9 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Nordeste terá 1ª indústria do Brasil de combustível feito com algas marinhas

Usina em Pernambuco vai produzir e vender biodiesel e bioetanol de algas.
Projeto tem investimento de R$ 19 milhões e reduz emissão de CO2.

O sistema de iluminação das Fazendas de Algas concentra a luz do sol e a transmite por fibras óticas até reatores fechados, onde as algas realizam a fotossíntese (Foto: Divulgação/See Algae Technology)

O sistema de iluminação da fazenda de alga concentra a luz do sol e a transmite por fibras óticas até reatores fechados, onde as algas realizam a fotossíntese (Foto: Divulgação/See Algae Technology)

O estado de Pernambuco, no Nordeste, deve receber a partir do último trimestre de 2013 a primeira planta industrial de biocombustível produzido com algas marinhas, que promete contribuir na redução do envio de CO2 à atmosfera.

O projeto, uma parceria entre o grupo brasileiro JB, produtor de etanol no Nordeste, e a empresa See Algae Technology (SAT), da Áustria, contará com investimento de 8 milhões de euros (R$ 19,8 milhões) para montar em Vitória de Santo Antão – a 53 km de Recife — uma fazenda vertical de algas geneticamente modificadas e que vão crescer com a ajuda do sol e de emissões de dióxido de carbono (CO2)

Segunda a empresa, é a primeira vez no mundo que este tipo de combustível será fabricado e comercializado. Atualmente, a tecnologia só é desenvolvida para fins científicos. Laboratórios dos Estados Unidos e até mesmo do Brasil já pesquisam a respeito.

No caso da usina pernambucana, o biocombustível será produzido com a ajuda do carbono proveniente da produção de etanol, evitando que o gás poluente seja liberado na atmosfera e reduzindo os efeitos da mudança climática.

De acordo com Rafael Bianchini, diretor da SAT no Brasil, a unidade terá capacidade de produzir 1,2 milhão de litros de biodiesel ou 2,2, milhões de litros de etanol ao ano a partir de um hectare de algas plantadas.

O produto resultante poderá substituir, por exemplo, o biodiesel de soja, dendê, palma ou outros itens que podem ser utilizados na indústria alimentícia aplicado no diesel — atualmente 5% do combustível é biodiesel.

“É uma reciclagem [do CO2 emitido] e transformação em combustível. Um hectare de algas consome 5 mil toneladas de dióxido de carbono ao ano. O CO2, que é o vilão do clima, passa a ser matéria-prima valorizada”, explica Bianchini.

Mas como funciona?
Em vez de criações de algas expostas, a SAT planeja instalar módulos fechados com até cinco metros de altura que vão receber por meio de fibra óptica a luz do sol (capturada por placas solares instaladas no teto da usina). Além disso, há a injeção de CO2 resultante do processo de fabricação do etanol de cana.

De acordo com Carlos Beltrão, diretor-presidente do grupo JB, a previsão é que projeto comece a funcionar a partir de 2014 e seja replicado para outra unidade, instalada em Linhares, no Espírito Santo. “Hoje nossa missão é tentar trabalhar e chegar ao carbono zero. Nós produzimos CO2 suficiente para multiplicar esse investimento em dez vezes”, disse Beltrão.

O biocombustível de algas ainda precisa ser aprovado e validado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Bioquímicos
Além dos combustíveis, outros produtos resultantes do processamento de algas marinhas geneticamente modificadas são os bioquímicos como o ácido graxo ômega 3, utilizados pela indústria alimentícia e de cosméticos

O ômega 3, que contribui para reduzir os níveis de colesterol no corpo humano e combate inflamações, é normalmente encontrado em óleos vegetais ou em peixes.

Com a extração desse ácido das algas processadas e comercialização com empresas brasileiras, Bianchini espera contribuir com a redução da pesca de espécies marinhas que já sofrem com o impacto das atividades predatórias. “Seria uma alternativa para reduzir a sobrepesca e também para não haver mais dependência somente do peixe”, disse.

Alga genéticamente modificada (Foto: Divulgação/See Algae Technology)

Bioquímicos de algas geneticamente modificadas ajudam a reduzir as emissões de carbono para a atmosfera (Foto: Divulgação/See Algae Technology)

Fonte: Globo Natureza


23 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Correios da Suíça vão compensar emissão de CO2

Companhia afirma que pretende reduzir 15 mil toneladas de dióxido de carbono a partir do uso de veículos elétricos pelos carteiros

A companhia de correios suíça, la Poste, anunciou em comunicado, nesta quarta-feira (22), que vai compensar sua emissão de CO2, que tem origem no envio de cartas no país, a partir do dia 1 de abril, numa tentativa de proteger o meio ambiente .

As atividades dos correios geram cerca de 50 mil toneladas de CO2 que serão compensados a cada ano por la Poste mediante vários projetos, entre eles, o uso progressivo de veículos elétricos pelos carteiros e a utilização crescente do transporte ferroviário.

A iniciativa permitirá a redução de 15 mil toneladas de emissões de CO2, calculou.

Além disso, a companhia prevê a instalação de painéis fotovoltaicos nos telhados de 20 edifícios que abrigam seus escritórios.

Segundo um porta-voz da companhia, esta compensação custará entre 700 mil e 2,5 milhões de francos suíços (entre 583 mil e 2 milhões de euros) por ano.

Fonte: Portal IG


6 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Árvores estocam mais dióxido de carbono que se pensava

Cientistas americanos afirmam que métodos usados até agora não são precisos e prejudicam o combate ao aquecimento global

Florestas tropicais como a Amazônia brasileira armazenam 21% mais dióxido de carbono (CO2) do que cientistas acreditavam até agora, segundo o mais completo estudo sobre o tema já realizado. Dados confiáveis sobre emissões e sequestro do CO2 da atmosfera são indispensáveis para que os países possam estimar os danos e planejar ações para revertê-los, de acordo com os autores da pesquisa, que foi publicada na revista Nature Climate Change.

Imagens e medições via satélite e um extenso trabalho de campo foram os instrumentos usados para mapear o dióxido de carbono presente nas florestas tropicais de países da América do Sul, África e Ásia. Essas florestas recolhem o CO2 no processo de fotossíntese pelo qual as plantas produzem alimento. Mas o gás fica estocado nos vegetais e é liberado com sua queima ou corte.

Nos países que ficam entre os trópicos, o desmatamento é um dos principais emissores de gases que formam o efeito estufa. No mundo inteiro, a prática contribui com até 17% das emissões de CO2. E o Brasil e a Indonésia são os países que têm mais dióxido de carbono estocado em suas florestas tropicais, com 35% do total. São também os países que mais liberam o gás na atmosfera por meio do desmatamento.

Segundo a pesquisa, os modelos atuais de detecção de CO2 , que não levam em conta a capacidade das árvores de armazenarem mais dióxido de carbono do que se pensava, superestimam as emissões em até 12%; o que pode ser um número considerável para países que precisam prestar contas à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC na sigla em inglês). E será mais importante ainda quando da adoção do programa REDD+, que prevê apoio técnico e financeiro para que países combatam o aquecimento global por meio da redução da emissão dos gases que provocam o efeito estufa, como o CO2.

“É a primeira vez que somos capazes de entregar uma estimativa precisa sobre a densidade do CO2 nos locais onde ele nunca foi mensurado antes”, afirmou Alessandro Baccini, cientista do Centro de Pesquisa Woods Hole, que realizou o levantamento junto com as universidades de Boston e de Maryland, todas instituições americanas.

Os estudos anteriores não são precisos, segundo o levantamento, porque calculam o volume de dióxido de carbono de cada região baseado na biomassa média das florestas. Já o novo modelo combinou as informações fornecidas por satélites com pesquisas de campo que definiram a densidade de biomassa em cada floresta. “E as florestas que acumulam mais carbono podem valer mais em programas como o REDD+”, afirma o pesquisador Richard Houghton, que também participou da pesquisa.

 

Vista aérea da floresta amazônica

Vista aérea da floresta amazônica: árvores podem armazenar mais dióxido de carbono do que se pensava (Alex Almeida/Folhapress)

Fonte:  Veja Ciência

 


18 de janeiro de 2012 | nenhum comentário »

Dióxido de carbono afeta o cérebro dos peixes, alerta estudo

As crescentes emissões de dióxido de carbono podem afetar o cérebro e o sistema nervoso central dos peixes marinhos, com sérias consequências para a sua sobrevivência, revelou um estudo publicado nesta segunda-feira (16).

Segundo a pesquisa, as concentrações de dióxido de carbono estimadas para o fim deste século interferirão na habilidade dos peixes de ouvir, cheirar, se virar e escapar de predadores.

O ARC, Centro de Excelência para Estudos de Recifes de Coral, informou que está testando o desempenho de bebês de peixes coralinos na água do mar com altos níveis de dióxido de carbono dissolvido por vários anos.

“E agora está bem claro que eles sofrem uma alteração significativa em seu sistema nervoso central, podendo prejudicar suas chances de sobrevivência”, disse Phillip Munday, professor que divulgou as descobertas.

Em artigo publicado na revista Nature Climate Change, Munday e seus colegas também detalharam o que afirmam ser a primeira evidência no mundo de que os níveis de CO2 na água do mar afetam um receptor cerebral chave nos peixes, provocando mudanças marcantes em seu comportamento e habilidades sensoriais.

“Nós descobrimos que altas concentrações de CO2 nos oceanos podem interferir diretamente nas funções dos neurotransmissores dos peixes, o que representa uma ameaça direta e antes desconhecida à vida marinha”, afirmou Munday.

A equipe de cientistas começou a estudar o comportamento de filhotes de peixe-palhaço e peixes-donzela ao lado de seus predadores em um ambiente de água enriquecida com CO2.

Eles descobriram que enquanto os predadores eram pouco afetados, os filhotes demonstraram um desgaste muito maior.

“Nosso trabalho inicial demonstrou que o sentido do olfato em filhotes de peixes foi afetado pela presença de mais CO2 na água, o que significa que eles tiveram mais dficuldade de localizar um coral para se abrigar ou detectar o odor de alerta de um peixe predador”, disse Munday.

A equipe, então, examinou se a audição dos peixes – usada para localizar e ocupar recifes à noite e evitá-los durante o dia – tinha sido afetada.

“A resposta é sim, foi. Eles ficaram confusos e deixaram de evitar sons coralinos durante o dia. Ser atraído pelos corais à luz do dia os tornaria presas fáceis para os predadores”, acrescentaram os estudiosos.

O estudo mostrou, ainda, que os peixes também tendem a perder o instinto natural de virar para a direita ou a esquerda, um importante fator de comportamento adquirido.

“Tudo isto nos levou a suspeitar que o que estava acontecendo não era simplesmente um dano ao seus sentidos individuais, mas ao contrário, que níveis mais altos de dióxido de carbono estavam afetando o sistema nervoso central como um todo”, acrescentou.

Munday afirmou que 2,3 bilhões de toneladas de emissões de CO2 se dissolvem nos oceanos do mundo todo ano, provocando mudanças na química da água na qual vivem os peixes e outras espécies.

Fonte: Portal iG


2 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Brasil é sexto maior emissor de gases do planeta, aponta análise

Metade dos gases estufa é gerada por cinco países, dois deles emergentes.
Relatório foi divulgado nesta quinta-feira durante a COP 17, em Durban.

Mais da metade de todas as emissões de carbono liberadas na atmosfera são geradas por cinco países, segundo um ranking de emissões de gases estufa publicado nesta quinta-feira (1) no qual o Brasil aparece na sexta posição.

China, Estados Unidos, Índia, Rússia e Japão lideram a lista, seguidos de Brasil, Alemanha, Canadá, México e Irã, de acordo com a lista, divulgada durante a COP 17, negociações climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU) em Durban, África do Sul.

Os primeiros dez países da lista são responsáveis por dois terços das emissões globais, acrescentou o documento, copilados pela empresa Maplecroft, da Grã-Bretanha, especializada em análise de risco. Três dos seis maiores emissores são gigantes emergentes que demandam energia e desenvolvem suas economias a uma velocidade vertiginosa.

Em desenvolvimento
A China, que superou os Estados Unidos alguns anos atrás no topo da lista, produziu 9.441 megatoneladas de CO2-equivalente (CO2e), uma medida que combina dióxido de carbono (CO2) com outros gases aprisionadores de calor, como metano e óxido nitroso.

O método de cálculo utilizado combinou números de 2009 para o consumo de energia com números estimados para 2010.

A maioria das emissões dos países é de dióxido de carbono, graças à enorme demanda de energia. O uso de energias renováveis está aumentando, mas continua pequeno em comparação com o de combustíveis fósseis.

COP 17 informações gerais (Foto: Editoria de Arte/G1)A Índia produziu 2.272,45 megatoneladas de CO2e, parte significativa de metano gerado na agricultura. “Embora o uso per capita de energia na China e na Índia seja relativamente baixo, a demanda em geral é muito grande”, explicou Chris Laws, analista da Maplecroft. “Quando combinado com o alto uso de carvão e outros combustíveis fósseis, isto resulta em grandes emissões nos dois países”, acrescentou.

A produção brasileira, de 1.144 megatoneladas derivados do uso energético, seria significativamente maior se o desmatamento fosse levado em conta.

De acordo com informações do Deter, divulgadas em outubro passado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a região denominada Amazônia Legal perdeu no ano passado 7 mil km² de sua cobertura vegetal original. O índice é o menor desde que a medição foi iniciada, em 1988.

Potências
Entre as economias avançadas, os Estados Unidos – o primeiro país em emissões per capita entre as grandes potências – produziram 6.539 megatoneladas de CO2e. A Rússia, com 1.963 megatoneladas, ficou em quarto. Suas emissões caíram após a derrocada da União Soviética, mas espera-se que subam.

No Japão, onde a geração é de 1.203 megatoneladas de CO2e, os temores de segurança com relação à energia nuclear levaram a uma maior dependência em combustíveis fósseis, e um pico em emissões de carbono, disse Laws. Ele destacou, no entanto, que o governo japonês anunciou sua intenção de preencher a lacuna energética com fontes renováveis.

“É improvável que a tendência de aumento das emissões de gases efeito estufa seja mitigada em médio e longo prazos”, relatou. O índice dos 176 países, com base nos níveis anuais de emissões de gases de efeito estufa, combina dados sobre as emissões de CO2 de uso energético e emissões de gases não CO2. Os dados vieram de várias fontes, entre elas a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA).

 

 

Fonte: Globo Natureza


13 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Moradores se arriscam vivendo à beira de lagos ‘assassinos’ na África

Há 25 anos, 1,8 mil morreram dormindo nas proximidade do lago Nyos, nos Camarões.

As águas calmas do lago Monoun e do Nyos, no noroeste de Camarões, seriam um sinal evidente de tranquilidade no local. Nas profundezas, no entanto, está a fonte de um perigo mortífero, que pode vir à tona a qualquer momento e ameaçar as populações ribeirinhas.

Há 25 anos, o despertar de uma aldeia vizinha ao Nyos ficou marcado pela morte. Durante a noite, dezenas de moradores perderam a vida. Na época, a razão era inexplicável. Concluiu-se depois que a emissão de gases teria asfixiado os habitantes dos arredores.

Monica Lom Ngong relata à BBC o cenário da tragédia, cuja causa até aquele momento era desconhecida.

‘Fiquei rodeada de gente morta, alguns dentro de casa, outros fora, outros detrás das casas…. e os animais por toda a parte: vacas, cachorros, todos jaziam no solo, me deixando confusa. Na minha família, éramos 56, mas morreram 53′, conta.

Aquela noite havia sido macabra. Aldeias inteiras amanheceram sem vida, apenas com os corpos espalhados pelo chão. Não havia sinal de pânico. 1.800 pessoas morreram enquanto dormiam ou cozinhava.

Não havia explicação lógica.

Lago Moroun
Dois anos antes, em uma manhã de 1984, Ahadji Abdou estava a caminho de sua granja em Camarões quando viu uma cena que nunca iria esquecer, nas proximidades do lago Moroun.

‘Pensei que fosse um acidente de trânsito. Desci da bicicleta e fiquei paralisado. Havia muita gente morta em todas as partes da estrada. Algo terrível havia acontecido’, diz.

Em questão de horas foram encontrados 37 corpos.

‘Escutamos que haviam sido massacrados. Nos contaram que 12 pessoas estavam em um caminhão e que 10 morreram. O motorista foi o primeiro a sair e ver se estava acontecendo alguma coisa com o motor, que parou. O resto dos homens decidiram sair do veículo e morreram’, disse à BBC Motapon Oumarou.

O pânico tomou conta do lugar, conta o médico Pierre Zambou, o primeiro a chegar ao local.

‘Nunca havíamos visto algo assim. Parecia que tinham sido vítimas de uma doença altamente contagiosa. Não tínhamos máscaras nem ataduras. Colocamos todos em um jipe militar e os levamos dali’, conta.

Armas biológicas
Os 1.800 moradores nos arredores do lago Nyos morreram enquanto ainda dormiam.

Desta vez, a amplitude do caso e o número de mortos fez com que o caso viesse à tona, pela imprensa, causando comoção internacional.

A morte daquelas pessoas fora tão súbita que logo correram rumores de uma possível arma biológica.

E se alguém estava fazendo testes secretos, os Estados Unidos queriam saber. Tanto que meses depois enviou ao local o cientista Haraldur Sigurdsson, para investigar os estranhos acontecimentos do lago Monoun.

A guerra biológica foi descartada totalmente. As vítimas pareciam ter sido sufocadas. Mas com que? Sigurdsson decidiu falar com as testemunhas e descobriu que houve quem tivesse visto o assassino.

‘Vimos uma nuvem branca e espessa a poucos metros da gente. Mas desapareceu em um instante’, contou Motapon Oumarou.

Esta foi a primeira pista, mas havia outra: todos os 37 mortos do lago Monoun pereceram em uma entrada próxima da água.

Sigurdsson coletou, então, amostras da água. ‘A água estava cheia de gás. Bolhas enormes se formavam. Imediatamente me dei conta de que as águas profundas estavam saturadas de gás’, conta.

Era um gás que não se via, nem se sentia o cheiro. Mas um gás que, em alta concentração, sufoca.

‘Entendi que o dióxido de carbono, o CO2, havia sido o agente asfixiante’, conta.

Ovos podres
Nos dois casos, as vítimas moravam perto de lagos, o Nyos e o Monoum.

Em ambos os locais, os sobreviventes relataram terem sentido um odor de pólvora e ovos podres. No caso do lago Nyos, também houve relatos de explosão.

A suspeita voltou a recair sobre o CO2, como explicou à BBC George Kling, da Universidade de Michigan, membro da equipe de investigação.

‘Era algo difícil de entender, até que topamos com documentos de pilotos de guerra narrando que o uso de altas concentrações de CO2 funciona como um alucinógeno sensorial’, diz.

‘Uma das alucinações mais citadas foi o odor de ovos podres e pólvora’, diz.

Em seu estudo, o cientista Sigurdsson havia concluído que o dióxido de carbono vinha das profundezas da terra.

‘O gás chega ao lago mas não forma bolhas, pois o peso da água é tamanho que o dissolve, por isso não o vemos. Mas se a pressão é liberada de repente, o gás brota de maneira explosiva’, diz.

Algo parecido a agitar uma garrafa de champanha e logo estourar a rolha.

Bomba-relógio
Os cientistas comprovaram que a teoria de Sigurdsson – conhecida como fenômeno do lago explosivo – é correta e se questionaram como o lago concentra níveis tão altos de CO2.

Os cientistas descobriram que os lagos acumulavam CO2 sob os seus leitos e que, à media que a concentração crescia, eles se transformavam em uma enorme bomba-relógio química. Mas o que detonava essa ‘explosão’?

Há várias teorias sobre o que agiu como detonador no caso do lago Nyos. Uma delas é a de que a tragédia foi desencadeada por uma queda da parede da cratera que abriga o lago.

Nyos continua sendo uma ameaça em potencial para quem vive na área. No entanto, agora ele tem um sistema de tubos que ajuda a aliviar a pressão, fazendo com que o gás se disperse.

O desastre de Nyos fez com que todos os lagos profundos da África e da Indonésia fossem examinados. A conclusão a que se chegou foi a de que todos eram seguros, exceto um: o lago Kivu, em Ruanda.

O lago, na fronteira com a República Democrática do Congo, é um dos maiores e mais profundos do continente – e milhares de pessoas vivem no seu entorno.

No entanto, a única coisa que poderia detonar uma liberação mortífera de gás seria um incidente geológico em grandes proporções.

O problema é que o lago Kivu está localizado justamente em uma zona de terremotos e rodeado de vulcões, incluindo o monte Nyiragongo.

Lago Nyos  (Foto: BBC)

Lago Nyos (Foto: BBC)

Fonte: BBC


18 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Floresta intercalada a plantações de cana reduz emissões de CO2

O Brasil precisa ter áreas significativas de florestas ao redor das plantações de cana para ter mais eficiência no sequestro de carbono.

Essa é a conclusão de um grupo de cientistas liderado pelo biólogo da USP Marcos Buckeridge, diretor científico do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia.

Em artigo aprovado pela revista Global Change Biology Bioenergy, ele e colegas afirmam que áreas florestais intercaladas com a cana, técnica batizada de caminho de meio, reduziria o impacto da produção quanto às emissões de carbono.

Isso aconteceria principalmente onde ainda são feitas queimadas após a colheita.

EMISSÕES

Hoje, 75% das emissões de carbono do Brasil vêm da atividade agropecuária.

A cana consegue absorver cerca de 7,4 toneladas de carbono por hectare a cada ano.

Em média, estima-se que a plantação emita 800 kg de carbono a mais por ano do que é capaz de absorver, por causa das emissões do transporte e da queima.

As florestas absorvem 17 vezes mais: 140 toneladas ao ano. Essa taxa é ainda maior nas florestas mais novas (de até 30 anos) e em fase de crescimento.

Os pesquisadores querem agora a área de floresta necessária para reduzir os impactos da produção.

Vamos levantar quantas florestas ainda existem na região dos canaviais de São Paulo para ver quanto mais teríamos de plantar, afirma Buckeridge.

Ele participou de um evento internacional da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) sobre Bioetanol, que vai até amanhã, em Campos do Jordão (SP).

O biólogo quer calcular quanto carbono é armazenado por esses fragmentos de floresta e analisar os benefícios que a presença de áreas florestadas podem trazer ao cultivo.

Esse trabalho será feito em parceria com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e deve ficar pronto em dois meses.

É uma pena não termos os dados antes da votação do Código Florestal [que tramita no Senado].

O novo código prevê a redução de áreas florestais para aumentar atividade agropecuária em regiões como margens de rios.


Fonte: Sabine Righetti, enviada a Campos de Jordão(SP), Folha.com


12 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas tentam desvendar queda na emissão do gás metano

Mais poderoso que o CO2, envio de gás à atmosfera foi baixo por 20 anos.
Emissão de um dos causadores do efeito estufa voltou a crescer em 2006.

Os níveis atmosféricos de metano, gás de efeito estufa 20 vezes mais poderoso que o CO2 na captura de calor, permaneceram estáveis por duas décadas até 2006 devido a um maior uso de fertilizantes no cultivo de arroz ou também devido a um aumento na demanda por gás natural, de acordo com dois estudos publicados nesta quinta-feira (11) na revista Nature.

O climatologista Fuu Ming Kai, do centro de pesquisa Massachusetts Institute of Technology (MIT) em Cingapura afirma no estudo que a produção de metano nos campos de arroz do Hemisfério Norte caiu durante o período, tendo sido substituído por esterco (que utiliza menor quantidade de água).

No segundo estudo, Murat Aydin, da Universidade da Califórnia, conclui que a queda nas emissões de metano decorre de uma queima mais eficiente dos combustíveis fósseis, além de aumento na demanda por gás natural.

As pesquisas visam resolver um quebra-cabeça que tem confundido os cientistas climáticos há algum tempo: por que os níveis de metano na atmosfera, depois de crescerem constantemente por muitos anos, caiu em meados dos anos 1980 em um mergulho que durou duas décadas?

Esclarecimento
Resolver o enigma é crucial, porque os níveis de metano aumentaram mais de 150% desde o início da Revolução Industrial e voltaram a crescer novamente. O CO2, por exemplo, cresceu 40% no período. Embora os estudos cheguem a conclusões diferentes, eles apontam as atividades humanas como a razão para a desaceleração. “Em geral, a maioria das emissões de metano vem do Hemisfério Norte”, disse Fuu.

As principais fontes de metano são provenientes da queima de combustíveis fósseis, arrozais, minas de carvão, pecuária, além da derrubada e queima de florestas tropicais. Fuu afirma que a explicação para a desaceleração dos níveis de metano entre os hemisférios é proveniente da queda de emissões da agricultura na Ásia, ao longo das três últimas décadas.

Murat Aydin afirmou que a queda coincidiu com a produção de gás natural, combustível que se tornou mais competitivo que o petróleo e outros combustíveis fósseis.

“Nós especulamos que a valorização econômica do gás natural durante o final do século 20 e da implantação de tecnologias limpas levou a fortes reduções na liberação de hidrocarbonetos leves na atmosfera”, afirma o estudo.

Fonte: Da Reuters


10 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Esponjas marinhas retêm maior parte de nutrientes do oceano

As esponjas marinhas retêm 88% do silício do oceano, um nutriente fundamental para a proliferação de microalgas (diatomáceas) e da vida marinha, segundo um estudo do CSIC (Centro Superior de Pesquisas Científicas), da Espanha, divulgado nesta terça-feira.

O levantamento, coordenado pelo pesquisador Manuel Maldonado, contradiz o que se pensava até o momento, de que a maior parte do silício do ecossistema estava nas diatomáceas do plâncton.

Agora se sabe que a quantidade de silício utilizado pelas microalgas nos sistemas litorâneos poderia ser muito inferior ao que se pensava até agora.

“O silício faz com que o mar seja mais produtivo e rico em vida porque facilita a proliferação das diatomáceas. Estas microalgas absorvem grandes quantidades de CO2 atmosférico, paliando o efeito estufa e o aquecimento global de nossa atmosfera”, destaca Maldonado.

O cientista ressalta a importância das conclusões obtidas, já que o modelo aceito até agora estabelecia que as diatomáceas eram “os únicos organismos que controlavam biologicamente a passagem do silício pelo oceano”.

O estudo, publicado na “Nature Scientific Reports”, dá às esponjas um papel muito mais importante, o que contribui para reajustar a visão tradicional, relataram os pesquisadores do CSIC.

Além disso, demonstra que as esponjas capturam silício da água mediante um sistema que não parece ter evoluído nos últimos cem milhões de anos.

Cada esponja pode incorporar silício durante milênios, enquanto as diatomáceas do plâncton “só o acumulam durante alguns dias”.

Fonte: Da EFE


4 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Aumenta uso de madeira como alternativa à energia nuclear

A demanda por madeira destinada à produção de energia aumenta de maneira estável, e os analistas do setor acreditam que a tendência será reforçada com a decisão de alguns países industrializados de privilegiar fontes de energia renováveis e limpas frente à nuclear.

É o que revela a revista anual do mercado de produtos florestais da Unece (Comissão Econômica da ONU para a Europa), que indica que o consumo de produtos florestais subiu 5,6% em 2010 nas regiões da América do Norte, Europa e em países do antigo bloco soviético.

O posicionamento sobre matéria energética mudou em certos países europeus após o acidente nuclear de Fukushima –como o anúncio da Alemanha de abandonar totalmente a energia atômica até 2022–, mas também o aumento do preço do petróleo e do carvão impulsionou fortemente o mercado madeireiro.

Esta matéria-prima é reconhecida como uma fonte de energia renovável e neutra do ponto de vista das emissões de dióxido de carbono.

O crescimento mais marcante experimentado nos últimos anos são dos “pellets” de madeira (serragem compactada que apresenta um fator de combustão elevado), utilizados para a geração de eletricidade, segundo a publicação.

De uma capacidade de produção de 9 milhões de toneladas em nível mundial –a metade na Europa– passou para 16 milhões de toneladas no ano passado, 2 milhões menos que a capacidade total calculada.

Estima-se que este ano a produção alcançará os 20 milhões de toneladas e que o aumento anual do consumo será da ordem de 11% até 2020.

Esta tendência, no entanto, pode resultar inquietante para outros setores, por isso que envolveria em termos de abastecimento e do preço da madeira, reconheceu Douglas Clark, analista da Unece.

CONSUMO

A Europa é o primeiro consumidor de “pellets”, com Suécia como o maior comprador com 20% do total mundial.

O primeiro exportador e principal abastecedor mundial é o Canadá, embora o organismo considere que esta situação evoluirá com o desenvolvimento das capacidades de produção na Rússia.

A revista avalia como “destacável” o crescimento do setor florestal na China na última década, onde a produção duplicou nos últimos cinco anos, alcançando US$ 300 bilhões em 2010.

Entre 2009 e 2010, a produção de produtos florestais na China aumentou 29% e se transformou já no primeiro produtor mundial de tabuleiros de madeira.

Além disso, nos dez últimos anos duplicou a de papel, polpa e papelão, dos quais agora produz 25% do total mundial.

Os analistas classificam a madeira como matéria muito “versátil”. Além dos produtos mais óbvios que podem ser extraídos dela, também participa da produção de têxteis, aditivos alimentícios (com base em celulose), telas ópticas para computadores portáteis, celulares, entre outros artigos.

Fonte: Da EFE


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9 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Nordeste terá 1ª indústria do Brasil de combustível feito com algas marinhas

Usina em Pernambuco vai produzir e vender biodiesel e bioetanol de algas.
Projeto tem investimento de R$ 19 milhões e reduz emissão de CO2.

O sistema de iluminação das Fazendas de Algas concentra a luz do sol e a transmite por fibras óticas até reatores fechados, onde as algas realizam a fotossíntese (Foto: Divulgação/See Algae Technology)

O sistema de iluminação da fazenda de alga concentra a luz do sol e a transmite por fibras óticas até reatores fechados, onde as algas realizam a fotossíntese (Foto: Divulgação/See Algae Technology)

O estado de Pernambuco, no Nordeste, deve receber a partir do último trimestre de 2013 a primeira planta industrial de biocombustível produzido com algas marinhas, que promete contribuir na redução do envio de CO2 à atmosfera.

O projeto, uma parceria entre o grupo brasileiro JB, produtor de etanol no Nordeste, e a empresa See Algae Technology (SAT), da Áustria, contará com investimento de 8 milhões de euros (R$ 19,8 milhões) para montar em Vitória de Santo Antão – a 53 km de Recife — uma fazenda vertical de algas geneticamente modificadas e que vão crescer com a ajuda do sol e de emissões de dióxido de carbono (CO2)

Segunda a empresa, é a primeira vez no mundo que este tipo de combustível será fabricado e comercializado. Atualmente, a tecnologia só é desenvolvida para fins científicos. Laboratórios dos Estados Unidos e até mesmo do Brasil já pesquisam a respeito.

No caso da usina pernambucana, o biocombustível será produzido com a ajuda do carbono proveniente da produção de etanol, evitando que o gás poluente seja liberado na atmosfera e reduzindo os efeitos da mudança climática.

De acordo com Rafael Bianchini, diretor da SAT no Brasil, a unidade terá capacidade de produzir 1,2 milhão de litros de biodiesel ou 2,2, milhões de litros de etanol ao ano a partir de um hectare de algas plantadas.

O produto resultante poderá substituir, por exemplo, o biodiesel de soja, dendê, palma ou outros itens que podem ser utilizados na indústria alimentícia aplicado no diesel — atualmente 5% do combustível é biodiesel.

“É uma reciclagem [do CO2 emitido] e transformação em combustível. Um hectare de algas consome 5 mil toneladas de dióxido de carbono ao ano. O CO2, que é o vilão do clima, passa a ser matéria-prima valorizada”, explica Bianchini.

Mas como funciona?
Em vez de criações de algas expostas, a SAT planeja instalar módulos fechados com até cinco metros de altura que vão receber por meio de fibra óptica a luz do sol (capturada por placas solares instaladas no teto da usina). Além disso, há a injeção de CO2 resultante do processo de fabricação do etanol de cana.

De acordo com Carlos Beltrão, diretor-presidente do grupo JB, a previsão é que projeto comece a funcionar a partir de 2014 e seja replicado para outra unidade, instalada em Linhares, no Espírito Santo. “Hoje nossa missão é tentar trabalhar e chegar ao carbono zero. Nós produzimos CO2 suficiente para multiplicar esse investimento em dez vezes”, disse Beltrão.

O biocombustível de algas ainda precisa ser aprovado e validado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Bioquímicos
Além dos combustíveis, outros produtos resultantes do processamento de algas marinhas geneticamente modificadas são os bioquímicos como o ácido graxo ômega 3, utilizados pela indústria alimentícia e de cosméticos

O ômega 3, que contribui para reduzir os níveis de colesterol no corpo humano e combate inflamações, é normalmente encontrado em óleos vegetais ou em peixes.

Com a extração desse ácido das algas processadas e comercialização com empresas brasileiras, Bianchini espera contribuir com a redução da pesca de espécies marinhas que já sofrem com o impacto das atividades predatórias. “Seria uma alternativa para reduzir a sobrepesca e também para não haver mais dependência somente do peixe”, disse.

Alga genéticamente modificada (Foto: Divulgação/See Algae Technology)

Bioquímicos de algas geneticamente modificadas ajudam a reduzir as emissões de carbono para a atmosfera (Foto: Divulgação/See Algae Technology)

Fonte: Globo Natureza


23 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Correios da Suíça vão compensar emissão de CO2

Companhia afirma que pretende reduzir 15 mil toneladas de dióxido de carbono a partir do uso de veículos elétricos pelos carteiros

A companhia de correios suíça, la Poste, anunciou em comunicado, nesta quarta-feira (22), que vai compensar sua emissão de CO2, que tem origem no envio de cartas no país, a partir do dia 1 de abril, numa tentativa de proteger o meio ambiente .

As atividades dos correios geram cerca de 50 mil toneladas de CO2 que serão compensados a cada ano por la Poste mediante vários projetos, entre eles, o uso progressivo de veículos elétricos pelos carteiros e a utilização crescente do transporte ferroviário.

A iniciativa permitirá a redução de 15 mil toneladas de emissões de CO2, calculou.

Além disso, a companhia prevê a instalação de painéis fotovoltaicos nos telhados de 20 edifícios que abrigam seus escritórios.

Segundo um porta-voz da companhia, esta compensação custará entre 700 mil e 2,5 milhões de francos suíços (entre 583 mil e 2 milhões de euros) por ano.

Fonte: Portal IG


6 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Árvores estocam mais dióxido de carbono que se pensava

Cientistas americanos afirmam que métodos usados até agora não são precisos e prejudicam o combate ao aquecimento global

Florestas tropicais como a Amazônia brasileira armazenam 21% mais dióxido de carbono (CO2) do que cientistas acreditavam até agora, segundo o mais completo estudo sobre o tema já realizado. Dados confiáveis sobre emissões e sequestro do CO2 da atmosfera são indispensáveis para que os países possam estimar os danos e planejar ações para revertê-los, de acordo com os autores da pesquisa, que foi publicada na revista Nature Climate Change.

Imagens e medições via satélite e um extenso trabalho de campo foram os instrumentos usados para mapear o dióxido de carbono presente nas florestas tropicais de países da América do Sul, África e Ásia. Essas florestas recolhem o CO2 no processo de fotossíntese pelo qual as plantas produzem alimento. Mas o gás fica estocado nos vegetais e é liberado com sua queima ou corte.

Nos países que ficam entre os trópicos, o desmatamento é um dos principais emissores de gases que formam o efeito estufa. No mundo inteiro, a prática contribui com até 17% das emissões de CO2. E o Brasil e a Indonésia são os países que têm mais dióxido de carbono estocado em suas florestas tropicais, com 35% do total. São também os países que mais liberam o gás na atmosfera por meio do desmatamento.

Segundo a pesquisa, os modelos atuais de detecção de CO2 , que não levam em conta a capacidade das árvores de armazenarem mais dióxido de carbono do que se pensava, superestimam as emissões em até 12%; o que pode ser um número considerável para países que precisam prestar contas à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC na sigla em inglês). E será mais importante ainda quando da adoção do programa REDD+, que prevê apoio técnico e financeiro para que países combatam o aquecimento global por meio da redução da emissão dos gases que provocam o efeito estufa, como o CO2.

“É a primeira vez que somos capazes de entregar uma estimativa precisa sobre a densidade do CO2 nos locais onde ele nunca foi mensurado antes”, afirmou Alessandro Baccini, cientista do Centro de Pesquisa Woods Hole, que realizou o levantamento junto com as universidades de Boston e de Maryland, todas instituições americanas.

Os estudos anteriores não são precisos, segundo o levantamento, porque calculam o volume de dióxido de carbono de cada região baseado na biomassa média das florestas. Já o novo modelo combinou as informações fornecidas por satélites com pesquisas de campo que definiram a densidade de biomassa em cada floresta. “E as florestas que acumulam mais carbono podem valer mais em programas como o REDD+”, afirma o pesquisador Richard Houghton, que também participou da pesquisa.

 

Vista aérea da floresta amazônica

Vista aérea da floresta amazônica: árvores podem armazenar mais dióxido de carbono do que se pensava (Alex Almeida/Folhapress)

Fonte:  Veja Ciência

 


18 de janeiro de 2012 | nenhum comentário »

Dióxido de carbono afeta o cérebro dos peixes, alerta estudo

As crescentes emissões de dióxido de carbono podem afetar o cérebro e o sistema nervoso central dos peixes marinhos, com sérias consequências para a sua sobrevivência, revelou um estudo publicado nesta segunda-feira (16).

Segundo a pesquisa, as concentrações de dióxido de carbono estimadas para o fim deste século interferirão na habilidade dos peixes de ouvir, cheirar, se virar e escapar de predadores.

O ARC, Centro de Excelência para Estudos de Recifes de Coral, informou que está testando o desempenho de bebês de peixes coralinos na água do mar com altos níveis de dióxido de carbono dissolvido por vários anos.

“E agora está bem claro que eles sofrem uma alteração significativa em seu sistema nervoso central, podendo prejudicar suas chances de sobrevivência”, disse Phillip Munday, professor que divulgou as descobertas.

Em artigo publicado na revista Nature Climate Change, Munday e seus colegas também detalharam o que afirmam ser a primeira evidência no mundo de que os níveis de CO2 na água do mar afetam um receptor cerebral chave nos peixes, provocando mudanças marcantes em seu comportamento e habilidades sensoriais.

“Nós descobrimos que altas concentrações de CO2 nos oceanos podem interferir diretamente nas funções dos neurotransmissores dos peixes, o que representa uma ameaça direta e antes desconhecida à vida marinha”, afirmou Munday.

A equipe de cientistas começou a estudar o comportamento de filhotes de peixe-palhaço e peixes-donzela ao lado de seus predadores em um ambiente de água enriquecida com CO2.

Eles descobriram que enquanto os predadores eram pouco afetados, os filhotes demonstraram um desgaste muito maior.

“Nosso trabalho inicial demonstrou que o sentido do olfato em filhotes de peixes foi afetado pela presença de mais CO2 na água, o que significa que eles tiveram mais dficuldade de localizar um coral para se abrigar ou detectar o odor de alerta de um peixe predador”, disse Munday.

A equipe, então, examinou se a audição dos peixes – usada para localizar e ocupar recifes à noite e evitá-los durante o dia – tinha sido afetada.

“A resposta é sim, foi. Eles ficaram confusos e deixaram de evitar sons coralinos durante o dia. Ser atraído pelos corais à luz do dia os tornaria presas fáceis para os predadores”, acrescentaram os estudiosos.

O estudo mostrou, ainda, que os peixes também tendem a perder o instinto natural de virar para a direita ou a esquerda, um importante fator de comportamento adquirido.

“Tudo isto nos levou a suspeitar que o que estava acontecendo não era simplesmente um dano ao seus sentidos individuais, mas ao contrário, que níveis mais altos de dióxido de carbono estavam afetando o sistema nervoso central como um todo”, acrescentou.

Munday afirmou que 2,3 bilhões de toneladas de emissões de CO2 se dissolvem nos oceanos do mundo todo ano, provocando mudanças na química da água na qual vivem os peixes e outras espécies.

Fonte: Portal iG


2 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Brasil é sexto maior emissor de gases do planeta, aponta análise

Metade dos gases estufa é gerada por cinco países, dois deles emergentes.
Relatório foi divulgado nesta quinta-feira durante a COP 17, em Durban.

Mais da metade de todas as emissões de carbono liberadas na atmosfera são geradas por cinco países, segundo um ranking de emissões de gases estufa publicado nesta quinta-feira (1) no qual o Brasil aparece na sexta posição.

China, Estados Unidos, Índia, Rússia e Japão lideram a lista, seguidos de Brasil, Alemanha, Canadá, México e Irã, de acordo com a lista, divulgada durante a COP 17, negociações climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU) em Durban, África do Sul.

Os primeiros dez países da lista são responsáveis por dois terços das emissões globais, acrescentou o documento, copilados pela empresa Maplecroft, da Grã-Bretanha, especializada em análise de risco. Três dos seis maiores emissores são gigantes emergentes que demandam energia e desenvolvem suas economias a uma velocidade vertiginosa.

Em desenvolvimento
A China, que superou os Estados Unidos alguns anos atrás no topo da lista, produziu 9.441 megatoneladas de CO2-equivalente (CO2e), uma medida que combina dióxido de carbono (CO2) com outros gases aprisionadores de calor, como metano e óxido nitroso.

O método de cálculo utilizado combinou números de 2009 para o consumo de energia com números estimados para 2010.

A maioria das emissões dos países é de dióxido de carbono, graças à enorme demanda de energia. O uso de energias renováveis está aumentando, mas continua pequeno em comparação com o de combustíveis fósseis.

COP 17 informações gerais (Foto: Editoria de Arte/G1)A Índia produziu 2.272,45 megatoneladas de CO2e, parte significativa de metano gerado na agricultura. “Embora o uso per capita de energia na China e na Índia seja relativamente baixo, a demanda em geral é muito grande”, explicou Chris Laws, analista da Maplecroft. “Quando combinado com o alto uso de carvão e outros combustíveis fósseis, isto resulta em grandes emissões nos dois países”, acrescentou.

A produção brasileira, de 1.144 megatoneladas derivados do uso energético, seria significativamente maior se o desmatamento fosse levado em conta.

De acordo com informações do Deter, divulgadas em outubro passado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a região denominada Amazônia Legal perdeu no ano passado 7 mil km² de sua cobertura vegetal original. O índice é o menor desde que a medição foi iniciada, em 1988.

Potências
Entre as economias avançadas, os Estados Unidos – o primeiro país em emissões per capita entre as grandes potências – produziram 6.539 megatoneladas de CO2e. A Rússia, com 1.963 megatoneladas, ficou em quarto. Suas emissões caíram após a derrocada da União Soviética, mas espera-se que subam.

No Japão, onde a geração é de 1.203 megatoneladas de CO2e, os temores de segurança com relação à energia nuclear levaram a uma maior dependência em combustíveis fósseis, e um pico em emissões de carbono, disse Laws. Ele destacou, no entanto, que o governo japonês anunciou sua intenção de preencher a lacuna energética com fontes renováveis.

“É improvável que a tendência de aumento das emissões de gases efeito estufa seja mitigada em médio e longo prazos”, relatou. O índice dos 176 países, com base nos níveis anuais de emissões de gases de efeito estufa, combina dados sobre as emissões de CO2 de uso energético e emissões de gases não CO2. Os dados vieram de várias fontes, entre elas a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA).

 

 

Fonte: Globo Natureza


13 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Moradores se arriscam vivendo à beira de lagos ‘assassinos’ na África

Há 25 anos, 1,8 mil morreram dormindo nas proximidade do lago Nyos, nos Camarões.

As águas calmas do lago Monoun e do Nyos, no noroeste de Camarões, seriam um sinal evidente de tranquilidade no local. Nas profundezas, no entanto, está a fonte de um perigo mortífero, que pode vir à tona a qualquer momento e ameaçar as populações ribeirinhas.

Há 25 anos, o despertar de uma aldeia vizinha ao Nyos ficou marcado pela morte. Durante a noite, dezenas de moradores perderam a vida. Na época, a razão era inexplicável. Concluiu-se depois que a emissão de gases teria asfixiado os habitantes dos arredores.

Monica Lom Ngong relata à BBC o cenário da tragédia, cuja causa até aquele momento era desconhecida.

‘Fiquei rodeada de gente morta, alguns dentro de casa, outros fora, outros detrás das casas…. e os animais por toda a parte: vacas, cachorros, todos jaziam no solo, me deixando confusa. Na minha família, éramos 56, mas morreram 53′, conta.

Aquela noite havia sido macabra. Aldeias inteiras amanheceram sem vida, apenas com os corpos espalhados pelo chão. Não havia sinal de pânico. 1.800 pessoas morreram enquanto dormiam ou cozinhava.

Não havia explicação lógica.

Lago Moroun
Dois anos antes, em uma manhã de 1984, Ahadji Abdou estava a caminho de sua granja em Camarões quando viu uma cena que nunca iria esquecer, nas proximidades do lago Moroun.

‘Pensei que fosse um acidente de trânsito. Desci da bicicleta e fiquei paralisado. Havia muita gente morta em todas as partes da estrada. Algo terrível havia acontecido’, diz.

Em questão de horas foram encontrados 37 corpos.

‘Escutamos que haviam sido massacrados. Nos contaram que 12 pessoas estavam em um caminhão e que 10 morreram. O motorista foi o primeiro a sair e ver se estava acontecendo alguma coisa com o motor, que parou. O resto dos homens decidiram sair do veículo e morreram’, disse à BBC Motapon Oumarou.

O pânico tomou conta do lugar, conta o médico Pierre Zambou, o primeiro a chegar ao local.

‘Nunca havíamos visto algo assim. Parecia que tinham sido vítimas de uma doença altamente contagiosa. Não tínhamos máscaras nem ataduras. Colocamos todos em um jipe militar e os levamos dali’, conta.

Armas biológicas
Os 1.800 moradores nos arredores do lago Nyos morreram enquanto ainda dormiam.

Desta vez, a amplitude do caso e o número de mortos fez com que o caso viesse à tona, pela imprensa, causando comoção internacional.

A morte daquelas pessoas fora tão súbita que logo correram rumores de uma possível arma biológica.

E se alguém estava fazendo testes secretos, os Estados Unidos queriam saber. Tanto que meses depois enviou ao local o cientista Haraldur Sigurdsson, para investigar os estranhos acontecimentos do lago Monoun.

A guerra biológica foi descartada totalmente. As vítimas pareciam ter sido sufocadas. Mas com que? Sigurdsson decidiu falar com as testemunhas e descobriu que houve quem tivesse visto o assassino.

‘Vimos uma nuvem branca e espessa a poucos metros da gente. Mas desapareceu em um instante’, contou Motapon Oumarou.

Esta foi a primeira pista, mas havia outra: todos os 37 mortos do lago Monoun pereceram em uma entrada próxima da água.

Sigurdsson coletou, então, amostras da água. ‘A água estava cheia de gás. Bolhas enormes se formavam. Imediatamente me dei conta de que as águas profundas estavam saturadas de gás’, conta.

Era um gás que não se via, nem se sentia o cheiro. Mas um gás que, em alta concentração, sufoca.

‘Entendi que o dióxido de carbono, o CO2, havia sido o agente asfixiante’, conta.

Ovos podres
Nos dois casos, as vítimas moravam perto de lagos, o Nyos e o Monoum.

Em ambos os locais, os sobreviventes relataram terem sentido um odor de pólvora e ovos podres. No caso do lago Nyos, também houve relatos de explosão.

A suspeita voltou a recair sobre o CO2, como explicou à BBC George Kling, da Universidade de Michigan, membro da equipe de investigação.

‘Era algo difícil de entender, até que topamos com documentos de pilotos de guerra narrando que o uso de altas concentrações de CO2 funciona como um alucinógeno sensorial’, diz.

‘Uma das alucinações mais citadas foi o odor de ovos podres e pólvora’, diz.

Em seu estudo, o cientista Sigurdsson havia concluído que o dióxido de carbono vinha das profundezas da terra.

‘O gás chega ao lago mas não forma bolhas, pois o peso da água é tamanho que o dissolve, por isso não o vemos. Mas se a pressão é liberada de repente, o gás brota de maneira explosiva’, diz.

Algo parecido a agitar uma garrafa de champanha e logo estourar a rolha.

Bomba-relógio
Os cientistas comprovaram que a teoria de Sigurdsson – conhecida como fenômeno do lago explosivo – é correta e se questionaram como o lago concentra níveis tão altos de CO2.

Os cientistas descobriram que os lagos acumulavam CO2 sob os seus leitos e que, à media que a concentração crescia, eles se transformavam em uma enorme bomba-relógio química. Mas o que detonava essa ‘explosão’?

Há várias teorias sobre o que agiu como detonador no caso do lago Nyos. Uma delas é a de que a tragédia foi desencadeada por uma queda da parede da cratera que abriga o lago.

Nyos continua sendo uma ameaça em potencial para quem vive na área. No entanto, agora ele tem um sistema de tubos que ajuda a aliviar a pressão, fazendo com que o gás se disperse.

O desastre de Nyos fez com que todos os lagos profundos da África e da Indonésia fossem examinados. A conclusão a que se chegou foi a de que todos eram seguros, exceto um: o lago Kivu, em Ruanda.

O lago, na fronteira com a República Democrática do Congo, é um dos maiores e mais profundos do continente – e milhares de pessoas vivem no seu entorno.

No entanto, a única coisa que poderia detonar uma liberação mortífera de gás seria um incidente geológico em grandes proporções.

O problema é que o lago Kivu está localizado justamente em uma zona de terremotos e rodeado de vulcões, incluindo o monte Nyiragongo.

Lago Nyos  (Foto: BBC)

Lago Nyos (Foto: BBC)

Fonte: BBC


18 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Floresta intercalada a plantações de cana reduz emissões de CO2

O Brasil precisa ter áreas significativas de florestas ao redor das plantações de cana para ter mais eficiência no sequestro de carbono.

Essa é a conclusão de um grupo de cientistas liderado pelo biólogo da USP Marcos Buckeridge, diretor científico do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia.

Em artigo aprovado pela revista Global Change Biology Bioenergy, ele e colegas afirmam que áreas florestais intercaladas com a cana, técnica batizada de caminho de meio, reduziria o impacto da produção quanto às emissões de carbono.

Isso aconteceria principalmente onde ainda são feitas queimadas após a colheita.

EMISSÕES

Hoje, 75% das emissões de carbono do Brasil vêm da atividade agropecuária.

A cana consegue absorver cerca de 7,4 toneladas de carbono por hectare a cada ano.

Em média, estima-se que a plantação emita 800 kg de carbono a mais por ano do que é capaz de absorver, por causa das emissões do transporte e da queima.

As florestas absorvem 17 vezes mais: 140 toneladas ao ano. Essa taxa é ainda maior nas florestas mais novas (de até 30 anos) e em fase de crescimento.

Os pesquisadores querem agora a área de floresta necessária para reduzir os impactos da produção.

Vamos levantar quantas florestas ainda existem na região dos canaviais de São Paulo para ver quanto mais teríamos de plantar, afirma Buckeridge.

Ele participou de um evento internacional da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) sobre Bioetanol, que vai até amanhã, em Campos do Jordão (SP).

O biólogo quer calcular quanto carbono é armazenado por esses fragmentos de floresta e analisar os benefícios que a presença de áreas florestadas podem trazer ao cultivo.

Esse trabalho será feito em parceria com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e deve ficar pronto em dois meses.

É uma pena não termos os dados antes da votação do Código Florestal [que tramita no Senado].

O novo código prevê a redução de áreas florestais para aumentar atividade agropecuária em regiões como margens de rios.


Fonte: Sabine Righetti, enviada a Campos de Jordão(SP), Folha.com


12 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas tentam desvendar queda na emissão do gás metano

Mais poderoso que o CO2, envio de gás à atmosfera foi baixo por 20 anos.
Emissão de um dos causadores do efeito estufa voltou a crescer em 2006.

Os níveis atmosféricos de metano, gás de efeito estufa 20 vezes mais poderoso que o CO2 na captura de calor, permaneceram estáveis por duas décadas até 2006 devido a um maior uso de fertilizantes no cultivo de arroz ou também devido a um aumento na demanda por gás natural, de acordo com dois estudos publicados nesta quinta-feira (11) na revista Nature.

O climatologista Fuu Ming Kai, do centro de pesquisa Massachusetts Institute of Technology (MIT) em Cingapura afirma no estudo que a produção de metano nos campos de arroz do Hemisfério Norte caiu durante o período, tendo sido substituído por esterco (que utiliza menor quantidade de água).

No segundo estudo, Murat Aydin, da Universidade da Califórnia, conclui que a queda nas emissões de metano decorre de uma queima mais eficiente dos combustíveis fósseis, além de aumento na demanda por gás natural.

As pesquisas visam resolver um quebra-cabeça que tem confundido os cientistas climáticos há algum tempo: por que os níveis de metano na atmosfera, depois de crescerem constantemente por muitos anos, caiu em meados dos anos 1980 em um mergulho que durou duas décadas?

Esclarecimento
Resolver o enigma é crucial, porque os níveis de metano aumentaram mais de 150% desde o início da Revolução Industrial e voltaram a crescer novamente. O CO2, por exemplo, cresceu 40% no período. Embora os estudos cheguem a conclusões diferentes, eles apontam as atividades humanas como a razão para a desaceleração. “Em geral, a maioria das emissões de metano vem do Hemisfério Norte”, disse Fuu.

As principais fontes de metano são provenientes da queima de combustíveis fósseis, arrozais, minas de carvão, pecuária, além da derrubada e queima de florestas tropicais. Fuu afirma que a explicação para a desaceleração dos níveis de metano entre os hemisférios é proveniente da queda de emissões da agricultura na Ásia, ao longo das três últimas décadas.

Murat Aydin afirmou que a queda coincidiu com a produção de gás natural, combustível que se tornou mais competitivo que o petróleo e outros combustíveis fósseis.

“Nós especulamos que a valorização econômica do gás natural durante o final do século 20 e da implantação de tecnologias limpas levou a fortes reduções na liberação de hidrocarbonetos leves na atmosfera”, afirma o estudo.

Fonte: Da Reuters


10 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Esponjas marinhas retêm maior parte de nutrientes do oceano

As esponjas marinhas retêm 88% do silício do oceano, um nutriente fundamental para a proliferação de microalgas (diatomáceas) e da vida marinha, segundo um estudo do CSIC (Centro Superior de Pesquisas Científicas), da Espanha, divulgado nesta terça-feira.

O levantamento, coordenado pelo pesquisador Manuel Maldonado, contradiz o que se pensava até o momento, de que a maior parte do silício do ecossistema estava nas diatomáceas do plâncton.

Agora se sabe que a quantidade de silício utilizado pelas microalgas nos sistemas litorâneos poderia ser muito inferior ao que se pensava até agora.

“O silício faz com que o mar seja mais produtivo e rico em vida porque facilita a proliferação das diatomáceas. Estas microalgas absorvem grandes quantidades de CO2 atmosférico, paliando o efeito estufa e o aquecimento global de nossa atmosfera”, destaca Maldonado.

O cientista ressalta a importância das conclusões obtidas, já que o modelo aceito até agora estabelecia que as diatomáceas eram “os únicos organismos que controlavam biologicamente a passagem do silício pelo oceano”.

O estudo, publicado na “Nature Scientific Reports”, dá às esponjas um papel muito mais importante, o que contribui para reajustar a visão tradicional, relataram os pesquisadores do CSIC.

Além disso, demonstra que as esponjas capturam silício da água mediante um sistema que não parece ter evoluído nos últimos cem milhões de anos.

Cada esponja pode incorporar silício durante milênios, enquanto as diatomáceas do plâncton “só o acumulam durante alguns dias”.

Fonte: Da EFE


4 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Aumenta uso de madeira como alternativa à energia nuclear

A demanda por madeira destinada à produção de energia aumenta de maneira estável, e os analistas do setor acreditam que a tendência será reforçada com a decisão de alguns países industrializados de privilegiar fontes de energia renováveis e limpas frente à nuclear.

É o que revela a revista anual do mercado de produtos florestais da Unece (Comissão Econômica da ONU para a Europa), que indica que o consumo de produtos florestais subiu 5,6% em 2010 nas regiões da América do Norte, Europa e em países do antigo bloco soviético.

O posicionamento sobre matéria energética mudou em certos países europeus após o acidente nuclear de Fukushima –como o anúncio da Alemanha de abandonar totalmente a energia atômica até 2022–, mas também o aumento do preço do petróleo e do carvão impulsionou fortemente o mercado madeireiro.

Esta matéria-prima é reconhecida como uma fonte de energia renovável e neutra do ponto de vista das emissões de dióxido de carbono.

O crescimento mais marcante experimentado nos últimos anos são dos “pellets” de madeira (serragem compactada que apresenta um fator de combustão elevado), utilizados para a geração de eletricidade, segundo a publicação.

De uma capacidade de produção de 9 milhões de toneladas em nível mundial –a metade na Europa– passou para 16 milhões de toneladas no ano passado, 2 milhões menos que a capacidade total calculada.

Estima-se que este ano a produção alcançará os 20 milhões de toneladas e que o aumento anual do consumo será da ordem de 11% até 2020.

Esta tendência, no entanto, pode resultar inquietante para outros setores, por isso que envolveria em termos de abastecimento e do preço da madeira, reconheceu Douglas Clark, analista da Unece.

CONSUMO

A Europa é o primeiro consumidor de “pellets”, com Suécia como o maior comprador com 20% do total mundial.

O primeiro exportador e principal abastecedor mundial é o Canadá, embora o organismo considere que esta situação evoluirá com o desenvolvimento das capacidades de produção na Rússia.

A revista avalia como “destacável” o crescimento do setor florestal na China na última década, onde a produção duplicou nos últimos cinco anos, alcançando US$ 300 bilhões em 2010.

Entre 2009 e 2010, a produção de produtos florestais na China aumentou 29% e se transformou já no primeiro produtor mundial de tabuleiros de madeira.

Além disso, nos dez últimos anos duplicou a de papel, polpa e papelão, dos quais agora produz 25% do total mundial.

Os analistas classificam a madeira como matéria muito “versátil”. Além dos produtos mais óbvios que podem ser extraídos dela, também participa da produção de têxteis, aditivos alimentícios (com base em celulose), telas ópticas para computadores portáteis, celulares, entre outros artigos.

Fonte: Da EFE


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