16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Fêmeas de besouro são atraídas por feromônios sexuais e cheiro de cadáver

Ciclo de vida dos besouros é tão previsível que costuma ser usado por cientistas forenses para estimar há quanto tempo uma pessoa está morta

Cadáveres em avançado estado de decomposição são o local ideal para os besouros da espécie Dermestes maculatus se reproduzirem e botarem seus ovos. Ali, suas larvas encontram os nutrientes necessários para se desenvolverem. Agora, uma nova pesquisa publicada na revista Frontiers in Zoology mostrou que nem os feromônios sexuais liberados pelos machos nem o cheiro dos cadáveres são suficientes para atrair as fêmeas até o local. Elas só são atraídas quando os dois odores estão presentes em conjunto, mostrando como a evolução da espécie aumentou as chances de sua reprodução ter sucesso.

Os cientistas da Universidade de Ulm, na Alemanha, pesquisaram quais odores eram capazes de atrair as fêmeas virgens e jovens, com duas a três semanas de vida, do besouro. Eles testaram diversos aromas: o cheiro de cadáver de porco coletado em diferentes estágios de decomposição, feromônios masculinos extraídos da glândula do inseto, feromônios sintéticos e um solvente.

As fêmeas ignoraram totalmente tanto os feromônios artificiais quanto o solvente. Na verdade, elas não foram atraídas por quase nenhum dos odores, a não ser pelo do cadáver nos últimos estágios de decomposição, desde que reforçado pelos feromônios masculinos. “Embora o cheiro do cadáver não seja capaz de atrair as fêmeas, ele é o suficiente para atrair os machos jovens”, explica Christian von Hoermann, coordenador do estudo.

Segundo o pesquisador, a liberação de feromônios por parte dos machos assinala que o cadáver é um ambiente apropriado para alimentação, acasalamento e depósito de ovos. A seleção natural teria feito com que as fêmeas só respondessem aos chamados dos machos se o odor do cadáver estivesse presente – e vice-versa – para otimizar as chances de sobrevivência de seus filhos.

Ciclo - A decomposição de cadáveres costuma ser um prato atrativo para muitas espécies de insetos, que desenvolveram preferência por diferentes estágios do processo. As primeiras a chegar ao corpo costumam ser as moscas, cujas larvas se alimentam dos tecidos ainda úmidos. Depois, vêm os besouros das famílias Histeridae e Staphylinidae, que se alimentam dessas larvas. Os besouros Dermestes maculatus chegam no estágio seguinte e passam a se alimentar dos restos de pele e ligamentos.

No entanto, eles só começarão a se reproduzir quando a decomposição estiver mais avançada e o cadáver reduzido a ossos, cabelos e pele seca. A partir desse momento, só restarão as larvas do besouro. O ciclo de vida e a sequência de chegada desses animais é tão previsível que costuma ser usado por cientistas forenses para estimar há quanto tempo uma pessoa está morta.

besouro

O besouro Dermestes maculatus costuma se reproduzir e botar seus ovos em cadáveres em decomposição (Divulgação)

Fonte: Veja Ciência


13 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Borboletas preferem machos com asas mais vistosas

Pesquisadores de Yale estudaram o processo de evolução das asas da espécie ‘Bicyclus anynana’

Uma pergunta sempre intrigou os biólogos que estudam a seleção sexual (quando se trata não da disputa pela sobrevivência e sim pela chance de se reproduzir): se as borboletas fêmeas identificam os machos de sua espécie pelo padrão das manchas em suas asas, como novos padrões de asas se desenvolvem nos machos?

Para buscar a resposta, pesquisadores da Universidade de Yale fizeram um estudo com borboletas da espécie Bicyclus anynana e concluíram que as fêmeas são predispostas a gostar de um modelo específico, mas que ao longo da vida elas podem adquirir novas preferências, geralmente por machos com cores mais vistosas. O trabalho foi publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

As borboletas Bicyclus anynananaturalmente têm duas manchas em suas asas. Para descobrir como as fêmeas podem gostar de outros padrões de cores, os pesquisadores colocaram um grupo de fêmeas em contato com borboletas com quatro manchas. A partir de então, essas não deram mais preferência aos machos com duas manchas.

Em contrapartida, as fêmeas inicialmente expostas a machos com uma ou nenhuma mancha, com tons de cinza e marrom, não mudaram suas preferências originais.

“O que nos surpreendeu foi que as fêmeas adquiriam essa preferência depois de pouco tempo em contato com machos”, disse Erica L. Westerman, do Departamento de Biologia e Ecologia Evolucionista de Yale e principal autora do estudo.

“Existe um modelo de aprendizado, e elas aprenderam que ornamentação extra é melhor”, disse a escocesa Antónia Monteiro, pesquisadora de Yale e uma das autoras do estudo.

As descobertas de que o ambiente social pode mudar a preferência de borboletas fêmeas ajuda a explicar como novos modelos de asas evoluem, dizem os pesquisadores. Agora Westerman e sua equipe querem agora descobrir como as fêmeas aprendem a fazer as suas escolhas.

“Nós estamos agora investigando o que impede as fêmeas de se acasalarem com machos de outras espécies durante o período de aprendizagem,” diz Westerman.

borboleta

As borboletas Bicyclus anynana usam padrão de asa para identificar machos da mesma espécie (Cortesia - Universidade de Yale)

Fonte: Veja Ciência


25 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Matar filhotes pode ser uma boa ideia, dizem cientistas

Vários estudos mostram que infanticídio é um bom mecanismo de sobrevivência, melhorando as vantagens reprodutivas dos animais.

O infanticídio pode ser um instrumento eficiente para a sobrevivência de determinadas espécies de animais, indicam um crescente número de estudos.

A ideia é chocante do ponto de vista humano, mas a realidade é que para muitos filhotes de animais, a maior ameaça à sua sobrevivência vem de sua própria espécie.
“Não é como um ato de predação, que é silencioso”, disse o especialista em leões Craig Packer, da University of Minnesota, em Falcon Heights, Estados Unidos.

“Durante o infanticídio há rugidos, é violento e muito perturbador”, ele diz, descrevendo como leões adultos matam filhotes.

“Eles mordem (os filhotes) atrás da cabeça e na nuca, esmagando seus abdomens.”

O infanticídio tende a ser pouco estudado enquanto recurso para garantir a sobrevivência dos mais fortes em uma determinada espécie. Entretanto, há registros de que ele acontece entre roedores e primatas, peixes, insetos e anfíbios.

Vantagens múltiplas
Segundo estudos, o infanticídio pode trazer benefícios às espécies animais que o cometem, como maiores oportunidades para que o infanticida se reproduza e mesmo alimentação (quando o infanticida come o filhote morto). Matar um filhote é também uma maneira de evitar que seus pais tenham que investir energia para cuidar da cria.

O infanticídio é com frequência cometido por machos adultos.

Normalmente, a proteção que um filhote recebe do pai cumpre um papel importante em assegurar a sobrevivência do bebê. Mas quando novos machos entram em cena, tudo pode mudar.

Os machos recém-chegados tendem a derrubar os machos pais de suas posições no topo da hierarquia do grupo. Se eles conseguem ferir, expulsar ou até matar um macho que ocupava uma posição dominante no grupo, tomando o seu lugar, os filhotes do antigo líder passam a correr grande risco.

Isso acontece porque machos recém-chegados com frequência têm apenas um objetivo: ter seus próprios filhotes com a mãe.

Em sociedades de leões, por exemplo, matar filhotes faz com que suas mães voltem a ficar férteis mais rápido, aumentando a chance de que os novos machos se reproduzam.

E se não matam filhotes alheios, correm o risco de que os filhotes do antigo líder cresçam e deem o seu próprio golpe.

Estratégia feminina
Mas o infanticídio não é cometido apenas por animais machos. Fêmeas também o praticam, disse o zoólogo Tim Clutton-Brock, da University of Cambridge, na Inglaterra.

“Fêmeas matam os filhotes umas das outras com a mesma prontidão”, ele disse.

Ratas matam as crias de outras fêmeas para se alimentar e se apoderam dos ninhos para criar seus próprios filhotes. Ratas também matam sua própria cria se os filhotes têm deformidades ou ferimentos. Isso permite que elas concentrem seus recursos em outros filhotes.

O infanticídio também pode aumentar o sucesso reprodutivo de um animal, reduzindo a competição para os filhotes do infanticida. Besouros fêmeas matam as larvas de suas rivais para assegurar que suas próprias larvas sobrevivam.

Esse comportamento foi observado também em mais de 40 espécies de primatas, mas em muitas dessas espécies as fêmeas usam estratégias para reduzir os riscos de que ele ocorra – segundo um estudo publicado na revista científica Journal of Theoretical Biology.

A saída utilizada por essas fêmeas é o acasalamento com parceiros múltiplos para gerar o que os especialistas chamaram de “confusão de paternidade”. Ou seja, os machos não sabem quem é o o pai do filhote.

Isso dá aos filhotes maiores chances de sobreviver quando novos machos tentam se integrar no grupo.
“Em um grupo com múltiplos machos, em primatas como os babuínos, se dois machos se acasalam com a mesma fêmea e nenhum sabe quem é o pai do filhote, isso reduz o risco de infanticídio”, disse Clutton-Brock.

Suricatos
Quando há mudanças na hierarquia de dominância, “o infanticídio ocorre apenas quando a chance de o assassino ser o pai do próximo filhote é alta”, disse o estudo.

Os suricatos (mamíferos pequenos e altamente sociáveis que habitam regiões inóspitas) se reproduzem de forma cooperativa, ou seja, se um macho alfa e uma fêmea alfa se reproduzem, outros integrantes do grupo em posições de subordinação ajudam a criar os filhotes do casal alfa.

Fêmeas dominantes matam filhotes de subordinados e os próprios subordinados, se tiverem cria própria, podem também matar o filhote de uma fêmea dominante.

Suricatos machos, no entanto, não sujam suas patas com o sangue de filhotes.

Clutton-Brock explicou: “Suricatos machos não apresentam (comportamento) infanticida porque assim que (as fêmeas) têm filhotes, ficam prontas para se acasalar novamente. Então, matar crianças não interessa aos machos”.

Uma situação que contrasta bastante com a dos leões, onde as fêmeas passam quase 18 meses amamentando após o nascimento dos filhotes.

Sabe-se que machos nômades, ou coalizões de machos competindo pelo controle de alcateias, matam filhotes com o objetivo de fazer com que a mãe volte a ficar fértil. Desta forma, podem se reproduzir com ela.

Fonte: Portal IG


2 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Fêmeas exigentes garantem diversidade de espécies, diz estudo

Fêmeas gastam energia escolhendo o macho ideal.
Mecanismo ajuda a determinar os limites entre as áreas de cada espécie.

Ser exigente faz parte da natureza feminina. O que a mulher faz quando sonha com o homem perfeito não é muito diferente do que fazem as fêmeas de outras espécies.

Um estudo publicado neste domingo pela revista científica “Nature” mostra que esta postura é necessária para a sobrevivência das espécies e para a biodiversidade. A pesquisa foi conduzida por especialistas da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, e do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados, na Áustria.

Estas fêmeas exigentes procuram sua cara-metade. Por isto, buscam machos com características específicas, parecidas com elas. Mas elas gastam muita energia escolhendo este macho ideal e evitando os demais candidatos, o que acaba reduzindo a taxa de natalidade da espécie.

O mecanismo ajuda a determinar os limites entre as áreas de cada espécie. Dentro de um mesmo habitat, há diferentes pontos que concentram determinados recursos. A preferência das fêmeas passa pela exploração destes recursos.

Elas não se interessariam por machos que fazem uso de recursos diferentes do mesmo habitat. Segundo os autores, é desta forma que espécies diferentes conseguiram se adaptar ao mesmo ambiente, mantendo a biodiversidade – como, por exemplo, sapos, peixes e insetos em um pântano.

Fonte: Globo Natureza


19 de março de 2012 | nenhum comentário »

Moscas rejeitadas pelas fêmeas recorrem ao álcool, diz estudo

As moscas que buscam sexo e são rejeitadas pelas fêmeas estão muito mais propensas a consumir álcool que seus pares satisfeitos, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira pela revista Science. “Durante muito tempo as moscas drosófilas (conhecidas também como moscas-da-fruta) foram usadas como modelo para o estudo do alcoolismo”, explicou a neurobióloga chilena Ulrike Hebertein, da equipe da Universidade da Califórnia que realizou os experimentos.

O estudo liderado por Galit Shohat Ophir, do Departamento de Anatomia da Universidade da Califórnia, ajuda a entender melhor uma “área de recompensas” no cérebro que pode ter implicações na dependência. “Sabemos que quase 50% da propensão ao consumo de álcool está ligada aos genes, mas as experiências na vida também afetam o consumo humano de álcool”, acrescentou.

Para determinar o grau no qual as experiências estressantes podem levar a um elevado consumo de álcool, pelo menos nas moscas, os cientistas decidiram expor os machos à “rejeição sexual das fêmeas” durante uma hora três vezes por dia e durante quatro dias.

Para comparar os resultados, outro grupo de machos foi eleito para receber a companhia, cada um deles, de cinco moscas virgens e amplas oportunidades para acasalar. “Depois comparamos o consumo voluntário do álcool em ambos grupos. Constatamos que os machos rechaçados pelas fêmeas mostraram uma preferência notável pela comida com 15% de álcool, em detrimento da comida normal”, continuou Ulrike. “Essa diferença no consumo de álcool continuou por vários dias”, disse a pesquisadora.

A vida média das moscas drosófilas é de 26 dias para as fêmeas e 33 dias para os machos, de modo que uma propensão ao alcoolismo por “vários dias” pode representar uma porção significativa na vida desse inseto. Para uma comprovação adicional do impacto da rejeição sexual na propensão ao consumo de álcool, Ulrike e os outros pesquisadores separaram os machos frustrados em dois subgrupos, e a um deles foi permitida a companhia de moscas virgens durante duas horas e meia.

“A preferência pelo álcool foi notavelmente menor no subgrupo de machos primeiro rechaçados e depois colocados na companhia das fêmeas”, destacou o artigo.

Fonte: Portal Terra


23 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas identificam comportamento promíscuo e bissexual em lulas

Cientistas americanos que observaram a vida sexual de uma espécie de lula que vive nas profundezas afirmam que os animais mantêm sexo tanto com machos como fêmeas e possuem hábitos sexuais promíscuos.

As conclusões dos especialistas foram feitas estudarem imagens submarinas das lulas de águas profundas, conhecidas como Octopoteuthis deletron, colhidas ao longo de 20 anos.

Entre as explicações encontradas para o fenômeno estão a de que os acasalamentos nas águas profundas são raros e realizados em um ambiente pouco favorável e a de que as lulas não seriam capazes de distinguir o sexo de seus pares na escuridão das águas profundas.

A pesquisa, publicada na revista especializada Biology Letters, foi possibilitada graças às imagens registradas por submarinos operados remotamente no cânion de Monterey, na região costeira da Califórnia, a profundidades que variam entre 400 e 800 metros.

Até recentemente, pouco se sabia sobre a vida sexual da espécie, exceto pelo fato de que os machos usam um órgão comprido, semelhante a um pênis, para depositar na fêmea espermatóforos, uma cápsula contendo milhões espermatozoides, absorvidos pela fêmea em seu tecido.

O pesquisador que comandou o estudo, Hendrik Hoving, do Instituto Aquático da Baía de Monterey, explicou que sua equipe não chegou a obter imagens dos animais se acasalando, mas encontrou traços de cápsulas de espermatozoide tanto em fêmeas como em machos.

Cientistas identificam comportamento promíscuo e bissexual em lulas

Cientistas identificam comportamento promíscuo e bissexual em lulas(Foto: MBARI/France Presse )

ACASALAMENTO BISSEXUAL

”Como a localização das cápsulas de espermatozoide são similares em ambos os sexos, nós concluímos que os machos acasalam tanto com machos como fêmeas”, afirmou Hoving.

Os pesquisadores descobriram o mesmo número de espermatóforos depositados em machos e fêmeas, o que indicaria que o acasalamento entre pares do mesmo sexo seria tão frequente quanto o realizado entre pares do sexo oposto.

E o número de cápsulas de espermatozoide depositadas também sugere que os animais seriam promíscuos, segundo os pesquisadores.

O comportamento incomum, afirmam eles, pode ser explicado pelo fato de que a lula está tentando ampliar as suas chances de passar adiante os seus gentes em meio ao ambiente desfavorável em que vive.

Na pesquisa, os especialistas afirmam que ”no habitat profundo e escuro onde o Octopoteuthis deletron vive, os machos são poucos e estão espalhados”.

”Nós sugerimos que o acasalamento bissexual do O. deletron faz parte de uma estratégia de reprodução que maximiza o sucesso ao induzir os machos a inseminar indiscriminadamente cada lula que encontram”.

 

Fonte: BBC Brasil


14 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Documentário revela segredo da monogamia de rã

Pesquisadores americanos identificaram causa da fidelidade em espécie da selva peruana.

Pesquisadores americanos descobriram nas selvas peruanas o primeiro anfíbio monogâmico, e agora revelam pela primeira vez, em um documentário da BBC, o segredo desse comportamento sexual da espécie.

Machos e as fêmeas precisam trabalhar juntos para viabilizar continuidade da espécie.

Testes genéticos revelaram que os machos e as fêmeas da espécie Ranitomeya imitator se mantêm fiéis uns aos outros.

Em uma pesquisa publicada na revista científica “The American Naturalist”, os cientistas afirmam que um único detalhe – o tamanho dos reservatórios de água nos quais as fêmeas depositam seus ovos – é responsável por impedir que as rãs dessa espécie tenham relações sexuais com parceiros diferentes.

 

Segundo os cientistas, essa é a melhor evidência já documentada de que a monogamia teria uma única causa.

 

Ovos

Após a cópula, a fêmea da rã coloca seus ovos sobre a superfície de folhas.

 

O macho leva então os girinos que vão nascendo, um a um, carregando-os nas costas, para reservatórios d’água que se acumulam em folhas de bromélias que crescem em galhos no alto de árvores.

 

Cada um dos girinos é colocado em sua própria “piscina”, da qual o macho toma conta.

 

Quando os girinos ficam com fome, o macho chama a fêmea, que chega para colocar um ovo não fertilizado em cada corpo d’água, que o girino come para se alimentar.

 

Os machos e as fêmeas parecem atuar em conjunto, e as novas pesquisas revelaram a extensão de sua fidelidade.

 

Análises genéticas

“Essa é a primeira descoberta de um anfíbio verdadeiramente monogâmico”, afirma o coordenador do estudo, o biólogo Jason Brown, da Universidade East Carolina, em Greenville.

 

Brown e outros pesquisadores da universidade vêm estudando extensivamente nos últimos anos a espécie, que foi filmada para o documentário da BBC.

 

Muitos animais parecem ser monogâmicos, com machos e fêmeas formando pares que muitas vezes parecem durar toda a vida.

 

Mas a recente explosão em análises genéticas revelaram que muitas dessas chamadas relações não eram monogâmicas na realidade.

 

Enquanto muitos animais podem permanecer juntos e se reproduzir, eles com frequência escapam para trocar de parceiros quando têm uma chance.

 

Por meio de exames de DNA, a equipe de Brown analisou 12 famílias de rãs da espécie Ranitomeya imitator, das quais 11 pares se mantiveram fiéis uns aos outros, enquanto na 12ª família o macho copulou com duas fêmeas diferentes.

 

Diferenças

Eles verificaram diferenças em relação a outra espécie semelhante, Ranitomeya variabilis, que se mostrou mais promíscua.

 

As fêmeas dessa segunda espécie coloca seus ovos em corpos d’água cerca de cinco vezes maiores na média do que os da primeira.

 

Além disso, as fêmeas da Ranitomeya variabilis não têm nenhum papel no acompanhamento do desenvolvimento dos girinos, deixado a tarefa a cargo somente dos machos.

 

Quando os pesquisadores transportaram os girinos de ambas as espécies para reservatórios d’água de diferentes tamanhos, verificaram que os girinos cresciam mais rapidamente nos corpos d’água maiores, que contêm mais nutrientes, e que não podiam sobreviver sozinhos nos menores.

 

Isso sugere que os machos e as fêmeas das rãs da espécie Ranitomeya variabilis não precisam se manter juntos, já que seus girinos podem sobreviver sem necessitar da ajuda das mães para se alimentar.

 

Como os girinos da espécie Ranitomeya imitator não conseguem sobreviver sozinhos sem o cuidado tanto dos pais quanto das mães, ambos se mantêm juntos.

Casais da espécie 'Ranitomeya imitator' se mantêm fiéis (Foto: BBC Earth News)

Casais da espécie 'Ranitomeya imitator' se mantêm fiéis (Foto: BBC Earth News)

 

Fonte: Da BBC






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16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Fêmeas de besouro são atraídas por feromônios sexuais e cheiro de cadáver

Ciclo de vida dos besouros é tão previsível que costuma ser usado por cientistas forenses para estimar há quanto tempo uma pessoa está morta

Cadáveres em avançado estado de decomposição são o local ideal para os besouros da espécie Dermestes maculatus se reproduzirem e botarem seus ovos. Ali, suas larvas encontram os nutrientes necessários para se desenvolverem. Agora, uma nova pesquisa publicada na revista Frontiers in Zoology mostrou que nem os feromônios sexuais liberados pelos machos nem o cheiro dos cadáveres são suficientes para atrair as fêmeas até o local. Elas só são atraídas quando os dois odores estão presentes em conjunto, mostrando como a evolução da espécie aumentou as chances de sua reprodução ter sucesso.

Os cientistas da Universidade de Ulm, na Alemanha, pesquisaram quais odores eram capazes de atrair as fêmeas virgens e jovens, com duas a três semanas de vida, do besouro. Eles testaram diversos aromas: o cheiro de cadáver de porco coletado em diferentes estágios de decomposição, feromônios masculinos extraídos da glândula do inseto, feromônios sintéticos e um solvente.

As fêmeas ignoraram totalmente tanto os feromônios artificiais quanto o solvente. Na verdade, elas não foram atraídas por quase nenhum dos odores, a não ser pelo do cadáver nos últimos estágios de decomposição, desde que reforçado pelos feromônios masculinos. “Embora o cheiro do cadáver não seja capaz de atrair as fêmeas, ele é o suficiente para atrair os machos jovens”, explica Christian von Hoermann, coordenador do estudo.

Segundo o pesquisador, a liberação de feromônios por parte dos machos assinala que o cadáver é um ambiente apropriado para alimentação, acasalamento e depósito de ovos. A seleção natural teria feito com que as fêmeas só respondessem aos chamados dos machos se o odor do cadáver estivesse presente – e vice-versa – para otimizar as chances de sobrevivência de seus filhos.

Ciclo - A decomposição de cadáveres costuma ser um prato atrativo para muitas espécies de insetos, que desenvolveram preferência por diferentes estágios do processo. As primeiras a chegar ao corpo costumam ser as moscas, cujas larvas se alimentam dos tecidos ainda úmidos. Depois, vêm os besouros das famílias Histeridae e Staphylinidae, que se alimentam dessas larvas. Os besouros Dermestes maculatus chegam no estágio seguinte e passam a se alimentar dos restos de pele e ligamentos.

No entanto, eles só começarão a se reproduzir quando a decomposição estiver mais avançada e o cadáver reduzido a ossos, cabelos e pele seca. A partir desse momento, só restarão as larvas do besouro. O ciclo de vida e a sequência de chegada desses animais é tão previsível que costuma ser usado por cientistas forenses para estimar há quanto tempo uma pessoa está morta.

besouro

O besouro Dermestes maculatus costuma se reproduzir e botar seus ovos em cadáveres em decomposição (Divulgação)

Fonte: Veja Ciência


13 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Borboletas preferem machos com asas mais vistosas

Pesquisadores de Yale estudaram o processo de evolução das asas da espécie ‘Bicyclus anynana’

Uma pergunta sempre intrigou os biólogos que estudam a seleção sexual (quando se trata não da disputa pela sobrevivência e sim pela chance de se reproduzir): se as borboletas fêmeas identificam os machos de sua espécie pelo padrão das manchas em suas asas, como novos padrões de asas se desenvolvem nos machos?

Para buscar a resposta, pesquisadores da Universidade de Yale fizeram um estudo com borboletas da espécie Bicyclus anynana e concluíram que as fêmeas são predispostas a gostar de um modelo específico, mas que ao longo da vida elas podem adquirir novas preferências, geralmente por machos com cores mais vistosas. O trabalho foi publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

As borboletas Bicyclus anynananaturalmente têm duas manchas em suas asas. Para descobrir como as fêmeas podem gostar de outros padrões de cores, os pesquisadores colocaram um grupo de fêmeas em contato com borboletas com quatro manchas. A partir de então, essas não deram mais preferência aos machos com duas manchas.

Em contrapartida, as fêmeas inicialmente expostas a machos com uma ou nenhuma mancha, com tons de cinza e marrom, não mudaram suas preferências originais.

“O que nos surpreendeu foi que as fêmeas adquiriam essa preferência depois de pouco tempo em contato com machos”, disse Erica L. Westerman, do Departamento de Biologia e Ecologia Evolucionista de Yale e principal autora do estudo.

“Existe um modelo de aprendizado, e elas aprenderam que ornamentação extra é melhor”, disse a escocesa Antónia Monteiro, pesquisadora de Yale e uma das autoras do estudo.

As descobertas de que o ambiente social pode mudar a preferência de borboletas fêmeas ajuda a explicar como novos modelos de asas evoluem, dizem os pesquisadores. Agora Westerman e sua equipe querem agora descobrir como as fêmeas aprendem a fazer as suas escolhas.

“Nós estamos agora investigando o que impede as fêmeas de se acasalarem com machos de outras espécies durante o período de aprendizagem,” diz Westerman.

borboleta

As borboletas Bicyclus anynana usam padrão de asa para identificar machos da mesma espécie (Cortesia - Universidade de Yale)

Fonte: Veja Ciência


25 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Matar filhotes pode ser uma boa ideia, dizem cientistas

Vários estudos mostram que infanticídio é um bom mecanismo de sobrevivência, melhorando as vantagens reprodutivas dos animais.

O infanticídio pode ser um instrumento eficiente para a sobrevivência de determinadas espécies de animais, indicam um crescente número de estudos.

A ideia é chocante do ponto de vista humano, mas a realidade é que para muitos filhotes de animais, a maior ameaça à sua sobrevivência vem de sua própria espécie.
“Não é como um ato de predação, que é silencioso”, disse o especialista em leões Craig Packer, da University of Minnesota, em Falcon Heights, Estados Unidos.

“Durante o infanticídio há rugidos, é violento e muito perturbador”, ele diz, descrevendo como leões adultos matam filhotes.

“Eles mordem (os filhotes) atrás da cabeça e na nuca, esmagando seus abdomens.”

O infanticídio tende a ser pouco estudado enquanto recurso para garantir a sobrevivência dos mais fortes em uma determinada espécie. Entretanto, há registros de que ele acontece entre roedores e primatas, peixes, insetos e anfíbios.

Vantagens múltiplas
Segundo estudos, o infanticídio pode trazer benefícios às espécies animais que o cometem, como maiores oportunidades para que o infanticida se reproduza e mesmo alimentação (quando o infanticida come o filhote morto). Matar um filhote é também uma maneira de evitar que seus pais tenham que investir energia para cuidar da cria.

O infanticídio é com frequência cometido por machos adultos.

Normalmente, a proteção que um filhote recebe do pai cumpre um papel importante em assegurar a sobrevivência do bebê. Mas quando novos machos entram em cena, tudo pode mudar.

Os machos recém-chegados tendem a derrubar os machos pais de suas posições no topo da hierarquia do grupo. Se eles conseguem ferir, expulsar ou até matar um macho que ocupava uma posição dominante no grupo, tomando o seu lugar, os filhotes do antigo líder passam a correr grande risco.

Isso acontece porque machos recém-chegados com frequência têm apenas um objetivo: ter seus próprios filhotes com a mãe.

Em sociedades de leões, por exemplo, matar filhotes faz com que suas mães voltem a ficar férteis mais rápido, aumentando a chance de que os novos machos se reproduzam.

E se não matam filhotes alheios, correm o risco de que os filhotes do antigo líder cresçam e deem o seu próprio golpe.

Estratégia feminina
Mas o infanticídio não é cometido apenas por animais machos. Fêmeas também o praticam, disse o zoólogo Tim Clutton-Brock, da University of Cambridge, na Inglaterra.

“Fêmeas matam os filhotes umas das outras com a mesma prontidão”, ele disse.

Ratas matam as crias de outras fêmeas para se alimentar e se apoderam dos ninhos para criar seus próprios filhotes. Ratas também matam sua própria cria se os filhotes têm deformidades ou ferimentos. Isso permite que elas concentrem seus recursos em outros filhotes.

O infanticídio também pode aumentar o sucesso reprodutivo de um animal, reduzindo a competição para os filhotes do infanticida. Besouros fêmeas matam as larvas de suas rivais para assegurar que suas próprias larvas sobrevivam.

Esse comportamento foi observado também em mais de 40 espécies de primatas, mas em muitas dessas espécies as fêmeas usam estratégias para reduzir os riscos de que ele ocorra – segundo um estudo publicado na revista científica Journal of Theoretical Biology.

A saída utilizada por essas fêmeas é o acasalamento com parceiros múltiplos para gerar o que os especialistas chamaram de “confusão de paternidade”. Ou seja, os machos não sabem quem é o o pai do filhote.

Isso dá aos filhotes maiores chances de sobreviver quando novos machos tentam se integrar no grupo.
“Em um grupo com múltiplos machos, em primatas como os babuínos, se dois machos se acasalam com a mesma fêmea e nenhum sabe quem é o pai do filhote, isso reduz o risco de infanticídio”, disse Clutton-Brock.

Suricatos
Quando há mudanças na hierarquia de dominância, “o infanticídio ocorre apenas quando a chance de o assassino ser o pai do próximo filhote é alta”, disse o estudo.

Os suricatos (mamíferos pequenos e altamente sociáveis que habitam regiões inóspitas) se reproduzem de forma cooperativa, ou seja, se um macho alfa e uma fêmea alfa se reproduzem, outros integrantes do grupo em posições de subordinação ajudam a criar os filhotes do casal alfa.

Fêmeas dominantes matam filhotes de subordinados e os próprios subordinados, se tiverem cria própria, podem também matar o filhote de uma fêmea dominante.

Suricatos machos, no entanto, não sujam suas patas com o sangue de filhotes.

Clutton-Brock explicou: “Suricatos machos não apresentam (comportamento) infanticida porque assim que (as fêmeas) têm filhotes, ficam prontas para se acasalar novamente. Então, matar crianças não interessa aos machos”.

Uma situação que contrasta bastante com a dos leões, onde as fêmeas passam quase 18 meses amamentando após o nascimento dos filhotes.

Sabe-se que machos nômades, ou coalizões de machos competindo pelo controle de alcateias, matam filhotes com o objetivo de fazer com que a mãe volte a ficar fértil. Desta forma, podem se reproduzir com ela.

Fonte: Portal IG


2 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Fêmeas exigentes garantem diversidade de espécies, diz estudo

Fêmeas gastam energia escolhendo o macho ideal.
Mecanismo ajuda a determinar os limites entre as áreas de cada espécie.

Ser exigente faz parte da natureza feminina. O que a mulher faz quando sonha com o homem perfeito não é muito diferente do que fazem as fêmeas de outras espécies.

Um estudo publicado neste domingo pela revista científica “Nature” mostra que esta postura é necessária para a sobrevivência das espécies e para a biodiversidade. A pesquisa foi conduzida por especialistas da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, e do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados, na Áustria.

Estas fêmeas exigentes procuram sua cara-metade. Por isto, buscam machos com características específicas, parecidas com elas. Mas elas gastam muita energia escolhendo este macho ideal e evitando os demais candidatos, o que acaba reduzindo a taxa de natalidade da espécie.

O mecanismo ajuda a determinar os limites entre as áreas de cada espécie. Dentro de um mesmo habitat, há diferentes pontos que concentram determinados recursos. A preferência das fêmeas passa pela exploração destes recursos.

Elas não se interessariam por machos que fazem uso de recursos diferentes do mesmo habitat. Segundo os autores, é desta forma que espécies diferentes conseguiram se adaptar ao mesmo ambiente, mantendo a biodiversidade – como, por exemplo, sapos, peixes e insetos em um pântano.

Fonte: Globo Natureza


19 de março de 2012 | nenhum comentário »

Moscas rejeitadas pelas fêmeas recorrem ao álcool, diz estudo

As moscas que buscam sexo e são rejeitadas pelas fêmeas estão muito mais propensas a consumir álcool que seus pares satisfeitos, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira pela revista Science. “Durante muito tempo as moscas drosófilas (conhecidas também como moscas-da-fruta) foram usadas como modelo para o estudo do alcoolismo”, explicou a neurobióloga chilena Ulrike Hebertein, da equipe da Universidade da Califórnia que realizou os experimentos.

O estudo liderado por Galit Shohat Ophir, do Departamento de Anatomia da Universidade da Califórnia, ajuda a entender melhor uma “área de recompensas” no cérebro que pode ter implicações na dependência. “Sabemos que quase 50% da propensão ao consumo de álcool está ligada aos genes, mas as experiências na vida também afetam o consumo humano de álcool”, acrescentou.

Para determinar o grau no qual as experiências estressantes podem levar a um elevado consumo de álcool, pelo menos nas moscas, os cientistas decidiram expor os machos à “rejeição sexual das fêmeas” durante uma hora três vezes por dia e durante quatro dias.

Para comparar os resultados, outro grupo de machos foi eleito para receber a companhia, cada um deles, de cinco moscas virgens e amplas oportunidades para acasalar. “Depois comparamos o consumo voluntário do álcool em ambos grupos. Constatamos que os machos rechaçados pelas fêmeas mostraram uma preferência notável pela comida com 15% de álcool, em detrimento da comida normal”, continuou Ulrike. “Essa diferença no consumo de álcool continuou por vários dias”, disse a pesquisadora.

A vida média das moscas drosófilas é de 26 dias para as fêmeas e 33 dias para os machos, de modo que uma propensão ao alcoolismo por “vários dias” pode representar uma porção significativa na vida desse inseto. Para uma comprovação adicional do impacto da rejeição sexual na propensão ao consumo de álcool, Ulrike e os outros pesquisadores separaram os machos frustrados em dois subgrupos, e a um deles foi permitida a companhia de moscas virgens durante duas horas e meia.

“A preferência pelo álcool foi notavelmente menor no subgrupo de machos primeiro rechaçados e depois colocados na companhia das fêmeas”, destacou o artigo.

Fonte: Portal Terra


23 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas identificam comportamento promíscuo e bissexual em lulas

Cientistas americanos que observaram a vida sexual de uma espécie de lula que vive nas profundezas afirmam que os animais mantêm sexo tanto com machos como fêmeas e possuem hábitos sexuais promíscuos.

As conclusões dos especialistas foram feitas estudarem imagens submarinas das lulas de águas profundas, conhecidas como Octopoteuthis deletron, colhidas ao longo de 20 anos.

Entre as explicações encontradas para o fenômeno estão a de que os acasalamentos nas águas profundas são raros e realizados em um ambiente pouco favorável e a de que as lulas não seriam capazes de distinguir o sexo de seus pares na escuridão das águas profundas.

A pesquisa, publicada na revista especializada Biology Letters, foi possibilitada graças às imagens registradas por submarinos operados remotamente no cânion de Monterey, na região costeira da Califórnia, a profundidades que variam entre 400 e 800 metros.

Até recentemente, pouco se sabia sobre a vida sexual da espécie, exceto pelo fato de que os machos usam um órgão comprido, semelhante a um pênis, para depositar na fêmea espermatóforos, uma cápsula contendo milhões espermatozoides, absorvidos pela fêmea em seu tecido.

O pesquisador que comandou o estudo, Hendrik Hoving, do Instituto Aquático da Baía de Monterey, explicou que sua equipe não chegou a obter imagens dos animais se acasalando, mas encontrou traços de cápsulas de espermatozoide tanto em fêmeas como em machos.

Cientistas identificam comportamento promíscuo e bissexual em lulas

Cientistas identificam comportamento promíscuo e bissexual em lulas(Foto: MBARI/France Presse )

ACASALAMENTO BISSEXUAL

”Como a localização das cápsulas de espermatozoide são similares em ambos os sexos, nós concluímos que os machos acasalam tanto com machos como fêmeas”, afirmou Hoving.

Os pesquisadores descobriram o mesmo número de espermatóforos depositados em machos e fêmeas, o que indicaria que o acasalamento entre pares do mesmo sexo seria tão frequente quanto o realizado entre pares do sexo oposto.

E o número de cápsulas de espermatozoide depositadas também sugere que os animais seriam promíscuos, segundo os pesquisadores.

O comportamento incomum, afirmam eles, pode ser explicado pelo fato de que a lula está tentando ampliar as suas chances de passar adiante os seus gentes em meio ao ambiente desfavorável em que vive.

Na pesquisa, os especialistas afirmam que ”no habitat profundo e escuro onde o Octopoteuthis deletron vive, os machos são poucos e estão espalhados”.

”Nós sugerimos que o acasalamento bissexual do O. deletron faz parte de uma estratégia de reprodução que maximiza o sucesso ao induzir os machos a inseminar indiscriminadamente cada lula que encontram”.

 

Fonte: BBC Brasil


14 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Documentário revela segredo da monogamia de rã

Pesquisadores americanos identificaram causa da fidelidade em espécie da selva peruana.

Pesquisadores americanos descobriram nas selvas peruanas o primeiro anfíbio monogâmico, e agora revelam pela primeira vez, em um documentário da BBC, o segredo desse comportamento sexual da espécie.

Machos e as fêmeas precisam trabalhar juntos para viabilizar continuidade da espécie.

Testes genéticos revelaram que os machos e as fêmeas da espécie Ranitomeya imitator se mantêm fiéis uns aos outros.

Em uma pesquisa publicada na revista científica “The American Naturalist”, os cientistas afirmam que um único detalhe – o tamanho dos reservatórios de água nos quais as fêmeas depositam seus ovos – é responsável por impedir que as rãs dessa espécie tenham relações sexuais com parceiros diferentes.

 

Segundo os cientistas, essa é a melhor evidência já documentada de que a monogamia teria uma única causa.

 

Ovos

Após a cópula, a fêmea da rã coloca seus ovos sobre a superfície de folhas.

 

O macho leva então os girinos que vão nascendo, um a um, carregando-os nas costas, para reservatórios d’água que se acumulam em folhas de bromélias que crescem em galhos no alto de árvores.

 

Cada um dos girinos é colocado em sua própria “piscina”, da qual o macho toma conta.

 

Quando os girinos ficam com fome, o macho chama a fêmea, que chega para colocar um ovo não fertilizado em cada corpo d’água, que o girino come para se alimentar.

 

Os machos e as fêmeas parecem atuar em conjunto, e as novas pesquisas revelaram a extensão de sua fidelidade.

 

Análises genéticas

“Essa é a primeira descoberta de um anfíbio verdadeiramente monogâmico”, afirma o coordenador do estudo, o biólogo Jason Brown, da Universidade East Carolina, em Greenville.

 

Brown e outros pesquisadores da universidade vêm estudando extensivamente nos últimos anos a espécie, que foi filmada para o documentário da BBC.

 

Muitos animais parecem ser monogâmicos, com machos e fêmeas formando pares que muitas vezes parecem durar toda a vida.

 

Mas a recente explosão em análises genéticas revelaram que muitas dessas chamadas relações não eram monogâmicas na realidade.

 

Enquanto muitos animais podem permanecer juntos e se reproduzir, eles com frequência escapam para trocar de parceiros quando têm uma chance.

 

Por meio de exames de DNA, a equipe de Brown analisou 12 famílias de rãs da espécie Ranitomeya imitator, das quais 11 pares se mantiveram fiéis uns aos outros, enquanto na 12ª família o macho copulou com duas fêmeas diferentes.

 

Diferenças

Eles verificaram diferenças em relação a outra espécie semelhante, Ranitomeya variabilis, que se mostrou mais promíscua.

 

As fêmeas dessa segunda espécie coloca seus ovos em corpos d’água cerca de cinco vezes maiores na média do que os da primeira.

 

Além disso, as fêmeas da Ranitomeya variabilis não têm nenhum papel no acompanhamento do desenvolvimento dos girinos, deixado a tarefa a cargo somente dos machos.

 

Quando os pesquisadores transportaram os girinos de ambas as espécies para reservatórios d’água de diferentes tamanhos, verificaram que os girinos cresciam mais rapidamente nos corpos d’água maiores, que contêm mais nutrientes, e que não podiam sobreviver sozinhos nos menores.

 

Isso sugere que os machos e as fêmeas das rãs da espécie Ranitomeya variabilis não precisam se manter juntos, já que seus girinos podem sobreviver sem necessitar da ajuda das mães para se alimentar.

 

Como os girinos da espécie Ranitomeya imitator não conseguem sobreviver sozinhos sem o cuidado tanto dos pais quanto das mães, ambos se mantêm juntos.

Casais da espécie 'Ranitomeya imitator' se mantêm fiéis (Foto: BBC Earth News)

Casais da espécie 'Ranitomeya imitator' se mantêm fiéis (Foto: BBC Earth News)

 

Fonte: Da BBC