21 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Técnicas usadas no campo ajudam a reduzir o aquecimento global

Plantio direto sequestra 17 milhões de toneladas de carbono por ano.
Número compensa emissões de gases de efeito estufa de SP, RJ e MG.

No Brasil, as práticas agrícolas convivem entre os sistemas arcaicos e a tecnologia de ponta. No país podem ser encontrados desde o ancestral semeio grão a grão até as mais avançadas plantadeiras e colhedeiras. Os equipamentos agrícolas estão sempre se modernizando. Todo ano, é lançada uma novidade.

O pesquisador da Embrapa Decio Gazzoni observa que a modernização dos equipamentos também foi fundamental para que a agricultura brasileira alcançasse o estágio de hoje, de plantar em tempo recorde e colher em tempo recorde. Foram necessários maquinário certo, semente adequada e muita estratégia, lembra o produtor Darci Ferrarin.

O produtor chama de janela o curtíssimo período que tem para plantar o mais rápido possível para que a cultura se beneficie das chuvas. Há 40 anos, a semente de soja que havia era plantada em setembro para ser colhida em março, o que demorava seis meses. Agora, com a soja precoce de cem dias, o produtor planta no meio de setembro para colher no início de janeiro, quando se abre a janela para plantar algodão que será bem regado pelas chuvas de verão. A soja mediana, de 115 a 120 dias, plantada em setembro, será colhida no fim de janeiro e início de fevereiro, tempo da janela para o plantio do milho. A soja de ciclo longo agora é de 140 dias. O grão, plantado em setembro, é colhido no fim de fevereiro, abrindo uma janela para o plantio de feijão.

Antigamente, quem plantava soja era produtor apenas de soja. Quem mexia com boi era apenas criador de boi. Na experiência mais recente que começa a se alastrar a cultura de grãos ocupa o mesmo espaço dos animais ou vice-versa na chamada integração lavoura-pecuária.

O produtor Darci Ferrarin está entre os agricultores que há muito tempo aposentaram a velha ideia de que o solo precisa descansar. Ele completa o ciclo com as pastagens que se sobrepõem às mesmas áreas de lavoura. O agricultor tira os grãos e o algodão. Depois, engorda mais quatro mil cabeças de gado. Além dos ganhos de produção propriamente, esse modelo de agricultura traz também ganhos para a natureza.

Os danos ambientais nesse modelo são muito menores que os de 20 ou 30 anos atrás. A toxicidade dos produtos diminuiu. Com o terreno sempre coberto de palha, a absorção é maior e há menor arrasto de material para os cursos d’água.

A fazenda tem cinco mil hectares de mata nativa nas margens do rio Teles Pires. O agricultor Darci Ferrarin conta que na propriedade tem 28 nascentes. Os pulverizadores que aplicam veneno sequer chegam perto da água. Ele abriu canais que, por gravidade, transportam a água até carros-pipa, que se deslocam até a lavoura para abastecer os aplicadores.

Essa verdadeira revolução agrícola que o Brasil vive reduziu também o impacto no bolso do consumidor. A comida que sai do campo atualmente sai muito mais barato do que nos anos de 1970.

A produção de leite e carne muito se beneficiou do avanço da agricultura. O grão engorda o frango, o porco e o boi. Um terço do que Brasil planta por ano se transforma diretamente em proteína animal. As boas práticas agrícolas do modelo brasileiro acabaram acertando também um alvo que não trazia preocupação 40 anos atrás: o aquecimento global.

As enormes emissões de gases de efeito estufa pelas atividades humanas aumentam a temperatura no planeta, o que pode levar a catastróficas alterações no clima.

O pesquisador Carlos Cerri é professor da Esalq, a Escola Superior de Agricultura Luis de Queiroz, trabalhou durante vários anos no IPCC, Painel Intergovernametal de Mudanças Climáticas da ONU, fazendo parte da equipe que ganhou o prêmio Nobel da Paz. Ele recebeu um importante prêmio da Embrapa por suas pesquisas sobre emissão de carbono. “Por não revolver o solo, o plantio direto faz com que haja menor emissão de gases do efeito estufa para a atmosfera. Por outro lado, parte da palha que fica na superfície do solo, com a decomposição pelos organismos do solo, é incorporada no solo fazendo o que chamamos de sequestro de carbono pelo solo”, diz.

Há 15 anos, as equipes do doutor Cerri pesquisam lavouras dos quatro cantos do Brasil. Eles coletam amostras de solo e, segmentando o terreno com caixas, fazem a captação de gases que pairam na superfície das camadas de palha. Com seringas, são aspirados os gases que a terra exala. O material é analisado nos laboratórios da Universidade de São Paulo, em Piracicaba. O pesquisador Carlos Cena tem um inventário das emissões e da fixação de gases nas lavouras do país.

Considerando que o Brasil já alcançou cerca de 35 milhões de hectares com plantio direto, conclui-se que a prática sequestra 17 milhões de toneladas de carbono por ano, o que compensa as emissões de gases de efeito estufa de São Paulo, Rio de JaneiroBelo Horizonte e da maioria das capitais mais populosas do Brasil.

O sistema de plantio direto também deu contribuição significativa para o setor de energia. O plantio direto, aliado a outras práticas conservacionistas, evitou erosões e, portanto, assoreamento, na bacia do Rio Paraná e aumentou a previsão de vida útil da represa de Itaipu de 100 para aproximadamente 200 anos.

Fonte: Globo Natureza


14 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisa confirma que aumento de C02 inicia aquecimento

Caiu um dos últimos bastiões dos que argumentam que a queima de combustíveis fósseis não aquece a Terra.

O problema, diziam os céticos, é que o CO2 liberado por essa queima não parecia ser o causador de mais calor no planeta em épocas geológicas anteriores. A ordem parecia ser inversa: primeiro a Terra esquentava e só depois a atmosfera recebia mais CO2.

“A aparente contradição tem a ver com a maneira como a neve se deposita”, afirma o paleoclimatólogo Cristiano Chiessi, da USP.

Explica-se: os principais registros sobre o clima do passado vêm de cilindros de gelo obtidos na Antártida. Em lugares de neves eternas, essa “biblioteca” gelada alcança centenas de milênios.

A composição do gelo dá pistas sobre a temperatura na época em que a neve caiu, enquanto bolhas de ar presas na massa gelada indicam quanto CO2 havia no ar.

“O problema é que essas coisas acontecem em ritmo diferente. Quando a neve cai, ela fica muito tempo permeável ao ar acima dela. Demora para as bolhas se formarem”, diz Chiessi.

Resultado: os modelos indicavam que o ar preso nas bolhas sempre é mais “novo” que o gelo ao lado. Assim, não dava para saber qual tinha sido a ordem dos acontecimentos, num verdadeiro problema de ovo e galinha.

Um artigo na revista “Nature” do mês passado, assinado por Jeremy Shakun, da Universidade Harvard, contornou isso unindo os dados da Antártida a outros registros pelo mundo. A pesquisa mostra que, no fim da última era glacial, a ordem foi mesmo mais CO2 primeiro e temperatura aumentada depois.

Detalhe importante: em cem anos, os níveis de CO2 atmosféricos aumentaram na mesma proporção que todo o incremento em 10 mil anos no fim da última fase glacial.

O que uma mudança dessas pode causar além de mais calor? Uma pista está num estudo coordenado por Maria Assunção da Silva Dias, também da USP, que viu um aumento de um terço na chuva da Grande São Paulo em menos de um século.

Boa parte disso tem a ver com fatores naturais e com o excesso de prédios da metrópole. “Mas a mudança lembra um ensaio do que se espera que venha no futuro, com mais eventos extremos”, diz Silva Dias -como tempestades na estação seca, antes inexistentes, e mais temporais como um todo.

Fonte: Folha.com


14 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Seca amazônica gerou emissão recorde com CO2 que superou a Índia

A seca extrema na região amazônica de julho a setembro de 2010 causou redução da área de floresta e a liberação de 1,8 bilhão de toneladas de gás carbônico para a atmosfera –mais do que a emissão anual de CO2 da Índia no mesmo ano.

A partir de imagens de satélite indicando o quão verde estava a floresta, combinadas com simulações computacionais do ciclo do carbono, Christopher Potter, pesquisador do Centro de Pesquisa Ames, da Nasa (agência espacial dos EUA), apresentou um cenário preocupante para o ecossistema da região.

Embarcações encalhadas na areia em Tefé, no Estado da Amazônia; durante a estiagem devastadora de 2010

Embarcações encalhadas na areia em Tefé, no Estado da Amazônia; durante a estiagem devastadora de 2010. (Foto: Rodrigo Baleia/Folhapress)

Em estudo publicado na revista científica “Environmental Research Letters”, Potter e colaboradores mostraram que essa foi a pior seca da história recente da floresta amazônica.

Os efeitos dessa falta de chuva, segundo eles, são “basicamente equivalentes aos efeitos combinados do desmate e dos incêndios”.

Por volta de 40% da área desflorestada da Amazônia teve pouca chuva no período. O nível da água do rio Negro no porto de Manaus foi o mais baixo já registrado em cem anos de acompanhamento.

A diminuição do aprisionamento de CO2 atmosférico pelas plantas e o aumento de sua liberação na decomposição das que morreram foram as consequências ecológicas abordadas no estudo.

As áreas mais afetadas foram as porções florestais da Colômbia, do Equador, do Acre e do oeste do Amazonas Por um lado, os autores dizem que parte disso pode ser recuperada lentamente a partir da chegada de chuvas, assim como ocorreu com a seca de 2005, a maior até então.

Por outro lado, segundo as previsões dos modelos, esse aumento de secas severas, em parte fruto do desmatamento e das mudanças climáticas, pode sair do controle e levar a Amazônia ao colapso.

 

Fonte: Marco Varella, Folha.com


15 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Equipamento vai eliminar CFC de geladeiras e evitar emissão de CO2

15/12/2010

Por Daniela Mendes

A segunda planta de manufatura reversa (reciclagem) de geladeiras do País será inaugurada nesta quarta-feira (15), no município de Careaçú (MG). O equipamento da empresa Revert Brasil é totalmente automatizado e terá capacidade para processar até 450 mil unidades por ano, o que equivale a cerca de 1.500 geladeiras por dia.

O CFC é um dos principais responsáveis pela redução da camada de ozônio, que protege a terra do excesso de raios ultravioletas, capazes de causar doenças como o câncer de pele. Além disso, esse gás contribui para o aquecimento global.

De acordo com a coordenadora de Proteção da Camada de Ozônio do MMA, Magna Luduvice, existe hoje no País um passivo de 10 milhões de refrigeradores que poderão ser processados por meio dessa tecnologia inédita no Brasil.

A eficiência de processamento do equipamento permite retirar mais de 99% dos gases CFCs existentes no refrigerador, tanto no sistema de refrigeração (CFC-12) quanto na espuma de isolamento (CFC-11). Estima-se uma redução na emissão de três toneladas de CO2 equivalente por refrigerador, ou seja, 1,35 milhão de toneladas de CO2 equivalentes deixarão de ser lançados na atmosfera, por ano. O equipamento também conseguirá separar, com mais de 95% de pureza, os demais materiais que compõe o refrigerador, tais como: poliuretano, plástico, ferro, cobre e alumínio.

Com a implantação dessa planta, os refrigeradores antigos, com mais de dez anos, substituídos nos projetos de eficiência energética pelas distribuidoras de energia elétrica poderão ter as substâncias nocivas à camada de ozônio e ao clima recolhidas e destinadas adequadamente.

A planta de manufatura reversa de refrigeradores operada pela Revert Brasil está inserida no âmbito do Acordo de Cooperação Técnica assinado, em 2009, pelos governos alemão e brasileiro por meio do Ministério do Meio Ambiente Alemão e da Agência de Cooperação Técnica Alemã e do Ministério do Meio Ambiente do Brasil e da Agência Brasileira de Cooperação.

Esse acordo tem por objetivo apoiar a introdução de um programa piloto de logística reversa de refrigeradores no Brasil, incluindo a instalação de um equipamento modelo de manufatura reversa. O valor total do projeto é de cerca de 10 milhões de euros, sendo cinco milhões do governo alemão e os outros cinco milhões do operador do equipamento  a Revert Brasil Soluções Ambientais Ltda.

O projeto compreende além da instalação da planta de manufatura reversa de refrigeradores, o treinamento de pessoal para logística reversa de refrigeradores, incluindo catadores de materiais recicláveis e demais atores dessa cadeia e também o intercâmbio de informações técnicas sobre a logística reversa de refrigeradores entre os dois países.

O evento contará com a presença de representantes da Agência de Cooperação Técnica Alemã, do Ministério do Meio Ambiente do Brasil, do governo do Estado de Minas Gerais, da Prefeitura de Careaçú, além de demais representantes do setor de manufatura e manutenção de equipamentos de refrigeração, cooperativas de catadores, empresas do ramo de coleta e reciclagem, entre outros.

Histórico – No Brasil, a produção e o consumo de substâncias destruidoras da camada de ozônio (SDOs), como os clorofluorcarbonos (CFCs), foram eliminadas com êxito no âmbito do Protocolo de Montreal. No entanto, uma quantidade significativa de SDOs ainda pode ser encontrada nos equipamentos de refrigeração, entre eles refrigeradores, que estão em uso.

Desde 1999, já não se produzem mais veículos e condicionadores de ar com CFC. A partir de 2001, não se fabricam mais refrigeradores domésticos e comerciais com esses gases. Para eliminar os CFCs remanescentes e gerenciar o seu passivo, o governo brasileiro desenvolveu uma série de projetos (treinamento, incentivo à coleta, reciclagem e regeneração de SDOs) com o objetivo de impedir que os CFCs contidos nos equipamentos produzidos naquele período fossem lançados na atmosfera.

Ao final da vida útil, no entanto, os equipamentos que contêm substâncias destruidoras da camada de ozônio devem ser corretamente gerenciados, a fim de evitar o vazamento dessas substâncias para a atmosfera. Até pouco tempo no Brasil, recolhia-se somente o CFC presente no circuito de refrigeração dos refrigeradores antigos, pois não havia tecnologia para o recolhimento do gás contido na espuma de isolamento. Com a implantação dessa tecnologia, o Brasil avança, além da eliminação da produção e consumo dos CFCs, para o correto gerenciamento dos bancos de SDOs.

Fonte: MMA






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21 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Técnicas usadas no campo ajudam a reduzir o aquecimento global

Plantio direto sequestra 17 milhões de toneladas de carbono por ano.
Número compensa emissões de gases de efeito estufa de SP, RJ e MG.

No Brasil, as práticas agrícolas convivem entre os sistemas arcaicos e a tecnologia de ponta. No país podem ser encontrados desde o ancestral semeio grão a grão até as mais avançadas plantadeiras e colhedeiras. Os equipamentos agrícolas estão sempre se modernizando. Todo ano, é lançada uma novidade.

O pesquisador da Embrapa Decio Gazzoni observa que a modernização dos equipamentos também foi fundamental para que a agricultura brasileira alcançasse o estágio de hoje, de plantar em tempo recorde e colher em tempo recorde. Foram necessários maquinário certo, semente adequada e muita estratégia, lembra o produtor Darci Ferrarin.

O produtor chama de janela o curtíssimo período que tem para plantar o mais rápido possível para que a cultura se beneficie das chuvas. Há 40 anos, a semente de soja que havia era plantada em setembro para ser colhida em março, o que demorava seis meses. Agora, com a soja precoce de cem dias, o produtor planta no meio de setembro para colher no início de janeiro, quando se abre a janela para plantar algodão que será bem regado pelas chuvas de verão. A soja mediana, de 115 a 120 dias, plantada em setembro, será colhida no fim de janeiro e início de fevereiro, tempo da janela para o plantio do milho. A soja de ciclo longo agora é de 140 dias. O grão, plantado em setembro, é colhido no fim de fevereiro, abrindo uma janela para o plantio de feijão.

Antigamente, quem plantava soja era produtor apenas de soja. Quem mexia com boi era apenas criador de boi. Na experiência mais recente que começa a se alastrar a cultura de grãos ocupa o mesmo espaço dos animais ou vice-versa na chamada integração lavoura-pecuária.

O produtor Darci Ferrarin está entre os agricultores que há muito tempo aposentaram a velha ideia de que o solo precisa descansar. Ele completa o ciclo com as pastagens que se sobrepõem às mesmas áreas de lavoura. O agricultor tira os grãos e o algodão. Depois, engorda mais quatro mil cabeças de gado. Além dos ganhos de produção propriamente, esse modelo de agricultura traz também ganhos para a natureza.

Os danos ambientais nesse modelo são muito menores que os de 20 ou 30 anos atrás. A toxicidade dos produtos diminuiu. Com o terreno sempre coberto de palha, a absorção é maior e há menor arrasto de material para os cursos d’água.

A fazenda tem cinco mil hectares de mata nativa nas margens do rio Teles Pires. O agricultor Darci Ferrarin conta que na propriedade tem 28 nascentes. Os pulverizadores que aplicam veneno sequer chegam perto da água. Ele abriu canais que, por gravidade, transportam a água até carros-pipa, que se deslocam até a lavoura para abastecer os aplicadores.

Essa verdadeira revolução agrícola que o Brasil vive reduziu também o impacto no bolso do consumidor. A comida que sai do campo atualmente sai muito mais barato do que nos anos de 1970.

A produção de leite e carne muito se beneficiou do avanço da agricultura. O grão engorda o frango, o porco e o boi. Um terço do que Brasil planta por ano se transforma diretamente em proteína animal. As boas práticas agrícolas do modelo brasileiro acabaram acertando também um alvo que não trazia preocupação 40 anos atrás: o aquecimento global.

As enormes emissões de gases de efeito estufa pelas atividades humanas aumentam a temperatura no planeta, o que pode levar a catastróficas alterações no clima.

O pesquisador Carlos Cerri é professor da Esalq, a Escola Superior de Agricultura Luis de Queiroz, trabalhou durante vários anos no IPCC, Painel Intergovernametal de Mudanças Climáticas da ONU, fazendo parte da equipe que ganhou o prêmio Nobel da Paz. Ele recebeu um importante prêmio da Embrapa por suas pesquisas sobre emissão de carbono. “Por não revolver o solo, o plantio direto faz com que haja menor emissão de gases do efeito estufa para a atmosfera. Por outro lado, parte da palha que fica na superfície do solo, com a decomposição pelos organismos do solo, é incorporada no solo fazendo o que chamamos de sequestro de carbono pelo solo”, diz.

Há 15 anos, as equipes do doutor Cerri pesquisam lavouras dos quatro cantos do Brasil. Eles coletam amostras de solo e, segmentando o terreno com caixas, fazem a captação de gases que pairam na superfície das camadas de palha. Com seringas, são aspirados os gases que a terra exala. O material é analisado nos laboratórios da Universidade de São Paulo, em Piracicaba. O pesquisador Carlos Cena tem um inventário das emissões e da fixação de gases nas lavouras do país.

Considerando que o Brasil já alcançou cerca de 35 milhões de hectares com plantio direto, conclui-se que a prática sequestra 17 milhões de toneladas de carbono por ano, o que compensa as emissões de gases de efeito estufa de São Paulo, Rio de JaneiroBelo Horizonte e da maioria das capitais mais populosas do Brasil.

O sistema de plantio direto também deu contribuição significativa para o setor de energia. O plantio direto, aliado a outras práticas conservacionistas, evitou erosões e, portanto, assoreamento, na bacia do Rio Paraná e aumentou a previsão de vida útil da represa de Itaipu de 100 para aproximadamente 200 anos.

Fonte: Globo Natureza


14 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisa confirma que aumento de C02 inicia aquecimento

Caiu um dos últimos bastiões dos que argumentam que a queima de combustíveis fósseis não aquece a Terra.

O problema, diziam os céticos, é que o CO2 liberado por essa queima não parecia ser o causador de mais calor no planeta em épocas geológicas anteriores. A ordem parecia ser inversa: primeiro a Terra esquentava e só depois a atmosfera recebia mais CO2.

“A aparente contradição tem a ver com a maneira como a neve se deposita”, afirma o paleoclimatólogo Cristiano Chiessi, da USP.

Explica-se: os principais registros sobre o clima do passado vêm de cilindros de gelo obtidos na Antártida. Em lugares de neves eternas, essa “biblioteca” gelada alcança centenas de milênios.

A composição do gelo dá pistas sobre a temperatura na época em que a neve caiu, enquanto bolhas de ar presas na massa gelada indicam quanto CO2 havia no ar.

“O problema é que essas coisas acontecem em ritmo diferente. Quando a neve cai, ela fica muito tempo permeável ao ar acima dela. Demora para as bolhas se formarem”, diz Chiessi.

Resultado: os modelos indicavam que o ar preso nas bolhas sempre é mais “novo” que o gelo ao lado. Assim, não dava para saber qual tinha sido a ordem dos acontecimentos, num verdadeiro problema de ovo e galinha.

Um artigo na revista “Nature” do mês passado, assinado por Jeremy Shakun, da Universidade Harvard, contornou isso unindo os dados da Antártida a outros registros pelo mundo. A pesquisa mostra que, no fim da última era glacial, a ordem foi mesmo mais CO2 primeiro e temperatura aumentada depois.

Detalhe importante: em cem anos, os níveis de CO2 atmosféricos aumentaram na mesma proporção que todo o incremento em 10 mil anos no fim da última fase glacial.

O que uma mudança dessas pode causar além de mais calor? Uma pista está num estudo coordenado por Maria Assunção da Silva Dias, também da USP, que viu um aumento de um terço na chuva da Grande São Paulo em menos de um século.

Boa parte disso tem a ver com fatores naturais e com o excesso de prédios da metrópole. “Mas a mudança lembra um ensaio do que se espera que venha no futuro, com mais eventos extremos”, diz Silva Dias -como tempestades na estação seca, antes inexistentes, e mais temporais como um todo.

Fonte: Folha.com


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Seca amazônica gerou emissão recorde com CO2 que superou a Índia

A seca extrema na região amazônica de julho a setembro de 2010 causou redução da área de floresta e a liberação de 1,8 bilhão de toneladas de gás carbônico para a atmosfera –mais do que a emissão anual de CO2 da Índia no mesmo ano.

A partir de imagens de satélite indicando o quão verde estava a floresta, combinadas com simulações computacionais do ciclo do carbono, Christopher Potter, pesquisador do Centro de Pesquisa Ames, da Nasa (agência espacial dos EUA), apresentou um cenário preocupante para o ecossistema da região.

Embarcações encalhadas na areia em Tefé, no Estado da Amazônia; durante a estiagem devastadora de 2010

Embarcações encalhadas na areia em Tefé, no Estado da Amazônia; durante a estiagem devastadora de 2010. (Foto: Rodrigo Baleia/Folhapress)

Em estudo publicado na revista científica “Environmental Research Letters”, Potter e colaboradores mostraram que essa foi a pior seca da história recente da floresta amazônica.

Os efeitos dessa falta de chuva, segundo eles, são “basicamente equivalentes aos efeitos combinados do desmate e dos incêndios”.

Por volta de 40% da área desflorestada da Amazônia teve pouca chuva no período. O nível da água do rio Negro no porto de Manaus foi o mais baixo já registrado em cem anos de acompanhamento.

A diminuição do aprisionamento de CO2 atmosférico pelas plantas e o aumento de sua liberação na decomposição das que morreram foram as consequências ecológicas abordadas no estudo.

As áreas mais afetadas foram as porções florestais da Colômbia, do Equador, do Acre e do oeste do Amazonas Por um lado, os autores dizem que parte disso pode ser recuperada lentamente a partir da chegada de chuvas, assim como ocorreu com a seca de 2005, a maior até então.

Por outro lado, segundo as previsões dos modelos, esse aumento de secas severas, em parte fruto do desmatamento e das mudanças climáticas, pode sair do controle e levar a Amazônia ao colapso.

 

Fonte: Marco Varella, Folha.com


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Equipamento vai eliminar CFC de geladeiras e evitar emissão de CO2

15/12/2010

Por Daniela Mendes

A segunda planta de manufatura reversa (reciclagem) de geladeiras do País será inaugurada nesta quarta-feira (15), no município de Careaçú (MG). O equipamento da empresa Revert Brasil é totalmente automatizado e terá capacidade para processar até 450 mil unidades por ano, o que equivale a cerca de 1.500 geladeiras por dia.

O CFC é um dos principais responsáveis pela redução da camada de ozônio, que protege a terra do excesso de raios ultravioletas, capazes de causar doenças como o câncer de pele. Além disso, esse gás contribui para o aquecimento global.

De acordo com a coordenadora de Proteção da Camada de Ozônio do MMA, Magna Luduvice, existe hoje no País um passivo de 10 milhões de refrigeradores que poderão ser processados por meio dessa tecnologia inédita no Brasil.

A eficiência de processamento do equipamento permite retirar mais de 99% dos gases CFCs existentes no refrigerador, tanto no sistema de refrigeração (CFC-12) quanto na espuma de isolamento (CFC-11). Estima-se uma redução na emissão de três toneladas de CO2 equivalente por refrigerador, ou seja, 1,35 milhão de toneladas de CO2 equivalentes deixarão de ser lançados na atmosfera, por ano. O equipamento também conseguirá separar, com mais de 95% de pureza, os demais materiais que compõe o refrigerador, tais como: poliuretano, plástico, ferro, cobre e alumínio.

Com a implantação dessa planta, os refrigeradores antigos, com mais de dez anos, substituídos nos projetos de eficiência energética pelas distribuidoras de energia elétrica poderão ter as substâncias nocivas à camada de ozônio e ao clima recolhidas e destinadas adequadamente.

A planta de manufatura reversa de refrigeradores operada pela Revert Brasil está inserida no âmbito do Acordo de Cooperação Técnica assinado, em 2009, pelos governos alemão e brasileiro por meio do Ministério do Meio Ambiente Alemão e da Agência de Cooperação Técnica Alemã e do Ministério do Meio Ambiente do Brasil e da Agência Brasileira de Cooperação.

Esse acordo tem por objetivo apoiar a introdução de um programa piloto de logística reversa de refrigeradores no Brasil, incluindo a instalação de um equipamento modelo de manufatura reversa. O valor total do projeto é de cerca de 10 milhões de euros, sendo cinco milhões do governo alemão e os outros cinco milhões do operador do equipamento  a Revert Brasil Soluções Ambientais Ltda.

O projeto compreende além da instalação da planta de manufatura reversa de refrigeradores, o treinamento de pessoal para logística reversa de refrigeradores, incluindo catadores de materiais recicláveis e demais atores dessa cadeia e também o intercâmbio de informações técnicas sobre a logística reversa de refrigeradores entre os dois países.

O evento contará com a presença de representantes da Agência de Cooperação Técnica Alemã, do Ministério do Meio Ambiente do Brasil, do governo do Estado de Minas Gerais, da Prefeitura de Careaçú, além de demais representantes do setor de manufatura e manutenção de equipamentos de refrigeração, cooperativas de catadores, empresas do ramo de coleta e reciclagem, entre outros.

Histórico – No Brasil, a produção e o consumo de substâncias destruidoras da camada de ozônio (SDOs), como os clorofluorcarbonos (CFCs), foram eliminadas com êxito no âmbito do Protocolo de Montreal. No entanto, uma quantidade significativa de SDOs ainda pode ser encontrada nos equipamentos de refrigeração, entre eles refrigeradores, que estão em uso.

Desde 1999, já não se produzem mais veículos e condicionadores de ar com CFC. A partir de 2001, não se fabricam mais refrigeradores domésticos e comerciais com esses gases. Para eliminar os CFCs remanescentes e gerenciar o seu passivo, o governo brasileiro desenvolveu uma série de projetos (treinamento, incentivo à coleta, reciclagem e regeneração de SDOs) com o objetivo de impedir que os CFCs contidos nos equipamentos produzidos naquele período fossem lançados na atmosfera.

Ao final da vida útil, no entanto, os equipamentos que contêm substâncias destruidoras da camada de ozônio devem ser corretamente gerenciados, a fim de evitar o vazamento dessas substâncias para a atmosfera. Até pouco tempo no Brasil, recolhia-se somente o CFC presente no circuito de refrigeração dos refrigeradores antigos, pois não havia tecnologia para o recolhimento do gás contido na espuma de isolamento. Com a implantação dessa tecnologia, o Brasil avança, além da eliminação da produção e consumo dos CFCs, para o correto gerenciamento dos bancos de SDOs.

Fonte: MMA