23 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Unidade de conservação não é causadora de pobreza, conclui estudo

Geógrafa acompanhou famílias que vivem perto de reserva em Uganda.
Parque nacional serve como fonte de alimento e renda para os mais pobres.

Estudo publicado na última edição da “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS) questiona a crença de que as unidades de conservação são um fator que provoca pobreza nos moradores de seu entorno e que, por conseguinte, não se deve proteger a biodiversidade enquanto houver miséria entre a população, uma ideia bastante discutida nos países em desenvolvimento.

A geógrafa Lisa Naughton, professora da Universidade de Wisconsin, nos EUA, acompanhou por uma década o desenvolvimento de 252 famílias que viviam num raio de menos de 5 quilômetros do Parque Nacional Kibale, em Uganda. Ela observou que, de fato, há uma quantidade muito grande de pessoas extremamente pobres ao redor do parque. Embora, de forma geral, as famílias estudadas tenham tido um progresso material ao longo dos dez anos analisados, 10% delas perderam sua terra ou a venderam, um sinal grave de que estão entrando numa fase de ainda maior pobreza, já que naquela região o solo é o principal substrato para qualquer forma de produção econômica.

Lisa Naughton notou, no entanto, que entre as famílias que viviam em lugares distantes do entorno do parque, o índice de perda ou venda de terreno foi ainda maior. A conclusão da geógrafa é que os habitantes das proximidades da reserva tinha a unidade de conservação como uma fonte adicional de recursos, já que ali podem caçar ou fazer alguns tipos de extrativismo vegetal.

“Quando se olha na diferença de bens (ao longo do tempo), nota-se que os pobres que vivem perto do parque perderam menos que os pobres que vivem mais longe”, explica a pesquisadora, em comunicado da universidade. Ela admite, no entanto, que é difícil saber se é possível generalizar essa tendência para outras reservas, já que as características das unidades de conservação em países em desenvolvimento são muito diferentes.


24 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Governo inicia levantamento de famílias para receber ‘Bolsa Verde’

Projeto de benefício federal está sendo delineado por ministérios.
Baseado no Bolsa Família, pretende ajudar população pobre em reservas.

O governo iniciou na última semana o levantamento do número de famílias que habitam as unidades de conservação federais para saber quantas delas estão em situação de extrema pobreza e poderiam receber um benefício mensal denominado ‘Bolsa Verde’.

Lançado em 2009 pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o projeto segue o modelo do Bolsa Família. A intenção do programa é evitar que moradores dessas localidades pratiquem a exploração ilegal de recursos naturais. De acordo com as regras, famílias com renda de até R$ 70 por pessoa poderão receber um benefício mensal de R$ 100.

Existe a expectativa de que o benefício passe a vigorar a partir do segundo semestre deste ano. Mas ele ainda está em fase de discussão interministerial e envolve as pastas do Meio Ambiente, Desenvolvimento Social e Desenvolvimento Agrário, que tentam destravar o projeto. Ele precisa ainda passar pelo Congresso e, finalmente, pelo crivo da presidente Dilma Rousseff.

Levantamento
Técnicos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável pela gestão das unidades de conservação federais, são responsáveis pelo censo que vai saber quais famílias podem receber a verba.

Em uma primeira fase, moradores das 310 unidades federais devem ser contemplados. Em uma segunda etapa, o benefício poderá abranger também reservas sob controle dos estados. “Queremos instituir um marco legal para atingir a população extremamente pobre. Seja aquela que está dentro das unidades ou nos arredores, além dos assentamentos de reforma agrária”, afirmou Roberto Vicentin, secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente.

Reforço
Segundo Paulo Maier, diretor de Unidades de Conservação do Instituto Chico Mendes, aproximadamente 60 mil famílias podem se beneficiar. Ainda segundo Maier, existe uma preocupação referente à fiscalização do pagamento.

“Está em debate as formas de verificações. Para saber se as famílias estão cumprindo com o objetivo do programa, poderemos utilizar sistemas de monitoramento via satélite, talvez até pelo desmatamento em tempo real da Amazônia Legal (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)”, afirmou Maier.

Realidade
Na reserva extrativista de Tapajós-Arapiuns, no Pará, cerca de 18 mil pessoas vivem no interior da floresta Amazônica e são responsáveis pela preservação de uma área aproximada de 6,5 mil km².

Em grande parte das comunidades só é possível chegar de barco, após 32 horas de viagem a partir da cidade mais próxima, Santarém. A maioria da população vive da agricultura, por meio da plantação de mandioca e fabricação de farinha, além da pesca e pequenos focos da extração de borracha e castanha.

De acordo com Rosinaldo Santos dos Anjos, 42 anos, presidente da associação de moradores, o total de farinha produzido é pouco (50 kg por família), sendo que grande parte é destinado ao consumo próprio.

“Com a venda não é possível levantar nem R$ 50 por mês. Isto incentiva a exploração ilegal da floresta, com a derrubada de árvores e venda clandestina de madeira”, disse. Ainda segundo Santos, o pagamento do benefício é uma forma de reconhecer o trabalho dos ‘guardiões’ da floresta. “É um apoio para nós”, afirmou.

Produção de farinha em comunidade da reserva extrativista Tapajós-Arapiuns, no Pará (Foto: Divulgação/ICMBio)

Produção de farinha em comunidade da reserva extrativista Tapajós-Arapiuns, no Pará (Foto: Divulgação/ICMBio)

 

A pesca é uma das forma de subsistência nas reservas federais. (Foto: Divulgação/ICMBio)

A pesca é uma das forma de subsistência nas reservas federais. (Foto: Divulgação/ICMBio)

 

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, em São Paulo


10 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Extração agressiva deve continuar na região mineira

Os governos federal e estadual afirmaram que ações de médio e longo prazo podem reverter o processo de desertificação em Minas Gerais.

O Ministério do Meio Ambiente concentra seus esforços no PAN (Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação). Minas espera a ajuda federal, mas já desenvolve ações na região afetada.

De acordo com a Secretaria para o Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha, Mucuri e do Norte de Minas, R$ 166 milhões estão sendo investidos neste ano em programas como Combate à Pobreza Rural e Convivência com a Seca.

O programa de construção de barragens, para recuperação do potencial hídrico da região, por exemplo, prevê investimentos de R$ 8 milhões para entregar 70 obras até junho de 2012.

Desde 2009, foram construídas 104 barragens em 39 cidades, de acordo com informações do governo mineiro. Na opinião de Vladia Oliveira, professora do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará, os investimentos oficiais podem ajudar a frear o processo de desertificação, mas é importante focar mais na prevenção do que na recuperação de áreas já degradadas.

“Tem de agir em todas as frentes, mas a recuperação é bastante cara, demorada e restrita”, diz a especialista.

Para ela, não adianta o poder público investir milhões para recuperar pequenas áreas enquanto regiões muito maiores continuam sendo degradadas. “As pessoas não têm informação ambiental nem opções que não sejam o extrativismo agressivo”, conclui.

Fonte: Raphael Veleda, Belo Horizonte


19 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Ministra anuncia proposta do Governo para o Código Florestal

Durante o “Grande Encontro em Defesa da Floresta, dos Povos e da Produção Sustentável”, realizado em Parintins (AM), dias 15 e 16 de abril, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anunciou que o Governo chegou a uma proposta consensual de aperfeiçoamento do Código Florestal e agora deve procurar o relator da Comissão Especial responsável pelo projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados, o deputado Aldo Rebelo, para debater o texto. Caso não se consiga acordo em todas as questões, o Governo deve encaminhar propostas de emendas ao plenário da Câmara.

A proposta do Governo não incorpora o conceito da relatoria de área rural consolidada, pois, mesmo as que foram cultivadas antes de 2008, para serem regularizadas deverão atender a certos requisitos, como o reconhecimento de interesse social, de utilidade pública, e não apresentarem risco ambiental.

O governo mantém a exigência de reserva legal em seu texto e defende que a compensação ocorra no mesmo bioma, podendo ser feita em estados diferentes, desde que realizada em área prioritária para conservação da biodiversidade.

O Governo ainda quer simplificar a regularização ambiental, substituindo a obrigatoriedade da averbação da área de reserva legal em cartório pelo efetivo registro no Cadastro Ambiental Rural (CAR).

Extrativismo – Durante o encontro a ministra ainda determinou aos órgãos subordinados à sua pasta (Serviço Florestal Brasileiro, Ibama, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e Secretaria de Biodiversidade e Florestas, Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável) o diálogo com as comunidades extrativistas da Amazônia, com o objetivo de resolver os impasses que dificultam o manejo comunitário familiar na região.

“Quero saber dos resultados desse diálogo e buscar acolhimento das reivindicações das populações tradicionais, mesmo naquilo que não seja de responsabilidade específica do meu Ministério. Meu compromisso público é levar essas demandas inclusive para outras áreas do Governo”, disse a ministra.

O posicionamento de Izabella Teixeira responde as reivindicações dos extrativistas apresentadas na abertura do evento, que foi promovido pelo Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), Fórum Amazônia Sustentável e cerca de outras trinta entidades.

Entre os apelos dos comunitários, os temas mais debatidos foram a regularização fundiária, a ocupação ilegal de terras e a insuficiência de políticas públicas para o manejo florestal de base comunitária.

Os extrativistas alegaram também que, para que ocorra a sobrevivência sustentável das florestas, é preciso melhorar o acesso ao crédito e à capacitação técnica para que a produção extrativista aumente e possa ingressar nos mercados consumidores.

“Não tem sentido o País que tem a maior extensão de florestas tropicais do Planeta ter apenas cerca de 5% do PIB oriundo da economia florestal”, destacou Izabella.

A ministra também anunciou que a consulta pública para a Instrução Normativa que trará as novas regras do manejo comunitário estará aberta a partir da próxima quinta-feira (21), no site do MMA. Segundo ela, a previsão é de que a nova regulamentação esteja pronta no mês de junho deste ano.

O evento reuniu cerca de 700 pessoas, a maioria membros de comunidades que vivem no interior da floresta e que enfrentam dificuldades para extrair produtos florestais. Também estavam presentes gestores públicos, especialistas e estudantes.

Fonte: MMA

paul stream

11 de julho de 2009 | nenhum comentário »

Extrativismo não é solução para a Amazônia, diz pesquisador da Embrapa

Produtos da floresta tendem a ser plantados, afirma Alfredo Homma. Para engenheiro, área já derrubada precisa ser mais bem aproveitada

Iberê Thenório escreve para o “Globo Amazônia”:

A retirada de produtos da floresta, como a seiva da seringueira e a castanha-do-pará, não são economicamente viáveis a longo prazo. Essa é a opinião do engenheiro agrônomo da Embrapa Alfredo Homma, que há mais de 30 anos estuda a economia rural na Amazônia.

Segundo o pesquisador, os produtos extrativistas (retirados da natureza) tendem a ser “domesticados” em plantações quando a procura por eles é muito forte.

“Na natureza há um determinado número de seringueiras, castanheiras. Para um seringueiro cortar (retirar seiva de) 450 árvores, precisa trabalhar em um espaço de 300 a 500 hectares. Essa mesma quantidade de seringueiras você pode plantar em um campo de futebol”, explica.

Para Homma, produtos retirados da floresta, como a castanha-do-pará, tendem a ser plantados e ter maior rentabilidade. Isso faz com que reservas criadas para a extração desses produtos tornem-se economicamente inviáveis, segundo o pesquisador.

O extrativismo tem sido uma das principais apostas dos governos para proteger a Amazônia. No Brasil, há 49 reservas extrativistas e 65 florestas nacionais federais. Esses lugares foram criados especialmente para a retirada controlada de produtos da floresta, preservando a mata.

Para Homma, o fim do extrativismo é algo natural, pois a produtividade desse tipo de atividade é muito baixa, e tende a não dar conta da demanda. “Foi por isso que os ingleses perceberam que a produção extrativa de borracha não dava para sustentar o mundo. Tanto que eles levaram daqui 70 mil sementes em 1876. Logo que essas seringueiras começaram a produzir, por volta de 1910, eles venderam a borracha por um preço 30 vezes menor.”

the company men review movie

Outro problema, segundo o engenheiro agrônomo, é que os produtos retirados da mata podem ser trocados por substitutos artificiais. “O pau-rosa, por exemplo, foi substituído pelo linalol sintético, originário do petróleo. Na borracha, dois terços do consumo mundial é da borracha sintética.”

Mais plantações

A solução para a agropecuária na Amazônia, segundo Homma, é aproveitar melhor o espaço que já foi desmatado plantando espécies que hoje são retiradas da floresta. Isso protegeria a mata e ao mesmo tempo evitaria o colapso econômico que poderia vir com o fim do extrativismo.

“Muitas plantas da Amazônia já estão começando a ser cultivadas. Noventa por cento da do cupuaçu, por exemplo, já é plantado. Também é o caso do jaborandi. Hoje a Merck [empresa do ramo farmacêutico] tem uma plantação de 500 hectares em Barra do Corda, no Maranhão, e não compra mais jaborandi [da floresta].”

O engenheiro também afirma que parte da área que já foi derrubada deve ser reflorestada. Nos topos de morro e na beira dos rios, deveria ser devolvida a vegetação original. No restante, contudo, Homma defende a produção de árvores com valor comercial. “As pessoas não vão reflorestar por reflorestar. Um reflorestamento de eucalipto, mogno ou Teka custa R$ 2 mil por hectare. Isso tem que ter retorno”, diz.
(G1, 10/7)






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23 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Unidade de conservação não é causadora de pobreza, conclui estudo

Geógrafa acompanhou famílias que vivem perto de reserva em Uganda.
Parque nacional serve como fonte de alimento e renda para os mais pobres.

Estudo publicado na última edição da “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS) questiona a crença de que as unidades de conservação são um fator que provoca pobreza nos moradores de seu entorno e que, por conseguinte, não se deve proteger a biodiversidade enquanto houver miséria entre a população, uma ideia bastante discutida nos países em desenvolvimento.

A geógrafa Lisa Naughton, professora da Universidade de Wisconsin, nos EUA, acompanhou por uma década o desenvolvimento de 252 famílias que viviam num raio de menos de 5 quilômetros do Parque Nacional Kibale, em Uganda. Ela observou que, de fato, há uma quantidade muito grande de pessoas extremamente pobres ao redor do parque. Embora, de forma geral, as famílias estudadas tenham tido um progresso material ao longo dos dez anos analisados, 10% delas perderam sua terra ou a venderam, um sinal grave de que estão entrando numa fase de ainda maior pobreza, já que naquela região o solo é o principal substrato para qualquer forma de produção econômica.

Lisa Naughton notou, no entanto, que entre as famílias que viviam em lugares distantes do entorno do parque, o índice de perda ou venda de terreno foi ainda maior. A conclusão da geógrafa é que os habitantes das proximidades da reserva tinha a unidade de conservação como uma fonte adicional de recursos, já que ali podem caçar ou fazer alguns tipos de extrativismo vegetal.

“Quando se olha na diferença de bens (ao longo do tempo), nota-se que os pobres que vivem perto do parque perderam menos que os pobres que vivem mais longe”, explica a pesquisadora, em comunicado da universidade. Ela admite, no entanto, que é difícil saber se é possível generalizar essa tendência para outras reservas, já que as características das unidades de conservação em países em desenvolvimento são muito diferentes.


24 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Governo inicia levantamento de famílias para receber ‘Bolsa Verde’

Projeto de benefício federal está sendo delineado por ministérios.
Baseado no Bolsa Família, pretende ajudar população pobre em reservas.

O governo iniciou na última semana o levantamento do número de famílias que habitam as unidades de conservação federais para saber quantas delas estão em situação de extrema pobreza e poderiam receber um benefício mensal denominado ‘Bolsa Verde’.

Lançado em 2009 pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o projeto segue o modelo do Bolsa Família. A intenção do programa é evitar que moradores dessas localidades pratiquem a exploração ilegal de recursos naturais. De acordo com as regras, famílias com renda de até R$ 70 por pessoa poderão receber um benefício mensal de R$ 100.

Existe a expectativa de que o benefício passe a vigorar a partir do segundo semestre deste ano. Mas ele ainda está em fase de discussão interministerial e envolve as pastas do Meio Ambiente, Desenvolvimento Social e Desenvolvimento Agrário, que tentam destravar o projeto. Ele precisa ainda passar pelo Congresso e, finalmente, pelo crivo da presidente Dilma Rousseff.

Levantamento
Técnicos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável pela gestão das unidades de conservação federais, são responsáveis pelo censo que vai saber quais famílias podem receber a verba.

Em uma primeira fase, moradores das 310 unidades federais devem ser contemplados. Em uma segunda etapa, o benefício poderá abranger também reservas sob controle dos estados. “Queremos instituir um marco legal para atingir a população extremamente pobre. Seja aquela que está dentro das unidades ou nos arredores, além dos assentamentos de reforma agrária”, afirmou Roberto Vicentin, secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente.

Reforço
Segundo Paulo Maier, diretor de Unidades de Conservação do Instituto Chico Mendes, aproximadamente 60 mil famílias podem se beneficiar. Ainda segundo Maier, existe uma preocupação referente à fiscalização do pagamento.

“Está em debate as formas de verificações. Para saber se as famílias estão cumprindo com o objetivo do programa, poderemos utilizar sistemas de monitoramento via satélite, talvez até pelo desmatamento em tempo real da Amazônia Legal (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)”, afirmou Maier.

Realidade
Na reserva extrativista de Tapajós-Arapiuns, no Pará, cerca de 18 mil pessoas vivem no interior da floresta Amazônica e são responsáveis pela preservação de uma área aproximada de 6,5 mil km².

Em grande parte das comunidades só é possível chegar de barco, após 32 horas de viagem a partir da cidade mais próxima, Santarém. A maioria da população vive da agricultura, por meio da plantação de mandioca e fabricação de farinha, além da pesca e pequenos focos da extração de borracha e castanha.

De acordo com Rosinaldo Santos dos Anjos, 42 anos, presidente da associação de moradores, o total de farinha produzido é pouco (50 kg por família), sendo que grande parte é destinado ao consumo próprio.

“Com a venda não é possível levantar nem R$ 50 por mês. Isto incentiva a exploração ilegal da floresta, com a derrubada de árvores e venda clandestina de madeira”, disse. Ainda segundo Santos, o pagamento do benefício é uma forma de reconhecer o trabalho dos ‘guardiões’ da floresta. “É um apoio para nós”, afirmou.

Produção de farinha em comunidade da reserva extrativista Tapajós-Arapiuns, no Pará (Foto: Divulgação/ICMBio)

Produção de farinha em comunidade da reserva extrativista Tapajós-Arapiuns, no Pará (Foto: Divulgação/ICMBio)

 

A pesca é uma das forma de subsistência nas reservas federais. (Foto: Divulgação/ICMBio)

A pesca é uma das forma de subsistência nas reservas federais. (Foto: Divulgação/ICMBio)

 

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, em São Paulo


10 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Extração agressiva deve continuar na região mineira

Os governos federal e estadual afirmaram que ações de médio e longo prazo podem reverter o processo de desertificação em Minas Gerais.

O Ministério do Meio Ambiente concentra seus esforços no PAN (Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação). Minas espera a ajuda federal, mas já desenvolve ações na região afetada.

De acordo com a Secretaria para o Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha, Mucuri e do Norte de Minas, R$ 166 milhões estão sendo investidos neste ano em programas como Combate à Pobreza Rural e Convivência com a Seca.

O programa de construção de barragens, para recuperação do potencial hídrico da região, por exemplo, prevê investimentos de R$ 8 milhões para entregar 70 obras até junho de 2012.

Desde 2009, foram construídas 104 barragens em 39 cidades, de acordo com informações do governo mineiro. Na opinião de Vladia Oliveira, professora do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará, os investimentos oficiais podem ajudar a frear o processo de desertificação, mas é importante focar mais na prevenção do que na recuperação de áreas já degradadas.

“Tem de agir em todas as frentes, mas a recuperação é bastante cara, demorada e restrita”, diz a especialista.

Para ela, não adianta o poder público investir milhões para recuperar pequenas áreas enquanto regiões muito maiores continuam sendo degradadas. “As pessoas não têm informação ambiental nem opções que não sejam o extrativismo agressivo”, conclui.

Fonte: Raphael Veleda, Belo Horizonte


19 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Ministra anuncia proposta do Governo para o Código Florestal

Durante o “Grande Encontro em Defesa da Floresta, dos Povos e da Produção Sustentável”, realizado em Parintins (AM), dias 15 e 16 de abril, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anunciou que o Governo chegou a uma proposta consensual de aperfeiçoamento do Código Florestal e agora deve procurar o relator da Comissão Especial responsável pelo projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados, o deputado Aldo Rebelo, para debater o texto. Caso não se consiga acordo em todas as questões, o Governo deve encaminhar propostas de emendas ao plenário da Câmara.

A proposta do Governo não incorpora o conceito da relatoria de área rural consolidada, pois, mesmo as que foram cultivadas antes de 2008, para serem regularizadas deverão atender a certos requisitos, como o reconhecimento de interesse social, de utilidade pública, e não apresentarem risco ambiental.

O governo mantém a exigência de reserva legal em seu texto e defende que a compensação ocorra no mesmo bioma, podendo ser feita em estados diferentes, desde que realizada em área prioritária para conservação da biodiversidade.

O Governo ainda quer simplificar a regularização ambiental, substituindo a obrigatoriedade da averbação da área de reserva legal em cartório pelo efetivo registro no Cadastro Ambiental Rural (CAR).

Extrativismo – Durante o encontro a ministra ainda determinou aos órgãos subordinados à sua pasta (Serviço Florestal Brasileiro, Ibama, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e Secretaria de Biodiversidade e Florestas, Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável) o diálogo com as comunidades extrativistas da Amazônia, com o objetivo de resolver os impasses que dificultam o manejo comunitário familiar na região.

“Quero saber dos resultados desse diálogo e buscar acolhimento das reivindicações das populações tradicionais, mesmo naquilo que não seja de responsabilidade específica do meu Ministério. Meu compromisso público é levar essas demandas inclusive para outras áreas do Governo”, disse a ministra.

O posicionamento de Izabella Teixeira responde as reivindicações dos extrativistas apresentadas na abertura do evento, que foi promovido pelo Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), Fórum Amazônia Sustentável e cerca de outras trinta entidades.

Entre os apelos dos comunitários, os temas mais debatidos foram a regularização fundiária, a ocupação ilegal de terras e a insuficiência de políticas públicas para o manejo florestal de base comunitária.

Os extrativistas alegaram também que, para que ocorra a sobrevivência sustentável das florestas, é preciso melhorar o acesso ao crédito e à capacitação técnica para que a produção extrativista aumente e possa ingressar nos mercados consumidores.

“Não tem sentido o País que tem a maior extensão de florestas tropicais do Planeta ter apenas cerca de 5% do PIB oriundo da economia florestal”, destacou Izabella.

A ministra também anunciou que a consulta pública para a Instrução Normativa que trará as novas regras do manejo comunitário estará aberta a partir da próxima quinta-feira (21), no site do MMA. Segundo ela, a previsão é de que a nova regulamentação esteja pronta no mês de junho deste ano.

O evento reuniu cerca de 700 pessoas, a maioria membros de comunidades que vivem no interior da floresta e que enfrentam dificuldades para extrair produtos florestais. Também estavam presentes gestores públicos, especialistas e estudantes.

Fonte: MMA

paul stream

11 de julho de 2009 | nenhum comentário »

Extrativismo não é solução para a Amazônia, diz pesquisador da Embrapa

Produtos da floresta tendem a ser plantados, afirma Alfredo Homma. Para engenheiro, área já derrubada precisa ser mais bem aproveitada

Iberê Thenório escreve para o “Globo Amazônia”:

A retirada de produtos da floresta, como a seiva da seringueira e a castanha-do-pará, não são economicamente viáveis a longo prazo. Essa é a opinião do engenheiro agrônomo da Embrapa Alfredo Homma, que há mais de 30 anos estuda a economia rural na Amazônia.

Segundo o pesquisador, os produtos extrativistas (retirados da natureza) tendem a ser “domesticados” em plantações quando a procura por eles é muito forte.

“Na natureza há um determinado número de seringueiras, castanheiras. Para um seringueiro cortar (retirar seiva de) 450 árvores, precisa trabalhar em um espaço de 300 a 500 hectares. Essa mesma quantidade de seringueiras você pode plantar em um campo de futebol”, explica.

Para Homma, produtos retirados da floresta, como a castanha-do-pará, tendem a ser plantados e ter maior rentabilidade. Isso faz com que reservas criadas para a extração desses produtos tornem-se economicamente inviáveis, segundo o pesquisador.

O extrativismo tem sido uma das principais apostas dos governos para proteger a Amazônia. No Brasil, há 49 reservas extrativistas e 65 florestas nacionais federais. Esses lugares foram criados especialmente para a retirada controlada de produtos da floresta, preservando a mata.

Para Homma, o fim do extrativismo é algo natural, pois a produtividade desse tipo de atividade é muito baixa, e tende a não dar conta da demanda. “Foi por isso que os ingleses perceberam que a produção extrativa de borracha não dava para sustentar o mundo. Tanto que eles levaram daqui 70 mil sementes em 1876. Logo que essas seringueiras começaram a produzir, por volta de 1910, eles venderam a borracha por um preço 30 vezes menor.”

the company men review movie

Outro problema, segundo o engenheiro agrônomo, é que os produtos retirados da mata podem ser trocados por substitutos artificiais. “O pau-rosa, por exemplo, foi substituído pelo linalol sintético, originário do petróleo. Na borracha, dois terços do consumo mundial é da borracha sintética.”

Mais plantações

A solução para a agropecuária na Amazônia, segundo Homma, é aproveitar melhor o espaço que já foi desmatado plantando espécies que hoje são retiradas da floresta. Isso protegeria a mata e ao mesmo tempo evitaria o colapso econômico que poderia vir com o fim do extrativismo.

“Muitas plantas da Amazônia já estão começando a ser cultivadas. Noventa por cento da do cupuaçu, por exemplo, já é plantado. Também é o caso do jaborandi. Hoje a Merck [empresa do ramo farmacêutico] tem uma plantação de 500 hectares em Barra do Corda, no Maranhão, e não compra mais jaborandi [da floresta].”

O engenheiro também afirma que parte da área que já foi derrubada deve ser reflorestada. Nos topos de morro e na beira dos rios, deveria ser devolvida a vegetação original. No restante, contudo, Homma defende a produção de árvores com valor comercial. “As pessoas não vão reflorestar por reflorestar. Um reflorestamento de eucalipto, mogno ou Teka custa R$ 2 mil por hectare. Isso tem que ter retorno”, diz.
(G1, 10/7)