16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas identificam vírus que causa comportamento bizarro em cobras

Jiboias e pítons aparentam estar bêbadas e podem dar nó no próprio corpo.
Doença do Corpúsculo de Inclusão Viral costuma ser mortal para animais.

Cientistas dos Estados Unidos identificaram o vírus responsável por uma doença grave em cobras e serpentes, conhecida como Doença do Corpúsculo de Inclusão Viral (IBD, na tradução da sigla do inglês). A contaminação costuma causar comportamento bizarro e até a morte nestes animais.

As cobras infectadas com o vírus parecem estar bêbadas, ficam encarando o vazio e chegam a dar nós no próprio corpo, entre outros sintomas. Os pesquisadores da Universidade da Califórnia estudavam um surto de IBD em um aquário na cidade de São Francisco, quando se depararam com a causa do mal.

O vírus afeta mais as jiboias e similares da família Boidae e as pítons, dizem os cientistas. O estudo foi publicado na edição desta terça-feira (14) do site “mBio”, publicação da Sociedade Americana para a Microbiologia.

A descoberta representa uma classe totalmente nova de arenavírus, dizem os pesquisadores. Para encontrar a origem da doença, pesquisadores extraíram DNA da pele de cobras afetadas pela doença e usaram técnicas para fazer o sequenciamento do genoma dos animais.

Em praticamente todo o DNA dos exemplares de cobras havia sequências que combinavam com o arenavírus. A partir deste achado, os cientistas puderam isolar o vírus usando pele de cobra manipulada em laboratório.

Cura
A descoberta é o primeiro passo para o desenvolvimento de vacinas e tratamentos para a doença, de acordo com os cientistas.

Michael Buchmeier, professor de doenças infecciosas da Universidade da Califórnia e um dos responsáveis pela pesquisa, classificou a descoberta de “uma das coisas mais excitantes que aconteceram na virologia em um longo tempo”.

Buchmeier diz que até agora os microorganismos da família dos arenavírus só haviam sido identificados em mamíferos. Encontrá-los em cobras foi uma surpresa, afirma o pesquisador.

Jiboia residente de um zoológico de Puerto Vallarta, no México (Foto: Carlos Jasso/Reuters)

Fonte: Globo Natureza


28 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Macacos separados da mãe após nascimento têm mais chances de desenvolver doenças

Estudo promovido por pesquisadores americanos comparou o histórico de saúde de 231 macacos rhesus submetidos a três tipos de criação logo após o nascimento: com a mãe, em grupo e isolados

Um estudo realizado por pesquisadores americanos mostrou que macacos que são separados das mães logo após o nascimento têm maior tendência a desenvolver doenças na vida adulta. O resultado do trabalho foi publicado na edição desta semana da revista PNAS.

Estudos anteriores já tinham mostrado alterações hormonais e no tamanho do cérebro em macacos separados da mãe logo após o nascimento. De acordo com os pesquisadores, nenhum deles mostrou de que forma essas alterações afetam a saúde desses animais. Para chegar a esses resultados, os autores do trabalho analisaram o histórico de saúde de 231 macacos rhesus que foram criados no Instituto Nacional de Saúde, em Maryland, nos Estados Unidos.

Pesquisa — Os pesquisadores distribuíram esses animais em três grupos logo após o nascimento: um deles foi criado pelas mães, outro criado por membros do próprio grupo e um terceiro passava a maior parte do tempo em uma gaiola com uma garrafa de água quente suspensa — a garrafa serve para substituir a presença dos outros membros do grupo — e tinha apenas duas horas diárias com seus companheiros.

Do total de 231 macacos que participaram do estudo, 122 foram criados pelas mães, 57 foram criados junto com o grupo e os outros 52 cresceram sozinhos. A maioria dos animais – 126 – era do sexo masculino.

Os macacos que foram criados pelas mães desde o nascimento conviveram com outros animais do grupo em grandes jaulas. Os outros dois grupos foram criados individualmente durante os 37 primeiros dias em uma espécie de berçário.

Os pesquisadores decidiram dividir em dois o grupo de animais separados da mãe para evitar que a amamentação fosse considerada o único fator de influência sobre o aparecimento ou não de doenças.

Os macacos dos três grupos, todos nascidos no mesmo ano, foram colocados em um único grupo de convívio social quando atingiam idade de 6 meses a 1 ano. Dado que macacos em cativeiro vivem em média 25 anos, a idade desses animais corresponde a até 3 anos da idade humana.

Os macacos que participaram do estudo nasceram entre 2002 e 2007. Cientistas fizeram periodicamente exames físicos e comportamentais desde o nascimento dos macacos até janeiro de 2010. A realização dos exames tinha como objetivo medir tanto a frequência quanto a incidência de distúrbios físicos e comportamentais.

Resultados — Após a análise do histórico de saúde dos grupos, os cientistas concluíram que os machos criados entre seus pares tiveram uma maior propensão de desenvolver um conjunto de doenças do que os macacos criados por suas mães. As doenças apareceram quase duas vezes mais nesse grupo do que naqueles criados com as mães.

Além disso, macacos de ambos os sexos, separados das mães, também tiveram um maior risco de desenvolver distúrbios comportamentais. As fêmeas criadas em grupo tiveram uma maior probabilidade de se machucar e de perder pelos.

“O que mais nos surpreendeu foi que esse quadro é irreversível. Mesmo após um longo período de convívio social (de 2 a 9 anos, dependendo da idade dos macacos), a separação das mães no início da vida foi determinante no quadro de saúde desses animais na idade adulta”, disse Gabriella Conti, uma das autoras do estudo, em entrevista por telefone ao site de VEJA.

Com os resultados, os autores concluíram que, mesmo que animais tenham um convívio social normal mais tarde, o ambiente em que ele cresce logo após o nascimento é determinante para sua saúde e a presença da mãe é fundamental.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Primate evidence on the late health effects of early-life adversity

Onde foi divulgada: revista PNAS

Quem fez: Gabriella Contia, Christopher Hansmanb, James J. Heckmanc, Matthew F. X. Novakd, Angela Ruggierod e Stephen J. Suomid

Instituição: Universidade de Chicago e Universidade de Columbia, Nova York.

Dados de amostragem: 231 macacos rhesus em cativeiro

Resultado: macacos que são separados da mãe logo após o nascimento são mais propensos ao desenvolvimento de doenças

Macaco da espécie rhesus

Estudo avaliou o histórico de 231 macacos rhesus criados em cativeiro (China Photos/Getty Images)

Fonte: Veja Ciência


17 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Coalas podem desaparecer em cinquenta anos, diz WWF

Destruição das florestas de eucaliptos e doenças levariam a espécie à extinção

A organização não governamental WWF alertou nesta terça-feira que a população de coalasda Austrália corre o risco de extinguir-se nos próximos 50 anos. O representante da ONG na Austrália, Martin Taylor, anunciou que nas últimas duas décadas a população de coalas diminuiu 42%. Segundo Taylor, se a tendência continuar, o marsupial pode desaparecer.

Ameaças - Os ecologistas atribuem a queda do número de coalas à destruição de seu habitat – provocado, segundo a WWF, pelo desenvolvimento humano e pelas alterações climáticas. A espécie vive em florestas naturais de eucaliptos e se alimenta principalmente das folhas frescas das árvores. Outra ameaça aos marsupiais são os surtos da doença clamídia. Essa bactéria, contra a qual os cientistas estão pesquisando uma vacina, produz lesões nos genitais e nos olhos dos coalas, causando infertilidade, cegueira e, posteriormente, a morte.

O número de coalas na Austrália oscila entre 40 mil e 250 mil exemplares, segundo estimativas. No mês passado, o governo australiano catalogou os coalas como “espécie vulnerável” na lista de animais ameaçados no país.

Folhas de eucalipto são o principal alimento dos coalas

Folhas de eucalipto são o principal alimento dos coalas (Reuters)

Fonte: Veja Ciência


20 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Projeto nos EUA estuda coração de primatas para evitar doença e morte

Pesquisa é realizada em grandes macacos do zoológico de Atlanta.
Doença no coração é principal causa de morte em orangotangos, diz cientista.

Uma pesquisa inovadora realizada nosEstados Unidos pretende identificar problemas cardíacos em orangotangos e macacos de grande porte que vivem em cativeiros, a fim de evitar mortes e elevar a população desses mamíferos, alguns ameaçados de extinção.

Denominado “Projeto coração de grandes macacos”, especialistas de diversas universidades têm realizado exames de ultrassom e eletrocardiograma em primatas do zoológico de Atlanta. A análise vai verificar como doenças no coração afetam os animais, já que são consideradas as principais responsáveis por óbitos de orangotangos.

O estudo utiliza animais acordados, fato inédito e que tem incentivado outras instituições a realizarem o mesmo procedimento. A aplicação de anestesia poderia prejudicar primatas que já estão doentes e reduziria a qualidade das atividades cardíacas.

De acordo com Hayley Murphy, diretor de serviços veterinários no zoológico de Atlanta, o estudo vai determinar também se há relação entre as doenças cardíacas dos primatas e seres humanos. Já há casos de orangotangos diagnosticados com doenças no coração que são tratados com medicamentos feito para humanos.

Funcionária do zoológico de Atlanta, nos EUA, faz exame cardíaco em orangotango de nove anos batizado de Satu. (Foto: Dorie Turner/AP)

Funcionária do zoológico de Atlanta, nos EUA, faz exame cardíaco em orangotango de nove anos batizado de Satu. (Foto: Dorie Turner/AP)

Fonte: Globo Natureza


7 de março de 2012 | nenhum comentário »

Cidade é invadida por mais de 250 mil morcegos na Austrália

Moradores de Katherine estão preocupados com doenças como raiva.

Cidade é invadida por mais de 250 mil morcegos na Austrália (Foto: AFP)

Cidade é invadida por mais de 250 mil morcegos na Austrália (Foto: AFP)

Uma cidade no norte da Austrália foi invadida por mais de 250 mil morcegos, provocando alertas para doenças fatais ligadas à raiva.

O Centro de Controle de Doenças da Austrália alertou os moradores da cidade de Katherine, na região de Northern Territory, para evitarem contato com os morcegos-da-fruta, que portam o vírus da raiva (ABLV, na sigla em inglês).

A doença é transmitida por mordida ou arranhão. A diretora do Centro de Controle de Doenças, Vicki Krause, disse à imprensa australiana que o vírus é transmitido pela saliva do morcego.

No passado, já houve registros de mortes devido à raiva do morcego, mas os casos são raros, já que existe uma vacina contra o vírus. As vacinas têm efeito imediato.

As autoridades estão recomendando que pessoas mordidas ou arranhadas pelos morcegos limpem as feridas com bastante atenção, e busquem atendimento médico em seguida.

O governo fechou o principal complexo esportivo da cidade, que foi infestado por morcegos.

Nos últimos dias, houve uma diminuição no número de morcegos na cidade, mas ainda assim eles estão por toda a parte.

‘A cidade é cheia de espécies exóticas de plantas que estão dando frutos e flores ao longo do ano. É como se fosse um ‘drive-through’ de comida para os morcegos’, disse à BBC o guarda florestal John Burke.

Segundo os moradores de Katherine, a invasão de morcegos só acontece uma ou duas vezes por década.

Fonte: BBC

 


10 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Listras das zebras servem para espantar insetos, afirma pesquisa

Moscas transmissoras de doenças não se sentem atraídas por pele bicolor.
Espécie nasceria com pele negra e ganha listras brancas antes de nascer.

As listras das zebras podem não servir apenas para diferenciar esses animais dos cavalos ou mesmo só para recurso de camuflagem – na tentativa de escapar de predadores.

Biólogos divulgaram nesta quinta-feira (9) que as listras também são úteis para afastar insetos, que atrapalham os animais durante a alimentação, além de transmitir doenças.

De acordo com artigo publicado no “Journal of Experimental Biology”, as mutucas, moscas que têm uma mordida dolorosa e podem causar necrose na pele de mamíferos, seriam menos atraídas pelas listras, pois buscam animais com pele totalmente escura.

Negro com listras brancas
A comprovação ocorreu durante testes realizados em um campo de Budapeste, na Hungria. Cavalos brancos e negros foram colocados juntamente com espécimes de zebras em uma região com presença de mutucas.

Os pesquisadores ficaram surpresos ao descobrir que o modelo listrado foi o que menos atraiu as moscas. A equipe da Suécia e da Hungria verificou então que a zebra pode ter desenvolvido suas listras justamente para este tipo de proteção (evolução).

Eles sugerem que, durante o desenvolvimento dos embriões desta espécie, a pele totalmente escura ganha listras brancas antes do nascimento.

Zebra (Foto: Dennis Barbosa/G1)

Exemplares de zebra em safári africano. Animais teriam ganhado listras brancas durante processo de evolução para protegê-los de picadas de insetos (Foto: Dennis Barbosa/G1)

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


11 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Curitiba/PR aprova projeto que prevê controle de pombos

Os vereadores da Câmara de Curitiba aprovaram por unanimidade, na tarde desta quarta-feira (10), um projeto de lei que prevê o controle da população de pombos na cidade. De acordo com o autor da proposta, vereador Zé Maria (PPS), as aves devem ser capturadas, tratadas e soltas novamente. O objetivo é, em médio prazo, reduzir a circulação desses animais na área central e evitar a disseminação de doenças das quais os pombos são vetores. Para entrar em vigor, a lei precisa da sanção do prefeito Luciano Ducci.

O serviço deve ser realizado por uma empresa privada, que conte com equipe formada por zootecnista, biólogo e veterinário. Em locais onde há superpopulação de pombos, serão colocados contêineres especiais que funcionarão como grandes arapucas. As aves serão atraídas com água tratada e comida e, uma vez que entrem no dispositivo, ficarão presas.

“Os pombos serão recolhidos pela empresa e levados para uma chácara, onde receberão tratamento adequado, até serem soltos novamente”, diz o vereador. Segundo Zé Maria, as aves serão cadastradas e receberão um medicamento que inibe a postura de ovos. Ao serem postos em liberdade, os animais terão um anel de identificação afixado na pata.

De acordo com o projeto, a empresa responsável pelo serviço será escolhida por licitação pública. O vereador afirma que não haverá custos para a municipalidade. “O grupo que for realizar o trabalho, poderá explorar espaços publicitários nos contêineres”, explica.

Dentre as doenças transmitidas pelos pombos estão criptococose (doença do pombo) salmonelose, histoplasmose, toxicoplasmose, ornitose e alergias de maneira geral. As fezes desses animais também contêm fungos e bactérias nocivos à saúde humana.

Em Londrina – No ano passado, Londrina, no Norte do Estado, tentou uma série de medidas para reduzir a população de pombos no município. A pedido da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, o Insituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) autorizou o abate de 50 mil aves, em julho do ano passado.

Neste ano, a cidade testou um gel repelente para afugentar as aves. Em 2009, a prefeitura instalou aparelhos que emitem frequências sonoras inaudíveis ao ouvido humano, mas que são percebidos pelos pombos e afugentam essas aves. Um estudo apontou o aparelho provocou a redução de 40% da população em locais onde o dispositivo era usado.

Fonte: Gazeta do Povo/PR


22 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Estudo com animais atropelados vai ajudar no combate a doenças

Exemplar de cachorro-do-mato atropelado e que foi utilizado na pesquisa de doenças feitas pela Unesp (Foto: Divulgação/Unesp)

Exemplar de cachorro-do-mato atropelado e que foi utilizado na pesquisa de doenças feitas pela Unesp (Foto: Divulgação/Unesp)

Estudo feito com animais silvestres que morreram por atropelamento na região centro-oeste do estado de São Paulo vai colaborar no mapeamento e combate a doenças que afetam o ser humano, como a toxoplasmose e a leishmaniose.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, vai detectar fungos e outros microorganismos que possam ter infectado os animais examinados, cruzando estas informações com ocorrências de enfermidades que atingiram a população.

Segundo Virgínia Richini Pereira, bióloga da Unesp e uma das responsáveis pelo estudo, ao menos 80 animais que foram atropelados nas estradas federais e estaduais que cortam os municípios de Botucatu, Bauru e Piracicaba foram examinados. São tamanduás, onças-pardas, tatus, entre outros espécimes que não sobreviveram ao impacto com os veículos.

“Nós analisamos órgãos internos como pulmão, fígado, baço. São feitos vários exames para detectar se os agentes causadores de problemas de saúde estão nesses animais”, afirmou. “Já conseguimos detectar em Bauru, por exemplo, o parasita causador da leishmaniose. Em Botucatu, foi identificada a paracoccidiomicose, doença que causa lesões importantes nos órgãos humanos e atinge, principalmente, trabalhadores rurais”, disse a pesquisadora.

Com isso, poderão ser feitas ações combativas pelos órgãos de zoonoses para evitar uma proliferação das endemias em determinadas áreas. A previsão é que o mapeamento seja concluído em seis meses.

Atropelamento
O atropelamento de animais silvestres ainda afeta a biodiversidade brasileira e mata, diariamente, uma grande quantidade de exemplares de diversas espécies, entre elas as ameaçadas de extinção.

Na região do Pantanal, em Mato Grosso do Sul, por exemplo, somente em 2010 morreram 8 mil animais nas estradas, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama). “É um grave problema na questão da preservação. Muitas espécies que estão na lista vermelha são afetadas por conta disto”, afirmou Virgínia.

Fonte: Globo Natureza


23 de maio de 2011 | nenhum comentário »

DNA pode ter leitura ‘traidora’, diz estudo

Pesquisa americana sugere novo processo de variação no genoma. Versão do ‘texto’, dos genes que fica ativa no organismo difere da que está no DNA; estudo de doenças se complica.

O reinado absoluto do DNA sobre a operação das células anda abalado. Uma nova conspiração contra o monarca vem de um conhecido rebelde: seu “irmão”, o RNA.

 

Acontece que a molécula-irmã do DNA, normalmente responsável por levar as instruções codificadas nos genes para serem colocadas em prática pelo organismo, pode estar alterando essas “leis” de maneira ainda misteriosa.

 

Os dados a respeito ainda são preliminares, mas sugerem que não se trata de um fenômeno raro. Segundo Vivian Cheung e seus colegas da Universidade da Pensilvânia (EUA), há sinais da rebeldia do RNA em cinco mil genes.

 

Isso corresponde a algo entre um quarto e um quinto do total dos genes humanos, dependendo de como se faz a conta. As mudanças, ao menos em alguns casos, têm impacto significativo nas proteínas, as verdadeiras carregadoras de piano do organismo, que dependem das instruções trazidas pelo RNA para serem “montadas” pela célula.

 

Se a descoberta estiver correta, além de alterar o que se sabe sobre mecanismos essenciais do funcionamento da vida, exigirá bem mais sofisticação por parte de quem tenta achar a origem genética de muitas doenças. Isso porque não bastará olhar o DNA dos pacientes: será preciso conferir se o código contido nos genes sofre alterações na fase posterior.

 

Cultivados – Cheung e seus colegas flagraram as alterações em três tipos de tecido humano: linfócitos B (do sistema de defesa), células da pele e do cérebro. As amostras vieram de um grupo de 27 doadores. Isso, aliás, permitiu que os pesquisadores vissem que as mudanças tendiam a acontecer em mais de uma pessoa. Basicamente, o que ocorria é que a sequência de “letras” químicas do DNA sofria trocas de “letra” na versão RNA.

 

Mais importante ainda, isso afetava quase sempre o pedaço funcional do gene, levando a mudanças nas proteínas correspondentes. Outro mistério: às vezes, a alteração acontece só em parte do RNA da pessoa, enquanto o resto pode ficar em situação “normal”. A pesquisa será publicada numa edição futura da revista especializada americana “Science”.

Fonte: Folha de São Paulo


10 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Mariposa inspira nanotecnologia para estudar Mal de Alzheimer

Imitando a estrutura das antenas da mariposa da seda, pesquisadores desenvolveram um nanoporo que irá ajudar a lidar com uma classe de doenças neurodegenerativas que inclui o Mal de Alzheimer.

A minúscula ferramenta em forma de túnel – tecnicamente chamada de nanoporo – foi desenvolvida por uma equipe coordenada por cientistas da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

Os nanoporos são essencialmente furos muito pequenos e muito precisos, feitos em uma pastilha de silício. Eles funcionam como minúsculos dispositivos de medição, que permitem o estudo de moléculas individuais e proteínas conforme estas passam através deles.

Mesmos os melhores nanoporos construídos hoje entopem facilmente, o que tem impedido que a tecnologia cumpra todo o seu potencial – os cientistas esperam que os nanoporos permitam a construção de uma nova geração de equipamentos de sequenciamento de DNA mais rápidos e mais baratos, apenas para citar um exemplo.

Biomimetismo – A equipe foi buscar na natureza a inspiração para resolver essas limitações.

A solução veio na forma de uma cobertura oleosa que reveste o nanoporo. O revestimento captura e conduz a molécula de interesse suavemente através do nanoporo, sem causar entupimento.

O revestimento também permite que os pesquisadores ajustem a espessura do nanoporo com uma precisão próxima ao nível atômico.

“Isso nos dá uma ferramenta muito melhor para a caracterização das biomoléculas,” disse Michael Mayer, coautor do estudo.

“O nanoporo nos permite obter dados sobre o seu tamanho, carga, forma, concentração e a velocidade com que se montam. Isto poderá nos ajudar a entender, e possivelmente diagnosticar, o que sai errado em uma categoria de doenças neurodegenerativas que inclui Parkinson, Huntington e Alzheimer,” explica o cientista.

Antenas da mariposa da seda – A “bicamada lipídica fluida” foi inspirada em um revestimento que recobre as antenas da mariposa da seda do sexo masculino, que ajuda o animal a detectar o cheiro das mariposas fêmeas que se encontram nas proximidades.

O revestimento captura as moléculas de feromônio no ar e as transporta através de nanocanais no exoesqueleto até as células nervosas, que enviam uma mensagem ao cérebro do inseto.

“Estes feromônios são lipofílicos. Eles tendem a se ligar a lipídios, materiais semelhantes à gordura. Assim, eles ficam presos e se concentram na superfície desta camada lipídica da mariposa da seda. A camada lubrifica o movimento dos feromônios para que eles cheguem onde são necessários. Nosso novo revestimento tem a mesma finalidade,” explica Mayer.

Peptídeos beta-amiloide – Uma das principais linhas de pesquisa do grupo é o estudo de proteínas chamadas peptídeos beta-amiloide, que os cientistas acreditam se coagule em fibras que afetam o cérebro no Mal de Alzheimer.

Eles estão interessados em estudar o tamanho e a forma destas fibras, e como exatamente elas se formam.

Para usar os nanoporos em experimentos, os pesquisadores colocam a pastilha perfurada entre duas câmaras de água salgada, uma das quais contém as moléculas a serem estudadas. A seguir, uma corrente elétrica é aplicada entre as câmaras, criando um movimento iônico que força as moléculas a passarem através dos nanoporos.

Conforme a molécula ou proteína atravessa o nanoporo, ela altera a resistência elétrica do poro. A mudança observada dá aos pesquisadores informações valiosas sobre o tamanho da molécula, sua carga elétrica e sua forma.

Fonte: Site Inovação Tecnológica


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16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas identificam vírus que causa comportamento bizarro em cobras

Jiboias e pítons aparentam estar bêbadas e podem dar nó no próprio corpo.
Doença do Corpúsculo de Inclusão Viral costuma ser mortal para animais.

Cientistas dos Estados Unidos identificaram o vírus responsável por uma doença grave em cobras e serpentes, conhecida como Doença do Corpúsculo de Inclusão Viral (IBD, na tradução da sigla do inglês). A contaminação costuma causar comportamento bizarro e até a morte nestes animais.

As cobras infectadas com o vírus parecem estar bêbadas, ficam encarando o vazio e chegam a dar nós no próprio corpo, entre outros sintomas. Os pesquisadores da Universidade da Califórnia estudavam um surto de IBD em um aquário na cidade de São Francisco, quando se depararam com a causa do mal.

O vírus afeta mais as jiboias e similares da família Boidae e as pítons, dizem os cientistas. O estudo foi publicado na edição desta terça-feira (14) do site “mBio”, publicação da Sociedade Americana para a Microbiologia.

A descoberta representa uma classe totalmente nova de arenavírus, dizem os pesquisadores. Para encontrar a origem da doença, pesquisadores extraíram DNA da pele de cobras afetadas pela doença e usaram técnicas para fazer o sequenciamento do genoma dos animais.

Em praticamente todo o DNA dos exemplares de cobras havia sequências que combinavam com o arenavírus. A partir deste achado, os cientistas puderam isolar o vírus usando pele de cobra manipulada em laboratório.

Cura
A descoberta é o primeiro passo para o desenvolvimento de vacinas e tratamentos para a doença, de acordo com os cientistas.

Michael Buchmeier, professor de doenças infecciosas da Universidade da Califórnia e um dos responsáveis pela pesquisa, classificou a descoberta de “uma das coisas mais excitantes que aconteceram na virologia em um longo tempo”.

Buchmeier diz que até agora os microorganismos da família dos arenavírus só haviam sido identificados em mamíferos. Encontrá-los em cobras foi uma surpresa, afirma o pesquisador.

Jiboia residente de um zoológico de Puerto Vallarta, no México (Foto: Carlos Jasso/Reuters)

Fonte: Globo Natureza


28 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Macacos separados da mãe após nascimento têm mais chances de desenvolver doenças

Estudo promovido por pesquisadores americanos comparou o histórico de saúde de 231 macacos rhesus submetidos a três tipos de criação logo após o nascimento: com a mãe, em grupo e isolados

Um estudo realizado por pesquisadores americanos mostrou que macacos que são separados das mães logo após o nascimento têm maior tendência a desenvolver doenças na vida adulta. O resultado do trabalho foi publicado na edição desta semana da revista PNAS.

Estudos anteriores já tinham mostrado alterações hormonais e no tamanho do cérebro em macacos separados da mãe logo após o nascimento. De acordo com os pesquisadores, nenhum deles mostrou de que forma essas alterações afetam a saúde desses animais. Para chegar a esses resultados, os autores do trabalho analisaram o histórico de saúde de 231 macacos rhesus que foram criados no Instituto Nacional de Saúde, em Maryland, nos Estados Unidos.

Pesquisa — Os pesquisadores distribuíram esses animais em três grupos logo após o nascimento: um deles foi criado pelas mães, outro criado por membros do próprio grupo e um terceiro passava a maior parte do tempo em uma gaiola com uma garrafa de água quente suspensa — a garrafa serve para substituir a presença dos outros membros do grupo — e tinha apenas duas horas diárias com seus companheiros.

Do total de 231 macacos que participaram do estudo, 122 foram criados pelas mães, 57 foram criados junto com o grupo e os outros 52 cresceram sozinhos. A maioria dos animais – 126 – era do sexo masculino.

Os macacos que foram criados pelas mães desde o nascimento conviveram com outros animais do grupo em grandes jaulas. Os outros dois grupos foram criados individualmente durante os 37 primeiros dias em uma espécie de berçário.

Os pesquisadores decidiram dividir em dois o grupo de animais separados da mãe para evitar que a amamentação fosse considerada o único fator de influência sobre o aparecimento ou não de doenças.

Os macacos dos três grupos, todos nascidos no mesmo ano, foram colocados em um único grupo de convívio social quando atingiam idade de 6 meses a 1 ano. Dado que macacos em cativeiro vivem em média 25 anos, a idade desses animais corresponde a até 3 anos da idade humana.

Os macacos que participaram do estudo nasceram entre 2002 e 2007. Cientistas fizeram periodicamente exames físicos e comportamentais desde o nascimento dos macacos até janeiro de 2010. A realização dos exames tinha como objetivo medir tanto a frequência quanto a incidência de distúrbios físicos e comportamentais.

Resultados — Após a análise do histórico de saúde dos grupos, os cientistas concluíram que os machos criados entre seus pares tiveram uma maior propensão de desenvolver um conjunto de doenças do que os macacos criados por suas mães. As doenças apareceram quase duas vezes mais nesse grupo do que naqueles criados com as mães.

Além disso, macacos de ambos os sexos, separados das mães, também tiveram um maior risco de desenvolver distúrbios comportamentais. As fêmeas criadas em grupo tiveram uma maior probabilidade de se machucar e de perder pelos.

“O que mais nos surpreendeu foi que esse quadro é irreversível. Mesmo após um longo período de convívio social (de 2 a 9 anos, dependendo da idade dos macacos), a separação das mães no início da vida foi determinante no quadro de saúde desses animais na idade adulta”, disse Gabriella Conti, uma das autoras do estudo, em entrevista por telefone ao site de VEJA.

Com os resultados, os autores concluíram que, mesmo que animais tenham um convívio social normal mais tarde, o ambiente em que ele cresce logo após o nascimento é determinante para sua saúde e a presença da mãe é fundamental.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Primate evidence on the late health effects of early-life adversity

Onde foi divulgada: revista PNAS

Quem fez: Gabriella Contia, Christopher Hansmanb, James J. Heckmanc, Matthew F. X. Novakd, Angela Ruggierod e Stephen J. Suomid

Instituição: Universidade de Chicago e Universidade de Columbia, Nova York.

Dados de amostragem: 231 macacos rhesus em cativeiro

Resultado: macacos que são separados da mãe logo após o nascimento são mais propensos ao desenvolvimento de doenças

Macaco da espécie rhesus

Estudo avaliou o histórico de 231 macacos rhesus criados em cativeiro (China Photos/Getty Images)

Fonte: Veja Ciência


17 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Coalas podem desaparecer em cinquenta anos, diz WWF

Destruição das florestas de eucaliptos e doenças levariam a espécie à extinção

A organização não governamental WWF alertou nesta terça-feira que a população de coalasda Austrália corre o risco de extinguir-se nos próximos 50 anos. O representante da ONG na Austrália, Martin Taylor, anunciou que nas últimas duas décadas a população de coalas diminuiu 42%. Segundo Taylor, se a tendência continuar, o marsupial pode desaparecer.

Ameaças - Os ecologistas atribuem a queda do número de coalas à destruição de seu habitat – provocado, segundo a WWF, pelo desenvolvimento humano e pelas alterações climáticas. A espécie vive em florestas naturais de eucaliptos e se alimenta principalmente das folhas frescas das árvores. Outra ameaça aos marsupiais são os surtos da doença clamídia. Essa bactéria, contra a qual os cientistas estão pesquisando uma vacina, produz lesões nos genitais e nos olhos dos coalas, causando infertilidade, cegueira e, posteriormente, a morte.

O número de coalas na Austrália oscila entre 40 mil e 250 mil exemplares, segundo estimativas. No mês passado, o governo australiano catalogou os coalas como “espécie vulnerável” na lista de animais ameaçados no país.

Folhas de eucalipto são o principal alimento dos coalas

Folhas de eucalipto são o principal alimento dos coalas (Reuters)

Fonte: Veja Ciência


20 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Projeto nos EUA estuda coração de primatas para evitar doença e morte

Pesquisa é realizada em grandes macacos do zoológico de Atlanta.
Doença no coração é principal causa de morte em orangotangos, diz cientista.

Uma pesquisa inovadora realizada nosEstados Unidos pretende identificar problemas cardíacos em orangotangos e macacos de grande porte que vivem em cativeiros, a fim de evitar mortes e elevar a população desses mamíferos, alguns ameaçados de extinção.

Denominado “Projeto coração de grandes macacos”, especialistas de diversas universidades têm realizado exames de ultrassom e eletrocardiograma em primatas do zoológico de Atlanta. A análise vai verificar como doenças no coração afetam os animais, já que são consideradas as principais responsáveis por óbitos de orangotangos.

O estudo utiliza animais acordados, fato inédito e que tem incentivado outras instituições a realizarem o mesmo procedimento. A aplicação de anestesia poderia prejudicar primatas que já estão doentes e reduziria a qualidade das atividades cardíacas.

De acordo com Hayley Murphy, diretor de serviços veterinários no zoológico de Atlanta, o estudo vai determinar também se há relação entre as doenças cardíacas dos primatas e seres humanos. Já há casos de orangotangos diagnosticados com doenças no coração que são tratados com medicamentos feito para humanos.

Funcionária do zoológico de Atlanta, nos EUA, faz exame cardíaco em orangotango de nove anos batizado de Satu. (Foto: Dorie Turner/AP)

Funcionária do zoológico de Atlanta, nos EUA, faz exame cardíaco em orangotango de nove anos batizado de Satu. (Foto: Dorie Turner/AP)

Fonte: Globo Natureza


7 de março de 2012 | nenhum comentário »

Cidade é invadida por mais de 250 mil morcegos na Austrália

Moradores de Katherine estão preocupados com doenças como raiva.

Cidade é invadida por mais de 250 mil morcegos na Austrália (Foto: AFP)

Cidade é invadida por mais de 250 mil morcegos na Austrália (Foto: AFP)

Uma cidade no norte da Austrália foi invadida por mais de 250 mil morcegos, provocando alertas para doenças fatais ligadas à raiva.

O Centro de Controle de Doenças da Austrália alertou os moradores da cidade de Katherine, na região de Northern Territory, para evitarem contato com os morcegos-da-fruta, que portam o vírus da raiva (ABLV, na sigla em inglês).

A doença é transmitida por mordida ou arranhão. A diretora do Centro de Controle de Doenças, Vicki Krause, disse à imprensa australiana que o vírus é transmitido pela saliva do morcego.

No passado, já houve registros de mortes devido à raiva do morcego, mas os casos são raros, já que existe uma vacina contra o vírus. As vacinas têm efeito imediato.

As autoridades estão recomendando que pessoas mordidas ou arranhadas pelos morcegos limpem as feridas com bastante atenção, e busquem atendimento médico em seguida.

O governo fechou o principal complexo esportivo da cidade, que foi infestado por morcegos.

Nos últimos dias, houve uma diminuição no número de morcegos na cidade, mas ainda assim eles estão por toda a parte.

‘A cidade é cheia de espécies exóticas de plantas que estão dando frutos e flores ao longo do ano. É como se fosse um ‘drive-through’ de comida para os morcegos’, disse à BBC o guarda florestal John Burke.

Segundo os moradores de Katherine, a invasão de morcegos só acontece uma ou duas vezes por década.

Fonte: BBC

 


10 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Listras das zebras servem para espantar insetos, afirma pesquisa

Moscas transmissoras de doenças não se sentem atraídas por pele bicolor.
Espécie nasceria com pele negra e ganha listras brancas antes de nascer.

As listras das zebras podem não servir apenas para diferenciar esses animais dos cavalos ou mesmo só para recurso de camuflagem – na tentativa de escapar de predadores.

Biólogos divulgaram nesta quinta-feira (9) que as listras também são úteis para afastar insetos, que atrapalham os animais durante a alimentação, além de transmitir doenças.

De acordo com artigo publicado no “Journal of Experimental Biology”, as mutucas, moscas que têm uma mordida dolorosa e podem causar necrose na pele de mamíferos, seriam menos atraídas pelas listras, pois buscam animais com pele totalmente escura.

Negro com listras brancas
A comprovação ocorreu durante testes realizados em um campo de Budapeste, na Hungria. Cavalos brancos e negros foram colocados juntamente com espécimes de zebras em uma região com presença de mutucas.

Os pesquisadores ficaram surpresos ao descobrir que o modelo listrado foi o que menos atraiu as moscas. A equipe da Suécia e da Hungria verificou então que a zebra pode ter desenvolvido suas listras justamente para este tipo de proteção (evolução).

Eles sugerem que, durante o desenvolvimento dos embriões desta espécie, a pele totalmente escura ganha listras brancas antes do nascimento.

Zebra (Foto: Dennis Barbosa/G1)

Exemplares de zebra em safári africano. Animais teriam ganhado listras brancas durante processo de evolução para protegê-los de picadas de insetos (Foto: Dennis Barbosa/G1)

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


11 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Curitiba/PR aprova projeto que prevê controle de pombos

Os vereadores da Câmara de Curitiba aprovaram por unanimidade, na tarde desta quarta-feira (10), um projeto de lei que prevê o controle da população de pombos na cidade. De acordo com o autor da proposta, vereador Zé Maria (PPS), as aves devem ser capturadas, tratadas e soltas novamente. O objetivo é, em médio prazo, reduzir a circulação desses animais na área central e evitar a disseminação de doenças das quais os pombos são vetores. Para entrar em vigor, a lei precisa da sanção do prefeito Luciano Ducci.

O serviço deve ser realizado por uma empresa privada, que conte com equipe formada por zootecnista, biólogo e veterinário. Em locais onde há superpopulação de pombos, serão colocados contêineres especiais que funcionarão como grandes arapucas. As aves serão atraídas com água tratada e comida e, uma vez que entrem no dispositivo, ficarão presas.

“Os pombos serão recolhidos pela empresa e levados para uma chácara, onde receberão tratamento adequado, até serem soltos novamente”, diz o vereador. Segundo Zé Maria, as aves serão cadastradas e receberão um medicamento que inibe a postura de ovos. Ao serem postos em liberdade, os animais terão um anel de identificação afixado na pata.

De acordo com o projeto, a empresa responsável pelo serviço será escolhida por licitação pública. O vereador afirma que não haverá custos para a municipalidade. “O grupo que for realizar o trabalho, poderá explorar espaços publicitários nos contêineres”, explica.

Dentre as doenças transmitidas pelos pombos estão criptococose (doença do pombo) salmonelose, histoplasmose, toxicoplasmose, ornitose e alergias de maneira geral. As fezes desses animais também contêm fungos e bactérias nocivos à saúde humana.

Em Londrina – No ano passado, Londrina, no Norte do Estado, tentou uma série de medidas para reduzir a população de pombos no município. A pedido da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, o Insituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) autorizou o abate de 50 mil aves, em julho do ano passado.

Neste ano, a cidade testou um gel repelente para afugentar as aves. Em 2009, a prefeitura instalou aparelhos que emitem frequências sonoras inaudíveis ao ouvido humano, mas que são percebidos pelos pombos e afugentam essas aves. Um estudo apontou o aparelho provocou a redução de 40% da população em locais onde o dispositivo era usado.

Fonte: Gazeta do Povo/PR


22 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Estudo com animais atropelados vai ajudar no combate a doenças

Exemplar de cachorro-do-mato atropelado e que foi utilizado na pesquisa de doenças feitas pela Unesp (Foto: Divulgação/Unesp)

Exemplar de cachorro-do-mato atropelado e que foi utilizado na pesquisa de doenças feitas pela Unesp (Foto: Divulgação/Unesp)

Estudo feito com animais silvestres que morreram por atropelamento na região centro-oeste do estado de São Paulo vai colaborar no mapeamento e combate a doenças que afetam o ser humano, como a toxoplasmose e a leishmaniose.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, vai detectar fungos e outros microorganismos que possam ter infectado os animais examinados, cruzando estas informações com ocorrências de enfermidades que atingiram a população.

Segundo Virgínia Richini Pereira, bióloga da Unesp e uma das responsáveis pelo estudo, ao menos 80 animais que foram atropelados nas estradas federais e estaduais que cortam os municípios de Botucatu, Bauru e Piracicaba foram examinados. São tamanduás, onças-pardas, tatus, entre outros espécimes que não sobreviveram ao impacto com os veículos.

“Nós analisamos órgãos internos como pulmão, fígado, baço. São feitos vários exames para detectar se os agentes causadores de problemas de saúde estão nesses animais”, afirmou. “Já conseguimos detectar em Bauru, por exemplo, o parasita causador da leishmaniose. Em Botucatu, foi identificada a paracoccidiomicose, doença que causa lesões importantes nos órgãos humanos e atinge, principalmente, trabalhadores rurais”, disse a pesquisadora.

Com isso, poderão ser feitas ações combativas pelos órgãos de zoonoses para evitar uma proliferação das endemias em determinadas áreas. A previsão é que o mapeamento seja concluído em seis meses.

Atropelamento
O atropelamento de animais silvestres ainda afeta a biodiversidade brasileira e mata, diariamente, uma grande quantidade de exemplares de diversas espécies, entre elas as ameaçadas de extinção.

Na região do Pantanal, em Mato Grosso do Sul, por exemplo, somente em 2010 morreram 8 mil animais nas estradas, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama). “É um grave problema na questão da preservação. Muitas espécies que estão na lista vermelha são afetadas por conta disto”, afirmou Virgínia.

Fonte: Globo Natureza


23 de maio de 2011 | nenhum comentário »

DNA pode ter leitura ‘traidora’, diz estudo

Pesquisa americana sugere novo processo de variação no genoma. Versão do ‘texto’, dos genes que fica ativa no organismo difere da que está no DNA; estudo de doenças se complica.

O reinado absoluto do DNA sobre a operação das células anda abalado. Uma nova conspiração contra o monarca vem de um conhecido rebelde: seu “irmão”, o RNA.

 

Acontece que a molécula-irmã do DNA, normalmente responsável por levar as instruções codificadas nos genes para serem colocadas em prática pelo organismo, pode estar alterando essas “leis” de maneira ainda misteriosa.

 

Os dados a respeito ainda são preliminares, mas sugerem que não se trata de um fenômeno raro. Segundo Vivian Cheung e seus colegas da Universidade da Pensilvânia (EUA), há sinais da rebeldia do RNA em cinco mil genes.

 

Isso corresponde a algo entre um quarto e um quinto do total dos genes humanos, dependendo de como se faz a conta. As mudanças, ao menos em alguns casos, têm impacto significativo nas proteínas, as verdadeiras carregadoras de piano do organismo, que dependem das instruções trazidas pelo RNA para serem “montadas” pela célula.

 

Se a descoberta estiver correta, além de alterar o que se sabe sobre mecanismos essenciais do funcionamento da vida, exigirá bem mais sofisticação por parte de quem tenta achar a origem genética de muitas doenças. Isso porque não bastará olhar o DNA dos pacientes: será preciso conferir se o código contido nos genes sofre alterações na fase posterior.

 

Cultivados – Cheung e seus colegas flagraram as alterações em três tipos de tecido humano: linfócitos B (do sistema de defesa), células da pele e do cérebro. As amostras vieram de um grupo de 27 doadores. Isso, aliás, permitiu que os pesquisadores vissem que as mudanças tendiam a acontecer em mais de uma pessoa. Basicamente, o que ocorria é que a sequência de “letras” químicas do DNA sofria trocas de “letra” na versão RNA.

 

Mais importante ainda, isso afetava quase sempre o pedaço funcional do gene, levando a mudanças nas proteínas correspondentes. Outro mistério: às vezes, a alteração acontece só em parte do RNA da pessoa, enquanto o resto pode ficar em situação “normal”. A pesquisa será publicada numa edição futura da revista especializada americana “Science”.

Fonte: Folha de São Paulo


10 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Mariposa inspira nanotecnologia para estudar Mal de Alzheimer

Imitando a estrutura das antenas da mariposa da seda, pesquisadores desenvolveram um nanoporo que irá ajudar a lidar com uma classe de doenças neurodegenerativas que inclui o Mal de Alzheimer.

A minúscula ferramenta em forma de túnel – tecnicamente chamada de nanoporo – foi desenvolvida por uma equipe coordenada por cientistas da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

Os nanoporos são essencialmente furos muito pequenos e muito precisos, feitos em uma pastilha de silício. Eles funcionam como minúsculos dispositivos de medição, que permitem o estudo de moléculas individuais e proteínas conforme estas passam através deles.

Mesmos os melhores nanoporos construídos hoje entopem facilmente, o que tem impedido que a tecnologia cumpra todo o seu potencial – os cientistas esperam que os nanoporos permitam a construção de uma nova geração de equipamentos de sequenciamento de DNA mais rápidos e mais baratos, apenas para citar um exemplo.

Biomimetismo – A equipe foi buscar na natureza a inspiração para resolver essas limitações.

A solução veio na forma de uma cobertura oleosa que reveste o nanoporo. O revestimento captura e conduz a molécula de interesse suavemente através do nanoporo, sem causar entupimento.

O revestimento também permite que os pesquisadores ajustem a espessura do nanoporo com uma precisão próxima ao nível atômico.

“Isso nos dá uma ferramenta muito melhor para a caracterização das biomoléculas,” disse Michael Mayer, coautor do estudo.

“O nanoporo nos permite obter dados sobre o seu tamanho, carga, forma, concentração e a velocidade com que se montam. Isto poderá nos ajudar a entender, e possivelmente diagnosticar, o que sai errado em uma categoria de doenças neurodegenerativas que inclui Parkinson, Huntington e Alzheimer,” explica o cientista.

Antenas da mariposa da seda – A “bicamada lipídica fluida” foi inspirada em um revestimento que recobre as antenas da mariposa da seda do sexo masculino, que ajuda o animal a detectar o cheiro das mariposas fêmeas que se encontram nas proximidades.

O revestimento captura as moléculas de feromônio no ar e as transporta através de nanocanais no exoesqueleto até as células nervosas, que enviam uma mensagem ao cérebro do inseto.

“Estes feromônios são lipofílicos. Eles tendem a se ligar a lipídios, materiais semelhantes à gordura. Assim, eles ficam presos e se concentram na superfície desta camada lipídica da mariposa da seda. A camada lubrifica o movimento dos feromônios para que eles cheguem onde são necessários. Nosso novo revestimento tem a mesma finalidade,” explica Mayer.

Peptídeos beta-amiloide – Uma das principais linhas de pesquisa do grupo é o estudo de proteínas chamadas peptídeos beta-amiloide, que os cientistas acreditam se coagule em fibras que afetam o cérebro no Mal de Alzheimer.

Eles estão interessados em estudar o tamanho e a forma destas fibras, e como exatamente elas se formam.

Para usar os nanoporos em experimentos, os pesquisadores colocam a pastilha perfurada entre duas câmaras de água salgada, uma das quais contém as moléculas a serem estudadas. A seguir, uma corrente elétrica é aplicada entre as câmaras, criando um movimento iônico que força as moléculas a passarem através dos nanoporos.

Conforme a molécula ou proteína atravessa o nanoporo, ela altera a resistência elétrica do poro. A mudança observada dá aos pesquisadores informações valiosas sobre o tamanho da molécula, sua carga elétrica e sua forma.

Fonte: Site Inovação Tecnológica


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