11 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Agricultores de 800 anos atrás cultivavam sem devastar Amazônia

Povos indígenas não colocavam fogo na mata para abrir áreas agrícolas.
Em vez disso, construíam pequenos montes férteis, afirma estudo.

Há 800 anos, povos indígenas que viveram na floresta amazônica da Guiana Francesa praticavam agricultura sem colocar fogo na mata. A conclusão é de um estudo arqueológico publicado nesta segunda-feira (9) no jornal científico “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

Para chegar à descoberta, arqueólogos e paleontólogos analisaram vestígios de pólen, carvão e outros restos animais de mais de 2 mil anos. Com base nas amostras, eles puderam perceber qual foi o padrão de uso da terra, antes e depois da chegada dos primeiros colonizadores europeus, em 1492.

De acordo com a pesquisa, estes povos agricultores construíam pequenos montes agrícolas, que proporcionavam melhor drenagem, aeração do solo e retenção de nutrientes. A técnica seria ideal para as condições amazônicas, que combina secas e cheias. Além disso, a falta de queimadas conservaria matérias orgânicas.

Já após a chegada dos colonizadores europeus, o número de queimadas teria aumentado. A descoberta é oposta a pesquisas anteriores, que diziam que os focos de incêndio diminuíram após o ingresso dos europeus.

Para José Iriarte, coordenador do estudo, o método de cultivo agrícola sem queimadas, usado há 800 anos, “pode se tornar uma alternativa para a queimada de florestas tropicais”, usada para abrir novas áreas para agricultura.

Fonte: Globo Natureza


5 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Incêndio devasta reserva ecológica próxima à Chapada Diamantina

Um incêndio de grandes proporções está devastando uma área de proteção ambiental na região da Chapada Diamantina, no sudoeste da Bahia.

A reserva particular de proteção natural fica na serra do Capa Bode, no município de Mucugê (a 438 km de Salvador).

Desde a noite desta segunda-feira (3), cerca de 200 hectares foram queimados – isso representa dois terços da reserva, que fica próxima ao Parque Nacional da Chapada Diamantina.

Para efeito de comparação, um campo de futebol equivale aproximadamente a um hectare.

O secretário de Meio Ambiente de Mucugê, Euvaldo Riveiro Júnior, disse que cerca de 15 homens estão combatendo o fogo desde o início da manhã desta terça-feira. O difícil acesso à reserva atrapalha o controle do fogo.

Com cerca de 11 mil habitantes, Mucugê não tem quartel do Corpo de Bombeiros, e a prefeitura pediu reforço para cidades vizinhas.

“É uma região de mata nativa sobre as rochas de chapada. Estamos fazendo o que podemos para evitar que a reserva seja toda destruída”, disse Ribeiro.

Nessa época do ano, disse o secretário, chove pouco na região da chapada, e incêndios são comuns. A causa do fogo ainda não foi determinada.

Fonte: Graciliano Rocha/ Folha.com


18 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Desmatamento da Amazônia em julho é 54% menor que há um ano

Inpe detectou 225 km² de florestas derrubadas na região.
Pará lidera devastação, seguido de Rondônia e Mato Grosso.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou nesta quarta-feira (17) o relatório de seu sistema de monitoramento de Desmatamento em Tempo Real da Amazônia Legal (Deter) para o mês de julho. Foram detectados 224,9 km² de floresta derrubada na região no período – área equivalente a 140 vezes o Parque Ibirapuera, em São Paulo.

O número é 54% menor que o índice do mesmo mês do ano passado, e 28% menor que o de junho de 2011.

Mais uma vez, o Pará figura como o estado com maior devastação – foram 93,7 km² de floresta derrubados no mês. Em seguida, vêm Rondônia, com 52,4 km², e Mato Grosso, 51,4 km².

Como é época de seca na maior parte da Amazônia, a cobertura de nuvens impediu a visualização de apenas uma pequena parte da região, totalizando 7%. O instituto sediado em São José dos Campos (SP) sempre ressalta, no entanto, que em função da cobertura de nuvens variável de um mês para outro e, também, da resolução dos satélites, os dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) não representam medição exata do desmatamento mensal na região.

A função principal do sistema é gerar alertas para orientação da fiscalização ambiental.

Na imagem acima, trator apreendido pelos agentes do Ibama. Abaixo, o correntão estendido no terreno, visto do alto. (Foto: Luciano Dias - Ibama / Divulgação)

Na imagem acima, trator que estava sendo usado para derrubar floresta em São Félix do Xingu (PA), por meio do método do correntão, que consiste numa corrente de elos grossos que é puxada por máquinas para cortar a vegetação. Abaixo, o correntão estendido no terreno, visto do alto. O trator foi apreendido pelo Ibama. (Foto: Luciano Dias - Ibama / Divulgação)

Fonte: Globo Natureza, em São Paulo


8 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Aumento do desmatamento no Pará não é ‘significativo’, avalia ministra

Estado foi o que mais desmatou a Amazônia em junho, segundo o Inpe.
Gabinete de crise já está atuando ali, diz Izabella Teixeira.

A Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse nesta sexta-feira (5) que o aumento do desmatamento no Pará – estado que mais desmatou a Amazônia em junho, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), não é singificativo.

“Houve um aumento no Pará, mas não é significativo, expressivo, como foi o de Mato Grosso”, disse. Até maio, Mato Grosso era o estado que, mês a mês, mais vinha desmatamento a floresta amazônica, o que levou à criação de um gabinete de crise para aumentar a fiscalização.

“Todo o esforço de coordenação do combate ao desmatamento não está só em Mato Grosso . O gabinete de crise está no Pará, está em Rondônia, e tenho certeza que os resultados serão muito bons a partir de julho”, disse a ministra.

Em junho, o Pará assumiu a liderança entre os estados que mais desmatam. Sozinho, ele respondeu por 119,6 km² , mais de um terço do total na região amazônica. Em relação a maio, houve um aumento de 82,5% na área de desmatamento detectada. Parte deste salto, no entanto, pode se dever à diminuição na cobertura de nuvens na região. Em maio, cerca de 40% do estado estavam encobertos e, em junho, este índice caiu para menos de 20%.

O número, no entanto, é consideravelmente menor que o pico de devastação registrado em Mato Grosso em abril, que foi 405,5 km².

Rio+20
Izabella Teixeira participou do Simpósio Brasileiro de Contrução Sustentável, em São Paulo, onde comentou sobre realização da Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável) no próximo ano, no Rio de Janeiro.

Falando a empresários e profissionais do setor de construção civil, ela reforçou a importância do envolvimento do setor privado na criação de uma economia verde. Em sua opinião, a sociedade civil tem ganhado muito espaço nas discussões e definições de políticas ambientais, ao contrário do setor governamental, que “perdeu o passo”.

Para a Rio +20, o Brasil está propondo que a sociedade tenha participação e interlocução direta com os chefes-de-estado, numa forma de tentar reforçar e reformular o funcionamento tradicional das discussões multilaterais da ONU.

A ministra destacou ainda que o Brasil, apesar de ter a maior extensão de floresta tropical do mundo, responde por apenas 4% do PIB mundial de produtos florestais. “Isso é uma vergonha”, definiu, ao defender que haveria espaço para muito mais.

Ela criticou ainda que a discussão da reforma do Código Florestal seja, em sua visão, um debate sobre uso do solo, em vez de uma discussão estratégica para o uso das florestas e a conservação da biodiversidade.

Fonte: Dennis Barbosa, Globo Natureza, São Paulo


26 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Investigação detecta uso de carvão ilegal em 36 siderúrgicas de MG e BA

Cadeia de exploração irregular destruía o cerrado e a caatinga, diz Ibama.
Devastação nos biomas causou a perda de 190 km² de floresta.

Balanço de operação para desmontar a cadeia ilegal de produção de carvão para a indústria siderúrgica totaliza 39 pessoas detidas por crimes fiscais e ambientais, além de R$ 84,2 milhões de multas aplicadas, além da apreensão de ferro-gusa (material utilizado para fabricação do aço) em duas siderúrgicas.

Segundo as autoridades, empresas da Bahia e de Minas Gerais exploravam carvão no cerrado e na caatinga.

A investigação, iniciada há um ano, foi executada pelo Ministério Público da Bahia e de Minas Gerais, em parceria com as Polícias Civil e Rodoviária Federal, além do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama).  Ao menos 257 empresas foram inspecionadas e houve a detecção de 36 siderúrgicas que utilizaram material ilegal.

Segundo o Ibama, houve a devastação de 19 mil hectares de floresta nos dois biomas (190 km²), uma área que é quase cinco vezes o tamanho do Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro. A mata nativa derrubada estava no norte de Minas Gerais e no oeste da Bahia. A madeira era utilizada na produção de carvão, vendido a siderúrgicas para ser transformado em ferro-gusa, material empregado na fabricação do aço.

Descoberta
Luciano de Menezes Evaristo, diretor de Proteção Ambiental do Ibama, afirma que a fraude foi descoberta depois de uma análise na falsa operação logística montada para o fornecimento de material. A partir dos dados encontrados no sistema de Documento de Origem Florestal (DOF), foi descoberto um esquema de produção de carvão em Goiás, Mato Grosso e Pará, que depois era transportado para a Bahia e, a partir de lá, distribuído para cidades mineiras.

“Só que essa movimentação logística é inviável. Nos perguntamos o porquê de atravessadores, que eram empresas de fachada instaladas na Bahia, na venda de carvão. O fato chamou a atenção e acabou provocando a operação”, complementa Evaristo.

De acordo com o Ministério Público da Bahia, entre os crimes registrados estão a utilização de fornos ilegais para produção de carvão e o uso de documentação irregular.

Das prisões, 17 foram feitas em cidades mineiras, como a dos dois empresários de duas siderúrgicas detidos na última sexta-feira. Outras 22 detenções ocorreram na Bahia, como a dos sete funcionários da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, suspeitos de serem os responsáveis por fraudar os créditos nos sistemas federal e estadual.

“Isso significa que o polo siderúrgico brasileiro não pode continuar vivendo da exploração de matas nativas da caatinga e do cerrado, biomas considerados frágeis”, afirmou Evaristo. Na próxima quarta-feira, carvoarias devem ser destruídasna Bahia e também no norte de Goiás, dando continuidade à operação.

Carvoaria que funcionava de maneira ilegal em Mato Grosso e que foi fechada durante a operação Corcel Negro (Foto: Divulgação/Ibama)

Carvoaria que funcionava de maneira ilegal em Mato Grosso e que foi fechada durante a operação 'Corcel Negro 2' (Foto: Divulgação/Ibama)

Fonte: Do Globo Natureza, São Paulo


24 de junho de 2011 | nenhum comentário »

‘Estancamos a hemorragia’, afirma chefe do Ibama sobre desmatamento

Curt Trennepohl diz que gabinete de crise para Amazônia deu resultado.
Região perdeu 267,9 km² de floresta em maio, de acordo com o Inpe.

Curt Trennepohl, presidente do Ibama. (Foto: Agência Brasil)

Curt Trennepohl, presidente do Ibama. (Foto: Agência Brasil)

O presidente do Ibama, Curt Trennepohl, disse nesta quarta-feira (22) que, apesar de o desmatamento em Mato Grosso ainda ser maior que em 2010, conforme revelado em reportagem do Globo Natureza, o gabinete de crise criado pelo governo contra a devastação na região amazônica está fazendo efeito. “Conseguimos estancar a hemorragia, mas ainda não podemos dizer que estamos em saúde perfeita”, observou.

O sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indica que Mato Grosso teve 93,7 km² de florestas devastadas em maio, índice 77% menor que o registrado em abril, quando o estado teve 405,5 km² de devastação, mas, ainda assim, superior em 80% a maio do ano passado, quando perdeu 51,8 km² de mata.

Foi o estado que registrou maior destruição de florestas na Amazônia Legal no mês passado. Mato Grosso é motivo de preocupação por causa da alta no desmatamento registrada ali desde março.

“O índice é superior a 2010, mas há uma curva descendente acentuada em relação a março e abril. O esforço do poder público está dando resultado”, avalia Trennepohl.

O Ministério do Meio Ambiente havia anunciado para esta quarta-feira (22) a divulgação completa dos dados do desmatamento em maio, mas a apresentação foi cancelada. Um dos relatórios a respeito, no entanto, ficou disponível na página do instituto espacial, que, consultado pelo Globo Natureza, confirmou os dados.

Trennepohl disse que a decisão de postergar a divulgação oficial dos dados se deve a que o Ibama está fazendo uma análise qualitativa dos focos de desmatamento detectados, para determinar quais são irregulares e quais têm autorização estadual.

Essa análise é importante, já que nem toda a floresta é derrubada ilegalmente. Em Rondônia, por exemplo, – outro estado com índice relativamente alto de devastação em maio (67,9 km²) – está acontecendo a retirada de vegetação para a instalação das das usinas hidrelétricas de Jirau e de Santo Antônio. “ Já está havendo a supressão lá e estamos monitorando”, diz Trennepohl.

Fonte: Dennis Barbosa, Do Globo Natureza, em São Paulo


20 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Desmatamento na Amazônia Legal cresceu 72% em maio, aponta Imazon

Comparação é em relação ao mesmo mês do ano passado.
Estado do Pará foi líder na devastação da floresta, diz instituto.

Levantamento divulgado nesta sexta-feira (17) pela organização ambiental brasileira Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) aponta que a Amazônia Legal perdeu 165 km² de florestas devido ao desmatamento em maio, número que é 72% superior ao registrado no mesmo mês de 2010, quando a floresta perdeu 96 km² por corte raso (destruição total da mata).

Gerados a partir de imagens de satélite, os dados apresentam ainda um crescimento de 24% no desmatamento entre agosto de 2010 e maio de 2011, no comparativo com agosto de 2009 e maio de 2010. De acordo com o Imazon, desapareceu da Amazônia, nos últimos dez meses, uma área superior ao tamanho do município do Rio de Janeiro.

Devido à cobertura de nuvens, que atrapalha os satélites, o instituto monitorou 47% da área florestal na Amazônia Legal em maio. A região central e norte do Pará, e os estados do Amapá e Roraima estiveram mais de 80% encobertos.

O índice está próximo aos 27% de crescimento na devastação registrados pelo sistema de detecção de desmatamentos em tempo real (Deter) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), utilizado pelo governo federal como fonte oficial para combater os crimes ambientais no bioma.

Mapa produzido pelo Imazon mostra em vermelho os pontos de desmatamento detectados pelos técnicos do instituto no mês de maio. (Foto: Divulgação)

Mapa produzido pelo Imazon mostra em vermelho os pontos de desmatamento detectados pelos técnicos do instituto no mês de maio. (Foto: Divulgação)

 

Segundo Adalberto Veríssimo, pesquisador do Imazon, o acumulado de 24% é preocupante e poderá aumentar se não houver um controle. “Mas ainda não significa que a derrubada da vegetação vai voltar a níveis estratosféricos. Até 2004, existia um desmatamento anual de 24 mil km². Entretanto, o governo deve ficar em alerta porque os índices que apenas caíam anualmente, agora, voltaram a subir”, disse Veríssimo.

Municípios que mais desmataram a Amazônia Legal em maio de 2011 (Fonte: Imazon)
Altamira (PA) 22,2 km²
Porto Velho (RO) 13,4 km2²
Apuí (AM) 12,5 km²
Novo Progresso (PA) 11,6km²

Evolução
De acordo com o levantamento do Imazon, na avaliação dos últimos 10 meses o estado de Mato Grosso foi o que mais registrou desmatamento (saltou de 288 km² para 558 km², alta de 94%).

O Pará registrou decréscimo de 33% na devastação da floresta, mas ainda derrubou uma área equivalente a 19 vezes o tamanho da ilha de Fernando de Noronha (PE).

Segundo o pesquisador, em Rondônia, por exemplo, tem ocorrido derrubada da floresta por influência de obras federais como a construção das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira.

“Os municípios com grave situação de devastação da floresta no Pará também tem relação com a construção dos canteiros de obra da usina de Belo Monte, no rio Xingu. O município de Altamira, segundo o Imazon, foi responsável por desmatar 22 km² em maio deste ano”, afirmou Veríssimo.

De acordo com o pesquisador, o que tem acontecido também é uma derrubada da vegetação devido à especulação em volta do novo Código Florestal, que modifica as regras na legislação ambiental e rural do país. “É uma incerteza que tem gerado o desmatamento especulativo e não produtivo. Muita gente tem feito isso para garantir terra”, afirmou.

Fonte: Eduardo Carvalho, Do Globo Natureza, em São Paulo


24 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Imazon acusa ‘aumento expressivo’ do desmatamento na Amazônia

Detecção em dezembro de 2010 foi 994% maior que um ano antes.
Cobertura de nuvens impossibilitou análise de 70% da região.

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), organização que faz um levantamento paralelo ao oficial da devastação na região amazônica, registrou desmatamento de 175 km² de floresta em dezembro. A estimativa está em relatório do órgão divulgado nesta quarta-feira (23).

De acordo com o instituto, o número representa um “aumento expressivo de 994% em relação a dezembro de 2009, quando o desmatamento somou somente 16 km²”. Já em janeiro de 2011, foram registrados 83 km² de desmatamento, o que representou um aumento de 22% em relação a janeiro de 2010 quando o desmatamento atingiu 68 km².

O instituto destaca que os números podem estar subestimados. Em dezembro de 2010, assim como em em janeiro de 2011, foi possível monitorar somente 30% da Amazônia. Os outros 70% estavam cobertos por nuvens, dificultando a análise, em especial no Amapá, Pará e Acre, que tiveram mais de 80% da área florestal cobertos por nuvens.

Degradação

O Imazon detectou ainda 541 km² de florestas degradadas (parcialmente destruídas) em dezembro e 376 km² em janeiro. Os números também são maiores em relação a um ano antes. O instituto estima que o carbono emitido pelo desmatamento no período de agosto de 2010 a janeiro de 2011 (seis primeiros meses do chamado “calendário de desmatamento”) foi de 13,9 milhões de toneladas.

Em dezembro, Rondônia contribuiu com 43% da área total desmatada na Amazônia Legal. Mato Grosso teve 31% e o Amazonas, 16%. Nos outros estados, o desmatamento foi proporcionalmente menor, ficando o Pará com 5%, o Acre com 4% e Tocantins com 1%. O desmatamento detectado no Pará, no entanto, foi menor possivelmente devido à densa cobertura de nuvens.

Em janeiro de 2011, a devastação foi maior em Mato Grosso, com 57%. O estado foi seguido do Pará, com 20%, e Rondônia, com 18%. O restante ocorreu no Amazonas (4%) e Roraima (1%).

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que faz o levantamento oficial da destruição da floresta amazônica, já indicavam um aumento da devastação no fim do ano passado, em comparação a 2009.

Fonte: Globo Natureza


6 de agosto de 2010 | nenhum comentário »

Má restauração de floresta pode ser pior que manter área devastada

Obrigar agricultores a recuperarem áreas devastadas em grandes propriedades (com mais de quatro módulos agrícolas), como propõe o novo Código Florestal, pode ter impactos desastrosos ao meio ambiente.

Isso porque nem todas as recuperações de áreas ambientais são feitas com vegetação nativa e adequada para as características do bioma.

“Já vi plantio de árvores em regiões com pouca água que acabaram morrendo por competição. A região ficou sem vegetação e a morte das árvores gerou carbono”, exemplificou a engenheira florestal Giselda Durigan, do Instituto Florestal do Estado de São Paulo.

O plantio de vegetação exótica (não nativa) é outro problema comum nas recuperações florestais promovidas por agricultores. “Ao tentar restaurar uma área, um agricultor pode destruir um ecossistema”, diz Durigan.

O novo Código Florestal determina que no máximo 50% das áreas recuperadas podem ser compostas por espécies exóticas.

“Mas não está claro qual é a riqueza da flora que deve ser plantada, alternando plantas exóticas e nativas. Posso plantar só café e peroba na minha reserva?”, questiona-se o biólogo Sergius Gandolfi, da USP de Piracicaba.

Plano B – Uma alternativa à recuperação de uma área devastada, para Durigan, do Instituto Florestal, pode ser a compensação, ou seja, a compra ou doação à União de área preservada de mesma proporção do que foi devastado pelo agricultor.

Para o biólogo Otávio Marques, do Instituto Butantan, no entanto, a compensação florestal não resolve o impacto ambiental da fauna.

“Não se pode tirar um réptil de uma área e colocar em outra região distante. Espécies diferentes não vivem em regiões distintas”, explica.

O novo Código Florestal obriga grandes agricultores –donos de 80% da área rural do país– a restaurarem APPs (áreas de proteção permanente) desmatadas e dá incentivos econômicos para proprietários as restaurarem.

Gandolfi, da USP, é contra incentivos para preservação de florestas em propriedades agrícolas. “Não há incentivos para que as fábricas não emitam poluentes na atmosfera”, compara.

A discussão sobre o novo Código Florestal aconteceu nesta terça-feira (3), na Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), em uma reunião de cientistas organizada pela coordenação do projeto Biota/Fapesp.

O novo Código Florestal, proposto pelo deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP), foi aprovado no mês passado por uma comissão do Câmara, e ainda precisa ser votado no Congresso.

download movie the crazies hq

Fonte: Sabine Righetti/ Folha.com






Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

julho 2018
S T Q Q S S D
« mar    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

11 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Agricultores de 800 anos atrás cultivavam sem devastar Amazônia

Povos indígenas não colocavam fogo na mata para abrir áreas agrícolas.
Em vez disso, construíam pequenos montes férteis, afirma estudo.

Há 800 anos, povos indígenas que viveram na floresta amazônica da Guiana Francesa praticavam agricultura sem colocar fogo na mata. A conclusão é de um estudo arqueológico publicado nesta segunda-feira (9) no jornal científico “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

Para chegar à descoberta, arqueólogos e paleontólogos analisaram vestígios de pólen, carvão e outros restos animais de mais de 2 mil anos. Com base nas amostras, eles puderam perceber qual foi o padrão de uso da terra, antes e depois da chegada dos primeiros colonizadores europeus, em 1492.

De acordo com a pesquisa, estes povos agricultores construíam pequenos montes agrícolas, que proporcionavam melhor drenagem, aeração do solo e retenção de nutrientes. A técnica seria ideal para as condições amazônicas, que combina secas e cheias. Além disso, a falta de queimadas conservaria matérias orgânicas.

Já após a chegada dos colonizadores europeus, o número de queimadas teria aumentado. A descoberta é oposta a pesquisas anteriores, que diziam que os focos de incêndio diminuíram após o ingresso dos europeus.

Para José Iriarte, coordenador do estudo, o método de cultivo agrícola sem queimadas, usado há 800 anos, “pode se tornar uma alternativa para a queimada de florestas tropicais”, usada para abrir novas áreas para agricultura.

Fonte: Globo Natureza


5 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Incêndio devasta reserva ecológica próxima à Chapada Diamantina

Um incêndio de grandes proporções está devastando uma área de proteção ambiental na região da Chapada Diamantina, no sudoeste da Bahia.

A reserva particular de proteção natural fica na serra do Capa Bode, no município de Mucugê (a 438 km de Salvador).

Desde a noite desta segunda-feira (3), cerca de 200 hectares foram queimados – isso representa dois terços da reserva, que fica próxima ao Parque Nacional da Chapada Diamantina.

Para efeito de comparação, um campo de futebol equivale aproximadamente a um hectare.

O secretário de Meio Ambiente de Mucugê, Euvaldo Riveiro Júnior, disse que cerca de 15 homens estão combatendo o fogo desde o início da manhã desta terça-feira. O difícil acesso à reserva atrapalha o controle do fogo.

Com cerca de 11 mil habitantes, Mucugê não tem quartel do Corpo de Bombeiros, e a prefeitura pediu reforço para cidades vizinhas.

“É uma região de mata nativa sobre as rochas de chapada. Estamos fazendo o que podemos para evitar que a reserva seja toda destruída”, disse Ribeiro.

Nessa época do ano, disse o secretário, chove pouco na região da chapada, e incêndios são comuns. A causa do fogo ainda não foi determinada.

Fonte: Graciliano Rocha/ Folha.com


18 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Desmatamento da Amazônia em julho é 54% menor que há um ano

Inpe detectou 225 km² de florestas derrubadas na região.
Pará lidera devastação, seguido de Rondônia e Mato Grosso.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou nesta quarta-feira (17) o relatório de seu sistema de monitoramento de Desmatamento em Tempo Real da Amazônia Legal (Deter) para o mês de julho. Foram detectados 224,9 km² de floresta derrubada na região no período – área equivalente a 140 vezes o Parque Ibirapuera, em São Paulo.

O número é 54% menor que o índice do mesmo mês do ano passado, e 28% menor que o de junho de 2011.

Mais uma vez, o Pará figura como o estado com maior devastação – foram 93,7 km² de floresta derrubados no mês. Em seguida, vêm Rondônia, com 52,4 km², e Mato Grosso, 51,4 km².

Como é época de seca na maior parte da Amazônia, a cobertura de nuvens impediu a visualização de apenas uma pequena parte da região, totalizando 7%. O instituto sediado em São José dos Campos (SP) sempre ressalta, no entanto, que em função da cobertura de nuvens variável de um mês para outro e, também, da resolução dos satélites, os dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) não representam medição exata do desmatamento mensal na região.

A função principal do sistema é gerar alertas para orientação da fiscalização ambiental.

Na imagem acima, trator apreendido pelos agentes do Ibama. Abaixo, o correntão estendido no terreno, visto do alto. (Foto: Luciano Dias - Ibama / Divulgação)

Na imagem acima, trator que estava sendo usado para derrubar floresta em São Félix do Xingu (PA), por meio do método do correntão, que consiste numa corrente de elos grossos que é puxada por máquinas para cortar a vegetação. Abaixo, o correntão estendido no terreno, visto do alto. O trator foi apreendido pelo Ibama. (Foto: Luciano Dias - Ibama / Divulgação)

Fonte: Globo Natureza, em São Paulo


8 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Aumento do desmatamento no Pará não é ‘significativo’, avalia ministra

Estado foi o que mais desmatou a Amazônia em junho, segundo o Inpe.
Gabinete de crise já está atuando ali, diz Izabella Teixeira.

A Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse nesta sexta-feira (5) que o aumento do desmatamento no Pará – estado que mais desmatou a Amazônia em junho, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), não é singificativo.

“Houve um aumento no Pará, mas não é significativo, expressivo, como foi o de Mato Grosso”, disse. Até maio, Mato Grosso era o estado que, mês a mês, mais vinha desmatamento a floresta amazônica, o que levou à criação de um gabinete de crise para aumentar a fiscalização.

“Todo o esforço de coordenação do combate ao desmatamento não está só em Mato Grosso . O gabinete de crise está no Pará, está em Rondônia, e tenho certeza que os resultados serão muito bons a partir de julho”, disse a ministra.

Em junho, o Pará assumiu a liderança entre os estados que mais desmatam. Sozinho, ele respondeu por 119,6 km² , mais de um terço do total na região amazônica. Em relação a maio, houve um aumento de 82,5% na área de desmatamento detectada. Parte deste salto, no entanto, pode se dever à diminuição na cobertura de nuvens na região. Em maio, cerca de 40% do estado estavam encobertos e, em junho, este índice caiu para menos de 20%.

O número, no entanto, é consideravelmente menor que o pico de devastação registrado em Mato Grosso em abril, que foi 405,5 km².

Rio+20
Izabella Teixeira participou do Simpósio Brasileiro de Contrução Sustentável, em São Paulo, onde comentou sobre realização da Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável) no próximo ano, no Rio de Janeiro.

Falando a empresários e profissionais do setor de construção civil, ela reforçou a importância do envolvimento do setor privado na criação de uma economia verde. Em sua opinião, a sociedade civil tem ganhado muito espaço nas discussões e definições de políticas ambientais, ao contrário do setor governamental, que “perdeu o passo”.

Para a Rio +20, o Brasil está propondo que a sociedade tenha participação e interlocução direta com os chefes-de-estado, numa forma de tentar reforçar e reformular o funcionamento tradicional das discussões multilaterais da ONU.

A ministra destacou ainda que o Brasil, apesar de ter a maior extensão de floresta tropical do mundo, responde por apenas 4% do PIB mundial de produtos florestais. “Isso é uma vergonha”, definiu, ao defender que haveria espaço para muito mais.

Ela criticou ainda que a discussão da reforma do Código Florestal seja, em sua visão, um debate sobre uso do solo, em vez de uma discussão estratégica para o uso das florestas e a conservação da biodiversidade.

Fonte: Dennis Barbosa, Globo Natureza, São Paulo


26 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Investigação detecta uso de carvão ilegal em 36 siderúrgicas de MG e BA

Cadeia de exploração irregular destruía o cerrado e a caatinga, diz Ibama.
Devastação nos biomas causou a perda de 190 km² de floresta.

Balanço de operação para desmontar a cadeia ilegal de produção de carvão para a indústria siderúrgica totaliza 39 pessoas detidas por crimes fiscais e ambientais, além de R$ 84,2 milhões de multas aplicadas, além da apreensão de ferro-gusa (material utilizado para fabricação do aço) em duas siderúrgicas.

Segundo as autoridades, empresas da Bahia e de Minas Gerais exploravam carvão no cerrado e na caatinga.

A investigação, iniciada há um ano, foi executada pelo Ministério Público da Bahia e de Minas Gerais, em parceria com as Polícias Civil e Rodoviária Federal, além do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama).  Ao menos 257 empresas foram inspecionadas e houve a detecção de 36 siderúrgicas que utilizaram material ilegal.

Segundo o Ibama, houve a devastação de 19 mil hectares de floresta nos dois biomas (190 km²), uma área que é quase cinco vezes o tamanho do Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro. A mata nativa derrubada estava no norte de Minas Gerais e no oeste da Bahia. A madeira era utilizada na produção de carvão, vendido a siderúrgicas para ser transformado em ferro-gusa, material empregado na fabricação do aço.

Descoberta
Luciano de Menezes Evaristo, diretor de Proteção Ambiental do Ibama, afirma que a fraude foi descoberta depois de uma análise na falsa operação logística montada para o fornecimento de material. A partir dos dados encontrados no sistema de Documento de Origem Florestal (DOF), foi descoberto um esquema de produção de carvão em Goiás, Mato Grosso e Pará, que depois era transportado para a Bahia e, a partir de lá, distribuído para cidades mineiras.

“Só que essa movimentação logística é inviável. Nos perguntamos o porquê de atravessadores, que eram empresas de fachada instaladas na Bahia, na venda de carvão. O fato chamou a atenção e acabou provocando a operação”, complementa Evaristo.

De acordo com o Ministério Público da Bahia, entre os crimes registrados estão a utilização de fornos ilegais para produção de carvão e o uso de documentação irregular.

Das prisões, 17 foram feitas em cidades mineiras, como a dos dois empresários de duas siderúrgicas detidos na última sexta-feira. Outras 22 detenções ocorreram na Bahia, como a dos sete funcionários da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, suspeitos de serem os responsáveis por fraudar os créditos nos sistemas federal e estadual.

“Isso significa que o polo siderúrgico brasileiro não pode continuar vivendo da exploração de matas nativas da caatinga e do cerrado, biomas considerados frágeis”, afirmou Evaristo. Na próxima quarta-feira, carvoarias devem ser destruídasna Bahia e também no norte de Goiás, dando continuidade à operação.

Carvoaria que funcionava de maneira ilegal em Mato Grosso e que foi fechada durante a operação Corcel Negro (Foto: Divulgação/Ibama)

Carvoaria que funcionava de maneira ilegal em Mato Grosso e que foi fechada durante a operação 'Corcel Negro 2' (Foto: Divulgação/Ibama)

Fonte: Do Globo Natureza, São Paulo


24 de junho de 2011 | nenhum comentário »

‘Estancamos a hemorragia’, afirma chefe do Ibama sobre desmatamento

Curt Trennepohl diz que gabinete de crise para Amazônia deu resultado.
Região perdeu 267,9 km² de floresta em maio, de acordo com o Inpe.

Curt Trennepohl, presidente do Ibama. (Foto: Agência Brasil)

Curt Trennepohl, presidente do Ibama. (Foto: Agência Brasil)

O presidente do Ibama, Curt Trennepohl, disse nesta quarta-feira (22) que, apesar de o desmatamento em Mato Grosso ainda ser maior que em 2010, conforme revelado em reportagem do Globo Natureza, o gabinete de crise criado pelo governo contra a devastação na região amazônica está fazendo efeito. “Conseguimos estancar a hemorragia, mas ainda não podemos dizer que estamos em saúde perfeita”, observou.

O sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indica que Mato Grosso teve 93,7 km² de florestas devastadas em maio, índice 77% menor que o registrado em abril, quando o estado teve 405,5 km² de devastação, mas, ainda assim, superior em 80% a maio do ano passado, quando perdeu 51,8 km² de mata.

Foi o estado que registrou maior destruição de florestas na Amazônia Legal no mês passado. Mato Grosso é motivo de preocupação por causa da alta no desmatamento registrada ali desde março.

“O índice é superior a 2010, mas há uma curva descendente acentuada em relação a março e abril. O esforço do poder público está dando resultado”, avalia Trennepohl.

O Ministério do Meio Ambiente havia anunciado para esta quarta-feira (22) a divulgação completa dos dados do desmatamento em maio, mas a apresentação foi cancelada. Um dos relatórios a respeito, no entanto, ficou disponível na página do instituto espacial, que, consultado pelo Globo Natureza, confirmou os dados.

Trennepohl disse que a decisão de postergar a divulgação oficial dos dados se deve a que o Ibama está fazendo uma análise qualitativa dos focos de desmatamento detectados, para determinar quais são irregulares e quais têm autorização estadual.

Essa análise é importante, já que nem toda a floresta é derrubada ilegalmente. Em Rondônia, por exemplo, – outro estado com índice relativamente alto de devastação em maio (67,9 km²) – está acontecendo a retirada de vegetação para a instalação das das usinas hidrelétricas de Jirau e de Santo Antônio. “ Já está havendo a supressão lá e estamos monitorando”, diz Trennepohl.

Fonte: Dennis Barbosa, Do Globo Natureza, em São Paulo


20 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Desmatamento na Amazônia Legal cresceu 72% em maio, aponta Imazon

Comparação é em relação ao mesmo mês do ano passado.
Estado do Pará foi líder na devastação da floresta, diz instituto.

Levantamento divulgado nesta sexta-feira (17) pela organização ambiental brasileira Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) aponta que a Amazônia Legal perdeu 165 km² de florestas devido ao desmatamento em maio, número que é 72% superior ao registrado no mesmo mês de 2010, quando a floresta perdeu 96 km² por corte raso (destruição total da mata).

Gerados a partir de imagens de satélite, os dados apresentam ainda um crescimento de 24% no desmatamento entre agosto de 2010 e maio de 2011, no comparativo com agosto de 2009 e maio de 2010. De acordo com o Imazon, desapareceu da Amazônia, nos últimos dez meses, uma área superior ao tamanho do município do Rio de Janeiro.

Devido à cobertura de nuvens, que atrapalha os satélites, o instituto monitorou 47% da área florestal na Amazônia Legal em maio. A região central e norte do Pará, e os estados do Amapá e Roraima estiveram mais de 80% encobertos.

O índice está próximo aos 27% de crescimento na devastação registrados pelo sistema de detecção de desmatamentos em tempo real (Deter) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), utilizado pelo governo federal como fonte oficial para combater os crimes ambientais no bioma.

Mapa produzido pelo Imazon mostra em vermelho os pontos de desmatamento detectados pelos técnicos do instituto no mês de maio. (Foto: Divulgação)

Mapa produzido pelo Imazon mostra em vermelho os pontos de desmatamento detectados pelos técnicos do instituto no mês de maio. (Foto: Divulgação)

 

Segundo Adalberto Veríssimo, pesquisador do Imazon, o acumulado de 24% é preocupante e poderá aumentar se não houver um controle. “Mas ainda não significa que a derrubada da vegetação vai voltar a níveis estratosféricos. Até 2004, existia um desmatamento anual de 24 mil km². Entretanto, o governo deve ficar em alerta porque os índices que apenas caíam anualmente, agora, voltaram a subir”, disse Veríssimo.

Municípios que mais desmataram a Amazônia Legal em maio de 2011 (Fonte: Imazon)
Altamira (PA) 22,2 km²
Porto Velho (RO) 13,4 km2²
Apuí (AM) 12,5 km²
Novo Progresso (PA) 11,6km²

Evolução
De acordo com o levantamento do Imazon, na avaliação dos últimos 10 meses o estado de Mato Grosso foi o que mais registrou desmatamento (saltou de 288 km² para 558 km², alta de 94%).

O Pará registrou decréscimo de 33% na devastação da floresta, mas ainda derrubou uma área equivalente a 19 vezes o tamanho da ilha de Fernando de Noronha (PE).

Segundo o pesquisador, em Rondônia, por exemplo, tem ocorrido derrubada da floresta por influência de obras federais como a construção das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira.

“Os municípios com grave situação de devastação da floresta no Pará também tem relação com a construção dos canteiros de obra da usina de Belo Monte, no rio Xingu. O município de Altamira, segundo o Imazon, foi responsável por desmatar 22 km² em maio deste ano”, afirmou Veríssimo.

De acordo com o pesquisador, o que tem acontecido também é uma derrubada da vegetação devido à especulação em volta do novo Código Florestal, que modifica as regras na legislação ambiental e rural do país. “É uma incerteza que tem gerado o desmatamento especulativo e não produtivo. Muita gente tem feito isso para garantir terra”, afirmou.

Fonte: Eduardo Carvalho, Do Globo Natureza, em São Paulo


24 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Imazon acusa ‘aumento expressivo’ do desmatamento na Amazônia

Detecção em dezembro de 2010 foi 994% maior que um ano antes.
Cobertura de nuvens impossibilitou análise de 70% da região.

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), organização que faz um levantamento paralelo ao oficial da devastação na região amazônica, registrou desmatamento de 175 km² de floresta em dezembro. A estimativa está em relatório do órgão divulgado nesta quarta-feira (23).

De acordo com o instituto, o número representa um “aumento expressivo de 994% em relação a dezembro de 2009, quando o desmatamento somou somente 16 km²”. Já em janeiro de 2011, foram registrados 83 km² de desmatamento, o que representou um aumento de 22% em relação a janeiro de 2010 quando o desmatamento atingiu 68 km².

O instituto destaca que os números podem estar subestimados. Em dezembro de 2010, assim como em em janeiro de 2011, foi possível monitorar somente 30% da Amazônia. Os outros 70% estavam cobertos por nuvens, dificultando a análise, em especial no Amapá, Pará e Acre, que tiveram mais de 80% da área florestal cobertos por nuvens.

Degradação

O Imazon detectou ainda 541 km² de florestas degradadas (parcialmente destruídas) em dezembro e 376 km² em janeiro. Os números também são maiores em relação a um ano antes. O instituto estima que o carbono emitido pelo desmatamento no período de agosto de 2010 a janeiro de 2011 (seis primeiros meses do chamado “calendário de desmatamento”) foi de 13,9 milhões de toneladas.

Em dezembro, Rondônia contribuiu com 43% da área total desmatada na Amazônia Legal. Mato Grosso teve 31% e o Amazonas, 16%. Nos outros estados, o desmatamento foi proporcionalmente menor, ficando o Pará com 5%, o Acre com 4% e Tocantins com 1%. O desmatamento detectado no Pará, no entanto, foi menor possivelmente devido à densa cobertura de nuvens.

Em janeiro de 2011, a devastação foi maior em Mato Grosso, com 57%. O estado foi seguido do Pará, com 20%, e Rondônia, com 18%. O restante ocorreu no Amazonas (4%) e Roraima (1%).

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que faz o levantamento oficial da destruição da floresta amazônica, já indicavam um aumento da devastação no fim do ano passado, em comparação a 2009.

Fonte: Globo Natureza


6 de agosto de 2010 | nenhum comentário »

Má restauração de floresta pode ser pior que manter área devastada

Obrigar agricultores a recuperarem áreas devastadas em grandes propriedades (com mais de quatro módulos agrícolas), como propõe o novo Código Florestal, pode ter impactos desastrosos ao meio ambiente.

Isso porque nem todas as recuperações de áreas ambientais são feitas com vegetação nativa e adequada para as características do bioma.

“Já vi plantio de árvores em regiões com pouca água que acabaram morrendo por competição. A região ficou sem vegetação e a morte das árvores gerou carbono”, exemplificou a engenheira florestal Giselda Durigan, do Instituto Florestal do Estado de São Paulo.

O plantio de vegetação exótica (não nativa) é outro problema comum nas recuperações florestais promovidas por agricultores. “Ao tentar restaurar uma área, um agricultor pode destruir um ecossistema”, diz Durigan.

O novo Código Florestal determina que no máximo 50% das áreas recuperadas podem ser compostas por espécies exóticas.

“Mas não está claro qual é a riqueza da flora que deve ser plantada, alternando plantas exóticas e nativas. Posso plantar só café e peroba na minha reserva?”, questiona-se o biólogo Sergius Gandolfi, da USP de Piracicaba.

Plano B – Uma alternativa à recuperação de uma área devastada, para Durigan, do Instituto Florestal, pode ser a compensação, ou seja, a compra ou doação à União de área preservada de mesma proporção do que foi devastado pelo agricultor.

Para o biólogo Otávio Marques, do Instituto Butantan, no entanto, a compensação florestal não resolve o impacto ambiental da fauna.

“Não se pode tirar um réptil de uma área e colocar em outra região distante. Espécies diferentes não vivem em regiões distintas”, explica.

O novo Código Florestal obriga grandes agricultores –donos de 80% da área rural do país– a restaurarem APPs (áreas de proteção permanente) desmatadas e dá incentivos econômicos para proprietários as restaurarem.

Gandolfi, da USP, é contra incentivos para preservação de florestas em propriedades agrícolas. “Não há incentivos para que as fábricas não emitam poluentes na atmosfera”, compara.

A discussão sobre o novo Código Florestal aconteceu nesta terça-feira (3), na Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), em uma reunião de cientistas organizada pela coordenação do projeto Biota/Fapesp.

O novo Código Florestal, proposto pelo deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP), foi aprovado no mês passado por uma comissão do Câmara, e ainda precisa ser votado no Congresso.

download movie the crazies hq

Fonte: Sabine Righetti/ Folha.com