20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Agricultura moderna e urbanização levam à perda da biodiversidade do solo

Lavoura em Moçambique; más práticas agrícolas arruinaram cerca de metade do solo superficial na África

Lavoura em Moçambique; más práticas agrícolas arruinaram cerca de metade do solo superficial na África. Jon Hrusa/Epa

Poucas coisas são mais vitais do que a saúde da terra. Nosso abastecimento alimentar começa lá. As plantas selvagens precisam de solo saudável para crescer bem. Os herbívoros, para que possam comer as folhas, sementes e frutos das plantas. Por fim, os predadores, para que possam comer os bichos que comem as plantas.

Um solo saudável evita doenças humanas e também contém a cura para outras enfermidades. A maioria dos antibióticos vem de lá. Os cientistas agora procuram na terra uma nova classe de remédios para enfrentar doenças resistentes a antibióticos.

O solo supostamente desempenha um papel importante, mas pouco compreendido, na difusão do cólera, da meningite fúngica e de outros agentes infecciosos que passam parte do seu ciclo de vida na terra.

Novas tecnologias garantiram saltos na nossa compreensão sobre a ecologia dos solos, ao permitir que os cientistas estudem os genes de micróbios da terra e acompanhem minúsculas quantidades de carbono e nitrogênio em sua passagem por esse ecossistema.

Mas, à medida que os cientistas aprendem mais, eles percebem como sabem pouco.

Na última década, os cientistas descobriram que o “oceano de terra” do planeta é um dos quatro maiores reservatórios de biodiversidade. Ele contém quase um terço de todos os organismos vivos, segundo o Centro de Pesquisas Conjuntas da União Europeia, mas apenas cerca de 1% dos seus micro-organismos já foi identificado. As relações entre essa miríade de espécies ainda é mal compreendida.

Cientistas criaram recentemente a Iniciativa Global de Biodiversidade do Solo para avaliar o que se sabe sobre a vida subterrânea, para identificar onde ela está em perigo e para determinar a saúde dos serviços ecossistêmicos essenciais que o solo fornece.

Uma colherada de terra pode conter bilhões de micróbios (divididos entre 5.000 tipos diferentes), assim como milhares de espécies de fungos e protozoários, além de nematódeos, ácaros e algumas espécies de cupim.

“Há uma pululante organização embaixo do chão, uma fábrica com terra, animais e micróbios, cada um com seu próprio papel”, disse a bióloga Diana Wall, da Universidade Estadual do Colorado, a presidente científica da iniciativa.

O ecossistema do solo é altamente evoluído e sofisticado. Ele processa o lixo orgânico, transformando-o em terra. Filtra e limpa grande parte da água que bebemos e do ar que respiramos, ao reter poeiras e agentes patogênicos. Desempenha importante papel na quantidade de dióxido de carbono na atmosfera, pois, com toda a sua matéria orgânica, é o segundo maior depósito de carbono do planeta, só atrás dos oceanos.

O uso de arados, a erosão e outros fatores liberam carbono na forma de CO2, exacerbando a mudança climática.

Um estudo de 2003 na revista “Ecosystems” estimou que a biodiversidade de quase 5% do solo dos EUA estava “sob risco de perda substancial ou completa extinção devido à agricultura e à urbanização”. Essa foi provavelmente uma estimativa conservadora, já que o solo do planeta era na época mais inexplorado do que hoje e as técnicas do estudo eram bem menos desenvolvidas.

Há numerosas ameaças à vida no solo. A agricultura moderna é uma das maiores, pois priva a terra da matéria orgânica que a alimenta, resseca o chão e o contamina com pesticidas, herbicidas e nitrogênio sintético.

A impermeabilização em áreas urbanas também destrói a vida da terra, assim como a poluição e as máquinas pesadas. Uma ameaça já antiga, como a chuva ácida, continua afetando a vida subterrânea, pois deixa o solo mais ácido.

O problema é global. Em quase metade da África, por exemplo, o uso intensivo para lavouras e pastagens destruiu a camada superior do solo e causou desertificação.

O aquecimento global irá contribuir para as ameaças à biodiversidade do solo. A segurança alimentar é uma grande preocupação. O que irá acontecer com as lavouras à medida que o planeta se aquecer? Ligeiras alterações de temperatura e umidade podem ter impactos profundos, mudando a composição da vida no solo e os tipos de plantas que poderão crescer.

Algumas plantas devem gradualmente migrar para climas mais frios, mas outras podem não ser capazes de se adaptar em novos solos. “O mundo acima do chão e o mundo abaixo dele estão muito estreitamente ligados”, disse Wall.

Os cientistas também estão descobrindo que um ecossistema saudável no solo pode ajudar a sustentar as plantas naturalmente, sem insumos químicos. “Quanto maior é a diversidade do solo, menos doenças surgem nas plantas”, disse Eric Nelson, que estuda a ecologia do solo e das doenças na Universidade Cornell, no Estado de Nova York. Os insetos também são refreados por plantas que crescem em terra saudável, segundo ele.

O que agricultores e jardineiros podem fazer para proteger seus solos? Wall sugere não lavrar a terra, deixando que a vegetação morta se decomponha, em vez de revolver o solo com o arado a cada ano. Evitar produtos químicos sintéticos é importante. Agregar adubo, especialmente adubo de minhoca, pode contribuir para fortalecer os ecossistemas da terra.

O tema está começando a atrair a atenção merecida. Wall acaba de receber o Prêmio Tyler de Realização Ambiental, com uma dotação de US$ 200 mil, que ela diz pretender usar em pesquisas. “É a hora do show para a biodiversidade do solo”, disse ela.

Fonte: Folha.com


13 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Árvores não são bem estudadas’, critica jornalista americano

Jim Robbins falou no segundo dia de palestras do TEDxRio+20.
Após 2 anos de expedição, biólogo montou banco de dados sobre plâncton.

Jim Robbins falou no segundo dia de palestras do TEDxRio+20 (Foto: Lilian Quaino / G1)

Jim Robbins falou no segundo dia de palestras do TEDxRio+20 (Foto: Lilian Quaino / G1)

“Por que se preocupar com a morte das árvores? Todo cientista a quem pergunto isso diz que não sabe”, disse o jornalista americano Jim Robbins, que ao falar na manhã da última terça-feira (12) no segundo e último dia das palestras do TEDxRio+20, mostrou slides de sua casa em Montana e disse que todas as árvores que apareciam na imagem estavam mortas, principalmente por causa da elevação de dois graus na temperatura nos últimos 20 anos.

O TEDxRio+20, que começou na segunda-feira (11), faz parte do projeto Humanidade 2012, que acontece no Forte de Copacabana, na Zona Sul do Rio, num evento paralelo à Rio+20. O TEDxRio+20 reúne profissionais de todas as áreas com ideias e projetos para um mundo melhor.

Para Robbins, as árvores não foram e ainda não são bem estudadas:

“Quase nada se sabe. Entendem de produção de madeira, mas fatos sobre a árvore viva não são conhecidos”, disse ele, contando que em todas as cidades americanas há campanhas para que se plantem e preservem as árvores.

O jornalista, que escreve sobre meio ambiente, disse que as árvores bloqueiam raios ultravioleta, que causam câncer, servem como escudo para o calor e purificam a água: “Na África, grandes áreas de terra desertificada foram recuperadas com o plantio de árvores”, disse.

O biólogo Colombam de Vargas falou na TEDxRio+20 sobre sua expedição de dois anos e meio por todos os mares do planeta pesquisando o plâncton. Colomban é formado na Universidade de Genebra e mestre de pesquisa no Conselho Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), na estação biológica de Roscoff, na França. Segundo disse, ele e seus companheiros de expedição têm hoje o maior banco de dados sobre plâncton do mundo.

Colombam é um apaixonado pelo plâncton, que segundo explicou compões 98% do volume da biosfera. E é particularmente interessado em protistas, microorganismos encontrados nos plânctons que fabricam calcita e criam esqueletos, num processo em que, segundo o biólogo, inclui nanotecnologia.

 

Fonte: G1


15 de março de 2012 | nenhum comentário »

Altura de nuvens diminui e pode ajudar a baixar temperaturas

Pesquisa da Universidade de Auckland publicada na revista Geophysical Research Letters indica que na primeira década dos anos 2000 a altura média das nuvens diminuiu cerca de 1%, ou seja, entre 30 e 40 metros, e que isso pode ocasionar um processo de resfriamento do clima da Terra.

Para se chegar a essa conclusão, foram analisados dados do satélite Terra, da Nasa. Os resultados até agora mostram um complexo padrão de diminuição e elevação da altitude das nuvens em algumas regiões do globo, devido, principalmente, a fenômenos como La Niña e El Niño no Pacífico. Depois de avaliadas todas as diferenças, contudo, a tendência geral foi de diminuição.

Até recentemente, era impossível medir a alteração de altura das nuvens, o que impedia que se compreendesse a contribuição delas para a mudança climática global. “É a primeira vez que conseguimos medir com precisão a variação da altura das nuvens no planeta. Apesar de os dados ainda serem muito curtos para serem considerados definitivos, eles já fornecem um indício de que algo de muito importante está acontecendo”, explica o professor Roger Davies, pesquisador-chefe do projeto.

Efeitos em longo prazo – Uma redução consistente na altura das nuvens permitiria à Terra resfriar a temperatura na superfície de forma mais eficiente, retardando potencialmente os efeitos do aquecimento global. Para que se compreenda isso de uma maneira mais consistente, o satélite Terra seguirá coletando dados até o fim da década.

“Ainda não sabemos exatamente o que faz a altura das nuvens baixar. Se as nuvens voltarem ao nível anterior nos próximos 10 anos poderemos concluir que elas não estão influenciando nas mudanças climáticas. Mas se continuarem baixando, será algo muito significativo. Estamos ansiosos para a extensão do registro do clima”, completa o professor Davies.

Fonte: Portal Terra


25 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Espécies de pássaros sabe identificar ovos de impostores

Estudo apresentou uma série de mecanismos usados por pássaros para combater ovos intrusos em seus ninhos

O hábito de o tecelão-parasita pôr ovos no ninho de outros pássaros provoca uma corrida armamentista. O tecelão-parasita encontra formas aprimoradas de imitar os ovos do pássaro hospedeiro e este responde com novos métodos para distinguir os ovos do tecelão-parasita dos seus.

Os pássaros hospedeiros usam duas técnicas: aprimoram a capacidade de reconhecer ovos estranhos usando a visão ou variam a cor dos próprios ovos para ficar mais difícil para o tecelão-parasita imitá-los.

Cientistas liderados por Claire N. Spottiswoode, pesquisadora da Universidade de Cambridge, colocou ovos estranhos nos ninhos de três espécies aparentadas à toutinegra na região sul da Zâmbia. Depois, eles verificaram se os pássaros sabiam identificar um impostor.

A prínia-de-flancos-castanhos se saiu muito mal ao diferenciar um ovo estranho de aparência similar aos seus usando a visão. Mas os ovos da prínia têm diversas cores e uma ampla variedade de padrões e eles confiam nisso para impedir que o ovo de um tecelão-parasita fique idêntico aos deles. A fuinha-de-faces-vermelhas, por sua vez, era muito boa para identificar um ovo estranho só de ver, embora seus ovos sejam os que menos variam na aparência.

A terceira espécie, a fuinha-chocalheira, ficou entre as duas na capacidade de diferenciar e na variação da cor dos ovos. O tecelão-parasita nunca põe ovos em ninhos de fuinha-chocalheira, sugerindo que é dela a estratégia mais bem-sucedida de todas.

Spottiswoode, cujo relatório foi publicado em “The Proceedings of the Royal Society B”, traçou um paralelo entre os pássaros e humanos. “A diversidade espetacular dos ovos da prínia-de-flancos-castanhos evoluiu da mesma forma que nosso sistema imunológico evolui em resposta a patógenos. Quanto mais diversos forem os genes de resistência a doenças, melhores são as chances de escapar às suscetibilidades de uma doença”.

Fonte: Portal iG


2 de março de 2011 | nenhum comentário »

Saco plástico causa menos danos que ecobags, diz relatório

Uma pesquisa inédita do governo britânico indica que sacolas de plástico, odiadas por ambientalistas e rejeitadas por consumidores, podem não ser vilãs ecológicas.

Um relatório da Agência do Meio Ambiente britânica, obtido pelo jornal britânico “The Independent” no último domingo (27), descobriu que PEAD (polietileno de alta densidade) utilizado nas sacolas causa menos impacto ambiental do que as matérias-primas das ecobags.

Os sacos de polietileno são, a cada utilização, quase 200 vezes menos prejudiciais ao clima do que as sacolas de algodão. Além disso, emitem um terço do CO2 em comparação às sacolas de papel oferecidas pelos varejistas.

Os resultados do relatório indicam que, para equilibrar o pequeno impacto de cada saquinho, os consumidores teriam que usar a mesma sacola de algodão em todos os dias úteis do ano, ou sacolas de papel.

A maioria dos sacos de papel são utilizados apenas uma vez e o estudo levantou que sacos de algodão são usados apenas 51 vezes antes de serem descartados, tornando-se – de acordo com o novo relatório – piores que as sacolas plásticas usadas apenas uma vez.

Apesar de ter sido encomendada em 2005 e programada para publicação em 2007, a pesquisa ainda não tinha sido divulgada ao público.

Oficialmente, a Agência do Meio Ambiente disse que o relatório – “Life Cycle Assessment of Supermarket Carrier Bags”, de Chris Edwards e Meyhoff Jonna Fry – ainda está sendo revisado. No entanto, foi submetido ao processo de revisão há mais de um ano.

A agência não tem a data da publicação, mas declarou que será em breve.

all about eve download full film

O relatório queria descobrir qual dos sete tipos de sacos têm o menor impacto ambiental na poluição causada pela extração das matérias-primas, produção, transporte e eliminação.

Segundo os pesquisadores, ‘” PEAD teve o menor impacto ambiental entre as opções de uso individual em nove das dez categorias. A sacola de algodão teve um bom desempenho porque foi considerada a mais leve”.

Seis bilhões de sacolas plásticas são utilizadas em todo o Reino Unido por ano e não há dúvida de que causam problemas ambientais, como lixo e poluição marinha, utilizando petróleo. Limitar o uso e reutilizá-las reduz os danos.

Que saco devo usar? – Todos os sacos causam impacto. A melhor solução seria utilizar um saco de algodão centenas de vezes, provavelmente por anos. Para usar poucas vezes, a melhor opção é o plástico, segundo o estudo.

Fonte: Folha.com


21 de janeiro de 2011 | nenhum comentário »

Especialistas consideram como falso estudo sobre mudanças climáticas

Segundo o trabalho, a temperatura do planeta poderia aumentar 2,4 graus centígrados até 2020

Um recente estudo sobre as mudanças climáticas feito por uma organização com sede na Argentina, que projetava um aumento de temperatura de 2,4º C e uma escassez alimentar mundial generalizada na próxima década, tem erros importantes, disseram cientistas nesta quarta-feira (19/1).

O trabalho foi publicado no EurekAlert, um serviço independente para jornalistas criado pela Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, na sigla em inglês) e foi divulgado por várias agências internacionais de notícias, entre elas a AFP. A AAAS, todavia, tirou o estudo de sua página, quando um grupo de especialistas apontou erros em seu enfoque.

Segundo o estudo, publicado na terça-feira, a temperatura do planeta poderia aumentar 2,4 graus centígrados até 2020. Com esta perspectiva, a combinação do impacto das mudanças climáticas na produção agrícola e do crescimento da população mundial, que chegará aos 7,8 bilhões de indivíduos até 2020, levaria a colheitas insuficientes.

Nesse cenário, a produção mundial de trigo sofreria um déficit de 14% com relação à demanda dentro de 10 anos, enquanto “a produção global de trigo, arroz, milho e soja (cairia) entre 2,5% e 5%” na América Latina, destacou o informe.

soul surfer online divx

No entanto, um jornalista do The Guardian alertou a AAAS Ginger Pinholster sobre dúvidas relativas à matéria. “Imediatamente contatamos um especialista em mudanças climáticas, que confirmou que a informação também lhe provocava dúvidas. Rapidamente tiramos o informe do nosso site na internet e contatamos a organização que nos enviou”, disse a porta-voz da AAAS em uma mensagem eletrônica à AFP.

O climatologista Rey Weymann disse à AFP que “o estudo contém um erro importante, dado que confunde o aumento do ‘equilíbrio’ da temperatura com o ‘aumento da temperatura transitória’”.

O cientista Osvaldo Canziani, que fez parte do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), aparece como assessor científico do estudo. O IPCC, cujas cifras foram citadas como base para as projeções deste trabalho, ganhou juntamente com o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, o prêmio Nobel da Paz em 2007 por seu esforço de divulgação sobre os riscos das mudanças climáticas.

O porta-voz de Canziani disse na terça-feira que o cientista estava doente e não podia dar entrevistas.

Fonte: AFP Terra, 19/1






Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

setembro 2018
S T Q Q S S D
« mar    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930

20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Agricultura moderna e urbanização levam à perda da biodiversidade do solo

Lavoura em Moçambique; más práticas agrícolas arruinaram cerca de metade do solo superficial na África

Lavoura em Moçambique; más práticas agrícolas arruinaram cerca de metade do solo superficial na África. Jon Hrusa/Epa

Poucas coisas são mais vitais do que a saúde da terra. Nosso abastecimento alimentar começa lá. As plantas selvagens precisam de solo saudável para crescer bem. Os herbívoros, para que possam comer as folhas, sementes e frutos das plantas. Por fim, os predadores, para que possam comer os bichos que comem as plantas.

Um solo saudável evita doenças humanas e também contém a cura para outras enfermidades. A maioria dos antibióticos vem de lá. Os cientistas agora procuram na terra uma nova classe de remédios para enfrentar doenças resistentes a antibióticos.

O solo supostamente desempenha um papel importante, mas pouco compreendido, na difusão do cólera, da meningite fúngica e de outros agentes infecciosos que passam parte do seu ciclo de vida na terra.

Novas tecnologias garantiram saltos na nossa compreensão sobre a ecologia dos solos, ao permitir que os cientistas estudem os genes de micróbios da terra e acompanhem minúsculas quantidades de carbono e nitrogênio em sua passagem por esse ecossistema.

Mas, à medida que os cientistas aprendem mais, eles percebem como sabem pouco.

Na última década, os cientistas descobriram que o “oceano de terra” do planeta é um dos quatro maiores reservatórios de biodiversidade. Ele contém quase um terço de todos os organismos vivos, segundo o Centro de Pesquisas Conjuntas da União Europeia, mas apenas cerca de 1% dos seus micro-organismos já foi identificado. As relações entre essa miríade de espécies ainda é mal compreendida.

Cientistas criaram recentemente a Iniciativa Global de Biodiversidade do Solo para avaliar o que se sabe sobre a vida subterrânea, para identificar onde ela está em perigo e para determinar a saúde dos serviços ecossistêmicos essenciais que o solo fornece.

Uma colherada de terra pode conter bilhões de micróbios (divididos entre 5.000 tipos diferentes), assim como milhares de espécies de fungos e protozoários, além de nematódeos, ácaros e algumas espécies de cupim.

“Há uma pululante organização embaixo do chão, uma fábrica com terra, animais e micróbios, cada um com seu próprio papel”, disse a bióloga Diana Wall, da Universidade Estadual do Colorado, a presidente científica da iniciativa.

O ecossistema do solo é altamente evoluído e sofisticado. Ele processa o lixo orgânico, transformando-o em terra. Filtra e limpa grande parte da água que bebemos e do ar que respiramos, ao reter poeiras e agentes patogênicos. Desempenha importante papel na quantidade de dióxido de carbono na atmosfera, pois, com toda a sua matéria orgânica, é o segundo maior depósito de carbono do planeta, só atrás dos oceanos.

O uso de arados, a erosão e outros fatores liberam carbono na forma de CO2, exacerbando a mudança climática.

Um estudo de 2003 na revista “Ecosystems” estimou que a biodiversidade de quase 5% do solo dos EUA estava “sob risco de perda substancial ou completa extinção devido à agricultura e à urbanização”. Essa foi provavelmente uma estimativa conservadora, já que o solo do planeta era na época mais inexplorado do que hoje e as técnicas do estudo eram bem menos desenvolvidas.

Há numerosas ameaças à vida no solo. A agricultura moderna é uma das maiores, pois priva a terra da matéria orgânica que a alimenta, resseca o chão e o contamina com pesticidas, herbicidas e nitrogênio sintético.

A impermeabilização em áreas urbanas também destrói a vida da terra, assim como a poluição e as máquinas pesadas. Uma ameaça já antiga, como a chuva ácida, continua afetando a vida subterrânea, pois deixa o solo mais ácido.

O problema é global. Em quase metade da África, por exemplo, o uso intensivo para lavouras e pastagens destruiu a camada superior do solo e causou desertificação.

O aquecimento global irá contribuir para as ameaças à biodiversidade do solo. A segurança alimentar é uma grande preocupação. O que irá acontecer com as lavouras à medida que o planeta se aquecer? Ligeiras alterações de temperatura e umidade podem ter impactos profundos, mudando a composição da vida no solo e os tipos de plantas que poderão crescer.

Algumas plantas devem gradualmente migrar para climas mais frios, mas outras podem não ser capazes de se adaptar em novos solos. “O mundo acima do chão e o mundo abaixo dele estão muito estreitamente ligados”, disse Wall.

Os cientistas também estão descobrindo que um ecossistema saudável no solo pode ajudar a sustentar as plantas naturalmente, sem insumos químicos. “Quanto maior é a diversidade do solo, menos doenças surgem nas plantas”, disse Eric Nelson, que estuda a ecologia do solo e das doenças na Universidade Cornell, no Estado de Nova York. Os insetos também são refreados por plantas que crescem em terra saudável, segundo ele.

O que agricultores e jardineiros podem fazer para proteger seus solos? Wall sugere não lavrar a terra, deixando que a vegetação morta se decomponha, em vez de revolver o solo com o arado a cada ano. Evitar produtos químicos sintéticos é importante. Agregar adubo, especialmente adubo de minhoca, pode contribuir para fortalecer os ecossistemas da terra.

O tema está começando a atrair a atenção merecida. Wall acaba de receber o Prêmio Tyler de Realização Ambiental, com uma dotação de US$ 200 mil, que ela diz pretender usar em pesquisas. “É a hora do show para a biodiversidade do solo”, disse ela.

Fonte: Folha.com


13 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Árvores não são bem estudadas’, critica jornalista americano

Jim Robbins falou no segundo dia de palestras do TEDxRio+20.
Após 2 anos de expedição, biólogo montou banco de dados sobre plâncton.

Jim Robbins falou no segundo dia de palestras do TEDxRio+20 (Foto: Lilian Quaino / G1)

Jim Robbins falou no segundo dia de palestras do TEDxRio+20 (Foto: Lilian Quaino / G1)

“Por que se preocupar com a morte das árvores? Todo cientista a quem pergunto isso diz que não sabe”, disse o jornalista americano Jim Robbins, que ao falar na manhã da última terça-feira (12) no segundo e último dia das palestras do TEDxRio+20, mostrou slides de sua casa em Montana e disse que todas as árvores que apareciam na imagem estavam mortas, principalmente por causa da elevação de dois graus na temperatura nos últimos 20 anos.

O TEDxRio+20, que começou na segunda-feira (11), faz parte do projeto Humanidade 2012, que acontece no Forte de Copacabana, na Zona Sul do Rio, num evento paralelo à Rio+20. O TEDxRio+20 reúne profissionais de todas as áreas com ideias e projetos para um mundo melhor.

Para Robbins, as árvores não foram e ainda não são bem estudadas:

“Quase nada se sabe. Entendem de produção de madeira, mas fatos sobre a árvore viva não são conhecidos”, disse ele, contando que em todas as cidades americanas há campanhas para que se plantem e preservem as árvores.

O jornalista, que escreve sobre meio ambiente, disse que as árvores bloqueiam raios ultravioleta, que causam câncer, servem como escudo para o calor e purificam a água: “Na África, grandes áreas de terra desertificada foram recuperadas com o plantio de árvores”, disse.

O biólogo Colombam de Vargas falou na TEDxRio+20 sobre sua expedição de dois anos e meio por todos os mares do planeta pesquisando o plâncton. Colomban é formado na Universidade de Genebra e mestre de pesquisa no Conselho Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), na estação biológica de Roscoff, na França. Segundo disse, ele e seus companheiros de expedição têm hoje o maior banco de dados sobre plâncton do mundo.

Colombam é um apaixonado pelo plâncton, que segundo explicou compões 98% do volume da biosfera. E é particularmente interessado em protistas, microorganismos encontrados nos plânctons que fabricam calcita e criam esqueletos, num processo em que, segundo o biólogo, inclui nanotecnologia.

 

Fonte: G1


15 de março de 2012 | nenhum comentário »

Altura de nuvens diminui e pode ajudar a baixar temperaturas

Pesquisa da Universidade de Auckland publicada na revista Geophysical Research Letters indica que na primeira década dos anos 2000 a altura média das nuvens diminuiu cerca de 1%, ou seja, entre 30 e 40 metros, e que isso pode ocasionar um processo de resfriamento do clima da Terra.

Para se chegar a essa conclusão, foram analisados dados do satélite Terra, da Nasa. Os resultados até agora mostram um complexo padrão de diminuição e elevação da altitude das nuvens em algumas regiões do globo, devido, principalmente, a fenômenos como La Niña e El Niño no Pacífico. Depois de avaliadas todas as diferenças, contudo, a tendência geral foi de diminuição.

Até recentemente, era impossível medir a alteração de altura das nuvens, o que impedia que se compreendesse a contribuição delas para a mudança climática global. “É a primeira vez que conseguimos medir com precisão a variação da altura das nuvens no planeta. Apesar de os dados ainda serem muito curtos para serem considerados definitivos, eles já fornecem um indício de que algo de muito importante está acontecendo”, explica o professor Roger Davies, pesquisador-chefe do projeto.

Efeitos em longo prazo – Uma redução consistente na altura das nuvens permitiria à Terra resfriar a temperatura na superfície de forma mais eficiente, retardando potencialmente os efeitos do aquecimento global. Para que se compreenda isso de uma maneira mais consistente, o satélite Terra seguirá coletando dados até o fim da década.

“Ainda não sabemos exatamente o que faz a altura das nuvens baixar. Se as nuvens voltarem ao nível anterior nos próximos 10 anos poderemos concluir que elas não estão influenciando nas mudanças climáticas. Mas se continuarem baixando, será algo muito significativo. Estamos ansiosos para a extensão do registro do clima”, completa o professor Davies.

Fonte: Portal Terra


25 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Espécies de pássaros sabe identificar ovos de impostores

Estudo apresentou uma série de mecanismos usados por pássaros para combater ovos intrusos em seus ninhos

O hábito de o tecelão-parasita pôr ovos no ninho de outros pássaros provoca uma corrida armamentista. O tecelão-parasita encontra formas aprimoradas de imitar os ovos do pássaro hospedeiro e este responde com novos métodos para distinguir os ovos do tecelão-parasita dos seus.

Os pássaros hospedeiros usam duas técnicas: aprimoram a capacidade de reconhecer ovos estranhos usando a visão ou variam a cor dos próprios ovos para ficar mais difícil para o tecelão-parasita imitá-los.

Cientistas liderados por Claire N. Spottiswoode, pesquisadora da Universidade de Cambridge, colocou ovos estranhos nos ninhos de três espécies aparentadas à toutinegra na região sul da Zâmbia. Depois, eles verificaram se os pássaros sabiam identificar um impostor.

A prínia-de-flancos-castanhos se saiu muito mal ao diferenciar um ovo estranho de aparência similar aos seus usando a visão. Mas os ovos da prínia têm diversas cores e uma ampla variedade de padrões e eles confiam nisso para impedir que o ovo de um tecelão-parasita fique idêntico aos deles. A fuinha-de-faces-vermelhas, por sua vez, era muito boa para identificar um ovo estranho só de ver, embora seus ovos sejam os que menos variam na aparência.

A terceira espécie, a fuinha-chocalheira, ficou entre as duas na capacidade de diferenciar e na variação da cor dos ovos. O tecelão-parasita nunca põe ovos em ninhos de fuinha-chocalheira, sugerindo que é dela a estratégia mais bem-sucedida de todas.

Spottiswoode, cujo relatório foi publicado em “The Proceedings of the Royal Society B”, traçou um paralelo entre os pássaros e humanos. “A diversidade espetacular dos ovos da prínia-de-flancos-castanhos evoluiu da mesma forma que nosso sistema imunológico evolui em resposta a patógenos. Quanto mais diversos forem os genes de resistência a doenças, melhores são as chances de escapar às suscetibilidades de uma doença”.

Fonte: Portal iG


2 de março de 2011 | nenhum comentário »

Saco plástico causa menos danos que ecobags, diz relatório

Uma pesquisa inédita do governo britânico indica que sacolas de plástico, odiadas por ambientalistas e rejeitadas por consumidores, podem não ser vilãs ecológicas.

Um relatório da Agência do Meio Ambiente britânica, obtido pelo jornal britânico “The Independent” no último domingo (27), descobriu que PEAD (polietileno de alta densidade) utilizado nas sacolas causa menos impacto ambiental do que as matérias-primas das ecobags.

Os sacos de polietileno são, a cada utilização, quase 200 vezes menos prejudiciais ao clima do que as sacolas de algodão. Além disso, emitem um terço do CO2 em comparação às sacolas de papel oferecidas pelos varejistas.

Os resultados do relatório indicam que, para equilibrar o pequeno impacto de cada saquinho, os consumidores teriam que usar a mesma sacola de algodão em todos os dias úteis do ano, ou sacolas de papel.

A maioria dos sacos de papel são utilizados apenas uma vez e o estudo levantou que sacos de algodão são usados apenas 51 vezes antes de serem descartados, tornando-se – de acordo com o novo relatório – piores que as sacolas plásticas usadas apenas uma vez.

Apesar de ter sido encomendada em 2005 e programada para publicação em 2007, a pesquisa ainda não tinha sido divulgada ao público.

Oficialmente, a Agência do Meio Ambiente disse que o relatório – “Life Cycle Assessment of Supermarket Carrier Bags”, de Chris Edwards e Meyhoff Jonna Fry – ainda está sendo revisado. No entanto, foi submetido ao processo de revisão há mais de um ano.

A agência não tem a data da publicação, mas declarou que será em breve.

all about eve download full film

O relatório queria descobrir qual dos sete tipos de sacos têm o menor impacto ambiental na poluição causada pela extração das matérias-primas, produção, transporte e eliminação.

Segundo os pesquisadores, ‘” PEAD teve o menor impacto ambiental entre as opções de uso individual em nove das dez categorias. A sacola de algodão teve um bom desempenho porque foi considerada a mais leve”.

Seis bilhões de sacolas plásticas são utilizadas em todo o Reino Unido por ano e não há dúvida de que causam problemas ambientais, como lixo e poluição marinha, utilizando petróleo. Limitar o uso e reutilizá-las reduz os danos.

Que saco devo usar? – Todos os sacos causam impacto. A melhor solução seria utilizar um saco de algodão centenas de vezes, provavelmente por anos. Para usar poucas vezes, a melhor opção é o plástico, segundo o estudo.

Fonte: Folha.com


21 de janeiro de 2011 | nenhum comentário »

Especialistas consideram como falso estudo sobre mudanças climáticas

Segundo o trabalho, a temperatura do planeta poderia aumentar 2,4 graus centígrados até 2020

Um recente estudo sobre as mudanças climáticas feito por uma organização com sede na Argentina, que projetava um aumento de temperatura de 2,4º C e uma escassez alimentar mundial generalizada na próxima década, tem erros importantes, disseram cientistas nesta quarta-feira (19/1).

O trabalho foi publicado no EurekAlert, um serviço independente para jornalistas criado pela Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, na sigla em inglês) e foi divulgado por várias agências internacionais de notícias, entre elas a AFP. A AAAS, todavia, tirou o estudo de sua página, quando um grupo de especialistas apontou erros em seu enfoque.

Segundo o estudo, publicado na terça-feira, a temperatura do planeta poderia aumentar 2,4 graus centígrados até 2020. Com esta perspectiva, a combinação do impacto das mudanças climáticas na produção agrícola e do crescimento da população mundial, que chegará aos 7,8 bilhões de indivíduos até 2020, levaria a colheitas insuficientes.

Nesse cenário, a produção mundial de trigo sofreria um déficit de 14% com relação à demanda dentro de 10 anos, enquanto “a produção global de trigo, arroz, milho e soja (cairia) entre 2,5% e 5%” na América Latina, destacou o informe.

soul surfer online divx

No entanto, um jornalista do The Guardian alertou a AAAS Ginger Pinholster sobre dúvidas relativas à matéria. “Imediatamente contatamos um especialista em mudanças climáticas, que confirmou que a informação também lhe provocava dúvidas. Rapidamente tiramos o informe do nosso site na internet e contatamos a organização que nos enviou”, disse a porta-voz da AAAS em uma mensagem eletrônica à AFP.

O climatologista Rey Weymann disse à AFP que “o estudo contém um erro importante, dado que confunde o aumento do ‘equilíbrio’ da temperatura com o ‘aumento da temperatura transitória’”.

O cientista Osvaldo Canziani, que fez parte do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), aparece como assessor científico do estudo. O IPCC, cujas cifras foram citadas como base para as projeções deste trabalho, ganhou juntamente com o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, o prêmio Nobel da Paz em 2007 por seu esforço de divulgação sobre os riscos das mudanças climáticas.

O porta-voz de Canziani disse na terça-feira que o cientista estava doente e não podia dar entrevistas.

Fonte: AFP Terra, 19/1