27 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Abate ilegal de elefantes é prioridade em convenção da ONU

A regulamentação efetiva do comércio de plantas e animais silvestres está no centro das discussões de representantes de 175 países, reunidos em Genebra até hoje (sexta-feira).

Eles formam o comitê da Convenção sobre o Tratado Internacional das Espécies Selvagens Ameaçadas da Fauna e Flora, Cites. O abate ilegal de elefantes e o comércio do marfim são debatidos com alta prioridade no encontro.
O grupo avalia várias recomendações, como a implementação urgente do Plano de Ação Africano para proteger elefantes; maior controle dos mercados domésticos de marfim e melhor colaboração entre países da África e da Ásia no combate ao contrabando.

Segundo o presidente do comitê da Cites, Øysten Størkersen, os “níveis de caça e contrabando ilegal de elefantes e rinocerontes são os piores em uma década.” Nos primeiros seis meses deste ano, mais de 280 rinocerontes foram mortos, só na África do Sul.
O comitê da Cites analisa ainda o aumento da demanda por chifres de rinoceronte; os progressos para reduzir a exploração de tartarugas e sapos do Madagáscar e o uso de cobras da Ásia na indústria de couro.

Iniciativas para proteger tigres e comércio ilegal de grandes símios, como gorilas e orangotangos, também estão na pauta. A Cites é responsável por regular o comércio internacional de 35 mil espécies selvagens de plantas e animais.

 

Fonte: UOL

 


14 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Para cientistas, preservar espécies é responsabilidade humana

Especialistas dizem que é preciso agir para evitar futuro ‘incerto’.
ONU chamou atual década de ‘década da biodiversidade’.

A biodiversidade é a bola da vez nos debates sobre o desenvolvimento sustentável. O conceito define a variedade entre os seres vivos de todo o planeta. Defender a biodiversidade significa, portanto, evitar a extinção de espécies de todos os tipos, sejam plantas ou animais, aquáticos ou terrestres.

Em abril de 2012, foi aprovada a criação de um grupo de estudos direcionado para o tema dentro das Nações Unidas, nos moldes do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês).

Para a ONU, o período entre 2011 e 2020 é a “década da biodiversidade”. Em 2010, durante uma conferência em Nagoia, no Japão, foram traçadas 20 metas de biodiversidade, que precisam ser atingidas até 2020. Elas ficaram conhecidas como as “metas de Aichi”, nome da província japonesa onde fica a cidade.

Entre os objetivos estratégicos principais, os signatários do acordo se comprometeram a fazer com que a população absorva os valores da biodiversidade e tomem medidas para preservá-la.

A grande questão para os cientistas reunidos no Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), é como alcançar a sociedade e mostrar a importância da preservação das espécies.

“O que eu espero firmemente é que as pessoas acordem antes que aconteça algo realmente ruim para acordá-las”, afirmou Thomas Lovejoy, presidente do Painel de Avaliação Técnica e Científica do Fundo Global para o Meio Ambiente.

“Estamos numa época em que a humanidade começa a ser a maior força de mudança do planeta”, explicou Lidia Brito diretora da Divisão de Implementação de Políticas da Organização Educacional, Científica e Cultural das Nações Unidas (Unesco, na sigla em inglês).

“Significa que a responsabilidade da humanidade, individual e coletiva, de tomar conta desse sistema terrestre, que é o nosso planeta, ela aumenta muito”, completou.

A cientista moçambicana afirmou que o ser humano precisa agir com responsabilidade e reconhecer que os recursos do planeta são finitos. Essa atitude evitaria problemas mais graves, ainda difíceis de prever.

“Se nós queremos manter as civilizações humanas como as conhecemos, como parte do sistema terrestre, então nós temos que ter atenção às fronteiras planetárias, porque elas podem iniciar um processo de mudança que é incerto”, argumentou.

Ela disse ainda que, apesar do caráter de incerteza, os sinais das mudanças já são suficientemente claros. “As comunidades de pescadores já estão sentindo. Eles já têm menos peixe, o peixe já está menor. Já não é distante”, exemplificou.

Biodiversidade e economia
No Brasil, cientistas mostram que a preservação da biodiversidade pode render, inclusive, melhoras diretas na economia.

Felipe Amorim, pesquisador da Universidade de Campinas (Unicamp), apresentou no Fórum as vantagens da manutenção das abelhas em áreas usadas para o plantio – os insetos espalham o pólen e proporcionam o nascimento de novas plantas. Ele mencionou uma pesquisa recente feita em Minas Gerais, que mostrou que as lavouras de café próximas à mata nativa têm um rendimento até 14% superior.

Ana Paula Prestes, diretora de áreas protegidas do Ministério do Meio Ambiente, apontou outro potencial uso econômico da preservação das espécies. “Na parte marinha, a gente tem milhões de espécies que ainda não foram conhecidas nem estudadas, mas que a gente sabe do potencial para fármacos, para cosméticos e para outras coisas”, disse.

“Não vou dizer que é um senso comum, mas tem vários grupos que enxergam em áreas protegidas um empecilho econômico, um empecilho para o crescimento, e não é, pelo contrário”, defendeu, mencionando outros possíveis ganhos, como o turismo.

Vista da Grande Barreira de Corais, com sua variedade de cores e espécies, já está disponível no site do projeto. (Foto: Divulgação / The Catlin Seaview Survey)

Grande Barreira de Corais, na Austrália. Local abriga grande biodiversidade e pode sofrer com a alteração da temperatura dos oceanos (Foto: Divulgação / The Catlin Seaview Survey)

Fonte: Globo Natureza


10 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Redução da biodiversidade causa impactos tão graves quanto a poluição e as mudanças climáticas

No topo da lista de problemas ambientais mais urgentes, constam questões como as mudanças climáticas, o buraco na camada de ozônio e a poluição ambiental, devido aos efeitos que esses fenômenos podem causar no planeta. A perda da biodiversidade é, em geral, deixada em segundo plano, vista mais como um reflexo das agressões do que como uma causa de mais problemas. A pesquisa “A global synthesis reveals biodiversity loss as a major driver of ecosystem change” divulgada dia 2 de maio na revista científica Nature, contudo, alerta que, na natureza, diversidade significa quantidade e qualidade. De acordo com o grupo de várias universidades dos Estados Unidos envolvidas na análise, a diminuição da variedade de espécies animais e vegetais é tão nociva à produtividade dos ecossistemas quanto a poluição e as alterações no clima.

Para mensurar os efeitos da redução da biodiversidade no ambiente, os pesquisadores analisaram dados de 192 estudos anteriores sobre todas as regiões do mundo, incluindo oceanos e ecossistemas de água doce. O resultado da análise mostra que, em áreas onde ocorre a perda de 21% a 40% da variedade de espécies — seja por desmatamento, caça ou pesca predatórias, por exemplo — há redução na produtividade semelhante à sentida por causa das mudanças climáticas ou pela poluição ambiental. E diminuições mais altas, entre 41% e 60%, são tão nocivas quanto a acidificação ou a elevação intensa na produção de dióxido de carbono (CO2).

O pesquisador norte-americano Bruce Hungate, da Universidade do Norte do Arizona, explica que, além de um efeito direto, relacionado à perda de espécies, a queda da biodiversidade gera um enfraquecimento de todo o ecossistema. “Extinções definitivas. É triste perder definitivamente a diversidade biológica. Nosso novo trabalho mostra que esses efeitos são tão grandes quanto outras formas de mudança global”, conta o cientista. “Quando o ambiente perde a metade das espécies vegetais em uma área, o crescimento da planta é afetado como se ela tivesse sido banhada em chuva ácida”, alerta.

A gama de dados analisados permitiu aos pesquisadores constatarem que nenhuma região está a salvo. “Pode até haver ecossistemas que são mais ou menos sensíveis, mas em todos onde há dados disponíveis existe um padrão geral de que a perda de espécies tem impactos grandes”, explica Hungate. “Encontramos efeitos bastante consistentes de perda de diversidade em água doce, terrestres e dos ecossistemas marinhos no conjunto de estudos que avaliamos. Em média, há perdas de aproximadamente 13% na produtividade com uma redução de 50% da diversidade. Muitos de nós ficamos surpresos com a força dos efeitos em relação às outras alterações ambientais que avaliamos”, afirma David Hooper, pesquisador da Universidade de Washington Ocidental e líder do estudo divulgado na “Nature”.

Embora os pesquisadores já soubessem que a perda de diversidade reduz a produtividade dos ecossistemas, esse foi o primeiro grande estudo a mensurar esse prejuízo. “Nós já sabíamos há muito tempo que a biodiversidade afeta a produtividade e a sustentabilidade dos ecossistemas”, explica Bradley Cardinale, especialista da Universidade de Michigan. “Já sabíamos que a perda de diversidade pode comprometer os bens e serviços que os ecossistemas prestam, como alimentos, água potável e um clima estável. Mas não sabíamos como a perda de diversidade é importante comparada aos outros problemas ambientais que enfrentamos. Bem, agora sabemos que está entre os cinco maiores problemas ambientais globais.”

Vista normalmente como uma consequência de outros problemas ambientais, a queda da variedade de espécies, segundo os pesquisadores, passa a ter um papel de protagonista do processo. “Onde eu moro, perto do Puget Sound, no estado de Washington (Estados Unidos), temos aproximadamente 25 espécies ameaçadas de extinção, desde flores pequenas ao rei salmão e a baleias orca”, relata David Hooper. “Embora algumas dessas espécies possam desaparecer para sempre com apenas um sussurro, outras são muito importantes, economicamente e culturalmente. Sua extinção representaria uma grande perda de renda para pessoas que dependem, por exemplo, da pesca e do turismo”, completa.

O líder do estudo afirma ainda que os efeitos da redução da diversidade ameaçam direta a humanidade. “Se pensarmos sobre a biodiversidade de forma mais ampla, a perda de componentes da paisagem-chave pode botar em risco as pessoas”, opina. “Por exemplo, perda de matas ciliares pode pôr em perigo vidas humanas, por meio da perda de controle de inundações, e a sustentabilidade social, afetando a proteção de fontes de água fresca”, enumera Hooper.

A visão mais ampla, de que as questões ambientais têm impactos tanto no ambiente quanto diretamente no desenvolvimento social, como descrevem os pesquisadores, será o tema principal da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que ocorre entre 13 e 22 de junho no Rio de Janeiro. Apesar de avanços recentes, biodiversidade ainda é um dos temas mais problemáticos, que devem despertar maior debate durante o evento. “Temos que nos dar conta de que estamos observando uma perda da biodiversidade sem precedentes nos últimos 65 milhões de anos. Claramente estamos entrando na sexta extinção em massa (do planeta)”, disse à agência de notícias France-Presse Bob Watson, ex-chefe do painel climático da ONU e principal assessor do ministério britânico de Meio Ambiente.

Em ecologia, produtividade refere-se à taxa de geração de biomassa em um ecossistema. É geralmente expressa em unidades de massa por unidade de superfície de tempo, por exemplo: gramas por metro quadrado por dia. Quanto mais biomassa, maior a capacidade do bioma em se manter e prover serviços ecológicos, como fornecer água e alimento.

Fonte: Mater Natura


18 de janeiro de 2012 | nenhum comentário »

Infrações contra a flora em MT motivam R$ 696 milhões em multas

As infrações cometidas contra a flora mato-grossense no ano de 2011 geraram uma cifra milionária em multas emitidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama). Ao todo, foram lavradas autuações que superaram meio milhão de reais (R$ 696.802.758,80). Na lista das agressões praticadas aos diferentes tipos de vegetação estão os desmatamentos ilegais, queimadas e também o transporte ilegal de madeira, segundo o órgão. O número faz parte de um balanço apresentado pela superintendência do Ibama no estado.

“Em Mato Grosso o que mais motiva as multas é a infração cometida contra a flora”, citou Eduardo Engelmann, chefe do setor de fiscalização. Ao todo, foram 1.359 autos de infração lavrados pelo órgão ambiental na unidade federada, conforme apontou o balanço. O exercício de atividades ilegais, como o desmatamento, provocou o embargo de 59.927,752 hectares em Mato Grosso.

Além de multas e embargos, as operações realizadas pelo Instituto Brasileiro na repressão aos crimes e infrações ambientais acarretaram ainda na apreensão de madeira, veículos e equipamentos utilizados para a prática. No estado, o volume total de madeira em tora apreendida somou 26.619 metros cúbicos, enquanto a de serrada alcançou 6.855 metros cúbicos.

Segundo o órgão, 20 tratores que auxiliavam no processo de derrubada das matas foram apreendidos, ao lado de 31 caminhões e outras 42 motosserras. Os dados são referentes ao período compreendido entre 1º de janeiro a 20 de dezembro de 2011.

Conforme Engelmann, uma característica marcou as ocorrências de desmate . “Acaba sendo mais comum onde a pessoa faz a extração das árvores em pontos onde não tem nenhuma autorização. É uma área particular de outra pessoa, ou uma área pública de estado”, frisou.

Embora o Ibama mantenha as ações de combate ao desmatamento, os números do Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal – PRODES – revelaram uma alta nos casos desta natureza entre os anos de 2010 e 2011. A área atingida avançou de 871 quilômetros quadrados para 1.126 quilômetros quadrados, deixando a unidade federada na segunda posição, atrás apenas do Pará, que desmatou 2.870 quilômetros quadrados.

Em toda Amazônia, foram 6.238 quilômetros quadrados, um recuo de 11% frente a 2010, que registrou 7 mil quilômetros quadrados. Para o chefe do setor de fiscalização do Ibama em Mato Grosso, apenas as multas não sanam o problema do desmatamento no estado. Elas são a última instância utilizada para repreender infratores.

“Quando se aplica uma multa, significa que o fato aconteceu. O melhor caminho é você monitorar, detectar a tempo o problema. Para que se tenha esse controle do desmatamento irregular é necessário ter monitoramento frequente, como o Deter”, frisou Eduardo.

Agronegócio – Engelmann diz não ser possível atribuir todas as ocorrências de desmates em função da atividade agropecuária. “Existem produtores rurais que são conscientes e existem aqueles que ignoraram. A posição do próprio setor é reprovar esse tipo de comportamento que se coloca como isolado, de um outro, enquanto a maioria respeita [a legislação]“, pontuou.

Gargalo – Para o coordenador do departamento de GeoTecnologia do Instituto Centro de Vida (ICV), Ricardo Mendonça, só será possível combater o desmatamento se haver, pelos órgãos públicos, maior responsabilização dos autores. Ele fala em reduzir, pela lei, as brechas existentes.

“Na esfera administrativa ainda existe um espaço muito grande para os recursos e nunca é resolvida a situação. A responsabilização pelos danos ambientais continua sendo o maior gargalo”, citou o representante.

Fonte: Leandro J. Nascimento/ G1


18 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Incêndio destrói área de mata preservada na USP em Ribeirão Preto

Fogo consumiu banco genético usado por pesquisadores da universidade.
Também houve perda de animais que não conseguiram escapar.

Um incêndio destruiu um banco genético usado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, na tarde desta terça-feira (16). Segundo levantamento dos pesquisadores, cerca de 40 hectares da mata preservada há 23 anos foram consumidos pelas chamas.

Segundo a bióloga Ana Carla Aquino, a perda foi irreparável, já que o material era considerado uma “biblioteca biológica”. “Tínhamos amostras da flora de 400 fragmentos da bacia dos rios Pardo e Mogi. As pesquisas serviam como uma forma de recuperar a biodiversidade de outros locais que porventura perdessem as espécies de planta”, afirmou.

Ainda segundo a especialista, houve também uma perda considerável da fauna local. “Os animais que conseguem voar se salvaram. Porém, o problema são aqueles que não conseguem se livrar do fogo. Como, por exemplo, roedores, rastejantes, filhotes de aves e ouriços”, lamentou.

A tarefa de fazer uma reposição será árdua na universidade. “Os bichos não tem mais onde se alimentar e local para se esconder. O trabalho botânico e a fauna terão que vir gradativamente”, disse a pesquisadora.

Destruição
O incêndio começou por volta das 14h10 de terça e foi controlado apenas às 18h20. Segundo o Corpo de Bombeiros, o combate contou com a ajuda da guarda universitária, um caminhão-pipa de uma empresa privada, carros do Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (Daerp), além do helicóptero Águia da Polícia Militar.

Uma área de preservação permanente e propriedade rurais vizinhas foram atingidas pelas chamas. Apesar do risco de fogo em depósitos de materiais radioativos do Hospital das Clínicas, a área não foi atingida.

De acordo com a guarda universitária, esse foi o maior incêndio registrado na história da USP.

Fonte: Do G1, SP


13 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Grã-Bretanha cria ‘corredor’ de flores para preservar abelhas

As populações de abelhas e outros insetos polinizadores vem diminuindo muito na Grã-Bretanha, mas uma iniciativa para reverter a situação foi lançada nesta reserva em North Yorkshire.

Foram liberados mais de R$ 150 mil para as primeiras plantações em total de cinco hectares de corredores de plantas polinizadoras, de norte a sul e de leste a oeste na reserva.

O objetivo é que estas plantações impeçam a queda no número de borboletas e outros insetos.

Fonte: G1

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31 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Botânicos fazem lista com 1,25 milhão de nomes de plantas

Banco de dados traz denominações científicas e comuns de vegetais. Com maioria das espécies conhecidas, ‘Plant List’ está disponível online.

Botânicos britânicos e norte-americanos anunciaram nesta quarta-feira (29) ter inventariado 1,25 milhão de denominações de plantas, dando forma à lista mais ampla do mundo, que pode ser consultada no site www.theplantlist.org, em inglês.

O banco de dados, considerado uma contribuição essencial para a preservação da flora global, contém os nomes científicos e comuns da maioria das espécies vegetais conhecidas, das ervas mais simples a legumes, passando por rosas, samambaias exóticas, musgos e coníferas.

A “Plant List” comporta igualmente links de publicações científicas relacionadas às espécies em questão, para ajudar o trabalho de pesquisadores, tanto em botânica quanto em farmácia.

A lista foi elaborada a tempo, para a conclusão do Ano Internacional da Biodiversidade, por cientistas do Royal Botanical Gardens (Kew Gardens) da Grã-Bretanha e do Missouri Botanical Garden americano.

“É crucial para pesquisas, previsões, vigilância de programas de preservação das plantas no mundo inteiro”, destacou o diretor dos Kew Gardens, Stephen Hopper, citado em comunicado.

“Sem os nomes corretos, a compreensão e a comunicação sobre a vida dos vegetais se perderiam num caos, custariam somas faraônicas, além de colocar vidas em perigo, no caso de plantas utilizadas em medicina”, segundo o comunicado dos Kew Gardens.

Entre o mais de milhão de nomes de espécies repertoriadas, cerca de um quarto (25,4%) dessas denominações são ainda consideradas não-resolvidas, não entrando nem nos sinônimos, precisaram os autores da lista.

Os especialistas em botânica e em tecnologia de informação das duas instituições iniciaram suas pesquisas em 2008 para estabelecer esta lista como base de comparação entre famílias de plantas compiladas por Kew Gardens e o sistema Tropicos, um banco de dados alimentado desde 1982 pelo Missouri Botanical Garden.

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Em outubro, os 193 países membros da Convenção sobre a Diversidade Biológica reunidos em Nagoya no Japão, decidiram criar até 2020 um banco de dados online com toda a flora conhecida no mundo.

Segundo um estudo divulgado em setembro pela União internacional de Conservação da Natureza, uma planta em cinco é ameaçada de desaparecimento.

(AFP)

(G1, 29/12)


31 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Pesquisa avalia importância da água de neblina para árvores na Serra da Mantiqueira, em São Paulo

Um estudo realizado pelo Instituto de Biologia, IB, da Universidade Estadual de Campinas, Unicamp, aponta a importância da neblina para a sobrevivência de árvores na Serra da Mantiqueira, no estado de São Paulo.

De acordo com a pesquisa, a água de neblina absorvida pelas folhas pode chegar a 40% do conteúdo de água encontrado no interior dos tecidos foliares de árvores. “Até então, não se tinha uma comprovação científica de que as folhas de espécies arbóreas tropicais absorviam água de neblina, tampouco não era sabido como o transporte de água do exterior para os tecidos foliares pode ocorrer. A informação é nova e pode contribuir para o entendimento do papel ecológico da neblina em regiões onde o fenômeno é constante”, explicou a bióloga, autora do estudo, Aline Lopes e Lima.

No parque estadual onde a pesquisa foi realizada, em Campos do Jordão, a neblina está presente em cerca de 80% dos dias do ano.

A água absorvida desta forma favorece a hidratação imediata dos tecidos aéreos e o desempenho eco fisiológico. Mesmo em períodos de baixa umidade, as árvores conseguem se manter hidratadas. “A neblina é uma importante fonte de água para os ecossistemas terrestres e pode molhar as superfícies das plantas, mesmo que não haja aumento significativo do conteúdo de água no solo”, disse.

Foram observadas três espécies de árvores que ocorrem na região: a Drimys brasiliensis, também conhecida por cataia, a Eremanthus erythropappus, ou candeia, e a Myrsine umbellata, ou capororoca.
Fonte: Danielle Jordan/Ambientebrasil

*Com informações do Instituto de Biologia.


30 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Caça que afeta a flora

Uma série de estudos realizados na Mata Atlântica indica que a defaunação – perda de mamíferos e aves devido à caça –, ao modificar as forças seletivas, pode desencadear rápidas mudanças evolucionárias. As pesquisas demonstraram que o processo gera novos impedimentos ecológicos para a população de plantas, afetando sua demografia ao aumentar a predação de sementes.

Os estudos estão relacionados ao Projeto Temático “Efeitos de um gradiente de defaunação na herbivoria, predação e dispersão de sementes: uma perspectiva na Mata Atlântica”, financiado pela FAPESP e coordenado por Mauro Galetti, professor do Instituto de Biociências de Rio Claro da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Galetti, que pesquisa o tema há cerca de 20 anos, apresentou alguns dos resultados do Projeto Temático durante a conferência internacional Getting Post 2010 – Biodiversity Targets Right realizada este mês pelo Programa Biota-FAPESP em parceria com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

De acordo com Galetti, o Brasil tem 35% das espécies ameaçadas de mamíferos no mundo. A perda de habitat e a fragmentação da floresta são os principais fatores de ameaça, mas metade das espécies sofre com a caça. O tamanho do corpo é um dos preditores de ameaça de extinção. Segundo o cientista, a escala de defaunação é gigantesca em todo o mundo, chegando a 20 milhões de animais mortos por ano em regiões como a África central.

“Verificamos que na Mata Atlântica do Estado de São Paulo há muita caça também. Um de nossos mestrandos entrevistou caçadores por um ano no Parque Estadual da Serra do Mar e constatou que 96 mamíferos haviam sido abatidos”, disse Galetti.

É um número alto, considerando as características da região, segundo ele. Em um Projeto Temático anterior coordenado por Galetti, sobre a conservação de grandes mamíferos, os dados da Mata Atlântica foram comparados com os da Amazônia, indicando a abundância no número de espécies de mamíferos no primeiro bioma.

A abundância de mamíferos na floresta contínua com pouca caça na Mata Atlântica é muito maior do que em locais com caça. No caso da queixada (Tayassu pecari), por exemplo, a abundância é 30 vezes menor em áreas com caça.

Os mamíferos são responsáveis por pelo menos 30% da dispersão das cerca de 2,5 mil espécies de plantas na Mata Atlântica. Mas isso corresponde a um processo complexo que envolve os efeitos da presença de animais de diversos tamanhos com inúmeras relações com as espécies vegetais.

“Desenvolvemos um modelo de redução de megaherbívoros para estudar esses efeitos. Conforme aumentamos a perturbação no modelo, as populações de grandes mamíferos entraram em colapso. Mas, por outro lado, as populações de mamíferos de médio porte chegam a aumentar em áreas perturbadas”, disse.

O modelo, segundo ele, aponta um aumento quase linear na abundância de roedores quando há uma perturbação que leva as populações de grandes mamíferos ao colapso. “Esse modelo já foi testado experimentalmente na savana africana, na observação da abundância de ratos em áreas com e sem elefantes. Quando não há elefantes, a população de ratos aumenta muito”, contou.

Na savana africana, no entanto, há apenas um roedor. Na floresta tropical, com diversidade muito maior de pequenos mamíferos, os processos são mais complexos.

O grupo de Galetti realizou um estudo comparando a abundância de pequenos mamíferos em duas áreas separadas por uma distância de 15 quilômetros. Ambas apresentavam uma diferença considerável quanto à biomassa de mamíferos.

“A riqueza de espécies nas duas áreas era exatamente igual. Mas há uma estrada que passa entre as duas áreas e, de um lado, o ambiente é dominado por queixadas, enquanto do outro lado predominam os esquilos. Com exceção dessa característica, que resulta em uma diferença na biomassa dos mamíferos, as populações de animais nas duas são muito semelhantes”, explicou.

Duas tecnologias foram usadas para avaliar os mamíferos: as armadilhas de interceptação e queda conhecidas como pitfall traps e as armadilhas do tipo live trap. A primeira mostrou mais eficiência para registrar as diferenças na abundância dos animais.

“Avaliamos se a diferença de abundância das duas espécies nas duas áreas poderia ser decorrência da abundância de cobras, mesopredadores, limitação de recursos e de microhabitat. Mas tudo isso foi rejeitado como hipótese alternativa. A hipótese que estamos aceitando é que a presença da queixada afeta a abundância de pequenos roedores”, disse Galetti.

Dispersão modificada – De acordo com o coordenador do Projeto Temático, espera-se que a predação de sementes seja maior em uma floresta com mais presença de roedores.

“Testamos isso em um estudo com a palmeira Euterpe edulis, que é usada na produção de palmito. Ela tem suas sementes predadas por aves e muitas espécies de mamíferos. Escolhemos quatro áreas sem queixadas e três com queixadas para fazer o estudo”, contou Galetti.

Os pesquisadores instalaram, nas áreas escolhidas, câmeras que permitem calcular o número de sementes predadas. “Nas áreas defaunadas, sem as queixadas, a predação de sementes por roedores cresce consideravelmente. Nos fragmentos defaunados só os roedores predam as sementes da palmeira, mas a proporção dessa predação é aumentada em seis vezes”, disse.

Além do aumento na predação, as áreas defaunadas sofrem com maior dificuldade de dispersão das sementes, que é feita principalmente por animais que as ingerem e as regurgitam em outras partes da floresta.

Em áreas não defaunadas, segundo Galetti, o maior dispersor das sementes do palmito é o tucano. Quando a área é defaunada, o maior dispersor são aves do gênero Turdus, que inclui o sabiá. O problema é que sua capacidade de dispersão não é a mesma, pois trata-se de uma ave sete vezes menor que o tucano.

“As aves grandes consomem sementes maiores. Testamos isso com aves em cativeiro. Na área defaunada, há uma redução do tamanho das sementes dispersas. As plântulas que se originam das sementes grandes têm mais vigor e podem sobreviver mesmo depois de ser parcialmente predadas”, disse.

Os estudos mostraram também que, nas áreas defaunadas, as sementes maiores apresentam maior chance de escapar da predação, devido à ausência de predadores de médio e grande porte. “Sementes menores sofrem maior pressão de predação”, disse Galetti.

(Fonte: Agência Fapesp)


14 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Biodiversidade global diminui 30%; países tropicais tiveram maiores perdas

O Relatório Planeta Vivo 2010 mostra que os países tropicais, que também são os mais pobres, perderam 60% de flora e fauna nos últimos 40 anos. Em contrapartida, as nações localizadas em zonas temperadas tiveram um aumento de 29%.

O relatório, publicado a cada dois anos pela organização não governamental WWF, aponta ainda que se mantém em alta a tendência de consumo superior ao da reposição de recursos renováveis no ambiente, já registrada na década de 80.

Essa tendência é mais forte em economias de nações ricas ou mais desenvolvidas, seguidas pelos integrantes do Bric, do qual o Brasil faz parte ao lado de Rússia, Índia e China.

Nesse ritmo, tomando-se como base de cálculo o ano de 2007, o mundo levaria um ano e meio para gerar os recursos consumidos e para absorver as emissões de dióxido de carbono (CO2).

A biocapacidade – relação entre a área disponível para agricultura, pastagem, pesca e florestas e o potencial de produtividade – também pertencem aos membros do Bric, sendo o Brasil um dos detentores do título, além de China, EUA, Rússia, Índia, Canadá, Austrália, Indonésia, Argentina e França.

No quesito água, 71 países possuem algum tipo de preocupação com o suprimento e as formas de assegurar, ao mesmo tempo, a saúde de rios, lagos e aquíferos. Desse número, dois terços devem passar à classificação do nível de preocupação entre “moderado” e “severo” – em 1995, 1,8 milhão de pessoas tinham problemas para obter água em áreas consideradas de preocupação severa.

Além do despejo de 2,8 milhões de toneladas de esgoto que retornam à natureza, a captação da água tem provocado uma seca no volume dos rios, como é o caso do Amarelo, que corta toda a China, e do Grande, que fica na fronteira entre os EUA e o México. (Fonte: Folha.com)


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27 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Abate ilegal de elefantes é prioridade em convenção da ONU

A regulamentação efetiva do comércio de plantas e animais silvestres está no centro das discussões de representantes de 175 países, reunidos em Genebra até hoje (sexta-feira).

Eles formam o comitê da Convenção sobre o Tratado Internacional das Espécies Selvagens Ameaçadas da Fauna e Flora, Cites. O abate ilegal de elefantes e o comércio do marfim são debatidos com alta prioridade no encontro.
O grupo avalia várias recomendações, como a implementação urgente do Plano de Ação Africano para proteger elefantes; maior controle dos mercados domésticos de marfim e melhor colaboração entre países da África e da Ásia no combate ao contrabando.

Segundo o presidente do comitê da Cites, Øysten Størkersen, os “níveis de caça e contrabando ilegal de elefantes e rinocerontes são os piores em uma década.” Nos primeiros seis meses deste ano, mais de 280 rinocerontes foram mortos, só na África do Sul.
O comitê da Cites analisa ainda o aumento da demanda por chifres de rinoceronte; os progressos para reduzir a exploração de tartarugas e sapos do Madagáscar e o uso de cobras da Ásia na indústria de couro.

Iniciativas para proteger tigres e comércio ilegal de grandes símios, como gorilas e orangotangos, também estão na pauta. A Cites é responsável por regular o comércio internacional de 35 mil espécies selvagens de plantas e animais.

 

Fonte: UOL

 


14 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Para cientistas, preservar espécies é responsabilidade humana

Especialistas dizem que é preciso agir para evitar futuro ‘incerto’.
ONU chamou atual década de ‘década da biodiversidade’.

A biodiversidade é a bola da vez nos debates sobre o desenvolvimento sustentável. O conceito define a variedade entre os seres vivos de todo o planeta. Defender a biodiversidade significa, portanto, evitar a extinção de espécies de todos os tipos, sejam plantas ou animais, aquáticos ou terrestres.

Em abril de 2012, foi aprovada a criação de um grupo de estudos direcionado para o tema dentro das Nações Unidas, nos moldes do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês).

Para a ONU, o período entre 2011 e 2020 é a “década da biodiversidade”. Em 2010, durante uma conferência em Nagoia, no Japão, foram traçadas 20 metas de biodiversidade, que precisam ser atingidas até 2020. Elas ficaram conhecidas como as “metas de Aichi”, nome da província japonesa onde fica a cidade.

Entre os objetivos estratégicos principais, os signatários do acordo se comprometeram a fazer com que a população absorva os valores da biodiversidade e tomem medidas para preservá-la.

A grande questão para os cientistas reunidos no Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), é como alcançar a sociedade e mostrar a importância da preservação das espécies.

“O que eu espero firmemente é que as pessoas acordem antes que aconteça algo realmente ruim para acordá-las”, afirmou Thomas Lovejoy, presidente do Painel de Avaliação Técnica e Científica do Fundo Global para o Meio Ambiente.

“Estamos numa época em que a humanidade começa a ser a maior força de mudança do planeta”, explicou Lidia Brito diretora da Divisão de Implementação de Políticas da Organização Educacional, Científica e Cultural das Nações Unidas (Unesco, na sigla em inglês).

“Significa que a responsabilidade da humanidade, individual e coletiva, de tomar conta desse sistema terrestre, que é o nosso planeta, ela aumenta muito”, completou.

A cientista moçambicana afirmou que o ser humano precisa agir com responsabilidade e reconhecer que os recursos do planeta são finitos. Essa atitude evitaria problemas mais graves, ainda difíceis de prever.

“Se nós queremos manter as civilizações humanas como as conhecemos, como parte do sistema terrestre, então nós temos que ter atenção às fronteiras planetárias, porque elas podem iniciar um processo de mudança que é incerto”, argumentou.

Ela disse ainda que, apesar do caráter de incerteza, os sinais das mudanças já são suficientemente claros. “As comunidades de pescadores já estão sentindo. Eles já têm menos peixe, o peixe já está menor. Já não é distante”, exemplificou.

Biodiversidade e economia
No Brasil, cientistas mostram que a preservação da biodiversidade pode render, inclusive, melhoras diretas na economia.

Felipe Amorim, pesquisador da Universidade de Campinas (Unicamp), apresentou no Fórum as vantagens da manutenção das abelhas em áreas usadas para o plantio – os insetos espalham o pólen e proporcionam o nascimento de novas plantas. Ele mencionou uma pesquisa recente feita em Minas Gerais, que mostrou que as lavouras de café próximas à mata nativa têm um rendimento até 14% superior.

Ana Paula Prestes, diretora de áreas protegidas do Ministério do Meio Ambiente, apontou outro potencial uso econômico da preservação das espécies. “Na parte marinha, a gente tem milhões de espécies que ainda não foram conhecidas nem estudadas, mas que a gente sabe do potencial para fármacos, para cosméticos e para outras coisas”, disse.

“Não vou dizer que é um senso comum, mas tem vários grupos que enxergam em áreas protegidas um empecilho econômico, um empecilho para o crescimento, e não é, pelo contrário”, defendeu, mencionando outros possíveis ganhos, como o turismo.

Vista da Grande Barreira de Corais, com sua variedade de cores e espécies, já está disponível no site do projeto. (Foto: Divulgação / The Catlin Seaview Survey)

Grande Barreira de Corais, na Austrália. Local abriga grande biodiversidade e pode sofrer com a alteração da temperatura dos oceanos (Foto: Divulgação / The Catlin Seaview Survey)

Fonte: Globo Natureza


10 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Redução da biodiversidade causa impactos tão graves quanto a poluição e as mudanças climáticas

No topo da lista de problemas ambientais mais urgentes, constam questões como as mudanças climáticas, o buraco na camada de ozônio e a poluição ambiental, devido aos efeitos que esses fenômenos podem causar no planeta. A perda da biodiversidade é, em geral, deixada em segundo plano, vista mais como um reflexo das agressões do que como uma causa de mais problemas. A pesquisa “A global synthesis reveals biodiversity loss as a major driver of ecosystem change” divulgada dia 2 de maio na revista científica Nature, contudo, alerta que, na natureza, diversidade significa quantidade e qualidade. De acordo com o grupo de várias universidades dos Estados Unidos envolvidas na análise, a diminuição da variedade de espécies animais e vegetais é tão nociva à produtividade dos ecossistemas quanto a poluição e as alterações no clima.

Para mensurar os efeitos da redução da biodiversidade no ambiente, os pesquisadores analisaram dados de 192 estudos anteriores sobre todas as regiões do mundo, incluindo oceanos e ecossistemas de água doce. O resultado da análise mostra que, em áreas onde ocorre a perda de 21% a 40% da variedade de espécies — seja por desmatamento, caça ou pesca predatórias, por exemplo — há redução na produtividade semelhante à sentida por causa das mudanças climáticas ou pela poluição ambiental. E diminuições mais altas, entre 41% e 60%, são tão nocivas quanto a acidificação ou a elevação intensa na produção de dióxido de carbono (CO2).

O pesquisador norte-americano Bruce Hungate, da Universidade do Norte do Arizona, explica que, além de um efeito direto, relacionado à perda de espécies, a queda da biodiversidade gera um enfraquecimento de todo o ecossistema. “Extinções definitivas. É triste perder definitivamente a diversidade biológica. Nosso novo trabalho mostra que esses efeitos são tão grandes quanto outras formas de mudança global”, conta o cientista. “Quando o ambiente perde a metade das espécies vegetais em uma área, o crescimento da planta é afetado como se ela tivesse sido banhada em chuva ácida”, alerta.

A gama de dados analisados permitiu aos pesquisadores constatarem que nenhuma região está a salvo. “Pode até haver ecossistemas que são mais ou menos sensíveis, mas em todos onde há dados disponíveis existe um padrão geral de que a perda de espécies tem impactos grandes”, explica Hungate. “Encontramos efeitos bastante consistentes de perda de diversidade em água doce, terrestres e dos ecossistemas marinhos no conjunto de estudos que avaliamos. Em média, há perdas de aproximadamente 13% na produtividade com uma redução de 50% da diversidade. Muitos de nós ficamos surpresos com a força dos efeitos em relação às outras alterações ambientais que avaliamos”, afirma David Hooper, pesquisador da Universidade de Washington Ocidental e líder do estudo divulgado na “Nature”.

Embora os pesquisadores já soubessem que a perda de diversidade reduz a produtividade dos ecossistemas, esse foi o primeiro grande estudo a mensurar esse prejuízo. “Nós já sabíamos há muito tempo que a biodiversidade afeta a produtividade e a sustentabilidade dos ecossistemas”, explica Bradley Cardinale, especialista da Universidade de Michigan. “Já sabíamos que a perda de diversidade pode comprometer os bens e serviços que os ecossistemas prestam, como alimentos, água potável e um clima estável. Mas não sabíamos como a perda de diversidade é importante comparada aos outros problemas ambientais que enfrentamos. Bem, agora sabemos que está entre os cinco maiores problemas ambientais globais.”

Vista normalmente como uma consequência de outros problemas ambientais, a queda da variedade de espécies, segundo os pesquisadores, passa a ter um papel de protagonista do processo. “Onde eu moro, perto do Puget Sound, no estado de Washington (Estados Unidos), temos aproximadamente 25 espécies ameaçadas de extinção, desde flores pequenas ao rei salmão e a baleias orca”, relata David Hooper. “Embora algumas dessas espécies possam desaparecer para sempre com apenas um sussurro, outras são muito importantes, economicamente e culturalmente. Sua extinção representaria uma grande perda de renda para pessoas que dependem, por exemplo, da pesca e do turismo”, completa.

O líder do estudo afirma ainda que os efeitos da redução da diversidade ameaçam direta a humanidade. “Se pensarmos sobre a biodiversidade de forma mais ampla, a perda de componentes da paisagem-chave pode botar em risco as pessoas”, opina. “Por exemplo, perda de matas ciliares pode pôr em perigo vidas humanas, por meio da perda de controle de inundações, e a sustentabilidade social, afetando a proteção de fontes de água fresca”, enumera Hooper.

A visão mais ampla, de que as questões ambientais têm impactos tanto no ambiente quanto diretamente no desenvolvimento social, como descrevem os pesquisadores, será o tema principal da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que ocorre entre 13 e 22 de junho no Rio de Janeiro. Apesar de avanços recentes, biodiversidade ainda é um dos temas mais problemáticos, que devem despertar maior debate durante o evento. “Temos que nos dar conta de que estamos observando uma perda da biodiversidade sem precedentes nos últimos 65 milhões de anos. Claramente estamos entrando na sexta extinção em massa (do planeta)”, disse à agência de notícias France-Presse Bob Watson, ex-chefe do painel climático da ONU e principal assessor do ministério britânico de Meio Ambiente.

Em ecologia, produtividade refere-se à taxa de geração de biomassa em um ecossistema. É geralmente expressa em unidades de massa por unidade de superfície de tempo, por exemplo: gramas por metro quadrado por dia. Quanto mais biomassa, maior a capacidade do bioma em se manter e prover serviços ecológicos, como fornecer água e alimento.

Fonte: Mater Natura


18 de janeiro de 2012 | nenhum comentário »

Infrações contra a flora em MT motivam R$ 696 milhões em multas

As infrações cometidas contra a flora mato-grossense no ano de 2011 geraram uma cifra milionária em multas emitidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama). Ao todo, foram lavradas autuações que superaram meio milhão de reais (R$ 696.802.758,80). Na lista das agressões praticadas aos diferentes tipos de vegetação estão os desmatamentos ilegais, queimadas e também o transporte ilegal de madeira, segundo o órgão. O número faz parte de um balanço apresentado pela superintendência do Ibama no estado.

“Em Mato Grosso o que mais motiva as multas é a infração cometida contra a flora”, citou Eduardo Engelmann, chefe do setor de fiscalização. Ao todo, foram 1.359 autos de infração lavrados pelo órgão ambiental na unidade federada, conforme apontou o balanço. O exercício de atividades ilegais, como o desmatamento, provocou o embargo de 59.927,752 hectares em Mato Grosso.

Além de multas e embargos, as operações realizadas pelo Instituto Brasileiro na repressão aos crimes e infrações ambientais acarretaram ainda na apreensão de madeira, veículos e equipamentos utilizados para a prática. No estado, o volume total de madeira em tora apreendida somou 26.619 metros cúbicos, enquanto a de serrada alcançou 6.855 metros cúbicos.

Segundo o órgão, 20 tratores que auxiliavam no processo de derrubada das matas foram apreendidos, ao lado de 31 caminhões e outras 42 motosserras. Os dados são referentes ao período compreendido entre 1º de janeiro a 20 de dezembro de 2011.

Conforme Engelmann, uma característica marcou as ocorrências de desmate . “Acaba sendo mais comum onde a pessoa faz a extração das árvores em pontos onde não tem nenhuma autorização. É uma área particular de outra pessoa, ou uma área pública de estado”, frisou.

Embora o Ibama mantenha as ações de combate ao desmatamento, os números do Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal – PRODES – revelaram uma alta nos casos desta natureza entre os anos de 2010 e 2011. A área atingida avançou de 871 quilômetros quadrados para 1.126 quilômetros quadrados, deixando a unidade federada na segunda posição, atrás apenas do Pará, que desmatou 2.870 quilômetros quadrados.

Em toda Amazônia, foram 6.238 quilômetros quadrados, um recuo de 11% frente a 2010, que registrou 7 mil quilômetros quadrados. Para o chefe do setor de fiscalização do Ibama em Mato Grosso, apenas as multas não sanam o problema do desmatamento no estado. Elas são a última instância utilizada para repreender infratores.

“Quando se aplica uma multa, significa que o fato aconteceu. O melhor caminho é você monitorar, detectar a tempo o problema. Para que se tenha esse controle do desmatamento irregular é necessário ter monitoramento frequente, como o Deter”, frisou Eduardo.

Agronegócio – Engelmann diz não ser possível atribuir todas as ocorrências de desmates em função da atividade agropecuária. “Existem produtores rurais que são conscientes e existem aqueles que ignoraram. A posição do próprio setor é reprovar esse tipo de comportamento que se coloca como isolado, de um outro, enquanto a maioria respeita [a legislação]“, pontuou.

Gargalo – Para o coordenador do departamento de GeoTecnologia do Instituto Centro de Vida (ICV), Ricardo Mendonça, só será possível combater o desmatamento se haver, pelos órgãos públicos, maior responsabilização dos autores. Ele fala em reduzir, pela lei, as brechas existentes.

“Na esfera administrativa ainda existe um espaço muito grande para os recursos e nunca é resolvida a situação. A responsabilização pelos danos ambientais continua sendo o maior gargalo”, citou o representante.

Fonte: Leandro J. Nascimento/ G1


18 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Incêndio destrói área de mata preservada na USP em Ribeirão Preto

Fogo consumiu banco genético usado por pesquisadores da universidade.
Também houve perda de animais que não conseguiram escapar.

Um incêndio destruiu um banco genético usado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, na tarde desta terça-feira (16). Segundo levantamento dos pesquisadores, cerca de 40 hectares da mata preservada há 23 anos foram consumidos pelas chamas.

Segundo a bióloga Ana Carla Aquino, a perda foi irreparável, já que o material era considerado uma “biblioteca biológica”. “Tínhamos amostras da flora de 400 fragmentos da bacia dos rios Pardo e Mogi. As pesquisas serviam como uma forma de recuperar a biodiversidade de outros locais que porventura perdessem as espécies de planta”, afirmou.

Ainda segundo a especialista, houve também uma perda considerável da fauna local. “Os animais que conseguem voar se salvaram. Porém, o problema são aqueles que não conseguem se livrar do fogo. Como, por exemplo, roedores, rastejantes, filhotes de aves e ouriços”, lamentou.

A tarefa de fazer uma reposição será árdua na universidade. “Os bichos não tem mais onde se alimentar e local para se esconder. O trabalho botânico e a fauna terão que vir gradativamente”, disse a pesquisadora.

Destruição
O incêndio começou por volta das 14h10 de terça e foi controlado apenas às 18h20. Segundo o Corpo de Bombeiros, o combate contou com a ajuda da guarda universitária, um caminhão-pipa de uma empresa privada, carros do Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (Daerp), além do helicóptero Águia da Polícia Militar.

Uma área de preservação permanente e propriedade rurais vizinhas foram atingidas pelas chamas. Apesar do risco de fogo em depósitos de materiais radioativos do Hospital das Clínicas, a área não foi atingida.

De acordo com a guarda universitária, esse foi o maior incêndio registrado na história da USP.

Fonte: Do G1, SP


13 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Grã-Bretanha cria ‘corredor’ de flores para preservar abelhas

As populações de abelhas e outros insetos polinizadores vem diminuindo muito na Grã-Bretanha, mas uma iniciativa para reverter a situação foi lançada nesta reserva em North Yorkshire.

Foram liberados mais de R$ 150 mil para as primeiras plantações em total de cinco hectares de corredores de plantas polinizadoras, de norte a sul e de leste a oeste na reserva.

O objetivo é que estas plantações impeçam a queda no número de borboletas e outros insetos.

Fonte: G1

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31 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Botânicos fazem lista com 1,25 milhão de nomes de plantas

Banco de dados traz denominações científicas e comuns de vegetais. Com maioria das espécies conhecidas, ‘Plant List’ está disponível online.

Botânicos britânicos e norte-americanos anunciaram nesta quarta-feira (29) ter inventariado 1,25 milhão de denominações de plantas, dando forma à lista mais ampla do mundo, que pode ser consultada no site www.theplantlist.org, em inglês.

O banco de dados, considerado uma contribuição essencial para a preservação da flora global, contém os nomes científicos e comuns da maioria das espécies vegetais conhecidas, das ervas mais simples a legumes, passando por rosas, samambaias exóticas, musgos e coníferas.

A “Plant List” comporta igualmente links de publicações científicas relacionadas às espécies em questão, para ajudar o trabalho de pesquisadores, tanto em botânica quanto em farmácia.

A lista foi elaborada a tempo, para a conclusão do Ano Internacional da Biodiversidade, por cientistas do Royal Botanical Gardens (Kew Gardens) da Grã-Bretanha e do Missouri Botanical Garden americano.

“É crucial para pesquisas, previsões, vigilância de programas de preservação das plantas no mundo inteiro”, destacou o diretor dos Kew Gardens, Stephen Hopper, citado em comunicado.

“Sem os nomes corretos, a compreensão e a comunicação sobre a vida dos vegetais se perderiam num caos, custariam somas faraônicas, além de colocar vidas em perigo, no caso de plantas utilizadas em medicina”, segundo o comunicado dos Kew Gardens.

Entre o mais de milhão de nomes de espécies repertoriadas, cerca de um quarto (25,4%) dessas denominações são ainda consideradas não-resolvidas, não entrando nem nos sinônimos, precisaram os autores da lista.

Os especialistas em botânica e em tecnologia de informação das duas instituições iniciaram suas pesquisas em 2008 para estabelecer esta lista como base de comparação entre famílias de plantas compiladas por Kew Gardens e o sistema Tropicos, um banco de dados alimentado desde 1982 pelo Missouri Botanical Garden.

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Em outubro, os 193 países membros da Convenção sobre a Diversidade Biológica reunidos em Nagoya no Japão, decidiram criar até 2020 um banco de dados online com toda a flora conhecida no mundo.

Segundo um estudo divulgado em setembro pela União internacional de Conservação da Natureza, uma planta em cinco é ameaçada de desaparecimento.

(AFP)

(G1, 29/12)


31 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Pesquisa avalia importância da água de neblina para árvores na Serra da Mantiqueira, em São Paulo

Um estudo realizado pelo Instituto de Biologia, IB, da Universidade Estadual de Campinas, Unicamp, aponta a importância da neblina para a sobrevivência de árvores na Serra da Mantiqueira, no estado de São Paulo.

De acordo com a pesquisa, a água de neblina absorvida pelas folhas pode chegar a 40% do conteúdo de água encontrado no interior dos tecidos foliares de árvores. “Até então, não se tinha uma comprovação científica de que as folhas de espécies arbóreas tropicais absorviam água de neblina, tampouco não era sabido como o transporte de água do exterior para os tecidos foliares pode ocorrer. A informação é nova e pode contribuir para o entendimento do papel ecológico da neblina em regiões onde o fenômeno é constante”, explicou a bióloga, autora do estudo, Aline Lopes e Lima.

No parque estadual onde a pesquisa foi realizada, em Campos do Jordão, a neblina está presente em cerca de 80% dos dias do ano.

A água absorvida desta forma favorece a hidratação imediata dos tecidos aéreos e o desempenho eco fisiológico. Mesmo em períodos de baixa umidade, as árvores conseguem se manter hidratadas. “A neblina é uma importante fonte de água para os ecossistemas terrestres e pode molhar as superfícies das plantas, mesmo que não haja aumento significativo do conteúdo de água no solo”, disse.

Foram observadas três espécies de árvores que ocorrem na região: a Drimys brasiliensis, também conhecida por cataia, a Eremanthus erythropappus, ou candeia, e a Myrsine umbellata, ou capororoca.
Fonte: Danielle Jordan/Ambientebrasil

*Com informações do Instituto de Biologia.


30 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Caça que afeta a flora

Uma série de estudos realizados na Mata Atlântica indica que a defaunação – perda de mamíferos e aves devido à caça –, ao modificar as forças seletivas, pode desencadear rápidas mudanças evolucionárias. As pesquisas demonstraram que o processo gera novos impedimentos ecológicos para a população de plantas, afetando sua demografia ao aumentar a predação de sementes.

Os estudos estão relacionados ao Projeto Temático “Efeitos de um gradiente de defaunação na herbivoria, predação e dispersão de sementes: uma perspectiva na Mata Atlântica”, financiado pela FAPESP e coordenado por Mauro Galetti, professor do Instituto de Biociências de Rio Claro da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Galetti, que pesquisa o tema há cerca de 20 anos, apresentou alguns dos resultados do Projeto Temático durante a conferência internacional Getting Post 2010 – Biodiversity Targets Right realizada este mês pelo Programa Biota-FAPESP em parceria com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

De acordo com Galetti, o Brasil tem 35% das espécies ameaçadas de mamíferos no mundo. A perda de habitat e a fragmentação da floresta são os principais fatores de ameaça, mas metade das espécies sofre com a caça. O tamanho do corpo é um dos preditores de ameaça de extinção. Segundo o cientista, a escala de defaunação é gigantesca em todo o mundo, chegando a 20 milhões de animais mortos por ano em regiões como a África central.

“Verificamos que na Mata Atlântica do Estado de São Paulo há muita caça também. Um de nossos mestrandos entrevistou caçadores por um ano no Parque Estadual da Serra do Mar e constatou que 96 mamíferos haviam sido abatidos”, disse Galetti.

É um número alto, considerando as características da região, segundo ele. Em um Projeto Temático anterior coordenado por Galetti, sobre a conservação de grandes mamíferos, os dados da Mata Atlântica foram comparados com os da Amazônia, indicando a abundância no número de espécies de mamíferos no primeiro bioma.

A abundância de mamíferos na floresta contínua com pouca caça na Mata Atlântica é muito maior do que em locais com caça. No caso da queixada (Tayassu pecari), por exemplo, a abundância é 30 vezes menor em áreas com caça.

Os mamíferos são responsáveis por pelo menos 30% da dispersão das cerca de 2,5 mil espécies de plantas na Mata Atlântica. Mas isso corresponde a um processo complexo que envolve os efeitos da presença de animais de diversos tamanhos com inúmeras relações com as espécies vegetais.

“Desenvolvemos um modelo de redução de megaherbívoros para estudar esses efeitos. Conforme aumentamos a perturbação no modelo, as populações de grandes mamíferos entraram em colapso. Mas, por outro lado, as populações de mamíferos de médio porte chegam a aumentar em áreas perturbadas”, disse.

O modelo, segundo ele, aponta um aumento quase linear na abundância de roedores quando há uma perturbação que leva as populações de grandes mamíferos ao colapso. “Esse modelo já foi testado experimentalmente na savana africana, na observação da abundância de ratos em áreas com e sem elefantes. Quando não há elefantes, a população de ratos aumenta muito”, contou.

Na savana africana, no entanto, há apenas um roedor. Na floresta tropical, com diversidade muito maior de pequenos mamíferos, os processos são mais complexos.

O grupo de Galetti realizou um estudo comparando a abundância de pequenos mamíferos em duas áreas separadas por uma distância de 15 quilômetros. Ambas apresentavam uma diferença considerável quanto à biomassa de mamíferos.

“A riqueza de espécies nas duas áreas era exatamente igual. Mas há uma estrada que passa entre as duas áreas e, de um lado, o ambiente é dominado por queixadas, enquanto do outro lado predominam os esquilos. Com exceção dessa característica, que resulta em uma diferença na biomassa dos mamíferos, as populações de animais nas duas são muito semelhantes”, explicou.

Duas tecnologias foram usadas para avaliar os mamíferos: as armadilhas de interceptação e queda conhecidas como pitfall traps e as armadilhas do tipo live trap. A primeira mostrou mais eficiência para registrar as diferenças na abundância dos animais.

“Avaliamos se a diferença de abundância das duas espécies nas duas áreas poderia ser decorrência da abundância de cobras, mesopredadores, limitação de recursos e de microhabitat. Mas tudo isso foi rejeitado como hipótese alternativa. A hipótese que estamos aceitando é que a presença da queixada afeta a abundância de pequenos roedores”, disse Galetti.

Dispersão modificada – De acordo com o coordenador do Projeto Temático, espera-se que a predação de sementes seja maior em uma floresta com mais presença de roedores.

“Testamos isso em um estudo com a palmeira Euterpe edulis, que é usada na produção de palmito. Ela tem suas sementes predadas por aves e muitas espécies de mamíferos. Escolhemos quatro áreas sem queixadas e três com queixadas para fazer o estudo”, contou Galetti.

Os pesquisadores instalaram, nas áreas escolhidas, câmeras que permitem calcular o número de sementes predadas. “Nas áreas defaunadas, sem as queixadas, a predação de sementes por roedores cresce consideravelmente. Nos fragmentos defaunados só os roedores predam as sementes da palmeira, mas a proporção dessa predação é aumentada em seis vezes”, disse.

Além do aumento na predação, as áreas defaunadas sofrem com maior dificuldade de dispersão das sementes, que é feita principalmente por animais que as ingerem e as regurgitam em outras partes da floresta.

Em áreas não defaunadas, segundo Galetti, o maior dispersor das sementes do palmito é o tucano. Quando a área é defaunada, o maior dispersor são aves do gênero Turdus, que inclui o sabiá. O problema é que sua capacidade de dispersão não é a mesma, pois trata-se de uma ave sete vezes menor que o tucano.

“As aves grandes consomem sementes maiores. Testamos isso com aves em cativeiro. Na área defaunada, há uma redução do tamanho das sementes dispersas. As plântulas que se originam das sementes grandes têm mais vigor e podem sobreviver mesmo depois de ser parcialmente predadas”, disse.

Os estudos mostraram também que, nas áreas defaunadas, as sementes maiores apresentam maior chance de escapar da predação, devido à ausência de predadores de médio e grande porte. “Sementes menores sofrem maior pressão de predação”, disse Galetti.

(Fonte: Agência Fapesp)


14 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Biodiversidade global diminui 30%; países tropicais tiveram maiores perdas

O Relatório Planeta Vivo 2010 mostra que os países tropicais, que também são os mais pobres, perderam 60% de flora e fauna nos últimos 40 anos. Em contrapartida, as nações localizadas em zonas temperadas tiveram um aumento de 29%.

O relatório, publicado a cada dois anos pela organização não governamental WWF, aponta ainda que se mantém em alta a tendência de consumo superior ao da reposição de recursos renováveis no ambiente, já registrada na década de 80.

Essa tendência é mais forte em economias de nações ricas ou mais desenvolvidas, seguidas pelos integrantes do Bric, do qual o Brasil faz parte ao lado de Rússia, Índia e China.

Nesse ritmo, tomando-se como base de cálculo o ano de 2007, o mundo levaria um ano e meio para gerar os recursos consumidos e para absorver as emissões de dióxido de carbono (CO2).

A biocapacidade – relação entre a área disponível para agricultura, pastagem, pesca e florestas e o potencial de produtividade – também pertencem aos membros do Bric, sendo o Brasil um dos detentores do título, além de China, EUA, Rússia, Índia, Canadá, Austrália, Indonésia, Argentina e França.

No quesito água, 71 países possuem algum tipo de preocupação com o suprimento e as formas de assegurar, ao mesmo tempo, a saúde de rios, lagos e aquíferos. Desse número, dois terços devem passar à classificação do nível de preocupação entre “moderado” e “severo” – em 1995, 1,8 milhão de pessoas tinham problemas para obter água em áreas consideradas de preocupação severa.

Além do despejo de 2,8 milhões de toneladas de esgoto que retornam à natureza, a captação da água tem provocado uma seca no volume dos rios, como é o caso do Amarelo, que corta toda a China, e do Grande, que fica na fronteira entre os EUA e o México. (Fonte: Folha.com)


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