24 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas estudam prós e contras de invasão global de minhocas

Variedades europeias e asiáticas podem proteger solos na Amazônia, mas estão dizimando espécies nativas.

Em um estudo recente, cientistas alertam para uma “invasão global de minhocas” e dizem que espécies “alienígenas” já conquistaram quase todos os continentes.

Segundo a pesquisa, publicada pela revista “Soil Biology & Biochemistry”, espécies invasoras estão vencendo a competição com animais locais e se adaptando mais rapidamente a terrenos desmatados e cultivados, mudando a estrutura dos solos.

Os cientistas tentam entender como as minhocas estão fazendo isso e, mais importante, o impacto que têm sobre os solos e a sobrevivência de outras espécies.

“A invasão de minhocas não-nativas é um fenômeno verdadeiramente global, no qual espécies invasoras estão chegando a todos os continentes, com exceção da Antártica”, disse à BBC Bruce Snyder, da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos.

A maior parte das florestas da América do Norte, por exemplo, foi um dia desprovida de minhocas. Quando os europeus colonizaram a região, introduziram inadvertidamente espécies europeias que vinham nos navios e na terra usada para transportar plantas.

Essas novas espécies continuam “ganhando terreno” e, segundo Snyder, “estão invadindo também florestas no norte de Wisconsin, em Minnesota, Nova York e partes do Canadá”.

No ano passado, uma pesquisa publicada na revista “Human Ecology” afirmou que as minhocas invasoras podem alterar os ciclos de carbono e nitrogênio nos bosques, assim como minar espécies de plantas nativas.

Mas outro estudo, também publicado em 2011, descobriu que minhocas “alienígenas” podem ter um impacto positivo em seus novos ambientes. O levantamento analisou o papel dos animais no ciclo de carbono das florestas tropicais e concluiu que essas criaturas ajudam a manter o carbono no solo.

Competição
Além das minhocas europeias, as asiáticas estão chegando às florestas dos Estados Unidos e Canadá.

Um estudo recente diz que a espécie asiática Amynthas hilgendorfi, que está invadindo as florestas do estado do Michigan, cresce mais rapidamente no novo ambiente e aumenta a concentração de formas minerais de nitrogênio e fósforo no solo.

No entanto, isso faz com que detritos na floresta se decomponham mais lentamente.

Outras observações feitas pela equipe sugerem que a A. hilgendorfi pode deslocar as espécies nativas e se tornar a única presente, uma hipótese confirmada pelo pesquisador Bruce Snyder e seus colegas.

Snyder descobriu que as espécies invasoras e nativas competem pelo mesmo tipo de material em decomposição.

No entanto, a nativa, que fica mais restrita à superfície do solo, acaba morrendo quase três meses mais cedo que o normal, por conta da maior competição por recursos.

As invasoras, por outro lado, cavam regiões mais profundas do solo em busca de alimento.

“Esse estudo, combinado com outros, sugere que a invasão de minhocas pode mudar direta ou indiretamente a forma como o carbono é armazenado nos solos, além de danificar plantas nativas e a biodiversidade animal, e causar problemas de erosão”, explicou o pesquisador.

Adaptação
Na floresta amazônica, no entanto, a invasão da espécie Pontoscolex corethrurus está modificando o comportamento do solo em regiões desmatadas e protegendo da erosão áreas expostas.

Essa espécie pode se reproduzir rapidamente, com cada adulto produzindo cerca de 80 casulos (ou ovos) por ano, em comparação com um número bem inferior gerado pela maioria das minhocas.

De acordo com o professor Patrick Lavelle, das academias Francesa e Europeia de Ciências, “esse verme é adaptado às novas condições criadas pelo desmatamento e pelo cultivo, o que não era o caso das espécies nativas”.

Lavelle acaba de publicar um estudo sobre o impacto dessa minhoca nos solos desmatados da Amazônia.

Os pesquisadores descobriram que esses animais podem aumentar os níveis de minerais no solo e estimular o crescimento de plantas, mas há um preço a pagar.

“O problema é que as espécies nativas provavelmente não voltarão. E é sempre ruim perder espécies”, disse Lavelle à BBC.

A perda de espécies é especialmente negativa porque as minhocas “invasoras” podem estar dizimando espécies que os cientistas ainda não conseguiram identificar.

Minhocas  (Foto: BBC)

Espécies invasoras podem estar dizimando minhocas ainda nem identificadas pelos cientistas (Foto: BBC)

Fonte: Globo Natureza


14 de janeiro de 2012 | nenhum comentário »

Ilha de Montecristo, na Itália, é invadida por ratos

Um exército de ratos invadiu a ilha italiana de Montecristo, no arquipélago toscano, num ataque que nem mesmo o escritor francês Alexandre Dumas poderia ter imaginado na sua famosa obra “O conde de Monte Cristo”, informou nesta sexta-feira (13) o jornal “Corriere della Sera”.

A ilha, que tem apenas 10 quilômetros quadrados, é uma área protegida e considerada uma reserva natural biogenética. Os roedores chegaram ao local a bordo de navios e se reproduziram de maneira muito rápida.

Segundo o jornal, existe um rato por metro quadrado na ilha que inspirou Dumas, o que pode ameaçar o ecossistema do local. Para solucionar o problema, as autoridades usarão um avião para jogar 27 toneladas de alimentos envenenados em Montecristo.

O método escolhido foi duramente criticado por associações a favor dos animais e pelo campeão de pesca submarina Carlo Gasparri, quem escreveu uma carta à Promotoria da capital da Toscana, Florença, na qual afirma que o veneno utilizado é contraproducente.

“O produto é altamente tóxico para os organismos marinhos e pode provocar efeitos negativos no ambiente a longo prazo. Além disso, é uma substância que demora muito para desaparecer do ambiente”, afirmou Gasparri.

O praticante de pesca submarina também disse que o veneno é um risco para os milhares de turistas que desembarcam em Montecristo no verão para uma visita guiada. Ele propõe que seja usado um veneno mais leve.

Na ilha, onde vive um vigia com sua família, há uma vila do século XVIII, as ruínas de um antigo mosteiro e a gruta onde viveu no século V o Bispo de Palermo, São Maximiliano. 

Fonte: Portal iG


29 de julho de 2011 | nenhum comentário »

BDRJ Meio Ambiente: secretaria cria lista de espécies exóticas invasoras

Lista traz organismos que se encontram fora da sua área natural no estado.
Governo disponibilizou na internet lista preliminar para consulta pública.

Presentes em mais de cem unidades de conservação do Brasil, as espécies exóticas invasoras representam uma ameaça à biodiversidade. Por isso, a Secretaria estadual do Ambiente do Rio de Janeiro está desenvolvendo uma lista dessas espécies para facilitar o controle e erradicação dessa vegetação no estado.

As espécies exóticas invasoras são organismos (fungos, plantas e animais, assim como seres vivos microscópicos) que se encontram fora da sua área natural de distribuição, por dispersão acidental ou intencional.

Pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) desenvolveram uma lista preliminar, que foi aperfeiçoada pela Secretaria do Ambiente e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Ela está disponível para consulta pública no site oficial do órgão http://www.rj.gov.br/web/sea/exibeConteudo?article-id=538365

De acordo com a Secretaria, o público pode opinar nesta lista, pedindo a inclusão de novas espécies ou a exclusão de outras que estejam na lista indevidamente. As contribuições podem ser enviadas para o e-mail até o dia 8 de setembro. Depois disso, a lista final será concluída e será iniciada uma campanha de conscientização.

Fonte: Bom dia Rio


17 de março de 2011 | nenhum comentário »

A invasão dos javalis

Atividade hoje proibida, o abate do javali começa a ser defendido como solução para um problema que já tira o sono de ambientalistas do Rio.

Em alerta enviado à Secretaria estadual do Ambiente, o engenheiro agrônomo Rafael Salerno, coordenador de um grupo de trabalho sobre o tema em Minas Gerais, ressalta a necessidade de uma ação imediata para controlar a proliferação destes mamíferos em unidades de conservação fluminenses. E lembra que o javali (Sus scrofa), invasor de origem europeia, já atacou pessoas e causou danos a plantações. Além disso, pode ser hospedeiro de doenças, colocando em risco espécies nativas.

 

O Globo apurou que já há registros de suídeos – animais resultados de cruzamentos, os “javaporcos” – no Noroeste Fluminense e na Região Serrana. Rafael Salerno ressalta que a discussão está inserida em um terreno bastante polêmico, por se tratar de um animal bem quisto aos olhos da maioria – e de alto valor comercial -, ao contrário de outros invasores, como ratazanas e caramujos africanos.

 

- Não posso ser contra a garantia de sobrevivência dos pequenos produtores. Mas estamos diante de um sério problema, que poderá se agravar de nenhuma atitude for tomada. O javali é considerado uma das 100 piores espécies invasoras – afirma o estudioso, em referência à lista do Invasive Species Specialist Group (ISSG). – A taxa de reprodução destes mamíferos é muito alta. Estima-se que a população dobre a cada seis meses. Apenas para manter o número atual, seria necessário abater 70% da população anualmente.

 

Além disso, com a população de onças cada vez mais reduzida, os javalis estão sem predadores.

 

APA de Friburgo tem mais de 600 javalis

A situação mais preocupante no estado é a da Área de Proteção Ambiental (APA) de Macaé de Cima, em Nova Friburgo. Um proprietário cria cerca de 600 javalis em uma fazenda dentro da unidade, o que é proibido por lei.

 

- Há um criadouro comercial que até hoje não apresentou a licença. O processo corre no Ibama e se arrasta há quase quatro anos. Em caso de fuga, podemos ter graves problemas – afirma o chefe da APA, Carlos Henrique Martins.

 

No Noroeste Fluminense, mais problemas. A secretária de Meio Ambiente de Porciúncula, Maria de Lourdes Alves de Souza, relata casos de destruição de cultivos.

 

- Os bichos estão acabando com as plantações. Os proprietários chegaram a fazer armadilhas, mas não conseguem controlar a proliferação. Para piorar, estão se misturando com porcos comuns, resultando em uma espécie bastante agressiva – diz ela.

 

Em 2005, o Ibama liberou, por instrução normativa, abate e captura dos javalis e porcos asselvajados no Rio Grande do Sul, estado com maior incidência da espécie no Brasil. Mas, ano passado, a decisão foi revogada. A argumentação: estudos mais aprofundados são necessários para se chegar a uma conclusão sobre a forma de controlar a praga.

 

- Não dá para entender esta postura do Ibama – critica Rafael Salerno. – Por que o órgão, sabendo que se trata de um animal exótico, invasor, proibiu o abate? Javali não é uma espécie de caça no Brasil. É um animal nocivo e precisa ser abatido.

 

O Ibama não retornou às ligações do Globo para comentar o assunto. Proprietário da Fazenda Palmira, no município de Serra Azul, interior de São Paulo, João Carlos Prada importou 44 animais – 40 fêmeas e quatro machos – da França em 1997, com a

anuência do Ministério da Agricultura. Um ano depois, o Ibama proibiu a abertura de novos criadouros. Ele defende a liberação do abate para controlar a população.

 

- Em todo o lugar do mundo o abate é autorizado, menos aqui – ressalta Prada, que vende carne de javali a amigos por R$ 10 o quilo. – Tem de haver um controle. Eu mesmo faço umas armadilhas de vez em quando. E, como não posso negociar os animais, deixo crescer, defumo e vendo carne defumada. Dá menos doença que o porco confinado – garante.

 

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra- RS) depõe contra a defesa de João Prada. “No Brasil, os mamíferos foram identificados como importantes reservatórios de Trypanossoma

evansi (responsável pela doença conhecida como mal de cadeiras) e Trypanossoma cruzi (agente etiológico da doença de Chagas), na região do Pantanal”, diz o texto.

 

Ataques fatais de javalis são um problema já registrado no Brasil. Em outubro do ano passado, um lavrador foi morto na região rural do município de Ibiá, a 329 quilômetros de Belo Horizonte (MG).

(O Globo)


8 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Cães soltos ameaçam vida selvagem, diz bióloga

A bióloga Julie Young e mais quatro cientistas afirmam que cães soltos representam uma ameaça à vida selvagem, especialmente as espécies em risco de extinção.

A introdução de animais não nativos em um ecossistema coloca-o em perigo, mas até então os cães não eram vistos sob esse mesmo prisma.

“Temos a tendência de negligenciar o impacto dos cães na vida selvagem porque os vemos como nossos companheiros”, diz Young, coautora do estudo publicado no jornal “BioScience”.

A bióloga cita um exemplo no estado norte-americano de Idaho, onde a presença de cães soltos diminuiu a população de veados. No Colorado, outro estudo indica que linces estão se distanciando de suas trilhas, que passaram a ser usadas por humanos e seus cachorros de estimação.

Na reserva de Navajo, no Arizona, os cães perseguem o gado local e reduzem o número de pequenos mamíferos como os coelhos, além de disseminar doenças entre animais e seres humanos.

A questão chamou a atenção de Young quando ela estudava três espécies ameaçadas de extinção na Ásia Central: carneiro selvagem, gazelas e antílopes.

A taxa significativa de ferimentos e morte desses animais por cães soltos fez com que a bióloga e seus colegas estudassem a situação como se fosse um fenômeno mundial.

Eles descobriram que os cães, estimados em 500 milhões no mundo todo, podem causar mais danos aos animais selvagens e ao gado do que os lobos e outros predadores.

Young cita um estudo que concluiu que cães soltos provocaram uma série de mortes de gado nas montanhas bascas entre a Espanha e a França. Por meio de testes genéticos, ficou provado que os cães, e não os lobos, causaram o problema.

Fonte: Folha.com

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15 de janeiro de 2010 | nenhum comentário »

Intrusos catalogados

Livro aborda presença de espécies exóticas no mar brasileiro

O livro “Informe sobre as Espécies Exóticas Invasoras Marinhas no Brasil”, lançado em dezembro, é o mais amplo inventário científico produzido até hoje sobre essas espécies que frequentemente se tornam pragas, gerando prejuízos para o país.

 

Segundo o professor Rubens Lopes, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), editor científico da obra, o objetivo é incentivar a prevenção, o controle e o monitoramento das espécies exóticas invasoras marinhas.

 

A publicação é resultado de uma parceria entre a USP, a Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Marinha do Brasil.

 

“Desde a Convenção da Diversidade Biológica, assinada durante a conferência Rio 92, a questão das espécies exóticas invasoras começou a ser debatida internacionalmente. E o texto da convenção determinava que as nações deveriam impedir a introdução das espécies exóticas que ameaçassem os ecossistemas e realizar seu controle ou erradicação”, disse à Agência Fapesp.

 

Uma das decisões da convenção, de acordo com Lopes, que coordena o projeto “Monitoramento de alta resolução de florações de algas tóxicas”, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, foi a realização de inventários referentes à ocorrência das espécies exóticas invasoras, além da sua prevenção, erradicação e controle.

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“Em função disso, em meados de 2003, o MMA decidiu realizar inventários sobre as espécies invasoras em cinco subprojetos: Ambientes Marinhos, Águas Continentais, Ambientes Terrestres, Sistemas de Produção e Saúde Humana”, explicou.

 

O pesquisador ficou responsável por coordenar o grupo que faria o inventário das espécies marinhas. Em 2005, o MMA realizou, por meio do Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica (Probio), um simpósio nacional sobre as espécies exóticas invasoras.

 

“Com isso, houve uma sinalização de que seria interessante publicar esses resultados. Até que no início de 2008 começou o projeto de publicação. O livro sobre os ambientes marinhos foi o primeiro a ser lançado, pois o relatório do nosso grupo estava mais adiantado. Atualizamos as informações que constavam no relatório do Probio e editamos a obra com apoio técnico do MMA”, disse.

 

A publicação tem vários capítulos distribuídos em dois grandes conjuntos de dados: um deles relacionado às espécies propriamente ditas e o segundo voltado à estrutura brasileira para enfrentá-las. “São vários autores. Cada capítulo tem um ou mais coordenadores e a participação de estudantes”, contou.

 

O livro traz uma pequena parte conceitual introdutória, que explica os métodos utilizados para a prospecção das informações e apresenta estatísticas gerais sobre a ocorrência das espécies. “Depois vêm os quatro capítulos temáticos que tratam de diferentes grupos – plânctons, macroalgas, zoobentos e peixes – e o capítulo final que é um diagnóstico sobre a estrutura de prevenção e controle existente no Brasil.”

 

Transporte marinho

 

Em termos de volume de informação a maior parte do livro é composta pelas chamadas fichas de espécies. “O livro traz as fichas de 58 espécies identificadas como exóticas, com todas as informações disponíveis sobre elas – a descrição de como ocorreu a introdução, dados sobre a ecologia e a biologia das espécies, informações sobre os registros delas no Brasil e sobre os seus possíveis vetores de introdução e dispersão”, disse Lopes.

 

Embora o livro apresente 58 espécies exóticas, apenas nove foram caracterizadas como invasoras de fato. “Só definimos uma espécie como invasora quando se trata de um organismo que está causando algum tipo de impacto mensurável, seja ele ecológico, socioeconômico, cultural ou na saúde”, explicou.

 

O professor do Instituto Oceanográfico da USP destaca que os principais vetores de introdução das espécies marinhas exóticas estão ligados ao transporte marítimo.

 

“Isso ficou muito claro para nós. O impacto do transporte marinho é muito grande na introdução dessas espécies. E ele ocorre por meio da água de lastro – despejada em quantidades imensas na costa brasileira -, como por incrustação nos cascos de navios e plataformas de petróleo”, disse.

 

Outro vetor importante, segundo ele, é a aquicultura. “A atividade traz organismos exóticos que acabam sendo lançados no ambiente natural e se tornam invasores”, afirmou.

 

Uma das espécies exóticas invasoras mencionadas no livro é a macroalga Caulerpa scalpelliformis denticulata, cujo limite de distribuição no Brasil, ao sul, era o estado do Espírito Santo. Em 2001, a espécie foi documentada na baía de Ilha Grande (RJ). Segundo Lopes, desde seu aparecimento, essa alga vem aumentando rapidamente sua área de distribuição, chegando a deslocar nos costões rochosos a espécie que antes era dominante na região, a Sargassum vulgare.

 

“Justamente devido à sua propagação rápida e persistente na região, essa pode ser a primeira espécie a merecer a classificação de alga invasora no Brasil. O tráfego de embarcações seria um possível vetor da introdução dessa alga na região. Mas a aquicultura de moluscos e a aquariofilia podem ser vetores alternativos também, devido à beleza da alga, que se adapta muito bem em aquários”, explicou.

 

Outro destaque é o Isognomon bicolor, um molusco bivalve de origem caribenha que apresentou um aumento súbito de densidade em vários pontos da costa brasileira a partir da metade da década de 1990. De acordo com Lopes, o molusco foi inicialmente confundido com outra espécie da mesma família já registrada na costa brasileira, mas atualmente é considerado invasor.

 

“Trabalhamos com a hipótese de que a introdução ocorreu entre as décadas de 1970 e 1980 nas regiões Sudeste e Sul do Brasil. A expansão populacional deve ter ocorrido durante a transição para a década de 1990 com a ampliação da distribuição geográfica da espécie no Brasil e a ocupação dos costões rochosos, disputando espaço e reduzindo drasticamente a presença, antes maciça, de bivalves e de cirripédios”, disse.

 

O siri Charybdis hellerii, atualmente encontrado em vários Estados, é um exemplo de possível introdução decorrente do aumento do tráfego naval. Pequenos espécimes podem ter sido transportados na água de lastro de navios, segundo Lopes.

 

“Essa hipótese é corroborada pelo fato de essa espécie ter sido encontrada em áreas onde há grande fluxo de navios petroleiros que partem ou chegam do Oriente Médio. No Sudeste do Brasil, a introdução ocorreu, provavelmente, entre 1993 e 1994. Outra hipótese é que tenha sido introduzido por meio da água de lastro no Caribe e a partir daí as larvas chegaram ao Brasil pelas correntes marinhas”, disse.

 

O coral Tubastraea tagusensis, de acordo com Lopes, foi introduzido acidentalmente por incrustação em plataformas de petróleo e também, possivelmente, pelo transporte em cascos de navios. “Parece pouco provável que gametas ou plânulas deste gênero possam sobreviver por muito tempo dentro de tanques de lastro, já que suas plânulas são viáveis por um período de três a 14 antes do assentamento”, disse Lopes.

 

No Brasil, esse gênero é reportado desde o fim da década de 1980, quando foi observado em plataformas na Bacia de Campos. Mais recentemente, o coral dominou costões da região da Ilha Grande, ao sul do estado do Rio de Janeiro. Em agosto de 2008, biólogos do Centro de Biologia Marinha da USP e do Instituto Terra e Mar registraram a ocorrência do gênero Tubastraea em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo.

 

“O rápido crescimento, a rapidez com que seus pólipos se recuperam e o potencial químico de competição do gênero são características que indicam o alto poder competitivo da espécie, aumentando sua possibilidade de expansão para outras regiões do litoral brasileiro”, disse Lopes.

 

De acordo com Lopes, o livro não será comercializado, mas distribuído para instituições de ensino e bibliotecas de todo o país. A obra também pode ser adquirida por interessados pelo telefone (61)3317-1227.

(Fábio de Castro, Agência Fapesp, 12/1)

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2 de julho de 2009 | nenhum comentário »

Invasão de joaninha asiática ameaça mais de mil espécies britânicas

Uma espécie de joaninha asiática ameaça a mais de mil espécies – entre elas, 45 joaninhas nativas – da Grã-Bretanha, de acordo com cientistas britânicos.

A Harlequin succinea, identificada pela primeira vez no país em 2004, se alimenta de várias outras espécies de insetos, inclusive de larvas de outras joaninhas, e frutos.

Cópula de Harlequin succinea. Foto: Mike Majerus

Cópula de Harlequin succinea. Foto: Mike Majerus

“A velocidade da disseminação é dramática e sem precedentes”, afirmou a pesquisadora Helen Roy, do Centro para Ecologia e Hidrologia da Grã-Bretanha.

No entanto, um estudo apresentado na Exposição Científica de Verão da Royal Society indica que parasitas de espécies nativas de joaninhas já estão se adaptando à invasora, conhecida como arlequim.

Agora, cientistas querem introduzir uma espécie de ácaro que provoca infertilidade na espécie asiática.

A joaninha-arlequim foi trazida para a Europa para ajudar no controle de pragas de outros insetos.

Desde 2005, o avanço da espécie está sendo acompanhado por um programa científico, que conta com a participação de interessados.

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“O que descobrimos é que o reduto delas é o sudeste, mas também já alcançaram Orkney, a Irlanda do Norte, o extremo oeste do País de Gales e a ponta oeste da Cornualha”, afirmou Roy.

Grande predador – Os pesquisadores também já sabem que o inseto entrou na ecologia britânica como um grande predador.

“Como não há nada que ataca essas joaninhas em especial, acreditamos que mil espécies podem ser potencialmente impactadas.”

A cientista Remy Ware, da Universidade de Cambridge, estuda medidas que possam conter o avanço frenético das joaninhas-arlequim.

Ela afirmou que alguns dos inimigos naturais desses insetos, moscas e vespas conhecidas como parasitoides, estão se adaptando para atacar também a espécie invasora.

Esses insetos botam seus ovos dentro de joaninhas, o que leva à morte delas.

“Temos indícios dos últimos dois anos que esses dois grupos podem estar se adaptando para atacar arlequins como um novo hospedeiro”, afirmou Ware.

Ácaros – Outro possível predador para os insetos é um ácaro sexualmente transmissível que provoca infertilidade em joaninhas fêmeas. Para acontecer o contágio, é preciso haver fecundação entre duas gerações de insetos.

Como as espécies nativas britânicas só produzem uma geração por ano, não há tempo hábil para que o ácaro se dissemine entre elas.

Já a joaninha asiática produz até cinco gerações por ano, o que faz dela uma presa ideal para este ácaro.

“Não estamos sugerindo introduzir um novo inimigo na Grã-Bretanha. Ele já está aqui e, com tempo, esperamos que ele ataque as arlequins”, disse Ware.

download Sudden Impact movie O grupo liderado pela cientista de Cambridge está avaliando métodos artificiais para apressar a disseminação do ácaro em joaninhas asiáticas. Para depois reintroduzí-las à vida selvagem. (Fonte: Estadão Online)


27 de maio de 2009 | nenhum comentário »

Programa vai controlar espécies invasoras para garantir a biodiversidade no Paraná

No Dia Mundial da Biodiversidade, comemorado nesta sexta-feira (22), o Paraná passa a ser o primeiro Estado brasileiro a desenvolver um programa para controle e erradicação de espécies exóticas invasoras, o que vai proteger a biodiversidade nativa. “Estas espécies exóticas dominam o espaço das nativas, diminuindo a multiplicidade da flora e também da fauna”, explicou o secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Rasca Rodrigues, que lançou o programa nesta sexta-feira (22) em Curitiba.

A iniciativa englobará todas as ações pioneiras que o Paraná vem executando desde 2005, relacionadas à prevenção, controle, monitoramento, capacitação técnica, informação, bases legais e políticas públicas sobre espécies exóticas. Espécies exóticas invasoras são aquelas que não são típicas de um ecossistema e sua presença ameaça a sobrevivência da vegetação nativa – podendo até mesmo causar a extinção das espécies locais.

O secretário Rasca Rodrigues lembrou que o Paraná foi o primeiro Estado brasileiro a regulamentar a retirada destas espécies. “O trabalho começou em 2005, com a portaria 192 do IAP, que permite a extração das espécies exóticas de Unidades de Conservação”, comentou. Além disso, o Paraná foi o primeiro Estado brasileiro a publicar uma lista com 57 espécies de plantas e 26 de animais considerados exóticos aos ecossistemas paranaenses. A portaria número 95, que reconhece oficialmente a lista, também aponta os tipos de plantios comerciais de espécies exóticas que devem adotar medidas preventivas de controle para que não se transformem em vegetação invasora.

“Hoje estas iniciativas são referência em toda América Latina”, salientou o presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Vitor Hugo Burko. Durante o lançamento, o IAP distribuiu uma publicação com a lista atualizada das espécies exóticas invasoras para o Paraná. “Muitas pessoas não fazem idéia do quanto as espécies exóticas comprometem a biodiversidade no Paraná. O papel do Ibama neste processo é reforçar e apoiar o IAP e a Secretaria de Meio Ambiente nesta iniciativa”, disse o superintendente do Ibama, José Álvaro Carneiro.

MONITORAMENTO – Segundo a coordenadora do Programa de Espécies Invasoras para a América do Sul da organização não-governamental “The Nature Conservancy” e fundadora do Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental, engenheira florestal Silvia Ziller, o Paraná é o Estado mais avançado da América Latina na erradicação de espécies exóticas invasoras.

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“Sem sombra de dúvida o Paraná é hoje o Estado brasileiro mais avançado em termos legais e no estabelecimento de procedimentos técnicos para a erradicação de espécies invasoras. Além disso, estamos orientando os Estados de Santa Catarina, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rio Grande do Sul a adotarem medidas semelhantes com base no Programa paranaense”, disse Sílvia Ziller.

EXEMPLOS DE SUCESSO –Especialistas do mundo todo têm visitado o Parque Estadual de Vila Velha para conhecer a ação pioneira do IAP na erradicação de pinus – espécie exótica que ameaça as características naturais da área. Em 70 dias de trabalho, foram retiradas quase 500 mil árvores por meio da parceria, inédita no País, entre o órgão ambiental e a Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal do Paraná.

O objetivo da erradicação é devolver aos parques suas características naturais. “Queremos que a natureza seja o mais próxima possível do que era quando o parque foi criado, quando a vegetação predominante era o campo”, afirma o presidente do IAP, Vitor Hugo Burko, explicando que a ação inclui a orientação dos produtores rurais da região e o monitoramento contínuo para evitar novas contaminações.

O Parque Estadual do Monge –no município da Lapa – está fechado desde o dia 30 de março deste ano, para revitalização e remoção das espécies exóticas florestais que estão ameaçando a vegetação nativa do local. O IAP vai arrecadar cerca de R$ 3,5 milhões com a venda da madeira extraída do parque e os recursos serão investidos na revitalização da área.

O diretor do departamento de Meio Ambiente da companhia energética Duke Energy, Wagner Vicente Felix Ferreira, destacou que há dois anos a empresa vem realizando um trabalho de erradicação de espécies exóticas, em parceria com IAP, no Parque Estadual do Cerrado. “Identificamos a espécie exótica que estava prejudicando a vegetação nativa do Parque. Numa segunda etapa iniciamos a erradicação da espécie do capim braquiana, que inibe o nascimento da vegetação nativa, ameaçando o equilíbrio e a biodiversidade”, explicou Wagner.

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NOVIDADE – Uma parceria entre o IAP, Ibama e uma multinacional norueguesa resultará no maior programa de erradicação de espécies exóticas do Brasil em área de Mata Atlântica. Com orientação e apoio dos órgãos ambientais, a empresa irá recuperar uma área de 1.300 hectares de Mata Atlântica na Serra do Mar, no Litoral do Paraná.

O projeto Serra Nativa é desenvolvido em uma propriedade denominada Fazenda Arraial, localizada no município de Morretes. A Fazenda Arraial integra uma Área de Preservação Permanente e faz divisa com a Área de Preservação Ambiental de Guaratuba, o Parque Estadual do Marumbi e o Parque Estadual do Pau Oco. A segunda fase do projeto, que inclui o monitoramento da área, para evitar que as exóticas se reconstituam, terá seis anos de duração.

O diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do IAP, João Batista Campos – que coordena todo o trabalho do Instituto voltado a espécies invasoras no Paraná – antecipou que o próximo passo do programa, depois de lançado, é proporcionar o avanço em todas as regionais do IAP e subsídios para que possa ser utilizado como instrumento de trabalho eficaz.

Além disso, acrescentou que todas as ações já realizadas irão compor o Programa Estadual de Erradicação de Espécies Exóticas. “Estamos elaborando um plano de ação de abrangência estadual, e o reconhecimento das atividades já desenvolvidas mostra que estamos no caminho certo. São várias frentes de ação, modelo para o Brasil, e todas estas estratégias farão parte do Programa Estadual para controle de espécies exóticas invasoras”, finalizou João Batista.






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Cientistas estudam prós e contras de invasão global de minhocas

Variedades europeias e asiáticas podem proteger solos na Amazônia, mas estão dizimando espécies nativas.

Em um estudo recente, cientistas alertam para uma “invasão global de minhocas” e dizem que espécies “alienígenas” já conquistaram quase todos os continentes.

Segundo a pesquisa, publicada pela revista “Soil Biology & Biochemistry”, espécies invasoras estão vencendo a competição com animais locais e se adaptando mais rapidamente a terrenos desmatados e cultivados, mudando a estrutura dos solos.

Os cientistas tentam entender como as minhocas estão fazendo isso e, mais importante, o impacto que têm sobre os solos e a sobrevivência de outras espécies.

“A invasão de minhocas não-nativas é um fenômeno verdadeiramente global, no qual espécies invasoras estão chegando a todos os continentes, com exceção da Antártica”, disse à BBC Bruce Snyder, da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos.

A maior parte das florestas da América do Norte, por exemplo, foi um dia desprovida de minhocas. Quando os europeus colonizaram a região, introduziram inadvertidamente espécies europeias que vinham nos navios e na terra usada para transportar plantas.

Essas novas espécies continuam “ganhando terreno” e, segundo Snyder, “estão invadindo também florestas no norte de Wisconsin, em Minnesota, Nova York e partes do Canadá”.

No ano passado, uma pesquisa publicada na revista “Human Ecology” afirmou que as minhocas invasoras podem alterar os ciclos de carbono e nitrogênio nos bosques, assim como minar espécies de plantas nativas.

Mas outro estudo, também publicado em 2011, descobriu que minhocas “alienígenas” podem ter um impacto positivo em seus novos ambientes. O levantamento analisou o papel dos animais no ciclo de carbono das florestas tropicais e concluiu que essas criaturas ajudam a manter o carbono no solo.

Competição
Além das minhocas europeias, as asiáticas estão chegando às florestas dos Estados Unidos e Canadá.

Um estudo recente diz que a espécie asiática Amynthas hilgendorfi, que está invadindo as florestas do estado do Michigan, cresce mais rapidamente no novo ambiente e aumenta a concentração de formas minerais de nitrogênio e fósforo no solo.

No entanto, isso faz com que detritos na floresta se decomponham mais lentamente.

Outras observações feitas pela equipe sugerem que a A. hilgendorfi pode deslocar as espécies nativas e se tornar a única presente, uma hipótese confirmada pelo pesquisador Bruce Snyder e seus colegas.

Snyder descobriu que as espécies invasoras e nativas competem pelo mesmo tipo de material em decomposição.

No entanto, a nativa, que fica mais restrita à superfície do solo, acaba morrendo quase três meses mais cedo que o normal, por conta da maior competição por recursos.

As invasoras, por outro lado, cavam regiões mais profundas do solo em busca de alimento.

“Esse estudo, combinado com outros, sugere que a invasão de minhocas pode mudar direta ou indiretamente a forma como o carbono é armazenado nos solos, além de danificar plantas nativas e a biodiversidade animal, e causar problemas de erosão”, explicou o pesquisador.

Adaptação
Na floresta amazônica, no entanto, a invasão da espécie Pontoscolex corethrurus está modificando o comportamento do solo em regiões desmatadas e protegendo da erosão áreas expostas.

Essa espécie pode se reproduzir rapidamente, com cada adulto produzindo cerca de 80 casulos (ou ovos) por ano, em comparação com um número bem inferior gerado pela maioria das minhocas.

De acordo com o professor Patrick Lavelle, das academias Francesa e Europeia de Ciências, “esse verme é adaptado às novas condições criadas pelo desmatamento e pelo cultivo, o que não era o caso das espécies nativas”.

Lavelle acaba de publicar um estudo sobre o impacto dessa minhoca nos solos desmatados da Amazônia.

Os pesquisadores descobriram que esses animais podem aumentar os níveis de minerais no solo e estimular o crescimento de plantas, mas há um preço a pagar.

“O problema é que as espécies nativas provavelmente não voltarão. E é sempre ruim perder espécies”, disse Lavelle à BBC.

A perda de espécies é especialmente negativa porque as minhocas “invasoras” podem estar dizimando espécies que os cientistas ainda não conseguiram identificar.

Minhocas  (Foto: BBC)

Espécies invasoras podem estar dizimando minhocas ainda nem identificadas pelos cientistas (Foto: BBC)

Fonte: Globo Natureza


14 de janeiro de 2012 | nenhum comentário »

Ilha de Montecristo, na Itália, é invadida por ratos

Um exército de ratos invadiu a ilha italiana de Montecristo, no arquipélago toscano, num ataque que nem mesmo o escritor francês Alexandre Dumas poderia ter imaginado na sua famosa obra “O conde de Monte Cristo”, informou nesta sexta-feira (13) o jornal “Corriere della Sera”.

A ilha, que tem apenas 10 quilômetros quadrados, é uma área protegida e considerada uma reserva natural biogenética. Os roedores chegaram ao local a bordo de navios e se reproduziram de maneira muito rápida.

Segundo o jornal, existe um rato por metro quadrado na ilha que inspirou Dumas, o que pode ameaçar o ecossistema do local. Para solucionar o problema, as autoridades usarão um avião para jogar 27 toneladas de alimentos envenenados em Montecristo.

O método escolhido foi duramente criticado por associações a favor dos animais e pelo campeão de pesca submarina Carlo Gasparri, quem escreveu uma carta à Promotoria da capital da Toscana, Florença, na qual afirma que o veneno utilizado é contraproducente.

“O produto é altamente tóxico para os organismos marinhos e pode provocar efeitos negativos no ambiente a longo prazo. Além disso, é uma substância que demora muito para desaparecer do ambiente”, afirmou Gasparri.

O praticante de pesca submarina também disse que o veneno é um risco para os milhares de turistas que desembarcam em Montecristo no verão para uma visita guiada. Ele propõe que seja usado um veneno mais leve.

Na ilha, onde vive um vigia com sua família, há uma vila do século XVIII, as ruínas de um antigo mosteiro e a gruta onde viveu no século V o Bispo de Palermo, São Maximiliano. 

Fonte: Portal iG


29 de julho de 2011 | nenhum comentário »

BDRJ Meio Ambiente: secretaria cria lista de espécies exóticas invasoras

Lista traz organismos que se encontram fora da sua área natural no estado.
Governo disponibilizou na internet lista preliminar para consulta pública.

Presentes em mais de cem unidades de conservação do Brasil, as espécies exóticas invasoras representam uma ameaça à biodiversidade. Por isso, a Secretaria estadual do Ambiente do Rio de Janeiro está desenvolvendo uma lista dessas espécies para facilitar o controle e erradicação dessa vegetação no estado.

As espécies exóticas invasoras são organismos (fungos, plantas e animais, assim como seres vivos microscópicos) que se encontram fora da sua área natural de distribuição, por dispersão acidental ou intencional.

Pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) desenvolveram uma lista preliminar, que foi aperfeiçoada pela Secretaria do Ambiente e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Ela está disponível para consulta pública no site oficial do órgão http://www.rj.gov.br/web/sea/exibeConteudo?article-id=538365

De acordo com a Secretaria, o público pode opinar nesta lista, pedindo a inclusão de novas espécies ou a exclusão de outras que estejam na lista indevidamente. As contribuições podem ser enviadas para o e-mail até o dia 8 de setembro. Depois disso, a lista final será concluída e será iniciada uma campanha de conscientização.

Fonte: Bom dia Rio


17 de março de 2011 | nenhum comentário »

A invasão dos javalis

Atividade hoje proibida, o abate do javali começa a ser defendido como solução para um problema que já tira o sono de ambientalistas do Rio.

Em alerta enviado à Secretaria estadual do Ambiente, o engenheiro agrônomo Rafael Salerno, coordenador de um grupo de trabalho sobre o tema em Minas Gerais, ressalta a necessidade de uma ação imediata para controlar a proliferação destes mamíferos em unidades de conservação fluminenses. E lembra que o javali (Sus scrofa), invasor de origem europeia, já atacou pessoas e causou danos a plantações. Além disso, pode ser hospedeiro de doenças, colocando em risco espécies nativas.

 

O Globo apurou que já há registros de suídeos – animais resultados de cruzamentos, os “javaporcos” – no Noroeste Fluminense e na Região Serrana. Rafael Salerno ressalta que a discussão está inserida em um terreno bastante polêmico, por se tratar de um animal bem quisto aos olhos da maioria – e de alto valor comercial -, ao contrário de outros invasores, como ratazanas e caramujos africanos.

 

- Não posso ser contra a garantia de sobrevivência dos pequenos produtores. Mas estamos diante de um sério problema, que poderá se agravar de nenhuma atitude for tomada. O javali é considerado uma das 100 piores espécies invasoras – afirma o estudioso, em referência à lista do Invasive Species Specialist Group (ISSG). – A taxa de reprodução destes mamíferos é muito alta. Estima-se que a população dobre a cada seis meses. Apenas para manter o número atual, seria necessário abater 70% da população anualmente.

 

Além disso, com a população de onças cada vez mais reduzida, os javalis estão sem predadores.

 

APA de Friburgo tem mais de 600 javalis

A situação mais preocupante no estado é a da Área de Proteção Ambiental (APA) de Macaé de Cima, em Nova Friburgo. Um proprietário cria cerca de 600 javalis em uma fazenda dentro da unidade, o que é proibido por lei.

 

- Há um criadouro comercial que até hoje não apresentou a licença. O processo corre no Ibama e se arrasta há quase quatro anos. Em caso de fuga, podemos ter graves problemas – afirma o chefe da APA, Carlos Henrique Martins.

 

No Noroeste Fluminense, mais problemas. A secretária de Meio Ambiente de Porciúncula, Maria de Lourdes Alves de Souza, relata casos de destruição de cultivos.

 

- Os bichos estão acabando com as plantações. Os proprietários chegaram a fazer armadilhas, mas não conseguem controlar a proliferação. Para piorar, estão se misturando com porcos comuns, resultando em uma espécie bastante agressiva – diz ela.

 

Em 2005, o Ibama liberou, por instrução normativa, abate e captura dos javalis e porcos asselvajados no Rio Grande do Sul, estado com maior incidência da espécie no Brasil. Mas, ano passado, a decisão foi revogada. A argumentação: estudos mais aprofundados são necessários para se chegar a uma conclusão sobre a forma de controlar a praga.

 

- Não dá para entender esta postura do Ibama – critica Rafael Salerno. – Por que o órgão, sabendo que se trata de um animal exótico, invasor, proibiu o abate? Javali não é uma espécie de caça no Brasil. É um animal nocivo e precisa ser abatido.

 

O Ibama não retornou às ligações do Globo para comentar o assunto. Proprietário da Fazenda Palmira, no município de Serra Azul, interior de São Paulo, João Carlos Prada importou 44 animais – 40 fêmeas e quatro machos – da França em 1997, com a

anuência do Ministério da Agricultura. Um ano depois, o Ibama proibiu a abertura de novos criadouros. Ele defende a liberação do abate para controlar a população.

 

- Em todo o lugar do mundo o abate é autorizado, menos aqui – ressalta Prada, que vende carne de javali a amigos por R$ 10 o quilo. – Tem de haver um controle. Eu mesmo faço umas armadilhas de vez em quando. E, como não posso negociar os animais, deixo crescer, defumo e vendo carne defumada. Dá menos doença que o porco confinado – garante.

 

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra- RS) depõe contra a defesa de João Prada. “No Brasil, os mamíferos foram identificados como importantes reservatórios de Trypanossoma

evansi (responsável pela doença conhecida como mal de cadeiras) e Trypanossoma cruzi (agente etiológico da doença de Chagas), na região do Pantanal”, diz o texto.

 

Ataques fatais de javalis são um problema já registrado no Brasil. Em outubro do ano passado, um lavrador foi morto na região rural do município de Ibiá, a 329 quilômetros de Belo Horizonte (MG).

(O Globo)


8 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Cães soltos ameaçam vida selvagem, diz bióloga

A bióloga Julie Young e mais quatro cientistas afirmam que cães soltos representam uma ameaça à vida selvagem, especialmente as espécies em risco de extinção.

A introdução de animais não nativos em um ecossistema coloca-o em perigo, mas até então os cães não eram vistos sob esse mesmo prisma.

“Temos a tendência de negligenciar o impacto dos cães na vida selvagem porque os vemos como nossos companheiros”, diz Young, coautora do estudo publicado no jornal “BioScience”.

A bióloga cita um exemplo no estado norte-americano de Idaho, onde a presença de cães soltos diminuiu a população de veados. No Colorado, outro estudo indica que linces estão se distanciando de suas trilhas, que passaram a ser usadas por humanos e seus cachorros de estimação.

Na reserva de Navajo, no Arizona, os cães perseguem o gado local e reduzem o número de pequenos mamíferos como os coelhos, além de disseminar doenças entre animais e seres humanos.

A questão chamou a atenção de Young quando ela estudava três espécies ameaçadas de extinção na Ásia Central: carneiro selvagem, gazelas e antílopes.

A taxa significativa de ferimentos e morte desses animais por cães soltos fez com que a bióloga e seus colegas estudassem a situação como se fosse um fenômeno mundial.

Eles descobriram que os cães, estimados em 500 milhões no mundo todo, podem causar mais danos aos animais selvagens e ao gado do que os lobos e outros predadores.

Young cita um estudo que concluiu que cães soltos provocaram uma série de mortes de gado nas montanhas bascas entre a Espanha e a França. Por meio de testes genéticos, ficou provado que os cães, e não os lobos, causaram o problema.

Fonte: Folha.com

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15 de janeiro de 2010 | nenhum comentário »

Intrusos catalogados

Livro aborda presença de espécies exóticas no mar brasileiro

O livro “Informe sobre as Espécies Exóticas Invasoras Marinhas no Brasil”, lançado em dezembro, é o mais amplo inventário científico produzido até hoje sobre essas espécies que frequentemente se tornam pragas, gerando prejuízos para o país.

 

Segundo o professor Rubens Lopes, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), editor científico da obra, o objetivo é incentivar a prevenção, o controle e o monitoramento das espécies exóticas invasoras marinhas.

 

A publicação é resultado de uma parceria entre a USP, a Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Marinha do Brasil.

 

“Desde a Convenção da Diversidade Biológica, assinada durante a conferência Rio 92, a questão das espécies exóticas invasoras começou a ser debatida internacionalmente. E o texto da convenção determinava que as nações deveriam impedir a introdução das espécies exóticas que ameaçassem os ecossistemas e realizar seu controle ou erradicação”, disse à Agência Fapesp.

 

Uma das decisões da convenção, de acordo com Lopes, que coordena o projeto “Monitoramento de alta resolução de florações de algas tóxicas”, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, foi a realização de inventários referentes à ocorrência das espécies exóticas invasoras, além da sua prevenção, erradicação e controle.

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“Em função disso, em meados de 2003, o MMA decidiu realizar inventários sobre as espécies invasoras em cinco subprojetos: Ambientes Marinhos, Águas Continentais, Ambientes Terrestres, Sistemas de Produção e Saúde Humana”, explicou.

 

O pesquisador ficou responsável por coordenar o grupo que faria o inventário das espécies marinhas. Em 2005, o MMA realizou, por meio do Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica (Probio), um simpósio nacional sobre as espécies exóticas invasoras.

 

“Com isso, houve uma sinalização de que seria interessante publicar esses resultados. Até que no início de 2008 começou o projeto de publicação. O livro sobre os ambientes marinhos foi o primeiro a ser lançado, pois o relatório do nosso grupo estava mais adiantado. Atualizamos as informações que constavam no relatório do Probio e editamos a obra com apoio técnico do MMA”, disse.

 

A publicação tem vários capítulos distribuídos em dois grandes conjuntos de dados: um deles relacionado às espécies propriamente ditas e o segundo voltado à estrutura brasileira para enfrentá-las. “São vários autores. Cada capítulo tem um ou mais coordenadores e a participação de estudantes”, contou.

 

O livro traz uma pequena parte conceitual introdutória, que explica os métodos utilizados para a prospecção das informações e apresenta estatísticas gerais sobre a ocorrência das espécies. “Depois vêm os quatro capítulos temáticos que tratam de diferentes grupos – plânctons, macroalgas, zoobentos e peixes – e o capítulo final que é um diagnóstico sobre a estrutura de prevenção e controle existente no Brasil.”

 

Transporte marinho

 

Em termos de volume de informação a maior parte do livro é composta pelas chamadas fichas de espécies. “O livro traz as fichas de 58 espécies identificadas como exóticas, com todas as informações disponíveis sobre elas – a descrição de como ocorreu a introdução, dados sobre a ecologia e a biologia das espécies, informações sobre os registros delas no Brasil e sobre os seus possíveis vetores de introdução e dispersão”, disse Lopes.

 

Embora o livro apresente 58 espécies exóticas, apenas nove foram caracterizadas como invasoras de fato. “Só definimos uma espécie como invasora quando se trata de um organismo que está causando algum tipo de impacto mensurável, seja ele ecológico, socioeconômico, cultural ou na saúde”, explicou.

 

O professor do Instituto Oceanográfico da USP destaca que os principais vetores de introdução das espécies marinhas exóticas estão ligados ao transporte marítimo.

 

“Isso ficou muito claro para nós. O impacto do transporte marinho é muito grande na introdução dessas espécies. E ele ocorre por meio da água de lastro – despejada em quantidades imensas na costa brasileira -, como por incrustação nos cascos de navios e plataformas de petróleo”, disse.

 

Outro vetor importante, segundo ele, é a aquicultura. “A atividade traz organismos exóticos que acabam sendo lançados no ambiente natural e se tornam invasores”, afirmou.

 

Uma das espécies exóticas invasoras mencionadas no livro é a macroalga Caulerpa scalpelliformis denticulata, cujo limite de distribuição no Brasil, ao sul, era o estado do Espírito Santo. Em 2001, a espécie foi documentada na baía de Ilha Grande (RJ). Segundo Lopes, desde seu aparecimento, essa alga vem aumentando rapidamente sua área de distribuição, chegando a deslocar nos costões rochosos a espécie que antes era dominante na região, a Sargassum vulgare.

 

“Justamente devido à sua propagação rápida e persistente na região, essa pode ser a primeira espécie a merecer a classificação de alga invasora no Brasil. O tráfego de embarcações seria um possível vetor da introdução dessa alga na região. Mas a aquicultura de moluscos e a aquariofilia podem ser vetores alternativos também, devido à beleza da alga, que se adapta muito bem em aquários”, explicou.

 

Outro destaque é o Isognomon bicolor, um molusco bivalve de origem caribenha que apresentou um aumento súbito de densidade em vários pontos da costa brasileira a partir da metade da década de 1990. De acordo com Lopes, o molusco foi inicialmente confundido com outra espécie da mesma família já registrada na costa brasileira, mas atualmente é considerado invasor.

 

“Trabalhamos com a hipótese de que a introdução ocorreu entre as décadas de 1970 e 1980 nas regiões Sudeste e Sul do Brasil. A expansão populacional deve ter ocorrido durante a transição para a década de 1990 com a ampliação da distribuição geográfica da espécie no Brasil e a ocupação dos costões rochosos, disputando espaço e reduzindo drasticamente a presença, antes maciça, de bivalves e de cirripédios”, disse.

 

O siri Charybdis hellerii, atualmente encontrado em vários Estados, é um exemplo de possível introdução decorrente do aumento do tráfego naval. Pequenos espécimes podem ter sido transportados na água de lastro de navios, segundo Lopes.

 

“Essa hipótese é corroborada pelo fato de essa espécie ter sido encontrada em áreas onde há grande fluxo de navios petroleiros que partem ou chegam do Oriente Médio. No Sudeste do Brasil, a introdução ocorreu, provavelmente, entre 1993 e 1994. Outra hipótese é que tenha sido introduzido por meio da água de lastro no Caribe e a partir daí as larvas chegaram ao Brasil pelas correntes marinhas”, disse.

 

O coral Tubastraea tagusensis, de acordo com Lopes, foi introduzido acidentalmente por incrustação em plataformas de petróleo e também, possivelmente, pelo transporte em cascos de navios. “Parece pouco provável que gametas ou plânulas deste gênero possam sobreviver por muito tempo dentro de tanques de lastro, já que suas plânulas são viáveis por um período de três a 14 antes do assentamento”, disse Lopes.

 

No Brasil, esse gênero é reportado desde o fim da década de 1980, quando foi observado em plataformas na Bacia de Campos. Mais recentemente, o coral dominou costões da região da Ilha Grande, ao sul do estado do Rio de Janeiro. Em agosto de 2008, biólogos do Centro de Biologia Marinha da USP e do Instituto Terra e Mar registraram a ocorrência do gênero Tubastraea em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo.

 

“O rápido crescimento, a rapidez com que seus pólipos se recuperam e o potencial químico de competição do gênero são características que indicam o alto poder competitivo da espécie, aumentando sua possibilidade de expansão para outras regiões do litoral brasileiro”, disse Lopes.

 

De acordo com Lopes, o livro não será comercializado, mas distribuído para instituições de ensino e bibliotecas de todo o país. A obra também pode ser adquirida por interessados pelo telefone (61)3317-1227.

(Fábio de Castro, Agência Fapesp, 12/1)

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2 de julho de 2009 | nenhum comentário »

Invasão de joaninha asiática ameaça mais de mil espécies britânicas

Uma espécie de joaninha asiática ameaça a mais de mil espécies – entre elas, 45 joaninhas nativas – da Grã-Bretanha, de acordo com cientistas britânicos.

A Harlequin succinea, identificada pela primeira vez no país em 2004, se alimenta de várias outras espécies de insetos, inclusive de larvas de outras joaninhas, e frutos.

Cópula de Harlequin succinea. Foto: Mike Majerus

Cópula de Harlequin succinea. Foto: Mike Majerus

“A velocidade da disseminação é dramática e sem precedentes”, afirmou a pesquisadora Helen Roy, do Centro para Ecologia e Hidrologia da Grã-Bretanha.

No entanto, um estudo apresentado na Exposição Científica de Verão da Royal Society indica que parasitas de espécies nativas de joaninhas já estão se adaptando à invasora, conhecida como arlequim.

Agora, cientistas querem introduzir uma espécie de ácaro que provoca infertilidade na espécie asiática.

A joaninha-arlequim foi trazida para a Europa para ajudar no controle de pragas de outros insetos.

Desde 2005, o avanço da espécie está sendo acompanhado por um programa científico, que conta com a participação de interessados.

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“O que descobrimos é que o reduto delas é o sudeste, mas também já alcançaram Orkney, a Irlanda do Norte, o extremo oeste do País de Gales e a ponta oeste da Cornualha”, afirmou Roy.

Grande predador – Os pesquisadores também já sabem que o inseto entrou na ecologia britânica como um grande predador.

“Como não há nada que ataca essas joaninhas em especial, acreditamos que mil espécies podem ser potencialmente impactadas.”

A cientista Remy Ware, da Universidade de Cambridge, estuda medidas que possam conter o avanço frenético das joaninhas-arlequim.

Ela afirmou que alguns dos inimigos naturais desses insetos, moscas e vespas conhecidas como parasitoides, estão se adaptando para atacar também a espécie invasora.

Esses insetos botam seus ovos dentro de joaninhas, o que leva à morte delas.

“Temos indícios dos últimos dois anos que esses dois grupos podem estar se adaptando para atacar arlequins como um novo hospedeiro”, afirmou Ware.

Ácaros – Outro possível predador para os insetos é um ácaro sexualmente transmissível que provoca infertilidade em joaninhas fêmeas. Para acontecer o contágio, é preciso haver fecundação entre duas gerações de insetos.

Como as espécies nativas britânicas só produzem uma geração por ano, não há tempo hábil para que o ácaro se dissemine entre elas.

Já a joaninha asiática produz até cinco gerações por ano, o que faz dela uma presa ideal para este ácaro.

“Não estamos sugerindo introduzir um novo inimigo na Grã-Bretanha. Ele já está aqui e, com tempo, esperamos que ele ataque as arlequins”, disse Ware.

download Sudden Impact movie O grupo liderado pela cientista de Cambridge está avaliando métodos artificiais para apressar a disseminação do ácaro em joaninhas asiáticas. Para depois reintroduzí-las à vida selvagem. (Fonte: Estadão Online)


27 de maio de 2009 | nenhum comentário »

Programa vai controlar espécies invasoras para garantir a biodiversidade no Paraná

No Dia Mundial da Biodiversidade, comemorado nesta sexta-feira (22), o Paraná passa a ser o primeiro Estado brasileiro a desenvolver um programa para controle e erradicação de espécies exóticas invasoras, o que vai proteger a biodiversidade nativa. “Estas espécies exóticas dominam o espaço das nativas, diminuindo a multiplicidade da flora e também da fauna”, explicou o secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Rasca Rodrigues, que lançou o programa nesta sexta-feira (22) em Curitiba.

A iniciativa englobará todas as ações pioneiras que o Paraná vem executando desde 2005, relacionadas à prevenção, controle, monitoramento, capacitação técnica, informação, bases legais e políticas públicas sobre espécies exóticas. Espécies exóticas invasoras são aquelas que não são típicas de um ecossistema e sua presença ameaça a sobrevivência da vegetação nativa – podendo até mesmo causar a extinção das espécies locais.

O secretário Rasca Rodrigues lembrou que o Paraná foi o primeiro Estado brasileiro a regulamentar a retirada destas espécies. “O trabalho começou em 2005, com a portaria 192 do IAP, que permite a extração das espécies exóticas de Unidades de Conservação”, comentou. Além disso, o Paraná foi o primeiro Estado brasileiro a publicar uma lista com 57 espécies de plantas e 26 de animais considerados exóticos aos ecossistemas paranaenses. A portaria número 95, que reconhece oficialmente a lista, também aponta os tipos de plantios comerciais de espécies exóticas que devem adotar medidas preventivas de controle para que não se transformem em vegetação invasora.

“Hoje estas iniciativas são referência em toda América Latina”, salientou o presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Vitor Hugo Burko. Durante o lançamento, o IAP distribuiu uma publicação com a lista atualizada das espécies exóticas invasoras para o Paraná. “Muitas pessoas não fazem idéia do quanto as espécies exóticas comprometem a biodiversidade no Paraná. O papel do Ibama neste processo é reforçar e apoiar o IAP e a Secretaria de Meio Ambiente nesta iniciativa”, disse o superintendente do Ibama, José Álvaro Carneiro.

MONITORAMENTO – Segundo a coordenadora do Programa de Espécies Invasoras para a América do Sul da organização não-governamental “The Nature Conservancy” e fundadora do Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental, engenheira florestal Silvia Ziller, o Paraná é o Estado mais avançado da América Latina na erradicação de espécies exóticas invasoras.

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“Sem sombra de dúvida o Paraná é hoje o Estado brasileiro mais avançado em termos legais e no estabelecimento de procedimentos técnicos para a erradicação de espécies invasoras. Além disso, estamos orientando os Estados de Santa Catarina, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rio Grande do Sul a adotarem medidas semelhantes com base no Programa paranaense”, disse Sílvia Ziller.

EXEMPLOS DE SUCESSO –Especialistas do mundo todo têm visitado o Parque Estadual de Vila Velha para conhecer a ação pioneira do IAP na erradicação de pinus – espécie exótica que ameaça as características naturais da área. Em 70 dias de trabalho, foram retiradas quase 500 mil árvores por meio da parceria, inédita no País, entre o órgão ambiental e a Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal do Paraná.

O objetivo da erradicação é devolver aos parques suas características naturais. “Queremos que a natureza seja o mais próxima possível do que era quando o parque foi criado, quando a vegetação predominante era o campo”, afirma o presidente do IAP, Vitor Hugo Burko, explicando que a ação inclui a orientação dos produtores rurais da região e o monitoramento contínuo para evitar novas contaminações.

O Parque Estadual do Monge –no município da Lapa – está fechado desde o dia 30 de março deste ano, para revitalização e remoção das espécies exóticas florestais que estão ameaçando a vegetação nativa do local. O IAP vai arrecadar cerca de R$ 3,5 milhões com a venda da madeira extraída do parque e os recursos serão investidos na revitalização da área.

O diretor do departamento de Meio Ambiente da companhia energética Duke Energy, Wagner Vicente Felix Ferreira, destacou que há dois anos a empresa vem realizando um trabalho de erradicação de espécies exóticas, em parceria com IAP, no Parque Estadual do Cerrado. “Identificamos a espécie exótica que estava prejudicando a vegetação nativa do Parque. Numa segunda etapa iniciamos a erradicação da espécie do capim braquiana, que inibe o nascimento da vegetação nativa, ameaçando o equilíbrio e a biodiversidade”, explicou Wagner.

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NOVIDADE – Uma parceria entre o IAP, Ibama e uma multinacional norueguesa resultará no maior programa de erradicação de espécies exóticas do Brasil em área de Mata Atlântica. Com orientação e apoio dos órgãos ambientais, a empresa irá recuperar uma área de 1.300 hectares de Mata Atlântica na Serra do Mar, no Litoral do Paraná.

O projeto Serra Nativa é desenvolvido em uma propriedade denominada Fazenda Arraial, localizada no município de Morretes. A Fazenda Arraial integra uma Área de Preservação Permanente e faz divisa com a Área de Preservação Ambiental de Guaratuba, o Parque Estadual do Marumbi e o Parque Estadual do Pau Oco. A segunda fase do projeto, que inclui o monitoramento da área, para evitar que as exóticas se reconstituam, terá seis anos de duração.

O diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do IAP, João Batista Campos – que coordena todo o trabalho do Instituto voltado a espécies invasoras no Paraná – antecipou que o próximo passo do programa, depois de lançado, é proporcionar o avanço em todas as regionais do IAP e subsídios para que possa ser utilizado como instrumento de trabalho eficaz.

Além disso, acrescentou que todas as ações já realizadas irão compor o Programa Estadual de Erradicação de Espécies Exóticas. “Estamos elaborando um plano de ação de abrangência estadual, e o reconhecimento das atividades já desenvolvidas mostra que estamos no caminho certo. São várias frentes de ação, modelo para o Brasil, e todas estas estratégias farão parte do Programa Estadual para controle de espécies exóticas invasoras”, finalizou João Batista.