26 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Degelo no Ártico ameaça focas aneladas, aponta estudo

Cientistas da Universidade de Washington dizem que, se ritmo do derretimento continuar, área de reprodução dos animais deve ser reduzida em 70%

O derretimento no Ártico pode provocar o desaparecimento de mais de dois terços da área coberta de neve utilizada pelas focas aneladas para reprodução. Esses animais usam a neve acumulada para abrir pequenos túneis, onde criam e protegem seus filhotes. O degelo deixa o animal desabrigado e diminui suas chances de procriação e preservação. O alerta foi feito por um estudo publicado pela revista Geophysical Research Letters.

Os túneis cavados pelas focas são vitais para a sobrevivência dos animais, segundo Cecilia Bitz, professora de ciências atmosféricas da Universidade de Washington e coautora do estudo. De acordo com a pesquisa, a área do Ártico que acumula pelo menos 20 centímetros de neve, quantidade mínima para servir às focas aneladas, diminuirá em pelo menos 70% até o final deste século.

Além de reduzir a área de reprodução, as mudanças no regime de precipitação de neve também ameaçam a criação dos filhotes. Isso porque, segundo o estudo, os invernos serão mais curtos, e a neve deve derreter mais cedo no ano. Assim, as cavernas podem não durar até que os filhotes estejam preparados para deixar os abrigos. Além disso, é previsto um aumento das chuvas, o que causaria o colapso dos túneis.

Alterações na quantidade de neve podem influir no próprio processo de degelo do Ártico. A neve, segundo Paul Hezel, também da Universidade de Washington e autor da pesquisa, tem um enorme impacto termodinâmico na espessura do gelo.  Durante a primavera, por exemplo, a cobertura de neve, por refletir mais o sol do que o gelo, ajuda a conter o derretimento.

Foca anelada

As focas aneladas cavam túneis na neve para proteger seus filhotes. Degelo e aumento de chuvas ameaçam a espécie (Brendan Kelly/National Science Foundation)

Fonte: Veja Ciência


14 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas gravam retrocesso acelerado de geleira chilena

Derretimento faz geleira de Jorge Montt, no sul da Patagônia chilena, perder cobertura de gelo a taxas aceleradas, alertam cientistas.

Eles registraram pela primeira vez em vídeo o encolhimento da geleira, uma das principais do sul da Patagônia.

A perda de gelo é descrita como sendo um “retrocesso dramático”, acelerado nos últimos dez anos pelo aquecimento global.

Segundo os especialistas, o derretimento acelerado faz a geleira de 454 quilômetros quadrados perder um quilômetro por ano.

As imagens foram feitas por pesquisadores do Centro de Estudos Valdívia, entre fevereiro de 2010 e janeiro de 2011.

Segundo especialistas, derretimento acelerado faz a geleira de 454 km quadrados perder um quilômetro por ano

Segundo especialistas, derretimento acelerado faz a geleira de 454 km quadrados perder um quilômetro por ano. Foto: Centro de Estudios Valdívia

Click e veja o vídeo: http://www.bbc.co.uk/worldservice/emp/pop.shtml?l=pt&t=video&r=1&p=/portuguese/meta/dps/2011/12/emp/111208_geleira_vale_pu.emp.xml

Fonte: Folha.com


6 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Geleiras do Himalaia diminuíram até 22% em 30 anos, afirmam cientistas

Relatórios de instituto apontam que redução ocorreu no Nepal e no Butão.
Derretimento se acelerou entre 2002 e 2005 em dez geleiras avaliadas.

Novos estudos científicos sobre o derretimento das geleiras do Himalaia revelam o impacto das mudanças climáticas nesta região e a ameaça que pesa sobre 1,3 bilhão de habitantes.

Segundo os estudos publicados em três relatórios do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD), com base em Katmandu, as geleiras diminuíram 21% no Nepal e 22% no Butão nos últimos 30 anos.

Estas descobertas seriam a primeira confirmação oficial sobre o derretimento das geleiras, após várias declarações empíricas. Elas corrigem também um anúncio errado do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) que afirmou em seu 4º relatório em 2007 que as geleiras do Himalaia derretiam mais rápido do que as outras do mundo e “poderiam desaparecer até 2035, ou antes”.

O IPCC afirmou que foi “um lamentável erro” provocado por “procedimentos que não foram devidamente acompanhados”.

Apoiados pelo projeto de pesquisa financiado pela Suécia e realizado pela ICIMOD durante três anos, os especialistas descobriram que as dez geleiras observadas estão em processo de derretimento em uma velocidade que acelerou entre 2002 e 2005.

Imagem de dezembro de 2009 mostra montanhas e uma geleira na região do monte Everest, a 140 km de distância de Kathmandu. Milhões de pessoas estão sob ameaça de derretimento das geleiras do Himalaia, de acordo com cientistas, (Foto: Prakash Mathema/AFP)

Imagem de dezembro de 2009 mostra o Himalaia e uma geleira na região do monte Everest, a 140 km de distância de Kathmandu. Milhões de pessoas estão sob ameaça de derretimento da neve nesta região, de acordo com cientistas (Foto: Prakash Mathema/AFP)

Redução significativa
De acordo com os resultados de um outro estudo, o volume de neve que cobre a região diminuiu de maneira significativa nos últimos 10 anos. “Estes relatórios fornecem um novo ponto de comparação e informações sobre as zonas geográficas específicas para compreender a mudança climática em um dos ecossistemas mais vulneráveis do mundo”, comentou o presidente do IPCC, o indiano Rajendra Pachauri.

As 54.000 geleiras do Himalaia alimentam com água os oito maiores rios da Ásia, entre eles – Indus, Ganges, Brahmaputra, Yangtze e Rio Amarelo – suscetíveis de serem afetados pelo stress hídrico nas próximas décadas, com potenciais consequências para os 1,3 bilhão de pessoas.

Fonte: Da France Presse


27 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Estudo registra derretimento de geleiras no Himalaia chinês

Estações a mais de 4.000 m registraram 1,7º de aquecimento em 47 anos.
Lagos alimentados pelo gelo das montanhas aumentaram de tamanho.

A rápida elevação das temperaturas, causada pelas mudanças climáticas, está provocando o derretimento das geleiras chinesas na Cordilheira do Himalaia, um impacto que ameaça habitats, o turismo e o desenvolvimento econômico da região, alerta um estudo publicado nesta terça-feira (25).

Das 111 estações meteorológicas espalhadas pelo sudoeste da China, 77% demonstraram elevações significativas de temperaturas entre 1961 e 2008, segundo o estudo, publicado no periódico britânico “Environmental Research Letters”.

Nas 14 estações de monitoramento acima dos 4.000 metros, o salto neste período foi de 1,73 grau Celsius, aproximadamente duas vezes a elevação média global registrada ao longo do último século.

Cientistas liderados por Li Zhongxing, da Academia Chinesa de Ciências, identificaram três alterações em curso nas geleiras que poderiam ser causadas, pelo menos em parte, por esta tendência constante de aquecimento.

Segundo eles, a maior parte das geleiras examinadas demonstrou um “recuo drástico”, além de uma grande perda de massa.

O estudo também demonstrou que lagos glaciais, alimentados pelo gelo derretido de geleiras, aumentaram de tamanho.

“As implicações destas mudanças são muito mais sérias do que uma mera alteração da paisagem”, alertaram os cientistas.

“As geleiras integram milhares de ecossistemas e desempenham um papel crucial no sustento de populações humanas”, acrescentaram.

O sudoeste da China tem 23.488 geleiras, cobrindo uma área de 29.523 quilômetros quadrados, através do Himalaia e das montanhas Nyainqntanglha, Tanggula e Hengduans.

Mudanças no padrão de chuvas e das nevascas foram menos marcantes, mas ainda consistentes com as previsões de modelos de mudanças climáticas, afirmaram.

“É imperativo que determinemos a relação entre as mudanças climáticas e variações nas geleiras, particularmente o papel das precipitações, uma vez que as consequências do recuo do gelo são muito abrangentes”, disse Li.

Geleira no sul da China, quase na fronteira com o Nepal. (Foto: AFP)

Geleira no sul da China, quase na fronteira com o Nepal. (Foto: AFP)

Fonte: AFP


16 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Derretimento do Ártico é o 2º maior da história, afirma centro de pesquisa

Degelo deste ano só perde para 2007, segundo medições feitas por satélite.
Cientistas afirmam que aquecimento global pode ser uma das causas.

A cobertura de gelo que flutua no Oceano Ártico podeainda não ter atingido seu menor índice em 2011, mas é o segundo mais baixo já registrado desde que satélites iniciaram a medição desta região, em 1979.

As informações são do Centro Nacional de Dados sobre Gelo e Neve (NSIDC, na sigla em inglês), ligado à Universidade do Colorado-Bolder, nos Estados Unidos, e foram divulgadas nesta quinta-feira (15).

A confirmação ocorre após cientistas apontarem a data de 8 de setembro como o dia em que a plataforma de gelo marinho atingiu seu recorde mínimo neste ano, 4,33 milhões de quilômetros quadrados. Apesar do índice ter ficado abaixo ao de 2007, quando a região ficou com 4,27 milhões de quilômetros quadrados de gelo, existe uma preocupação quanto à redução, que está abaixo da média entre 1979 e 2000.

Imagem divulgada mostra como está a plataforma glacial no Ártico hoje comparando com linhas cinzas, que mostram a média do derretimento do gelo entre 1979 (Foto: NSIDC)

Imagem divulgada mostra como está a plataforma glacial no Ártico hoje. As linhas cinzas fazem um comparativo entre a situação atual e as médias do derretimento do gelo registradas entre 1979 e 2000 (Foto: NSIDC)

Aquecimento global
A maioria dos cientistas acredita que o encolhimento do gelo do Ártico está ligado ao aquecimento global, causado pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa produzidos pelo homem. “Se em um verão vemos a extensão do gelo diminuir em setembro, no ano seguinte essa situação pode ocorrer novamente”, disse Mark Serreze, diretor do NSIDC. “A cobertura do Ártico está tão fina em comparação com o derretimento de 30 anos atrás, que não se pode bater na placa”, complementa.

Serreze disse que em 2007, ano recorde do derretimento de gelo no polo Norte, houve condições meteorológicas que culminaram neste fenômeno. “É interessante que neste ano, não vimos tal padrão climático”, disse.

É possível que a quantidade de gelo nesta região diminua ainda mais em 2011, devido à mudança dos ventos no fim do verão. Essas informações só serão confirmadas em outubro, quando uma nova análise será emitida pelo centro de pesquisas, junto à comparação com o derretimento de anos anteriores.

Impacto ambiental x Interesse comercial
Períodos de insolação elevados durante o mês de julho já eram tidos pelos cientistas como prováveis causas para a redução do gelo no futuro. Há quem defenda que o gelo marítimo no Ártico possa desaparecer por completo daqui a 30 anos, com graves consequências para a Terra, apesar de abrir a oportunidade de exploração de petróleo na área desocupada pelo gelo.

A navegação foi possível pelas rotas Noroeste e Nordeste durante o ano de 2011 por conta da ausência de gelo – a última pode virar rota comercial já que permite a conexão entre os oceanos Pacífico e Atlântico. O degelo já havia deixado as passagens livres duas vezes desde 2008.

A temperatura no Ártico subiu duas vezes mais rápido que a média global nos últimos 50 anos. O ano de 2010 empatou com 2005 como o ano mais quente da história, desde que institutos começaram a fazer medições. Ainda que a agência norte-americana ainda reconheça o ano de 2005 como recordista, as Nações Unidas atestaram o empate.

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


26 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Onda de calor no hemisfério Norte acelera degelo no Ártico

A onda de calor que atingiu o hemisfério Norte neste mês acelerou o degelo sazonal do Ártico. Cientistas americanos alertam que a região pode ter em 2011 a menor extensão de gelo marinho já registrada.

Segundo o NSIDC (Centro Nacional de Dados de Gelo e Neve dos EUA), o gelo marinho no oceano Ártico está “a caminho de ficar abaixo do nível de 2007″, quando bateu seu recorde.

Naquele ano, a Passagem Noroeste, que liga o Atlântico ao Pacífico pelo norte do Canadá, foi aberta pelo degelo pela primeira vez em séculos.

A passagem ainda não se abriu neste ano. Mas no último domingo a área coberta pelo gelo marinho era de 7,56 milhões de quilômetros quadrados, quase 3 milhões de quilômetros quadrados inferior à média 1979-2000.

“A extensão está menor nesta época do ano em 2011 do que em 2007″, disse à FolhaJosefino Comiso, da Nasa.

Segundo ele, um sinal positivo é que há mais gelo marinho espesso (menos propenso a derreter) neste ano. “No entanto, relata-se que as temperaturas no Ártico estão relativamente altas, e de fato poderemos ter um novo recorde de redução do gelo permanente neste ano.”

Em julho, o Ártico tem perdido a cada dia uma área maior que a do Estado de Pernambuco em sua cobertura de mar congelado.

Isso se deve às temperaturas anormais: o polo Norte está de 6ºC a 8ºC mais quente que o normal neste mês. No litoral da Sibéria, elas estão de 3ºC a 5ºC maiores que o normal.

PULSO

O gelo marinho no Ártico tem um “pulso anual”: ele atinge sua extensão máxima na primavera, em abril, e sua mínima em setembro, no outono. O aquecimento do planeta tem causado mais degelo no verão e menos recongelamento no inverno.

O gelo e a neve refletem 90% da radiação solar de volta para o espaço. O mar exposto pelo derretimento do gelo marinho, por outro lado, aumenta a absorção de radiação, elevando ainda mais a temperatura, porque é mais escuro. É por isso que o aquecimento global é mais grave no Ártico do que no resto do mundo.

Neste ano, a extensão máxima do gelo marinho foi a segunda menor já registrada. Em abril, a Folha sobrevoou regiões da Groenlândia que deveriam estar congeladas, mas que estavam completamente abertas.

O recorde de 2007 só não foi batido então por causa de uma onda de frio no começo da primavera, que deu esperança aos cientistas de que 2011 não fosse ser tão ruim.

Mas o degelo começou mais cedo na primavera –dependendo da região, até dois meses mais cedo, segundo o NSIDC–, formando poças d’água que aumentam ainda mais o derretimento.

Fonte: Claudio Angelo, De Brasília, Folha.com


4 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Novo estudo confirma aceleração do derretimento do Ártico

O Ártico está derretendo mais rápido que o esperado e pode aumentar o nível do mar em 1,5 metro, de acordo com um estudo do Programa de Avaliação e Monitoramento do Ártico (AMAP, da sigla em inglês), que contém os dados mais abrangentes dobre as alterações climáticas no Ártico. Estudos anteriores indicavam uma elevação de até 59 cm no nível do mar.

O relatório completo será entregue para ministros dos oito países do Ártico na próxima semana, mas um resumo incluindo os principais resultados foi obtido pela Associated Press nesta terça-feira (3).

O resumo destaca que as temperaturas do Ártico nos últimos seis anos foram as mais elevadas desde que as medições começaram em 1880 e que mecanismos de feedback apontam para o início de uma aceleração do aquecimento do clima.

Um dos mecanismos envolve a maior absorção de calor pelo oceano quando não está coberto por gelo. O gelo reflete a energia do sol, ao contrário do oceano que é mais escuro e absorve esta energia. Este efeito foi antecipado por cientistas “mas a evidência clara só foi observada no Ártico nos últimos cinco anos”, afirmou o estudo da AMAP.

O relatório também contesta algumas das previsões feitas, em 2007, pelo Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC/ONU). A cobertura de gelo do mar no Ártico, por exemplo, está encolhendo mais rápido que o projetado pelo painel da ONU. O nível de cobertura de gelo no verão tem sido igual ou próximo do recorde a cada ano desde 2001, disse o relatório, prevendo que o oceano Ártico estará praticamente livre de gelo durante o verão em 30 ou 40 anos.

De acordo com a avaliação da AMAP, o painel da ONU foi muito conservador ao estimar quanto o nível do mar vai subir – um dos aspectos mais vigiada do aquecimento global por causa do impacto potencialmente catastrófico sobre as cidades costeiras e países-ilha.

O derretimento das geleiras e calotas polares do Ártico, incluindo o gelo da Groenlândia, está projetado para elevar o nível global do mar de 90 a 160 cm até 2100, de acordo com a AMAP.

Isto é mais que a projeção feita pelo IPCC, em 2007, cuja elevação seria entre 19 e 59 cm, e que não considerava a dinâmica das calotas polares no Ártico e na Antártida.

“As mudanças observadas nos últimos 10 anos no gelo marinho do Oceano Ártico, na massa de gelo da Groenlândia e nas calotas polares são dramáticas e representam uma alteração óbvia nos padrões de longo prazo”, afirmou o estudo da AMAP.

A principal função da organização é assessorar as nações ao redor do Ártico – EUA, Canadá, Rússia, Dinamarca, Noruega, Suécia, Islândia e Finlândia – sobre as ameaças ao ambiente ártico.

O relatório da AMAP afirmou que o derretimento de geleiras e camadas de gelo em todo o mundo tem se tornado o maior responsável pelo aumento do nível do mar. Sozinha, a Groenlândia corresponde por mais de 40% dos 3,1 milímetros de elevação do nível do mar observado anualmente entre 2003 e 2008. A perda de massa de gelo da Groenlândia, que cobre uma área do tamanho do México, aumentou de 50 gigatoneladas entre 1995-2000 para mais de 200 gigatoneladas entre 2004-2008.

Cientistas ainda estão debatendo quanto da mudança observada no Ártico se deve às variações naturais e quanto ao aquecimento causado pela emissão de dióxido de carbono e outros gases causadores do efeito estufa. A AMAP projetou que a média das temperaturas de inverno e outono no Ártico vai subir de 3 a 6º C até 2080, mesmo que as emissões de gases com efeito de estufa sejam menores que na década passada.

As conclusões do relatório serão discutidas por alguns dos cientistas que ajudaram a compilar o estudo em uma conferência que começa quarta-feira (4) na capital dinamarquesa, Copenhague.

Fonte: Portal iG


15 de março de 2011 | nenhum comentário »

Derretimento do gelo no Ártico evidencia problemas do clima global

Os exploradores russos Daniel Gavrilov e Elena Soloveva estão orgulhosos do recorde mundial alcançado por eles e outros navegadores a bordo do barco Peter 1º em 2010. Pela primeira vez, uma embarcação conseguiu numa só temporada cruzar, sem a ajuda de quebra-gelos, tanto a Passagem do Nordeste quanto a do Noroeste.

“Tivemos sorte”, diz Soloveva. “O estado da cobertura de gelo tornou isso possível”, completa. Hoje está claro para ela que o recorde só foi possível devido ao rápido aquecimento do clima no Ártico. “O gelo está derretendo na parte superior. O clima está mesmo mudando”, diz Soloveva.

O norueguês Borge Ousland, que circunavegou o Polo Norte na mesma época que Gavrilov e Soloveva, faz a mesma observação. Há mais de 20 anos ele participa de expedições pelo Ártico. “Na minha primeira expedição no Polo Norte, em 1990, o gelo tinha de 3 a 4 metros de espessura e havia se formado havia muitos anos”, lembra o explorador, um especialista na região.

“Isso mudou consideravelmente nos últimos anos”, diz. Em 2007, Ousland examinou o gelo local numa expedição patrocinada pelo Instituto Polar Norueguês. “A espessura era de apenas 1,5 a 2 metros”, completa.

Com a sua circunavegação do Polo Norte, Ousland quis chamar a atenção para as mudanças climáticas na região. Para ele, números e resultados são muito abstratos para o cidadão comum, por isso sua ideia era expor visualmente o que acontece com as geleiras e como isso influi no clima global.

O gelo flutuante funciona como um escudo. A superfície branca reflete a energia solar de volta para o espaço. Se o gelo derrete, a superfície escura da água absorve essa energia, o que eleva as temperaturas da água e do ar não apenas no Ártico, mas em todo o planeta.”

Ponto crítico no extremo norte – Segundo os pesquisadores, os bancos de gelo no mar, ou banquisas, são um dos diversos fatores que podem desestabilizar o clima da Terra. O Ártico não deve ser visto como uma região isolada, afirma o biólogo marinho espanhol Carlos Duarte, especialista em questões relacionadas à região. Segundo ele, o Ártico deve ser acima de tudo visto como um ponto central, onde se encontram três continentes e dois oceanos.

“Por isso, as mudanças que ocorrerem ali trarão efeitos para todo o sistema da Terra”, explica Duarte, um dos coordenadores do projeto Arctic Tipping Points, financiado pela União Europeia.

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“O Ártico controla em grandes proporções as mais importantes correntes marítimas da Terra; o gelo derretido modifica a temperatura e o nível de salinidade do mar; as geleiras da Groenlândia influenciam o nível do mar; e no Ártico são também armazenadas quantidades enormes de gases estufa, como o metano, de relevância global”, completa o especialista.

Bomba-relógio sob o gelo – Duarte e sua equipe de pesquisadores calculam que em menos de dez anos o Ártico não terá mais gelo no verão, sendo que esse tipo de evolução poderá desencadear outros processos, já hoje apontados como sinais de alarme.

O gelo continental na Groenlândia derreteu de maneira recorde, apontam os resultados de pesquisas do ano de 2010. Caso não haja uma redução radical da emissão de CO2 até o ano de 2020, poderão derreter até 60% do permafrost (solo formado por terra, rochas e gelo que permanece congelado em toda a faixa do Ártico). Isso provocaria a liberação de grandes quantidades de CO2 e metano, aquecendo ainda mais a Terra.

Duarte mostra-se especialmente preocupado com o risco de que um aumento da temperatura da água possa, de súbito, liberar grandes quantidades de metano congeladas no solo marinho sob o Ártico. “Se isso acontecesse, poderia ser liberada, em poucos anos, uma quantidade de gases poluentes cinco vezes maior do que a liberada nos últimos 150 anos”, explica.

Incêndios nas turfas – Outro fator que ainda não pôde ser considerado pelo Conselho Global do Clima é o ressecamento das superfícies de turfas no extremo norte do globo. Duarte vê os incêndios nas turfas da Rússia, em meados do último ano, como um sinal de alerta de que também lá podem estar sendo atingidos pontos críticos.

Incêndios que se alastraram por grandes superfícies em regiões desertas da Rússia e do Canadá só puderam ser debelados com dificuldade, tendo liberado também mais gases estufa. Há alguns anos, Vladimir Putin afirmou que a Rússia poderia ainda suportar um pouco mais de aquecimento, lembra o especialista espanhol. Hoje, até mesmo as lideranças do país reconhecem que as mudanças climáticas trazem mais riscos do que se supunha.

Ação política mais que necessária – Para Duarte, está passando da hora de agir politicamente, a fim de reduzir as emissões de CO2. Ele ressalta que as discussões sobre os primeiros passos rumo a uma economia global, que gere menos poluentes, começaram tarde demais. “Alguém tem que simplesmente fazer isso na esperança de que outros o sigam”, completa.

O pesquisador alemão Dirk Notz, do Instituto Max Planck de Meteorologia, apela por uma ação política mais imediata: “Há 20 anos, os cientistas vêm dando um sinal claro de que são necessárias medidas firmes”, aponta o especialista. “Voltamos quase ao mesmo ponto de 20 anos atrás. Quando se tem, como cidadão, interesse em manter nosso clima pelo menos como ele está hoje, é preciso que o setor político faça algo para, por exemplo, salvar o gelo no Ártico”, completa Notz.

O pesquisador, que passa boa parte de seu tempo no Ártico, vê as mudanças climáticas na região como um sinal de alerta para todo o planeta. No Ártico, diz ele, o abstrato conceito de “mudança climática” tornou-se visível.

“Ao observar como nessa região da Terra tão pouco povoada podem ser desencadeados conflitos geopolíticos devido às riquezas naturais ali estimadas, pode-se ter uma ideia do que poderia acontecer quando as mudanças climáticas chegarem a regiões onde vive realmente muita gente. E também do quanto essas mudanças poderão influenciar a vida das pessoas que ali vivem. Há dez anos, ninguém teria previsto uma evolução como essa.

Fonte: Folha.com






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26 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Degelo no Ártico ameaça focas aneladas, aponta estudo

Cientistas da Universidade de Washington dizem que, se ritmo do derretimento continuar, área de reprodução dos animais deve ser reduzida em 70%

O derretimento no Ártico pode provocar o desaparecimento de mais de dois terços da área coberta de neve utilizada pelas focas aneladas para reprodução. Esses animais usam a neve acumulada para abrir pequenos túneis, onde criam e protegem seus filhotes. O degelo deixa o animal desabrigado e diminui suas chances de procriação e preservação. O alerta foi feito por um estudo publicado pela revista Geophysical Research Letters.

Os túneis cavados pelas focas são vitais para a sobrevivência dos animais, segundo Cecilia Bitz, professora de ciências atmosféricas da Universidade de Washington e coautora do estudo. De acordo com a pesquisa, a área do Ártico que acumula pelo menos 20 centímetros de neve, quantidade mínima para servir às focas aneladas, diminuirá em pelo menos 70% até o final deste século.

Além de reduzir a área de reprodução, as mudanças no regime de precipitação de neve também ameaçam a criação dos filhotes. Isso porque, segundo o estudo, os invernos serão mais curtos, e a neve deve derreter mais cedo no ano. Assim, as cavernas podem não durar até que os filhotes estejam preparados para deixar os abrigos. Além disso, é previsto um aumento das chuvas, o que causaria o colapso dos túneis.

Alterações na quantidade de neve podem influir no próprio processo de degelo do Ártico. A neve, segundo Paul Hezel, também da Universidade de Washington e autor da pesquisa, tem um enorme impacto termodinâmico na espessura do gelo.  Durante a primavera, por exemplo, a cobertura de neve, por refletir mais o sol do que o gelo, ajuda a conter o derretimento.

Foca anelada

As focas aneladas cavam túneis na neve para proteger seus filhotes. Degelo e aumento de chuvas ameaçam a espécie (Brendan Kelly/National Science Foundation)

Fonte: Veja Ciência


14 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas gravam retrocesso acelerado de geleira chilena

Derretimento faz geleira de Jorge Montt, no sul da Patagônia chilena, perder cobertura de gelo a taxas aceleradas, alertam cientistas.

Eles registraram pela primeira vez em vídeo o encolhimento da geleira, uma das principais do sul da Patagônia.

A perda de gelo é descrita como sendo um “retrocesso dramático”, acelerado nos últimos dez anos pelo aquecimento global.

Segundo os especialistas, o derretimento acelerado faz a geleira de 454 quilômetros quadrados perder um quilômetro por ano.

As imagens foram feitas por pesquisadores do Centro de Estudos Valdívia, entre fevereiro de 2010 e janeiro de 2011.

Segundo especialistas, derretimento acelerado faz a geleira de 454 km quadrados perder um quilômetro por ano

Segundo especialistas, derretimento acelerado faz a geleira de 454 km quadrados perder um quilômetro por ano. Foto: Centro de Estudios Valdívia

Click e veja o vídeo: http://www.bbc.co.uk/worldservice/emp/pop.shtml?l=pt&t=video&r=1&p=/portuguese/meta/dps/2011/12/emp/111208_geleira_vale_pu.emp.xml

Fonte: Folha.com


6 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Geleiras do Himalaia diminuíram até 22% em 30 anos, afirmam cientistas

Relatórios de instituto apontam que redução ocorreu no Nepal e no Butão.
Derretimento se acelerou entre 2002 e 2005 em dez geleiras avaliadas.

Novos estudos científicos sobre o derretimento das geleiras do Himalaia revelam o impacto das mudanças climáticas nesta região e a ameaça que pesa sobre 1,3 bilhão de habitantes.

Segundo os estudos publicados em três relatórios do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD), com base em Katmandu, as geleiras diminuíram 21% no Nepal e 22% no Butão nos últimos 30 anos.

Estas descobertas seriam a primeira confirmação oficial sobre o derretimento das geleiras, após várias declarações empíricas. Elas corrigem também um anúncio errado do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) que afirmou em seu 4º relatório em 2007 que as geleiras do Himalaia derretiam mais rápido do que as outras do mundo e “poderiam desaparecer até 2035, ou antes”.

O IPCC afirmou que foi “um lamentável erro” provocado por “procedimentos que não foram devidamente acompanhados”.

Apoiados pelo projeto de pesquisa financiado pela Suécia e realizado pela ICIMOD durante três anos, os especialistas descobriram que as dez geleiras observadas estão em processo de derretimento em uma velocidade que acelerou entre 2002 e 2005.

Imagem de dezembro de 2009 mostra montanhas e uma geleira na região do monte Everest, a 140 km de distância de Kathmandu. Milhões de pessoas estão sob ameaça de derretimento das geleiras do Himalaia, de acordo com cientistas, (Foto: Prakash Mathema/AFP)

Imagem de dezembro de 2009 mostra o Himalaia e uma geleira na região do monte Everest, a 140 km de distância de Kathmandu. Milhões de pessoas estão sob ameaça de derretimento da neve nesta região, de acordo com cientistas (Foto: Prakash Mathema/AFP)

Redução significativa
De acordo com os resultados de um outro estudo, o volume de neve que cobre a região diminuiu de maneira significativa nos últimos 10 anos. “Estes relatórios fornecem um novo ponto de comparação e informações sobre as zonas geográficas específicas para compreender a mudança climática em um dos ecossistemas mais vulneráveis do mundo”, comentou o presidente do IPCC, o indiano Rajendra Pachauri.

As 54.000 geleiras do Himalaia alimentam com água os oito maiores rios da Ásia, entre eles – Indus, Ganges, Brahmaputra, Yangtze e Rio Amarelo – suscetíveis de serem afetados pelo stress hídrico nas próximas décadas, com potenciais consequências para os 1,3 bilhão de pessoas.

Fonte: Da France Presse


27 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Estudo registra derretimento de geleiras no Himalaia chinês

Estações a mais de 4.000 m registraram 1,7º de aquecimento em 47 anos.
Lagos alimentados pelo gelo das montanhas aumentaram de tamanho.

A rápida elevação das temperaturas, causada pelas mudanças climáticas, está provocando o derretimento das geleiras chinesas na Cordilheira do Himalaia, um impacto que ameaça habitats, o turismo e o desenvolvimento econômico da região, alerta um estudo publicado nesta terça-feira (25).

Das 111 estações meteorológicas espalhadas pelo sudoeste da China, 77% demonstraram elevações significativas de temperaturas entre 1961 e 2008, segundo o estudo, publicado no periódico britânico “Environmental Research Letters”.

Nas 14 estações de monitoramento acima dos 4.000 metros, o salto neste período foi de 1,73 grau Celsius, aproximadamente duas vezes a elevação média global registrada ao longo do último século.

Cientistas liderados por Li Zhongxing, da Academia Chinesa de Ciências, identificaram três alterações em curso nas geleiras que poderiam ser causadas, pelo menos em parte, por esta tendência constante de aquecimento.

Segundo eles, a maior parte das geleiras examinadas demonstrou um “recuo drástico”, além de uma grande perda de massa.

O estudo também demonstrou que lagos glaciais, alimentados pelo gelo derretido de geleiras, aumentaram de tamanho.

“As implicações destas mudanças são muito mais sérias do que uma mera alteração da paisagem”, alertaram os cientistas.

“As geleiras integram milhares de ecossistemas e desempenham um papel crucial no sustento de populações humanas”, acrescentaram.

O sudoeste da China tem 23.488 geleiras, cobrindo uma área de 29.523 quilômetros quadrados, através do Himalaia e das montanhas Nyainqntanglha, Tanggula e Hengduans.

Mudanças no padrão de chuvas e das nevascas foram menos marcantes, mas ainda consistentes com as previsões de modelos de mudanças climáticas, afirmaram.

“É imperativo que determinemos a relação entre as mudanças climáticas e variações nas geleiras, particularmente o papel das precipitações, uma vez que as consequências do recuo do gelo são muito abrangentes”, disse Li.

Geleira no sul da China, quase na fronteira com o Nepal. (Foto: AFP)

Geleira no sul da China, quase na fronteira com o Nepal. (Foto: AFP)

Fonte: AFP


16 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Derretimento do Ártico é o 2º maior da história, afirma centro de pesquisa

Degelo deste ano só perde para 2007, segundo medições feitas por satélite.
Cientistas afirmam que aquecimento global pode ser uma das causas.

A cobertura de gelo que flutua no Oceano Ártico podeainda não ter atingido seu menor índice em 2011, mas é o segundo mais baixo já registrado desde que satélites iniciaram a medição desta região, em 1979.

As informações são do Centro Nacional de Dados sobre Gelo e Neve (NSIDC, na sigla em inglês), ligado à Universidade do Colorado-Bolder, nos Estados Unidos, e foram divulgadas nesta quinta-feira (15).

A confirmação ocorre após cientistas apontarem a data de 8 de setembro como o dia em que a plataforma de gelo marinho atingiu seu recorde mínimo neste ano, 4,33 milhões de quilômetros quadrados. Apesar do índice ter ficado abaixo ao de 2007, quando a região ficou com 4,27 milhões de quilômetros quadrados de gelo, existe uma preocupação quanto à redução, que está abaixo da média entre 1979 e 2000.

Imagem divulgada mostra como está a plataforma glacial no Ártico hoje comparando com linhas cinzas, que mostram a média do derretimento do gelo entre 1979 (Foto: NSIDC)

Imagem divulgada mostra como está a plataforma glacial no Ártico hoje. As linhas cinzas fazem um comparativo entre a situação atual e as médias do derretimento do gelo registradas entre 1979 e 2000 (Foto: NSIDC)

Aquecimento global
A maioria dos cientistas acredita que o encolhimento do gelo do Ártico está ligado ao aquecimento global, causado pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa produzidos pelo homem. “Se em um verão vemos a extensão do gelo diminuir em setembro, no ano seguinte essa situação pode ocorrer novamente”, disse Mark Serreze, diretor do NSIDC. “A cobertura do Ártico está tão fina em comparação com o derretimento de 30 anos atrás, que não se pode bater na placa”, complementa.

Serreze disse que em 2007, ano recorde do derretimento de gelo no polo Norte, houve condições meteorológicas que culminaram neste fenômeno. “É interessante que neste ano, não vimos tal padrão climático”, disse.

É possível que a quantidade de gelo nesta região diminua ainda mais em 2011, devido à mudança dos ventos no fim do verão. Essas informações só serão confirmadas em outubro, quando uma nova análise será emitida pelo centro de pesquisas, junto à comparação com o derretimento de anos anteriores.

Impacto ambiental x Interesse comercial
Períodos de insolação elevados durante o mês de julho já eram tidos pelos cientistas como prováveis causas para a redução do gelo no futuro. Há quem defenda que o gelo marítimo no Ártico possa desaparecer por completo daqui a 30 anos, com graves consequências para a Terra, apesar de abrir a oportunidade de exploração de petróleo na área desocupada pelo gelo.

A navegação foi possível pelas rotas Noroeste e Nordeste durante o ano de 2011 por conta da ausência de gelo – a última pode virar rota comercial já que permite a conexão entre os oceanos Pacífico e Atlântico. O degelo já havia deixado as passagens livres duas vezes desde 2008.

A temperatura no Ártico subiu duas vezes mais rápido que a média global nos últimos 50 anos. O ano de 2010 empatou com 2005 como o ano mais quente da história, desde que institutos começaram a fazer medições. Ainda que a agência norte-americana ainda reconheça o ano de 2005 como recordista, as Nações Unidas atestaram o empate.

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


26 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Onda de calor no hemisfério Norte acelera degelo no Ártico

A onda de calor que atingiu o hemisfério Norte neste mês acelerou o degelo sazonal do Ártico. Cientistas americanos alertam que a região pode ter em 2011 a menor extensão de gelo marinho já registrada.

Segundo o NSIDC (Centro Nacional de Dados de Gelo e Neve dos EUA), o gelo marinho no oceano Ártico está “a caminho de ficar abaixo do nível de 2007″, quando bateu seu recorde.

Naquele ano, a Passagem Noroeste, que liga o Atlântico ao Pacífico pelo norte do Canadá, foi aberta pelo degelo pela primeira vez em séculos.

A passagem ainda não se abriu neste ano. Mas no último domingo a área coberta pelo gelo marinho era de 7,56 milhões de quilômetros quadrados, quase 3 milhões de quilômetros quadrados inferior à média 1979-2000.

“A extensão está menor nesta época do ano em 2011 do que em 2007″, disse à FolhaJosefino Comiso, da Nasa.

Segundo ele, um sinal positivo é que há mais gelo marinho espesso (menos propenso a derreter) neste ano. “No entanto, relata-se que as temperaturas no Ártico estão relativamente altas, e de fato poderemos ter um novo recorde de redução do gelo permanente neste ano.”

Em julho, o Ártico tem perdido a cada dia uma área maior que a do Estado de Pernambuco em sua cobertura de mar congelado.

Isso se deve às temperaturas anormais: o polo Norte está de 6ºC a 8ºC mais quente que o normal neste mês. No litoral da Sibéria, elas estão de 3ºC a 5ºC maiores que o normal.

PULSO

O gelo marinho no Ártico tem um “pulso anual”: ele atinge sua extensão máxima na primavera, em abril, e sua mínima em setembro, no outono. O aquecimento do planeta tem causado mais degelo no verão e menos recongelamento no inverno.

O gelo e a neve refletem 90% da radiação solar de volta para o espaço. O mar exposto pelo derretimento do gelo marinho, por outro lado, aumenta a absorção de radiação, elevando ainda mais a temperatura, porque é mais escuro. É por isso que o aquecimento global é mais grave no Ártico do que no resto do mundo.

Neste ano, a extensão máxima do gelo marinho foi a segunda menor já registrada. Em abril, a Folha sobrevoou regiões da Groenlândia que deveriam estar congeladas, mas que estavam completamente abertas.

O recorde de 2007 só não foi batido então por causa de uma onda de frio no começo da primavera, que deu esperança aos cientistas de que 2011 não fosse ser tão ruim.

Mas o degelo começou mais cedo na primavera –dependendo da região, até dois meses mais cedo, segundo o NSIDC–, formando poças d’água que aumentam ainda mais o derretimento.

Fonte: Claudio Angelo, De Brasília, Folha.com


4 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Novo estudo confirma aceleração do derretimento do Ártico

O Ártico está derretendo mais rápido que o esperado e pode aumentar o nível do mar em 1,5 metro, de acordo com um estudo do Programa de Avaliação e Monitoramento do Ártico (AMAP, da sigla em inglês), que contém os dados mais abrangentes dobre as alterações climáticas no Ártico. Estudos anteriores indicavam uma elevação de até 59 cm no nível do mar.

O relatório completo será entregue para ministros dos oito países do Ártico na próxima semana, mas um resumo incluindo os principais resultados foi obtido pela Associated Press nesta terça-feira (3).

O resumo destaca que as temperaturas do Ártico nos últimos seis anos foram as mais elevadas desde que as medições começaram em 1880 e que mecanismos de feedback apontam para o início de uma aceleração do aquecimento do clima.

Um dos mecanismos envolve a maior absorção de calor pelo oceano quando não está coberto por gelo. O gelo reflete a energia do sol, ao contrário do oceano que é mais escuro e absorve esta energia. Este efeito foi antecipado por cientistas “mas a evidência clara só foi observada no Ártico nos últimos cinco anos”, afirmou o estudo da AMAP.

O relatório também contesta algumas das previsões feitas, em 2007, pelo Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC/ONU). A cobertura de gelo do mar no Ártico, por exemplo, está encolhendo mais rápido que o projetado pelo painel da ONU. O nível de cobertura de gelo no verão tem sido igual ou próximo do recorde a cada ano desde 2001, disse o relatório, prevendo que o oceano Ártico estará praticamente livre de gelo durante o verão em 30 ou 40 anos.

De acordo com a avaliação da AMAP, o painel da ONU foi muito conservador ao estimar quanto o nível do mar vai subir – um dos aspectos mais vigiada do aquecimento global por causa do impacto potencialmente catastrófico sobre as cidades costeiras e países-ilha.

O derretimento das geleiras e calotas polares do Ártico, incluindo o gelo da Groenlândia, está projetado para elevar o nível global do mar de 90 a 160 cm até 2100, de acordo com a AMAP.

Isto é mais que a projeção feita pelo IPCC, em 2007, cuja elevação seria entre 19 e 59 cm, e que não considerava a dinâmica das calotas polares no Ártico e na Antártida.

“As mudanças observadas nos últimos 10 anos no gelo marinho do Oceano Ártico, na massa de gelo da Groenlândia e nas calotas polares são dramáticas e representam uma alteração óbvia nos padrões de longo prazo”, afirmou o estudo da AMAP.

A principal função da organização é assessorar as nações ao redor do Ártico – EUA, Canadá, Rússia, Dinamarca, Noruega, Suécia, Islândia e Finlândia – sobre as ameaças ao ambiente ártico.

O relatório da AMAP afirmou que o derretimento de geleiras e camadas de gelo em todo o mundo tem se tornado o maior responsável pelo aumento do nível do mar. Sozinha, a Groenlândia corresponde por mais de 40% dos 3,1 milímetros de elevação do nível do mar observado anualmente entre 2003 e 2008. A perda de massa de gelo da Groenlândia, que cobre uma área do tamanho do México, aumentou de 50 gigatoneladas entre 1995-2000 para mais de 200 gigatoneladas entre 2004-2008.

Cientistas ainda estão debatendo quanto da mudança observada no Ártico se deve às variações naturais e quanto ao aquecimento causado pela emissão de dióxido de carbono e outros gases causadores do efeito estufa. A AMAP projetou que a média das temperaturas de inverno e outono no Ártico vai subir de 3 a 6º C até 2080, mesmo que as emissões de gases com efeito de estufa sejam menores que na década passada.

As conclusões do relatório serão discutidas por alguns dos cientistas que ajudaram a compilar o estudo em uma conferência que começa quarta-feira (4) na capital dinamarquesa, Copenhague.

Fonte: Portal iG


15 de março de 2011 | nenhum comentário »

Derretimento do gelo no Ártico evidencia problemas do clima global

Os exploradores russos Daniel Gavrilov e Elena Soloveva estão orgulhosos do recorde mundial alcançado por eles e outros navegadores a bordo do barco Peter 1º em 2010. Pela primeira vez, uma embarcação conseguiu numa só temporada cruzar, sem a ajuda de quebra-gelos, tanto a Passagem do Nordeste quanto a do Noroeste.

“Tivemos sorte”, diz Soloveva. “O estado da cobertura de gelo tornou isso possível”, completa. Hoje está claro para ela que o recorde só foi possível devido ao rápido aquecimento do clima no Ártico. “O gelo está derretendo na parte superior. O clima está mesmo mudando”, diz Soloveva.

O norueguês Borge Ousland, que circunavegou o Polo Norte na mesma época que Gavrilov e Soloveva, faz a mesma observação. Há mais de 20 anos ele participa de expedições pelo Ártico. “Na minha primeira expedição no Polo Norte, em 1990, o gelo tinha de 3 a 4 metros de espessura e havia se formado havia muitos anos”, lembra o explorador, um especialista na região.

“Isso mudou consideravelmente nos últimos anos”, diz. Em 2007, Ousland examinou o gelo local numa expedição patrocinada pelo Instituto Polar Norueguês. “A espessura era de apenas 1,5 a 2 metros”, completa.

Com a sua circunavegação do Polo Norte, Ousland quis chamar a atenção para as mudanças climáticas na região. Para ele, números e resultados são muito abstratos para o cidadão comum, por isso sua ideia era expor visualmente o que acontece com as geleiras e como isso influi no clima global.

O gelo flutuante funciona como um escudo. A superfície branca reflete a energia solar de volta para o espaço. Se o gelo derrete, a superfície escura da água absorve essa energia, o que eleva as temperaturas da água e do ar não apenas no Ártico, mas em todo o planeta.”

Ponto crítico no extremo norte – Segundo os pesquisadores, os bancos de gelo no mar, ou banquisas, são um dos diversos fatores que podem desestabilizar o clima da Terra. O Ártico não deve ser visto como uma região isolada, afirma o biólogo marinho espanhol Carlos Duarte, especialista em questões relacionadas à região. Segundo ele, o Ártico deve ser acima de tudo visto como um ponto central, onde se encontram três continentes e dois oceanos.

“Por isso, as mudanças que ocorrerem ali trarão efeitos para todo o sistema da Terra”, explica Duarte, um dos coordenadores do projeto Arctic Tipping Points, financiado pela União Europeia.

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“O Ártico controla em grandes proporções as mais importantes correntes marítimas da Terra; o gelo derretido modifica a temperatura e o nível de salinidade do mar; as geleiras da Groenlândia influenciam o nível do mar; e no Ártico são também armazenadas quantidades enormes de gases estufa, como o metano, de relevância global”, completa o especialista.

Bomba-relógio sob o gelo – Duarte e sua equipe de pesquisadores calculam que em menos de dez anos o Ártico não terá mais gelo no verão, sendo que esse tipo de evolução poderá desencadear outros processos, já hoje apontados como sinais de alarme.

O gelo continental na Groenlândia derreteu de maneira recorde, apontam os resultados de pesquisas do ano de 2010. Caso não haja uma redução radical da emissão de CO2 até o ano de 2020, poderão derreter até 60% do permafrost (solo formado por terra, rochas e gelo que permanece congelado em toda a faixa do Ártico). Isso provocaria a liberação de grandes quantidades de CO2 e metano, aquecendo ainda mais a Terra.

Duarte mostra-se especialmente preocupado com o risco de que um aumento da temperatura da água possa, de súbito, liberar grandes quantidades de metano congeladas no solo marinho sob o Ártico. “Se isso acontecesse, poderia ser liberada, em poucos anos, uma quantidade de gases poluentes cinco vezes maior do que a liberada nos últimos 150 anos”, explica.

Incêndios nas turfas – Outro fator que ainda não pôde ser considerado pelo Conselho Global do Clima é o ressecamento das superfícies de turfas no extremo norte do globo. Duarte vê os incêndios nas turfas da Rússia, em meados do último ano, como um sinal de alerta de que também lá podem estar sendo atingidos pontos críticos.

Incêndios que se alastraram por grandes superfícies em regiões desertas da Rússia e do Canadá só puderam ser debelados com dificuldade, tendo liberado também mais gases estufa. Há alguns anos, Vladimir Putin afirmou que a Rússia poderia ainda suportar um pouco mais de aquecimento, lembra o especialista espanhol. Hoje, até mesmo as lideranças do país reconhecem que as mudanças climáticas trazem mais riscos do que se supunha.

Ação política mais que necessária – Para Duarte, está passando da hora de agir politicamente, a fim de reduzir as emissões de CO2. Ele ressalta que as discussões sobre os primeiros passos rumo a uma economia global, que gere menos poluentes, começaram tarde demais. “Alguém tem que simplesmente fazer isso na esperança de que outros o sigam”, completa.

O pesquisador alemão Dirk Notz, do Instituto Max Planck de Meteorologia, apela por uma ação política mais imediata: “Há 20 anos, os cientistas vêm dando um sinal claro de que são necessárias medidas firmes”, aponta o especialista. “Voltamos quase ao mesmo ponto de 20 anos atrás. Quando se tem, como cidadão, interesse em manter nosso clima pelo menos como ele está hoje, é preciso que o setor político faça algo para, por exemplo, salvar o gelo no Ártico”, completa Notz.

O pesquisador, que passa boa parte de seu tempo no Ártico, vê as mudanças climáticas na região como um sinal de alerta para todo o planeta. No Ártico, diz ele, o abstrato conceito de “mudança climática” tornou-se visível.

“Ao observar como nessa região da Terra tão pouco povoada podem ser desencadeados conflitos geopolíticos devido às riquezas naturais ali estimadas, pode-se ter uma ideia do que poderia acontecer quando as mudanças climáticas chegarem a regiões onde vive realmente muita gente. E também do quanto essas mudanças poderão influenciar a vida das pessoas que ali vivem. Há dez anos, ninguém teria previsto uma evolução como essa.

Fonte: Folha.com