3 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Manejo adequado e conscientização são armas para combater desertificação, que já atinge 15% do território brasileiro

Com aproximadamente 1,3 milhão de quilômetros quadrados do seu território sob risco de se transformar em deserto, pensar o uso correto da terra é cada vez mais urgente ao Brasil. Dados do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, mostram que a área suscetível chega a 15% do território nacional e envolve 1.488 municípios em nove estados da Região Semiárida do Nordeste brasileiro, do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo.

De acordo com o coordenador da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), Naidison Batista, a conscientização dos agricultores sobre o manejo adequado da terra somada à difusão de tecnologias adaptadas ao Semiárido são elementos fundamentais para combater o processo de desertificação no país. Para isso, Batista defende o uso das técnicas agroecológicas no combate e prevenção à desertificação.

“O enfrentamento desse processo tem que ser feito por meio da prevenção e não remediando [o problema]. E nessa luta, a aplicação das práticas da agroecologia são fundamentais, porque elas preconizam o cuidado com a terra, a compreensão de que é preciso usufruir dela sem esgotá-la, sem objetivar apenas o lucro”, argumentou.

Ele acrescentou que a lógica do agronegócio, baseada na monocultura e no uso de agrotóxicos, contribui em grande parte para a degradação do solo, mas alertou que toda a humanidade é responsável por tentar conter esse processo.

“O homem do campo tem que entender que suas práticas têm impacto sobre a natureza, mas o homem da cidade também precisa saber que suas ações também têm consequências. É preciso não desperdiçar água em banhos demorados ou em lavagens prolongadas de carros, por exemplo, exaurir rios e mananciais, entre outros”, afirmou.

Segundo Naidison Batista, já existem muitas tecnologias sendo usadas no Semiárido e com resultados positivos. Uma delas, o Programa Um Milhão de Cisternas, implementado pela ASA, em parceria com o governo federal, agências de cooperação e empresas privadas, permite captar a água da chuva para consumo humano por meio de cisternas de placas de cimento. A infraestrutura, com capacidade para 16 bilhões de litros de água, já está presente nas casas de aproximadamente 600 mil famílias.

Menos conhecida e difundida é a saída encontrada pela pequena agricultora paraibana Angineide de Macedo, de 42 anos. Após acompanhar o processo de degradação de sua propriedade, de aproximadamente dois hectares, ela conheceu, com a ajuda de uma organização não governamental local, os benefícios do cultivo do nim indiano. A planta, que tem crescimento rápido e atinge uma altura de 8 metros em três anos, ajudou a reverter as consequências da desertificação no local e a salvar a plantação de ervas medicinais que, segundo a agricultora, estava bastante prejudicada.

“As plantas não resistiam muito, porque o sol castigava e elas morriam. Agora, com o nim, elas têm sombra e ficam protegidas do vento. As crianças também melhoraram, porque agora têm sombra para brincar e não ficam tão doentes com a poeira”, contou ela, que também planta em sua propriedade hortaliças e legumes.

Fonte: Thais Leitão/ Agência Brasil

 


26 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

“Desertificação avança no mundo, mas ainda é possível agir”, diz secretário-geral da ONU

Para Ban Ki-moon, políticas públicas podem deter o crescimento dos desertos

Cena comum: mulheres retiram água de poço no estado indiano do Rajastão, que tem parte do território coberto por desertos

Cena comum: mulheres retiram água de poço no estado indiano do Rajastão, que tem parte do território coberto por desertos (Latinstock)

A desertificação ganha terreno no mundo, mas não é uma fatalidade e pode ser revertida de acordo com a política adotada pelos governos, afirmou nesta terça-feira o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em reunião durante a Assembleia Geral anual das Nações Unidas, realizada em Nova York.

“Por que permitir a deterioração destas terras áridas?”, questionou o secretário-geral da ONU em seu discurso. “Tomemos hoje a iniciativa de reverter a tendência. Contrariamente a uma percepção muito disseminada, nem todas as terras áridas são estéreis”, disse Ban Ki-moon. “Uma ação oportuna da nossa parte pode liberar estas riquezas e aportar soluções”, acrescentou o chefe da ONU.

Em seu discurso, Ban Ki-Moon apresentou certos casos bem-sucedidos, entre eles a restauração de antigos terraços nos Andes do Peru ou a plantação de árvores para conter o avanço das dunas do Saara. “Há exemplos em todos os continentes de governos que revertem a tendência à desertificação e melhoram a produtividade das terras”, disse Ban.

Segurança alimentar — Cerca de 40% das terras do mundo são áridas ou semi-áridas. A cada ano são perdidos 12 milhões de hectares de terras produtivas, segundo a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (CNUCD). Dois bilhões de pessoas dependem destes solos para a sua subsistência. A cada minuto são perdidos 23 hectares de terras produtivas por causa da degradação, uma superfície que daria para produzir 20 milhões de toneladas de cereais, segundo a CNUD.

O presidente da Assembleia Geral da ONU, Nassir Abdulaziz Al-Nasser, insistiu no fato de que a desertificação traz à tona a questão da segurança alimentar, de que é exemplo o leste da África. “O custo humano e econômico da desertificação é enorme”, advertiu.

Segundo a ONU, a questão da desertificação abarca o desaparecimento de terras onde as populações tinham a capacidade de plantar ou criar gado e que se tornaram áreas áridas. São regiões onde vivem 2,3 bilhões de pessoas de quase 100 países.

Fonte: Veja Ciência






Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

outubro 2019
S T Q Q S S D
« mar    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

3 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Manejo adequado e conscientização são armas para combater desertificação, que já atinge 15% do território brasileiro

Com aproximadamente 1,3 milhão de quilômetros quadrados do seu território sob risco de se transformar em deserto, pensar o uso correto da terra é cada vez mais urgente ao Brasil. Dados do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, mostram que a área suscetível chega a 15% do território nacional e envolve 1.488 municípios em nove estados da Região Semiárida do Nordeste brasileiro, do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo.

De acordo com o coordenador da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), Naidison Batista, a conscientização dos agricultores sobre o manejo adequado da terra somada à difusão de tecnologias adaptadas ao Semiárido são elementos fundamentais para combater o processo de desertificação no país. Para isso, Batista defende o uso das técnicas agroecológicas no combate e prevenção à desertificação.

“O enfrentamento desse processo tem que ser feito por meio da prevenção e não remediando [o problema]. E nessa luta, a aplicação das práticas da agroecologia são fundamentais, porque elas preconizam o cuidado com a terra, a compreensão de que é preciso usufruir dela sem esgotá-la, sem objetivar apenas o lucro”, argumentou.

Ele acrescentou que a lógica do agronegócio, baseada na monocultura e no uso de agrotóxicos, contribui em grande parte para a degradação do solo, mas alertou que toda a humanidade é responsável por tentar conter esse processo.

“O homem do campo tem que entender que suas práticas têm impacto sobre a natureza, mas o homem da cidade também precisa saber que suas ações também têm consequências. É preciso não desperdiçar água em banhos demorados ou em lavagens prolongadas de carros, por exemplo, exaurir rios e mananciais, entre outros”, afirmou.

Segundo Naidison Batista, já existem muitas tecnologias sendo usadas no Semiárido e com resultados positivos. Uma delas, o Programa Um Milhão de Cisternas, implementado pela ASA, em parceria com o governo federal, agências de cooperação e empresas privadas, permite captar a água da chuva para consumo humano por meio de cisternas de placas de cimento. A infraestrutura, com capacidade para 16 bilhões de litros de água, já está presente nas casas de aproximadamente 600 mil famílias.

Menos conhecida e difundida é a saída encontrada pela pequena agricultora paraibana Angineide de Macedo, de 42 anos. Após acompanhar o processo de degradação de sua propriedade, de aproximadamente dois hectares, ela conheceu, com a ajuda de uma organização não governamental local, os benefícios do cultivo do nim indiano. A planta, que tem crescimento rápido e atinge uma altura de 8 metros em três anos, ajudou a reverter as consequências da desertificação no local e a salvar a plantação de ervas medicinais que, segundo a agricultora, estava bastante prejudicada.

“As plantas não resistiam muito, porque o sol castigava e elas morriam. Agora, com o nim, elas têm sombra e ficam protegidas do vento. As crianças também melhoraram, porque agora têm sombra para brincar e não ficam tão doentes com a poeira”, contou ela, que também planta em sua propriedade hortaliças e legumes.

Fonte: Thais Leitão/ Agência Brasil

 


26 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

“Desertificação avança no mundo, mas ainda é possível agir”, diz secretário-geral da ONU

Para Ban Ki-moon, políticas públicas podem deter o crescimento dos desertos

Cena comum: mulheres retiram água de poço no estado indiano do Rajastão, que tem parte do território coberto por desertos

Cena comum: mulheres retiram água de poço no estado indiano do Rajastão, que tem parte do território coberto por desertos (Latinstock)

A desertificação ganha terreno no mundo, mas não é uma fatalidade e pode ser revertida de acordo com a política adotada pelos governos, afirmou nesta terça-feira o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em reunião durante a Assembleia Geral anual das Nações Unidas, realizada em Nova York.

“Por que permitir a deterioração destas terras áridas?”, questionou o secretário-geral da ONU em seu discurso. “Tomemos hoje a iniciativa de reverter a tendência. Contrariamente a uma percepção muito disseminada, nem todas as terras áridas são estéreis”, disse Ban Ki-moon. “Uma ação oportuna da nossa parte pode liberar estas riquezas e aportar soluções”, acrescentou o chefe da ONU.

Em seu discurso, Ban Ki-Moon apresentou certos casos bem-sucedidos, entre eles a restauração de antigos terraços nos Andes do Peru ou a plantação de árvores para conter o avanço das dunas do Saara. “Há exemplos em todos os continentes de governos que revertem a tendência à desertificação e melhoram a produtividade das terras”, disse Ban.

Segurança alimentar — Cerca de 40% das terras do mundo são áridas ou semi-áridas. A cada ano são perdidos 12 milhões de hectares de terras produtivas, segundo a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (CNUCD). Dois bilhões de pessoas dependem destes solos para a sua subsistência. A cada minuto são perdidos 23 hectares de terras produtivas por causa da degradação, uma superfície que daria para produzir 20 milhões de toneladas de cereais, segundo a CNUD.

O presidente da Assembleia Geral da ONU, Nassir Abdulaziz Al-Nasser, insistiu no fato de que a desertificação traz à tona a questão da segurança alimentar, de que é exemplo o leste da África. “O custo humano e econômico da desertificação é enorme”, advertiu.

Segundo a ONU, a questão da desertificação abarca o desaparecimento de terras onde as populações tinham a capacidade de plantar ou criar gado e que se tornaram áreas áridas. São regiões onde vivem 2,3 bilhões de pessoas de quase 100 países.

Fonte: Veja Ciência