20 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Zoológico de Buenos Aires tem futuro incerto

O zoológico de Buenos Aires, catalogado como patrimônio histórico nacional por sua arquitetura vitoriana, tem futuro incerto após a tentativa do governo da capital argentina de licitá-lo, frustrada no último momento pela oposição nos tribunais.

Situado no bairro de Palermo, o zoo, que abriu as portas em 1875, ocupa 18 hectares e abriga cerca de dois mil animais de 73 espécies.

Um passeio por suas instalações é como uma viagem no tempo: pelas grades de um aviário de inspiração andaluza veem-se macacos, enquanto os três elefantes entram e saem de seu templo hindu e passeiam aborrecidos pelo pequeno espaço disponibilizado.

Privatizada nos anos 90, sob o governo do ex-presidente Carlos Menem, nos últimos anos a instituição recebeu críticas pela situação dos animais e agora é alvo de uma batalha política pela decisão do prefeito, Mauricio Macri, de licitar sua gestão.

Um relatório da Auditoria Geral de Buenos Aires denunciou que entre 1990 e 2008 foram perdidas 31 espécies de mamíferos e 72 espécies de aves, que representavam 23% e 55%, respectivamente, das espécies do zoológico.

O atual diretor do espaço, o ecologista Claudio Bertonatti, que ocupa o cargo há seis meses, confirma os dados, mas minimiza a importância dos números: “Muita gente acredita que quanto mais espécies um zoo tiver, melhor será, mas é um erro. Nós poderíamos aumentar o número de espécies se aceitássemos todos os animais que foram recuperados em apreensões, mas não o fazemos porque chegam muito maltratados e seria contraproducente”, contou.

Bertonatti alegou que se sente “orgulhoso” que nos últimos anos tenham sido “devolvidos à natureza” cerca de 400 animais, entre eles “107 condores andinos que agora voam livres por vários países da América Latina”.

Para o diretor, o zoo deve ser transformado “de um centro de entretenimento a um espaço de preservação com quatro objetivos: preservar, educar, pesquisar e, por último, entreter”.

Para o gestor, o melhor modelo é o zoológico do Bronx, já que acredita que o ideal seria que, como em Nova York, os animais vivessem em “condições de semiliberdade”, embora admita que a instituição americana possui um espaço seis vezes maior que os 18 hectares “não ampliáveis” do zoo de Buenos Aires.

Enquanto os ecologistas se preocupam com a melhora das instalações e o bem-estar dos animais, os políticos portenhos se enfrentam em uma batalha legal sobre o futuro da instituição.

A juíza Elena Liberatori aceitou o apoio oferecido pelo legislador opositor Adrián Camps e suspendeu a licitação pública defendida pelo governo da cidade pela condição do espaço e “a especial proteção de categoria constitucional e legal à qual ele está sujeito”.

Elena sentenciou que qualquer futura concessão do zoológico deve ser aprovada pela legislação, mas a diretora da Direção Geral de Concessões de Buenos Aires, Silvia Imas, afirmou que apelarão da sentença porque consideram que a licitação “é a melhor forma de regularizar uma concessão vencida e ter cinco anos para repensar como será o zoológico do futuro”.

Camps, membro do Partido Socialista Autêntico, recebeu com euforia a decisão judicial e ressaltou que “o zoo é uma raridade internacional, porque conserva as construções vitorianas originais, ao contrário do de Londres, onde muito foi destruído durante a Segunda Guerra Mundial, e sua gestão deve ser pública”.

O político declarou à Efe que espera que agora “se abra um debate sobre o futuro do zoológico e sua concepção”, já que, em sua opinião, a ideia de lugar “para exibir animais em cativeiro, enjaulados, já não é aceitável”.

Tanto o diretor do espaço quanto Camps lamentam que na folha de licitação seja exijido que 85% dos fundos sejam destinados à restauração dos prédios históricos e só 15% para melhorar a oferta de conservação e a função educativa.

Silvia nega esses dados, mas reconhece que a exigência para a restauração é muito maior “porque são prédios históricos e estão muito deteriorados”.

À espera que a batalha política termine, o zoológico continua sua lenta transformação, e inaugurou recentemente um aviário com aves recuperadas do tráfico de animais, visando à conscientização.

Fonte: Portal iG


21 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Governo estuda criar estrutura para cuidar do desenvolvimento sustentável

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, indicou nesta sexta-feira (18) que o Brasil pode criar uma estrutura própria para cuidar do desenvolvimento sustentável.

A informação foi dada em entrevista coletiva no Palácio do Itamaraty, no Rio, onde Teixeira participou do lançamento do relatório em português “Povos Resilientes, Planeta Resiliente”, da ONU.

Após defender a criação, no âmbito das Nações Unidas, de um conselho de desenvolvimento sustentável para integrar as questões sociais, econômicas e ambientais, a ministra foi questionada sobre por que o país não criava um ministério do desenvolvimento sustentável para unir esses pilares também em âmbito nacional.

“Porque isso [a criação de um ministério] talvez não seja a solução”, respondeu. “Mas ele [o governo brasileiro] pode tratar uma estrutura de governança do desenvolvimento sustentável brevemente. Tem uma outra novela chamada Avenida Brasil sustentável. Eu sugiro que vocês aguardem os próximos capítulos, mas tenho certeza que teremos boas notícias”, brincou a ministra, fazendo referência à novela “Avenida Brasil”, da Rede Globo.

Teixeira disse ainda que o governo vem promovendo uma série de encontros para definir uma agenda nacional para o período pós-Rio+20. A conferência sobre desenvolvimento sustentável da ONU ocorre no Rio de 13 a 22 de junho.

A ministra citou como exemplo o fortalecimento do projeto de escolas sustentáveis elaborado em conjunto com o Ministério da Educação, que incorpora o conceito de consumo e o desenvolvimento sustentáveis aos temas abordados em sala de aula.

A inclusão desses assuntos nos currículos de escolas primárias e secundárias é uma das sugestões do relatório da ONU lançado nesta sexta –ao todo, o documento traz 56 recomendações elaboradas por 22 especialistas para tornar o desenvolvimento sustentável uma realidade.

A ministra foi a representante brasileira nas discussões que deram origem ao relatório. O trabalho foi coordenado pelo secretário-executivo do Painel de Alto Nível do Secretário-Geral das Nações Unidas sobre Sustentabilidade Global, Janos Pasztor.

O relatório em português pode ser acessado:  http://www.onu.org.br/docs/gsp-integra.pdf

 

Fonte: Folha.com


5 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Resíduos sólidos: educação é prioritária para mudança de comportamento

A mudança de comportamento da sociedade em relação aos resíduos sólidos, com o componente educacional que começa em casa e nas escolas. O engajamento e a mobilização popular para garantir o controle social na construção das políticas públicas para a gestão desses resíduos. Essas têm sido as bases dos debates na 2ª Audiência Pública, realizada na região Sul, que reúne os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Reunidos em Curitiba, os mais de 400 participantes da audiência, a exemplo do que já ocorreu em Campo Grande (MS), discutem a destinação ambientalmente correta de diversos tipos de resíduos; a questão econômica relacionada ao tema; e a inclusão social dos catadores de materiais recicláveis.

Na abertura do evento, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, ressaltou a importância do engajamento de todos na busca de soluções imediatas para um dos maiores problemas econômicos e sociais que o Brasil vem enfrentando. “Por isso estamos convidando a todos para esse engajamento. É essencial a participação da sociedade brasileira para que haja uma mudança de comportamento com relação aos resíduos. Sem essa participação e esse compromisso formal de todos os cidadãos não teremos como implementar a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)”.

O secretário de Meio Ambiente do Paraná, Jonel Nazareno Iurk, compartilhou a tese da importância da participação popular e da mudança de comportamento para que a implementação da nova política seja efetiva. Segundo ele, a gestão compartilhada e a responsabilidade de todos sobre o destino dos resíduos “lança um novo olhar sobre a questão”. Iurk disse que a Lei que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos passou a ser um divisor de águas com relação à percepção que se tem da geração de resíduos no Brasil.

O secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Nabil Bonduki, reiterou que não se constrói políticas públicas sem a participação social. “Para chegarmos a bons resultados, é necessária a responsabilidade compartilhada”. O secretário garantiu que não se construirá uma nova realidade sem a participação de todos os atores.

Bonduki alertou que a situação atual dos resíduos no Brasil não é boa. Falta, segundo ele, principalmente informação, conforme o indicado pelo diagnóstico realizado pelo Instituto de Políticas Econômicas (Ipea). Ele informou, por exemplo, que 75% dos municípios brasileiros têm lixões e que isso tem de ser interrompido. “A alteração dessa realidade passa pela mudança de modelo. Temos de começar a mudar tudo isso a partir de nossas casas, no processo de produção industrial, para que tenhamos menos quantidade de resíduos indo parar nos aterros”.

Ele disse ainda que é preciso mudar a mentalidade de que resíduos se constituem problemas. “Eles são recursos que vão gerar riquezas”.

O representante dos Catadores de Materiais Recicláveis, Alexandre Cardoso, alertou para a situação de exclusão do sistema econômico vivida pela sua categoria. “Quando o catador é incluído, toda sua família é incluída e a economia cresce”, disse.

O representante do Ipea, Albino Alvarez, que apresentou aos participantes o diagnóstico produzido pelo Instituto, disse que o Brasil precisa aprender com a região Sul a preocupação com o destino dos resíduos. “Aqui essa preocupação é mais enraizada. É uma questão de educação. O conjunto de experiências da região Sul deve ser compartilhada com o restante do País”, disse.

Audiências - As audiências Públicas fazem parte do processo de construção do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, um dos instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Assim como a Consulta Pública, disponível no sítio eletrônico do Ministério do Meio Ambiente, elas são instrumentos que o Estado utiliza para conversar com a população. Por meio delas, torna-se possível garantir a participação da sociedade na construção das políticas públicas.

Estão previstas cinco audiências até o início de dezembro deste ano. A primeira ocorreu em Campo Grande (MS) e reuniu todos os estados do Centro-Oeste. A segunda está sendo realizada na região Sul e a terceira está marcada para a cidade de São Paulo e, na sequência, serão realizados os encontros das regiões Nordeste (Recife) e Norte (Belém).

Fonte: Suelene Gusmão/ MMA


14 de junho de 2011 | nenhum comentário »

PMA distribui cartilhas e régua para pescadores em Campo Grande

Campanha aproveita movimento decorrente do feriado municipal.
Régua deve ser usada para medir pescado e não infringir legislação.

Manual contém informações sobre legislação (Foto: Tawany Marry)

Manual contém informações sobre legislação (Foto: Tawany Marry)

A Polícia Militar Ambiental (PMA) distribuiu o “Manual do Pescador” e o “Manual Régua de Peixes” para motoristas que estavam aproveitando o feriado de Santo Antônio para ir pescar em algum dos rios que corta Mato Grosso do Sul. A barreira educativa foi feita neste sábado (11) na região do Indubrasil, na BR-262 e na MS-080, em Campo Grande.

Nos manuais entregues consta toda a orientação sobre legislação de pesca vigente no estado assim como uma régua para fazer a medição do pescado. O objetivo é conscientizar os turistas que não conhecem a legislação de pesca e também os pecadores do Estado que ainda não sabem da mudança na lei, que entrou em no dia 21 de fevereiro.

De acordo com o comandante da PMA, o coronel Carlos Matoso, a legislação do estado é uma das mais restritivas do País. “A orientação é primordial para o trabalho de fiscalização. Se cada um fizer a sua parte, vamos conseguir preservar as espécies”, disse Matoso.

Até o fim do ano, a PMA quer entregar a cartilha para 100 mil turistas em todo o Mato Grosso do Sul. “Muitos pescadores de fora do Estado tem dúvida sobre a legislação, por isso criamos essa cartilha”, explicou o comandante.

O eletricista José de Araújo, 55 anos, morador em Campo Grande, recebeu a cartilha. Acompanhado de dois amigos, ele estava a caminho de Dois Irmãos do Buriti, distante 113 quilômetros de Campo Grande, onde iria pescar em um barranco no Rio Aquidauana.

José é pescador amador e recebeu a cartilha (Foto: Tawany Marry)

José é pescador amador e recebeu a cartilha (Foto: Tawany Marry)

José pratica o hobby apenas por diversão e disse que sempre anda com a cartilha para não esquecer as medidas. “Se ninguém respeitar daqui a pouco não tem mais peixes para nós pescarmos”, disse o amador.

Por estar com varinha simples ir pescar em uma região de barranco, José não precisou apresentar a carteirinha de pesca. Conforme Matoso, caso a pessoa esteja com algum petrechou ou embarcado é necessário a apresentação da carteirinha.

Além dos pescadores, os proprietários de casas de iscas também receberam o manual. Segundo Matoso, os donos dos locais estão sendo conscientizados a não venderem iscas vivas capturadas na natureza menores que o mínimo permitido.

Comércio
Em cada estabelecimento serão deixados 200 folhetos, que deverão ser repassados para os clientes. A gerente de uma casa de iscas vivas, Flávia Moreira, 23 anos, aprovou a iniciativa dos policiais. “Eu acho muito importante essa distribuição, pois muitos clientes chegam na loja e já pedem o manual”.

Flávia comercializa sete espécies de iscas vivas em seu estabelecimento, todas elas criadas em cativeiros. Neste caso, segundo Matoso, não há restrições quando ao tamanho. “As iscas são importantes, pois servem de alimentos para os peixes; por isso elas não devem ser capturadas antes de se reproduzirem”, disse o coronel.

O período de pesca em Mato Grosso do Sul está liberado até novembro, quando começa a Piracema. Mesmo foram da época proibida para pesca há punição para a pessoa cometendo crime ambiental, com pena de 1 a 3 anos de prisão. No caso de estar com exemplares fora da medida permitida, o pescador paga uma multa de R$ 700 e mais R$ 20 por quilo de pescado.

Fonte: Do G1, MS


24 de maio de 2011 | nenhum comentário »

A necessidade urgente de mais investimentos em ciência, educação e saúde na Amazônia

Artigo do professor Claudio Guedes Salgado, da Universidade Federal do Pará, enviado pelo ao autor ao Jornal da Ciência Email.

Aqui estou eu em Oriximiná, Oeste do estado do Pará, no escritório da casa do meu amigo Domingos Wanderley Picanço Diniz, após a vista para o rio Trombetas desaparecer com o início da noite, com uma conexão lenta (não, eu não estou falando de 300K, estou falando lentidão tipo conexão discada, se é que vocês ainda lembram o que é isso), buscando inspiração para escrever um artigo sobre o que vi por aqui durante um trabalho de campo com hanseníase esta semana, quando recebi a edição 4261 do Jornal da Ciência, com duas matérias conflitantes, mas apropriadamente complementares.

 

A primeira com a ONU criticando o modelo de gestão das unidades de conservação do Brasil, dizendo que ficamos atrás de países mais pobres e menores nos quesitos funcionários e orçamentos por hectare, publicada no Correio Braziliense. Temos menos funcionários, e menos orçamento que outros países mais pobres!

 

A segunda, assinada pela assessoria de comunicação do Ministério da Ciência e Tecnologia, descrevendo as ações que estão sendo empreendidas para o combate ao desmatamento na Amazônia, que incluem satélites, avaliações, relatórios e reuniões semanais, além da instalação de um gabinete de crise e do deslocamento de mais agentes de fiscalização a locais com maior desmatamento, como foi o caso de 480 Km² desmatados no Mato Grosso durante os meses de março e abril, considerado atípico.

 

Como sou apenas médico, nascido, criado e vivido em Belém do Pará, não vou me ater a fazer considerações mais profundas sobre o assunto, pois seria inconseqüente de minha parte. Mas preciso dizer que 593 Km² de desmatamento na Amazônia em dois meses é muito! Nós, brasileiros, precisamos apenas de 20 meses para desmatar 5% do território de Portugal. Agora lembrei de uma propaganda do rúgbi no Brasil, dizendo que enquanto a Argentina está “estagnada”, a nossa situação melhora em um percentual enorme. Claro, o nosso pais vizinho tem a melhor seleção destas bandas do planeta, e não há como subir no ranking. Temos que começar a medir no positivo, desmatamos 593 Km², e não no negativo, dizendo que diminuiu alguns pontos percentuais em relação ao mesmo mês do ano passado, ou coisa que o valha, como se faz com a inflação ou com a bolsa de valores, que não são bens finitos, como é a Amazônia, pelo menos na atual situação. A noção de uma Amazônia sustentável ainda é apenas uma noção.

 

Mas voltemos a hanseníase. Contando com todo o apoio do município de Oriximiná, e do campus em transição da Universidade Federal do Pará (UFPA) para a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), coordenado pelo professor Domingos Diniz, que citei acima, voltamos a este município 18 meses após termos vindo aqui, eu e uma equipe de mais sete pesquisadores, por um projeto financiado pelo último edital de doenças negligenciadas do CNPq, quando visitamos escolas e casas de pacientes, coletando plasma para analisar a presença de anticorpos IgM anti-PGL-1, um glicolipídeo velho conhecido daqueles que trabalham com hanseníase, e que tem uma correlação com a baciloscopia do raspado dérmico, ou seja, quanto mais bacilos o sujeito tem, maior é a titulação desta IgM.

 

Para a nossa surpresa, encontramos 45% da população clinicamente saudável positiva para estes anticorpos, indicando uma disseminação maciça do bacilo na comunidade. Vejam que isto, a princípio não significa doença, e sim contato com o bacilo. Pois bem, voltamos agora ao município e fomos examinar estas pessoas. Como manda o manual, fizemos dois grupos, um de positivos e outro de negativos. Encontramos 26 (vinte e seis!) casos novos entre escolares e comunicantes de indivíduos positivos, e somente 4 (quatro) entre os negativos.

 

A Região Oeste do Pará sempre foi considerada de baixa endemicidade, com poucos casos. Por isso mesmo nós começamos o projeto por aqui. Chegamos no município com 2 (dois) casos multibacilares registrados no sistema de notificação (Sinam), e estamos saindo com 32, um aumento de 15x nos números oficiais. Custa-me acreditar que os municípios vizinhos, Amazônicos, fronteiriços ou não, tenham números diferentes. Na realidade, já temos números piores em outros municípios do Estado do Pará. Mesmo como uma estrutura razoável de saúde, faltam médicos e todos os outros profissionais de saúde, como nos outros municípios da Amazônia.

 

Temos um bom sistema de saúde na Amazônia? Temos boas faculdades e universidades no Brasil, formando profissionais capacitados para trabalhar na Amazônia? Dizem que para a quantidade de brasileiros que temos hoje, já formamos médicos em número suficiente… Que percentagem destes médicos recém-formados é estimulada a trabalhar na Amazônia? O país está penso, e cabe ao poder público balancear o sistema! Isso para não entrar no mérito da qualidade do serviço.

 

Não precisamos de um gabinete de crise, relatórios infindáveis e reuniões intermináveis para enxergar o óbvio. Os problemas são os mesmos, há séculos! Carlos Chagas e Oswaldo Cruz escreveram muito bem sobre esta situação. Temos que agir, com urgência, na floresta e no homem que vive por aqui.

 

Defendi em reunião do comitê Ciências Biológicas II da Capes no ano de 2010, entre outras medidas, bolsas perenes, de longa duração, associadas a fomento por 10 anos para aqueles que se disponham a trabalhar com ciência e educação na Amazônia.

 

Agindo desta forma, a fixação de mão de obra qualificada pode ser acelerada. Mesmo nossos alunos de Belém têm dificuldade para decidir em ir para o interior, e lá seguir carreira. Há muito receio do isolamento e da falta de fomento.

 

Nesse sentido, esta cidade nos ensina. Temos aqui mais de 300 bolsistas Pibic junior da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará (Fapespa), funcionando em um sistema inédito de tutoria com os alunos do curso de biologia, que se reportam a professores que vêm de Belém, Santarém, Manaus ou outras cidades, pendurados em apenas – pasmem – dois professores efetivos, do quadro da instituição, em um programa conhecido como PAI – Programa de Ação Interdisciplinar. Aliás, este programa foi visto de perto pela professora Helena Nader, atual presidente da SBPC, quando aqui esteve na SBPC regional de 2008. A manutenção do programa, a formação de novas turmas de biólogos para um sistema que está precisando deles, a abertura de novas vagas docentes e o fortalecimento deste campus podem mudar o perfil deste município em menos de 10 anos, e servir como modelo para outros municípios desta vasta região brasileira.

 

Claudio Guedes Salgado é professor da Universidade Federal do Pará, coordenador do Laboratório de Dermato-Imunologia e do Programa de Pós-Graduação em Neurociências e Biologia Celular do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA.

Fonte: Jornal da Ciência


12 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Mais educação em biodiversidade

Ao longo de seus 12 anos de existência, o programa BIOTA-FAPESP possibilitou a descoberta de mais de 500 espécies de plantas e animais e contribuiu para o aprimoramento de políticas públicas de conservação, restauração e uso sustentável da biodiversidade do Estado de São Paulo.
Traduzir e publicar esse conhecimento sobre os biomas paulistas em materiais didáticos, que possam ser utilizados em espaços de educação formal – como as escolas – e não formais – como os museus de ciências -, é um dos desafios que o programa pretende atingir nos próximos anos.

Para avaliar as ações educativas realizadas no âmbito do programa e fomentar novas atividades foi realizado, nos dias 7 e 8 de abril, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o Workshop BIOTA-FAPESP sobre Biodiversidade, Educação e Divulgação.

O evento reuniu especialistas em educação e biologia para discutir possibilidades de relacionar conhecimentos sobre biodiversidade gerados pelo programa com práticas de educação e de divulgação científica.

Em avaliação realizada em 2009, intitulada BIOTA+10: Definindo Metas para 2020, a extensão do conhecimento científico gerado sobre biodiversidade para as escolas de ensino fundamental e médio e em espaços de educação não formal foi apontada como um dos maiores desafios a ser atingido pelo programa.

“Identificamos essa área como uma das lacunas que o programa não conseguiu preencher e estabelecemos como meta no plano de atividades do BIOTA-FAPESP traçado até 2020 conseguir promover, de fato, a interlocução do programa com a área da educação”, disse o coordenador do programa, Carlos Alfredo Joly.

O programa já originou materiais educativos, como exposições, projetos de educação ambiental e uma série de vídeos exibidos pela TV Cultura. Mas, na avaliação de Joly, as atividades educacionais precisam atingir um número muito maior de estudantes dos ensinos fundamental e médio.

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Para estimular a realização de mais atividades do gênero, será lançada em breve, pela FAPESP, uma chamada de pesquisas sobre educação e biodiversidade. “Pretendemos utilizar ideias e sugestões lançadas no workshop para auxiliar na formatação da chamada”, disse.

Conceitos de biodiversidade – De acordo com a professora da Faculdade de Educação da Unicamp, Martha Marandino, um dos desafios para se promover a articulação entre as ações de educação e biodiversidade no âmbito do BIOTA-FAPESP será o de trabalhar o conceito de biodiversidade de acordo com as diretrizes do programa.

“O programa se baseia em uma diretriz de biodiversidade que, obviamente, não abrange todas as questões possíveis sobre o conceito, mas levanta temáticas muito importantes, que vale a pena serem pensadas e desenvolvidas tanto no âmbito da educação formal como da não formal”, analisou.

Na escola, segundo Marandino, a educação em biodiversidade atualmente está muito baseada no ensino do conceito a partir da ecologia sistêmica, com ênfase em cadeias ambientais, e se dá pouca atenção à ecologia humana.

Nesse sentido, de acordo com uma pesquisa realizada com professores de ciências do ensino básico pelo professor da Faculdade de Educação da Unicamp, Antonio Carlos Rodrigues Amorim, os sentidos, significados e conceitos sobre biodiversidade apresentados pelo BIOTA-FAPESP devem se confrontar com o conceito de biodiversidade consolidado e estabelecido pela biologia que é ensinada na escola.

“Para os professores, a incorporação no currículo de biologia do conceito de biodiversidade do BIOTA-FAPESP poderia causar uma desestruturação no modo de pensar a biologia que é próprio da escola”, disse Amorim.

Segundo ele, alguns dos temas que poderiam ser trabalhados em sala de aula a partir do programa, apontados pelos professores que participaram do levantamento, foram sustentabilidade e ecossistemas que utilizassem exemplos de organismos que compõem a biodiversidade do Estado de São Paulo.

“Essas foram indicações de temas que elas fizeram naturalmente porque são questões que, se incluídas no planejamento escolar, não romperiam com a tradição do ensino da biologia na escola”, disse Amorim.

Fonte: Agência Fapesp






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20 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Zoológico de Buenos Aires tem futuro incerto

O zoológico de Buenos Aires, catalogado como patrimônio histórico nacional por sua arquitetura vitoriana, tem futuro incerto após a tentativa do governo da capital argentina de licitá-lo, frustrada no último momento pela oposição nos tribunais.

Situado no bairro de Palermo, o zoo, que abriu as portas em 1875, ocupa 18 hectares e abriga cerca de dois mil animais de 73 espécies.

Um passeio por suas instalações é como uma viagem no tempo: pelas grades de um aviário de inspiração andaluza veem-se macacos, enquanto os três elefantes entram e saem de seu templo hindu e passeiam aborrecidos pelo pequeno espaço disponibilizado.

Privatizada nos anos 90, sob o governo do ex-presidente Carlos Menem, nos últimos anos a instituição recebeu críticas pela situação dos animais e agora é alvo de uma batalha política pela decisão do prefeito, Mauricio Macri, de licitar sua gestão.

Um relatório da Auditoria Geral de Buenos Aires denunciou que entre 1990 e 2008 foram perdidas 31 espécies de mamíferos e 72 espécies de aves, que representavam 23% e 55%, respectivamente, das espécies do zoológico.

O atual diretor do espaço, o ecologista Claudio Bertonatti, que ocupa o cargo há seis meses, confirma os dados, mas minimiza a importância dos números: “Muita gente acredita que quanto mais espécies um zoo tiver, melhor será, mas é um erro. Nós poderíamos aumentar o número de espécies se aceitássemos todos os animais que foram recuperados em apreensões, mas não o fazemos porque chegam muito maltratados e seria contraproducente”, contou.

Bertonatti alegou que se sente “orgulhoso” que nos últimos anos tenham sido “devolvidos à natureza” cerca de 400 animais, entre eles “107 condores andinos que agora voam livres por vários países da América Latina”.

Para o diretor, o zoo deve ser transformado “de um centro de entretenimento a um espaço de preservação com quatro objetivos: preservar, educar, pesquisar e, por último, entreter”.

Para o gestor, o melhor modelo é o zoológico do Bronx, já que acredita que o ideal seria que, como em Nova York, os animais vivessem em “condições de semiliberdade”, embora admita que a instituição americana possui um espaço seis vezes maior que os 18 hectares “não ampliáveis” do zoo de Buenos Aires.

Enquanto os ecologistas se preocupam com a melhora das instalações e o bem-estar dos animais, os políticos portenhos se enfrentam em uma batalha legal sobre o futuro da instituição.

A juíza Elena Liberatori aceitou o apoio oferecido pelo legislador opositor Adrián Camps e suspendeu a licitação pública defendida pelo governo da cidade pela condição do espaço e “a especial proteção de categoria constitucional e legal à qual ele está sujeito”.

Elena sentenciou que qualquer futura concessão do zoológico deve ser aprovada pela legislação, mas a diretora da Direção Geral de Concessões de Buenos Aires, Silvia Imas, afirmou que apelarão da sentença porque consideram que a licitação “é a melhor forma de regularizar uma concessão vencida e ter cinco anos para repensar como será o zoológico do futuro”.

Camps, membro do Partido Socialista Autêntico, recebeu com euforia a decisão judicial e ressaltou que “o zoo é uma raridade internacional, porque conserva as construções vitorianas originais, ao contrário do de Londres, onde muito foi destruído durante a Segunda Guerra Mundial, e sua gestão deve ser pública”.

O político declarou à Efe que espera que agora “se abra um debate sobre o futuro do zoológico e sua concepção”, já que, em sua opinião, a ideia de lugar “para exibir animais em cativeiro, enjaulados, já não é aceitável”.

Tanto o diretor do espaço quanto Camps lamentam que na folha de licitação seja exijido que 85% dos fundos sejam destinados à restauração dos prédios históricos e só 15% para melhorar a oferta de conservação e a função educativa.

Silvia nega esses dados, mas reconhece que a exigência para a restauração é muito maior “porque são prédios históricos e estão muito deteriorados”.

À espera que a batalha política termine, o zoológico continua sua lenta transformação, e inaugurou recentemente um aviário com aves recuperadas do tráfico de animais, visando à conscientização.

Fonte: Portal iG


21 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Governo estuda criar estrutura para cuidar do desenvolvimento sustentável

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, indicou nesta sexta-feira (18) que o Brasil pode criar uma estrutura própria para cuidar do desenvolvimento sustentável.

A informação foi dada em entrevista coletiva no Palácio do Itamaraty, no Rio, onde Teixeira participou do lançamento do relatório em português “Povos Resilientes, Planeta Resiliente”, da ONU.

Após defender a criação, no âmbito das Nações Unidas, de um conselho de desenvolvimento sustentável para integrar as questões sociais, econômicas e ambientais, a ministra foi questionada sobre por que o país não criava um ministério do desenvolvimento sustentável para unir esses pilares também em âmbito nacional.

“Porque isso [a criação de um ministério] talvez não seja a solução”, respondeu. “Mas ele [o governo brasileiro] pode tratar uma estrutura de governança do desenvolvimento sustentável brevemente. Tem uma outra novela chamada Avenida Brasil sustentável. Eu sugiro que vocês aguardem os próximos capítulos, mas tenho certeza que teremos boas notícias”, brincou a ministra, fazendo referência à novela “Avenida Brasil”, da Rede Globo.

Teixeira disse ainda que o governo vem promovendo uma série de encontros para definir uma agenda nacional para o período pós-Rio+20. A conferência sobre desenvolvimento sustentável da ONU ocorre no Rio de 13 a 22 de junho.

A ministra citou como exemplo o fortalecimento do projeto de escolas sustentáveis elaborado em conjunto com o Ministério da Educação, que incorpora o conceito de consumo e o desenvolvimento sustentáveis aos temas abordados em sala de aula.

A inclusão desses assuntos nos currículos de escolas primárias e secundárias é uma das sugestões do relatório da ONU lançado nesta sexta –ao todo, o documento traz 56 recomendações elaboradas por 22 especialistas para tornar o desenvolvimento sustentável uma realidade.

A ministra foi a representante brasileira nas discussões que deram origem ao relatório. O trabalho foi coordenado pelo secretário-executivo do Painel de Alto Nível do Secretário-Geral das Nações Unidas sobre Sustentabilidade Global, Janos Pasztor.

O relatório em português pode ser acessado:  http://www.onu.org.br/docs/gsp-integra.pdf

 

Fonte: Folha.com


5 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Resíduos sólidos: educação é prioritária para mudança de comportamento

A mudança de comportamento da sociedade em relação aos resíduos sólidos, com o componente educacional que começa em casa e nas escolas. O engajamento e a mobilização popular para garantir o controle social na construção das políticas públicas para a gestão desses resíduos. Essas têm sido as bases dos debates na 2ª Audiência Pública, realizada na região Sul, que reúne os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Reunidos em Curitiba, os mais de 400 participantes da audiência, a exemplo do que já ocorreu em Campo Grande (MS), discutem a destinação ambientalmente correta de diversos tipos de resíduos; a questão econômica relacionada ao tema; e a inclusão social dos catadores de materiais recicláveis.

Na abertura do evento, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, ressaltou a importância do engajamento de todos na busca de soluções imediatas para um dos maiores problemas econômicos e sociais que o Brasil vem enfrentando. “Por isso estamos convidando a todos para esse engajamento. É essencial a participação da sociedade brasileira para que haja uma mudança de comportamento com relação aos resíduos. Sem essa participação e esse compromisso formal de todos os cidadãos não teremos como implementar a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)”.

O secretário de Meio Ambiente do Paraná, Jonel Nazareno Iurk, compartilhou a tese da importância da participação popular e da mudança de comportamento para que a implementação da nova política seja efetiva. Segundo ele, a gestão compartilhada e a responsabilidade de todos sobre o destino dos resíduos “lança um novo olhar sobre a questão”. Iurk disse que a Lei que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos passou a ser um divisor de águas com relação à percepção que se tem da geração de resíduos no Brasil.

O secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Nabil Bonduki, reiterou que não se constrói políticas públicas sem a participação social. “Para chegarmos a bons resultados, é necessária a responsabilidade compartilhada”. O secretário garantiu que não se construirá uma nova realidade sem a participação de todos os atores.

Bonduki alertou que a situação atual dos resíduos no Brasil não é boa. Falta, segundo ele, principalmente informação, conforme o indicado pelo diagnóstico realizado pelo Instituto de Políticas Econômicas (Ipea). Ele informou, por exemplo, que 75% dos municípios brasileiros têm lixões e que isso tem de ser interrompido. “A alteração dessa realidade passa pela mudança de modelo. Temos de começar a mudar tudo isso a partir de nossas casas, no processo de produção industrial, para que tenhamos menos quantidade de resíduos indo parar nos aterros”.

Ele disse ainda que é preciso mudar a mentalidade de que resíduos se constituem problemas. “Eles são recursos que vão gerar riquezas”.

O representante dos Catadores de Materiais Recicláveis, Alexandre Cardoso, alertou para a situação de exclusão do sistema econômico vivida pela sua categoria. “Quando o catador é incluído, toda sua família é incluída e a economia cresce”, disse.

O representante do Ipea, Albino Alvarez, que apresentou aos participantes o diagnóstico produzido pelo Instituto, disse que o Brasil precisa aprender com a região Sul a preocupação com o destino dos resíduos. “Aqui essa preocupação é mais enraizada. É uma questão de educação. O conjunto de experiências da região Sul deve ser compartilhada com o restante do País”, disse.

Audiências - As audiências Públicas fazem parte do processo de construção do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, um dos instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Assim como a Consulta Pública, disponível no sítio eletrônico do Ministério do Meio Ambiente, elas são instrumentos que o Estado utiliza para conversar com a população. Por meio delas, torna-se possível garantir a participação da sociedade na construção das políticas públicas.

Estão previstas cinco audiências até o início de dezembro deste ano. A primeira ocorreu em Campo Grande (MS) e reuniu todos os estados do Centro-Oeste. A segunda está sendo realizada na região Sul e a terceira está marcada para a cidade de São Paulo e, na sequência, serão realizados os encontros das regiões Nordeste (Recife) e Norte (Belém).

Fonte: Suelene Gusmão/ MMA


14 de junho de 2011 | nenhum comentário »

PMA distribui cartilhas e régua para pescadores em Campo Grande

Campanha aproveita movimento decorrente do feriado municipal.
Régua deve ser usada para medir pescado e não infringir legislação.

Manual contém informações sobre legislação (Foto: Tawany Marry)

Manual contém informações sobre legislação (Foto: Tawany Marry)

A Polícia Militar Ambiental (PMA) distribuiu o “Manual do Pescador” e o “Manual Régua de Peixes” para motoristas que estavam aproveitando o feriado de Santo Antônio para ir pescar em algum dos rios que corta Mato Grosso do Sul. A barreira educativa foi feita neste sábado (11) na região do Indubrasil, na BR-262 e na MS-080, em Campo Grande.

Nos manuais entregues consta toda a orientação sobre legislação de pesca vigente no estado assim como uma régua para fazer a medição do pescado. O objetivo é conscientizar os turistas que não conhecem a legislação de pesca e também os pecadores do Estado que ainda não sabem da mudança na lei, que entrou em no dia 21 de fevereiro.

De acordo com o comandante da PMA, o coronel Carlos Matoso, a legislação do estado é uma das mais restritivas do País. “A orientação é primordial para o trabalho de fiscalização. Se cada um fizer a sua parte, vamos conseguir preservar as espécies”, disse Matoso.

Até o fim do ano, a PMA quer entregar a cartilha para 100 mil turistas em todo o Mato Grosso do Sul. “Muitos pescadores de fora do Estado tem dúvida sobre a legislação, por isso criamos essa cartilha”, explicou o comandante.

O eletricista José de Araújo, 55 anos, morador em Campo Grande, recebeu a cartilha. Acompanhado de dois amigos, ele estava a caminho de Dois Irmãos do Buriti, distante 113 quilômetros de Campo Grande, onde iria pescar em um barranco no Rio Aquidauana.

José é pescador amador e recebeu a cartilha (Foto: Tawany Marry)

José é pescador amador e recebeu a cartilha (Foto: Tawany Marry)

José pratica o hobby apenas por diversão e disse que sempre anda com a cartilha para não esquecer as medidas. “Se ninguém respeitar daqui a pouco não tem mais peixes para nós pescarmos”, disse o amador.

Por estar com varinha simples ir pescar em uma região de barranco, José não precisou apresentar a carteirinha de pesca. Conforme Matoso, caso a pessoa esteja com algum petrechou ou embarcado é necessário a apresentação da carteirinha.

Além dos pescadores, os proprietários de casas de iscas também receberam o manual. Segundo Matoso, os donos dos locais estão sendo conscientizados a não venderem iscas vivas capturadas na natureza menores que o mínimo permitido.

Comércio
Em cada estabelecimento serão deixados 200 folhetos, que deverão ser repassados para os clientes. A gerente de uma casa de iscas vivas, Flávia Moreira, 23 anos, aprovou a iniciativa dos policiais. “Eu acho muito importante essa distribuição, pois muitos clientes chegam na loja e já pedem o manual”.

Flávia comercializa sete espécies de iscas vivas em seu estabelecimento, todas elas criadas em cativeiros. Neste caso, segundo Matoso, não há restrições quando ao tamanho. “As iscas são importantes, pois servem de alimentos para os peixes; por isso elas não devem ser capturadas antes de se reproduzirem”, disse o coronel.

O período de pesca em Mato Grosso do Sul está liberado até novembro, quando começa a Piracema. Mesmo foram da época proibida para pesca há punição para a pessoa cometendo crime ambiental, com pena de 1 a 3 anos de prisão. No caso de estar com exemplares fora da medida permitida, o pescador paga uma multa de R$ 700 e mais R$ 20 por quilo de pescado.

Fonte: Do G1, MS


24 de maio de 2011 | nenhum comentário »

A necessidade urgente de mais investimentos em ciência, educação e saúde na Amazônia

Artigo do professor Claudio Guedes Salgado, da Universidade Federal do Pará, enviado pelo ao autor ao Jornal da Ciência Email.

Aqui estou eu em Oriximiná, Oeste do estado do Pará, no escritório da casa do meu amigo Domingos Wanderley Picanço Diniz, após a vista para o rio Trombetas desaparecer com o início da noite, com uma conexão lenta (não, eu não estou falando de 300K, estou falando lentidão tipo conexão discada, se é que vocês ainda lembram o que é isso), buscando inspiração para escrever um artigo sobre o que vi por aqui durante um trabalho de campo com hanseníase esta semana, quando recebi a edição 4261 do Jornal da Ciência, com duas matérias conflitantes, mas apropriadamente complementares.

 

A primeira com a ONU criticando o modelo de gestão das unidades de conservação do Brasil, dizendo que ficamos atrás de países mais pobres e menores nos quesitos funcionários e orçamentos por hectare, publicada no Correio Braziliense. Temos menos funcionários, e menos orçamento que outros países mais pobres!

 

A segunda, assinada pela assessoria de comunicação do Ministério da Ciência e Tecnologia, descrevendo as ações que estão sendo empreendidas para o combate ao desmatamento na Amazônia, que incluem satélites, avaliações, relatórios e reuniões semanais, além da instalação de um gabinete de crise e do deslocamento de mais agentes de fiscalização a locais com maior desmatamento, como foi o caso de 480 Km² desmatados no Mato Grosso durante os meses de março e abril, considerado atípico.

 

Como sou apenas médico, nascido, criado e vivido em Belém do Pará, não vou me ater a fazer considerações mais profundas sobre o assunto, pois seria inconseqüente de minha parte. Mas preciso dizer que 593 Km² de desmatamento na Amazônia em dois meses é muito! Nós, brasileiros, precisamos apenas de 20 meses para desmatar 5% do território de Portugal. Agora lembrei de uma propaganda do rúgbi no Brasil, dizendo que enquanto a Argentina está “estagnada”, a nossa situação melhora em um percentual enorme. Claro, o nosso pais vizinho tem a melhor seleção destas bandas do planeta, e não há como subir no ranking. Temos que começar a medir no positivo, desmatamos 593 Km², e não no negativo, dizendo que diminuiu alguns pontos percentuais em relação ao mesmo mês do ano passado, ou coisa que o valha, como se faz com a inflação ou com a bolsa de valores, que não são bens finitos, como é a Amazônia, pelo menos na atual situação. A noção de uma Amazônia sustentável ainda é apenas uma noção.

 

Mas voltemos a hanseníase. Contando com todo o apoio do município de Oriximiná, e do campus em transição da Universidade Federal do Pará (UFPA) para a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), coordenado pelo professor Domingos Diniz, que citei acima, voltamos a este município 18 meses após termos vindo aqui, eu e uma equipe de mais sete pesquisadores, por um projeto financiado pelo último edital de doenças negligenciadas do CNPq, quando visitamos escolas e casas de pacientes, coletando plasma para analisar a presença de anticorpos IgM anti-PGL-1, um glicolipídeo velho conhecido daqueles que trabalham com hanseníase, e que tem uma correlação com a baciloscopia do raspado dérmico, ou seja, quanto mais bacilos o sujeito tem, maior é a titulação desta IgM.

 

Para a nossa surpresa, encontramos 45% da população clinicamente saudável positiva para estes anticorpos, indicando uma disseminação maciça do bacilo na comunidade. Vejam que isto, a princípio não significa doença, e sim contato com o bacilo. Pois bem, voltamos agora ao município e fomos examinar estas pessoas. Como manda o manual, fizemos dois grupos, um de positivos e outro de negativos. Encontramos 26 (vinte e seis!) casos novos entre escolares e comunicantes de indivíduos positivos, e somente 4 (quatro) entre os negativos.

 

A Região Oeste do Pará sempre foi considerada de baixa endemicidade, com poucos casos. Por isso mesmo nós começamos o projeto por aqui. Chegamos no município com 2 (dois) casos multibacilares registrados no sistema de notificação (Sinam), e estamos saindo com 32, um aumento de 15x nos números oficiais. Custa-me acreditar que os municípios vizinhos, Amazônicos, fronteiriços ou não, tenham números diferentes. Na realidade, já temos números piores em outros municípios do Estado do Pará. Mesmo como uma estrutura razoável de saúde, faltam médicos e todos os outros profissionais de saúde, como nos outros municípios da Amazônia.

 

Temos um bom sistema de saúde na Amazônia? Temos boas faculdades e universidades no Brasil, formando profissionais capacitados para trabalhar na Amazônia? Dizem que para a quantidade de brasileiros que temos hoje, já formamos médicos em número suficiente… Que percentagem destes médicos recém-formados é estimulada a trabalhar na Amazônia? O país está penso, e cabe ao poder público balancear o sistema! Isso para não entrar no mérito da qualidade do serviço.

 

Não precisamos de um gabinete de crise, relatórios infindáveis e reuniões intermináveis para enxergar o óbvio. Os problemas são os mesmos, há séculos! Carlos Chagas e Oswaldo Cruz escreveram muito bem sobre esta situação. Temos que agir, com urgência, na floresta e no homem que vive por aqui.

 

Defendi em reunião do comitê Ciências Biológicas II da Capes no ano de 2010, entre outras medidas, bolsas perenes, de longa duração, associadas a fomento por 10 anos para aqueles que se disponham a trabalhar com ciência e educação na Amazônia.

 

Agindo desta forma, a fixação de mão de obra qualificada pode ser acelerada. Mesmo nossos alunos de Belém têm dificuldade para decidir em ir para o interior, e lá seguir carreira. Há muito receio do isolamento e da falta de fomento.

 

Nesse sentido, esta cidade nos ensina. Temos aqui mais de 300 bolsistas Pibic junior da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará (Fapespa), funcionando em um sistema inédito de tutoria com os alunos do curso de biologia, que se reportam a professores que vêm de Belém, Santarém, Manaus ou outras cidades, pendurados em apenas – pasmem – dois professores efetivos, do quadro da instituição, em um programa conhecido como PAI – Programa de Ação Interdisciplinar. Aliás, este programa foi visto de perto pela professora Helena Nader, atual presidente da SBPC, quando aqui esteve na SBPC regional de 2008. A manutenção do programa, a formação de novas turmas de biólogos para um sistema que está precisando deles, a abertura de novas vagas docentes e o fortalecimento deste campus podem mudar o perfil deste município em menos de 10 anos, e servir como modelo para outros municípios desta vasta região brasileira.

 

Claudio Guedes Salgado é professor da Universidade Federal do Pará, coordenador do Laboratório de Dermato-Imunologia e do Programa de Pós-Graduação em Neurociências e Biologia Celular do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA.

Fonte: Jornal da Ciência


12 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Mais educação em biodiversidade

Ao longo de seus 12 anos de existência, o programa BIOTA-FAPESP possibilitou a descoberta de mais de 500 espécies de plantas e animais e contribuiu para o aprimoramento de políticas públicas de conservação, restauração e uso sustentável da biodiversidade do Estado de São Paulo.
Traduzir e publicar esse conhecimento sobre os biomas paulistas em materiais didáticos, que possam ser utilizados em espaços de educação formal – como as escolas – e não formais – como os museus de ciências -, é um dos desafios que o programa pretende atingir nos próximos anos.

Para avaliar as ações educativas realizadas no âmbito do programa e fomentar novas atividades foi realizado, nos dias 7 e 8 de abril, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o Workshop BIOTA-FAPESP sobre Biodiversidade, Educação e Divulgação.

O evento reuniu especialistas em educação e biologia para discutir possibilidades de relacionar conhecimentos sobre biodiversidade gerados pelo programa com práticas de educação e de divulgação científica.

Em avaliação realizada em 2009, intitulada BIOTA+10: Definindo Metas para 2020, a extensão do conhecimento científico gerado sobre biodiversidade para as escolas de ensino fundamental e médio e em espaços de educação não formal foi apontada como um dos maiores desafios a ser atingido pelo programa.

“Identificamos essa área como uma das lacunas que o programa não conseguiu preencher e estabelecemos como meta no plano de atividades do BIOTA-FAPESP traçado até 2020 conseguir promover, de fato, a interlocução do programa com a área da educação”, disse o coordenador do programa, Carlos Alfredo Joly.

O programa já originou materiais educativos, como exposições, projetos de educação ambiental e uma série de vídeos exibidos pela TV Cultura. Mas, na avaliação de Joly, as atividades educacionais precisam atingir um número muito maior de estudantes dos ensinos fundamental e médio.

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Para estimular a realização de mais atividades do gênero, será lançada em breve, pela FAPESP, uma chamada de pesquisas sobre educação e biodiversidade. “Pretendemos utilizar ideias e sugestões lançadas no workshop para auxiliar na formatação da chamada”, disse.

Conceitos de biodiversidade – De acordo com a professora da Faculdade de Educação da Unicamp, Martha Marandino, um dos desafios para se promover a articulação entre as ações de educação e biodiversidade no âmbito do BIOTA-FAPESP será o de trabalhar o conceito de biodiversidade de acordo com as diretrizes do programa.

“O programa se baseia em uma diretriz de biodiversidade que, obviamente, não abrange todas as questões possíveis sobre o conceito, mas levanta temáticas muito importantes, que vale a pena serem pensadas e desenvolvidas tanto no âmbito da educação formal como da não formal”, analisou.

Na escola, segundo Marandino, a educação em biodiversidade atualmente está muito baseada no ensino do conceito a partir da ecologia sistêmica, com ênfase em cadeias ambientais, e se dá pouca atenção à ecologia humana.

Nesse sentido, de acordo com uma pesquisa realizada com professores de ciências do ensino básico pelo professor da Faculdade de Educação da Unicamp, Antonio Carlos Rodrigues Amorim, os sentidos, significados e conceitos sobre biodiversidade apresentados pelo BIOTA-FAPESP devem se confrontar com o conceito de biodiversidade consolidado e estabelecido pela biologia que é ensinada na escola.

“Para os professores, a incorporação no currículo de biologia do conceito de biodiversidade do BIOTA-FAPESP poderia causar uma desestruturação no modo de pensar a biologia que é próprio da escola”, disse Amorim.

Segundo ele, alguns dos temas que poderiam ser trabalhados em sala de aula a partir do programa, apontados pelos professores que participaram do levantamento, foram sustentabilidade e ecossistemas que utilizassem exemplos de organismos que compõem a biodiversidade do Estado de São Paulo.

“Essas foram indicações de temas que elas fizeram naturalmente porque são questões que, se incluídas no planejamento escolar, não romperiam com a tradição do ensino da biologia na escola”, disse Amorim.

Fonte: Agência Fapesp