10 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Código Florestal “feito por maluco”, artigo de José Eli da Veiga

José Eli da Veiga é professor de programas de pós-graduação do Instituto de Relações Internacionais da USP (IRI/USP) e do Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê). Artigo publicado na Folha de São Paulo de ontem (9).

O projeto para revogar o Código Florestal que a Câmara submeteu à presidente Dilma foi “feito por maluco”, diz o deputado federal Nelson Marquezelli (PTB-SP), um dos mais tarimbados líderes do agronegócio exportador, em entrevista ao site Congresso em Foco.

 

Não há como ser menos severo com o grupo de pretensos ruralistas que conseguiu arrastar o PMDB para um dos momentos mais vergonhosos de sua história, conspurcando a memória de todos os que acompanharam o dr. Ulysses em sua epopeia contra a ditadura militar.

 

Por incrível que possa parecer para muita gente, se o “Novo Código Florestal de 1965″ for revogado por algo parecido com esse projeto de lei 1876/99, o retrocesso será muito mais político e econômico do que ecológico.

 

Ele, ao consolidar estragos ambientais já perpetrados, promoverá imensos ganhos patrimoniais aos detentores de domínios no Centro-Oeste e no Norte nos quais as áreas de preservação permanente (APPs) foram derrubadas, queimadas e maquiadas com capim. Não para expandir a produção agrícola, como muitos ingenuamente acreditam.

 

É o que basta para entender tanto a revolta desse grande exportador de laranja lá de Pirassununga como a geografia da votação do relatório. Aprovado com 100% dos votos das bancadas de Tocantins e de Mato Grosso, ou com mais de 85% dos votos das de Rondônia, Goiás e Roraima, foi rejeitado pelas bancadas de São Paulo (41 a 26) e do Rio de Janeiro (25 a 15).

 

O projeto anterior, agora apelidado de “monstrengo”, havia sido aprovado em 24 de abril de 2011 por 410 dos 513 deputados. Esse novo, “feito por louco”, apesar de ter sido cavalo da batalha intergovernamental do PMDB contra o PT, só obteve 274 votos favoráveis, pouco mais de 50%. E menos de 50% pelo critério do número de eleitores que botaram os atuais deputados na Câmara.

 

Será absolutamente legítima, portanto, a possível decisão de veto integral com a imediata promulgação de uma medida provisória que restaure ao menos aquele bom senso que prevaleceu no Senado em 6 de dezembro. Com chances de se evitar três sérios cochilos ali cometidos.

 

Não é possível ignorar que a Lei de Crimes Ambientais (9.605, de 12/02/1998) foi regulamentada desde 1999. Posteriores desmatamentos de APP foram crimes dolosos que, se perdoados, configurariam mais indulto que anistia. A escolha de julho de 2008 para demarcar o passivo é uma mesquinha vingança contra a regulamentação específica do governo Lula.

 

Se houver excepcionalidade para os chamados “pequenos produtores”, não se deve usar a figura do imóvel rural (com área de até tantos módulos), porque não há qualquer correspondência entre propriedade (imóvel) e empreendimento (estabelecimento).

 

É preciso respeitar a Lei da Agricultura Familiar (11.326, de 24/07/2006), cujos critérios impedem que imóvel voltado à especulação fundiária seja tomado como se fosse dedicado à agricultura de pequena escala.

 

Terceiro, mas não menos importante: é preciso banir pastagem em APP, pois não há pior atentado ao beabá do conhecimento agronômico, como bem enfatizou o agroexportador e deputado Marquezelli.

 

* A equipe do Jornal da Ciência esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem a opinião do jornal.

 

Fonte: Jornal da Ciência

 


2 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Carvão de bambu é alternativa ecológica à lenha na África, diz estudo

Parceria da China com países africanos quer fomentar técnica de biomassa.
Material reduziria desmatamento e emissão de gases de efeito estufa.

Uma tecnologia desenvolvida por uma organização da China pode ajudar a alavancar o setor de bioenergia no continente africano, reduzir o ritmo de desmatamento e, consequentemente, o impacto da mudança climática.

A Rede Internacional de Bambu e Rattan (Inbar, na sigla em inglês), organização com sede na Ásia dedicada à redução da pobreza, juntamente com países da África, pretende fomentar o uso do carvão extraído do bambu entre as famílias da região subsaariana para reduzir o uso de madeira para lenha.

Experimentos feitos na Etiópia e em Gana com o carvão de bambu fizeram com que esta biomassa fosse colocada no centro das políticas de energias renováveis.

“O bambu cresce naturalmente em todo o continente e se apresenta como uma alternativa viável, mais limpa e sustentável do que a lenha”, disse J. Coosje Hoogendoorn, diretor geral da Inbar em evento paralelo que ocorreu nesta sexta-feira (2) durante a COP 17, em Durban, naÁfrica do Sul.

Menos emissões
O bambu é uma das plantas que mais crescem no planeta e podem ser produzidas em grande quantidade como biomassa. As árvores podem ser colhidas depois de três anos e toda a planta pode ser usada para produzir carvão vegetal, feito através de queima controlada em fornos.

“Sem essa alternativa, o carvão vegetal proveniente da madeira continuará a ser a fonte primária de energia nas próximas décadas, o que acarretaria consequências desastrosas”, explica.

Cientistas preveem que a queima de madeira por famílias africanas vai liberar o equivalente a 6,7 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera até 2050. Além disso, a fumaça emitida pela queima mata cerca de 2 milhões de pessoas por ano, principalmente mulheres e crianças. Até 2030, estima-se a morte prematura de 10 milhões de pessoas devido à inalação de gases que vêm da queima da madeira.

Moradora de Gana utiliza bambu para fogueira. Foco de organização é fomentar uso de planta para reduzir desmate de árvores (Foto: Divulgação/Inbar)

Moradora de Gana utiliza bambu para fogueira. Foco de organização é fomentar uso de planta para reduzir desmate de árvores e diminuir emissão de gases (Foto: Divulgação/Inbar)

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


12 de abril de 2009 | nenhum comentário »

Fogão solar ganha prêmio de melhor criação ecológica

Um fogão solar foi o vencedor de um concurso que premiou invenções que preservam o meio ambiente.

A Caixa Kyoto, como o fogão foi apelidado, é feita de papelão e pode ser usada para ferver água e cozinhar alimentos.

O criador do produto, Jon Bohmer, está baseado no Quênia e disse que espera espalhar sua idéia nos países em desenvolvimento, evitando que o uso da lenha continue devastando florestas em todo o mundo.

Organizado pelo Fórum para o Futuro, uma instituição beneficente que promove desenvolvimento sustentável, a competição concedeu ao vencedor um prêmio de US$ 75 mil (cerca de R$163 mil). A idéia do concurso foi apoiar conceitos que provaram sua realização, mas não ganharam o suporte do mundo corporativo.

Papelão e tinta – A Caixa de Kyoto é feita de duas caixas de papelão nas quais se cola uma folha de papel laminado no fundo. O papel laminado é pintado de preto para maximizar a absorção de calor.

Ao cobrir a caixa com uma tampa transparente, o calor é retido podendo elevar a temperatura dentro do objeto a até 80 C.

Os juízes dizem ter ficado impressionados com a capacidade de produção em larga escala do fogão solar.

“Nós podemos usar as fábricas de papelão e começar a construir milhares e milhares de fogões todo mês”, disse John Bohmer, que também é fundador da fábrica Kyoto Energy, no Quênia.

full black swan film high quality

Bohmer espera ganhar patrocínio do mercado internacional de carbono. Ao demonstrar que o uso da Caixa de Kyoto reduz as emissões de gás carbônico, ele poderá ganhar créditos de carbono de países e empresas ocidentais.

Entre outros finalistas da competição, estavam um acessório que diminui a resistência do ar em caminhões de carga, reduzindo o uso de combustível, um forno de microondas gigante que transforma madeira em carvão, e um painel que, acoplado ao teto, refresca ambientes fechados. (Fonte: Estadão Online)






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Código Florestal “feito por maluco”, artigo de José Eli da Veiga

José Eli da Veiga é professor de programas de pós-graduação do Instituto de Relações Internacionais da USP (IRI/USP) e do Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê). Artigo publicado na Folha de São Paulo de ontem (9).

O projeto para revogar o Código Florestal que a Câmara submeteu à presidente Dilma foi “feito por maluco”, diz o deputado federal Nelson Marquezelli (PTB-SP), um dos mais tarimbados líderes do agronegócio exportador, em entrevista ao site Congresso em Foco.

 

Não há como ser menos severo com o grupo de pretensos ruralistas que conseguiu arrastar o PMDB para um dos momentos mais vergonhosos de sua história, conspurcando a memória de todos os que acompanharam o dr. Ulysses em sua epopeia contra a ditadura militar.

 

Por incrível que possa parecer para muita gente, se o “Novo Código Florestal de 1965″ for revogado por algo parecido com esse projeto de lei 1876/99, o retrocesso será muito mais político e econômico do que ecológico.

 

Ele, ao consolidar estragos ambientais já perpetrados, promoverá imensos ganhos patrimoniais aos detentores de domínios no Centro-Oeste e no Norte nos quais as áreas de preservação permanente (APPs) foram derrubadas, queimadas e maquiadas com capim. Não para expandir a produção agrícola, como muitos ingenuamente acreditam.

 

É o que basta para entender tanto a revolta desse grande exportador de laranja lá de Pirassununga como a geografia da votação do relatório. Aprovado com 100% dos votos das bancadas de Tocantins e de Mato Grosso, ou com mais de 85% dos votos das de Rondônia, Goiás e Roraima, foi rejeitado pelas bancadas de São Paulo (41 a 26) e do Rio de Janeiro (25 a 15).

 

O projeto anterior, agora apelidado de “monstrengo”, havia sido aprovado em 24 de abril de 2011 por 410 dos 513 deputados. Esse novo, “feito por louco”, apesar de ter sido cavalo da batalha intergovernamental do PMDB contra o PT, só obteve 274 votos favoráveis, pouco mais de 50%. E menos de 50% pelo critério do número de eleitores que botaram os atuais deputados na Câmara.

 

Será absolutamente legítima, portanto, a possível decisão de veto integral com a imediata promulgação de uma medida provisória que restaure ao menos aquele bom senso que prevaleceu no Senado em 6 de dezembro. Com chances de se evitar três sérios cochilos ali cometidos.

 

Não é possível ignorar que a Lei de Crimes Ambientais (9.605, de 12/02/1998) foi regulamentada desde 1999. Posteriores desmatamentos de APP foram crimes dolosos que, se perdoados, configurariam mais indulto que anistia. A escolha de julho de 2008 para demarcar o passivo é uma mesquinha vingança contra a regulamentação específica do governo Lula.

 

Se houver excepcionalidade para os chamados “pequenos produtores”, não se deve usar a figura do imóvel rural (com área de até tantos módulos), porque não há qualquer correspondência entre propriedade (imóvel) e empreendimento (estabelecimento).

 

É preciso respeitar a Lei da Agricultura Familiar (11.326, de 24/07/2006), cujos critérios impedem que imóvel voltado à especulação fundiária seja tomado como se fosse dedicado à agricultura de pequena escala.

 

Terceiro, mas não menos importante: é preciso banir pastagem em APP, pois não há pior atentado ao beabá do conhecimento agronômico, como bem enfatizou o agroexportador e deputado Marquezelli.

 

* A equipe do Jornal da Ciência esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem a opinião do jornal.

 

Fonte: Jornal da Ciência

 


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Carvão de bambu é alternativa ecológica à lenha na África, diz estudo

Parceria da China com países africanos quer fomentar técnica de biomassa.
Material reduziria desmatamento e emissão de gases de efeito estufa.

Uma tecnologia desenvolvida por uma organização da China pode ajudar a alavancar o setor de bioenergia no continente africano, reduzir o ritmo de desmatamento e, consequentemente, o impacto da mudança climática.

A Rede Internacional de Bambu e Rattan (Inbar, na sigla em inglês), organização com sede na Ásia dedicada à redução da pobreza, juntamente com países da África, pretende fomentar o uso do carvão extraído do bambu entre as famílias da região subsaariana para reduzir o uso de madeira para lenha.

Experimentos feitos na Etiópia e em Gana com o carvão de bambu fizeram com que esta biomassa fosse colocada no centro das políticas de energias renováveis.

“O bambu cresce naturalmente em todo o continente e se apresenta como uma alternativa viável, mais limpa e sustentável do que a lenha”, disse J. Coosje Hoogendoorn, diretor geral da Inbar em evento paralelo que ocorreu nesta sexta-feira (2) durante a COP 17, em Durban, naÁfrica do Sul.

Menos emissões
O bambu é uma das plantas que mais crescem no planeta e podem ser produzidas em grande quantidade como biomassa. As árvores podem ser colhidas depois de três anos e toda a planta pode ser usada para produzir carvão vegetal, feito através de queima controlada em fornos.

“Sem essa alternativa, o carvão vegetal proveniente da madeira continuará a ser a fonte primária de energia nas próximas décadas, o que acarretaria consequências desastrosas”, explica.

Cientistas preveem que a queima de madeira por famílias africanas vai liberar o equivalente a 6,7 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera até 2050. Além disso, a fumaça emitida pela queima mata cerca de 2 milhões de pessoas por ano, principalmente mulheres e crianças. Até 2030, estima-se a morte prematura de 10 milhões de pessoas devido à inalação de gases que vêm da queima da madeira.

Moradora de Gana utiliza bambu para fogueira. Foco de organização é fomentar uso de planta para reduzir desmate de árvores (Foto: Divulgação/Inbar)

Moradora de Gana utiliza bambu para fogueira. Foco de organização é fomentar uso de planta para reduzir desmate de árvores e diminuir emissão de gases (Foto: Divulgação/Inbar)

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


12 de abril de 2009 | nenhum comentário »

Fogão solar ganha prêmio de melhor criação ecológica

Um fogão solar foi o vencedor de um concurso que premiou invenções que preservam o meio ambiente.

A Caixa Kyoto, como o fogão foi apelidado, é feita de papelão e pode ser usada para ferver água e cozinhar alimentos.

O criador do produto, Jon Bohmer, está baseado no Quênia e disse que espera espalhar sua idéia nos países em desenvolvimento, evitando que o uso da lenha continue devastando florestas em todo o mundo.

Organizado pelo Fórum para o Futuro, uma instituição beneficente que promove desenvolvimento sustentável, a competição concedeu ao vencedor um prêmio de US$ 75 mil (cerca de R$163 mil). A idéia do concurso foi apoiar conceitos que provaram sua realização, mas não ganharam o suporte do mundo corporativo.

Papelão e tinta – A Caixa de Kyoto é feita de duas caixas de papelão nas quais se cola uma folha de papel laminado no fundo. O papel laminado é pintado de preto para maximizar a absorção de calor.

Ao cobrir a caixa com uma tampa transparente, o calor é retido podendo elevar a temperatura dentro do objeto a até 80 C.

Os juízes dizem ter ficado impressionados com a capacidade de produção em larga escala do fogão solar.

“Nós podemos usar as fábricas de papelão e começar a construir milhares e milhares de fogões todo mês”, disse John Bohmer, que também é fundador da fábrica Kyoto Energy, no Quênia.

full black swan film high quality

Bohmer espera ganhar patrocínio do mercado internacional de carbono. Ao demonstrar que o uso da Caixa de Kyoto reduz as emissões de gás carbônico, ele poderá ganhar créditos de carbono de países e empresas ocidentais.

Entre outros finalistas da competição, estavam um acessório que diminui a resistência do ar em caminhões de carga, reduzindo o uso de combustível, um forno de microondas gigante que transforma madeira em carvão, e um painel que, acoplado ao teto, refresca ambientes fechados. (Fonte: Estadão Online)