11 de abril de 2012 | nenhum comentário »

No Amazonas, pesquisa utiliza fezes do peixe-boi para conhecer o ciclo reprodutivo da espécie

Cientistas do Instituto Mamirauá estão percorrendo rios, lagos e igarapés das Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, no noroeste do Amazonas, em busca de amostras de fezes de peixe-boi amazônico.

A procura, que pode parecer estranha à primeira vista, faz parte de uma pesquisa que pretende conhecer o processo de reprodução da espécie em vida livre.

O estudo é parte do projeto Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert), desenvolvido por pesquisadores do Instituto Mamirauá, com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras ambiental.

Com um acervo de mais de 300 amostras fecais, algumas coletadas há quase duas décadas, os pesquisadores querem analisar as variações nas taxas de hormônios sexuais: os hormônios femininos progesterona (responsável pela manutenção da gestação) e estradiol (ligado à função cíclica ovariana); e o hormônio masculino testosterona (ligado ao funcionamento dos testículos).

De acordo com a médica veterinária Carolina Oliveira, que realiza o estudo, são escassos os relatos científicos sobre a reprodução do peixe-boi amazônico em ambiente silvestre.

“Os dados que se tem são, na grande maioria, provenientes de animais de cativeiro. Em vida livre pode ser diferente, já que soltos os animais recebem influência direta de fatores como a variação do nível da água nas estações de seca e cheia e disponibilidade de alimento”, diz a veterinária.

Segundo Carolina, por meio do estudo da variação das concentrações hormonais é possível estimar em que época do ano os peixes-boi acasalam e em quais épocas as fêmeas estão parindo. Para extração de dosagens de hormônios, é utilizado somente 0,5 grama de fezes.

Os pesquisadores procuram por fezes nas “comedias”, que são concentrações de plantas aquáticas remexidas por peixes-boi durante a alimentação. As amostras coletadas são identificadas e armazenadas em refrigeradores localizados nas bases de pesquisa. Posteriormente, o conteúdo é transportado para a sede do Instituto Mamirauá, no município de Tefé – a 525 quilômetros de Manaus -, onde as amostras serão analisadas.

Pesquisas com exemplares da espécie em cativeiro indicam que o peixe-boi tem baixa capacidade de se reproduzir. A fêmea do peixe-boi só tem um filhote a cada três anos e precisa amamentar a cria por dois anos.

De acordo com a veterinária, a vantagem da coleta de amostras fecais está no fato de a pesquisa obter dados sobre a biologia do peixe-boi sem a necessidade de capturar animais, processo que seria danoso aos animais pelo estresse causado, além de ser caro.

Fonte: A Crítica/AM


29 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas vão contabilizar tigres no Nepal

Amostras de fezes dos animais serão analisadas para rastrear movimentos de cada tigre

Cientistas do Projeto Genoma do Tigre no Nepal (NTGP, na sigla em inglês) vão criar o mapa detalhado do DNA da população de cerca de 150 tigres que habitam as quatro reservas de vida silvestre no sul do país. Os pesquizadores querem fazer a contagem de animais e com isto criar estratégias para a proteção da espécie.

De acordo com um biólogo do projeto, Dibesh Karmacharya, as amostras de fezes dos animais serão analisadas para rastrear os movimentos de cada tigre e conhecer detalhes de sua árvore genealógica, dados que devem promover melhores políticas de conservação.

Os pesquisadores do NTGP esperam contabilizar o número de tigres que vivem no Parque Nacional de Chitwan, a maior reserva destes animais no país, e detectar com precisão padrões de movimentos dos felinos nos outros três parques nacionais.

“O rastro de DNA irá nos ajudar a conhecer o tipo de intervenções necessárias para proteger seu habitat e as estratégias que devemos aplicar na luta contra sua caça ilegal”, disse Karmacharya, que trabalha no Centro de Dinâmica Molecular do Nepal.

Uma das dificuldades que os ambientalistas enfrentam é a falta de um número exato de tigres, pois os cálculos das autoridades variam ano a ano, o que se deve em parte ao uso de técnicas defeituosas na hora de contabilizá-los.

Recentemente, a contagem era feita através de imagens feitas por câmeras colocadas no habitat dos tigres, mas “agora, através da análise de DNA”, segundo Karmacharya, os cientistas vão evitar “contar duas vezes o mesmo animal”.

Os sedimentos coletados permitirão o estudo do DNA graças a análises de uma célula do intestino grosso que o mamífero elimina em suas fezes.

“A compilação desses dados genéticos vai ajudar a determinar a ‘saúde genética’ da população de tigres do Nepal”, explicou Karmacharya, que explicou ainda que as espécies em extinção frequentemente enfrentam problemas de endogamia em massa.

Com esses dados à mão, os pesquisadores poderão sugerir ao governo que proteja os corredores naturais entre os parques para que os tigres possam acasalar com membros de outras “famílias”.

Outro grande perigo para a espécie mais ameaçada do mundo é sua caça ilegal, e os dados genéticos também poderão ajudar neste sentido.

“Se forem encontradas partes do animal abatido, como pele ou ossos, poderemos comparar o material genético com os da nossa base de dados e averiguar onde o tigre foi morto para combater a caça ilegal com mais eficácia”, acrescentou Karmacharya.

Como explicou recentemente à Agência Efe o conservacionista Prasanna Yonzon, o Nepal é um dos centros mais importantes de comércio ilegal de animais selvagens, “porque a China é o maior destino de tigres mortos e o Sul da Ásia seu maior fornecedor”.

Uma das dificuldades que ambientalistas enfrentam é a falta de um número exato sobre a população de tigres no país. Foto: EFE

Fonte: EFE






Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

outubro 2019
S T Q Q S S D
« mar    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

11 de abril de 2012 | nenhum comentário »

No Amazonas, pesquisa utiliza fezes do peixe-boi para conhecer o ciclo reprodutivo da espécie

Cientistas do Instituto Mamirauá estão percorrendo rios, lagos e igarapés das Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, no noroeste do Amazonas, em busca de amostras de fezes de peixe-boi amazônico.

A procura, que pode parecer estranha à primeira vista, faz parte de uma pesquisa que pretende conhecer o processo de reprodução da espécie em vida livre.

O estudo é parte do projeto Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert), desenvolvido por pesquisadores do Instituto Mamirauá, com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras ambiental.

Com um acervo de mais de 300 amostras fecais, algumas coletadas há quase duas décadas, os pesquisadores querem analisar as variações nas taxas de hormônios sexuais: os hormônios femininos progesterona (responsável pela manutenção da gestação) e estradiol (ligado à função cíclica ovariana); e o hormônio masculino testosterona (ligado ao funcionamento dos testículos).

De acordo com a médica veterinária Carolina Oliveira, que realiza o estudo, são escassos os relatos científicos sobre a reprodução do peixe-boi amazônico em ambiente silvestre.

“Os dados que se tem são, na grande maioria, provenientes de animais de cativeiro. Em vida livre pode ser diferente, já que soltos os animais recebem influência direta de fatores como a variação do nível da água nas estações de seca e cheia e disponibilidade de alimento”, diz a veterinária.

Segundo Carolina, por meio do estudo da variação das concentrações hormonais é possível estimar em que época do ano os peixes-boi acasalam e em quais épocas as fêmeas estão parindo. Para extração de dosagens de hormônios, é utilizado somente 0,5 grama de fezes.

Os pesquisadores procuram por fezes nas “comedias”, que são concentrações de plantas aquáticas remexidas por peixes-boi durante a alimentação. As amostras coletadas são identificadas e armazenadas em refrigeradores localizados nas bases de pesquisa. Posteriormente, o conteúdo é transportado para a sede do Instituto Mamirauá, no município de Tefé – a 525 quilômetros de Manaus -, onde as amostras serão analisadas.

Pesquisas com exemplares da espécie em cativeiro indicam que o peixe-boi tem baixa capacidade de se reproduzir. A fêmea do peixe-boi só tem um filhote a cada três anos e precisa amamentar a cria por dois anos.

De acordo com a veterinária, a vantagem da coleta de amostras fecais está no fato de a pesquisa obter dados sobre a biologia do peixe-boi sem a necessidade de capturar animais, processo que seria danoso aos animais pelo estresse causado, além de ser caro.

Fonte: A Crítica/AM


29 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas vão contabilizar tigres no Nepal

Amostras de fezes dos animais serão analisadas para rastrear movimentos de cada tigre

Cientistas do Projeto Genoma do Tigre no Nepal (NTGP, na sigla em inglês) vão criar o mapa detalhado do DNA da população de cerca de 150 tigres que habitam as quatro reservas de vida silvestre no sul do país. Os pesquizadores querem fazer a contagem de animais e com isto criar estratégias para a proteção da espécie.

De acordo com um biólogo do projeto, Dibesh Karmacharya, as amostras de fezes dos animais serão analisadas para rastrear os movimentos de cada tigre e conhecer detalhes de sua árvore genealógica, dados que devem promover melhores políticas de conservação.

Os pesquisadores do NTGP esperam contabilizar o número de tigres que vivem no Parque Nacional de Chitwan, a maior reserva destes animais no país, e detectar com precisão padrões de movimentos dos felinos nos outros três parques nacionais.

“O rastro de DNA irá nos ajudar a conhecer o tipo de intervenções necessárias para proteger seu habitat e as estratégias que devemos aplicar na luta contra sua caça ilegal”, disse Karmacharya, que trabalha no Centro de Dinâmica Molecular do Nepal.

Uma das dificuldades que os ambientalistas enfrentam é a falta de um número exato de tigres, pois os cálculos das autoridades variam ano a ano, o que se deve em parte ao uso de técnicas defeituosas na hora de contabilizá-los.

Recentemente, a contagem era feita através de imagens feitas por câmeras colocadas no habitat dos tigres, mas “agora, através da análise de DNA”, segundo Karmacharya, os cientistas vão evitar “contar duas vezes o mesmo animal”.

Os sedimentos coletados permitirão o estudo do DNA graças a análises de uma célula do intestino grosso que o mamífero elimina em suas fezes.

“A compilação desses dados genéticos vai ajudar a determinar a ‘saúde genética’ da população de tigres do Nepal”, explicou Karmacharya, que explicou ainda que as espécies em extinção frequentemente enfrentam problemas de endogamia em massa.

Com esses dados à mão, os pesquisadores poderão sugerir ao governo que proteja os corredores naturais entre os parques para que os tigres possam acasalar com membros de outras “famílias”.

Outro grande perigo para a espécie mais ameaçada do mundo é sua caça ilegal, e os dados genéticos também poderão ajudar neste sentido.

“Se forem encontradas partes do animal abatido, como pele ou ossos, poderemos comparar o material genético com os da nossa base de dados e averiguar onde o tigre foi morto para combater a caça ilegal com mais eficácia”, acrescentou Karmacharya.

Como explicou recentemente à Agência Efe o conservacionista Prasanna Yonzon, o Nepal é um dos centros mais importantes de comércio ilegal de animais selvagens, “porque a China é o maior destino de tigres mortos e o Sul da Ásia seu maior fornecedor”.

Uma das dificuldades que ambientalistas enfrentam é a falta de um número exato sobre a população de tigres no país. Foto: EFE

Fonte: EFE