20 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Ministério da Ciência cria formulário para autorizar uso de animais em pesquisas

Resolução foi publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira e entra em vigor em 15 dias

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) publicou no Diário Oficial da União desta quinta-feira o texto que cria um formulário unificado para autorizar o uso de animais em pesquisas científicas. A resolução passa a valer em quinze dias.

A criação desse formulário está vinculada à lei Arouca, criada em 2008 para regulamentar o uso de animais em pesquisas de laboratório. A lei prevê uma série de restrições e condições para o uso de animais em experimentos científicos. Além da regulamentação, o governo criou o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), que tem como função supervisionar o cumprimento da lei.

Desde 2009, todas as instituições brasileiras que quiserem desenvolver pesquisas com animais devem instalar uma Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA), por meio da qual os pesquisadores submetem seus projetos ao Concea.

No preenchimento do formulário, o pesquisador deverá informar a origem e espécie do animal usado em seu experimento, as condições nas quais ele será mantido e se haverá uso de fármacos durante a pesquisa. Cada CEUA pode adaptar o formulário conforme suas necessidades.

Além de solicitar autorização para uso de animais em experimentos, os institutos de pesquisa também precisam enviar relatórios que contenham as conclusões e até possíveis acidentes com os animais. O formulário já está disponível para download no site do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Cientista segura rato cobaia de laboratório

Pesquisadores que desejarem usar animais em seus experimentos deverão preencher novo formulário (Thinkstock)

Fonte: Veja Ciência


17 de janeiro de 2011 | nenhum comentário »

Aposentadoria de primatas é ameaçada

Chimpanzés de Alamogordo (EUA) não são usados como cobaias desde 2001, mas podem voltar às pesquisas.

O ano de 2011 será decisivo para os chimpanzés. Ou, ao menos, para os que eram usados como cobaias na cidade de Alamogordo, no Novo México (EUA). Após se “aposentarem”, os primatas quase retornaram aos laboratórios no ano passado, mas acabaram ganhando mais um tempo de descanso. 

A polêmica começou no ano passado, quando o NIH (Instituto Nacional da Saúde dos EUA), que pertence ao governo e realiza pesquisas biomédicas, anunciou a intenção de voltar a utilizar os macacos em seus estudos. 

Desde a década de 1950, os chimpanzés da instituição eram cobaias em pesquisas para a cura de doenças, tendo sido expostos a vírus como o da hepatite C e o HIV. 

Em 2001, porém, o NIH decidiu “aposentar” os chimpanzés, desde então, eles vivem como uma grande comunidade primata nos EUA.

Questionado pela Folha, o NIH afirmou que o contrato com as instalações de Alamogordo especifica que, depois de 10 anos, os animais poderiam voltar a ser usados para pesquisas. “Esses chimpanzés nunca foram aposentados”, ressalta o instituto.

Mas o sossego dos bichos pode acabar logo. A idéia é transferir os 184 chimpanzés que habitam o local para instalações no Texas e voltar a utilizá-los em experimentos.

“Cientistas acreditam que os chimpanzés são os únicos modelos animais capazes de possibilitar uma vacina contra a hepatite C, razão mais comum de transplante de fígado nos EUA”, diz o NIH.

A idéia gerou protestos dos defensores dos animais, que se manifestaram para impedir a transferência. “A maioria da população tem idade bastante avançada e está afetada por múltiplas doenças, podendo nem mesmo resistir ao transporte”, afirmou à Folha Laura Bonar, da Associação Protetora dos Animais no Novo México. “Até hoje, não há pesquisas provando que o uso de chimpanzés pode contribuir para a saúde humana”, completa.

Flo, a chimpanzé mais velha do grupo, tem 53 anos de idade. Em cativeiro, os chimpanzés vivem, em média, por cerca de 45 anos.

O movimento também mobilizou grandes nomes da ciência, como Jane Goodall, uma das mais renomadas primatologistas do mundo, e o então governador do Novo México, Bill Richardson.

No dia 15 de dezembro de 2010, senadores americanos escreveram ao NIH. No documento, eles informam que será conduzida uma análise da necessidade de se utilizar chimpanzés em experiências biomédicas e pedem que o instituto aguarde o resultado dessa pesquisa.

Assim, em 2011, o NIH anunciou oficialmente que os chimpanzés restantes permanecerão em Alamogordo até a conclusão do estudo, que deve durar 18 meses.

Brasil não usa chimpanzés em experimentos

Não há divulgação de um estudo oficial que use grandes primatas para experimentos biomédicos no Brasil. A informação é de Rosangela Ribeiro, que faz parte da Sociedade Mundial de Proteção Animal no Brasil.

“Aqui, são utilizados principalmente camundongos, ratos, hamsters, coelhos e, recentemente, porcos. Já o uso de cães e gatos tem sido reduzido”, afirmou ela à Folha.

“Isso não significa que eles serão tratados de forma inapropriada. Há regras de conduta para a realização de pesquisas sérias”, diz a professora Mariz Vainzof, do Instituto de Biociências da USP.

Os EUA, seguidos pelo Gabão, são os campeões no uso de chimpanzés em pesquisas, já proibido na União Européia.

(Luiz Gustavo Cristino)

(Folha de SP, 15/1)






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20 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Ministério da Ciência cria formulário para autorizar uso de animais em pesquisas

Resolução foi publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira e entra em vigor em 15 dias

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) publicou no Diário Oficial da União desta quinta-feira o texto que cria um formulário unificado para autorizar o uso de animais em pesquisas científicas. A resolução passa a valer em quinze dias.

A criação desse formulário está vinculada à lei Arouca, criada em 2008 para regulamentar o uso de animais em pesquisas de laboratório. A lei prevê uma série de restrições e condições para o uso de animais em experimentos científicos. Além da regulamentação, o governo criou o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), que tem como função supervisionar o cumprimento da lei.

Desde 2009, todas as instituições brasileiras que quiserem desenvolver pesquisas com animais devem instalar uma Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA), por meio da qual os pesquisadores submetem seus projetos ao Concea.

No preenchimento do formulário, o pesquisador deverá informar a origem e espécie do animal usado em seu experimento, as condições nas quais ele será mantido e se haverá uso de fármacos durante a pesquisa. Cada CEUA pode adaptar o formulário conforme suas necessidades.

Além de solicitar autorização para uso de animais em experimentos, os institutos de pesquisa também precisam enviar relatórios que contenham as conclusões e até possíveis acidentes com os animais. O formulário já está disponível para download no site do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Cientista segura rato cobaia de laboratório

Pesquisadores que desejarem usar animais em seus experimentos deverão preencher novo formulário (Thinkstock)

Fonte: Veja Ciência


17 de janeiro de 2011 | nenhum comentário »

Aposentadoria de primatas é ameaçada

Chimpanzés de Alamogordo (EUA) não são usados como cobaias desde 2001, mas podem voltar às pesquisas.

O ano de 2011 será decisivo para os chimpanzés. Ou, ao menos, para os que eram usados como cobaias na cidade de Alamogordo, no Novo México (EUA). Após se “aposentarem”, os primatas quase retornaram aos laboratórios no ano passado, mas acabaram ganhando mais um tempo de descanso. 

A polêmica começou no ano passado, quando o NIH (Instituto Nacional da Saúde dos EUA), que pertence ao governo e realiza pesquisas biomédicas, anunciou a intenção de voltar a utilizar os macacos em seus estudos. 

Desde a década de 1950, os chimpanzés da instituição eram cobaias em pesquisas para a cura de doenças, tendo sido expostos a vírus como o da hepatite C e o HIV. 

Em 2001, porém, o NIH decidiu “aposentar” os chimpanzés, desde então, eles vivem como uma grande comunidade primata nos EUA.

Questionado pela Folha, o NIH afirmou que o contrato com as instalações de Alamogordo especifica que, depois de 10 anos, os animais poderiam voltar a ser usados para pesquisas. “Esses chimpanzés nunca foram aposentados”, ressalta o instituto.

Mas o sossego dos bichos pode acabar logo. A idéia é transferir os 184 chimpanzés que habitam o local para instalações no Texas e voltar a utilizá-los em experimentos.

“Cientistas acreditam que os chimpanzés são os únicos modelos animais capazes de possibilitar uma vacina contra a hepatite C, razão mais comum de transplante de fígado nos EUA”, diz o NIH.

A idéia gerou protestos dos defensores dos animais, que se manifestaram para impedir a transferência. “A maioria da população tem idade bastante avançada e está afetada por múltiplas doenças, podendo nem mesmo resistir ao transporte”, afirmou à Folha Laura Bonar, da Associação Protetora dos Animais no Novo México. “Até hoje, não há pesquisas provando que o uso de chimpanzés pode contribuir para a saúde humana”, completa.

Flo, a chimpanzé mais velha do grupo, tem 53 anos de idade. Em cativeiro, os chimpanzés vivem, em média, por cerca de 45 anos.

O movimento também mobilizou grandes nomes da ciência, como Jane Goodall, uma das mais renomadas primatologistas do mundo, e o então governador do Novo México, Bill Richardson.

No dia 15 de dezembro de 2010, senadores americanos escreveram ao NIH. No documento, eles informam que será conduzida uma análise da necessidade de se utilizar chimpanzés em experiências biomédicas e pedem que o instituto aguarde o resultado dessa pesquisa.

Assim, em 2011, o NIH anunciou oficialmente que os chimpanzés restantes permanecerão em Alamogordo até a conclusão do estudo, que deve durar 18 meses.

Brasil não usa chimpanzés em experimentos

Não há divulgação de um estudo oficial que use grandes primatas para experimentos biomédicos no Brasil. A informação é de Rosangela Ribeiro, que faz parte da Sociedade Mundial de Proteção Animal no Brasil.

“Aqui, são utilizados principalmente camundongos, ratos, hamsters, coelhos e, recentemente, porcos. Já o uso de cães e gatos tem sido reduzido”, afirmou ela à Folha.

“Isso não significa que eles serão tratados de forma inapropriada. Há regras de conduta para a realização de pesquisas sérias”, diz a professora Mariz Vainzof, do Instituto de Biociências da USP.

Os EUA, seguidos pelo Gabão, são os campeões no uso de chimpanzés em pesquisas, já proibido na União Européia.

(Luiz Gustavo Cristino)

(Folha de SP, 15/1)