23 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Correios da Suíça vão compensar emissão de CO2

Companhia afirma que pretende reduzir 15 mil toneladas de dióxido de carbono a partir do uso de veículos elétricos pelos carteiros

A companhia de correios suíça, la Poste, anunciou em comunicado, nesta quarta-feira (22), que vai compensar sua emissão de CO2, que tem origem no envio de cartas no país, a partir do dia 1 de abril, numa tentativa de proteger o meio ambiente .

As atividades dos correios geram cerca de 50 mil toneladas de CO2 que serão compensados a cada ano por la Poste mediante vários projetos, entre eles, o uso progressivo de veículos elétricos pelos carteiros e a utilização crescente do transporte ferroviário.

A iniciativa permitirá a redução de 15 mil toneladas de emissões de CO2, calculou.

Além disso, a companhia prevê a instalação de painéis fotovoltaicos nos telhados de 20 edifícios que abrigam seus escritórios.

Segundo um porta-voz da companhia, esta compensação custará entre 700 mil e 2,5 milhões de francos suíços (entre 583 mil e 2 milhões de euros) por ano.

Fonte: Portal IG


14 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

COP-17 chega a acordo histórico, mas adia proteção ao clima

O combate internacional à mudança climática teve hoje seu maior avanço político desde a criação do Protocolo de Kyoto, no fim dos anos 1990. A COP-17, a conferência do clima de Durban, África do Sul, terminou na madrugada deste domingo lançando a base para um futuro acordo contra as emissões de gases-estufa, que envolve metas para Estados Unidos e China, os dois maiores poluidores do planeta –mas só após 2020.

Também foi aprovada uma controversa extensão do acordo de Kyoto, que envolve apenas a União Europeia e mais um punhado de países e que por enquanto não tem nem intervalo de tempo definido para vigorar.

E foi lançado o chamado Fundo Verde do Clima, que tem a promessa de US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020 para combater as emissões e promover ações de adaptação à mudança climática nos países em desenvolvimento.

Embora não façam rigorosamente nada para combater o aquecimento global hoje –exceto manter os compromissos fracos que os países já haviam adotado na conferência de Copenhague, em 2009, e que deixam o mundo no rumo de um aquecimento de 2,5°C a 4°C neste século–, as decisões adotadas em Durban têm caráter histórico.

A principal delas, um texto de uma página e meia batizado de Plataforma de Durban, estabelece um calendário para criar “um protocolo, outro instrumento legal ou um resultado acordado com força legal” em 2015, que possa entrar em vigor até 2020. Por esse instrumento, todos os países do mundo terão de se comprometer a metas obrigatórias de redução de emissões.

Trata-se de uma revolução política no âmbito da Convenção do Clima da ONU. Nas palavras do negociador-chefe americano, Todd Stern, a Plataforma de Durban “desbasta a barreira que existia entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento” e que causou a divisão do planeta entre ricos e pobres (os chamados Anexo 1 e não-Anexo 1) em Kyoto. Foi essa divisão que impediu que o Senado americano ratificasse o acordo assinado no Japão e que causou, mais tarde, o impasse com a China que fez fracassar a conferência de Copenhague.

O acordo foi negociado por meses entre os países emergentes, a União Europeia e os EUA, e costurado durante vários dias em reuniões secretas no hotel Hilton, em Durban. Na madrugada de domingo, porém, ele ameaçou ruir.

A Índia exigiu que fosse acrescentada no texto uma opção de ação mais frouxa, de modo a que ela não precisasse se comprometer com metas. Foi criticada por europeus e pelas nações-ilhas, que não só pediam um instrumento com força de lei mas também exigiam sua ratificação em 2018, não 2020.

A presidente da COP, a chanceler sul-africana Maite Mashabane, suspendeu a sessão e pediu que a comissária europeia do Clima, Connie Hedegaard, e a ministra do Ambiente da Índia, Jayanthi Natarajan, fizessem “uma rodinha” para encontrar uma solução para o conflito.

O ato de criatividade retórica que salvou Durban veio do embaixador brasileiro Luiz Alberto Figueiredo, que mais cedo havia brigado com os europeus por ter defendido, alinhado com os emergentes e com os EUA, a inclusão da expressão mais fraca “resultado legal”. Figueiredo propôs trocar “resultado legal” por “resultado acordado com força legal” –uma mudança aparentemente boba, mas que salvou a negociação.

“Temos de nos orgulhar muito, este é um momento histórico”, disse Figueiredo a jornalistas após o fim da COP mais longa da história, com o sol já raiando em Durban.

“Esta plataforma tem uma chance real de se tornar uma conquista ainda maior que o Mandato de Berlim”, disse Hedegaard, em referência ao processo legal presidido em 1995 pela então ministra do Ambiente alemã, Angela Merkel, e que deu origem a Kyoto.

“Os países sairão daqui dizendo que foi um grande sucesso, especialmente os Estados Unidos. Mas para o clima não foi”, afirmou Samantha Smith, da ONG WWF.

Fonte: Claudio Angelo, Folha.com


2 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Brasil é sexto maior emissor de gases do planeta, aponta análise

Metade dos gases estufa é gerada por cinco países, dois deles emergentes.
Relatório foi divulgado nesta quinta-feira durante a COP 17, em Durban.

Mais da metade de todas as emissões de carbono liberadas na atmosfera são geradas por cinco países, segundo um ranking de emissões de gases estufa publicado nesta quinta-feira (1) no qual o Brasil aparece na sexta posição.

China, Estados Unidos, Índia, Rússia e Japão lideram a lista, seguidos de Brasil, Alemanha, Canadá, México e Irã, de acordo com a lista, divulgada durante a COP 17, negociações climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU) em Durban, África do Sul.

Os primeiros dez países da lista são responsáveis por dois terços das emissões globais, acrescentou o documento, copilados pela empresa Maplecroft, da Grã-Bretanha, especializada em análise de risco. Três dos seis maiores emissores são gigantes emergentes que demandam energia e desenvolvem suas economias a uma velocidade vertiginosa.

Em desenvolvimento
A China, que superou os Estados Unidos alguns anos atrás no topo da lista, produziu 9.441 megatoneladas de CO2-equivalente (CO2e), uma medida que combina dióxido de carbono (CO2) com outros gases aprisionadores de calor, como metano e óxido nitroso.

O método de cálculo utilizado combinou números de 2009 para o consumo de energia com números estimados para 2010.

A maioria das emissões dos países é de dióxido de carbono, graças à enorme demanda de energia. O uso de energias renováveis está aumentando, mas continua pequeno em comparação com o de combustíveis fósseis.

COP 17 informações gerais (Foto: Editoria de Arte/G1)A Índia produziu 2.272,45 megatoneladas de CO2e, parte significativa de metano gerado na agricultura. “Embora o uso per capita de energia na China e na Índia seja relativamente baixo, a demanda em geral é muito grande”, explicou Chris Laws, analista da Maplecroft. “Quando combinado com o alto uso de carvão e outros combustíveis fósseis, isto resulta em grandes emissões nos dois países”, acrescentou.

A produção brasileira, de 1.144 megatoneladas derivados do uso energético, seria significativamente maior se o desmatamento fosse levado em conta.

De acordo com informações do Deter, divulgadas em outubro passado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a região denominada Amazônia Legal perdeu no ano passado 7 mil km² de sua cobertura vegetal original. O índice é o menor desde que a medição foi iniciada, em 1988.

Potências
Entre as economias avançadas, os Estados Unidos – o primeiro país em emissões per capita entre as grandes potências – produziram 6.539 megatoneladas de CO2e. A Rússia, com 1.963 megatoneladas, ficou em quarto. Suas emissões caíram após a derrocada da União Soviética, mas espera-se que subam.

No Japão, onde a geração é de 1.203 megatoneladas de CO2e, os temores de segurança com relação à energia nuclear levaram a uma maior dependência em combustíveis fósseis, e um pico em emissões de carbono, disse Laws. Ele destacou, no entanto, que o governo japonês anunciou sua intenção de preencher a lacuna energética com fontes renováveis.

“É improvável que a tendência de aumento das emissões de gases efeito estufa seja mitigada em médio e longo prazos”, relatou. O índice dos 176 países, com base nos níveis anuais de emissões de gases de efeito estufa, combina dados sobre as emissões de CO2 de uso energético e emissões de gases não CO2. Os dados vieram de várias fontes, entre elas a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA).

 

 

Fonte: Globo Natureza


2 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Carvão de bambu é alternativa ecológica à lenha na África, diz estudo

Parceria da China com países africanos quer fomentar técnica de biomassa.
Material reduziria desmatamento e emissão de gases de efeito estufa.

Uma tecnologia desenvolvida por uma organização da China pode ajudar a alavancar o setor de bioenergia no continente africano, reduzir o ritmo de desmatamento e, consequentemente, o impacto da mudança climática.

A Rede Internacional de Bambu e Rattan (Inbar, na sigla em inglês), organização com sede na Ásia dedicada à redução da pobreza, juntamente com países da África, pretende fomentar o uso do carvão extraído do bambu entre as famílias da região subsaariana para reduzir o uso de madeira para lenha.

Experimentos feitos na Etiópia e em Gana com o carvão de bambu fizeram com que esta biomassa fosse colocada no centro das políticas de energias renováveis.

“O bambu cresce naturalmente em todo o continente e se apresenta como uma alternativa viável, mais limpa e sustentável do que a lenha”, disse J. Coosje Hoogendoorn, diretor geral da Inbar em evento paralelo que ocorreu nesta sexta-feira (2) durante a COP 17, em Durban, naÁfrica do Sul.

Menos emissões
O bambu é uma das plantas que mais crescem no planeta e podem ser produzidas em grande quantidade como biomassa. As árvores podem ser colhidas depois de três anos e toda a planta pode ser usada para produzir carvão vegetal, feito através de queima controlada em fornos.

“Sem essa alternativa, o carvão vegetal proveniente da madeira continuará a ser a fonte primária de energia nas próximas décadas, o que acarretaria consequências desastrosas”, explica.

Cientistas preveem que a queima de madeira por famílias africanas vai liberar o equivalente a 6,7 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera até 2050. Além disso, a fumaça emitida pela queima mata cerca de 2 milhões de pessoas por ano, principalmente mulheres e crianças. Até 2030, estima-se a morte prematura de 10 milhões de pessoas devido à inalação de gases que vêm da queima da madeira.

Moradora de Gana utiliza bambu para fogueira. Foco de organização é fomentar uso de planta para reduzir desmate de árvores (Foto: Divulgação/Inbar)

Moradora de Gana utiliza bambu para fogueira. Foco de organização é fomentar uso de planta para reduzir desmate de árvores e diminuir emissão de gases (Foto: Divulgação/Inbar)

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


29 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Polêmicas ambientais não interferem na imagem do Brasil, diz embaixador

Público internacional percebe reação do governo, diz André Corrêa do Lago. 
Negociador-chefe do Brasil na COP 17 concedeu entrevista ao G1 em Durban

O negociador-chefe do Brasil na COP 17, André Corrêa do Lago, disse ao G1 na abertura da conferência realizada em Durban, na África do Sul, que as recentes discussões ambientais que o país enfrenta não interferem na imagem do país perante outras nações, nem na posição assumida na Cúpula Climática da Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo ele, polêmicas como a construção da usina de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, o derramamento de óleo na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, e o processo de aprovação do novo Código Florestal tiveram reações imediatas do governo e um debate com a sociedade. “O público internacional percebe como o Brasil reage aos problemas”, afirma.

O embaixador comenta ainda sobre as negociações climáticas iniciadas em Durban e que prosseguirão até o próximo dia 9 de dezembro. Confira vídeo http://g1.globo.com/natureza/noticia/2011/11/polemicas-ambientais-nao-interferem-na-imagem-do-brasil-diz-embaixador.html

Apelo para evolução nas negociações
Delegados de mais de 190 países terão de avançar nos acordos firmados na última reunião, em Cancún. Em discurso proferido na abertura do encontro, nesta segunda-feira (28) o presidente sul-africano, Jacob Zuma, destacou os dois principais pontos a serem definidos: o funcionamento do “fundo verde”, por meio do qual os países ricos deverão ajudar os pobres a enfrentarem o aquecimento global, e um segundo período do Protocolo de Kyoto, acordo pelo qual países desenvolvidos se comprometem a reduzir suas emissões de gases-estufa, que expira em 2012.

“Com uma liderança competente, nada é impossível aqui em Durban”, disse o presidente sul-africano. Apesar do tom moderado, o líder lembrou a todos as consequências desastrosas das mudanças climáticas previstas para muitos países em desenvolvimento.

“A agricultura em vários países africanos pode cair até 50% até 2050, o que pode causar sérios problemas de fome”, disse.

O Brasil integra o bloco G77+China (que, além do país asiático, inclui países em desenvolvimento) e vai apoiar o que esse grupo decidir consensualmente. Entre as nações representadas estão, por exemplo, as africanas e os pequenos países insulares que podem desaparecer se o nível do mar subir muito.

Nações em desenvolvimento têm que fazer mais
A Europa fala de um segundo período do Protocolo de Kyoto, mas dentro de um plano para um novo acordo vinculante mais abrangente, que inclua também as nações em desenvolvimento, para ser negociado até 2015, com validade prazo de ratificação interna em cada país até 2020. Seria uma novo “mapa” de negociação, como dizem os diplomatas.

“Precisamos fortalecer Kyoto”, disse nesta segunda-feira (28) o negociador que representa a presidência temporária polonesa da União Europeia na COP 17, Thomasz Chruszczow.

Os EUA, que não têm compromisso para reduzir suas emissões, também voltaram a questionar a adesão dos emergentes a um acordo vinculante de longo prazo, para 2050, por exemplo. O negociador dos EUA, Jonathan Pershing, disse que trabalhar com o panorama de 2020 dá a falsa impressão que um plano implementado até lá resolverá o problema das mudanças climáticas e ressaltou como fundamental a inclusão de todos.

“Um acordo vinculante para depois de 2020 só é possível se “envolver todos os ‘players’ relevantes’”, disse – um recado principalmente para a China, que desbancou recentemente os americanos como o maior emissor de gases-estufa , mas também a outros países, como o Brasil.

 

Fonte: Dennis Barbosa, Globo Natureza


28 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Começa a Conferência do Clima da ONU em Durban, na África do Sul

Presidente anfitrião lembra do prejuízo das mudanças climáticas à agricultura.
Renovação do Protocolo de Kyoto é um dos temas centrais da COP 17.

Com discurso do presidente da África do Sul, Jacob Zuma, foi declarada aberta a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 17) em Durban. Delegados de mais de 190 países terão até o dia 9 de dezembro para avançar os acordos da última reunião, em Cancún.

Zuma destacou os dois principais pontos a serem definidos: o funcionamento do “fundo verde”, por meio do qual os países ricos deverão ajudar os pobres a enfrentarem o aquecimento global, e um segundo período do Protocolo de Kyoto, acordo pelo qual países desenvolvidos se comprometem a reduzir suas emissões de gases-estufa, que expira em 2012.

“Com uma liderança competente, nada é impossível aqui em Durban”, disse o presidente sul-africano. Apesar do tom moderado, o líder lembrou a todos as consequências desastrosas das mudanças climáticas previstas para muitos países em desenvolvimento. “A agricultura em vários países africanos pode cair até 50% até 2050, o que pode causar sérios problemas de fome”, disse.

Christiana Figueres, secretária-executiva da ONU para mudanças climáticas, mostrou confiança na liderança sul-africana rumo a avanços na COP 17: “A  África do Sul mostrou com o fim do Apartheid  (regime de segregação racial) que é um exemplo nas negociações para melhorar a vida das pessoas”. Assim como Zuma, ela destacou que “uma solução para o Protocolo Kyoto é fundamental”.

A presidência da COP 17 ficará a cargo da sul-africana Maite Nkoana-Mashabane.

Mais do que buscar um avanço nas negociações, a COP será importante para evitar um retrocesso: o Protocolo de Kyoto, único acordo existente segundo o qual a maioria dos países desenvolvidos (os Estados Unidos, segundo maior emissor, não participam porque não ratificaram internamente o acordo) têm metas de redução das emissões, expira em 2012 e, se não for estendido, não haverá nada em seu lugar.

Jacob Zuma fala aos delegados da COP 17. (Foto: Dennis Barbosa/G1)

Jacob Zuma fala aos delegados da COP 17. (Foto: Dennis Barbosa/G1)

COP 17 informações gerais (Foto: Editoria de Arte/G1)

 

Atualmente, o maior emissor de gases-estufa do mundo é a China, mas ela resiste em se comprometer com metas de corte enquanto os EUA não o fizerem. Rússia, Japão e Canadá, por sua vez, alegam não ver sentido em assumir novo compromisso enquanto os maiores poluidores não o fazem.

A União Europeia representa o maior bloco de países ricos dispostos a negociar algum compromisso. A conferência de Durban, no entanto, acontece num momento conturbado, em que a salvação da economia parece mais urgente que a do clima.

A crise econômica também deve prejudicar outra grande meta da COP 17, que é normatizar o funcionamento do “fundo verde”, um mecanismo de financiamento de ações de redução de emissões e adaptação às mudanças climáticas nos países pobres. A ideia é que haja US$ 100 bilhões ao ano disponíveis até 2020, mas não se sabe até agora exatamente quem vai colocar a mão no bolso para levar a proposta adiante.

O Brasil aposta suas fichas numa renovação do Protocolo de Kyoto. O negociador brasileiro embaixador André Corrêa do Lago alerta que “há praticamente um consenso de que nunca mais vai se conseguir um acordo total”. Daí a importância de não se deixar morrer este. Corrêa do Lago ressalta que desde a assinatura do protocolo, em 1997, havia a determinação de que o primeiro período de compromisso seria revisto entre 2008 e 2012.

“Nenhum país quer sair de Kyoto pra fazer mais do que faria em Kyoto. Todo mundo quer fazer menos”, comentou o diplomata brasileiro na última semana, em Brasília.

Os países emergentes, como o Brasil, defendem que as nações ricas, que emitiram mais gases-estufa durante décadas, devem assumir metas mais rígidas, e usam a pobreza que parte de suas populações enfrentam como argumento de que devem ter maior margem de emissões, para poderem se desenvolver. É o que nas negociações reiteradamente chamam de “responsabilidades comuns, mas diferenciadas”.

 

 

 

 

Fonte: Dennis Barbosa, Globo Natureza


25 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Temperatura mundial pode subir até 6 graus, alerta OCDE

Até o final deste século, a temperatura global pode sofrer um aumento entre 3 e 6 graus centígrados se for mantida a tendência atual, alerta a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) nesta quinta-feira. Mas ainda há tempo para que esse cenário com graves consequências seja evitado com um custo de ação limitado.

Esse é o principal conteúdo de um relatório sobre a mudança climática divulgado pela OCDE às vésperas da conferência de Durban, que começa na próxima segunda-feira (28) em Durban, na África do Sul. A organização pede aos governos que se engajem em torno de um acordo internacional.

“Os custos econômicos e as consequências ambientais da ausência de ação política na mudança climática são significativas”, advertiu o secretário-geral do organismo, Ángel Gurría, durante a apresentação do estudo.

Concretamente, as medidas para modificar, sobretudo, o panorama energético que se espera para 2050 e a redução das emissões de efeito estufa em 70% custariam 5,5% do PIB (Produto Interno Bruto) –um número que os autores do relatório relativizaram em entrevista à imprensa, ao ressaltarem que significaria que o crescimento da economia mundial nos quatro próximos decênios seria de 3,3% ao ano, em vez de 3,5%, um corte de dois décimos.

O relatório destacou que não alterar as políticas atuais geraria prejuízos ambientais que afetariam muito mais a economia. O relatório Stern de 2006 havia antecipado perdas permanentes do consumo por habitante superiores a 14%.

A OCDE advertiu que, sem novas políticas de contenção das emissões de efeito estufa, as energias fósseis seguirão mantendo seu peso relativo atual, de 85% do total, o que conduziria a um volume de concentração na atmosfera de 685 partes de dióxido de carbono (CO2) ou equivalentes por milhão, muito longe das 450 que os cientistas consideram que permitiriam limitar o aquecimento climático global a dois graus centígrados.

Para o órgão, um ponto relevante é estabelecer “um preço significativo” das emissões de CO2 para induzir à mudança tecnológica, mas também a fixação de metas de diminuição de emissões “claras, críveis e mais restritivas” com as quais “todos os grandes emissores, setores e países” precisarão se comprometer.

Fonte: Folha.com


25 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Cumprir meta de Copenhague exige reduzir emissões em mais de 8%

Acordo de 2009 para limitar aquecimento do planeta vai exigir uma redução de emissões maior do que o previsto

O cumprimento da meta de restrição da elevação da temperatura, estabelecida no Acordo de Copenhague, em 2009, exigirá uma redução nas emissões de carbono em mais de 8% até 2020 em comparação com os níveis de 2010, e depois aumentar esta redução, alertam cientistas.

Em dezembro de 2009, líderes mundiais salvaram do fiasco a Conferência do Clima das Nações Unidas, realizada na capital dinamarquesa, ao fixar a meta de limitar o aquecimento no planeta a 2º Celsius acima dos níveis pré-industriais.

Em um artigo publicado este domingo na revista científica Nature Climate Change, cientistas liderados por Joeri Rogelj, do Instituto de Ciência Climática e Atmosférica de Zurique, na Suíça, revisaram modelos de computador tendo como base a meta dos 2ºC.

Nos cenários que consideraram uma “probabilidade” acima de 66% de que a temperatura na Terra se mantenha abaixo dos 2ºC, as emissões globais teriam seu pico entre 2010 e 2020.

Em 2020, as emissões anuais teriam que ser de 44 bilhões de toneladas (ou gigatoneladas) de dióxido de carbono ou carbono equivalente (CO2e) ao ano.

Este volume representaria uma redução de 8,5% com relação a 2010, quando as emissões globais foram de 48 gigatoneladas. As emissões teriam que continuar caindo depois disso.

“Se os mecanismos necessários para possibilitar um pico precoce das emissões globais, seguido de reduções intensas não forem implantados, há um risco significativo de que a meta dos 2ºC não seja alcançada”, alertaram os estudiosos.

O carbono equivalente (CO2e) é uma medida empregada para mensurar as emissões de todos os gases de efeito estufa, que variam do dióxido de carbono – liberado na queima de combustíveis fósseis – ao metano, liberado no desmatamento e em processos agrícolas, por exemplo.

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), em 2010 as emissões exclusivas de CO2 foram as maiores da história, subindo fortemente após uma queda brusca em 2009, atribuída à crise financeira internacional.

O Acordo de Copenhague, esboçado por um pequeno grupo de líderes mundiais, salvou no último minuto a conferência climática de um fracasso considerado certo por especialistas.

O documento não conseguiu o endosso dos 194 países membros da Convenção-quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (UNFCCC), e recebeu críticas por ser considerado antidemocrático, enquanto grupos ambientalistas afirmaram que sua abordagem voluntária não produziria os cortes de carbono necessários.

Por outro lado, os cientistas se mantêm cautelosos quanto à meta de 2ºC, afirmando que não é garantia de segurança.

Muitos dizem que já se percebem mudanças perceptíveis na neve e na cobertura de gelo, no hábitat e nos padrões reprodutivos de espécies migratórias por causa de um aquecimento já observável, de aproximadamente 1ºC desde 1900.

Fonte: AFP


7 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Área da Amazônia tem queimada controlada para análise científica

Área no Acre foi preparada por dois meses para ser consumida pelo fogo. 
Trabalho reuniu pesquisadores de diversas instituições.

Em quatro hectares de floresta foi realizada uma verdadeira operação científica. Pesquisadores de diversas instituições enfrentaram um calor de 40 graus Celsius e o clima seco, no Acre. Nesse período do ano na Amazônia acontecem as queimadas, que transformam a floresta em pasto.

A área estudada foi preparada durante dois meses para ser consumida pelo fogo, sendo que, desta vez, os pesquisadores serão responsáveis pelo incêndio. Na clareira aberta foi realizada a identificação, a medição das árvores e a coleta de amostras do solo. Uma torre de mais de 15 metros foi montada com equipamentos que ajudam na coleta de informações e foram passadas instruções para a segurança da equipe.

A partir dos dados coletados com a queimada controlada será possível calcular a quantidade de gases emitidos para a atmosfera e as consequências para o planeta. A pesquisa possibilitará quantificar os níveis de dióxido de carbono emitidos durante a queima, identificar como os nutrientes do solo reagem às altas temperaturas e conhecer como as micropartículas no ar podem causar danos ao sistema respiratório humano.

“Quanto mais precisos os dados, mais nós teremos ideia das ações que devem ser tomadas para prevenir desmatamentos e o quanto poderíamos deixar de desmatar para ter um ciclo sustentável”, explica João de Carvalho Júnior, coordenador do projeto. Os resultados contribuirão também para a implementação de políticas públicas que ajudem na preservação da floresta.

“Com essas informações nós podemos subsidiar os governos estaduais no que diz respeito à quanto se deixa de emitir para a atmosfera em termos de carbono quando não se queima a floresta. Essa quantidade é um patrimônio do produtor rural que, no avançar das negociações do mercado de carbono internacional, pode ser uma fonte de renda”, esclarece Falberni Costa, agrônomo da Embrapa. Os resultados da pesquisa devem ser divulgados em um ano.

 

Fonte: Do Globo Rural


27 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Relatório da OMS diz que Grande Rio tem ar mais poluído que Grande SP

Órgão da ONU usou dados de 2009 fornecidos pelos governos estaduais.
Cidade iraniana foi apontada como a mais poluída do mundo, entre 1.100.

Relatório divulgado nesta segunda-feira (26) pela Organização Mundial de Saúde, que aborda a contaminação do ar nas principais cidades do mundo, aponta que o nível de poluição atmosférica da Região Metropolitana do Rio de Janeiro é quase duas vezes maior ao da Região Metropolitana de São Paulo e ainda supera grandes cidades como Nova York, Londres e Paris.

Segundo o estudo, que usou dados atmosféricos entre 2003 e 2010 coletados em 1.100 regiões de 91 países, aferidos por órgãos de governo responsáveis pela medição do ar, enquanto o ar da RM do Rio concentra 64 microgramas de material particulado por metro cúbico, a medição da RM de São Paulo apresentou 38 microgramas por metro cúbico.

Apesar da comparação, as duas regiões estão com níveis de poluição acima do limite estipulado pela OMS, que é de 20 microgramas por metro cúbico.

Tal fato é preocupante, já que a organização informou que 2 milhões de pessoas morrem anualmente devido a problemas decorrentes da contaminação do ar, sendo que este número poderia ser reduzido se políticas públicas ambientais fossem aplicadas de forma rígida e fiscalizadas, de acordo com o relatório. A OMS aponta como causa a grande quantidade carros nas zonas urbanas e a alta concentração da indústria.

Comparação
As duas macrorregiões, que juntas abrangem 59 cidades, têm índices de poluição superiores aos de grandes cidades de países considerados desenvolvidos.

Londres, na Inglaterra, tem índice atmosférico de 14 microgramas por metro cúbico. Já Nova York, nos Estados Unidos, registrou entre o período de 2003 e 2009 a média anual de 21 microgramas de material particulado por metro cúbico.  A pesquisa ainda utilizou dados coletados em Belo Horizonte (20 microgramas por metro cúbico) e em Curitiba (29 microgramas por metro cúbico).

No ranking, a cidade mais poluída é Ahwaz, no Irã. De acordo com o relatório da OMS, a partir de informações do Departamento de Meio Ambiente da cidade, o índice de contaminação do ar é 372 micrograma por metro cúbico.

Critérios
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), responsável pela medição de poluentes na atmosfera nas cidades paulistas, informou desconhecer os critérios utilizados pela OMS para se chegar ao índice de contaminação do ar apresentado no estudo. A instituição preferiu não comentar o resultado.

Segundo Carlos Fonteneles, diretor de informação e monitoramento ambiental do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), órgão ambiental do Rio de Janeiro, a metodologia empregada pela OMS foi errada, já que os níveis de poluição do Rio vinham de estações de medição semi-automáticas, enquanto que os de São Paulo originavam de estações automáticas.

“A diferença se dá na concentração das emissões. Enquanto uma máquina semi-automática as por 24 horas, em um intervalo de seis dias, o equipamento automático grava como os dados de poluição atmosférica a cada hora. O filtro das estações do Rio estavam com mais poluentes por conta desta forma de funcionamento”, afirmou.

Políticas públicas
De acordo com Paulo Artaxo, coordenador do laboratório de física atmosférica da Universidade de São Paulo, é difícil a cidade do Rio de Janeiro concentrar níveis de poluição mais altos que São Paulo, já que o município está próximo ao mar.

“(O Rio) não tem esse nível de poluição tão alto, porque a cidade é abastecida por ventos do Oceano Atlântico, que dispersam os poluentes. Este fato não acontece em São Paulo, que tem um crônico problema com transporte público e alta concentração de indústrias”, disse.

Entretanto, Artaxo afirma que isto não isenta o Rio da responsabilidade de emissões de poluentes superiores aos limites impostos pela OMS.

“Na região central da cidade, por exemplo, próximo à avenida Rio Branco e à região da estação Central do Brasil, há uma forte concentração de veículos, ônibus que soltam fumaça proveniente da queima do diesel. Não podemos dizer que estamos em uma situação extraordinariamente boa a ponto de considerar o ar adequado”, explica.

“Independente se os números que saem no relatório são precisos ou não, o ponto mais importante é o alerta da organização para a criação de políticas de controle de emissões atmosféricas mais eficientes”, conclui.

CONTAMINAÇÃO DO AR NAS GRANDES CIDADES, SEGUNDO A OMS
Região Metropolitana do Rio de Janeiro (19 cidades) 64µg/m³
Região Metropolitana de São Paulo (39 cidades) 38 µg/m³
Paris (França) 38 µg/m³
Nova York (Estados Unidos) 21 µg/m³
Londres (Inglaterra) 14 µg/m³

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


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23 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Correios da Suíça vão compensar emissão de CO2

Companhia afirma que pretende reduzir 15 mil toneladas de dióxido de carbono a partir do uso de veículos elétricos pelos carteiros

A companhia de correios suíça, la Poste, anunciou em comunicado, nesta quarta-feira (22), que vai compensar sua emissão de CO2, que tem origem no envio de cartas no país, a partir do dia 1 de abril, numa tentativa de proteger o meio ambiente .

As atividades dos correios geram cerca de 50 mil toneladas de CO2 que serão compensados a cada ano por la Poste mediante vários projetos, entre eles, o uso progressivo de veículos elétricos pelos carteiros e a utilização crescente do transporte ferroviário.

A iniciativa permitirá a redução de 15 mil toneladas de emissões de CO2, calculou.

Além disso, a companhia prevê a instalação de painéis fotovoltaicos nos telhados de 20 edifícios que abrigam seus escritórios.

Segundo um porta-voz da companhia, esta compensação custará entre 700 mil e 2,5 milhões de francos suíços (entre 583 mil e 2 milhões de euros) por ano.

Fonte: Portal IG


14 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

COP-17 chega a acordo histórico, mas adia proteção ao clima

O combate internacional à mudança climática teve hoje seu maior avanço político desde a criação do Protocolo de Kyoto, no fim dos anos 1990. A COP-17, a conferência do clima de Durban, África do Sul, terminou na madrugada deste domingo lançando a base para um futuro acordo contra as emissões de gases-estufa, que envolve metas para Estados Unidos e China, os dois maiores poluidores do planeta –mas só após 2020.

Também foi aprovada uma controversa extensão do acordo de Kyoto, que envolve apenas a União Europeia e mais um punhado de países e que por enquanto não tem nem intervalo de tempo definido para vigorar.

E foi lançado o chamado Fundo Verde do Clima, que tem a promessa de US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020 para combater as emissões e promover ações de adaptação à mudança climática nos países em desenvolvimento.

Embora não façam rigorosamente nada para combater o aquecimento global hoje –exceto manter os compromissos fracos que os países já haviam adotado na conferência de Copenhague, em 2009, e que deixam o mundo no rumo de um aquecimento de 2,5°C a 4°C neste século–, as decisões adotadas em Durban têm caráter histórico.

A principal delas, um texto de uma página e meia batizado de Plataforma de Durban, estabelece um calendário para criar “um protocolo, outro instrumento legal ou um resultado acordado com força legal” em 2015, que possa entrar em vigor até 2020. Por esse instrumento, todos os países do mundo terão de se comprometer a metas obrigatórias de redução de emissões.

Trata-se de uma revolução política no âmbito da Convenção do Clima da ONU. Nas palavras do negociador-chefe americano, Todd Stern, a Plataforma de Durban “desbasta a barreira que existia entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento” e que causou a divisão do planeta entre ricos e pobres (os chamados Anexo 1 e não-Anexo 1) em Kyoto. Foi essa divisão que impediu que o Senado americano ratificasse o acordo assinado no Japão e que causou, mais tarde, o impasse com a China que fez fracassar a conferência de Copenhague.

O acordo foi negociado por meses entre os países emergentes, a União Europeia e os EUA, e costurado durante vários dias em reuniões secretas no hotel Hilton, em Durban. Na madrugada de domingo, porém, ele ameaçou ruir.

A Índia exigiu que fosse acrescentada no texto uma opção de ação mais frouxa, de modo a que ela não precisasse se comprometer com metas. Foi criticada por europeus e pelas nações-ilhas, que não só pediam um instrumento com força de lei mas também exigiam sua ratificação em 2018, não 2020.

A presidente da COP, a chanceler sul-africana Maite Mashabane, suspendeu a sessão e pediu que a comissária europeia do Clima, Connie Hedegaard, e a ministra do Ambiente da Índia, Jayanthi Natarajan, fizessem “uma rodinha” para encontrar uma solução para o conflito.

O ato de criatividade retórica que salvou Durban veio do embaixador brasileiro Luiz Alberto Figueiredo, que mais cedo havia brigado com os europeus por ter defendido, alinhado com os emergentes e com os EUA, a inclusão da expressão mais fraca “resultado legal”. Figueiredo propôs trocar “resultado legal” por “resultado acordado com força legal” –uma mudança aparentemente boba, mas que salvou a negociação.

“Temos de nos orgulhar muito, este é um momento histórico”, disse Figueiredo a jornalistas após o fim da COP mais longa da história, com o sol já raiando em Durban.

“Esta plataforma tem uma chance real de se tornar uma conquista ainda maior que o Mandato de Berlim”, disse Hedegaard, em referência ao processo legal presidido em 1995 pela então ministra do Ambiente alemã, Angela Merkel, e que deu origem a Kyoto.

“Os países sairão daqui dizendo que foi um grande sucesso, especialmente os Estados Unidos. Mas para o clima não foi”, afirmou Samantha Smith, da ONG WWF.

Fonte: Claudio Angelo, Folha.com


2 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Brasil é sexto maior emissor de gases do planeta, aponta análise

Metade dos gases estufa é gerada por cinco países, dois deles emergentes.
Relatório foi divulgado nesta quinta-feira durante a COP 17, em Durban.

Mais da metade de todas as emissões de carbono liberadas na atmosfera são geradas por cinco países, segundo um ranking de emissões de gases estufa publicado nesta quinta-feira (1) no qual o Brasil aparece na sexta posição.

China, Estados Unidos, Índia, Rússia e Japão lideram a lista, seguidos de Brasil, Alemanha, Canadá, México e Irã, de acordo com a lista, divulgada durante a COP 17, negociações climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU) em Durban, África do Sul.

Os primeiros dez países da lista são responsáveis por dois terços das emissões globais, acrescentou o documento, copilados pela empresa Maplecroft, da Grã-Bretanha, especializada em análise de risco. Três dos seis maiores emissores são gigantes emergentes que demandam energia e desenvolvem suas economias a uma velocidade vertiginosa.

Em desenvolvimento
A China, que superou os Estados Unidos alguns anos atrás no topo da lista, produziu 9.441 megatoneladas de CO2-equivalente (CO2e), uma medida que combina dióxido de carbono (CO2) com outros gases aprisionadores de calor, como metano e óxido nitroso.

O método de cálculo utilizado combinou números de 2009 para o consumo de energia com números estimados para 2010.

A maioria das emissões dos países é de dióxido de carbono, graças à enorme demanda de energia. O uso de energias renováveis está aumentando, mas continua pequeno em comparação com o de combustíveis fósseis.

COP 17 informações gerais (Foto: Editoria de Arte/G1)A Índia produziu 2.272,45 megatoneladas de CO2e, parte significativa de metano gerado na agricultura. “Embora o uso per capita de energia na China e na Índia seja relativamente baixo, a demanda em geral é muito grande”, explicou Chris Laws, analista da Maplecroft. “Quando combinado com o alto uso de carvão e outros combustíveis fósseis, isto resulta em grandes emissões nos dois países”, acrescentou.

A produção brasileira, de 1.144 megatoneladas derivados do uso energético, seria significativamente maior se o desmatamento fosse levado em conta.

De acordo com informações do Deter, divulgadas em outubro passado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a região denominada Amazônia Legal perdeu no ano passado 7 mil km² de sua cobertura vegetal original. O índice é o menor desde que a medição foi iniciada, em 1988.

Potências
Entre as economias avançadas, os Estados Unidos – o primeiro país em emissões per capita entre as grandes potências – produziram 6.539 megatoneladas de CO2e. A Rússia, com 1.963 megatoneladas, ficou em quarto. Suas emissões caíram após a derrocada da União Soviética, mas espera-se que subam.

No Japão, onde a geração é de 1.203 megatoneladas de CO2e, os temores de segurança com relação à energia nuclear levaram a uma maior dependência em combustíveis fósseis, e um pico em emissões de carbono, disse Laws. Ele destacou, no entanto, que o governo japonês anunciou sua intenção de preencher a lacuna energética com fontes renováveis.

“É improvável que a tendência de aumento das emissões de gases efeito estufa seja mitigada em médio e longo prazos”, relatou. O índice dos 176 países, com base nos níveis anuais de emissões de gases de efeito estufa, combina dados sobre as emissões de CO2 de uso energético e emissões de gases não CO2. Os dados vieram de várias fontes, entre elas a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA).

 

 

Fonte: Globo Natureza


2 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Carvão de bambu é alternativa ecológica à lenha na África, diz estudo

Parceria da China com países africanos quer fomentar técnica de biomassa.
Material reduziria desmatamento e emissão de gases de efeito estufa.

Uma tecnologia desenvolvida por uma organização da China pode ajudar a alavancar o setor de bioenergia no continente africano, reduzir o ritmo de desmatamento e, consequentemente, o impacto da mudança climática.

A Rede Internacional de Bambu e Rattan (Inbar, na sigla em inglês), organização com sede na Ásia dedicada à redução da pobreza, juntamente com países da África, pretende fomentar o uso do carvão extraído do bambu entre as famílias da região subsaariana para reduzir o uso de madeira para lenha.

Experimentos feitos na Etiópia e em Gana com o carvão de bambu fizeram com que esta biomassa fosse colocada no centro das políticas de energias renováveis.

“O bambu cresce naturalmente em todo o continente e se apresenta como uma alternativa viável, mais limpa e sustentável do que a lenha”, disse J. Coosje Hoogendoorn, diretor geral da Inbar em evento paralelo que ocorreu nesta sexta-feira (2) durante a COP 17, em Durban, naÁfrica do Sul.

Menos emissões
O bambu é uma das plantas que mais crescem no planeta e podem ser produzidas em grande quantidade como biomassa. As árvores podem ser colhidas depois de três anos e toda a planta pode ser usada para produzir carvão vegetal, feito através de queima controlada em fornos.

“Sem essa alternativa, o carvão vegetal proveniente da madeira continuará a ser a fonte primária de energia nas próximas décadas, o que acarretaria consequências desastrosas”, explica.

Cientistas preveem que a queima de madeira por famílias africanas vai liberar o equivalente a 6,7 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera até 2050. Além disso, a fumaça emitida pela queima mata cerca de 2 milhões de pessoas por ano, principalmente mulheres e crianças. Até 2030, estima-se a morte prematura de 10 milhões de pessoas devido à inalação de gases que vêm da queima da madeira.

Moradora de Gana utiliza bambu para fogueira. Foco de organização é fomentar uso de planta para reduzir desmate de árvores (Foto: Divulgação/Inbar)

Moradora de Gana utiliza bambu para fogueira. Foco de organização é fomentar uso de planta para reduzir desmate de árvores e diminuir emissão de gases (Foto: Divulgação/Inbar)

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


29 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Polêmicas ambientais não interferem na imagem do Brasil, diz embaixador

Público internacional percebe reação do governo, diz André Corrêa do Lago. 
Negociador-chefe do Brasil na COP 17 concedeu entrevista ao G1 em Durban

O negociador-chefe do Brasil na COP 17, André Corrêa do Lago, disse ao G1 na abertura da conferência realizada em Durban, na África do Sul, que as recentes discussões ambientais que o país enfrenta não interferem na imagem do país perante outras nações, nem na posição assumida na Cúpula Climática da Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo ele, polêmicas como a construção da usina de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, o derramamento de óleo na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, e o processo de aprovação do novo Código Florestal tiveram reações imediatas do governo e um debate com a sociedade. “O público internacional percebe como o Brasil reage aos problemas”, afirma.

O embaixador comenta ainda sobre as negociações climáticas iniciadas em Durban e que prosseguirão até o próximo dia 9 de dezembro. Confira vídeo http://g1.globo.com/natureza/noticia/2011/11/polemicas-ambientais-nao-interferem-na-imagem-do-brasil-diz-embaixador.html

Apelo para evolução nas negociações
Delegados de mais de 190 países terão de avançar nos acordos firmados na última reunião, em Cancún. Em discurso proferido na abertura do encontro, nesta segunda-feira (28) o presidente sul-africano, Jacob Zuma, destacou os dois principais pontos a serem definidos: o funcionamento do “fundo verde”, por meio do qual os países ricos deverão ajudar os pobres a enfrentarem o aquecimento global, e um segundo período do Protocolo de Kyoto, acordo pelo qual países desenvolvidos se comprometem a reduzir suas emissões de gases-estufa, que expira em 2012.

“Com uma liderança competente, nada é impossível aqui em Durban”, disse o presidente sul-africano. Apesar do tom moderado, o líder lembrou a todos as consequências desastrosas das mudanças climáticas previstas para muitos países em desenvolvimento.

“A agricultura em vários países africanos pode cair até 50% até 2050, o que pode causar sérios problemas de fome”, disse.

O Brasil integra o bloco G77+China (que, além do país asiático, inclui países em desenvolvimento) e vai apoiar o que esse grupo decidir consensualmente. Entre as nações representadas estão, por exemplo, as africanas e os pequenos países insulares que podem desaparecer se o nível do mar subir muito.

Nações em desenvolvimento têm que fazer mais
A Europa fala de um segundo período do Protocolo de Kyoto, mas dentro de um plano para um novo acordo vinculante mais abrangente, que inclua também as nações em desenvolvimento, para ser negociado até 2015, com validade prazo de ratificação interna em cada país até 2020. Seria uma novo “mapa” de negociação, como dizem os diplomatas.

“Precisamos fortalecer Kyoto”, disse nesta segunda-feira (28) o negociador que representa a presidência temporária polonesa da União Europeia na COP 17, Thomasz Chruszczow.

Os EUA, que não têm compromisso para reduzir suas emissões, também voltaram a questionar a adesão dos emergentes a um acordo vinculante de longo prazo, para 2050, por exemplo. O negociador dos EUA, Jonathan Pershing, disse que trabalhar com o panorama de 2020 dá a falsa impressão que um plano implementado até lá resolverá o problema das mudanças climáticas e ressaltou como fundamental a inclusão de todos.

“Um acordo vinculante para depois de 2020 só é possível se “envolver todos os ‘players’ relevantes’”, disse – um recado principalmente para a China, que desbancou recentemente os americanos como o maior emissor de gases-estufa , mas também a outros países, como o Brasil.

 

Fonte: Dennis Barbosa, Globo Natureza


28 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Começa a Conferência do Clima da ONU em Durban, na África do Sul

Presidente anfitrião lembra do prejuízo das mudanças climáticas à agricultura.
Renovação do Protocolo de Kyoto é um dos temas centrais da COP 17.

Com discurso do presidente da África do Sul, Jacob Zuma, foi declarada aberta a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 17) em Durban. Delegados de mais de 190 países terão até o dia 9 de dezembro para avançar os acordos da última reunião, em Cancún.

Zuma destacou os dois principais pontos a serem definidos: o funcionamento do “fundo verde”, por meio do qual os países ricos deverão ajudar os pobres a enfrentarem o aquecimento global, e um segundo período do Protocolo de Kyoto, acordo pelo qual países desenvolvidos se comprometem a reduzir suas emissões de gases-estufa, que expira em 2012.

“Com uma liderança competente, nada é impossível aqui em Durban”, disse o presidente sul-africano. Apesar do tom moderado, o líder lembrou a todos as consequências desastrosas das mudanças climáticas previstas para muitos países em desenvolvimento. “A agricultura em vários países africanos pode cair até 50% até 2050, o que pode causar sérios problemas de fome”, disse.

Christiana Figueres, secretária-executiva da ONU para mudanças climáticas, mostrou confiança na liderança sul-africana rumo a avanços na COP 17: “A  África do Sul mostrou com o fim do Apartheid  (regime de segregação racial) que é um exemplo nas negociações para melhorar a vida das pessoas”. Assim como Zuma, ela destacou que “uma solução para o Protocolo Kyoto é fundamental”.

A presidência da COP 17 ficará a cargo da sul-africana Maite Nkoana-Mashabane.

Mais do que buscar um avanço nas negociações, a COP será importante para evitar um retrocesso: o Protocolo de Kyoto, único acordo existente segundo o qual a maioria dos países desenvolvidos (os Estados Unidos, segundo maior emissor, não participam porque não ratificaram internamente o acordo) têm metas de redução das emissões, expira em 2012 e, se não for estendido, não haverá nada em seu lugar.

Jacob Zuma fala aos delegados da COP 17. (Foto: Dennis Barbosa/G1)

Jacob Zuma fala aos delegados da COP 17. (Foto: Dennis Barbosa/G1)

COP 17 informações gerais (Foto: Editoria de Arte/G1)

 

Atualmente, o maior emissor de gases-estufa do mundo é a China, mas ela resiste em se comprometer com metas de corte enquanto os EUA não o fizerem. Rússia, Japão e Canadá, por sua vez, alegam não ver sentido em assumir novo compromisso enquanto os maiores poluidores não o fazem.

A União Europeia representa o maior bloco de países ricos dispostos a negociar algum compromisso. A conferência de Durban, no entanto, acontece num momento conturbado, em que a salvação da economia parece mais urgente que a do clima.

A crise econômica também deve prejudicar outra grande meta da COP 17, que é normatizar o funcionamento do “fundo verde”, um mecanismo de financiamento de ações de redução de emissões e adaptação às mudanças climáticas nos países pobres. A ideia é que haja US$ 100 bilhões ao ano disponíveis até 2020, mas não se sabe até agora exatamente quem vai colocar a mão no bolso para levar a proposta adiante.

O Brasil aposta suas fichas numa renovação do Protocolo de Kyoto. O negociador brasileiro embaixador André Corrêa do Lago alerta que “há praticamente um consenso de que nunca mais vai se conseguir um acordo total”. Daí a importância de não se deixar morrer este. Corrêa do Lago ressalta que desde a assinatura do protocolo, em 1997, havia a determinação de que o primeiro período de compromisso seria revisto entre 2008 e 2012.

“Nenhum país quer sair de Kyoto pra fazer mais do que faria em Kyoto. Todo mundo quer fazer menos”, comentou o diplomata brasileiro na última semana, em Brasília.

Os países emergentes, como o Brasil, defendem que as nações ricas, que emitiram mais gases-estufa durante décadas, devem assumir metas mais rígidas, e usam a pobreza que parte de suas populações enfrentam como argumento de que devem ter maior margem de emissões, para poderem se desenvolver. É o que nas negociações reiteradamente chamam de “responsabilidades comuns, mas diferenciadas”.

 

 

 

 

Fonte: Dennis Barbosa, Globo Natureza


25 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Temperatura mundial pode subir até 6 graus, alerta OCDE

Até o final deste século, a temperatura global pode sofrer um aumento entre 3 e 6 graus centígrados se for mantida a tendência atual, alerta a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) nesta quinta-feira. Mas ainda há tempo para que esse cenário com graves consequências seja evitado com um custo de ação limitado.

Esse é o principal conteúdo de um relatório sobre a mudança climática divulgado pela OCDE às vésperas da conferência de Durban, que começa na próxima segunda-feira (28) em Durban, na África do Sul. A organização pede aos governos que se engajem em torno de um acordo internacional.

“Os custos econômicos e as consequências ambientais da ausência de ação política na mudança climática são significativas”, advertiu o secretário-geral do organismo, Ángel Gurría, durante a apresentação do estudo.

Concretamente, as medidas para modificar, sobretudo, o panorama energético que se espera para 2050 e a redução das emissões de efeito estufa em 70% custariam 5,5% do PIB (Produto Interno Bruto) –um número que os autores do relatório relativizaram em entrevista à imprensa, ao ressaltarem que significaria que o crescimento da economia mundial nos quatro próximos decênios seria de 3,3% ao ano, em vez de 3,5%, um corte de dois décimos.

O relatório destacou que não alterar as políticas atuais geraria prejuízos ambientais que afetariam muito mais a economia. O relatório Stern de 2006 havia antecipado perdas permanentes do consumo por habitante superiores a 14%.

A OCDE advertiu que, sem novas políticas de contenção das emissões de efeito estufa, as energias fósseis seguirão mantendo seu peso relativo atual, de 85% do total, o que conduziria a um volume de concentração na atmosfera de 685 partes de dióxido de carbono (CO2) ou equivalentes por milhão, muito longe das 450 que os cientistas consideram que permitiriam limitar o aquecimento climático global a dois graus centígrados.

Para o órgão, um ponto relevante é estabelecer “um preço significativo” das emissões de CO2 para induzir à mudança tecnológica, mas também a fixação de metas de diminuição de emissões “claras, críveis e mais restritivas” com as quais “todos os grandes emissores, setores e países” precisarão se comprometer.

Fonte: Folha.com


25 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Cumprir meta de Copenhague exige reduzir emissões em mais de 8%

Acordo de 2009 para limitar aquecimento do planeta vai exigir uma redução de emissões maior do que o previsto

O cumprimento da meta de restrição da elevação da temperatura, estabelecida no Acordo de Copenhague, em 2009, exigirá uma redução nas emissões de carbono em mais de 8% até 2020 em comparação com os níveis de 2010, e depois aumentar esta redução, alertam cientistas.

Em dezembro de 2009, líderes mundiais salvaram do fiasco a Conferência do Clima das Nações Unidas, realizada na capital dinamarquesa, ao fixar a meta de limitar o aquecimento no planeta a 2º Celsius acima dos níveis pré-industriais.

Em um artigo publicado este domingo na revista científica Nature Climate Change, cientistas liderados por Joeri Rogelj, do Instituto de Ciência Climática e Atmosférica de Zurique, na Suíça, revisaram modelos de computador tendo como base a meta dos 2ºC.

Nos cenários que consideraram uma “probabilidade” acima de 66% de que a temperatura na Terra se mantenha abaixo dos 2ºC, as emissões globais teriam seu pico entre 2010 e 2020.

Em 2020, as emissões anuais teriam que ser de 44 bilhões de toneladas (ou gigatoneladas) de dióxido de carbono ou carbono equivalente (CO2e) ao ano.

Este volume representaria uma redução de 8,5% com relação a 2010, quando as emissões globais foram de 48 gigatoneladas. As emissões teriam que continuar caindo depois disso.

“Se os mecanismos necessários para possibilitar um pico precoce das emissões globais, seguido de reduções intensas não forem implantados, há um risco significativo de que a meta dos 2ºC não seja alcançada”, alertaram os estudiosos.

O carbono equivalente (CO2e) é uma medida empregada para mensurar as emissões de todos os gases de efeito estufa, que variam do dióxido de carbono – liberado na queima de combustíveis fósseis – ao metano, liberado no desmatamento e em processos agrícolas, por exemplo.

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), em 2010 as emissões exclusivas de CO2 foram as maiores da história, subindo fortemente após uma queda brusca em 2009, atribuída à crise financeira internacional.

O Acordo de Copenhague, esboçado por um pequeno grupo de líderes mundiais, salvou no último minuto a conferência climática de um fracasso considerado certo por especialistas.

O documento não conseguiu o endosso dos 194 países membros da Convenção-quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (UNFCCC), e recebeu críticas por ser considerado antidemocrático, enquanto grupos ambientalistas afirmaram que sua abordagem voluntária não produziria os cortes de carbono necessários.

Por outro lado, os cientistas se mantêm cautelosos quanto à meta de 2ºC, afirmando que não é garantia de segurança.

Muitos dizem que já se percebem mudanças perceptíveis na neve e na cobertura de gelo, no hábitat e nos padrões reprodutivos de espécies migratórias por causa de um aquecimento já observável, de aproximadamente 1ºC desde 1900.

Fonte: AFP


7 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Área da Amazônia tem queimada controlada para análise científica

Área no Acre foi preparada por dois meses para ser consumida pelo fogo. 
Trabalho reuniu pesquisadores de diversas instituições.

Em quatro hectares de floresta foi realizada uma verdadeira operação científica. Pesquisadores de diversas instituições enfrentaram um calor de 40 graus Celsius e o clima seco, no Acre. Nesse período do ano na Amazônia acontecem as queimadas, que transformam a floresta em pasto.

A área estudada foi preparada durante dois meses para ser consumida pelo fogo, sendo que, desta vez, os pesquisadores serão responsáveis pelo incêndio. Na clareira aberta foi realizada a identificação, a medição das árvores e a coleta de amostras do solo. Uma torre de mais de 15 metros foi montada com equipamentos que ajudam na coleta de informações e foram passadas instruções para a segurança da equipe.

A partir dos dados coletados com a queimada controlada será possível calcular a quantidade de gases emitidos para a atmosfera e as consequências para o planeta. A pesquisa possibilitará quantificar os níveis de dióxido de carbono emitidos durante a queima, identificar como os nutrientes do solo reagem às altas temperaturas e conhecer como as micropartículas no ar podem causar danos ao sistema respiratório humano.

“Quanto mais precisos os dados, mais nós teremos ideia das ações que devem ser tomadas para prevenir desmatamentos e o quanto poderíamos deixar de desmatar para ter um ciclo sustentável”, explica João de Carvalho Júnior, coordenador do projeto. Os resultados contribuirão também para a implementação de políticas públicas que ajudem na preservação da floresta.

“Com essas informações nós podemos subsidiar os governos estaduais no que diz respeito à quanto se deixa de emitir para a atmosfera em termos de carbono quando não se queima a floresta. Essa quantidade é um patrimônio do produtor rural que, no avançar das negociações do mercado de carbono internacional, pode ser uma fonte de renda”, esclarece Falberni Costa, agrônomo da Embrapa. Os resultados da pesquisa devem ser divulgados em um ano.

 

Fonte: Do Globo Rural


27 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Relatório da OMS diz que Grande Rio tem ar mais poluído que Grande SP

Órgão da ONU usou dados de 2009 fornecidos pelos governos estaduais.
Cidade iraniana foi apontada como a mais poluída do mundo, entre 1.100.

Relatório divulgado nesta segunda-feira (26) pela Organização Mundial de Saúde, que aborda a contaminação do ar nas principais cidades do mundo, aponta que o nível de poluição atmosférica da Região Metropolitana do Rio de Janeiro é quase duas vezes maior ao da Região Metropolitana de São Paulo e ainda supera grandes cidades como Nova York, Londres e Paris.

Segundo o estudo, que usou dados atmosféricos entre 2003 e 2010 coletados em 1.100 regiões de 91 países, aferidos por órgãos de governo responsáveis pela medição do ar, enquanto o ar da RM do Rio concentra 64 microgramas de material particulado por metro cúbico, a medição da RM de São Paulo apresentou 38 microgramas por metro cúbico.

Apesar da comparação, as duas regiões estão com níveis de poluição acima do limite estipulado pela OMS, que é de 20 microgramas por metro cúbico.

Tal fato é preocupante, já que a organização informou que 2 milhões de pessoas morrem anualmente devido a problemas decorrentes da contaminação do ar, sendo que este número poderia ser reduzido se políticas públicas ambientais fossem aplicadas de forma rígida e fiscalizadas, de acordo com o relatório. A OMS aponta como causa a grande quantidade carros nas zonas urbanas e a alta concentração da indústria.

Comparação
As duas macrorregiões, que juntas abrangem 59 cidades, têm índices de poluição superiores aos de grandes cidades de países considerados desenvolvidos.

Londres, na Inglaterra, tem índice atmosférico de 14 microgramas por metro cúbico. Já Nova York, nos Estados Unidos, registrou entre o período de 2003 e 2009 a média anual de 21 microgramas de material particulado por metro cúbico.  A pesquisa ainda utilizou dados coletados em Belo Horizonte (20 microgramas por metro cúbico) e em Curitiba (29 microgramas por metro cúbico).

No ranking, a cidade mais poluída é Ahwaz, no Irã. De acordo com o relatório da OMS, a partir de informações do Departamento de Meio Ambiente da cidade, o índice de contaminação do ar é 372 micrograma por metro cúbico.

Critérios
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), responsável pela medição de poluentes na atmosfera nas cidades paulistas, informou desconhecer os critérios utilizados pela OMS para se chegar ao índice de contaminação do ar apresentado no estudo. A instituição preferiu não comentar o resultado.

Segundo Carlos Fonteneles, diretor de informação e monitoramento ambiental do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), órgão ambiental do Rio de Janeiro, a metodologia empregada pela OMS foi errada, já que os níveis de poluição do Rio vinham de estações de medição semi-automáticas, enquanto que os de São Paulo originavam de estações automáticas.

“A diferença se dá na concentração das emissões. Enquanto uma máquina semi-automática as por 24 horas, em um intervalo de seis dias, o equipamento automático grava como os dados de poluição atmosférica a cada hora. O filtro das estações do Rio estavam com mais poluentes por conta desta forma de funcionamento”, afirmou.

Políticas públicas
De acordo com Paulo Artaxo, coordenador do laboratório de física atmosférica da Universidade de São Paulo, é difícil a cidade do Rio de Janeiro concentrar níveis de poluição mais altos que São Paulo, já que o município está próximo ao mar.

“(O Rio) não tem esse nível de poluição tão alto, porque a cidade é abastecida por ventos do Oceano Atlântico, que dispersam os poluentes. Este fato não acontece em São Paulo, que tem um crônico problema com transporte público e alta concentração de indústrias”, disse.

Entretanto, Artaxo afirma que isto não isenta o Rio da responsabilidade de emissões de poluentes superiores aos limites impostos pela OMS.

“Na região central da cidade, por exemplo, próximo à avenida Rio Branco e à região da estação Central do Brasil, há uma forte concentração de veículos, ônibus que soltam fumaça proveniente da queima do diesel. Não podemos dizer que estamos em uma situação extraordinariamente boa a ponto de considerar o ar adequado”, explica.

“Independente se os números que saem no relatório são precisos ou não, o ponto mais importante é o alerta da organização para a criação de políticas de controle de emissões atmosféricas mais eficientes”, conclui.

CONTAMINAÇÃO DO AR NAS GRANDES CIDADES, SEGUNDO A OMS
Região Metropolitana do Rio de Janeiro (19 cidades) 64µg/m³
Região Metropolitana de São Paulo (39 cidades) 38 µg/m³
Paris (França) 38 µg/m³
Nova York (Estados Unidos) 21 µg/m³
Londres (Inglaterra) 14 µg/m³

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


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