26 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Mudanças no DNA podem afetar comportamento de abelhas

Pesquisadores mostram que a alteração de alguns genes pode levar insetos a trocar de função dentro da colmeia

Cientistas da Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, descobriram a primeira evidência de que o comportamento das abelhas — e possivelmente de outros animais — pode ser alterado por mudanças epigenéticas em seus genes. A pesquisa, publicada neste domingo no site da revista Nature Neuroscience, mostrou que essas mudanças podem alterar a função desempenhada pela abelha na colmeia — e podem ser revertidas a fim de trazer o comportamento original de volta.

Os cientistas procuraram no DNA das abelhas alterações químicas conhecidas como metilações, que podem ser introduzidas e retiradas sem alterar a sequência genética original. A metilação de trechos do DNA já havia se mostrado importante na regulação da atividade genética. Pesquisas anteriores haviam mostrado que ela pode agir, por exemplo, na determinação de qual o destino de uma célula-tronco e no surgimento de células tumorais.

Neste estudo, a intenção dos pesquisadores foi descobrir se a metilação, ao alterar a forma como os genes se expressam, poderia afetar o comportamento de um animal. Para isso, eles analisaram o DNA do cérebro de abelhas operárias de duas “profissões” diferentes.

Todas as abelhas operárias são fêmeas e, dentro da mesma colmeia, todas são geneticamente idênticas. Mesmo assim, elas podem realizar trabalhos diferentes. As abelhas nutrizes, por exemplo, permanecem na colmeia para cuidar da rainha e das larvas. Quando ficam mais velhas, elas podem se tornar abelhas campeiras, que saem em busca de pólen e outros suprimentos para a comunidade.

“Os genes não são capazes de explicar as diferenças entre os dois tipos de comportamento”, diz Andy Feinberg, professor de medicina molecular e diretor do Centro de Epigenética do Instituto de Ciências Biomédicas Básicas da Universidade Johns Hopkins. “Mas a epigenética – e seu controle sobre os genes – pode.”

Teste vocacional — Os pesquisadores realizaram a experiência em uma colmeia nova, habitada por abelhas da mesma idade. Desse modo, eles evitaram a possibilidade de as diferenças entre os insetos ocorrerem por conta da idade. “Quando abelhas de mesma idade entram em uma nova colmeia, elas dividem suas tarefas de modo a manter uma proporção correta de nutrizes e campeiras”, diz Gro Amdam, especialista em abelhas da Universidade Estadual do Arizona e um dos autores do estudo.

Ao analisar os padrões de metilação do DNA no cérebro de 21 abelhas nutrizes e 21 campeiras, os pesquisadores encontraram 155 regiões que haviam sofrido alteração. Os genes alterados eram em sua maioria regulatórios, conhecidos por afetar o funcionamento de outros genes.

Em seguida, os cientistas quiseram descobrir se essas mudanças epigenéticas eram permanentes. Para isso, retiraram todas as abelhas nutrizes da colmeia. “Quando há poucas abelhas nutrizes, as campeiras podem tomar seu lugar, voltando à sua profissão anterior”, diz Gro Amdam.

Depois de algumas semanas, os pesquisadores voltaram a procurar diferenças nos padrões de metilação de seu DNA. Dessa vez, encontraram 107 regiões diferentes entre as campeiras e as que haviam se tornado nutrizes, sugerindo que as marcações epigenéticas não eram permanentes, mas podiam ser revertidas no dia a dia da colmeia.

Dessas 107 regiões, 57 já haviam sido identificadas entre as 155 que se alteram quando as nutrizes amadurecem para campeiras. Segundo os pesquisadores, essas 57 regiões parecem decisivas para diferenciar o comportamento das campeiras e nutrizes. Os cientistas dizem que o resultado pode ajudar a compreender questões comportamentais complexas em seres humanos, como o aprendizado, memória, respostas ao estresse e desordens de comportamento, que também envolvem interações entre componentes genéticos e a epigenéticos.

Saiba mais

EPIGENÉTICA
É o nome que se dá para as mudanças que acontecem nos genes sem, no entanto, alterar o código genético de um indivíduo. É diferente de uma mutação. Em uma mutação, o código genético é alterado. Já a mudança epigenética só altera a forma como um gene funciona. Essa mudança pode ser causada por fatores ambientais, como poluição ou mesmo pela prática de exercícios, e pode ser passada para as gerações seguintes.

CÉLULAS-TRONCO
Também chamadas de células-mãe, podem se transformar em qualquer um dos tipos de células do corpo humano e dar origens a outros tecidos, como ossos, nervos, músculos e sangue. Por essa versatilidade, elas vêm sendo testadas na regeneração de tecidos e órgãos de pessoas doentes.

abelhas

As abelhas operárias podem trabalhar dentro da colmeia ou fora, recolhendo pólen. O estudo mostrou que as tarefas desempenhadas são decididas pela metilação do DNA (Thinkstock)

Fonte: Veja Ciência


16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Fêmeas de besouro são atraídas por feromônios sexuais e cheiro de cadáver

Ciclo de vida dos besouros é tão previsível que costuma ser usado por cientistas forenses para estimar há quanto tempo uma pessoa está morta

Cadáveres em avançado estado de decomposição são o local ideal para os besouros da espécie Dermestes maculatus se reproduzirem e botarem seus ovos. Ali, suas larvas encontram os nutrientes necessários para se desenvolverem. Agora, uma nova pesquisa publicada na revista Frontiers in Zoology mostrou que nem os feromônios sexuais liberados pelos machos nem o cheiro dos cadáveres são suficientes para atrair as fêmeas até o local. Elas só são atraídas quando os dois odores estão presentes em conjunto, mostrando como a evolução da espécie aumentou as chances de sua reprodução ter sucesso.

Os cientistas da Universidade de Ulm, na Alemanha, pesquisaram quais odores eram capazes de atrair as fêmeas virgens e jovens, com duas a três semanas de vida, do besouro. Eles testaram diversos aromas: o cheiro de cadáver de porco coletado em diferentes estágios de decomposição, feromônios masculinos extraídos da glândula do inseto, feromônios sintéticos e um solvente.

As fêmeas ignoraram totalmente tanto os feromônios artificiais quanto o solvente. Na verdade, elas não foram atraídas por quase nenhum dos odores, a não ser pelo do cadáver nos últimos estágios de decomposição, desde que reforçado pelos feromônios masculinos. “Embora o cheiro do cadáver não seja capaz de atrair as fêmeas, ele é o suficiente para atrair os machos jovens”, explica Christian von Hoermann, coordenador do estudo.

Segundo o pesquisador, a liberação de feromônios por parte dos machos assinala que o cadáver é um ambiente apropriado para alimentação, acasalamento e depósito de ovos. A seleção natural teria feito com que as fêmeas só respondessem aos chamados dos machos se o odor do cadáver estivesse presente – e vice-versa – para otimizar as chances de sobrevivência de seus filhos.

Ciclo - A decomposição de cadáveres costuma ser um prato atrativo para muitas espécies de insetos, que desenvolveram preferência por diferentes estágios do processo. As primeiras a chegar ao corpo costumam ser as moscas, cujas larvas se alimentam dos tecidos ainda úmidos. Depois, vêm os besouros das famílias Histeridae e Staphylinidae, que se alimentam dessas larvas. Os besouros Dermestes maculatus chegam no estágio seguinte e passam a se alimentar dos restos de pele e ligamentos.

No entanto, eles só começarão a se reproduzir quando a decomposição estiver mais avançada e o cadáver reduzido a ossos, cabelos e pele seca. A partir desse momento, só restarão as larvas do besouro. O ciclo de vida e a sequência de chegada desses animais é tão previsível que costuma ser usado por cientistas forenses para estimar há quanto tempo uma pessoa está morta.

besouro

O besouro Dermestes maculatus costuma se reproduzir e botar seus ovos em cadáveres em decomposição (Divulgação)

Fonte: Veja Ciência


10 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Papagaios cinzentos pensam de forma lógica como criança, diz estudo

Pesquisa austríaca analisou seis animais, com idades entre 10 e 35 anos.
Aves souberam distinguir, pelo barulho, em qual copo havia uma noz.

Os papagaios cinzentos que vivem na selva africana pensam de forma lógica e similar aos macacos e às crianças de 3 anos de idade, aponta uma pesquisa publicada nesta quarta-feira (8) pela Universidade de Viena e pelo Instituto Científico Konrad Lorenz, na Áustria.

O estudo se baseia em experimentos realizados com seis animais, com idades entre 10 e 35 anos. Os resultados aparecem na revista científica britânica “Proceedings of the Royal Society B”.

No experimento, a cientista Judith Schmidt agitou, diante de um papagaio, dois copos de plástico, um com uma noz no interior e o outro vazio. O animal entendeu imediatamente que a noz estava escondida dentro do copo que fazia barulho.

Depois, a pesquisadora agitou apenas o copo que não continha nada e o colocou sobre uma mesa junto com o outro. O animal entendeu que a noz deveria estar sob o outro copo.

Os cientistas asseguram que, quando se agitam os dois copos ou apenas um deles, os papagaios cinzentos sempre encontram a noz, com a mesma velocidade.

Se não sai nenhum barulho de um copo, os animais deduzem que o fruto está no outro recipiente.

Ao contrário dos papagaios, os macacos só alcançam essa habilidade após um intenso treinamento.

Papagaio cinzento (Foto: AP)

Papagaio cinzento tem raciocínio rápido e lógico, aponta estudo com seis animais na Áustria (Foto: AP)

Fonte: Globo Natureza


10 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas estudam mecanismo que faz as lagartixas grudarem na parede

Adesivo no dedo dos répteis permite fixação em superfícies verticais.
Força que prende os animais diminui quando as patas ficam molhadas.

Uma pesquisa feita pela Universidade de Akron, no estado americano de Ohio, analisa a estrutura adesiva nos dedos das lagartixas que permite que elas se fixem às superfícies verticais por onde passam, como árvores e paredes. Os resultados estão publicados na atual edição da revista “Journal of Experimental Biology”.

Os cientistas avaliaram como esses répteis se comportam em lugares secos e úmidos, e como se esforçam para se manter presos quando o local está molhado.

A equipe, formada pelos pesquisadores Alyssa Stark, Timothy Sullivan e Peter Niewiarowski, queria saber como os animais da espécie Tokay (Gekko gecko) se comportam em seu habitat natural, ou seja, em florestas tropicais, onde costuma chover muito.

Em ambientes secos, por exemplo, as lagartixas são capazes de aguentar uma força de até 20 vezes o próprio peso, mas, quando as patas se encharcam – após 90 minutos, no caso dos testes realizados –, os indivíduos se desprenderam após uma força quase igual ao próprio peso.

Isso indica que esses animais podem caminhar por superfícies molhadas, mesmo que seus pezinhos estejam razoavelmente secos. No entanto, assim que as patas se molham, os répteis mal conseguem se segurar, pois os dedos deles são hidrofóbicos, ou seja, repelem a água.

De acordo com os autores, a estrutura de aderência na sola das patas das lagartixas contém pelos microscópicos, que são atraídos pelo solo por meio de uma interação entre moléculas chamada “força de van der Waals”.

Esse mecanismo de fixação altamente desenvolvido permite, por exemplo, que os répteis não escorreguem nem caiam da copa das árvores, por exemplo. Mas, no caso de um vidro vertical, liso e molhado, eles têm mais dificuldade de controlar o adesivo e, após alguns passos, acabam se desgrudando.

Os cientistas agora estão ansiosos para entender quanto tempo as lagartixas levam para se recuperar desse “encharcamento” e voltar à capacidade total da cola sob as patas.

Lagartixa valendo (Foto: Edward Ramirez/Journal of Experimental Biology)

Lagartixa tem adesivo nas patas que as faz grudar (Foto: Edward Ramirez/Journal of Experimental Biology)

Fonte: Globo Natureza


7 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Declínio em população de coalas preocupa Austrália

Atropelamentos e ataques ameaçam animais, que recebem tratamento em hospitais.

As populações de coalas de certas regiões da Austrália estão enfrentando um forte declínio em seus números.

Muitos dos animais vivem na natureza, mas perto de regiões já bastante urbanizadas, e acabam sendo atropelados por automóveis em estradas locais ou atacados por cães.

O pequeno Joey, de cinco meses de idade, foi abandonado em um parque local, mas após ter sido encontrado se tornou um dos 250 coalas que estão recebendo tratamento no Hospital Currumbim para a Vida Selvagem.

Segundo funcionários do hospital, houve um aumento de 40% desde o ano passado no número de animais que dão entrada no hospital for ferimentos ou doenças.

Desde maio deste ano, 36 coalas já morreram na região de Nova Gales do Sul, no sul da Austrália.

O governo australiano está procurando mapear a população de coalas do país, mas especialistas afirmam ser preciso realocar espécies para regiões onde elas enfrentam menos ameaças.

Declínio em população de coalas preocupa Austrália (Foto: BBC)

Declínio em população de coalas preocupa Austrália (Foto: BBC)

Fonte: BBC


7 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Após ataques, França vai caçar tubarões na ilha Reunião

Após série de incidentes, moradores pediram ajuda às autoridades para caçar peixes, que teriam se multiplicado nos últimos anos

A França vai contratar pescadores profissionais para matar nesta semana cerca de 20 tubarões na costa da ilha Reunião, território francês no oceano Índico, na esperança de entender uma série de ataques nesse paraíso dos surfistas.

Dois deles foram atacados por tubarões em menos de uma semana. Um deles, mordido no domingo, sobreviveu por pouco, mas perdeu uma mão e um pé. O outro morreu na segunda-feira (30) da semana passada.

Autoridades municipais de Saint-Leu, perto do local do ataque de domingo, pediram a governos de nível superior que abatessem as populações de tubarões-tigres e tubarões-cabeça-chata, que teriam se multiplicado no último ano.

Cerca de 300 moradores e surfistas fizeram um protesto em frente à principal delegacia de polícia da ilha, pedindo o abate dos tubarões.

O governo francês, porém, descartou um abate generalizado, dizendo que é preciso realizar estudos científicos sobre uma toxina que existe na carne dos tubarões, e que desestimula sua pesca.

O tubarão-cabeça-chata é uma das espécies que mais ataca humanos. Brian J. Skerry / National Geographic Image Sales

Fonte: Portal iG


26 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Missão tenta salvar gorilas ameaçados em meio a conflito no Congo

Acordo entre governo e rebeldes permitirá que patrulheiros possam monitorar espécie.

Um grupo de patrulheiros no Congo se prepara para uma missão que tentará salvar famílias de gorilas que desapareceram após uma intensificação do conflito entre forças do governo e rebeldes no país. O governo fez um acordo com o grupo rebelde M23, para permitir que os patrulheiros possam rastrear seis famílias de gorilas-de-montanha.

Os cerca de 200 mamíferos vivem no parque nacional de Virungo, localizado ao leste do país, e representam um quarto da população da espécie. O diretor do parque, Emmanuel de Merode, comemorou a decisão: “Nós estamos satisfeitos e aliviados que todas as partes do conflito reconheceram a necessidade de proteger os únicos gorilas-de-montanha do Congo”.

Os combates na região se intensificaram em abril, quando a área de conservação fechou as portas ao público. Desde o dia 8 de maio, as equipes responsáveis por acompanhar os gorilas evacuaram a área, que sofreu com intensos conflitos de artilharia pesada e, até mesmo, helicópteros de combate.

‘Os gorilas são muito espertos. Eles, sem dúvida, ao ouvir as explosões, se afastaram dos locais de conflito. O importante, agora, é localizá-los’, disse à BBC Brasil Lu Anne Cadd, assessora de imprensa do parque.

As famílias de gorilas-de-montanha não são vistos há mais de dez semanas. Os patrulheiros do parque são, no momento, os únicos membros do governo autorizados a circular na região. Eles irão se dividir em sete grupos e trabalhar em conjunto com a população local para localizar os gorilas.

O trabalho, que estava marcado para ter início nesta semana, será de encontrar os gorilas, identificar cada um deles e checar sua situação de saúde, já que a espécie é muito vulnerável a doenças.

Eles vão ainda remover armadilhas e fazer rondas constantes para evitar a atuação de traficantes de animais. O trabalho é considerado de alto risco. Nos últimos 15 anos, 130 deles morreram em serviço.

Eles fazem a segurança do parque mais antigo da África. O parque nacional de Virunga tem 7.800 km² e é considerado patrimônio mundial da humanidade pela Unesco.

A República Democrática do Congo está em guerra civil há 12 anos e, desde o acirramento dos conflitos, mais de 200 mil pessoas foram desabrigadas.

Resgate gorila1 (Foto: Virunga National Park/BBC)

Exemplar de gorila resgatado em parque do Congo. (Foto: Virunga National Park/BBC)

Filhote de gorila (Foto: Virunga National Park/BBC)

Filhote de gorila que vive em parque do Congo e deverá ser resgatado. (Foto: Virunga National Park/BBC)

gorila (Foto: Virunga National Park/BBC)

Objetivo da missão é evitar que ataques atinjam primatas. (Foto: Virunga National Park/BBC)

Resgate gorila1 (Foto: Virunga National Park/BBC)

Parque Nacional de Virunga é considerado patrimônio mundial da humanidade. (Foto: Virunga National Park/BBC)

Fonte: Globo Natureza


12 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Cinco peixes-boi serão devolvidos à natureza em Maraã, no Amazonas

Eles ficaram presos em redes de pesca ou foram apreendidos por fiscais.
No interior do estado, ainda são comuns os registros de caça do peixe-boi.

Animal será devolvido à natureza (Foto: Carolina Oliveira/Instituto Mamirauá)

Animais serão devolvido à natureza em Marãa (Foto: Carolina Oliveira/Instituto Mamirauá)

No dia 11 de agosto, cinco peixes-boi amazônicos serão devolvidos à natureza na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, na região do município de Maraã, noroeste do Amazonas. Os animais passaram por processo de readaptação à vida silvestre no Centro de Reabilitação de Peixes-Boi Amazônicos de Base Comunitária. Outros dois animais ainda permanecerão sob os cuidados do Centro.

Os peixes-boi chegaram ao Centro de Reabilitação com apenas alguns dias de vida. Dentre os que serão soltos, o mais velho tem quatro anos e o mais novo, dois. Dos cinco peixes-boi que serão soltos, três ficaram presos acidentalmente em redes de pesca e foram entregues à equipe do Centro de Reabilitação pelos próprios pescadores; os outros dois foram apreendidos por agentes ambientais e entregues aos cuidados do Centro.

Segundo Miriam Marmontel, coordenadora do Grupo de Pesquisas em Mamíferos Aquáticos Amazônicos, peixes-boi criados em cativeiro deixam de aprender informações necessárias à vida selvagem. Por isso, os peixes-boi liberados serão monitorados em vida livre, por meio de sinais de rádio emitidos por um aparelho que será adaptado às caudas dos animais.

“Temos que acompanhá-los após a soltura para saber se o nosso trabalho de reabilitação foi bem sucedido. Esses animais certamente são mais vulneráveis à caça do que os que nasceram e foram criados pela mãe, na natureza, pois ela repassa ao filhote informações como rotas de migração, lugares onde se alimentar e como fugir de um pescador. Existe um risco, mas esses animais terão que enfrentá-lo”, disse a pesquisadora.

Ameaça à espécie
No interior do estado, ainda são comuns os registros de caça de subsistência do peixe-boi. As fêmeas adultas, maiores que os machos, são o principal alvo dos caçadores. Sem os cuidados maternos, os filhotes de peixe-boi dificilmente sobrevivem na natureza.

Um dos fatores de ameaça aos filhotes órfãos de peixes-boi são as redes de pesca. Ao ficar preso a uma rede, o filhote pode morrer afogado – como são mamíferos, os peixes-boi precisam vir à superfície para respirar, em intervalos de aproximadamente dois minutos.

Cuidados especiais
De acordo com Miriam Marmontel, o peixe-boi amazônico (Trichechus inunguis) requer atenção especial da comunidade científica, o que se explica pelo histórico de exploração da espécie. Há registros de caça comercial de peixe-boi desde o século XVII. O auge da procura comercial da espécie ocorreu entre o século XIX e meados do XX, período em que milhares de animais foram mortos por causa da utilização de seu couro para a fabricação de correias e de sua banha para iluminação pública.

Hoje a espécie é considerada vulnerável à extinção. Mais de 100 peixes-boi amazônicos são mantidos em cativeiro, em centros de reabilitação nas regiões metropolitanas de Manaus eBelém, na Reserva Amanã.

O trabalho nos centros de reabilitação de peixe-boi amazônico pode evitar o que já aconteceu a outras espécies de mamíferos aquáticos. Em 2007, o baiji (Lipotes vexillifer), golfinho que habitava o rio Yang-tsé, na China, foi declarado extinto. Devido à caça predatória, em 1768 a vaca marinha (Hydrodamalis gigas) foi declarada extinta, 27 anos após ter sido descoberta.

 

Erê foi o primeiro peixe-boi nascido em cativeiro no Inpa, no AM (Foto: Divulgação/Inpa)

Caça de subsistência ameaça espécie no interior do Amazonas (Foto: Divulgação/Inpa)

Fonte: Globo Natureza


12 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Crustáceo descoberto no Caribe recebe nome em homenagem a Bob Marley

Espécie é parasita de peixes e pode ajudar pesquisadores a estudar a degradação dos corais e a saúde dos animais marinhos

Parasitas jovens que acabaram de se alimentar com o sangue do peixe; quando adultos, eles morrem em até três semanas, possivelmente após acasalarem

Bob Marley está vivo nos corais de recifes do mar do Caribe. O ícone do reggae serviu de inspiração ao biólogo Paul Sikkel para batizar minúsculos crustáceos descobertos na costa leste das ilhas caribenhas. Em homenagem ao cantor, morto em 1981, a nova espécie foi chamada Gnathia marleyi.

O crustáceo é a primeira espécie a ser descrita na região em mais de duas décadas. “Essa espécie é única e exclusiva do Caribe, assim como Marley”, disse nesta terça-feira Sikkel, professor-assistente de ecologia marinha na Universidade do Estado de Arkansas, nos Estados Unidos.

Gnathia marleyi vive escondido em cascalhos de corais, esponjas do mar e algas. Os jovens são parasitas e infestam os peixes que passam pelos locais onde estão. Quando adultos, os Gnathia marleyinão se alimentam de nada. “Achamos que os adultos sobrevivem por duas ou três semanas com o que foi sugado durante a juventude. Depois, morrem, possivelmente após acasalarem”, falou Sikkel.

Cerca de 80% dos organismos dos corais são parasitas. Os gnathiids (família à qual pertence o Gnathia marleyi) são os parasitas mais comuns nos oceanos e são os principais causadores ou transmissores das doenças que atingem os peixes. Além disso, a saúde dos peixes está diretamente ligada à saúde dos corais, conhecidos como “florestas do mar”, devido à alta biodiversidade.

Sikkel e seu time de pesquisadores estão monitorando a relação entre peixes e parasitas para analisar a degradação dos corais.

Velho conhecido — Sikkel descobriu o Ghnathia marleyi há dez anos nas Ilhas Virgens Americanas. Lá a espécie é tão comum que Sikkel achava que alguém já a tinha nomeado e descrito. Movido pela curiosidade, pediu para um dos pesquisadores do seu time investigar qual espécie era aquela e descobriu que ela não havia sido estudada a fundo.

Homenageados — Marley não é o único famoso homenageado por pesquisadores. Um líquen já foi batizado em homenagem a Barack Obama. O comediante Stephen Colbert serviu de inspiração para uma nova espécie de abelha, Elvis Presley deu nome a uma vespa, e Bill Gates, a uma nova mosca de flor.

Peixe infestado por parasitas que receberam nome de 'Gnathia marleyi', em homenagem a Bob Marley

Peixe infestado por parasitas que receberam nome de 'Gnathia marleyi', em homenagem a Bob Marley (Elizabeth Brill)

Fonte: Veja Ciência


11 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisadores encontram grande quantidade de plástico no estômago de aves marinhas

Em alguns fulmares, aves marinhas parecidas com gaivotas, foram encontradas mais de 400 pedaços de plástico. Média encontrada por ave foi de 36,8 pedaços

Mancha de lixo plástico aumentou 100 vezes nos últimos 100 anos no norte do Pacífico. Imagem: Veja Ciência

Pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica (UBC), no Canadá, encontraram grandes quantidades de plástico ao analisar o estômago de fulmares, um gênero de aves marinhas, na costa noroeste do Oceano Pacífico.

Semelhantes a gaivotas e albatrozes, os fulmares são considerados “sentinelas” da preservação marinha. Das 67 aves analisadas, 92% tinham algum tipo de plástico no estômago, como cordas, papel de bala, isopor, entre outros. O estudo foi publicado na versão online do periódicoMarine Pollution Bulletin. Uma média de 36,8 pedaços de plástico por ave foi encontrada. O peso total do plástico era de 0,385 gramas por pássaro. No estômago de um pássaro pesquisado foram encontradas 454 pedaços de plástico.

Esse nível de poluição encontrado no estômago destas aves é considerado alto pelos pesquisadores. “O estômago delas é um retrato da poluição em uma grande área no norte do Oceano Pacífico”, disse Stephanie Avery-Gomm, estudante do departamento de Zoologia da UBC e coordenadora do estudo.

Os fulmares se alimentam exclusivamente de animais marinhos e retêm por muitos anos os plásticos ingeridos durante a alimentação — esses materiais podem ser ingeridos durante a pesca ou quando as aves se alimentam de presas que também ingeriram plástico.

Análises dos estômagos dessas aves vem sendo feitas para medir a poluição marinha desde 1980. No oceano Pacífico, uma enorme ‘sopa’ de lixo plástico flutuante mantém cientistas e ambientalistas preocupados com a manutenção do ecossistema da região.

Nos últimos quarenta anos, esse enorme redemoinho de lixo plástico aumentou 100 vezes.

“Apesar da proximidade desse grande lixo flutuante que fica no norte do Oceano Pacífico, a poluição por plástico vem sendo negligenciada na nossa costa”, disse Avery-Gomm.

Os pesquisadores propõem um estudo anual para monitorar as taxas de poluição por plástico e a elaboração de estratégias mais eficazes de controle desses resíduos.

Ave da espécie Fulmar glacialis

Análise do estômago de aves da espécie Fulmar glacialis revelou alto nível de poluição no noroeste do oceano Pacífico (Nick Cobbing/Greenpeace)

Fonte: Veja Ciência


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Mudanças no DNA podem afetar comportamento de abelhas

Pesquisadores mostram que a alteração de alguns genes pode levar insetos a trocar de função dentro da colmeia

Cientistas da Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, descobriram a primeira evidência de que o comportamento das abelhas — e possivelmente de outros animais — pode ser alterado por mudanças epigenéticas em seus genes. A pesquisa, publicada neste domingo no site da revista Nature Neuroscience, mostrou que essas mudanças podem alterar a função desempenhada pela abelha na colmeia — e podem ser revertidas a fim de trazer o comportamento original de volta.

Os cientistas procuraram no DNA das abelhas alterações químicas conhecidas como metilações, que podem ser introduzidas e retiradas sem alterar a sequência genética original. A metilação de trechos do DNA já havia se mostrado importante na regulação da atividade genética. Pesquisas anteriores haviam mostrado que ela pode agir, por exemplo, na determinação de qual o destino de uma célula-tronco e no surgimento de células tumorais.

Neste estudo, a intenção dos pesquisadores foi descobrir se a metilação, ao alterar a forma como os genes se expressam, poderia afetar o comportamento de um animal. Para isso, eles analisaram o DNA do cérebro de abelhas operárias de duas “profissões” diferentes.

Todas as abelhas operárias são fêmeas e, dentro da mesma colmeia, todas são geneticamente idênticas. Mesmo assim, elas podem realizar trabalhos diferentes. As abelhas nutrizes, por exemplo, permanecem na colmeia para cuidar da rainha e das larvas. Quando ficam mais velhas, elas podem se tornar abelhas campeiras, que saem em busca de pólen e outros suprimentos para a comunidade.

“Os genes não são capazes de explicar as diferenças entre os dois tipos de comportamento”, diz Andy Feinberg, professor de medicina molecular e diretor do Centro de Epigenética do Instituto de Ciências Biomédicas Básicas da Universidade Johns Hopkins. “Mas a epigenética – e seu controle sobre os genes – pode.”

Teste vocacional — Os pesquisadores realizaram a experiência em uma colmeia nova, habitada por abelhas da mesma idade. Desse modo, eles evitaram a possibilidade de as diferenças entre os insetos ocorrerem por conta da idade. “Quando abelhas de mesma idade entram em uma nova colmeia, elas dividem suas tarefas de modo a manter uma proporção correta de nutrizes e campeiras”, diz Gro Amdam, especialista em abelhas da Universidade Estadual do Arizona e um dos autores do estudo.

Ao analisar os padrões de metilação do DNA no cérebro de 21 abelhas nutrizes e 21 campeiras, os pesquisadores encontraram 155 regiões que haviam sofrido alteração. Os genes alterados eram em sua maioria regulatórios, conhecidos por afetar o funcionamento de outros genes.

Em seguida, os cientistas quiseram descobrir se essas mudanças epigenéticas eram permanentes. Para isso, retiraram todas as abelhas nutrizes da colmeia. “Quando há poucas abelhas nutrizes, as campeiras podem tomar seu lugar, voltando à sua profissão anterior”, diz Gro Amdam.

Depois de algumas semanas, os pesquisadores voltaram a procurar diferenças nos padrões de metilação de seu DNA. Dessa vez, encontraram 107 regiões diferentes entre as campeiras e as que haviam se tornado nutrizes, sugerindo que as marcações epigenéticas não eram permanentes, mas podiam ser revertidas no dia a dia da colmeia.

Dessas 107 regiões, 57 já haviam sido identificadas entre as 155 que se alteram quando as nutrizes amadurecem para campeiras. Segundo os pesquisadores, essas 57 regiões parecem decisivas para diferenciar o comportamento das campeiras e nutrizes. Os cientistas dizem que o resultado pode ajudar a compreender questões comportamentais complexas em seres humanos, como o aprendizado, memória, respostas ao estresse e desordens de comportamento, que também envolvem interações entre componentes genéticos e a epigenéticos.

Saiba mais

EPIGENÉTICA
É o nome que se dá para as mudanças que acontecem nos genes sem, no entanto, alterar o código genético de um indivíduo. É diferente de uma mutação. Em uma mutação, o código genético é alterado. Já a mudança epigenética só altera a forma como um gene funciona. Essa mudança pode ser causada por fatores ambientais, como poluição ou mesmo pela prática de exercícios, e pode ser passada para as gerações seguintes.

CÉLULAS-TRONCO
Também chamadas de células-mãe, podem se transformar em qualquer um dos tipos de células do corpo humano e dar origens a outros tecidos, como ossos, nervos, músculos e sangue. Por essa versatilidade, elas vêm sendo testadas na regeneração de tecidos e órgãos de pessoas doentes.

abelhas

As abelhas operárias podem trabalhar dentro da colmeia ou fora, recolhendo pólen. O estudo mostrou que as tarefas desempenhadas são decididas pela metilação do DNA (Thinkstock)

Fonte: Veja Ciência


16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Fêmeas de besouro são atraídas por feromônios sexuais e cheiro de cadáver

Ciclo de vida dos besouros é tão previsível que costuma ser usado por cientistas forenses para estimar há quanto tempo uma pessoa está morta

Cadáveres em avançado estado de decomposição são o local ideal para os besouros da espécie Dermestes maculatus se reproduzirem e botarem seus ovos. Ali, suas larvas encontram os nutrientes necessários para se desenvolverem. Agora, uma nova pesquisa publicada na revista Frontiers in Zoology mostrou que nem os feromônios sexuais liberados pelos machos nem o cheiro dos cadáveres são suficientes para atrair as fêmeas até o local. Elas só são atraídas quando os dois odores estão presentes em conjunto, mostrando como a evolução da espécie aumentou as chances de sua reprodução ter sucesso.

Os cientistas da Universidade de Ulm, na Alemanha, pesquisaram quais odores eram capazes de atrair as fêmeas virgens e jovens, com duas a três semanas de vida, do besouro. Eles testaram diversos aromas: o cheiro de cadáver de porco coletado em diferentes estágios de decomposição, feromônios masculinos extraídos da glândula do inseto, feromônios sintéticos e um solvente.

As fêmeas ignoraram totalmente tanto os feromônios artificiais quanto o solvente. Na verdade, elas não foram atraídas por quase nenhum dos odores, a não ser pelo do cadáver nos últimos estágios de decomposição, desde que reforçado pelos feromônios masculinos. “Embora o cheiro do cadáver não seja capaz de atrair as fêmeas, ele é o suficiente para atrair os machos jovens”, explica Christian von Hoermann, coordenador do estudo.

Segundo o pesquisador, a liberação de feromônios por parte dos machos assinala que o cadáver é um ambiente apropriado para alimentação, acasalamento e depósito de ovos. A seleção natural teria feito com que as fêmeas só respondessem aos chamados dos machos se o odor do cadáver estivesse presente – e vice-versa – para otimizar as chances de sobrevivência de seus filhos.

Ciclo - A decomposição de cadáveres costuma ser um prato atrativo para muitas espécies de insetos, que desenvolveram preferência por diferentes estágios do processo. As primeiras a chegar ao corpo costumam ser as moscas, cujas larvas se alimentam dos tecidos ainda úmidos. Depois, vêm os besouros das famílias Histeridae e Staphylinidae, que se alimentam dessas larvas. Os besouros Dermestes maculatus chegam no estágio seguinte e passam a se alimentar dos restos de pele e ligamentos.

No entanto, eles só começarão a se reproduzir quando a decomposição estiver mais avançada e o cadáver reduzido a ossos, cabelos e pele seca. A partir desse momento, só restarão as larvas do besouro. O ciclo de vida e a sequência de chegada desses animais é tão previsível que costuma ser usado por cientistas forenses para estimar há quanto tempo uma pessoa está morta.

besouro

O besouro Dermestes maculatus costuma se reproduzir e botar seus ovos em cadáveres em decomposição (Divulgação)

Fonte: Veja Ciência


10 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Papagaios cinzentos pensam de forma lógica como criança, diz estudo

Pesquisa austríaca analisou seis animais, com idades entre 10 e 35 anos.
Aves souberam distinguir, pelo barulho, em qual copo havia uma noz.

Os papagaios cinzentos que vivem na selva africana pensam de forma lógica e similar aos macacos e às crianças de 3 anos de idade, aponta uma pesquisa publicada nesta quarta-feira (8) pela Universidade de Viena e pelo Instituto Científico Konrad Lorenz, na Áustria.

O estudo se baseia em experimentos realizados com seis animais, com idades entre 10 e 35 anos. Os resultados aparecem na revista científica britânica “Proceedings of the Royal Society B”.

No experimento, a cientista Judith Schmidt agitou, diante de um papagaio, dois copos de plástico, um com uma noz no interior e o outro vazio. O animal entendeu imediatamente que a noz estava escondida dentro do copo que fazia barulho.

Depois, a pesquisadora agitou apenas o copo que não continha nada e o colocou sobre uma mesa junto com o outro. O animal entendeu que a noz deveria estar sob o outro copo.

Os cientistas asseguram que, quando se agitam os dois copos ou apenas um deles, os papagaios cinzentos sempre encontram a noz, com a mesma velocidade.

Se não sai nenhum barulho de um copo, os animais deduzem que o fruto está no outro recipiente.

Ao contrário dos papagaios, os macacos só alcançam essa habilidade após um intenso treinamento.

Papagaio cinzento (Foto: AP)

Papagaio cinzento tem raciocínio rápido e lógico, aponta estudo com seis animais na Áustria (Foto: AP)

Fonte: Globo Natureza


10 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas estudam mecanismo que faz as lagartixas grudarem na parede

Adesivo no dedo dos répteis permite fixação em superfícies verticais.
Força que prende os animais diminui quando as patas ficam molhadas.

Uma pesquisa feita pela Universidade de Akron, no estado americano de Ohio, analisa a estrutura adesiva nos dedos das lagartixas que permite que elas se fixem às superfícies verticais por onde passam, como árvores e paredes. Os resultados estão publicados na atual edição da revista “Journal of Experimental Biology”.

Os cientistas avaliaram como esses répteis se comportam em lugares secos e úmidos, e como se esforçam para se manter presos quando o local está molhado.

A equipe, formada pelos pesquisadores Alyssa Stark, Timothy Sullivan e Peter Niewiarowski, queria saber como os animais da espécie Tokay (Gekko gecko) se comportam em seu habitat natural, ou seja, em florestas tropicais, onde costuma chover muito.

Em ambientes secos, por exemplo, as lagartixas são capazes de aguentar uma força de até 20 vezes o próprio peso, mas, quando as patas se encharcam – após 90 minutos, no caso dos testes realizados –, os indivíduos se desprenderam após uma força quase igual ao próprio peso.

Isso indica que esses animais podem caminhar por superfícies molhadas, mesmo que seus pezinhos estejam razoavelmente secos. No entanto, assim que as patas se molham, os répteis mal conseguem se segurar, pois os dedos deles são hidrofóbicos, ou seja, repelem a água.

De acordo com os autores, a estrutura de aderência na sola das patas das lagartixas contém pelos microscópicos, que são atraídos pelo solo por meio de uma interação entre moléculas chamada “força de van der Waals”.

Esse mecanismo de fixação altamente desenvolvido permite, por exemplo, que os répteis não escorreguem nem caiam da copa das árvores, por exemplo. Mas, no caso de um vidro vertical, liso e molhado, eles têm mais dificuldade de controlar o adesivo e, após alguns passos, acabam se desgrudando.

Os cientistas agora estão ansiosos para entender quanto tempo as lagartixas levam para se recuperar desse “encharcamento” e voltar à capacidade total da cola sob as patas.

Lagartixa valendo (Foto: Edward Ramirez/Journal of Experimental Biology)

Lagartixa tem adesivo nas patas que as faz grudar (Foto: Edward Ramirez/Journal of Experimental Biology)

Fonte: Globo Natureza


7 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Declínio em população de coalas preocupa Austrália

Atropelamentos e ataques ameaçam animais, que recebem tratamento em hospitais.

As populações de coalas de certas regiões da Austrália estão enfrentando um forte declínio em seus números.

Muitos dos animais vivem na natureza, mas perto de regiões já bastante urbanizadas, e acabam sendo atropelados por automóveis em estradas locais ou atacados por cães.

O pequeno Joey, de cinco meses de idade, foi abandonado em um parque local, mas após ter sido encontrado se tornou um dos 250 coalas que estão recebendo tratamento no Hospital Currumbim para a Vida Selvagem.

Segundo funcionários do hospital, houve um aumento de 40% desde o ano passado no número de animais que dão entrada no hospital for ferimentos ou doenças.

Desde maio deste ano, 36 coalas já morreram na região de Nova Gales do Sul, no sul da Austrália.

O governo australiano está procurando mapear a população de coalas do país, mas especialistas afirmam ser preciso realocar espécies para regiões onde elas enfrentam menos ameaças.

Declínio em população de coalas preocupa Austrália (Foto: BBC)

Declínio em população de coalas preocupa Austrália (Foto: BBC)

Fonte: BBC


7 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Após ataques, França vai caçar tubarões na ilha Reunião

Após série de incidentes, moradores pediram ajuda às autoridades para caçar peixes, que teriam se multiplicado nos últimos anos

A França vai contratar pescadores profissionais para matar nesta semana cerca de 20 tubarões na costa da ilha Reunião, território francês no oceano Índico, na esperança de entender uma série de ataques nesse paraíso dos surfistas.

Dois deles foram atacados por tubarões em menos de uma semana. Um deles, mordido no domingo, sobreviveu por pouco, mas perdeu uma mão e um pé. O outro morreu na segunda-feira (30) da semana passada.

Autoridades municipais de Saint-Leu, perto do local do ataque de domingo, pediram a governos de nível superior que abatessem as populações de tubarões-tigres e tubarões-cabeça-chata, que teriam se multiplicado no último ano.

Cerca de 300 moradores e surfistas fizeram um protesto em frente à principal delegacia de polícia da ilha, pedindo o abate dos tubarões.

O governo francês, porém, descartou um abate generalizado, dizendo que é preciso realizar estudos científicos sobre uma toxina que existe na carne dos tubarões, e que desestimula sua pesca.

O tubarão-cabeça-chata é uma das espécies que mais ataca humanos. Brian J. Skerry / National Geographic Image Sales

Fonte: Portal iG


26 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Missão tenta salvar gorilas ameaçados em meio a conflito no Congo

Acordo entre governo e rebeldes permitirá que patrulheiros possam monitorar espécie.

Um grupo de patrulheiros no Congo se prepara para uma missão que tentará salvar famílias de gorilas que desapareceram após uma intensificação do conflito entre forças do governo e rebeldes no país. O governo fez um acordo com o grupo rebelde M23, para permitir que os patrulheiros possam rastrear seis famílias de gorilas-de-montanha.

Os cerca de 200 mamíferos vivem no parque nacional de Virungo, localizado ao leste do país, e representam um quarto da população da espécie. O diretor do parque, Emmanuel de Merode, comemorou a decisão: “Nós estamos satisfeitos e aliviados que todas as partes do conflito reconheceram a necessidade de proteger os únicos gorilas-de-montanha do Congo”.

Os combates na região se intensificaram em abril, quando a área de conservação fechou as portas ao público. Desde o dia 8 de maio, as equipes responsáveis por acompanhar os gorilas evacuaram a área, que sofreu com intensos conflitos de artilharia pesada e, até mesmo, helicópteros de combate.

‘Os gorilas são muito espertos. Eles, sem dúvida, ao ouvir as explosões, se afastaram dos locais de conflito. O importante, agora, é localizá-los’, disse à BBC Brasil Lu Anne Cadd, assessora de imprensa do parque.

As famílias de gorilas-de-montanha não são vistos há mais de dez semanas. Os patrulheiros do parque são, no momento, os únicos membros do governo autorizados a circular na região. Eles irão se dividir em sete grupos e trabalhar em conjunto com a população local para localizar os gorilas.

O trabalho, que estava marcado para ter início nesta semana, será de encontrar os gorilas, identificar cada um deles e checar sua situação de saúde, já que a espécie é muito vulnerável a doenças.

Eles vão ainda remover armadilhas e fazer rondas constantes para evitar a atuação de traficantes de animais. O trabalho é considerado de alto risco. Nos últimos 15 anos, 130 deles morreram em serviço.

Eles fazem a segurança do parque mais antigo da África. O parque nacional de Virunga tem 7.800 km² e é considerado patrimônio mundial da humanidade pela Unesco.

A República Democrática do Congo está em guerra civil há 12 anos e, desde o acirramento dos conflitos, mais de 200 mil pessoas foram desabrigadas.

Resgate gorila1 (Foto: Virunga National Park/BBC)

Exemplar de gorila resgatado em parque do Congo. (Foto: Virunga National Park/BBC)

Filhote de gorila (Foto: Virunga National Park/BBC)

Filhote de gorila que vive em parque do Congo e deverá ser resgatado. (Foto: Virunga National Park/BBC)

gorila (Foto: Virunga National Park/BBC)

Objetivo da missão é evitar que ataques atinjam primatas. (Foto: Virunga National Park/BBC)

Resgate gorila1 (Foto: Virunga National Park/BBC)

Parque Nacional de Virunga é considerado patrimônio mundial da humanidade. (Foto: Virunga National Park/BBC)

Fonte: Globo Natureza


12 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Cinco peixes-boi serão devolvidos à natureza em Maraã, no Amazonas

Eles ficaram presos em redes de pesca ou foram apreendidos por fiscais.
No interior do estado, ainda são comuns os registros de caça do peixe-boi.

Animal será devolvido à natureza (Foto: Carolina Oliveira/Instituto Mamirauá)

Animais serão devolvido à natureza em Marãa (Foto: Carolina Oliveira/Instituto Mamirauá)

No dia 11 de agosto, cinco peixes-boi amazônicos serão devolvidos à natureza na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, na região do município de Maraã, noroeste do Amazonas. Os animais passaram por processo de readaptação à vida silvestre no Centro de Reabilitação de Peixes-Boi Amazônicos de Base Comunitária. Outros dois animais ainda permanecerão sob os cuidados do Centro.

Os peixes-boi chegaram ao Centro de Reabilitação com apenas alguns dias de vida. Dentre os que serão soltos, o mais velho tem quatro anos e o mais novo, dois. Dos cinco peixes-boi que serão soltos, três ficaram presos acidentalmente em redes de pesca e foram entregues à equipe do Centro de Reabilitação pelos próprios pescadores; os outros dois foram apreendidos por agentes ambientais e entregues aos cuidados do Centro.

Segundo Miriam Marmontel, coordenadora do Grupo de Pesquisas em Mamíferos Aquáticos Amazônicos, peixes-boi criados em cativeiro deixam de aprender informações necessárias à vida selvagem. Por isso, os peixes-boi liberados serão monitorados em vida livre, por meio de sinais de rádio emitidos por um aparelho que será adaptado às caudas dos animais.

“Temos que acompanhá-los após a soltura para saber se o nosso trabalho de reabilitação foi bem sucedido. Esses animais certamente são mais vulneráveis à caça do que os que nasceram e foram criados pela mãe, na natureza, pois ela repassa ao filhote informações como rotas de migração, lugares onde se alimentar e como fugir de um pescador. Existe um risco, mas esses animais terão que enfrentá-lo”, disse a pesquisadora.

Ameaça à espécie
No interior do estado, ainda são comuns os registros de caça de subsistência do peixe-boi. As fêmeas adultas, maiores que os machos, são o principal alvo dos caçadores. Sem os cuidados maternos, os filhotes de peixe-boi dificilmente sobrevivem na natureza.

Um dos fatores de ameaça aos filhotes órfãos de peixes-boi são as redes de pesca. Ao ficar preso a uma rede, o filhote pode morrer afogado – como são mamíferos, os peixes-boi precisam vir à superfície para respirar, em intervalos de aproximadamente dois minutos.

Cuidados especiais
De acordo com Miriam Marmontel, o peixe-boi amazônico (Trichechus inunguis) requer atenção especial da comunidade científica, o que se explica pelo histórico de exploração da espécie. Há registros de caça comercial de peixe-boi desde o século XVII. O auge da procura comercial da espécie ocorreu entre o século XIX e meados do XX, período em que milhares de animais foram mortos por causa da utilização de seu couro para a fabricação de correias e de sua banha para iluminação pública.

Hoje a espécie é considerada vulnerável à extinção. Mais de 100 peixes-boi amazônicos são mantidos em cativeiro, em centros de reabilitação nas regiões metropolitanas de Manaus eBelém, na Reserva Amanã.

O trabalho nos centros de reabilitação de peixe-boi amazônico pode evitar o que já aconteceu a outras espécies de mamíferos aquáticos. Em 2007, o baiji (Lipotes vexillifer), golfinho que habitava o rio Yang-tsé, na China, foi declarado extinto. Devido à caça predatória, em 1768 a vaca marinha (Hydrodamalis gigas) foi declarada extinta, 27 anos após ter sido descoberta.

 

Erê foi o primeiro peixe-boi nascido em cativeiro no Inpa, no AM (Foto: Divulgação/Inpa)

Caça de subsistência ameaça espécie no interior do Amazonas (Foto: Divulgação/Inpa)

Fonte: Globo Natureza


12 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Crustáceo descoberto no Caribe recebe nome em homenagem a Bob Marley

Espécie é parasita de peixes e pode ajudar pesquisadores a estudar a degradação dos corais e a saúde dos animais marinhos

Parasitas jovens que acabaram de se alimentar com o sangue do peixe; quando adultos, eles morrem em até três semanas, possivelmente após acasalarem

Bob Marley está vivo nos corais de recifes do mar do Caribe. O ícone do reggae serviu de inspiração ao biólogo Paul Sikkel para batizar minúsculos crustáceos descobertos na costa leste das ilhas caribenhas. Em homenagem ao cantor, morto em 1981, a nova espécie foi chamada Gnathia marleyi.

O crustáceo é a primeira espécie a ser descrita na região em mais de duas décadas. “Essa espécie é única e exclusiva do Caribe, assim como Marley”, disse nesta terça-feira Sikkel, professor-assistente de ecologia marinha na Universidade do Estado de Arkansas, nos Estados Unidos.

Gnathia marleyi vive escondido em cascalhos de corais, esponjas do mar e algas. Os jovens são parasitas e infestam os peixes que passam pelos locais onde estão. Quando adultos, os Gnathia marleyinão se alimentam de nada. “Achamos que os adultos sobrevivem por duas ou três semanas com o que foi sugado durante a juventude. Depois, morrem, possivelmente após acasalarem”, falou Sikkel.

Cerca de 80% dos organismos dos corais são parasitas. Os gnathiids (família à qual pertence o Gnathia marleyi) são os parasitas mais comuns nos oceanos e são os principais causadores ou transmissores das doenças que atingem os peixes. Além disso, a saúde dos peixes está diretamente ligada à saúde dos corais, conhecidos como “florestas do mar”, devido à alta biodiversidade.

Sikkel e seu time de pesquisadores estão monitorando a relação entre peixes e parasitas para analisar a degradação dos corais.

Velho conhecido — Sikkel descobriu o Ghnathia marleyi há dez anos nas Ilhas Virgens Americanas. Lá a espécie é tão comum que Sikkel achava que alguém já a tinha nomeado e descrito. Movido pela curiosidade, pediu para um dos pesquisadores do seu time investigar qual espécie era aquela e descobriu que ela não havia sido estudada a fundo.

Homenageados — Marley não é o único famoso homenageado por pesquisadores. Um líquen já foi batizado em homenagem a Barack Obama. O comediante Stephen Colbert serviu de inspiração para uma nova espécie de abelha, Elvis Presley deu nome a uma vespa, e Bill Gates, a uma nova mosca de flor.

Peixe infestado por parasitas que receberam nome de 'Gnathia marleyi', em homenagem a Bob Marley

Peixe infestado por parasitas que receberam nome de 'Gnathia marleyi', em homenagem a Bob Marley (Elizabeth Brill)

Fonte: Veja Ciência


11 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisadores encontram grande quantidade de plástico no estômago de aves marinhas

Em alguns fulmares, aves marinhas parecidas com gaivotas, foram encontradas mais de 400 pedaços de plástico. Média encontrada por ave foi de 36,8 pedaços

Mancha de lixo plástico aumentou 100 vezes nos últimos 100 anos no norte do Pacífico. Imagem: Veja Ciência

Pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica (UBC), no Canadá, encontraram grandes quantidades de plástico ao analisar o estômago de fulmares, um gênero de aves marinhas, na costa noroeste do Oceano Pacífico.

Semelhantes a gaivotas e albatrozes, os fulmares são considerados “sentinelas” da preservação marinha. Das 67 aves analisadas, 92% tinham algum tipo de plástico no estômago, como cordas, papel de bala, isopor, entre outros. O estudo foi publicado na versão online do periódicoMarine Pollution Bulletin. Uma média de 36,8 pedaços de plástico por ave foi encontrada. O peso total do plástico era de 0,385 gramas por pássaro. No estômago de um pássaro pesquisado foram encontradas 454 pedaços de plástico.

Esse nível de poluição encontrado no estômago destas aves é considerado alto pelos pesquisadores. “O estômago delas é um retrato da poluição em uma grande área no norte do Oceano Pacífico”, disse Stephanie Avery-Gomm, estudante do departamento de Zoologia da UBC e coordenadora do estudo.

Os fulmares se alimentam exclusivamente de animais marinhos e retêm por muitos anos os plásticos ingeridos durante a alimentação — esses materiais podem ser ingeridos durante a pesca ou quando as aves se alimentam de presas que também ingeriram plástico.

Análises dos estômagos dessas aves vem sendo feitas para medir a poluição marinha desde 1980. No oceano Pacífico, uma enorme ‘sopa’ de lixo plástico flutuante mantém cientistas e ambientalistas preocupados com a manutenção do ecossistema da região.

Nos últimos quarenta anos, esse enorme redemoinho de lixo plástico aumentou 100 vezes.

“Apesar da proximidade desse grande lixo flutuante que fica no norte do Oceano Pacífico, a poluição por plástico vem sendo negligenciada na nossa costa”, disse Avery-Gomm.

Os pesquisadores propõem um estudo anual para monitorar as taxas de poluição por plástico e a elaboração de estratégias mais eficazes de controle desses resíduos.

Ave da espécie Fulmar glacialis

Análise do estômago de aves da espécie Fulmar glacialis revelou alto nível de poluição no noroeste do oceano Pacífico (Nick Cobbing/Greenpeace)

Fonte: Veja Ciência


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