20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Recomendado pela ONU, consumo de insetos na dieta já ocorre no Brasil

Tanajura é forma mais tradicional; prática não é oficialmente regulamentada.
Criação em MG serve para experiências de chefs e curiosos

O consumo de insetos na alimentação humana, recomendado em um relatório publicado nesta semana pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), já existe em algumas espécies que são consumidas no Brasil.

A mais comum é a formiga tanajura, que é um alimento relativamente tradicional em áreas do interior de Minas Gerais e do Nordeste, em forma de farofa. Outro inseto conhecido é a larva do besouro Pachymerus nucleorum, que se instala dentro de frutos, e que por isso também é conhecida como “larva do coquinho”. Seu consumo faz parte de brincadeiras na zona rural e de treinamentos de sobrevivência na selva.

Os órgãos oficiais ainda não dão muita importância ao assunto, apesar da recente recomendação do órgão da ONU. No Guia Alimentar para a População Brasileira, o Ministério da Saúde não faz nenhuma menção ao consumo de insetos. Já a Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan) do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) entende que esse hábito alimentar não faz parte da cultura brasileira e não tem estudos neste sentido. O Ministério da Agricultura, por sua vez, afirma que não há registro oficial de estabelecimentos que produzam insetos para o consumo humano.

“Eu espero fortemente que o governo brasileiro reconheça os insetos como fonte de alimentos dos brasileiros”, afirmou Eraldo Costa Neto, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (BA) que pesquisa as relações entre humanos e insetos. “Infelizmente, o governo brasileiro ainda vê insetos como pragas”, completou o especialista, que foi o único brasileiro a participar da convenção da FAO que deu origem ao relatório publicado na segunda(13/05).

Torta feita com larvas (Foto: Liza Flores/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Torta feita com larvas (Foto: Liza Flores/Grupo Vale Verde/Divulgação)

À espera de reconhecimento
Apesar de o Ministério da Agricultura dizer que nunca registrou nenhum produtor de insetos para consumo humano, uma empresa de Minas Gerais afirma que já entrou com o pedido para obter a licença e que ainda não recebeu resposta.

Na verdade, a Nutrinsecta é especializada na produção de insetos para a alimentação de animais. No entanto, como os animais são tratados em um ambiente limpo e saudável, não há nenhum empecilho para o consumo humano. Isso atrai chefs de cozinha e curiosos, que, esporadicamente, usam esses ingredientes para desenvolver seus pratos.

Com a orientação da FAO, a empresa espera que o mercado cresça e se prepara para atender a uma possível demanda. “Hoje, eu estou muito feliz porque realmente nunca fiz nenhuma gestão para alimentação humana, exatamente pelo preconceito”, afirmou Luiz Otávio Gonçalves, presidente do Grupo Vale Verde, ao qual a Nutrinsecta pertence. “Mas agora eu posso sair do armário”, brincou o empresário.

Os insetos produzidos no local são os tenébrios — um tipo de besouro do qual se consome a larva, nos tipos comum e gigante — grilo preto, barata cinérea, larva de mosca e pupa de mosca.

A criação de insetos nasceu de um hobby de Gonçalves, que mantém um viveiro com aves raras em um parque mantido pela empresa em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ajudando, inclusive, a reproduzir espécies em extinção.

No início, as aves eram alimentadas com sementes, como na natureza. Porém, como gastam menos energia no cativeiro, o excesso de gordura das sementes prejudicava o sistema reprodutivo das aves. O criador pediu ajuda a especialistas e foi instruído a usar insetos como ração. “O nível de reprodução das aves foi de 35% para 70%”, contou.

A partir daí, o grupo começou a criar seus próprios insetos. Hoje, a produção está em uma tonelada por mês, com planos de expansão, mas a ideia principal continua sendo o uso como ração animal.

Grilos produzidos pela Nutrinsecta (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Grilos produzidos pela Nutrinsecta (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Valores nutricionais
A recomendação da FAO pelo consumo de insetos se dá pela grande quantidade de proteínas encontrada nestes animais. Os números variam muito de acordo com o tipo de inseto, mas as espécies já consumidas no Brasil e as produzidas pela Nutrinsecta têm valores bem acima dos alimentos tradicionais, como mostra a tabela.

Alimento Gramas de proteína (em cada 100 gramas do alimento cru)
Barata cinérea 60
Larva de mosca 50
Grilo preto 48
Larva de tenébrio 47
Tanajura 44,6
Larva do coquinho 33
Feijão 21,5
Carne de boi 20,2
Carne de frango 19,7
Carne de porco 18,5
Peixe 16,6
Arroz 7,2
Brócolis 3,3
Couve 1,4

“As proteínas são nutrientes necessários ao organismo para o crescimento, desenvolvimento e reparação dos tecidos corporais. Além de fazerem parte de diversas estruturas do organismo, compõem enzimas, hormônios, fazem transporte de nutrientes e compõem o sistema imunológico”, explicou a nutricionista Lara Natacci, responsável técnica da Dietnet Assessoria Nutricional, de São Paulo.

A orientação dos nutricionistas é que uma pessoa consoma entre 0,8 e 1 grama diária de proteínas para cada quilo de seu peso. Em outras palavras, quem pesa 50 kg deve ingerir entre 40 e 50 gramas de proteínas em um dia.

Embora o relatório tenha sugerido os insetos como uma forma de combate a fome, esse não é o único objetivo da organização. A ideia, em longo prazo, é criar o hábito e incluí-lo no cardápio como um todo. “Inseto não é para gente pobre e desnutrida. Inseto é para ser consumido por todos”, afirmou o especialista Eraldo Costa Neto.

Por serem ricos em proteínas, os insetos conseguiriam suprir a mesma produção de nutrientes do gado gastando menos recursos – água, área e alimentos. Como a tendência é que o preço da carne bovina suba muito ao longo do século, a dieta de insetos tende a ganhar adeptos. “É uma alternativa não só econômica, como também ecológica”, apontou Costa Neto.

Tenébrio (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Tenébrios (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/ Divulgação)

Os insetos também são muito ricos em gordura, mas o tipo de gordura é diferente do encontrado nos bovinos, por exemplo. “Eles têm gorduras poli-insaturadas, que não nos fazem mal, diferentemente da picanha”, indicou o pesquisador. Esse tipo de gordura é semelhante à encontrada em peixes e sementes oleaginosas, comumente indicada por médicos.

Outro ponto a favor dos insetos na tabela nutricional são os minerais – em especial o ferro, essencial para combater a anemia. Em geral, eles têm, no mínimo, a mesma quantidade de ferro presente na carne vermelha – que, por sua vez, já é considerada rica na substância.

Eles têm ainda quantidades significativas de sódio, potássio, zinco, fósforo, manganês, magnésio, cobre e cálcio, e a quantidade varia de espécie para espécie.

Cuidados
Os defensores desse tipo de alimentação não sugerem, no entanto, que insetos encontrados em casa sejam incluídos na dieta da noite para o dia. “Não se devem pegar animais a torto e a direito porque eles podem ter contaminantes”, alertou Costa Neto.

Com isso, o especialista não se refere apenas à sujeira que eles podem trazer, mas também a toxinas naturais que podem existir nesses organismos. Existem milhões de espécies de insetos e muitas delas não são comestíveis em hipótese nenhuma.

“Falta ainda muita pesquisa básica – de biologia – para saber que espécies de insetos estariam aptas para o consumo humano”, disse o especialista.

Outro cuidado necessário para quem tiver curiosidade em consumir os insetos tem que ter é em relação às alergias. Os crustáceos, como o camarão e a lagosta, pertencem ao mesmo filo que os insetos, o dos artrópodes. Assim, quem tiver alergia a um grupo possivelmente também terá reação alérgica ao outro.

Pão de queijo recheado com larvas é uma das receitas modernas com o uso de insetos (Foto: Eraldo Costa Neto/Divulgação)

Pão de queijo recheado com larvas é uma das receitas modernas com o uso de insetos (Foto: Eraldo Costa Neto/Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


16 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Dieta de orangotangos pode servir de referência para humanos, diz estudo

Como nós, macacos retêm gordura quando se alimentam em excesso.
Cientista usa animais como argumento contra dietas ricas em proteínas.

Orangotango da Indonésia ATENÇÃO: A FOTO SÓ É CEDIDA PRA UMA PAUTA ESPECÍFICA, NÃO REUTILIZE (Foto: Erin Vogel)

Orangotango da Indonésia (Foto: Erin Vogel)

A reação dos orangotangos da ilha de Bornéu, na Indonésia, à escassez de alimentos pode dar à nós, humanos, dicas sobre obesidade e desordens alimentares. A afirmação é de um estudo publicado na edição da última terça (13) da revista “Biology Letters”.

Esses macacos de grande porte estão entre os parentes mais próximos que temos na natureza, ao lado dos chimpanzés e dos gorilas. Segundo a pesquisadora Erin Vogel, da Universidade Rutgers, em Nova Jersey, nos EUA, essa é a única espécie na natureza que, como a nossa, armazena gordura quando se alimenta em excesso.

A alimentação deles se baseia em frutas – uma dieta pobre em proteínas. No entanto, é suficiente para garantir a quantidade de que eles precisam, inclusive durante longos períodos sem ingerir esse grupo alimentar.

Vogel destaca que o animal só consegue armazenar gordura nos períodos em que ingere grande quantidade de proteínas. Ela acredita que esse fato deveria ser levado em conta por médicos que acreditam que este tipo de dieta seja eficiente para a perda de peso.

“Acho que estudar a dieta de alguns dos nossos parentes mais próximos ainda vivos, os macacos de grande porte, pode nos ajudar a resolver questões sobre nossas próprias dietas modernas”, afirma a cientista.

 

Fonte: Do G1, São Paulo


28 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas analisam populações de focas há 60 anos em ilhas da Grã-Bretanha

Filhotes são marcados com tinta para análise de hábitos e dieta.

Cientistas britânicos comemoram no mês de outubro os 60 anos do início dos estudos de populações de focas das Ilhas Farne, na costa nordeste da Grã-Bretanha.

A pesquisa, que começou na década de 1950, continua com uma equipe de supervisores do National Trust, a entidade que cuida de conservação ambiental e de construções históricas da Grã-Bretanha.

David Steel, chefe dos supervisores do National Trust, vive e trabalha nas ilhas nove meses por ano e conta que o trabalho que começou em 1951 foi pioneiro.

‘Quando o trabalho começou, se sabia pouco sobre as focas, sua biologia, e nem mesmo sobre o que elas comiam’, disse.

O supervisor conta que sua equipe de cinco pessoas visita a colônia de focas a cada três ou quatro dias.

‘Um chama a atenção da fêmea enquanto outro marca o filhote com tinta. A cada quatro dias, voltamos e mudamos a cor da tinta que marca os filhotes.’

‘Com isso, no meio de novembro, temos filhotes de foca com várias cores de tinta. Os supervisores então podem acompanhar a história de vida de cada filhote marcado’, afirmou.

Steel disse que eles já descobriram muito sobre a vida das focas da ilha, com a ajuda da tinta e de rastreadores colocados nos animais.

Com estes aparelhos eles descobriram para onde as focas vão quando saem das ilhas e a dieta dos animais, algo muito importante para ajudar na proteção da região e de outros lugares do Mar do Norte que são frequentados por estas focas.

Filhotes de focas das Ilhas Farne, na costa nordeste da Grã-Bretanha (Foto: BBC)

Filhotes de focas das Ilhas Farne, na costa nordeste da Grã-Bretanha (Foto: BBC)

Fonte: Da BBC


29 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Dieta faz ‘orangotango mais gordo da Grã-Bretanha’ perder 20 kg

Acostumada com balas e doces, fêmea de quase 100 kg foi posta em regime alimentar e de exercícios.

O orangotango até então considerado o mais gordo da Grã-Bretanha perdeu 20 kg após uma mudança radical na sua dieta.

A fêmea de Orangotango Oshine pesava 100 kg – o dobro do seu peso ideal – quando chegou ao centro de resgate Monkey World, em Dorset, vinda de Joanesburgo, na África do Sul.

O primata de 14 anos passara os últimos 13 sendo criado como animal de estimação e mimado com doces, balas e marshmallow.

‘Quando ela chegou no centro, era obesa mórbida e corria o risco de desenvolver doenças cardíacas, coágulos no sangue, hipertensão e diabete’, disse a diretora do centro, Alison Cronin.

‘Com a nossa ajuda, ela deu uma reviravolta na sua vida.’

Em 11 meses de tratamento, os funcionários do centro eliminaram da dieta do animal todos os doces e comidas processadas que antes faziam parte da sua alimentação rotineira.

Oshine tem feito exercícios que incluem escaladas em uma armação de 20 metros de altura.

A primata chegou mesmo a adotar um bebê orangotango, chamado Silvestre, que era mantido na ‘creche’ do local.

Entretanto, os tratadores ressaltam que o orangotango ainda precisa perder mais 20 kg para atingir um peso saudável.

‘Espero que até o fim do ano Oshine tenha perdido peso suficiente para que possamos apresentá-los a um dos nossos grupos de orangotangos adultos, onde ele poderá ter a sua própria cria’, diz Cronin.

‘Mas a menos que ela perca mais peso, não será saudável para ela.’

A fêmea de Orangotango Oshine (Foto: PA)

A fêmea de Orangotango Oshine (Foto: PA)

Fonte: Da BBC


15 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Gorila encontra na proteína segredo para se manter em forma

Ao contrário do que acontece com os humanos, os gorilas não estão enfrentando uma epidemia de obesidade. O motivo é que os primatas seguem uma dieta sem gordura supérflua.

A concentrações de proteína são similares às recomendadas pela Associação Americana de Cardiologia para os humanos, afirma a antropóloga Jessica Rothman, do Hunter College, da Universidade de Nova York.

Rothman e colegas estudaram os gorilas das montanhas de Uganda e descobriram que eles têm uma dieta rica em proteína, complementada com frutas.

Quase 17% do total consumido diariamente é constituído de proteína, porcentagem que se aproxima dos 15% recomendados pela associação.

O estudo, que está na edição atual da revista “Biology Letters”, constatou que, em certas épocas do ano, quando as frutas não estão disponíveis, as folhas ricas em proteína predominam na dieta dos gorilas.

Nesse período, a proteína corresponde a cerca de 31% da ingestão de energia deles –quantidade semelhante ao conteúdo dos regimes alimentares de perda de peso, ricos em proteína, como a dieta Atkins (dieta criada por Robert Atkins que enfatiza o baixo consumo de carboidrato).

“Nesse período eles consomem proteína em excesso para atender às suas necessidades energéticas”, afirma Rothman.

Compreendendo a dieta dos gorilas, os pesquisadores podem entender melhor a evolução da dieta humana, segundo David Raubenheimer, coautor do estudo e ecólogo nutricional da Universidade Massey, na Nova Zelândia.

ALIMENTOS EM ABUNDÂNCIA

Os alimentos ricos em açúcares, amido e gorduras, difíceis de obter em outros tempos, hoje existem em abundância.

Raubenheimer diz: “[As sociedades modernas] estão diminuindo a concentração de proteína de sua dieta. Contudo, nós nos alimentamos para obter a mesma quantidade de proteínas de que necessitávamos antes e, ao fazer isso, estamos comendo em excesso.”

O estudo também ajudou a preservar e criar um habitat perfeito para os gorilas-da-montanha, que estão em risco de extinção. Atualmente, existem cerca de 800.

Rothman está em Uganda realizando um estudo nutricional semelhante em outros primatas, entre eles o macaco-do-rabo-vermelho e o babuíno.

Fonte: DO “NEW YORK TIMES”


6 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Dieta diferenciada para animais pode reduzir gases-estufa

Uma pesquisa britânica afirma que se pode reduzir as emissões de gases-estufa por vacas, ovinos e caprinos com a adoção de uma dieta diferenciada para esses animais.

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Eles são responsáveis por 9% das emissões de gases-estufa registradas em todo o Reino Unido e 41% das emissões de metano, que compromete o ambiente.

O estudo – produzido pela Universidade Reading e o Instituto de Biologia, Ambiente e Ciência Rural a pedido do Defra (sigla em inglês para Departamento para Meio Ambiente, Alimentos e Questões Rurais) – mostra que gramas enriquecidas com açúcar adicional poderia diminuir 20% da quantidade de metano lançada no ar. Entre os caprinos, esse número seria maior e subiria para 33%.

Segundo os cientistas, a introdução de silagem de milho e de aveia preta na alimentação dos animais provocaria menos emissões de gases-estufa.

“A longo prazo, é preciso considerar os benefícios gerados por uma mudança na dieta desses animais, diante de outros impactos ambientais, e a praticidade e o custo para [o sistema] ser implementado pela indústria agrícola”, salientou em um comunicado o Defra.

Fonte: Folha.com






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20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Recomendado pela ONU, consumo de insetos na dieta já ocorre no Brasil

Tanajura é forma mais tradicional; prática não é oficialmente regulamentada.
Criação em MG serve para experiências de chefs e curiosos

O consumo de insetos na alimentação humana, recomendado em um relatório publicado nesta semana pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), já existe em algumas espécies que são consumidas no Brasil.

A mais comum é a formiga tanajura, que é um alimento relativamente tradicional em áreas do interior de Minas Gerais e do Nordeste, em forma de farofa. Outro inseto conhecido é a larva do besouro Pachymerus nucleorum, que se instala dentro de frutos, e que por isso também é conhecida como “larva do coquinho”. Seu consumo faz parte de brincadeiras na zona rural e de treinamentos de sobrevivência na selva.

Os órgãos oficiais ainda não dão muita importância ao assunto, apesar da recente recomendação do órgão da ONU. No Guia Alimentar para a População Brasileira, o Ministério da Saúde não faz nenhuma menção ao consumo de insetos. Já a Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan) do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) entende que esse hábito alimentar não faz parte da cultura brasileira e não tem estudos neste sentido. O Ministério da Agricultura, por sua vez, afirma que não há registro oficial de estabelecimentos que produzam insetos para o consumo humano.

“Eu espero fortemente que o governo brasileiro reconheça os insetos como fonte de alimentos dos brasileiros”, afirmou Eraldo Costa Neto, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (BA) que pesquisa as relações entre humanos e insetos. “Infelizmente, o governo brasileiro ainda vê insetos como pragas”, completou o especialista, que foi o único brasileiro a participar da convenção da FAO que deu origem ao relatório publicado na segunda(13/05).

Torta feita com larvas (Foto: Liza Flores/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Torta feita com larvas (Foto: Liza Flores/Grupo Vale Verde/Divulgação)

À espera de reconhecimento
Apesar de o Ministério da Agricultura dizer que nunca registrou nenhum produtor de insetos para consumo humano, uma empresa de Minas Gerais afirma que já entrou com o pedido para obter a licença e que ainda não recebeu resposta.

Na verdade, a Nutrinsecta é especializada na produção de insetos para a alimentação de animais. No entanto, como os animais são tratados em um ambiente limpo e saudável, não há nenhum empecilho para o consumo humano. Isso atrai chefs de cozinha e curiosos, que, esporadicamente, usam esses ingredientes para desenvolver seus pratos.

Com a orientação da FAO, a empresa espera que o mercado cresça e se prepara para atender a uma possível demanda. “Hoje, eu estou muito feliz porque realmente nunca fiz nenhuma gestão para alimentação humana, exatamente pelo preconceito”, afirmou Luiz Otávio Gonçalves, presidente do Grupo Vale Verde, ao qual a Nutrinsecta pertence. “Mas agora eu posso sair do armário”, brincou o empresário.

Os insetos produzidos no local são os tenébrios — um tipo de besouro do qual se consome a larva, nos tipos comum e gigante — grilo preto, barata cinérea, larva de mosca e pupa de mosca.

A criação de insetos nasceu de um hobby de Gonçalves, que mantém um viveiro com aves raras em um parque mantido pela empresa em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ajudando, inclusive, a reproduzir espécies em extinção.

No início, as aves eram alimentadas com sementes, como na natureza. Porém, como gastam menos energia no cativeiro, o excesso de gordura das sementes prejudicava o sistema reprodutivo das aves. O criador pediu ajuda a especialistas e foi instruído a usar insetos como ração. “O nível de reprodução das aves foi de 35% para 70%”, contou.

A partir daí, o grupo começou a criar seus próprios insetos. Hoje, a produção está em uma tonelada por mês, com planos de expansão, mas a ideia principal continua sendo o uso como ração animal.

Grilos produzidos pela Nutrinsecta (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Grilos produzidos pela Nutrinsecta (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Valores nutricionais
A recomendação da FAO pelo consumo de insetos se dá pela grande quantidade de proteínas encontrada nestes animais. Os números variam muito de acordo com o tipo de inseto, mas as espécies já consumidas no Brasil e as produzidas pela Nutrinsecta têm valores bem acima dos alimentos tradicionais, como mostra a tabela.

Alimento Gramas de proteína (em cada 100 gramas do alimento cru)
Barata cinérea 60
Larva de mosca 50
Grilo preto 48
Larva de tenébrio 47
Tanajura 44,6
Larva do coquinho 33
Feijão 21,5
Carne de boi 20,2
Carne de frango 19,7
Carne de porco 18,5
Peixe 16,6
Arroz 7,2
Brócolis 3,3
Couve 1,4

“As proteínas são nutrientes necessários ao organismo para o crescimento, desenvolvimento e reparação dos tecidos corporais. Além de fazerem parte de diversas estruturas do organismo, compõem enzimas, hormônios, fazem transporte de nutrientes e compõem o sistema imunológico”, explicou a nutricionista Lara Natacci, responsável técnica da Dietnet Assessoria Nutricional, de São Paulo.

A orientação dos nutricionistas é que uma pessoa consoma entre 0,8 e 1 grama diária de proteínas para cada quilo de seu peso. Em outras palavras, quem pesa 50 kg deve ingerir entre 40 e 50 gramas de proteínas em um dia.

Embora o relatório tenha sugerido os insetos como uma forma de combate a fome, esse não é o único objetivo da organização. A ideia, em longo prazo, é criar o hábito e incluí-lo no cardápio como um todo. “Inseto não é para gente pobre e desnutrida. Inseto é para ser consumido por todos”, afirmou o especialista Eraldo Costa Neto.

Por serem ricos em proteínas, os insetos conseguiriam suprir a mesma produção de nutrientes do gado gastando menos recursos – água, área e alimentos. Como a tendência é que o preço da carne bovina suba muito ao longo do século, a dieta de insetos tende a ganhar adeptos. “É uma alternativa não só econômica, como também ecológica”, apontou Costa Neto.

Tenébrio (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Tenébrios (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/ Divulgação)

Os insetos também são muito ricos em gordura, mas o tipo de gordura é diferente do encontrado nos bovinos, por exemplo. “Eles têm gorduras poli-insaturadas, que não nos fazem mal, diferentemente da picanha”, indicou o pesquisador. Esse tipo de gordura é semelhante à encontrada em peixes e sementes oleaginosas, comumente indicada por médicos.

Outro ponto a favor dos insetos na tabela nutricional são os minerais – em especial o ferro, essencial para combater a anemia. Em geral, eles têm, no mínimo, a mesma quantidade de ferro presente na carne vermelha – que, por sua vez, já é considerada rica na substância.

Eles têm ainda quantidades significativas de sódio, potássio, zinco, fósforo, manganês, magnésio, cobre e cálcio, e a quantidade varia de espécie para espécie.

Cuidados
Os defensores desse tipo de alimentação não sugerem, no entanto, que insetos encontrados em casa sejam incluídos na dieta da noite para o dia. “Não se devem pegar animais a torto e a direito porque eles podem ter contaminantes”, alertou Costa Neto.

Com isso, o especialista não se refere apenas à sujeira que eles podem trazer, mas também a toxinas naturais que podem existir nesses organismos. Existem milhões de espécies de insetos e muitas delas não são comestíveis em hipótese nenhuma.

“Falta ainda muita pesquisa básica – de biologia – para saber que espécies de insetos estariam aptas para o consumo humano”, disse o especialista.

Outro cuidado necessário para quem tiver curiosidade em consumir os insetos tem que ter é em relação às alergias. Os crustáceos, como o camarão e a lagosta, pertencem ao mesmo filo que os insetos, o dos artrópodes. Assim, quem tiver alergia a um grupo possivelmente também terá reação alérgica ao outro.

Pão de queijo recheado com larvas é uma das receitas modernas com o uso de insetos (Foto: Eraldo Costa Neto/Divulgação)

Pão de queijo recheado com larvas é uma das receitas modernas com o uso de insetos (Foto: Eraldo Costa Neto/Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


16 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Dieta de orangotangos pode servir de referência para humanos, diz estudo

Como nós, macacos retêm gordura quando se alimentam em excesso.
Cientista usa animais como argumento contra dietas ricas em proteínas.

Orangotango da Indonésia ATENÇÃO: A FOTO SÓ É CEDIDA PRA UMA PAUTA ESPECÍFICA, NÃO REUTILIZE (Foto: Erin Vogel)

Orangotango da Indonésia (Foto: Erin Vogel)

A reação dos orangotangos da ilha de Bornéu, na Indonésia, à escassez de alimentos pode dar à nós, humanos, dicas sobre obesidade e desordens alimentares. A afirmação é de um estudo publicado na edição da última terça (13) da revista “Biology Letters”.

Esses macacos de grande porte estão entre os parentes mais próximos que temos na natureza, ao lado dos chimpanzés e dos gorilas. Segundo a pesquisadora Erin Vogel, da Universidade Rutgers, em Nova Jersey, nos EUA, essa é a única espécie na natureza que, como a nossa, armazena gordura quando se alimenta em excesso.

A alimentação deles se baseia em frutas – uma dieta pobre em proteínas. No entanto, é suficiente para garantir a quantidade de que eles precisam, inclusive durante longos períodos sem ingerir esse grupo alimentar.

Vogel destaca que o animal só consegue armazenar gordura nos períodos em que ingere grande quantidade de proteínas. Ela acredita que esse fato deveria ser levado em conta por médicos que acreditam que este tipo de dieta seja eficiente para a perda de peso.

“Acho que estudar a dieta de alguns dos nossos parentes mais próximos ainda vivos, os macacos de grande porte, pode nos ajudar a resolver questões sobre nossas próprias dietas modernas”, afirma a cientista.

 

Fonte: Do G1, São Paulo


28 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas analisam populações de focas há 60 anos em ilhas da Grã-Bretanha

Filhotes são marcados com tinta para análise de hábitos e dieta.

Cientistas britânicos comemoram no mês de outubro os 60 anos do início dos estudos de populações de focas das Ilhas Farne, na costa nordeste da Grã-Bretanha.

A pesquisa, que começou na década de 1950, continua com uma equipe de supervisores do National Trust, a entidade que cuida de conservação ambiental e de construções históricas da Grã-Bretanha.

David Steel, chefe dos supervisores do National Trust, vive e trabalha nas ilhas nove meses por ano e conta que o trabalho que começou em 1951 foi pioneiro.

‘Quando o trabalho começou, se sabia pouco sobre as focas, sua biologia, e nem mesmo sobre o que elas comiam’, disse.

O supervisor conta que sua equipe de cinco pessoas visita a colônia de focas a cada três ou quatro dias.

‘Um chama a atenção da fêmea enquanto outro marca o filhote com tinta. A cada quatro dias, voltamos e mudamos a cor da tinta que marca os filhotes.’

‘Com isso, no meio de novembro, temos filhotes de foca com várias cores de tinta. Os supervisores então podem acompanhar a história de vida de cada filhote marcado’, afirmou.

Steel disse que eles já descobriram muito sobre a vida das focas da ilha, com a ajuda da tinta e de rastreadores colocados nos animais.

Com estes aparelhos eles descobriram para onde as focas vão quando saem das ilhas e a dieta dos animais, algo muito importante para ajudar na proteção da região e de outros lugares do Mar do Norte que são frequentados por estas focas.

Filhotes de focas das Ilhas Farne, na costa nordeste da Grã-Bretanha (Foto: BBC)

Filhotes de focas das Ilhas Farne, na costa nordeste da Grã-Bretanha (Foto: BBC)

Fonte: Da BBC


29 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Dieta faz ‘orangotango mais gordo da Grã-Bretanha’ perder 20 kg

Acostumada com balas e doces, fêmea de quase 100 kg foi posta em regime alimentar e de exercícios.

O orangotango até então considerado o mais gordo da Grã-Bretanha perdeu 20 kg após uma mudança radical na sua dieta.

A fêmea de Orangotango Oshine pesava 100 kg – o dobro do seu peso ideal – quando chegou ao centro de resgate Monkey World, em Dorset, vinda de Joanesburgo, na África do Sul.

O primata de 14 anos passara os últimos 13 sendo criado como animal de estimação e mimado com doces, balas e marshmallow.

‘Quando ela chegou no centro, era obesa mórbida e corria o risco de desenvolver doenças cardíacas, coágulos no sangue, hipertensão e diabete’, disse a diretora do centro, Alison Cronin.

‘Com a nossa ajuda, ela deu uma reviravolta na sua vida.’

Em 11 meses de tratamento, os funcionários do centro eliminaram da dieta do animal todos os doces e comidas processadas que antes faziam parte da sua alimentação rotineira.

Oshine tem feito exercícios que incluem escaladas em uma armação de 20 metros de altura.

A primata chegou mesmo a adotar um bebê orangotango, chamado Silvestre, que era mantido na ‘creche’ do local.

Entretanto, os tratadores ressaltam que o orangotango ainda precisa perder mais 20 kg para atingir um peso saudável.

‘Espero que até o fim do ano Oshine tenha perdido peso suficiente para que possamos apresentá-los a um dos nossos grupos de orangotangos adultos, onde ele poderá ter a sua própria cria’, diz Cronin.

‘Mas a menos que ela perca mais peso, não será saudável para ela.’

A fêmea de Orangotango Oshine (Foto: PA)

A fêmea de Orangotango Oshine (Foto: PA)

Fonte: Da BBC


15 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Gorila encontra na proteína segredo para se manter em forma

Ao contrário do que acontece com os humanos, os gorilas não estão enfrentando uma epidemia de obesidade. O motivo é que os primatas seguem uma dieta sem gordura supérflua.

A concentrações de proteína são similares às recomendadas pela Associação Americana de Cardiologia para os humanos, afirma a antropóloga Jessica Rothman, do Hunter College, da Universidade de Nova York.

Rothman e colegas estudaram os gorilas das montanhas de Uganda e descobriram que eles têm uma dieta rica em proteína, complementada com frutas.

Quase 17% do total consumido diariamente é constituído de proteína, porcentagem que se aproxima dos 15% recomendados pela associação.

O estudo, que está na edição atual da revista “Biology Letters”, constatou que, em certas épocas do ano, quando as frutas não estão disponíveis, as folhas ricas em proteína predominam na dieta dos gorilas.

Nesse período, a proteína corresponde a cerca de 31% da ingestão de energia deles –quantidade semelhante ao conteúdo dos regimes alimentares de perda de peso, ricos em proteína, como a dieta Atkins (dieta criada por Robert Atkins que enfatiza o baixo consumo de carboidrato).

“Nesse período eles consomem proteína em excesso para atender às suas necessidades energéticas”, afirma Rothman.

Compreendendo a dieta dos gorilas, os pesquisadores podem entender melhor a evolução da dieta humana, segundo David Raubenheimer, coautor do estudo e ecólogo nutricional da Universidade Massey, na Nova Zelândia.

ALIMENTOS EM ABUNDÂNCIA

Os alimentos ricos em açúcares, amido e gorduras, difíceis de obter em outros tempos, hoje existem em abundância.

Raubenheimer diz: “[As sociedades modernas] estão diminuindo a concentração de proteína de sua dieta. Contudo, nós nos alimentamos para obter a mesma quantidade de proteínas de que necessitávamos antes e, ao fazer isso, estamos comendo em excesso.”

O estudo também ajudou a preservar e criar um habitat perfeito para os gorilas-da-montanha, que estão em risco de extinção. Atualmente, existem cerca de 800.

Rothman está em Uganda realizando um estudo nutricional semelhante em outros primatas, entre eles o macaco-do-rabo-vermelho e o babuíno.

Fonte: DO “NEW YORK TIMES”


6 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Dieta diferenciada para animais pode reduzir gases-estufa

Uma pesquisa britânica afirma que se pode reduzir as emissões de gases-estufa por vacas, ovinos e caprinos com a adoção de uma dieta diferenciada para esses animais.

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Eles são responsáveis por 9% das emissões de gases-estufa registradas em todo o Reino Unido e 41% das emissões de metano, que compromete o ambiente.

O estudo – produzido pela Universidade Reading e o Instituto de Biologia, Ambiente e Ciência Rural a pedido do Defra (sigla em inglês para Departamento para Meio Ambiente, Alimentos e Questões Rurais) – mostra que gramas enriquecidas com açúcar adicional poderia diminuir 20% da quantidade de metano lançada no ar. Entre os caprinos, esse número seria maior e subiria para 33%.

Segundo os cientistas, a introdução de silagem de milho e de aveia preta na alimentação dos animais provocaria menos emissões de gases-estufa.

“A longo prazo, é preciso considerar os benefícios gerados por uma mudança na dieta desses animais, diante de outros impactos ambientais, e a praticidade e o custo para [o sistema] ser implementado pela indústria agrícola”, salientou em um comunicado o Defra.

Fonte: Folha.com