anos.

O novo estudo de um paleontólogo da Universidade de Washington indica que os chamados multituberculados conseguiram sobreviver tão bem porque desenvolveram diversos tubérculos (protuberâncias ou cúspides) nos dentes posteriores, o que permitiu que se alimentassem de angiospermas, plantas com flores que estavam se tornando um elemento comum na paisagem.

“Esses mamíferos eram capazes de proliferar em termos de número de espécies, tamanho do corpo e formato de seus dentes, características que influenciaram o que comiam”, disse Gregory P. Wilson, professor assistente de biologia da Universidade de Washington.

Ele é o principal autor da pesquisa, publicada nesta quarta-feira (14), em uma edição on-line da revista científica “Nature”.

Características
Cerca de 170 milhões de anos atrás, os multituberculados tinham o tamanho aproximado de um rato. As angiospermas começaram a aparecer há aproximadamente 140 milhões e, depois disso, o tamanho dos pequenos mamíferos aumentou, chegando ao de um castor.

Após a extinção dos dinossauros, os multituberculados continuaram a se destacar até que os outros mamíferos – em grande parte primatas, ungulados e roedores – ganharam uma vantagem competitiva. Isso acabou levando, enfim, ao desaparecimento dos multitubeculados, cerca de 34 milhões de anos atrás.

Os cientistas examinaram os dentes de 41 espécies de multituberculados preservados em fósseis coletados ao redor do mundo a fim de determinar para que direção as manchas presentes nas superfícies dentárias apontavam.

Carnívoros têm dentes relativamente simples, com talvez 110 manchas por arcada, pois seu alimento se despedaça facilmente, explicou Wilson. Mas animais que dependem mais de vegetais para a sobrevivência têm uma dentição um pouco mais afetada porque sua comida é dilacerada com os dentes.

Em alguns multituberculados, dentes em formato de lâmina situados na parte da frente da boca se tornaram menos proeminentes com o tempo e os dentes de trás se tornaram mais complexos, com 348 manchas por arcada, um indício de mastigação de alimento vegetal.

Fonte: France Presse

 






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‘Primo’ mais antigo dos pandas viveu há 11 milhões de anos na Espanha

Pesquisadores encontraram fósseis dos ursos ‘Agriarctos beatrix’, parentes dos pandas gigantes da atualidade, na Península Ibérica

A análise de fósseis de dentes encontrados no nordeste da Espanha indica que ‘parentes’ do panda gigante, espécie que hoje habita a China, viveram na região há 11 milhões de anos. Essa foi a primeira evidência encontrada de um urso semelhante aos pandas na Península Ibérica.

O fóssil analisado no estudo é de uma nova espécie de urso, Agriarctos beatrix, que foi descoberta no sítio arqueológico de Nombrevilla, na província de Saragoça, na Espanha. “Nós encontramos esse fóssil em escavações feitas há muito tempo, na década de 1980. Nós pensávamos que era de um tipo de urso qualquer, ele estava lá em uma caixa esperando alguém estudá-lo”, explica Jorge Morales, do Museu Nacional de Ciências Naturais e um dos autores do trabalho.

Os resultados da análise do fóssil foram publicados na edição do segundo semestre de 2011 do periódico Estudios Geológicos, mas apenas agora foram divulgados pelos cientistas.

Ainda que a espécie encontrada seja parecia ao panda gigante em aspectos alimentares e de formato dos dentes, as duas espécies diferem bastante em tamanho. “Essa espécie era ainda menor do que o urso malaio [que tem cerca de 1,5 metro de altura e pesa pouco mais de 60 quilos, em média], considerada atualmente a menor espécie de ursos. Ele não deveria pesar mais do que 60 quilos”, afirma Juan Abella, pesquisador do Departamento de Paleobiologia do Museu Nacional de Ciências Naturais e principal autor do estudo. Os pandas gigantes da atualidade pesam cerca de 100 quilos e medem em média 3,5 metros.

Embora seja difícil determinar sua aparência típica, já que foram encontrados apenas fósseis de dentes, os cientistas acreditam que o animal tinha pelo escuro com manchas brancas, principalmente no peito, em volta dos olhos e provavelmente próximas à cauda. “Esse é considerado o padrão de pelo em ursos primitivos”, explica Abella.

Os ursos Agriarctos beatrix teriam vivido na floresta e seriam menos nômades do que espécies que costumam caçar, como os ursos marrom e polar. De acordo com os pesquisadores, esse urso extinto deveria fugir de grandes carnívoros escalando árvores. Segundo Abella, a dieta do animal “deveria ser similar à do urso malaio ou do urso-de-óculos, que come vegetais, frutas, e pouca carne”.

Formato dos dentes — Jorge Morales explica que uma das principais características que aproxima a nova espécie descoberta dos pandas gigantes é a morfologia dos dentes. “Os dentes encontrados tinham formato mais arredondado, característica de animais que quase não se alimentam de carne. Os dentes dos pandas de hoje são menos pontiagudos, já que eles são herbívoros e não precisam ter dentes afiados para cortar carne.”

“Nós sabemos que é uma espécie diferente daquelas documentadas até agora devido a suas diferenças morfológicas e o tamanho de seus dentes”, diz Abella. Para chegar a essas conclusões, os cientistas compararam os fósseis encontrados com dentes de espécies atuais, como ursos marrons e polares.

Ainda que não se possa saber com certeza quais razões levaram essa espécie à extinção, para Abella a causa mais provável é que “a vegetação florestal tenha dado espaço para locais mais secos e abertos que proporcionaram o surgimento de espécies similares, maiores e mais competitivas.”

panda espanha

Cientistas acreditam que o urso do fóssil encontado tinha pelo escuro e manchas brancas em algumas regiões do corpo como na região dos olhos, no peito e na cauda (Ilustração do SINC)

Fonte: Veja Ciência


15 de março de 2012 | nenhum comentário »

Roedores mamíferos podem ter convivido com dinossauros

Eles apareceram nos últimos 20 milhões de anos do reinado dos dinos.
Com dentição complexa, animais deveriam se alimentar de vegetais.

Multituberculado teria vivido durante período Mesozoico e convivido com dinossauros. (Foto: Divulgação / Jude Swales)

Multituberculado teria vivido convivido com dinossauros (Foto: Divulgação / Jude Swales)

Os cientistas acreditavam que, durante a era Mesozoica, os mamíferos eram criaturas pequenas que viviam à sombra de outras. No entanto, agora, eles dizem que pelo menos um grupo de mamíferos conseguiu prosperar.

Criaturas semelhantes a roedores, chamados multituberculados, apareceram nos últimos 20 milhões de anos de reinado dos dinossauros e sobreviveram após a extinção destes, há 66 milhões de anos.

O novo estudo de um paleontólogo da Universidade de Washington indica que os chamados multituberculados conseguiram sobreviver tão bem porque desenvolveram diversos tubérculos (protuberâncias ou cúspides) nos dentes posteriores, o que permitiu que se alimentassem de angiospermas, plantas com flores que estavam se tornando um elemento comum na paisagem.

“Esses mamíferos eram capazes de proliferar em termos de número de espécies, tamanho do corpo e formato de seus dentes, características que influenciaram o que comiam”, disse Gregory P. Wilson, professor assistente de biologia da Universidade de Washington.

Ele é o principal autor da pesquisa, publicada nesta quarta-feira (14), em uma edição on-line da revista científica “Nature”.

Características
Cerca de 170 milhões de anos atrás, os multituberculados tinham o tamanho aproximado de um rato. As angiospermas começaram a aparecer há aproximadamente 140 milhões e, depois disso, o tamanho dos pequenos mamíferos aumentou, chegando ao de um castor.

Após a extinção dos dinossauros, os multituberculados continuaram a se destacar até que os outros mamíferos – em grande parte primatas, ungulados e roedores – ganharam uma vantagem competitiva. Isso acabou levando, enfim, ao desaparecimento dos multitubeculados, cerca de 34 milhões de anos atrás.

Os cientistas examinaram os dentes de 41 espécies de multituberculados preservados em fósseis coletados ao redor do mundo a fim de determinar para que direção as manchas presentes nas superfícies dentárias apontavam.

Carnívoros têm dentes relativamente simples, com talvez 110 manchas por arcada, pois seu alimento se despedaça facilmente, explicou Wilson. Mas animais que dependem mais de vegetais para a sobrevivência têm uma dentição um pouco mais afetada porque sua comida é dilacerada com os dentes.

Em alguns multituberculados, dentes em formato de lâmina situados na parte da frente da boca se tornaram menos proeminentes com o tempo e os dentes de trás se tornaram mais complexos, com 348 manchas por arcada, um indício de mastigação de alimento vegetal.

Fonte: France Presse