20 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Extinção do mamute lanoso não foi repentina

Estudo aponta combinação de fatores para explicar o fim dos mamíferos gigantes, como elevação das temperaturas, mudança na vegetação e a caça

Um novo estudo, publicado na edição desta semana da revista Nature Communications,contesta as pesquisas que afirmaram que os mamutes lanosos foram extintos brutalmente. De acordo com o trabalho, a extinção dessa espécie aconteceu de forma lenta e progressiva e não teve uma única causa. Os fatores levaram ao fim da espécie são a elevação das temperaturas, a mudança na vegetação e a dispersão dos caçadores humanos.

Os cientistas já levantaram diversas hipóteses para explicar a extinção desses mamíferos gigantes que habitaram a Terra principalmente durante o Pleistoceno. Alguns cientistas dizem que o motivo foi a mudança climática, outros apostam na pressão da crescente população humana e há pesquisadores que acreditam em um cataclismo causado pelo impacto de um meteoro.

Um estudo publicado em agosto de 2010, por pesquisadores da Universidade de Durham (Inglaterra), indicava que os humanos não tiveram influência no processo de extinção dos mamutes. De acordo com este estudo, as mudanças da paisagem, como redução de pastagens e a expansão das florestas, foram responsáveis pelo fim dos mamutes.

O estudo atual não nega totalmente algumas dessas outras explicações, mas defende que foram múltiplos os fatores que levaram à extinção dos mamutes. “Não houve uma única causa que os eliminou de uma vez”, declarou o autor principal do estudo, Glen MacDonald, da Universidade da Califórnia.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores fizeram usaram uma base de dados de datações feitas por radiocarbono. Os resultados mostram declínio e ascensão da espécie em diferentes momentos e locais geográficos, indicando um processo lento e irregular.

Períodos de extinção — O estudo mostrou, por exemplo, que os mamutes de Bering (estreito que unia o atual Alasca e a Sibéria) eram abundantes entre 45.000 e 30.000 anos atrás. Durante o pico da Era do Gelo, 25.000 anos atrás, as populações do Norte diminuíram enquanto as que viviam na Sibéria aumentaram. A partir desse período, esses animais tiveram um longo declínio, enfrentando mudanças climáticas, de habitat e a presença humana. A maioria desapareceu por volta de 10.000 anos atrás e foram extintos definitivamente há 4.000 anos.

Saiba mais

MAMUTE LANOSO
O mamute lanoso (Mammtuhus primigenius) é uma espécie adaptada ao frio da Sibéria. Esses animais tinham o corpo coberto por pelos castanhos longos que formavam uma cobertura espessa contra o clima gelado. Compunham a megafauna do Pleistoceno e são parentes próximos dos elefantes asiáticos e africanos.

ERA DO GELO
É todo período geológico em que ocorre significativa diminuição na temperatura da Terra. Mantos de gelo se expandem pelos continentes e glaciações atingem a superfície e a atmosfera do planeta. Nos últimos milhões de anos, a Terra viveu várias eras glaciais, ocorrendo a intervalos de 10 mil a 100 mil anos. A última grande era glacial teve seu pico há 25.000 anos e terminou 11.000 anos atrás, aproximadamente.

PLEISTOCENO
Corresponde ao intervalo entre 1,8 milhão e 11.500 anos atrás. Na escala geológica, faz parte do período Quaternário da era Cenozoica. Aves e mamíferos gigantes, como mamutes e búfalos, caracterizam essa época. No pleistoceno ocorreram as mais recentes Eras do Gelo.

Mamute-lanoso

Novo estudo diz que os mamutes lanosos foram extintos lentamente e por uma combinação de fatores como alterações climáticas e a dispersão humana pelo planeta (Photoresearchers/Latinstock)

Fonte: Veja Ciência


10 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Homem da América conviveu com mamíferos gigantes

Datações de fósseis encontrados na Flórida indicam que homens e mamíferos gigantes, como mamutes, conviveram no continente americano na Era do Gelo

Um estudo publicado na última quinta-feira no periódico Journal of Vertebrate Paleontologyreúne evidências de que humanos alcançaram o continente americano durante a última Era do Gelo e conviveram com mamíferos gigantes que hoje estão extintos.

O trabalho, desenvolvido por pesquisadores das Universidades da Flórida (EUA) e de Copenhagen (Dinamarca), traz novas descobertas para um antigo debate entre cientistas: se os restos de humanos e animais encontrados no início do século XX em Vero Beach, sítio arqueológico da Flórida, são da mesma época.

Os pesquisadores analisaram amostras de 24 ossos humanos e 48 fósseis animais da coleção do Museu da Flórida e concluíram que eram todos do final do Pleistoceno, por volta de 13.000 anos atrás.

“O sítio arqueológico de Vero é o único onde há abundância de ossos de seres humanos, não apenas de artefatos, associados a fósseis de animais”, explica a coautora do estudo, Barbara Purdy, professora de antropologia da Universidade da Flórida e curadora de arqueologia do Museu de História Natural da Flórida. “Os cientistas que discutiam no início do século XX a idade dos restos de humanos não queriam acreditar que o homem chegou tão cedo à América.”

 

A fauna da última Era do Gelo continha desde mamutes e tigres dente-de-sabre, já extintos, até ratos e esquilos que ainda podem ser encontrados na Flórida.

A pouca informação que se tem sobre os primeiros humanos que apareceram na América do Norte é baseada em fragmentos de ossos e artefatos, como pontas de pedras usadas para caçar. “Nós sabemos como eram algumas de suas ferramentas e que eles caçavam animais que hoje estão extintos, mas não sabemos praticamente nada sobre sua vida familiar”, diz Purdy.

Saiba mais

ERA DO GELO
Por Era do Gelo ou Era Glacial entende-se todo período geológico em que ocorre significativa diminuição na temperatura da Terra. Mantos de gelo se expandem pelos continentes e glaciações — períodos extremamente frios — atingem a superfície e a atmosfera do planeta. Nos últimos milhões de anos, a Terra viveu várias eras glaciais, ocorrendo a intervalos de 10 mil a 100 mil anos. A última grande era glacial teve seu pico há 25.000 anos e terminou 11.000 anos atrás, aproximadamente.

PLEISTOCENO
O pleistoceno corresponde ao intervalo entre 1,8 milhão e 11.500 anos atrás. Na escala geológica, faz parte do período Quaternário da era Cenozoica. Pássaros e mamíferos gigantes, como mamutes e búfalos, caracterizam essa época. No pleistoceno ocorreram as mais recentes Eras do Gelo.

Mamute-lanoso

Pesquisadores da Universidade da Flórida indicam que homens conviveram com mamíferos gigantes, como o mamute, na Era do Gelo (Photoresearchers/Latinstock)

 Fonte: Veja Ciência


3 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Extinção da megafauna foi causada por conjunto de fatores, diz estudo

Pesquisa afirma que Era do Gelo sozinha não explica evento.
Caça também não seria suficiente para explicar desaparecimento.

As extinções em massa dos animais gigantes que viviam na Terra durante a Era do Gelo não têm apenas uma causa, mas um grande e complexo conjunto de causas, afirma um estudo que envolveu mais de 40 instituições, publicado na edição desta quinta-feira (3) da revista Nature.

A razão do desaparecimento de grandes espécies como o mamute e o rinoceronte lanudo durante a Era do Gelo é um dos mistérios da paleontologia. Explicações diferentes foram propostas: desde as mudanças climáticas até o excesso de caça.

A pesquisa publicada agora, no entanto, afirma que nenhum desses fatores sozinhos é suficiente para explicar o tamanho da devastação, que matou um terço das espécies de mamíferos da Eurásia e dois terços da América do Norte.

Para estudar a extinção da chamada “megafauna”, os cientistas tiveram que se reunir em um “megaestudo”. O pesquisador Eske Willerslev, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, liderou um grupo de mais de 50 cientistas de 40 universidades no maior trabalho do tipo já realizado.

A equipe estudou os dados climáticos, o DNA das espécies e registros arqueológicos e descobriu que cada um desses dados explica uma extinção diferente.

Por exemplo, o bisão siberiano e o cavalo selvagem foram extintos provavelmente pela caça de seres humanos. No entanto, o desaparecimento do rinoceronte-lanudo e do boi-almiscarado na Eurásia não parecem ter tido a ver com a presença humana – o clima seria o único culpado ali.

E enquanto as renas não parecem ter sido afetadas nem por clima nem por ação humana, o fim dos mamutes segue um mistério a ser desvendado.

De acordo com Willerslev, o trabalho acaba com a ideia de que apenas uma coisa é responsável por cada uma das diversas extinções da megafauna.

Ilustração mostra como seria ambiente na Era do Gelo com mamute, cavalo selvagem, bisão e boi almiscarado (Foto: George Teichmann)

Ilustração mostra como seria ambiente na Era do Gelo com mamute, cavalo selvagem, bisão e boi almiscarado (Foto: George Teichmann)

 

Fonte: G1, São Paulo






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20 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Extinção do mamute lanoso não foi repentina

Estudo aponta combinação de fatores para explicar o fim dos mamíferos gigantes, como elevação das temperaturas, mudança na vegetação e a caça

Um novo estudo, publicado na edição desta semana da revista Nature Communications,contesta as pesquisas que afirmaram que os mamutes lanosos foram extintos brutalmente. De acordo com o trabalho, a extinção dessa espécie aconteceu de forma lenta e progressiva e não teve uma única causa. Os fatores levaram ao fim da espécie são a elevação das temperaturas, a mudança na vegetação e a dispersão dos caçadores humanos.

Os cientistas já levantaram diversas hipóteses para explicar a extinção desses mamíferos gigantes que habitaram a Terra principalmente durante o Pleistoceno. Alguns cientistas dizem que o motivo foi a mudança climática, outros apostam na pressão da crescente população humana e há pesquisadores que acreditam em um cataclismo causado pelo impacto de um meteoro.

Um estudo publicado em agosto de 2010, por pesquisadores da Universidade de Durham (Inglaterra), indicava que os humanos não tiveram influência no processo de extinção dos mamutes. De acordo com este estudo, as mudanças da paisagem, como redução de pastagens e a expansão das florestas, foram responsáveis pelo fim dos mamutes.

O estudo atual não nega totalmente algumas dessas outras explicações, mas defende que foram múltiplos os fatores que levaram à extinção dos mamutes. “Não houve uma única causa que os eliminou de uma vez”, declarou o autor principal do estudo, Glen MacDonald, da Universidade da Califórnia.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores fizeram usaram uma base de dados de datações feitas por radiocarbono. Os resultados mostram declínio e ascensão da espécie em diferentes momentos e locais geográficos, indicando um processo lento e irregular.

Períodos de extinção — O estudo mostrou, por exemplo, que os mamutes de Bering (estreito que unia o atual Alasca e a Sibéria) eram abundantes entre 45.000 e 30.000 anos atrás. Durante o pico da Era do Gelo, 25.000 anos atrás, as populações do Norte diminuíram enquanto as que viviam na Sibéria aumentaram. A partir desse período, esses animais tiveram um longo declínio, enfrentando mudanças climáticas, de habitat e a presença humana. A maioria desapareceu por volta de 10.000 anos atrás e foram extintos definitivamente há 4.000 anos.

Saiba mais

MAMUTE LANOSO
O mamute lanoso (Mammtuhus primigenius) é uma espécie adaptada ao frio da Sibéria. Esses animais tinham o corpo coberto por pelos castanhos longos que formavam uma cobertura espessa contra o clima gelado. Compunham a megafauna do Pleistoceno e são parentes próximos dos elefantes asiáticos e africanos.

ERA DO GELO
É todo período geológico em que ocorre significativa diminuição na temperatura da Terra. Mantos de gelo se expandem pelos continentes e glaciações atingem a superfície e a atmosfera do planeta. Nos últimos milhões de anos, a Terra viveu várias eras glaciais, ocorrendo a intervalos de 10 mil a 100 mil anos. A última grande era glacial teve seu pico há 25.000 anos e terminou 11.000 anos atrás, aproximadamente.

PLEISTOCENO
Corresponde ao intervalo entre 1,8 milhão e 11.500 anos atrás. Na escala geológica, faz parte do período Quaternário da era Cenozoica. Aves e mamíferos gigantes, como mamutes e búfalos, caracterizam essa época. No pleistoceno ocorreram as mais recentes Eras do Gelo.

Mamute-lanoso

Novo estudo diz que os mamutes lanosos foram extintos lentamente e por uma combinação de fatores como alterações climáticas e a dispersão humana pelo planeta (Photoresearchers/Latinstock)

Fonte: Veja Ciência


10 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Homem da América conviveu com mamíferos gigantes

Datações de fósseis encontrados na Flórida indicam que homens e mamíferos gigantes, como mamutes, conviveram no continente americano na Era do Gelo

Um estudo publicado na última quinta-feira no periódico Journal of Vertebrate Paleontologyreúne evidências de que humanos alcançaram o continente americano durante a última Era do Gelo e conviveram com mamíferos gigantes que hoje estão extintos.

O trabalho, desenvolvido por pesquisadores das Universidades da Flórida (EUA) e de Copenhagen (Dinamarca), traz novas descobertas para um antigo debate entre cientistas: se os restos de humanos e animais encontrados no início do século XX em Vero Beach, sítio arqueológico da Flórida, são da mesma época.

Os pesquisadores analisaram amostras de 24 ossos humanos e 48 fósseis animais da coleção do Museu da Flórida e concluíram que eram todos do final do Pleistoceno, por volta de 13.000 anos atrás.

“O sítio arqueológico de Vero é o único onde há abundância de ossos de seres humanos, não apenas de artefatos, associados a fósseis de animais”, explica a coautora do estudo, Barbara Purdy, professora de antropologia da Universidade da Flórida e curadora de arqueologia do Museu de História Natural da Flórida. “Os cientistas que discutiam no início do século XX a idade dos restos de humanos não queriam acreditar que o homem chegou tão cedo à América.”

 

A fauna da última Era do Gelo continha desde mamutes e tigres dente-de-sabre, já extintos, até ratos e esquilos que ainda podem ser encontrados na Flórida.

A pouca informação que se tem sobre os primeiros humanos que apareceram na América do Norte é baseada em fragmentos de ossos e artefatos, como pontas de pedras usadas para caçar. “Nós sabemos como eram algumas de suas ferramentas e que eles caçavam animais que hoje estão extintos, mas não sabemos praticamente nada sobre sua vida familiar”, diz Purdy.

Saiba mais

ERA DO GELO
Por Era do Gelo ou Era Glacial entende-se todo período geológico em que ocorre significativa diminuição na temperatura da Terra. Mantos de gelo se expandem pelos continentes e glaciações — períodos extremamente frios — atingem a superfície e a atmosfera do planeta. Nos últimos milhões de anos, a Terra viveu várias eras glaciais, ocorrendo a intervalos de 10 mil a 100 mil anos. A última grande era glacial teve seu pico há 25.000 anos e terminou 11.000 anos atrás, aproximadamente.

PLEISTOCENO
O pleistoceno corresponde ao intervalo entre 1,8 milhão e 11.500 anos atrás. Na escala geológica, faz parte do período Quaternário da era Cenozoica. Pássaros e mamíferos gigantes, como mamutes e búfalos, caracterizam essa época. No pleistoceno ocorreram as mais recentes Eras do Gelo.

Mamute-lanoso

Pesquisadores da Universidade da Flórida indicam que homens conviveram com mamíferos gigantes, como o mamute, na Era do Gelo (Photoresearchers/Latinstock)

 Fonte: Veja Ciência


3 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Extinção da megafauna foi causada por conjunto de fatores, diz estudo

Pesquisa afirma que Era do Gelo sozinha não explica evento.
Caça também não seria suficiente para explicar desaparecimento.

As extinções em massa dos animais gigantes que viviam na Terra durante a Era do Gelo não têm apenas uma causa, mas um grande e complexo conjunto de causas, afirma um estudo que envolveu mais de 40 instituições, publicado na edição desta quinta-feira (3) da revista Nature.

A razão do desaparecimento de grandes espécies como o mamute e o rinoceronte lanudo durante a Era do Gelo é um dos mistérios da paleontologia. Explicações diferentes foram propostas: desde as mudanças climáticas até o excesso de caça.

A pesquisa publicada agora, no entanto, afirma que nenhum desses fatores sozinhos é suficiente para explicar o tamanho da devastação, que matou um terço das espécies de mamíferos da Eurásia e dois terços da América do Norte.

Para estudar a extinção da chamada “megafauna”, os cientistas tiveram que se reunir em um “megaestudo”. O pesquisador Eske Willerslev, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, liderou um grupo de mais de 50 cientistas de 40 universidades no maior trabalho do tipo já realizado.

A equipe estudou os dados climáticos, o DNA das espécies e registros arqueológicos e descobriu que cada um desses dados explica uma extinção diferente.

Por exemplo, o bisão siberiano e o cavalo selvagem foram extintos provavelmente pela caça de seres humanos. No entanto, o desaparecimento do rinoceronte-lanudo e do boi-almiscarado na Eurásia não parecem ter tido a ver com a presença humana – o clima seria o único culpado ali.

E enquanto as renas não parecem ter sido afetadas nem por clima nem por ação humana, o fim dos mamutes segue um mistério a ser desvendado.

De acordo com Willerslev, o trabalho acaba com a ideia de que apenas uma coisa é responsável por cada uma das diversas extinções da megafauna.

Ilustração mostra como seria ambiente na Era do Gelo com mamute, cavalo selvagem, bisão e boi almiscarado (Foto: George Teichmann)

Ilustração mostra como seria ambiente na Era do Gelo com mamute, cavalo selvagem, bisão e boi almiscarado (Foto: George Teichmann)

 

Fonte: G1, São Paulo