31 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Estudo traz sugestões para economia verde no Brasil

A transição do Brasil para uma economia verde e sustentável depende da maior frequência de reajustes nos preços dos combustíveis fósseis, com base na variação do barril de petróleo no mercado internacional. É o que aponta coletânea de estudos elaborada pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS). Para fundação, a quase ausência de aumentos de preços dos combustíveis fósseis no mercado interno impede a competitividade dos biocombustíveis no Brasil.

A coletânea, elaborada dentre agosto de 2011 e maio desde ano, teve patrocínio da Ambev, BNDES, JSL, Light, Shell e Tetra Pak e investimento de R$ 540 mil. Os levantamentos, que contêm propostas para diferentes setores da economia brasileira, foram entregues à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e serão levados à conferência das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável, a Rio+20, de 13 a 22 de junho, no Rio.

 

O diretor superintendente da FBDS, Walfredo Schindler, afirmou que o objetivo dos estudos é trazer propostas para implementação imediata. Como não é objetivo da Rio+20 trazer metas de curto prazo, a expectativa da fundação é que os assuntos sejam conhecidos e discutidos em um primeiro momento, e possam ser tratados com mais atenção após a conferência.

 

Um dos 12 estudos que compõe a coletânea, intitulada “Diretrizes para uma Economia Verde no Brasil”, defende a incorporação dos impactos ambientais e sociais aos custos da energia. Isso, na prática, elevaria os preços reais da geração fóssil.

 

“A gasolina vem sendo mantida com preços artificialmente baixos há muito tempo”, disse Schindler. Mas admitiu, no entanto, que as reservas do pré-sal são ativos importantes e o óleo continuará a ter papel de destaque na economia mundial.

 

Para Schindler, o programa de produção e uso de etanol de cana no Brasil representa “o mais importante programa de energia renovável do mundo e equivale a economia de quase um milhão de barris de petróleo por dia”. Essa análise leva em conta produção de biocombustível líquido e eletricidade. Nos últimos 33 anos, segundo Schindler, a produtividade do etanol aumentou 3,6 vezes. “Hoje, utilizamos 27% da área de cana para produzir a mesma quantidade de etanol produzida nos anos 70″, disse.

 

Em relação à geração de energia elétrica, Schindler destacou que o Brasil “ainda tem a matriz energética muito limpa” em comparação com a média mundial. Entretanto, ressaltou que a quantidade de termelétricas a combustíveis fósseis tem crescido, principalmente por causa de questões ligadas à segurança energética, dificuldades para obtenção de licenciamento ambiental para hidrelétricas e complicações para o aproveitamento do potencial hídrico amazônico. Segundo ele, dos cerca de 55% do potencial hidrelétrico que ainda há para explorar no país, cerca de 70% está na Floresta Amazônica.

 

Dentre as propostas para aumentar a geração está o incremento da energia eólica. “De 15% a 20% da nossa demanda poderia ser suprida por meio de energia eólica”, disse Schindler. Segundo ele, entre 2009 e 2011 foram investidos quase R$ 30 bilhões, correspondentes à contratação de uma capacidade de 5.785 MW. Isso permitirá que a participação da energia eólica passe de pouco menos de 1% para mais de 5% da capacidade instalada de geração de energia no país, até 2014.

 

Outra defesa do estudo é que a modernização de hidrelétricas mais antigas podem trazer ganhos de capacidade de 2,5% a 20%. Segundo Schindler, é possível efetuar programas de repotenciação em instalações que hoje correspondem a 32 GW instalados com custos de R$ 250 a R$ 600 por kW adicionado.

 

Além disso, o estudo afirma que, com o fim das concessões das usinas hidrelétricas, a partir de 2015, podem ser criadas diretrizes para que empresas e consórcios que fiquem com as concessões invistam em bacias hidrográficas com foco no uso múltiplo da água incluindo setores como agricultura, uso humano e transporte por rios.

Fonte: Valor Econômico


14 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Rio+20 deve priorizar criação de metas para uso de energias limpas

‘Brasil deve ser líder ambiental’, diz ex-ministro francês do Meio Ambiente.
Governo elaborará até novembro uma posição interministerial do encontro.

Os organizadores da Rio+20, encontro que deve acontecer em 2012 no Rio de Janeiro, pretendem estabelecer metas inéditas para estimular a produção de energia renovável e reduzir pela metade o consumo de outras fontes até 2030.

Será apresentada uma lista de propostas para o desenvolvimento sustentável que devem ser adotadas pelos países participantes – no mesmo modelo das Metas do Milênio.

“É hora de criar um plano de ação. Na Eco-92, debatemos os princípios. Agora, vamos agir”, disse o coordenador executivo da conferência, Brice Lalonde.

Ex-ministro do Meio Ambiente da França, Lalonde prevê acordos de cooperação técnica e financeira entre governos e investidores para difundir equipamentos de produção de energia limpa. O objetivo é dobrar a parcela representada por fontes renováveis na matriz energética e acelerar o ritmo de redução do consumo de energia no planeta.

Para ele, o incentivo a fontes de energia limpa deve ser a principal alternativa aos polêmicos debates sobre metas de redução da emissão de gases-estufa. “É mais fácil incentivar um país a produzir energia a partir de fontes renováveis que convencê-lo a reduzir emissões”, avaliou.

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul. Encontro Rio+20 deve estabelecer metas inéditas para estimular o uso de energias renováveis (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Líder da revolução verde
Lalonde sugere que o Brasil deixe de agir como porta-voz dos países em desenvolvimento e passe a se comportar como líder mundial, em novo patamar. Ele diz que a postura cautelosa da diplomacia brasileira evita que o País imponha sua agenda aos países desenvolvidos.

Países como o Brasil eram porta-vozes dos países pobres, mas agora são alguns dos principais gestores do planeta, afirmou. “O desenvolvimento sustentável é mais importante para o pobre que para o rico. Pode ser caro exigir que os pobres protejam a natureza, mas é mais caro não preservá-la”.

Para Lalonde, o papel de anfitrião do Brasil pode ser afetado pelos debates da revisão do Código Florestal. “É importante para a imagem internacional do Brasil encontrar um jeito de sair desse problema, tendo certeza das consequências desse debate. Se essa revisão for aprovada, os compromissos internacionais do Brasil deixarão de ser atingidos?”.

Em preparação
No fim de setembro, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse ao Globo Natureza que o Brasil deve concluir até 1º de novembro a elaboração de uma posição interministerial do país em relação à Rio +20.

“Estamos no processo de conclusão da posição nacional, que será transmitida às Nações Unidas. A partir do começo de 2012, vamos iniciar a negociação intergovernamental (entre os países participantes) para chegarmos ao documento final da Rio+20”, explicou.

Entretanto, o ministro comentou que ainda é cedo para saber se o encontro do Rio de Janeiro conterá metas obrigatórias para os países relacionadas ao desenvolvimento sustentável. “Ainda é cedo para falar com especificidade (…) Queremos que o encontro seja não só uma avaliação do que se fez nos últimos 20 anos, mas uma reflexão dos próximos 20 anos, incorporando as vertentes econômica, social e ambiental”, explicou.

 

Fonte: Globo Natureza, com informações da Agência do Estado.


11 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Quase 60% da população global não acessa energia limpa, diz estudo

Relatório da Agência Internacional de Energia foi divulgado nesta segunda.
Secretário-geral da ONU pede por uma rápida revolução energética.

Estudo publicado nesta segunda-feira (10) pela Organização das Nações Unidas e pela Agência Internacional de Energia aponta que mais da metade da população mundial não tem acesso a formas limpas de geração de energia.

Segundo o levantamento, das 7 bilhões de pessoas que vivem hoje no mundo, mais de 1 bilhão não acessam quaisquer formas de energia e quase 3 bilhões são obrigadas a utilizar fontes energéticas “sujas” (madeira e carvão) para suas necessidades domésticas.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que estudou sob a luz de velas quando era jovem, defendeu o acesso universal à energia limpa. “Precisamos de uma revolução energética”, declarou durante uma conferência em Oslo, na Noruega. “Necessitamos não somente de uma energia universal, mas que ela seja limpa e sustentável”, disse.

De acordo com o secretário-geral da ONU, a distribuição de energia limpa em escala mundial é indispensável para responder a “todos os desafios globais”: à pobreza, às mudanças climáticas, à escassez de água, saúde, à crise alimentar e ao acesso das mulheres a cargos de responsabilidade.

Organizada pela Noruega e pela AIE, a conferência de Oslo reúne mais de 70 países para discutir o financiamento de uma energia limpa acessível a todos. A ONU definiu para 2030 três objetivos conectados, lembrou Ki-moon: o acesso de todos aos serviços energéticos modernos, um aumento de 40% da eficácia energética e a duplicação da estrutura de energias renováveis.

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul. Estudo da Agência Internacional de Energia afirma que mais da metade da população do mundo não tem acesso a formas limpas de geração de energia (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Fonte: Globo Natureza, com informações da France Presse


1 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Produção de energia eólica vai aumentar sete vezes até 2014, prevê EPE

A energia eólica entrou definitivamente na matriz energética brasileira e deve crescer sete vezes em volume nos próximos três anos, saindo dos atuais 1.114 megawatts (MW) para 7.098 MW em 2014. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (31) pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, durante a abertura do encontro Brazil Windpower, que prossegue até sexta-feira (2), reunindo técnicos, agentes públicos e empresários do setor.

“O mundo todo está olhando para a questão da energia eólica no Brasil. Nós já temos um gigawatt (GW) instalado e vamos multiplicar por sete, que já estão contratados [em leilões] até 2014. É um crescimento bastante expressivo”, disse Tolmasquim.

O presidente da EPE apresentou números que mostram a força do setor no Brasil, principalmente a partir de 2005, ano que marca a escalada do crescimento da produção eólica e a diminuição no preço do MW, que caiu de R$ 300 na época para R$ 99,50 no último leilão este ano.

A expansão vem atraindo grandes empresas estrangeiras. Atualmente, quatro grupos dividem o mercado, mas a previsão é que mais seis indústrias se instalem e comecem a produzir aqui os equipamentos até 2014. Ainda assim, segundo Tolmasquim, o Brasil ocupa apenas o 21º lugar no ranking dos países produtores de energia eólica, que tem a China em primeiro, seguida pelos Estados Unidos, a Alemanha e Espanha.

Para o secretário de Planejamento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura, o sucesso da energia dos ventos explica-se por vários fatores. “A tecnologia evoluiu. As torres hoje são muito mais elevadas, saindo de 50 metros de altura no passado para até 120 metros de altura atualmente. A capacidade unitária dos geradores também aumentou e provocou uma redução de custos. A economia de escala, pelo fato de haver demanda para a energia eólica, também favoreceu essa competitividade. O Brasil tem hoje vários fabricantes operando em seu território, além de outros que vão se instalar aqui para atender não só o nosso mercado, mas também os clientes do exterior”, disse.

O presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Ricardo Simões, previu que o desenvolvimento do setor vai gerar um grande volume de investimentos nos próximos anos. Atualmente o país conta com 57 parques eólicos em produção e tem 30 em construção.

“Isto significa um investimento de R$ 25 bilhões a R$ 30 bilhões, e o setor eólico deve chegar em 2014 faturando mais de R$ 3 bilhões por ano. Estamos em um processo de consolidação dessa indústria, com aumento de escala e ganho de competitividade. É um ciclo virtuoso, de uma energia limpa, renovável e sem emissão de gás do efeito estufa”, disse Simões.

Segundo ele, há condições para o Brasil chegar nos próximos dez anos a 20 GW de produção de energia eólica. O volume equivale a uma vez e meia a capacidade total de produção da maior hidrelétrica do país, a Usina de Itaipu.

Fonte: Vladimir Platonow/ Agência Brasil


19 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Coordenador da Rio+20 diz que Brasil terá de assumir liderança

O coordenador-executivo da Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável), Brice Lalonde, disse nesta quinta-feira no Rio que a liderança brasileira será fundamental para que o encontro, que acontece no ano que vem, produza resultados concretos.

“Nós precisamos da liderança brasileira, porque as lideranças tradicionais desapareceram. Se a liderança não vier dos países emergentes, não haverá liderança suficiente”, afirmou o francês Lalonde, que está no Brasil para encontros com autoridades governamentais e líderes da sociedade civil.

Ele admitiu, porém, que questões internas como o aumento do desmatamento e a discussão em torno do novo Código Florestal podem pôr em xeque a liderança brasileira em questões ambientais. “Nós estamos obviamente preocupados, como todo mundo, mas temos que esperar para ver como essas situações vão se desenrolar”, disse ele ao ser questionado sobre o assunto em entrevista à imprensa.

Lalonde disse que o objetivo da Rio +20 não é produzir resultados imediatos, mas sim soluções de longo prazo para uma vida melhor no planeta. “Essa conferência pertence a uma família especial de conferências, que olham para o longo prazo, para o quadro geral. Será um grande check up para a humanidade e o planeta”, afirmou.

FOCO EM ENERGIAS RENOVÁVEIS

Em termos mais concretos, Lalonde disse que o foco da conferência devem ser as energias renováveis. “Um dos mais importantes resultados da Rio+20 deve ser a formação de uma grande coalizão global para abaixar os preços das energias renováveis e torná-las mais competitivas com as energias sujas, como o carvão”, completou.

O francês cobrou que os países sejam menos egoístas e pensem mais no planeta. “O problema do planeta é que ninguém fala em nome do planeta, só há Estados que defendem seus próprios interesses. Precisamos ser mais solidários e pensar no planeta.”

Ele afirmou que a sociedade civil também tem um grande papel na luta por um mundo mais sustentável. “As mudanças cabem muito mais às pessoas do que aos governos. As pessoas têm de pressionar os governos, afinal é o seu futuro que está em jogo. Nós não podemos deixar a juventude numa situação onde ela vai ter que pagar as nossas dívidas, não apenas financeiras, mas ecológicas”, disse.

Questionado se a atual situação econômica global poderia tornar difícil para os governantes pensar em objetivos de longo prazo, Lalonde recorreu a uma metáfora. “Quando o teto está pegando fogo, você tem que apagar o fogo no teto, mas também deveria aproveitar para consertar a infraestrutura da casa. Muitas pessoas acreditam que essa crise é parcialmente causada pela escassez de energia. Devemos aproveitar para resolver esse problema.”

Lalonde, 65, recorreu ao passado para se dizer, apesar de tudo, otimista com a conferência. “Quando eu era jovem, a palavra ecologia nem sequer existia. Hoje, uma série de instituições foram criadas e compromissos foram adotados. Nessa conferência vai ser tomada alguma decisão enorme, radical, para mudar o mundo? Provavelmente não. Mas será um novo passo adiante. Porque as mudanças reais acontecem no dia a dia. É preciso olhar para trás, para ver o que mudou nos últimos 20 anos”, disse.

A Rio+20 acontece entre 4 e 6 de junho do ano que vem. Seu nome faz referência à Eco-92, conferência que reuniu chefes de Estado no Rio em 1992 para discutir desenvolvimento sustentável.


Fonte: Rodrigo Rötzsch, do Rio, Folha.com


4 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Aumenta uso de madeira como alternativa à energia nuclear

A demanda por madeira destinada à produção de energia aumenta de maneira estável, e os analistas do setor acreditam que a tendência será reforçada com a decisão de alguns países industrializados de privilegiar fontes de energia renováveis e limpas frente à nuclear.

É o que revela a revista anual do mercado de produtos florestais da Unece (Comissão Econômica da ONU para a Europa), que indica que o consumo de produtos florestais subiu 5,6% em 2010 nas regiões da América do Norte, Europa e em países do antigo bloco soviético.

O posicionamento sobre matéria energética mudou em certos países europeus após o acidente nuclear de Fukushima –como o anúncio da Alemanha de abandonar totalmente a energia atômica até 2022–, mas também o aumento do preço do petróleo e do carvão impulsionou fortemente o mercado madeireiro.

Esta matéria-prima é reconhecida como uma fonte de energia renovável e neutra do ponto de vista das emissões de dióxido de carbono.

O crescimento mais marcante experimentado nos últimos anos são dos “pellets” de madeira (serragem compactada que apresenta um fator de combustão elevado), utilizados para a geração de eletricidade, segundo a publicação.

De uma capacidade de produção de 9 milhões de toneladas em nível mundial –a metade na Europa– passou para 16 milhões de toneladas no ano passado, 2 milhões menos que a capacidade total calculada.

Estima-se que este ano a produção alcançará os 20 milhões de toneladas e que o aumento anual do consumo será da ordem de 11% até 2020.

Esta tendência, no entanto, pode resultar inquietante para outros setores, por isso que envolveria em termos de abastecimento e do preço da madeira, reconheceu Douglas Clark, analista da Unece.

CONSUMO

A Europa é o primeiro consumidor de “pellets”, com Suécia como o maior comprador com 20% do total mundial.

O primeiro exportador e principal abastecedor mundial é o Canadá, embora o organismo considere que esta situação evoluirá com o desenvolvimento das capacidades de produção na Rússia.

A revista avalia como “destacável” o crescimento do setor florestal na China na última década, onde a produção duplicou nos últimos cinco anos, alcançando US$ 300 bilhões em 2010.

Entre 2009 e 2010, a produção de produtos florestais na China aumentou 29% e se transformou já no primeiro produtor mundial de tabuleiros de madeira.

Além disso, nos dez últimos anos duplicou a de papel, polpa e papelão, dos quais agora produz 25% do total mundial.

Os analistas classificam a madeira como matéria muito “versátil”. Além dos produtos mais óbvios que podem ser extraídos dela, também participa da produção de têxteis, aditivos alimentícios (com base em celulose), telas ópticas para computadores portáteis, celulares, entre outros artigos.

Fonte: Da EFE


17 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Energia eólica recebe R$ 25 bilhões e vai produzir mais que Belo Monte

No momento em que são cada vez mais questionadas as construções de usinas hidrelétricas e nucleares, as fontes renováveis de energia, como eólica, biomassa e solar, começam a ganhar espaço no Brasil.

Dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), por exemplo, revelam que, até 2013, serão investidos no País R$ 25 bilhões em 141 projetos do setor, espalhados pelos estados de Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe, Bahia e Rio Grande do Sul, informa a reportagem de Ramona Ordoñez. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, informou que, dentro de dois anos, o País produzirá 5.272 megawatts (MW) de energia eólica, um grande avanço se for considerado que, em 2005, o Brasil gerava apenas 29 MW.

 

O volume total de energia que será gerada a partir dos ventos – os novos projetos proporcionarão um incremento de 4.343 MW – é superior aos cerca de 4.500 MW previstos para a polêmica Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. Além disso, chega perto do total a ser produzido pelas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia: 6.300 MW.

Estrangeiros investem em fontes renováveis no Brasil

Atualmente, a capacidade de geração de energia eólica no Brasil é de 928,9 MW. Segundo o presidente da EPE, estatal federal, as fontes renováveis de energia representam, hoje, aproximadamente 8% da eletricidade produzida no País. Em dez anos, devem chegar a 14%. Só a CPFL Energias Renováveis está investindo R$ 5,8 bilhões no setor. Já a Renova Energia planeja aplicar R$ 1,2 bilhão em vários projetos, principalmente parques eólicos.

 

- A energia eólica vai reduzir a operação das usinas térmicas a gás natural que são acionadas de forma complementar às hidrelétricas – destacou Tolmasquim.

 

O presidente da Abeeólica, Ricardo Simões, disse que a energia produzida a partir dos ventos corresponde hoje a 0,7% do total de eletricidade do país, mas, em 2013, esse percentual passará para 4,3%. Segundo ele, diversos fabricantes estrangeiros de equipamentos começam a se instalar no Brasil, o que permitirá uma redução gradual dos custos do setor.

 

- É uma energia limpa, que não depende do petróleo. Por isso defendemos que o governo realize um leilão só para a oferta de projetos de energia eólica. A tendência é de os preços caírem cada vez mais – afirmou Simões

Fonte: O Globo


13 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Investimentos em energia limpa cresceram 30% no mundo em 2010

Agência aponta necessidade de políticas mais agressivas.

Dois relatórios recém-lançados mostram que a energia limpa ganhou mais espaço no mundo na última década, com destaque para as modalidades solar e eólica, mas o esforço para reduzir a predominância dos combustíveis fósseis precisará de políticas mais “agressivas”, que incluem a redução dos subsídios aos derivados de petróleo e o aumento aos incentivos governamentais para a produção de formas de energia menos poluentes. A fundação norte-americana Pew Charitable Trusts, que apresentou no dia 29 de março a edição 2010 do relatório “Who’s Winning the Clean Energy Race?” (Quem está vencendo a corrida da energia limpa?), revela que houve um crescimento mundial dos investimentos do setor de energia limpa de 30% entre 2009 e 2010, atingindo a marca de US$ 243 bilhões.

Total aplicado no setor chegou a US$ 243 bi ano passado. O documento “Clean Energy Progress Report” (Relatório sobre o progresso da energia limpa), divulgado em 6 de abril pela Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), destaca a importância conquistada na última década por algumas tecnologias de energia renovável, ao ponto de se tornarem mais competitivas que algumas das tecnologias convencionais. Entretanto, a IEA pondera que os custos da maioria das inovações tecnológicas ainda superam aqueles relacionados aos combustíveis fósseis, que receberam US$ 312 bilhões em subsídios em 2009, contra apenas US$ 57 bilhões para energias renováveis.

Para a Agência, uma “revolução da energia limpa” pode ser alcançada com uma ampla política de estímulo. “Ao longo das últimas duas décadas, vários países conseguiram promover alterações dramáticas em seus mercados energéticos. A chave para o sucesso tem sido a criação de uma abordagem estratégica e compreensiva que informe o público sobre segurança energética, crescimento econômico e benefícios ambientais dos investimentos em energia limpa”, informa o texto.

Vice-liderança brasileira entre os emergentes – O Brasil tem conquistado destaque nesse cenário, registrando US$ 7,6 bilhões em investimentos em energia limpa em 2010. Com isso, o País ficou na sexta posição entre os países do G-20 e em segundo lugar entre os emergentes, atrás apenas da China, de acordo com o relatório da Pew Charitable Trusts. Dos recursos destinados para a energia limpa no Brasil, 40% foram para os biocombustíveis, 31% para energia eólica e 28% para outras fontes renováveis.

Combustíveis fósseis receberam US$ 312 bi em subsídios em 2009, contra US$ 57 bi para renováveis O estudo mostra que o País também está na sexta colocação entre os membros do G-20 que tiveram maior crescimento nos investimentos nos últimos cinco anos, com 81%. No entanto, os aportes no Brasil sofreram uma redução de 1,3% entre 2010 e o ano anterior, quando somaram US$ 7,7 bilhões; em 2009, o País ocupava a sétima posição no ranking. O indicador que mede a intensidade de investimentos, relacionando o total aportado com o Produto Interno Bruto (PIB), coloca o Brasil na sétima colocação, com uma proporção de 0,35%. Na Alemanha, o país que mais investe em energia limpa em relação ao PIB, essa proporção foi de 1,4% no ano passado.

Entre os países com maior capacidade instalada de energia limpa, o Brasil, no entanto, figura apenas na nona colocação, somando 13,84 GW, atrás de países como China (1º lugar, com 103,36 GW), Estados Unidos (2º lugar, 57,99 GW) e Alemanha (3º lugar, 48,86 GW). No período de 2005 a 2010, o Brasil foi o oitavo país que mais cresceu em capacidade instalada, com alta de 42%, de acordo com o documento “Who’s Winning the Clean Energy Race?”.

Nova indústria mundial – Para a Pew Trusts, o setor de energia limpa deixou de se restringir a aplicações em nichos específicos para se transformar em uma indústria mundial na primeira década do século 21, chegando a adicionar anualmente mais de 60 GW na produção global de energia. “O rápido crescimento e o tamanho considerável dessa ainda jovem indústria captaram igualmente a atenção dos investidores, inventores e tomadores de decisão”, destaca o relatório. Os 20 países mais ricos do mundo concentraram 90% dos recursos aportados nesse setor no ano passado.

Brasil é o último em percentual de recursos aplicados em energia limpa: gastou 7% dos US$ 2,5 bilhões anunciados pelo governo desde 2009 Com o aumento do interesse sobre as fontes de energia limpas, aumentaram também as iniciativas governamentais de criação de estímulos ao setor, originando novas fontes de financiamento. Além disso, os países têm criado políticas para aumentar a produção e conquistar vantagens competitivas em determinados setores. “Especialmente, está claro que o centro de gravidade para os investimentos em energia limpa está mudando do Ocidente (Europa e Estados Unidos) para o Oriente (China, Índia e outras nações asiáticas).”

Dados levantados pela Pew Trusts mostram que a pesquisa e o desenvolvimento no setor de energia limpa, financiados com recursos públicos e privados, cresceu 24% no mundo em 2010, atingindo o patamar de US$ 35 bilhões. Considerando apenas os países do G-20, houve um crescimento de 27% no financiamento para a área a partir do capital de risco, incluindo venture capital e private equity, no total de US$ 8,1 bilhões.

Liderança europeia nos aportes

Na lista das regiões que mais recebem investimentos nesse setor, a primeira posição é ocupada pela Europa (US$ 94,4 bilhões), seguida pela Ásia (US$ 82,8 bilhões). O continente americano aparece em terceiro lugar, com aumento de 35% no período, para US$ 65,8 bilhões. No ranking dos países, os Estados Unidos continuam sendo o principal destino dos aportes na América, com US$ 34 bilhões em 2010, mas, apesar de os investimentos norte-americanos terem crescido 51% em relação a 2009, o país perdeu a segunda posição no G-20 para a Alemanha (US$ 41,2 bilhões), que teve 100% de crescimento, e ainda está atrás da China (US$ 54,4 bilhões), que cresceu 39%.

Entre as principais fontes de energia limpa, a solar se destacou no G-20 com crescimento dos investimentos do setor privado de 53%, alcançando a marca recorde de US$ 79 bilhões, estimulada principalmente por projetos de pequena escala e residenciais. Apesar da elevação mais modesta de 34% no G-20, a energia eólica continua sendo a que mais recursos recebe entre as fontes limpas, com US$ 95 bilhões – o que representa 48% do total de investimentos.

Recuo dos biocombustíveis – Em âmbito mundial, os biocombustíveis tiveram uma queda em relação a 2009, totalizando investimentos de apenas US$ 4,7 bilhões em 2010 – o nível menor desde 2005. Segundo o relatório da Pew Trusts, isso “reflete o fato de que a capacidade de produção de biocombustíveis de primeira geração excedeu a demanda em uma série de mercados importantes e que a segunda geração de combustíveis não está suficientemente avançada para distribuição comercial em larga escala”.

O relatório da IEA indica, no entanto, que o consumo de biocombustíveis continua crescente no mundo, com destaque para os Estados Unidos e o Brasil, mas ele representa apenas 2,7% do consumo global nos transportes rodoviários. A Agência prevê que seria necessário um crescimento sustentável da produção mundial de dez vezes para se alcançar as metas ambientais sobre mudanças climáticas até 2050, quando se espera que os biocombustíveis respondam por 27% dos transportes rodoviários. Entre 2000 e 2010, a produção mundial de biocombustíveis passou de 16 bilhões de litros para mais de 100 bilhões de litros. “Será particularmente importante que os biocombustíveis avançados alcancem a escala comercial nos próximos dez anos, com um aumento de 30 vezes na capacidade até 2030″, conclui a IEA.

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Consolidação chinesa – Chamada no relatório de superpotência global de energia limpa, a China mostra números surpreendentes nos últimos anos. Se em 2005 ela recebeu menos de US$ 3 bilhões em investimentos privados, em 2009 – ano em que tomou a dianteira em escala mundial – foram US$ 39,1 bilhões. Em 2010, os investimentos computados na China foram iguais aos aportes feitos em 2004 em todo o mundo, compara a Pew Charitable Trusts. “Com metas agressivas em energia limpa e clara ambição de dominar a fabricação e geração em energia limpa, a China está rapidamente avançando para a dianteira em relação ao resto do mundo”, explica o relatório.

Em 2010, o país foi responsável pela produção de quase 50% dos módulos solares e turbinas eólicas. No entanto, a China tem uma capacidade instalada de energia solar de apenas 1 GW, o que demonstra que sua produção de painéis e módulos tem visado o mercado externo. Em contrapartida, a energia eólica tem crescido muito dentro do país; com uma meta de atingir 150 GW instalados até 2020, a China instalou, apenas em 2010, 17 GW, ao valor de US$ 45 bilhões, o que representou 47% do aporte global em energia eólica.

Programas de estímulo – Levantamento da Pew Trusts, com base em informações da Bloomberg New Energy Finance, mostra que 12 membros do G-20 adotaram programas para estimular o estratégico setor da energia limpa e para combater os efeitos da crise financeira mundial de 2008/2009. Esses programas de energia limpa totalizaram US$ 194,3 bilhões nos anos de 2009 e 2010, de acordo com o documento. Desse total, 49% ou US$ 94,8 bilhões já foram gastos até o final de 2010. Desde o começo de 2009, a maior parte desses fundos foi empregada nas seguintes áreas: 37% para programas de eficiência energética, 21% para projetos de energia renováveis, 19% para pesquisa e desenvolvimento, e 17% para iniciativas de redes elétricas inteligentes (smart grid).

Diferentemente de países como a França – que já aplicou 100% dos recursos programados – e do Japão – que já gastou mais de 85% -, o Brasil apenas gastou 7% dos US$ 2,5 bilhões anunciados pelo governo desde 2009. O País é o último da lista de percentual de recursos aplicados em energia limpa, perdendo apenas para o Canadá, que também só investiu 17% dos US$ 800 milhões divulgados.

Fonte: Guilherme Gorgulho – Inovação Tecnológica


16 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Sucesso em energia limpa requer mais investimentos, diz Ipea

O Brasil tem ‘potencial’ para alcançar um modelo energético menos poluente e economicamente viável se houver mais pesquisas e investimentos do Estado, diz estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado nesta terça.

O estudo, chamado ‘Energia e Meio Ambiente no Brasil’, conclui que, para ser bem-sucedido nesse modelo, o Brasil precisa investir em pesquisa, distribuir melhor seus recursos e promover incentivos à produção de energia renovável.

O texto afirma que ‘muito mais do que um sacrifício para a economia nacional, a sustentabilidade ambiental deve ser vista como uma oportunidade para o desenvolvimento sócio-econômico. Esse raciocínio segue a tendência mundial, talvez irreversível, de uso de energias alternativas com responsabilidade social e ambiental’.

O desafio em relação aos biocombustíveis, para os autores da pesquisa, é se tornarem competitivos frente aos derivados de petróleo. O estudo pede mecanismos ‘capazes de remunerar o esforço da produção sustentável em toda a cadeia (produtiva)’, incluindo subsídios e renúncia fiscal por parte do governo.

No caso do etanol, o consumo, que foi de 25 bilhões de litros em 2009, deve chegar a 60 bilhões em 2017, segundo projeções.

A produção de energia eólica também tende a crescer – o setor ganhou mais 41 usinas nos últimos anos -, e o mercado de resíduos sólidos também oferece oportunidades para a geração de energia, mas ‘ainda carece de políticas de incentivo no Brasil’, segundo o Ipea.

Para o instituto, esses setores necessitam da interferência do Estado para crescerem em importância. ‘É necessário debater alternativas de compensação financeira – para municípios ou para a agricultura – para atividades de produção de energia renovável, (de forma) semelhante aos royalties do petróleo.’

Petróleo – Apesar disso, as atuais projeções apontem para uma maior dependência de combustíveis fósseis.

Atualmente, o consumo anual de petróleo no Brasil é estimado em 1,34 tonelada equivalente (tep) por habitante, média inferior à mundial (1,78 tep por habitante). Mas a tendência é que o consumo aumente significativamente no Brasil até 2030, segundo dados do Ministério de Minas e Energia citados pelo Ipea. Essa tendência de crescimento já era observada antes mesmo das descobertas do pré-sal.

Fonte: G1


7 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Para ser potência verde, Brasil deve fazer mudanças na matriz energética

07/12/2010

Na atual disputa por uma economia de baixo carbono, o Brasil poderia estar no topo do pódio e permanecer nele por muito tempo devido ao seu vasto potencial de energias renováveis. Mas, segundo especialistas, o país vem desperdiçando oportunidades de explorar fontes de energia limpa – o grande motor para o desenvolvimento em tempos de mudanças climáticas.

“Ninguém tem dúvidas de que as energias renováveis vão dominar no futuro. É um processo muito demorado, mas irreversível”, afirma o economista e engenheiro Edmilson Moutinho dos Santos, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP.

“Mas o Brasil, mesmo com todo seu potencial, pode ficar para trás se não investir mais nessa área de energia verde”, alerta o coordenador do Greenpeace, Ricardo Baitelo.

China, Estados Unidos e alguns países europeus estão aplicando bilhões de dólares para expandir suas energias verdes, especialmente eólica, solar e de biomassa (produzida a partir de lixo orgânico e sobras agrícolas, como o bagaço da cana). Na Europa, por exemplo, do total de novos mecanismos de geração de energia instalados no ano passado, 60% foram para renováveis.

Um estudo do Pew Environment Group com países do G-20 mostrou que enquanto o investimento da China nessa área foram de US$ 34,6 bilhões em 2009, o do Brasil foi de US$ 7,4 bilhões.

Situação cômoda – A culpa dessa “lentidão” do governo pode estar justamente na situação confortável do Brasil, com imenso seu potencial hidrelétrico, que faz com que 47% das fontes de energia do país sejam limpas. No entanto, para os especialistas, esse índice não pode ser visto como um motivo para se acomodar.

“Até há alguns anos, o país ainda tinha um grande potencial hidrelétrico a ser explorado. E o governo alegava que a Europa só investia em fontes renováveis por não ter esse potencial”, diz Baitelo. “Hoje, ele já percebeu as dificuldades ligadas a hidrelétricas e as vantagens da energias como a eólica.”

Para a professora de gestão ambiental da USP, Neli Aparecida de Mello, o problema não está nas hidrelétricas em si, mas na aposta que sempre se fez nas obras grandiosas, como Itaipu e Balbina, e também na sua localização.

“Não é uma questão de banir o modelo, mas sim de mudá-lo. Em primeiro lugar, deveríamos construir hidrelétricas menores, mais locais”, diz. “Também é preciso levar em conta que atualmente os novos projetos estão na Amazônia, como Belomonte. Além do impacto ambiental, temos de ver o grande problema de logística para controlar essas longas linhas de transmissão que trazem a energia para o Sudeste.”

Outro desafio passa pelas emissões vindas do setor energético. A meta do governo é permitir que esse tipo de emissão – que hoje representa 16,5% do total – dobre em dez anos. Segundo Baitelo, o governo usa a desculpa de que, como as emissões desse tipo são baixas, não há problemas em aumentá-las. “É um absurdo que se permita duplicar esse valor num país como o Brasil, com tantas alternativas energéticas”, diz.

Deslumbramento – Os especialistas também apontaram para outro motivo para esse certo atraso do Brasil em investir nas fontes verdes: o pré-sal. “No início do governo Lula, o etanol era prioridade. Com o pré-sal, houve um deslumbramento e ele acabou sumindo um pouco do discurso”, afirma Baitelo, lembrando que o então ministro de Minas e Energia Edison Lobão chegou a dizer que queria ver carros de passeio a diesel.

Santos destaca ainda que essa empolgação pré-sal acabou tirando o foco de uma questão essencial: o destino do gás gerado pela exploração desse petróleo. A projeção para essas emissões são tão altas que poderiam substituir as geradas pelo desmatamento, se esse fosse erradicado.

“Para quem está pensando em sustentabilidade, é um absurdo não aproveitar bem esse gás”, diz o engenheiro, acrescentando que, aliado a outras fontes, o gás poderia ajudar no abastecimento de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Outro contrasenso indicado por Santos é não se incentivar ônibus movidos à gás – e sim a diesel e etanol. “Para suprir frotas grandes como a de São Paulo seria preciso plantar muito mais cana, tirando espaço de outro tipo de lavouras.”

Avanços – Segundo os especialistas, esses erros e políticas mal articuladas tiveram seu ápice há cerca de cinco anos. “O governo acabou sujando sua matriz energética ao incentivar as térmicas a óleo, que são baratas de se construir”, lembra Baitelo.

Mas essa tendência vem se revertendo, ainda que em um ritmo muito mais lento do que o esperado. “Governo viu que o foco estava errado e passou a investir um pouco mais em outras energias, como a eólica”, diz o coordenador do Greenpeace.

A participação da eólica na matriz elétrica nacional cresceu 5% em 2009. Mesmo assim, essa fonte corresponde a apenas 0,2% do total de energia gerada, enquanto tem potencial para gerar até três vezes mais do que o Brasil necessita.

Para mudar esse cenário, falta mais incentivo do governo: “O BNDES, por exemplo, fica financiando apenas as grandes obras, como estádios para a Copa e Belomonte”, afirma Santos.

Lucrando com o sol – Os especialistas também criticam o baixo investimento sem ciência e pesquisa, que acabam ficando mais concentrado em áreas ligadas ao petróleo e a biocombustíveis. “O discurso oficial sempre pendeu mais para ‘vamos esperar o preço cair’ do que para criar legislação que incentive essas energias renováveis”, diz Baitelo.

Ele cita o fato de não haver produção nacional de painéis solares. “Se houvesse mais incentivos a esse tipo de negócio, poderíamos exportar essa tecnologia, como fazemos com o etanol.”

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Tarifas especiais para quem poupa energia também são raras no Brasil. Em países europeus e asiáticos, essa iniciativa é corrente e vai além: o consumidor que usa energia solar pode vender de volta para o Estado o excedente, criando um ciclo virtuoso.

“Incentivos e garantias ao consumidor é uma questão chave para se melhorar nossa maneira de usar energia”, afirma a professora da USP, fazendo uma comparação com os carros a álcool. “Demorou um tempo para se embarcar nesse mercado. Mas se a política for mantida aos poucos, o consumidor vai vendo que é algo viável, vantajoso e passa a comprar equipamentos que economizam energia, painéis solares.”

Fonte: G1


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31 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Estudo traz sugestões para economia verde no Brasil

A transição do Brasil para uma economia verde e sustentável depende da maior frequência de reajustes nos preços dos combustíveis fósseis, com base na variação do barril de petróleo no mercado internacional. É o que aponta coletânea de estudos elaborada pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS). Para fundação, a quase ausência de aumentos de preços dos combustíveis fósseis no mercado interno impede a competitividade dos biocombustíveis no Brasil.

A coletânea, elaborada dentre agosto de 2011 e maio desde ano, teve patrocínio da Ambev, BNDES, JSL, Light, Shell e Tetra Pak e investimento de R$ 540 mil. Os levantamentos, que contêm propostas para diferentes setores da economia brasileira, foram entregues à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e serão levados à conferência das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável, a Rio+20, de 13 a 22 de junho, no Rio.

 

O diretor superintendente da FBDS, Walfredo Schindler, afirmou que o objetivo dos estudos é trazer propostas para implementação imediata. Como não é objetivo da Rio+20 trazer metas de curto prazo, a expectativa da fundação é que os assuntos sejam conhecidos e discutidos em um primeiro momento, e possam ser tratados com mais atenção após a conferência.

 

Um dos 12 estudos que compõe a coletânea, intitulada “Diretrizes para uma Economia Verde no Brasil”, defende a incorporação dos impactos ambientais e sociais aos custos da energia. Isso, na prática, elevaria os preços reais da geração fóssil.

 

“A gasolina vem sendo mantida com preços artificialmente baixos há muito tempo”, disse Schindler. Mas admitiu, no entanto, que as reservas do pré-sal são ativos importantes e o óleo continuará a ter papel de destaque na economia mundial.

 

Para Schindler, o programa de produção e uso de etanol de cana no Brasil representa “o mais importante programa de energia renovável do mundo e equivale a economia de quase um milhão de barris de petróleo por dia”. Essa análise leva em conta produção de biocombustível líquido e eletricidade. Nos últimos 33 anos, segundo Schindler, a produtividade do etanol aumentou 3,6 vezes. “Hoje, utilizamos 27% da área de cana para produzir a mesma quantidade de etanol produzida nos anos 70″, disse.

 

Em relação à geração de energia elétrica, Schindler destacou que o Brasil “ainda tem a matriz energética muito limpa” em comparação com a média mundial. Entretanto, ressaltou que a quantidade de termelétricas a combustíveis fósseis tem crescido, principalmente por causa de questões ligadas à segurança energética, dificuldades para obtenção de licenciamento ambiental para hidrelétricas e complicações para o aproveitamento do potencial hídrico amazônico. Segundo ele, dos cerca de 55% do potencial hidrelétrico que ainda há para explorar no país, cerca de 70% está na Floresta Amazônica.

 

Dentre as propostas para aumentar a geração está o incremento da energia eólica. “De 15% a 20% da nossa demanda poderia ser suprida por meio de energia eólica”, disse Schindler. Segundo ele, entre 2009 e 2011 foram investidos quase R$ 30 bilhões, correspondentes à contratação de uma capacidade de 5.785 MW. Isso permitirá que a participação da energia eólica passe de pouco menos de 1% para mais de 5% da capacidade instalada de geração de energia no país, até 2014.

 

Outra defesa do estudo é que a modernização de hidrelétricas mais antigas podem trazer ganhos de capacidade de 2,5% a 20%. Segundo Schindler, é possível efetuar programas de repotenciação em instalações que hoje correspondem a 32 GW instalados com custos de R$ 250 a R$ 600 por kW adicionado.

 

Além disso, o estudo afirma que, com o fim das concessões das usinas hidrelétricas, a partir de 2015, podem ser criadas diretrizes para que empresas e consórcios que fiquem com as concessões invistam em bacias hidrográficas com foco no uso múltiplo da água incluindo setores como agricultura, uso humano e transporte por rios.

Fonte: Valor Econômico


14 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Rio+20 deve priorizar criação de metas para uso de energias limpas

‘Brasil deve ser líder ambiental’, diz ex-ministro francês do Meio Ambiente.
Governo elaborará até novembro uma posição interministerial do encontro.

Os organizadores da Rio+20, encontro que deve acontecer em 2012 no Rio de Janeiro, pretendem estabelecer metas inéditas para estimular a produção de energia renovável e reduzir pela metade o consumo de outras fontes até 2030.

Será apresentada uma lista de propostas para o desenvolvimento sustentável que devem ser adotadas pelos países participantes – no mesmo modelo das Metas do Milênio.

“É hora de criar um plano de ação. Na Eco-92, debatemos os princípios. Agora, vamos agir”, disse o coordenador executivo da conferência, Brice Lalonde.

Ex-ministro do Meio Ambiente da França, Lalonde prevê acordos de cooperação técnica e financeira entre governos e investidores para difundir equipamentos de produção de energia limpa. O objetivo é dobrar a parcela representada por fontes renováveis na matriz energética e acelerar o ritmo de redução do consumo de energia no planeta.

Para ele, o incentivo a fontes de energia limpa deve ser a principal alternativa aos polêmicos debates sobre metas de redução da emissão de gases-estufa. “É mais fácil incentivar um país a produzir energia a partir de fontes renováveis que convencê-lo a reduzir emissões”, avaliou.

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul. Encontro Rio+20 deve estabelecer metas inéditas para estimular o uso de energias renováveis (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Líder da revolução verde
Lalonde sugere que o Brasil deixe de agir como porta-voz dos países em desenvolvimento e passe a se comportar como líder mundial, em novo patamar. Ele diz que a postura cautelosa da diplomacia brasileira evita que o País imponha sua agenda aos países desenvolvidos.

Países como o Brasil eram porta-vozes dos países pobres, mas agora são alguns dos principais gestores do planeta, afirmou. “O desenvolvimento sustentável é mais importante para o pobre que para o rico. Pode ser caro exigir que os pobres protejam a natureza, mas é mais caro não preservá-la”.

Para Lalonde, o papel de anfitrião do Brasil pode ser afetado pelos debates da revisão do Código Florestal. “É importante para a imagem internacional do Brasil encontrar um jeito de sair desse problema, tendo certeza das consequências desse debate. Se essa revisão for aprovada, os compromissos internacionais do Brasil deixarão de ser atingidos?”.

Em preparação
No fim de setembro, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse ao Globo Natureza que o Brasil deve concluir até 1º de novembro a elaboração de uma posição interministerial do país em relação à Rio +20.

“Estamos no processo de conclusão da posição nacional, que será transmitida às Nações Unidas. A partir do começo de 2012, vamos iniciar a negociação intergovernamental (entre os países participantes) para chegarmos ao documento final da Rio+20”, explicou.

Entretanto, o ministro comentou que ainda é cedo para saber se o encontro do Rio de Janeiro conterá metas obrigatórias para os países relacionadas ao desenvolvimento sustentável. “Ainda é cedo para falar com especificidade (…) Queremos que o encontro seja não só uma avaliação do que se fez nos últimos 20 anos, mas uma reflexão dos próximos 20 anos, incorporando as vertentes econômica, social e ambiental”, explicou.

 

Fonte: Globo Natureza, com informações da Agência do Estado.


11 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Quase 60% da população global não acessa energia limpa, diz estudo

Relatório da Agência Internacional de Energia foi divulgado nesta segunda.
Secretário-geral da ONU pede por uma rápida revolução energética.

Estudo publicado nesta segunda-feira (10) pela Organização das Nações Unidas e pela Agência Internacional de Energia aponta que mais da metade da população mundial não tem acesso a formas limpas de geração de energia.

Segundo o levantamento, das 7 bilhões de pessoas que vivem hoje no mundo, mais de 1 bilhão não acessam quaisquer formas de energia e quase 3 bilhões são obrigadas a utilizar fontes energéticas “sujas” (madeira e carvão) para suas necessidades domésticas.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que estudou sob a luz de velas quando era jovem, defendeu o acesso universal à energia limpa. “Precisamos de uma revolução energética”, declarou durante uma conferência em Oslo, na Noruega. “Necessitamos não somente de uma energia universal, mas que ela seja limpa e sustentável”, disse.

De acordo com o secretário-geral da ONU, a distribuição de energia limpa em escala mundial é indispensável para responder a “todos os desafios globais”: à pobreza, às mudanças climáticas, à escassez de água, saúde, à crise alimentar e ao acesso das mulheres a cargos de responsabilidade.

Organizada pela Noruega e pela AIE, a conferência de Oslo reúne mais de 70 países para discutir o financiamento de uma energia limpa acessível a todos. A ONU definiu para 2030 três objetivos conectados, lembrou Ki-moon: o acesso de todos aos serviços energéticos modernos, um aumento de 40% da eficácia energética e a duplicação da estrutura de energias renováveis.

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul. Estudo da Agência Internacional de Energia afirma que mais da metade da população do mundo não tem acesso a formas limpas de geração de energia (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Fonte: Globo Natureza, com informações da France Presse


1 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Produção de energia eólica vai aumentar sete vezes até 2014, prevê EPE

A energia eólica entrou definitivamente na matriz energética brasileira e deve crescer sete vezes em volume nos próximos três anos, saindo dos atuais 1.114 megawatts (MW) para 7.098 MW em 2014. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (31) pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, durante a abertura do encontro Brazil Windpower, que prossegue até sexta-feira (2), reunindo técnicos, agentes públicos e empresários do setor.

“O mundo todo está olhando para a questão da energia eólica no Brasil. Nós já temos um gigawatt (GW) instalado e vamos multiplicar por sete, que já estão contratados [em leilões] até 2014. É um crescimento bastante expressivo”, disse Tolmasquim.

O presidente da EPE apresentou números que mostram a força do setor no Brasil, principalmente a partir de 2005, ano que marca a escalada do crescimento da produção eólica e a diminuição no preço do MW, que caiu de R$ 300 na época para R$ 99,50 no último leilão este ano.

A expansão vem atraindo grandes empresas estrangeiras. Atualmente, quatro grupos dividem o mercado, mas a previsão é que mais seis indústrias se instalem e comecem a produzir aqui os equipamentos até 2014. Ainda assim, segundo Tolmasquim, o Brasil ocupa apenas o 21º lugar no ranking dos países produtores de energia eólica, que tem a China em primeiro, seguida pelos Estados Unidos, a Alemanha e Espanha.

Para o secretário de Planejamento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura, o sucesso da energia dos ventos explica-se por vários fatores. “A tecnologia evoluiu. As torres hoje são muito mais elevadas, saindo de 50 metros de altura no passado para até 120 metros de altura atualmente. A capacidade unitária dos geradores também aumentou e provocou uma redução de custos. A economia de escala, pelo fato de haver demanda para a energia eólica, também favoreceu essa competitividade. O Brasil tem hoje vários fabricantes operando em seu território, além de outros que vão se instalar aqui para atender não só o nosso mercado, mas também os clientes do exterior”, disse.

O presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Ricardo Simões, previu que o desenvolvimento do setor vai gerar um grande volume de investimentos nos próximos anos. Atualmente o país conta com 57 parques eólicos em produção e tem 30 em construção.

“Isto significa um investimento de R$ 25 bilhões a R$ 30 bilhões, e o setor eólico deve chegar em 2014 faturando mais de R$ 3 bilhões por ano. Estamos em um processo de consolidação dessa indústria, com aumento de escala e ganho de competitividade. É um ciclo virtuoso, de uma energia limpa, renovável e sem emissão de gás do efeito estufa”, disse Simões.

Segundo ele, há condições para o Brasil chegar nos próximos dez anos a 20 GW de produção de energia eólica. O volume equivale a uma vez e meia a capacidade total de produção da maior hidrelétrica do país, a Usina de Itaipu.

Fonte: Vladimir Platonow/ Agência Brasil


19 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Coordenador da Rio+20 diz que Brasil terá de assumir liderança

O coordenador-executivo da Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável), Brice Lalonde, disse nesta quinta-feira no Rio que a liderança brasileira será fundamental para que o encontro, que acontece no ano que vem, produza resultados concretos.

“Nós precisamos da liderança brasileira, porque as lideranças tradicionais desapareceram. Se a liderança não vier dos países emergentes, não haverá liderança suficiente”, afirmou o francês Lalonde, que está no Brasil para encontros com autoridades governamentais e líderes da sociedade civil.

Ele admitiu, porém, que questões internas como o aumento do desmatamento e a discussão em torno do novo Código Florestal podem pôr em xeque a liderança brasileira em questões ambientais. “Nós estamos obviamente preocupados, como todo mundo, mas temos que esperar para ver como essas situações vão se desenrolar”, disse ele ao ser questionado sobre o assunto em entrevista à imprensa.

Lalonde disse que o objetivo da Rio +20 não é produzir resultados imediatos, mas sim soluções de longo prazo para uma vida melhor no planeta. “Essa conferência pertence a uma família especial de conferências, que olham para o longo prazo, para o quadro geral. Será um grande check up para a humanidade e o planeta”, afirmou.

FOCO EM ENERGIAS RENOVÁVEIS

Em termos mais concretos, Lalonde disse que o foco da conferência devem ser as energias renováveis. “Um dos mais importantes resultados da Rio+20 deve ser a formação de uma grande coalizão global para abaixar os preços das energias renováveis e torná-las mais competitivas com as energias sujas, como o carvão”, completou.

O francês cobrou que os países sejam menos egoístas e pensem mais no planeta. “O problema do planeta é que ninguém fala em nome do planeta, só há Estados que defendem seus próprios interesses. Precisamos ser mais solidários e pensar no planeta.”

Ele afirmou que a sociedade civil também tem um grande papel na luta por um mundo mais sustentável. “As mudanças cabem muito mais às pessoas do que aos governos. As pessoas têm de pressionar os governos, afinal é o seu futuro que está em jogo. Nós não podemos deixar a juventude numa situação onde ela vai ter que pagar as nossas dívidas, não apenas financeiras, mas ecológicas”, disse.

Questionado se a atual situação econômica global poderia tornar difícil para os governantes pensar em objetivos de longo prazo, Lalonde recorreu a uma metáfora. “Quando o teto está pegando fogo, você tem que apagar o fogo no teto, mas também deveria aproveitar para consertar a infraestrutura da casa. Muitas pessoas acreditam que essa crise é parcialmente causada pela escassez de energia. Devemos aproveitar para resolver esse problema.”

Lalonde, 65, recorreu ao passado para se dizer, apesar de tudo, otimista com a conferência. “Quando eu era jovem, a palavra ecologia nem sequer existia. Hoje, uma série de instituições foram criadas e compromissos foram adotados. Nessa conferência vai ser tomada alguma decisão enorme, radical, para mudar o mundo? Provavelmente não. Mas será um novo passo adiante. Porque as mudanças reais acontecem no dia a dia. É preciso olhar para trás, para ver o que mudou nos últimos 20 anos”, disse.

A Rio+20 acontece entre 4 e 6 de junho do ano que vem. Seu nome faz referência à Eco-92, conferência que reuniu chefes de Estado no Rio em 1992 para discutir desenvolvimento sustentável.


Fonte: Rodrigo Rötzsch, do Rio, Folha.com


4 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Aumenta uso de madeira como alternativa à energia nuclear

A demanda por madeira destinada à produção de energia aumenta de maneira estável, e os analistas do setor acreditam que a tendência será reforçada com a decisão de alguns países industrializados de privilegiar fontes de energia renováveis e limpas frente à nuclear.

É o que revela a revista anual do mercado de produtos florestais da Unece (Comissão Econômica da ONU para a Europa), que indica que o consumo de produtos florestais subiu 5,6% em 2010 nas regiões da América do Norte, Europa e em países do antigo bloco soviético.

O posicionamento sobre matéria energética mudou em certos países europeus após o acidente nuclear de Fukushima –como o anúncio da Alemanha de abandonar totalmente a energia atômica até 2022–, mas também o aumento do preço do petróleo e do carvão impulsionou fortemente o mercado madeireiro.

Esta matéria-prima é reconhecida como uma fonte de energia renovável e neutra do ponto de vista das emissões de dióxido de carbono.

O crescimento mais marcante experimentado nos últimos anos são dos “pellets” de madeira (serragem compactada que apresenta um fator de combustão elevado), utilizados para a geração de eletricidade, segundo a publicação.

De uma capacidade de produção de 9 milhões de toneladas em nível mundial –a metade na Europa– passou para 16 milhões de toneladas no ano passado, 2 milhões menos que a capacidade total calculada.

Estima-se que este ano a produção alcançará os 20 milhões de toneladas e que o aumento anual do consumo será da ordem de 11% até 2020.

Esta tendência, no entanto, pode resultar inquietante para outros setores, por isso que envolveria em termos de abastecimento e do preço da madeira, reconheceu Douglas Clark, analista da Unece.

CONSUMO

A Europa é o primeiro consumidor de “pellets”, com Suécia como o maior comprador com 20% do total mundial.

O primeiro exportador e principal abastecedor mundial é o Canadá, embora o organismo considere que esta situação evoluirá com o desenvolvimento das capacidades de produção na Rússia.

A revista avalia como “destacável” o crescimento do setor florestal na China na última década, onde a produção duplicou nos últimos cinco anos, alcançando US$ 300 bilhões em 2010.

Entre 2009 e 2010, a produção de produtos florestais na China aumentou 29% e se transformou já no primeiro produtor mundial de tabuleiros de madeira.

Além disso, nos dez últimos anos duplicou a de papel, polpa e papelão, dos quais agora produz 25% do total mundial.

Os analistas classificam a madeira como matéria muito “versátil”. Além dos produtos mais óbvios que podem ser extraídos dela, também participa da produção de têxteis, aditivos alimentícios (com base em celulose), telas ópticas para computadores portáteis, celulares, entre outros artigos.

Fonte: Da EFE


17 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Energia eólica recebe R$ 25 bilhões e vai produzir mais que Belo Monte

No momento em que são cada vez mais questionadas as construções de usinas hidrelétricas e nucleares, as fontes renováveis de energia, como eólica, biomassa e solar, começam a ganhar espaço no Brasil.

Dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), por exemplo, revelam que, até 2013, serão investidos no País R$ 25 bilhões em 141 projetos do setor, espalhados pelos estados de Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe, Bahia e Rio Grande do Sul, informa a reportagem de Ramona Ordoñez. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, informou que, dentro de dois anos, o País produzirá 5.272 megawatts (MW) de energia eólica, um grande avanço se for considerado que, em 2005, o Brasil gerava apenas 29 MW.

 

O volume total de energia que será gerada a partir dos ventos – os novos projetos proporcionarão um incremento de 4.343 MW – é superior aos cerca de 4.500 MW previstos para a polêmica Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. Além disso, chega perto do total a ser produzido pelas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia: 6.300 MW.

Estrangeiros investem em fontes renováveis no Brasil

Atualmente, a capacidade de geração de energia eólica no Brasil é de 928,9 MW. Segundo o presidente da EPE, estatal federal, as fontes renováveis de energia representam, hoje, aproximadamente 8% da eletricidade produzida no País. Em dez anos, devem chegar a 14%. Só a CPFL Energias Renováveis está investindo R$ 5,8 bilhões no setor. Já a Renova Energia planeja aplicar R$ 1,2 bilhão em vários projetos, principalmente parques eólicos.

 

- A energia eólica vai reduzir a operação das usinas térmicas a gás natural que são acionadas de forma complementar às hidrelétricas – destacou Tolmasquim.

 

O presidente da Abeeólica, Ricardo Simões, disse que a energia produzida a partir dos ventos corresponde hoje a 0,7% do total de eletricidade do país, mas, em 2013, esse percentual passará para 4,3%. Segundo ele, diversos fabricantes estrangeiros de equipamentos começam a se instalar no Brasil, o que permitirá uma redução gradual dos custos do setor.

 

- É uma energia limpa, que não depende do petróleo. Por isso defendemos que o governo realize um leilão só para a oferta de projetos de energia eólica. A tendência é de os preços caírem cada vez mais – afirmou Simões

Fonte: O Globo


13 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Investimentos em energia limpa cresceram 30% no mundo em 2010

Agência aponta necessidade de políticas mais agressivas.

Dois relatórios recém-lançados mostram que a energia limpa ganhou mais espaço no mundo na última década, com destaque para as modalidades solar e eólica, mas o esforço para reduzir a predominância dos combustíveis fósseis precisará de políticas mais “agressivas”, que incluem a redução dos subsídios aos derivados de petróleo e o aumento aos incentivos governamentais para a produção de formas de energia menos poluentes. A fundação norte-americana Pew Charitable Trusts, que apresentou no dia 29 de março a edição 2010 do relatório “Who’s Winning the Clean Energy Race?” (Quem está vencendo a corrida da energia limpa?), revela que houve um crescimento mundial dos investimentos do setor de energia limpa de 30% entre 2009 e 2010, atingindo a marca de US$ 243 bilhões.

Total aplicado no setor chegou a US$ 243 bi ano passado. O documento “Clean Energy Progress Report” (Relatório sobre o progresso da energia limpa), divulgado em 6 de abril pela Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), destaca a importância conquistada na última década por algumas tecnologias de energia renovável, ao ponto de se tornarem mais competitivas que algumas das tecnologias convencionais. Entretanto, a IEA pondera que os custos da maioria das inovações tecnológicas ainda superam aqueles relacionados aos combustíveis fósseis, que receberam US$ 312 bilhões em subsídios em 2009, contra apenas US$ 57 bilhões para energias renováveis.

Para a Agência, uma “revolução da energia limpa” pode ser alcançada com uma ampla política de estímulo. “Ao longo das últimas duas décadas, vários países conseguiram promover alterações dramáticas em seus mercados energéticos. A chave para o sucesso tem sido a criação de uma abordagem estratégica e compreensiva que informe o público sobre segurança energética, crescimento econômico e benefícios ambientais dos investimentos em energia limpa”, informa o texto.

Vice-liderança brasileira entre os emergentes – O Brasil tem conquistado destaque nesse cenário, registrando US$ 7,6 bilhões em investimentos em energia limpa em 2010. Com isso, o País ficou na sexta posição entre os países do G-20 e em segundo lugar entre os emergentes, atrás apenas da China, de acordo com o relatório da Pew Charitable Trusts. Dos recursos destinados para a energia limpa no Brasil, 40% foram para os biocombustíveis, 31% para energia eólica e 28% para outras fontes renováveis.

Combustíveis fósseis receberam US$ 312 bi em subsídios em 2009, contra US$ 57 bi para renováveis O estudo mostra que o País também está na sexta colocação entre os membros do G-20 que tiveram maior crescimento nos investimentos nos últimos cinco anos, com 81%. No entanto, os aportes no Brasil sofreram uma redução de 1,3% entre 2010 e o ano anterior, quando somaram US$ 7,7 bilhões; em 2009, o País ocupava a sétima posição no ranking. O indicador que mede a intensidade de investimentos, relacionando o total aportado com o Produto Interno Bruto (PIB), coloca o Brasil na sétima colocação, com uma proporção de 0,35%. Na Alemanha, o país que mais investe em energia limpa em relação ao PIB, essa proporção foi de 1,4% no ano passado.

Entre os países com maior capacidade instalada de energia limpa, o Brasil, no entanto, figura apenas na nona colocação, somando 13,84 GW, atrás de países como China (1º lugar, com 103,36 GW), Estados Unidos (2º lugar, 57,99 GW) e Alemanha (3º lugar, 48,86 GW). No período de 2005 a 2010, o Brasil foi o oitavo país que mais cresceu em capacidade instalada, com alta de 42%, de acordo com o documento “Who’s Winning the Clean Energy Race?”.

Nova indústria mundial – Para a Pew Trusts, o setor de energia limpa deixou de se restringir a aplicações em nichos específicos para se transformar em uma indústria mundial na primeira década do século 21, chegando a adicionar anualmente mais de 60 GW na produção global de energia. “O rápido crescimento e o tamanho considerável dessa ainda jovem indústria captaram igualmente a atenção dos investidores, inventores e tomadores de decisão”, destaca o relatório. Os 20 países mais ricos do mundo concentraram 90% dos recursos aportados nesse setor no ano passado.

Brasil é o último em percentual de recursos aplicados em energia limpa: gastou 7% dos US$ 2,5 bilhões anunciados pelo governo desde 2009 Com o aumento do interesse sobre as fontes de energia limpas, aumentaram também as iniciativas governamentais de criação de estímulos ao setor, originando novas fontes de financiamento. Além disso, os países têm criado políticas para aumentar a produção e conquistar vantagens competitivas em determinados setores. “Especialmente, está claro que o centro de gravidade para os investimentos em energia limpa está mudando do Ocidente (Europa e Estados Unidos) para o Oriente (China, Índia e outras nações asiáticas).”

Dados levantados pela Pew Trusts mostram que a pesquisa e o desenvolvimento no setor de energia limpa, financiados com recursos públicos e privados, cresceu 24% no mundo em 2010, atingindo o patamar de US$ 35 bilhões. Considerando apenas os países do G-20, houve um crescimento de 27% no financiamento para a área a partir do capital de risco, incluindo venture capital e private equity, no total de US$ 8,1 bilhões.

Liderança europeia nos aportes

Na lista das regiões que mais recebem investimentos nesse setor, a primeira posição é ocupada pela Europa (US$ 94,4 bilhões), seguida pela Ásia (US$ 82,8 bilhões). O continente americano aparece em terceiro lugar, com aumento de 35% no período, para US$ 65,8 bilhões. No ranking dos países, os Estados Unidos continuam sendo o principal destino dos aportes na América, com US$ 34 bilhões em 2010, mas, apesar de os investimentos norte-americanos terem crescido 51% em relação a 2009, o país perdeu a segunda posição no G-20 para a Alemanha (US$ 41,2 bilhões), que teve 100% de crescimento, e ainda está atrás da China (US$ 54,4 bilhões), que cresceu 39%.

Entre as principais fontes de energia limpa, a solar se destacou no G-20 com crescimento dos investimentos do setor privado de 53%, alcançando a marca recorde de US$ 79 bilhões, estimulada principalmente por projetos de pequena escala e residenciais. Apesar da elevação mais modesta de 34% no G-20, a energia eólica continua sendo a que mais recursos recebe entre as fontes limpas, com US$ 95 bilhões – o que representa 48% do total de investimentos.

Recuo dos biocombustíveis – Em âmbito mundial, os biocombustíveis tiveram uma queda em relação a 2009, totalizando investimentos de apenas US$ 4,7 bilhões em 2010 – o nível menor desde 2005. Segundo o relatório da Pew Trusts, isso “reflete o fato de que a capacidade de produção de biocombustíveis de primeira geração excedeu a demanda em uma série de mercados importantes e que a segunda geração de combustíveis não está suficientemente avançada para distribuição comercial em larga escala”.

O relatório da IEA indica, no entanto, que o consumo de biocombustíveis continua crescente no mundo, com destaque para os Estados Unidos e o Brasil, mas ele representa apenas 2,7% do consumo global nos transportes rodoviários. A Agência prevê que seria necessário um crescimento sustentável da produção mundial de dez vezes para se alcançar as metas ambientais sobre mudanças climáticas até 2050, quando se espera que os biocombustíveis respondam por 27% dos transportes rodoviários. Entre 2000 e 2010, a produção mundial de biocombustíveis passou de 16 bilhões de litros para mais de 100 bilhões de litros. “Será particularmente importante que os biocombustíveis avançados alcancem a escala comercial nos próximos dez anos, com um aumento de 30 vezes na capacidade até 2030″, conclui a IEA.

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Consolidação chinesa – Chamada no relatório de superpotência global de energia limpa, a China mostra números surpreendentes nos últimos anos. Se em 2005 ela recebeu menos de US$ 3 bilhões em investimentos privados, em 2009 – ano em que tomou a dianteira em escala mundial – foram US$ 39,1 bilhões. Em 2010, os investimentos computados na China foram iguais aos aportes feitos em 2004 em todo o mundo, compara a Pew Charitable Trusts. “Com metas agressivas em energia limpa e clara ambição de dominar a fabricação e geração em energia limpa, a China está rapidamente avançando para a dianteira em relação ao resto do mundo”, explica o relatório.

Em 2010, o país foi responsável pela produção de quase 50% dos módulos solares e turbinas eólicas. No entanto, a China tem uma capacidade instalada de energia solar de apenas 1 GW, o que demonstra que sua produção de painéis e módulos tem visado o mercado externo. Em contrapartida, a energia eólica tem crescido muito dentro do país; com uma meta de atingir 150 GW instalados até 2020, a China instalou, apenas em 2010, 17 GW, ao valor de US$ 45 bilhões, o que representou 47% do aporte global em energia eólica.

Programas de estímulo – Levantamento da Pew Trusts, com base em informações da Bloomberg New Energy Finance, mostra que 12 membros do G-20 adotaram programas para estimular o estratégico setor da energia limpa e para combater os efeitos da crise financeira mundial de 2008/2009. Esses programas de energia limpa totalizaram US$ 194,3 bilhões nos anos de 2009 e 2010, de acordo com o documento. Desse total, 49% ou US$ 94,8 bilhões já foram gastos até o final de 2010. Desde o começo de 2009, a maior parte desses fundos foi empregada nas seguintes áreas: 37% para programas de eficiência energética, 21% para projetos de energia renováveis, 19% para pesquisa e desenvolvimento, e 17% para iniciativas de redes elétricas inteligentes (smart grid).

Diferentemente de países como a França – que já aplicou 100% dos recursos programados – e do Japão – que já gastou mais de 85% -, o Brasil apenas gastou 7% dos US$ 2,5 bilhões anunciados pelo governo desde 2009. O País é o último da lista de percentual de recursos aplicados em energia limpa, perdendo apenas para o Canadá, que também só investiu 17% dos US$ 800 milhões divulgados.

Fonte: Guilherme Gorgulho – Inovação Tecnológica


16 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Sucesso em energia limpa requer mais investimentos, diz Ipea

O Brasil tem ‘potencial’ para alcançar um modelo energético menos poluente e economicamente viável se houver mais pesquisas e investimentos do Estado, diz estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado nesta terça.

O estudo, chamado ‘Energia e Meio Ambiente no Brasil’, conclui que, para ser bem-sucedido nesse modelo, o Brasil precisa investir em pesquisa, distribuir melhor seus recursos e promover incentivos à produção de energia renovável.

O texto afirma que ‘muito mais do que um sacrifício para a economia nacional, a sustentabilidade ambiental deve ser vista como uma oportunidade para o desenvolvimento sócio-econômico. Esse raciocínio segue a tendência mundial, talvez irreversível, de uso de energias alternativas com responsabilidade social e ambiental’.

O desafio em relação aos biocombustíveis, para os autores da pesquisa, é se tornarem competitivos frente aos derivados de petróleo. O estudo pede mecanismos ‘capazes de remunerar o esforço da produção sustentável em toda a cadeia (produtiva)’, incluindo subsídios e renúncia fiscal por parte do governo.

No caso do etanol, o consumo, que foi de 25 bilhões de litros em 2009, deve chegar a 60 bilhões em 2017, segundo projeções.

A produção de energia eólica também tende a crescer – o setor ganhou mais 41 usinas nos últimos anos -, e o mercado de resíduos sólidos também oferece oportunidades para a geração de energia, mas ‘ainda carece de políticas de incentivo no Brasil’, segundo o Ipea.

Para o instituto, esses setores necessitam da interferência do Estado para crescerem em importância. ‘É necessário debater alternativas de compensação financeira – para municípios ou para a agricultura – para atividades de produção de energia renovável, (de forma) semelhante aos royalties do petróleo.’

Petróleo – Apesar disso, as atuais projeções apontem para uma maior dependência de combustíveis fósseis.

Atualmente, o consumo anual de petróleo no Brasil é estimado em 1,34 tonelada equivalente (tep) por habitante, média inferior à mundial (1,78 tep por habitante). Mas a tendência é que o consumo aumente significativamente no Brasil até 2030, segundo dados do Ministério de Minas e Energia citados pelo Ipea. Essa tendência de crescimento já era observada antes mesmo das descobertas do pré-sal.

Fonte: G1


7 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Para ser potência verde, Brasil deve fazer mudanças na matriz energética

07/12/2010

Na atual disputa por uma economia de baixo carbono, o Brasil poderia estar no topo do pódio e permanecer nele por muito tempo devido ao seu vasto potencial de energias renováveis. Mas, segundo especialistas, o país vem desperdiçando oportunidades de explorar fontes de energia limpa – o grande motor para o desenvolvimento em tempos de mudanças climáticas.

“Ninguém tem dúvidas de que as energias renováveis vão dominar no futuro. É um processo muito demorado, mas irreversível”, afirma o economista e engenheiro Edmilson Moutinho dos Santos, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP.

“Mas o Brasil, mesmo com todo seu potencial, pode ficar para trás se não investir mais nessa área de energia verde”, alerta o coordenador do Greenpeace, Ricardo Baitelo.

China, Estados Unidos e alguns países europeus estão aplicando bilhões de dólares para expandir suas energias verdes, especialmente eólica, solar e de biomassa (produzida a partir de lixo orgânico e sobras agrícolas, como o bagaço da cana). Na Europa, por exemplo, do total de novos mecanismos de geração de energia instalados no ano passado, 60% foram para renováveis.

Um estudo do Pew Environment Group com países do G-20 mostrou que enquanto o investimento da China nessa área foram de US$ 34,6 bilhões em 2009, o do Brasil foi de US$ 7,4 bilhões.

Situação cômoda – A culpa dessa “lentidão” do governo pode estar justamente na situação confortável do Brasil, com imenso seu potencial hidrelétrico, que faz com que 47% das fontes de energia do país sejam limpas. No entanto, para os especialistas, esse índice não pode ser visto como um motivo para se acomodar.

“Até há alguns anos, o país ainda tinha um grande potencial hidrelétrico a ser explorado. E o governo alegava que a Europa só investia em fontes renováveis por não ter esse potencial”, diz Baitelo. “Hoje, ele já percebeu as dificuldades ligadas a hidrelétricas e as vantagens da energias como a eólica.”

Para a professora de gestão ambiental da USP, Neli Aparecida de Mello, o problema não está nas hidrelétricas em si, mas na aposta que sempre se fez nas obras grandiosas, como Itaipu e Balbina, e também na sua localização.

“Não é uma questão de banir o modelo, mas sim de mudá-lo. Em primeiro lugar, deveríamos construir hidrelétricas menores, mais locais”, diz. “Também é preciso levar em conta que atualmente os novos projetos estão na Amazônia, como Belomonte. Além do impacto ambiental, temos de ver o grande problema de logística para controlar essas longas linhas de transmissão que trazem a energia para o Sudeste.”

Outro desafio passa pelas emissões vindas do setor energético. A meta do governo é permitir que esse tipo de emissão – que hoje representa 16,5% do total – dobre em dez anos. Segundo Baitelo, o governo usa a desculpa de que, como as emissões desse tipo são baixas, não há problemas em aumentá-las. “É um absurdo que se permita duplicar esse valor num país como o Brasil, com tantas alternativas energéticas”, diz.

Deslumbramento – Os especialistas também apontaram para outro motivo para esse certo atraso do Brasil em investir nas fontes verdes: o pré-sal. “No início do governo Lula, o etanol era prioridade. Com o pré-sal, houve um deslumbramento e ele acabou sumindo um pouco do discurso”, afirma Baitelo, lembrando que o então ministro de Minas e Energia Edison Lobão chegou a dizer que queria ver carros de passeio a diesel.

Santos destaca ainda que essa empolgação pré-sal acabou tirando o foco de uma questão essencial: o destino do gás gerado pela exploração desse petróleo. A projeção para essas emissões são tão altas que poderiam substituir as geradas pelo desmatamento, se esse fosse erradicado.

“Para quem está pensando em sustentabilidade, é um absurdo não aproveitar bem esse gás”, diz o engenheiro, acrescentando que, aliado a outras fontes, o gás poderia ajudar no abastecimento de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Outro contrasenso indicado por Santos é não se incentivar ônibus movidos à gás – e sim a diesel e etanol. “Para suprir frotas grandes como a de São Paulo seria preciso plantar muito mais cana, tirando espaço de outro tipo de lavouras.”

Avanços – Segundo os especialistas, esses erros e políticas mal articuladas tiveram seu ápice há cerca de cinco anos. “O governo acabou sujando sua matriz energética ao incentivar as térmicas a óleo, que são baratas de se construir”, lembra Baitelo.

Mas essa tendência vem se revertendo, ainda que em um ritmo muito mais lento do que o esperado. “Governo viu que o foco estava errado e passou a investir um pouco mais em outras energias, como a eólica”, diz o coordenador do Greenpeace.

A participação da eólica na matriz elétrica nacional cresceu 5% em 2009. Mesmo assim, essa fonte corresponde a apenas 0,2% do total de energia gerada, enquanto tem potencial para gerar até três vezes mais do que o Brasil necessita.

Para mudar esse cenário, falta mais incentivo do governo: “O BNDES, por exemplo, fica financiando apenas as grandes obras, como estádios para a Copa e Belomonte”, afirma Santos.

Lucrando com o sol – Os especialistas também criticam o baixo investimento sem ciência e pesquisa, que acabam ficando mais concentrado em áreas ligadas ao petróleo e a biocombustíveis. “O discurso oficial sempre pendeu mais para ‘vamos esperar o preço cair’ do que para criar legislação que incentive essas energias renováveis”, diz Baitelo.

Ele cita o fato de não haver produção nacional de painéis solares. “Se houvesse mais incentivos a esse tipo de negócio, poderíamos exportar essa tecnologia, como fazemos com o etanol.”

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Tarifas especiais para quem poupa energia também são raras no Brasil. Em países europeus e asiáticos, essa iniciativa é corrente e vai além: o consumidor que usa energia solar pode vender de volta para o Estado o excedente, criando um ciclo virtuoso.

“Incentivos e garantias ao consumidor é uma questão chave para se melhorar nossa maneira de usar energia”, afirma a professora da USP, fazendo uma comparação com os carros a álcool. “Demorou um tempo para se embarcar nesse mercado. Mas se a política for mantida aos poucos, o consumidor vai vendo que é algo viável, vantajoso e passa a comprar equipamentos que economizam energia, painéis solares.”

Fonte: G1


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