20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Aparição de água-viva rara no litoral norte de SP preocupa ambientalistas

Espécie é considerada invasora, já que vive no Oceano Pacífico ocidental.
Segundo especialista, último aparecimento na costa brasileira foi em 2006.

A presença de uma espécie exótica de água-viva em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, preocupa pesquisadores da cidade. A medusa, nativa do Oceano Pacífico, tem sido encontrada em diversos lugares do mundo e pode causar problemas no ecossistema da região, já que é considerada invasora na costa brasileira.

A aparição da espécie Phyllorhiza punctata, conhecida como água-viva australiana manchada, foi constatada no início do mês na praia do Itaguá. “Pescadores e pessoas nos acionaram falando do aumento de águas-vivas. No local, constatamos e identificamos essa espécie. Posteriormente também confirmamos com outros pesquisadores”, disse o oceanógrafo Hugo Gallo.

O pesquisador afirmou que a espécie possivelmente tenha aparecido no litoral norte de São Paulo trazida pela água de lastro dos navios, que é a água captada para garantir a segurança operacional e estabilidade da embarcação durante as operações portuárias. “É importante abrirmos uma discussão nesse sentido com os órgãos ambientais, visto que o porto de São Sebastião pode passar por ampliação e o movimento desses navios deve aumentar consideravelmente”.

Ainda de acordo com o oceanógrafo, a aparição da medusa no litoral norte preocupa os ambientalistas. “Toda espécie exótica causa preocupação. A introdução da espécie inspira cuidados e pode causar problemas ao ecossistema. Ela se alimenta de zooplâncton, ovos e larvas de espécies de peixes nativos, e é considerada invasiva na costa brasileira. O problema é a proliferação massiva”.

Além dos problemas ambientais, as águas-vivas podem causar queimaduras em banhistas. Nesses casos, é importante que o banhista não esfregue o local para não espalhar o veneno na pele, enxague com água salgada ou soro fisiológico e procure rapidamente o atendimento médico.

O pesquisador disse ainda que o último registro da espécie na costa brasileira aconteceu em 2006. Em 2000, a ocorrência desta água-viva causou problemas no ecossistema do Golfo do México. Três espécies foram levadas ao Aquário de Ubatuba e estão em exposição ao público. “O objetivo é a gente acompanhar a espécie e analisar também o desenvolvimento em cativeiro”.

Água-viva australiana manchada foi encontrado na praia do Itaguá, em Ubatuba. Último aparecimento na costa brasileira ocorreu há 7 anos, segundo especialista. (Foto: Aline Nogimo/Aquário de Ubatuba)

Água-viva australiana manchada foi encontrado na praia do Itaguá, em Ubatuba. Último aparecimento na costa brasileira ocorreu há 7 anos, segundo especialista. (Foto: Aline Nogimo/Aquário de Ubatuba)

Fonte: Globo Natureza


2 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Fertilizantes podem fortalecer mudança climática, diz estudo

Uso do produto leva à emissão de óxido nitroso, que causa efeito estufa.
Nitrogênio de combustíveis fósseis também pode afetar o clima.

Uma pesquisa norte-americana publicada nesta segunda-feira (30) aponta que as emissões de nitrogênio também podem provocar a mudança climática. Geralmente, as emissões de carbono são tidas como as principais responsáveis pelo fenômeno.

O nitrogênio é um elemento importante na composição dos fertilizantes. Fixado no solo, ele altera o ecossistema e, em longo prazo, isso aumenta as emissões de óxido nitroso (N20) na atmosfera. Esse gás é um dos responsáveis pelo efeito estufa, e seu excesso pode provocar aquecimento exagerado.

Por outro lado, os combustíveis fósseis contêm outras substâncias com o nitrogênio na fórmula. Na queima dos combustíveis, esses gases são emitidos e provocam alterações químicas na atmosfera que tendem a resfriar o planeta.

De toda forma, isso não serve para anular os efeitos do aquecimento global, e a maior preocupação dos pesquisadores é mesmo com o aumento da temperatura.

“Para evitar o aquecimento causado pelo nitrogênio reativo dos EUA, reduções nas emissões agrícolas de N20 são necessárias. Um progresso substancial em direção a este objetivo é possível com a tecnologia atual. Sem tais ações, reduções ainda maiores nas emissões de CO2 serão necessárias para evitar uma mudança climática perigosa”, escreveram os autores.

A pesquisa foi conduzida por Robert Pinder, da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, e publicada pela “PNAS”, revista da Academia Americana de Ciências.

Fonte: Globo Natureza


11 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Liberar desova do salmão beneficia ursos e pescadores, diz estudo

Densidade demográfica de ursos cresce se há mais alimento disponível.
Além disso, número de peixes pode aumentar e contribuir com a pesca.

Companhias de pesca de salmão no noroeste do Pacífico costumam liberar a passagem de apenas um pequeno número de peixes para permitir a desova. Segundo um novo estudo publicado na terça-feira (10) no jornal “PLoS Biology”, a liberação de mais peixes pode beneficiar ursos e pescadores.

Para medir os impactos, os pesquisadores verificaram hábitos alimentares de ursos cinzentos, uma variedade de urso pardo, em seis regiões do Alasca e do Canadá. Quando a disponibilidade de salmão era elevada, maior era a densidade de ursos. Assim, liberar a desova beneficiaria o mamífero, argumenta a pesquisa, conduzida por cientistas de universidades americanas e canadenses.

Além disso, quando poucos salmões são liberados para desovar, os ursos se alimentam do peixe inteiro. Já quando a disponibilidade de alimento é maior, os ursos comem apenas algumas partes, como o cérebro. Segundo a pesquisa, este hábito contribui para o ecossistema, já que outros animais podem se beneficiar da sobra do salmão.

Ainda de acordo com o estudo, a medida também poderia aumentar, em alguns casos, o número de peixes no oceano, o que beneficiaria a pesca comercial. Em outras situações, liberar a desova poderia trazer prejuízos para a pesca – mas os benefícios para o ecossistema seriam muito maiores que as perdas econômicas, argumentam os cientistas.

Urso-pardo pesca salmão no Alasca (Foto: Jon Cornforth / Barcroft Media / Getty Images)

Urso-pardo pesca salmão no Alasca (Foto: Jon Cornforth / Barcroft Media / Getty Images)

Fonte: Globo Natureza


8 de março de 2012 | nenhum comentário »

Visitantes levam espécies invasoras para Antártica, alertam pesquisadores

Pelo menos 2.600 sementes foram levadas à região entre 2007 e 2008.
Temor é que aquecimento global agrave expansão de invasores.

Turistas e cientistas que passam pela Antártica podem ter levado espécies de plantas invasoras, sem querer, que ameaçam a biodiversidade local, afirma uma pesquisa publicada nesta semana na revista da Academia Americana de Ciências, a “PNAS”.

Os visitantes teriam carregado, sem saber, sementes minúsculas de seus locais de origem em sapatos, malas e roupas.

Entre 2007 e 2008, pelo menos 2.600 sementes de espécies não-nativas foram encontradas na região antártica pela equipe de Steven Chown, da Universidade de Stellenbosch, na África do Sul.

De acordo com a equipe, apesar das condições climáticas extremas da Antártica, algumas espécies invasoras já estão se estabelecendo no oeste da Península Antártica – onde o clima é mais ameno. O medo é que, com as mudanças climáticas, o ambiente na região fique mais quente e essas espécies possam alterar os ecossistemas locais.

Iceberg Antártida 1 (Foto: Alister Doyle / Reuters)

Foto de arquivo mostra iceberg desprendido da Antártica por causa do aquecimento global (Foto: Alister Doyle / Reuters)

Fonte: Globo Natureza


16 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Elefante-marinho percorre 29 mil km em 11 meses no Pacífico, diz ONG

Transmissor foi instalado em espécime que vive na Patagônia chilena.
Observação é importante para verificar se houve alterações no ecossistema.

Ambientalistas da organização Sociedade de Conservação da Vida Selvagem (WCS, na sigla em inglês) instalaram um transmissor em um elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) em dezembro de 2010, na Terra do Fogo, no Chile, e verificaram em novembro de 2011 que o animal havia percorrido cerca de 29 mil quilômetros ao longo dos 11 meses.

É como se neste período, o animal fizesse uma viagem de ida e volta desde Nova York, nos Estados Unidos, até Sydney, na Austrália. Porém, ele ficou apenas nas proximidades da costa do Chile. O elefante-marinho foi acompanhado pela equipe para que os ambientalistas compreendessem melhor as rotas migratórias da espécie.

De acordo com a organização ambiental, a espécie é indicadora da saúde dos ecossistemas marinhos e pode mostrar como a mudança climática influencia na distribuição de animais na Patagônia.

“Esta informação é vital para melhorar a gestão dos oceanos na região, ajudando a estabelecer as áreas de proteção e a gerir melhor a pesca, sem prejudicar as espécies marinhas vulneráveis”, disse Caleb McClennen, Diretor de Programas Marinhos da WCS.

As informações vão servir para estabelecer um novo modelo de conservação para a região da Patagônia. A organização ambiental monitora 60 elefantes-marinhos por satélite desde 1990.

O elefante-marinho Jackson, cujas viagens foram acompanhadas por 11 meses (Foto: Divulgação/Wildlife Conservation Society)

O elefante-marinho Jackson, cujas viagens foram acompanhadas por 11 meses (Foto: Divulgação/Wildlife Conservation Society)

A linha vermelha no mapa mostra o trajeto percorrido pelo elefante-marinho Jackson entre dezembro de 2010 e novembro de 2011. (Foto: Divulgação/Wildlife Conservation Society)

A linha vermelha no mapa mostra o trajeto percorrido pelo elefante-marinho Jackson entre dezembro de 2010 e novembro de 2011. (Foto: Divulgação/Wildlife Conservation Society)

Fonte: Do Globo Natureza, São Paulo


23 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Brasil tenta estabelecer medidas para preservar a biodiversidade

O País corre contra o tempo para cumprir as metas estabelecidas no Protocolo de Nagoya, determinadas no ano passado, para preservar os ecossistemas e as espécies vivas.

O tema é de interesse das empresas que exploram de forma sustentável os recursos naturais e de quem quer coibir a “biopirataria”. Apesar de o País ser considerado pioneiro na regulamentação do acesso e na repartição dos benefícios do uso de produtos nativos, a Medida Provisória 2.186-16, de 2001, nunca foi votada pelo Congresso.

 

A MP determina que o acesso ao patrimônio genético do país só é possível com autorização da União e que é ilegal utilizar comercialmente o conhecimento tradicional sem a autorização de quem o detém – muitas vezes comunidades indígenas e populações locais. O uso comercial deve passar pelo crivo do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN). “A aprovação chega a demorar três anos e isso inviabiliza a pesquisa e a criação de novos produtos”, afirma Helena Pavese, gerente de política ambiental da organização não-governamental Conservação Internacional. Desde 2002, foram firmados apenas 25 contratos de repartição de benefícios, de um total de mais de 200 projetos solicitantes.

 

O principal desafio do governo nos próximos anos será integrar os programas ambientais aos planos de desenvolvimento econômico e social, como é o caso do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Há uma desconexão entre as ações. Estão previstos projetos de infraestrutura em áreas de Unidades de Conservação (UCs), que certamente serão afetadas”, diz. A ambientalista admite, no entanto, existir um esforço do MMA em procurar parcerias com outros ministérios, como os da Fazenda e do Planejamento. Uma solução apontada pela Conservação Internacional para reduzir os efeitos da devastação dos ecossistemas é implantar novas UCs em áreas de desmatamento. “Tem sido uma estratégia eficiente na Amazônia”.

 

A pressa do governo em definir uma estratégia ampla com relação às 20 metas traçadas em Nagoya está relacionada também à Convenção das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio + 20), que acontecerá no Rio de Janeiro entre os dias 4 e 6 de junho de 2012. No evento, o País pretende apresentar o Plano Estratégico Brasileiro para a Biodiversidade, uma adequação das metas de Nagoya à realidade nacional.

 

Estudo elaborado pelas organizações WWF-Brasil, Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê) e União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), em parceria com o MMA, fez um diagnóstico do quadro atual da preservação da biodiversidade com relação às metas de Nagoya.

 

O estudo cita iniciativas de sucesso como, por exemplo, o Plano Nacional de Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade (PNPSB). Para aumentar a capacidade de auto-sustentação de comunidades tradicionais, o governo criou uma política de subvenção para 11 produtos – açaí, babaçu, borracha extrativa, carnaúba, baru, cera de carnaúba, mangaba, umbu, castanha-do-brasil, pequi e piaçava. Para estes produtos, o governo garante sempre o pagamento do preço mínimo ao produtor.

 

Cita ainda os programas de Compras Públicas Sustentáveis dos governos estaduais de São Paulo e Minas Gerais com o objetivo de aumentar a economia de água e energia elétrica, a durabilidade, biodegradabilidade e a reciclagem, e a primeira “loja verde” do Pão de Açúcar, em Indaiatuba (SP), com móveis de madeira certificada e veículos de entrega que usam biocombustível.

 

Com relação aos biomas, o estudo destaca o crescimento das UCs para as 302 unidades, e o implemento de corredores ecológicos, principalmente na Mata Atlântica – com 21 milhões de hectares, sendo 8 milhões em área marinha. No trecho terrestre, a criação de novos corredores ecológicos na Mata Atlântica é considerada uma medida fundamental para a preservação dos grandes mamíferos. No local, apenas ações integradas entre UCs e corredores podem trazer resultados positivos para a preservação de espécies ameaçadas. Na Amazônia, existem hoje 52 milhões de hectares de corredores.

Fonte: Valor Econômico


23 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Reserva mexicana quintuplica número de peixes em dez anos

Uma reserva marinha na costa oeste do México conseguiu quase quintuplicar seu número de peixes em dez anos, mostra um estudo de várias instituições sob a coordenação do Instituto Scripps de Oceanografia, da Universidade da Califórnia, em San Diego.

O projeto de recuperação na área do Parque Nacional Cabo Pulmo, no Estado da Baja Califórnia, foi fruto do entusiasmo e dedicação da população local. Incomodada pela devastação do ecossistema, estabeleceu o parque em 1995 e, desde então, dedica-se a protegê-lo.

“As mudanças mais importantes que observamos é que o número de espécies no parque aumentou, e o número de indivíduos e seu tamanho, que em conjunto são os quilos de peixes, aumentaram mais de 460%”, disse à BBC o biólogo marinho Octavio Aburto-Oropeza, do Instituto Scripps.

“Em apenas uma década, o parque ganhou cerca de 3,5 toneladas por hectare”, afirmou.

Segundo o pesquisador, a população da região de Cabo Pulmo decidiu interromper a atividade pesqueira em 1995, e desde então virou o seu “guardião”.

“Pediram ao governo que declarasse a área como parque nacional, e eles mesmos se dedicam a vigiá-lo, cuidar dele em muitos aspectos, principalmente na redução da contaminação e da proteção de espécies em perigo, como as tartarugas marinhas”, disse.

Cabo Pulmo tem 71 km quadrados e é quase 70 vezes maior que a maioria das reservas estudadas até hoje.

Entre as espécies mais comuns na área estão a garopa do golfo (Mycteroperca jordani), garopa sardineira (Mycteroperca rosacea), pargo cinza (Lutjanus novemfasciatus), pargo amarelo (Lutjanus argentiventris) e cavalinha (Seriola lalandi).

Para os autores do estudo, publicado no site de artigos científicos “PLoS One”, a experiência da reserva é “comovente”.

“É surpreendente que as comunidades de peixes em um recife superexplorado possam se recuperar até chegar a níveis comparáveis com os de recifes remotos, lugares onde nunca ocorreu a pesca humana”, avaliou Aburto-Oropeza.

Para o especialista, o projeto mexicano ensina que o sucesso de projetos de proteção de áreas marinhas começa com a participação e a liderança das comunidades locais.

Aburto-Oropeza diz que a criação de áreas marinhas ao largo da costa mexicana, ou em qualquer região costeira do mundo, pode “elevar significativamente a produtividade dos oceanos, gerando benefícios econômicos para as comunidades costeiras”.

Por último, avalia, é importante divulgar a experiência de Cabo Pulmo para interessados em outras partes do mundo.

“Poucos legisladores no mundo estão conscientes de que o tamanho e a abundância dos peixes pode aumentar extraordinariamente em muito pouco tempo, a partir do momento em que se estabelece a proteção ambiental e se cria uma reserva marinha”, defende.

“Divulgar o que ocorreu em Cabo Pulmo contribuirá para os esforços de conservação dos ecossistemas marinhos e a recuperação das economias costeiras.”

Reserva marinha mexicana cuidada por população quintuplica número de peixes em 10 anos; veja galeria de fotos

Reserva marinha mexicana cuidada por população quintuplica número de peixes em 10 anos. Foto: Octavio Aburto/Divulgação/iLCP

Cabo Pulmo é quase 70 vezes maior que a maioria das reservas estudadas; veja galeria de fotos

Cabo Pulmo é quase 70 vezes maior que a maioria das reservas estudadas. Foto: Octavio Aburto/Divulgação/iLCP






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20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Aparição de água-viva rara no litoral norte de SP preocupa ambientalistas

Espécie é considerada invasora, já que vive no Oceano Pacífico ocidental.
Segundo especialista, último aparecimento na costa brasileira foi em 2006.

A presença de uma espécie exótica de água-viva em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, preocupa pesquisadores da cidade. A medusa, nativa do Oceano Pacífico, tem sido encontrada em diversos lugares do mundo e pode causar problemas no ecossistema da região, já que é considerada invasora na costa brasileira.

A aparição da espécie Phyllorhiza punctata, conhecida como água-viva australiana manchada, foi constatada no início do mês na praia do Itaguá. “Pescadores e pessoas nos acionaram falando do aumento de águas-vivas. No local, constatamos e identificamos essa espécie. Posteriormente também confirmamos com outros pesquisadores”, disse o oceanógrafo Hugo Gallo.

O pesquisador afirmou que a espécie possivelmente tenha aparecido no litoral norte de São Paulo trazida pela água de lastro dos navios, que é a água captada para garantir a segurança operacional e estabilidade da embarcação durante as operações portuárias. “É importante abrirmos uma discussão nesse sentido com os órgãos ambientais, visto que o porto de São Sebastião pode passar por ampliação e o movimento desses navios deve aumentar consideravelmente”.

Ainda de acordo com o oceanógrafo, a aparição da medusa no litoral norte preocupa os ambientalistas. “Toda espécie exótica causa preocupação. A introdução da espécie inspira cuidados e pode causar problemas ao ecossistema. Ela se alimenta de zooplâncton, ovos e larvas de espécies de peixes nativos, e é considerada invasiva na costa brasileira. O problema é a proliferação massiva”.

Além dos problemas ambientais, as águas-vivas podem causar queimaduras em banhistas. Nesses casos, é importante que o banhista não esfregue o local para não espalhar o veneno na pele, enxague com água salgada ou soro fisiológico e procure rapidamente o atendimento médico.

O pesquisador disse ainda que o último registro da espécie na costa brasileira aconteceu em 2006. Em 2000, a ocorrência desta água-viva causou problemas no ecossistema do Golfo do México. Três espécies foram levadas ao Aquário de Ubatuba e estão em exposição ao público. “O objetivo é a gente acompanhar a espécie e analisar também o desenvolvimento em cativeiro”.

Água-viva australiana manchada foi encontrado na praia do Itaguá, em Ubatuba. Último aparecimento na costa brasileira ocorreu há 7 anos, segundo especialista. (Foto: Aline Nogimo/Aquário de Ubatuba)

Água-viva australiana manchada foi encontrado na praia do Itaguá, em Ubatuba. Último aparecimento na costa brasileira ocorreu há 7 anos, segundo especialista. (Foto: Aline Nogimo/Aquário de Ubatuba)

Fonte: Globo Natureza


2 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Fertilizantes podem fortalecer mudança climática, diz estudo

Uso do produto leva à emissão de óxido nitroso, que causa efeito estufa.
Nitrogênio de combustíveis fósseis também pode afetar o clima.

Uma pesquisa norte-americana publicada nesta segunda-feira (30) aponta que as emissões de nitrogênio também podem provocar a mudança climática. Geralmente, as emissões de carbono são tidas como as principais responsáveis pelo fenômeno.

O nitrogênio é um elemento importante na composição dos fertilizantes. Fixado no solo, ele altera o ecossistema e, em longo prazo, isso aumenta as emissões de óxido nitroso (N20) na atmosfera. Esse gás é um dos responsáveis pelo efeito estufa, e seu excesso pode provocar aquecimento exagerado.

Por outro lado, os combustíveis fósseis contêm outras substâncias com o nitrogênio na fórmula. Na queima dos combustíveis, esses gases são emitidos e provocam alterações químicas na atmosfera que tendem a resfriar o planeta.

De toda forma, isso não serve para anular os efeitos do aquecimento global, e a maior preocupação dos pesquisadores é mesmo com o aumento da temperatura.

“Para evitar o aquecimento causado pelo nitrogênio reativo dos EUA, reduções nas emissões agrícolas de N20 são necessárias. Um progresso substancial em direção a este objetivo é possível com a tecnologia atual. Sem tais ações, reduções ainda maiores nas emissões de CO2 serão necessárias para evitar uma mudança climática perigosa”, escreveram os autores.

A pesquisa foi conduzida por Robert Pinder, da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, e publicada pela “PNAS”, revista da Academia Americana de Ciências.

Fonte: Globo Natureza


11 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Liberar desova do salmão beneficia ursos e pescadores, diz estudo

Densidade demográfica de ursos cresce se há mais alimento disponível.
Além disso, número de peixes pode aumentar e contribuir com a pesca.

Companhias de pesca de salmão no noroeste do Pacífico costumam liberar a passagem de apenas um pequeno número de peixes para permitir a desova. Segundo um novo estudo publicado na terça-feira (10) no jornal “PLoS Biology”, a liberação de mais peixes pode beneficiar ursos e pescadores.

Para medir os impactos, os pesquisadores verificaram hábitos alimentares de ursos cinzentos, uma variedade de urso pardo, em seis regiões do Alasca e do Canadá. Quando a disponibilidade de salmão era elevada, maior era a densidade de ursos. Assim, liberar a desova beneficiaria o mamífero, argumenta a pesquisa, conduzida por cientistas de universidades americanas e canadenses.

Além disso, quando poucos salmões são liberados para desovar, os ursos se alimentam do peixe inteiro. Já quando a disponibilidade de alimento é maior, os ursos comem apenas algumas partes, como o cérebro. Segundo a pesquisa, este hábito contribui para o ecossistema, já que outros animais podem se beneficiar da sobra do salmão.

Ainda de acordo com o estudo, a medida também poderia aumentar, em alguns casos, o número de peixes no oceano, o que beneficiaria a pesca comercial. Em outras situações, liberar a desova poderia trazer prejuízos para a pesca – mas os benefícios para o ecossistema seriam muito maiores que as perdas econômicas, argumentam os cientistas.

Urso-pardo pesca salmão no Alasca (Foto: Jon Cornforth / Barcroft Media / Getty Images)

Urso-pardo pesca salmão no Alasca (Foto: Jon Cornforth / Barcroft Media / Getty Images)

Fonte: Globo Natureza


8 de março de 2012 | nenhum comentário »

Visitantes levam espécies invasoras para Antártica, alertam pesquisadores

Pelo menos 2.600 sementes foram levadas à região entre 2007 e 2008.
Temor é que aquecimento global agrave expansão de invasores.

Turistas e cientistas que passam pela Antártica podem ter levado espécies de plantas invasoras, sem querer, que ameaçam a biodiversidade local, afirma uma pesquisa publicada nesta semana na revista da Academia Americana de Ciências, a “PNAS”.

Os visitantes teriam carregado, sem saber, sementes minúsculas de seus locais de origem em sapatos, malas e roupas.

Entre 2007 e 2008, pelo menos 2.600 sementes de espécies não-nativas foram encontradas na região antártica pela equipe de Steven Chown, da Universidade de Stellenbosch, na África do Sul.

De acordo com a equipe, apesar das condições climáticas extremas da Antártica, algumas espécies invasoras já estão se estabelecendo no oeste da Península Antártica – onde o clima é mais ameno. O medo é que, com as mudanças climáticas, o ambiente na região fique mais quente e essas espécies possam alterar os ecossistemas locais.

Iceberg Antártida 1 (Foto: Alister Doyle / Reuters)

Foto de arquivo mostra iceberg desprendido da Antártica por causa do aquecimento global (Foto: Alister Doyle / Reuters)

Fonte: Globo Natureza


16 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Elefante-marinho percorre 29 mil km em 11 meses no Pacífico, diz ONG

Transmissor foi instalado em espécime que vive na Patagônia chilena.
Observação é importante para verificar se houve alterações no ecossistema.

Ambientalistas da organização Sociedade de Conservação da Vida Selvagem (WCS, na sigla em inglês) instalaram um transmissor em um elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) em dezembro de 2010, na Terra do Fogo, no Chile, e verificaram em novembro de 2011 que o animal havia percorrido cerca de 29 mil quilômetros ao longo dos 11 meses.

É como se neste período, o animal fizesse uma viagem de ida e volta desde Nova York, nos Estados Unidos, até Sydney, na Austrália. Porém, ele ficou apenas nas proximidades da costa do Chile. O elefante-marinho foi acompanhado pela equipe para que os ambientalistas compreendessem melhor as rotas migratórias da espécie.

De acordo com a organização ambiental, a espécie é indicadora da saúde dos ecossistemas marinhos e pode mostrar como a mudança climática influencia na distribuição de animais na Patagônia.

“Esta informação é vital para melhorar a gestão dos oceanos na região, ajudando a estabelecer as áreas de proteção e a gerir melhor a pesca, sem prejudicar as espécies marinhas vulneráveis”, disse Caleb McClennen, Diretor de Programas Marinhos da WCS.

As informações vão servir para estabelecer um novo modelo de conservação para a região da Patagônia. A organização ambiental monitora 60 elefantes-marinhos por satélite desde 1990.

O elefante-marinho Jackson, cujas viagens foram acompanhadas por 11 meses (Foto: Divulgação/Wildlife Conservation Society)

O elefante-marinho Jackson, cujas viagens foram acompanhadas por 11 meses (Foto: Divulgação/Wildlife Conservation Society)

A linha vermelha no mapa mostra o trajeto percorrido pelo elefante-marinho Jackson entre dezembro de 2010 e novembro de 2011. (Foto: Divulgação/Wildlife Conservation Society)

A linha vermelha no mapa mostra o trajeto percorrido pelo elefante-marinho Jackson entre dezembro de 2010 e novembro de 2011. (Foto: Divulgação/Wildlife Conservation Society)

Fonte: Do Globo Natureza, São Paulo


23 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Brasil tenta estabelecer medidas para preservar a biodiversidade

O País corre contra o tempo para cumprir as metas estabelecidas no Protocolo de Nagoya, determinadas no ano passado, para preservar os ecossistemas e as espécies vivas.

O tema é de interesse das empresas que exploram de forma sustentável os recursos naturais e de quem quer coibir a “biopirataria”. Apesar de o País ser considerado pioneiro na regulamentação do acesso e na repartição dos benefícios do uso de produtos nativos, a Medida Provisória 2.186-16, de 2001, nunca foi votada pelo Congresso.

 

A MP determina que o acesso ao patrimônio genético do país só é possível com autorização da União e que é ilegal utilizar comercialmente o conhecimento tradicional sem a autorização de quem o detém – muitas vezes comunidades indígenas e populações locais. O uso comercial deve passar pelo crivo do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN). “A aprovação chega a demorar três anos e isso inviabiliza a pesquisa e a criação de novos produtos”, afirma Helena Pavese, gerente de política ambiental da organização não-governamental Conservação Internacional. Desde 2002, foram firmados apenas 25 contratos de repartição de benefícios, de um total de mais de 200 projetos solicitantes.

 

O principal desafio do governo nos próximos anos será integrar os programas ambientais aos planos de desenvolvimento econômico e social, como é o caso do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Há uma desconexão entre as ações. Estão previstos projetos de infraestrutura em áreas de Unidades de Conservação (UCs), que certamente serão afetadas”, diz. A ambientalista admite, no entanto, existir um esforço do MMA em procurar parcerias com outros ministérios, como os da Fazenda e do Planejamento. Uma solução apontada pela Conservação Internacional para reduzir os efeitos da devastação dos ecossistemas é implantar novas UCs em áreas de desmatamento. “Tem sido uma estratégia eficiente na Amazônia”.

 

A pressa do governo em definir uma estratégia ampla com relação às 20 metas traçadas em Nagoya está relacionada também à Convenção das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio + 20), que acontecerá no Rio de Janeiro entre os dias 4 e 6 de junho de 2012. No evento, o País pretende apresentar o Plano Estratégico Brasileiro para a Biodiversidade, uma adequação das metas de Nagoya à realidade nacional.

 

Estudo elaborado pelas organizações WWF-Brasil, Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê) e União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), em parceria com o MMA, fez um diagnóstico do quadro atual da preservação da biodiversidade com relação às metas de Nagoya.

 

O estudo cita iniciativas de sucesso como, por exemplo, o Plano Nacional de Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade (PNPSB). Para aumentar a capacidade de auto-sustentação de comunidades tradicionais, o governo criou uma política de subvenção para 11 produtos – açaí, babaçu, borracha extrativa, carnaúba, baru, cera de carnaúba, mangaba, umbu, castanha-do-brasil, pequi e piaçava. Para estes produtos, o governo garante sempre o pagamento do preço mínimo ao produtor.

 

Cita ainda os programas de Compras Públicas Sustentáveis dos governos estaduais de São Paulo e Minas Gerais com o objetivo de aumentar a economia de água e energia elétrica, a durabilidade, biodegradabilidade e a reciclagem, e a primeira “loja verde” do Pão de Açúcar, em Indaiatuba (SP), com móveis de madeira certificada e veículos de entrega que usam biocombustível.

 

Com relação aos biomas, o estudo destaca o crescimento das UCs para as 302 unidades, e o implemento de corredores ecológicos, principalmente na Mata Atlântica – com 21 milhões de hectares, sendo 8 milhões em área marinha. No trecho terrestre, a criação de novos corredores ecológicos na Mata Atlântica é considerada uma medida fundamental para a preservação dos grandes mamíferos. No local, apenas ações integradas entre UCs e corredores podem trazer resultados positivos para a preservação de espécies ameaçadas. Na Amazônia, existem hoje 52 milhões de hectares de corredores.

Fonte: Valor Econômico


23 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Reserva mexicana quintuplica número de peixes em dez anos

Uma reserva marinha na costa oeste do México conseguiu quase quintuplicar seu número de peixes em dez anos, mostra um estudo de várias instituições sob a coordenação do Instituto Scripps de Oceanografia, da Universidade da Califórnia, em San Diego.

O projeto de recuperação na área do Parque Nacional Cabo Pulmo, no Estado da Baja Califórnia, foi fruto do entusiasmo e dedicação da população local. Incomodada pela devastação do ecossistema, estabeleceu o parque em 1995 e, desde então, dedica-se a protegê-lo.

“As mudanças mais importantes que observamos é que o número de espécies no parque aumentou, e o número de indivíduos e seu tamanho, que em conjunto são os quilos de peixes, aumentaram mais de 460%”, disse à BBC o biólogo marinho Octavio Aburto-Oropeza, do Instituto Scripps.

“Em apenas uma década, o parque ganhou cerca de 3,5 toneladas por hectare”, afirmou.

Segundo o pesquisador, a população da região de Cabo Pulmo decidiu interromper a atividade pesqueira em 1995, e desde então virou o seu “guardião”.

“Pediram ao governo que declarasse a área como parque nacional, e eles mesmos se dedicam a vigiá-lo, cuidar dele em muitos aspectos, principalmente na redução da contaminação e da proteção de espécies em perigo, como as tartarugas marinhas”, disse.

Cabo Pulmo tem 71 km quadrados e é quase 70 vezes maior que a maioria das reservas estudadas até hoje.

Entre as espécies mais comuns na área estão a garopa do golfo (Mycteroperca jordani), garopa sardineira (Mycteroperca rosacea), pargo cinza (Lutjanus novemfasciatus), pargo amarelo (Lutjanus argentiventris) e cavalinha (Seriola lalandi).

Para os autores do estudo, publicado no site de artigos científicos “PLoS One”, a experiência da reserva é “comovente”.

“É surpreendente que as comunidades de peixes em um recife superexplorado possam se recuperar até chegar a níveis comparáveis com os de recifes remotos, lugares onde nunca ocorreu a pesca humana”, avaliou Aburto-Oropeza.

Para o especialista, o projeto mexicano ensina que o sucesso de projetos de proteção de áreas marinhas começa com a participação e a liderança das comunidades locais.

Aburto-Oropeza diz que a criação de áreas marinhas ao largo da costa mexicana, ou em qualquer região costeira do mundo, pode “elevar significativamente a produtividade dos oceanos, gerando benefícios econômicos para as comunidades costeiras”.

Por último, avalia, é importante divulgar a experiência de Cabo Pulmo para interessados em outras partes do mundo.

“Poucos legisladores no mundo estão conscientes de que o tamanho e a abundância dos peixes pode aumentar extraordinariamente em muito pouco tempo, a partir do momento em que se estabelece a proteção ambiental e se cria uma reserva marinha”, defende.

“Divulgar o que ocorreu em Cabo Pulmo contribuirá para os esforços de conservação dos ecossistemas marinhos e a recuperação das economias costeiras.”

Reserva marinha mexicana cuidada por população quintuplica número de peixes em 10 anos; veja galeria de fotos

Reserva marinha mexicana cuidada por população quintuplica número de peixes em 10 anos. Foto: Octavio Aburto/Divulgação/iLCP

Cabo Pulmo é quase 70 vezes maior que a maioria das reservas estudadas; veja galeria de fotos

Cabo Pulmo é quase 70 vezes maior que a maioria das reservas estudadas. Foto: Octavio Aburto/Divulgação/iLCP