14 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Organizações dizem que Brasil desperdiça potencial de energia limpa

Relatório de ONGs afirma que energias solar e eólica são subaproveitadas.
Texto aponta que sistema atual de geração de energia tem grandes perdas.

Relatório elaborado por organizações não governamentais, divulgado nesta segunda-feira (12), aponta que o Brasil não aproveita seu potencial de geração de energia solar e eólica devido à falta de infraestrutura.

De acordo com o documento “O setor elétrico brasileiro e a sustentabilidade no século 21: oportunidades e desafios”, produzido por especialistas da área ambiental e técnicos de ONGs como WWF, Greenpeace e Instituto Socioambiental (ISA), gargalos técnicos impedem o crescimento dessas modalidades consideradas limpas.

O texto diz que a falta de estrutura para transmissão e distribuição de energia eólica inviabiliza a instalação de mais torres pelo país. Segundo dados do Atlas Eólico Brasileiro, o país tem potencial para gerar 143 GW apenas com a força dos ventos, número que é 12 vezes maior que a capacidade instalada da futura usina hidrelétrica de Belo Monte, em construção no Rio Xingu, no Pará.

Outro entrave citado no documento está ligado à falta de mão-de-obra e de tecnologias para suprir o setor, o que inviabilizaria uma “arrancada” na expansão desta forma de geração de eletricidade. Sobre a energia solar, o relatório aponta que se fosse aproveitada a luz solar para consumo elétrico em menos de 3% da área urbanizada do Brasil, seria possível atender a 10% de toda a demanda atual de energia elétrica do país.

No entanto, projetos do governo que implantam placas solares em regiões distantes dos grandes centros consumidores torna inviável economicamente a construção de redes de transmissão. “Os maiores entraves ao aproveitamento e à expansão da energia solar no Brasil seguem sendo a falta de incentivos e políticas públicas que consolidem a indústria e o mercado”, informa o documento.

Desperdício e custo maior ao consumidor
O texto faz críticas à política brasileira de geração de energia por hidrelétricas e aponta possíveis prejuízos ao meio ambiente e a culturas indígenas devido a implantação de empreendimentos na Amazônia.

O relatório afirma também que o país tem registrado grandes perdas de quantidades de energia elétrica devido a problemas no sistema de transmissão elétrico. Baseado em dados Tribunal de Contas da União (TCU), o documento diz que em 2004 as perdas técnicas (causadas pelas peculiaridades do sistema) e comerciais (por exemplo, instalação de “gatos”) de energia no país foram de 20,28% do total gerado.

O índice supera em muito os registrados em países vizinhos como Chile (5,6%) e Colômbia somadas (11,5%%) no mesmo período. Ainda segundo o relatório, tais perdas teriam causado um reajuste de ao menos 5% na tarifa ao consumidor.

Perda é inevitável, diz operador nacional
De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a perda técnica é inevitável e está associada ao processo de transmissão. Segundo o órgão, o aquecimento dos cabos durante as transmissões provoca tais extravios, considerados naturais e com índices que se igualam a padrões mundiais.

Sobre as perdas comerciais, o ONS afirma que é um problema que deve ser resolvido pelas distribuidoras, já que seriam provocadas por vários fatores, entre eles, ligações clandestinas (conhecidas como gatos) em diversas cidades.

De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), entre 2007 e 2010 as perdas técnicas de energia no país atingiram índice de 7%. A Aneel não divulgou o percentual de perdas comerciais para o mesmo período.

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Energia solar é alternativa para obter eletricidade em meio à reserva ambiental (Foto: Mariane Rossi/G1)

Energia solar é alternativa para obter eletricidade em meio a reserva ambiental. Distância de grandes centros consumidores inviabiliza instalação de redes transmissoras (Foto: Mariane Rossi/G1)

Fonte: Globo Natureza


16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

País deve definir metas e cotas para fontes renováveis alternativas, propõe estudo

A definição de metas, pelo governo federal, para ampliar a participação das fontes renováveis alternativas em seus próximos leilões de energia, a adoção de cotas para cada uma dessas fontes e a revisão de sua política de subsídios para o setor energético são algumas das recomendações do estudo Além de Grandes Hidrelétricas, apresentado na quarta-feira (15) durante o 8º Congresso Brasileiro de Planejamento Energético, em Curitiba.

Encomendado pela organização não governamental (ONG) WWF Brasil, o trabalho envolve pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp), da Universidade Federal do ABC (UFABC) e da ONG International Energy Initiative para a América Latina, entre outras instituições. O trabalho propõe ainda um aumento de 40% da participação das fontes eólica, de biomassa e das pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) nos próximos leilões de energia nova, com um crescimento mínimo de 10% para cada tipo de fonte.

O documento também defende que a política de crédito e incentivos fiscais seja revista, de forma que os subsídios dados hoje às termelétricas sejam gradualmente transferidos para fontes renováveis. “A geração de energia por termelétricas é cara, poluidora e depende de contratos take-or-pay [preço fixo para a energia, pago mesmo que ela não seja usada] para sobreviver”, diz.

A realização de leilões regionalizados e o incentivo à pesquisa e à inovação em áreas como a de energia solar, o que tende a diminuir o custo dessas novas tecnologias, também são sugeridas pelo estudo.

“Sem metas de inserção na matriz energética, o investidor interessado em fontes renováveis alternativas não tem segurança”, disse o pesquisador Paulo Henrique de Mello Sant’Ana, da UFABC, coordenador do trabalho. De acordo com Sant’Ana, o subsídio concedido às termelétricas movidas a carvão chegou a R$ 127,54 por megawatt-hora (MWh) em 2009. “Com um subsídios desses, poderíamos construir aerogeradores.”

Dos 2,4 mil empreendimentos de geração de energia elétrica em operação no país, 777 (32,4%) usam fontes renováveis alternativas. São 398 pequenas centrais hidrelétricas, 51 centrais eólicas e 328 centrais de biomassa que utilizam bagaço de cana-de-açúcar, conforme dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Juntas, essas unidades seriam capazes de produzir cerca de 12,3 milhões de quilowatts de potência, o equivalente a 9% da produção nacional.

O estudo encomendado pelo WWF Brasil aponta que as fontes renováveis poderiam substituir as termelétricas na função complementar às usinas hidrelétricas, responsáveis por mais de três quartos da eletricidade gerada no país. “Fontes renováveis alternativas podem exercer o mesmo papel [das termelétricas], com custos mais baixos e com menores impactos sobre o meio ambiente”, diz o documento. “O período da seca, quando as hidrelétricas produzem menos, coincide justamente com a safra de cana-de-açúcar e com o período de maior incidência de ventos.”

O trabalho ressalta ainda que o Brasil assumiu em 2009 o compromisso voluntário de diminuir suas emissões de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9%, até 2020. E cobra do setor elétrico, que contribui com 9,2% das emissões brasileiras, o incentivo a tecnologias de baixa emissão. “Apesar do sucesso dos últimos leilões de fontes alternativas em 2010 e 2011, não há na prática um compromisso do MME [Ministério de Minas e Energia] e da EPE [Empresa de Pesquisa Energética] com a continuidade desses leilões”, aponta o estudo.

“O Brasil tem até metas para inflação, porque não ter metas para a produção de energia elétrica a partir de fontes alternativas?”, pergunta Carlos Rittl, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF Brasil. “Vamos apresentar o documento ao governo. O país precisa aproveitar melhor o seu potencial de fontes renováveis alternativas nas próximas décadas”, disse.

A Agência Brasil procurou a Empresa de Pesquisa Energética. A assessoria de imprensa do órgão informou que o seu presidente, Maurício Tolmasquim, estava retornando de uma viagem e não poderia conceder entrevista. A assessoria do Ministério de Minas e Energia também foi acionada, mas a pessoa que poderia falar sobre o assunto estava em reunião.

Fonte: Fernando César Oliveira/ Agência Brasil


31 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Estudo traz sugestões para economia verde no Brasil

A transição do Brasil para uma economia verde e sustentável depende da maior frequência de reajustes nos preços dos combustíveis fósseis, com base na variação do barril de petróleo no mercado internacional. É o que aponta coletânea de estudos elaborada pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS). Para fundação, a quase ausência de aumentos de preços dos combustíveis fósseis no mercado interno impede a competitividade dos biocombustíveis no Brasil.

A coletânea, elaborada dentre agosto de 2011 e maio desde ano, teve patrocínio da Ambev, BNDES, JSL, Light, Shell e Tetra Pak e investimento de R$ 540 mil. Os levantamentos, que contêm propostas para diferentes setores da economia brasileira, foram entregues à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e serão levados à conferência das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável, a Rio+20, de 13 a 22 de junho, no Rio.

 

O diretor superintendente da FBDS, Walfredo Schindler, afirmou que o objetivo dos estudos é trazer propostas para implementação imediata. Como não é objetivo da Rio+20 trazer metas de curto prazo, a expectativa da fundação é que os assuntos sejam conhecidos e discutidos em um primeiro momento, e possam ser tratados com mais atenção após a conferência.

 

Um dos 12 estudos que compõe a coletânea, intitulada “Diretrizes para uma Economia Verde no Brasil”, defende a incorporação dos impactos ambientais e sociais aos custos da energia. Isso, na prática, elevaria os preços reais da geração fóssil.

 

“A gasolina vem sendo mantida com preços artificialmente baixos há muito tempo”, disse Schindler. Mas admitiu, no entanto, que as reservas do pré-sal são ativos importantes e o óleo continuará a ter papel de destaque na economia mundial.

 

Para Schindler, o programa de produção e uso de etanol de cana no Brasil representa “o mais importante programa de energia renovável do mundo e equivale a economia de quase um milhão de barris de petróleo por dia”. Essa análise leva em conta produção de biocombustível líquido e eletricidade. Nos últimos 33 anos, segundo Schindler, a produtividade do etanol aumentou 3,6 vezes. “Hoje, utilizamos 27% da área de cana para produzir a mesma quantidade de etanol produzida nos anos 70″, disse.

 

Em relação à geração de energia elétrica, Schindler destacou que o Brasil “ainda tem a matriz energética muito limpa” em comparação com a média mundial. Entretanto, ressaltou que a quantidade de termelétricas a combustíveis fósseis tem crescido, principalmente por causa de questões ligadas à segurança energética, dificuldades para obtenção de licenciamento ambiental para hidrelétricas e complicações para o aproveitamento do potencial hídrico amazônico. Segundo ele, dos cerca de 55% do potencial hidrelétrico que ainda há para explorar no país, cerca de 70% está na Floresta Amazônica.

 

Dentre as propostas para aumentar a geração está o incremento da energia eólica. “De 15% a 20% da nossa demanda poderia ser suprida por meio de energia eólica”, disse Schindler. Segundo ele, entre 2009 e 2011 foram investidos quase R$ 30 bilhões, correspondentes à contratação de uma capacidade de 5.785 MW. Isso permitirá que a participação da energia eólica passe de pouco menos de 1% para mais de 5% da capacidade instalada de geração de energia no país, até 2014.

 

Outra defesa do estudo é que a modernização de hidrelétricas mais antigas podem trazer ganhos de capacidade de 2,5% a 20%. Segundo Schindler, é possível efetuar programas de repotenciação em instalações que hoje correspondem a 32 GW instalados com custos de R$ 250 a R$ 600 por kW adicionado.

 

Além disso, o estudo afirma que, com o fim das concessões das usinas hidrelétricas, a partir de 2015, podem ser criadas diretrizes para que empresas e consórcios que fiquem com as concessões invistam em bacias hidrográficas com foco no uso múltiplo da água incluindo setores como agricultura, uso humano e transporte por rios.

Fonte: Valor Econômico


14 de maio de 2012 | nenhum comentário »

As desprotegidas áreas verdes da Rio+20

Izabella Teixeira defende regras para produção e consumo. E diz que padrão dos desenvolvidos não pode ser copiado.

Alvo de sérias críticas quanto a um resultado pouco ousado, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, defendeu ontem (10) que seria “excepcional” se a Rio+20 terminasse com a aprovação de “obrigações” para todos os países, especialmente nas áreas de produção e consumo sustentáveis. A ministra não especificou quais seriam essas obrigações, mas deixou claro que o padrão de consumo dos países desenvolvidos “não pode ser replicado para todo o planeta”.

 

Ao participar no Rio do “Sustentável 2012: uma agenda para a Rio+20″, Izabella deixou claro que a maior ousadia do Brasil, como país anfitrião da conferência, será garantir que todos os participantes do encontro se sintam incluídos no debate. “Não adianta promover o crescimento sem reduzir as desigualdades”, declarou.

 

Num discurso alinhado com o do Itamaraty, que já se declarou contrário à transformação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) numa agência, como ocorre com outros órgãos das Nações Unidas, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), Izabella fez questão de reafirmar a importância do fortalecimento do conceito de desenvolvimento sustentável.

 

Quanto ao Pnuma virar uma agência, o embaixador André Correa do Lago – um dos negociadores da Rio+20 na ONU e que também esteve ontem no Rio – deixou claro que, apesar do apoio explícito de vários países africanos e mesmo os europeus, a proposta ainda não é um consenso. “Defendemos o fortalecimento do Pnuma, para torná-lo mais efetivo, transparente, mais forte, mas não podemos isolá-lo numa agência apenas ambiental”, ponderou Correa do Lago, lembrando que, nos últimos 20 anos, o Brasil vem defendendo nas conferências internacionais o fortalecimento do conceito de desenvolvimento sustentável. “Não faz sentido isolar novamente o meio ambiente”.

 

Só que, internamente, o governo vem sendo criticado pelo fato de não existir uma liderança política que defenda os princípios do desenvolvimento sustentável. A falta de subsídios para promover a política energética sustentável é outra cobrança que ficou evidente durante o “Sustentável 2012″.

 

“Uma das grandes dificuldades que se encontra na questão de eficiência energética é que não tem um dono. Quanto às matrizes, seja biomassa, carvão, energia nuclear, os grupos estão organizados para defender cada um deles. No caso de eficiência energética, ninguém é contra. Mas não tem um lobista, no bom sentido da palavra, daquele que vá realmente lutar pela causa, porque ela não está associada a nenhum setor que vá ter algum ganho. Então este é um papel do governo”, disse Suzana Kahn, subsecretária de Economia Verde do Estado do Rio.

 

Apesar das críticas, o presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), disse que o governo está empenhado redução progressiva do uso de combustíveis fósseis no mundo. “A posição defendida pela delegação brasileira é definir uma meta de redução na utilização de combustíveis fósseis. Isso dará ao Brasil o diferencial de competitividade”, disse.

 

Ainda durante a plenária, o senador informou que, nos próximos dias, apresentará às comissões um projeto de lei para obrigar o repasse de uma parcela do valor da conta de energia elétrica à preservação de áreas de proteção permanente. Rollemberg explica que em 2014 está previsto o término do contrato de concessão de empresas de energia elétrica no País, tanto de geração, como de transmissão e de redistribuição, o que representaria cerca de 20% do setor. Entre elas, está a estatal Furnas. Na composição da tarifa de energia, atualmente uma parte do valor é proveniente de amortização de investimentos físicos realizados. E, segundo o senador, ao final da concessão, eles já teriam sido amortizados, o que permitiria uma redução da tarifa.

 

“O que estamos definindo é que um pequeno percentual do que seria a redução seja encaminhado ao fundo do pagamento de serviços ambientais, especialmente para áreas de preservação permanente ripárias [mata ciliar de rios], o que vai garantir quantidade e qualidade da água, que é a matéria prima para gerar energia hidrelétrica”, defendeu.

 

Ainda segundo Rollemberg, a Fiesp estimou em R$ 30 bilhões anuais o valor da redução da tarifa, mas não há consenso. Cerca de 3% deste valor poderia ser destinado ao fundo ambiental.

 

Esvaziamento - A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, minimizou o fato de o Parlamento Europeu ter decidido cancelar a viagem de uma delegação oficial para a Rio+20, por causa do preço dos hotéis no Rio de Janeiro, durante o período do encontro, entre os dias 20 e 22 de junho. “Você tem que ver quem é que está cancelando, mas tem outras pessoas da União Europeia que vão participar. Vejam a confirmação, não tem esvaziamento”, disse ela.

 

O embaixador André Correa do Lago disse que desistências são compreensíveis em função de circunstâncias internas dos países que vivem os efeitos da crise econômica, mas argumentou que elas não trazem dúvida em relação à relevância da conferência na agenda internacional.

 

“Todos reconhecem que ela é da maior importância, por isso já estamos com mais de 100 chefes de Estado e de Governo confirmados. O que acontece é que os países têm suas crises, eleições e [outras] circunstâncias, e é normal que avaliem por si próprios a possibilidade de um chefe de Estado vir ao Brasil. Isso de maneira nenhuma coloca em questão a relevância da conferência”, defendeu.

 

Ele ressaltou que a presenças do presidente eleito da França, François Hollande, e do recém-empossado presidente da Rússia, Vladimir Putin, confirmadas por telefone à presidente Dilma Rousseff, reforçam o prestígio e a importância da Rio+20.

 

“O Brasil é longe e eles têm consciência da importância de vir para a conferência. A Rio+20 está sendo muito prestigiada, mas nós temos que entender a circunstância interna dos países. Aconteceria a mesma coisa [com o Brasil], se estivéssemos em uma situação especial”, acrescentou Correa do Lago.

Fonte: Jornal da Ciência com informações da Agência Globo e Agência Brasil

 


18 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Energia renováveis: vale tudo por elas?

Por Jean Marc Sasson* - Às vésperas da Rio+20 cujo tema central será aEconomia Verde, se discutirá como um dos objetivos para as próximas décadas a mudança na matriz energética mundial de combustível fóssil para energia limpa.

Já é notório, no entanto, que as energias renováveis vêm ganhando cada vez mais importância no cenário mundial. Os investimentos saltaram de US$ 162 bilhões em 2009 para US$ 240 bilhões em 2011. A China, até outrora o maior poluidor mundial em razão de suas inúmeras termelétricas, é hoje a maior investidora em energia limpa do mundo.

O Brasil, por sua vez, cuja matriz energética já é limpa, será em 2013 o décimo maior investidor em eólicas e continuará, ainda, ampliando suas fontes hidrelétricas com projetos na região Norte e através de parcerias com países sul-americanos como Argentina e Peru. Inclusive, foi considerado junto com Nicarágua e Panamá em recente estudo elaborado pela Bloomberg New Energy Finance – Climascópio 2012 – a pedido do Fundo Multilateral de Investimentos, membro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), como um dos países com maior capacidade para atrair investimentos em energia limpa da América Latina e Caribe.

É importante e salutar este investimento brasileiro em renováveis. Já somos a sexta maior economia mundial e precisamos de energia para continuar progredindo. Mas o caminho que estamos trilhando, aparentemente sustentável, vem sendo realizada de forma tirânica, atentando contra os princípios republicanos e democráticos. O Poder Público vêm impondo a construção de empreendimentos independente de consultas públicas à população nacional e local. Quando discutimos sustentabilidade, pensamos no tripé social, econômico e ambiental. Contudo, estão sendo flexibilizados em nome do desenvolvimento nacional.

Vemos a vertente social ser violada quando minorias não são consultadas no processo licenciatório, quando são desalojadas por uma pequena indenização em detrimento de um interesse coletivo, quando as compensações sociais exigidas são descumpridas, quando a mão-de-obra utilizada na construção não é local. Nestes momentos há uma violação brutal pelo Poder Público aos princípios constitucionais da dignidade humana e democrático.

Já na vertente econômica, apesar de propiciar certo desenvolvimento econômico regional, observamos grande desperdício da verba pública. Por exemplo, ao comparamos as usinas hidrelétricas de Belo Monte e Itaipu, percebe-se a diferença abissal do investimento em ambas. Enquanto a primeira está orçada em R$ 30 bilhões de reais (preço atual estipulado e que fatalmente será maior), Itaipu custou míseros 11,8 bilhões de dólares, sendo construída há 40 anos atrás, isto é, sem as tecnologias que dispomos hoje. Embora tenha capacidade instalada de 11 mil MW, o que a tornará a segunda maior hidrelétrica do país, Belo Monte tem energia firme (que pode ser assegurada já prevendo os períodos de seca) de 4,4 mil MW ou 40% de sua capacidade, enquanto Itaipu, a maior usina do país, tem 14 mil MW de capacidade e energia firme de 61%.

Na segunda maior atualmente, Tucuruí – que futuramente perderá a posição para Belo Monte – o percentual é de 49%. Se não considerássemos a hipótese da construção de usinas menores nesta região como a mais indicada, comparemos o custo com outras fontes de energia limpa. Nos Estados Unidos, dois projetos desenvolvidos na Califórnia de aproveitamento da energia térmica utilizando espelhos para a concentração de calor, Ivanpah e Blythe, têm a previsão da geração de 370 MW de energia firme ao custo de R$ 3,4 bilhões e 960 MW ao custo de R$ 9,6 bilhões, respectivamente.

Multiplicando o custo para geração de um megawatt nesses dois projetos de matriz solar por 4 mil megawatts médios (quantidade indicada de Belo Monte) teriam um total de R$ 38 bilhões, para o projeto de Ivanpah, e de R$ 36,7 bilhões para o Blythe. São dois projetos que teriam equivalência, ao menos em teoria, em investimento e geração de energia à Belo Monte, mas com um impacto socioambiental muito menor.

Já a vertente ambiental, tratando-se de energia renovável, é por óbvio a mais vantajosa em razão da não emissão de dióxido de carbono. Ressalta-se, no entanto, que qualquer energia renovável não está livre de impacto ambiental. Há desmatamentos, desvios de rios, impacto na fauna e flora, impacto visual e sonoro etc. Fora isso, observa-se ainda violações no campo político, violando o regime democrático, quando processos licenciatórios são acelerados por mero interesse político, despendendo menos tempo do que se faz necessário para a análise dos impactos ambientais gerados por determinado empreendimento. Sabemos que o processo licenciatório brasileiro é moroso, mais em razão da ausência de mão- de-obra especializada do que pela complexidade da análise. Mas, ainda assim, não se justifica acelerar além do necessário para cumprir metas políticas.

A verdade é que o Poder Público deve ponderar e analisar o custo-benefício nas três vertentes, independente do interesse político e particular. Não existe energia renovável perfeita e livre de impacto. Devemos utilizar o princípio do equilibro nesta análise, de modo a analisar a melhor alternativa, optando por aquela que terá o menor impacto nas três esferas.

Pensar em impacto zero ou em desenvolvimento zero é não ponderar, é não ser realista. Se desenvolver e progredir é necessário sim, mas de forma racional e sustentável.

*Jean Marc Sasson é advogado com especialização em gestão ambiental pela COPPE/UFRJ e colunista do Portal Ambiente Energia. Ele também é editor do blog Verdejando (www.verdejeando.blogspot.com).

 

Fonte: Ambiente Energia


18 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Brasil e emergentes puxam ascensão da energia eólica, diz relatório

Brasil lidera no Cone Sul e será responsável pelo crescimento na região.
Indústria global vai instalar mais de 46 gigawatts de capacidade neste ano.

A indústria de energia eólica global vai instalar mais de 46 GW (gigawatts) de nova capacidade em 2012, dado que faz parte da previsão de crescimento da indústria eólica mundial para os próximos cinco anos.

Até o final de 2016, a capacidade total de energia eólica mundial será pouco menor do que 500 GW, diante de um mercado anual de cerca de 60 GW previsto para esse período. Os dados foram divulgados nessa semana no relatório anual do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês).

De acordo com dados do relatório Global Wind Report 2011, o Brasil vem se estabelecendo como grande mercado internacional, já dominando o latino-americano. Com uma forte base industrial, o país é considerado capaz de abastecer o Cone Sul, e será responsável, em vasta maioria, pelo crescimento regional até 2016.

As instalações totais para o período 2012-2016 devem chegar a 255 GW, com um crescimento cumulativo médio do mercado um pouco abaixo de 16%.

“Para os próximos cinco anos, o crescimento anual do mercado será impulsionado principalmente pela Índia e pelo Brasil, com significativas contribuições de novos mercados na América Latina, África e Ásia”, afirmou Steve Sawyer, secretário-geral GWEC.

“O Brasil está entre as quatro nações do mundo que mais cresce no setor eólico, ficando atrás somente de China, Estados Unidos e Índia. Em 2015 seremos o 10° maior produtor de energia eólica do mundo. Atualmente, nossa capacidade instalada é de 1.471 MW e nosso potencial gira em torno de 300 GW. Temos um futuro promissor e ainda há muito espaço para crescimento”, destaca Lauro Fiúza Junior, vice-presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), empresa que repassou informações para a produção do relatório.

Mercados asiáticos e europeu
A Ásia continuará a ser o maior mercado do mundo com muito mais novas instalações do que qualquer outra região, instalando 118 GW entre agora e 2016, e superando a Europa como o líder mundial em capacidade instalada acumulada em algum momento durante 2013, segundo o relatório.

Depois de quase uma década de um crescimento de dois e três dígitos, o mercado chinês finalmente se estabilizou, e permanecerá nos níveis atuais pelos próximos anos. Pela primeira vez, em 2011, a Índia alcançou um mercado anual de 3 GW e deverá atingir 5 GW até 2015. Já o futuro do sistema de energia do Japão, com a rejeição quase universal da energia nuclear após a tragédia tripla em 11 de Março 2011, dá esperanças para um novo começo para a indústria eólica no País, de acordo com o relatório.

O mercado europeu se mantém estável e, considerando o quadro político e metas da Europa até 2020, é pouco provável que aconteçam grandes surpresas. A Alemanha teve um forte ano em 2011 e a decisão do governo de eliminar progressivamente toda a energia nuclear até 2020 dá à indústria um novo impulso.

Já a Espanha teve um ano ruim, o que deve se repetir em 2012. No entanto, Romênia, Polônia, Turquia e Suécia continuaram a desempenhar seus papéis dentro do cenário de crescimento, segundo o relatório GWEC.

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Fonte: Globo Natureza


14 de março de 2012 | nenhum comentário »

Com atrativo ambiental e econômico, sobe busca de ‘selo verde’ em prédios

‘Green buildings’ reduzem custos operacionais e colaboram com a natureza.
Busca por selo quase dobrou em 2011 e previsão é crescer mais neste ano.

Bicicletário é um dos diferenciais do Eldorado Business Tower, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, que tem o selo verde (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)

Bicicletário é um dos diferenciais do Eldorado Business Tower, em São Paulo, que tem o selo verde (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)

Entre 2010 e 2011, a procura pela certificação “verde” de edifícios quase dobrou no Brasil, e a expectativa é continuar crescendo em 2012. A busca é por colaborar com o meio ambiente e, de quebra, reduzir custos operacionais e melhorar a imagem das empresas – o “carimbo” garante que um empreendimento adota medidas sustentáveis e ecologicamente corretas tanto na obra como no dia a dia.

O cenário aponta para um comportamento raro, quando os interesses econômicos se unem aos ambientais. Isso porque, apesar de o custo da construção ser de 1% a 7% mais caro, em média, a valorização estimada na revenda é de 10% a 20%, além de o investimento proporcionar até 30% de redução no valor do condomínio e diminuição média de 9% no custo de operação durante toda a vida útil, de acordo o Green Building Council Brasil (GBC Brasil), que orienta a respeito do selo Leed (sigla em inglês para liderança em design em energia e meio ambiente) no país.

Criado nos Estados Unidos há 15 anos, o Leed é apontado pelo mercado como o “precursor” do setor no Brasil – o primeiro pedido para certificação em território nacional ocorreu em 2004 e o primeiro certificado foi emitido em 2007.

Dados do conselho apontam que o número de empreendimentos na fila para conseguir o certificado passou de 237 ao fim de 2010 para 434 em 2011. Até a terceira semana de fevereiro deste ano, já eram 475. A expectativa é fechar 2012 com aproximadamente 650.

 

 

Arte prédio verde (Foto: Editoria de Arte/G1)

Por conta do tempo necessário para realização das obras após o pedido da certificação, o número de prédios já certificados com o Leed estava em 43 até o final de fevereiro. “Os prédios demoram dois, três, quatro anos para ficarem prontos. Agora é que os empreendimentos [na fila para ter o selo] estão começando a ficar prontos”, explica o gerente técnico do GBC Brasil, Marcos Casado. A expectativa é encerrar este ano com 75 selos.

No ranking mundial do número de empreendimentos registrados em busca da certificação, o Brasil aparece em quarto lugar, atrás dos Estados Unidos (38.940), China (com 807) e Emirados Árabes Unidos (758).

Entre os empreendimentos há de tudo – desde edifícios comerciais, como residenciais, industriais e de varejo. Até os estádios da Copa estão registrados para a certificação Leed, tanto nas novas construções quanto nas reformas, de acordo com o GBC. Dos 12 estádios que serão sede, apenas o Internacional (em Porto Alegre) e o Corinthians (em São Paulo) ainda não estão registrados em busca do certificado.

“Tem muita gente querendo ter o selo, são muitas construções em análise”, afirma Mony Lacerda, coordenador de avaliação da consultoria Colliers International, que orienta as empresas para a aquisição do Leed. De acordo com Lacerda, o processo de certificação em uma nova construção costuma demorar de um ano a um ano e meio, em média. Para um prédio antigo que faz uma reforma para se tornar “verde”, o processo para conseguir o título pode demorar dois anos.

Alexandre Ferreira vai de bicicleta ao trabalho graças ao bicicletário do prédio (Foto: Arquivo Pessoal)

Alexandre Ferreira vai de bicicleta ao trabalho, em São Paulo, graças ao bicicletário do prédio. Com vestiário, ele pode se trocar antes de começar o expediente (Foto: Arquivo Pessoal)

Selo 100% nacional
Outro selo verde existente no mercado brasileiro é o Aqua, criado pela Fundação Vanzolini, ligada à Universidade de São Paulo (USP) em 2008. “Percebemos um mercado que tinha interesse muito grande pela sustentabilidade do empreendimento da construção em si”, afirma Manuel Carlos Reis Martins, coordenador executivo do processo Aqua. Atualmente são 39 empreendimentos certificados, que compreendem 53 edifícios. Os números também crescem a cada ano: foram 9 edifícios certificados em 2009, 16 em 2010, 26 em 2011 e, até o começo de fevereiro de 2012, mais dois.

“A quantidade de selos está crescendo, e entre empreendedores que são formadores de opinião [citando varejistas e grandes construtoras]. O número, perto do que se constrói no Brasil, ainda é pequeno, mas grandes construtoras já têm [o selo] e pensam em fazer mais. Acho que a preocupação começa a se formar”, afirma Martins.

Espaço para crescer
Os prédios verdes ainda representam apenas 1%, em média, da majoritária massa cinza dos lançamentos imobiliários que surgem diariamente nas cidades brasileiras, de acordo com o GBC. A pequena proporção mostra como há espaço para crescer. “Hoje temos uma possibilidade de crescimento muito grande. Em países mais engajados, o mercado já é de 10%, 5%”, diz Casado.

Uma pesquisa da consultoria Cushman e Wakefield referente ao segundo trimestre de 2011 aponta que, à época, 3,5% do estoque total existente nas cidades de São Paulo, Barueri (na Grande SP), Rio de Janeiro e Curitiba era de “green buildings”.

Até 2013, o mesmo levantamento prevê que 37% dos novos espaços nessas cidades estarão em prédios verdes, acrescentando Santos, Brasília, Porto Alegre e Salvador – em São Paulo,Rio de Janeiro e Curitiba essa proporção deverá chegar a quase 50%.

Certificado garante que um empreendimento adota medidas sustentáveis e ecologicamente corretas  (Foto: Divulgação/GCB)

Certificado garante que um empreendimento adota medidas sustentáveis e ecologicamente corretas (Foto: Divulgação/GCB)

Economia
O esforço, contudo, vale a pena, de acordo com os especialistas. Dentro dos resultados está a estimativa de que um edifício certificado pode reduzir em até 70% a emissão de resíduos sólidos (lixo, papel, madeira, carcaça), 40% o uso de água potável, de 33% a 39% a emissão de CO2 e de 24% a 50% o uso de energia elétrica, de acordo com a pesquisa da Colliers.

As estimativas do Green Building Council EUA, usadas pelo conselho no Brasil, refletem um cenário parecido. De acordo com o GBC, o gasto nos prédios verdes com energia é 30% menor, há redução de até 50% no consumo de água, de até 80% nos resíduos e uma valorização de 10% a 20% no preço de revenda, além de redução média de 9% no custo de operação do empreendimento durante toda sua vida útil.

Para Lacerda, da Colliers, o investimento a mais no custo da obra vale a pena. “Isso é reavido no futuro (…). Se o investidor considerar até 10% a mais do custo para ser certificado, isso vai ser para sempre e a longo prazo. Depois, há o ganho na redução de custo operacional”, diz.

Requisitos
Para que essas economias aconteçam, contudo, há muitos requisitos. Os empreendimentos precisam ter características que visem a economia de recursos, como água e energia, reciclagem e descarte de materiais, e na saúde e bem estar de moradores e funcionários e da sociedade em geral, além do fomento à economia local.

Para isso, valem desde sistemas de controle do fluxo de água até a adoção de fontes renováveis de energia e captação de água da chuva. Melhor utilização da luz natural e projetos coordenados para descarte de materiais também entram na lista.

Lacerda diz que as economias geradas tornam o selo cada vez mais atrativo às empresas, sem contar a contrapartida intangível que é aliar a marca a uma imagem de preocupação ecológica. “Empresas multinacionais que têm filias no Brasil, por exemplo, tem todo o motivo para reforçar a marca com a sustentabilidade”, revela.

Bem-estar
Os prédios verdes também precisam levar em conta o bem-estar dos usuários. O bancário Alexandre Augusto Silva Ferreira, de 30 anos, trabalha em um banco localizado em um dos prédios certificados pelo Leed em São Paulo. De acordo com ele, um dos benefícios é a existência de um bicicletário, o que o permite ir trabalhar diariamente de bicicleta. “Eu uso praticamente todo dia. Só não uso quando tenho necessidades específicas, como ir trabalhar em outra unidade do banco, que não tem bicicletário”, diz.

Além do lugar para guardar a bike, o prédio também oferece um vestiário e armários para guardar roupas. Assim, Ferreira toma banho todo dia quando chega ao trabalho, para não chegar suado nem com roupas amassadas.

Para o bancário, que usa o bicicletário desde abril do ano passado, são inúmeros os benefícios. Além de não ficar mais parado no trânsito, emagreceu quase dez quilos e diz evitar estresses causados por atrasos devido ao congestionamento. “Estando de bike, quase nunca acontecem imprevistos”, diz, afirmando que consegue programar melhor as atividades do seu dia a dia. Ele mora a 15 quilômetros de distância do trabalho, e diz que demora cerca de 30 minutos para ir e 40 minutos para voltar.

Ferreira trabalha no Eldorado Business Tower, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo. Ao todo, 16 empresas estão sediadas no edifício, com aproximadamente 5 mil funcionários. De acordo com Fernando Sinicatto, gerente de operações do edifício, o prédio tem diversos sistemas para garantir o selo. A economia de água é de 30%. De acordo com ele, por exemplo, o sistema de reuso de água de chuva e condensação do ar condicionado proporcionam 100% da água utilizada no paisagismo e limpeza das garagens.

Outro exemplo são os elevadores, que possuem sistema de frenagem regenerativa, proporcionando economia de até 37% de energia. O prédio tem também programa de coleta seletiva, que gera redução de 40% nos resíduos destinados aos aterros sanitários, disse.

Há ainda persianas automatizadas, que abrem ou fecham de acordo a incidência de luz solar na fachada. Até a escolha do local para a construção do edifício foi pensada, já que possui acesso fácil ao transporte público, como ônibus e trem, explicou o gerente.

Varejo

Além de prédios de escritórios, redes varejistas também estão de olho no conceito. Um exemplo é a Leroy Merlin, que tem 8 lojas cadastradas na certificação Aqua, sendo que uma delas, em Niterói, no Rio de Janeiro, já está com o projeto 100% em uso e tem até um espaço sobre sustentabilidade.

“As informações, principalmente nas redes sociais, mudaram a consciência do consumidor (…). Conforme o consumidor vai se conscientizando, ele vai exigir muito mais. As pesquisas já dizem hoje que o consumidor já aceita pagar 10% a mais nos produtos sustentáveis, está virando um hábito”, afirma. O gerente explica, contudo, ser intangível medir se as lojas sustentáveis atraem mais clientes. Ele disse, ainda, que esse não é o principal objetivo da rede. “Nós não usamos a sustentabilidade para vender mais”, disse.

No caso da unidade de Niterói, o custo para o projeto da “loja verde” foi de 8% a mais, com um retorno estimado em cinco anos. Entre os resultados estão 26% de redução no consumo de energia e de 39% no de água.

Para Casado, do GBC Brasil, grande parte do crescimento do setor pode ser explicada pelo maior conhecimento das pessoas a respeito do conceito de construção sustentável. “Toda vez que se fala em sustentabilidade, fala-se da busca em equilibrar o social, o econômico e o ambiente. Então, se você consegue, do lado econômico, trazer esses benefícios, é sempre melhor”.

Fonte: Gabriela Gasparin, G1, São Paulo


28 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

“É possível levar energia renovável para todos”

Pragmática, a dinamarquesa Connie Hedegaard, é uma mulher que acredita em metas. A comissária europeia para ação climática, famosa por seu protagonismo na conferência do clima de Copenhague, em 2009, e também em Durban, na África do Sul, em 2011, chega ao Brasil hoje convencida de que tornar concreta a meta de dar acesso universal a energia renovável, em 2030, poderia ser um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODG) a ser imediatamente implementado ao fim da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, em junho, no Rio.

Para a ex-ministra do meio ambiente, de cooperação, e de clima e energia da Dinamarca, não é preciso esperar pelo detalhamento de todas as outras áreas – que podem tratar de temas tão diversos como água, oceanos ou consumo – para dar a partida aos ODG. “O objetivo da energia poderia começar já”, defende. “É muito importante que miremos coisas tangíveis e que tenham resultado a curto prazo.”

 

Nesta entrevista, concedida em Nairóbi, no Quênia, onde participou das comemorações do 40º aniversário do Pnuma, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, ela evitou falar sobre as mudanças na governança institucional ambiental e de desenvolvimento sustentável que a Rio+20 pode produzir. O tema é controverso. A Europa quer que o Pnuma se transforme em uma agência ambiental da ONU. O Brasil quer fortalecer o Pnuma, mas aposta na criação de um órgão de desenvolvimento sustentável.

 

Connie Hedegaard tem encontros em Brasília com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, com o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e uma agenda que termina em São Paulo e mistura clima e Rio+20. Ela participou do Painel de Alto Nível sobre Sustentabilidade Global da ONU e tem, na cabeça, visão de longo prazo para o crescimento dos países fundamentada na economia verde. “Se a Rio+20 mudar este paradigma, será um grande ganho”, diz. A seguir, trechos da entrevista concedida ao Valor Econômico:

 

Valor: Qual o perfil da sua visita ao Brasil? Mais mudança climática ou mais Rio+20?

Connie Hedegaard: É uma agenda mista. Fiz parte do painel das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável junto com a ministra Izabella Teixeira, e, claro, temos ambas interesse na agenda climática. Em Durban, o Brasil e a Europa tiveram uma cooperação muito construtiva. Espero que possamos avançar na agenda do clima para a próxima reunião, no Qatar. E agora, tão perto da Rio+20, é natural que discutamos alguns temas da conferência.

 

Valor: A senhora diz que a Rio+20 não é uma árvore de Natal. O que quer dizer?

Hedegaard: É que todos vêm com todos os seus desejos para a conferência. Mas deveríamos ter em mente que muita gente lá fora pensa que estes são tempos muito desafiadores. As pessoas percebem que a economia, os mercados, os bancos estão globalizados, e temos que mostrar que o globalizado sistema político multilateral pode dar algumas respostas claras. Acho que um dos desafios da Rio+20 não é escrever um monte de declarações, mas temos que ser capazes de, no dia seguinte à conferência, responder à pergunta: o que a Rio+20 mudou na vida dos cidadãos?

 

Valor: A senhora tem algum exemplo do que poderia ser decidido no Rio, em junho?

Hedegaard: Saliento a meta de acesso a energia sustentável para todos. Isso é algo muito concreto. Se há uma lição que aprendemos na Europa é que ajuda muito ter metas porque faz com que os governos tenham foco. Metas também fazem com que os investidores se mexam em determinadas áreas, se souberem quais são os objetivos e se tiverem alguma previsão. Acredito que há muitos investidores lá fora que gostariam de investir em energia. Mas eles têm que ter indicações claras de que isso é para valer. A sociedade global está levando a sério essas metas? O que significa dar acesso à energia sustentável para todos, em 2030? É sobre conseguir mais eficiência energética? Como podemos medir isso? Podemos fazer uma enorme diferença se decidirmos que, agora, vamos estabelecer estes padrões.

 

Valor: No final da Rio+20, o que terá sido um bom resultado, na sua opinião?

Hedegaard: Acredito que um bom resultado será se o mundo puder abraçar o conceito de economia verde. Conseguindo isso, a conferência do Rio poderia marcar uma real mudança de paradigma. Seria o momento em que as pessoas e os governos entenderiam que não podemos continuar fazendo as coisas como sempre, o que se chama “business as usual”. Não é assim que tornaremos as economias sustentáveis, não se criarão sociedades sustentáveis. Temos que mudar a maneira em que percebemos o crescimento e mudar para uma maneira mais eficiente de usar a energia e os recursos naturais. Se a Rio+20 puder marcar esta mudança, penso que terá sido um ganho muito grande.

 

Valor: A Rio+20 não irá produzir tratados internacionais com força legal. Isso é um problema?

Hedegaard: Quando foram estabelecidos os Objetivos do Milênio, dez anos atrás, perguntei ao então primeiro ministro de Moçambique o que estas metas significavam para o seu governo. Ele respondeu que representavam um incrível estímulo para que pudessem definir os processos e os caminhos de desenvolvimento do país. Os objetivos do milênio significam acesso à água, maior participação das mulheres, educação, e isso faz diferença. É o mundo querendo medir se está se mexendo na direção certa ou não. Basicamente é a mesma coisa que podemos fazer com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável na Rio+20. E, claro, se falarmos, vamos adotar a meta do acesso à energia renovável, teremos que encontrar uma metodologia que mostre como chegaremos a isso.

 

Valor: Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODG) que podem ser adotados na Rio+20 seriam um avanço nesta direção?

Hedegaard: A Europa pensa que os ODG podem ser algo muito bom. Agora, um dos desafios da Rio+20 é ver se a comunidade internacional está pronta para definir quais são estes objetivos.

 

Valor: Como assim?

Hedegaard: Dizer quais são os objetivos, quais as áreas e quais as metas. Uma área em que o trabalho preparatório já foi extremamente feito, dentro do sistema das Nações Unidas, é energia. Então, de um lado, poderíamos indicar que queremos ODGs neste e naquele campo, mas se tivermos alguma área mais específica, ou que está mais pronta, por que não começar com este setor imediatamente? Por que temos que esperar para conseguir detalhar outras áreas para implementar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável? Somos muito favoráveis ao que o mundo promova estas metas, só acho que não precisamos ter cada uma delas muito detalhada e definida já no Rio. Talvez, na conferência, os temas possam ser identificados e começar um processo.

 

Valor: Os assuntos poderiam ser definidos no Rio. Mas o que mais?

Hedegaard: Por exemplo, uma meta poderia ser sobre pesca sustentável. O que isso significa, como podemos detalhar o objetivo e como chegar a ele. Mas se não tivermos condições de fazer tudo nos mínimos detalhes no Rio, deveríamos dizer: este é o prazo final, é o que politicamente queremos fazer e aí voltamos e vemos como a meta poderia ficar. O que digo é que, por exemplo, no campo de energia sustentável nós já temos todos os detalhes.

 

Valor: Seria um começo, a meta da energia sustentável?

Hedegaard: Sim, poderia começar já, e fazer isso não estaria em contradição com as outras metas. Seria apenas para termos uma ação orientada. E poderia começar no dia seguinte ao término da Rio+20. Ministros brasileiros, comissários europeus, todos nós poderíamos nos perguntar que diferença a Rio+20 pode fazer para o mundo. É muito importante que miremos coisas tangíveis e que tenham resultado a curto prazo.

 

Valor: O que a senhora poderia dizer sobre a opinião da União Europeia sobre governança?

Hedegaard: Bem, só posso repetir o que Janez Potócnik, comissário da União Europeia para Ambiente, disse sobre isso (em coletiva de imprensa em Nairóbi Potócnik defendeu o fortalecimento do Pnuma e disse que “há desejo de mudanças”, mas não se prolongou no tema).

 

Valor: Como trazer chefes de Estado para o Rio?

Hedegaard: Não tenho comentários. Este é um assunto do governo brasileiro.

 

Valor: O que esperar da próxima reunião do clima, no Qatar?

Hedegaard: A reunião no Qatar tem que preparar um plano de trabalho muito claro.

 

Valor: A União Europeia foi protagonista na última conferência climática, em Durban. Como avançar nas negociações?

Hedegaard: Nossa estratégia funcionou. Usamos o fato de que estávamos prontos para aceitar um segundo período de compromissos do Protocolo de Kyoto, assumindo que éramos os únicos países do mundo prontos para isso. Dissemos “ok, vamos deixar o sistema vivo, mas só se outros nos disserem quando o resto do mundo subirá a bordo com algum acordo realmente global.” Foi onde chegamos em Durban graças à cooperação dos países africanos e dos países menos desenvolvidos do mundo. Mais de cem países falaram muito claramente para as economias emergentes e aos Estados Unidos: temos que ter agora um sistema global verdadeiro.

 

Valor: Foi assim que se chegou à promessa de se chegar a um acordo climático global em 2015?

Hedegaard: Alguns países disseram “ok, mas vamos terminar em 2016 ou 2017 e não deveríamos começar este ano.” Falamos: “Claro que temos que começar este ano!” Como podemos explicar para qualquer cidadão que a mudança climática é urgente, mas que não vamos começar nada até o ano que vem? Temos que terminar em 2015 porque se há algo que aprendemos neste processo é que ele nunca surpreende com decisões que acontecem mais rápidas do que você imaginou. Sempre leva muito tempo até que se possa concordar com algo e ver aquilo começando a funcionar.

 

Valor: Então, para se ter um acordo climático global em 2015, o que tem que acontecer no Qatar?

Hedegaard: Em Durban acertamos que temos que terminar as negociações do novo tratado em 2015. Teremos novos elementos sobre a mesa, um novo relatório do IPCC (o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, que reúne os novos estudos científicos sobre o assunto) que será lançado em 2014. E então teremos 4 ou 5 anos para que os países ratifiquem e implementem o acordo e o novo regime comece a operar. Isso leva tempo.

 

Valor: Qatar é o início disso?

Hedegaard: Qatar é sobre um programa de trabalho bem específico: quem faz o quê dentro de qual prazo. Como estruturamos, o que tem que ser feito politicamente, e por aí vai. Temos que trabalhar de trás para a frente. Pensando que temos de terminar com um acordo global na CoP de 2015, então, que tipo de conhecimento precisamos agora, quais os caminhos, working shops, grupos de trabalho e assim por diante para assegurar que no final de 2015 teremos o acordo. No Qatar também vamos ter que ter avanços no Fundo Verde, o dinheiro terá que começar a fluir.

 

Valor: E as metas do segundo período de compromisso de Kyoto…

Hedegaard: Sim, vamos submetê-las antes de 1º de maio, o prazo final acertado em Durban.

 

Valor: Perguntaram como o mundo dos negócios está reagindo à mudança climática e à economia de baixo carbono. A senhora mencionou o que está acontecendo na Tailândia. Pode explicar?

Hedegaard: A Tailândia divulgou números mostrando que nos últimos quatro meses de 2011, perdeu 9% de seu PIB por causa das inundações. Então, se você é uma empresa na Tailândia, você definitivamente aprendeu que continuar a fazer como sempre fez, “business as usual”, é algo que pode custar muito. São riscos muito perigosos para os negócios. É por isso, também, que é tão importante ter uma estratégia coerente para combater a mudança climática.

 

Valor: Mesmo com a crise econômica global, as emissões de gases-estufa ainda estão crescendo. Isso não preocupa?

Hedegaard: Acho que quando temos uma crise global como a que estamos vivendo, é uma oportunidade excelente para repensar o jeito como fazemos as coisas. Estou certa que, muitas empresas e muitos CEOs no mundo todo, durante esta crise, estão olhando para suas contas, vendo quanta energia gastam para fazer seus produtos, quanto aço precisam, quanto consomem de matérias-primas. Porque se uma coisa é certa sobre o futuro, é que estamos em um mundo em que há mais gente, e mais gente virando classe média e com mais possibilidade de consumo, então está claro que a demanda por matérias-primas e por energia irá crescer. Isso significa que os preços irão aumentar e que eficiência energética e eficiência no uso de recursos naturais, serão parâmetros competitivos. Acho que esta lógica está sendo aceita por mais e mais empresários e pelo poder público. Na Europa, agora, estamos falando muito mais sobre eficiência energética nos nossos prédios, na nossa infraestrutura, em como nos tornarmos mais eficientes em termos energéticos. Acho que esta é a mudança de paradigma que espero que a Rio+20 realmente consiga alcançar.

Fonte: Valor Econômico


13 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Fontes limpas de energia ainda longe de cumprir promessas

Alto custo e baixa eficiência são maiores obstáculos.

Um dos temas-chave da Rio+20, conferência global do meio ambiente que acontece este ano no Brasil, as fontes limpas e renováveis de energia enfrentam obstáculos para ganharem o espaço dos combustíveis fósseis na matriz energética mundial. Altos custos, baixa eficiência e pouca confiabilidade atravancam a expansão da geração solar e eólica, enquanto tecnologias como células de hidrogênio, etanol de celulose e biocombustíveis feitos com algas ainda não passam de promessas, demandando mais anos ou décadas de pesquisa e desenvolvimento para chegarem às ruas do planeta.

 

Segundo o relatório mais recente da Agência Internacional de Energia, as usinas solares, eólicas e outras do tipo responderam por apenas 0,8% de toda a energia no mundo em 2009. Enquanto isso, o último relatório especial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas sobre fontes renováveis prevê quatro cenários para o avanço no seu uso. No mais otimista, elas representariam 77% da energia do mundo em 2050, ajudando a manter a concentração de gases-estufa na atmosfera abaixo de 450 partes por milhão de dióxido de carbono, o suficiente para que a elevação da temperatura média global fique abaixo de 2 graus Celsius até o fim do século.

 

Já no cenário mais pessimista, a participação das fontes renováveis ficaria em apenas 15% do suprimento total de energia do planeta, com consequências desastrosas para o clima. Para evitar que isso aconteça, é necessário que sejam implantadas políticas fortes de incentivo à substituição dos combustíveis fósseis, defende Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe/UFRJ.

 

“O mercado não resolve tudo e o mundo está acordando para isso. É preciso a presença do Estado, dos órgãos reguladores, incentivos e planejamento, pois o principal empecilho para o avanço das fontes alternativas é seu alto custo comparativo. Hoje, carvão e gás natural, grandes emissores de gases-estufa, são as principais fontes de energia e vão continuar muito mais baratas do que as alternativas. Se não houver uma atitude enérgica, elas vão demorar muito para terem um peso significativo na matriz”, afirma.

 

Discurso mais otimista que real - Nas ruas e estradas, os combustíveis fósseis deverão continuar a abastecer os tanques dos veículos ainda por muitos anos. Em todo mundo, a única iniciativa com resultados significativos ainda é o programa de etanol de cana brasileiro e, mesmo com todos incentivos e subsídios, o etanol de milho dos EUA é “sujo” e pouco eficiente, afirma Jayme Buarque de Hollanda, diretor-geral do Instituto Nacional de Eficiência Energética (Inee).

 

“A maior parte da energia utilizada para produzir o etanol de milho americano vem de usinas a carvão, o que faz com que ele na verdade seja de 70% a 80% combustível fóssil, e não exatamente uma fonte limpa e renovável”, considera. “E mesmo o Brasil está tomando o caminho errado. Os carros flex na verdade são um crime em termos de eficiência, uma solução que não é boa tanto para o uso da gasolina quanto do álcool.”

 

As outras opções para alimentar a frota mundial de veículos, como células de hidrogênio, etanol de celulose e biocombustíveis de algas, ainda precisam de muito tempo para que as tecnologias sejam desenvolvidas, amadureçam e se tornem comercialmente viáveis, diz Roberto Schaeffer, professor de Planejamento Energético da Coppe. “O discurso é mais otimista do que a realidade. Ninguém consegue ver nenhuma dessas tecnologias se tornando minimamente importantes antes de 2025. E os carros elétricos e híbridos, embora sejam um passo à frente, não são a solução. Não adianta o carro ser 100% elétrico se a energia que o alimenta é de uma usina a carvão. Só se estaria trocando poluição local por global”, diz.

 

Segundo especialistas, a energia solar é e continuará muito mais cara que as fontes tradicionais nos próximos anos. Em geral, os painéis solares conseguem converter no máximo 20% da radiação recebida em eletricidade. E isso em dias claros e com iluminação direta do Sol. Além disso, uma simples poeira pode reduzir muito seu rendimento, sem contar que as usinas só geram energia durante o dia.

 

O panorama para a energia eólica, por sua vez, é um pouco melhor. Graças aos ganhos de escala na fabricação dos equipamentos com os fortes investimentos no setor, seus custos caíram acentuadamente nos últimos anos e sua eficiência aumentou. Mas, assim como a solar, ela também está muito sujeita às condições do clima, trazendo incertezas que farão com que sirva apenas como fonte complementar às tradicionais ainda por muitos anos.

 

“É preciso que tenhamos um pouco de tudo. Na hora que a China deixa de fazer uma usina a carvão para montar um parque eólico, por exemplo, a conta vai melhorando em favor do clima. Não será fácil repor o que se tem hoje só com fontes renováveis, mas vamos começar a ver uma transição nesta direção”, declara Schaeffer.

Fonte: O Globo


30 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

ONU diz que Brasil subaproveita seu potencial em energias renováveis

Segundo relatório, país ampliou investimento, mas poderia explorar melhor energias como a eólica e solar.

O Brasil ocupa uma posição de destaque na produção de energias renováveis, mas “poderia fazer mais esforços” em relação às energias solar e eólica, segundo a Conferência da Organização das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), que publicou nesta terça-feira (29) um relatório sobre o tema.

“O Brasil, devido ao seu clima e à sua superfície, possui um enorme potencial em termos de energia eólica e solar, mas não explora de forma suficiente sua capacidade nessas áreas”, disse Anne Miroux, diretora do relatório Tecnologia e Inovação – Potencialização do Desenvolvimento com Energias Renováveis, da Unctad.

Ela diz que o Brasil se concentra em setores “maduros”, como os biocombustíveis e a geração de energia hidrelétrica, criados há décadas. “O Brasil está entre os principais países que produzem energias renováveis, mas não em termos de energias modernas, como a eólica e a solar, nas quais nos focalizamos hoje”, diz Miroux.

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Investimento
O relatório da Unctad revela que o Brasil foi o quinto país que mais investiu em energias limpas no ano passado, totalizando a soma de US$ 7 bilhões. A China, com o valor recorde de US$ 49 bilhões, liderou os investimentos em energias renováveis em 2010, seguida pela Alemanha (US$ 41,1 bilhões), Estados Unidos (US$ 30 bilhões) e Itália (US$ 14 bilhões).

O Brasil, segundo dados do instituto voltado para estudos na área de energias renováveis REN 21, citados no relatório, é o quarto principal país em termos de capacidade de produção dessas energias, incluindo a hidrelétrica.

Mas o país não está entre os cinco principais em relação à capacidade de produção de energia eólica (liderada pela China) ou solar. O relatório da Unctad afirma que os países do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) “estão fazendo avanços tecnológicos significativos nos setores eólico e solar”.

“A China está fazendo grandes esforços em relação ao uso de energias renováveis. Um dos grandes problemas do país são suas centrais térmicas que utilizam carvão. A transição não é simples e não pode ser feita de um dia para o outro”, diz Miroux.

  (Foto:  )

Metas ambiciosas
A diretora do estudo ressalta que o Brasil “está no bom caminho” com o objetivo “notório” de desenvolver as energias renováveis, apesar de ainda ‘não fazer o suficiente’ em relação às energias solar e eólica. Ela elogiou a meta fixada pelo governo de que 75% da eletricidade produzida no país seja proveniente de energias renováveis em 2030.

“O Brasil é um dos raros, talvez o único, a ter uma meta tão ambiciosa”, afirma Miroux, que questiona também se as enormes reservas do pré-sal poderiam colocar em risco a estratégia atual de desenvolvimento das energias limpas no país.

Tecnologia
Segundo o relatório, os investimentos globais em energias renováveis saltaram de US$ 33 bilhões em 2004 para US$ 211 bilhões no ano passado – um aumento de 539,4%. O crescimento médio anual no período foi de 38%.

Apesar dos números, a diretora do estudo alerta que ainda faltam “centenas de bilhões de dólares” para aperfeiçoar as tecnologias nos países em desenvolvimento e expandir o uso das energias renováveis no mundo. De acordo com o relatório, as energias renováveis oferecem uma oportunidade real para reduzir a pobreza energética nos países em desenvolvimento.

Fonte: G1


« Página anterior





Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

setembro 2018
S T Q Q S S D
« mar    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930

14 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Organizações dizem que Brasil desperdiça potencial de energia limpa

Relatório de ONGs afirma que energias solar e eólica são subaproveitadas.
Texto aponta que sistema atual de geração de energia tem grandes perdas.

Relatório elaborado por organizações não governamentais, divulgado nesta segunda-feira (12), aponta que o Brasil não aproveita seu potencial de geração de energia solar e eólica devido à falta de infraestrutura.

De acordo com o documento “O setor elétrico brasileiro e a sustentabilidade no século 21: oportunidades e desafios”, produzido por especialistas da área ambiental e técnicos de ONGs como WWF, Greenpeace e Instituto Socioambiental (ISA), gargalos técnicos impedem o crescimento dessas modalidades consideradas limpas.

O texto diz que a falta de estrutura para transmissão e distribuição de energia eólica inviabiliza a instalação de mais torres pelo país. Segundo dados do Atlas Eólico Brasileiro, o país tem potencial para gerar 143 GW apenas com a força dos ventos, número que é 12 vezes maior que a capacidade instalada da futura usina hidrelétrica de Belo Monte, em construção no Rio Xingu, no Pará.

Outro entrave citado no documento está ligado à falta de mão-de-obra e de tecnologias para suprir o setor, o que inviabilizaria uma “arrancada” na expansão desta forma de geração de eletricidade. Sobre a energia solar, o relatório aponta que se fosse aproveitada a luz solar para consumo elétrico em menos de 3% da área urbanizada do Brasil, seria possível atender a 10% de toda a demanda atual de energia elétrica do país.

No entanto, projetos do governo que implantam placas solares em regiões distantes dos grandes centros consumidores torna inviável economicamente a construção de redes de transmissão. “Os maiores entraves ao aproveitamento e à expansão da energia solar no Brasil seguem sendo a falta de incentivos e políticas públicas que consolidem a indústria e o mercado”, informa o documento.

Desperdício e custo maior ao consumidor
O texto faz críticas à política brasileira de geração de energia por hidrelétricas e aponta possíveis prejuízos ao meio ambiente e a culturas indígenas devido a implantação de empreendimentos na Amazônia.

O relatório afirma também que o país tem registrado grandes perdas de quantidades de energia elétrica devido a problemas no sistema de transmissão elétrico. Baseado em dados Tribunal de Contas da União (TCU), o documento diz que em 2004 as perdas técnicas (causadas pelas peculiaridades do sistema) e comerciais (por exemplo, instalação de “gatos”) de energia no país foram de 20,28% do total gerado.

O índice supera em muito os registrados em países vizinhos como Chile (5,6%) e Colômbia somadas (11,5%%) no mesmo período. Ainda segundo o relatório, tais perdas teriam causado um reajuste de ao menos 5% na tarifa ao consumidor.

Perda é inevitável, diz operador nacional
De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a perda técnica é inevitável e está associada ao processo de transmissão. Segundo o órgão, o aquecimento dos cabos durante as transmissões provoca tais extravios, considerados naturais e com índices que se igualam a padrões mundiais.

Sobre as perdas comerciais, o ONS afirma que é um problema que deve ser resolvido pelas distribuidoras, já que seriam provocadas por vários fatores, entre eles, ligações clandestinas (conhecidas como gatos) em diversas cidades.

De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), entre 2007 e 2010 as perdas técnicas de energia no país atingiram índice de 7%. A Aneel não divulgou o percentual de perdas comerciais para o mesmo período.

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Energia solar é alternativa para obter eletricidade em meio à reserva ambiental (Foto: Mariane Rossi/G1)

Energia solar é alternativa para obter eletricidade em meio a reserva ambiental. Distância de grandes centros consumidores inviabiliza instalação de redes transmissoras (Foto: Mariane Rossi/G1)

Fonte: Globo Natureza


16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

País deve definir metas e cotas para fontes renováveis alternativas, propõe estudo

A definição de metas, pelo governo federal, para ampliar a participação das fontes renováveis alternativas em seus próximos leilões de energia, a adoção de cotas para cada uma dessas fontes e a revisão de sua política de subsídios para o setor energético são algumas das recomendações do estudo Além de Grandes Hidrelétricas, apresentado na quarta-feira (15) durante o 8º Congresso Brasileiro de Planejamento Energético, em Curitiba.

Encomendado pela organização não governamental (ONG) WWF Brasil, o trabalho envolve pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp), da Universidade Federal do ABC (UFABC) e da ONG International Energy Initiative para a América Latina, entre outras instituições. O trabalho propõe ainda um aumento de 40% da participação das fontes eólica, de biomassa e das pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) nos próximos leilões de energia nova, com um crescimento mínimo de 10% para cada tipo de fonte.

O documento também defende que a política de crédito e incentivos fiscais seja revista, de forma que os subsídios dados hoje às termelétricas sejam gradualmente transferidos para fontes renováveis. “A geração de energia por termelétricas é cara, poluidora e depende de contratos take-or-pay [preço fixo para a energia, pago mesmo que ela não seja usada] para sobreviver”, diz.

A realização de leilões regionalizados e o incentivo à pesquisa e à inovação em áreas como a de energia solar, o que tende a diminuir o custo dessas novas tecnologias, também são sugeridas pelo estudo.

“Sem metas de inserção na matriz energética, o investidor interessado em fontes renováveis alternativas não tem segurança”, disse o pesquisador Paulo Henrique de Mello Sant’Ana, da UFABC, coordenador do trabalho. De acordo com Sant’Ana, o subsídio concedido às termelétricas movidas a carvão chegou a R$ 127,54 por megawatt-hora (MWh) em 2009. “Com um subsídios desses, poderíamos construir aerogeradores.”

Dos 2,4 mil empreendimentos de geração de energia elétrica em operação no país, 777 (32,4%) usam fontes renováveis alternativas. São 398 pequenas centrais hidrelétricas, 51 centrais eólicas e 328 centrais de biomassa que utilizam bagaço de cana-de-açúcar, conforme dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Juntas, essas unidades seriam capazes de produzir cerca de 12,3 milhões de quilowatts de potência, o equivalente a 9% da produção nacional.

O estudo encomendado pelo WWF Brasil aponta que as fontes renováveis poderiam substituir as termelétricas na função complementar às usinas hidrelétricas, responsáveis por mais de três quartos da eletricidade gerada no país. “Fontes renováveis alternativas podem exercer o mesmo papel [das termelétricas], com custos mais baixos e com menores impactos sobre o meio ambiente”, diz o documento. “O período da seca, quando as hidrelétricas produzem menos, coincide justamente com a safra de cana-de-açúcar e com o período de maior incidência de ventos.”

O trabalho ressalta ainda que o Brasil assumiu em 2009 o compromisso voluntário de diminuir suas emissões de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9%, até 2020. E cobra do setor elétrico, que contribui com 9,2% das emissões brasileiras, o incentivo a tecnologias de baixa emissão. “Apesar do sucesso dos últimos leilões de fontes alternativas em 2010 e 2011, não há na prática um compromisso do MME [Ministério de Minas e Energia] e da EPE [Empresa de Pesquisa Energética] com a continuidade desses leilões”, aponta o estudo.

“O Brasil tem até metas para inflação, porque não ter metas para a produção de energia elétrica a partir de fontes alternativas?”, pergunta Carlos Rittl, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF Brasil. “Vamos apresentar o documento ao governo. O país precisa aproveitar melhor o seu potencial de fontes renováveis alternativas nas próximas décadas”, disse.

A Agência Brasil procurou a Empresa de Pesquisa Energética. A assessoria de imprensa do órgão informou que o seu presidente, Maurício Tolmasquim, estava retornando de uma viagem e não poderia conceder entrevista. A assessoria do Ministério de Minas e Energia também foi acionada, mas a pessoa que poderia falar sobre o assunto estava em reunião.

Fonte: Fernando César Oliveira/ Agência Brasil


31 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Estudo traz sugestões para economia verde no Brasil

A transição do Brasil para uma economia verde e sustentável depende da maior frequência de reajustes nos preços dos combustíveis fósseis, com base na variação do barril de petróleo no mercado internacional. É o que aponta coletânea de estudos elaborada pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS). Para fundação, a quase ausência de aumentos de preços dos combustíveis fósseis no mercado interno impede a competitividade dos biocombustíveis no Brasil.

A coletânea, elaborada dentre agosto de 2011 e maio desde ano, teve patrocínio da Ambev, BNDES, JSL, Light, Shell e Tetra Pak e investimento de R$ 540 mil. Os levantamentos, que contêm propostas para diferentes setores da economia brasileira, foram entregues à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e serão levados à conferência das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável, a Rio+20, de 13 a 22 de junho, no Rio.

 

O diretor superintendente da FBDS, Walfredo Schindler, afirmou que o objetivo dos estudos é trazer propostas para implementação imediata. Como não é objetivo da Rio+20 trazer metas de curto prazo, a expectativa da fundação é que os assuntos sejam conhecidos e discutidos em um primeiro momento, e possam ser tratados com mais atenção após a conferência.

 

Um dos 12 estudos que compõe a coletânea, intitulada “Diretrizes para uma Economia Verde no Brasil”, defende a incorporação dos impactos ambientais e sociais aos custos da energia. Isso, na prática, elevaria os preços reais da geração fóssil.

 

“A gasolina vem sendo mantida com preços artificialmente baixos há muito tempo”, disse Schindler. Mas admitiu, no entanto, que as reservas do pré-sal são ativos importantes e o óleo continuará a ter papel de destaque na economia mundial.

 

Para Schindler, o programa de produção e uso de etanol de cana no Brasil representa “o mais importante programa de energia renovável do mundo e equivale a economia de quase um milhão de barris de petróleo por dia”. Essa análise leva em conta produção de biocombustível líquido e eletricidade. Nos últimos 33 anos, segundo Schindler, a produtividade do etanol aumentou 3,6 vezes. “Hoje, utilizamos 27% da área de cana para produzir a mesma quantidade de etanol produzida nos anos 70″, disse.

 

Em relação à geração de energia elétrica, Schindler destacou que o Brasil “ainda tem a matriz energética muito limpa” em comparação com a média mundial. Entretanto, ressaltou que a quantidade de termelétricas a combustíveis fósseis tem crescido, principalmente por causa de questões ligadas à segurança energética, dificuldades para obtenção de licenciamento ambiental para hidrelétricas e complicações para o aproveitamento do potencial hídrico amazônico. Segundo ele, dos cerca de 55% do potencial hidrelétrico que ainda há para explorar no país, cerca de 70% está na Floresta Amazônica.

 

Dentre as propostas para aumentar a geração está o incremento da energia eólica. “De 15% a 20% da nossa demanda poderia ser suprida por meio de energia eólica”, disse Schindler. Segundo ele, entre 2009 e 2011 foram investidos quase R$ 30 bilhões, correspondentes à contratação de uma capacidade de 5.785 MW. Isso permitirá que a participação da energia eólica passe de pouco menos de 1% para mais de 5% da capacidade instalada de geração de energia no país, até 2014.

 

Outra defesa do estudo é que a modernização de hidrelétricas mais antigas podem trazer ganhos de capacidade de 2,5% a 20%. Segundo Schindler, é possível efetuar programas de repotenciação em instalações que hoje correspondem a 32 GW instalados com custos de R$ 250 a R$ 600 por kW adicionado.

 

Além disso, o estudo afirma que, com o fim das concessões das usinas hidrelétricas, a partir de 2015, podem ser criadas diretrizes para que empresas e consórcios que fiquem com as concessões invistam em bacias hidrográficas com foco no uso múltiplo da água incluindo setores como agricultura, uso humano e transporte por rios.

Fonte: Valor Econômico


14 de maio de 2012 | nenhum comentário »

As desprotegidas áreas verdes da Rio+20

Izabella Teixeira defende regras para produção e consumo. E diz que padrão dos desenvolvidos não pode ser copiado.

Alvo de sérias críticas quanto a um resultado pouco ousado, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, defendeu ontem (10) que seria “excepcional” se a Rio+20 terminasse com a aprovação de “obrigações” para todos os países, especialmente nas áreas de produção e consumo sustentáveis. A ministra não especificou quais seriam essas obrigações, mas deixou claro que o padrão de consumo dos países desenvolvidos “não pode ser replicado para todo o planeta”.

 

Ao participar no Rio do “Sustentável 2012: uma agenda para a Rio+20″, Izabella deixou claro que a maior ousadia do Brasil, como país anfitrião da conferência, será garantir que todos os participantes do encontro se sintam incluídos no debate. “Não adianta promover o crescimento sem reduzir as desigualdades”, declarou.

 

Num discurso alinhado com o do Itamaraty, que já se declarou contrário à transformação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) numa agência, como ocorre com outros órgãos das Nações Unidas, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), Izabella fez questão de reafirmar a importância do fortalecimento do conceito de desenvolvimento sustentável.

 

Quanto ao Pnuma virar uma agência, o embaixador André Correa do Lago – um dos negociadores da Rio+20 na ONU e que também esteve ontem no Rio – deixou claro que, apesar do apoio explícito de vários países africanos e mesmo os europeus, a proposta ainda não é um consenso. “Defendemos o fortalecimento do Pnuma, para torná-lo mais efetivo, transparente, mais forte, mas não podemos isolá-lo numa agência apenas ambiental”, ponderou Correa do Lago, lembrando que, nos últimos 20 anos, o Brasil vem defendendo nas conferências internacionais o fortalecimento do conceito de desenvolvimento sustentável. “Não faz sentido isolar novamente o meio ambiente”.

 

Só que, internamente, o governo vem sendo criticado pelo fato de não existir uma liderança política que defenda os princípios do desenvolvimento sustentável. A falta de subsídios para promover a política energética sustentável é outra cobrança que ficou evidente durante o “Sustentável 2012″.

 

“Uma das grandes dificuldades que se encontra na questão de eficiência energética é que não tem um dono. Quanto às matrizes, seja biomassa, carvão, energia nuclear, os grupos estão organizados para defender cada um deles. No caso de eficiência energética, ninguém é contra. Mas não tem um lobista, no bom sentido da palavra, daquele que vá realmente lutar pela causa, porque ela não está associada a nenhum setor que vá ter algum ganho. Então este é um papel do governo”, disse Suzana Kahn, subsecretária de Economia Verde do Estado do Rio.

 

Apesar das críticas, o presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), disse que o governo está empenhado redução progressiva do uso de combustíveis fósseis no mundo. “A posição defendida pela delegação brasileira é definir uma meta de redução na utilização de combustíveis fósseis. Isso dará ao Brasil o diferencial de competitividade”, disse.

 

Ainda durante a plenária, o senador informou que, nos próximos dias, apresentará às comissões um projeto de lei para obrigar o repasse de uma parcela do valor da conta de energia elétrica à preservação de áreas de proteção permanente. Rollemberg explica que em 2014 está previsto o término do contrato de concessão de empresas de energia elétrica no País, tanto de geração, como de transmissão e de redistribuição, o que representaria cerca de 20% do setor. Entre elas, está a estatal Furnas. Na composição da tarifa de energia, atualmente uma parte do valor é proveniente de amortização de investimentos físicos realizados. E, segundo o senador, ao final da concessão, eles já teriam sido amortizados, o que permitiria uma redução da tarifa.

 

“O que estamos definindo é que um pequeno percentual do que seria a redução seja encaminhado ao fundo do pagamento de serviços ambientais, especialmente para áreas de preservação permanente ripárias [mata ciliar de rios], o que vai garantir quantidade e qualidade da água, que é a matéria prima para gerar energia hidrelétrica”, defendeu.

 

Ainda segundo Rollemberg, a Fiesp estimou em R$ 30 bilhões anuais o valor da redução da tarifa, mas não há consenso. Cerca de 3% deste valor poderia ser destinado ao fundo ambiental.

 

Esvaziamento - A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, minimizou o fato de o Parlamento Europeu ter decidido cancelar a viagem de uma delegação oficial para a Rio+20, por causa do preço dos hotéis no Rio de Janeiro, durante o período do encontro, entre os dias 20 e 22 de junho. “Você tem que ver quem é que está cancelando, mas tem outras pessoas da União Europeia que vão participar. Vejam a confirmação, não tem esvaziamento”, disse ela.

 

O embaixador André Correa do Lago disse que desistências são compreensíveis em função de circunstâncias internas dos países que vivem os efeitos da crise econômica, mas argumentou que elas não trazem dúvida em relação à relevância da conferência na agenda internacional.

 

“Todos reconhecem que ela é da maior importância, por isso já estamos com mais de 100 chefes de Estado e de Governo confirmados. O que acontece é que os países têm suas crises, eleições e [outras] circunstâncias, e é normal que avaliem por si próprios a possibilidade de um chefe de Estado vir ao Brasil. Isso de maneira nenhuma coloca em questão a relevância da conferência”, defendeu.

 

Ele ressaltou que a presenças do presidente eleito da França, François Hollande, e do recém-empossado presidente da Rússia, Vladimir Putin, confirmadas por telefone à presidente Dilma Rousseff, reforçam o prestígio e a importância da Rio+20.

 

“O Brasil é longe e eles têm consciência da importância de vir para a conferência. A Rio+20 está sendo muito prestigiada, mas nós temos que entender a circunstância interna dos países. Aconteceria a mesma coisa [com o Brasil], se estivéssemos em uma situação especial”, acrescentou Correa do Lago.

Fonte: Jornal da Ciência com informações da Agência Globo e Agência Brasil

 


18 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Energia renováveis: vale tudo por elas?

Por Jean Marc Sasson* - Às vésperas da Rio+20 cujo tema central será aEconomia Verde, se discutirá como um dos objetivos para as próximas décadas a mudança na matriz energética mundial de combustível fóssil para energia limpa.

Já é notório, no entanto, que as energias renováveis vêm ganhando cada vez mais importância no cenário mundial. Os investimentos saltaram de US$ 162 bilhões em 2009 para US$ 240 bilhões em 2011. A China, até outrora o maior poluidor mundial em razão de suas inúmeras termelétricas, é hoje a maior investidora em energia limpa do mundo.

O Brasil, por sua vez, cuja matriz energética já é limpa, será em 2013 o décimo maior investidor em eólicas e continuará, ainda, ampliando suas fontes hidrelétricas com projetos na região Norte e através de parcerias com países sul-americanos como Argentina e Peru. Inclusive, foi considerado junto com Nicarágua e Panamá em recente estudo elaborado pela Bloomberg New Energy Finance – Climascópio 2012 – a pedido do Fundo Multilateral de Investimentos, membro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), como um dos países com maior capacidade para atrair investimentos em energia limpa da América Latina e Caribe.

É importante e salutar este investimento brasileiro em renováveis. Já somos a sexta maior economia mundial e precisamos de energia para continuar progredindo. Mas o caminho que estamos trilhando, aparentemente sustentável, vem sendo realizada de forma tirânica, atentando contra os princípios republicanos e democráticos. O Poder Público vêm impondo a construção de empreendimentos independente de consultas públicas à população nacional e local. Quando discutimos sustentabilidade, pensamos no tripé social, econômico e ambiental. Contudo, estão sendo flexibilizados em nome do desenvolvimento nacional.

Vemos a vertente social ser violada quando minorias não são consultadas no processo licenciatório, quando são desalojadas por uma pequena indenização em detrimento de um interesse coletivo, quando as compensações sociais exigidas são descumpridas, quando a mão-de-obra utilizada na construção não é local. Nestes momentos há uma violação brutal pelo Poder Público aos princípios constitucionais da dignidade humana e democrático.

Já na vertente econômica, apesar de propiciar certo desenvolvimento econômico regional, observamos grande desperdício da verba pública. Por exemplo, ao comparamos as usinas hidrelétricas de Belo Monte e Itaipu, percebe-se a diferença abissal do investimento em ambas. Enquanto a primeira está orçada em R$ 30 bilhões de reais (preço atual estipulado e que fatalmente será maior), Itaipu custou míseros 11,8 bilhões de dólares, sendo construída há 40 anos atrás, isto é, sem as tecnologias que dispomos hoje. Embora tenha capacidade instalada de 11 mil MW, o que a tornará a segunda maior hidrelétrica do país, Belo Monte tem energia firme (que pode ser assegurada já prevendo os períodos de seca) de 4,4 mil MW ou 40% de sua capacidade, enquanto Itaipu, a maior usina do país, tem 14 mil MW de capacidade e energia firme de 61%.

Na segunda maior atualmente, Tucuruí – que futuramente perderá a posição para Belo Monte – o percentual é de 49%. Se não considerássemos a hipótese da construção de usinas menores nesta região como a mais indicada, comparemos o custo com outras fontes de energia limpa. Nos Estados Unidos, dois projetos desenvolvidos na Califórnia de aproveitamento da energia térmica utilizando espelhos para a concentração de calor, Ivanpah e Blythe, têm a previsão da geração de 370 MW de energia firme ao custo de R$ 3,4 bilhões e 960 MW ao custo de R$ 9,6 bilhões, respectivamente.

Multiplicando o custo para geração de um megawatt nesses dois projetos de matriz solar por 4 mil megawatts médios (quantidade indicada de Belo Monte) teriam um total de R$ 38 bilhões, para o projeto de Ivanpah, e de R$ 36,7 bilhões para o Blythe. São dois projetos que teriam equivalência, ao menos em teoria, em investimento e geração de energia à Belo Monte, mas com um impacto socioambiental muito menor.

Já a vertente ambiental, tratando-se de energia renovável, é por óbvio a mais vantajosa em razão da não emissão de dióxido de carbono. Ressalta-se, no entanto, que qualquer energia renovável não está livre de impacto ambiental. Há desmatamentos, desvios de rios, impacto na fauna e flora, impacto visual e sonoro etc. Fora isso, observa-se ainda violações no campo político, violando o regime democrático, quando processos licenciatórios são acelerados por mero interesse político, despendendo menos tempo do que se faz necessário para a análise dos impactos ambientais gerados por determinado empreendimento. Sabemos que o processo licenciatório brasileiro é moroso, mais em razão da ausência de mão- de-obra especializada do que pela complexidade da análise. Mas, ainda assim, não se justifica acelerar além do necessário para cumprir metas políticas.

A verdade é que o Poder Público deve ponderar e analisar o custo-benefício nas três vertentes, independente do interesse político e particular. Não existe energia renovável perfeita e livre de impacto. Devemos utilizar o princípio do equilibro nesta análise, de modo a analisar a melhor alternativa, optando por aquela que terá o menor impacto nas três esferas.

Pensar em impacto zero ou em desenvolvimento zero é não ponderar, é não ser realista. Se desenvolver e progredir é necessário sim, mas de forma racional e sustentável.

*Jean Marc Sasson é advogado com especialização em gestão ambiental pela COPPE/UFRJ e colunista do Portal Ambiente Energia. Ele também é editor do blog Verdejando (www.verdejeando.blogspot.com).

 

Fonte: Ambiente Energia


18 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Brasil e emergentes puxam ascensão da energia eólica, diz relatório

Brasil lidera no Cone Sul e será responsável pelo crescimento na região.
Indústria global vai instalar mais de 46 gigawatts de capacidade neste ano.

A indústria de energia eólica global vai instalar mais de 46 GW (gigawatts) de nova capacidade em 2012, dado que faz parte da previsão de crescimento da indústria eólica mundial para os próximos cinco anos.

Até o final de 2016, a capacidade total de energia eólica mundial será pouco menor do que 500 GW, diante de um mercado anual de cerca de 60 GW previsto para esse período. Os dados foram divulgados nessa semana no relatório anual do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês).

De acordo com dados do relatório Global Wind Report 2011, o Brasil vem se estabelecendo como grande mercado internacional, já dominando o latino-americano. Com uma forte base industrial, o país é considerado capaz de abastecer o Cone Sul, e será responsável, em vasta maioria, pelo crescimento regional até 2016.

As instalações totais para o período 2012-2016 devem chegar a 255 GW, com um crescimento cumulativo médio do mercado um pouco abaixo de 16%.

“Para os próximos cinco anos, o crescimento anual do mercado será impulsionado principalmente pela Índia e pelo Brasil, com significativas contribuições de novos mercados na América Latina, África e Ásia”, afirmou Steve Sawyer, secretário-geral GWEC.

“O Brasil está entre as quatro nações do mundo que mais cresce no setor eólico, ficando atrás somente de China, Estados Unidos e Índia. Em 2015 seremos o 10° maior produtor de energia eólica do mundo. Atualmente, nossa capacidade instalada é de 1.471 MW e nosso potencial gira em torno de 300 GW. Temos um futuro promissor e ainda há muito espaço para crescimento”, destaca Lauro Fiúza Junior, vice-presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), empresa que repassou informações para a produção do relatório.

Mercados asiáticos e europeu
A Ásia continuará a ser o maior mercado do mundo com muito mais novas instalações do que qualquer outra região, instalando 118 GW entre agora e 2016, e superando a Europa como o líder mundial em capacidade instalada acumulada em algum momento durante 2013, segundo o relatório.

Depois de quase uma década de um crescimento de dois e três dígitos, o mercado chinês finalmente se estabilizou, e permanecerá nos níveis atuais pelos próximos anos. Pela primeira vez, em 2011, a Índia alcançou um mercado anual de 3 GW e deverá atingir 5 GW até 2015. Já o futuro do sistema de energia do Japão, com a rejeição quase universal da energia nuclear após a tragédia tripla em 11 de Março 2011, dá esperanças para um novo começo para a indústria eólica no País, de acordo com o relatório.

O mercado europeu se mantém estável e, considerando o quadro político e metas da Europa até 2020, é pouco provável que aconteçam grandes surpresas. A Alemanha teve um forte ano em 2011 e a decisão do governo de eliminar progressivamente toda a energia nuclear até 2020 dá à indústria um novo impulso.

Já a Espanha teve um ano ruim, o que deve se repetir em 2012. No entanto, Romênia, Polônia, Turquia e Suécia continuaram a desempenhar seus papéis dentro do cenário de crescimento, segundo o relatório GWEC.

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Fonte: Globo Natureza


14 de março de 2012 | nenhum comentário »

Com atrativo ambiental e econômico, sobe busca de ‘selo verde’ em prédios

‘Green buildings’ reduzem custos operacionais e colaboram com a natureza.
Busca por selo quase dobrou em 2011 e previsão é crescer mais neste ano.

Bicicletário é um dos diferenciais do Eldorado Business Tower, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, que tem o selo verde (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)

Bicicletário é um dos diferenciais do Eldorado Business Tower, em São Paulo, que tem o selo verde (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)

Entre 2010 e 2011, a procura pela certificação “verde” de edifícios quase dobrou no Brasil, e a expectativa é continuar crescendo em 2012. A busca é por colaborar com o meio ambiente e, de quebra, reduzir custos operacionais e melhorar a imagem das empresas – o “carimbo” garante que um empreendimento adota medidas sustentáveis e ecologicamente corretas tanto na obra como no dia a dia.

O cenário aponta para um comportamento raro, quando os interesses econômicos se unem aos ambientais. Isso porque, apesar de o custo da construção ser de 1% a 7% mais caro, em média, a valorização estimada na revenda é de 10% a 20%, além de o investimento proporcionar até 30% de redução no valor do condomínio e diminuição média de 9% no custo de operação durante toda a vida útil, de acordo o Green Building Council Brasil (GBC Brasil), que orienta a respeito do selo Leed (sigla em inglês para liderança em design em energia e meio ambiente) no país.

Criado nos Estados Unidos há 15 anos, o Leed é apontado pelo mercado como o “precursor” do setor no Brasil – o primeiro pedido para certificação em território nacional ocorreu em 2004 e o primeiro certificado foi emitido em 2007.

Dados do conselho apontam que o número de empreendimentos na fila para conseguir o certificado passou de 237 ao fim de 2010 para 434 em 2011. Até a terceira semana de fevereiro deste ano, já eram 475. A expectativa é fechar 2012 com aproximadamente 650.

 

 

Arte prédio verde (Foto: Editoria de Arte/G1)

Por conta do tempo necessário para realização das obras após o pedido da certificação, o número de prédios já certificados com o Leed estava em 43 até o final de fevereiro. “Os prédios demoram dois, três, quatro anos para ficarem prontos. Agora é que os empreendimentos [na fila para ter o selo] estão começando a ficar prontos”, explica o gerente técnico do GBC Brasil, Marcos Casado. A expectativa é encerrar este ano com 75 selos.

No ranking mundial do número de empreendimentos registrados em busca da certificação, o Brasil aparece em quarto lugar, atrás dos Estados Unidos (38.940), China (com 807) e Emirados Árabes Unidos (758).

Entre os empreendimentos há de tudo – desde edifícios comerciais, como residenciais, industriais e de varejo. Até os estádios da Copa estão registrados para a certificação Leed, tanto nas novas construções quanto nas reformas, de acordo com o GBC. Dos 12 estádios que serão sede, apenas o Internacional (em Porto Alegre) e o Corinthians (em São Paulo) ainda não estão registrados em busca do certificado.

“Tem muita gente querendo ter o selo, são muitas construções em análise”, afirma Mony Lacerda, coordenador de avaliação da consultoria Colliers International, que orienta as empresas para a aquisição do Leed. De acordo com Lacerda, o processo de certificação em uma nova construção costuma demorar de um ano a um ano e meio, em média. Para um prédio antigo que faz uma reforma para se tornar “verde”, o processo para conseguir o título pode demorar dois anos.

Alexandre Ferreira vai de bicicleta ao trabalho graças ao bicicletário do prédio (Foto: Arquivo Pessoal)

Alexandre Ferreira vai de bicicleta ao trabalho, em São Paulo, graças ao bicicletário do prédio. Com vestiário, ele pode se trocar antes de começar o expediente (Foto: Arquivo Pessoal)

Selo 100% nacional
Outro selo verde existente no mercado brasileiro é o Aqua, criado pela Fundação Vanzolini, ligada à Universidade de São Paulo (USP) em 2008. “Percebemos um mercado que tinha interesse muito grande pela sustentabilidade do empreendimento da construção em si”, afirma Manuel Carlos Reis Martins, coordenador executivo do processo Aqua. Atualmente são 39 empreendimentos certificados, que compreendem 53 edifícios. Os números também crescem a cada ano: foram 9 edifícios certificados em 2009, 16 em 2010, 26 em 2011 e, até o começo de fevereiro de 2012, mais dois.

“A quantidade de selos está crescendo, e entre empreendedores que são formadores de opinião [citando varejistas e grandes construtoras]. O número, perto do que se constrói no Brasil, ainda é pequeno, mas grandes construtoras já têm [o selo] e pensam em fazer mais. Acho que a preocupação começa a se formar”, afirma Martins.

Espaço para crescer
Os prédios verdes ainda representam apenas 1%, em média, da majoritária massa cinza dos lançamentos imobiliários que surgem diariamente nas cidades brasileiras, de acordo com o GBC. A pequena proporção mostra como há espaço para crescer. “Hoje temos uma possibilidade de crescimento muito grande. Em países mais engajados, o mercado já é de 10%, 5%”, diz Casado.

Uma pesquisa da consultoria Cushman e Wakefield referente ao segundo trimestre de 2011 aponta que, à época, 3,5% do estoque total existente nas cidades de São Paulo, Barueri (na Grande SP), Rio de Janeiro e Curitiba era de “green buildings”.

Até 2013, o mesmo levantamento prevê que 37% dos novos espaços nessas cidades estarão em prédios verdes, acrescentando Santos, Brasília, Porto Alegre e Salvador – em São Paulo,Rio de Janeiro e Curitiba essa proporção deverá chegar a quase 50%.

Certificado garante que um empreendimento adota medidas sustentáveis e ecologicamente corretas  (Foto: Divulgação/GCB)

Certificado garante que um empreendimento adota medidas sustentáveis e ecologicamente corretas (Foto: Divulgação/GCB)

Economia
O esforço, contudo, vale a pena, de acordo com os especialistas. Dentro dos resultados está a estimativa de que um edifício certificado pode reduzir em até 70% a emissão de resíduos sólidos (lixo, papel, madeira, carcaça), 40% o uso de água potável, de 33% a 39% a emissão de CO2 e de 24% a 50% o uso de energia elétrica, de acordo com a pesquisa da Colliers.

As estimativas do Green Building Council EUA, usadas pelo conselho no Brasil, refletem um cenário parecido. De acordo com o GBC, o gasto nos prédios verdes com energia é 30% menor, há redução de até 50% no consumo de água, de até 80% nos resíduos e uma valorização de 10% a 20% no preço de revenda, além de redução média de 9% no custo de operação do empreendimento durante toda sua vida útil.

Para Lacerda, da Colliers, o investimento a mais no custo da obra vale a pena. “Isso é reavido no futuro (…). Se o investidor considerar até 10% a mais do custo para ser certificado, isso vai ser para sempre e a longo prazo. Depois, há o ganho na redução de custo operacional”, diz.

Requisitos
Para que essas economias aconteçam, contudo, há muitos requisitos. Os empreendimentos precisam ter características que visem a economia de recursos, como água e energia, reciclagem e descarte de materiais, e na saúde e bem estar de moradores e funcionários e da sociedade em geral, além do fomento à economia local.

Para isso, valem desde sistemas de controle do fluxo de água até a adoção de fontes renováveis de energia e captação de água da chuva. Melhor utilização da luz natural e projetos coordenados para descarte de materiais também entram na lista.

Lacerda diz que as economias geradas tornam o selo cada vez mais atrativo às empresas, sem contar a contrapartida intangível que é aliar a marca a uma imagem de preocupação ecológica. “Empresas multinacionais que têm filias no Brasil, por exemplo, tem todo o motivo para reforçar a marca com a sustentabilidade”, revela.

Bem-estar
Os prédios verdes também precisam levar em conta o bem-estar dos usuários. O bancário Alexandre Augusto Silva Ferreira, de 30 anos, trabalha em um banco localizado em um dos prédios certificados pelo Leed em São Paulo. De acordo com ele, um dos benefícios é a existência de um bicicletário, o que o permite ir trabalhar diariamente de bicicleta. “Eu uso praticamente todo dia. Só não uso quando tenho necessidades específicas, como ir trabalhar em outra unidade do banco, que não tem bicicletário”, diz.

Além do lugar para guardar a bike, o prédio também oferece um vestiário e armários para guardar roupas. Assim, Ferreira toma banho todo dia quando chega ao trabalho, para não chegar suado nem com roupas amassadas.

Para o bancário, que usa o bicicletário desde abril do ano passado, são inúmeros os benefícios. Além de não ficar mais parado no trânsito, emagreceu quase dez quilos e diz evitar estresses causados por atrasos devido ao congestionamento. “Estando de bike, quase nunca acontecem imprevistos”, diz, afirmando que consegue programar melhor as atividades do seu dia a dia. Ele mora a 15 quilômetros de distância do trabalho, e diz que demora cerca de 30 minutos para ir e 40 minutos para voltar.

Ferreira trabalha no Eldorado Business Tower, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo. Ao todo, 16 empresas estão sediadas no edifício, com aproximadamente 5 mil funcionários. De acordo com Fernando Sinicatto, gerente de operações do edifício, o prédio tem diversos sistemas para garantir o selo. A economia de água é de 30%. De acordo com ele, por exemplo, o sistema de reuso de água de chuva e condensação do ar condicionado proporcionam 100% da água utilizada no paisagismo e limpeza das garagens.

Outro exemplo são os elevadores, que possuem sistema de frenagem regenerativa, proporcionando economia de até 37% de energia. O prédio tem também programa de coleta seletiva, que gera redução de 40% nos resíduos destinados aos aterros sanitários, disse.

Há ainda persianas automatizadas, que abrem ou fecham de acordo a incidência de luz solar na fachada. Até a escolha do local para a construção do edifício foi pensada, já que possui acesso fácil ao transporte público, como ônibus e trem, explicou o gerente.

Varejo

Além de prédios de escritórios, redes varejistas também estão de olho no conceito. Um exemplo é a Leroy Merlin, que tem 8 lojas cadastradas na certificação Aqua, sendo que uma delas, em Niterói, no Rio de Janeiro, já está com o projeto 100% em uso e tem até um espaço sobre sustentabilidade.

“As informações, principalmente nas redes sociais, mudaram a consciência do consumidor (…). Conforme o consumidor vai se conscientizando, ele vai exigir muito mais. As pesquisas já dizem hoje que o consumidor já aceita pagar 10% a mais nos produtos sustentáveis, está virando um hábito”, afirma. O gerente explica, contudo, ser intangível medir se as lojas sustentáveis atraem mais clientes. Ele disse, ainda, que esse não é o principal objetivo da rede. “Nós não usamos a sustentabilidade para vender mais”, disse.

No caso da unidade de Niterói, o custo para o projeto da “loja verde” foi de 8% a mais, com um retorno estimado em cinco anos. Entre os resultados estão 26% de redução no consumo de energia e de 39% no de água.

Para Casado, do GBC Brasil, grande parte do crescimento do setor pode ser explicada pelo maior conhecimento das pessoas a respeito do conceito de construção sustentável. “Toda vez que se fala em sustentabilidade, fala-se da busca em equilibrar o social, o econômico e o ambiente. Então, se você consegue, do lado econômico, trazer esses benefícios, é sempre melhor”.

Fonte: Gabriela Gasparin, G1, São Paulo


28 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

“É possível levar energia renovável para todos”

Pragmática, a dinamarquesa Connie Hedegaard, é uma mulher que acredita em metas. A comissária europeia para ação climática, famosa por seu protagonismo na conferência do clima de Copenhague, em 2009, e também em Durban, na África do Sul, em 2011, chega ao Brasil hoje convencida de que tornar concreta a meta de dar acesso universal a energia renovável, em 2030, poderia ser um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODG) a ser imediatamente implementado ao fim da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, em junho, no Rio.

Para a ex-ministra do meio ambiente, de cooperação, e de clima e energia da Dinamarca, não é preciso esperar pelo detalhamento de todas as outras áreas – que podem tratar de temas tão diversos como água, oceanos ou consumo – para dar a partida aos ODG. “O objetivo da energia poderia começar já”, defende. “É muito importante que miremos coisas tangíveis e que tenham resultado a curto prazo.”

 

Nesta entrevista, concedida em Nairóbi, no Quênia, onde participou das comemorações do 40º aniversário do Pnuma, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, ela evitou falar sobre as mudanças na governança institucional ambiental e de desenvolvimento sustentável que a Rio+20 pode produzir. O tema é controverso. A Europa quer que o Pnuma se transforme em uma agência ambiental da ONU. O Brasil quer fortalecer o Pnuma, mas aposta na criação de um órgão de desenvolvimento sustentável.

 

Connie Hedegaard tem encontros em Brasília com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, com o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e uma agenda que termina em São Paulo e mistura clima e Rio+20. Ela participou do Painel de Alto Nível sobre Sustentabilidade Global da ONU e tem, na cabeça, visão de longo prazo para o crescimento dos países fundamentada na economia verde. “Se a Rio+20 mudar este paradigma, será um grande ganho”, diz. A seguir, trechos da entrevista concedida ao Valor Econômico:

 

Valor: Qual o perfil da sua visita ao Brasil? Mais mudança climática ou mais Rio+20?

Connie Hedegaard: É uma agenda mista. Fiz parte do painel das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável junto com a ministra Izabella Teixeira, e, claro, temos ambas interesse na agenda climática. Em Durban, o Brasil e a Europa tiveram uma cooperação muito construtiva. Espero que possamos avançar na agenda do clima para a próxima reunião, no Qatar. E agora, tão perto da Rio+20, é natural que discutamos alguns temas da conferência.

 

Valor: A senhora diz que a Rio+20 não é uma árvore de Natal. O que quer dizer?

Hedegaard: É que todos vêm com todos os seus desejos para a conferência. Mas deveríamos ter em mente que muita gente lá fora pensa que estes são tempos muito desafiadores. As pessoas percebem que a economia, os mercados, os bancos estão globalizados, e temos que mostrar que o globalizado sistema político multilateral pode dar algumas respostas claras. Acho que um dos desafios da Rio+20 não é escrever um monte de declarações, mas temos que ser capazes de, no dia seguinte à conferência, responder à pergunta: o que a Rio+20 mudou na vida dos cidadãos?

 

Valor: A senhora tem algum exemplo do que poderia ser decidido no Rio, em junho?

Hedegaard: Saliento a meta de acesso a energia sustentável para todos. Isso é algo muito concreto. Se há uma lição que aprendemos na Europa é que ajuda muito ter metas porque faz com que os governos tenham foco. Metas também fazem com que os investidores se mexam em determinadas áreas, se souberem quais são os objetivos e se tiverem alguma previsão. Acredito que há muitos investidores lá fora que gostariam de investir em energia. Mas eles têm que ter indicações claras de que isso é para valer. A sociedade global está levando a sério essas metas? O que significa dar acesso à energia sustentável para todos, em 2030? É sobre conseguir mais eficiência energética? Como podemos medir isso? Podemos fazer uma enorme diferença se decidirmos que, agora, vamos estabelecer estes padrões.

 

Valor: No final da Rio+20, o que terá sido um bom resultado, na sua opinião?

Hedegaard: Acredito que um bom resultado será se o mundo puder abraçar o conceito de economia verde. Conseguindo isso, a conferência do Rio poderia marcar uma real mudança de paradigma. Seria o momento em que as pessoas e os governos entenderiam que não podemos continuar fazendo as coisas como sempre, o que se chama “business as usual”. Não é assim que tornaremos as economias sustentáveis, não se criarão sociedades sustentáveis. Temos que mudar a maneira em que percebemos o crescimento e mudar para uma maneira mais eficiente de usar a energia e os recursos naturais. Se a Rio+20 puder marcar esta mudança, penso que terá sido um ganho muito grande.

 

Valor: A Rio+20 não irá produzir tratados internacionais com força legal. Isso é um problema?

Hedegaard: Quando foram estabelecidos os Objetivos do Milênio, dez anos atrás, perguntei ao então primeiro ministro de Moçambique o que estas metas significavam para o seu governo. Ele respondeu que representavam um incrível estímulo para que pudessem definir os processos e os caminhos de desenvolvimento do país. Os objetivos do milênio significam acesso à água, maior participação das mulheres, educação, e isso faz diferença. É o mundo querendo medir se está se mexendo na direção certa ou não. Basicamente é a mesma coisa que podemos fazer com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável na Rio+20. E, claro, se falarmos, vamos adotar a meta do acesso à energia renovável, teremos que encontrar uma metodologia que mostre como chegaremos a isso.

 

Valor: Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODG) que podem ser adotados na Rio+20 seriam um avanço nesta direção?

Hedegaard: A Europa pensa que os ODG podem ser algo muito bom. Agora, um dos desafios da Rio+20 é ver se a comunidade internacional está pronta para definir quais são estes objetivos.

 

Valor: Como assim?

Hedegaard: Dizer quais são os objetivos, quais as áreas e quais as metas. Uma área em que o trabalho preparatório já foi extremamente feito, dentro do sistema das Nações Unidas, é energia. Então, de um lado, poderíamos indicar que queremos ODGs neste e naquele campo, mas se tivermos alguma área mais específica, ou que está mais pronta, por que não começar com este setor imediatamente? Por que temos que esperar para conseguir detalhar outras áreas para implementar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável? Somos muito favoráveis ao que o mundo promova estas metas, só acho que não precisamos ter cada uma delas muito detalhada e definida já no Rio. Talvez, na conferência, os temas possam ser identificados e começar um processo.

 

Valor: Os assuntos poderiam ser definidos no Rio. Mas o que mais?

Hedegaard: Por exemplo, uma meta poderia ser sobre pesca sustentável. O que isso significa, como podemos detalhar o objetivo e como chegar a ele. Mas se não tivermos condições de fazer tudo nos mínimos detalhes no Rio, deveríamos dizer: este é o prazo final, é o que politicamente queremos fazer e aí voltamos e vemos como a meta poderia ficar. O que digo é que, por exemplo, no campo de energia sustentável nós já temos todos os detalhes.

 

Valor: Seria um começo, a meta da energia sustentável?

Hedegaard: Sim, poderia começar já, e fazer isso não estaria em contradição com as outras metas. Seria apenas para termos uma ação orientada. E poderia começar no dia seguinte ao término da Rio+20. Ministros brasileiros, comissários europeus, todos nós poderíamos nos perguntar que diferença a Rio+20 pode fazer para o mundo. É muito importante que miremos coisas tangíveis e que tenham resultado a curto prazo.

 

Valor: O que a senhora poderia dizer sobre a opinião da União Europeia sobre governança?

Hedegaard: Bem, só posso repetir o que Janez Potócnik, comissário da União Europeia para Ambiente, disse sobre isso (em coletiva de imprensa em Nairóbi Potócnik defendeu o fortalecimento do Pnuma e disse que “há desejo de mudanças”, mas não se prolongou no tema).

 

Valor: Como trazer chefes de Estado para o Rio?

Hedegaard: Não tenho comentários. Este é um assunto do governo brasileiro.

 

Valor: O que esperar da próxima reunião do clima, no Qatar?

Hedegaard: A reunião no Qatar tem que preparar um plano de trabalho muito claro.

 

Valor: A União Europeia foi protagonista na última conferência climática, em Durban. Como avançar nas negociações?

Hedegaard: Nossa estratégia funcionou. Usamos o fato de que estávamos prontos para aceitar um segundo período de compromissos do Protocolo de Kyoto, assumindo que éramos os únicos países do mundo prontos para isso. Dissemos “ok, vamos deixar o sistema vivo, mas só se outros nos disserem quando o resto do mundo subirá a bordo com algum acordo realmente global.” Foi onde chegamos em Durban graças à cooperação dos países africanos e dos países menos desenvolvidos do mundo. Mais de cem países falaram muito claramente para as economias emergentes e aos Estados Unidos: temos que ter agora um sistema global verdadeiro.

 

Valor: Foi assim que se chegou à promessa de se chegar a um acordo climático global em 2015?

Hedegaard: Alguns países disseram “ok, mas vamos terminar em 2016 ou 2017 e não deveríamos começar este ano.” Falamos: “Claro que temos que começar este ano!” Como podemos explicar para qualquer cidadão que a mudança climática é urgente, mas que não vamos começar nada até o ano que vem? Temos que terminar em 2015 porque se há algo que aprendemos neste processo é que ele nunca surpreende com decisões que acontecem mais rápidas do que você imaginou. Sempre leva muito tempo até que se possa concordar com algo e ver aquilo começando a funcionar.

 

Valor: Então, para se ter um acordo climático global em 2015, o que tem que acontecer no Qatar?

Hedegaard: Em Durban acertamos que temos que terminar as negociações do novo tratado em 2015. Teremos novos elementos sobre a mesa, um novo relatório do IPCC (o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, que reúne os novos estudos científicos sobre o assunto) que será lançado em 2014. E então teremos 4 ou 5 anos para que os países ratifiquem e implementem o acordo e o novo regime comece a operar. Isso leva tempo.

 

Valor: Qatar é o início disso?

Hedegaard: Qatar é sobre um programa de trabalho bem específico: quem faz o quê dentro de qual prazo. Como estruturamos, o que tem que ser feito politicamente, e por aí vai. Temos que trabalhar de trás para a frente. Pensando que temos de terminar com um acordo global na CoP de 2015, então, que tipo de conhecimento precisamos agora, quais os caminhos, working shops, grupos de trabalho e assim por diante para assegurar que no final de 2015 teremos o acordo. No Qatar também vamos ter que ter avanços no Fundo Verde, o dinheiro terá que começar a fluir.

 

Valor: E as metas do segundo período de compromisso de Kyoto…

Hedegaard: Sim, vamos submetê-las antes de 1º de maio, o prazo final acertado em Durban.

 

Valor: Perguntaram como o mundo dos negócios está reagindo à mudança climática e à economia de baixo carbono. A senhora mencionou o que está acontecendo na Tailândia. Pode explicar?

Hedegaard: A Tailândia divulgou números mostrando que nos últimos quatro meses de 2011, perdeu 9% de seu PIB por causa das inundações. Então, se você é uma empresa na Tailândia, você definitivamente aprendeu que continuar a fazer como sempre fez, “business as usual”, é algo que pode custar muito. São riscos muito perigosos para os negócios. É por isso, também, que é tão importante ter uma estratégia coerente para combater a mudança climática.

 

Valor: Mesmo com a crise econômica global, as emissões de gases-estufa ainda estão crescendo. Isso não preocupa?

Hedegaard: Acho que quando temos uma crise global como a que estamos vivendo, é uma oportunidade excelente para repensar o jeito como fazemos as coisas. Estou certa que, muitas empresas e muitos CEOs no mundo todo, durante esta crise, estão olhando para suas contas, vendo quanta energia gastam para fazer seus produtos, quanto aço precisam, quanto consomem de matérias-primas. Porque se uma coisa é certa sobre o futuro, é que estamos em um mundo em que há mais gente, e mais gente virando classe média e com mais possibilidade de consumo, então está claro que a demanda por matérias-primas e por energia irá crescer. Isso significa que os preços irão aumentar e que eficiência energética e eficiência no uso de recursos naturais, serão parâmetros competitivos. Acho que esta lógica está sendo aceita por mais e mais empresários e pelo poder público. Na Europa, agora, estamos falando muito mais sobre eficiência energética nos nossos prédios, na nossa infraestrutura, em como nos tornarmos mais eficientes em termos energéticos. Acho que esta é a mudança de paradigma que espero que a Rio+20 realmente consiga alcançar.

Fonte: Valor Econômico


13 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Fontes limpas de energia ainda longe de cumprir promessas

Alto custo e baixa eficiência são maiores obstáculos.

Um dos temas-chave da Rio+20, conferência global do meio ambiente que acontece este ano no Brasil, as fontes limpas e renováveis de energia enfrentam obstáculos para ganharem o espaço dos combustíveis fósseis na matriz energética mundial. Altos custos, baixa eficiência e pouca confiabilidade atravancam a expansão da geração solar e eólica, enquanto tecnologias como células de hidrogênio, etanol de celulose e biocombustíveis feitos com algas ainda não passam de promessas, demandando mais anos ou décadas de pesquisa e desenvolvimento para chegarem às ruas do planeta.

 

Segundo o relatório mais recente da Agência Internacional de Energia, as usinas solares, eólicas e outras do tipo responderam por apenas 0,8% de toda a energia no mundo em 2009. Enquanto isso, o último relatório especial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas sobre fontes renováveis prevê quatro cenários para o avanço no seu uso. No mais otimista, elas representariam 77% da energia do mundo em 2050, ajudando a manter a concentração de gases-estufa na atmosfera abaixo de 450 partes por milhão de dióxido de carbono, o suficiente para que a elevação da temperatura média global fique abaixo de 2 graus Celsius até o fim do século.

 

Já no cenário mais pessimista, a participação das fontes renováveis ficaria em apenas 15% do suprimento total de energia do planeta, com consequências desastrosas para o clima. Para evitar que isso aconteça, é necessário que sejam implantadas políticas fortes de incentivo à substituição dos combustíveis fósseis, defende Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe/UFRJ.

 

“O mercado não resolve tudo e o mundo está acordando para isso. É preciso a presença do Estado, dos órgãos reguladores, incentivos e planejamento, pois o principal empecilho para o avanço das fontes alternativas é seu alto custo comparativo. Hoje, carvão e gás natural, grandes emissores de gases-estufa, são as principais fontes de energia e vão continuar muito mais baratas do que as alternativas. Se não houver uma atitude enérgica, elas vão demorar muito para terem um peso significativo na matriz”, afirma.

 

Discurso mais otimista que real - Nas ruas e estradas, os combustíveis fósseis deverão continuar a abastecer os tanques dos veículos ainda por muitos anos. Em todo mundo, a única iniciativa com resultados significativos ainda é o programa de etanol de cana brasileiro e, mesmo com todos incentivos e subsídios, o etanol de milho dos EUA é “sujo” e pouco eficiente, afirma Jayme Buarque de Hollanda, diretor-geral do Instituto Nacional de Eficiência Energética (Inee).

 

“A maior parte da energia utilizada para produzir o etanol de milho americano vem de usinas a carvão, o que faz com que ele na verdade seja de 70% a 80% combustível fóssil, e não exatamente uma fonte limpa e renovável”, considera. “E mesmo o Brasil está tomando o caminho errado. Os carros flex na verdade são um crime em termos de eficiência, uma solução que não é boa tanto para o uso da gasolina quanto do álcool.”

 

As outras opções para alimentar a frota mundial de veículos, como células de hidrogênio, etanol de celulose e biocombustíveis de algas, ainda precisam de muito tempo para que as tecnologias sejam desenvolvidas, amadureçam e se tornem comercialmente viáveis, diz Roberto Schaeffer, professor de Planejamento Energético da Coppe. “O discurso é mais otimista do que a realidade. Ninguém consegue ver nenhuma dessas tecnologias se tornando minimamente importantes antes de 2025. E os carros elétricos e híbridos, embora sejam um passo à frente, não são a solução. Não adianta o carro ser 100% elétrico se a energia que o alimenta é de uma usina a carvão. Só se estaria trocando poluição local por global”, diz.

 

Segundo especialistas, a energia solar é e continuará muito mais cara que as fontes tradicionais nos próximos anos. Em geral, os painéis solares conseguem converter no máximo 20% da radiação recebida em eletricidade. E isso em dias claros e com iluminação direta do Sol. Além disso, uma simples poeira pode reduzir muito seu rendimento, sem contar que as usinas só geram energia durante o dia.

 

O panorama para a energia eólica, por sua vez, é um pouco melhor. Graças aos ganhos de escala na fabricação dos equipamentos com os fortes investimentos no setor, seus custos caíram acentuadamente nos últimos anos e sua eficiência aumentou. Mas, assim como a solar, ela também está muito sujeita às condições do clima, trazendo incertezas que farão com que sirva apenas como fonte complementar às tradicionais ainda por muitos anos.

 

“É preciso que tenhamos um pouco de tudo. Na hora que a China deixa de fazer uma usina a carvão para montar um parque eólico, por exemplo, a conta vai melhorando em favor do clima. Não será fácil repor o que se tem hoje só com fontes renováveis, mas vamos começar a ver uma transição nesta direção”, declara Schaeffer.

Fonte: O Globo


30 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

ONU diz que Brasil subaproveita seu potencial em energias renováveis

Segundo relatório, país ampliou investimento, mas poderia explorar melhor energias como a eólica e solar.

O Brasil ocupa uma posição de destaque na produção de energias renováveis, mas “poderia fazer mais esforços” em relação às energias solar e eólica, segundo a Conferência da Organização das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), que publicou nesta terça-feira (29) um relatório sobre o tema.

“O Brasil, devido ao seu clima e à sua superfície, possui um enorme potencial em termos de energia eólica e solar, mas não explora de forma suficiente sua capacidade nessas áreas”, disse Anne Miroux, diretora do relatório Tecnologia e Inovação – Potencialização do Desenvolvimento com Energias Renováveis, da Unctad.

Ela diz que o Brasil se concentra em setores “maduros”, como os biocombustíveis e a geração de energia hidrelétrica, criados há décadas. “O Brasil está entre os principais países que produzem energias renováveis, mas não em termos de energias modernas, como a eólica e a solar, nas quais nos focalizamos hoje”, diz Miroux.

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Investimento
O relatório da Unctad revela que o Brasil foi o quinto país que mais investiu em energias limpas no ano passado, totalizando a soma de US$ 7 bilhões. A China, com o valor recorde de US$ 49 bilhões, liderou os investimentos em energias renováveis em 2010, seguida pela Alemanha (US$ 41,1 bilhões), Estados Unidos (US$ 30 bilhões) e Itália (US$ 14 bilhões).

O Brasil, segundo dados do instituto voltado para estudos na área de energias renováveis REN 21, citados no relatório, é o quarto principal país em termos de capacidade de produção dessas energias, incluindo a hidrelétrica.

Mas o país não está entre os cinco principais em relação à capacidade de produção de energia eólica (liderada pela China) ou solar. O relatório da Unctad afirma que os países do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) “estão fazendo avanços tecnológicos significativos nos setores eólico e solar”.

“A China está fazendo grandes esforços em relação ao uso de energias renováveis. Um dos grandes problemas do país são suas centrais térmicas que utilizam carvão. A transição não é simples e não pode ser feita de um dia para o outro”, diz Miroux.

  (Foto:  )

Metas ambiciosas
A diretora do estudo ressalta que o Brasil “está no bom caminho” com o objetivo “notório” de desenvolver as energias renováveis, apesar de ainda ‘não fazer o suficiente’ em relação às energias solar e eólica. Ela elogiou a meta fixada pelo governo de que 75% da eletricidade produzida no país seja proveniente de energias renováveis em 2030.

“O Brasil é um dos raros, talvez o único, a ter uma meta tão ambiciosa”, afirma Miroux, que questiona também se as enormes reservas do pré-sal poderiam colocar em risco a estratégia atual de desenvolvimento das energias limpas no país.

Tecnologia
Segundo o relatório, os investimentos globais em energias renováveis saltaram de US$ 33 bilhões em 2004 para US$ 211 bilhões no ano passado – um aumento de 539,4%. O crescimento médio anual no período foi de 38%.

Apesar dos números, a diretora do estudo alerta que ainda faltam “centenas de bilhões de dólares” para aperfeiçoar as tecnologias nos países em desenvolvimento e expandir o uso das energias renováveis no mundo. De acordo com o relatório, as energias renováveis oferecem uma oportunidade real para reduzir a pobreza energética nos países em desenvolvimento.

Fonte: G1


« Página anterior