20 de março de 2013 | nenhum comentário »

Aves primitivas voavam com quatro asas, diz estudo

Após analisar fósseis com mais de 100 milhões de anos, paleontólogos chineses afirmam que aves primitivas possuíam penas nos membros traseiros, que auxiliavam no voo

Algumas aves primitivas possuíam dois pares de asas, que as auxiliariam no voo. O segundo par seria, na verdade, as patas desses animais cobertas de penas. Essa é a conclusão de um grupo de paleontólogos chineses, após analisar fósseis com mais de 100 milhões de anos. O estudo foi publicado nesta sexta-feira, na revista cientifica Science.

Para os pesquisadores, o processo evolutivo teria feito com que o segundo par de asas assumisse a função de patas traseiras, que passaram a apresentar penas menores com o tempo. Pesquisas anteriores tinham descoberto aves similares a dinossauros com penas nas extremidades traseiras, mas as provas eram poucas no caso dos pássaros.

O paleontólogo Xing Xu já havia defendido a ideia dos dois pares de asas em 2003. Em um estudo publicado na revista Nature, ele descreveu o Microraptor gui, espécie de dinossauro que teria, além das asas, penas nas patas de trás. Para os pesquisadores, essas asas auxiliares seriam utilizadas para planar de árvore em árvore. Essa descoberta reforça a hipótese de que as aves teriam evoluído a partir dos dinossauros.

Evolução – No estudo atual, foram analisados 11 fósseis de aves primitivas, de 100 a 150 milhões de anos, encontrados no Museu de História Natural de Shandong Tianyu, na China. De acordo com Xing Xu, integrante do grupo de pesquisadores, os 11 pássaros estudados são de cinco espécies relativamente robustas – maiores que um corvo, mas menores que um peru. Os pesquisadores acreditam que as asas traseiras poderiam ter ajudado essas aves a manobrar no ar, enquanto batiam as asas dianteiras para voar ou as esticavam para planar.

Para os autores, o fato de as aves modernas utilizarem as pernas para locomoção indica que a perda do segundo par de asas reflete um período de mudança no qual os ‘braços’ se especializaram no voo e as pernas na locomoção terrestre.

 

 

Controvérsias – Outros especialistas, no entanto, não estão tão certos de que as penas das patas tenham sido usadas para voar e destacam que poderiam ter sido usadas com outros fins, como por exemplo, atrair possíveis parceiras. “Ninguém pensa que estes animais agitavam as patas como faziam com as asas”, disse Kevin Padian, professor de Biologia Integrativa da Universidade da Califórnia em Berkeley e um dos especialistas que revisaram o estudo antes de sua publicação.

Segundo ele, “os autores não fazem ou citam nenhuma pesquisa que apoie uma hipótese de que as penas contribuíram para nenhum tipo de voo”, mas o ponto positivo da pesquisa seria mostrar como as penas das patas mudaram com o tempo.

Fóssil

Fóssil de ave primitiva analisado no estudo, com destaque para as marcas de penas nos membros traseiros (Divulgação)

Fonte: Veja Ciência


12 de março de 2013 | nenhum comentário »

Uma nova cara para os dinossauros

A velha imagem de lagartos monstruosos está ficando ultrapassada. Em um novo livro, pesquisadores propõem que os dinossauros também poderiam ser extravagantes, coloridos, peludos, brincalhões e até fofos

Os dinossauros costumam ser retratados como monstros aterrorizantes. As imagens conhecidas mostram lagartos gigantescos, de garras e presas enormes, em constante batalha pela sobrevivência. Os famosos Tiranossauros Rex e Velociraptores aparecem — em filmes, séries, livros, documentários e museus — como predadores implacáveis. O próprio nome dinossauro, cunhado em 1842 a partir de palavras gregas, significa lagarto terrível. Mas o livro All Yesterdays (Todos os Passados, sem versão em português), escrito pelo paleontólogo britânico Darren Naish, da Universidade de Southampton, e pelos artistas gráficos Mehmet Cevdet Koseman e John Conway, propõe a superação dessa ideia. Os autores defendem que os dinossauros poderiam ter visuais e comportamentos muito mais variados, parecidos com os dos animais de hoje – com sua enorme gama de cores, pelagens e plumagens.

Não existe nenhum modo de saber com absoluta certeza como eram os dinossauros. Todas as informações que existem sobre sua aparência vêm de fósseis com mais de 65 milhões de anos, deteriorados pela ação do tempo. A maioria dos registros fósseis permite decifrar a estrutura do esqueleto, mas nada diz sobre a pele, a gordura e os músculos desses animais. As baleias, por exemplo, possuem camadas imensas de gordura, que seriam difíceis de intuir para quem olhasse apenas para suas ossadas.Como apenas os ossos são conhecidos, as ilustrações acabam se baseando demais nessa característica, ignorando todos as outras características. “Os dinossauros parecem ser feitos apenas de pele e osso. Eles são desenhados muito magros, como se estivessem doentes. Mas os animais têm outros tecidos, como músculos e gordura ao redor do esqueleto”, diz C. M. Koseman em entrevista ao site de VEJA.

O primeiro golpe na concepção visual clássica dos dinossauros veio nos anos 2000, quando novos fósseis deram suporte a teorias que propunham que a maioria deles era coberta por penas. Eles deixaram de ser vistos como lagartos, e passaram a ser comparados às aves. A transformação proposta em All Yesterdays, no entanto, é mais radical. “Apesar de todas as novas informações e teorias, achamos que ainda estamos desenhando os animais de forma errada”, diz Koseman. As penas seriam apenas o sinal de que existe muito mais a ser descoberto. Assim, os autores fazem um chamado à especulação — não sobre o futuro, mas o passado da Terra.

Leaellynossauro

Ovelha ou dinossauro: em uma série de ilustrações, os pesquisadores propõem a aposentadoria da desgastada imagem ameaçadora e lembram que até mesmo as feras pré-históricas podem ser amáveis (John Conway)

Andrias scheuchzeri

Em 1726, foi encontrada uma grande ossada na Alemanha. Os pesquisadores pensaram que se tratava de um homem, fossilizado durante o grande dilúvio bíblico — era o Homo diluvii. Na verdade, se tratava de uma salamandra gigante (Andrias scheuchzeri). Na ilustração, os pesquisadores retratam como esse homem poderia ter se parecido, no que chamam a mais antiga reconstrução errada de um fóssil. "É possível, (embora seja improvável), que as mudanças de paradigmas possam um dia fazer com que nossa visão corrente dos animais extintos seja tão estranha e datada quanto a do Homo diluvii", escrevem os autores do livro. C. M. Koseman

Arte e ciência — Desde o século 19, a imagem que o público e os cientistas têm dos dinossauros foi moldada pelos paleoartistas: artistas que se dedicam ao desenho de temas relacionados à paleontologia. Todas as representações desses animais, do seriado Família Dinossauro ao filme Jurassic Park, se embasam em suas ilustrações. “Nosso trabalho é, basicamente, reconstruir animais extintos”, afirma Koseman.

A maioria dos paleoartistas não possui  formação na área da paleontologia. É o caso de Koseman e John Conway, que ilustram o livro All Yesterdays. Mesmo assim, eles trabalham em parceria tão próxima e por tanto tempo com os paleontólogos, que se tornam especialistas na área e chegam a servir de referência para estudos científicos.
Segundo os envolvidos, reconstruir um dinossauro é um trabalho cientificamente rigoroso, que envolve estudos de anatomia e fisiologia. Para desenhar o corpo, os artistas precisam analisar o esqueleto, o tamanho e a posição de cada osso. A partir da comparação com animais mais modernos, eles podem deduzir a localização dos músculos. “Nosso trabalho é feito a partir de uma equação que envolve arte e ciência, especulação e conhecimento”, diz Koseman.
Apesar de todo o rigor, a imaginação é necessária por causa das imensas lacunas que existem no processo: os pesquisadores conhecem muito pouco sobre o tamanho dos músculos, a distribuição da gordura, a pele, a presença de penas, pelos e escamas e as cores dos dinossauros. Nas pranchetas dos artistas, em volta dos ossos vão se sobrepondo camadas sucessivas de especulação. Os resultados finais podem ser completamente diferentes — a depender da ousadia do desenhista. “Existem muitas maneiras de desenhar um mesmo esqueleto. Normalmente, os paleoartistas escolhem o jeito mais conservador possível”, afirma.Penas, pelos e cores – Os autores propõem que essas camadas de especulação sejam preenchidas de maneira mais imaginativa — até extravagante — pelos desenhistas. Isso deixaria os dinossauros mais parecidos com animais de hoje em dia.

Segundo o livro, novas descobertas fósseis mostram que a a maioria dos dinossauros menores, como os heterodontossauros, deviam viver em grupo e ter seu corpo inteiro coberto de penas coloridas — ou até pelos. “Os maiores provavelmente não, pois, como os elefantes de hoje em dia, são muito grandes para precisar do isolamento térmico proporcionado por pelos e penas. Mesmo assim, poderiam ter características ‘decorativas’ no corpo, como as cristas nas cabeças dos galos ou cores chamativas na pele, para atrair parceiros no acasalamento”, diz Koseman.

Outra mudança proposta diz respeito ao comportamento geralmente retratado nas ilustrações, que mostrar os animais em movimentação constante e violenta, fugindo ou caçando suas presas. “No filme Jurassic Park, por exemplo, os Velociraptores e Tiranossauros estão sempre atacando as pessoas, sem muito propósito. Sua função na narrativa é servir como obstáculos que o herói tem de superar para salvar o dia — como os dragões das lendas antigas”, afirma o paleoartista (a semelhança não é coincidência: os primeiros mitos sobre dragões também surgiram a partir da descoberta de fósseis de dinossauros).

Ao olhar para os fósseis de um dinossauro, não há como saber o som que faziam, como se reproduziam, dormiam e brincavam. Mesmo assim, os pesquisadores dizem que essa é uma característica essencial para compreender a vida desses animais. Os leões, por exemplo, vão deixar registros de que são exímios predadores, mas será impossível conhecer seu ar majestoso e seus hábitos noturnos — características tão importantes quanto o fato de eles serem carnívoros. Assim como os predadores atuais, os pesquisadores dizem que os dinossauros também tinham uma vida fora das caçadas.

Ao combinar as mudanças de visual e comportamento, os autores propõem o último ataque à imagem de bestas monstruosas que os dinossauros adquiriram ao longo do tempo. Segundo o livro, eles poderiam até ser fofos. “Por que um dinossauro não pode ser bonitinho?”, diz Koseman. Quando um esqueleto é descoberto, ele geralmente tem um visual aterrador, que não coincide necessariamente o do animal vivo. “Olhe para os bichos de hoje em dia, e olhe para seus esqueletos. A ossada de um gato dá a impressão que se trata de uma fera horrível. Mas o gato é um dos animais mais fofos do planeta.”

Os pesquisadores reconhecem que, como qualquer especulação mais ousada, seu trabalho pode abrigar inúmeros erros. No futuro, novas descobertas podem mostrar que algumas das ilustrações estão completamente erradas, enquanto outras podem ser apenas reconstruções tímidas em face de uma realidade muito mais bizarra. “Algumas coisas sobre o passado nunca serão conhecidas por completo. Não devemos ter medo de especular”, diz Koseman.

 

Fonte: Veja Ciência


6 de março de 2013 | nenhum comentário »

Cientista australiano sugere que dinossauro produzia leite

Assim como acontece com algumas espécies de aves, feras do Mesozoico também podiam secretar substância similar ao colostro, diz Paul Else

A teoria de que os dinossauros são animais mais próximos das aves — e não dos répteis — acaba de ganhar um importante argumento. De acordo com estudo publicado no The Journal of Experimental Biology, algumas espécies de dinossauros poderiam produzir um tipo de leite. Lançada pelo professor e fisiologista Paul Else, da Universidade de Wollongong, na Austrália, a tese se baseia na fisiologia das aves. Assim, Else acredita que algumas espécies de dinossauros, como os hadrossauros, secretavam uma susbtância similar ao colostro, que ficaria armazenado no papo.

Dinossauro hadrossaurus

Ilustração do dinossauro hadrossauros (De Agostini/Getty Images)

Pombo

Com base na fisiologia dos pombos, tese defende que o leite dos dinossauros poderia ficar armazenado no papo. (Imagem: veja ciência)

“Uma das preocupações da fisiologia comparada é que temos muita informação sobre a estrutura dos dinossauros, mas pouca sobre sua fisiologia”, afirma o pesquisador em entrevista ao site de VEJA. “Pesquisadores recentes começaram a pensar neles como mais próximos de aves que de répteis. Eu sabia que alguns pássaros têm a capacidade de alimentar seus filhotes com um produto parecido com o leite. Fiquei surpreso que ninguém tenha sugerido que os dinossauros também poderiam ter desenvolvido esta estratégia”, conta.

Algumas aves, como pombos, pinguins e flamingos, produzem uma substância parecida com o leite, mas que varia entre líquida e sólida. Essa substância é produzida em uma estrutura localizada entre o esôfago e o estômago. “Essas estruturas, que podem ser o papo, parte do esôfago, o esôfago propriamente ou a parte superior do estômago, dependendo do animal, estão sempre produzindo secreções que umedecem os alimentos e ajudam a engoli-los. Em um ambiente hormonal apropriado, essas estruturas começam a produzir um muco similar ao leite”, diz Else.

Supercrescimento
 — Para o pesquisador, a maior vantagem dessa forma de alimentação seria a possibilidade de oferecer, de forma concentrada, nutrientes necessários ao crescimento e desenvolvimento dos filhotes. “Pombos produzem leite com o qual alimentam seus filhotes durante as três ou quatro primeiras semanas de vida. Eles adicionam a este leite um hormônio de crescimento epitelial que permite que seus filhotes cresçam a taxas fenomenais. Os pombos atingem 85% do tamanho que terão quando adultos em três semanas após o nascimento”, diz Else.

A ideia é reforçada pelo fato de que os dinossauros nasciam pequenos se comparados ao tamanho que atingiam quando adultos. Com este hormônio adicionado ao leite, eles poderiam, portanto, evitar predadores e juntar rebanhos mais rapidamente.

Shake aditivado — De acordo com o pesquisador, o leite de dinossauro deveria ser parecido com o colostro, produzido por mamíferos logo após o nascimento do filhote. “Teria muito dos ingredientes básicos do leite de mamíferos, mas com metade das gorduras, metade da água e um pouco de carboidratos”, explica.

A quantidade de carboidratos poderia variar de acordo com a consistência do leite produzido. “Poderia ser fluido, como de mamíferos; semi-sólido, parecido com queijo cottage, como o produzido por pinguins imperadores; ou com consistência mais sólida, como o produzido por pombos”, diz. A consistência também dependeria do “aditivo” que o leite ganharia, como hormônio do crescimento, antioxidantes e antibióticos.

Dieta adulta — Como acontece com mamíferos e com aves, o período de lactação dos dinossauros poderia variar entre as espécies, assim como seria possível que algumas sequer utilizassem este recurso. Tudo poderia variar de acordo com o tamanho do dinossauro e o tempo de permanência no ninho. “Imagino que a maioria das espécies procuraria introduzir rapidamente seus filhotes à dieta normal de um adulto. Assim, a produção de leite não seria um sugador de energia dos pais”, diz o pesquisador. Para ele, o período de produção mais intensa de leite levaria de um a dois meses, seguido de um período onde os pais dinossauros misturariam ao leite alguns alimentos regurgitados para, finalmente, partir para a etapa de alimentação, somente com alimentos regurgitados. Assim, o pequeno dinossauro estaria pronto para uma dieta adulta.

Saiba mais

HADROSSAURO
Dinossauros do grupo Onithician que habitaram as Américas, a Euroásia e a Antártica no fim do período Cretáceo (há 145 a 65 milhões de anos). Eram herbívoros que colocavam de uma a duas dúzias de ovos por período. Atingiam tamanhos e pesos variados, de acordo com as espécies. Os filhotes da espécie Maiassaura, a menor entre os Hadrossauros, pesavam de 300 a 500 gramas, chegando a 2,5 toneladas quando adultos. Os maiores, da espécie Hypacrosauro, pesavam de três a quatro quilos quando filhotes, e atingiam cerca de 4,4 toneladas na idade adulta.

Fontes: Pesquisador Paul Else e livro The Princeton field guide to dinosaurs

 

Fonte: Veja Ciência


10 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Isolamento geográfico permitiu rápida evolução de dinossauros na América do Norte

Novo estudo analisa as alterações geológicas e a relação com o desenvolvimento natural de herbívoros com chifres e da espécie bico-de-pato

O surgimento da cordilheira das Montanhas Rochosas pode ter impulsionado a evolução dosdinossauros que viviam na América Norte, na região onde hoje fica o oeste americano. A hipótese foi publicada no periódico científico Plos One.

Essa nova constatação, feita por pesquisadores americanos e alemães, explica os padrões já detectados de evolução e migração de espécies de dinossauros, como os bico-de-pato e herbívoros de chifres, no período que antecedeu a extinção da espécie, há 65 milhões de anos.

“No último século, paleontologistas descobriram uma variedade de fósseis de dinossauros que viveram há 75 milhões de anos. Mas no período que antecede a queda do asteroide na Terra e o fim do período Cretáceo (hipótese mais aceita para a extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos), havia poucas espécies destes animais na América do Norte”, disse Terry Gates, pós-doutor na Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, líder da pesquisa feita em conjunto com a universidade da Carolina do Norte e do Museu de Paleontologia e Geologia de Bavaria, na Alemanha.

Para preencher essa lacuna evolutiva, os pesquisadores passaram a fazer o registro geológico do oeste da América do Norte em busca de respostas.

Mudanças geológicas - A descoberta mostrou um quadro de profunda mudança geológica. Durante o início e em meados do período Cretáceo, o magma no interior do manto terrestre levantou o solo no oeste dos Estados Unidos, criando uma enorme cadeia de montanhas.

A área ao leste da cordilheira foi pressionada para baixo, e fez surgir um banco de areia e o Mar Interior Ocidental, que inundou o continente a partir do Ártico Canadense até o Golfo do México. Isso cortou o continente em três grandes ilhas ao norte, leste e oeste. Com a divisão, os dinossauros do oeste ficaram para uma ilha conhecida como Laramídia.

Juntos e mais diversos - A nova descoberta permite compreender como os dinossauros evoluíram em uma ilha após tamanha alteração na geografia, restringindo-os à ilha de Laramídia.

“Nossa hipótese é que esse isolamento facilitou uma rápida especialização e aumentou a diversidade nos animais”, explicou Albert Prieto-Márquez, colaborador da pesquisa.

As novas espécies de bico-de-pato e de dinossauros com chifres foram nascendo a uma taxa impressionante ao longo dos 100 mil anos entre a formação das montanhas e a extinção dos dinossauros, segundo os pesquisadores. “O isolamento das populações permitiu que as espécies evoluíssem novos recursos mais rapidamente, especialmente em detalhes de ornamentação do crânio, como cristas na cabeça e chifres”, disse Gates.

Segunda alteração - Mais tarde, uma das placas tectônicas sob a costa mudou de posição e forçou o surgimento de outra cordilheira, uma espécie de prenúncio das Montanhas Rochosas, ao leste. Essa segunda mudança geológica abriu amplo território para que os dinossauros se locomovessem, reduzindo novamente a rapidez da evolução da espécie.

As mudanças geográficas não só impactaram na diversidade dos dinossauros na América do Norte, mas também podem ter tido reflexos em outras partes do mundo, interrompendo rotas de migração e abrindo outras para a Ásia e América do Sul.

Dinossauros com bico-de-pato evoluíram mais rapidamente ao ter o habitat isolado geograficamente

Dinossauros com bico-de-pato evoluíram mais rapidamente ao ter o habitat isolado geograficamente (Thinkstock)

Diagrama ilustra a diversificação de dinossauros bico-de-pato e os dinossauros com chifres durante o Cretáceo, como resultado do surgimento do mar do interior e a elevação da montanha. A escala de tempo geológico está à esquerda do diagrama em verde. À direita, silhuetas da América do Norte com áreas cobertas por água do mar durante cada um dos períodos de tempo. Lindsay Zanno


11 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Todos os dinossauros carnívoros tinham penas, diz estudo

Fóssil encontrado na Alemanha está mais próximo da base da evolução dos predadores e mais distante daquela que originou as aves, e mesmo assim era coberto de penas

Um fóssil extremamente bem preservado (como pode se perceber na foto acima) encontrado na Alemanha pode mudar tudo o que sabemos sobre os dinossauros carnívoros predadores, como os Tiranossauros. O fóssil foi apresentado nesta segunda-feira em um estudo publicado no periódico científico PNAS (Proceedings of National Academy of Sciences) e a partir dele pesquisadores alemães sugerem mudanças profundas no modo como acreditamos ser o aspecto dos grandes predadores do Jurássico, período de 199 a 145 milhões de anos atrás, no qual os dinossauros dominaram o planeta.

“Todos os dinossauros predadores tinham penas”, afirma categoricamente Oliver Rauhut, coautor do estudo e paleontólogo do Museu de Paleontologia e Geologia do Estado da Baviera. “Não seria nenhuma surpresa descobrir que as penas estavam presentes em todos os ancestrais dos dinossauros”, disse Mark Norell, co-autor do estudo e presidente da Divisão de Paleontologia do Museu Americano de História Natural, instituição que ajudou a financiar a pesquisa.

Já se sabe que ‘primos’ dos dinossauros, como os pterossauros, tinham estruturas parecidas com pelos cobrindo o corpo. Já os celurossauros, dinossauros terópodos que viveram em quase todos os continentes, na metade final do período Jurássico, tinham penas multicoloridas.

É aqui que entra em cena o fóssil descoberto pelos alemães, um jovem megalossauro batizadoSciurumimus albersdoerferi. Foi encontrado com as mandíbulas abertas e o rabo estendido acima da cabeça em uma laje de calcário em uma pedreira da Baviera, na mesma região da Alemanha onde, há 150 anos, outra amostra de um dino com penas havia sido descoberta, oArchaeopteryx lithographica.

Sciurumimus ganhou o nome em homenagem ao esquilo (que pertence ao gênero Sciurus) em função de sua cauda. O dinossauro tinha o crânio grande, patas traseiras curtas, a pele lisa e — esta é a descoberta mais importante do estudo — estava coberto de penas. A estimativa é de que ele tenha vivido há 150 milhões de anos, no período Jurássico.

Mas o Sciurumimus, mesmo cheio de penas, foi identificado como um megalossauro, mais próximo da base da linha evolutiva dos terópodos do que dos celurossauros. E isso pode mudar a percepção da aparência de tiranossauros e megalossauros, tidos até hoje (inclusive em filmes como Jurassic Park) como grandes lagartos ou parecidos com grandes crocodilos no que se refere à pele.

“Tudo o que encontramos nesses dias nos mostram o quão antiga são as características dos pássaros modernos na linha evolutiva e como esses animais eram parecidos com pássaros”, disse Mark Norell. As aves modernas são consideradas descendentes diretos dos celurossauros.

Fósseis completos como o do Sciurumimus são extremamente raros, ainda mais sendo provavelmente de um recém-nascido. Segundo os pesquisadores, esta espécie deveria se alimentar de pequenas presas e insetos. Mas o tamanho reduzido do fóssil não quer dizer que ele fosse um pequeno dinossauro carnívoro. “Sabemos, a partir de outras descobertas, que os dinossauros podiam ter um ritmo de crescimento lento”, disse Rauhut. “O Sciurumimus adulto podia chegar a quase dois metros de comprimento. Os grandes predadores podiam ser cheios de penas, mas isso não muda o fato de que estavam no topo da pirâmide alimentar.”

Fóssil do Sciurumimus

Descoberta: Fóssil de dinossauro com penas, o Sciurumimus, encontrado em uma laje de calcário no Sul da Alemanha (Divulgação/Museu Americano de História Natural)

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DIAPSIDA
Grupo de tetrápodes (vertebrados de quatro membros: répteis, aves e mamíferos são os maiores grupos). O grupo diapsida reúne todos os répteis, com exceção das tartarugas, cágados e jabutis.

ARCOSSAUROS
Grupo surgido por volta de 240 milhões de anos atrás, no período Triássico. No grupo estão os dinossauros,pterossauros, os atuais crocodilos e jacarés e as aves (que são considerados descendentes diretos dos dinossauros, portanto, são répteis também).

DINOSSAUROS
Grupo de répteis gigantes extintos que surgiu por volta de 225 milhões de anos atrás e viveu até cerca de 65 milhões de anos atrás, quando todos os dinossauros não avianos (ou seja, exceto as aves) foram extintos. Apresentavam pernas dispostas como colunas abaixo do corpo (e não voltadas para os lados, como nos jacarés). Os dinossauros são descendentes do grupo archosauria e podem ser reunidos em dois grandes ramos: saurísquios e ornitísquios (tão diferentes quanto os mamíferos marsupiais e os placentários entre eles). Apesar de seus fósseis serem conhecidos há milhares de anos (a lenda dos dragões veio daí), o termo dinossauro (deinos=terrível saurus=lagarto) só foi criado em 1842, pelo primeiro curador do Museu de História Natural de Londres, Richard Owen.

ORNITÍSQUIOS
O nome do grupo significa ‘cintura de ave’, embora as aves tenham se originado de outra linhagem dos dinossauros. Eram tanto quadrúpedes (como o Triceratops e o Stegosaurus) quanto bípedes (Lesothosaurus).

SAURÍSQUIOS
Grande grupo de dinossauros herbívoros caracterizados pelo pela pata anterior alongada e pelo pescoço comprido, muitas vezes com o leve formato de ‘S’. Fazem parte do grupo dos saurísquios os gigantescos saurópodes (os dinossauros que apareciam usados como guindastes no desenho animado Flintstones) e terápodes. Os dinossauros mais antigos são saurísquios e foram encontrados na América do Sul.

PTEROSSAURO
Répteis voadores enormes, que viveram na mesma época dos dinossauros. Alguns chegaram a ter 20 metros de envergadura de uma asa à outra. Nenhum outro animal voador foi tão grande.

TERÓPODOS
Os terápodos eram todos predadores carnívoros bípedes, e tinham aqueles ‘bracinhos’ característicos dos Tiranossauros, e, geralmente, garras e dentes afiados. Apesar do tiranossauro estar extinto, tecnicamente os terápodos ainda existem, já que as aves são descendentes de pequenos terópodos, como o Archaeopteryx, um pequeno dinossauro emplumado do tamanho de um pombo. “Acredite: o beija-flor é um dinossauro terápode tanto quanto um Tiranossauro rex”, afirma o paleontólogo Luiz Eduardo Anelli em seu livro O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil.

MEGALOSSAURO
Grandes predadores terópodos que abatiam saurópodes e até o Stegosaurus. Viviam na região onde hoje fica a Europa e a América do Norte.

CELUROSSAURO
Os celurossauros reúnem os terópodos mais aparentados com as aves. Todos tinham várias semelhanças morfológicas com as aves.

MANIRAPTORA
Grupo dos celurossauros dos quais, acredita-se, evoluíram diretamente as aves, por volta de 150 milhões de anos atrás, no período Jurássico. Faziam parte do grupo dinossauros predadores carnívoros como o Velociraptor (aparecem no filme Jurassic Park em várias cenas, como na que perseguem as crianças na cozinha do parque). Tecnicamente as aves são do grupo maniraptora.

 

Fontes: Veja Ciência, O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil, Luiz Eduardo Anelli, The Princeton Field Guide To Dinosaurs, University of California Museum of Paleontology


5 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisa reforça tese de que dinossauros tinham sangue quente e metabolismo acelerado

Marcas de ossos que até então apareciam só em répteis indicando baixa na taxa do metabolismo foram encontradas em mamíferos

As evidências de que os dinossauros tinham metabolismo semelhante ao dos répteis, como sugerem algumas linhas de pesquisa, estão sendo derrubadas pouco a pouco e a teoria de que eles tinham sangue quente e metabolismo acelerado vem ganhando cada vez mais força.

Até então se acreditava que os dinossauros eram ectotérmicos, ou seja, não tinham o controle da temperatura do próprio corpo. Essa teoria era baseada nas evidências de fósseis de dinossauros, que apresentam marcas indicando que eles paravam de crescer quando havia condições adversas, como o frio ou a falta de comida.

Mas uma pesquisa divulgada pela revista Nature traz uma forte evidência que coloca em xeque a tese de ectotermia para os dinossauros — e a revelação veio por meio dos mamíferos.

A pesquisa, conduzida pela paleontologista Meike Köhler, do Instituto Catalão de Pesquisas e Estudos Avançados, mostrou que até mesmo os mamíferos, que são homeotérmicos (têm temperatura corporal constante), possuem as marcas de desenvolvimento sazonais nos ossos, chamadas de LAGs. A sigla vem da expressão em inglês ‘Lines of Arrested Growth’, que são sinais formados em períodos do ano quando o metabolismo desacelera, deixando os ossos mais densos. Foram analisados mamíferos de diversas partes do mundo, dos trópicos aos polos. Em todos esses habitats eles apresentam as marcas nos ossos. ”Isso significa que as LAGs não são mais argumento para dizer que os dinossauros são ectotérmicos”, disse Köler.
O anatomista John Hutchinson, do Colégio Real de Veterinária, de Londres, disse que o estudo derruba a tese de que mamíferos não podem ter as LAGs como parte natural do desenvolvimento.
Para Luiz Eduardo Anelli, especialista em dinossauros e autor do livro Dinos no Brasil,a pesquisa derruba um dos questionamentos que havia quanto ao metabolismo dos dinossauros. Segundo ele, além desta pesquisa, já havia outras evidências de que esses animais poderiam ter o sangue quente.
Fonte: Veja Ciência

2 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Dinossauros já estavam desaparecendo antes da extinção em massa, sugere estudo

Enquanto alguns estariam em declínio, os saurópodes, os maiores dinossauros, estariam em ascensão

Um estudo publicado nesta segunda-feira no periódico Nature Communications sugere que alguns dinossauros estavam em declínio no momento da queda do asteroide que causou a extinção em massa na Terra há 65 milhões de anos. Ao mesmo tempo, outras espécies estavam em ascensão, segundo os pesquisadores do Museu Americano de História Natural, nos Estados Unidos.

Entre os dinossauros que estavam em declínio, os pesquisadores apontam os hadrossaurídeos, dinossauros com bicos de pato, e os ceratopsídeos, o grupo dos Triceratops. Outras espécies mantinham-se estáveis, como os herbívoros de médio porte e os carnívoros. Já os saurópodes, os maiores dinossauros, quadrúpedes e de cauda e pescoços compridos, estavam em ascensão.

Os pesquisadores calcularam diferenças no esqueleto de sete grandes grupos de dinossauros, totalizando 150 espécies. Isso permitiu verificar quais grupos tinham maior diversidade e, portanto, estavam mais bem adaptados ao ambiente. Ao analisar a mudança de biodiversidade em um grupo de dinossauros através do tempo, os pesquisadores conseguiram criar uma ‘radiografia’ do bem-estar dos animais nesse período. Os grupos que tinha maior diversidade biológica poderiam, não fosse o catastrófico asteroide, dar origem a mais espécies.

Mas por que alguns dinossauros prosperavam enquanto outros estavam em declínio? Uma das suposições levantadas é que os dinossauros carnívoros e os herbívoros de médio porte ocupavam locais aos quais estavam melhor adaptados. “Os saurópodes, por exemplo, pareciam estar destinados a um futuro brilhante não fosse a queda do meteorito”, diz o paleontólogo português Luiz Azevedo Rodrigues, da Agência Nacional Ciência Viva, em Portugal. Rodrigues, que não esteve envolvido na pesquisa, é um estudioso da diversidade de características dos saurópodes.

A paleontóloga Claudia Ribeiro, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, destaca que mesmo que alguns dinossauros estivessem realmente em declínio, isso não significa automaticamente que eles estavam condenados à extinção.

A questão sobre a extinção dos dinossauros permanece complexa, admitem os autores. “A diversidade biológica variou muito nos 150 milhões de anos de existência dos dinossauros”, disse Mark Norell, chefe de paleontologia do Museu Americana de História Natural e coautor do estudo. “Pequenas alterações em dois ou três intervalos de tempo podem não ser significativas no todo”.

Segundo Rodrigues, o estudo ainda deixa algumas questões abertas, como por que o impacto do meteorito causou a extinção de algumas espécies (dinossauros e outros animais terrestres) e não a de outras, como mamíferos e aves. “Contudo, aponta caminho para futuras investigações sobre os dinossauros a partir de diferenças nas características dos esqueletos desses animais.”

Cientistas acreditam que os dinossauros foram extintos por causa de um grande asteroide que atingiu a Terra há 65 milhões de anos

Cientistas acreditam que os dinossauros foram extintos por causa de um grande asteroide que atingiu a Terra há 65 milhões de anos (iStockphoto/ThinkStock)

Opinião do especialista

Luiz Eduardo Anelli
Especialista em dinossauros brasileiros, doutor em geociências pela Universidade de São Paulo. É também autor dos livros Dinossauros do Brasil e Dinos do Brasil, da Editora Peirópolis


O resultado apresentado pelo estudo não quer dizer que as populações estavam minguando para a extinção. Quer dizer que novos grupos de dinossauros não estavam mais substituindo os grupos antigos e que algumas linhagens não estavam mais sendo criativas na exploração dos ambientes. A descoberta destes padrões evolutivos ajudará futuramente no entendimento das razões que provocaram a não sobrevivência dos grandes dinossauros no final do período Cretáceo.

Os paleontólogos examinaram isto num intervalo de tempo de cerca de 12 milhões de anos. O panorama que descreveram é a grande regra da vida: alguns grupos se mantêm constante, outros decaem e outros crescem em diversidade. Isso ocorre especialmente se tratando de áreas geográficas distintas, ao longo de uma linha de tempo.

Hoje temos o mesmo panorama com, por exemplo, os mamíferos. A diversidade é distinta nas diferentes regiões do mundo. Se então examinarmos o que ocorreu nos últimos milhões de anos, certamente vamos nos deparar com padrões similares aos vistos no estudo com dinossauros 65 milhões de anos atrás, com linhagens florescendo e outras minguando. Foi assim desde sempre

O estudo é notável porque foi realizado em um intervalo de tempo crítico na história da Terra, e com um grupo de animais que em seguida sofreu forte extinção. A determinação de padrões de diversidade ao longo do tempo não é tão simples, mas os dinossauros possibilitaram isso pela grande quantidade de estudos já realizados com eles e também pelo grande número de espécies hoje conhecidas.

No entanto, o registro fóssil quase sempre nos engana especialmente quando se trata de um tempo tão curto – e por tratar-se do exame de apenas um grupo de animais. Nestes casos, a amostragem é reduzida demais (apenas 150 espécies perto das dezenas de milhares de dinossauros que devem ter existido naqueles 12 milhões de anos) e a chance de estarmos olhando para uma miragem evolutiva, isto é, de que o padrão observado pelos autores tenha sido muito distinto do que de fato aconteceu, é muito grande. No entanto, este é um estudo pioneiro, e muitos ainda virão e poderão ou não confirmar os resultados deste estudo.

Biblioteca

capaO livro Dinos do Brasil lista todos os dinossauros brasileiros, com fichas técnicas detalhando o significado dos nomes, onde e quando foram encontrados, a idade de cada um e o tamanho. O livro é uma versão para crianças do livro O Guia Completo dos Dinossauros Brasileiros.

Autor: ANELLI, LUIZ
Editora: PEIRÓPOLIS

 

 

 

Fonte: Veja Ciência


15 de março de 2012 | nenhum comentário »

Roedores mamíferos podem ter convivido com dinossauros

Eles apareceram nos últimos 20 milhões de anos do reinado dos dinos.
Com dentição complexa, animais deveriam se alimentar de vegetais.

Multituberculado teria vivido durante período Mesozoico e convivido com dinossauros. (Foto: Divulgação / Jude Swales)

Multituberculado teria vivido convivido com dinossauros (Foto: Divulgação / Jude Swales)

Os cientistas acreditavam que, durante a era Mesozoica, os mamíferos eram criaturas pequenas que viviam à sombra de outras. No entanto, agora, eles dizem que pelo menos um grupo de mamíferos conseguiu prosperar.

Criaturas semelhantes a roedores, chamados multituberculados, apareceram nos últimos 20 milhões de anos de reinado dos dinossauros e sobreviveram após a extinção destes, há 66 milhões de anos.

O novo estudo de um paleontólogo da Universidade de Washington indica que os chamados multituberculados conseguiram sobreviver tão bem porque desenvolveram diversos tubérculos (protuberâncias ou cúspides) nos dentes posteriores, o que permitiu que se alimentassem de angiospermas, plantas com flores que estavam se tornando um elemento comum na paisagem.

“Esses mamíferos eram capazes de proliferar em termos de número de espécies, tamanho do corpo e formato de seus dentes, características que influenciaram o que comiam”, disse Gregory P. Wilson, professor assistente de biologia da Universidade de Washington.

Ele é o principal autor da pesquisa, publicada nesta quarta-feira (14), em uma edição on-line da revista científica “Nature”.

Características
Cerca de 170 milhões de anos atrás, os multituberculados tinham o tamanho aproximado de um rato. As angiospermas começaram a aparecer há aproximadamente 140 milhões e, depois disso, o tamanho dos pequenos mamíferos aumentou, chegando ao de um castor.

Após a extinção dos dinossauros, os multituberculados continuaram a se destacar até que os outros mamíferos – em grande parte primatas, ungulados e roedores – ganharam uma vantagem competitiva. Isso acabou levando, enfim, ao desaparecimento dos multitubeculados, cerca de 34 milhões de anos atrás.

Os cientistas examinaram os dentes de 41 espécies de multituberculados preservados em fósseis coletados ao redor do mundo a fim de determinar para que direção as manchas presentes nas superfícies dentárias apontavam.

Carnívoros têm dentes relativamente simples, com talvez 110 manchas por arcada, pois seu alimento se despedaça facilmente, explicou Wilson. Mas animais que dependem mais de vegetais para a sobrevivência têm uma dentição um pouco mais afetada porque sua comida é dilacerada com os dentes.

Em alguns multituberculados, dentes em formato de lâmina situados na parte da frente da boca se tornaram menos proeminentes com o tempo e os dentes de trás se tornaram mais complexos, com 348 manchas por arcada, um indício de mastigação de alimento vegetal.

Fonte: France Presse

 


11 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Mamíferos já evoluíam antes da extinção dos dinossauros

Um novo estudo sobre mamíferos denominado “Impacts of the Cretaceous Terrestrial Revolution and KPg Extinction on Mammal Diversification”  indica que eles começaram a se diversificar muito antes do que se pensava. Isso teria sido há 80 milhões de anos, no período Cretáceo, ao contrário da tese anterior que afirmava que a maior diversificação dos mamíferos teria ocorrido logo após a extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos.

A pesquisa, liderada por Robert Meredith, do Departamento de Biologia da Universidade da Califórnia, analisou dados moleculares de 164 espécies de mamíferos, trazendo nova luz sobre como e quando eles se diversificaram e começaram a ocupar diferentes nichos ecológicos ao redor do planeta.

“Embora estudos anteriores tenham elucidado as relações entre os mamíferos, este é o primeiro a examinar as relações e os tempos de divergência entre as famílias de mamíferos usando uma reunião de dados de um grande número de genes diferentes”, disse Meredith.

Segundo Mark Springer, coautor do estudo publicado na revista Science no dia 22 de setembro, os resultados sugerem a ocorrência de dois eventos na história da Terra que atuaram de forma importante na diversificação dos mamíferos.

“O primeiro deles foi a radiação de plantas com flores durante a Revolução Terrestre do Cretáceo, que muito provavelmente impulsionou uma importante diversificação taxonômica dos mamíferos cerca de 80 milhões de anos atrás. E a segunda teria sido a abertura de um espaço para a aceleração da diversificação morfológica dos mamíferos após a extinção dos dinossauros”, afirmou Springer, do Departamento de Biologia da Universidade da Califórnia.

Segundo o novo estudo, o grande momento de diversificação dos grupos de mamíferos não teria sido após a extinção dos dinossauros, e sim antes.

Os mamíferos têm a mesma idade que os dinossauros, mas a ideia que se tem é a de que teriam apresentado pouca diversidade durante muito tempo, de acordo com Eduardo Eizirik, da Faculdade de Biociências da PUC-RS, coautor do estudo publicado na Science. Foi durante seu trabalho de doutorado no Laboratório de Diversidade Genômica dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, em Maryland, que Eizirik se uniu a outros colegas, incluindo o grupo de Mark Springer, para investigar a evolução dos mamíferos, resultando em uma série de estudos sobre este tema.

Por mais de 100 milhões de anos, os mamíferos teriam mantido uma estrutura bastante primitiva, perdendo na corrida com os dinossauros e só conseguido se diversificar expressivamente após a extinção deles. Mas o estudo apresentado agora prova que a equação não é tão simples assim. Há uma diversificação dos mamíferos anterior à extinção dos dinossauros.

“Os principais grupos de mamíferos já estavam formados antes de os dinossauros desaparecerem, e a diversificação entre os grupos teria ocorrido em lugares diferentes do planeta. Eles eram muito parecidos, mas já estavam formando linhagens próprias antes mesmo da extinção dos dinossauros”, comenta Eizirik.

“Quando os dinossauros se extinguiram houve também diferenciação dos mamíferos, mas não tão intensa como ocorreu 15 milhões de anos antes. Nossos artigos anteriores já demonstravam que o pico da diferenciação teria sido anterior à extinção dos dinossauros, mas não detalhavam quando isso teria ocorrido. Agora, temos essa resposta”, completa.

Segundo Springer, o estudo fornece uma estrutura para muitas outras linhas de investigação, incluindo um roteiro para projetos futuros de sequenciamento de genomas.

 

Fonte: Mater Natura






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20 de março de 2013 | nenhum comentário »

Aves primitivas voavam com quatro asas, diz estudo

Após analisar fósseis com mais de 100 milhões de anos, paleontólogos chineses afirmam que aves primitivas possuíam penas nos membros traseiros, que auxiliavam no voo

Algumas aves primitivas possuíam dois pares de asas, que as auxiliariam no voo. O segundo par seria, na verdade, as patas desses animais cobertas de penas. Essa é a conclusão de um grupo de paleontólogos chineses, após analisar fósseis com mais de 100 milhões de anos. O estudo foi publicado nesta sexta-feira, na revista cientifica Science.

Para os pesquisadores, o processo evolutivo teria feito com que o segundo par de asas assumisse a função de patas traseiras, que passaram a apresentar penas menores com o tempo. Pesquisas anteriores tinham descoberto aves similares a dinossauros com penas nas extremidades traseiras, mas as provas eram poucas no caso dos pássaros.

O paleontólogo Xing Xu já havia defendido a ideia dos dois pares de asas em 2003. Em um estudo publicado na revista Nature, ele descreveu o Microraptor gui, espécie de dinossauro que teria, além das asas, penas nas patas de trás. Para os pesquisadores, essas asas auxiliares seriam utilizadas para planar de árvore em árvore. Essa descoberta reforça a hipótese de que as aves teriam evoluído a partir dos dinossauros.

Evolução – No estudo atual, foram analisados 11 fósseis de aves primitivas, de 100 a 150 milhões de anos, encontrados no Museu de História Natural de Shandong Tianyu, na China. De acordo com Xing Xu, integrante do grupo de pesquisadores, os 11 pássaros estudados são de cinco espécies relativamente robustas – maiores que um corvo, mas menores que um peru. Os pesquisadores acreditam que as asas traseiras poderiam ter ajudado essas aves a manobrar no ar, enquanto batiam as asas dianteiras para voar ou as esticavam para planar.

Para os autores, o fato de as aves modernas utilizarem as pernas para locomoção indica que a perda do segundo par de asas reflete um período de mudança no qual os ‘braços’ se especializaram no voo e as pernas na locomoção terrestre.

 

 

Controvérsias – Outros especialistas, no entanto, não estão tão certos de que as penas das patas tenham sido usadas para voar e destacam que poderiam ter sido usadas com outros fins, como por exemplo, atrair possíveis parceiras. “Ninguém pensa que estes animais agitavam as patas como faziam com as asas”, disse Kevin Padian, professor de Biologia Integrativa da Universidade da Califórnia em Berkeley e um dos especialistas que revisaram o estudo antes de sua publicação.

Segundo ele, “os autores não fazem ou citam nenhuma pesquisa que apoie uma hipótese de que as penas contribuíram para nenhum tipo de voo”, mas o ponto positivo da pesquisa seria mostrar como as penas das patas mudaram com o tempo.

Fóssil

Fóssil de ave primitiva analisado no estudo, com destaque para as marcas de penas nos membros traseiros (Divulgação)

Fonte: Veja Ciência


12 de março de 2013 | nenhum comentário »

Uma nova cara para os dinossauros

A velha imagem de lagartos monstruosos está ficando ultrapassada. Em um novo livro, pesquisadores propõem que os dinossauros também poderiam ser extravagantes, coloridos, peludos, brincalhões e até fofos

Os dinossauros costumam ser retratados como monstros aterrorizantes. As imagens conhecidas mostram lagartos gigantescos, de garras e presas enormes, em constante batalha pela sobrevivência. Os famosos Tiranossauros Rex e Velociraptores aparecem — em filmes, séries, livros, documentários e museus — como predadores implacáveis. O próprio nome dinossauro, cunhado em 1842 a partir de palavras gregas, significa lagarto terrível. Mas o livro All Yesterdays (Todos os Passados, sem versão em português), escrito pelo paleontólogo britânico Darren Naish, da Universidade de Southampton, e pelos artistas gráficos Mehmet Cevdet Koseman e John Conway, propõe a superação dessa ideia. Os autores defendem que os dinossauros poderiam ter visuais e comportamentos muito mais variados, parecidos com os dos animais de hoje – com sua enorme gama de cores, pelagens e plumagens.

Não existe nenhum modo de saber com absoluta certeza como eram os dinossauros. Todas as informações que existem sobre sua aparência vêm de fósseis com mais de 65 milhões de anos, deteriorados pela ação do tempo. A maioria dos registros fósseis permite decifrar a estrutura do esqueleto, mas nada diz sobre a pele, a gordura e os músculos desses animais. As baleias, por exemplo, possuem camadas imensas de gordura, que seriam difíceis de intuir para quem olhasse apenas para suas ossadas.Como apenas os ossos são conhecidos, as ilustrações acabam se baseando demais nessa característica, ignorando todos as outras características. “Os dinossauros parecem ser feitos apenas de pele e osso. Eles são desenhados muito magros, como se estivessem doentes. Mas os animais têm outros tecidos, como músculos e gordura ao redor do esqueleto”, diz C. M. Koseman em entrevista ao site de VEJA.

O primeiro golpe na concepção visual clássica dos dinossauros veio nos anos 2000, quando novos fósseis deram suporte a teorias que propunham que a maioria deles era coberta por penas. Eles deixaram de ser vistos como lagartos, e passaram a ser comparados às aves. A transformação proposta em All Yesterdays, no entanto, é mais radical. “Apesar de todas as novas informações e teorias, achamos que ainda estamos desenhando os animais de forma errada”, diz Koseman. As penas seriam apenas o sinal de que existe muito mais a ser descoberto. Assim, os autores fazem um chamado à especulação — não sobre o futuro, mas o passado da Terra.

Leaellynossauro

Ovelha ou dinossauro: em uma série de ilustrações, os pesquisadores propõem a aposentadoria da desgastada imagem ameaçadora e lembram que até mesmo as feras pré-históricas podem ser amáveis (John Conway)

Andrias scheuchzeri

Em 1726, foi encontrada uma grande ossada na Alemanha. Os pesquisadores pensaram que se tratava de um homem, fossilizado durante o grande dilúvio bíblico — era o Homo diluvii. Na verdade, se tratava de uma salamandra gigante (Andrias scheuchzeri). Na ilustração, os pesquisadores retratam como esse homem poderia ter se parecido, no que chamam a mais antiga reconstrução errada de um fóssil. "É possível, (embora seja improvável), que as mudanças de paradigmas possam um dia fazer com que nossa visão corrente dos animais extintos seja tão estranha e datada quanto a do Homo diluvii", escrevem os autores do livro. C. M. Koseman

Arte e ciência — Desde o século 19, a imagem que o público e os cientistas têm dos dinossauros foi moldada pelos paleoartistas: artistas que se dedicam ao desenho de temas relacionados à paleontologia. Todas as representações desses animais, do seriado Família Dinossauro ao filme Jurassic Park, se embasam em suas ilustrações. “Nosso trabalho é, basicamente, reconstruir animais extintos”, afirma Koseman.

A maioria dos paleoartistas não possui  formação na área da paleontologia. É o caso de Koseman e John Conway, que ilustram o livro All Yesterdays. Mesmo assim, eles trabalham em parceria tão próxima e por tanto tempo com os paleontólogos, que se tornam especialistas na área e chegam a servir de referência para estudos científicos.
Segundo os envolvidos, reconstruir um dinossauro é um trabalho cientificamente rigoroso, que envolve estudos de anatomia e fisiologia. Para desenhar o corpo, os artistas precisam analisar o esqueleto, o tamanho e a posição de cada osso. A partir da comparação com animais mais modernos, eles podem deduzir a localização dos músculos. “Nosso trabalho é feito a partir de uma equação que envolve arte e ciência, especulação e conhecimento”, diz Koseman.
Apesar de todo o rigor, a imaginação é necessária por causa das imensas lacunas que existem no processo: os pesquisadores conhecem muito pouco sobre o tamanho dos músculos, a distribuição da gordura, a pele, a presença de penas, pelos e escamas e as cores dos dinossauros. Nas pranchetas dos artistas, em volta dos ossos vão se sobrepondo camadas sucessivas de especulação. Os resultados finais podem ser completamente diferentes — a depender da ousadia do desenhista. “Existem muitas maneiras de desenhar um mesmo esqueleto. Normalmente, os paleoartistas escolhem o jeito mais conservador possível”, afirma.Penas, pelos e cores – Os autores propõem que essas camadas de especulação sejam preenchidas de maneira mais imaginativa — até extravagante — pelos desenhistas. Isso deixaria os dinossauros mais parecidos com animais de hoje em dia.

Segundo o livro, novas descobertas fósseis mostram que a a maioria dos dinossauros menores, como os heterodontossauros, deviam viver em grupo e ter seu corpo inteiro coberto de penas coloridas — ou até pelos. “Os maiores provavelmente não, pois, como os elefantes de hoje em dia, são muito grandes para precisar do isolamento térmico proporcionado por pelos e penas. Mesmo assim, poderiam ter características ‘decorativas’ no corpo, como as cristas nas cabeças dos galos ou cores chamativas na pele, para atrair parceiros no acasalamento”, diz Koseman.

Outra mudança proposta diz respeito ao comportamento geralmente retratado nas ilustrações, que mostrar os animais em movimentação constante e violenta, fugindo ou caçando suas presas. “No filme Jurassic Park, por exemplo, os Velociraptores e Tiranossauros estão sempre atacando as pessoas, sem muito propósito. Sua função na narrativa é servir como obstáculos que o herói tem de superar para salvar o dia — como os dragões das lendas antigas”, afirma o paleoartista (a semelhança não é coincidência: os primeiros mitos sobre dragões também surgiram a partir da descoberta de fósseis de dinossauros).

Ao olhar para os fósseis de um dinossauro, não há como saber o som que faziam, como se reproduziam, dormiam e brincavam. Mesmo assim, os pesquisadores dizem que essa é uma característica essencial para compreender a vida desses animais. Os leões, por exemplo, vão deixar registros de que são exímios predadores, mas será impossível conhecer seu ar majestoso e seus hábitos noturnos — características tão importantes quanto o fato de eles serem carnívoros. Assim como os predadores atuais, os pesquisadores dizem que os dinossauros também tinham uma vida fora das caçadas.

Ao combinar as mudanças de visual e comportamento, os autores propõem o último ataque à imagem de bestas monstruosas que os dinossauros adquiriram ao longo do tempo. Segundo o livro, eles poderiam até ser fofos. “Por que um dinossauro não pode ser bonitinho?”, diz Koseman. Quando um esqueleto é descoberto, ele geralmente tem um visual aterrador, que não coincide necessariamente o do animal vivo. “Olhe para os bichos de hoje em dia, e olhe para seus esqueletos. A ossada de um gato dá a impressão que se trata de uma fera horrível. Mas o gato é um dos animais mais fofos do planeta.”

Os pesquisadores reconhecem que, como qualquer especulação mais ousada, seu trabalho pode abrigar inúmeros erros. No futuro, novas descobertas podem mostrar que algumas das ilustrações estão completamente erradas, enquanto outras podem ser apenas reconstruções tímidas em face de uma realidade muito mais bizarra. “Algumas coisas sobre o passado nunca serão conhecidas por completo. Não devemos ter medo de especular”, diz Koseman.

 

Fonte: Veja Ciência


6 de março de 2013 | nenhum comentário »

Cientista australiano sugere que dinossauro produzia leite

Assim como acontece com algumas espécies de aves, feras do Mesozoico também podiam secretar substância similar ao colostro, diz Paul Else

A teoria de que os dinossauros são animais mais próximos das aves — e não dos répteis — acaba de ganhar um importante argumento. De acordo com estudo publicado no The Journal of Experimental Biology, algumas espécies de dinossauros poderiam produzir um tipo de leite. Lançada pelo professor e fisiologista Paul Else, da Universidade de Wollongong, na Austrália, a tese se baseia na fisiologia das aves. Assim, Else acredita que algumas espécies de dinossauros, como os hadrossauros, secretavam uma susbtância similar ao colostro, que ficaria armazenado no papo.

Dinossauro hadrossaurus

Ilustração do dinossauro hadrossauros (De Agostini/Getty Images)

Pombo

Com base na fisiologia dos pombos, tese defende que o leite dos dinossauros poderia ficar armazenado no papo. (Imagem: veja ciência)

“Uma das preocupações da fisiologia comparada é que temos muita informação sobre a estrutura dos dinossauros, mas pouca sobre sua fisiologia”, afirma o pesquisador em entrevista ao site de VEJA. “Pesquisadores recentes começaram a pensar neles como mais próximos de aves que de répteis. Eu sabia que alguns pássaros têm a capacidade de alimentar seus filhotes com um produto parecido com o leite. Fiquei surpreso que ninguém tenha sugerido que os dinossauros também poderiam ter desenvolvido esta estratégia”, conta.

Algumas aves, como pombos, pinguins e flamingos, produzem uma substância parecida com o leite, mas que varia entre líquida e sólida. Essa substância é produzida em uma estrutura localizada entre o esôfago e o estômago. “Essas estruturas, que podem ser o papo, parte do esôfago, o esôfago propriamente ou a parte superior do estômago, dependendo do animal, estão sempre produzindo secreções que umedecem os alimentos e ajudam a engoli-los. Em um ambiente hormonal apropriado, essas estruturas começam a produzir um muco similar ao leite”, diz Else.

Supercrescimento
 — Para o pesquisador, a maior vantagem dessa forma de alimentação seria a possibilidade de oferecer, de forma concentrada, nutrientes necessários ao crescimento e desenvolvimento dos filhotes. “Pombos produzem leite com o qual alimentam seus filhotes durante as três ou quatro primeiras semanas de vida. Eles adicionam a este leite um hormônio de crescimento epitelial que permite que seus filhotes cresçam a taxas fenomenais. Os pombos atingem 85% do tamanho que terão quando adultos em três semanas após o nascimento”, diz Else.

A ideia é reforçada pelo fato de que os dinossauros nasciam pequenos se comparados ao tamanho que atingiam quando adultos. Com este hormônio adicionado ao leite, eles poderiam, portanto, evitar predadores e juntar rebanhos mais rapidamente.

Shake aditivado — De acordo com o pesquisador, o leite de dinossauro deveria ser parecido com o colostro, produzido por mamíferos logo após o nascimento do filhote. “Teria muito dos ingredientes básicos do leite de mamíferos, mas com metade das gorduras, metade da água e um pouco de carboidratos”, explica.

A quantidade de carboidratos poderia variar de acordo com a consistência do leite produzido. “Poderia ser fluido, como de mamíferos; semi-sólido, parecido com queijo cottage, como o produzido por pinguins imperadores; ou com consistência mais sólida, como o produzido por pombos”, diz. A consistência também dependeria do “aditivo” que o leite ganharia, como hormônio do crescimento, antioxidantes e antibióticos.

Dieta adulta — Como acontece com mamíferos e com aves, o período de lactação dos dinossauros poderia variar entre as espécies, assim como seria possível que algumas sequer utilizassem este recurso. Tudo poderia variar de acordo com o tamanho do dinossauro e o tempo de permanência no ninho. “Imagino que a maioria das espécies procuraria introduzir rapidamente seus filhotes à dieta normal de um adulto. Assim, a produção de leite não seria um sugador de energia dos pais”, diz o pesquisador. Para ele, o período de produção mais intensa de leite levaria de um a dois meses, seguido de um período onde os pais dinossauros misturariam ao leite alguns alimentos regurgitados para, finalmente, partir para a etapa de alimentação, somente com alimentos regurgitados. Assim, o pequeno dinossauro estaria pronto para uma dieta adulta.

Saiba mais

HADROSSAURO
Dinossauros do grupo Onithician que habitaram as Américas, a Euroásia e a Antártica no fim do período Cretáceo (há 145 a 65 milhões de anos). Eram herbívoros que colocavam de uma a duas dúzias de ovos por período. Atingiam tamanhos e pesos variados, de acordo com as espécies. Os filhotes da espécie Maiassaura, a menor entre os Hadrossauros, pesavam de 300 a 500 gramas, chegando a 2,5 toneladas quando adultos. Os maiores, da espécie Hypacrosauro, pesavam de três a quatro quilos quando filhotes, e atingiam cerca de 4,4 toneladas na idade adulta.

Fontes: Pesquisador Paul Else e livro The Princeton field guide to dinosaurs

 

Fonte: Veja Ciência


10 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Isolamento geográfico permitiu rápida evolução de dinossauros na América do Norte

Novo estudo analisa as alterações geológicas e a relação com o desenvolvimento natural de herbívoros com chifres e da espécie bico-de-pato

O surgimento da cordilheira das Montanhas Rochosas pode ter impulsionado a evolução dosdinossauros que viviam na América Norte, na região onde hoje fica o oeste americano. A hipótese foi publicada no periódico científico Plos One.

Essa nova constatação, feita por pesquisadores americanos e alemães, explica os padrões já detectados de evolução e migração de espécies de dinossauros, como os bico-de-pato e herbívoros de chifres, no período que antecedeu a extinção da espécie, há 65 milhões de anos.

“No último século, paleontologistas descobriram uma variedade de fósseis de dinossauros que viveram há 75 milhões de anos. Mas no período que antecede a queda do asteroide na Terra e o fim do período Cretáceo (hipótese mais aceita para a extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos), havia poucas espécies destes animais na América do Norte”, disse Terry Gates, pós-doutor na Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, líder da pesquisa feita em conjunto com a universidade da Carolina do Norte e do Museu de Paleontologia e Geologia de Bavaria, na Alemanha.

Para preencher essa lacuna evolutiva, os pesquisadores passaram a fazer o registro geológico do oeste da América do Norte em busca de respostas.

Mudanças geológicas - A descoberta mostrou um quadro de profunda mudança geológica. Durante o início e em meados do período Cretáceo, o magma no interior do manto terrestre levantou o solo no oeste dos Estados Unidos, criando uma enorme cadeia de montanhas.

A área ao leste da cordilheira foi pressionada para baixo, e fez surgir um banco de areia e o Mar Interior Ocidental, que inundou o continente a partir do Ártico Canadense até o Golfo do México. Isso cortou o continente em três grandes ilhas ao norte, leste e oeste. Com a divisão, os dinossauros do oeste ficaram para uma ilha conhecida como Laramídia.

Juntos e mais diversos - A nova descoberta permite compreender como os dinossauros evoluíram em uma ilha após tamanha alteração na geografia, restringindo-os à ilha de Laramídia.

“Nossa hipótese é que esse isolamento facilitou uma rápida especialização e aumentou a diversidade nos animais”, explicou Albert Prieto-Márquez, colaborador da pesquisa.

As novas espécies de bico-de-pato e de dinossauros com chifres foram nascendo a uma taxa impressionante ao longo dos 100 mil anos entre a formação das montanhas e a extinção dos dinossauros, segundo os pesquisadores. “O isolamento das populações permitiu que as espécies evoluíssem novos recursos mais rapidamente, especialmente em detalhes de ornamentação do crânio, como cristas na cabeça e chifres”, disse Gates.

Segunda alteração - Mais tarde, uma das placas tectônicas sob a costa mudou de posição e forçou o surgimento de outra cordilheira, uma espécie de prenúncio das Montanhas Rochosas, ao leste. Essa segunda mudança geológica abriu amplo território para que os dinossauros se locomovessem, reduzindo novamente a rapidez da evolução da espécie.

As mudanças geográficas não só impactaram na diversidade dos dinossauros na América do Norte, mas também podem ter tido reflexos em outras partes do mundo, interrompendo rotas de migração e abrindo outras para a Ásia e América do Sul.

Dinossauros com bico-de-pato evoluíram mais rapidamente ao ter o habitat isolado geograficamente

Dinossauros com bico-de-pato evoluíram mais rapidamente ao ter o habitat isolado geograficamente (Thinkstock)

Diagrama ilustra a diversificação de dinossauros bico-de-pato e os dinossauros com chifres durante o Cretáceo, como resultado do surgimento do mar do interior e a elevação da montanha. A escala de tempo geológico está à esquerda do diagrama em verde. À direita, silhuetas da América do Norte com áreas cobertas por água do mar durante cada um dos períodos de tempo. Lindsay Zanno


11 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Todos os dinossauros carnívoros tinham penas, diz estudo

Fóssil encontrado na Alemanha está mais próximo da base da evolução dos predadores e mais distante daquela que originou as aves, e mesmo assim era coberto de penas

Um fóssil extremamente bem preservado (como pode se perceber na foto acima) encontrado na Alemanha pode mudar tudo o que sabemos sobre os dinossauros carnívoros predadores, como os Tiranossauros. O fóssil foi apresentado nesta segunda-feira em um estudo publicado no periódico científico PNAS (Proceedings of National Academy of Sciences) e a partir dele pesquisadores alemães sugerem mudanças profundas no modo como acreditamos ser o aspecto dos grandes predadores do Jurássico, período de 199 a 145 milhões de anos atrás, no qual os dinossauros dominaram o planeta.

“Todos os dinossauros predadores tinham penas”, afirma categoricamente Oliver Rauhut, coautor do estudo e paleontólogo do Museu de Paleontologia e Geologia do Estado da Baviera. “Não seria nenhuma surpresa descobrir que as penas estavam presentes em todos os ancestrais dos dinossauros”, disse Mark Norell, co-autor do estudo e presidente da Divisão de Paleontologia do Museu Americano de História Natural, instituição que ajudou a financiar a pesquisa.

Já se sabe que ‘primos’ dos dinossauros, como os pterossauros, tinham estruturas parecidas com pelos cobrindo o corpo. Já os celurossauros, dinossauros terópodos que viveram em quase todos os continentes, na metade final do período Jurássico, tinham penas multicoloridas.

É aqui que entra em cena o fóssil descoberto pelos alemães, um jovem megalossauro batizadoSciurumimus albersdoerferi. Foi encontrado com as mandíbulas abertas e o rabo estendido acima da cabeça em uma laje de calcário em uma pedreira da Baviera, na mesma região da Alemanha onde, há 150 anos, outra amostra de um dino com penas havia sido descoberta, oArchaeopteryx lithographica.

Sciurumimus ganhou o nome em homenagem ao esquilo (que pertence ao gênero Sciurus) em função de sua cauda. O dinossauro tinha o crânio grande, patas traseiras curtas, a pele lisa e — esta é a descoberta mais importante do estudo — estava coberto de penas. A estimativa é de que ele tenha vivido há 150 milhões de anos, no período Jurássico.

Mas o Sciurumimus, mesmo cheio de penas, foi identificado como um megalossauro, mais próximo da base da linha evolutiva dos terópodos do que dos celurossauros. E isso pode mudar a percepção da aparência de tiranossauros e megalossauros, tidos até hoje (inclusive em filmes como Jurassic Park) como grandes lagartos ou parecidos com grandes crocodilos no que se refere à pele.

“Tudo o que encontramos nesses dias nos mostram o quão antiga são as características dos pássaros modernos na linha evolutiva e como esses animais eram parecidos com pássaros”, disse Mark Norell. As aves modernas são consideradas descendentes diretos dos celurossauros.

Fósseis completos como o do Sciurumimus são extremamente raros, ainda mais sendo provavelmente de um recém-nascido. Segundo os pesquisadores, esta espécie deveria se alimentar de pequenas presas e insetos. Mas o tamanho reduzido do fóssil não quer dizer que ele fosse um pequeno dinossauro carnívoro. “Sabemos, a partir de outras descobertas, que os dinossauros podiam ter um ritmo de crescimento lento”, disse Rauhut. “O Sciurumimus adulto podia chegar a quase dois metros de comprimento. Os grandes predadores podiam ser cheios de penas, mas isso não muda o fato de que estavam no topo da pirâmide alimentar.”

Fóssil do Sciurumimus

Descoberta: Fóssil de dinossauro com penas, o Sciurumimus, encontrado em uma laje de calcário no Sul da Alemanha (Divulgação/Museu Americano de História Natural)

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DIAPSIDA
Grupo de tetrápodes (vertebrados de quatro membros: répteis, aves e mamíferos são os maiores grupos). O grupo diapsida reúne todos os répteis, com exceção das tartarugas, cágados e jabutis.

ARCOSSAUROS
Grupo surgido por volta de 240 milhões de anos atrás, no período Triássico. No grupo estão os dinossauros,pterossauros, os atuais crocodilos e jacarés e as aves (que são considerados descendentes diretos dos dinossauros, portanto, são répteis também).

DINOSSAUROS
Grupo de répteis gigantes extintos que surgiu por volta de 225 milhões de anos atrás e viveu até cerca de 65 milhões de anos atrás, quando todos os dinossauros não avianos (ou seja, exceto as aves) foram extintos. Apresentavam pernas dispostas como colunas abaixo do corpo (e não voltadas para os lados, como nos jacarés). Os dinossauros são descendentes do grupo archosauria e podem ser reunidos em dois grandes ramos: saurísquios e ornitísquios (tão diferentes quanto os mamíferos marsupiais e os placentários entre eles). Apesar de seus fósseis serem conhecidos há milhares de anos (a lenda dos dragões veio daí), o termo dinossauro (deinos=terrível saurus=lagarto) só foi criado em 1842, pelo primeiro curador do Museu de História Natural de Londres, Richard Owen.

ORNITÍSQUIOS
O nome do grupo significa ‘cintura de ave’, embora as aves tenham se originado de outra linhagem dos dinossauros. Eram tanto quadrúpedes (como o Triceratops e o Stegosaurus) quanto bípedes (Lesothosaurus).

SAURÍSQUIOS
Grande grupo de dinossauros herbívoros caracterizados pelo pela pata anterior alongada e pelo pescoço comprido, muitas vezes com o leve formato de ‘S’. Fazem parte do grupo dos saurísquios os gigantescos saurópodes (os dinossauros que apareciam usados como guindastes no desenho animado Flintstones) e terápodes. Os dinossauros mais antigos são saurísquios e foram encontrados na América do Sul.

PTEROSSAURO
Répteis voadores enormes, que viveram na mesma época dos dinossauros. Alguns chegaram a ter 20 metros de envergadura de uma asa à outra. Nenhum outro animal voador foi tão grande.

TERÓPODOS
Os terápodos eram todos predadores carnívoros bípedes, e tinham aqueles ‘bracinhos’ característicos dos Tiranossauros, e, geralmente, garras e dentes afiados. Apesar do tiranossauro estar extinto, tecnicamente os terápodos ainda existem, já que as aves são descendentes de pequenos terópodos, como o Archaeopteryx, um pequeno dinossauro emplumado do tamanho de um pombo. “Acredite: o beija-flor é um dinossauro terápode tanto quanto um Tiranossauro rex”, afirma o paleontólogo Luiz Eduardo Anelli em seu livro O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil.

MEGALOSSAURO
Grandes predadores terópodos que abatiam saurópodes e até o Stegosaurus. Viviam na região onde hoje fica a Europa e a América do Norte.

CELUROSSAURO
Os celurossauros reúnem os terópodos mais aparentados com as aves. Todos tinham várias semelhanças morfológicas com as aves.

MANIRAPTORA
Grupo dos celurossauros dos quais, acredita-se, evoluíram diretamente as aves, por volta de 150 milhões de anos atrás, no período Jurássico. Faziam parte do grupo dinossauros predadores carnívoros como o Velociraptor (aparecem no filme Jurassic Park em várias cenas, como na que perseguem as crianças na cozinha do parque). Tecnicamente as aves são do grupo maniraptora.

 

Fontes: Veja Ciência, O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil, Luiz Eduardo Anelli, The Princeton Field Guide To Dinosaurs, University of California Museum of Paleontology


5 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisa reforça tese de que dinossauros tinham sangue quente e metabolismo acelerado

Marcas de ossos que até então apareciam só em répteis indicando baixa na taxa do metabolismo foram encontradas em mamíferos

As evidências de que os dinossauros tinham metabolismo semelhante ao dos répteis, como sugerem algumas linhas de pesquisa, estão sendo derrubadas pouco a pouco e a teoria de que eles tinham sangue quente e metabolismo acelerado vem ganhando cada vez mais força.

Até então se acreditava que os dinossauros eram ectotérmicos, ou seja, não tinham o controle da temperatura do próprio corpo. Essa teoria era baseada nas evidências de fósseis de dinossauros, que apresentam marcas indicando que eles paravam de crescer quando havia condições adversas, como o frio ou a falta de comida.

Mas uma pesquisa divulgada pela revista Nature traz uma forte evidência que coloca em xeque a tese de ectotermia para os dinossauros — e a revelação veio por meio dos mamíferos.

A pesquisa, conduzida pela paleontologista Meike Köhler, do Instituto Catalão de Pesquisas e Estudos Avançados, mostrou que até mesmo os mamíferos, que são homeotérmicos (têm temperatura corporal constante), possuem as marcas de desenvolvimento sazonais nos ossos, chamadas de LAGs. A sigla vem da expressão em inglês ‘Lines of Arrested Growth’, que são sinais formados em períodos do ano quando o metabolismo desacelera, deixando os ossos mais densos. Foram analisados mamíferos de diversas partes do mundo, dos trópicos aos polos. Em todos esses habitats eles apresentam as marcas nos ossos. ”Isso significa que as LAGs não são mais argumento para dizer que os dinossauros são ectotérmicos”, disse Köler.
O anatomista John Hutchinson, do Colégio Real de Veterinária, de Londres, disse que o estudo derruba a tese de que mamíferos não podem ter as LAGs como parte natural do desenvolvimento.
Para Luiz Eduardo Anelli, especialista em dinossauros e autor do livro Dinos no Brasil,a pesquisa derruba um dos questionamentos que havia quanto ao metabolismo dos dinossauros. Segundo ele, além desta pesquisa, já havia outras evidências de que esses animais poderiam ter o sangue quente.
Fonte: Veja Ciência

2 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Dinossauros já estavam desaparecendo antes da extinção em massa, sugere estudo

Enquanto alguns estariam em declínio, os saurópodes, os maiores dinossauros, estariam em ascensão

Um estudo publicado nesta segunda-feira no periódico Nature Communications sugere que alguns dinossauros estavam em declínio no momento da queda do asteroide que causou a extinção em massa na Terra há 65 milhões de anos. Ao mesmo tempo, outras espécies estavam em ascensão, segundo os pesquisadores do Museu Americano de História Natural, nos Estados Unidos.

Entre os dinossauros que estavam em declínio, os pesquisadores apontam os hadrossaurídeos, dinossauros com bicos de pato, e os ceratopsídeos, o grupo dos Triceratops. Outras espécies mantinham-se estáveis, como os herbívoros de médio porte e os carnívoros. Já os saurópodes, os maiores dinossauros, quadrúpedes e de cauda e pescoços compridos, estavam em ascensão.

Os pesquisadores calcularam diferenças no esqueleto de sete grandes grupos de dinossauros, totalizando 150 espécies. Isso permitiu verificar quais grupos tinham maior diversidade e, portanto, estavam mais bem adaptados ao ambiente. Ao analisar a mudança de biodiversidade em um grupo de dinossauros através do tempo, os pesquisadores conseguiram criar uma ‘radiografia’ do bem-estar dos animais nesse período. Os grupos que tinha maior diversidade biológica poderiam, não fosse o catastrófico asteroide, dar origem a mais espécies.

Mas por que alguns dinossauros prosperavam enquanto outros estavam em declínio? Uma das suposições levantadas é que os dinossauros carnívoros e os herbívoros de médio porte ocupavam locais aos quais estavam melhor adaptados. “Os saurópodes, por exemplo, pareciam estar destinados a um futuro brilhante não fosse a queda do meteorito”, diz o paleontólogo português Luiz Azevedo Rodrigues, da Agência Nacional Ciência Viva, em Portugal. Rodrigues, que não esteve envolvido na pesquisa, é um estudioso da diversidade de características dos saurópodes.

A paleontóloga Claudia Ribeiro, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, destaca que mesmo que alguns dinossauros estivessem realmente em declínio, isso não significa automaticamente que eles estavam condenados à extinção.

A questão sobre a extinção dos dinossauros permanece complexa, admitem os autores. “A diversidade biológica variou muito nos 150 milhões de anos de existência dos dinossauros”, disse Mark Norell, chefe de paleontologia do Museu Americana de História Natural e coautor do estudo. “Pequenas alterações em dois ou três intervalos de tempo podem não ser significativas no todo”.

Segundo Rodrigues, o estudo ainda deixa algumas questões abertas, como por que o impacto do meteorito causou a extinção de algumas espécies (dinossauros e outros animais terrestres) e não a de outras, como mamíferos e aves. “Contudo, aponta caminho para futuras investigações sobre os dinossauros a partir de diferenças nas características dos esqueletos desses animais.”

Cientistas acreditam que os dinossauros foram extintos por causa de um grande asteroide que atingiu a Terra há 65 milhões de anos

Cientistas acreditam que os dinossauros foram extintos por causa de um grande asteroide que atingiu a Terra há 65 milhões de anos (iStockphoto/ThinkStock)

Opinião do especialista

Luiz Eduardo Anelli
Especialista em dinossauros brasileiros, doutor em geociências pela Universidade de São Paulo. É também autor dos livros Dinossauros do Brasil e Dinos do Brasil, da Editora Peirópolis


O resultado apresentado pelo estudo não quer dizer que as populações estavam minguando para a extinção. Quer dizer que novos grupos de dinossauros não estavam mais substituindo os grupos antigos e que algumas linhagens não estavam mais sendo criativas na exploração dos ambientes. A descoberta destes padrões evolutivos ajudará futuramente no entendimento das razões que provocaram a não sobrevivência dos grandes dinossauros no final do período Cretáceo.

Os paleontólogos examinaram isto num intervalo de tempo de cerca de 12 milhões de anos. O panorama que descreveram é a grande regra da vida: alguns grupos se mantêm constante, outros decaem e outros crescem em diversidade. Isso ocorre especialmente se tratando de áreas geográficas distintas, ao longo de uma linha de tempo.

Hoje temos o mesmo panorama com, por exemplo, os mamíferos. A diversidade é distinta nas diferentes regiões do mundo. Se então examinarmos o que ocorreu nos últimos milhões de anos, certamente vamos nos deparar com padrões similares aos vistos no estudo com dinossauros 65 milhões de anos atrás, com linhagens florescendo e outras minguando. Foi assim desde sempre

O estudo é notável porque foi realizado em um intervalo de tempo crítico na história da Terra, e com um grupo de animais que em seguida sofreu forte extinção. A determinação de padrões de diversidade ao longo do tempo não é tão simples, mas os dinossauros possibilitaram isso pela grande quantidade de estudos já realizados com eles e também pelo grande número de espécies hoje conhecidas.

No entanto, o registro fóssil quase sempre nos engana especialmente quando se trata de um tempo tão curto – e por tratar-se do exame de apenas um grupo de animais. Nestes casos, a amostragem é reduzida demais (apenas 150 espécies perto das dezenas de milhares de dinossauros que devem ter existido naqueles 12 milhões de anos) e a chance de estarmos olhando para uma miragem evolutiva, isto é, de que o padrão observado pelos autores tenha sido muito distinto do que de fato aconteceu, é muito grande. No entanto, este é um estudo pioneiro, e muitos ainda virão e poderão ou não confirmar os resultados deste estudo.

Biblioteca

capaO livro Dinos do Brasil lista todos os dinossauros brasileiros, com fichas técnicas detalhando o significado dos nomes, onde e quando foram encontrados, a idade de cada um e o tamanho. O livro é uma versão para crianças do livro O Guia Completo dos Dinossauros Brasileiros.

Autor: ANELLI, LUIZ
Editora: PEIRÓPOLIS

 

 

 

Fonte: Veja Ciência


15 de março de 2012 | nenhum comentário »

Roedores mamíferos podem ter convivido com dinossauros

Eles apareceram nos últimos 20 milhões de anos do reinado dos dinos.
Com dentição complexa, animais deveriam se alimentar de vegetais.

Multituberculado teria vivido durante período Mesozoico e convivido com dinossauros. (Foto: Divulgação / Jude Swales)

Multituberculado teria vivido convivido com dinossauros (Foto: Divulgação / Jude Swales)

Os cientistas acreditavam que, durante a era Mesozoica, os mamíferos eram criaturas pequenas que viviam à sombra de outras. No entanto, agora, eles dizem que pelo menos um grupo de mamíferos conseguiu prosperar.

Criaturas semelhantes a roedores, chamados multituberculados, apareceram nos últimos 20 milhões de anos de reinado dos dinossauros e sobreviveram após a extinção destes, há 66 milhões de anos.

O novo estudo de um paleontólogo da Universidade de Washington indica que os chamados multituberculados conseguiram sobreviver tão bem porque desenvolveram diversos tubérculos (protuberâncias ou cúspides) nos dentes posteriores, o que permitiu que se alimentassem de angiospermas, plantas com flores que estavam se tornando um elemento comum na paisagem.

“Esses mamíferos eram capazes de proliferar em termos de número de espécies, tamanho do corpo e formato de seus dentes, características que influenciaram o que comiam”, disse Gregory P. Wilson, professor assistente de biologia da Universidade de Washington.

Ele é o principal autor da pesquisa, publicada nesta quarta-feira (14), em uma edição on-line da revista científica “Nature”.

Características
Cerca de 170 milhões de anos atrás, os multituberculados tinham o tamanho aproximado de um rato. As angiospermas começaram a aparecer há aproximadamente 140 milhões e, depois disso, o tamanho dos pequenos mamíferos aumentou, chegando ao de um castor.

Após a extinção dos dinossauros, os multituberculados continuaram a se destacar até que os outros mamíferos – em grande parte primatas, ungulados e roedores – ganharam uma vantagem competitiva. Isso acabou levando, enfim, ao desaparecimento dos multitubeculados, cerca de 34 milhões de anos atrás.

Os cientistas examinaram os dentes de 41 espécies de multituberculados preservados em fósseis coletados ao redor do mundo a fim de determinar para que direção as manchas presentes nas superfícies dentárias apontavam.

Carnívoros têm dentes relativamente simples, com talvez 110 manchas por arcada, pois seu alimento se despedaça facilmente, explicou Wilson. Mas animais que dependem mais de vegetais para a sobrevivência têm uma dentição um pouco mais afetada porque sua comida é dilacerada com os dentes.

Em alguns multituberculados, dentes em formato de lâmina situados na parte da frente da boca se tornaram menos proeminentes com o tempo e os dentes de trás se tornaram mais complexos, com 348 manchas por arcada, um indício de mastigação de alimento vegetal.

Fonte: France Presse

 


11 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Mamíferos já evoluíam antes da extinção dos dinossauros

Um novo estudo sobre mamíferos denominado “Impacts of the Cretaceous Terrestrial Revolution and KPg Extinction on Mammal Diversification”  indica que eles começaram a se diversificar muito antes do que se pensava. Isso teria sido há 80 milhões de anos, no período Cretáceo, ao contrário da tese anterior que afirmava que a maior diversificação dos mamíferos teria ocorrido logo após a extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos.

A pesquisa, liderada por Robert Meredith, do Departamento de Biologia da Universidade da Califórnia, analisou dados moleculares de 164 espécies de mamíferos, trazendo nova luz sobre como e quando eles se diversificaram e começaram a ocupar diferentes nichos ecológicos ao redor do planeta.

“Embora estudos anteriores tenham elucidado as relações entre os mamíferos, este é o primeiro a examinar as relações e os tempos de divergência entre as famílias de mamíferos usando uma reunião de dados de um grande número de genes diferentes”, disse Meredith.

Segundo Mark Springer, coautor do estudo publicado na revista Science no dia 22 de setembro, os resultados sugerem a ocorrência de dois eventos na história da Terra que atuaram de forma importante na diversificação dos mamíferos.

“O primeiro deles foi a radiação de plantas com flores durante a Revolução Terrestre do Cretáceo, que muito provavelmente impulsionou uma importante diversificação taxonômica dos mamíferos cerca de 80 milhões de anos atrás. E a segunda teria sido a abertura de um espaço para a aceleração da diversificação morfológica dos mamíferos após a extinção dos dinossauros”, afirmou Springer, do Departamento de Biologia da Universidade da Califórnia.

Segundo o novo estudo, o grande momento de diversificação dos grupos de mamíferos não teria sido após a extinção dos dinossauros, e sim antes.

Os mamíferos têm a mesma idade que os dinossauros, mas a ideia que se tem é a de que teriam apresentado pouca diversidade durante muito tempo, de acordo com Eduardo Eizirik, da Faculdade de Biociências da PUC-RS, coautor do estudo publicado na Science. Foi durante seu trabalho de doutorado no Laboratório de Diversidade Genômica dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, em Maryland, que Eizirik se uniu a outros colegas, incluindo o grupo de Mark Springer, para investigar a evolução dos mamíferos, resultando em uma série de estudos sobre este tema.

Por mais de 100 milhões de anos, os mamíferos teriam mantido uma estrutura bastante primitiva, perdendo na corrida com os dinossauros e só conseguido se diversificar expressivamente após a extinção deles. Mas o estudo apresentado agora prova que a equação não é tão simples assim. Há uma diversificação dos mamíferos anterior à extinção dos dinossauros.

“Os principais grupos de mamíferos já estavam formados antes de os dinossauros desaparecerem, e a diversificação entre os grupos teria ocorrido em lugares diferentes do planeta. Eles eram muito parecidos, mas já estavam formando linhagens próprias antes mesmo da extinção dos dinossauros”, comenta Eizirik.

“Quando os dinossauros se extinguiram houve também diferenciação dos mamíferos, mas não tão intensa como ocorreu 15 milhões de anos antes. Nossos artigos anteriores já demonstravam que o pico da diferenciação teria sido anterior à extinção dos dinossauros, mas não detalhavam quando isso teria ocorrido. Agora, temos essa resposta”, completa.

Segundo Springer, o estudo fornece uma estrutura para muitas outras linhas de investigação, incluindo um roteiro para projetos futuros de sequenciamento de genomas.

 

Fonte: Mater Natura