10 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Isolamento geográfico permitiu rápida evolução de dinossauros na América do Norte

Novo estudo analisa as alterações geológicas e a relação com o desenvolvimento natural de herbívoros com chifres e da espécie bico-de-pato

O surgimento da cordilheira das Montanhas Rochosas pode ter impulsionado a evolução dosdinossauros que viviam na América Norte, na região onde hoje fica o oeste americano. A hipótese foi publicada no periódico científico Plos One.

Essa nova constatação, feita por pesquisadores americanos e alemães, explica os padrões já detectados de evolução e migração de espécies de dinossauros, como os bico-de-pato e herbívoros de chifres, no período que antecedeu a extinção da espécie, há 65 milhões de anos.

“No último século, paleontologistas descobriram uma variedade de fósseis de dinossauros que viveram há 75 milhões de anos. Mas no período que antecede a queda do asteroide na Terra e o fim do período Cretáceo (hipótese mais aceita para a extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos), havia poucas espécies destes animais na América do Norte”, disse Terry Gates, pós-doutor na Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, líder da pesquisa feita em conjunto com a universidade da Carolina do Norte e do Museu de Paleontologia e Geologia de Bavaria, na Alemanha.

Para preencher essa lacuna evolutiva, os pesquisadores passaram a fazer o registro geológico do oeste da América do Norte em busca de respostas.

Mudanças geológicas - A descoberta mostrou um quadro de profunda mudança geológica. Durante o início e em meados do período Cretáceo, o magma no interior do manto terrestre levantou o solo no oeste dos Estados Unidos, criando uma enorme cadeia de montanhas.

A área ao leste da cordilheira foi pressionada para baixo, e fez surgir um banco de areia e o Mar Interior Ocidental, que inundou o continente a partir do Ártico Canadense até o Golfo do México. Isso cortou o continente em três grandes ilhas ao norte, leste e oeste. Com a divisão, os dinossauros do oeste ficaram para uma ilha conhecida como Laramídia.

Juntos e mais diversos - A nova descoberta permite compreender como os dinossauros evoluíram em uma ilha após tamanha alteração na geografia, restringindo-os à ilha de Laramídia.

“Nossa hipótese é que esse isolamento facilitou uma rápida especialização e aumentou a diversidade nos animais”, explicou Albert Prieto-Márquez, colaborador da pesquisa.

As novas espécies de bico-de-pato e de dinossauros com chifres foram nascendo a uma taxa impressionante ao longo dos 100 mil anos entre a formação das montanhas e a extinção dos dinossauros, segundo os pesquisadores. “O isolamento das populações permitiu que as espécies evoluíssem novos recursos mais rapidamente, especialmente em detalhes de ornamentação do crânio, como cristas na cabeça e chifres”, disse Gates.

Segunda alteração - Mais tarde, uma das placas tectônicas sob a costa mudou de posição e forçou o surgimento de outra cordilheira, uma espécie de prenúncio das Montanhas Rochosas, ao leste. Essa segunda mudança geológica abriu amplo território para que os dinossauros se locomovessem, reduzindo novamente a rapidez da evolução da espécie.

As mudanças geográficas não só impactaram na diversidade dos dinossauros na América do Norte, mas também podem ter tido reflexos em outras partes do mundo, interrompendo rotas de migração e abrindo outras para a Ásia e América do Sul.

Dinossauros com bico-de-pato evoluíram mais rapidamente ao ter o habitat isolado geograficamente

Dinossauros com bico-de-pato evoluíram mais rapidamente ao ter o habitat isolado geograficamente (Thinkstock)

Diagrama ilustra a diversificação de dinossauros bico-de-pato e os dinossauros com chifres durante o Cretáceo, como resultado do surgimento do mar do interior e a elevação da montanha. A escala de tempo geológico está à esquerda do diagrama em verde. À direita, silhuetas da América do Norte com áreas cobertas por água do mar durante cada um dos períodos de tempo. Lindsay Zanno


10 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Redução da biodiversidade causa impactos tão graves quanto a poluição e as mudanças climáticas

No topo da lista de problemas ambientais mais urgentes, constam questões como as mudanças climáticas, o buraco na camada de ozônio e a poluição ambiental, devido aos efeitos que esses fenômenos podem causar no planeta. A perda da biodiversidade é, em geral, deixada em segundo plano, vista mais como um reflexo das agressões do que como uma causa de mais problemas. A pesquisa “A global synthesis reveals biodiversity loss as a major driver of ecosystem change” divulgada dia 2 de maio na revista científica Nature, contudo, alerta que, na natureza, diversidade significa quantidade e qualidade. De acordo com o grupo de várias universidades dos Estados Unidos envolvidas na análise, a diminuição da variedade de espécies animais e vegetais é tão nociva à produtividade dos ecossistemas quanto a poluição e as alterações no clima.

Para mensurar os efeitos da redução da biodiversidade no ambiente, os pesquisadores analisaram dados de 192 estudos anteriores sobre todas as regiões do mundo, incluindo oceanos e ecossistemas de água doce. O resultado da análise mostra que, em áreas onde ocorre a perda de 21% a 40% da variedade de espécies — seja por desmatamento, caça ou pesca predatórias, por exemplo — há redução na produtividade semelhante à sentida por causa das mudanças climáticas ou pela poluição ambiental. E diminuições mais altas, entre 41% e 60%, são tão nocivas quanto a acidificação ou a elevação intensa na produção de dióxido de carbono (CO2).

O pesquisador norte-americano Bruce Hungate, da Universidade do Norte do Arizona, explica que, além de um efeito direto, relacionado à perda de espécies, a queda da biodiversidade gera um enfraquecimento de todo o ecossistema. “Extinções definitivas. É triste perder definitivamente a diversidade biológica. Nosso novo trabalho mostra que esses efeitos são tão grandes quanto outras formas de mudança global”, conta o cientista. “Quando o ambiente perde a metade das espécies vegetais em uma área, o crescimento da planta é afetado como se ela tivesse sido banhada em chuva ácida”, alerta.

A gama de dados analisados permitiu aos pesquisadores constatarem que nenhuma região está a salvo. “Pode até haver ecossistemas que são mais ou menos sensíveis, mas em todos onde há dados disponíveis existe um padrão geral de que a perda de espécies tem impactos grandes”, explica Hungate. “Encontramos efeitos bastante consistentes de perda de diversidade em água doce, terrestres e dos ecossistemas marinhos no conjunto de estudos que avaliamos. Em média, há perdas de aproximadamente 13% na produtividade com uma redução de 50% da diversidade. Muitos de nós ficamos surpresos com a força dos efeitos em relação às outras alterações ambientais que avaliamos”, afirma David Hooper, pesquisador da Universidade de Washington Ocidental e líder do estudo divulgado na “Nature”.

Embora os pesquisadores já soubessem que a perda de diversidade reduz a produtividade dos ecossistemas, esse foi o primeiro grande estudo a mensurar esse prejuízo. “Nós já sabíamos há muito tempo que a biodiversidade afeta a produtividade e a sustentabilidade dos ecossistemas”, explica Bradley Cardinale, especialista da Universidade de Michigan. “Já sabíamos que a perda de diversidade pode comprometer os bens e serviços que os ecossistemas prestam, como alimentos, água potável e um clima estável. Mas não sabíamos como a perda de diversidade é importante comparada aos outros problemas ambientais que enfrentamos. Bem, agora sabemos que está entre os cinco maiores problemas ambientais globais.”

Vista normalmente como uma consequência de outros problemas ambientais, a queda da variedade de espécies, segundo os pesquisadores, passa a ter um papel de protagonista do processo. “Onde eu moro, perto do Puget Sound, no estado de Washington (Estados Unidos), temos aproximadamente 25 espécies ameaçadas de extinção, desde flores pequenas ao rei salmão e a baleias orca”, relata David Hooper. “Embora algumas dessas espécies possam desaparecer para sempre com apenas um sussurro, outras são muito importantes, economicamente e culturalmente. Sua extinção representaria uma grande perda de renda para pessoas que dependem, por exemplo, da pesca e do turismo”, completa.

O líder do estudo afirma ainda que os efeitos da redução da diversidade ameaçam direta a humanidade. “Se pensarmos sobre a biodiversidade de forma mais ampla, a perda de componentes da paisagem-chave pode botar em risco as pessoas”, opina. “Por exemplo, perda de matas ciliares pode pôr em perigo vidas humanas, por meio da perda de controle de inundações, e a sustentabilidade social, afetando a proteção de fontes de água fresca”, enumera Hooper.

A visão mais ampla, de que as questões ambientais têm impactos tanto no ambiente quanto diretamente no desenvolvimento social, como descrevem os pesquisadores, será o tema principal da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que ocorre entre 13 e 22 de junho no Rio de Janeiro. Apesar de avanços recentes, biodiversidade ainda é um dos temas mais problemáticos, que devem despertar maior debate durante o evento. “Temos que nos dar conta de que estamos observando uma perda da biodiversidade sem precedentes nos últimos 65 milhões de anos. Claramente estamos entrando na sexta extinção em massa (do planeta)”, disse à agência de notícias France-Presse Bob Watson, ex-chefe do painel climático da ONU e principal assessor do ministério britânico de Meio Ambiente.

Em ecologia, produtividade refere-se à taxa de geração de biomassa em um ecossistema. É geralmente expressa em unidades de massa por unidade de superfície de tempo, por exemplo: gramas por metro quadrado por dia. Quanto mais biomassa, maior a capacidade do bioma em se manter e prover serviços ecológicos, como fornecer água e alimento.

Fonte: Mater Natura


2 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Fêmeas exigentes garantem diversidade de espécies, diz estudo

Fêmeas gastam energia escolhendo o macho ideal.
Mecanismo ajuda a determinar os limites entre as áreas de cada espécie.

Ser exigente faz parte da natureza feminina. O que a mulher faz quando sonha com o homem perfeito não é muito diferente do que fazem as fêmeas de outras espécies.

Um estudo publicado neste domingo pela revista científica “Nature” mostra que esta postura é necessária para a sobrevivência das espécies e para a biodiversidade. A pesquisa foi conduzida por especialistas da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, e do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados, na Áustria.

Estas fêmeas exigentes procuram sua cara-metade. Por isto, buscam machos com características específicas, parecidas com elas. Mas elas gastam muita energia escolhendo este macho ideal e evitando os demais candidatos, o que acaba reduzindo a taxa de natalidade da espécie.

O mecanismo ajuda a determinar os limites entre as áreas de cada espécie. Dentro de um mesmo habitat, há diferentes pontos que concentram determinados recursos. A preferência das fêmeas passa pela exploração destes recursos.

Elas não se interessariam por machos que fazem uso de recursos diferentes do mesmo habitat. Segundo os autores, é desta forma que espécies diferentes conseguiram se adaptar ao mesmo ambiente, mantendo a biodiversidade – como, por exemplo, sapos, peixes e insetos em um pântano.

Fonte: Globo Natureza


27 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Reunião da CDB discute áreas marinhas significativas

O Ministério do Meio Ambiente (MMA), em parceria com o ICMBio e apoio da Petrobras e Banco Mundial, está recepcionando o evento da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), que vem organizando eventos regionais para Identificar Áreas Marinhas Ecologicamente ou Biologicamente Significativas (EBSAS). Como parte da programação, será realizado o workshop para a região do Grande Caribe e Meio Atlântico Oeste, de 28 de fevereiro a 2 de março, no Mar Hotel Recife, na capital pernambucana.

O evento é restrito a especialistas convidados pela própria Convenção, que reunirá 21 representantes de países do Caribe e da região do Atlântico que fazem parte da CDB, além de representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) e agências especializadas como a Unep Caribe, o Secretariado Regional de Pesca para o Caribe, a União Europeia, IUCN, Birdlife International, Fórum e Rede de Áreas Marinhas Protegidas do Caribe, entre outros.

O objetivo da reunião é identificar e auxiliar a descrição das áreas marinhas com significado ecológico e biológico (EBSAs) por meio da aplicação de critérios científicos discutidos e aprovados pela COP-10 de Nagoya, além de outros critérios relevantes e complementares acordados tanto no âmbito nacional quanto intergovernamental e das orientações científicas na identificação de áreas marinhas protegidas além das jurisdições nacionais.

Os resultados do evento serão apresentados na próxima reunião do Subsidiary Body on Scientific, Technical and Technological Advice (SBSTTA) da CDB, em maio, em Montreal, e na 11ª Reunião das Partes da CDB, em outubro de 2012, na Índia.

Fonte: MMA


28 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Mudança climática tem relação com evolução de animais pré-históricos

Fósseis podem ajudar a compreender como aquecimento nos influencia.
Estudo foi publicado pela revista científica ‘PNAS’.

Os parentes do rinoceronte retratados na imagem são os brontotérios, que viveram entre 56 milhões e 34 milhões de anos (Foto: Carl Buell/Cortesia)

Os parentes do rinoceronte retratados na imagem são os brontotérios, que viveram entre 56 milhões e 34 milhões de anos (Foto: Carl Buell/Cortesia)

Apesar de ter entrado em evidência só nos últimos anos, a mudança global é um fator determinante para a natureza desde muito, muito tempo. Nos últimos 65 milhões de anos, pelo menos seis espécies diferentes tiveram sua sorte determinada por alterações na temperatura, segundo um estudo publicado na edição online desta segunda-feira (26) da revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)”.

Desde que os dinossauros desapareceram, o domínio da Terra vem sendo revezado por diferentes grupos de mamíferos, que atingiram o auge e decaíram. Essas ondas consecutivas de diversidade de espécies de mamíferos são chamadas de “faunas evolucionárias”.

“Nós mostramos que a ascensão e queda dessas faunas estão, de fato, correlacionadas à mudança climática – aumento ou diminuição das paleotemperaturas globais – e também é influenciada por outras perturbações mais locais, como eventos migratórios”, diz Christine Janis, uma das autoras do estudo, em material divulgado pela Universidade Brown, em Providence, nos EUA, onde ela trabalha.

A pesquisa pode ajudar os cientistas a entender melhor a relação entre a evolução e a mudança climática, mas não ainda deve permitir previsões específicas para o futuro, com a perspectiva de aumento constante da temperatura, sob influência humana, segundo Janis.

“Tais perturbações, relacionadas à mudança climática antropogênica, estão atualmente desafiando a fauna de todo o mundo, enfatizando a importância do registro fóssil para a nossa compreensão de como os eventos do passado afetaram a história da diversificação e extinção da fauna e, portanto, de como as mudanças climáticas do futuro continuarão a influenciar a vida na Terra”, conclui o artigo.

Fonte: G1, São Paulo


27 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Brasil reivindica extensão maior da Amazônia Azul

São 3,5 milhões de quilômetros quadrados, aos quais o Brasil quer somar mais 960 mil quilômetros quadrados de área em águas internacionais, que seriam extensão da plataforma continental brasileira.

Um território pouco explorado, com a mesma extensão de área da Amazônia Legal, rico em biodiversidade e recursos naturais. Um mundo submarino com vastas reservas de ouro, diamante, fosfatos, cobalto, entre outras riquezas repousam nesse local. É a Amazônia Azul, assim batizada pela Marinha Brasileira, e que inclui o mar territorial e a Zona Econômica Exclusiva da plataforma continental jurídica brasileira, somando 200 milhas a partir da costa. São 3,5 milhões de quilômetros quadrados, aos quais o Brasil quer somar mais 960 mil quilômetros quadrados de área em águas internacionais, que seriam extensão da plataforma continental brasileira.

 

Para isso, o País pediu em 2004 a extensão de seus direitos econômicos sobre essa área, de acordo com a Convenção das Nações Unidas Sobre o Direito do Mar. Do total pleiteado, 190 mil quilômetros quadrados não foram concedidos pela ONU, que alegou inconsistências no pedido brasileiro. O Brasil agora realiza novos estudos para reapresentar o pleito e conseguir a totalidade da área junto às Nações Unidas.

 

O que esconde o subsolo marinho da Amazônia Azul? Começando pelo básico, areia e cascalho para construção civil e reconstrução de praias. Depois, matéria-prima para insumos agrícolas, como carbonatos, fosforitas e sais de potássio. “O potencial nessa área é grande e o Brasil importa 90% dos fertilizantes usados na agricultura”, destaca Kaiser de Souza, chefe da divisão de geologia marinha do Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Também há possibilidade de se explorar ouro e diamante na foz de rios que cruzam províncias auríferas e diamantíferas. “Especialmente na Foz do Jequitinhonha, na Bahia, e do Rio Gurupi, entre o Maranhão e o Pará.”

 

Outra riqueza potencial da Amazônia Azul são as crostas cobaltíferas, ricas em minerais metálicos, como cobalto, manganês, níquel, cobre e terras raras. “A China, que controla o mercado mundial de terras raras, hoje pesquisa sua plataforma continental e também áreas internacionais do Atlântico Sul”, diz Kaiser. O mapa também aponta reservas de sulfetos polimetálicos, ricos em zinco, ouro e platina, associados à Cordilheira Meso-Oceânica, no Atlântico Sul. “Há ainda petróleo e minerais fósseis, como o carvão no litoral do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina”, afirma Kaiser. “Ou dos hidratos de gás, que são bolsões de gás natural congelados sob a pressão do subsolo, presentes no litoral da Amazônia e do Rio Grande do Sul.”

 

O Brasil não deve esperar um desfecho para seu pedido de extensão dos direitos de exploração marinha para começar sua jornada na Amazônia Azul. Segundo Kaiser, o Brasil está atrasado na corrida internacional pela mineração submarina. “China, Japão, Coreia, Índia, França, Alemanha, Estados Unidos e Inglaterra estão desenvolvendo tecnologia para isso. A Austrália explora sulfetos polimetálicos a 1,6 mil metros de profundidade.”

 

Para acelerar o ritmo, é necessário intensificar as pesquisas iniciadas na última década e investir em tecnologia, bem como criar um marco regulatório adequado para a exploração mineral submarina. “É preciso que tudo isso aconteça simultaneamente”, diz Kaiser. Ele lembra que o Brasil começou a pesquisar a tecnologia de exploração de petróleo em águas profundas há quase quatro décadas e hoje é líder nessa área. “Naquela época, a exploração não era comercialmente viável, exatamente como as reservas minerais da Amazônia Azul, hoje.”

 

Enquanto o governo não avança na regulamentação da exploração na Amazônia Azul, algumas empresas dão os primeiros passos nessa área, explorando algas calcárias do tipo lithotamnium para uso na agricultura e pecuária. É o caso da Dragamar, criada em 2006, para explorar reservas desse material na região de Tutóia, no litoral do Maranhão. No fim de 2010, o Ibama liberou uma licença para a exploração de 500 toneladas do produto por mês. Paulo Wetzel, diretor da empresa, considera o volume pouco atraente do ponto de vista comercial e diz que a empresa entrou com um pedido de aumento nesse limite.

 

Enquanto aguarda a ampliação do limite, a Dragamar investiu de R$ 15 milhões em uma planta industrial na região para processar o material in natura retirado da jazida de Tutóia. “O mercado potencial para o litothamnium é muito promissor”, diz Wetzel. “Estudos realizados por nós, ao longo dos últimos quatro anos, demonstram ganhos expressivos de produtividade tanto na agricultura, como na pecuária, confirmando as enormes vantagens do material, difundido na Europa há séculos. Sendo assim, o mercado exterior também se mostra muito atrativo, principalmente em função da larga utilização que o produto já experimenta nos mercado europeu, asiático e americano.”

 

Outra pioneira da mineração na Amazônia Azul é a TWB Mineração. A empresa, que realiza pesquisas na área há duas décadas, vinha prospectando algas calcárias na região entre o Arquipélago de Trindade e o Espírito Santo. Segundo o gerente-executivo da empresa, Luiz Eduardo Anchieta da Silva, trata-se de uma outra variedade de lithotamniun, mais leve e rica em minerais do que as espécies similares encontradas perto do litoral. “Nossas pesquisas apontam excelentes resultados do produto na fruticultura, na soja e especialmente na cana-de-açúcar.”

 

Apesar do resultado promissor, a TWB amargou um revés. A empresa teve seus alvarás cassados pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DPNM), porque o governo considerou que a atividade estava sendo em áreas internacionais.

Fonte: Valor Econômico


17 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Estudo com armadilhas fotográficas flagra animais em 7 países

Pesquisa pioneira resultou em 52 mil fotos de 105 espécies de mamíferos.
Imagens permitiram comparar conservação em diferentes partes do globo.

A última edição da revista  “Philosophical Transactions of the Royal Society” traz o primeiro estudo mundial com uso de armadilhas fotográficas para registrar a passagem de mamíferos. Na pesquisa, foram documentadas 105 espécies em cerca de 52 mil imagens em sete áreas protegidas nas Américas, África e Ásia. Entre os animais flagrados há de um pequenino rato até um elefante africano, passando por gorilas, pumas, tamanduás – além de caçadores armados.

Armadilhas fotográficas são câmeras que, acionadas por um sensor, disparam na presença de um animal. O trabalho durou mais de dois anos e fez uso de 420 câmeras ocultas em diferentes habitats do mundo.  A análise dos dados fotográficos ajudou os cientistas a confirmarem que a destruição do habitat tem um impacto direto e negativo sobre a diversidade e a sobrevivência dos mamíferos.

O estudo, dirigido pelo cientista colombiano Jorge Ahumada, ecologista do grupo Tropical Ecology, Assessment and Monitoring (Team, na sigla em inglês) Network, da Conservação Internacional.

Para realizar a pesquisa, foram colocadas 420 câmeras em áreas protegidas do Brasil, Costa Rica, Indonésia, Laos, Suriname, Tanzânia e Uganda, sendo 60 em cada local estudado, que permitiram documentar 105 espécies.

Após analisar as fotos feitas entre 2008 e 2010, os cientistas classificaram os animais por espécie, tamanho corporal e dieta, entre outras características.

Em seguida, determinaram que as áreas protegidas de maior extensão e as regiões de selva têm uma maior diversidade de espécies, tamanhos mais variados e animais que mantêm dietas mais diversas (insetívoros, herbívoros, carnívoros e onívoros).

“Os resultados do estudo são importantes, já que confirmam o que já suspeitávamos: a destruição dos habitats está matando – de forma lenta, mas sem dúvida – a diversidade de mamíferos de nosso planeta”, afirmou Ahumada em comunicado divulgado pela organização.

A Conservação Internacional ressalta que 25% do total das espécies de mamíferos está em perigo e, por isso, a pesquisa contribui de forma bastante significativa para o conhecimento científico a respeito de como as ameaças locais como a caça excessiva, a conversão de terras para a agricultura e a mudança climática afetam os mamíferos.

“O que faz com que este estudo seja cientificamente pioneiro é que criamos pela primeira vez informação coerente e comparável dos mamíferos em escala global e estabelecemos assim uma linha de referência eficaz para avaliar a mudança”, explicou o comunicado.

O uso contínuo desta metodologia permitirá comparar as transformações na natureza e tomar medidas específicas para salvar os mamíferos.

Desde 2010, foram instaladas câmeras em novos lugares, o que ampliou a rede de acompanhamento a 17 pontos do Brasil, Panamá, Equador, Peru, Madagascar, Congo, Camarões, Malásia e Índia.

Anta flagrada perto de Manaus no primeiro estudo global de armadilhas fotográficas para mamíferos. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Anta flagrada perto de Manaus no primeiro estudo global de armadilhas fotográficas para mamíferos. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Gorila com filhote na floresta de Uganda. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Gorila com filhote na floresta de Uganda. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Espécie ameaçada de macaco na Indonésia. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Espécie ameaçada de macaco na Indonésia. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

O estudo também flagrou caçadores, como este homem armado no Laos. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

O estudo também flagrou caçadores, como este homem armado no Laos. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Fonte: Do Globo Natureza, com informações de agências


27 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Amazônia: muita diversidade e pouco conhecimento

Para Mauro Armelin é preciso entender estas novas espécies,o papel delas neste habitat e quem sabe transformar tudo isso em ativos econômicos. O número surpreende. Em dez anos, foram descobertas  mais de 1.200 espécies de novas plantas e de animais vertebrados no bioma Amazônia. O montante corresponde a uma nova espécie a cada três dias. Os resultados foram publicados no relatório Amazônia Viva: uma década de descobertas 1999-2009, da Rede WWF. Em entrevista ao iG, Mauro Armelin, coordenador do Programa ao Desenvolvimento Sustentável do WWF-Brasil destaca as dificuldades de ir à campo em busca de novas espécies.

iG: Como são feitas as expedições para descobrir novas espécies?
Mauro Armelin: Não há outra forma de conhecer novas espécies do que ir a campo. A mais usual aqui no Brasil é através dos planos de manejo, quando é preciso conhecer áreas da Amazônia. Nestas expedições nós levamos de 20 a 30 pesquisadores de universidades ou museus de história natural. Normalmente, as expedições nunca levam menos que 15 dias tem esforço de coleta muito grande e muitas vezes temos o apoio do exército para levar os pesquisadores, abrir clareiras na floresta, para os helicópteros descerem, pois, são áreas muito remotas. Os animais servem também como indicadores se a área é bem conservada. Dá para perceber a dinâmica da área.

iG: E que equipamentos vocês utilizam?
Mauro Armelin: Levamos de tudo. Para pássaros, por exemplo, usamos redes especiais, as chamadas redes neblina, que são quase imperceptíveis. Os pássaros ficam enroscados ali, os pesquisadores coletam, analisam e depois devolvem para a natureza. Quando é uma espécie nova, eles acabam ficando com ela para terminar a classificação necessária. Para mamíferos roedores são usadas armadilhas como se fosse uma ratoeira, só que não fatal, que só prende o animal ali.

iG:Que horas as coletas são feitas?
Mauro Armelin: As coletas são feitas durante todo o tempo, cada espécie tem o seu melhor horário. Os pássaros são encontrados com mais facilidade nas primeiras horas da manhã. Alguns roedores saem para se alimentar a noite. A gente tenta buscar os animais justamente nestes horários de alimentação ou reprodução destas espécies para capturá-los.

iG: Como é feita a certificação de uma nova espécie?
Mauro Armelin: É um trabalho exaustivo. Os especialistas batem o olho naquela espécie e identificam se ela é rara, não é raro ou se nunca viram. Aí então eles começam a fazer uma classificação cuidadosa de comparação de características daquele animal ou vegetal. Atrás de cada espécie descoberta há muitas horas de estudo após a coleta.

iG: O alto índice de novas descobertas se deve ao desconheccimento da Amazônia ou a grande diversidade da região?
Mauro Armelin: Existe muito ainda a coletar, conhecer e pesquisar na Amazônia. Para se ter um exemplo, a Floresta Nacional de Altamira é uma área do lado de uma estrada asfaltada, próxima de uma área famosa chamada Terra do Meio – onde morreu a irmã Dorothy [Stang] – e mesmo lá há descoberta de espécies novas. Precisamos ter mais esforço de coleta. Falta muito. Não houve nenhuma expedição que não tenha descoberto um a espécie nova. Eu acho que houve pesquisa de fato em menos de 10% ou 15% da Amazônia Brasileira. O que é muito pouco. Eu acho que nós estamos Nos temos uma área muito extensa fica em países em desenvolvimento, com pouca pesquisa. É uma imensidão e há também pouco esforço de pesquisa.

iG:Qual é importância de descobrir novas espécies?
Mauro Armelin: A importância está em entender o território que a gente tem e também que estas novas espécies são ativos. É preciso entender estas espécies, entender o papel delas neste habitat e quem sabe transformar tudo isso em ativos econômicos. Por enquanto são ativos ambientais, mas futuramente poderão ser ativos econômicos. É o caso do veneno de sapo que é um anestésico fenomenal ou um veneno de cobra que é uma cola muito eficiente usada na forma de adesivos que suturem ferimentos.

iG: Após 10 anos de projeto. Qual é a avaliação e quais são as expectativas do futuro?
Mauro Armelin: A nossa avaliação é de que nós temos pouco registro. Acho que a sociedade dos países amazônicos se apropria pouco do conhecimento que é gerado e também da biodiversidade por si. A expectativa é conseguir aumentar o esforço de coleta, sensibilizar os governos de que nós ainda temos muita coisa a descobrir e também conseguir o apoio mais firme de todos os países para conservar a nossa biodiversidade.

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/meioambiente/amazonia+muita+diversidade+e+pouco+conhecimento/n1237812516749.html

downloads all good things

15 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Brasil vai reafirmar compromisso de proteção dos biomas em conferência da ONU

Quem garante é João de Deus Medeiros, diretor de Florestas da Secretaria da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente (MMA)

O governo brasileiro deve repactuar os compromissos assumidos na Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), durante a 10ª Conferência das Partes (COP-10) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica, que ocorrerá a partir do dia 19, em Nagoya, no Japão.

 

O Brasil havia assumido o compromisso, ao assinar a convenção, de garantir, até 2010, a cobertura, por meio de unidades de conservação, de 10% de proteção de cada bioma e de 30% da Amazônia.

 

A informação foi dada à Agência Brasil pelo diretor de Florestas da Secretaria da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente (MMA), João de Deus Medeiros.

 

Segundo ele, com um percentual menor do que o da Amazônia, a área protegida nos demais biomas ainda está distante do proposto na CDB. “É uma meta que ainda representa um grande desafio para o país. Mas nós acreditamos que há cada vez mais sinais de que isso é uma prioridade defendida pela sociedade. Nós precisamos aprimorar esses mecanismos de negociação para que a sociedade entenda a necessidade e a urgência dessas ações. E, com isso, a gente tenha maior facilidade para efetivar a criação dessas novas áreas”.

life as we know it video

 

Medeiros afirmou que, apesar de não ter cumprido a meta proposta na CDB, o Brasil foi o país que mais contribuiu para a conservação da biodiversidade nos últimos anos. A COP-10 vai trazer ao debate os problemas que estão ameaçando espécies vegetais e animais em todo o mundo. Ele acredita que, na conferência, o país terá maior legitimidade para cobrar os compromissos assumidos pelos outros países, principalmente os desenvolvidos.

 

O diretor de Florestas do ministério lembrou que as nações industrializadas também são signatárias da CDB e, apesar de não terem mais um percentual de biodiversidade muito significativo, têm um papel importante a desempenhar na negociação internacional, para auxiliar os países detentores de biodiversidade a implementar essas ações nos seus territórios.

 

Medeiros disse que os biomas Cerrado e Caatinga são os que apresentam as maiores vulnerabilidades no que diz respeito à conservação, embora a Mata Atlântica tenha sido o bioma mais impactado ao longo do processo histórico brasileiro.

 

“Em biomas como o Cerrado e a Caatinga, nós temos uma situação duplamente complicada, que é uma representatividade ainda baixa e a distribuição, no bioma e nas categorias de proteção e uso sustentável, ainda muito desequilibrada”. Além disso, ele ressaltou a influência da ação humana sobre os biomas, como o agronegócio, que “é um fator de conflito”.

Alana Gandra, da Agência Brasil, 14/10


15 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Biodiversidade desconhecida, editorial de “O Estado de SP”

“É quase total a falta de conhecimento do país sobre sua diversidade marinha – e sem conhecer é impossível proteger”

Leia o editorial:

 

País com mais de 10 mil quilômetros de costa e uma das maiores e mais diversificadas combinações de ecossistemas costeiros e marítimos do mundo, o Brasil apresentará na próxima reunião de avaliação das metas da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) um relatório pobre, que é quase uma confissão: colocou sob proteção legal apenas 1,5% desses ecossistemas, bem menos do que a meta de 10% que havia fixado, e conhece muito pouco de suas espécies marinhas.

 

A décima Conferência das Partes (COP 10) signatárias da CDB – documento aprovado na Conferência Rio-92 – será realizada no fim deste mês na cidade japonesa de Nagoya, com a presença de representantes de mais de 190 países. Eles avaliarão quanto se avançou no cumprimento das metas de preservação da fauna e da flora assumidas nas reuniões anteriores e definirão objetivos para os próximos dez anos.

 

Uma das metas mais relevantes anunciadas pelo Brasil era colocar 30% da Amazônia sob alguma forma de proteção legal. Esta foi alcançada, até com alguma folga, pois mais de 40% da área florestal está protegida, segundo o relatório a ser apresentado em Nagoya pelo governo brasileiro. A área protegida inclui terras indígenas e unidades de conservação estaduais e federais, como mostrou o repórter Herton Escobar, na edição de 3 de outubro do Estado.

 

Mas uma área de grande importância ambiental e econômica, os 4,2 milhões de quilômetros quadrados de território brasileiro cobertos pelo mar, continuou esquecida. Da pequena fatia de ecossistemas que o país conseguiu colocar sob proteção, a maior parte está em ambientes terrestres ligados ao mar, como restingas, praias e manguezais.

 

Não há nenhuma área de conservação inteiramente coberta pelo mar. O Ministério do Meio Ambiente reconhece que o bioma marinho constituiu “a grande lacuna” do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc).

 

A biodiversidade marinha brasileira já conhecida é considerada relativamente pobre, quando comparada à de outros países. Mesmo assim, estima-se que estão no Brasil cerca de 6% das espécies existentes no mundo de invertebrados “não insetos”, a maioria dos quais vive no mar.

 

Pobreza muito maior do que a de espécies marinhas é a de pesquisas e de pesquisadores, diz o biólogo Antonio Marques, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. “Considero isso uma vergonha”, confessa. Além de escasso, o conhecimento é muito concentrado geograficamente. As pesquisas se limitam ao litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. “Sobre o Nordeste, ainda sabemos muito pouco. E, sobre o Norte, quase nada.”

 

É quase total a falta de conhecimento do país sobre sua diversidade marinha – e sem conhecer é impossível proteger.

 

É difícil, porém, dizer que o desconhecimento seja o pior dos aspectos da ação do governo brasileiro na preservação da biodiversidade marinha. Nos poucos casos de conhecimento relativamente extenso de espécies marinhas, que geralmente são as de maior valor comercial, pouco ou nada se faz para protegê-las.

 

Entre 1995 e 2006, o governo executou o Programa de Avaliação do Potencial dos Recursos Vivos da Zona Econômica Exclusiva, que era mais um balanço do estoque pesqueiro do que uma tentativa de conhecimento da biodiversidade marinha. O programa constatou que cerca de 80% das espécies pescadas comercialmente eram sobre-exploradas ou plenamente exploradas.

 

Desde a conclusão do estudo, nada foi feito ou anunciado pelo governo para assegurar a recuperação desses estoques. “A gestão pesqueira no Brasil está um caos”, diz o pesquisador José Angel Alvarez Perez, da Universidade do Vale do Itajaí, de Santa Catarina. O caos é o resultado prático da ação de um governo que não tem uma política definida para a área.

 

De um lado, o Ministério do Meio Ambiente busca assegurar a manutenção dos estoques das espécies de maior valor comercial; de outro, o Ministério da Pesca estimula a pesca, sem levar em conta a ameaça à sobrevivência das espécies.

 

Esse conflito mostra que falta ao governo um rumo na questão da biodiversidade marinha.

(O Estado de SP, 12/10)






Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

julho 2018
S T Q Q S S D
« mar    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

10 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Isolamento geográfico permitiu rápida evolução de dinossauros na América do Norte

Novo estudo analisa as alterações geológicas e a relação com o desenvolvimento natural de herbívoros com chifres e da espécie bico-de-pato

O surgimento da cordilheira das Montanhas Rochosas pode ter impulsionado a evolução dosdinossauros que viviam na América Norte, na região onde hoje fica o oeste americano. A hipótese foi publicada no periódico científico Plos One.

Essa nova constatação, feita por pesquisadores americanos e alemães, explica os padrões já detectados de evolução e migração de espécies de dinossauros, como os bico-de-pato e herbívoros de chifres, no período que antecedeu a extinção da espécie, há 65 milhões de anos.

“No último século, paleontologistas descobriram uma variedade de fósseis de dinossauros que viveram há 75 milhões de anos. Mas no período que antecede a queda do asteroide na Terra e o fim do período Cretáceo (hipótese mais aceita para a extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos), havia poucas espécies destes animais na América do Norte”, disse Terry Gates, pós-doutor na Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, líder da pesquisa feita em conjunto com a universidade da Carolina do Norte e do Museu de Paleontologia e Geologia de Bavaria, na Alemanha.

Para preencher essa lacuna evolutiva, os pesquisadores passaram a fazer o registro geológico do oeste da América do Norte em busca de respostas.

Mudanças geológicas - A descoberta mostrou um quadro de profunda mudança geológica. Durante o início e em meados do período Cretáceo, o magma no interior do manto terrestre levantou o solo no oeste dos Estados Unidos, criando uma enorme cadeia de montanhas.

A área ao leste da cordilheira foi pressionada para baixo, e fez surgir um banco de areia e o Mar Interior Ocidental, que inundou o continente a partir do Ártico Canadense até o Golfo do México. Isso cortou o continente em três grandes ilhas ao norte, leste e oeste. Com a divisão, os dinossauros do oeste ficaram para uma ilha conhecida como Laramídia.

Juntos e mais diversos - A nova descoberta permite compreender como os dinossauros evoluíram em uma ilha após tamanha alteração na geografia, restringindo-os à ilha de Laramídia.

“Nossa hipótese é que esse isolamento facilitou uma rápida especialização e aumentou a diversidade nos animais”, explicou Albert Prieto-Márquez, colaborador da pesquisa.

As novas espécies de bico-de-pato e de dinossauros com chifres foram nascendo a uma taxa impressionante ao longo dos 100 mil anos entre a formação das montanhas e a extinção dos dinossauros, segundo os pesquisadores. “O isolamento das populações permitiu que as espécies evoluíssem novos recursos mais rapidamente, especialmente em detalhes de ornamentação do crânio, como cristas na cabeça e chifres”, disse Gates.

Segunda alteração - Mais tarde, uma das placas tectônicas sob a costa mudou de posição e forçou o surgimento de outra cordilheira, uma espécie de prenúncio das Montanhas Rochosas, ao leste. Essa segunda mudança geológica abriu amplo território para que os dinossauros se locomovessem, reduzindo novamente a rapidez da evolução da espécie.

As mudanças geográficas não só impactaram na diversidade dos dinossauros na América do Norte, mas também podem ter tido reflexos em outras partes do mundo, interrompendo rotas de migração e abrindo outras para a Ásia e América do Sul.

Dinossauros com bico-de-pato evoluíram mais rapidamente ao ter o habitat isolado geograficamente

Dinossauros com bico-de-pato evoluíram mais rapidamente ao ter o habitat isolado geograficamente (Thinkstock)

Diagrama ilustra a diversificação de dinossauros bico-de-pato e os dinossauros com chifres durante o Cretáceo, como resultado do surgimento do mar do interior e a elevação da montanha. A escala de tempo geológico está à esquerda do diagrama em verde. À direita, silhuetas da América do Norte com áreas cobertas por água do mar durante cada um dos períodos de tempo. Lindsay Zanno


10 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Redução da biodiversidade causa impactos tão graves quanto a poluição e as mudanças climáticas

No topo da lista de problemas ambientais mais urgentes, constam questões como as mudanças climáticas, o buraco na camada de ozônio e a poluição ambiental, devido aos efeitos que esses fenômenos podem causar no planeta. A perda da biodiversidade é, em geral, deixada em segundo plano, vista mais como um reflexo das agressões do que como uma causa de mais problemas. A pesquisa “A global synthesis reveals biodiversity loss as a major driver of ecosystem change” divulgada dia 2 de maio na revista científica Nature, contudo, alerta que, na natureza, diversidade significa quantidade e qualidade. De acordo com o grupo de várias universidades dos Estados Unidos envolvidas na análise, a diminuição da variedade de espécies animais e vegetais é tão nociva à produtividade dos ecossistemas quanto a poluição e as alterações no clima.

Para mensurar os efeitos da redução da biodiversidade no ambiente, os pesquisadores analisaram dados de 192 estudos anteriores sobre todas as regiões do mundo, incluindo oceanos e ecossistemas de água doce. O resultado da análise mostra que, em áreas onde ocorre a perda de 21% a 40% da variedade de espécies — seja por desmatamento, caça ou pesca predatórias, por exemplo — há redução na produtividade semelhante à sentida por causa das mudanças climáticas ou pela poluição ambiental. E diminuições mais altas, entre 41% e 60%, são tão nocivas quanto a acidificação ou a elevação intensa na produção de dióxido de carbono (CO2).

O pesquisador norte-americano Bruce Hungate, da Universidade do Norte do Arizona, explica que, além de um efeito direto, relacionado à perda de espécies, a queda da biodiversidade gera um enfraquecimento de todo o ecossistema. “Extinções definitivas. É triste perder definitivamente a diversidade biológica. Nosso novo trabalho mostra que esses efeitos são tão grandes quanto outras formas de mudança global”, conta o cientista. “Quando o ambiente perde a metade das espécies vegetais em uma área, o crescimento da planta é afetado como se ela tivesse sido banhada em chuva ácida”, alerta.

A gama de dados analisados permitiu aos pesquisadores constatarem que nenhuma região está a salvo. “Pode até haver ecossistemas que são mais ou menos sensíveis, mas em todos onde há dados disponíveis existe um padrão geral de que a perda de espécies tem impactos grandes”, explica Hungate. “Encontramos efeitos bastante consistentes de perda de diversidade em água doce, terrestres e dos ecossistemas marinhos no conjunto de estudos que avaliamos. Em média, há perdas de aproximadamente 13% na produtividade com uma redução de 50% da diversidade. Muitos de nós ficamos surpresos com a força dos efeitos em relação às outras alterações ambientais que avaliamos”, afirma David Hooper, pesquisador da Universidade de Washington Ocidental e líder do estudo divulgado na “Nature”.

Embora os pesquisadores já soubessem que a perda de diversidade reduz a produtividade dos ecossistemas, esse foi o primeiro grande estudo a mensurar esse prejuízo. “Nós já sabíamos há muito tempo que a biodiversidade afeta a produtividade e a sustentabilidade dos ecossistemas”, explica Bradley Cardinale, especialista da Universidade de Michigan. “Já sabíamos que a perda de diversidade pode comprometer os bens e serviços que os ecossistemas prestam, como alimentos, água potável e um clima estável. Mas não sabíamos como a perda de diversidade é importante comparada aos outros problemas ambientais que enfrentamos. Bem, agora sabemos que está entre os cinco maiores problemas ambientais globais.”

Vista normalmente como uma consequência de outros problemas ambientais, a queda da variedade de espécies, segundo os pesquisadores, passa a ter um papel de protagonista do processo. “Onde eu moro, perto do Puget Sound, no estado de Washington (Estados Unidos), temos aproximadamente 25 espécies ameaçadas de extinção, desde flores pequenas ao rei salmão e a baleias orca”, relata David Hooper. “Embora algumas dessas espécies possam desaparecer para sempre com apenas um sussurro, outras são muito importantes, economicamente e culturalmente. Sua extinção representaria uma grande perda de renda para pessoas que dependem, por exemplo, da pesca e do turismo”, completa.

O líder do estudo afirma ainda que os efeitos da redução da diversidade ameaçam direta a humanidade. “Se pensarmos sobre a biodiversidade de forma mais ampla, a perda de componentes da paisagem-chave pode botar em risco as pessoas”, opina. “Por exemplo, perda de matas ciliares pode pôr em perigo vidas humanas, por meio da perda de controle de inundações, e a sustentabilidade social, afetando a proteção de fontes de água fresca”, enumera Hooper.

A visão mais ampla, de que as questões ambientais têm impactos tanto no ambiente quanto diretamente no desenvolvimento social, como descrevem os pesquisadores, será o tema principal da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que ocorre entre 13 e 22 de junho no Rio de Janeiro. Apesar de avanços recentes, biodiversidade ainda é um dos temas mais problemáticos, que devem despertar maior debate durante o evento. “Temos que nos dar conta de que estamos observando uma perda da biodiversidade sem precedentes nos últimos 65 milhões de anos. Claramente estamos entrando na sexta extinção em massa (do planeta)”, disse à agência de notícias France-Presse Bob Watson, ex-chefe do painel climático da ONU e principal assessor do ministério britânico de Meio Ambiente.

Em ecologia, produtividade refere-se à taxa de geração de biomassa em um ecossistema. É geralmente expressa em unidades de massa por unidade de superfície de tempo, por exemplo: gramas por metro quadrado por dia. Quanto mais biomassa, maior a capacidade do bioma em se manter e prover serviços ecológicos, como fornecer água e alimento.

Fonte: Mater Natura


2 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Fêmeas exigentes garantem diversidade de espécies, diz estudo

Fêmeas gastam energia escolhendo o macho ideal.
Mecanismo ajuda a determinar os limites entre as áreas de cada espécie.

Ser exigente faz parte da natureza feminina. O que a mulher faz quando sonha com o homem perfeito não é muito diferente do que fazem as fêmeas de outras espécies.

Um estudo publicado neste domingo pela revista científica “Nature” mostra que esta postura é necessária para a sobrevivência das espécies e para a biodiversidade. A pesquisa foi conduzida por especialistas da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, e do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados, na Áustria.

Estas fêmeas exigentes procuram sua cara-metade. Por isto, buscam machos com características específicas, parecidas com elas. Mas elas gastam muita energia escolhendo este macho ideal e evitando os demais candidatos, o que acaba reduzindo a taxa de natalidade da espécie.

O mecanismo ajuda a determinar os limites entre as áreas de cada espécie. Dentro de um mesmo habitat, há diferentes pontos que concentram determinados recursos. A preferência das fêmeas passa pela exploração destes recursos.

Elas não se interessariam por machos que fazem uso de recursos diferentes do mesmo habitat. Segundo os autores, é desta forma que espécies diferentes conseguiram se adaptar ao mesmo ambiente, mantendo a biodiversidade – como, por exemplo, sapos, peixes e insetos em um pântano.

Fonte: Globo Natureza


27 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Reunião da CDB discute áreas marinhas significativas

O Ministério do Meio Ambiente (MMA), em parceria com o ICMBio e apoio da Petrobras e Banco Mundial, está recepcionando o evento da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), que vem organizando eventos regionais para Identificar Áreas Marinhas Ecologicamente ou Biologicamente Significativas (EBSAS). Como parte da programação, será realizado o workshop para a região do Grande Caribe e Meio Atlântico Oeste, de 28 de fevereiro a 2 de março, no Mar Hotel Recife, na capital pernambucana.

O evento é restrito a especialistas convidados pela própria Convenção, que reunirá 21 representantes de países do Caribe e da região do Atlântico que fazem parte da CDB, além de representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) e agências especializadas como a Unep Caribe, o Secretariado Regional de Pesca para o Caribe, a União Europeia, IUCN, Birdlife International, Fórum e Rede de Áreas Marinhas Protegidas do Caribe, entre outros.

O objetivo da reunião é identificar e auxiliar a descrição das áreas marinhas com significado ecológico e biológico (EBSAs) por meio da aplicação de critérios científicos discutidos e aprovados pela COP-10 de Nagoya, além de outros critérios relevantes e complementares acordados tanto no âmbito nacional quanto intergovernamental e das orientações científicas na identificação de áreas marinhas protegidas além das jurisdições nacionais.

Os resultados do evento serão apresentados na próxima reunião do Subsidiary Body on Scientific, Technical and Technological Advice (SBSTTA) da CDB, em maio, em Montreal, e na 11ª Reunião das Partes da CDB, em outubro de 2012, na Índia.

Fonte: MMA


28 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Mudança climática tem relação com evolução de animais pré-históricos

Fósseis podem ajudar a compreender como aquecimento nos influencia.
Estudo foi publicado pela revista científica ‘PNAS’.

Os parentes do rinoceronte retratados na imagem são os brontotérios, que viveram entre 56 milhões e 34 milhões de anos (Foto: Carl Buell/Cortesia)

Os parentes do rinoceronte retratados na imagem são os brontotérios, que viveram entre 56 milhões e 34 milhões de anos (Foto: Carl Buell/Cortesia)

Apesar de ter entrado em evidência só nos últimos anos, a mudança global é um fator determinante para a natureza desde muito, muito tempo. Nos últimos 65 milhões de anos, pelo menos seis espécies diferentes tiveram sua sorte determinada por alterações na temperatura, segundo um estudo publicado na edição online desta segunda-feira (26) da revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)”.

Desde que os dinossauros desapareceram, o domínio da Terra vem sendo revezado por diferentes grupos de mamíferos, que atingiram o auge e decaíram. Essas ondas consecutivas de diversidade de espécies de mamíferos são chamadas de “faunas evolucionárias”.

“Nós mostramos que a ascensão e queda dessas faunas estão, de fato, correlacionadas à mudança climática – aumento ou diminuição das paleotemperaturas globais – e também é influenciada por outras perturbações mais locais, como eventos migratórios”, diz Christine Janis, uma das autoras do estudo, em material divulgado pela Universidade Brown, em Providence, nos EUA, onde ela trabalha.

A pesquisa pode ajudar os cientistas a entender melhor a relação entre a evolução e a mudança climática, mas não ainda deve permitir previsões específicas para o futuro, com a perspectiva de aumento constante da temperatura, sob influência humana, segundo Janis.

“Tais perturbações, relacionadas à mudança climática antropogênica, estão atualmente desafiando a fauna de todo o mundo, enfatizando a importância do registro fóssil para a nossa compreensão de como os eventos do passado afetaram a história da diversificação e extinção da fauna e, portanto, de como as mudanças climáticas do futuro continuarão a influenciar a vida na Terra”, conclui o artigo.

Fonte: G1, São Paulo


27 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Brasil reivindica extensão maior da Amazônia Azul

São 3,5 milhões de quilômetros quadrados, aos quais o Brasil quer somar mais 960 mil quilômetros quadrados de área em águas internacionais, que seriam extensão da plataforma continental brasileira.

Um território pouco explorado, com a mesma extensão de área da Amazônia Legal, rico em biodiversidade e recursos naturais. Um mundo submarino com vastas reservas de ouro, diamante, fosfatos, cobalto, entre outras riquezas repousam nesse local. É a Amazônia Azul, assim batizada pela Marinha Brasileira, e que inclui o mar territorial e a Zona Econômica Exclusiva da plataforma continental jurídica brasileira, somando 200 milhas a partir da costa. São 3,5 milhões de quilômetros quadrados, aos quais o Brasil quer somar mais 960 mil quilômetros quadrados de área em águas internacionais, que seriam extensão da plataforma continental brasileira.

 

Para isso, o País pediu em 2004 a extensão de seus direitos econômicos sobre essa área, de acordo com a Convenção das Nações Unidas Sobre o Direito do Mar. Do total pleiteado, 190 mil quilômetros quadrados não foram concedidos pela ONU, que alegou inconsistências no pedido brasileiro. O Brasil agora realiza novos estudos para reapresentar o pleito e conseguir a totalidade da área junto às Nações Unidas.

 

O que esconde o subsolo marinho da Amazônia Azul? Começando pelo básico, areia e cascalho para construção civil e reconstrução de praias. Depois, matéria-prima para insumos agrícolas, como carbonatos, fosforitas e sais de potássio. “O potencial nessa área é grande e o Brasil importa 90% dos fertilizantes usados na agricultura”, destaca Kaiser de Souza, chefe da divisão de geologia marinha do Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Também há possibilidade de se explorar ouro e diamante na foz de rios que cruzam províncias auríferas e diamantíferas. “Especialmente na Foz do Jequitinhonha, na Bahia, e do Rio Gurupi, entre o Maranhão e o Pará.”

 

Outra riqueza potencial da Amazônia Azul são as crostas cobaltíferas, ricas em minerais metálicos, como cobalto, manganês, níquel, cobre e terras raras. “A China, que controla o mercado mundial de terras raras, hoje pesquisa sua plataforma continental e também áreas internacionais do Atlântico Sul”, diz Kaiser. O mapa também aponta reservas de sulfetos polimetálicos, ricos em zinco, ouro e platina, associados à Cordilheira Meso-Oceânica, no Atlântico Sul. “Há ainda petróleo e minerais fósseis, como o carvão no litoral do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina”, afirma Kaiser. “Ou dos hidratos de gás, que são bolsões de gás natural congelados sob a pressão do subsolo, presentes no litoral da Amazônia e do Rio Grande do Sul.”

 

O Brasil não deve esperar um desfecho para seu pedido de extensão dos direitos de exploração marinha para começar sua jornada na Amazônia Azul. Segundo Kaiser, o Brasil está atrasado na corrida internacional pela mineração submarina. “China, Japão, Coreia, Índia, França, Alemanha, Estados Unidos e Inglaterra estão desenvolvendo tecnologia para isso. A Austrália explora sulfetos polimetálicos a 1,6 mil metros de profundidade.”

 

Para acelerar o ritmo, é necessário intensificar as pesquisas iniciadas na última década e investir em tecnologia, bem como criar um marco regulatório adequado para a exploração mineral submarina. “É preciso que tudo isso aconteça simultaneamente”, diz Kaiser. Ele lembra que o Brasil começou a pesquisar a tecnologia de exploração de petróleo em águas profundas há quase quatro décadas e hoje é líder nessa área. “Naquela época, a exploração não era comercialmente viável, exatamente como as reservas minerais da Amazônia Azul, hoje.”

 

Enquanto o governo não avança na regulamentação da exploração na Amazônia Azul, algumas empresas dão os primeiros passos nessa área, explorando algas calcárias do tipo lithotamnium para uso na agricultura e pecuária. É o caso da Dragamar, criada em 2006, para explorar reservas desse material na região de Tutóia, no litoral do Maranhão. No fim de 2010, o Ibama liberou uma licença para a exploração de 500 toneladas do produto por mês. Paulo Wetzel, diretor da empresa, considera o volume pouco atraente do ponto de vista comercial e diz que a empresa entrou com um pedido de aumento nesse limite.

 

Enquanto aguarda a ampliação do limite, a Dragamar investiu de R$ 15 milhões em uma planta industrial na região para processar o material in natura retirado da jazida de Tutóia. “O mercado potencial para o litothamnium é muito promissor”, diz Wetzel. “Estudos realizados por nós, ao longo dos últimos quatro anos, demonstram ganhos expressivos de produtividade tanto na agricultura, como na pecuária, confirmando as enormes vantagens do material, difundido na Europa há séculos. Sendo assim, o mercado exterior também se mostra muito atrativo, principalmente em função da larga utilização que o produto já experimenta nos mercado europeu, asiático e americano.”

 

Outra pioneira da mineração na Amazônia Azul é a TWB Mineração. A empresa, que realiza pesquisas na área há duas décadas, vinha prospectando algas calcárias na região entre o Arquipélago de Trindade e o Espírito Santo. Segundo o gerente-executivo da empresa, Luiz Eduardo Anchieta da Silva, trata-se de uma outra variedade de lithotamniun, mais leve e rica em minerais do que as espécies similares encontradas perto do litoral. “Nossas pesquisas apontam excelentes resultados do produto na fruticultura, na soja e especialmente na cana-de-açúcar.”

 

Apesar do resultado promissor, a TWB amargou um revés. A empresa teve seus alvarás cassados pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DPNM), porque o governo considerou que a atividade estava sendo em áreas internacionais.

Fonte: Valor Econômico


17 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Estudo com armadilhas fotográficas flagra animais em 7 países

Pesquisa pioneira resultou em 52 mil fotos de 105 espécies de mamíferos.
Imagens permitiram comparar conservação em diferentes partes do globo.

A última edição da revista  “Philosophical Transactions of the Royal Society” traz o primeiro estudo mundial com uso de armadilhas fotográficas para registrar a passagem de mamíferos. Na pesquisa, foram documentadas 105 espécies em cerca de 52 mil imagens em sete áreas protegidas nas Américas, África e Ásia. Entre os animais flagrados há de um pequenino rato até um elefante africano, passando por gorilas, pumas, tamanduás – além de caçadores armados.

Armadilhas fotográficas são câmeras que, acionadas por um sensor, disparam na presença de um animal. O trabalho durou mais de dois anos e fez uso de 420 câmeras ocultas em diferentes habitats do mundo.  A análise dos dados fotográficos ajudou os cientistas a confirmarem que a destruição do habitat tem um impacto direto e negativo sobre a diversidade e a sobrevivência dos mamíferos.

O estudo, dirigido pelo cientista colombiano Jorge Ahumada, ecologista do grupo Tropical Ecology, Assessment and Monitoring (Team, na sigla em inglês) Network, da Conservação Internacional.

Para realizar a pesquisa, foram colocadas 420 câmeras em áreas protegidas do Brasil, Costa Rica, Indonésia, Laos, Suriname, Tanzânia e Uganda, sendo 60 em cada local estudado, que permitiram documentar 105 espécies.

Após analisar as fotos feitas entre 2008 e 2010, os cientistas classificaram os animais por espécie, tamanho corporal e dieta, entre outras características.

Em seguida, determinaram que as áreas protegidas de maior extensão e as regiões de selva têm uma maior diversidade de espécies, tamanhos mais variados e animais que mantêm dietas mais diversas (insetívoros, herbívoros, carnívoros e onívoros).

“Os resultados do estudo são importantes, já que confirmam o que já suspeitávamos: a destruição dos habitats está matando – de forma lenta, mas sem dúvida – a diversidade de mamíferos de nosso planeta”, afirmou Ahumada em comunicado divulgado pela organização.

A Conservação Internacional ressalta que 25% do total das espécies de mamíferos está em perigo e, por isso, a pesquisa contribui de forma bastante significativa para o conhecimento científico a respeito de como as ameaças locais como a caça excessiva, a conversão de terras para a agricultura e a mudança climática afetam os mamíferos.

“O que faz com que este estudo seja cientificamente pioneiro é que criamos pela primeira vez informação coerente e comparável dos mamíferos em escala global e estabelecemos assim uma linha de referência eficaz para avaliar a mudança”, explicou o comunicado.

O uso contínuo desta metodologia permitirá comparar as transformações na natureza e tomar medidas específicas para salvar os mamíferos.

Desde 2010, foram instaladas câmeras em novos lugares, o que ampliou a rede de acompanhamento a 17 pontos do Brasil, Panamá, Equador, Peru, Madagascar, Congo, Camarões, Malásia e Índia.

Anta flagrada perto de Manaus no primeiro estudo global de armadilhas fotográficas para mamíferos. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Anta flagrada perto de Manaus no primeiro estudo global de armadilhas fotográficas para mamíferos. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Gorila com filhote na floresta de Uganda. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Gorila com filhote na floresta de Uganda. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Espécie ameaçada de macaco na Indonésia. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Espécie ameaçada de macaco na Indonésia. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

O estudo também flagrou caçadores, como este homem armado no Laos. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

O estudo também flagrou caçadores, como este homem armado no Laos. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Fonte: Do Globo Natureza, com informações de agências


27 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Amazônia: muita diversidade e pouco conhecimento

Para Mauro Armelin é preciso entender estas novas espécies,o papel delas neste habitat e quem sabe transformar tudo isso em ativos econômicos. O número surpreende. Em dez anos, foram descobertas  mais de 1.200 espécies de novas plantas e de animais vertebrados no bioma Amazônia. O montante corresponde a uma nova espécie a cada três dias. Os resultados foram publicados no relatório Amazônia Viva: uma década de descobertas 1999-2009, da Rede WWF. Em entrevista ao iG, Mauro Armelin, coordenador do Programa ao Desenvolvimento Sustentável do WWF-Brasil destaca as dificuldades de ir à campo em busca de novas espécies.

iG: Como são feitas as expedições para descobrir novas espécies?
Mauro Armelin: Não há outra forma de conhecer novas espécies do que ir a campo. A mais usual aqui no Brasil é através dos planos de manejo, quando é preciso conhecer áreas da Amazônia. Nestas expedições nós levamos de 20 a 30 pesquisadores de universidades ou museus de história natural. Normalmente, as expedições nunca levam menos que 15 dias tem esforço de coleta muito grande e muitas vezes temos o apoio do exército para levar os pesquisadores, abrir clareiras na floresta, para os helicópteros descerem, pois, são áreas muito remotas. Os animais servem também como indicadores se a área é bem conservada. Dá para perceber a dinâmica da área.

iG: E que equipamentos vocês utilizam?
Mauro Armelin: Levamos de tudo. Para pássaros, por exemplo, usamos redes especiais, as chamadas redes neblina, que são quase imperceptíveis. Os pássaros ficam enroscados ali, os pesquisadores coletam, analisam e depois devolvem para a natureza. Quando é uma espécie nova, eles acabam ficando com ela para terminar a classificação necessária. Para mamíferos roedores são usadas armadilhas como se fosse uma ratoeira, só que não fatal, que só prende o animal ali.

iG:Que horas as coletas são feitas?
Mauro Armelin: As coletas são feitas durante todo o tempo, cada espécie tem o seu melhor horário. Os pássaros são encontrados com mais facilidade nas primeiras horas da manhã. Alguns roedores saem para se alimentar a noite. A gente tenta buscar os animais justamente nestes horários de alimentação ou reprodução destas espécies para capturá-los.

iG: Como é feita a certificação de uma nova espécie?
Mauro Armelin: É um trabalho exaustivo. Os especialistas batem o olho naquela espécie e identificam se ela é rara, não é raro ou se nunca viram. Aí então eles começam a fazer uma classificação cuidadosa de comparação de características daquele animal ou vegetal. Atrás de cada espécie descoberta há muitas horas de estudo após a coleta.

iG: O alto índice de novas descobertas se deve ao desconheccimento da Amazônia ou a grande diversidade da região?
Mauro Armelin: Existe muito ainda a coletar, conhecer e pesquisar na Amazônia. Para se ter um exemplo, a Floresta Nacional de Altamira é uma área do lado de uma estrada asfaltada, próxima de uma área famosa chamada Terra do Meio – onde morreu a irmã Dorothy [Stang] – e mesmo lá há descoberta de espécies novas. Precisamos ter mais esforço de coleta. Falta muito. Não houve nenhuma expedição que não tenha descoberto um a espécie nova. Eu acho que houve pesquisa de fato em menos de 10% ou 15% da Amazônia Brasileira. O que é muito pouco. Eu acho que nós estamos Nos temos uma área muito extensa fica em países em desenvolvimento, com pouca pesquisa. É uma imensidão e há também pouco esforço de pesquisa.

iG:Qual é importância de descobrir novas espécies?
Mauro Armelin: A importância está em entender o território que a gente tem e também que estas novas espécies são ativos. É preciso entender estas espécies, entender o papel delas neste habitat e quem sabe transformar tudo isso em ativos econômicos. Por enquanto são ativos ambientais, mas futuramente poderão ser ativos econômicos. É o caso do veneno de sapo que é um anestésico fenomenal ou um veneno de cobra que é uma cola muito eficiente usada na forma de adesivos que suturem ferimentos.

iG: Após 10 anos de projeto. Qual é a avaliação e quais são as expectativas do futuro?
Mauro Armelin: A nossa avaliação é de que nós temos pouco registro. Acho que a sociedade dos países amazônicos se apropria pouco do conhecimento que é gerado e também da biodiversidade por si. A expectativa é conseguir aumentar o esforço de coleta, sensibilizar os governos de que nós ainda temos muita coisa a descobrir e também conseguir o apoio mais firme de todos os países para conservar a nossa biodiversidade.

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/meioambiente/amazonia+muita+diversidade+e+pouco+conhecimento/n1237812516749.html

downloads all good things

15 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Brasil vai reafirmar compromisso de proteção dos biomas em conferência da ONU

Quem garante é João de Deus Medeiros, diretor de Florestas da Secretaria da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente (MMA)

O governo brasileiro deve repactuar os compromissos assumidos na Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), durante a 10ª Conferência das Partes (COP-10) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica, que ocorrerá a partir do dia 19, em Nagoya, no Japão.

 

O Brasil havia assumido o compromisso, ao assinar a convenção, de garantir, até 2010, a cobertura, por meio de unidades de conservação, de 10% de proteção de cada bioma e de 30% da Amazônia.

 

A informação foi dada à Agência Brasil pelo diretor de Florestas da Secretaria da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente (MMA), João de Deus Medeiros.

 

Segundo ele, com um percentual menor do que o da Amazônia, a área protegida nos demais biomas ainda está distante do proposto na CDB. “É uma meta que ainda representa um grande desafio para o país. Mas nós acreditamos que há cada vez mais sinais de que isso é uma prioridade defendida pela sociedade. Nós precisamos aprimorar esses mecanismos de negociação para que a sociedade entenda a necessidade e a urgência dessas ações. E, com isso, a gente tenha maior facilidade para efetivar a criação dessas novas áreas”.

life as we know it video

 

Medeiros afirmou que, apesar de não ter cumprido a meta proposta na CDB, o Brasil foi o país que mais contribuiu para a conservação da biodiversidade nos últimos anos. A COP-10 vai trazer ao debate os problemas que estão ameaçando espécies vegetais e animais em todo o mundo. Ele acredita que, na conferência, o país terá maior legitimidade para cobrar os compromissos assumidos pelos outros países, principalmente os desenvolvidos.

 

O diretor de Florestas do ministério lembrou que as nações industrializadas também são signatárias da CDB e, apesar de não terem mais um percentual de biodiversidade muito significativo, têm um papel importante a desempenhar na negociação internacional, para auxiliar os países detentores de biodiversidade a implementar essas ações nos seus territórios.

 

Medeiros disse que os biomas Cerrado e Caatinga são os que apresentam as maiores vulnerabilidades no que diz respeito à conservação, embora a Mata Atlântica tenha sido o bioma mais impactado ao longo do processo histórico brasileiro.

 

“Em biomas como o Cerrado e a Caatinga, nós temos uma situação duplamente complicada, que é uma representatividade ainda baixa e a distribuição, no bioma e nas categorias de proteção e uso sustentável, ainda muito desequilibrada”. Além disso, ele ressaltou a influência da ação humana sobre os biomas, como o agronegócio, que “é um fator de conflito”.

Alana Gandra, da Agência Brasil, 14/10


15 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Biodiversidade desconhecida, editorial de “O Estado de SP”

“É quase total a falta de conhecimento do país sobre sua diversidade marinha – e sem conhecer é impossível proteger”

Leia o editorial:

 

País com mais de 10 mil quilômetros de costa e uma das maiores e mais diversificadas combinações de ecossistemas costeiros e marítimos do mundo, o Brasil apresentará na próxima reunião de avaliação das metas da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) um relatório pobre, que é quase uma confissão: colocou sob proteção legal apenas 1,5% desses ecossistemas, bem menos do que a meta de 10% que havia fixado, e conhece muito pouco de suas espécies marinhas.

 

A décima Conferência das Partes (COP 10) signatárias da CDB – documento aprovado na Conferência Rio-92 – será realizada no fim deste mês na cidade japonesa de Nagoya, com a presença de representantes de mais de 190 países. Eles avaliarão quanto se avançou no cumprimento das metas de preservação da fauna e da flora assumidas nas reuniões anteriores e definirão objetivos para os próximos dez anos.

 

Uma das metas mais relevantes anunciadas pelo Brasil era colocar 30% da Amazônia sob alguma forma de proteção legal. Esta foi alcançada, até com alguma folga, pois mais de 40% da área florestal está protegida, segundo o relatório a ser apresentado em Nagoya pelo governo brasileiro. A área protegida inclui terras indígenas e unidades de conservação estaduais e federais, como mostrou o repórter Herton Escobar, na edição de 3 de outubro do Estado.

 

Mas uma área de grande importância ambiental e econômica, os 4,2 milhões de quilômetros quadrados de território brasileiro cobertos pelo mar, continuou esquecida. Da pequena fatia de ecossistemas que o país conseguiu colocar sob proteção, a maior parte está em ambientes terrestres ligados ao mar, como restingas, praias e manguezais.

 

Não há nenhuma área de conservação inteiramente coberta pelo mar. O Ministério do Meio Ambiente reconhece que o bioma marinho constituiu “a grande lacuna” do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc).

 

A biodiversidade marinha brasileira já conhecida é considerada relativamente pobre, quando comparada à de outros países. Mesmo assim, estima-se que estão no Brasil cerca de 6% das espécies existentes no mundo de invertebrados “não insetos”, a maioria dos quais vive no mar.

 

Pobreza muito maior do que a de espécies marinhas é a de pesquisas e de pesquisadores, diz o biólogo Antonio Marques, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. “Considero isso uma vergonha”, confessa. Além de escasso, o conhecimento é muito concentrado geograficamente. As pesquisas se limitam ao litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. “Sobre o Nordeste, ainda sabemos muito pouco. E, sobre o Norte, quase nada.”

 

É quase total a falta de conhecimento do país sobre sua diversidade marinha – e sem conhecer é impossível proteger.

 

É difícil, porém, dizer que o desconhecimento seja o pior dos aspectos da ação do governo brasileiro na preservação da biodiversidade marinha. Nos poucos casos de conhecimento relativamente extenso de espécies marinhas, que geralmente são as de maior valor comercial, pouco ou nada se faz para protegê-las.

 

Entre 1995 e 2006, o governo executou o Programa de Avaliação do Potencial dos Recursos Vivos da Zona Econômica Exclusiva, que era mais um balanço do estoque pesqueiro do que uma tentativa de conhecimento da biodiversidade marinha. O programa constatou que cerca de 80% das espécies pescadas comercialmente eram sobre-exploradas ou plenamente exploradas.

 

Desde a conclusão do estudo, nada foi feito ou anunciado pelo governo para assegurar a recuperação desses estoques. “A gestão pesqueira no Brasil está um caos”, diz o pesquisador José Angel Alvarez Perez, da Universidade do Vale do Itajaí, de Santa Catarina. O caos é o resultado prático da ação de um governo que não tem uma política definida para a área.

 

De um lado, o Ministério do Meio Ambiente busca assegurar a manutenção dos estoques das espécies de maior valor comercial; de outro, o Ministério da Pesca estimula a pesca, sem levar em conta a ameaça à sobrevivência das espécies.

 

Esse conflito mostra que falta ao governo um rumo na questão da biodiversidade marinha.

(O Estado de SP, 12/10)