26 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Cadela Lilica enfrenta perigos de rodovia para alimentar outros animais

Há três anos, ela percorre 2 quilômetros para garantir o jantar dos bichos.
Moradora em um ferro velho, Lilica divide o espaço até com uma mula.

Lilica carrega marmita preparada pela professora Lúcia para os outros animais (Foto: Reprodução/EPTV)

Lilica carrega marmita preparada pela professora para os outros animais (Foto: Reprodução/EPTV)

Em meio à sucata de um ferro velho, emSão Carlos (SP), descansa um exemplo de solidariedade. A cadela Lilica mora no local e divide o espaço com um cão, um gato, um galo, uma galinha e até uma mula. Todas as noites, os bichos têm o jantar garantido porque Lilica faz a parte dela.

Quando a tarde vai embora, a cadela cumpre rigorosamente uma missão. O destino é casa da professora Lúcia Helena de Souza, que cria 13 cachorros e 30 gatos, todos recolhidos da rua. Depois de servir o jantar da turma, a professora prepara uma marmita para Lilica.

“Eu percebia que ela comia e ficava olhando para o que tinha na sacola. Aí uma vizinha disse que dava e impressão de que a cadela queria levar o resto da comida. Aí nós amarramos e ela pegou a sacola e levou. Daquele dia em dia a gente faz isso”, conta Souza.

O encontro é pontual, ocorre sempre por volta das 21h30. A cadela mata a fome, pega a sacolinha com o alimento separado pela professora e segue de volta ao ferro velho. São dois quilômetros de caminhada na lateral de uma estrada bem movimentada. No escuro, a pista fica ainda mais perigosa, mas Lilica atravessa com segurança e em poucos minutos chega com o jantar dos outros animais.

A catadora Neile Vânia Antonio, que encontrou Lilica abandonada ainda filhote na porta do ferro velho, pega a sacola e abre para todos os bichos do local comerem. O que sobra fica para o café da manhã. A história se repete todos os dias, há três anos.

Dona Neile diz que desde que viu a cadela pela primeira vez percebeu que ela era diferente. “A gente que é humano não faz isso. Algumas pessoas até escondem e não querem dividir o que tem. Ela não, Lilica é um animal excepcional”, afirma.

Click e veja o vídeo: http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2012/09/cadela-lilica-enfrenta-perigos-de-rodovia-para-alimentar-outros-animais.html

 

Fonte: Globo Natureza


26 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Brasileiros vão decifrar genomas do papagaio e do sabiá-laranjeira

Não é todo dia que uma imagem de Zé Carioca ilustra uma apresentação sobre genômica, mas o malandro arquetípico da Disney tinha um bom motivo para figurar no Powerpoint de Francisco Prosdocimi, da UFMG (Universidade Federal de Minas): o tema era o genoma “dele”.

Ou melhor, o do papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), que está entre as espécies mais comuns do bicho em cativeiro. O objetivo de Prosdocimi e seus colegas é vasculhar o DNA da ave em busca de pistas que ajudem a explicar sua proverbial tagarelice.

Para atingir esse objetivo, o papagaio-verdadeiro não é o único alvo. O grupo de cientistas, batizado de Sisbioaves, pretende sequenciar (grosso modo, “soletrar”) o genoma de outras espécies tipicamente brasileiras, como o sabiá-laranjeira e o bem-te-vi.

Em comum, esses bichos possuem o chamado aprendizado vocal -a capacidade, similar à dos seres humanos, de aprender padrões de vocalização ao longo da vida.

Detalhes sobre o projeto foram apresentados durante o 58º Congresso Brasileiro de Genética, em Foz do Iguaçu.

“A gente sabe que o aprendizado vocal é polifilético [ou seja, evoluiu mais de uma vez em linhagens sem parentesco próximo]“, explica Claudio Mello, brasileiro que trabalha na Universidade de Saúde e Ciência do Oregon (Estados Unidos).

“Portanto, se a gente encontrar genes relevantes para esse comportamento que são compartilhados entre os vários grupos de aves e os humanos, provavelmente isso quer dizer que eles representam a base do aprendizado vocal”, diz Mello.

Na maioria das aves, afirma Mello, existe o chamado período crítico de aprendizado — uma fase da “infância” do bicho na qual ele precisa ser exposto ao canto de outro animal para que ele aprenda a cantar de forma apropriada, coisa que também se verifica no caso da fala humana. Já os papagaios parecem ser mais versáteis, sendo capazes de aprender a imitar sons humanos em praticamente qualquer fase de sua vida.

A estimativa de Prosdocimi e de sua colega Maria Paula Schneider, da UFPA (Universidade Federal do Pará), é que a leitura dos genomas do papagaio e do sabiá-laranjeira esteja concluída em meados do ano que vem.

Segundo o pesquisador da UFMG, que é bioinformata (especialista na análise computacional de dados biológicos), espera-se que os bichos tenham genomas relativamente compactos, com menos da metade do tamanho do genoma humano.

Os pesquisadores ainda não encontraram, nos papagaios, o equivalente ao gene FOXP2, hoje um dos grandes candidatos a influenciar a capacidade humana para a fala. Mas não é só o lado vocal que interessa aos cientistas.

Prosdocimi destaca que os papagaios são inteligentes de modo geral. E vivem muito, passando dos 70 anos, o que traria pistas sobre as bases genéticas da longevidade.

Editoria de Arte/Folhapress

Fonte: Folha.com


24 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Estudo diz que mesmo gene define manchas de gatos e guepardos

Pesquisa foi publicada na ‘Science’ e inclui cientista brasileiro da PUC-RS.
Dados podem ajudar a estudar listras em outros mamíferos, diz cientista.

Um estudo inédito, publicado na revista “Science” desta semana, aponta que os genes que produzem as listras e pintas no corpo de gatos e guepardos são os mesmos e sofrem mutações com efeitos bem parecidos.

Segundo o cientista brasileiro Eduardo Eizirik, professor de biociências da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), e um dos autores da pesquisa, o achado abre caminho para estudar o padrão de listras e manchas em outros mamíferos (como zebras) e pode ajudar, no futuro, até a entender como operam certas doenças de pele que seguem padrões parecidos com os estudados.

O mapeamento parcial do genoma dos animais apontou que o tipo listrado de pelo de gato é obtido por um gene chamado “TaqPep”, que sintetiza uma proteína conhecida como tabulina. Quando ocorre uma mutação neste gene, a proteína é produzida de maneira alterada, o que faz com que o gato nasça com manchas em vez de listras na pelagem.

A mesma proteína tabulina é responsável pela variação nas manchas na pelagem dos guepardos. Estes animais normalmente possuem centenas de pintas redondas no corpo. Caso o gene que sintetiza a proteína sofra uma mutação, o animal vai nascer com manchas grandes pelo corpo que se agrupam de forma assimétrica.

A aparência que o animal adquire é a de um guepardo-rei. Por muito tempo, pensou-se que os guepardos-rei fossem uma espécie em separado dos guepardos, mas na verdade são geneticamente parecidos – os guepardos-rei possuem apenas uma variação no gene que determina os pelos.

“As mutações nesse gene ocorrem de forma diferente para gatos e guepardos, mas os efeitos são bem parecidos”, avalia Eizirik. O estudo foi feito por uma equipe formada por pesquisadores da universidade de Stanford, do Instituto Nacional do Câncer dos EUA, do Instituto para a Biotecnologia HudsonAlpha e de instituições de quatro países diferentes, incluindo China, Namíbia, África do Sul e Brasil.

Eizirik ressalta que o gene identificado existe em quase todos os mamíferos, mas em vários casos, como em humanos e camundongos, ele não se expressa como pintas ou manchas. “O padrão é diferente entre as espécies”, diz ele. “Em mamíferos, não se tinha um gene conhecido envolvido na formação do padrão da pele.”

Genes idênticos definem manchas em pelos de gato e de guepardo; mutações podem atingir as duas espécies (Foto: Brigitte Merle/Tibor Bognar/Arquivo AFP)

Genes iguais definem manchas em pelos de gato e de guepardo; mutações podem atingir as espécies (Foto: Brigitte Merle/Tibor Bognar/Arquivo AFP)

Imagens mostram variação de pelo sem mutação genética (à esquerda) e com mutação (à direita) em gatos e guepardos (Foto: Reprodução/'Science')

Imagens mostram variação de pelo sem mutação genética (à esquerda) e com mutação (à direita) em gatos e guepardos; no canto inferior, à direita, é possível ver um 'guepardo-rei' (Foto: Reprodução/'Science')

Fonte: Globo Natureza


24 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas estudam prós e contras de invasão global de minhocas

Variedades europeias e asiáticas podem proteger solos na Amazônia, mas estão dizimando espécies nativas.

Em um estudo recente, cientistas alertam para uma “invasão global de minhocas” e dizem que espécies “alienígenas” já conquistaram quase todos os continentes.

Segundo a pesquisa, publicada pela revista “Soil Biology & Biochemistry”, espécies invasoras estão vencendo a competição com animais locais e se adaptando mais rapidamente a terrenos desmatados e cultivados, mudando a estrutura dos solos.

Os cientistas tentam entender como as minhocas estão fazendo isso e, mais importante, o impacto que têm sobre os solos e a sobrevivência de outras espécies.

“A invasão de minhocas não-nativas é um fenômeno verdadeiramente global, no qual espécies invasoras estão chegando a todos os continentes, com exceção da Antártica”, disse à BBC Bruce Snyder, da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos.

A maior parte das florestas da América do Norte, por exemplo, foi um dia desprovida de minhocas. Quando os europeus colonizaram a região, introduziram inadvertidamente espécies europeias que vinham nos navios e na terra usada para transportar plantas.

Essas novas espécies continuam “ganhando terreno” e, segundo Snyder, “estão invadindo também florestas no norte de Wisconsin, em Minnesota, Nova York e partes do Canadá”.

No ano passado, uma pesquisa publicada na revista “Human Ecology” afirmou que as minhocas invasoras podem alterar os ciclos de carbono e nitrogênio nos bosques, assim como minar espécies de plantas nativas.

Mas outro estudo, também publicado em 2011, descobriu que minhocas “alienígenas” podem ter um impacto positivo em seus novos ambientes. O levantamento analisou o papel dos animais no ciclo de carbono das florestas tropicais e concluiu que essas criaturas ajudam a manter o carbono no solo.

Competição
Além das minhocas europeias, as asiáticas estão chegando às florestas dos Estados Unidos e Canadá.

Um estudo recente diz que a espécie asiática Amynthas hilgendorfi, que está invadindo as florestas do estado do Michigan, cresce mais rapidamente no novo ambiente e aumenta a concentração de formas minerais de nitrogênio e fósforo no solo.

No entanto, isso faz com que detritos na floresta se decomponham mais lentamente.

Outras observações feitas pela equipe sugerem que a A. hilgendorfi pode deslocar as espécies nativas e se tornar a única presente, uma hipótese confirmada pelo pesquisador Bruce Snyder e seus colegas.

Snyder descobriu que as espécies invasoras e nativas competem pelo mesmo tipo de material em decomposição.

No entanto, a nativa, que fica mais restrita à superfície do solo, acaba morrendo quase três meses mais cedo que o normal, por conta da maior competição por recursos.

As invasoras, por outro lado, cavam regiões mais profundas do solo em busca de alimento.

“Esse estudo, combinado com outros, sugere que a invasão de minhocas pode mudar direta ou indiretamente a forma como o carbono é armazenado nos solos, além de danificar plantas nativas e a biodiversidade animal, e causar problemas de erosão”, explicou o pesquisador.

Adaptação
Na floresta amazônica, no entanto, a invasão da espécie Pontoscolex corethrurus está modificando o comportamento do solo em regiões desmatadas e protegendo da erosão áreas expostas.

Essa espécie pode se reproduzir rapidamente, com cada adulto produzindo cerca de 80 casulos (ou ovos) por ano, em comparação com um número bem inferior gerado pela maioria das minhocas.

De acordo com o professor Patrick Lavelle, das academias Francesa e Europeia de Ciências, “esse verme é adaptado às novas condições criadas pelo desmatamento e pelo cultivo, o que não era o caso das espécies nativas”.

Lavelle acaba de publicar um estudo sobre o impacto dessa minhoca nos solos desmatados da Amazônia.

Os pesquisadores descobriram que esses animais podem aumentar os níveis de minerais no solo e estimular o crescimento de plantas, mas há um preço a pagar.

“O problema é que as espécies nativas provavelmente não voltarão. E é sempre ruim perder espécies”, disse Lavelle à BBC.

A perda de espécies é especialmente negativa porque as minhocas “invasoras” podem estar dizimando espécies que os cientistas ainda não conseguiram identificar.

Minhocas  (Foto: BBC)

Espécies invasoras podem estar dizimando minhocas ainda nem identificadas pelos cientistas (Foto: BBC)

Fonte: Globo Natureza


5 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

IPEVS realiza soltura de animais

No mês de julho o IPEVS realizou a soltura de alguns animais resgatados pela instituição. Após receberem os cuidados e constatado que os animais estavam aptos para voltarem a seu habitat natural o IPEVS em parceria com o IAP – Instituto Ambiental do Paraná realizou a soltura de um de gato mourisco, um cágado, um ratão do banhado, cobra d’água e um gato do mato.  Os animais foram soltos em uma reserva indicada pelo IAP.

Gato Mourisco – (Puma yagouaroundi)

Gato mourisco que recebeu os cuidados da equipe do IPEVS. Foto: IPEVS

Felino de atividade predominantemente diurna, com dieta carnívora, de ocorrência em todo o Brasil exceto o sul do Rio Grande do Sul. O gato mourisco possui uma coloração escura, geralmente marrom-acinzentada, avermelhada ou quase preta. As orelhas são arredondadas e a perna é curta. Como a maioria dos felinos, o gato mourisco é solitário, exceto em épocas reprodução. O período de gestação é de aproximadamente 2 meses e após o nascimento a mãe ensina aos filhotes as noções de sobrevivência e alimentação na floresta.

Esta espécie é a única entre os felinos brasileiros que não se encontra na Lista da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Sendo a principal ameaça para sobrevivência da espécie a destruição e fragmentação dos habitats.

Em 2011 o IPEVS resgatou 2 filhotes de gato mourisco em Cornélio Procópio (click e veja a noticia http://ipevs.org.br/blog/?p=8738). Infelizmente um dos filhotes veio a óbito. O outro filhote continuou recebendo os cuidados da equipe do IPEVS, principalmente dos graduandos de Ciências Biológicas e estagiários do IPEVS Naiara Palumbo e Eduardo Alves. Este filhote tratava-se de uma fêmea que cresceu saudável e após o trabalho de reabilitação a gata estava apta a voltar a seu habitat natural.

Após trabalho de reabilitação o animal estava apto para voltar ao seu habitat natural. Foto: IPEVS

 

Cágado de barbicha – (Phrynops geoffroanus)

Cágado de barbicha. Foto: IPEVS

O cágado de barbicha é uma espécie de quelônios de ampla distribuição na América do Sul, ocupando diversos habitats inclusive rios degradados pela ação de poluentes gerados pelo homem. O cágado de barbicha alimenta-se de frutos, moluscos e pequenos peixes.

O IPEVS recebe com frequência cágados que são levados até o instituto principalmente capturados por pescadores, sendo os cágados atraídos pela isca fixada no anzol.  Os exemplares recebem tratamento necessário e posteriormente são encaminhados para soltura.

O cágado de barbicha é uma espécie de quelônios que ocorre em nossa região. Foto: IPEVS

 

Ratão do Banhado – (Myocastor coypus)

Grande espécie de roedor, o ratão do banhado vive próximo a cursos d'água. Foto: IPEVS

O Ratão do banhado é uma grande espécie de roedor encontrado na América do Sul, no Brasil ocorre originalmente no Rio Grande do Sul, atualmente é encontrada também até o estado de São Paulo.  Vivem próximos a cursos d’água e deslocam-se principalmente na água. Animal de atividade noturna, alimenta-se principalmente de capim, raízes e plantas aquáticas, realizando o controle populacional de várias espécies vegetais.

O IPEVS resgatou um individuo da espécie no final do mês de julho, em Cornélio Procópio, o animal foi atendido pelo médico veterinário do IPEVS, atestando que o animal estava em perfeitas condições, possibilitando a soltura do exemplar.

Espécie captura na cidade de Cornélio Procópio - PR e encaminhada para soltura. Foto: IPEVS

 

Cobra d’água (Helicops infrataeniatus)

Helicops é um gênero de serpentes que apresenta olhos e narinas posicionados próximo a região anterior da cabeça, como adaptação ao hábito exclusivamente aquático, são popularmente conhecidas como cobra d’água. Alimentam-se de peixes e anfíbios.  Este grupo de serpentes não apresenta veneno ou perigo ao homem.

Livea Samara de Almeida, bióloga e diretora administrativa do IPEVS que atualmente é estudante do curso de medicina veterinária da UENP – Campus Bandeirantes, recebeu a serpente no campus da universidade. A cobra d’água estava com um anzol preso na região da boca. O anzol foi removido e a serpente encaminhada para o IPEVS permanecendo em cativeiro para cuidados da região oral atingida pelo anzol e após a cicatrização do ferimento foi encaminhada para soltura.

Após cuidados a cobra d'água foi encaminhada para soltura. Foto: IPEVS

 

Gato – do – mato (Leopardus tigrinus)

Gato-do-mato resgatado em Cornélio Procópio - PR. Foto: IPEVS

O gato-do-mato ocorre em todo o Brasil, podendo habitar regiões próximas a áreas agrícolas. Felino de hábito solitário e atividade predominantemente noturna. Alimenta-se de pequenos vertebrados, como mamíferos, aves e lagartos.

Devido à destruição de seu habitat, á caça predatória para comercialização de peles e o grande número de atropelamentos esta espécie é considerada como vulnerável no estado do Paraná.

O IPEVS realizou o resgate de um gato-do- mato em Cornélio Procópio também no mês de julho de 2012. Depois de avaliado o felino foi translocado para uma área de mata afastada.

Depois de avaliado o felino foi translocado para uma área de mata afastada. Foto: IPEVS

 

Fonte: Ascom IPEVS


3 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Sistema imunológico de ratos “infiéis” é mais forte do que o de animais comportados, diz estudo

Comportamento social pode levar a mudanças na evolução de espécie

“Trair compensa” e “o que não mata fortalece” parecem ser os lemas do rato-veadeiro, uma espécie bastante promíscua de roedor (Peromyscus maniculatus) que vive nos Estados Unidos e nunca escolhe ter um relacionamento monogâmico. Cientistas descobriram que esse pequeno animal infiel tem um sistema imunológico muito mais robusto e eficiente que o do roedor da Califórnia (Peromyscus californicus), que tem o hábito de manter relacionamentos monogâmicos.

Os pesquisadores analisaram os dados de DNA e amostras das duas espécies em supercomputadores e concluíram que os estilos de vida dos ratos tiveram um impacto direto sobre as comunidades de bactérias que vivem no interior das fêmeas.

Maior proteção — Segundo Matthew MacManes, um dos autores do estudo e pesquisador do Centro Nacional de Saúde dos EUA, a análise revelou uma diversidade duas vezes maior de bactérias no rato-veadeiro em relação ao seu parente comportado. Segundo o estudo, esse número maior de bactérias acabou influenciando uma variedade maior de genes ligados ao sistema imunológico no rato-veadeiro, o que favoreceu uma melhor proteção contra doenças. Os resultados da pesquisa foram publicados no periódico PLoS One.

MacManes afirma que os cientistas levantaram a hipótese de que as pressões seletivas causadas geração após geração de guerra bacteriana fortificaram o genoma do rato-veadeiro. “Os ratos promíscuos, em virtude do seu comportamento sexual, são mais expostos a bactérias. Eles precisam de um sistema imunológico mais robusto para se defender de todas as doenças a que estão expostos”, disse MacManes.

Segundo os cientistas, a monogamia é uma característica rara em mamíferos, um comportamento adotado por apenas 5% das espécies.

Rato da Califórnia ('Peromyscus californicus')

Rato da Califórnia (Peromyscus californicus): roedor comportado, cujos relacionamentos são monogâmicos, tem sistema imunológico mais fraco que espécie promíscua (Universidade do Texas em Austin)

Fonte: Veja Ciência


16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas identificam vírus que causa comportamento bizarro em cobras

Jiboias e pítons aparentam estar bêbadas e podem dar nó no próprio corpo.
Doença do Corpúsculo de Inclusão Viral costuma ser mortal para animais.

Cientistas dos Estados Unidos identificaram o vírus responsável por uma doença grave em cobras e serpentes, conhecida como Doença do Corpúsculo de Inclusão Viral (IBD, na tradução da sigla do inglês). A contaminação costuma causar comportamento bizarro e até a morte nestes animais.

As cobras infectadas com o vírus parecem estar bêbadas, ficam encarando o vazio e chegam a dar nós no próprio corpo, entre outros sintomas. Os pesquisadores da Universidade da Califórnia estudavam um surto de IBD em um aquário na cidade de São Francisco, quando se depararam com a causa do mal.

O vírus afeta mais as jiboias e similares da família Boidae e as pítons, dizem os cientistas. O estudo foi publicado na edição desta terça-feira (14) do site “mBio”, publicação da Sociedade Americana para a Microbiologia.

A descoberta representa uma classe totalmente nova de arenavírus, dizem os pesquisadores. Para encontrar a origem da doença, pesquisadores extraíram DNA da pele de cobras afetadas pela doença e usaram técnicas para fazer o sequenciamento do genoma dos animais.

Em praticamente todo o DNA dos exemplares de cobras havia sequências que combinavam com o arenavírus. A partir deste achado, os cientistas puderam isolar o vírus usando pele de cobra manipulada em laboratório.

Cura
A descoberta é o primeiro passo para o desenvolvimento de vacinas e tratamentos para a doença, de acordo com os cientistas.

Michael Buchmeier, professor de doenças infecciosas da Universidade da Califórnia e um dos responsáveis pela pesquisa, classificou a descoberta de “uma das coisas mais excitantes que aconteceram na virologia em um longo tempo”.

Buchmeier diz que até agora os microorganismos da família dos arenavírus só haviam sido identificados em mamíferos. Encontrá-los em cobras foi uma surpresa, afirma o pesquisador.

Jiboia residente de um zoológico de Puerto Vallarta, no México (Foto: Carlos Jasso/Reuters)

Fonte: Globo Natureza


16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Cinco mamíferos são extintos da Mata Atlântica

Não é de hoje que biólogos da conservação sabem que pequenos fragmentos de floresta tropical, em meio a fazendas ou cidades, pouco contribuem para a sobrevivência de animais de médio e grande porte, que precisam de espaço para locomoção, alimentação e reprodução. Novo estudo de pesquisadores brasileiros mostra que, pelo menos para a Mata Atlântica, a realidade desafia essa teoria clássica.

Mesmo grandes remanescentes estão sendo incapazes de manter a biodiversidade. Sem proteção efetiva que impeça a entrada de pessoas, a pressão histórica e atual de caçadores diminui os benefícios de ter uma área remanescente grande com uma floresta relativamente intacta, explica o biólogo Carlos Peres, da Universidade East Anglia, que liderou a pesquisa publicada na revista PLoS ONE.

 

O trabalho inventariou 18 espécies de mamíferos em 196 fragmentos ao longo da Mata Atlântica, o bioma mais ameaçado, que já perdeu cerca de 90 % da cobertura original. Mais de 205 mil km de estradas foram percorridos. Os pesquisadores descobriram que cinco delas tinham sido totalmente ou virtualmente extintas numa escala regional: queixada, onça-pintada, anta, muriqui e tamanduá-bandeira. E observaram que o fator que fez mais diferença para a manutenção da biodiversidade foi uma proteção efetiva da área. Isso ficou claro quando compararam fragmentos de tamanhos parecidos em que a diferença entre era o nível de proteção – os mais protegidos tinham mais animais.

 

E falar em proteção significa não apenas criar unidades de conservação. Em muitos casos elas existem, mas não estão implementadas nem têm segurança, sendo incapazes de impedir, por exemplo, a entrada de caçadores ou madeireiros. “Apenas cinco dos remanescentes investigados eram protegidos na prática e foram os que apresentaram as maiores taxas de retenção de espécies”, diz Peres.

 

A situação se mostrou mais crítica nos fragmentos da Mata Atlântica na porção oeste do Nordeste, onde há menos unidades de conservação. “A disponibilidade de proteína animal nessa região é baixa, por conta das altas taxa de densidade demográfica na zona rural. A economia de muitas casas de baixa renda é subsidiada por um padrão de caça que varia de recreativo à subsistência. Só a fauna relativamente tolerante a essa pressão persiste”, conta Peres.

 

Muitas espécies de mamíferos desapareceram até do folclore. “Ninguém nunca viu um muriqui ou um tamanduá-bandeira. Naquele caso, as reservas já chegariam atrasadas”, complementa Gustavo Canale, primeiro autor do artigo, que fez a pesquisa para seu doutorado na Universidade de Cambridge (Inglaterra). “Mesmo se existirem populações muito isoladas, elas estão tão reduzidas que já não são mais viáveis”, diz o biólogo, professor da Universidade Estadual de Mato Grosso. “A gente vê aquela mata bonita, acha que tem bicho, mas a verdade é que são florestas vazias.”

 

Entre janeiro de 2004 e janeiro de 2006, ele, Peres e colegas entrevistaram 8.846 pessoas que viviam no entorno dos remanescentes florestais havia pelo menos 15 anos. Tinham intimidade com a mata. Em muitos casos eram caçadores ou madeireiros, apesar de ninguém se declarar como tal. “Todo mundo fala que come a carne daqueles bichos, mas ninguém admite que caça”, conta Canale.

 

A análise mostrou uma taxa impressionante de extinções locais na fauna de mamíferos. De 3.528 populações possíveis de existir nos 196 fragmentos, 767 foram contabilizadas. Os remanescentes retinham 3,9 das 18 espécies investigadas.

Fonte: O Estado de São Paulo


10 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Isolamento geográfico permitiu rápida evolução de dinossauros na América do Norte

Novo estudo analisa as alterações geológicas e a relação com o desenvolvimento natural de herbívoros com chifres e da espécie bico-de-pato

O surgimento da cordilheira das Montanhas Rochosas pode ter impulsionado a evolução dosdinossauros que viviam na América Norte, na região onde hoje fica o oeste americano. A hipótese foi publicada no periódico científico Plos One.

Essa nova constatação, feita por pesquisadores americanos e alemães, explica os padrões já detectados de evolução e migração de espécies de dinossauros, como os bico-de-pato e herbívoros de chifres, no período que antecedeu a extinção da espécie, há 65 milhões de anos.

“No último século, paleontologistas descobriram uma variedade de fósseis de dinossauros que viveram há 75 milhões de anos. Mas no período que antecede a queda do asteroide na Terra e o fim do período Cretáceo (hipótese mais aceita para a extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos), havia poucas espécies destes animais na América do Norte”, disse Terry Gates, pós-doutor na Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, líder da pesquisa feita em conjunto com a universidade da Carolina do Norte e do Museu de Paleontologia e Geologia de Bavaria, na Alemanha.

Para preencher essa lacuna evolutiva, os pesquisadores passaram a fazer o registro geológico do oeste da América do Norte em busca de respostas.

Mudanças geológicas - A descoberta mostrou um quadro de profunda mudança geológica. Durante o início e em meados do período Cretáceo, o magma no interior do manto terrestre levantou o solo no oeste dos Estados Unidos, criando uma enorme cadeia de montanhas.

A área ao leste da cordilheira foi pressionada para baixo, e fez surgir um banco de areia e o Mar Interior Ocidental, que inundou o continente a partir do Ártico Canadense até o Golfo do México. Isso cortou o continente em três grandes ilhas ao norte, leste e oeste. Com a divisão, os dinossauros do oeste ficaram para uma ilha conhecida como Laramídia.

Juntos e mais diversos - A nova descoberta permite compreender como os dinossauros evoluíram em uma ilha após tamanha alteração na geografia, restringindo-os à ilha de Laramídia.

“Nossa hipótese é que esse isolamento facilitou uma rápida especialização e aumentou a diversidade nos animais”, explicou Albert Prieto-Márquez, colaborador da pesquisa.

As novas espécies de bico-de-pato e de dinossauros com chifres foram nascendo a uma taxa impressionante ao longo dos 100 mil anos entre a formação das montanhas e a extinção dos dinossauros, segundo os pesquisadores. “O isolamento das populações permitiu que as espécies evoluíssem novos recursos mais rapidamente, especialmente em detalhes de ornamentação do crânio, como cristas na cabeça e chifres”, disse Gates.

Segunda alteração - Mais tarde, uma das placas tectônicas sob a costa mudou de posição e forçou o surgimento de outra cordilheira, uma espécie de prenúncio das Montanhas Rochosas, ao leste. Essa segunda mudança geológica abriu amplo território para que os dinossauros se locomovessem, reduzindo novamente a rapidez da evolução da espécie.

As mudanças geográficas não só impactaram na diversidade dos dinossauros na América do Norte, mas também podem ter tido reflexos em outras partes do mundo, interrompendo rotas de migração e abrindo outras para a Ásia e América do Sul.

Dinossauros com bico-de-pato evoluíram mais rapidamente ao ter o habitat isolado geograficamente

Dinossauros com bico-de-pato evoluíram mais rapidamente ao ter o habitat isolado geograficamente (Thinkstock)

Diagrama ilustra a diversificação de dinossauros bico-de-pato e os dinossauros com chifres durante o Cretáceo, como resultado do surgimento do mar do interior e a elevação da montanha. A escala de tempo geológico está à esquerda do diagrama em verde. À direita, silhuetas da América do Norte com áreas cobertas por água do mar durante cada um dos períodos de tempo. Lindsay Zanno


10 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas criam ‘Google Earth’ de células de peixe

Nanoscopia eletrônica revela detalhes de tecidos de embrião de peixe zebra

Um grupo de pesquisadores desenvolveu um sistema de alta resolução que é capaz de mostrar, em detalhes, as imagens celulares de um organismo vivo. Assim como o Google Earth é capaz de aproximar imagens de satélite a ponto de ser possível visualizar uma rua específica na Terra, a nova ferramenta consegue tornar visíveis as imagens microscópicas que compõem as células de um embrião de peixe zebra. A novidade foi publicada no periódico Cell Biology.

A ferramenta foi desenvolvida por uma equipe de cientistas da Leiden University Medical Center, da Holanda, e foi feita por meio de uma técnica chamada de nanoscopia virtual. Eles reuniram 26 mil imagens individuais obtidas por microscopia eletrônica a partir de um único organismo, um embrião de peixe zebra de 1,5 milímetro. As imagens foram colocadas em um sistema de publicação de dados no site do periódico (http://jcb-dataviewer.rupress.org/jcb/browse/5553/17144/), e é aberta ao público.

São 281 gigapixels de dados e uma resolução de 16 milhões de pixels por polegada. Essa é a primeira vez que é possível ter tal visão da estrutura orgânica. Essa capacidade de integrar informações entre células e tecidos poderá ajudar os pesquisadores em futuras descobertas usando a mesma técnica.

Peixe Zebra

Milhares de imagens microscópicas do embrião de um Peixe Zebra foram reunidas em uma espécie de 'Google Earth' da biologia celular (Mark Smith)

Células

Da esquerda para a direita e de cima para baixo, imagens de microscopia eletrônica em alta resolução mostram aproximação de células de um embrião de peixe zebra. Imagem Rockefeller University/Divulgação

Fonte: Veja Ciência


Próxima página »« Página anterior





Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

outubro 2019
S T Q Q S S D
« mar    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

26 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Cadela Lilica enfrenta perigos de rodovia para alimentar outros animais

Há três anos, ela percorre 2 quilômetros para garantir o jantar dos bichos.
Moradora em um ferro velho, Lilica divide o espaço até com uma mula.

Lilica carrega marmita preparada pela professora Lúcia para os outros animais (Foto: Reprodução/EPTV)

Lilica carrega marmita preparada pela professora para os outros animais (Foto: Reprodução/EPTV)

Em meio à sucata de um ferro velho, emSão Carlos (SP), descansa um exemplo de solidariedade. A cadela Lilica mora no local e divide o espaço com um cão, um gato, um galo, uma galinha e até uma mula. Todas as noites, os bichos têm o jantar garantido porque Lilica faz a parte dela.

Quando a tarde vai embora, a cadela cumpre rigorosamente uma missão. O destino é casa da professora Lúcia Helena de Souza, que cria 13 cachorros e 30 gatos, todos recolhidos da rua. Depois de servir o jantar da turma, a professora prepara uma marmita para Lilica.

“Eu percebia que ela comia e ficava olhando para o que tinha na sacola. Aí uma vizinha disse que dava e impressão de que a cadela queria levar o resto da comida. Aí nós amarramos e ela pegou a sacola e levou. Daquele dia em dia a gente faz isso”, conta Souza.

O encontro é pontual, ocorre sempre por volta das 21h30. A cadela mata a fome, pega a sacolinha com o alimento separado pela professora e segue de volta ao ferro velho. São dois quilômetros de caminhada na lateral de uma estrada bem movimentada. No escuro, a pista fica ainda mais perigosa, mas Lilica atravessa com segurança e em poucos minutos chega com o jantar dos outros animais.

A catadora Neile Vânia Antonio, que encontrou Lilica abandonada ainda filhote na porta do ferro velho, pega a sacola e abre para todos os bichos do local comerem. O que sobra fica para o café da manhã. A história se repete todos os dias, há três anos.

Dona Neile diz que desde que viu a cadela pela primeira vez percebeu que ela era diferente. “A gente que é humano não faz isso. Algumas pessoas até escondem e não querem dividir o que tem. Ela não, Lilica é um animal excepcional”, afirma.

Click e veja o vídeo: http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2012/09/cadela-lilica-enfrenta-perigos-de-rodovia-para-alimentar-outros-animais.html

 

Fonte: Globo Natureza


26 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Brasileiros vão decifrar genomas do papagaio e do sabiá-laranjeira

Não é todo dia que uma imagem de Zé Carioca ilustra uma apresentação sobre genômica, mas o malandro arquetípico da Disney tinha um bom motivo para figurar no Powerpoint de Francisco Prosdocimi, da UFMG (Universidade Federal de Minas): o tema era o genoma “dele”.

Ou melhor, o do papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), que está entre as espécies mais comuns do bicho em cativeiro. O objetivo de Prosdocimi e seus colegas é vasculhar o DNA da ave em busca de pistas que ajudem a explicar sua proverbial tagarelice.

Para atingir esse objetivo, o papagaio-verdadeiro não é o único alvo. O grupo de cientistas, batizado de Sisbioaves, pretende sequenciar (grosso modo, “soletrar”) o genoma de outras espécies tipicamente brasileiras, como o sabiá-laranjeira e o bem-te-vi.

Em comum, esses bichos possuem o chamado aprendizado vocal -a capacidade, similar à dos seres humanos, de aprender padrões de vocalização ao longo da vida.

Detalhes sobre o projeto foram apresentados durante o 58º Congresso Brasileiro de Genética, em Foz do Iguaçu.

“A gente sabe que o aprendizado vocal é polifilético [ou seja, evoluiu mais de uma vez em linhagens sem parentesco próximo]“, explica Claudio Mello, brasileiro que trabalha na Universidade de Saúde e Ciência do Oregon (Estados Unidos).

“Portanto, se a gente encontrar genes relevantes para esse comportamento que são compartilhados entre os vários grupos de aves e os humanos, provavelmente isso quer dizer que eles representam a base do aprendizado vocal”, diz Mello.

Na maioria das aves, afirma Mello, existe o chamado período crítico de aprendizado — uma fase da “infância” do bicho na qual ele precisa ser exposto ao canto de outro animal para que ele aprenda a cantar de forma apropriada, coisa que também se verifica no caso da fala humana. Já os papagaios parecem ser mais versáteis, sendo capazes de aprender a imitar sons humanos em praticamente qualquer fase de sua vida.

A estimativa de Prosdocimi e de sua colega Maria Paula Schneider, da UFPA (Universidade Federal do Pará), é que a leitura dos genomas do papagaio e do sabiá-laranjeira esteja concluída em meados do ano que vem.

Segundo o pesquisador da UFMG, que é bioinformata (especialista na análise computacional de dados biológicos), espera-se que os bichos tenham genomas relativamente compactos, com menos da metade do tamanho do genoma humano.

Os pesquisadores ainda não encontraram, nos papagaios, o equivalente ao gene FOXP2, hoje um dos grandes candidatos a influenciar a capacidade humana para a fala. Mas não é só o lado vocal que interessa aos cientistas.

Prosdocimi destaca que os papagaios são inteligentes de modo geral. E vivem muito, passando dos 70 anos, o que traria pistas sobre as bases genéticas da longevidade.

Editoria de Arte/Folhapress

Fonte: Folha.com


24 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Estudo diz que mesmo gene define manchas de gatos e guepardos

Pesquisa foi publicada na ‘Science’ e inclui cientista brasileiro da PUC-RS.
Dados podem ajudar a estudar listras em outros mamíferos, diz cientista.

Um estudo inédito, publicado na revista “Science” desta semana, aponta que os genes que produzem as listras e pintas no corpo de gatos e guepardos são os mesmos e sofrem mutações com efeitos bem parecidos.

Segundo o cientista brasileiro Eduardo Eizirik, professor de biociências da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), e um dos autores da pesquisa, o achado abre caminho para estudar o padrão de listras e manchas em outros mamíferos (como zebras) e pode ajudar, no futuro, até a entender como operam certas doenças de pele que seguem padrões parecidos com os estudados.

O mapeamento parcial do genoma dos animais apontou que o tipo listrado de pelo de gato é obtido por um gene chamado “TaqPep”, que sintetiza uma proteína conhecida como tabulina. Quando ocorre uma mutação neste gene, a proteína é produzida de maneira alterada, o que faz com que o gato nasça com manchas em vez de listras na pelagem.

A mesma proteína tabulina é responsável pela variação nas manchas na pelagem dos guepardos. Estes animais normalmente possuem centenas de pintas redondas no corpo. Caso o gene que sintetiza a proteína sofra uma mutação, o animal vai nascer com manchas grandes pelo corpo que se agrupam de forma assimétrica.

A aparência que o animal adquire é a de um guepardo-rei. Por muito tempo, pensou-se que os guepardos-rei fossem uma espécie em separado dos guepardos, mas na verdade são geneticamente parecidos – os guepardos-rei possuem apenas uma variação no gene que determina os pelos.

“As mutações nesse gene ocorrem de forma diferente para gatos e guepardos, mas os efeitos são bem parecidos”, avalia Eizirik. O estudo foi feito por uma equipe formada por pesquisadores da universidade de Stanford, do Instituto Nacional do Câncer dos EUA, do Instituto para a Biotecnologia HudsonAlpha e de instituições de quatro países diferentes, incluindo China, Namíbia, África do Sul e Brasil.

Eizirik ressalta que o gene identificado existe em quase todos os mamíferos, mas em vários casos, como em humanos e camundongos, ele não se expressa como pintas ou manchas. “O padrão é diferente entre as espécies”, diz ele. “Em mamíferos, não se tinha um gene conhecido envolvido na formação do padrão da pele.”

Genes idênticos definem manchas em pelos de gato e de guepardo; mutações podem atingir as duas espécies (Foto: Brigitte Merle/Tibor Bognar/Arquivo AFP)

Genes iguais definem manchas em pelos de gato e de guepardo; mutações podem atingir as espécies (Foto: Brigitte Merle/Tibor Bognar/Arquivo AFP)

Imagens mostram variação de pelo sem mutação genética (à esquerda) e com mutação (à direita) em gatos e guepardos (Foto: Reprodução/'Science')

Imagens mostram variação de pelo sem mutação genética (à esquerda) e com mutação (à direita) em gatos e guepardos; no canto inferior, à direita, é possível ver um 'guepardo-rei' (Foto: Reprodução/'Science')

Fonte: Globo Natureza


24 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas estudam prós e contras de invasão global de minhocas

Variedades europeias e asiáticas podem proteger solos na Amazônia, mas estão dizimando espécies nativas.

Em um estudo recente, cientistas alertam para uma “invasão global de minhocas” e dizem que espécies “alienígenas” já conquistaram quase todos os continentes.

Segundo a pesquisa, publicada pela revista “Soil Biology & Biochemistry”, espécies invasoras estão vencendo a competição com animais locais e se adaptando mais rapidamente a terrenos desmatados e cultivados, mudando a estrutura dos solos.

Os cientistas tentam entender como as minhocas estão fazendo isso e, mais importante, o impacto que têm sobre os solos e a sobrevivência de outras espécies.

“A invasão de minhocas não-nativas é um fenômeno verdadeiramente global, no qual espécies invasoras estão chegando a todos os continentes, com exceção da Antártica”, disse à BBC Bruce Snyder, da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos.

A maior parte das florestas da América do Norte, por exemplo, foi um dia desprovida de minhocas. Quando os europeus colonizaram a região, introduziram inadvertidamente espécies europeias que vinham nos navios e na terra usada para transportar plantas.

Essas novas espécies continuam “ganhando terreno” e, segundo Snyder, “estão invadindo também florestas no norte de Wisconsin, em Minnesota, Nova York e partes do Canadá”.

No ano passado, uma pesquisa publicada na revista “Human Ecology” afirmou que as minhocas invasoras podem alterar os ciclos de carbono e nitrogênio nos bosques, assim como minar espécies de plantas nativas.

Mas outro estudo, também publicado em 2011, descobriu que minhocas “alienígenas” podem ter um impacto positivo em seus novos ambientes. O levantamento analisou o papel dos animais no ciclo de carbono das florestas tropicais e concluiu que essas criaturas ajudam a manter o carbono no solo.

Competição
Além das minhocas europeias, as asiáticas estão chegando às florestas dos Estados Unidos e Canadá.

Um estudo recente diz que a espécie asiática Amynthas hilgendorfi, que está invadindo as florestas do estado do Michigan, cresce mais rapidamente no novo ambiente e aumenta a concentração de formas minerais de nitrogênio e fósforo no solo.

No entanto, isso faz com que detritos na floresta se decomponham mais lentamente.

Outras observações feitas pela equipe sugerem que a A. hilgendorfi pode deslocar as espécies nativas e se tornar a única presente, uma hipótese confirmada pelo pesquisador Bruce Snyder e seus colegas.

Snyder descobriu que as espécies invasoras e nativas competem pelo mesmo tipo de material em decomposição.

No entanto, a nativa, que fica mais restrita à superfície do solo, acaba morrendo quase três meses mais cedo que o normal, por conta da maior competição por recursos.

As invasoras, por outro lado, cavam regiões mais profundas do solo em busca de alimento.

“Esse estudo, combinado com outros, sugere que a invasão de minhocas pode mudar direta ou indiretamente a forma como o carbono é armazenado nos solos, além de danificar plantas nativas e a biodiversidade animal, e causar problemas de erosão”, explicou o pesquisador.

Adaptação
Na floresta amazônica, no entanto, a invasão da espécie Pontoscolex corethrurus está modificando o comportamento do solo em regiões desmatadas e protegendo da erosão áreas expostas.

Essa espécie pode se reproduzir rapidamente, com cada adulto produzindo cerca de 80 casulos (ou ovos) por ano, em comparação com um número bem inferior gerado pela maioria das minhocas.

De acordo com o professor Patrick Lavelle, das academias Francesa e Europeia de Ciências, “esse verme é adaptado às novas condições criadas pelo desmatamento e pelo cultivo, o que não era o caso das espécies nativas”.

Lavelle acaba de publicar um estudo sobre o impacto dessa minhoca nos solos desmatados da Amazônia.

Os pesquisadores descobriram que esses animais podem aumentar os níveis de minerais no solo e estimular o crescimento de plantas, mas há um preço a pagar.

“O problema é que as espécies nativas provavelmente não voltarão. E é sempre ruim perder espécies”, disse Lavelle à BBC.

A perda de espécies é especialmente negativa porque as minhocas “invasoras” podem estar dizimando espécies que os cientistas ainda não conseguiram identificar.

Minhocas  (Foto: BBC)

Espécies invasoras podem estar dizimando minhocas ainda nem identificadas pelos cientistas (Foto: BBC)

Fonte: Globo Natureza


5 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

IPEVS realiza soltura de animais

No mês de julho o IPEVS realizou a soltura de alguns animais resgatados pela instituição. Após receberem os cuidados e constatado que os animais estavam aptos para voltarem a seu habitat natural o IPEVS em parceria com o IAP – Instituto Ambiental do Paraná realizou a soltura de um de gato mourisco, um cágado, um ratão do banhado, cobra d’água e um gato do mato.  Os animais foram soltos em uma reserva indicada pelo IAP.

Gato Mourisco – (Puma yagouaroundi)

Gato mourisco que recebeu os cuidados da equipe do IPEVS. Foto: IPEVS

Felino de atividade predominantemente diurna, com dieta carnívora, de ocorrência em todo o Brasil exceto o sul do Rio Grande do Sul. O gato mourisco possui uma coloração escura, geralmente marrom-acinzentada, avermelhada ou quase preta. As orelhas são arredondadas e a perna é curta. Como a maioria dos felinos, o gato mourisco é solitário, exceto em épocas reprodução. O período de gestação é de aproximadamente 2 meses e após o nascimento a mãe ensina aos filhotes as noções de sobrevivência e alimentação na floresta.

Esta espécie é a única entre os felinos brasileiros que não se encontra na Lista da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Sendo a principal ameaça para sobrevivência da espécie a destruição e fragmentação dos habitats.

Em 2011 o IPEVS resgatou 2 filhotes de gato mourisco em Cornélio Procópio (click e veja a noticia http://ipevs.org.br/blog/?p=8738). Infelizmente um dos filhotes veio a óbito. O outro filhote continuou recebendo os cuidados da equipe do IPEVS, principalmente dos graduandos de Ciências Biológicas e estagiários do IPEVS Naiara Palumbo e Eduardo Alves. Este filhote tratava-se de uma fêmea que cresceu saudável e após o trabalho de reabilitação a gata estava apta a voltar a seu habitat natural.

Após trabalho de reabilitação o animal estava apto para voltar ao seu habitat natural. Foto: IPEVS

 

Cágado de barbicha – (Phrynops geoffroanus)

Cágado de barbicha. Foto: IPEVS

O cágado de barbicha é uma espécie de quelônios de ampla distribuição na América do Sul, ocupando diversos habitats inclusive rios degradados pela ação de poluentes gerados pelo homem. O cágado de barbicha alimenta-se de frutos, moluscos e pequenos peixes.

O IPEVS recebe com frequência cágados que são levados até o instituto principalmente capturados por pescadores, sendo os cágados atraídos pela isca fixada no anzol.  Os exemplares recebem tratamento necessário e posteriormente são encaminhados para soltura.

O cágado de barbicha é uma espécie de quelônios que ocorre em nossa região. Foto: IPEVS

 

Ratão do Banhado – (Myocastor coypus)

Grande espécie de roedor, o ratão do banhado vive próximo a cursos d'água. Foto: IPEVS

O Ratão do banhado é uma grande espécie de roedor encontrado na América do Sul, no Brasil ocorre originalmente no Rio Grande do Sul, atualmente é encontrada também até o estado de São Paulo.  Vivem próximos a cursos d’água e deslocam-se principalmente na água. Animal de atividade noturna, alimenta-se principalmente de capim, raízes e plantas aquáticas, realizando o controle populacional de várias espécies vegetais.

O IPEVS resgatou um individuo da espécie no final do mês de julho, em Cornélio Procópio, o animal foi atendido pelo médico veterinário do IPEVS, atestando que o animal estava em perfeitas condições, possibilitando a soltura do exemplar.

Espécie captura na cidade de Cornélio Procópio - PR e encaminhada para soltura. Foto: IPEVS

 

Cobra d’água (Helicops infrataeniatus)

Helicops é um gênero de serpentes que apresenta olhos e narinas posicionados próximo a região anterior da cabeça, como adaptação ao hábito exclusivamente aquático, são popularmente conhecidas como cobra d’água. Alimentam-se de peixes e anfíbios.  Este grupo de serpentes não apresenta veneno ou perigo ao homem.

Livea Samara de Almeida, bióloga e diretora administrativa do IPEVS que atualmente é estudante do curso de medicina veterinária da UENP – Campus Bandeirantes, recebeu a serpente no campus da universidade. A cobra d’água estava com um anzol preso na região da boca. O anzol foi removido e a serpente encaminhada para o IPEVS permanecendo em cativeiro para cuidados da região oral atingida pelo anzol e após a cicatrização do ferimento foi encaminhada para soltura.

Após cuidados a cobra d'água foi encaminhada para soltura. Foto: IPEVS

 

Gato – do – mato (Leopardus tigrinus)

Gato-do-mato resgatado em Cornélio Procópio - PR. Foto: IPEVS

O gato-do-mato ocorre em todo o Brasil, podendo habitar regiões próximas a áreas agrícolas. Felino de hábito solitário e atividade predominantemente noturna. Alimenta-se de pequenos vertebrados, como mamíferos, aves e lagartos.

Devido à destruição de seu habitat, á caça predatória para comercialização de peles e o grande número de atropelamentos esta espécie é considerada como vulnerável no estado do Paraná.

O IPEVS realizou o resgate de um gato-do- mato em Cornélio Procópio também no mês de julho de 2012. Depois de avaliado o felino foi translocado para uma área de mata afastada.

Depois de avaliado o felino foi translocado para uma área de mata afastada. Foto: IPEVS

 

Fonte: Ascom IPEVS


3 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Sistema imunológico de ratos “infiéis” é mais forte do que o de animais comportados, diz estudo

Comportamento social pode levar a mudanças na evolução de espécie

“Trair compensa” e “o que não mata fortalece” parecem ser os lemas do rato-veadeiro, uma espécie bastante promíscua de roedor (Peromyscus maniculatus) que vive nos Estados Unidos e nunca escolhe ter um relacionamento monogâmico. Cientistas descobriram que esse pequeno animal infiel tem um sistema imunológico muito mais robusto e eficiente que o do roedor da Califórnia (Peromyscus californicus), que tem o hábito de manter relacionamentos monogâmicos.

Os pesquisadores analisaram os dados de DNA e amostras das duas espécies em supercomputadores e concluíram que os estilos de vida dos ratos tiveram um impacto direto sobre as comunidades de bactérias que vivem no interior das fêmeas.

Maior proteção — Segundo Matthew MacManes, um dos autores do estudo e pesquisador do Centro Nacional de Saúde dos EUA, a análise revelou uma diversidade duas vezes maior de bactérias no rato-veadeiro em relação ao seu parente comportado. Segundo o estudo, esse número maior de bactérias acabou influenciando uma variedade maior de genes ligados ao sistema imunológico no rato-veadeiro, o que favoreceu uma melhor proteção contra doenças. Os resultados da pesquisa foram publicados no periódico PLoS One.

MacManes afirma que os cientistas levantaram a hipótese de que as pressões seletivas causadas geração após geração de guerra bacteriana fortificaram o genoma do rato-veadeiro. “Os ratos promíscuos, em virtude do seu comportamento sexual, são mais expostos a bactérias. Eles precisam de um sistema imunológico mais robusto para se defender de todas as doenças a que estão expostos”, disse MacManes.

Segundo os cientistas, a monogamia é uma característica rara em mamíferos, um comportamento adotado por apenas 5% das espécies.

Rato da Califórnia ('Peromyscus californicus')

Rato da Califórnia (Peromyscus californicus): roedor comportado, cujos relacionamentos são monogâmicos, tem sistema imunológico mais fraco que espécie promíscua (Universidade do Texas em Austin)

Fonte: Veja Ciência


16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas identificam vírus que causa comportamento bizarro em cobras

Jiboias e pítons aparentam estar bêbadas e podem dar nó no próprio corpo.
Doença do Corpúsculo de Inclusão Viral costuma ser mortal para animais.

Cientistas dos Estados Unidos identificaram o vírus responsável por uma doença grave em cobras e serpentes, conhecida como Doença do Corpúsculo de Inclusão Viral (IBD, na tradução da sigla do inglês). A contaminação costuma causar comportamento bizarro e até a morte nestes animais.

As cobras infectadas com o vírus parecem estar bêbadas, ficam encarando o vazio e chegam a dar nós no próprio corpo, entre outros sintomas. Os pesquisadores da Universidade da Califórnia estudavam um surto de IBD em um aquário na cidade de São Francisco, quando se depararam com a causa do mal.

O vírus afeta mais as jiboias e similares da família Boidae e as pítons, dizem os cientistas. O estudo foi publicado na edição desta terça-feira (14) do site “mBio”, publicação da Sociedade Americana para a Microbiologia.

A descoberta representa uma classe totalmente nova de arenavírus, dizem os pesquisadores. Para encontrar a origem da doença, pesquisadores extraíram DNA da pele de cobras afetadas pela doença e usaram técnicas para fazer o sequenciamento do genoma dos animais.

Em praticamente todo o DNA dos exemplares de cobras havia sequências que combinavam com o arenavírus. A partir deste achado, os cientistas puderam isolar o vírus usando pele de cobra manipulada em laboratório.

Cura
A descoberta é o primeiro passo para o desenvolvimento de vacinas e tratamentos para a doença, de acordo com os cientistas.

Michael Buchmeier, professor de doenças infecciosas da Universidade da Califórnia e um dos responsáveis pela pesquisa, classificou a descoberta de “uma das coisas mais excitantes que aconteceram na virologia em um longo tempo”.

Buchmeier diz que até agora os microorganismos da família dos arenavírus só haviam sido identificados em mamíferos. Encontrá-los em cobras foi uma surpresa, afirma o pesquisador.

Jiboia residente de um zoológico de Puerto Vallarta, no México (Foto: Carlos Jasso/Reuters)

Fonte: Globo Natureza


16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Cinco mamíferos são extintos da Mata Atlântica

Não é de hoje que biólogos da conservação sabem que pequenos fragmentos de floresta tropical, em meio a fazendas ou cidades, pouco contribuem para a sobrevivência de animais de médio e grande porte, que precisam de espaço para locomoção, alimentação e reprodução. Novo estudo de pesquisadores brasileiros mostra que, pelo menos para a Mata Atlântica, a realidade desafia essa teoria clássica.

Mesmo grandes remanescentes estão sendo incapazes de manter a biodiversidade. Sem proteção efetiva que impeça a entrada de pessoas, a pressão histórica e atual de caçadores diminui os benefícios de ter uma área remanescente grande com uma floresta relativamente intacta, explica o biólogo Carlos Peres, da Universidade East Anglia, que liderou a pesquisa publicada na revista PLoS ONE.

 

O trabalho inventariou 18 espécies de mamíferos em 196 fragmentos ao longo da Mata Atlântica, o bioma mais ameaçado, que já perdeu cerca de 90 % da cobertura original. Mais de 205 mil km de estradas foram percorridos. Os pesquisadores descobriram que cinco delas tinham sido totalmente ou virtualmente extintas numa escala regional: queixada, onça-pintada, anta, muriqui e tamanduá-bandeira. E observaram que o fator que fez mais diferença para a manutenção da biodiversidade foi uma proteção efetiva da área. Isso ficou claro quando compararam fragmentos de tamanhos parecidos em que a diferença entre era o nível de proteção – os mais protegidos tinham mais animais.

 

E falar em proteção significa não apenas criar unidades de conservação. Em muitos casos elas existem, mas não estão implementadas nem têm segurança, sendo incapazes de impedir, por exemplo, a entrada de caçadores ou madeireiros. “Apenas cinco dos remanescentes investigados eram protegidos na prática e foram os que apresentaram as maiores taxas de retenção de espécies”, diz Peres.

 

A situação se mostrou mais crítica nos fragmentos da Mata Atlântica na porção oeste do Nordeste, onde há menos unidades de conservação. “A disponibilidade de proteína animal nessa região é baixa, por conta das altas taxa de densidade demográfica na zona rural. A economia de muitas casas de baixa renda é subsidiada por um padrão de caça que varia de recreativo à subsistência. Só a fauna relativamente tolerante a essa pressão persiste”, conta Peres.

 

Muitas espécies de mamíferos desapareceram até do folclore. “Ninguém nunca viu um muriqui ou um tamanduá-bandeira. Naquele caso, as reservas já chegariam atrasadas”, complementa Gustavo Canale, primeiro autor do artigo, que fez a pesquisa para seu doutorado na Universidade de Cambridge (Inglaterra). “Mesmo se existirem populações muito isoladas, elas estão tão reduzidas que já não são mais viáveis”, diz o biólogo, professor da Universidade Estadual de Mato Grosso. “A gente vê aquela mata bonita, acha que tem bicho, mas a verdade é que são florestas vazias.”

 

Entre janeiro de 2004 e janeiro de 2006, ele, Peres e colegas entrevistaram 8.846 pessoas que viviam no entorno dos remanescentes florestais havia pelo menos 15 anos. Tinham intimidade com a mata. Em muitos casos eram caçadores ou madeireiros, apesar de ninguém se declarar como tal. “Todo mundo fala que come a carne daqueles bichos, mas ninguém admite que caça”, conta Canale.

 

A análise mostrou uma taxa impressionante de extinções locais na fauna de mamíferos. De 3.528 populações possíveis de existir nos 196 fragmentos, 767 foram contabilizadas. Os remanescentes retinham 3,9 das 18 espécies investigadas.

Fonte: O Estado de São Paulo


10 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Isolamento geográfico permitiu rápida evolução de dinossauros na América do Norte

Novo estudo analisa as alterações geológicas e a relação com o desenvolvimento natural de herbívoros com chifres e da espécie bico-de-pato

O surgimento da cordilheira das Montanhas Rochosas pode ter impulsionado a evolução dosdinossauros que viviam na América Norte, na região onde hoje fica o oeste americano. A hipótese foi publicada no periódico científico Plos One.

Essa nova constatação, feita por pesquisadores americanos e alemães, explica os padrões já detectados de evolução e migração de espécies de dinossauros, como os bico-de-pato e herbívoros de chifres, no período que antecedeu a extinção da espécie, há 65 milhões de anos.

“No último século, paleontologistas descobriram uma variedade de fósseis de dinossauros que viveram há 75 milhões de anos. Mas no período que antecede a queda do asteroide na Terra e o fim do período Cretáceo (hipótese mais aceita para a extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos), havia poucas espécies destes animais na América do Norte”, disse Terry Gates, pós-doutor na Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, líder da pesquisa feita em conjunto com a universidade da Carolina do Norte e do Museu de Paleontologia e Geologia de Bavaria, na Alemanha.

Para preencher essa lacuna evolutiva, os pesquisadores passaram a fazer o registro geológico do oeste da América do Norte em busca de respostas.

Mudanças geológicas - A descoberta mostrou um quadro de profunda mudança geológica. Durante o início e em meados do período Cretáceo, o magma no interior do manto terrestre levantou o solo no oeste dos Estados Unidos, criando uma enorme cadeia de montanhas.

A área ao leste da cordilheira foi pressionada para baixo, e fez surgir um banco de areia e o Mar Interior Ocidental, que inundou o continente a partir do Ártico Canadense até o Golfo do México. Isso cortou o continente em três grandes ilhas ao norte, leste e oeste. Com a divisão, os dinossauros do oeste ficaram para uma ilha conhecida como Laramídia.

Juntos e mais diversos - A nova descoberta permite compreender como os dinossauros evoluíram em uma ilha após tamanha alteração na geografia, restringindo-os à ilha de Laramídia.

“Nossa hipótese é que esse isolamento facilitou uma rápida especialização e aumentou a diversidade nos animais”, explicou Albert Prieto-Márquez, colaborador da pesquisa.

As novas espécies de bico-de-pato e de dinossauros com chifres foram nascendo a uma taxa impressionante ao longo dos 100 mil anos entre a formação das montanhas e a extinção dos dinossauros, segundo os pesquisadores. “O isolamento das populações permitiu que as espécies evoluíssem novos recursos mais rapidamente, especialmente em detalhes de ornamentação do crânio, como cristas na cabeça e chifres”, disse Gates.

Segunda alteração - Mais tarde, uma das placas tectônicas sob a costa mudou de posição e forçou o surgimento de outra cordilheira, uma espécie de prenúncio das Montanhas Rochosas, ao leste. Essa segunda mudança geológica abriu amplo território para que os dinossauros se locomovessem, reduzindo novamente a rapidez da evolução da espécie.

As mudanças geográficas não só impactaram na diversidade dos dinossauros na América do Norte, mas também podem ter tido reflexos em outras partes do mundo, interrompendo rotas de migração e abrindo outras para a Ásia e América do Sul.

Dinossauros com bico-de-pato evoluíram mais rapidamente ao ter o habitat isolado geograficamente

Dinossauros com bico-de-pato evoluíram mais rapidamente ao ter o habitat isolado geograficamente (Thinkstock)

Diagrama ilustra a diversificação de dinossauros bico-de-pato e os dinossauros com chifres durante o Cretáceo, como resultado do surgimento do mar do interior e a elevação da montanha. A escala de tempo geológico está à esquerda do diagrama em verde. À direita, silhuetas da América do Norte com áreas cobertas por água do mar durante cada um dos períodos de tempo. Lindsay Zanno


10 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas criam ‘Google Earth’ de células de peixe

Nanoscopia eletrônica revela detalhes de tecidos de embrião de peixe zebra

Um grupo de pesquisadores desenvolveu um sistema de alta resolução que é capaz de mostrar, em detalhes, as imagens celulares de um organismo vivo. Assim como o Google Earth é capaz de aproximar imagens de satélite a ponto de ser possível visualizar uma rua específica na Terra, a nova ferramenta consegue tornar visíveis as imagens microscópicas que compõem as células de um embrião de peixe zebra. A novidade foi publicada no periódico Cell Biology.

A ferramenta foi desenvolvida por uma equipe de cientistas da Leiden University Medical Center, da Holanda, e foi feita por meio de uma técnica chamada de nanoscopia virtual. Eles reuniram 26 mil imagens individuais obtidas por microscopia eletrônica a partir de um único organismo, um embrião de peixe zebra de 1,5 milímetro. As imagens foram colocadas em um sistema de publicação de dados no site do periódico (http://jcb-dataviewer.rupress.org/jcb/browse/5553/17144/), e é aberta ao público.

São 281 gigapixels de dados e uma resolução de 16 milhões de pixels por polegada. Essa é a primeira vez que é possível ter tal visão da estrutura orgânica. Essa capacidade de integrar informações entre células e tecidos poderá ajudar os pesquisadores em futuras descobertas usando a mesma técnica.

Peixe Zebra

Milhares de imagens microscópicas do embrião de um Peixe Zebra foram reunidas em uma espécie de 'Google Earth' da biologia celular (Mark Smith)

Células

Da esquerda para a direita e de cima para baixo, imagens de microscopia eletrônica em alta resolução mostram aproximação de células de um embrião de peixe zebra. Imagem Rockefeller University/Divulgação

Fonte: Veja Ciência


Próxima página »« Página anterior