27 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Brasileiro desenvolve método rápido para prever enchentes

Um novo método criado por um cientista brasileiro torna mais rápido, simples e barato identificar áreas com risco de enchentes, deslizamentos e outros desastres naturais. O sistema pode ser usado para prevenir as tragédias que se acumulam no período de chuva no País.

Enquanto as metodologias consagradas hoje em dia precisam que os pesquisadores visitem os locais e tenham um mapeamento detalhado das topografias, o que em geral custa muito caro, o novo projeto pode ser feito à distância e com bem menos requisitos.

 

Batizado de Hand (sigla em inglês para altura acima da drenagem mais próxima), ele é um modelo digital de terreno que, para identificar as áreas de risco, precisa apenas de uma imagem da topografia da região – capturada por radar ou laser – e de informações sobre os rios do entorno.

 

É gerada então uma espécie de maquete virtual. A partir daí, o computador, usando cálculos especialmente desenvolvidos para isso, encarrega-se de identificar as características do terreno, incluindo declividades e distâncias de encostas, entre outras informações.

 

Matemático - O modelo parte do princípio de Arquimedes, de que a água escolhe a trajetória mais curta para os terrenos mais baixos. O sistema então traça a trajetória da água e identifica as áreas de risco. O modelo foi integrado ao Google Earth, permitindo que a Defesa Civil de qualquer parte do país possa ter acesso rápido às informações e consiga planejar a retirada ou o resgate de moradores.

 

“É um arquivo pequeno, pode ser baixado facilmente. O objetivo é simplificar o uso”, explica Antonio Donato Nobre, cientista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ele liderou o trabalho, que levou dez anos para ser desenvolvido.

 

Apesar de inédito, o cientista diz que a ideia é simples. “A inspiração surgiu por acaso. Eu tive uma intuição, decidi aplicar e deu certo. Quando eu apresento nos congressos, alguns cientistas no início duvidam, acham que é fácil demais”, diz ele.

 

A simplicidade, pelo visto, atraiu os pesquisadores. Publicado no “Journal of Hydrology”, uma das publicações mais importantes da área, o artigo sobre o Hand ficou vários meses na lista dos mais acessados, à frente até de publicações de referência. O modelo Hand foi aplicado com sucesso em áreas com históricos de inundação, inclusive na Grande São Paulo, e em outras onde houve grandes tragédias recentemente, como a região Serrana do Rio.

 

Adoção - Embora já tenha sido apresentado no Senado e na Câmara, não há previsão de quando (ou se) ele será adotado pelo poder público. “A recepção foi muito boa, os políticos elogiaram muito. Mas não sei o que vai acontecer agora”, diz Nobre.

 

Ele já distribui informalmente o sistema para prefeituras e outros interessados. “Mas isso não é certo, tem de haver planejamento. Sou pesquisador, é necessária uma estrutura operacional.” “Ao mesmo tempo, eu não consigo ficar parado assistindo à tevê enquanto está acontecendo um temporal e eu tenho condições de ajudar.”

Folha de São Paulo


3 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Enchente na Tailândia deixa filhotes de elefante ilhados

Grupo de 17 animais está sobre ilha de concreto de 5 metros de largura.
Inundações têm devastado o país do Sudeste Asiático.

Enchentes na Tailândia fizeram com que 17 elefantes domesticados, sete dos quais com menos de 4 anos de idade, ficassem presos por vários dias numa ilha de concreto em Ayutthaya, na Tailândia. Os filhotes eram pequenos demais para nadar e fugir das águas. Os outros animais, maiores, saíram do local. Orginalmente, o grupo tinha 90 animais.

O bloco de concreto tem apenas 5 metros de largura e, como informa a britânica BBC, fica no local que abrigava um antigo santuário. Os alimentos para os jovens elefantes são levados de barco. Os vigias que cuidam dos animais preferiram deixá-los na ilha de concreto ao lado de suas mães.

As inundações que atingem grandes áreas da Tailândia há meses fizeram naufragar a economia do país, ao paralisar a produção das multinacionais, destruir colheitas e afastar turistas. Enquanto o governo ainda faz seus cálculos, alguns analistas acreditam que para a reabilitação da economia do país serão necessários 900 bilhões de baht (US$ 30 bilhões).

Os economistas advertem que a prioridade deve ser as represas e a rede de canais e estradas para evitar a repetição de um desastre semelhante. O número de mortos pelas inundações que afetam 26 províncias e subúrbios de Bangcoc já passa de 400. A capital tailandesa, com cerca de 12 milhões de habitantes, representa 41% do produto interno Bruto do país.

A primeira-ministra tailandesa, Yingluck Shinawatra, anunciou a preparação de um fundo de 800 bilhões de bath (US$ 25,99 bilhões) para ajudar agricultores, empresários e outras pessoas afetadas.

O turismo teve perdas estimadas em 3,71 bilhões de bath (US$ 120 milhões de dólares). A indústria e a agricultora, outros pilares da economia tailandesa, também necessitarão de crédito oficial.

Elefante brinca em água de enchente na província de XXX (Foto: AP)

Elefante brinca em água de enchente na província de Ayutthaya, no centro da Tailândia, onde o grupo de 17 animais da mesma espécie está ilhado. (Foto: AP)

 

Animais em parque parcialmente alagado nas imediações de Bancoc. Os bichos do local foram levados a áreas mais elevadas para escapar da inundação. (Foto: Reuters)

Animais em parque parcialmente alagado nas imediações de Bancoc. Os bichos do local foram levados a áreas mais elevadas para escapar da inundação. (Foto: Reuters)

 

Fonte: Globo Natureza, com agências internacionais


18 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Fator humano em enchentes

O excesso de chuva em áreas urbanizadas pode ter efeitos dramáticos para as populações locais, como se vê todo verão em alguma região do Brasil. Dois novos estudos destacam que gases estufa produzidos pela industrialização têm aumentado significativamente a probabilidade de precipitação pesada e o risco de enchentes.

As pesquisas, que reforçam a importância da contribuição humana em eventos hidrológicos extremos, tiveram seus resultados publicados na edição desta quinta-feira (17) da revista Nature.

Trabalhos anteriores haviam apontado que a influência antropogênica no aquecimento global podia ser responsável em parte pelo aumento nas chuvas. Entretanto, por causa da disponibilidade limitada de observações diárias, a maior parte dos estudos até hoje examinou apenas o potencial de mudanças na precipitação em comparações entre modelos climáticos.

Em um dos artigos agora publicados, Francis Zwiers, da Environment Canada, e colegas analisaram os índices de precipitação em áreas continentais no hemisfério Norte de 1951 a 1999.

“justin bieber: never say never”

De acordo com os pesquisadores, os aumentos induzidos pelo homem na emissão de gases que causam o efeito estufa contribuíram para o aumento nos eventos de precipitação pesada observados em cerca de dois terços das áreas analisadas.

Os resultados foram baseados na comparação de mudanças observadas e simuladas em modelos da precipitação extrema na última metade do século 20. Mudanças na precipitação projetadas pelos modelos – e, consequentemente, os impactos de mudanças futuras na precipitação extrema – podem ter sido subestimadas porque os modelos aparentemente subestimam o aumento observado na precipitação por causa do aquecimento”, destacaram os autores.

No outro estudo, Pardeep Pall, da Universidade Oxford, e colegas centraram nas enchentes ocorridas no Reino Unido em outubro e novembro de 2000, o outono mais úmido na Inglaterra e no País de Gales desde 1766, quando os registros começaram a ser feitos.

Os cientistas produziram milhares de simulações em computador para como deveria ter sido o tempo no período em questão, tanto em condições realísticas como caso não tivesse ocorrido qualquer emissão de gás estufa.

O resultado é que, de cada três casos, em dois as simulações indicaram que as emissões antropogênicas no século 20 aumentaram o risco de enchentes nos dois países em mais de 90%.

Entretanto, os pesquisadores ressaltam que ainda não se conhece com exatidão a magnitude da contribuição humana aos eventos extremos e que mais estudos são necessários para aumentar o conhecimento no tema.

Os artigos Human contribution to more-intense precipitation extremes (doi:10.1038/nature09763), de Seung-Ki Min e outros, e Anthropogenic greenhouse gas contribution to flood risk in England and Wales in autumn 2000 (doi:10.1038/nature09762), de Pardeep Pall e outros, podem ser lidos por assinantes da Nature em www.nature.com.

Fonte: Agência Fapesp






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27 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Brasileiro desenvolve método rápido para prever enchentes

Um novo método criado por um cientista brasileiro torna mais rápido, simples e barato identificar áreas com risco de enchentes, deslizamentos e outros desastres naturais. O sistema pode ser usado para prevenir as tragédias que se acumulam no período de chuva no País.

Enquanto as metodologias consagradas hoje em dia precisam que os pesquisadores visitem os locais e tenham um mapeamento detalhado das topografias, o que em geral custa muito caro, o novo projeto pode ser feito à distância e com bem menos requisitos.

 

Batizado de Hand (sigla em inglês para altura acima da drenagem mais próxima), ele é um modelo digital de terreno que, para identificar as áreas de risco, precisa apenas de uma imagem da topografia da região – capturada por radar ou laser – e de informações sobre os rios do entorno.

 

É gerada então uma espécie de maquete virtual. A partir daí, o computador, usando cálculos especialmente desenvolvidos para isso, encarrega-se de identificar as características do terreno, incluindo declividades e distâncias de encostas, entre outras informações.

 

Matemático - O modelo parte do princípio de Arquimedes, de que a água escolhe a trajetória mais curta para os terrenos mais baixos. O sistema então traça a trajetória da água e identifica as áreas de risco. O modelo foi integrado ao Google Earth, permitindo que a Defesa Civil de qualquer parte do país possa ter acesso rápido às informações e consiga planejar a retirada ou o resgate de moradores.

 

“É um arquivo pequeno, pode ser baixado facilmente. O objetivo é simplificar o uso”, explica Antonio Donato Nobre, cientista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ele liderou o trabalho, que levou dez anos para ser desenvolvido.

 

Apesar de inédito, o cientista diz que a ideia é simples. “A inspiração surgiu por acaso. Eu tive uma intuição, decidi aplicar e deu certo. Quando eu apresento nos congressos, alguns cientistas no início duvidam, acham que é fácil demais”, diz ele.

 

A simplicidade, pelo visto, atraiu os pesquisadores. Publicado no “Journal of Hydrology”, uma das publicações mais importantes da área, o artigo sobre o Hand ficou vários meses na lista dos mais acessados, à frente até de publicações de referência. O modelo Hand foi aplicado com sucesso em áreas com históricos de inundação, inclusive na Grande São Paulo, e em outras onde houve grandes tragédias recentemente, como a região Serrana do Rio.

 

Adoção - Embora já tenha sido apresentado no Senado e na Câmara, não há previsão de quando (ou se) ele será adotado pelo poder público. “A recepção foi muito boa, os políticos elogiaram muito. Mas não sei o que vai acontecer agora”, diz Nobre.

 

Ele já distribui informalmente o sistema para prefeituras e outros interessados. “Mas isso não é certo, tem de haver planejamento. Sou pesquisador, é necessária uma estrutura operacional.” “Ao mesmo tempo, eu não consigo ficar parado assistindo à tevê enquanto está acontecendo um temporal e eu tenho condições de ajudar.”

Folha de São Paulo


3 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Enchente na Tailândia deixa filhotes de elefante ilhados

Grupo de 17 animais está sobre ilha de concreto de 5 metros de largura.
Inundações têm devastado o país do Sudeste Asiático.

Enchentes na Tailândia fizeram com que 17 elefantes domesticados, sete dos quais com menos de 4 anos de idade, ficassem presos por vários dias numa ilha de concreto em Ayutthaya, na Tailândia. Os filhotes eram pequenos demais para nadar e fugir das águas. Os outros animais, maiores, saíram do local. Orginalmente, o grupo tinha 90 animais.

O bloco de concreto tem apenas 5 metros de largura e, como informa a britânica BBC, fica no local que abrigava um antigo santuário. Os alimentos para os jovens elefantes são levados de barco. Os vigias que cuidam dos animais preferiram deixá-los na ilha de concreto ao lado de suas mães.

As inundações que atingem grandes áreas da Tailândia há meses fizeram naufragar a economia do país, ao paralisar a produção das multinacionais, destruir colheitas e afastar turistas. Enquanto o governo ainda faz seus cálculos, alguns analistas acreditam que para a reabilitação da economia do país serão necessários 900 bilhões de baht (US$ 30 bilhões).

Os economistas advertem que a prioridade deve ser as represas e a rede de canais e estradas para evitar a repetição de um desastre semelhante. O número de mortos pelas inundações que afetam 26 províncias e subúrbios de Bangcoc já passa de 400. A capital tailandesa, com cerca de 12 milhões de habitantes, representa 41% do produto interno Bruto do país.

A primeira-ministra tailandesa, Yingluck Shinawatra, anunciou a preparação de um fundo de 800 bilhões de bath (US$ 25,99 bilhões) para ajudar agricultores, empresários e outras pessoas afetadas.

O turismo teve perdas estimadas em 3,71 bilhões de bath (US$ 120 milhões de dólares). A indústria e a agricultora, outros pilares da economia tailandesa, também necessitarão de crédito oficial.

Elefante brinca em água de enchente na província de XXX (Foto: AP)

Elefante brinca em água de enchente na província de Ayutthaya, no centro da Tailândia, onde o grupo de 17 animais da mesma espécie está ilhado. (Foto: AP)

 

Animais em parque parcialmente alagado nas imediações de Bancoc. Os bichos do local foram levados a áreas mais elevadas para escapar da inundação. (Foto: Reuters)

Animais em parque parcialmente alagado nas imediações de Bancoc. Os bichos do local foram levados a áreas mais elevadas para escapar da inundação. (Foto: Reuters)

 

Fonte: Globo Natureza, com agências internacionais


18 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Fator humano em enchentes

O excesso de chuva em áreas urbanizadas pode ter efeitos dramáticos para as populações locais, como se vê todo verão em alguma região do Brasil. Dois novos estudos destacam que gases estufa produzidos pela industrialização têm aumentado significativamente a probabilidade de precipitação pesada e o risco de enchentes.

As pesquisas, que reforçam a importância da contribuição humana em eventos hidrológicos extremos, tiveram seus resultados publicados na edição desta quinta-feira (17) da revista Nature.

Trabalhos anteriores haviam apontado que a influência antropogênica no aquecimento global podia ser responsável em parte pelo aumento nas chuvas. Entretanto, por causa da disponibilidade limitada de observações diárias, a maior parte dos estudos até hoje examinou apenas o potencial de mudanças na precipitação em comparações entre modelos climáticos.

Em um dos artigos agora publicados, Francis Zwiers, da Environment Canada, e colegas analisaram os índices de precipitação em áreas continentais no hemisfério Norte de 1951 a 1999.

“justin bieber: never say never”

De acordo com os pesquisadores, os aumentos induzidos pelo homem na emissão de gases que causam o efeito estufa contribuíram para o aumento nos eventos de precipitação pesada observados em cerca de dois terços das áreas analisadas.

Os resultados foram baseados na comparação de mudanças observadas e simuladas em modelos da precipitação extrema na última metade do século 20. Mudanças na precipitação projetadas pelos modelos – e, consequentemente, os impactos de mudanças futuras na precipitação extrema – podem ter sido subestimadas porque os modelos aparentemente subestimam o aumento observado na precipitação por causa do aquecimento”, destacaram os autores.

No outro estudo, Pardeep Pall, da Universidade Oxford, e colegas centraram nas enchentes ocorridas no Reino Unido em outubro e novembro de 2000, o outono mais úmido na Inglaterra e no País de Gales desde 1766, quando os registros começaram a ser feitos.

Os cientistas produziram milhares de simulações em computador para como deveria ter sido o tempo no período em questão, tanto em condições realísticas como caso não tivesse ocorrido qualquer emissão de gás estufa.

O resultado é que, de cada três casos, em dois as simulações indicaram que as emissões antropogênicas no século 20 aumentaram o risco de enchentes nos dois países em mais de 90%.

Entretanto, os pesquisadores ressaltam que ainda não se conhece com exatidão a magnitude da contribuição humana aos eventos extremos e que mais estudos são necessários para aumentar o conhecimento no tema.

Os artigos Human contribution to more-intense precipitation extremes (doi:10.1038/nature09763), de Seung-Ki Min e outros, e Anthropogenic greenhouse gas contribution to flood risk in England and Wales in autumn 2000 (doi:10.1038/nature09762), de Pardeep Pall e outros, podem ser lidos por assinantes da Nature em www.nature.com.

Fonte: Agência Fapesp