21 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Economia verde em xeque

“Economia verde” costuma ser usada para descrever a compatibilização do crescimento econômico com o meio ambiente, um dos blocos do crescimento sustentável. Segundo a Green Economy Initiative, iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) lançada em 2008, a economia verde resulta em melhoria do bem-estar humano e da igualdade social, enquanto reduz os riscos ambientais e a escassez ecológica.

Apesar de ser usada há mais de 20 anos, a expressão “economia verde” ainda é controversa, assim como seu próprio conceito. Enquanto para alguns é perfeitamente possível, para os mais críticos ela seria uma tentativa de viabilizar a sociedade de consumo e adiar mudanças estruturais.

Essa foi a tônica de um painel que reuniu cientistas de diversos países no Rio de Janeiro durante as discussões para a RIO+20. No encontro, os pesquisadores debateram as possibilidades de uma economia verde, se esse modelo requer uma mudança de paradigma nos padrões econômicos ou se é compatível com os mercados competitivos, com a mercantilização de recursos e com a expansão do consumo.

A economista Elizabeth Stanton, do Instituto do Meio Ambiente de Estocolmo, Suécia, pontuou que é preciso analisar para quem os benefícios desse novo paradigma econômico seriam distribuídos. “A tendência é fazer os pobres ficarem mais ricos ou os ricos ainda mais ricos?”, questionou.

Tim Jackson, professor de desenvolvimento sustentável da Universidade de Surrey, na Inglaterra, e autor do livro Prosperity without growth (“Prosperidade sem crescimento”), defendeu uma mudança de valores, com menos consumismo e individualismos.

“O crescimento econômico tem distribuído seus benefícios de maneira desigual. Longe de elevar o padrão de vida dos pobres, o crescimento piorou a situação de boa parte da população mundial. A riqueza favoreceu uma minoria”, disse.

“À medida que a economia se expande, crescem as implicações nos recursos naturais envolvidos, com impactos globais que já são insustentáveis. No último meio século, enquanto a economia global crescia, 60% dos ecossistemas mundiais foram degradados. Uma escassez de recursos naturais básicos – como o petróleo – pode estar a menos de uma década de nós”, afirmou Jackson.

“A economia verde é uma forma de negar evidências como a de que a concentração de dióxido de carbono está crescendo a 2 partes por milhão (ppm) ao ano”, disse o espanhol Joan Martinez Alier, da Universidade de Barcelona, à Agência FAPESP.

Segundo o economista catalão, a base do acordo deveria ser o hemisfério Norte global renunciar ao crescimento econômico em favor do crescimento do Sul.

“Creio que o Norte deveria ter economias sem crescimento e o Sul deveria reduzir suas extrações naturais para a metade e passar a exportar menos seus produtos. O que o Sul também poderia fazer era aumentar os impostos sobre a exportação. No caso brasileiro, por exemplo, quem pagaria por um possível acidente ecológico na extração do petróleo do fundo do mar, com o pré-sal?”, disse.

Para Alier, a proposta de sustentabilidade mundial baseada em ajudas financeiras multilaterais não é o caminho. “Emprestar dinheiro, como historicamente se tem feito, não é a saída, pois preservar o meio ambiente não é uma questão de milhões, mas sim de controlar a mudança climática e manter a biodiversidade”, disse.

“Em relação aos países do hemisfério Sul, há um pensamento de que eles são demasiados pobres para serem ecológicos. Mas do que morreram pessoas como Chico Mendes se não para defender a ecologia? Ecologia não é um luxo, é uma necessidade para todos”, afirmou Alier.

Recursos naturais

Lidia Brito, diretora da divisão de Políticas Científicas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), rejeita a expressão “economia verde”.

“Para ser honesta, na Unesco não falamos em economia verde. Falamos de sociedade verde. Penso que o ceticismo dos investigadores vem daí: a discussão não é sobre economia. O que temos certeza é que não é possível falar apenas de um dos blocos do desenvolvimento sustentável”, disse.

“A economia não pode ser discutida sem as questões sociais, culturais e ambientais. Elas estão interligadas e não podem ser tratadas de forma independente. Fico satisfeita com os cientistas brasileiros, que não querem falar apenas em economia. Temos que falar em sociedade verde, para destacar essa força de mudança”, disse Brito.

Na opinião de Ronaldo Seroa da Motta, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e professor de Economia Ambiental do Ibmec no Rio de Janeiro, não há outra saída a não ser tentar uma economia que seja restritiva no uso de recursos naturais.

“Sou a favor da precificação dos recursos naturais. Enquanto tivermos água barata, por exemplo, vamos consumir mais. Devemos nos preocupar com o produto líquido, quer dizer, o quanto que de capital natural perdemos para gerar uma determinada produção. Era isso que deveríamos estar medindo”, disse.

“Se aumentarmos o preço dos serviços ambientais, teremos uma perda de crescimento econômico em curto prazo, mas depois isso será revertido. Um exemplo: devido ao alto índice de desmatamento das florestas, o cerceamento à extração de madeiras fez com que passássemos a usar derivados de petróleo, e hoje vemos muitos produtos de plástico e quase nada de madeira. Mas se tivermos uma política agressiva na área ambiental, a primeira coisa a ser feita é reflorestar, opção mais barata e urgente”, afirmou.

Segundo Motta, ex-diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), é preciso reflorestar 10% da superfície do planeta para capturar carbono. “Isso impulsionaria enormemente o setor produtivo da madeira, uma vez que vamos extrair madeira e mobilizá-la em artigos como móveis, para poder fazer a madeira crescer novamente e continuar capturando carbono”, disse.

“Então, daqui a 30 anos, por exemplo, o fato de colocarmos o preço do carbono alto e todo mundo ter que plantar para poder continuar a produzi-lo, implicará em crescimento econômico impulsionado pelo setor produtivo da madeira, mais competitivo, sem degradação do meio ambiente”, disse.

De acordo com Motta, a saída não é aumentar o preço do que não é sustentável por meio de impostos, mas sim incentivar iniciativas sustentáveis cujos produtos sejam mais baratos.

Fonte: Agência FAPESP


15 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Para ‘criadora’, desenvolvimento sustentável ainda é conceito válido

Ex-premiê da Noruega liderou comissão que criou o conceito em 1987.
Economia verde não toma lugar do desenvolvimento sustentável, disse.

Gro Harlem Brundtland, durante entrevista no Rio de Janeiro (Foto: Darlan Alvarenga/G1)

Gro Harlem Brundtland, durante entrevista no Rio de Janeiro (Foto: Darlan Alvarenga/G1)

A ex-primeira ministra da Noruega Gro Harlem Brundtland, ‘criadora’ do conceito de desenvolvimento sustentável, afirmou nesta quinta-feira (14) que as ideias e objetivos elaborados há 25 anos continuam válidos e relevantes, e que o principal desafio está na implementação das medidas e a cooperação entre os países.

Gro Brundtland entrou para a história quando liderou a comissão que apresentou, em 1987, o relatório “O Nosso Futuro Comum”, que introduziu o conceito de desenvolvimento sustentável nas discussões sobre preservação ambiental, definido como o “que atenda às necessidades das gerações presentes sem comprometer a habilidade das gerações futuras de suprirem suas próprias necessidades”.

Para ela, as discussões em torno da ‘economia verde’ na Rio+20 não significam necessariamente uma revisão do conceito de desenvolvimento sustentável.

“Esta é uma história complicada. Ainda não há uma definição completa sobre economia verde”, disse em entrevista, após participação no Encontro da Indústria para a Sustentabilidade, que ocorre no Hotel Sofitel, no Rio de Janeiro. “Eu nunca entendi quando alguém fala que a economia verde vai tomar lugar do desenvolvimento sustentável, porque o desenvolvimento sustentável já é algo concordado amplamente”, completou.

Ela lembrou que o termo ‘economia verde’ ainda é controverso e não muito compreendido porque para alguns abrange apenas a integração da economia com o meio ambiente, sem considerar as questões sociais. “Essa não é definitivamente a minha visão. Tem de ser social, ambiental e econômico”, disse.

A ex-ministra destacou também que a ideia de mensurar o crescimento da economia por instrumentos adicionais ao do Produto Interno Bruto (PIB), como indicadores ambientais e sociais, também não é de agora e foi defendida durante a elaboração do relatório de 1987.

“25 anos depois isso ainda não aconteceu”, disse Gro. Ela destacou que se fossem considerados os métodos de utilização dos recursos naturais o crescimento econômico de países como a China seria “bem menor”.

Ela se disse, no entanto, otimista sobre os resultados da Rio+20, que têm como temas centrais: “economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza” e “estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável”.

“Espero que haja acordos em várias questões, como por exemplo nas discussões em torno da energia limpa para o desenvolvimento sustentável, porque é do interesse de todos e se relaciona diretamente ao social, humano e à economia”, afirmou Gro Harlem.

A ex-ministra também apoiou a proposta do G77+China de criar um fundo anual de US$ 30 bilhões para estimular o desenvolvimento sustentável.

“Acho que é uma boa ideia. É importante ter instrumentos financeiros que possam ajudar na mudança de tecnologias e na inovação tecnológica”, afirmou, lembrando que durante a conferência de Copenhague, em 2009, foram iniciadas conversas em torno do tema.

“Em Copenhague houve conversas nessa direção, mas não houve prosseguimento e a crise financeira dificultou. Mas tenho certeza que isso irá progredir aqui no Rio, ainda que talvez não tão bem sucedida quanto deveria”, completou.

Fonte: Globo Natureza


13 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Ministra critica legislação ambiental

Na abertura do ciclo de debates do MMA na Rio+20, Izabella Teixeira criticou ‘miopia ambiental’ no País e a falta de comunicação entre as esferas governamentais.

Com duras críticas à legislação ambiental brasileira, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, abriu na manhã de ontem (11) o ciclo de debates “Brasil sustentável – o caminho para todos”, que antecede a conferência da ONU Rio+20. Durante o encontro, que reuniu pesquisadores e especialistas no assunto no auditório Tom Jobim, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, a ministra discutiu a situação das Unidades de Conservação e o futuro das florestas do País. “As leis, da forma como estão estabelecidas atualmente, impedem muitas soluções que resolveriam problemas ambientais. Precisamos de debates concretos que levem a estruturação desse sistema”, declarou.

 

Durante o evento, Izabella Teixeira anunciou ter pedido ao Instituto Chico Mendes um mapa de todas as Unidades de Conservação do País e um levantamento com os problemas que elas enfrentam. A ministra garantiu, sem estipular um prazo específico, que as informações serão colocadas na internet para que a sociedade possa acompanhar a situação das áreas e ajudar a preservá-las. A medida também deve facilitar a regularização fundiária.

 

“Temos parques com mais de 70 anos onde até hoje não indenizamos as pessoas. Em outras Unidades de Conservação, temos assentamentos enormes. É complexo, é complicado, mas temos que fazer, nem que leve 20 anos”, afirmou.

 

Outro alvo de crítica de Izabella foi a falta de comunicação entre as esferas federais, estaduais e os municípios nas ações de preservação do meio ambiente, além da pouca compreensão da sociedade com relação a algumas questões.

 

Apesar das críticas, a ministra fez questão de enumerar alguns avanços obtidos na área ambiental, como a diminuição do desmatamento. Segundo ela, o Brasil também é o único país do mundo a impor limites de proteção ambiental à propriedade privada. “Quando criamos uma área protegida, parece que envernizamos o desenvolvimento do local, e é justamente o oposto. O agricultor vai aumentar a produtividade quando recuperar uma área que ele desmatou no passado. Fomos capazes de evoluir em muitos temas. Em outros, nem tanto.”

 

Crescimento econômico - Em Brasília, a presidente Dilma Rousseff usou seu programa semanal de rádio para reforçar o discurso de que é possível combinar crescimento econômico, inclusão social e preservação ambiental. Dilma disse que “o Brasil tem dado um grande exemplo de respeito ao meio ambiente” e destacou que o País vai defender na Rio+20 que “crescer, incluir e proteger são três eixos com a mesma importância”. Segundo Dilma, o País tem sido citado pela ONU como referência na área ambiental.

 

“O Brasil tem dado um grande exemplo de respeito ao meio ambiente, mas também de capacidade de combinar a proteção da natureza com a redução da pobreza e o crescimento econômico. Na última década, elevamos 40 milhões de brasileiros à classe média, tiramos outras dezenas de milhões da pobreza e, ao mesmo tempo, reduzimos drasticamente o desmatamento da Amazônia e mantivemos o crescimento econômico”, disse a presidente, que amanhã (13) vai inaugurar o Pavilhão Brasil da Rio+20.

 

No “Café com a presidente”, Dilma destacou que, desde 2004, houve uma redução de 77% no índice de desmatamento ilegal no Brasil. Segundo a presidente, no ano passado, foi registrado “o menor desmatamento da História do País”. “O Brasil, que já tem o privilégio de abrigar a maior área de florestas tropicais do mundo, pode se orgulhar também de conseguir protegê-las cada vez mais”, afirmou.

 

A presidente disse ainda que a redução no nível de desmatamento no País se deve à “forte ação do governo na fiscalização”, com punição aos desmatadores, num trabalho combinado do Ibama, das Forças Armadas, da Polícia Federal e dos governos estaduais.

 

Acordo difícil - Em encontro com o prefeito Eduardo Paes no Rio de Janeiro, o secretário-geral da ONU para a Rio+20, Sha Zukang, reconheceu a dificuldade em estabelecer um acordo entre todos os países presentes. Para o diplomata chinês, o mundo retrocedeu, desde a Rio 92, na conservação ambiental, embora seja mais rico do que duas décadas atrás.

 

Zukang, porém, fez suas confissões sem perder o otimismo. O secretário acredita que será possível fechar esta semana os 200 parágrafos ainda em negociação do acordo que as Nações Unidas esperam endossar no fim da Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável. Por enquanto, 75% do documento seguem sem definição.

 

Embora diplomatas de diversos blocos de países já estejam debruçados sobre o acordo, as negociações formais ocorrerão apenas de quarta a sexta-feira.

 

A Rio+20 não contará com o presidente americano, Barack Obama nem com os primeiros-ministros do Reino Unido, David Cameron, e da Alemanha, Angela Merkel. Ainda assim, Zukang não considera que os possíveis acertos firmados na próxima semana serão esvaziados. O secretário da ONU evitou comentar a ausência dessas autoridades. “Cada um deles será representado por pessoas de alto nível, capazes de ratificar as decisões. Mas, se eles [Obama, Cameron e Merkel] tiverem algum tempo, ficaremos muito felizes que venham”, declarou.

 

Até agora, 134 chefes de Estado e governo já se inscreveram para discursar durante a conferência. Vinte anos atrás, foram 108. “Nosso trabalho não será mudar os princípios firmados na Rio 92, mas incluir outros. Temos novas preocupações, como direitos humanos e mudanças climáticas”, ressaltou Zukang. “Passaram 20 anos e não vimos progresso em temas como desenvolvimento sustentável e proteção ambiental. Na verdade, retrocedemos. Tudo o que estabelecemos àquela época é tão ou mais válido atualmente”.

 

Todos concordam, segundo o secretário, que atingir o desenvolvimento sustentável é “um trabalho difícil”. Isso porque a expressão, para sair do discurso e virar política pública, dependeria de três pilares: progresso econômico, social e ambiental. Embora o primeiro fator esteja melhor do que duas décadas atrás, os outros seguem questionáveis.

 

“Integrar os três pilares é muito complicado, até porque os países não estão no mesmo nível e cada um tem sua prioridade. O modelo atual de desenvolvimento, com o crescimento populacional, não se sustenta. Por isso acredito que podemos acertar soluções para os principais problemas”, alegou.

 

Com uma sociedade civil cada vez mais engajada na causa ambiental, o secretário chinês considera inevitável que a Rio+20 tenha um final feliz. “A Rio 92 deixou um grande impacto, mas esta provocará um efeito ainda maior na vida das pessoas, em seu futuro e em sua saúde”, assegurou.

Fonte: O Globo


4 de junho de 2012 | nenhum comentário »

‘Carta da Amazônia é concreta e muda modelo da ONU’, diz ministra

Ministras articulam audiência com Dilma Rousseff antes da Rio+20.
Para Ideli Salvatti, debate é bom por tratar de desenvolvimento sustentável.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, estão em Manaus nesta sexta-feira (1º). As representantes do governo federal participam do encerramento do “Encontro de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia para a Rio+20″. Representantes ministeriais encaminharão pleitos dos governadores à presidente Dilma Rousseff.

Antes do pronunciamento no evento, as titulares se reuniram com as autoridades dos nove estados da Amazônia Brasileira para tratar sobre a “Carta da Amazônia”, que integrará as discussões na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que acontece de 13 a 22 de junho, no Rio de Janeiro.

Para a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, um evento desta magnitude, que reúne todos estados da Amazônia Legal, é muito importante na preparação para Conferência das Nações Unidas que o Brasil será sede.

A representante enfatizou a disposição dos governadores em criar um Conselho do Desenvolvimento Sustentável com participação dos governos federal e estaduais, sociedade civil e municípios para que o desenvolvimento com sustentabilidade possa acontecer na Amazônia.

“A Amazônia tem um grande apelo mundial e por este motivo ela tem uma relevância neste evento. Por isso, o que os governadores fizeram preparando a carta, colocando as necessidades, os avanços e os pleitos são de fundamental importância nesse momento. Realço que na carta uma das principais deliberações é no sentido de avançar naquilo que será debatido na Rio+20, que é a governança para o desenvolvimento sustentável”, disse Ideli Salvatti.

Desmatamento
A ministra assegurou que o documento formulado pelas autoridades da Amazônia Legal será encaminhado a presidenta Dilma Rousseff. Além disso, as titulares irão articular uma audiência entre os governadores e a presidenta. “A ideia é que esse encontro ocorra antes da Rio+20 para que todos esses pleitos, análises e a parceira entre os governadores da Amazônia e a presidenta possa se consolidar”, concluiu Ideli Salvatti.

Já a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, ressaltou que a região Amazônica irá se apresentar ao mundo depois de 20 anos com a menor taxa de desmatamento da história. “Houve avanços nas políticas de desenvolvimento regional e com uma convergência de políticas importantes em relação ao mundo sustentável. O próprio sentido da erradicação da pobreza, da economia verde e inclusiva que aposta nos melhores caminhos em termos de sustentabilidade, que traga crescimento econômico e social”, declarou Izabella Texeira.

Na análise da titular, dois pontos importantes integram as prioridades da ‘Carta da Amazônia’: o foco nas questões urbanas e os aspectos das inovações científicas e tecnológicas. “A proposta dos governadores é uma proposta muito concreta com um comitê que vai avaliar, reunir as prioridades e as questões de buscar os meios para implementação, não vai ser uma governança separada e sim única, mudando o modelo atual das Nações Unidas”, explicou a ministra do Meio Ambiente.

Código Florestal
Com a aprovação do Código Florestal com 12 vetos e 32 alterações, havia suspeita de uma suposta manobra política por parte do Governo Federal para atrair uma maior participação de presidentes e representantes de nações na Rio+20. Em relação ao assunto, a ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, enfatiza que a solução encontrada foi “muito bem construída, que é social e ambiental, sendo a intenção solucionar os problemas do Brasil”.

Fonte: G1


31 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Estudo traz sugestões para economia verde no Brasil

A transição do Brasil para uma economia verde e sustentável depende da maior frequência de reajustes nos preços dos combustíveis fósseis, com base na variação do barril de petróleo no mercado internacional. É o que aponta coletânea de estudos elaborada pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS). Para fundação, a quase ausência de aumentos de preços dos combustíveis fósseis no mercado interno impede a competitividade dos biocombustíveis no Brasil.

A coletânea, elaborada dentre agosto de 2011 e maio desde ano, teve patrocínio da Ambev, BNDES, JSL, Light, Shell e Tetra Pak e investimento de R$ 540 mil. Os levantamentos, que contêm propostas para diferentes setores da economia brasileira, foram entregues à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e serão levados à conferência das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável, a Rio+20, de 13 a 22 de junho, no Rio.

 

O diretor superintendente da FBDS, Walfredo Schindler, afirmou que o objetivo dos estudos é trazer propostas para implementação imediata. Como não é objetivo da Rio+20 trazer metas de curto prazo, a expectativa da fundação é que os assuntos sejam conhecidos e discutidos em um primeiro momento, e possam ser tratados com mais atenção após a conferência.

 

Um dos 12 estudos que compõe a coletânea, intitulada “Diretrizes para uma Economia Verde no Brasil”, defende a incorporação dos impactos ambientais e sociais aos custos da energia. Isso, na prática, elevaria os preços reais da geração fóssil.

 

“A gasolina vem sendo mantida com preços artificialmente baixos há muito tempo”, disse Schindler. Mas admitiu, no entanto, que as reservas do pré-sal são ativos importantes e o óleo continuará a ter papel de destaque na economia mundial.

 

Para Schindler, o programa de produção e uso de etanol de cana no Brasil representa “o mais importante programa de energia renovável do mundo e equivale a economia de quase um milhão de barris de petróleo por dia”. Essa análise leva em conta produção de biocombustível líquido e eletricidade. Nos últimos 33 anos, segundo Schindler, a produtividade do etanol aumentou 3,6 vezes. “Hoje, utilizamos 27% da área de cana para produzir a mesma quantidade de etanol produzida nos anos 70″, disse.

 

Em relação à geração de energia elétrica, Schindler destacou que o Brasil “ainda tem a matriz energética muito limpa” em comparação com a média mundial. Entretanto, ressaltou que a quantidade de termelétricas a combustíveis fósseis tem crescido, principalmente por causa de questões ligadas à segurança energética, dificuldades para obtenção de licenciamento ambiental para hidrelétricas e complicações para o aproveitamento do potencial hídrico amazônico. Segundo ele, dos cerca de 55% do potencial hidrelétrico que ainda há para explorar no país, cerca de 70% está na Floresta Amazônica.

 

Dentre as propostas para aumentar a geração está o incremento da energia eólica. “De 15% a 20% da nossa demanda poderia ser suprida por meio de energia eólica”, disse Schindler. Segundo ele, entre 2009 e 2011 foram investidos quase R$ 30 bilhões, correspondentes à contratação de uma capacidade de 5.785 MW. Isso permitirá que a participação da energia eólica passe de pouco menos de 1% para mais de 5% da capacidade instalada de geração de energia no país, até 2014.

 

Outra defesa do estudo é que a modernização de hidrelétricas mais antigas podem trazer ganhos de capacidade de 2,5% a 20%. Segundo Schindler, é possível efetuar programas de repotenciação em instalações que hoje correspondem a 32 GW instalados com custos de R$ 250 a R$ 600 por kW adicionado.

 

Além disso, o estudo afirma que, com o fim das concessões das usinas hidrelétricas, a partir de 2015, podem ser criadas diretrizes para que empresas e consórcios que fiquem com as concessões invistam em bacias hidrográficas com foco no uso múltiplo da água incluindo setores como agricultura, uso humano e transporte por rios.

Fonte: Valor Econômico


17 de maio de 2012 | nenhum comentário »

É ético atribuir preço a bens naturais? Pior é dar ‘valor zero’ à natureza, diz economista

O economista indiano Pavan Sukhdev , que tem dado sua contribuição ao conceito de economia verde, estará no Brasil para a Rio+20.

Antes da conferência, ele vai ministrar a palestra magna do simpósio do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente ) sobre construção sustentável, que ocorre no dia 13 de junho, no Sesc-Pinheiros, em São Paulo.

O tema principal de Sukhdev é a transição para um sistema econômico sustentável. Ele coordenou um estudo hoje conhecido como TEEB, a sigla em inglês para Teoria Econômica dos Ecossistemas e da Biodiversidade.

CEO da Gist, uma empresa de consultoria ambiental para empresas e governos, Sukhdev apregoa o fim da invisibilidade econômica do meio ambiente.

“Não se trata de colocar um preço sobre o valor da natureza, até porque a abelha não passa um recibo quando produz o mel, mas ampliar a consciência dos agentes econômicos para o custo dos impactos sobre o capital natural e social”, diz.

Muitos críticos da sua teoria consideram antiético atribuir um valor econômico aos bens da natureza. Mas Sukhdev diz que, na verdade, “já estamos monetizando a natureza, só que da pior maneira possível. Estamos atribuindo um valor igual a zero à natureza”, argumenta.

Para ele, a destruição ambiental e o fato de que muitas comunidades extraem a sobrevivência diretamente do meio ambiente explicam porque algumas populações sofrem com essa invisibilidade e passam a ser excluídas.

Tendo como tema a “Eficiência no Uso de Recursos e Economia Verde: Oportunidades para Edifícios e Cidades Sustentáveis”, o simpósio Unep-SBCI receberá palestrantes de diferentes partes do mundo para abordar temas relacionados ao setor de construção.

A organização brasileira do simpósio é uma iniciativa conjunta de Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, Secovi-SP (Sindicato da Habitação), Ministério das Cidades, Secretaria da Habitação do Estado de São Paulo, CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) e Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente.

Reunião Anual da Unep-SBCI (United Nations Environment Programme-Sustainable Buildings and Climate Initiative)

tema: Eficiência no Uso de Recursos e Economia Verde: Oportunidades para Edifícios e Cidades Sustentáveis

site para inscrição com a grade dos painéis: http://www.unepsbci2012.com.br

data: dia 13 de junho de 2012, quarta-feira

cadastramento: 8h30

horário: das 9h às 18h30

local: Sesc Pinheiros, São Paulo

endereço: rua Paes Leme, 195

telefone: (11) 3095-9400

 

Fonte: Folha.com


4 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Economia verde opõe países ricos aos emergentes

A divergência entre priorizar crescimento econômico ou proteção ambiental marcou a reunião ministerial da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na semana passada, e ilustrou um confronto entre países ricos e emergentes que deve ter continuidade na conferência Rio+20, em junho, no Rio.

A OCDE reuniu ministros de Meio Ambiente para definir a mensagem que seus países-membros, ditos os mais desenvolvidos, vão levar ao Rio, e convidaram alguns emergentes – Brasil, China, Indonésia, Rússia, África do Sul e Colômbia – para a discussão. No final, os emergentes não endossaram a declaração ministerial, com exceção da Rússia, que está em processo de adesão à entidade e aceita tudo pelo momento.

 

A divergência de enfoque ficou patente. Os países desenvolvidos estão muito centrados no princípio de “economia verde”, que consideram um dos meios para alcançar desenvolvimento sustentável, econômico, comercial e ambiental. Só que o social fica um pouco a reboque e não tem a mesma ênfase, segundo países como o Brasil.

 

Para vários ministros, instrumentos econômicos – taxação, encargos, imposto sobre poluição, eliminação de subsídios que prejudicam o meio ambiente – são importantes, mas os países precisam de regulação mais efetiva para acelerar a mudança de comportamento. Uma ideia que volta é a da cobrança do custo real do uso de recursos naturais, por exemplo, da água, que ficaria bem mais cara.

 

O “Policy Statement” dos países da OCDE para a Rio+20, destaca ainda que comércio e investimento não devem ser barreiras ao crescimento verde ou desenvolvimento sustentável. Nas discussões, na semana passada, a Coreia do Sul mostrou uma visão mais mercantilista que a europeia, por exemplo. O objetivo parece ser a derrubada de barreiras para vender equipamentos modernos que ajudariam a adaptação industrial.

 

Para os emergentes, o problema é que a OCDE quer atrelar demais a expansão econômica à proteção ambiental, o que exige priorizar investimentos enormes em equipamentos, pesquisas, renovação de indústrias, filtrar tudo, fechar usinas sujas e substitui-las por novas. “Não é o ambiental que puxa o desenvolvimento, é o desenvolvimento que puxa o ambiental”, diz um negociador emergente.

 

A avaliação é que a receita dos desenvolvidos, que já tem capacidade instalada, regras ambientais e crescimento limitado, provocaria crescimento menor e a um custo muito maior para os países em desenvolvimento. Os emergentes voltaram a pedir que a OCDE demonstre quanto custaria a adaptação ao “crescimento verde”. A entidade diz que isso é difícil, mas que no longo prazo todos ganham com economia forte e limpa.

 

Os emergentes concordam, mas insistem que a prioridade no contexto atual é continuar crescendo para aumentar a inclusão social, criar mais empregos, entre outras ações. “Isso passa à frente, não adianta falar de tecnologia sofisticada se for nos custar demais ou desacelerar o processo de inclusão social, distribuição de renda”, diz uma fonte dos emergentes.

 

Embora sem endossar o texto da OCDE, o Brasil conseguiu incluir no texto uma menção à “economia verde inclusiva”, numa nuance em relação ao “crescimento verde”.

Fonte: Valor Econômico


4 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Rio+20: Brasil quer desenvolvimento sustentável como modelo mundial

O Brasil quer que a cúpula Rio+20, a conferência climática da ONU, ajude a impor o desenvolvimento sustentável como modelo mundial de crescimento, afirmou nesta terça-feira um dos encarregados brasileiros da conferência, que será celebrada entre 20 e 22 de junho, no Rio de Janeiro.

“Estamos em uma época em que as crises se multiplicam: crise política, crise do clima (…) A Rio+20 será a oportunidade de examinar estas crises provocadas pelo modelo atual de desenvolvimento”, disse o embaixador Luiz Alberto Figueiredo à imprensa estrangeira no Rio.

Segundo Figueiredo, “esta cúpula será um êxito se adotar objetivos claros” de desenvolvimento sustentável para os próximos 20 anos, que permitam um equilíbrio entre crescimento econômico, erradicação da pobreza e proteção do meio ambiente.

Ao contrário da cúpula anterior, em 1992, também realizada no Rio de Janeiro, que “consagrou o desenvolvimento sustentável com a adoção de convenções diversas sobre a biodiversidade e o clima, a Rio+20 não pretende gerar leis: será um debate forte sobre a forma como queremos nos desenvolver, sobre o futuro que queremos”, explicou.

Consultado sobre a falta de sanções caso os países não respeitem os objetivos estabelecidos, Figueiredo respondeu: “quando fixamos as Metas de Desenvolvimento do Milênio (…) não pensamos em termos de sanções”.

“A Rio+20 estabelecerá pontes entre as diferentes percepções e posições sobre a economia verde. Alguns países temem, por exemplo, que esta economia verde possa ser utilizada como barreira comercial”, disse.

O embaixador considerou “infundadas” as críticas de 39 organizações da sociedade civil que afirmaram na semana passada que o Brasil teria dado “um passo atrás” no tema da proteção do meio ambiente durante o governo de Dilma Rousseff.

“O Brasil chega com resultados impecáveis: é um país cuja economia progrediu, que praticou a inclusão social e que reduziu como nunca suas taxas de desmatamento”, afirmou.

Fonte: Veja Ciência


12 de março de 2012 | nenhum comentário »

Crise internacional pode prejudicar debates da Rio+20, diz ONU

Governo diz que 79 chefes de estados e delegações confirmaram presença.
Cúpula mundial vai discutir, em junho, metas para economia verde.

O secretário-geral da Rio+20, Sha Zukang, com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira (Foto: Wilson Dias / Ag. Brasil)

O secretário-geral da Rio+20, Sha Zukang, com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira (Foto: Wilson Dias / Ag. Brasil)

O secretário-geral das Nações Unidas para a Rio+20, Sha Zukang, afirmou nesta sexta-feira (9) que precisa haver “comprometimento” dos líderes mundiais para garantir os resultados da Cúpula de Desenvolvimento Sustentável que acontece em junho no Brasil.

Zukang teme que a crise internacional e o período eleitoral em alguns países atrapalhem a fixação de metas para uma economia verde no planeta.

“Nós ainda não conseguimos nos livrar da sombra da crise financeira. Apesar da crise, os países desenvolvidos têm sido generosos com países em desenvolvimento, mas agora eles estão com problemas internos, na Europa principalmente”, reconheceu Zukang.

O representante da ONU se reuniu na manhã desta sexta com a ministra do Meio Ambiente,Izabella Teixeira, para discutir detalhes da organização do evento. Segundo eles, o período eleitoral em vários países importantes, como Estados Unidos, China e França, pode gerar dificuldades de engajamento, principalmente, nas reuniões preparatórias.

“Infelizmente, em anos de eleições os lideres só estão ocupados com este tema e não tratam de outros assuntos”, afirmou o secretário da ONU.

Embora a preocupação de chefes de estado esteja mais centrada em temas internos devido às eleições, a ministra diz não temer um esvaziamento do evento por causa da disputa eleitoral.

Segundo Izabella Teixeira, 79 delegações e chefes de estado já confirmaram presença na Rio+20. A ministra, no entanto, não citou os países que agendaram o compromisso. “Não é uma conferência de retórica, é uma conferencia para agirmos”, disse.

O representante da ONU comentou as críticas feitas pelo secretário-geral da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Jérôme Valcke, sobre a organização da Copa do Mundo de 2014 e afirmou confiar na capacidade do Brasil de fazer grandes eventos.

“Quando você tem um país que organiza três eventos, ter criticas é natural. O Brasil é um país muito grande e vai dar conta desses eventos”, disse Sha Zukang.

“A Rio+20 é uma das agendas mais importantes da ONU nas palavras do secretário [geral da ONU] Ban Ki-moon. Toda a comunidade internacional espera esta liderança do Brasil”, afirmou.

À noite, em evento no Ministério das Relações Exteriores, o ministro Antonio Patriota disse que o representante da ONU reconheceu os investimentos feitos pelo Brasil para sediar o encontro.

“O secretário-geral da conferência reconheceu a mobilização de recursos políticos, humanos e materiais sem precedentes do Brasil para a organização da conferência. Ele fez questão de enfatizar a questão do engajamento político sustentável, a questão da economia verde [...] Todas as intervencões abordam questões de organização da conferência e conteúdo. Há toda uma articulação política, e, com isso, creio que nos posicionamos de maneira melhor sintonizada para apresentar uma posição de vanguarda para a elaboração do documento final da Rio+20″, afirmou o ministro.

Segundo a ministra do Meio Ambiente, todas as colaborações durante o encontro vão auxiliar o Brasil a construir o documento final. “Houve um reconhecimento do papel da comissão , houve um reconhecimento de vários membros sobre o papel estratégico que a comissão tem desempenhado.”

 

Fonte: Débora Santos e Iara Lemos, G1, Brasília


7 de março de 2012 | nenhum comentário »

Secretário da Rio+20 pede mais ação e menos conversa sobre ambiente

O secretário-geral da ONU para a Rio+20, o chinês Sha Zukang, afirmou que o grande desafio da conferência para o desenvolvimento sustentável, a ser realizada no Rio de Janeiro de 20 a 22 junho, é colocar em prática as questões levantadas no evento. Em sua avaliação, muito já foi discutido em conferências anteriores, mas pouco realmente saiu do papel.

Para que as resoluções da Rio+20 sejam, de fato, postas em prática, Zukang defende a participação ativa da sociedade civil.

Segundo ele, é preciso que a população dos países cobre de seus governos o cumprimento dessas resoluções.

“Nosso trabalho não é conversar, é fazer. Já conversamos o suficiente. Não percam mais nenhum minuto discutindo, produzindo papéis apenas. É claro que precisamos produzir algum papel, mas eles devem ser seguidos de implementação”, afirmou Zukang, em entrevista coletiva nesta tarde no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro.

“Gritem, falem alto, conversem, certifiquem-se de que o governo irá ouvir vocês”.

Zukang está em sua terceira e última visita ao Rio de Janeiro antes da conferência. O secretário ficará até o próximo dia 10 no Brasil para acertar os detalhes finais de logística do evento. Sua agenda inclui reuniões no Rio e em Brasília.

A ONU prevê a visita de 60 mil pessoas à cidade, assim como 120 chefes de Estado. A conferência acontece 20 anos após a realização da Rio 92, que reuniu 108 chefes de Estado e levou ao Rio cerca de 30 mil pessoas.

A grande dúvida da edição atual é com relação aos chefes de Estado. Crise internacional e eleições presidenciais em países como Estados Unidos e França podem fazer com que a conferência seja menos prestigiada do que a histórica Rio 92.

Zukang ressaltou que a Rio+20 discutirá como colocar em prática a chamada “economia verde”. O próprio secretário afirma que a definição do termo varia muito de país para país – e que isso poderia ser mais uma justificativa para falta de ações.

O secretário explicou que a “economia verde” está baseada em três pilares: desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e proteção ao meio ambiente. Zukang afirmou que muito se avançou nos dois primeiro pilares, porém, no último, ainda há um caminho longo a ser percorrido.

“Nos últimos 20 anos o que vimos? Vimos desenvolvimento econômico, mas ao mesmo tempo vimos o mundo ficando cada vez mais mais insustentável. Falta integração dos três pilares da sustentabilidade”, afirmou, lembrando que a ONU recomenda aos países o investimento de 2% do PIB mundial em meio ambiente.

Questionado sobre a iminente votação do Código Florestal, Zukang afirmou que a ONU não opina sobre questões de política interna dos países. Mas aproveitou para dar recado: “A floresta é do Brasil, mas o país tem de entender que a maneira como ele trata seu meio ambiente e seus recursos naturais pode ter reflexo no restante do mundo”, disse.

Fonte: Lucas Vettorazzo/Folha.com


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21 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Economia verde em xeque

“Economia verde” costuma ser usada para descrever a compatibilização do crescimento econômico com o meio ambiente, um dos blocos do crescimento sustentável. Segundo a Green Economy Initiative, iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) lançada em 2008, a economia verde resulta em melhoria do bem-estar humano e da igualdade social, enquanto reduz os riscos ambientais e a escassez ecológica.

Apesar de ser usada há mais de 20 anos, a expressão “economia verde” ainda é controversa, assim como seu próprio conceito. Enquanto para alguns é perfeitamente possível, para os mais críticos ela seria uma tentativa de viabilizar a sociedade de consumo e adiar mudanças estruturais.

Essa foi a tônica de um painel que reuniu cientistas de diversos países no Rio de Janeiro durante as discussões para a RIO+20. No encontro, os pesquisadores debateram as possibilidades de uma economia verde, se esse modelo requer uma mudança de paradigma nos padrões econômicos ou se é compatível com os mercados competitivos, com a mercantilização de recursos e com a expansão do consumo.

A economista Elizabeth Stanton, do Instituto do Meio Ambiente de Estocolmo, Suécia, pontuou que é preciso analisar para quem os benefícios desse novo paradigma econômico seriam distribuídos. “A tendência é fazer os pobres ficarem mais ricos ou os ricos ainda mais ricos?”, questionou.

Tim Jackson, professor de desenvolvimento sustentável da Universidade de Surrey, na Inglaterra, e autor do livro Prosperity without growth (“Prosperidade sem crescimento”), defendeu uma mudança de valores, com menos consumismo e individualismos.

“O crescimento econômico tem distribuído seus benefícios de maneira desigual. Longe de elevar o padrão de vida dos pobres, o crescimento piorou a situação de boa parte da população mundial. A riqueza favoreceu uma minoria”, disse.

“À medida que a economia se expande, crescem as implicações nos recursos naturais envolvidos, com impactos globais que já são insustentáveis. No último meio século, enquanto a economia global crescia, 60% dos ecossistemas mundiais foram degradados. Uma escassez de recursos naturais básicos – como o petróleo – pode estar a menos de uma década de nós”, afirmou Jackson.

“A economia verde é uma forma de negar evidências como a de que a concentração de dióxido de carbono está crescendo a 2 partes por milhão (ppm) ao ano”, disse o espanhol Joan Martinez Alier, da Universidade de Barcelona, à Agência FAPESP.

Segundo o economista catalão, a base do acordo deveria ser o hemisfério Norte global renunciar ao crescimento econômico em favor do crescimento do Sul.

“Creio que o Norte deveria ter economias sem crescimento e o Sul deveria reduzir suas extrações naturais para a metade e passar a exportar menos seus produtos. O que o Sul também poderia fazer era aumentar os impostos sobre a exportação. No caso brasileiro, por exemplo, quem pagaria por um possível acidente ecológico na extração do petróleo do fundo do mar, com o pré-sal?”, disse.

Para Alier, a proposta de sustentabilidade mundial baseada em ajudas financeiras multilaterais não é o caminho. “Emprestar dinheiro, como historicamente se tem feito, não é a saída, pois preservar o meio ambiente não é uma questão de milhões, mas sim de controlar a mudança climática e manter a biodiversidade”, disse.

“Em relação aos países do hemisfério Sul, há um pensamento de que eles são demasiados pobres para serem ecológicos. Mas do que morreram pessoas como Chico Mendes se não para defender a ecologia? Ecologia não é um luxo, é uma necessidade para todos”, afirmou Alier.

Recursos naturais

Lidia Brito, diretora da divisão de Políticas Científicas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), rejeita a expressão “economia verde”.

“Para ser honesta, na Unesco não falamos em economia verde. Falamos de sociedade verde. Penso que o ceticismo dos investigadores vem daí: a discussão não é sobre economia. O que temos certeza é que não é possível falar apenas de um dos blocos do desenvolvimento sustentável”, disse.

“A economia não pode ser discutida sem as questões sociais, culturais e ambientais. Elas estão interligadas e não podem ser tratadas de forma independente. Fico satisfeita com os cientistas brasileiros, que não querem falar apenas em economia. Temos que falar em sociedade verde, para destacar essa força de mudança”, disse Brito.

Na opinião de Ronaldo Seroa da Motta, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e professor de Economia Ambiental do Ibmec no Rio de Janeiro, não há outra saída a não ser tentar uma economia que seja restritiva no uso de recursos naturais.

“Sou a favor da precificação dos recursos naturais. Enquanto tivermos água barata, por exemplo, vamos consumir mais. Devemos nos preocupar com o produto líquido, quer dizer, o quanto que de capital natural perdemos para gerar uma determinada produção. Era isso que deveríamos estar medindo”, disse.

“Se aumentarmos o preço dos serviços ambientais, teremos uma perda de crescimento econômico em curto prazo, mas depois isso será revertido. Um exemplo: devido ao alto índice de desmatamento das florestas, o cerceamento à extração de madeiras fez com que passássemos a usar derivados de petróleo, e hoje vemos muitos produtos de plástico e quase nada de madeira. Mas se tivermos uma política agressiva na área ambiental, a primeira coisa a ser feita é reflorestar, opção mais barata e urgente”, afirmou.

Segundo Motta, ex-diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), é preciso reflorestar 10% da superfície do planeta para capturar carbono. “Isso impulsionaria enormemente o setor produtivo da madeira, uma vez que vamos extrair madeira e mobilizá-la em artigos como móveis, para poder fazer a madeira crescer novamente e continuar capturando carbono”, disse.

“Então, daqui a 30 anos, por exemplo, o fato de colocarmos o preço do carbono alto e todo mundo ter que plantar para poder continuar a produzi-lo, implicará em crescimento econômico impulsionado pelo setor produtivo da madeira, mais competitivo, sem degradação do meio ambiente”, disse.

De acordo com Motta, a saída não é aumentar o preço do que não é sustentável por meio de impostos, mas sim incentivar iniciativas sustentáveis cujos produtos sejam mais baratos.

Fonte: Agência FAPESP


15 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Para ‘criadora’, desenvolvimento sustentável ainda é conceito válido

Ex-premiê da Noruega liderou comissão que criou o conceito em 1987.
Economia verde não toma lugar do desenvolvimento sustentável, disse.

Gro Harlem Brundtland, durante entrevista no Rio de Janeiro (Foto: Darlan Alvarenga/G1)

Gro Harlem Brundtland, durante entrevista no Rio de Janeiro (Foto: Darlan Alvarenga/G1)

A ex-primeira ministra da Noruega Gro Harlem Brundtland, ‘criadora’ do conceito de desenvolvimento sustentável, afirmou nesta quinta-feira (14) que as ideias e objetivos elaborados há 25 anos continuam válidos e relevantes, e que o principal desafio está na implementação das medidas e a cooperação entre os países.

Gro Brundtland entrou para a história quando liderou a comissão que apresentou, em 1987, o relatório “O Nosso Futuro Comum”, que introduziu o conceito de desenvolvimento sustentável nas discussões sobre preservação ambiental, definido como o “que atenda às necessidades das gerações presentes sem comprometer a habilidade das gerações futuras de suprirem suas próprias necessidades”.

Para ela, as discussões em torno da ‘economia verde’ na Rio+20 não significam necessariamente uma revisão do conceito de desenvolvimento sustentável.

“Esta é uma história complicada. Ainda não há uma definição completa sobre economia verde”, disse em entrevista, após participação no Encontro da Indústria para a Sustentabilidade, que ocorre no Hotel Sofitel, no Rio de Janeiro. “Eu nunca entendi quando alguém fala que a economia verde vai tomar lugar do desenvolvimento sustentável, porque o desenvolvimento sustentável já é algo concordado amplamente”, completou.

Ela lembrou que o termo ‘economia verde’ ainda é controverso e não muito compreendido porque para alguns abrange apenas a integração da economia com o meio ambiente, sem considerar as questões sociais. “Essa não é definitivamente a minha visão. Tem de ser social, ambiental e econômico”, disse.

A ex-ministra destacou também que a ideia de mensurar o crescimento da economia por instrumentos adicionais ao do Produto Interno Bruto (PIB), como indicadores ambientais e sociais, também não é de agora e foi defendida durante a elaboração do relatório de 1987.

“25 anos depois isso ainda não aconteceu”, disse Gro. Ela destacou que se fossem considerados os métodos de utilização dos recursos naturais o crescimento econômico de países como a China seria “bem menor”.

Ela se disse, no entanto, otimista sobre os resultados da Rio+20, que têm como temas centrais: “economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza” e “estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável”.

“Espero que haja acordos em várias questões, como por exemplo nas discussões em torno da energia limpa para o desenvolvimento sustentável, porque é do interesse de todos e se relaciona diretamente ao social, humano e à economia”, afirmou Gro Harlem.

A ex-ministra também apoiou a proposta do G77+China de criar um fundo anual de US$ 30 bilhões para estimular o desenvolvimento sustentável.

“Acho que é uma boa ideia. É importante ter instrumentos financeiros que possam ajudar na mudança de tecnologias e na inovação tecnológica”, afirmou, lembrando que durante a conferência de Copenhague, em 2009, foram iniciadas conversas em torno do tema.

“Em Copenhague houve conversas nessa direção, mas não houve prosseguimento e a crise financeira dificultou. Mas tenho certeza que isso irá progredir aqui no Rio, ainda que talvez não tão bem sucedida quanto deveria”, completou.

Fonte: Globo Natureza


13 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Ministra critica legislação ambiental

Na abertura do ciclo de debates do MMA na Rio+20, Izabella Teixeira criticou ‘miopia ambiental’ no País e a falta de comunicação entre as esferas governamentais.

Com duras críticas à legislação ambiental brasileira, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, abriu na manhã de ontem (11) o ciclo de debates “Brasil sustentável – o caminho para todos”, que antecede a conferência da ONU Rio+20. Durante o encontro, que reuniu pesquisadores e especialistas no assunto no auditório Tom Jobim, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, a ministra discutiu a situação das Unidades de Conservação e o futuro das florestas do País. “As leis, da forma como estão estabelecidas atualmente, impedem muitas soluções que resolveriam problemas ambientais. Precisamos de debates concretos que levem a estruturação desse sistema”, declarou.

 

Durante o evento, Izabella Teixeira anunciou ter pedido ao Instituto Chico Mendes um mapa de todas as Unidades de Conservação do País e um levantamento com os problemas que elas enfrentam. A ministra garantiu, sem estipular um prazo específico, que as informações serão colocadas na internet para que a sociedade possa acompanhar a situação das áreas e ajudar a preservá-las. A medida também deve facilitar a regularização fundiária.

 

“Temos parques com mais de 70 anos onde até hoje não indenizamos as pessoas. Em outras Unidades de Conservação, temos assentamentos enormes. É complexo, é complicado, mas temos que fazer, nem que leve 20 anos”, afirmou.

 

Outro alvo de crítica de Izabella foi a falta de comunicação entre as esferas federais, estaduais e os municípios nas ações de preservação do meio ambiente, além da pouca compreensão da sociedade com relação a algumas questões.

 

Apesar das críticas, a ministra fez questão de enumerar alguns avanços obtidos na área ambiental, como a diminuição do desmatamento. Segundo ela, o Brasil também é o único país do mundo a impor limites de proteção ambiental à propriedade privada. “Quando criamos uma área protegida, parece que envernizamos o desenvolvimento do local, e é justamente o oposto. O agricultor vai aumentar a produtividade quando recuperar uma área que ele desmatou no passado. Fomos capazes de evoluir em muitos temas. Em outros, nem tanto.”

 

Crescimento econômico - Em Brasília, a presidente Dilma Rousseff usou seu programa semanal de rádio para reforçar o discurso de que é possível combinar crescimento econômico, inclusão social e preservação ambiental. Dilma disse que “o Brasil tem dado um grande exemplo de respeito ao meio ambiente” e destacou que o País vai defender na Rio+20 que “crescer, incluir e proteger são três eixos com a mesma importância”. Segundo Dilma, o País tem sido citado pela ONU como referência na área ambiental.

 

“O Brasil tem dado um grande exemplo de respeito ao meio ambiente, mas também de capacidade de combinar a proteção da natureza com a redução da pobreza e o crescimento econômico. Na última década, elevamos 40 milhões de brasileiros à classe média, tiramos outras dezenas de milhões da pobreza e, ao mesmo tempo, reduzimos drasticamente o desmatamento da Amazônia e mantivemos o crescimento econômico”, disse a presidente, que amanhã (13) vai inaugurar o Pavilhão Brasil da Rio+20.

 

No “Café com a presidente”, Dilma destacou que, desde 2004, houve uma redução de 77% no índice de desmatamento ilegal no Brasil. Segundo a presidente, no ano passado, foi registrado “o menor desmatamento da História do País”. “O Brasil, que já tem o privilégio de abrigar a maior área de florestas tropicais do mundo, pode se orgulhar também de conseguir protegê-las cada vez mais”, afirmou.

 

A presidente disse ainda que a redução no nível de desmatamento no País se deve à “forte ação do governo na fiscalização”, com punição aos desmatadores, num trabalho combinado do Ibama, das Forças Armadas, da Polícia Federal e dos governos estaduais.

 

Acordo difícil - Em encontro com o prefeito Eduardo Paes no Rio de Janeiro, o secretário-geral da ONU para a Rio+20, Sha Zukang, reconheceu a dificuldade em estabelecer um acordo entre todos os países presentes. Para o diplomata chinês, o mundo retrocedeu, desde a Rio 92, na conservação ambiental, embora seja mais rico do que duas décadas atrás.

 

Zukang, porém, fez suas confissões sem perder o otimismo. O secretário acredita que será possível fechar esta semana os 200 parágrafos ainda em negociação do acordo que as Nações Unidas esperam endossar no fim da Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável. Por enquanto, 75% do documento seguem sem definição.

 

Embora diplomatas de diversos blocos de países já estejam debruçados sobre o acordo, as negociações formais ocorrerão apenas de quarta a sexta-feira.

 

A Rio+20 não contará com o presidente americano, Barack Obama nem com os primeiros-ministros do Reino Unido, David Cameron, e da Alemanha, Angela Merkel. Ainda assim, Zukang não considera que os possíveis acertos firmados na próxima semana serão esvaziados. O secretário da ONU evitou comentar a ausência dessas autoridades. “Cada um deles será representado por pessoas de alto nível, capazes de ratificar as decisões. Mas, se eles [Obama, Cameron e Merkel] tiverem algum tempo, ficaremos muito felizes que venham”, declarou.

 

Até agora, 134 chefes de Estado e governo já se inscreveram para discursar durante a conferência. Vinte anos atrás, foram 108. “Nosso trabalho não será mudar os princípios firmados na Rio 92, mas incluir outros. Temos novas preocupações, como direitos humanos e mudanças climáticas”, ressaltou Zukang. “Passaram 20 anos e não vimos progresso em temas como desenvolvimento sustentável e proteção ambiental. Na verdade, retrocedemos. Tudo o que estabelecemos àquela época é tão ou mais válido atualmente”.

 

Todos concordam, segundo o secretário, que atingir o desenvolvimento sustentável é “um trabalho difícil”. Isso porque a expressão, para sair do discurso e virar política pública, dependeria de três pilares: progresso econômico, social e ambiental. Embora o primeiro fator esteja melhor do que duas décadas atrás, os outros seguem questionáveis.

 

“Integrar os três pilares é muito complicado, até porque os países não estão no mesmo nível e cada um tem sua prioridade. O modelo atual de desenvolvimento, com o crescimento populacional, não se sustenta. Por isso acredito que podemos acertar soluções para os principais problemas”, alegou.

 

Com uma sociedade civil cada vez mais engajada na causa ambiental, o secretário chinês considera inevitável que a Rio+20 tenha um final feliz. “A Rio 92 deixou um grande impacto, mas esta provocará um efeito ainda maior na vida das pessoas, em seu futuro e em sua saúde”, assegurou.

Fonte: O Globo


4 de junho de 2012 | nenhum comentário »

‘Carta da Amazônia é concreta e muda modelo da ONU’, diz ministra

Ministras articulam audiência com Dilma Rousseff antes da Rio+20.
Para Ideli Salvatti, debate é bom por tratar de desenvolvimento sustentável.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, estão em Manaus nesta sexta-feira (1º). As representantes do governo federal participam do encerramento do “Encontro de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia para a Rio+20″. Representantes ministeriais encaminharão pleitos dos governadores à presidente Dilma Rousseff.

Antes do pronunciamento no evento, as titulares se reuniram com as autoridades dos nove estados da Amazônia Brasileira para tratar sobre a “Carta da Amazônia”, que integrará as discussões na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que acontece de 13 a 22 de junho, no Rio de Janeiro.

Para a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, um evento desta magnitude, que reúne todos estados da Amazônia Legal, é muito importante na preparação para Conferência das Nações Unidas que o Brasil será sede.

A representante enfatizou a disposição dos governadores em criar um Conselho do Desenvolvimento Sustentável com participação dos governos federal e estaduais, sociedade civil e municípios para que o desenvolvimento com sustentabilidade possa acontecer na Amazônia.

“A Amazônia tem um grande apelo mundial e por este motivo ela tem uma relevância neste evento. Por isso, o que os governadores fizeram preparando a carta, colocando as necessidades, os avanços e os pleitos são de fundamental importância nesse momento. Realço que na carta uma das principais deliberações é no sentido de avançar naquilo que será debatido na Rio+20, que é a governança para o desenvolvimento sustentável”, disse Ideli Salvatti.

Desmatamento
A ministra assegurou que o documento formulado pelas autoridades da Amazônia Legal será encaminhado a presidenta Dilma Rousseff. Além disso, as titulares irão articular uma audiência entre os governadores e a presidenta. “A ideia é que esse encontro ocorra antes da Rio+20 para que todos esses pleitos, análises e a parceira entre os governadores da Amazônia e a presidenta possa se consolidar”, concluiu Ideli Salvatti.

Já a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, ressaltou que a região Amazônica irá se apresentar ao mundo depois de 20 anos com a menor taxa de desmatamento da história. “Houve avanços nas políticas de desenvolvimento regional e com uma convergência de políticas importantes em relação ao mundo sustentável. O próprio sentido da erradicação da pobreza, da economia verde e inclusiva que aposta nos melhores caminhos em termos de sustentabilidade, que traga crescimento econômico e social”, declarou Izabella Texeira.

Na análise da titular, dois pontos importantes integram as prioridades da ‘Carta da Amazônia’: o foco nas questões urbanas e os aspectos das inovações científicas e tecnológicas. “A proposta dos governadores é uma proposta muito concreta com um comitê que vai avaliar, reunir as prioridades e as questões de buscar os meios para implementação, não vai ser uma governança separada e sim única, mudando o modelo atual das Nações Unidas”, explicou a ministra do Meio Ambiente.

Código Florestal
Com a aprovação do Código Florestal com 12 vetos e 32 alterações, havia suspeita de uma suposta manobra política por parte do Governo Federal para atrair uma maior participação de presidentes e representantes de nações na Rio+20. Em relação ao assunto, a ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, enfatiza que a solução encontrada foi “muito bem construída, que é social e ambiental, sendo a intenção solucionar os problemas do Brasil”.

Fonte: G1


31 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Estudo traz sugestões para economia verde no Brasil

A transição do Brasil para uma economia verde e sustentável depende da maior frequência de reajustes nos preços dos combustíveis fósseis, com base na variação do barril de petróleo no mercado internacional. É o que aponta coletânea de estudos elaborada pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS). Para fundação, a quase ausência de aumentos de preços dos combustíveis fósseis no mercado interno impede a competitividade dos biocombustíveis no Brasil.

A coletânea, elaborada dentre agosto de 2011 e maio desde ano, teve patrocínio da Ambev, BNDES, JSL, Light, Shell e Tetra Pak e investimento de R$ 540 mil. Os levantamentos, que contêm propostas para diferentes setores da economia brasileira, foram entregues à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e serão levados à conferência das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável, a Rio+20, de 13 a 22 de junho, no Rio.

 

O diretor superintendente da FBDS, Walfredo Schindler, afirmou que o objetivo dos estudos é trazer propostas para implementação imediata. Como não é objetivo da Rio+20 trazer metas de curto prazo, a expectativa da fundação é que os assuntos sejam conhecidos e discutidos em um primeiro momento, e possam ser tratados com mais atenção após a conferência.

 

Um dos 12 estudos que compõe a coletânea, intitulada “Diretrizes para uma Economia Verde no Brasil”, defende a incorporação dos impactos ambientais e sociais aos custos da energia. Isso, na prática, elevaria os preços reais da geração fóssil.

 

“A gasolina vem sendo mantida com preços artificialmente baixos há muito tempo”, disse Schindler. Mas admitiu, no entanto, que as reservas do pré-sal são ativos importantes e o óleo continuará a ter papel de destaque na economia mundial.

 

Para Schindler, o programa de produção e uso de etanol de cana no Brasil representa “o mais importante programa de energia renovável do mundo e equivale a economia de quase um milhão de barris de petróleo por dia”. Essa análise leva em conta produção de biocombustível líquido e eletricidade. Nos últimos 33 anos, segundo Schindler, a produtividade do etanol aumentou 3,6 vezes. “Hoje, utilizamos 27% da área de cana para produzir a mesma quantidade de etanol produzida nos anos 70″, disse.

 

Em relação à geração de energia elétrica, Schindler destacou que o Brasil “ainda tem a matriz energética muito limpa” em comparação com a média mundial. Entretanto, ressaltou que a quantidade de termelétricas a combustíveis fósseis tem crescido, principalmente por causa de questões ligadas à segurança energética, dificuldades para obtenção de licenciamento ambiental para hidrelétricas e complicações para o aproveitamento do potencial hídrico amazônico. Segundo ele, dos cerca de 55% do potencial hidrelétrico que ainda há para explorar no país, cerca de 70% está na Floresta Amazônica.

 

Dentre as propostas para aumentar a geração está o incremento da energia eólica. “De 15% a 20% da nossa demanda poderia ser suprida por meio de energia eólica”, disse Schindler. Segundo ele, entre 2009 e 2011 foram investidos quase R$ 30 bilhões, correspondentes à contratação de uma capacidade de 5.785 MW. Isso permitirá que a participação da energia eólica passe de pouco menos de 1% para mais de 5% da capacidade instalada de geração de energia no país, até 2014.

 

Outra defesa do estudo é que a modernização de hidrelétricas mais antigas podem trazer ganhos de capacidade de 2,5% a 20%. Segundo Schindler, é possível efetuar programas de repotenciação em instalações que hoje correspondem a 32 GW instalados com custos de R$ 250 a R$ 600 por kW adicionado.

 

Além disso, o estudo afirma que, com o fim das concessões das usinas hidrelétricas, a partir de 2015, podem ser criadas diretrizes para que empresas e consórcios que fiquem com as concessões invistam em bacias hidrográficas com foco no uso múltiplo da água incluindo setores como agricultura, uso humano e transporte por rios.

Fonte: Valor Econômico


17 de maio de 2012 | nenhum comentário »

É ético atribuir preço a bens naturais? Pior é dar ‘valor zero’ à natureza, diz economista

O economista indiano Pavan Sukhdev , que tem dado sua contribuição ao conceito de economia verde, estará no Brasil para a Rio+20.

Antes da conferência, ele vai ministrar a palestra magna do simpósio do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente ) sobre construção sustentável, que ocorre no dia 13 de junho, no Sesc-Pinheiros, em São Paulo.

O tema principal de Sukhdev é a transição para um sistema econômico sustentável. Ele coordenou um estudo hoje conhecido como TEEB, a sigla em inglês para Teoria Econômica dos Ecossistemas e da Biodiversidade.

CEO da Gist, uma empresa de consultoria ambiental para empresas e governos, Sukhdev apregoa o fim da invisibilidade econômica do meio ambiente.

“Não se trata de colocar um preço sobre o valor da natureza, até porque a abelha não passa um recibo quando produz o mel, mas ampliar a consciência dos agentes econômicos para o custo dos impactos sobre o capital natural e social”, diz.

Muitos críticos da sua teoria consideram antiético atribuir um valor econômico aos bens da natureza. Mas Sukhdev diz que, na verdade, “já estamos monetizando a natureza, só que da pior maneira possível. Estamos atribuindo um valor igual a zero à natureza”, argumenta.

Para ele, a destruição ambiental e o fato de que muitas comunidades extraem a sobrevivência diretamente do meio ambiente explicam porque algumas populações sofrem com essa invisibilidade e passam a ser excluídas.

Tendo como tema a “Eficiência no Uso de Recursos e Economia Verde: Oportunidades para Edifícios e Cidades Sustentáveis”, o simpósio Unep-SBCI receberá palestrantes de diferentes partes do mundo para abordar temas relacionados ao setor de construção.

A organização brasileira do simpósio é uma iniciativa conjunta de Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, Secovi-SP (Sindicato da Habitação), Ministério das Cidades, Secretaria da Habitação do Estado de São Paulo, CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) e Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente.

Reunião Anual da Unep-SBCI (United Nations Environment Programme-Sustainable Buildings and Climate Initiative)

tema: Eficiência no Uso de Recursos e Economia Verde: Oportunidades para Edifícios e Cidades Sustentáveis

site para inscrição com a grade dos painéis: http://www.unepsbci2012.com.br

data: dia 13 de junho de 2012, quarta-feira

cadastramento: 8h30

horário: das 9h às 18h30

local: Sesc Pinheiros, São Paulo

endereço: rua Paes Leme, 195

telefone: (11) 3095-9400

 

Fonte: Folha.com


4 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Economia verde opõe países ricos aos emergentes

A divergência entre priorizar crescimento econômico ou proteção ambiental marcou a reunião ministerial da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na semana passada, e ilustrou um confronto entre países ricos e emergentes que deve ter continuidade na conferência Rio+20, em junho, no Rio.

A OCDE reuniu ministros de Meio Ambiente para definir a mensagem que seus países-membros, ditos os mais desenvolvidos, vão levar ao Rio, e convidaram alguns emergentes – Brasil, China, Indonésia, Rússia, África do Sul e Colômbia – para a discussão. No final, os emergentes não endossaram a declaração ministerial, com exceção da Rússia, que está em processo de adesão à entidade e aceita tudo pelo momento.

 

A divergência de enfoque ficou patente. Os países desenvolvidos estão muito centrados no princípio de “economia verde”, que consideram um dos meios para alcançar desenvolvimento sustentável, econômico, comercial e ambiental. Só que o social fica um pouco a reboque e não tem a mesma ênfase, segundo países como o Brasil.

 

Para vários ministros, instrumentos econômicos – taxação, encargos, imposto sobre poluição, eliminação de subsídios que prejudicam o meio ambiente – são importantes, mas os países precisam de regulação mais efetiva para acelerar a mudança de comportamento. Uma ideia que volta é a da cobrança do custo real do uso de recursos naturais, por exemplo, da água, que ficaria bem mais cara.

 

O “Policy Statement” dos países da OCDE para a Rio+20, destaca ainda que comércio e investimento não devem ser barreiras ao crescimento verde ou desenvolvimento sustentável. Nas discussões, na semana passada, a Coreia do Sul mostrou uma visão mais mercantilista que a europeia, por exemplo. O objetivo parece ser a derrubada de barreiras para vender equipamentos modernos que ajudariam a adaptação industrial.

 

Para os emergentes, o problema é que a OCDE quer atrelar demais a expansão econômica à proteção ambiental, o que exige priorizar investimentos enormes em equipamentos, pesquisas, renovação de indústrias, filtrar tudo, fechar usinas sujas e substitui-las por novas. “Não é o ambiental que puxa o desenvolvimento, é o desenvolvimento que puxa o ambiental”, diz um negociador emergente.

 

A avaliação é que a receita dos desenvolvidos, que já tem capacidade instalada, regras ambientais e crescimento limitado, provocaria crescimento menor e a um custo muito maior para os países em desenvolvimento. Os emergentes voltaram a pedir que a OCDE demonstre quanto custaria a adaptação ao “crescimento verde”. A entidade diz que isso é difícil, mas que no longo prazo todos ganham com economia forte e limpa.

 

Os emergentes concordam, mas insistem que a prioridade no contexto atual é continuar crescendo para aumentar a inclusão social, criar mais empregos, entre outras ações. “Isso passa à frente, não adianta falar de tecnologia sofisticada se for nos custar demais ou desacelerar o processo de inclusão social, distribuição de renda”, diz uma fonte dos emergentes.

 

Embora sem endossar o texto da OCDE, o Brasil conseguiu incluir no texto uma menção à “economia verde inclusiva”, numa nuance em relação ao “crescimento verde”.

Fonte: Valor Econômico


4 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Rio+20: Brasil quer desenvolvimento sustentável como modelo mundial

O Brasil quer que a cúpula Rio+20, a conferência climática da ONU, ajude a impor o desenvolvimento sustentável como modelo mundial de crescimento, afirmou nesta terça-feira um dos encarregados brasileiros da conferência, que será celebrada entre 20 e 22 de junho, no Rio de Janeiro.

“Estamos em uma época em que as crises se multiplicam: crise política, crise do clima (…) A Rio+20 será a oportunidade de examinar estas crises provocadas pelo modelo atual de desenvolvimento”, disse o embaixador Luiz Alberto Figueiredo à imprensa estrangeira no Rio.

Segundo Figueiredo, “esta cúpula será um êxito se adotar objetivos claros” de desenvolvimento sustentável para os próximos 20 anos, que permitam um equilíbrio entre crescimento econômico, erradicação da pobreza e proteção do meio ambiente.

Ao contrário da cúpula anterior, em 1992, também realizada no Rio de Janeiro, que “consagrou o desenvolvimento sustentável com a adoção de convenções diversas sobre a biodiversidade e o clima, a Rio+20 não pretende gerar leis: será um debate forte sobre a forma como queremos nos desenvolver, sobre o futuro que queremos”, explicou.

Consultado sobre a falta de sanções caso os países não respeitem os objetivos estabelecidos, Figueiredo respondeu: “quando fixamos as Metas de Desenvolvimento do Milênio (…) não pensamos em termos de sanções”.

“A Rio+20 estabelecerá pontes entre as diferentes percepções e posições sobre a economia verde. Alguns países temem, por exemplo, que esta economia verde possa ser utilizada como barreira comercial”, disse.

O embaixador considerou “infundadas” as críticas de 39 organizações da sociedade civil que afirmaram na semana passada que o Brasil teria dado “um passo atrás” no tema da proteção do meio ambiente durante o governo de Dilma Rousseff.

“O Brasil chega com resultados impecáveis: é um país cuja economia progrediu, que praticou a inclusão social e que reduziu como nunca suas taxas de desmatamento”, afirmou.

Fonte: Veja Ciência


12 de março de 2012 | nenhum comentário »

Crise internacional pode prejudicar debates da Rio+20, diz ONU

Governo diz que 79 chefes de estados e delegações confirmaram presença.
Cúpula mundial vai discutir, em junho, metas para economia verde.

O secretário-geral da Rio+20, Sha Zukang, com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira (Foto: Wilson Dias / Ag. Brasil)

O secretário-geral da Rio+20, Sha Zukang, com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira (Foto: Wilson Dias / Ag. Brasil)

O secretário-geral das Nações Unidas para a Rio+20, Sha Zukang, afirmou nesta sexta-feira (9) que precisa haver “comprometimento” dos líderes mundiais para garantir os resultados da Cúpula de Desenvolvimento Sustentável que acontece em junho no Brasil.

Zukang teme que a crise internacional e o período eleitoral em alguns países atrapalhem a fixação de metas para uma economia verde no planeta.

“Nós ainda não conseguimos nos livrar da sombra da crise financeira. Apesar da crise, os países desenvolvidos têm sido generosos com países em desenvolvimento, mas agora eles estão com problemas internos, na Europa principalmente”, reconheceu Zukang.

O representante da ONU se reuniu na manhã desta sexta com a ministra do Meio Ambiente,Izabella Teixeira, para discutir detalhes da organização do evento. Segundo eles, o período eleitoral em vários países importantes, como Estados Unidos, China e França, pode gerar dificuldades de engajamento, principalmente, nas reuniões preparatórias.

“Infelizmente, em anos de eleições os lideres só estão ocupados com este tema e não tratam de outros assuntos”, afirmou o secretário da ONU.

Embora a preocupação de chefes de estado esteja mais centrada em temas internos devido às eleições, a ministra diz não temer um esvaziamento do evento por causa da disputa eleitoral.

Segundo Izabella Teixeira, 79 delegações e chefes de estado já confirmaram presença na Rio+20. A ministra, no entanto, não citou os países que agendaram o compromisso. “Não é uma conferência de retórica, é uma conferencia para agirmos”, disse.

O representante da ONU comentou as críticas feitas pelo secretário-geral da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Jérôme Valcke, sobre a organização da Copa do Mundo de 2014 e afirmou confiar na capacidade do Brasil de fazer grandes eventos.

“Quando você tem um país que organiza três eventos, ter criticas é natural. O Brasil é um país muito grande e vai dar conta desses eventos”, disse Sha Zukang.

“A Rio+20 é uma das agendas mais importantes da ONU nas palavras do secretário [geral da ONU] Ban Ki-moon. Toda a comunidade internacional espera esta liderança do Brasil”, afirmou.

À noite, em evento no Ministério das Relações Exteriores, o ministro Antonio Patriota disse que o representante da ONU reconheceu os investimentos feitos pelo Brasil para sediar o encontro.

“O secretário-geral da conferência reconheceu a mobilização de recursos políticos, humanos e materiais sem precedentes do Brasil para a organização da conferência. Ele fez questão de enfatizar a questão do engajamento político sustentável, a questão da economia verde [...] Todas as intervencões abordam questões de organização da conferência e conteúdo. Há toda uma articulação política, e, com isso, creio que nos posicionamos de maneira melhor sintonizada para apresentar uma posição de vanguarda para a elaboração do documento final da Rio+20″, afirmou o ministro.

Segundo a ministra do Meio Ambiente, todas as colaborações durante o encontro vão auxiliar o Brasil a construir o documento final. “Houve um reconhecimento do papel da comissão , houve um reconhecimento de vários membros sobre o papel estratégico que a comissão tem desempenhado.”

 

Fonte: Débora Santos e Iara Lemos, G1, Brasília


7 de março de 2012 | nenhum comentário »

Secretário da Rio+20 pede mais ação e menos conversa sobre ambiente

O secretário-geral da ONU para a Rio+20, o chinês Sha Zukang, afirmou que o grande desafio da conferência para o desenvolvimento sustentável, a ser realizada no Rio de Janeiro de 20 a 22 junho, é colocar em prática as questões levantadas no evento. Em sua avaliação, muito já foi discutido em conferências anteriores, mas pouco realmente saiu do papel.

Para que as resoluções da Rio+20 sejam, de fato, postas em prática, Zukang defende a participação ativa da sociedade civil.

Segundo ele, é preciso que a população dos países cobre de seus governos o cumprimento dessas resoluções.

“Nosso trabalho não é conversar, é fazer. Já conversamos o suficiente. Não percam mais nenhum minuto discutindo, produzindo papéis apenas. É claro que precisamos produzir algum papel, mas eles devem ser seguidos de implementação”, afirmou Zukang, em entrevista coletiva nesta tarde no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro.

“Gritem, falem alto, conversem, certifiquem-se de que o governo irá ouvir vocês”.

Zukang está em sua terceira e última visita ao Rio de Janeiro antes da conferência. O secretário ficará até o próximo dia 10 no Brasil para acertar os detalhes finais de logística do evento. Sua agenda inclui reuniões no Rio e em Brasília.

A ONU prevê a visita de 60 mil pessoas à cidade, assim como 120 chefes de Estado. A conferência acontece 20 anos após a realização da Rio 92, que reuniu 108 chefes de Estado e levou ao Rio cerca de 30 mil pessoas.

A grande dúvida da edição atual é com relação aos chefes de Estado. Crise internacional e eleições presidenciais em países como Estados Unidos e França podem fazer com que a conferência seja menos prestigiada do que a histórica Rio 92.

Zukang ressaltou que a Rio+20 discutirá como colocar em prática a chamada “economia verde”. O próprio secretário afirma que a definição do termo varia muito de país para país – e que isso poderia ser mais uma justificativa para falta de ações.

O secretário explicou que a “economia verde” está baseada em três pilares: desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e proteção ao meio ambiente. Zukang afirmou que muito se avançou nos dois primeiro pilares, porém, no último, ainda há um caminho longo a ser percorrido.

“Nos últimos 20 anos o que vimos? Vimos desenvolvimento econômico, mas ao mesmo tempo vimos o mundo ficando cada vez mais mais insustentável. Falta integração dos três pilares da sustentabilidade”, afirmou, lembrando que a ONU recomenda aos países o investimento de 2% do PIB mundial em meio ambiente.

Questionado sobre a iminente votação do Código Florestal, Zukang afirmou que a ONU não opina sobre questões de política interna dos países. Mas aproveitou para dar recado: “A floresta é do Brasil, mas o país tem de entender que a maneira como ele trata seu meio ambiente e seus recursos naturais pode ter reflexo no restante do mundo”, disse.

Fonte: Lucas Vettorazzo/Folha.com


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