20 de março de 2013 | nenhum comentário »

Pesquisadores esperam ‘reviver’ rã extinta há 30 anos com clonagem

Animal engolia ovos e incubava filhotes no estômago, diz estudo.
Cientistas conseguiram reativar núcleo de células ‘mortas’ de rã extinta.

Cientistas do Projeto Lazarus estão trabalhando para “reviver” uma espécie de rã australiana, extinta há cerca de 30 anos, utilizando técnicas de clonagem. Eles conseguiram implantar de forma bem-sucedida núcleos retirados de células “mortas” do animal, que estavam congeladas há anos, em células de um anfíbio de outra espécie aparentada.

A rã extinta, da espécie Rheobatrachus silus, era conhecida por sua forma bizarra de cuidar dos filhotes: ela engolia os ovos, incubava os filhotes no estômago e depois “dava a luz” a eles pela boca, segundo os cientistas.

O animal foi considerado extinto em 1983. Os pesquisadores preservaram exemplares da rã congelados e conseguiram, com repetidos experimentos, transferir núcleos de células somáticas (já especializadas em algum tecido, como a pele) para células embrionárias de outra espécie de anfíbio: a Mixophyes fasciolatus, uma “parente distante”, segundo os cientistas.

Divisão celular
Ao substituir o núcleo ativo das células da Mixophyes fasciolatus pelo núcleo “morto” da rã extinta, os cientistas conseguiram que ocorresse espontaneamente a divisão celular e que novas células surgissem. Os embriões, no entanto, morreram após alguns dias.

Apesar disso, testes genéticos confirmaram que as novas células obtidas continham material genético da rã extinta. “Nós estamos observando um ‘ressuscitar dos mortos’, passo a passo”, disse o professor Mike Archer, da Universidade de New South Wales, em Sydney, na Austrália.

“Nós reativamos células mortas usando células vivas e ‘revivemos’ o genoma da rã extinta no processo. Agora nós temos células preservadas criogenicamente do animal extinto, para usar em futuros experimentos de clonagem”, disse Archer.

“Estamos confiantes que os obstáculos agora são tecnológicos e não biológicos, e que vamos ser bem-sucedidos”, analisou o pesquisador no estudo.

Rã da espécie XYZ, que ficou congelada por 40 anos (Foto: Divulgação/Bob Beale/Projeto Lazarus)

'Rheobatrachus silus', rã que ficou congelada por 40 anos (Foto: Divulgação/Bob Beale/Projeto Lazarus)

Imagem de arquivo mostra a rã 'dando a luz' a filhote pela boca (Foto: Divulgação/Universidade de Adelaide)

Imagem de arquivo mostra a rã 'dando a luz' a filhote pela boca (Foto: Divulgação/Universidade de Adelaide)

Fonte: Globo Natureza


16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Cinco mamíferos são extintos da Mata Atlântica

Não é de hoje que biólogos da conservação sabem que pequenos fragmentos de floresta tropical, em meio a fazendas ou cidades, pouco contribuem para a sobrevivência de animais de médio e grande porte, que precisam de espaço para locomoção, alimentação e reprodução. Novo estudo de pesquisadores brasileiros mostra que, pelo menos para a Mata Atlântica, a realidade desafia essa teoria clássica.

Mesmo grandes remanescentes estão sendo incapazes de manter a biodiversidade. Sem proteção efetiva que impeça a entrada de pessoas, a pressão histórica e atual de caçadores diminui os benefícios de ter uma área remanescente grande com uma floresta relativamente intacta, explica o biólogo Carlos Peres, da Universidade East Anglia, que liderou a pesquisa publicada na revista PLoS ONE.

 

O trabalho inventariou 18 espécies de mamíferos em 196 fragmentos ao longo da Mata Atlântica, o bioma mais ameaçado, que já perdeu cerca de 90 % da cobertura original. Mais de 205 mil km de estradas foram percorridos. Os pesquisadores descobriram que cinco delas tinham sido totalmente ou virtualmente extintas numa escala regional: queixada, onça-pintada, anta, muriqui e tamanduá-bandeira. E observaram que o fator que fez mais diferença para a manutenção da biodiversidade foi uma proteção efetiva da área. Isso ficou claro quando compararam fragmentos de tamanhos parecidos em que a diferença entre era o nível de proteção – os mais protegidos tinham mais animais.

 

E falar em proteção significa não apenas criar unidades de conservação. Em muitos casos elas existem, mas não estão implementadas nem têm segurança, sendo incapazes de impedir, por exemplo, a entrada de caçadores ou madeireiros. “Apenas cinco dos remanescentes investigados eram protegidos na prática e foram os que apresentaram as maiores taxas de retenção de espécies”, diz Peres.

 

A situação se mostrou mais crítica nos fragmentos da Mata Atlântica na porção oeste do Nordeste, onde há menos unidades de conservação. “A disponibilidade de proteína animal nessa região é baixa, por conta das altas taxa de densidade demográfica na zona rural. A economia de muitas casas de baixa renda é subsidiada por um padrão de caça que varia de recreativo à subsistência. Só a fauna relativamente tolerante a essa pressão persiste”, conta Peres.

 

Muitas espécies de mamíferos desapareceram até do folclore. “Ninguém nunca viu um muriqui ou um tamanduá-bandeira. Naquele caso, as reservas já chegariam atrasadas”, complementa Gustavo Canale, primeiro autor do artigo, que fez a pesquisa para seu doutorado na Universidade de Cambridge (Inglaterra). “Mesmo se existirem populações muito isoladas, elas estão tão reduzidas que já não são mais viáveis”, diz o biólogo, professor da Universidade Estadual de Mato Grosso. “A gente vê aquela mata bonita, acha que tem bicho, mas a verdade é que são florestas vazias.”

 

Entre janeiro de 2004 e janeiro de 2006, ele, Peres e colegas entrevistaram 8.846 pessoas que viviam no entorno dos remanescentes florestais havia pelo menos 15 anos. Tinham intimidade com a mata. Em muitos casos eram caçadores ou madeireiros, apesar de ninguém se declarar como tal. “Todo mundo fala que come a carne daqueles bichos, mas ninguém admite que caça”, conta Canale.

 

A análise mostrou uma taxa impressionante de extinções locais na fauna de mamíferos. De 3.528 populações possíveis de existir nos 196 fragmentos, 767 foram contabilizadas. Os remanescentes retinham 3,9 das 18 espécies investigadas.

Fonte: O Estado de São Paulo


16 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Amazônia deve sofrer grande extinção de espécies até 2050

Pesquisa avalia o impacto local promovido pela perda de vegetação em 30 anos e aponta que ainda há tempo para agir.

As piores consequências do desmatamento sofrido pela Amazônia ao longo de 30 anos ainda estão por vir. Até 2050, podem ocorrer de 80% a 90% das extinções de espécies de mamíferos, aves e anfíbios esperadas nos locais onde já foi perdida a vegetação. A boa notícia é que temos tempo para agir e evitar que elas de fato desapareçam. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada na edição desta semana da revista Science.

 

Um trio de pesquisadores da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos considerou as taxas de desmate na região de 1978 a 2008 e levou em conta a relação entre espécies e área – se o hábitat diminui, é de se esperar que o total de espécies que ali vivem diminua, ao menos localmente.

 

Acontece que os animais têm mobilidade, podem migrar para locais vizinhos ao degradado. Lá vão tentar sobreviver, competindo por recursos com animais que já estavam no local, de modo que o desaparecimento não é imediato, podendo levar décadas para se concretizar.

 

É essa diferença, que os pesquisadores chamam de “débito de extinção”, que foi calculada no trabalho. Grosso modo, é uma dívida que teria de ser “paga” – em espécies animais – pelo desmatamento do passado. A ideia por trás do termo é tanto mostrar o que poderia acontecer se simplesmente o processo de extinção seguisse o seu rumo, quanto estimar qual pode ser o destino dessas espécies que dependem da floresta, considerando outros cenários de ações.

 

Mas em vez de calcular para toda a Amazônia – o que seria problemático, porque há uma diferença de riqueza de biodiversidade no bioma -, os autores mapearam os nove Estados em quadros de 50 quilômetros quadrados, a fim de estimar os impactos locais. Uma espécie pode deixar de ocorrer em uma dada área, mas isso não significa que ela desapareceu por completo.

 

Tanto que a literatura ainda não aponta a extinção de nenhuma espécie na Amazônia, explica o ecólogo Robert Ewers, do Imperial College, de Londres, que liderou o estudo. “Uma razão para isso é que o desmatamento se concentrou no sul e no leste na Amazônia, enquanto a mais alta diversidade de espécies se encontra no oeste da região. Mas não há dúvida de que muitas estão localmente extintas onde o desmatamento foi mais pesado.”

 

Na pior hipótese, a do “business as usual”, considera-se a continuidade do modelo da expansão da agricultura; na melhor, que o desmatamento zere até 2020. Os pesquisadores propõem, no entanto, que o cenário mais realista é o que considera a permanência da governança, ou seja, das ações governamentais que levaram à queda do desmatamento nos últimos anos.

 

Mas mesmo nessa situação é de se esperar que espécies sumam. Em 2050, os pesquisadores estimam que localmente (nos quadros de 50 km² podem desaparecer de 6 a 12 espécies de mamíferos, aves e anfíbios em média; enquanto de 12 a 19 podem entrar na conta do que pode ser extinto nos anos seguintes.

 

Eles reforçam que isso ainda não aconteceu e ações que aumentem as unidades de conservação e promovam a restauração de áreas degradadas têm potencial de evitar o danos. Os mapas mostram em quais áreas esse esforço poderia promover mais benefícios.

 

Em outro artigo na Science que comenta o trabalho, Thiago Rangel, da Universidade Federal de Goiás, pondera que a conjuntura atual é incerta. “O governo vai investir pesado em infraestrutura, estão previstas 22 hidrelétricas de grande porte, estão sendo reduzidas as unidades de conservação e o Código Florestal vai ficar mais frouxo. A trajetória dos dez anos que passaram dava uma sinalização otimista, mas são os próximos dez anos que vão dizer o que vai acontecer.”

Fonte: O Estado de São Paulo


12 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas encontram 11 cobras de espécie declarada extinta em 1936

Para organização, variedade é a ‘mais rara do mundo’.
Exemplares vivem em ilhota de Santa Lúcia, no Caribe.

Após um levantamento de cinco meses, pesquisadores anunciaram nesta terça-feira (10) ter encontrado 11 exemplares do que consideram ser a “cobra mais rara do mundo”, da espécie Liophis ornatos, na pequena ilha de Maria Major, que faz parte de Santa Lúcia, um país caribenho.

Essa cobra já foi abundante naquele país, mas mangustos trazidos da Ásia foram dizimando sua população. De acordo com o Durrel Wildlife Conservation Trust, uma das organizações que realizou o levantamento, já em 1936 a espécie foi considerada extinta. Contudo, em 1973, um exemplar foi encontrado na ilhota de Maria Major, que ficou livre dos mangustos.

No final de 2011, um time internacional foi até o local e, durante 5 meses, procurou e marcou 11 cobras com chipes de rastreamento. A análise dos dados desses animais levou à conclusão de que existem 18 indivíduos da espécie vivendo ali. Uma estimativa menos conservadora, feita por outro método científico, indica que podem chegar a até cem.

Apenas 11 exemplares desta cobra foram encontrados pelos pesquisadores.  (Foto: AP)

Apenas 11 exemplares da cobra foram encontrados em Santa Lúcia. (Foto: AP)

Fonte: Globo Natureza


9 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Lista Vermelha 2012 revela novos dados sobre a saúde da biodiversidade mundial

Imagem: Mater Natura

Segundo a nova atualização da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, lançada no dia 19 de junho, as fontes de alimentos, remédios e água potável, ou seja, os meios de subsistência de milhões de pessoas podem estar em risco com o rápido declínio do mundo animal, vegetal e de espécies de fungos. A lista mostra que, das 63.837 espécies avaliadas, 19.817 estão ameaçadas de extinção, incluindo 41% de anfíbios, 33% dos corais, 25% dos mamíferos, 13% das aves, e 30% de coníferas.

Amplamente respeitada, a Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza) estuda uma pequena proporção das espécies conhecidas no mundo de forma a fornecer um panorama sobre a saúde da biodiversidade do mundo.

“A sustentabilidade é uma questão de vida ou morte para as pessoas do planeta”, afirmou Julia Marton-Lefèvre, diretora geral da IUCN. “Um futuro sustentável não pode ser alcançado sem conservação da diversidade biológica – espécies animais e vegetais, seus habitats e seus genes, não só para a natureza em si, mas também para todos os 7 bilhões de pessoas que dependem dele”, concluiu.

As 63.837 espécies avaliadas pelo Livro Vermelho se enquadram em oito categorias de conservação: 27.937 como “de menos preocupação” ou “quase ameaçadas”, 255 consideradas em “menor risco”, 4.467 semi-ameaçadas. Outras 3.947 estão em risco critico, 5.766 em risco e 10.104 estão vulneráveis, totalizando 19.817 espécies ameaçadas. Por sua vez, 63 espécies se tornaram extintas na natureza e 801 desapareceram completamente. As 10.497 espécies remanescentes na pesquisa possuem dados insuficientes que impedem um julgamento preciso.

A perda de espécies frequentemente resulta da destruição do hábitat. Mas espécies invasivas e, de forma crescente, o impacto das mudanças climáticas, também são fatores.

O novo relatório lançou luz sobre a exploração irresponsável de oceanos, lagos e rios. Os ecossistemas de água doce estão sob pressão considerável devido à expansão da população humana e a exploração dos recursos hídricos. Uma importante fonte de alimento, os peixes de água doce, está enfrentando ameaças de práticas de pesca insustentáveis e destruição de habitats causados pela poluição e pela construção de barragens. Um quarto das pescarias do mundo está localizado no continente africano, mas 27% dos peixes de água doce na África estão ameaçados.

Segundo a IUCN, em algumas partes do mundo até 90% das populações costeiras vivem da pesca, o que reduziu algumas populações de peixes comerciais em mais de 90%. As arraias, por exemplo, possui 36% da sua população ameaçada de extinção.

Mais de 275 milhões de pessoas são dependentes de recifes de corais como fonte de alimentos e como meio de subsistência. Globalmente, a pesca de recifes de coral rende aos EUA 6,8 bilhões dólares anualmente. A sobrepesca afeta 55% dos recifes do mundo e de acordo com a lista vermelha da IUCN, 18% dos meros, uma família economicamente importantes de peixes de recife de grande porte, estão ameaçadas.

Os recifes de corais devem ser geridos de forma sustentável para garantir que eles continuem fornecendo o alimento essencial no qual milhões de pessoas dependem como fonte de proteína, afirmou a IUCN.

A produção de pelo menos um terço dos alimentos do mundo, incluindo 87 das 113 principais culturas alimentares, depende da polinização realizada por insetos, morcegos e pássaros, gerando recursos da ordem de US$ 200 bilhões por ano. De acordo com a Lista Vermelha da IUCN, 16% das borboletas endêmicas da Europa estão ameaçadas. Os morcegos, igualmente importantes polinizadores, também estão em risco com 18% da sua população global ameaçada.
A mais recente atualização da Lista Vermelha da IUCN mostra também que quatro membros da família do beija-flor, que é conhecida por seus serviços de polinização, estão agora em maior risco de extinção como a brilhante rosa-throated (Heliodoxa gularis) listada como vulnerável. Além de seu papel importante como polinizadores, os morcegos e os pássaros também ajudam no controle das populações de insetos que podem de outra forma destruir economicamente importantes plantas agrícolas.

Os anfíbios desempenham um papel vital na busca de novos medicamentos. Compostos químicos importantes podem ser encontrados na pele de muitos sapos. No entanto, 41% das espécies de anfíbios estão ameaçadas de extinção, incluindo o sapo recentemente descrito, Anodonthyla hutchisoni, de Madagascar, que agora é considerado ameaçado.
A Lista Vermelha da IUCN mostra também que 10% das serpentes endêmicas da China e Sudeste da Ásia estão ameaçadas de extinção, isso porque as cobras são utilizadas na medicina tradicional e na fabricação de soro anti-veneno, assim como alimento e fonte de renda com a venda de peles.

Quase 43% das espécies de serpentes endêmicas do Sudeste Asiático estão ameaçadas pelo uso insustentável. A maior serpente venenosa do mundo, a King Cobra (Ophiophagus hannah),está listada como vulnerável devido à perda de habitat e sua exploração para fins medicinais. A píton birmanesa (Python bivittatus), mais conhecido no Ocidente como uma espécie invasora em Everglades, Flórida, também está listada como vulnerável na sua área nativa, por causa do comércio e da exploração excessiva do animal como alimento e para a retirada da pele. No entanto, a China e o Vietnã, são os locais onde as espécies estão mais ameaçadas. Apesar de estarem designadas como uma espécie protegida na China, as populações de lá não mostram evidências de recuperação e a exploração ilegal continua.

Os dados apresentados no relatório auxiliam atualmente na implementação da Meta nº 12 do Plano Estratégico para a Biodiversidade (2011-2020), resultante do Protocolo de Nagoya, estabelecido durante a Convenção das Partes das Nações Unidas para a Biodiversidade, que ocorreu em 2010. Nesse trecho do documento é proposto que até o ano de 2020 a extinção de espécies identificadas como ameaçadas terá sido evitada e o status de conservação, particularmente das que estão em maior declínio, terá sido melhorada e mantida.

Fonte: Mater Natura


29 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Quanto tempo levou para a Terra se recuperar da maior extinção em massa?

Imagem: Mater Natura

250 milhões de anos atrás, a crise do fim do período Permiano atingiu a Terra. Foi o pior desastre do tipo: a maior extinção em massa do nosso planeta, que nos fez perder 90% das espécies (estimativas chegam a dizer que até 99% da vida na Terra se extinguiu).

Alguns acreditam que a causa dessa extinção foi o impacto de um meteorito ou uma atividade vulcânica. Outros pesquisadores dizem que a crise desencadeou uma série de choques físicos ambientais, como o aquecimento global, a chuva ácida, a acidificação do oceano e a anoxia (ausência de oxigênio) dos oceanos. A conclusão, de qualquer forma, é de que esse desastre alterou a composição do ar radicalmente no planeta.

A intensidade dessa crise, e crises sucessivas, fizeram com que levasse cerca de 10 milhões de anos para a vida na Terra se recuperar, de acordo com um novo estudo feito por Zhong-Qiang Chen, da Universidade de Geociências em Wuhan, China, e Michael Benton, da Universidade de Bristol, Reino Unido.

Nós, seres humanos, já causamos a extinção de espécies do planeta. Durante o nosso “mandato”, estimativas sugerem que dizimamos cerca de mil espécies de animais. Como existem (de que temos conhecimento) cerca de 8 milhões de espécies vivas hoje, isso significa que, mesmo de acordo com as estimativas mais pessimistas, acabamos com 0,01% de toda a vida animal.

Isso certamente não é motivo de orgulho, mas é muito pouco quando comparado com as grandes extinções da natureza. A comparação serve para você entender a gravidade da situação; nesse cenário, será que 10 milhões de anos foi muito tempo para tal recuperação?

A crise principal foi dramática o suficiente, mas cinco a seis milhões de anos após o desastre, o mundo continuou enfrentando condições péssimas para a existência da vida, como crises repetidas de carbono e de oxigênio, além de aquecimento global.

Essas condições não propícias impediram que os cerca de 10% das espécies sobreviventes se recuperassem rápido. Alguns até conseguiram se recuperar de forma relativamente rápida, mas a formação de sistemas complexos permanentes só foi possível após cerca de cinco milhões de anos.

Passada a gravidade dessas crises ambientais, novos grupos de animais surgiram no mar, como caranguejos, lagostas e répteis marinhos, que formaram a base dos futuros ecossistemas modernos.

Aquecimento global, chuva ácida, acidificação dos oceanos… Esses não são termos estranhos para nós, não é? Se tudo isso foi capaz de dizimar no mínimo 90% das espécies da Terra no passado, o que impede de isso acontecer de novo?

“As causas da morte das espécies – o aquecimento global, a chuva ácida, a acidificação dos oceanos – soam estranhamente familiares para nós hoje. Talvez possamos aprender alguma coisa com estes acontecimentos antigos”, disse o professor britânico Benton.

E é melhor aprendermos mesmo, a não ser que estejamos dispostos a esperar mais 10 milhões de anos por uma segunda chance.

Fonte: Mater Natura


20 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Extinção do mamute lanoso não foi repentina

Estudo aponta combinação de fatores para explicar o fim dos mamíferos gigantes, como elevação das temperaturas, mudança na vegetação e a caça

Um novo estudo, publicado na edição desta semana da revista Nature Communications,contesta as pesquisas que afirmaram que os mamutes lanosos foram extintos brutalmente. De acordo com o trabalho, a extinção dessa espécie aconteceu de forma lenta e progressiva e não teve uma única causa. Os fatores levaram ao fim da espécie são a elevação das temperaturas, a mudança na vegetação e a dispersão dos caçadores humanos.

Os cientistas já levantaram diversas hipóteses para explicar a extinção desses mamíferos gigantes que habitaram a Terra principalmente durante o Pleistoceno. Alguns cientistas dizem que o motivo foi a mudança climática, outros apostam na pressão da crescente população humana e há pesquisadores que acreditam em um cataclismo causado pelo impacto de um meteoro.

Um estudo publicado em agosto de 2010, por pesquisadores da Universidade de Durham (Inglaterra), indicava que os humanos não tiveram influência no processo de extinção dos mamutes. De acordo com este estudo, as mudanças da paisagem, como redução de pastagens e a expansão das florestas, foram responsáveis pelo fim dos mamutes.

O estudo atual não nega totalmente algumas dessas outras explicações, mas defende que foram múltiplos os fatores que levaram à extinção dos mamutes. “Não houve uma única causa que os eliminou de uma vez”, declarou o autor principal do estudo, Glen MacDonald, da Universidade da Califórnia.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores fizeram usaram uma base de dados de datações feitas por radiocarbono. Os resultados mostram declínio e ascensão da espécie em diferentes momentos e locais geográficos, indicando um processo lento e irregular.

Períodos de extinção — O estudo mostrou, por exemplo, que os mamutes de Bering (estreito que unia o atual Alasca e a Sibéria) eram abundantes entre 45.000 e 30.000 anos atrás. Durante o pico da Era do Gelo, 25.000 anos atrás, as populações do Norte diminuíram enquanto as que viviam na Sibéria aumentaram. A partir desse período, esses animais tiveram um longo declínio, enfrentando mudanças climáticas, de habitat e a presença humana. A maioria desapareceu por volta de 10.000 anos atrás e foram extintos definitivamente há 4.000 anos.

Saiba mais

MAMUTE LANOSO
O mamute lanoso (Mammtuhus primigenius) é uma espécie adaptada ao frio da Sibéria. Esses animais tinham o corpo coberto por pelos castanhos longos que formavam uma cobertura espessa contra o clima gelado. Compunham a megafauna do Pleistoceno e são parentes próximos dos elefantes asiáticos e africanos.

ERA DO GELO
É todo período geológico em que ocorre significativa diminuição na temperatura da Terra. Mantos de gelo se expandem pelos continentes e glaciações atingem a superfície e a atmosfera do planeta. Nos últimos milhões de anos, a Terra viveu várias eras glaciais, ocorrendo a intervalos de 10 mil a 100 mil anos. A última grande era glacial teve seu pico há 25.000 anos e terminou 11.000 anos atrás, aproximadamente.

PLEISTOCENO
Corresponde ao intervalo entre 1,8 milhão e 11.500 anos atrás. Na escala geológica, faz parte do período Quaternário da era Cenozoica. Aves e mamíferos gigantes, como mamutes e búfalos, caracterizam essa época. No pleistoceno ocorreram as mais recentes Eras do Gelo.

Mamute-lanoso

Novo estudo diz que os mamutes lanosos foram extintos lentamente e por uma combinação de fatores como alterações climáticas e a dispersão humana pelo planeta (Photoresearchers/Latinstock)

Fonte: Veja Ciência


17 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Coalas podem desaparecer em cinquenta anos, diz WWF

Destruição das florestas de eucaliptos e doenças levariam a espécie à extinção

A organização não governamental WWF alertou nesta terça-feira que a população de coalasda Austrália corre o risco de extinguir-se nos próximos 50 anos. O representante da ONG na Austrália, Martin Taylor, anunciou que nas últimas duas décadas a população de coalas diminuiu 42%. Segundo Taylor, se a tendência continuar, o marsupial pode desaparecer.

Ameaças - Os ecologistas atribuem a queda do número de coalas à destruição de seu habitat – provocado, segundo a WWF, pelo desenvolvimento humano e pelas alterações climáticas. A espécie vive em florestas naturais de eucaliptos e se alimenta principalmente das folhas frescas das árvores. Outra ameaça aos marsupiais são os surtos da doença clamídia. Essa bactéria, contra a qual os cientistas estão pesquisando uma vacina, produz lesões nos genitais e nos olhos dos coalas, causando infertilidade, cegueira e, posteriormente, a morte.

O número de coalas na Austrália oscila entre 40 mil e 250 mil exemplares, segundo estimativas. No mês passado, o governo australiano catalogou os coalas como “espécie vulnerável” na lista de animais ameaçados no país.

Folhas de eucalipto são o principal alimento dos coalas

Folhas de eucalipto são o principal alimento dos coalas (Reuters)

Fonte: Veja Ciência


14 de maio de 2012 | nenhum comentário »

‘Primo’ mais antigo dos pandas viveu há 11 milhões de anos na Espanha

Pesquisadores encontraram fósseis dos ursos ‘Agriarctos beatrix’, parentes dos pandas gigantes da atualidade, na Península Ibérica

A análise de fósseis de dentes encontrados no nordeste da Espanha indica que ‘parentes’ do panda gigante, espécie que hoje habita a China, viveram na região há 11 milhões de anos. Essa foi a primeira evidência encontrada de um urso semelhante aos pandas na Península Ibérica.

O fóssil analisado no estudo é de uma nova espécie de urso, Agriarctos beatrix, que foi descoberta no sítio arqueológico de Nombrevilla, na província de Saragoça, na Espanha. “Nós encontramos esse fóssil em escavações feitas há muito tempo, na década de 1980. Nós pensávamos que era de um tipo de urso qualquer, ele estava lá em uma caixa esperando alguém estudá-lo”, explica Jorge Morales, do Museu Nacional de Ciências Naturais e um dos autores do trabalho.

Os resultados da análise do fóssil foram publicados na edição do segundo semestre de 2011 do periódico Estudios Geológicos, mas apenas agora foram divulgados pelos cientistas.

Ainda que a espécie encontrada seja parecia ao panda gigante em aspectos alimentares e de formato dos dentes, as duas espécies diferem bastante em tamanho. “Essa espécie era ainda menor do que o urso malaio [que tem cerca de 1,5 metro de altura e pesa pouco mais de 60 quilos, em média], considerada atualmente a menor espécie de ursos. Ele não deveria pesar mais do que 60 quilos”, afirma Juan Abella, pesquisador do Departamento de Paleobiologia do Museu Nacional de Ciências Naturais e principal autor do estudo. Os pandas gigantes da atualidade pesam cerca de 100 quilos e medem em média 3,5 metros.

Embora seja difícil determinar sua aparência típica, já que foram encontrados apenas fósseis de dentes, os cientistas acreditam que o animal tinha pelo escuro com manchas brancas, principalmente no peito, em volta dos olhos e provavelmente próximas à cauda. “Esse é considerado o padrão de pelo em ursos primitivos”, explica Abella.

Os ursos Agriarctos beatrix teriam vivido na floresta e seriam menos nômades do que espécies que costumam caçar, como os ursos marrom e polar. De acordo com os pesquisadores, esse urso extinto deveria fugir de grandes carnívoros escalando árvores. Segundo Abella, a dieta do animal “deveria ser similar à do urso malaio ou do urso-de-óculos, que come vegetais, frutas, e pouca carne”.

Formato dos dentes — Jorge Morales explica que uma das principais características que aproxima a nova espécie descoberta dos pandas gigantes é a morfologia dos dentes. “Os dentes encontrados tinham formato mais arredondado, característica de animais que quase não se alimentam de carne. Os dentes dos pandas de hoje são menos pontiagudos, já que eles são herbívoros e não precisam ter dentes afiados para cortar carne.”

“Nós sabemos que é uma espécie diferente daquelas documentadas até agora devido a suas diferenças morfológicas e o tamanho de seus dentes”, diz Abella. Para chegar a essas conclusões, os cientistas compararam os fósseis encontrados com dentes de espécies atuais, como ursos marrons e polares.

Ainda que não se possa saber com certeza quais razões levaram essa espécie à extinção, para Abella a causa mais provável é que “a vegetação florestal tenha dado espaço para locais mais secos e abertos que proporcionaram o surgimento de espécies similares, maiores e mais competitivas.”

panda espanha

Cientistas acreditam que o urso do fóssil encontado tinha pelo escuro e manchas brancas em algumas regiões do corpo como na região dos olhos, no peito e na cauda (Ilustração do SINC)

Fonte: Veja Ciência


10 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Homem da América conviveu com mamíferos gigantes

Datações de fósseis encontrados na Flórida indicam que homens e mamíferos gigantes, como mamutes, conviveram no continente americano na Era do Gelo

Um estudo publicado na última quinta-feira no periódico Journal of Vertebrate Paleontologyreúne evidências de que humanos alcançaram o continente americano durante a última Era do Gelo e conviveram com mamíferos gigantes que hoje estão extintos.

O trabalho, desenvolvido por pesquisadores das Universidades da Flórida (EUA) e de Copenhagen (Dinamarca), traz novas descobertas para um antigo debate entre cientistas: se os restos de humanos e animais encontrados no início do século XX em Vero Beach, sítio arqueológico da Flórida, são da mesma época.

Os pesquisadores analisaram amostras de 24 ossos humanos e 48 fósseis animais da coleção do Museu da Flórida e concluíram que eram todos do final do Pleistoceno, por volta de 13.000 anos atrás.

“O sítio arqueológico de Vero é o único onde há abundância de ossos de seres humanos, não apenas de artefatos, associados a fósseis de animais”, explica a coautora do estudo, Barbara Purdy, professora de antropologia da Universidade da Flórida e curadora de arqueologia do Museu de História Natural da Flórida. “Os cientistas que discutiam no início do século XX a idade dos restos de humanos não queriam acreditar que o homem chegou tão cedo à América.”

 

A fauna da última Era do Gelo continha desde mamutes e tigres dente-de-sabre, já extintos, até ratos e esquilos que ainda podem ser encontrados na Flórida.

A pouca informação que se tem sobre os primeiros humanos que apareceram na América do Norte é baseada em fragmentos de ossos e artefatos, como pontas de pedras usadas para caçar. “Nós sabemos como eram algumas de suas ferramentas e que eles caçavam animais que hoje estão extintos, mas não sabemos praticamente nada sobre sua vida familiar”, diz Purdy.

Saiba mais

ERA DO GELO
Por Era do Gelo ou Era Glacial entende-se todo período geológico em que ocorre significativa diminuição na temperatura da Terra. Mantos de gelo se expandem pelos continentes e glaciações — períodos extremamente frios — atingem a superfície e a atmosfera do planeta. Nos últimos milhões de anos, a Terra viveu várias eras glaciais, ocorrendo a intervalos de 10 mil a 100 mil anos. A última grande era glacial teve seu pico há 25.000 anos e terminou 11.000 anos atrás, aproximadamente.

PLEISTOCENO
O pleistoceno corresponde ao intervalo entre 1,8 milhão e 11.500 anos atrás. Na escala geológica, faz parte do período Quaternário da era Cenozoica. Pássaros e mamíferos gigantes, como mamutes e búfalos, caracterizam essa época. No pleistoceno ocorreram as mais recentes Eras do Gelo.

Mamute-lanoso

Pesquisadores da Universidade da Flórida indicam que homens conviveram com mamíferos gigantes, como o mamute, na Era do Gelo (Photoresearchers/Latinstock)

 Fonte: Veja Ciência


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20 de março de 2013 | nenhum comentário »

Pesquisadores esperam ‘reviver’ rã extinta há 30 anos com clonagem

Animal engolia ovos e incubava filhotes no estômago, diz estudo.
Cientistas conseguiram reativar núcleo de células ‘mortas’ de rã extinta.

Cientistas do Projeto Lazarus estão trabalhando para “reviver” uma espécie de rã australiana, extinta há cerca de 30 anos, utilizando técnicas de clonagem. Eles conseguiram implantar de forma bem-sucedida núcleos retirados de células “mortas” do animal, que estavam congeladas há anos, em células de um anfíbio de outra espécie aparentada.

A rã extinta, da espécie Rheobatrachus silus, era conhecida por sua forma bizarra de cuidar dos filhotes: ela engolia os ovos, incubava os filhotes no estômago e depois “dava a luz” a eles pela boca, segundo os cientistas.

O animal foi considerado extinto em 1983. Os pesquisadores preservaram exemplares da rã congelados e conseguiram, com repetidos experimentos, transferir núcleos de células somáticas (já especializadas em algum tecido, como a pele) para células embrionárias de outra espécie de anfíbio: a Mixophyes fasciolatus, uma “parente distante”, segundo os cientistas.

Divisão celular
Ao substituir o núcleo ativo das células da Mixophyes fasciolatus pelo núcleo “morto” da rã extinta, os cientistas conseguiram que ocorresse espontaneamente a divisão celular e que novas células surgissem. Os embriões, no entanto, morreram após alguns dias.

Apesar disso, testes genéticos confirmaram que as novas células obtidas continham material genético da rã extinta. “Nós estamos observando um ‘ressuscitar dos mortos’, passo a passo”, disse o professor Mike Archer, da Universidade de New South Wales, em Sydney, na Austrália.

“Nós reativamos células mortas usando células vivas e ‘revivemos’ o genoma da rã extinta no processo. Agora nós temos células preservadas criogenicamente do animal extinto, para usar em futuros experimentos de clonagem”, disse Archer.

“Estamos confiantes que os obstáculos agora são tecnológicos e não biológicos, e que vamos ser bem-sucedidos”, analisou o pesquisador no estudo.

Rã da espécie XYZ, que ficou congelada por 40 anos (Foto: Divulgação/Bob Beale/Projeto Lazarus)

'Rheobatrachus silus', rã que ficou congelada por 40 anos (Foto: Divulgação/Bob Beale/Projeto Lazarus)

Imagem de arquivo mostra a rã 'dando a luz' a filhote pela boca (Foto: Divulgação/Universidade de Adelaide)

Imagem de arquivo mostra a rã 'dando a luz' a filhote pela boca (Foto: Divulgação/Universidade de Adelaide)

Fonte: Globo Natureza


16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Cinco mamíferos são extintos da Mata Atlântica

Não é de hoje que biólogos da conservação sabem que pequenos fragmentos de floresta tropical, em meio a fazendas ou cidades, pouco contribuem para a sobrevivência de animais de médio e grande porte, que precisam de espaço para locomoção, alimentação e reprodução. Novo estudo de pesquisadores brasileiros mostra que, pelo menos para a Mata Atlântica, a realidade desafia essa teoria clássica.

Mesmo grandes remanescentes estão sendo incapazes de manter a biodiversidade. Sem proteção efetiva que impeça a entrada de pessoas, a pressão histórica e atual de caçadores diminui os benefícios de ter uma área remanescente grande com uma floresta relativamente intacta, explica o biólogo Carlos Peres, da Universidade East Anglia, que liderou a pesquisa publicada na revista PLoS ONE.

 

O trabalho inventariou 18 espécies de mamíferos em 196 fragmentos ao longo da Mata Atlântica, o bioma mais ameaçado, que já perdeu cerca de 90 % da cobertura original. Mais de 205 mil km de estradas foram percorridos. Os pesquisadores descobriram que cinco delas tinham sido totalmente ou virtualmente extintas numa escala regional: queixada, onça-pintada, anta, muriqui e tamanduá-bandeira. E observaram que o fator que fez mais diferença para a manutenção da biodiversidade foi uma proteção efetiva da área. Isso ficou claro quando compararam fragmentos de tamanhos parecidos em que a diferença entre era o nível de proteção – os mais protegidos tinham mais animais.

 

E falar em proteção significa não apenas criar unidades de conservação. Em muitos casos elas existem, mas não estão implementadas nem têm segurança, sendo incapazes de impedir, por exemplo, a entrada de caçadores ou madeireiros. “Apenas cinco dos remanescentes investigados eram protegidos na prática e foram os que apresentaram as maiores taxas de retenção de espécies”, diz Peres.

 

A situação se mostrou mais crítica nos fragmentos da Mata Atlântica na porção oeste do Nordeste, onde há menos unidades de conservação. “A disponibilidade de proteína animal nessa região é baixa, por conta das altas taxa de densidade demográfica na zona rural. A economia de muitas casas de baixa renda é subsidiada por um padrão de caça que varia de recreativo à subsistência. Só a fauna relativamente tolerante a essa pressão persiste”, conta Peres.

 

Muitas espécies de mamíferos desapareceram até do folclore. “Ninguém nunca viu um muriqui ou um tamanduá-bandeira. Naquele caso, as reservas já chegariam atrasadas”, complementa Gustavo Canale, primeiro autor do artigo, que fez a pesquisa para seu doutorado na Universidade de Cambridge (Inglaterra). “Mesmo se existirem populações muito isoladas, elas estão tão reduzidas que já não são mais viáveis”, diz o biólogo, professor da Universidade Estadual de Mato Grosso. “A gente vê aquela mata bonita, acha que tem bicho, mas a verdade é que são florestas vazias.”

 

Entre janeiro de 2004 e janeiro de 2006, ele, Peres e colegas entrevistaram 8.846 pessoas que viviam no entorno dos remanescentes florestais havia pelo menos 15 anos. Tinham intimidade com a mata. Em muitos casos eram caçadores ou madeireiros, apesar de ninguém se declarar como tal. “Todo mundo fala que come a carne daqueles bichos, mas ninguém admite que caça”, conta Canale.

 

A análise mostrou uma taxa impressionante de extinções locais na fauna de mamíferos. De 3.528 populações possíveis de existir nos 196 fragmentos, 767 foram contabilizadas. Os remanescentes retinham 3,9 das 18 espécies investigadas.

Fonte: O Estado de São Paulo


16 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Amazônia deve sofrer grande extinção de espécies até 2050

Pesquisa avalia o impacto local promovido pela perda de vegetação em 30 anos e aponta que ainda há tempo para agir.

As piores consequências do desmatamento sofrido pela Amazônia ao longo de 30 anos ainda estão por vir. Até 2050, podem ocorrer de 80% a 90% das extinções de espécies de mamíferos, aves e anfíbios esperadas nos locais onde já foi perdida a vegetação. A boa notícia é que temos tempo para agir e evitar que elas de fato desapareçam. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada na edição desta semana da revista Science.

 

Um trio de pesquisadores da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos considerou as taxas de desmate na região de 1978 a 2008 e levou em conta a relação entre espécies e área – se o hábitat diminui, é de se esperar que o total de espécies que ali vivem diminua, ao menos localmente.

 

Acontece que os animais têm mobilidade, podem migrar para locais vizinhos ao degradado. Lá vão tentar sobreviver, competindo por recursos com animais que já estavam no local, de modo que o desaparecimento não é imediato, podendo levar décadas para se concretizar.

 

É essa diferença, que os pesquisadores chamam de “débito de extinção”, que foi calculada no trabalho. Grosso modo, é uma dívida que teria de ser “paga” – em espécies animais – pelo desmatamento do passado. A ideia por trás do termo é tanto mostrar o que poderia acontecer se simplesmente o processo de extinção seguisse o seu rumo, quanto estimar qual pode ser o destino dessas espécies que dependem da floresta, considerando outros cenários de ações.

 

Mas em vez de calcular para toda a Amazônia – o que seria problemático, porque há uma diferença de riqueza de biodiversidade no bioma -, os autores mapearam os nove Estados em quadros de 50 quilômetros quadrados, a fim de estimar os impactos locais. Uma espécie pode deixar de ocorrer em uma dada área, mas isso não significa que ela desapareceu por completo.

 

Tanto que a literatura ainda não aponta a extinção de nenhuma espécie na Amazônia, explica o ecólogo Robert Ewers, do Imperial College, de Londres, que liderou o estudo. “Uma razão para isso é que o desmatamento se concentrou no sul e no leste na Amazônia, enquanto a mais alta diversidade de espécies se encontra no oeste da região. Mas não há dúvida de que muitas estão localmente extintas onde o desmatamento foi mais pesado.”

 

Na pior hipótese, a do “business as usual”, considera-se a continuidade do modelo da expansão da agricultura; na melhor, que o desmatamento zere até 2020. Os pesquisadores propõem, no entanto, que o cenário mais realista é o que considera a permanência da governança, ou seja, das ações governamentais que levaram à queda do desmatamento nos últimos anos.

 

Mas mesmo nessa situação é de se esperar que espécies sumam. Em 2050, os pesquisadores estimam que localmente (nos quadros de 50 km² podem desaparecer de 6 a 12 espécies de mamíferos, aves e anfíbios em média; enquanto de 12 a 19 podem entrar na conta do que pode ser extinto nos anos seguintes.

 

Eles reforçam que isso ainda não aconteceu e ações que aumentem as unidades de conservação e promovam a restauração de áreas degradadas têm potencial de evitar o danos. Os mapas mostram em quais áreas esse esforço poderia promover mais benefícios.

 

Em outro artigo na Science que comenta o trabalho, Thiago Rangel, da Universidade Federal de Goiás, pondera que a conjuntura atual é incerta. “O governo vai investir pesado em infraestrutura, estão previstas 22 hidrelétricas de grande porte, estão sendo reduzidas as unidades de conservação e o Código Florestal vai ficar mais frouxo. A trajetória dos dez anos que passaram dava uma sinalização otimista, mas são os próximos dez anos que vão dizer o que vai acontecer.”

Fonte: O Estado de São Paulo


12 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas encontram 11 cobras de espécie declarada extinta em 1936

Para organização, variedade é a ‘mais rara do mundo’.
Exemplares vivem em ilhota de Santa Lúcia, no Caribe.

Após um levantamento de cinco meses, pesquisadores anunciaram nesta terça-feira (10) ter encontrado 11 exemplares do que consideram ser a “cobra mais rara do mundo”, da espécie Liophis ornatos, na pequena ilha de Maria Major, que faz parte de Santa Lúcia, um país caribenho.

Essa cobra já foi abundante naquele país, mas mangustos trazidos da Ásia foram dizimando sua população. De acordo com o Durrel Wildlife Conservation Trust, uma das organizações que realizou o levantamento, já em 1936 a espécie foi considerada extinta. Contudo, em 1973, um exemplar foi encontrado na ilhota de Maria Major, que ficou livre dos mangustos.

No final de 2011, um time internacional foi até o local e, durante 5 meses, procurou e marcou 11 cobras com chipes de rastreamento. A análise dos dados desses animais levou à conclusão de que existem 18 indivíduos da espécie vivendo ali. Uma estimativa menos conservadora, feita por outro método científico, indica que podem chegar a até cem.

Apenas 11 exemplares desta cobra foram encontrados pelos pesquisadores.  (Foto: AP)

Apenas 11 exemplares da cobra foram encontrados em Santa Lúcia. (Foto: AP)

Fonte: Globo Natureza


9 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Lista Vermelha 2012 revela novos dados sobre a saúde da biodiversidade mundial

Imagem: Mater Natura

Segundo a nova atualização da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, lançada no dia 19 de junho, as fontes de alimentos, remédios e água potável, ou seja, os meios de subsistência de milhões de pessoas podem estar em risco com o rápido declínio do mundo animal, vegetal e de espécies de fungos. A lista mostra que, das 63.837 espécies avaliadas, 19.817 estão ameaçadas de extinção, incluindo 41% de anfíbios, 33% dos corais, 25% dos mamíferos, 13% das aves, e 30% de coníferas.

Amplamente respeitada, a Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza) estuda uma pequena proporção das espécies conhecidas no mundo de forma a fornecer um panorama sobre a saúde da biodiversidade do mundo.

“A sustentabilidade é uma questão de vida ou morte para as pessoas do planeta”, afirmou Julia Marton-Lefèvre, diretora geral da IUCN. “Um futuro sustentável não pode ser alcançado sem conservação da diversidade biológica – espécies animais e vegetais, seus habitats e seus genes, não só para a natureza em si, mas também para todos os 7 bilhões de pessoas que dependem dele”, concluiu.

As 63.837 espécies avaliadas pelo Livro Vermelho se enquadram em oito categorias de conservação: 27.937 como “de menos preocupação” ou “quase ameaçadas”, 255 consideradas em “menor risco”, 4.467 semi-ameaçadas. Outras 3.947 estão em risco critico, 5.766 em risco e 10.104 estão vulneráveis, totalizando 19.817 espécies ameaçadas. Por sua vez, 63 espécies se tornaram extintas na natureza e 801 desapareceram completamente. As 10.497 espécies remanescentes na pesquisa possuem dados insuficientes que impedem um julgamento preciso.

A perda de espécies frequentemente resulta da destruição do hábitat. Mas espécies invasivas e, de forma crescente, o impacto das mudanças climáticas, também são fatores.

O novo relatório lançou luz sobre a exploração irresponsável de oceanos, lagos e rios. Os ecossistemas de água doce estão sob pressão considerável devido à expansão da população humana e a exploração dos recursos hídricos. Uma importante fonte de alimento, os peixes de água doce, está enfrentando ameaças de práticas de pesca insustentáveis e destruição de habitats causados pela poluição e pela construção de barragens. Um quarto das pescarias do mundo está localizado no continente africano, mas 27% dos peixes de água doce na África estão ameaçados.

Segundo a IUCN, em algumas partes do mundo até 90% das populações costeiras vivem da pesca, o que reduziu algumas populações de peixes comerciais em mais de 90%. As arraias, por exemplo, possui 36% da sua população ameaçada de extinção.

Mais de 275 milhões de pessoas são dependentes de recifes de corais como fonte de alimentos e como meio de subsistência. Globalmente, a pesca de recifes de coral rende aos EUA 6,8 bilhões dólares anualmente. A sobrepesca afeta 55% dos recifes do mundo e de acordo com a lista vermelha da IUCN, 18% dos meros, uma família economicamente importantes de peixes de recife de grande porte, estão ameaçadas.

Os recifes de corais devem ser geridos de forma sustentável para garantir que eles continuem fornecendo o alimento essencial no qual milhões de pessoas dependem como fonte de proteína, afirmou a IUCN.

A produção de pelo menos um terço dos alimentos do mundo, incluindo 87 das 113 principais culturas alimentares, depende da polinização realizada por insetos, morcegos e pássaros, gerando recursos da ordem de US$ 200 bilhões por ano. De acordo com a Lista Vermelha da IUCN, 16% das borboletas endêmicas da Europa estão ameaçadas. Os morcegos, igualmente importantes polinizadores, também estão em risco com 18% da sua população global ameaçada.
A mais recente atualização da Lista Vermelha da IUCN mostra também que quatro membros da família do beija-flor, que é conhecida por seus serviços de polinização, estão agora em maior risco de extinção como a brilhante rosa-throated (Heliodoxa gularis) listada como vulnerável. Além de seu papel importante como polinizadores, os morcegos e os pássaros também ajudam no controle das populações de insetos que podem de outra forma destruir economicamente importantes plantas agrícolas.

Os anfíbios desempenham um papel vital na busca de novos medicamentos. Compostos químicos importantes podem ser encontrados na pele de muitos sapos. No entanto, 41% das espécies de anfíbios estão ameaçadas de extinção, incluindo o sapo recentemente descrito, Anodonthyla hutchisoni, de Madagascar, que agora é considerado ameaçado.
A Lista Vermelha da IUCN mostra também que 10% das serpentes endêmicas da China e Sudeste da Ásia estão ameaçadas de extinção, isso porque as cobras são utilizadas na medicina tradicional e na fabricação de soro anti-veneno, assim como alimento e fonte de renda com a venda de peles.

Quase 43% das espécies de serpentes endêmicas do Sudeste Asiático estão ameaçadas pelo uso insustentável. A maior serpente venenosa do mundo, a King Cobra (Ophiophagus hannah),está listada como vulnerável devido à perda de habitat e sua exploração para fins medicinais. A píton birmanesa (Python bivittatus), mais conhecido no Ocidente como uma espécie invasora em Everglades, Flórida, também está listada como vulnerável na sua área nativa, por causa do comércio e da exploração excessiva do animal como alimento e para a retirada da pele. No entanto, a China e o Vietnã, são os locais onde as espécies estão mais ameaçadas. Apesar de estarem designadas como uma espécie protegida na China, as populações de lá não mostram evidências de recuperação e a exploração ilegal continua.

Os dados apresentados no relatório auxiliam atualmente na implementação da Meta nº 12 do Plano Estratégico para a Biodiversidade (2011-2020), resultante do Protocolo de Nagoya, estabelecido durante a Convenção das Partes das Nações Unidas para a Biodiversidade, que ocorreu em 2010. Nesse trecho do documento é proposto que até o ano de 2020 a extinção de espécies identificadas como ameaçadas terá sido evitada e o status de conservação, particularmente das que estão em maior declínio, terá sido melhorada e mantida.

Fonte: Mater Natura


29 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Quanto tempo levou para a Terra se recuperar da maior extinção em massa?

Imagem: Mater Natura

250 milhões de anos atrás, a crise do fim do período Permiano atingiu a Terra. Foi o pior desastre do tipo: a maior extinção em massa do nosso planeta, que nos fez perder 90% das espécies (estimativas chegam a dizer que até 99% da vida na Terra se extinguiu).

Alguns acreditam que a causa dessa extinção foi o impacto de um meteorito ou uma atividade vulcânica. Outros pesquisadores dizem que a crise desencadeou uma série de choques físicos ambientais, como o aquecimento global, a chuva ácida, a acidificação do oceano e a anoxia (ausência de oxigênio) dos oceanos. A conclusão, de qualquer forma, é de que esse desastre alterou a composição do ar radicalmente no planeta.

A intensidade dessa crise, e crises sucessivas, fizeram com que levasse cerca de 10 milhões de anos para a vida na Terra se recuperar, de acordo com um novo estudo feito por Zhong-Qiang Chen, da Universidade de Geociências em Wuhan, China, e Michael Benton, da Universidade de Bristol, Reino Unido.

Nós, seres humanos, já causamos a extinção de espécies do planeta. Durante o nosso “mandato”, estimativas sugerem que dizimamos cerca de mil espécies de animais. Como existem (de que temos conhecimento) cerca de 8 milhões de espécies vivas hoje, isso significa que, mesmo de acordo com as estimativas mais pessimistas, acabamos com 0,01% de toda a vida animal.

Isso certamente não é motivo de orgulho, mas é muito pouco quando comparado com as grandes extinções da natureza. A comparação serve para você entender a gravidade da situação; nesse cenário, será que 10 milhões de anos foi muito tempo para tal recuperação?

A crise principal foi dramática o suficiente, mas cinco a seis milhões de anos após o desastre, o mundo continuou enfrentando condições péssimas para a existência da vida, como crises repetidas de carbono e de oxigênio, além de aquecimento global.

Essas condições não propícias impediram que os cerca de 10% das espécies sobreviventes se recuperassem rápido. Alguns até conseguiram se recuperar de forma relativamente rápida, mas a formação de sistemas complexos permanentes só foi possível após cerca de cinco milhões de anos.

Passada a gravidade dessas crises ambientais, novos grupos de animais surgiram no mar, como caranguejos, lagostas e répteis marinhos, que formaram a base dos futuros ecossistemas modernos.

Aquecimento global, chuva ácida, acidificação dos oceanos… Esses não são termos estranhos para nós, não é? Se tudo isso foi capaz de dizimar no mínimo 90% das espécies da Terra no passado, o que impede de isso acontecer de novo?

“As causas da morte das espécies – o aquecimento global, a chuva ácida, a acidificação dos oceanos – soam estranhamente familiares para nós hoje. Talvez possamos aprender alguma coisa com estes acontecimentos antigos”, disse o professor britânico Benton.

E é melhor aprendermos mesmo, a não ser que estejamos dispostos a esperar mais 10 milhões de anos por uma segunda chance.

Fonte: Mater Natura


20 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Extinção do mamute lanoso não foi repentina

Estudo aponta combinação de fatores para explicar o fim dos mamíferos gigantes, como elevação das temperaturas, mudança na vegetação e a caça

Um novo estudo, publicado na edição desta semana da revista Nature Communications,contesta as pesquisas que afirmaram que os mamutes lanosos foram extintos brutalmente. De acordo com o trabalho, a extinção dessa espécie aconteceu de forma lenta e progressiva e não teve uma única causa. Os fatores levaram ao fim da espécie são a elevação das temperaturas, a mudança na vegetação e a dispersão dos caçadores humanos.

Os cientistas já levantaram diversas hipóteses para explicar a extinção desses mamíferos gigantes que habitaram a Terra principalmente durante o Pleistoceno. Alguns cientistas dizem que o motivo foi a mudança climática, outros apostam na pressão da crescente população humana e há pesquisadores que acreditam em um cataclismo causado pelo impacto de um meteoro.

Um estudo publicado em agosto de 2010, por pesquisadores da Universidade de Durham (Inglaterra), indicava que os humanos não tiveram influência no processo de extinção dos mamutes. De acordo com este estudo, as mudanças da paisagem, como redução de pastagens e a expansão das florestas, foram responsáveis pelo fim dos mamutes.

O estudo atual não nega totalmente algumas dessas outras explicações, mas defende que foram múltiplos os fatores que levaram à extinção dos mamutes. “Não houve uma única causa que os eliminou de uma vez”, declarou o autor principal do estudo, Glen MacDonald, da Universidade da Califórnia.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores fizeram usaram uma base de dados de datações feitas por radiocarbono. Os resultados mostram declínio e ascensão da espécie em diferentes momentos e locais geográficos, indicando um processo lento e irregular.

Períodos de extinção — O estudo mostrou, por exemplo, que os mamutes de Bering (estreito que unia o atual Alasca e a Sibéria) eram abundantes entre 45.000 e 30.000 anos atrás. Durante o pico da Era do Gelo, 25.000 anos atrás, as populações do Norte diminuíram enquanto as que viviam na Sibéria aumentaram. A partir desse período, esses animais tiveram um longo declínio, enfrentando mudanças climáticas, de habitat e a presença humana. A maioria desapareceu por volta de 10.000 anos atrás e foram extintos definitivamente há 4.000 anos.

Saiba mais

MAMUTE LANOSO
O mamute lanoso (Mammtuhus primigenius) é uma espécie adaptada ao frio da Sibéria. Esses animais tinham o corpo coberto por pelos castanhos longos que formavam uma cobertura espessa contra o clima gelado. Compunham a megafauna do Pleistoceno e são parentes próximos dos elefantes asiáticos e africanos.

ERA DO GELO
É todo período geológico em que ocorre significativa diminuição na temperatura da Terra. Mantos de gelo se expandem pelos continentes e glaciações atingem a superfície e a atmosfera do planeta. Nos últimos milhões de anos, a Terra viveu várias eras glaciais, ocorrendo a intervalos de 10 mil a 100 mil anos. A última grande era glacial teve seu pico há 25.000 anos e terminou 11.000 anos atrás, aproximadamente.

PLEISTOCENO
Corresponde ao intervalo entre 1,8 milhão e 11.500 anos atrás. Na escala geológica, faz parte do período Quaternário da era Cenozoica. Aves e mamíferos gigantes, como mamutes e búfalos, caracterizam essa época. No pleistoceno ocorreram as mais recentes Eras do Gelo.

Mamute-lanoso

Novo estudo diz que os mamutes lanosos foram extintos lentamente e por uma combinação de fatores como alterações climáticas e a dispersão humana pelo planeta (Photoresearchers/Latinstock)

Fonte: Veja Ciência


17 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Coalas podem desaparecer em cinquenta anos, diz WWF

Destruição das florestas de eucaliptos e doenças levariam a espécie à extinção

A organização não governamental WWF alertou nesta terça-feira que a população de coalasda Austrália corre o risco de extinguir-se nos próximos 50 anos. O representante da ONG na Austrália, Martin Taylor, anunciou que nas últimas duas décadas a população de coalas diminuiu 42%. Segundo Taylor, se a tendência continuar, o marsupial pode desaparecer.

Ameaças - Os ecologistas atribuem a queda do número de coalas à destruição de seu habitat – provocado, segundo a WWF, pelo desenvolvimento humano e pelas alterações climáticas. A espécie vive em florestas naturais de eucaliptos e se alimenta principalmente das folhas frescas das árvores. Outra ameaça aos marsupiais são os surtos da doença clamídia. Essa bactéria, contra a qual os cientistas estão pesquisando uma vacina, produz lesões nos genitais e nos olhos dos coalas, causando infertilidade, cegueira e, posteriormente, a morte.

O número de coalas na Austrália oscila entre 40 mil e 250 mil exemplares, segundo estimativas. No mês passado, o governo australiano catalogou os coalas como “espécie vulnerável” na lista de animais ameaçados no país.

Folhas de eucalipto são o principal alimento dos coalas

Folhas de eucalipto são o principal alimento dos coalas (Reuters)

Fonte: Veja Ciência


14 de maio de 2012 | nenhum comentário »

‘Primo’ mais antigo dos pandas viveu há 11 milhões de anos na Espanha

Pesquisadores encontraram fósseis dos ursos ‘Agriarctos beatrix’, parentes dos pandas gigantes da atualidade, na Península Ibérica

A análise de fósseis de dentes encontrados no nordeste da Espanha indica que ‘parentes’ do panda gigante, espécie que hoje habita a China, viveram na região há 11 milhões de anos. Essa foi a primeira evidência encontrada de um urso semelhante aos pandas na Península Ibérica.

O fóssil analisado no estudo é de uma nova espécie de urso, Agriarctos beatrix, que foi descoberta no sítio arqueológico de Nombrevilla, na província de Saragoça, na Espanha. “Nós encontramos esse fóssil em escavações feitas há muito tempo, na década de 1980. Nós pensávamos que era de um tipo de urso qualquer, ele estava lá em uma caixa esperando alguém estudá-lo”, explica Jorge Morales, do Museu Nacional de Ciências Naturais e um dos autores do trabalho.

Os resultados da análise do fóssil foram publicados na edição do segundo semestre de 2011 do periódico Estudios Geológicos, mas apenas agora foram divulgados pelos cientistas.

Ainda que a espécie encontrada seja parecia ao panda gigante em aspectos alimentares e de formato dos dentes, as duas espécies diferem bastante em tamanho. “Essa espécie era ainda menor do que o urso malaio [que tem cerca de 1,5 metro de altura e pesa pouco mais de 60 quilos, em média], considerada atualmente a menor espécie de ursos. Ele não deveria pesar mais do que 60 quilos”, afirma Juan Abella, pesquisador do Departamento de Paleobiologia do Museu Nacional de Ciências Naturais e principal autor do estudo. Os pandas gigantes da atualidade pesam cerca de 100 quilos e medem em média 3,5 metros.

Embora seja difícil determinar sua aparência típica, já que foram encontrados apenas fósseis de dentes, os cientistas acreditam que o animal tinha pelo escuro com manchas brancas, principalmente no peito, em volta dos olhos e provavelmente próximas à cauda. “Esse é considerado o padrão de pelo em ursos primitivos”, explica Abella.

Os ursos Agriarctos beatrix teriam vivido na floresta e seriam menos nômades do que espécies que costumam caçar, como os ursos marrom e polar. De acordo com os pesquisadores, esse urso extinto deveria fugir de grandes carnívoros escalando árvores. Segundo Abella, a dieta do animal “deveria ser similar à do urso malaio ou do urso-de-óculos, que come vegetais, frutas, e pouca carne”.

Formato dos dentes — Jorge Morales explica que uma das principais características que aproxima a nova espécie descoberta dos pandas gigantes é a morfologia dos dentes. “Os dentes encontrados tinham formato mais arredondado, característica de animais que quase não se alimentam de carne. Os dentes dos pandas de hoje são menos pontiagudos, já que eles são herbívoros e não precisam ter dentes afiados para cortar carne.”

“Nós sabemos que é uma espécie diferente daquelas documentadas até agora devido a suas diferenças morfológicas e o tamanho de seus dentes”, diz Abella. Para chegar a essas conclusões, os cientistas compararam os fósseis encontrados com dentes de espécies atuais, como ursos marrons e polares.

Ainda que não se possa saber com certeza quais razões levaram essa espécie à extinção, para Abella a causa mais provável é que “a vegetação florestal tenha dado espaço para locais mais secos e abertos que proporcionaram o surgimento de espécies similares, maiores e mais competitivas.”

panda espanha

Cientistas acreditam que o urso do fóssil encontado tinha pelo escuro e manchas brancas em algumas regiões do corpo como na região dos olhos, no peito e na cauda (Ilustração do SINC)

Fonte: Veja Ciência


10 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Homem da América conviveu com mamíferos gigantes

Datações de fósseis encontrados na Flórida indicam que homens e mamíferos gigantes, como mamutes, conviveram no continente americano na Era do Gelo

Um estudo publicado na última quinta-feira no periódico Journal of Vertebrate Paleontologyreúne evidências de que humanos alcançaram o continente americano durante a última Era do Gelo e conviveram com mamíferos gigantes que hoje estão extintos.

O trabalho, desenvolvido por pesquisadores das Universidades da Flórida (EUA) e de Copenhagen (Dinamarca), traz novas descobertas para um antigo debate entre cientistas: se os restos de humanos e animais encontrados no início do século XX em Vero Beach, sítio arqueológico da Flórida, são da mesma época.

Os pesquisadores analisaram amostras de 24 ossos humanos e 48 fósseis animais da coleção do Museu da Flórida e concluíram que eram todos do final do Pleistoceno, por volta de 13.000 anos atrás.

“O sítio arqueológico de Vero é o único onde há abundância de ossos de seres humanos, não apenas de artefatos, associados a fósseis de animais”, explica a coautora do estudo, Barbara Purdy, professora de antropologia da Universidade da Flórida e curadora de arqueologia do Museu de História Natural da Flórida. “Os cientistas que discutiam no início do século XX a idade dos restos de humanos não queriam acreditar que o homem chegou tão cedo à América.”

 

A fauna da última Era do Gelo continha desde mamutes e tigres dente-de-sabre, já extintos, até ratos e esquilos que ainda podem ser encontrados na Flórida.

A pouca informação que se tem sobre os primeiros humanos que apareceram na América do Norte é baseada em fragmentos de ossos e artefatos, como pontas de pedras usadas para caçar. “Nós sabemos como eram algumas de suas ferramentas e que eles caçavam animais que hoje estão extintos, mas não sabemos praticamente nada sobre sua vida familiar”, diz Purdy.

Saiba mais

ERA DO GELO
Por Era do Gelo ou Era Glacial entende-se todo período geológico em que ocorre significativa diminuição na temperatura da Terra. Mantos de gelo se expandem pelos continentes e glaciações — períodos extremamente frios — atingem a superfície e a atmosfera do planeta. Nos últimos milhões de anos, a Terra viveu várias eras glaciais, ocorrendo a intervalos de 10 mil a 100 mil anos. A última grande era glacial teve seu pico há 25.000 anos e terminou 11.000 anos atrás, aproximadamente.

PLEISTOCENO
O pleistoceno corresponde ao intervalo entre 1,8 milhão e 11.500 anos atrás. Na escala geológica, faz parte do período Quaternário da era Cenozoica. Pássaros e mamíferos gigantes, como mamutes e búfalos, caracterizam essa época. No pleistoceno ocorreram as mais recentes Eras do Gelo.

Mamute-lanoso

Pesquisadores da Universidade da Flórida indicam que homens conviveram com mamíferos gigantes, como o mamute, na Era do Gelo (Photoresearchers/Latinstock)

 Fonte: Veja Ciência


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