26 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Ibama reavalia uso de quatro tipos de agrotóxico e sua relação com o desaparecimento de abelhas no país

Mesmo na ausência de levantamentos oficiais, alguns registros sobre a redução do número de abelhas em várias partes do país, em decorrência de quatro tipos de agrotóxico, levaram o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a restringir o uso de importantes inseticidas na agropecuária brasileira, principalmente para as culturas de algodão, soja e trigo.

Além de reduzir as formas de aplicação desses produtos, que não podem ser mais disseminados via aérea, o órgão ambiental iniciou o processo de reavaliação das substâncias imidacloprido, tiametoxam, clotianidina e fipronil. Esses ingredientes ativos foram apontados em estudos e pesquisas realizadas nos últimos dois anos pelo Ibama como nocivos às abelhas.

Segundo o engenheiro Márcio Rodrigues de Freitas, coordenador-geral de Avaliação e Controle de Substâncias Químicas do Ibama, a decisão não foi baseada apenas na preocupação com a prática apícola, mas, principalmente, com os impactos sobre a produção agrícola e o meio ambiente.

Estudo da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), publicado em 2004, mostrou que as abelhas são responsáveis por pelo menos 73% da polinização das culturas e plantas. “Algumas culturas, como a do café, poderiam ter perdas de até 60% na ausência de agentes polinizadores”, explicou o engenheiro.

A primeira substância a passar pelo processo de reavaliação será o imidacloprido, que responde por cerca de 60% do total comercializado dos quatro ingredientes sob monitoramento. A medida afeta, neste primeiro momento, quase 60 empresas que usam a substância em suas fórmulas. Dados divulgados pelo Ibama revelam que, em 2010, praticamente 2 mil toneladas do ingrediente foram comercializadas no país.

A reavaliação é consequência das pesquisas que mostraram a relação entre o uso desses agrotóxicos e a mortandade das abelhas. De acordo com Freitas, nos casos de mortandade identificados, o agente causal era uma das substâncias que estão sendo reavaliadas. Além disso, em 80% das ocorrências, havia sido feita a aplicação aérea.

O engenheiro explicou que a reavaliação deve durar, pelo menos, 120 dias, e vai apontar o nível de nocividade e onde está o problema. “É o processo de reavaliação que vai dizer quais medidas precisaremos adotar para reduzir riscos. Podemos chegar à conclusão de que precisa banir o produto totalmente, para algumas culturas ou apenas as formas de aplicação ou a época em que é aplicado e até a dose usada”, acrescentou.

Mesmo com as restrições de uso, já em vigor, tais como a proibição da aplicação aérea e o uso das substâncias durante a florada, os produtos continuam no mercado. Juntos, os agrotóxicos sob a mira do Ibama respondem por cerca de 10% do mercado de inseticidas no país. Mas existem culturas e pragas que dependem exclusivamente dessas fórmulas, como o caso do trigo, que não tem substituto para a aplicação aérea.

Nesta quarta-feira (25), o órgão ambiental já sentiu as primeiras pressões por parte de fabricantes e produtores que alertaram os técnicos sobre os impactos econômicos que a medida pode causar, tanto do ponto de vista da produção quanto de contratos já firmados com empresas que fazem a aplicação aérea.

Freitas disse que as reações da indústria são naturais e, em tom tranquilizador, explicou que o trabalho de reavaliação é feito em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e com o Ministério da Agricultura – órgãos que também são responsáveis pela autorização e registro de agrotóxicos no país. “Por isso vamos levar em consideração todas as variáveis que dizem respeito à saúde pública e ao impacto econômico sobre o agronegócio, sobre substitutos e ver se há resistência de pragas a esses substitutos e seus custos”, explicou o engenheiro.

No Brasil, a relação entre o uso dessas substâncias nas lavouras e o desaparecimento de abelhas começou a ser identificada há pouco mais de quatro anos. O diagnóstico foi feito em outros continentes, mas, até hoje, nenhum país proibiu totalmente o uso dos produtos, mesmo com alguns mantendo restrições rígidas.

Na Europa, de forma geral, não é permitida a aplicação aérea desses produtos. Na Alemanha, esse tipo de aplicação só pode ser feito com autorização especial. Nos Estados Unidos a aplicação é permitida, mas com restrição na época de floração. Os norte-americanos também estão reavaliando os agrotóxicos compostos por uma das quatro substâncias.

Fonte: Carolina Gonçalves/ Agência Brasil


4 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Impacto do aquecimento global nas plantas pode estar subestimado

Observações feitas em condições naturais mostram que os efeitos do aquecimento global em plantas são muito maiores do que experimentos artificiais sugerem

Um estudo publicado nesta quarta-feira na revista Nature revela que experiências que tentam simular o impacto do aquecimento global nas plantas subestimam o que acontece no mundo real. A pesquisa apoia observações feitas por fazendeiros e jardineiros, especialmente no Hemisfério Norte, segundo os quais plantas sazonais estão florescendo muito mais cedo do que no passado.

Experimentos artificiais sobre o aquecimento global costumam ser feitos com plantas em uma câmara similar a uma estufa sem tampa ou uma tenda com um pequeno aquecedor para replicar os efeitos do aumento da temperatura.

Estes experimentos mostraram que a florada e a folheação – surgimento de flores e folhas, respectivamente – ocorrem entre 1,9 e 3,3 dias mais cedo para cada 1 grau Celsius de elevação da temperatura. O novo estudo mostra que o número exato é muito maior: as plantas começam a desenvolver folhas e flores entre 2,5 e 5 dias antes a cada aumento de 1 grau Celsius na temperatura.

Esses dados foram encontrados a partir de observações feitas a longo prazo com 1.634 espécies de plantas na natureza e realizadas por 20 instituições de América do Norte, Japão e Austrália.

“Até agora, presumia-se que sistemas experimentais responderiam da mesma forma que os sistemas naturais respondem, mas não é o que acontece”, explicou em um comunicado o coautor da pesquisa, Benjamin Cook, do Observatório Terrestre Lamont-Doherty da Universidade de Columbia, em Nova York.

Estimativas conservadoras — De acordo com a pesquisa, os métodos experimentais podem falhar porque reduzem luz, vento ou umidade do solo, que afetam a maturidade da planta.

Segundo o Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), publicado em 2007, as temperaturas da superfície do globo subiram 0,74 grau Celsius entre 1906 e 2005.

Acredita-se que as tendências atuais de emissões de carbono, um dos fatores que causam o aumento da temperatura no globo, devem provocar uma elevação de 2 graus Celsius na temperatura da Terra ao longo do século XXI.

Para alguns especialistas, estas estimativas são conservadoras. Eles afirmam que muitos locais estão esquentando muito mais rápido do que a média do planeta.

“A floração das cerejeiras, em Washington, um fenômeno meticulosamente registrado e celebrado, se antecipou em cerca de uma semana desde os anos 1970″, destacou o comunicado, publicado pelo Instituto da Terra, da Universidade de Columbia.

Saiba mais

IPCC
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (em inglês, Intergovernmental Panel on Climate Change) foi criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a fim de produzir informações relevantes para a compreensão das mudanças climáticas. Por sua contribuição ao tema, o IPCC ganhou o Nobel da Paz em 2007. Entre os 831 especialistas do Painel que vão redigir seu quinto relatório de avaliação climática, a ser publicado em 2014, 25 são brasileiros.

Produção de plantas ornamentais em Guaratiba, plantação de Ruth Sebastiana Nunes, pequena produtora da região

Aquecimento global influencia o tempo de surgimento de flores e folhas (Marcos Michael)

Fonte: Veja Ciência






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26 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Ibama reavalia uso de quatro tipos de agrotóxico e sua relação com o desaparecimento de abelhas no país

Mesmo na ausência de levantamentos oficiais, alguns registros sobre a redução do número de abelhas em várias partes do país, em decorrência de quatro tipos de agrotóxico, levaram o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a restringir o uso de importantes inseticidas na agropecuária brasileira, principalmente para as culturas de algodão, soja e trigo.

Além de reduzir as formas de aplicação desses produtos, que não podem ser mais disseminados via aérea, o órgão ambiental iniciou o processo de reavaliação das substâncias imidacloprido, tiametoxam, clotianidina e fipronil. Esses ingredientes ativos foram apontados em estudos e pesquisas realizadas nos últimos dois anos pelo Ibama como nocivos às abelhas.

Segundo o engenheiro Márcio Rodrigues de Freitas, coordenador-geral de Avaliação e Controle de Substâncias Químicas do Ibama, a decisão não foi baseada apenas na preocupação com a prática apícola, mas, principalmente, com os impactos sobre a produção agrícola e o meio ambiente.

Estudo da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), publicado em 2004, mostrou que as abelhas são responsáveis por pelo menos 73% da polinização das culturas e plantas. “Algumas culturas, como a do café, poderiam ter perdas de até 60% na ausência de agentes polinizadores”, explicou o engenheiro.

A primeira substância a passar pelo processo de reavaliação será o imidacloprido, que responde por cerca de 60% do total comercializado dos quatro ingredientes sob monitoramento. A medida afeta, neste primeiro momento, quase 60 empresas que usam a substância em suas fórmulas. Dados divulgados pelo Ibama revelam que, em 2010, praticamente 2 mil toneladas do ingrediente foram comercializadas no país.

A reavaliação é consequência das pesquisas que mostraram a relação entre o uso desses agrotóxicos e a mortandade das abelhas. De acordo com Freitas, nos casos de mortandade identificados, o agente causal era uma das substâncias que estão sendo reavaliadas. Além disso, em 80% das ocorrências, havia sido feita a aplicação aérea.

O engenheiro explicou que a reavaliação deve durar, pelo menos, 120 dias, e vai apontar o nível de nocividade e onde está o problema. “É o processo de reavaliação que vai dizer quais medidas precisaremos adotar para reduzir riscos. Podemos chegar à conclusão de que precisa banir o produto totalmente, para algumas culturas ou apenas as formas de aplicação ou a época em que é aplicado e até a dose usada”, acrescentou.

Mesmo com as restrições de uso, já em vigor, tais como a proibição da aplicação aérea e o uso das substâncias durante a florada, os produtos continuam no mercado. Juntos, os agrotóxicos sob a mira do Ibama respondem por cerca de 10% do mercado de inseticidas no país. Mas existem culturas e pragas que dependem exclusivamente dessas fórmulas, como o caso do trigo, que não tem substituto para a aplicação aérea.

Nesta quarta-feira (25), o órgão ambiental já sentiu as primeiras pressões por parte de fabricantes e produtores que alertaram os técnicos sobre os impactos econômicos que a medida pode causar, tanto do ponto de vista da produção quanto de contratos já firmados com empresas que fazem a aplicação aérea.

Freitas disse que as reações da indústria são naturais e, em tom tranquilizador, explicou que o trabalho de reavaliação é feito em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e com o Ministério da Agricultura – órgãos que também são responsáveis pela autorização e registro de agrotóxicos no país. “Por isso vamos levar em consideração todas as variáveis que dizem respeito à saúde pública e ao impacto econômico sobre o agronegócio, sobre substitutos e ver se há resistência de pragas a esses substitutos e seus custos”, explicou o engenheiro.

No Brasil, a relação entre o uso dessas substâncias nas lavouras e o desaparecimento de abelhas começou a ser identificada há pouco mais de quatro anos. O diagnóstico foi feito em outros continentes, mas, até hoje, nenhum país proibiu totalmente o uso dos produtos, mesmo com alguns mantendo restrições rígidas.

Na Europa, de forma geral, não é permitida a aplicação aérea desses produtos. Na Alemanha, esse tipo de aplicação só pode ser feito com autorização especial. Nos Estados Unidos a aplicação é permitida, mas com restrição na época de floração. Os norte-americanos também estão reavaliando os agrotóxicos compostos por uma das quatro substâncias.

Fonte: Carolina Gonçalves/ Agência Brasil


4 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Impacto do aquecimento global nas plantas pode estar subestimado

Observações feitas em condições naturais mostram que os efeitos do aquecimento global em plantas são muito maiores do que experimentos artificiais sugerem

Um estudo publicado nesta quarta-feira na revista Nature revela que experiências que tentam simular o impacto do aquecimento global nas plantas subestimam o que acontece no mundo real. A pesquisa apoia observações feitas por fazendeiros e jardineiros, especialmente no Hemisfério Norte, segundo os quais plantas sazonais estão florescendo muito mais cedo do que no passado.

Experimentos artificiais sobre o aquecimento global costumam ser feitos com plantas em uma câmara similar a uma estufa sem tampa ou uma tenda com um pequeno aquecedor para replicar os efeitos do aumento da temperatura.

Estes experimentos mostraram que a florada e a folheação – surgimento de flores e folhas, respectivamente – ocorrem entre 1,9 e 3,3 dias mais cedo para cada 1 grau Celsius de elevação da temperatura. O novo estudo mostra que o número exato é muito maior: as plantas começam a desenvolver folhas e flores entre 2,5 e 5 dias antes a cada aumento de 1 grau Celsius na temperatura.

Esses dados foram encontrados a partir de observações feitas a longo prazo com 1.634 espécies de plantas na natureza e realizadas por 20 instituições de América do Norte, Japão e Austrália.

“Até agora, presumia-se que sistemas experimentais responderiam da mesma forma que os sistemas naturais respondem, mas não é o que acontece”, explicou em um comunicado o coautor da pesquisa, Benjamin Cook, do Observatório Terrestre Lamont-Doherty da Universidade de Columbia, em Nova York.

Estimativas conservadoras — De acordo com a pesquisa, os métodos experimentais podem falhar porque reduzem luz, vento ou umidade do solo, que afetam a maturidade da planta.

Segundo o Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), publicado em 2007, as temperaturas da superfície do globo subiram 0,74 grau Celsius entre 1906 e 2005.

Acredita-se que as tendências atuais de emissões de carbono, um dos fatores que causam o aumento da temperatura no globo, devem provocar uma elevação de 2 graus Celsius na temperatura da Terra ao longo do século XXI.

Para alguns especialistas, estas estimativas são conservadoras. Eles afirmam que muitos locais estão esquentando muito mais rápido do que a média do planeta.

“A floração das cerejeiras, em Washington, um fenômeno meticulosamente registrado e celebrado, se antecipou em cerca de uma semana desde os anos 1970″, destacou o comunicado, publicado pelo Instituto da Terra, da Universidade de Columbia.

Saiba mais

IPCC
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (em inglês, Intergovernmental Panel on Climate Change) foi criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a fim de produzir informações relevantes para a compreensão das mudanças climáticas. Por sua contribuição ao tema, o IPCC ganhou o Nobel da Paz em 2007. Entre os 831 especialistas do Painel que vão redigir seu quinto relatório de avaliação climática, a ser publicado em 2014, 25 são brasileiros.

Produção de plantas ornamentais em Guaratiba, plantação de Ruth Sebastiana Nunes, pequena produtora da região

Aquecimento global influencia o tempo de surgimento de flores e folhas (Marcos Michael)

Fonte: Veja Ciência