18 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Emissões de gás carbônico em São Paulo vão dobrar até 2035

O estado de São Paulo tem, desde 2009, uma das leis mais ambiciosas para o combate ao aquecimento global. A legislação prevê que as emissões de gases causadores de efeito estufa caiam em 20% até 2020 comparados aos níveis de 2005. Cumpri-la, porém, é um desafio. O próprio governo paulista já prevê que a quantidade de dióxido de carbono (CO2) emitida no estado vá crescer pelo menos 55% de 2005 a 2020. Até 2035, as emissões devem mais que dobrar.

Essas estimativas constam do estudo Matriz Energética do Estado de São Paulo – 2035, da Secretaria de Energia estadual. Nele, as contas mais otimistas indicam que 85 milhões de toneladas de CO2 serão jogadas na atmosfera por atividades desenvolvidas no estado em 2020. Em 2005, eram cerca de 55 milhões de toneladas – 30 milhões de toneladas a menos. Já em 2035, serão mais de 120 milhões de toneladas de CO2 emitidas no estado. Isso representa um incremento de cerca de 120% na comparação com as emissões de 2005.

Esses números foram apresentados na primeira reunião do Conselho Estadual de Política Energética do Estado de São Paulo, ocorrida no final do mês passado. Os dados já levam em consideração todas as políticas públicas estaduais anunciadas para redução das emissões de CO2.

O Plano Integrado de Transportes Urbanos 2005 a 2025 (Pitu), que prevê a maior utilização do transporte coletivo, por exemplo, já foi considerado na estimativa. Também foram levados em conta os ganhos de produtividade da indústria e da agricultura, assim como a redução do uso de combustíveis fósseis como a gasolina e o diesel.

Para o pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Sérgio Valdir Balay, os resultados do estudo mostram a urgência de novas políticas para redução das emissões. Segundo ele, caso o estado queira mesmo cumprir a lei, terá de tomar medidas “ousadas” e “mexer com o hábito das pessoas”.

“Precisaríamos reduzir o uso dos automóveis, já que o transporte é o maior responsável pelas emissões. As grandes empresas e o próprio Poder Público também teriam que reduzir suas emissões”, disse Balay, em entrevista à Agência Brasil.

O pesquisador afirmou que a meta de 20% de queda das emissões ainda é factível, mas parece ter sido estipulada sem os critérios necessários. “Os políticos adoram tomar decisões sem fazer um planejamento técnico”, criticou. “O que aconteceu [com as metas] foi isso.”

A Agência Brasil entrou em contato com a Secretaria de Energia, responsável pelo estudo sobre as emissões de CO2. O órgão, porém, não se pronunciou sobre o assunto.

Já a Secretaria do Meio Ambiente informou, em nota, que a meta de 20% de redução será “seguida”. De acordo com o órgão, o estudo da Secretaria de Energia “é baseado em modelo matemático” e “está sujeito a deixar de fora variáveis”.

A pasta informou também que o Conselho Estadual de Política Energética já estabeleceu um plano de trabalho para estruturar medidas adicionais de redução de emissões dos gases de efeito estufa. “O processo da construção de como o governo cumprirá a meta será feito em discussão com a sociedade civil, órgãos de governo e setor privado”, complementou.

Fonte: Vinicius Konchinski/ Agência Brasil


2 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Mata Atlântica registra menor taxa de desmatamento entre os biomas brasileiros

02/12/2010

Entre 2002 e 2008, o índice de desmate na Mata Atlântica foi de 0,25 %, o equivalente a 2.742 km2. A taxa anual média chega a 457 km2 (0,04%). Os dados foram anunciados nesta quarta-feira (1º), pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, em cerimônia realizada no Palácio do Planalto com o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

“Hoje entregamos informações importantes para o planejamento de ações estratégicas de fiscalização e combate ao desmatamento, e com isso teremos condição de mudar o patamar de políticas públicas no Brasil, por meio de dados sólidos informados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Queremos compatibilizar os usos e recursos naturais com o desenvolvimento sustentável do País”, afirmou a ministra Izabella.

Ela explica que com os dados deste projeto de monitoramento será possível, por exemplo, identificar áreas degradadas que podem ser reaproveitadas e avançar na busca de uma economia de baixo carbono e na implementação de infraestrutura sem provocar a perda da biodiversidade.

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O crescimento de áreas desmatadas, de 2002 a 2008, na região não foi muito significativo, oscilando de 75,62% para 75,88%, respectivamente, mas a Mata Atlântica é o bioma mais ameaçado do País, e conta apenas com 27% de sua cobertura vegetal original. Segundo dados da SOS Mata Atlântica, somente cerca de 8% de seus remanescentes permanecem bem preservados. O fato é preocupante porque o abastecimento de água para 123 milhões de brasileiros – além de outros serviços ambientais como regulação do clima, temperatura do solo e proteção de encostas- depende da manutenção e preservação deste bioma.

O estado brasileiro onde houve a maior área devastada – 909 km2- foi Minas Gerais, seguido do Paraná (545 km2), Bahia (462 km2) e Santa Catarina (329 km2). Proporcionalmente, a maior taxa de perda foi em Sergipe, que desmatou 50% dos 10.531 km2 de sua área de Mata Atlântica remanescente, contra os 241.713 km2 presentes em Minas Gerais.

Os municípios que mais desmataram foram Encruzilhada (BA), Jequitinhonha (MG), Rio Vermelho (MG), São Francisco de Paula (RS) e Mafra (SC). Os dados do Inpe revelam também que, no mesmo período, o desmatamento foi maior nos biomas Cerrado(0,69%) e Pantanal(0,47%).

Segundo a ministra, as informações sobre o desmatamento nos biomas referentes ao período 2008 a 2009 devem ser lançadas no primeiro semestre de 2011.

Monitoramento – Para controlar o desmatamento e a perda da biodiversidade em todo o País, está sendo executado o Projeto de Monitoramento dos Desmatamentos dos Biomas Brasileiros por Satélite, que tem o objetivo de quantificar os desmates de áreas com vegetação nativa e embasar ações de fiscalização, controle e combate a desmatamentos ilegais nos biomas extra-amazônicos (Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal).

A iniciativa está sendo executada desde 2008 pelo Centro de Sensoriamento Remoto do Ibama, e funciona de forma semelhante ao Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes).

O projeto de monitoramento utiliza como referência os Mapas de Cobertura Vegetal dos Biomas Brasileiros, em escala (1:250.000), produzidos pelo Probio/MMA em 2007. As áreas com vegetação nativas estão sendo atualizadas por meio da interpretação de imagens dos satélites CBERS e Landsat, obtidas em 2008, que apresentam elevada resolução espacial, porém baixa resolução temporal.

Os primeiros dados divulgados foram do bioma Cerrado, em setembro de 2009, referentes aos desmatamentos do período 2002-2008. Neste ano, foram lançados os dados da Caatinga, Pantanal e Pampa. As informações sobre o total de área desmatada, monitorada em cada bioma brasileiro, permitem ainda fornecer dados relacionados às emissões de gases de efeito estufa.

(Fonte: Carine Corrêa/ MMA)


1 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Acordo sobre florestas em conferência de Cancún beneficiaria Brasil

A criação de instrumentos para promover a redução de emissões por desmatamento e degradação (conhecidos pela sigla REDD) em países em desenvolvimento tem boas chances de ser um dos resultados práticos da conferência das Nações Unidas sobre mudança climática em Cancún, no México. Um acordo na área pode significar o aporte de bilhões dólares ao Brasil, com suas vastas reservas florestais.

Se aprovados, instrumentos de REDD+ (o sinal acrescenta a remuneração de atividades que levem a conservação de florestas, manejo sustentável e reforço de estoques de carbono de florestas em países em desenvolvimento) poderiam canalizar este dinheiro de um fundo específico financiado por governos, bem como da iniciativa privada ou mercados de carbono e verbas para mitigação (redução de emissões).

O Brasil tem grande interesse em uma implementação relativamente rápida de REDD, tanto que deve assumir a liderança, ao lado da França, do grupo internacional Parceria REDD – criado neste ano com quase 70 países para viabilizar mecanismos REDD no mundo.

Uma vez aprovada uma estrutura internacional de REDD, o país pode sair na frente por ter mais de 20 projetos pioneiros já em prática.

Talvez o mais conhecido e bem-sucedido seja o projeto Juma, da Fundação Amazonas Sustentável, que já possibilita o sustento de 338 famílias na Reserva de Juma, no Amazonas.

Moeda de troca – Desde a conferência de Copenhague, em 2009, negociadores admitem que as discussões estão em uma fase adiantada, faltando pouco mais que definições de forma no texto.

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No entanto, por fazer parte das complexas negociações por um acordo mais abrangente, o tema pode acabar sendo usado como moeda de troca entre os negociadores.

‘Os países utilizarão a REDD como peça no jogo de xadrez que gire em volta das outras negociações, principalmente o financiamento e as metas de redução de emissões. De fato um acordo sobre REDD não trará benefícios para o planeta sem um compromisso firme para reduzir as emissões globais’, afirmou à BBC Brasil Raja Jarrah, especialista em REDD da organização não-governamental Care International.

‘Podem sim fechar um acordo específico sobre REDD em Cancún, mas seria parcial e deixaria muito a desejar.’

Sem um mecanismo internacional que norteie as iniciativas florestais, tanto o financiamento quanto a própria estrutura dos projetos ficam indefinidas.

Apesar da grande expectativa por um acordo parcial de REDD, há também quem seja contra o mecanismo. Muitos ativistas temem que projetos REDD acabem levando à expulsão de comunidades indígenas ou nativas de florestas.

Riscos – A ONG Friends of the Earth International considera o mecanismo ‘perigoso’ já que poderia incentivar o agronegócio e o setor madeireiro.

‘O estímulo à plantações de árvores é baseado nas falsas promessas de criação de empregos, desenvolvimento sustentável, mitigação de mudanças climáticas e proteção da biodiversidade. Mas testemunhos e estudos de caso (reunidos pela ONG) mostram que plantações têm impactos muito severos sobre a população e a natureza locais’, afirmou um dos coordenadores do grupo, Sebastian Valdomir.

Mesmo a Care, que apoia iniciativas REDD em tese, alerta para o risco de uma versão ‘aguada’ do mecanismo.

Os ativistas dizem que no esforço por acomodar interesses distintos durante o encontro de Cancún, corre-se o risco de ‘nivelar tudo por baixo’.

‘Tecnicamente seria relativamente fácil encontrar uma forma de palavras que agrade a todos’, afirmou Raja Jarrah, acrescentando que elementos importantes poderiam ser deixados de lado, como a obrigação de monitorar salvaguardas sociais e ambientais.

‘Aí teríamos um mecanismo que facilita o fluxo de finanças e o negócio de carbono, mas que deixa as populações que dependem da floresta expostos a exploração.’

A 16ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas começou na segunda-feira, 29 de novembro, e vai até o dia 10 de dezembro.

Poucos esperam que um acordo abrangente saia do encontro no México. A expectativa é de que representantes de mais de 190 países pavimentem um possível acordo para o encontro de 2011, na África do Sul.

(Fonte: G1)


23 de novembro de 2010 | nenhum comentário »

Prefeitos assinam acordo de redução voluntária de emissões

Mais de 135 cidades do mundo, incluindo Paris, Buenos Aires e Los Angeles, assinaram no México um compromisso voluntário de redução de emissões que pretendem que sirva de exemplo para o encontro mundial da ONU sobre o clima, que ocorre em Cancún a partir do próximo dia 29.

Os números precisos da redução serão concretizados nos próximos oito meses, afirma o compromisso assinado em uma cerimônia pública.

Entre as grandes cidades que assinaram o acordo, denominado Pacto da Cidade do México, estão Paris, Buenos Aires, Bogotá, Los Angeles, Johannesburgo e a própria Cidade do México, que tem mais de 20 milhões de habitantes.

Os prefeitos e autoridades locais se comprometeram “a reduzir nossas emissões de gases de efeito estufa voluntariamente”, disse Gabriel Sánchez, presidente da ONG mexicana Fundacion Pensar, ao ler o acordo.

Os compromissos de cada cidade e seus resultados posteriores deverão ser publicados em um registro on-line para que possam ser verificados publicamente.

Os prefeitos enviarão este acordo aos governos que vão participar da cúpula da ONU sobre mudança climática. (Fonte: Folha.com)


8 de maio de 2010 | nenhum comentário »

Cidades cinzentas

Só 2% dos municípios brasileiros têm planos para reduzir emissões de gases-estufa

Enquanto o Brasil mantém no exterior um discurso de prometer controlar a emissão de gases que provocam o efeito estufa, apenas 112 de 5.010 dos municípios brasileiros (são 5.563 ao todo), ou 2% do total pesquisado, têm uma política regulamentada em lei, e pronta para ajudar a frear o aquecimento do planeta. Segundo levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), nos cinco estados da região amazônica, a que mais emite CO2 devido ao desmatamento, só 14 municípios já definiram regras.

 

Quatro cidades paraenses aparecem no levantamento. Enquanto, no Amazonas, no Mato Grosso e em Rondônia, são duas em cada. Em Roraima, apenas a capital Boa Vista afirmou que já criou um regulamento para combater o aquecimento global. Nenhum município do Amapá respondeu ao questionário.

 

Apenas 6 capitais têm leis climáticas

 

Segundo a CNM, 85 cidades de várias regiões afirmaram que já elaboraram projetos de lei para regulamentar estas ações. Tais municípios, no entanto, informaram que ainda não têm estruturas próprias para enfrentar o problema.

 

Segundo a CNM, que fez o levantamento ao longo de 2009 e deve publicá-lo nesta quarta-feira, apenas seis das 27 capitais do país afirmaram que têm projeto de lei, lei ou decreto voltado às mudanças climáticas: São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Boa Vista (RR), Porto Alegre (RS), Fortaleza (CE) e Belém (PA). A CNM afirma que não obteve respostas em outras 553 cidades.

 

Em dezembro de 2009, o Congresso Nacional aprovou a Política Nacional de Mudanças Climáticas, que estabelece a meta de reduzir, entre 36,1% e 39,1%, as emissões de gases projetadas até 2020. A proposta brasileira é baseada na redução do desmatamento da Amazônia em 80% nos próximos dez anos. Também leva em conta ações para conter a emissão de gases em diversos setores da economia, como agropecuária, geração de energia, indústria e transportes.

 

Segundo o presidente da CNM, Paulo Zilkosky, o baixo número de cidades com planos próprios de combate ao aquecimento global deve-se à falta de estrutura e capacidade de planejamento, principalmente nos municípios menores.

 

-Os municípios são os protagonistas lá na ponta de tudo que se demanda. Mas não têm dinheiro pra fazer tudo – disse ele.

movie gantz

 

De acordo com Zilkosky, o tema será discutido na 13amarcha nacional dos prefeitos, que ocorrerá neste mês em Brasília.

 

Outro assunto que será tratado na marcha é a municipalização da gestão ambiental, instrumento previsto em lei para que as cidades concedam licenciamento ambiental aos projetos de pequeno porte, restritos à área municipal. Hoje, segundo a pesquisa, apenas 5,7% de todos 5.563 municípios do Brasil têm gestão ambiental.

 

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que o número de cidades com regulamentação própria para combater o aquecimento global é “surpreendentemente positivo”. Deve, porém, ser analisado com cautela, já que é preciso saber a qualidade dos projetos e se as políticas estão de acordo com a Política Nacional de Mudanças Climáticas.

little fockers video

 

-Eu esperava que o número pudesse ser menor. Mas pode haver distorções. O fato de haver uma lei não significa que o município tem ações para reduzir suas emissões – disse a ministra.

 

Ela adverte que o mais importante é assegurar que todas as políticas locais estejam articuladas com as características de cada Estado.

(Roberto Maltchik)

(O Globo, 5/5)






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18 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Emissões de gás carbônico em São Paulo vão dobrar até 2035

O estado de São Paulo tem, desde 2009, uma das leis mais ambiciosas para o combate ao aquecimento global. A legislação prevê que as emissões de gases causadores de efeito estufa caiam em 20% até 2020 comparados aos níveis de 2005. Cumpri-la, porém, é um desafio. O próprio governo paulista já prevê que a quantidade de dióxido de carbono (CO2) emitida no estado vá crescer pelo menos 55% de 2005 a 2020. Até 2035, as emissões devem mais que dobrar.

Essas estimativas constam do estudo Matriz Energética do Estado de São Paulo – 2035, da Secretaria de Energia estadual. Nele, as contas mais otimistas indicam que 85 milhões de toneladas de CO2 serão jogadas na atmosfera por atividades desenvolvidas no estado em 2020. Em 2005, eram cerca de 55 milhões de toneladas – 30 milhões de toneladas a menos. Já em 2035, serão mais de 120 milhões de toneladas de CO2 emitidas no estado. Isso representa um incremento de cerca de 120% na comparação com as emissões de 2005.

Esses números foram apresentados na primeira reunião do Conselho Estadual de Política Energética do Estado de São Paulo, ocorrida no final do mês passado. Os dados já levam em consideração todas as políticas públicas estaduais anunciadas para redução das emissões de CO2.

O Plano Integrado de Transportes Urbanos 2005 a 2025 (Pitu), que prevê a maior utilização do transporte coletivo, por exemplo, já foi considerado na estimativa. Também foram levados em conta os ganhos de produtividade da indústria e da agricultura, assim como a redução do uso de combustíveis fósseis como a gasolina e o diesel.

Para o pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Sérgio Valdir Balay, os resultados do estudo mostram a urgência de novas políticas para redução das emissões. Segundo ele, caso o estado queira mesmo cumprir a lei, terá de tomar medidas “ousadas” e “mexer com o hábito das pessoas”.

“Precisaríamos reduzir o uso dos automóveis, já que o transporte é o maior responsável pelas emissões. As grandes empresas e o próprio Poder Público também teriam que reduzir suas emissões”, disse Balay, em entrevista à Agência Brasil.

O pesquisador afirmou que a meta de 20% de queda das emissões ainda é factível, mas parece ter sido estipulada sem os critérios necessários. “Os políticos adoram tomar decisões sem fazer um planejamento técnico”, criticou. “O que aconteceu [com as metas] foi isso.”

A Agência Brasil entrou em contato com a Secretaria de Energia, responsável pelo estudo sobre as emissões de CO2. O órgão, porém, não se pronunciou sobre o assunto.

Já a Secretaria do Meio Ambiente informou, em nota, que a meta de 20% de redução será “seguida”. De acordo com o órgão, o estudo da Secretaria de Energia “é baseado em modelo matemático” e “está sujeito a deixar de fora variáveis”.

A pasta informou também que o Conselho Estadual de Política Energética já estabeleceu um plano de trabalho para estruturar medidas adicionais de redução de emissões dos gases de efeito estufa. “O processo da construção de como o governo cumprirá a meta será feito em discussão com a sociedade civil, órgãos de governo e setor privado”, complementou.

Fonte: Vinicius Konchinski/ Agência Brasil


2 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Mata Atlântica registra menor taxa de desmatamento entre os biomas brasileiros

02/12/2010

Entre 2002 e 2008, o índice de desmate na Mata Atlântica foi de 0,25 %, o equivalente a 2.742 km2. A taxa anual média chega a 457 km2 (0,04%). Os dados foram anunciados nesta quarta-feira (1º), pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, em cerimônia realizada no Palácio do Planalto com o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

“Hoje entregamos informações importantes para o planejamento de ações estratégicas de fiscalização e combate ao desmatamento, e com isso teremos condição de mudar o patamar de políticas públicas no Brasil, por meio de dados sólidos informados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Queremos compatibilizar os usos e recursos naturais com o desenvolvimento sustentável do País”, afirmou a ministra Izabella.

Ela explica que com os dados deste projeto de monitoramento será possível, por exemplo, identificar áreas degradadas que podem ser reaproveitadas e avançar na busca de uma economia de baixo carbono e na implementação de infraestrutura sem provocar a perda da biodiversidade.

scott pilgrim vs. the world hd download

O crescimento de áreas desmatadas, de 2002 a 2008, na região não foi muito significativo, oscilando de 75,62% para 75,88%, respectivamente, mas a Mata Atlântica é o bioma mais ameaçado do País, e conta apenas com 27% de sua cobertura vegetal original. Segundo dados da SOS Mata Atlântica, somente cerca de 8% de seus remanescentes permanecem bem preservados. O fato é preocupante porque o abastecimento de água para 123 milhões de brasileiros – além de outros serviços ambientais como regulação do clima, temperatura do solo e proteção de encostas- depende da manutenção e preservação deste bioma.

O estado brasileiro onde houve a maior área devastada – 909 km2- foi Minas Gerais, seguido do Paraná (545 km2), Bahia (462 km2) e Santa Catarina (329 km2). Proporcionalmente, a maior taxa de perda foi em Sergipe, que desmatou 50% dos 10.531 km2 de sua área de Mata Atlântica remanescente, contra os 241.713 km2 presentes em Minas Gerais.

Os municípios que mais desmataram foram Encruzilhada (BA), Jequitinhonha (MG), Rio Vermelho (MG), São Francisco de Paula (RS) e Mafra (SC). Os dados do Inpe revelam também que, no mesmo período, o desmatamento foi maior nos biomas Cerrado(0,69%) e Pantanal(0,47%).

Segundo a ministra, as informações sobre o desmatamento nos biomas referentes ao período 2008 a 2009 devem ser lançadas no primeiro semestre de 2011.

Monitoramento – Para controlar o desmatamento e a perda da biodiversidade em todo o País, está sendo executado o Projeto de Monitoramento dos Desmatamentos dos Biomas Brasileiros por Satélite, que tem o objetivo de quantificar os desmates de áreas com vegetação nativa e embasar ações de fiscalização, controle e combate a desmatamentos ilegais nos biomas extra-amazônicos (Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal).

A iniciativa está sendo executada desde 2008 pelo Centro de Sensoriamento Remoto do Ibama, e funciona de forma semelhante ao Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes).

O projeto de monitoramento utiliza como referência os Mapas de Cobertura Vegetal dos Biomas Brasileiros, em escala (1:250.000), produzidos pelo Probio/MMA em 2007. As áreas com vegetação nativas estão sendo atualizadas por meio da interpretação de imagens dos satélites CBERS e Landsat, obtidas em 2008, que apresentam elevada resolução espacial, porém baixa resolução temporal.

Os primeiros dados divulgados foram do bioma Cerrado, em setembro de 2009, referentes aos desmatamentos do período 2002-2008. Neste ano, foram lançados os dados da Caatinga, Pantanal e Pampa. As informações sobre o total de área desmatada, monitorada em cada bioma brasileiro, permitem ainda fornecer dados relacionados às emissões de gases de efeito estufa.

(Fonte: Carine Corrêa/ MMA)


1 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Acordo sobre florestas em conferência de Cancún beneficiaria Brasil

A criação de instrumentos para promover a redução de emissões por desmatamento e degradação (conhecidos pela sigla REDD) em países em desenvolvimento tem boas chances de ser um dos resultados práticos da conferência das Nações Unidas sobre mudança climática em Cancún, no México. Um acordo na área pode significar o aporte de bilhões dólares ao Brasil, com suas vastas reservas florestais.

Se aprovados, instrumentos de REDD+ (o sinal acrescenta a remuneração de atividades que levem a conservação de florestas, manejo sustentável e reforço de estoques de carbono de florestas em países em desenvolvimento) poderiam canalizar este dinheiro de um fundo específico financiado por governos, bem como da iniciativa privada ou mercados de carbono e verbas para mitigação (redução de emissões).

O Brasil tem grande interesse em uma implementação relativamente rápida de REDD, tanto que deve assumir a liderança, ao lado da França, do grupo internacional Parceria REDD – criado neste ano com quase 70 países para viabilizar mecanismos REDD no mundo.

Uma vez aprovada uma estrutura internacional de REDD, o país pode sair na frente por ter mais de 20 projetos pioneiros já em prática.

Talvez o mais conhecido e bem-sucedido seja o projeto Juma, da Fundação Amazonas Sustentável, que já possibilita o sustento de 338 famílias na Reserva de Juma, no Amazonas.

Moeda de troca – Desde a conferência de Copenhague, em 2009, negociadores admitem que as discussões estão em uma fase adiantada, faltando pouco mais que definições de forma no texto.

the green hornet divx online

No entanto, por fazer parte das complexas negociações por um acordo mais abrangente, o tema pode acabar sendo usado como moeda de troca entre os negociadores.

‘Os países utilizarão a REDD como peça no jogo de xadrez que gire em volta das outras negociações, principalmente o financiamento e as metas de redução de emissões. De fato um acordo sobre REDD não trará benefícios para o planeta sem um compromisso firme para reduzir as emissões globais’, afirmou à BBC Brasil Raja Jarrah, especialista em REDD da organização não-governamental Care International.

‘Podem sim fechar um acordo específico sobre REDD em Cancún, mas seria parcial e deixaria muito a desejar.’

Sem um mecanismo internacional que norteie as iniciativas florestais, tanto o financiamento quanto a própria estrutura dos projetos ficam indefinidas.

Apesar da grande expectativa por um acordo parcial de REDD, há também quem seja contra o mecanismo. Muitos ativistas temem que projetos REDD acabem levando à expulsão de comunidades indígenas ou nativas de florestas.

Riscos – A ONG Friends of the Earth International considera o mecanismo ‘perigoso’ já que poderia incentivar o agronegócio e o setor madeireiro.

‘O estímulo à plantações de árvores é baseado nas falsas promessas de criação de empregos, desenvolvimento sustentável, mitigação de mudanças climáticas e proteção da biodiversidade. Mas testemunhos e estudos de caso (reunidos pela ONG) mostram que plantações têm impactos muito severos sobre a população e a natureza locais’, afirmou um dos coordenadores do grupo, Sebastian Valdomir.

Mesmo a Care, que apoia iniciativas REDD em tese, alerta para o risco de uma versão ‘aguada’ do mecanismo.

Os ativistas dizem que no esforço por acomodar interesses distintos durante o encontro de Cancún, corre-se o risco de ‘nivelar tudo por baixo’.

‘Tecnicamente seria relativamente fácil encontrar uma forma de palavras que agrade a todos’, afirmou Raja Jarrah, acrescentando que elementos importantes poderiam ser deixados de lado, como a obrigação de monitorar salvaguardas sociais e ambientais.

‘Aí teríamos um mecanismo que facilita o fluxo de finanças e o negócio de carbono, mas que deixa as populações que dependem da floresta expostos a exploração.’

A 16ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas começou na segunda-feira, 29 de novembro, e vai até o dia 10 de dezembro.

Poucos esperam que um acordo abrangente saia do encontro no México. A expectativa é de que representantes de mais de 190 países pavimentem um possível acordo para o encontro de 2011, na África do Sul.

(Fonte: G1)


23 de novembro de 2010 | nenhum comentário »

Prefeitos assinam acordo de redução voluntária de emissões

Mais de 135 cidades do mundo, incluindo Paris, Buenos Aires e Los Angeles, assinaram no México um compromisso voluntário de redução de emissões que pretendem que sirva de exemplo para o encontro mundial da ONU sobre o clima, que ocorre em Cancún a partir do próximo dia 29.

Os números precisos da redução serão concretizados nos próximos oito meses, afirma o compromisso assinado em uma cerimônia pública.

Entre as grandes cidades que assinaram o acordo, denominado Pacto da Cidade do México, estão Paris, Buenos Aires, Bogotá, Los Angeles, Johannesburgo e a própria Cidade do México, que tem mais de 20 milhões de habitantes.

Os prefeitos e autoridades locais se comprometeram “a reduzir nossas emissões de gases de efeito estufa voluntariamente”, disse Gabriel Sánchez, presidente da ONG mexicana Fundacion Pensar, ao ler o acordo.

Os compromissos de cada cidade e seus resultados posteriores deverão ser publicados em um registro on-line para que possam ser verificados publicamente.

Os prefeitos enviarão este acordo aos governos que vão participar da cúpula da ONU sobre mudança climática. (Fonte: Folha.com)


8 de maio de 2010 | nenhum comentário »

Cidades cinzentas

Só 2% dos municípios brasileiros têm planos para reduzir emissões de gases-estufa

Enquanto o Brasil mantém no exterior um discurso de prometer controlar a emissão de gases que provocam o efeito estufa, apenas 112 de 5.010 dos municípios brasileiros (são 5.563 ao todo), ou 2% do total pesquisado, têm uma política regulamentada em lei, e pronta para ajudar a frear o aquecimento do planeta. Segundo levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), nos cinco estados da região amazônica, a que mais emite CO2 devido ao desmatamento, só 14 municípios já definiram regras.

 

Quatro cidades paraenses aparecem no levantamento. Enquanto, no Amazonas, no Mato Grosso e em Rondônia, são duas em cada. Em Roraima, apenas a capital Boa Vista afirmou que já criou um regulamento para combater o aquecimento global. Nenhum município do Amapá respondeu ao questionário.

 

Apenas 6 capitais têm leis climáticas

 

Segundo a CNM, 85 cidades de várias regiões afirmaram que já elaboraram projetos de lei para regulamentar estas ações. Tais municípios, no entanto, informaram que ainda não têm estruturas próprias para enfrentar o problema.

 

Segundo a CNM, que fez o levantamento ao longo de 2009 e deve publicá-lo nesta quarta-feira, apenas seis das 27 capitais do país afirmaram que têm projeto de lei, lei ou decreto voltado às mudanças climáticas: São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Boa Vista (RR), Porto Alegre (RS), Fortaleza (CE) e Belém (PA). A CNM afirma que não obteve respostas em outras 553 cidades.

 

Em dezembro de 2009, o Congresso Nacional aprovou a Política Nacional de Mudanças Climáticas, que estabelece a meta de reduzir, entre 36,1% e 39,1%, as emissões de gases projetadas até 2020. A proposta brasileira é baseada na redução do desmatamento da Amazônia em 80% nos próximos dez anos. Também leva em conta ações para conter a emissão de gases em diversos setores da economia, como agropecuária, geração de energia, indústria e transportes.

 

Segundo o presidente da CNM, Paulo Zilkosky, o baixo número de cidades com planos próprios de combate ao aquecimento global deve-se à falta de estrutura e capacidade de planejamento, principalmente nos municípios menores.

 

-Os municípios são os protagonistas lá na ponta de tudo que se demanda. Mas não têm dinheiro pra fazer tudo – disse ele.

movie gantz

 

De acordo com Zilkosky, o tema será discutido na 13amarcha nacional dos prefeitos, que ocorrerá neste mês em Brasília.

 

Outro assunto que será tratado na marcha é a municipalização da gestão ambiental, instrumento previsto em lei para que as cidades concedam licenciamento ambiental aos projetos de pequeno porte, restritos à área municipal. Hoje, segundo a pesquisa, apenas 5,7% de todos 5.563 municípios do Brasil têm gestão ambiental.

 

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que o número de cidades com regulamentação própria para combater o aquecimento global é “surpreendentemente positivo”. Deve, porém, ser analisado com cautela, já que é preciso saber a qualidade dos projetos e se as políticas estão de acordo com a Política Nacional de Mudanças Climáticas.

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-Eu esperava que o número pudesse ser menor. Mas pode haver distorções. O fato de haver uma lei não significa que o município tem ações para reduzir suas emissões – disse a ministra.

 

Ela adverte que o mais importante é assegurar que todas as políticas locais estejam articuladas com as características de cada Estado.

(Roberto Maltchik)

(O Globo, 5/5)