20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Agricultura moderna e urbanização levam à perda da biodiversidade do solo

Lavoura em Moçambique; más práticas agrícolas arruinaram cerca de metade do solo superficial na África

Lavoura em Moçambique; más práticas agrícolas arruinaram cerca de metade do solo superficial na África. Jon Hrusa/Epa

Poucas coisas são mais vitais do que a saúde da terra. Nosso abastecimento alimentar começa lá. As plantas selvagens precisam de solo saudável para crescer bem. Os herbívoros, para que possam comer as folhas, sementes e frutos das plantas. Por fim, os predadores, para que possam comer os bichos que comem as plantas.

Um solo saudável evita doenças humanas e também contém a cura para outras enfermidades. A maioria dos antibióticos vem de lá. Os cientistas agora procuram na terra uma nova classe de remédios para enfrentar doenças resistentes a antibióticos.

O solo supostamente desempenha um papel importante, mas pouco compreendido, na difusão do cólera, da meningite fúngica e de outros agentes infecciosos que passam parte do seu ciclo de vida na terra.

Novas tecnologias garantiram saltos na nossa compreensão sobre a ecologia dos solos, ao permitir que os cientistas estudem os genes de micróbios da terra e acompanhem minúsculas quantidades de carbono e nitrogênio em sua passagem por esse ecossistema.

Mas, à medida que os cientistas aprendem mais, eles percebem como sabem pouco.

Na última década, os cientistas descobriram que o “oceano de terra” do planeta é um dos quatro maiores reservatórios de biodiversidade. Ele contém quase um terço de todos os organismos vivos, segundo o Centro de Pesquisas Conjuntas da União Europeia, mas apenas cerca de 1% dos seus micro-organismos já foi identificado. As relações entre essa miríade de espécies ainda é mal compreendida.

Cientistas criaram recentemente a Iniciativa Global de Biodiversidade do Solo para avaliar o que se sabe sobre a vida subterrânea, para identificar onde ela está em perigo e para determinar a saúde dos serviços ecossistêmicos essenciais que o solo fornece.

Uma colherada de terra pode conter bilhões de micróbios (divididos entre 5.000 tipos diferentes), assim como milhares de espécies de fungos e protozoários, além de nematódeos, ácaros e algumas espécies de cupim.

“Há uma pululante organização embaixo do chão, uma fábrica com terra, animais e micróbios, cada um com seu próprio papel”, disse a bióloga Diana Wall, da Universidade Estadual do Colorado, a presidente científica da iniciativa.

O ecossistema do solo é altamente evoluído e sofisticado. Ele processa o lixo orgânico, transformando-o em terra. Filtra e limpa grande parte da água que bebemos e do ar que respiramos, ao reter poeiras e agentes patogênicos. Desempenha importante papel na quantidade de dióxido de carbono na atmosfera, pois, com toda a sua matéria orgânica, é o segundo maior depósito de carbono do planeta, só atrás dos oceanos.

O uso de arados, a erosão e outros fatores liberam carbono na forma de CO2, exacerbando a mudança climática.

Um estudo de 2003 na revista “Ecosystems” estimou que a biodiversidade de quase 5% do solo dos EUA estava “sob risco de perda substancial ou completa extinção devido à agricultura e à urbanização”. Essa foi provavelmente uma estimativa conservadora, já que o solo do planeta era na época mais inexplorado do que hoje e as técnicas do estudo eram bem menos desenvolvidas.

Há numerosas ameaças à vida no solo. A agricultura moderna é uma das maiores, pois priva a terra da matéria orgânica que a alimenta, resseca o chão e o contamina com pesticidas, herbicidas e nitrogênio sintético.

A impermeabilização em áreas urbanas também destrói a vida da terra, assim como a poluição e as máquinas pesadas. Uma ameaça já antiga, como a chuva ácida, continua afetando a vida subterrânea, pois deixa o solo mais ácido.

O problema é global. Em quase metade da África, por exemplo, o uso intensivo para lavouras e pastagens destruiu a camada superior do solo e causou desertificação.

O aquecimento global irá contribuir para as ameaças à biodiversidade do solo. A segurança alimentar é uma grande preocupação. O que irá acontecer com as lavouras à medida que o planeta se aquecer? Ligeiras alterações de temperatura e umidade podem ter impactos profundos, mudando a composição da vida no solo e os tipos de plantas que poderão crescer.

Algumas plantas devem gradualmente migrar para climas mais frios, mas outras podem não ser capazes de se adaptar em novos solos. “O mundo acima do chão e o mundo abaixo dele estão muito estreitamente ligados”, disse Wall.

Os cientistas também estão descobrindo que um ecossistema saudável no solo pode ajudar a sustentar as plantas naturalmente, sem insumos químicos. “Quanto maior é a diversidade do solo, menos doenças surgem nas plantas”, disse Eric Nelson, que estuda a ecologia do solo e das doenças na Universidade Cornell, no Estado de Nova York. Os insetos também são refreados por plantas que crescem em terra saudável, segundo ele.

O que agricultores e jardineiros podem fazer para proteger seus solos? Wall sugere não lavrar a terra, deixando que a vegetação morta se decomponha, em vez de revolver o solo com o arado a cada ano. Evitar produtos químicos sintéticos é importante. Agregar adubo, especialmente adubo de minhoca, pode contribuir para fortalecer os ecossistemas da terra.

O tema está começando a atrair a atenção merecida. Wall acaba de receber o Prêmio Tyler de Realização Ambiental, com uma dotação de US$ 200 mil, que ela diz pretender usar em pesquisas. “É a hora do show para a biodiversidade do solo”, disse ela.

Fonte: Folha.com


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Plantas e animais podem perder metade de suas zonas climáticas

Um estudo publicado no domingo (12) no periódico “Nature Climate Change” prevê que cerca de 55% das espécies vegetais e 35% das espécies animais do planeta terão sua faixa climática adequada reduzida pela metade até 2080 se medidas para a diminuição de emissões de gases-estufa não forem tomadas.

As previsões indicam que, se mantido o ritmo atual de emissões, poderá haver um aumento de 4º C na temperatura do planeta até o fim do século.

Os pesquisadores da Universidade britânica East Anglia estudaram o impacto de tal aumento de temperatura nas “zonas climáticas” de 48.786 espécies. Cada zona climática permite o desenvolvimento de determinados tipos de espécies de animais e plantas, incluindo o seu processo de adaptação às condições biológicas e climáticas, como as de precipitação de chuvas e de temperatura.

O maior risco será para as plantas, os anfíbios e os répteis, já que o ritmo de sua capacidade de adaptação é mais lento que a mudança climática, enfatizaram os pesquisadores.

Segundo Rachel Warren, uma das autoras do trabalho, as estimativas da pesquisa podem ser até piores, já que somente levam em conta o impacto do aumento de temperatura, não considerando os eventos extremos provocados pela mudança no clima, como ciclones e inundações.

“As populações de animais em particular poderiam desaparecer em maior proporção do que estimamos devido à diminuição das plantas disponíveis para a alimentação” , explica Warren.

Segundo o estudo, o impacto previsto sobre as zonas climáticas das espécies poderia ser reduzido de maneira significativa se rápidas medidas para reduzir as emissões de gases-estufa forem tomadas.

As perdas podem ser reduzidas em 60% se o crescimento das emissões for interrompido em 2016 ou em 40%, se interrompido em 2030.

 

Fonte: Folha.com


12 de março de 2013 | nenhum comentário »

CEAMA mais de 2.200 visitantes em 2012

O CEAMA, projeto coordenado pelo IPEVS, busca transmitir conhecimento científico aos visitantes, informar sobre a biologia e comportamento animal, esclarecer mitos, orientar sobre a prevenção de acidentes com animais peçonhentos e principalmente incentivar a importância da preservação das espécies, despertando uma consciência ecológica voltada à conservação ambiental. Localizado no município de Cornélio Procópio-PR, possui em seu acervo biológico exemplares de répteis (serpentes, lagartos e quelônios), anfíbios (anuros) e aracnídeos (aranhas e escorpiões) pertencentes à fauna brasileira e exótica, totalizando 156 animais, sendo 31 espécies mantidas em exposição. Esses são mantidos em cativeiro devido à impossibilidade de serem devolvidos para o habitat natural.

O CEAMA atende diariamente o público, disponibilizando dados biológicos das espécies em fichas com informações sobre tamanho, distribuição geográfica e tipo de alimentação. Além disso, todos os visitantes são acompanhados por monitores que esclarecem dúvidas e ministram aulas práticas previamente agendadas, direcionadas às instituições de ensino básico, médio e superior. O centro é o único espaço na região que possibilita o contato da comunidade com estes animais. O trabalho realizado promove uma grande mudança comportamental dos visitantes, pois a informação associada ao contato próximo com os animais quebra pré-conceitos acerca dos mesmos, e desperta uma nova consciência em relação ao meio ambiente, interferindo a favor da preservação da vida das espécies.

Em 5 anos de existência, recebeu mais de 14 mil visitantes, sendo aproximadamente 2.200 somente no ano de 2012.

CEAMA: Visitantes acompanhados por monitores. Foto: IPEVS

Lista de visitas recebidas pelo CEAMA em 2012:

Colégio PGD – Londrina – PR

Instituto Federal do Paraná de Londrina -PR,

Escola Educativa de Ibiporã- PR,

Colégio Estadual Professora Adélia Antunes Lopes de Jataizinho- PR,

Colégio Estadual Professor Antônio Bitonte – Sertaneja – PR

Colégio José Gonçalves Mendonça de Maracaí – SP,

Escola Estadual Afrânio Peixoto de Abatiá – PR,

Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP – Campus Bandeirantes – PR,

Colégio Estadual Joaquim Maria Machado de Assis de Santa Mariana – PR,

Colégio Dom Bosco, Cornélio Procópio – PR,

Centro de Línguas Estrangeiras – CELEM de Cornélio Prcópio – PR,

Projeto Cantinho da Criança de Santa Mariana – PR,

Colégio Estadual Antônio Iglesias de Ibiporã – PR,

Colégio São Domingos de Faxinal do Céu – PR.

Escola Estadual Ruth Martinez Corrêa – Ribeirão do Pinhal – PR

Curso de Férias do Zoológico de Bauru – Bauru – SP

Colégio Estadual Antônio Carlos – Nova Santa Barbara – PR

Colégio Nossa Senhora do Rosário – Cornélio Procópio – PR

Escola Municipal Maria Pura Martinez Fraiz – Nova Fátima – PR

Escola Municipal Arthur Serafim Marquez – Rancho Alegra – PR

Colégio Nossa Senhora Medianeira – Santa Mariana – PR

Escola Pingo de Gente – Uraí – PR

Escola Municipal Dom Bosco – Abatiá – PR

Escola Estadual Anastácio Cerezine – Alvorada do Sul – PR

Colégio Estadual Castro Alves – Cornélio Procópio – PR

Escola Municipal Leila Domingos Chaerke – Nova Fátima – PR

Escola Rural Cruzeiro do Cedro – Nova América da Colina – PR

Colégio Estadual Teotônio Brandão Vilela – Ibiporã – PR

Colégio Estadual Unidade Polo – Ibiporã – PR

Colégio Integrado Sônia Marcondi – Ibiporã – PR

Escola Estadual Ulysses Guimarães – Ibiporã – PR

Escola Alfa – Londrina – PR

Colégio Estadual Jerônimo Faria Martins – Santa Cecília do Pavão – PR

Colégio Anjos Custódio – Marialva – PR

Escola Municipal Dr João Ribeiro Júnior – Uraí – PR

Escola Municipal Eufrosina Ribeiro da Silva – São Sebastião da Amoreira – PR

Projeto Casa da Criança – Santa Cecília do Pavão – PR

Escola Municipal Padre Antônio Lock -  Cornélio Procópio – PR

Colégio Estadual Monteiro Lobato – Projeto de Iniciação a Docente – Cornélio Procópio – PR

Colégio Estadual Cléia Godoy – Londrina – PR

Colégio Sesi de Assaí – Assaí – Pr

Escola Cantinho Encantado – Bandeirantes – PR

Escola Nova Geração – Andirá – PR

Colégio Estadual 14 de dezembro – Alvorada do Sul – PR

Colégio Estadual Vandyr de Almeida – Cornélio Procópio – PR

Escola Franciscana Divina Pastora – Uraí – PR

Escola Municipal Professor Vicente Rodrigues Monteiro – Jataizinho – PR

Escola Municipal Princesa Isabel – Jataizinho – PR

Aula prática. Foto: IPEVS

Informação associada ao contato próximo com os animais quebra pré-conceitos acerca dos mesmos, e desperta uma nova consciência em relação ao meio ambiente. Foto: IPEVS

A equipe do CEAMA agradece a presença dos visitantes.

O agendamento pode ser realizado através dos telefones: 43-35235095/84356175 ou email: ipevs@ipevs.org.br

Fonte: Ascom IPEVS


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Sem interesse de zoológicos, animais vivem em centro de triagem em RO

Rejeitada por zoológicos, onça parda está no centro há oito meses.
Pelo menos 30 animais aguardam para serem adotados, em Porto Velho.

Com aproximadamente 10 meses de idade, a onça parda Dodge, encontrada em julho do ano passado por um sitiante em São Miguel do Guaporé (RO), a 540 quilômetros de Porto Velho, continua no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Porto Velho, onde aguarda o interesse de zoológicos do país. Assim como Dodge, aproximadamente 30 animais, entre diversas espécies de macacos e aves, também aguardam para serem tranferidos a instituições competentes credenciadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama).

Dodge está com cerca de nove meses (Foto: Vanessa Vasconcelos/G1)

Dodge está com cerca de nove meses (Foto: Vanessa Vasconcelos/G1)

Arara faz parte dos animais aptos para serem doados a zoológicos (Foto: Ivanete Damasceno/G1)

Arara faz parte dos animais aptos para serem doados a zoológicos (Foto: Ivanete Damasceno/G1)

Após chegar ao centro de triagem,  a onça parda passou por um processo de enriquecimento ambiental para que começasse a desenvolver os seus instintos. Aos seis meses Dodge foi desmamado e passou a se alimentar exclusivamente de carne, sendo considerado apto para ser doado para instituições autorizadas.

A equipe do Cetas chegou a entrar em contato com zoológicos de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, entre outros, mas não houve interesse. De acordo com o veterinário Gilson Rios, possivelmente por já possuírem um animal da mesma espécie.

O Cetas também abriga um tucano e outras 13 aves, entre papagaios e uma arara. “Muitos chegam aqui machucados. Nós fazemos o tratamento, recuperamos e reabilitamos para que ele possa ser solto na natureza”, diz Rios. O veterinário salienta que parte dos animais que chegam ao centro de triagem não pode ser devolvida a natureza devido ao contato com seres humanos, que faz com que acabem perdendo o instinto, podendo não se readaptarem ao seu habitat.

Papagaio e outras espécies de aves fazem parte da lista de animais aptos para doação à zoológicos (Foto: Ivanete Damasceno/G1)

Papagaio e outras espécies de aves fazem parte da lista de animais aptos para doação à zoológicos (Foto: Ivanete Damasceno/G1)

Sem interesse de zoológicos, os animais continuam no local até que o Ibama determine um destino para eles. No caso de Dodge, Gilson explica que a estrutura em que ele vive não é a ideal, mas foi projetada para suportar animais de grande porte. “O ideal seria um espaço maior, onde ele pudesse conviver com outros animais”, explica Rios.

Entre os 13 macacos aptos para doação para zoológicos estão sete da espécie prego, três barrigudos, dois macacos da noite e um macaco-aranha. Alguns já estão no local há pelo menos três anos e devem permanecer até que o Ibama encontre um lar para serem destinados.

O Cetas foi construído pela concessionária Santo Antônio Energia e deverá ser entregue ao Ibama. Ainda não há data definida para essa transferência. Por enquanto, o Centro de Triagens é mantido pela concessionária.

Diversas espécies de macacos aguardam o interesse de zoológicos (Foto: Ivanete Damasceno/G1)

Diversas espécies de macacos aguardam o interesse de zoológicos (Foto: Ivanete Damasceno/G1)

Fonte: Globo Natureza


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Câmeras filmam desenvolvimento e reprodução de papagaio ameaçado

Papagaio-de-cara-roxa é observado por biólogos do projeto de conservação da espécie

Papagaio-de-cara-roxa é observado por biólogos do projeto de conservação da espécie. Foto: Divulgação

Conservacionistas instalaram câmeras em ninho de espécie ameaçada de papagaio para promover e investigar de perto a reprodução e o desenvolvimento dos indivíduos em ambiente natural.

O papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) é uma espécie da mata atlântica com 7.000 indivíduos e ameaçada de extinção que só ocorre no litoral sul de São Paulo, litoral do Paraná e litoral norte de Santa Catarina, principalmente em ilhas.

Devido à degradação ambiental, restaram na região poucas árvores velhas o suficiente para ter ocos naturais que possam hospedar uma ninhada do papagaio.

Após monitorar ninhos naturais desde 1998, a equipe do Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa, financiado pela ONG curitibana SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental) instala ninhos artificiais feitos de madeira ou PVC para facilitar o monitoramento e a reprodução da espécie e suprir a falta de ocos. Hoje já são 100 ninhos artificiais e cerca de 83 estão ocupados. “O ninho é um fator determinante para a espécie se manter”, disse Elenise Sipiski, coordenadora do projeto.

Sipiski diz que eles dificilmente são saqueados por traficantes de animais silvestres, já que ficam em locais de difícil acesso e têm apoio local.

FILMAGENS

Por meio de pequenas câmeras, similares às de segurança que ficam em portarias de prédios, a equipe filma o interior e exterior de um dos ninhos 24 horas por dia no período reprodutivo do papagaio-de-cara-roxa.

Os vídeos são gravados direto em um HD de computador em um laboratório improvisado abaixo do ninho na floresta da Ilha Rasa, litoral do Paraná.

Em setembro, macho e fêmea fazem a corte; de outubro a dezembro são postos de 2 a 3 ovos que levam 30 dias para eclodir. Da postura até o primeiro voo são 3 meses.

Os vídeos já puderam constatar que, após a postura, os adultos se revezam no cuidado da prole e na obtenção de alimento. “No começo um dos pais fica no ninho direto e o outro traz alimento. Depois ambos revezam.”

Análises genéticas da população bem como identificação laboratorial de macho e fêmea estão sendo feitas conduzidas.

A equipe emprega alguns moradores locais e também realiza atividades de educação ambiental no Município de Guaraqueçaba (PR).

Click e veja o vídeo: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1230252-cameras-filmam-desenvolvimento-e-reproducao-de-papagaio-ameacado.shtml

 

Fonte: Folha.com


12 de março de 2013 | nenhum comentário »

Pesquisadores criam banco de dados sobre corujas do mundo todo

David Johnson, diretor do Projeto Global das Corujas, está trabalhando com pesquisadores de 65 países para compilar um vasto banco de dados sobre as corujas. O banco contém informações sobre as descrições, a história natural, a genética, as vocalizações, as estimativas populacionais, os mitos e as lendas desses animais.

Os ocidentais adoram as corujas, segundo Johnson, numa tradição que remonta pelo menos à Grécia antiga e à associação das corujas com a deusa da sabedoria, Atenas. Em alguns países, porém, as corujas são vistas como aves de mau agouro, um prenúncio da morte –talvez, propôs Johnson, por causa do hábito de fazer ninhos em cemitérios, onde as árvores crescem desimpedidas, com cavidades confortavelmente grandes.

Jovem coruja-das-torres alimenta irmãos famintos; cientistas estão tentando decifrar os chamados, garganteios e pios da coruja-das-torres

Jovem coruja-das-torres alimenta irmãos famintos; cientistas estão tentando decifrar os chamados, garganteios e pios da coruja-das-torres. Imagem: Amir Ezer

No imaginário ocidental, a coruja, capaz de girar sua cabeça em 270°, certamente compete com o pinguim pelo título de ave preferida. “Todo mundo adora as corujas”, disse o paleobiólogo David Bohaska, do Museu Natural de Ciências Naturais do Smithsonian, em Washington.

Mas, a despeito da aparente familiaridade, só recentemente os cientistas começaram a compreender detalhes dessas aves.

Descobriram, por exemplo, que corujas-das-torres jovens podem ser generosas, doando regularmente porções da sua comida para irmãos menores e mais famintos –uma demonstração de altruísmo que se supõe rara entre animais.

Os cientistas também descobriram que as corujas-das-torres expressam necessidades e desejos por meio de sons complexos e regrados –garganteios, gritos e pios–, numa língua que os pesquisadores agora buscam decifrar.

“Elas conversam a noite toda e fazem um barulhão”, disse Alexandre Roulin, da Universidade de Lausanne, na Suíça, que recentemente descreveu o altruísmo da coruja-das-torres na revista “Animal Behaviour”, com sua colega Charlene Ruppli e com Arnaud da Silva, da Universidade de Borgonha, na França.

Outros pesquisadores estão monitorando as vidas de corujas mais raras e de proporções mais descomunais, como o ameaçado bufo-de-Blakiston (Bubo blakistoni), da Eurásia. Com quase um metro de altura, até cinco quilos e dois metros de envergadura, essa é a maior coruja do mundo, segundo Jonathan Slaght, do programa para a Rússia da ONG Wildlife Conservation Society. Ela poderia facilmente passar por um urso ou uma árvore. Esse poderoso predador é capaz de puxar de um rio um salmão adulto com duas ou três vezes o seu próprio peso.

A ferocidade é essencial para uma ave que está presente até no Círculo Ártico e que é capaz de procriar e se alimentar no auge do inverno. Sergei Surmach, colega de Slaght, gravou em vídeo uma fêmea sentada sobre seu ninho durante uma nevasca. “Ao final, só dava para ver a cauda dela para fora do ninho”, disse Slaght.

Engenheiros estudam corujas para aperfeiçoar modelos de asas de aviões. Muitas espécies de corujas são conhecidas por voarem silenciosamente, sem o ruflar das asas que poderia alertar a presa sobre a sua aproximação.

A maior parte da asa das corujas é ampla e curva, com uma plumagem aveludada que ajuda a absorver o som. Além do mais, as penas na borda da asa são serrilhadas, o que interrompe e atenua a turbulência do ar.

Numa reunião da Sociedade Americana de Física, em 2012, pesquisadores da Universidade de Cambridge propuseram que perfurações bem posicionadas nas asas de um avião poderiam ter um efeito semelhante para aplacar turbulências, levando a voos mais silenciosos e com menos gasto de combustível.

As corujas datam de 60 milhões de anos atrás, ou mais, e são encontradas em praticamente todo tipo de habitat. Há 229 espécies conhecidas, e a lista não para de crescer: em meados do ano passado, duas novas espécies de coruja-gavião foram descobertas nas Filipinas, e, em fevereiro, pesquisadores descreveram uma nova espécie na ilha de Lombok, na Indonésia.

Algumas espécies de corujas possuem alguns dos melhores sistemas auditivos conhecidos. Tim Birkhead, professor da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, observa que a cóclea da coruja é “enorme” e densamente equipada com cílios sensoriais.

Há a “cara amassada” das corujas, também chamada de disco facial –que pode ter a forma de torta em algumas espécies ou de uma máscara de coração no caso da coruja-das-torres. O disco facial funciona como uma espécie de antena parabólica, que capta ondas sonoras e as direciona, graças a penas especiais.

As aves são as donas da noite e caçam incansavelmente.

Estima-se que um bando com dez famílias de corujas vivendo em um celeiro da Flórida elimine cerca de 25 mil roedores por ano dos canaviais adjacentes.

Jonathan Slaght, da ONG ambiental WCS, com um bufo-de-Blakiston, a maior coruja do mundo

Jonathan Slaght, da ONG ambiental WCS, com um bufo-de-Blakiston, a maior coruja do mundo. Imagem: S. Avdeyuk/Amur-Ussuri Centre for Avian Biodiversity

Fonte: Folha.com


28 de dezembro de 2012 | nenhum comentário »

Animais resgatados pelo IPEVS

Gambá (Didelphis Albiventris)

O gambá de orelha branca, Didelphis Albiventris, é um mamífero marsupial de coloração grisalha, porte médio e apresenta hábitos crepusculares e noturnos.  O habitat natural do gambá é a floresta, porém se adaptou a região urbana devido a disponibilidade de restos de alimentos, insetos e abrigos.

De hábito solitário com exceção da época reprodutivo que ocorre pelo menos uma vez por ano. A gestação varia de 12 a 14 dias e o número de filhotes gerados, de 4 a 14. Após aproximadamente 60 dias os filhotes iniciam o desmame, que se completa entre 70 a 100 dias.

A espécie não se encontra em risco de extinção.

A equipe do IPEVS realiza resgates frequentes desta espécie na cidade de Cornélio Procópio, a equipe é acionada por morados que encontram os animais nas residências. Em alguns casos os animais sofrem atropelamento e necessitam de cuidados até que possam voltar ao seu habitat.

No segundo semestre de 2012 o IPEVS atendeu vários pedidos de resgate, muitos destes eram filhotes, que permaneceram sob os cuidados da equipe até que fosse possível realizar a soltura.

Resgate realizado pela equipe do IPEVS em residência da Vila América de Cornélio Procópio. Foto: IPEVS

Soltura do gambá de orelha branca capturado em residência de Cornélio, o resgate teve a colaboração do estagiário do IPEVS Eduardo Alves. Foto: IPEVS

Filhote de gambá de orelha branca resgatado em residência de Cornélio Procópio, mesmo com todos os cuidados da equipe do IPEVS o animal infelizmente veio a óbito. Foto: IPEVS

Resgate realizado pelo Corpo de Bombeiros, animais encaminhados para o IPEVS, gambá de orelha branca mãe e 9 filhotes. Foto: IPEVS

Constatado o óbito da mãe, os 9 filhotes de gambá ficaram sobre os cuidados das colaboradoras do IPEVS, Mayara Almeida, Bióloga e Renata Garcia estudante de Medicina Veterinária. Foto: IPEVS

Dos nove filhotes, 3 não resistiram e o restante ficou sobre os cuidados do IPEVS.  A soltura foi realizada em uma reserva da região meses após o resgate. Período necessário para reabilitação destes animais.

Recebimento de 2 gambás de orelha branca jovens. Foto: IPEVS

Após exames, os jovens gambás foram encaminhados para soltura. Foto: IPEVS

Resgate de filhotes de gambá de orelha branca, recolhidos pelo IPEVS devido ao óbito da mãe provavelmente atropelada. Foto: IPEVS

 

Tamanduá Mirim (Tamandua tetradactyla)

O tamanduá mirim também conhecido como tamanduá de colete devido a duas listras pretas que lembram um colete. O restante do corpo possui coloração amarelada. Esta espécie ocorre em todos os biomas do Brasil. Com atividade predominantemente noturna.  A alimentação do tamanduá de colete é constituída geralmente de cupins e formigas e utilizam as garras para romper os cupinzeiros e com a língua captura os insetos.

O fogo, os atropelamentos rodoviários e a caça são fatores que podem reduzir a população desta espécie.

Em setembro de 2012 o IPEVS se deslocou até o município de Sertaneja após receber a ligação da polícia militar para realizar o resgate de um tamanduá mirim que se encontrava em uma residência da cidade.  A equipe do IPEVS esteve no local e capturou o animal o qual permaneceu em observação por alguns dias, depois de constatado que o animal estava em perfeitas condições foi encaminhado para soltura.

No mês de outubro de 2012 o Corpo de Bombeiros de Cornélio realizou o resgate de outro tamanduá mirim e acionou a equipe do IPEVS para avaliação do animal. Verificado pelo médico veterinário do IPEVS, Rafael Haddad, que o tamanduá estava saudável sua soltura foi realizada.

Ambos foram encaminhados para reservas em nossa região.

Resgate tamanduá de colete na cidade de Sertaneja-PR. Foto: IPEVS

Resgate realizado pelo Corpo de Bombeiros que acionou a equipe do IPEVS para avaliar o estado do tamanduá de colete. Foto: IPEVS

Rafael Haddad médico veterinário do IPEVS, realizou a soltura do tamanduá. Foto: IPEVS

 

Urubu de cabeça-preta (Coragyps atratus)

No final do mês de outubro de 2012 o IPEVS resgatou em uma residência de Cornélio Procópio um urubu de cabeça-preta. O animal não estava ferido e após exames clínicos foi translocado para uma área de campo aberto

O urubu de cabeça-preta (Coragyps atratus) é uma espécie encontrada desde a região central dos Estados Unidos até praticamente toda a América do Sul. É uma das aves mais comuns em qualquer região do Brasil, exceto em extensas áreas florestadas. Facilmente visto onde há cidades, fazendas e áreas abertas.

Alimentam-se de carcaças de animais mortos e outros materiais orgânicos em decomposição, bem como de animais vivos impedidos de fugir, como filhotes de aves.

O urubu desempenha importante papel como saneador do ambiente.

Urubu de cabeça-preta, resgate realizado pelo IPEVS na cidade de Cornélio Procópio. Foto: IPEVS

Após exames clínicos o urubu foi translocado para uma área de campo aberto. Foto: IPEVS

 

Fonte: Ascom IPEVS


17 de dezembro de 2012 | nenhum comentário »

Mata tropical tem 18 mil espécies de artrópodes por hectare

Um esforço sem precedentes, reunindo mais de uma centena de cientistas, esquadrinhou uma floresta tropical do Panamá de alto a baixo na tentativa de responder uma pergunta aparentemente simples: quantas espécies de artrópodes (o grupo dos insetos e aranhas, entre outros bichos) existem ali?

O resultado -nada menos que 18 mil tipos de artrópodes em apenas meio hectare de mata- é a estimativa mais precisa já obtida a respeito da diversidade desses seres, que correspondem a mais de 80% dos animais da Terra.

“Até onde sabemos, conseguimos amostrar todos os habitats, do solo da floresta ao alto das árvores, e todos os principais grupos de artrópodes”, diz o brasileiro Sérvio Pontes Ribeiro, da Universidade Federal de Ouro Preto, coautor do estudo na edição de hoje da revista “Science”.

Ribeiro é especialista na diversidade de bichos no chamado dossel superior, a área mais alta da floresta.

Paradoxalmente, diz ele, o ambiente nessa região lembra o do cerrado: muita luz solar, pouca umidade e nutrientes mais escassos.

As condições especiais favoreceram a evolução de insetos que põem seus ovos dentro das folhas e formam uma espécie de tumor vegetal nelas -um abrigo mais úmido e nutritivo para elas.

Mapeando esse e outros ambientes com vários tipos de armadilhas e redes, os cientistas estimam que, em toda a floresta de San Lorenzo, com seus 6.000 hectares, há cerca de 25 mil espécies.

Curiosamente, um único hectare é suficiente para abrigar dois terços desse total.

“Essa é a grande mudança trazida pelo nosso estudo”, afirma Ribeiro.

“Achava-se que a maioria das espécies de artrópodes existia em espaços muito pequenos. O que nós estamos vendo é que elas ocorrem em áreas amplas e provavelmente precisam de territórios grandes.”

A equipe está replicando a metodologia em outros lugares, como a Austrália e Vanuatu, na Polinésia.

Com mais dados, a expectativa é que seja possível ter uma ideia mais clara sobre outro número misterioso: quantas espécies, no total, existem na Terra toda.

Cientistas em guindaste recolhem amostras de insetos no alto das arvores em floresta do Panama

Cientistas em guindaste recolhem amostras de insetos no alto das arvores em floresta do Panama. Foto:Divulgação

Fonte: Folha.com


6 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas criam “árvore da vida” com todas as aves conhecidas

Levantamento permite posicionar no espaço e no tempo quando e onde as quase 10 000 espécies conhecidas se separaram de ancestrais comuns

Cientistas da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, criaram uma gigantesca árvore filogenética (estudo da relação evolutiva entre várias espécies que possuem um ancestral comum) com as 9.993 espécies de aves conhecidas. O mapeamento do parentesco evolutivo posiciona as especiações das diferentes espécies no tempo e no espaço. “É a primeira ‘árvore da vida’ de espécies com este tamanho colocada em um mapa global”, disse à revista Nature Walter Jetz, biólogo de Yale e um dos co-autores do artigo.

“Esse levantamento é importante porque mostra as relações entre as diferentes espécies. Quanto mais próximas nos ramos, mais relacionadas do ponto de vista evolutivo. Ou seja, partilham de um ancestral comum mais recente”, afirmou ao site de VEJA o professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Mercival Roberto Francisco.

O mapeamento começou com um levantamento filogenético concluído em 2008, produzido pelos mesmos autores do estudo publicado agora na Nature. O levantamento dividiu as espécies de aves conhecidas em 158 clados, ou grupos que teriam se desenvolvido a partir de um ancestral comum. As raízes dessa escala evolutiva foram construídas a partir de dez fósseis, que são um parâmetro para calcular a taxa de mudanças das espécies ao longo do tempo. Com essa base, eles organizaram em uma árvore 6.600 espécies sobre as quais a ciência tem alguma informação genética disponível.

O problema era saber como lidar com as 3.330 espécies sem dados genéticos conhecidos. Para contornar esse gargalo, os cientistas utilizaram a informação de pássaros considerados parentes próximos, podendo assim alocá-los na árvore. Tal aproximação suscitou algumas críticas. “Para uma árvore deste tamanho, qualquer pequeno erro ocasionado por suposições, integrado a quase 10.000 espécies, pode levar à detecção de variações que simplesmente não existiram”, disse à Nature Mark Pagel, biólogo evolutivo da University of Reading, no Reino Unido. Os pesquisadores de Yale dizem ter criado milhares de configurações possíveis para o banco de dados filogenético com o objetivo de reduzir as incertezas.

Conclusões – A pesquisa de Yale mostra que as diversificações das espécies observadas na árvore tornaram-se mais intensas nos últimos 40 milhões de anos. De acordo com o professor Mercival, da UFSCar, isso está de acordo com a teoria mais aceita, segundo a qual a concentração de oxigênio e as temperaturas nas eras mais recentes da Terra permitiram uma explosão da diversidade. Entender onde – e quando – as especiações ocorreram, diz Mercival, pode ajudar a elaborar estratégias de preservação. “Quando a gente fala em conservar a biodiversidade, precisamos proteger os processos que levam ao surgimento de novas espécies”, afirma. “É necessária uma atenção especial para as regiões que conservaram processos de geração de novas espécies em épocas mais recentes.”

Saiba mais

ESPECIAÇÃO

Processo evolutivo pelo qual as espécies se formam, podendo ser, por exemplo, pela divisão de uma espécie em duas, dando origem a duas linhagens diferentes, ou pela transformação de uma espécie em outra, quando essa espécie acumula tantas mutações que se transforma em outra.

passaros yales genetica

Por sequenciamento de DNA, a "árvore da vida" com todas as espécies conhecidas de pássaros mostra quando e onde as diversificações ocorreram (iStockphoto)

Fonte: Veja Ciência


6 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Mais de 40 novas espécies de peixes são encontradas no Rio Madeira

A descoberta foi feita durante trabalho de monitoramento.
Rio Madeira tem quase mil espécies, algumas ainda desconhecidas.

Uma pesquisa feito na Bacia do Rio Madeira, em Porto Velho, encontrou peixes que não passam dos 30 centímetros de comprimento e que possuem estruturas ósseas, morfologia dentária, padrão de cores, olhos e número de escamas nunca antes descritos pela ciência. As 40 novas espécies ainda serão catalogadas e reconhecidas científicamente.

Seja em dois metros de profundidade, seja em 60 metros, o Rio Madeira não para de surpreender. A maior parte dos novos animais encontrados são de pequeno porte, que dificilmente atingem mais de 15 centímetros e são encontrados em profundidades de dois a 60 metros.

Arraia encontrada no Rio Madeira. Nome cientifico Potamotrygon motoro, com tamanho de 60 cm. Possui um ferrão na calda (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

Arraia encontrada no Rio Madeira. Nome cientifico Potamotrygon motoro, com tamanho de 60 cm (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

Peixe raro encontrado somente em lençóis freáticos. A espécie não tem olhos (Foto: Unir/Divulgação)

Peixe raro encontrado somente em lençóis freáticos. A espécie não tem olhos (Foto: Unir/Divulgação)

Entre as novas espécies encontradas, o maior animal registrado mede 30 centímetros e recebeu o nome de Ageneiosus spn. Vittatus, tem a cabeça alongada e com um filamento que se parece com uma antena, é da cor branca com listras marrons. Como ainda estão sendo estudadas, não se sabe muito sobre os hábitos e comportamentos destas novas espécies.

“Descobrir exemplares novos também pode ser um indicativo de que determinada espécie está se extinguindo antes que possamos conhecê-la e isso pode ser um reflexo da interferência humana no ecossistema”, reflete o biólogo e coordenador do inventário taxonômico da pesquisa, João Alves de Lima Filho.

Uma das novas espécies encontradas. Nome cientifico Ageneiosus sp n vittatus (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

Uma das novas espécies encontradas. Nome cientifico Ageneiosus sp n vittatus (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

A pesquisa
Foram monitorados 1,7 mil quilômetros do Rio Madeira, entre os estados de Rondônia, Mato Grosso e Amazonas. Foram catalogadas 907 espécies, o que garante ao Rio Madeira o primeiro lugar como o rio mais em diversidade de peixes do mundo.

Uma coleção de ictiofauna [estudo dos peixes] está sendo montada por biólogos e pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (Unir) a partir do resultado do monitoramento, que foi desenvolvido durante quatro anos para conhecer as consequências da construção da Usina Hidrelétrica Santo Antônio. Os estudos fazem parte das condicionantes impostas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos  Naturais Renováveis (Ibama) para a liberação da Licença de Operação à concessionária Santo Antônio Energia.

Esta já é a coleção que possui o segundo maior banco de registros genéticos do Brasil, com 16 mil amostras e também o terceiro maior em número de espécies.

Loricarideo em reprodução, com os ovos no  ventre. Uma das espécies que fazem parte da coleção de ictiofauna da Unir (Foto: Diogo Hungria/Unir/Divulgação)

Loricarideo em reprodução, com os ovos no ventre. Uma das espécies que fazem parte da coleção de ictiofauna da Unir (Foto: Diogo Hungria/Unir/Divulgação)

Segundo o biólogo coordenador da coleção, João Alves, todas os indivíduos que não foram identificados estão em processo de estudo.

O estudo é feito manualmente, a medição e análise das caracteríscas e do ambiente. Além disso, é feita a aferição do código genético dos animais encontrados.

“No final, para divulgação da nova espécie e suas especificidades é redigido um artigo científico que é publicado para que a comunidade científica tome conhecimento da descoberta”, conta João Alves.

Espécie rara na Bacia Amazônica, encontrada apenas em regiões profundas do rio. Nome cientifico Planiloricaria cryptodon com tamanho aproximado de 25.3 cm (Foto: Unir/Divulgação)

Espécie rara na Bacia Amazônica, encontrada apenas em regiões profundas do rio. Nome cientifico Planiloricaria cryptodon com tamanho aproximado de 25.3 cm (Foto: Unir/Divulgação)

Em novembro, a Unir espera que pelo menos uma das novas espécies seja reconhecida. “Um dos nossos pesquisadores está finalizando o artigo sobre um dos novos animais descobertos. Essa seria uma nova espécie de lambari”, antecipa João.

O estudo para a publicação de um artigo como este demora em média um ano e meio. “O primeiro passo é descrever essas espécies, e posteriormente iniciar os estudos de sua biologia e ecologia”, conta João Alves.

Monitoramento e captura?
Os pesquisadores vão à campo no Rio Madeira e seus afluentes com uma metodologia padronizada de captura dos animais.

Captura dos animais para estudo e monitoramento da ictiofauna na Bacia do Madeira. Aplicação da metodologia de rede de cerco.  (Foto: Maria Fonseca/Unir/Divulgação)

Captura dos animais para estudo e monitoramento da ictiofauna na Bacia do Madeira. Aplicação da metodologia de rede de cerco. (Foto: Maria Fonseca/Unir/Divulgação)

Todo os espécies coletados em campo passam por um processo de análise e armazenamento específico para que possa fazer parte da coleção de estudos e para poder durar até 150 anos em bom estado de conservação.

Fonte: Globo Natureza


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20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Agricultura moderna e urbanização levam à perda da biodiversidade do solo

Lavoura em Moçambique; más práticas agrícolas arruinaram cerca de metade do solo superficial na África

Lavoura em Moçambique; más práticas agrícolas arruinaram cerca de metade do solo superficial na África. Jon Hrusa/Epa

Poucas coisas são mais vitais do que a saúde da terra. Nosso abastecimento alimentar começa lá. As plantas selvagens precisam de solo saudável para crescer bem. Os herbívoros, para que possam comer as folhas, sementes e frutos das plantas. Por fim, os predadores, para que possam comer os bichos que comem as plantas.

Um solo saudável evita doenças humanas e também contém a cura para outras enfermidades. A maioria dos antibióticos vem de lá. Os cientistas agora procuram na terra uma nova classe de remédios para enfrentar doenças resistentes a antibióticos.

O solo supostamente desempenha um papel importante, mas pouco compreendido, na difusão do cólera, da meningite fúngica e de outros agentes infecciosos que passam parte do seu ciclo de vida na terra.

Novas tecnologias garantiram saltos na nossa compreensão sobre a ecologia dos solos, ao permitir que os cientistas estudem os genes de micróbios da terra e acompanhem minúsculas quantidades de carbono e nitrogênio em sua passagem por esse ecossistema.

Mas, à medida que os cientistas aprendem mais, eles percebem como sabem pouco.

Na última década, os cientistas descobriram que o “oceano de terra” do planeta é um dos quatro maiores reservatórios de biodiversidade. Ele contém quase um terço de todos os organismos vivos, segundo o Centro de Pesquisas Conjuntas da União Europeia, mas apenas cerca de 1% dos seus micro-organismos já foi identificado. As relações entre essa miríade de espécies ainda é mal compreendida.

Cientistas criaram recentemente a Iniciativa Global de Biodiversidade do Solo para avaliar o que se sabe sobre a vida subterrânea, para identificar onde ela está em perigo e para determinar a saúde dos serviços ecossistêmicos essenciais que o solo fornece.

Uma colherada de terra pode conter bilhões de micróbios (divididos entre 5.000 tipos diferentes), assim como milhares de espécies de fungos e protozoários, além de nematódeos, ácaros e algumas espécies de cupim.

“Há uma pululante organização embaixo do chão, uma fábrica com terra, animais e micróbios, cada um com seu próprio papel”, disse a bióloga Diana Wall, da Universidade Estadual do Colorado, a presidente científica da iniciativa.

O ecossistema do solo é altamente evoluído e sofisticado. Ele processa o lixo orgânico, transformando-o em terra. Filtra e limpa grande parte da água que bebemos e do ar que respiramos, ao reter poeiras e agentes patogênicos. Desempenha importante papel na quantidade de dióxido de carbono na atmosfera, pois, com toda a sua matéria orgânica, é o segundo maior depósito de carbono do planeta, só atrás dos oceanos.

O uso de arados, a erosão e outros fatores liberam carbono na forma de CO2, exacerbando a mudança climática.

Um estudo de 2003 na revista “Ecosystems” estimou que a biodiversidade de quase 5% do solo dos EUA estava “sob risco de perda substancial ou completa extinção devido à agricultura e à urbanização”. Essa foi provavelmente uma estimativa conservadora, já que o solo do planeta era na época mais inexplorado do que hoje e as técnicas do estudo eram bem menos desenvolvidas.

Há numerosas ameaças à vida no solo. A agricultura moderna é uma das maiores, pois priva a terra da matéria orgânica que a alimenta, resseca o chão e o contamina com pesticidas, herbicidas e nitrogênio sintético.

A impermeabilização em áreas urbanas também destrói a vida da terra, assim como a poluição e as máquinas pesadas. Uma ameaça já antiga, como a chuva ácida, continua afetando a vida subterrânea, pois deixa o solo mais ácido.

O problema é global. Em quase metade da África, por exemplo, o uso intensivo para lavouras e pastagens destruiu a camada superior do solo e causou desertificação.

O aquecimento global irá contribuir para as ameaças à biodiversidade do solo. A segurança alimentar é uma grande preocupação. O que irá acontecer com as lavouras à medida que o planeta se aquecer? Ligeiras alterações de temperatura e umidade podem ter impactos profundos, mudando a composição da vida no solo e os tipos de plantas que poderão crescer.

Algumas plantas devem gradualmente migrar para climas mais frios, mas outras podem não ser capazes de se adaptar em novos solos. “O mundo acima do chão e o mundo abaixo dele estão muito estreitamente ligados”, disse Wall.

Os cientistas também estão descobrindo que um ecossistema saudável no solo pode ajudar a sustentar as plantas naturalmente, sem insumos químicos. “Quanto maior é a diversidade do solo, menos doenças surgem nas plantas”, disse Eric Nelson, que estuda a ecologia do solo e das doenças na Universidade Cornell, no Estado de Nova York. Os insetos também são refreados por plantas que crescem em terra saudável, segundo ele.

O que agricultores e jardineiros podem fazer para proteger seus solos? Wall sugere não lavrar a terra, deixando que a vegetação morta se decomponha, em vez de revolver o solo com o arado a cada ano. Evitar produtos químicos sintéticos é importante. Agregar adubo, especialmente adubo de minhoca, pode contribuir para fortalecer os ecossistemas da terra.

O tema está começando a atrair a atenção merecida. Wall acaba de receber o Prêmio Tyler de Realização Ambiental, com uma dotação de US$ 200 mil, que ela diz pretender usar em pesquisas. “É a hora do show para a biodiversidade do solo”, disse ela.

Fonte: Folha.com


20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Plantas e animais podem perder metade de suas zonas climáticas

Um estudo publicado no domingo (12) no periódico “Nature Climate Change” prevê que cerca de 55% das espécies vegetais e 35% das espécies animais do planeta terão sua faixa climática adequada reduzida pela metade até 2080 se medidas para a diminuição de emissões de gases-estufa não forem tomadas.

As previsões indicam que, se mantido o ritmo atual de emissões, poderá haver um aumento de 4º C na temperatura do planeta até o fim do século.

Os pesquisadores da Universidade britânica East Anglia estudaram o impacto de tal aumento de temperatura nas “zonas climáticas” de 48.786 espécies. Cada zona climática permite o desenvolvimento de determinados tipos de espécies de animais e plantas, incluindo o seu processo de adaptação às condições biológicas e climáticas, como as de precipitação de chuvas e de temperatura.

O maior risco será para as plantas, os anfíbios e os répteis, já que o ritmo de sua capacidade de adaptação é mais lento que a mudança climática, enfatizaram os pesquisadores.

Segundo Rachel Warren, uma das autoras do trabalho, as estimativas da pesquisa podem ser até piores, já que somente levam em conta o impacto do aumento de temperatura, não considerando os eventos extremos provocados pela mudança no clima, como ciclones e inundações.

“As populações de animais em particular poderiam desaparecer em maior proporção do que estimamos devido à diminuição das plantas disponíveis para a alimentação” , explica Warren.

Segundo o estudo, o impacto previsto sobre as zonas climáticas das espécies poderia ser reduzido de maneira significativa se rápidas medidas para reduzir as emissões de gases-estufa forem tomadas.

As perdas podem ser reduzidas em 60% se o crescimento das emissões for interrompido em 2016 ou em 40%, se interrompido em 2030.

 

Fonte: Folha.com


12 de março de 2013 | nenhum comentário »

CEAMA mais de 2.200 visitantes em 2012

O CEAMA, projeto coordenado pelo IPEVS, busca transmitir conhecimento científico aos visitantes, informar sobre a biologia e comportamento animal, esclarecer mitos, orientar sobre a prevenção de acidentes com animais peçonhentos e principalmente incentivar a importância da preservação das espécies, despertando uma consciência ecológica voltada à conservação ambiental. Localizado no município de Cornélio Procópio-PR, possui em seu acervo biológico exemplares de répteis (serpentes, lagartos e quelônios), anfíbios (anuros) e aracnídeos (aranhas e escorpiões) pertencentes à fauna brasileira e exótica, totalizando 156 animais, sendo 31 espécies mantidas em exposição. Esses são mantidos em cativeiro devido à impossibilidade de serem devolvidos para o habitat natural.

O CEAMA atende diariamente o público, disponibilizando dados biológicos das espécies em fichas com informações sobre tamanho, distribuição geográfica e tipo de alimentação. Além disso, todos os visitantes são acompanhados por monitores que esclarecem dúvidas e ministram aulas práticas previamente agendadas, direcionadas às instituições de ensino básico, médio e superior. O centro é o único espaço na região que possibilita o contato da comunidade com estes animais. O trabalho realizado promove uma grande mudança comportamental dos visitantes, pois a informação associada ao contato próximo com os animais quebra pré-conceitos acerca dos mesmos, e desperta uma nova consciência em relação ao meio ambiente, interferindo a favor da preservação da vida das espécies.

Em 5 anos de existência, recebeu mais de 14 mil visitantes, sendo aproximadamente 2.200 somente no ano de 2012.

CEAMA: Visitantes acompanhados por monitores. Foto: IPEVS

Lista de visitas recebidas pelo CEAMA em 2012:

Colégio PGD – Londrina – PR

Instituto Federal do Paraná de Londrina -PR,

Escola Educativa de Ibiporã- PR,

Colégio Estadual Professora Adélia Antunes Lopes de Jataizinho- PR,

Colégio Estadual Professor Antônio Bitonte – Sertaneja – PR

Colégio José Gonçalves Mendonça de Maracaí – SP,

Escola Estadual Afrânio Peixoto de Abatiá – PR,

Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP – Campus Bandeirantes – PR,

Colégio Estadual Joaquim Maria Machado de Assis de Santa Mariana – PR,

Colégio Dom Bosco, Cornélio Procópio – PR,

Centro de Línguas Estrangeiras – CELEM de Cornélio Prcópio – PR,

Projeto Cantinho da Criança de Santa Mariana – PR,

Colégio Estadual Antônio Iglesias de Ibiporã – PR,

Colégio São Domingos de Faxinal do Céu – PR.

Escola Estadual Ruth Martinez Corrêa – Ribeirão do Pinhal – PR

Curso de Férias do Zoológico de Bauru – Bauru – SP

Colégio Estadual Antônio Carlos – Nova Santa Barbara – PR

Colégio Nossa Senhora do Rosário – Cornélio Procópio – PR

Escola Municipal Maria Pura Martinez Fraiz – Nova Fátima – PR

Escola Municipal Arthur Serafim Marquez – Rancho Alegra – PR

Colégio Nossa Senhora Medianeira – Santa Mariana – PR

Escola Pingo de Gente – Uraí – PR

Escola Municipal Dom Bosco – Abatiá – PR

Escola Estadual Anastácio Cerezine – Alvorada do Sul – PR

Colégio Estadual Castro Alves – Cornélio Procópio – PR

Escola Municipal Leila Domingos Chaerke – Nova Fátima – PR

Escola Rural Cruzeiro do Cedro – Nova América da Colina – PR

Colégio Estadual Teotônio Brandão Vilela – Ibiporã – PR

Colégio Estadual Unidade Polo – Ibiporã – PR

Colégio Integrado Sônia Marcondi – Ibiporã – PR

Escola Estadual Ulysses Guimarães – Ibiporã – PR

Escola Alfa – Londrina – PR

Colégio Estadual Jerônimo Faria Martins – Santa Cecília do Pavão – PR

Colégio Anjos Custódio – Marialva – PR

Escola Municipal Dr João Ribeiro Júnior – Uraí – PR

Escola Municipal Eufrosina Ribeiro da Silva – São Sebastião da Amoreira – PR

Projeto Casa da Criança – Santa Cecília do Pavão – PR

Escola Municipal Padre Antônio Lock -  Cornélio Procópio – PR

Colégio Estadual Monteiro Lobato – Projeto de Iniciação a Docente – Cornélio Procópio – PR

Colégio Estadual Cléia Godoy – Londrina – PR

Colégio Sesi de Assaí – Assaí – Pr

Escola Cantinho Encantado – Bandeirantes – PR

Escola Nova Geração – Andirá – PR

Colégio Estadual 14 de dezembro – Alvorada do Sul – PR

Colégio Estadual Vandyr de Almeida – Cornélio Procópio – PR

Escola Franciscana Divina Pastora – Uraí – PR

Escola Municipal Professor Vicente Rodrigues Monteiro – Jataizinho – PR

Escola Municipal Princesa Isabel – Jataizinho – PR

Aula prática. Foto: IPEVS

Informação associada ao contato próximo com os animais quebra pré-conceitos acerca dos mesmos, e desperta uma nova consciência em relação ao meio ambiente. Foto: IPEVS

A equipe do CEAMA agradece a presença dos visitantes.

O agendamento pode ser realizado através dos telefones: 43-35235095/84356175 ou email: ipevs@ipevs.org.br

Fonte: Ascom IPEVS


12 de março de 2013 | nenhum comentário »

Sem interesse de zoológicos, animais vivem em centro de triagem em RO

Rejeitada por zoológicos, onça parda está no centro há oito meses.
Pelo menos 30 animais aguardam para serem adotados, em Porto Velho.

Com aproximadamente 10 meses de idade, a onça parda Dodge, encontrada em julho do ano passado por um sitiante em São Miguel do Guaporé (RO), a 540 quilômetros de Porto Velho, continua no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Porto Velho, onde aguarda o interesse de zoológicos do país. Assim como Dodge, aproximadamente 30 animais, entre diversas espécies de macacos e aves, também aguardam para serem tranferidos a instituições competentes credenciadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama).

Dodge está com cerca de nove meses (Foto: Vanessa Vasconcelos/G1)

Dodge está com cerca de nove meses (Foto: Vanessa Vasconcelos/G1)

Arara faz parte dos animais aptos para serem doados a zoológicos (Foto: Ivanete Damasceno/G1)

Arara faz parte dos animais aptos para serem doados a zoológicos (Foto: Ivanete Damasceno/G1)

Após chegar ao centro de triagem,  a onça parda passou por um processo de enriquecimento ambiental para que começasse a desenvolver os seus instintos. Aos seis meses Dodge foi desmamado e passou a se alimentar exclusivamente de carne, sendo considerado apto para ser doado para instituições autorizadas.

A equipe do Cetas chegou a entrar em contato com zoológicos de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, entre outros, mas não houve interesse. De acordo com o veterinário Gilson Rios, possivelmente por já possuírem um animal da mesma espécie.

O Cetas também abriga um tucano e outras 13 aves, entre papagaios e uma arara. “Muitos chegam aqui machucados. Nós fazemos o tratamento, recuperamos e reabilitamos para que ele possa ser solto na natureza”, diz Rios. O veterinário salienta que parte dos animais que chegam ao centro de triagem não pode ser devolvida a natureza devido ao contato com seres humanos, que faz com que acabem perdendo o instinto, podendo não se readaptarem ao seu habitat.

Papagaio e outras espécies de aves fazem parte da lista de animais aptos para doação à zoológicos (Foto: Ivanete Damasceno/G1)

Papagaio e outras espécies de aves fazem parte da lista de animais aptos para doação à zoológicos (Foto: Ivanete Damasceno/G1)

Sem interesse de zoológicos, os animais continuam no local até que o Ibama determine um destino para eles. No caso de Dodge, Gilson explica que a estrutura em que ele vive não é a ideal, mas foi projetada para suportar animais de grande porte. “O ideal seria um espaço maior, onde ele pudesse conviver com outros animais”, explica Rios.

Entre os 13 macacos aptos para doação para zoológicos estão sete da espécie prego, três barrigudos, dois macacos da noite e um macaco-aranha. Alguns já estão no local há pelo menos três anos e devem permanecer até que o Ibama encontre um lar para serem destinados.

O Cetas foi construído pela concessionária Santo Antônio Energia e deverá ser entregue ao Ibama. Ainda não há data definida para essa transferência. Por enquanto, o Centro de Triagens é mantido pela concessionária.

Diversas espécies de macacos aguardam o interesse de zoológicos (Foto: Ivanete Damasceno/G1)

Diversas espécies de macacos aguardam o interesse de zoológicos (Foto: Ivanete Damasceno/G1)

Fonte: Globo Natureza


12 de março de 2013 | nenhum comentário »

Câmeras filmam desenvolvimento e reprodução de papagaio ameaçado

Papagaio-de-cara-roxa é observado por biólogos do projeto de conservação da espécie

Papagaio-de-cara-roxa é observado por biólogos do projeto de conservação da espécie. Foto: Divulgação

Conservacionistas instalaram câmeras em ninho de espécie ameaçada de papagaio para promover e investigar de perto a reprodução e o desenvolvimento dos indivíduos em ambiente natural.

O papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) é uma espécie da mata atlântica com 7.000 indivíduos e ameaçada de extinção que só ocorre no litoral sul de São Paulo, litoral do Paraná e litoral norte de Santa Catarina, principalmente em ilhas.

Devido à degradação ambiental, restaram na região poucas árvores velhas o suficiente para ter ocos naturais que possam hospedar uma ninhada do papagaio.

Após monitorar ninhos naturais desde 1998, a equipe do Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa, financiado pela ONG curitibana SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental) instala ninhos artificiais feitos de madeira ou PVC para facilitar o monitoramento e a reprodução da espécie e suprir a falta de ocos. Hoje já são 100 ninhos artificiais e cerca de 83 estão ocupados. “O ninho é um fator determinante para a espécie se manter”, disse Elenise Sipiski, coordenadora do projeto.

Sipiski diz que eles dificilmente são saqueados por traficantes de animais silvestres, já que ficam em locais de difícil acesso e têm apoio local.

FILMAGENS

Por meio de pequenas câmeras, similares às de segurança que ficam em portarias de prédios, a equipe filma o interior e exterior de um dos ninhos 24 horas por dia no período reprodutivo do papagaio-de-cara-roxa.

Os vídeos são gravados direto em um HD de computador em um laboratório improvisado abaixo do ninho na floresta da Ilha Rasa, litoral do Paraná.

Em setembro, macho e fêmea fazem a corte; de outubro a dezembro são postos de 2 a 3 ovos que levam 30 dias para eclodir. Da postura até o primeiro voo são 3 meses.

Os vídeos já puderam constatar que, após a postura, os adultos se revezam no cuidado da prole e na obtenção de alimento. “No começo um dos pais fica no ninho direto e o outro traz alimento. Depois ambos revezam.”

Análises genéticas da população bem como identificação laboratorial de macho e fêmea estão sendo feitas conduzidas.

A equipe emprega alguns moradores locais e também realiza atividades de educação ambiental no Município de Guaraqueçaba (PR).

Click e veja o vídeo: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1230252-cameras-filmam-desenvolvimento-e-reproducao-de-papagaio-ameacado.shtml

 

Fonte: Folha.com


12 de março de 2013 | nenhum comentário »

Pesquisadores criam banco de dados sobre corujas do mundo todo

David Johnson, diretor do Projeto Global das Corujas, está trabalhando com pesquisadores de 65 países para compilar um vasto banco de dados sobre as corujas. O banco contém informações sobre as descrições, a história natural, a genética, as vocalizações, as estimativas populacionais, os mitos e as lendas desses animais.

Os ocidentais adoram as corujas, segundo Johnson, numa tradição que remonta pelo menos à Grécia antiga e à associação das corujas com a deusa da sabedoria, Atenas. Em alguns países, porém, as corujas são vistas como aves de mau agouro, um prenúncio da morte –talvez, propôs Johnson, por causa do hábito de fazer ninhos em cemitérios, onde as árvores crescem desimpedidas, com cavidades confortavelmente grandes.

Jovem coruja-das-torres alimenta irmãos famintos; cientistas estão tentando decifrar os chamados, garganteios e pios da coruja-das-torres

Jovem coruja-das-torres alimenta irmãos famintos; cientistas estão tentando decifrar os chamados, garganteios e pios da coruja-das-torres. Imagem: Amir Ezer

No imaginário ocidental, a coruja, capaz de girar sua cabeça em 270°, certamente compete com o pinguim pelo título de ave preferida. “Todo mundo adora as corujas”, disse o paleobiólogo David Bohaska, do Museu Natural de Ciências Naturais do Smithsonian, em Washington.

Mas, a despeito da aparente familiaridade, só recentemente os cientistas começaram a compreender detalhes dessas aves.

Descobriram, por exemplo, que corujas-das-torres jovens podem ser generosas, doando regularmente porções da sua comida para irmãos menores e mais famintos –uma demonstração de altruísmo que se supõe rara entre animais.

Os cientistas também descobriram que as corujas-das-torres expressam necessidades e desejos por meio de sons complexos e regrados –garganteios, gritos e pios–, numa língua que os pesquisadores agora buscam decifrar.

“Elas conversam a noite toda e fazem um barulhão”, disse Alexandre Roulin, da Universidade de Lausanne, na Suíça, que recentemente descreveu o altruísmo da coruja-das-torres na revista “Animal Behaviour”, com sua colega Charlene Ruppli e com Arnaud da Silva, da Universidade de Borgonha, na França.

Outros pesquisadores estão monitorando as vidas de corujas mais raras e de proporções mais descomunais, como o ameaçado bufo-de-Blakiston (Bubo blakistoni), da Eurásia. Com quase um metro de altura, até cinco quilos e dois metros de envergadura, essa é a maior coruja do mundo, segundo Jonathan Slaght, do programa para a Rússia da ONG Wildlife Conservation Society. Ela poderia facilmente passar por um urso ou uma árvore. Esse poderoso predador é capaz de puxar de um rio um salmão adulto com duas ou três vezes o seu próprio peso.

A ferocidade é essencial para uma ave que está presente até no Círculo Ártico e que é capaz de procriar e se alimentar no auge do inverno. Sergei Surmach, colega de Slaght, gravou em vídeo uma fêmea sentada sobre seu ninho durante uma nevasca. “Ao final, só dava para ver a cauda dela para fora do ninho”, disse Slaght.

Engenheiros estudam corujas para aperfeiçoar modelos de asas de aviões. Muitas espécies de corujas são conhecidas por voarem silenciosamente, sem o ruflar das asas que poderia alertar a presa sobre a sua aproximação.

A maior parte da asa das corujas é ampla e curva, com uma plumagem aveludada que ajuda a absorver o som. Além do mais, as penas na borda da asa são serrilhadas, o que interrompe e atenua a turbulência do ar.

Numa reunião da Sociedade Americana de Física, em 2012, pesquisadores da Universidade de Cambridge propuseram que perfurações bem posicionadas nas asas de um avião poderiam ter um efeito semelhante para aplacar turbulências, levando a voos mais silenciosos e com menos gasto de combustível.

As corujas datam de 60 milhões de anos atrás, ou mais, e são encontradas em praticamente todo tipo de habitat. Há 229 espécies conhecidas, e a lista não para de crescer: em meados do ano passado, duas novas espécies de coruja-gavião foram descobertas nas Filipinas, e, em fevereiro, pesquisadores descreveram uma nova espécie na ilha de Lombok, na Indonésia.

Algumas espécies de corujas possuem alguns dos melhores sistemas auditivos conhecidos. Tim Birkhead, professor da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, observa que a cóclea da coruja é “enorme” e densamente equipada com cílios sensoriais.

Há a “cara amassada” das corujas, também chamada de disco facial –que pode ter a forma de torta em algumas espécies ou de uma máscara de coração no caso da coruja-das-torres. O disco facial funciona como uma espécie de antena parabólica, que capta ondas sonoras e as direciona, graças a penas especiais.

As aves são as donas da noite e caçam incansavelmente.

Estima-se que um bando com dez famílias de corujas vivendo em um celeiro da Flórida elimine cerca de 25 mil roedores por ano dos canaviais adjacentes.

Jonathan Slaght, da ONG ambiental WCS, com um bufo-de-Blakiston, a maior coruja do mundo

Jonathan Slaght, da ONG ambiental WCS, com um bufo-de-Blakiston, a maior coruja do mundo. Imagem: S. Avdeyuk/Amur-Ussuri Centre for Avian Biodiversity

Fonte: Folha.com


28 de dezembro de 2012 | nenhum comentário »

Animais resgatados pelo IPEVS

Gambá (Didelphis Albiventris)

O gambá de orelha branca, Didelphis Albiventris, é um mamífero marsupial de coloração grisalha, porte médio e apresenta hábitos crepusculares e noturnos.  O habitat natural do gambá é a floresta, porém se adaptou a região urbana devido a disponibilidade de restos de alimentos, insetos e abrigos.

De hábito solitário com exceção da época reprodutivo que ocorre pelo menos uma vez por ano. A gestação varia de 12 a 14 dias e o número de filhotes gerados, de 4 a 14. Após aproximadamente 60 dias os filhotes iniciam o desmame, que se completa entre 70 a 100 dias.

A espécie não se encontra em risco de extinção.

A equipe do IPEVS realiza resgates frequentes desta espécie na cidade de Cornélio Procópio, a equipe é acionada por morados que encontram os animais nas residências. Em alguns casos os animais sofrem atropelamento e necessitam de cuidados até que possam voltar ao seu habitat.

No segundo semestre de 2012 o IPEVS atendeu vários pedidos de resgate, muitos destes eram filhotes, que permaneceram sob os cuidados da equipe até que fosse possível realizar a soltura.

Resgate realizado pela equipe do IPEVS em residência da Vila América de Cornélio Procópio. Foto: IPEVS

Soltura do gambá de orelha branca capturado em residência de Cornélio, o resgate teve a colaboração do estagiário do IPEVS Eduardo Alves. Foto: IPEVS

Filhote de gambá de orelha branca resgatado em residência de Cornélio Procópio, mesmo com todos os cuidados da equipe do IPEVS o animal infelizmente veio a óbito. Foto: IPEVS

Resgate realizado pelo Corpo de Bombeiros, animais encaminhados para o IPEVS, gambá de orelha branca mãe e 9 filhotes. Foto: IPEVS

Constatado o óbito da mãe, os 9 filhotes de gambá ficaram sobre os cuidados das colaboradoras do IPEVS, Mayara Almeida, Bióloga e Renata Garcia estudante de Medicina Veterinária. Foto: IPEVS

Dos nove filhotes, 3 não resistiram e o restante ficou sobre os cuidados do IPEVS.  A soltura foi realizada em uma reserva da região meses após o resgate. Período necessário para reabilitação destes animais.

Recebimento de 2 gambás de orelha branca jovens. Foto: IPEVS

Após exames, os jovens gambás foram encaminhados para soltura. Foto: IPEVS

Resgate de filhotes de gambá de orelha branca, recolhidos pelo IPEVS devido ao óbito da mãe provavelmente atropelada. Foto: IPEVS

 

Tamanduá Mirim (Tamandua tetradactyla)

O tamanduá mirim também conhecido como tamanduá de colete devido a duas listras pretas que lembram um colete. O restante do corpo possui coloração amarelada. Esta espécie ocorre em todos os biomas do Brasil. Com atividade predominantemente noturna.  A alimentação do tamanduá de colete é constituída geralmente de cupins e formigas e utilizam as garras para romper os cupinzeiros e com a língua captura os insetos.

O fogo, os atropelamentos rodoviários e a caça são fatores que podem reduzir a população desta espécie.

Em setembro de 2012 o IPEVS se deslocou até o município de Sertaneja após receber a ligação da polícia militar para realizar o resgate de um tamanduá mirim que se encontrava em uma residência da cidade.  A equipe do IPEVS esteve no local e capturou o animal o qual permaneceu em observação por alguns dias, depois de constatado que o animal estava em perfeitas condições foi encaminhado para soltura.

No mês de outubro de 2012 o Corpo de Bombeiros de Cornélio realizou o resgate de outro tamanduá mirim e acionou a equipe do IPEVS para avaliação do animal. Verificado pelo médico veterinário do IPEVS, Rafael Haddad, que o tamanduá estava saudável sua soltura foi realizada.

Ambos foram encaminhados para reservas em nossa região.

Resgate tamanduá de colete na cidade de Sertaneja-PR. Foto: IPEVS

Resgate realizado pelo Corpo de Bombeiros que acionou a equipe do IPEVS para avaliar o estado do tamanduá de colete. Foto: IPEVS

Rafael Haddad médico veterinário do IPEVS, realizou a soltura do tamanduá. Foto: IPEVS

 

Urubu de cabeça-preta (Coragyps atratus)

No final do mês de outubro de 2012 o IPEVS resgatou em uma residência de Cornélio Procópio um urubu de cabeça-preta. O animal não estava ferido e após exames clínicos foi translocado para uma área de campo aberto

O urubu de cabeça-preta (Coragyps atratus) é uma espécie encontrada desde a região central dos Estados Unidos até praticamente toda a América do Sul. É uma das aves mais comuns em qualquer região do Brasil, exceto em extensas áreas florestadas. Facilmente visto onde há cidades, fazendas e áreas abertas.

Alimentam-se de carcaças de animais mortos e outros materiais orgânicos em decomposição, bem como de animais vivos impedidos de fugir, como filhotes de aves.

O urubu desempenha importante papel como saneador do ambiente.

Urubu de cabeça-preta, resgate realizado pelo IPEVS na cidade de Cornélio Procópio. Foto: IPEVS

Após exames clínicos o urubu foi translocado para uma área de campo aberto. Foto: IPEVS

 

Fonte: Ascom IPEVS


17 de dezembro de 2012 | nenhum comentário »

Mata tropical tem 18 mil espécies de artrópodes por hectare

Um esforço sem precedentes, reunindo mais de uma centena de cientistas, esquadrinhou uma floresta tropical do Panamá de alto a baixo na tentativa de responder uma pergunta aparentemente simples: quantas espécies de artrópodes (o grupo dos insetos e aranhas, entre outros bichos) existem ali?

O resultado -nada menos que 18 mil tipos de artrópodes em apenas meio hectare de mata- é a estimativa mais precisa já obtida a respeito da diversidade desses seres, que correspondem a mais de 80% dos animais da Terra.

“Até onde sabemos, conseguimos amostrar todos os habitats, do solo da floresta ao alto das árvores, e todos os principais grupos de artrópodes”, diz o brasileiro Sérvio Pontes Ribeiro, da Universidade Federal de Ouro Preto, coautor do estudo na edição de hoje da revista “Science”.

Ribeiro é especialista na diversidade de bichos no chamado dossel superior, a área mais alta da floresta.

Paradoxalmente, diz ele, o ambiente nessa região lembra o do cerrado: muita luz solar, pouca umidade e nutrientes mais escassos.

As condições especiais favoreceram a evolução de insetos que põem seus ovos dentro das folhas e formam uma espécie de tumor vegetal nelas -um abrigo mais úmido e nutritivo para elas.

Mapeando esse e outros ambientes com vários tipos de armadilhas e redes, os cientistas estimam que, em toda a floresta de San Lorenzo, com seus 6.000 hectares, há cerca de 25 mil espécies.

Curiosamente, um único hectare é suficiente para abrigar dois terços desse total.

“Essa é a grande mudança trazida pelo nosso estudo”, afirma Ribeiro.

“Achava-se que a maioria das espécies de artrópodes existia em espaços muito pequenos. O que nós estamos vendo é que elas ocorrem em áreas amplas e provavelmente precisam de territórios grandes.”

A equipe está replicando a metodologia em outros lugares, como a Austrália e Vanuatu, na Polinésia.

Com mais dados, a expectativa é que seja possível ter uma ideia mais clara sobre outro número misterioso: quantas espécies, no total, existem na Terra toda.

Cientistas em guindaste recolhem amostras de insetos no alto das arvores em floresta do Panama

Cientistas em guindaste recolhem amostras de insetos no alto das arvores em floresta do Panama. Foto:Divulgação

Fonte: Folha.com


6 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas criam “árvore da vida” com todas as aves conhecidas

Levantamento permite posicionar no espaço e no tempo quando e onde as quase 10 000 espécies conhecidas se separaram de ancestrais comuns

Cientistas da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, criaram uma gigantesca árvore filogenética (estudo da relação evolutiva entre várias espécies que possuem um ancestral comum) com as 9.993 espécies de aves conhecidas. O mapeamento do parentesco evolutivo posiciona as especiações das diferentes espécies no tempo e no espaço. “É a primeira ‘árvore da vida’ de espécies com este tamanho colocada em um mapa global”, disse à revista Nature Walter Jetz, biólogo de Yale e um dos co-autores do artigo.

“Esse levantamento é importante porque mostra as relações entre as diferentes espécies. Quanto mais próximas nos ramos, mais relacionadas do ponto de vista evolutivo. Ou seja, partilham de um ancestral comum mais recente”, afirmou ao site de VEJA o professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Mercival Roberto Francisco.

O mapeamento começou com um levantamento filogenético concluído em 2008, produzido pelos mesmos autores do estudo publicado agora na Nature. O levantamento dividiu as espécies de aves conhecidas em 158 clados, ou grupos que teriam se desenvolvido a partir de um ancestral comum. As raízes dessa escala evolutiva foram construídas a partir de dez fósseis, que são um parâmetro para calcular a taxa de mudanças das espécies ao longo do tempo. Com essa base, eles organizaram em uma árvore 6.600 espécies sobre as quais a ciência tem alguma informação genética disponível.

O problema era saber como lidar com as 3.330 espécies sem dados genéticos conhecidos. Para contornar esse gargalo, os cientistas utilizaram a informação de pássaros considerados parentes próximos, podendo assim alocá-los na árvore. Tal aproximação suscitou algumas críticas. “Para uma árvore deste tamanho, qualquer pequeno erro ocasionado por suposições, integrado a quase 10.000 espécies, pode levar à detecção de variações que simplesmente não existiram”, disse à Nature Mark Pagel, biólogo evolutivo da University of Reading, no Reino Unido. Os pesquisadores de Yale dizem ter criado milhares de configurações possíveis para o banco de dados filogenético com o objetivo de reduzir as incertezas.

Conclusões – A pesquisa de Yale mostra que as diversificações das espécies observadas na árvore tornaram-se mais intensas nos últimos 40 milhões de anos. De acordo com o professor Mercival, da UFSCar, isso está de acordo com a teoria mais aceita, segundo a qual a concentração de oxigênio e as temperaturas nas eras mais recentes da Terra permitiram uma explosão da diversidade. Entender onde – e quando – as especiações ocorreram, diz Mercival, pode ajudar a elaborar estratégias de preservação. “Quando a gente fala em conservar a biodiversidade, precisamos proteger os processos que levam ao surgimento de novas espécies”, afirma. “É necessária uma atenção especial para as regiões que conservaram processos de geração de novas espécies em épocas mais recentes.”

Saiba mais

ESPECIAÇÃO

Processo evolutivo pelo qual as espécies se formam, podendo ser, por exemplo, pela divisão de uma espécie em duas, dando origem a duas linhagens diferentes, ou pela transformação de uma espécie em outra, quando essa espécie acumula tantas mutações que se transforma em outra.

passaros yales genetica

Por sequenciamento de DNA, a "árvore da vida" com todas as espécies conhecidas de pássaros mostra quando e onde as diversificações ocorreram (iStockphoto)

Fonte: Veja Ciência


6 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Mais de 40 novas espécies de peixes são encontradas no Rio Madeira

A descoberta foi feita durante trabalho de monitoramento.
Rio Madeira tem quase mil espécies, algumas ainda desconhecidas.

Uma pesquisa feito na Bacia do Rio Madeira, em Porto Velho, encontrou peixes que não passam dos 30 centímetros de comprimento e que possuem estruturas ósseas, morfologia dentária, padrão de cores, olhos e número de escamas nunca antes descritos pela ciência. As 40 novas espécies ainda serão catalogadas e reconhecidas científicamente.

Seja em dois metros de profundidade, seja em 60 metros, o Rio Madeira não para de surpreender. A maior parte dos novos animais encontrados são de pequeno porte, que dificilmente atingem mais de 15 centímetros e são encontrados em profundidades de dois a 60 metros.

Arraia encontrada no Rio Madeira. Nome cientifico Potamotrygon motoro, com tamanho de 60 cm. Possui um ferrão na calda (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

Arraia encontrada no Rio Madeira. Nome cientifico Potamotrygon motoro, com tamanho de 60 cm (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

Peixe raro encontrado somente em lençóis freáticos. A espécie não tem olhos (Foto: Unir/Divulgação)

Peixe raro encontrado somente em lençóis freáticos. A espécie não tem olhos (Foto: Unir/Divulgação)

Entre as novas espécies encontradas, o maior animal registrado mede 30 centímetros e recebeu o nome de Ageneiosus spn. Vittatus, tem a cabeça alongada e com um filamento que se parece com uma antena, é da cor branca com listras marrons. Como ainda estão sendo estudadas, não se sabe muito sobre os hábitos e comportamentos destas novas espécies.

“Descobrir exemplares novos também pode ser um indicativo de que determinada espécie está se extinguindo antes que possamos conhecê-la e isso pode ser um reflexo da interferência humana no ecossistema”, reflete o biólogo e coordenador do inventário taxonômico da pesquisa, João Alves de Lima Filho.

Uma das novas espécies encontradas. Nome cientifico Ageneiosus sp n vittatus (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

Uma das novas espécies encontradas. Nome cientifico Ageneiosus sp n vittatus (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

A pesquisa
Foram monitorados 1,7 mil quilômetros do Rio Madeira, entre os estados de Rondônia, Mato Grosso e Amazonas. Foram catalogadas 907 espécies, o que garante ao Rio Madeira o primeiro lugar como o rio mais em diversidade de peixes do mundo.

Uma coleção de ictiofauna [estudo dos peixes] está sendo montada por biólogos e pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (Unir) a partir do resultado do monitoramento, que foi desenvolvido durante quatro anos para conhecer as consequências da construção da Usina Hidrelétrica Santo Antônio. Os estudos fazem parte das condicionantes impostas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos  Naturais Renováveis (Ibama) para a liberação da Licença de Operação à concessionária Santo Antônio Energia.

Esta já é a coleção que possui o segundo maior banco de registros genéticos do Brasil, com 16 mil amostras e também o terceiro maior em número de espécies.

Loricarideo em reprodução, com os ovos no  ventre. Uma das espécies que fazem parte da coleção de ictiofauna da Unir (Foto: Diogo Hungria/Unir/Divulgação)

Loricarideo em reprodução, com os ovos no ventre. Uma das espécies que fazem parte da coleção de ictiofauna da Unir (Foto: Diogo Hungria/Unir/Divulgação)

Segundo o biólogo coordenador da coleção, João Alves, todas os indivíduos que não foram identificados estão em processo de estudo.

O estudo é feito manualmente, a medição e análise das caracteríscas e do ambiente. Além disso, é feita a aferição do código genético dos animais encontrados.

“No final, para divulgação da nova espécie e suas especificidades é redigido um artigo científico que é publicado para que a comunidade científica tome conhecimento da descoberta”, conta João Alves.

Espécie rara na Bacia Amazônica, encontrada apenas em regiões profundas do rio. Nome cientifico Planiloricaria cryptodon com tamanho aproximado de 25.3 cm (Foto: Unir/Divulgação)

Espécie rara na Bacia Amazônica, encontrada apenas em regiões profundas do rio. Nome cientifico Planiloricaria cryptodon com tamanho aproximado de 25.3 cm (Foto: Unir/Divulgação)

Em novembro, a Unir espera que pelo menos uma das novas espécies seja reconhecida. “Um dos nossos pesquisadores está finalizando o artigo sobre um dos novos animais descobertos. Essa seria uma nova espécie de lambari”, antecipa João.

O estudo para a publicação de um artigo como este demora em média um ano e meio. “O primeiro passo é descrever essas espécies, e posteriormente iniciar os estudos de sua biologia e ecologia”, conta João Alves.

Monitoramento e captura?
Os pesquisadores vão à campo no Rio Madeira e seus afluentes com uma metodologia padronizada de captura dos animais.

Captura dos animais para estudo e monitoramento da ictiofauna na Bacia do Madeira. Aplicação da metodologia de rede de cerco.  (Foto: Maria Fonseca/Unir/Divulgação)

Captura dos animais para estudo e monitoramento da ictiofauna na Bacia do Madeira. Aplicação da metodologia de rede de cerco. (Foto: Maria Fonseca/Unir/Divulgação)

Todo os espécies coletados em campo passam por um processo de análise e armazenamento específico para que possa fazer parte da coleção de estudos e para poder durar até 150 anos em bom estado de conservação.

Fonte: Globo Natureza


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