10 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Bióloga usa ninhos artificiais e atrai pássaros a mata incendiada na USP

Animais que voltam ao local trazem sementes e ajudam recuperar floresta.
Banco genético da USP de Ribeirão Preto chegou a abrigar 130 espécies.

Bióloga criou ninhos artificiais para atrair pássaros para área degragada em Ribeirão  (Foto: Reprodução EPTV)

Bióloga criou ninhos artificiais para atrair pássaros para área degragada (Foto: Reprodução EPTV)

Nove meses atrás, a bióloga Ana Carla Aquino, de 37 anos, se deparou com uma cena que ficou marcada na memória. “Vi um casal de nhambus morrer ao proteger o ninho com filhotes das chamas”, lembra sobre o incêndio que destruiu 83 hectares de mata preservada e afugentou 130 espécies de aves da floresta da USP deRibeirão Preto (SP) em agosto de 2011.

O episódio - que posteriormente foi apontado como criminoso pelo Ibama - motivou a técnica do laboratório de Zoologia e Vertebrados da universidade a colocar em prática a ideia de construir ninhos artificiais, como forma de atrair pássaros ao espaço degradado. Ao todo, já foram instaladas 25 caixas de madeira e bambu, produzidas em diferentes tamanhos, com tampa articulável. Até julho, o número deve dobrar.

Além de ganhar a confiança das aves expulsas de seu habitat e aumentar a biodiversidade da área, o projeto desenvolvido voluntariamente visa obter novas informações para um estudo sobre reprodução animal. “A gente tinha essa ideia antes do incêndio, como uma forma de estudar os aspectos reprodutivos. Com o incêndio, resolvemos adiantar isso”, afirma a pesquisadora ao G1.

Embora não haja um levantamento sobre o número de espécies que voltaram a ocupar o banco genético, exemplares de maritacas, pica-paus, papagaios, periquitos, corujas-do-mato, entre outros, voltaram a sobrevoar o campus.

Mas os resultados mais expressivos da ideia devem ser percebidos a partir do segundo ano do projeto, de acordo com a bióloga, através de um processo natural de reconhecimento e adaptação dos pássaros.

“A gente espera que as aves comecem a ficar mais à vontade com a mudança no ambiente”, diz. De acordo com Ana Carla, os ninhos artificiais também contribuem, de certa forma, para a recuperação da mata no local. “Ao voltarem para cá, as aves trazem sementes”, explica.

Área verde da USP chegou a abrigar 130 espécies de aves até incêndio em agosto de 2011. (Foto: Reprodução EPTV)

Área verde da USP chegou a abrigar 130 espécies de aves até incêndio em 2011. (Foto: Reprodução EPTV)

Fonte: Rodolfo Tiengo, G1


10 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Fotos em 3D inéditas da Amazônia revelam detalhes físicos e químicos

Em vez de um tapete verde, imagens mostram um caleidoscópio de cores.
Elas representam diferentes composições químicas das plantas da floresta.

A floresta amazônica tem outras tonalidades em fotos feitas por pesquisadores americanos. Em vez de um tapete verde, um caleidoscópio de cores em 3D surge a partir imagens produzidas por equipamentos de alta tecnologia do Instituto Carnegie para Ciência, ligado à Universidade Stanford, nos Estados Unidos. É um mapa completo da biodiversidade, que faz medições físicas e químicas da floresta, a partir de uma aeronave.

Imagens inéditas recebidas pelo G1 mostram dois mapas 3D da Amazônia no Peru. Eles foram feitos por um novo sistema da aeronave-observatório, a Carnegie ‘Aérea’ (CAO, na sigla em inglês), que é capaz de registrar aspectos invisíveis ao olho nu, como componentes químicos de diferentes espécies e o estoque de carbono da floresta.

Em uma delas, uma área preservada de mata aparece em vermelho, o que representa alta concentração de carbono, e os rios são mostrados em azul. Na outra, a cobertura florestal é exibida em diversas cores, que significam a presença de variadas espécies e uma grande diversidade.

De acordo com Gregory Asner, diretor e cientista responsável pelo projeto, as imagens obtidas pelo CAO ajudaram os cientistas a entender melhor a biodiversidade da floresta amazônica.

“No Peru, nós descobrimos uma variação muito grande de biodiversidade e de estoques de carbono. (…) Isso significa que nós não podemos encarar o ‘tapete verde’ como uma coisa só. É um caleidoscópio de variação”, comenta.

Na Colômbia, o CAO ajudou a descobriu que variações na altitude, cobertura vegetal e regime hídrico têm um papel importante na diversidade de estoques de carbono na Amazônia.

Tecnologia
Denominado Atoms (sigla em inglês para Sistema Aéreo de Mapeamento Taxonômico), o novo sistema da aeronave foi lançado em junho de 2011 e une um poderoso laser a dois tipos de espectrômetros – aparelho que mede diferentes propriedades da luz. Um deles foi desenvolvido pela Nasa e é capaz de registrar 400 frequências, do ultravioleta até o infravermelho, com 60 mil medições por segundo.

O resultado obtido é comparado com uma base de dados composta por propriedades químicas e de emissão de luz de cerca de cinco mil plantas – coletadas em um detalhado trabalho de campo, em que a equipe chegou a escalar árvores e até a usar arco-e-flecha. Já o laser atinge o solo e coleta informações como estrutura em 3D da floresta.

As imagens feitas com o Atoms fornecem ainda mais detalhes que os dois sistemas usados anteriormente, o CAO Alpha e o CAO Beta, e representam um avanço no mapeamento da biodiversidade.

O CAO, que também já registrou savanas africanas, ainda não fez imagens da porção brasileira da Amazônia, mas os cientistas esperam conseguir fundos para vir ao país em breve. O mapeamento costuma ser feito com apoio de governos locais e financiamentos de empresas.

Aplicações
O mapeamento 3D da biodiversidade da Amazônia pode ajudar a medir a degradação da floresta, além do próprio desmatamento verificado com satélites.

“Nós desenvolvemos um método para usar a combinação de dados de satélite e de aeronaves para produzir mapas e monitoramentos muito detalhados da degradação florestal”, explica Asner.

Além disso, a tecnologia auxilia na criação de políticas adequadas de preservação da floresta em um cenário de mudanças climáticas, segundo Asner.

“Ele oferece uma nova forma de avaliar as florestas em termos de seus estoques de carbono, composição de espécies de árvores, habitat para animais outras espécies não vegetais. Como resultado, somos capazes de mapear, pela primeira vez, os impactos da mudança climática”.

Outra possível aplicação é a medição do estoque de carbono da floresta, que pode servir de base para o Programa de Redução das Emissões do Desmatamento e Degradação das Nações Unidas (REDD, na sigla em inglês), um mecanismo de compensação financeira para os países em desenvolvimento pela preservação de suas florestas.

Imagem inédita obtida pelo G1 mostra áreas de florestas protegidas no Peru; regiões em vermelho representam alta concentração de carbono (Foto: Greg Asner, Carnegie Airborne Observatory)

Imagem inédita obtida pelo G1 mostra áreas de florestas protegidas no Peru; regiões em vermelho representam alta concentração de carbono (Foto: Greg Asner, Carnegie Airborne Observatory)

Imagem inédita faz mostra detalhes químicos da cobertura vegetal da Amazônia peruana  (Foto: Greg Asner, Carnegie Airborne Observatory)

Imagem inédita mostra detalhes químicos da cobertura vegetal da Amazônia peruana (Foto: Greg Asner, Carnegie Airborne Observatory)

Fonte: Amanda Rossi, Globo Natureza, São Paulo


28 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Ibama flagra em MT desmate em área equivalente a 700 campos de futebol

Operação no noroeste do estado identificou áreas de floresta destruídas.
Agentes mantêm monitoramento de região atingida por desmate.

Mais de R$ 3 milhões em multas e embargo de 700 hectares em áreas desmatadas ilegalmente. Este é o saldo da operação realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), no noroeste de Mato Grosso. A ação, finalizada na semana passada, foi concentrada entre as cidades de Colniza e de Juara, distantes a 1.065 km e 690 km de Cuiabá. Durante duas semanas os fiscais do órgão identificaram desmate em uma área semelhante a 700 campos de futebol, de acordo com o instituto.

O Ibama informou ainda que foram percorridas distâncias de até 150 quilômetros do centro dos municípios, além de vistoriadas áreas em assentamentos da região. O foco foi coibir o desmatamento ilegal da floresta na chamada Amazônia Legal, formada pelos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

Mato Grosso ocupa vice-liderança nos desmates, segundo Inpe (Foto: Assessoria/Ibama)

Mato Grosso ocupa vice-liderança nos desmates, segundo Inpe (Foto: Assessoria/Ibama)

Somente em Mato Grosso, o desmate cresceu 20% entre agosto de 2010 e julho de 2011, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O estado figura na vice-liderança do ranking dos maiores desmatadores com 1.126 quilômetros quadrados. O Pará encabeça a lista, com 2.870 quilômetros quadrados.

O chefe de fiscalização do Ibama em Juína, Edilson Paz Fagundes, aponta que a falta de licenciamento e de regularização fundiária são considerados problemas para a fiscalização pelo órgão. Isto porque, na maior parte das vezes, os reais responsáveis pelo dano provocado na mata não são localizados.

“Tudo passa pela regularização fundiária”, resumiu Johnny Alex Drehmer, gerente executivo do Ibama em Juína, ao G1. De acordo com o representante, as ocorrências identificadas na região referem-se em sua maior parte ao desmate ilegal de áreas de floresta. No entanto, foram encontrados pontos onde se impedia a regeneração da mata.

A operação contou com apoio de agentes ambientais federais de Minas Gerais, Tocantins e do Rio Grande do Norte, além de equipes Cuiabá, Juína e Aripuanã.

Fiscalização
A mesma região já foi alvo de operações ambientais pelo órgão este ano. Entre os meses de outubro e novembro o Ibama já havia aplicado R$ 2,6 milhões em multas por desmatamento ilegal na região de Colniza. Na ocasião, empresas do setor madeireiro também foram autuadas porque apresentavam diferença no saldo de madeira, exerciam atividade sem licenciamento ambiental ou por estarem descumprindo determinações do instituto. De acordo com o Ibama, na ocasião foram três empresas embargadas e lacradas. Ao todo, apreendidos 2.533 m³ de madeira em toras e 470 m³ de madeira serrada.

Amazônia Legal
No começo de dezembro, um balanço apresentado pelo Inpe mostrou que o desmatamento na Amazônia Legal atingiu 6.238 quilômetros quadrados entre agosto de 2010 e julho de 2011. O número equivale a uma queda de 11% frente ao mesmo período de agosto de 2009 a julho de 2010.

Conforme o instituto, essa foi a menor área desde que se passou a monitorar o desmatamento na região, em 1988. Os dados foram mensurados a partir do sistema Prodes (Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal).

Além do Pará e Mato Grosso, que figuraram nas primeiras posições do ranking que mediu o desmatamento na Amazônia Legal no respectivo intervalo, o Inpe aponta que em Rondônia um total de 869 quilômetros quadrados foram destruídos entre agosto de 2010 e julho de 2011. O número foi o terceiro maior dentre os estados membros da Amazônia Legal.

Desmatamento foi flagrado por agentes do Ibama durante operação (Foto: Assessoria/Ibama)

Desmatamento foi flagrado por agentes do Ibama durante operação (Foto: Assessoria/Ibama)

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Fonte: Leandro J. Nascimento, G1, São Paulo


8 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Incêndio em floresta da USP foi criminoso, diz Ibama

O fogo que destruiu grande parte do maior banco genético de mata atlântica de interior da USP em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) foi criminoso, de acordo com o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente).

A conclusão é de uma análise feita por Celso Luiz Ambrósio, técnico do instituto em Ribeirão, depois de 15 dias de estudos no local. O relatório detalhado sobre as causas da queima será apresentado na quinta-feira (8).

O incêndio na floresta da USP em Ribeirão Preto aconteceu em 16 de agosto e consumiu 82 hectares de área verde. No local, haviam sido plantadas 44 mil mudas de árvores a partir de sementes de 3.375 árvores matrizes.

As coletas e plantio do banco genético aconteceram de 1998 a 2002, de acordo com Elenice Mouro Varanda, coordenadora do Ceeflor (Centro de Estudos e Extensão Florestal) da USP em Ribeirão Preto.

Segundo Varanda, será preciso esperar as chuvas e a recuperação natural das árvores para saber quais foram totalmente queimadas pelo fogo e quais vão rebrotar. As espécies replantadas levarão ao menos dez anos para atingir a maturidade.

O incêndio, ocorrido em Ribeirão Preto, acabou com 60% do banco genético, que tem um total de 3.375 árvores

O incêndio, ocorrido em Ribeirão Preto, acabou com 60% do banco genético, que tem um total de 3.375 árvores. Foto: Silva Junior/Folhapress

Fonte: Elida Oliveira, Ribeirão Preto, Folha.com


6 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Reflorestamento: ‘A floresta provê serviços ecológicos para sociedade’

De acordo com coordenador do Programa da Amazônia do WWF-Brasil, Mauro Armelin, maior obstáculo para o replantio é a falta de incentivo

Coordenador do Programa da Amazônia do WWF-Brasil, Mauro Armelin (Foto: Divulgação)

Mauro Armelin fala sobre reflorestamento (Foto: Divulgação)

Houve uma época em que não se falava sobre os perigos para o meio ambiente de se extrair madeira, plantar culturas como o café e a cana-de-açúcar e abrir pastos sem antes se fazer um estudo sobre a região, ou melhor, sobre o bioma no qual se desejava atuar. Com a popularização do termo, ou melhor, do processo chamado Reflorestamento, muitos hectares de áreas devastadas estão sendo recuperadas em todo o Brasil. De acordo com coordenador do Programa da Amazônia do WWF-Brasil, Mauro Armelin, o maior obstáculo ainda é a falta de incentivo do Governo Federal:

“Um dos maiores obstáculos é o licenciamento. Para fazer a revegetação, não dá para plantar qualquer coisa em qualquer pedaço de terra. Tem que ter um projeto para fazer uma recuperação baseada no que existia antes naquela área. Por isso é necessário um processo, que custa caro. Também não é fácil encontrar disponibilidade de mudas de espécies nativas. E o maior problema é a falta de incentivo. Não vejo políticas governamentais que apóiem ou iniciativas”, afirma Mauro.

O reflorestamento nada mais é do que recuperar florestas que foram desmatadas ou inserir espécies para que a área de onde a floresta foi retirada fique parecida com a original. Isso pode levar meses ou anos, dependendo da área, da quantidade de pessoas atuando nela e do tempo de trabalho dedicado por cada um.

“A floresta provê serviços ecológicos para sociedade como a produção de água, por exemplo. Áreas prioritárias para fazer reflorestamento são as margens dos rios e os morros desmatados. E há também o reflorestamento que tem como objetivo aumentar a população de algum animal, como foi feito no litoral do Rio de Janeiro, com a intenção de aumentar o número de mico-leão-dourado, que estava em extinção”, diz Mauro.

A recuperação da vegetação é feita em fases. Primeiro, são plantadas árvores pioneiras, aquelas que crescem sob o sol e protegem as árvores secundárias, as segundas a serem inseridas na floresta que está no processo. É necessário estudar as espécies típicas da região e seguir a vontade de proprietário da terra que está sendo reflorestada. Com elas, é possível recuperar a biodiversidade que existia no local.

“Pode ser que ele queira ambiente mais fresco em sua fazenda ou uma floresta que ofereça produtos, como borracha, palmito ou frutas. O sistema de vegetação é selecionado de acordo com o gosto, mas com base na sucessão florestal”, comenta Mauro.

Apesar da experiência na área, a WWF-Brasil não trabalha atualmente em nenhum projeto de reflorestamento. A organização não-governamental vem trabalhando em políticas, tentando encorajar a recuperação de áreas e brigando pelas áreas protegidas e pela precaução com elas.

“Nosso objetivo hoje não é reflorestar, mas criar formas para que isso seja possível. E também para que não seja necessário. Estamos trabalhando junto ao governo do Estado do Acre no projeto Conservando Um Bilhão de Árvores, um processo de certificação das propriedades agrícolas para que as famílias tenham produção agrícola ou melhorem a pastagem sem destruir a vegetação. O objetivo é que aqueles 80% de área que não são de Reserva Legal sejam utilizados, porém, conservados como florestas. Assim, os donos daquela propriedade podem tirar renda da floresta e melhorar sua própria qualidade de vida”.

Fonte: Globo Ecologia


22 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Queimadas no estado do Amazonas aumentam 91% em 2011

Tempo seco contribui para incêndios na floresta amazônica.
Baixa quantidade de brigadistas dificulta combate de focos no estado.

A baixa umidade do ar do Amazonas e o aumento na quantidade de queimadas na floresta no estado preocupa o governo. A falta de brigadistas dificulta os trabalhos de contenção dos incêndios.

Dados do sistema de monitoramento de queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de São José dos Campos, mostram que entre 1º de janeiro até 19 de agosto houve crescimento de 91% nas ocorrências de queimada no estado.

Em 2010 foram registrados 136 focos de calor, enquanto neste ano já são 261. O índice vai na contramão dos demais estados, que apresentam queda na quantidade de queimadas no comparativo com o ano passado.

Entre as regiões mais afetadas no Amazonas estão o Parque Nacional Campos Amazônicos, que teve queimada entre o fim de julho e início de agosto uma área de 330 km² (equivalente a 206 vezes o tamanho do Parque Ibirapuera, em São Paulo).

Alerta
Segundo informações do Sistema Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o risco de novos focos de incêndio na floresta é alto devido à forte estiagem na região.

“Estamos enfrentando este calor inédito. A umidade do ar não deveria ficar tão baixa. Estamos pedindo para a população evitar a queima em propriedades, principalmente no sul do Amazonas”, disse Agenor Vicente da Silva, coordenador estadual do Prevfogo.

Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontam que a umidade relativa do ar na região está em 34%, mesmo índice registrado durante o auge da seca na Amazônia em 2010, considerada a segunda pior da história.

“O normal é a umidade do ar no estado ficar em cerca de 80%. A redução é consequência de um fenômeno climático que deixou a atmosfera seca em várias partes do país. Esta situação deverá continuar até meados de setembro”, comenta o meteorologista Francisco de Assis Diniz.

Para Bernardo Flores, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, quanto mais frequente for o fogo em trechos da floresta, mais suscetível o bioma ficará às queimadas. “Teria que ocorrer uma conscientização da população, para evitar o uso do fogo na limpeza de terrenos, por exemplo. Mas é complicado, porque a população mais pobre não tem como utilizar formas mais caras para isto”, disse.

Estrutura
Segundo Silva, em todo o estado existem 60 brigadistas do Ibama, número insuficiente para controlar as ocorrências do estado. “O Corpo de Bombeiros está somente nas cidades mais distantes”, afirma.

De acordo com Rômulo Mello, presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ao menos cem unidades de conservação concentradas nas regiões Centro-Oeste, sul do Amazonas e parte do Pará têm risco alto de incêndio.

“Nós já temos aviões preparados para utilizar no combate às queimadas, além dos funcionários do instituto. Não queremos que este ano alcance o total de 1,5 milhão de hectares queimados (15.000 km²) em 2010. Em 2011 já houve registro de 200 mil hectares (2.000 km²) devastados pelo fogo”, desse.

Unidades de Conservação
O Parque Nacional dos Campos Amazônicos foi uma das unidades de conservação da Amazônia que tiveram seus limites modificados por Medida Provisória publicada no Diário Oficial da União desta semana.

A UC perdeu 340 km² para viabilizar a construção da usina hidrelétrica de Tabajara e o aproveitamento energético do Rio Roosevelt, que corta a unidade. Além disso, a área amortizada poderá ser utilizada em atividades mineradoras. Outros dois parques nacionais (Amazônia e Mapinguari) também foram afetados pela MP.

“Estamos fazendo uma correção nas zonas dos parques para evitar conflitos fundiários e proporcionar ganhos no setor energético e na preservação. Essas unidades de conservação receberam áreas anteriormente, portanto, não houve perdas. Até se chegar a esta conclusão foram feitos estudos técnicos, nada foi decidido num estalar de dedos. As medidas são positivas”, afirmou o presidente do ICMBio, Romulo Mello.

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Parque Nacional Campos Amazônicos teve área afetada por incêndio entre julho e agosto (Foto: Divulgação/Prevfogo AM)

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Imagem aérea do Parque Nacional Campos Amazônicos, que perdeu área equivalente a 206 Parques do Ibirapuera devido às queimadas em 2011 (Foto: Divulgação/Prevfogo AM)

Fonte: Eduardo Carvalho, São Paulo, Globo Natureza


18 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Mais de 350 espécies dadas como extintas são ‘redescobertas’

Extinção é para sempre? Está mais para “eterna enquanto dura”, segundo uma nova pesquisa.

Centenas de espécies atuais dadas por extintas já foram redescobertas na natureza, principalmente nas regiões tropicais. A conclusão está em artigo no periódico “PLoS One”.

Os autores, pesquisadores de Cingapura, da Austrália e dos EUA, vasculharam a literatura científica em busca de casos de espécies que pareciam ter sumido, mas foram “ressuscitadas” mais tarde.

Eles concluíram que, no período de 120 anos, 351 espécies foram redescobertas: 104 anfíbios, 144 aves e 103 mamíferos – o estudo só abordou esses três grupos. Em média, um animal ficava sumido por 61 anos.

As redescobertas se concentram no hemisfério Sul, nas matas tropicais e subtropicais da América do Sul, da África, de Madagáscar, da Índia e da Nova Guiné.

Boa ou má notícia? – Os cientistas se surpreenderam com o aumento da taxa de redescobertas ao longo dos anos. “Ficamos surpresos, especificamente por ver que a taxa de espécies ameaçadas é exponencialmente crescente, enquanto que poucas espécies que são redescobertas não são ameaçadas”, diz à Folha o primeiro autor Brett Scheffers do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Nacional de Cingapura.

O lado bom disso é que “redescobrir espécies consideradas extintas demonstra um aumento no esforço e na área coberta por expedições de coleta e observação”, disse à Folha Carlos Joly, professor da Unicamp e coordenador geral do Programa Biota, financiado pela Fapesp.

Por outro lado, os autores da pesquisa alertam: “Isso [o dado sobre redescobertas] pode fazer o público achar que a crise da biodiversidade não é tão grande como se fala ou causar uma perda de credibilidade dos cientistas”.

Para eles, pode-se dizer até que as redescobertas também cresceram devido ao aumento do número de espécies ameaçadas e consideradas extintas -quanto maior a lista, maior também a chance de algum bicho ainda viver.

O fato é que a crise de extinção é bem real. Calcula-se que a biodiversidade da Terra está sendo perdida a uma taxa até mil vezes mais rápida do que o ritmo natural.

Hoje, 30% de todos os anfíbios, 12% das aves e 21% dos mamíferos estão extintos ou ameaçados de extinção. O Brasil tem hoje 486 espécies na chamada Lista Vermelha de animais em risco.

“Existem provavelmente muitas espécies ainda esperando para serem redescobertas, no entanto, encontrá-las é uma corrida contra o tempo” diz Scheffers à Folha.

Segunda extinção – Nem bem ressuscitadas, a maioria das espécies redescobertas já está com o pé na cova. Mais de 90% dos anfíbios, 86% das aves e 86% dos mamíferos reencontrados estão altamente ameaçados, têm distribuição restrita e populações pequenas.

Muitas das 351 espécies “salvas” da extinção irão sumir de vez sem medidas agressivas de conservação.

“Para melhorar a conservação dessas espécies altamente ameaçadas e pouco estudadas, temos que promover e continuar a apoiar estudos ecológicos básicos e pesquisas biológicas. Isto pode ser feito através do maior financiamento ou simplificação do processo para a autorização de pesquisas em áreas pouco conhecidas, especialmente nos trópicos. Só assim podemos reprimir extinções futuras”, segundo Scheffers.

Para os autores, o Brasil foi um dos países com mais redescobertas para todos os grupo estudados –anfíbios, aves e mamíferos.

“Isto era esperado, já que o Brasil é um país rico em biodiversidade, mas também um país com uma história de alta perda de habitat e degradação. Isto faz do Brasil um candidato principal para muitas redescobertas de qualquer espécie que não tenha sido vista por muitos anos ou espécies tidas por extintas e, mais tarde redescobertas”, comentou Scheffers.

Em território brasileiro, umas das espécies da lista é o macaco-prego-galego (Cebus flavius). Esse primata loiro tinha sido visto pela última vez em 1774, por naturalistas europeus, e redescoberto apenas em 2006.

A situação atual dele é de risco extremamente alto de extinção. Estima-se que existam oito populações, com um total de até 300 indivíduos, sobrevivendo apenas em alguns poucos fragmentos de mata atlântica dos Estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Scheffers aponta que a “perda de floresta diminuiu no Brasil, especialmente nos últimos anos, no entanto os sucessos de conservação no futuro exigirá ao Brasil manter uma atitude positiva frente à conservação, fornecendo apoio contínuo (por exemplo, através de financiamento e aprovação de autorizações de pesquisa) para inventários biológicos”.

Fonte: Marco Varella/ Folha.com


8 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Recuperação da 2ª maior floresta tropical do mundo custa R$ 4,1 bi

O governo da República do Congo disse que precisa de um fundo do valor de US$ 2,6 bilhões (cerca de R$ 4,1 bilhões) para recuperar as florestas tropicais do país –a segunda maior do mundo, atrás apenas da Amazônia, segundo as Nações Unidas.

O plano é reflorestar e também regularizar, nos próximos dez anos, a produção local –madeira, mel e óleo de palma, entre outros produtos– de uma área do tamanho de 1 milhão de hectares.

Para cumprir a meta, o Congo terá de buscar a colaboração de doadores e investidores para pagar a maior parte da conta. Como contrapartida, o governo do país entrará com R$ 684 milhões.

Fonte: Da Reuters


4 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Homem primitivo vivia em áreas de savana, diz estudo

Cientistas da Universidade de Utah acreditam que a savana, vegetação rasteira e de árvores baixas, foi a paisagem dominante na maior parte do leste africano durante 6 milhões de anos de evolução humana, refutando estudos anteriores de que as florestas teriam diminuído após o aparecimento do homem. Os estudiosos analisaram isótopos em solo primitivo para medir a cobertura vegetal pré-histórica.

“Nós conseguimos quantificar o quanto de sombra estava disponível”, diz o geoquímico Thure Cerling University of Utah scientists, autor do estudo, publicado nesta quarta-feira (4) na revista Nature. “E isso mostra que havia habitats abertos para todos nos últimos 6 milhões de anos nessa região, onde a parte mais significativa dos fósseis humanos foi encontrada.”

“No mesmo lugar onde encontramos ancestrais humanos, encontramos também evidências para hábitats abertos similares às savanas, e não às florestas”, acrescenta Cerling.

Cientistas discutem há décadas sobre a importância da vegetação na evolução humana, incluindo o desenvolvimento da postura ereta, o aumento do cérebro e o uso de ferramentas primitivas.

Para os hominídeos primitivos, a sombra das árvores pode ter influenciado na adaptação da regulação da temperatura corporal e hábitos de caça. Já a savana teria influenciado na adaptação em busca de novos tipos de alimento e no bipedalismo.

No novo estudo, Cerling afirma que a equipe desenvolveu um “novo modo de quantificar a abertura de paisagens tropicais”.

Os pesquisadores utilizaram isótopos de carbono de solos primitivos que, segundo Cerling, serve para determinar a cobertura vegetal existente em determinada região.

“Este é o primeiro método que realmente quantifica a cobertura florestal, que é a base para decidir se tratar de uma savana.”

Para o pesquisador, a par de as savanas terem se tornado mais extensas nos últimos 2 milhões de anos, o estudo indica que elas prevaleceram nos 6 milhões de anos com uma cobertura de árvores inferior a 40% em sua grande parte.

“Muitos cientistas acreditam que 2 milhões de anos atrás havia florestas [ao leste da África] e que a savana esteve presente apenas depois disso”, diz Cerling.

Fonte: G1


3 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Inpe registra desmatamento de 312,7 km² em junho na Amazônia Legal

Número é 28,3% maior que o do mesmo mês no ano passado.
Pará, com 119,6 km², é o estado que mais desmatou na região.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou nesta terça-feira (2) o relatório de seu sistema de monitoramento de Desmatamento em Tempo Real da Amazônia Legal (Deter) para o mês de junho. Foram detectados 312,7 km² de floresta derrubada na região no período – área equivalente a 195 vezes o Parque Ibirapuera.

O número é 28,3% maior que o de junho do ano passado, quando o Inpe registrou 243,7 km² de derrubadas. É também 16,7% maior que o de maio deste ano, quando o índice foi de 267,9 km².

Em junho, o Pará assumiu a liderança entre os estados que mais desmatam. Sozinho, ele respondeu por 119,6 km² do total desmatado, mais de um terço do total. Em relação a maio, houve um aumento de 82,5% na área de desmatamento detectada. Parte deste salto, no entanto, pode se dever à diminuição na cobertura de nuvens na região. Em maio, cerca de 40% do estado estavam encobertos e, em junho, este índice caiu para menos de 20%.

Mato Grosso, que vinha registrando as maiores áreas de devastação, teve 81,5 km² de florestas derrubadas detectadas em junho, contra 93,7 km² em maio. Assim, é o segundo estado com mais derrubadas.

O instituto sediado em São José dos Campos (SP) sempre ressalta, que em função da cobertura de nuvens variável de um mês para outro e, também, da resolução dos satélites, os dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) não representam medição exata do desmatamento mensal na região.

A função principal do sistema é gerar alertas para orientação da fiscalização ambiental.

Desmatamento de 12 km² foi aberto rapidamente. (Foto: Divulgação/Ibama)

Desmatamento de 12 km² flagrado em junho em Altamira, no Pará. (Foto: Divulgação/Ibama)

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


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10 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Bióloga usa ninhos artificiais e atrai pássaros a mata incendiada na USP

Animais que voltam ao local trazem sementes e ajudam recuperar floresta.
Banco genético da USP de Ribeirão Preto chegou a abrigar 130 espécies.

Bióloga criou ninhos artificiais para atrair pássaros para área degragada em Ribeirão  (Foto: Reprodução EPTV)

Bióloga criou ninhos artificiais para atrair pássaros para área degragada (Foto: Reprodução EPTV)

Nove meses atrás, a bióloga Ana Carla Aquino, de 37 anos, se deparou com uma cena que ficou marcada na memória. “Vi um casal de nhambus morrer ao proteger o ninho com filhotes das chamas”, lembra sobre o incêndio que destruiu 83 hectares de mata preservada e afugentou 130 espécies de aves da floresta da USP deRibeirão Preto (SP) em agosto de 2011.

O episódio - que posteriormente foi apontado como criminoso pelo Ibama - motivou a técnica do laboratório de Zoologia e Vertebrados da universidade a colocar em prática a ideia de construir ninhos artificiais, como forma de atrair pássaros ao espaço degradado. Ao todo, já foram instaladas 25 caixas de madeira e bambu, produzidas em diferentes tamanhos, com tampa articulável. Até julho, o número deve dobrar.

Além de ganhar a confiança das aves expulsas de seu habitat e aumentar a biodiversidade da área, o projeto desenvolvido voluntariamente visa obter novas informações para um estudo sobre reprodução animal. “A gente tinha essa ideia antes do incêndio, como uma forma de estudar os aspectos reprodutivos. Com o incêndio, resolvemos adiantar isso”, afirma a pesquisadora ao G1.

Embora não haja um levantamento sobre o número de espécies que voltaram a ocupar o banco genético, exemplares de maritacas, pica-paus, papagaios, periquitos, corujas-do-mato, entre outros, voltaram a sobrevoar o campus.

Mas os resultados mais expressivos da ideia devem ser percebidos a partir do segundo ano do projeto, de acordo com a bióloga, através de um processo natural de reconhecimento e adaptação dos pássaros.

“A gente espera que as aves comecem a ficar mais à vontade com a mudança no ambiente”, diz. De acordo com Ana Carla, os ninhos artificiais também contribuem, de certa forma, para a recuperação da mata no local. “Ao voltarem para cá, as aves trazem sementes”, explica.

Área verde da USP chegou a abrigar 130 espécies de aves até incêndio em agosto de 2011. (Foto: Reprodução EPTV)

Área verde da USP chegou a abrigar 130 espécies de aves até incêndio em 2011. (Foto: Reprodução EPTV)

Fonte: Rodolfo Tiengo, G1


10 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Fotos em 3D inéditas da Amazônia revelam detalhes físicos e químicos

Em vez de um tapete verde, imagens mostram um caleidoscópio de cores.
Elas representam diferentes composições químicas das plantas da floresta.

A floresta amazônica tem outras tonalidades em fotos feitas por pesquisadores americanos. Em vez de um tapete verde, um caleidoscópio de cores em 3D surge a partir imagens produzidas por equipamentos de alta tecnologia do Instituto Carnegie para Ciência, ligado à Universidade Stanford, nos Estados Unidos. É um mapa completo da biodiversidade, que faz medições físicas e químicas da floresta, a partir de uma aeronave.

Imagens inéditas recebidas pelo G1 mostram dois mapas 3D da Amazônia no Peru. Eles foram feitos por um novo sistema da aeronave-observatório, a Carnegie ‘Aérea’ (CAO, na sigla em inglês), que é capaz de registrar aspectos invisíveis ao olho nu, como componentes químicos de diferentes espécies e o estoque de carbono da floresta.

Em uma delas, uma área preservada de mata aparece em vermelho, o que representa alta concentração de carbono, e os rios são mostrados em azul. Na outra, a cobertura florestal é exibida em diversas cores, que significam a presença de variadas espécies e uma grande diversidade.

De acordo com Gregory Asner, diretor e cientista responsável pelo projeto, as imagens obtidas pelo CAO ajudaram os cientistas a entender melhor a biodiversidade da floresta amazônica.

“No Peru, nós descobrimos uma variação muito grande de biodiversidade e de estoques de carbono. (…) Isso significa que nós não podemos encarar o ‘tapete verde’ como uma coisa só. É um caleidoscópio de variação”, comenta.

Na Colômbia, o CAO ajudou a descobriu que variações na altitude, cobertura vegetal e regime hídrico têm um papel importante na diversidade de estoques de carbono na Amazônia.

Tecnologia
Denominado Atoms (sigla em inglês para Sistema Aéreo de Mapeamento Taxonômico), o novo sistema da aeronave foi lançado em junho de 2011 e une um poderoso laser a dois tipos de espectrômetros – aparelho que mede diferentes propriedades da luz. Um deles foi desenvolvido pela Nasa e é capaz de registrar 400 frequências, do ultravioleta até o infravermelho, com 60 mil medições por segundo.

O resultado obtido é comparado com uma base de dados composta por propriedades químicas e de emissão de luz de cerca de cinco mil plantas – coletadas em um detalhado trabalho de campo, em que a equipe chegou a escalar árvores e até a usar arco-e-flecha. Já o laser atinge o solo e coleta informações como estrutura em 3D da floresta.

As imagens feitas com o Atoms fornecem ainda mais detalhes que os dois sistemas usados anteriormente, o CAO Alpha e o CAO Beta, e representam um avanço no mapeamento da biodiversidade.

O CAO, que também já registrou savanas africanas, ainda não fez imagens da porção brasileira da Amazônia, mas os cientistas esperam conseguir fundos para vir ao país em breve. O mapeamento costuma ser feito com apoio de governos locais e financiamentos de empresas.

Aplicações
O mapeamento 3D da biodiversidade da Amazônia pode ajudar a medir a degradação da floresta, além do próprio desmatamento verificado com satélites.

“Nós desenvolvemos um método para usar a combinação de dados de satélite e de aeronaves para produzir mapas e monitoramentos muito detalhados da degradação florestal”, explica Asner.

Além disso, a tecnologia auxilia na criação de políticas adequadas de preservação da floresta em um cenário de mudanças climáticas, segundo Asner.

“Ele oferece uma nova forma de avaliar as florestas em termos de seus estoques de carbono, composição de espécies de árvores, habitat para animais outras espécies não vegetais. Como resultado, somos capazes de mapear, pela primeira vez, os impactos da mudança climática”.

Outra possível aplicação é a medição do estoque de carbono da floresta, que pode servir de base para o Programa de Redução das Emissões do Desmatamento e Degradação das Nações Unidas (REDD, na sigla em inglês), um mecanismo de compensação financeira para os países em desenvolvimento pela preservação de suas florestas.

Imagem inédita obtida pelo G1 mostra áreas de florestas protegidas no Peru; regiões em vermelho representam alta concentração de carbono (Foto: Greg Asner, Carnegie Airborne Observatory)

Imagem inédita obtida pelo G1 mostra áreas de florestas protegidas no Peru; regiões em vermelho representam alta concentração de carbono (Foto: Greg Asner, Carnegie Airborne Observatory)

Imagem inédita faz mostra detalhes químicos da cobertura vegetal da Amazônia peruana  (Foto: Greg Asner, Carnegie Airborne Observatory)

Imagem inédita mostra detalhes químicos da cobertura vegetal da Amazônia peruana (Foto: Greg Asner, Carnegie Airborne Observatory)

Fonte: Amanda Rossi, Globo Natureza, São Paulo


28 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Ibama flagra em MT desmate em área equivalente a 700 campos de futebol

Operação no noroeste do estado identificou áreas de floresta destruídas.
Agentes mantêm monitoramento de região atingida por desmate.

Mais de R$ 3 milhões em multas e embargo de 700 hectares em áreas desmatadas ilegalmente. Este é o saldo da operação realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), no noroeste de Mato Grosso. A ação, finalizada na semana passada, foi concentrada entre as cidades de Colniza e de Juara, distantes a 1.065 km e 690 km de Cuiabá. Durante duas semanas os fiscais do órgão identificaram desmate em uma área semelhante a 700 campos de futebol, de acordo com o instituto.

O Ibama informou ainda que foram percorridas distâncias de até 150 quilômetros do centro dos municípios, além de vistoriadas áreas em assentamentos da região. O foco foi coibir o desmatamento ilegal da floresta na chamada Amazônia Legal, formada pelos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

Mato Grosso ocupa vice-liderança nos desmates, segundo Inpe (Foto: Assessoria/Ibama)

Mato Grosso ocupa vice-liderança nos desmates, segundo Inpe (Foto: Assessoria/Ibama)

Somente em Mato Grosso, o desmate cresceu 20% entre agosto de 2010 e julho de 2011, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O estado figura na vice-liderança do ranking dos maiores desmatadores com 1.126 quilômetros quadrados. O Pará encabeça a lista, com 2.870 quilômetros quadrados.

O chefe de fiscalização do Ibama em Juína, Edilson Paz Fagundes, aponta que a falta de licenciamento e de regularização fundiária são considerados problemas para a fiscalização pelo órgão. Isto porque, na maior parte das vezes, os reais responsáveis pelo dano provocado na mata não são localizados.

“Tudo passa pela regularização fundiária”, resumiu Johnny Alex Drehmer, gerente executivo do Ibama em Juína, ao G1. De acordo com o representante, as ocorrências identificadas na região referem-se em sua maior parte ao desmate ilegal de áreas de floresta. No entanto, foram encontrados pontos onde se impedia a regeneração da mata.

A operação contou com apoio de agentes ambientais federais de Minas Gerais, Tocantins e do Rio Grande do Norte, além de equipes Cuiabá, Juína e Aripuanã.

Fiscalização
A mesma região já foi alvo de operações ambientais pelo órgão este ano. Entre os meses de outubro e novembro o Ibama já havia aplicado R$ 2,6 milhões em multas por desmatamento ilegal na região de Colniza. Na ocasião, empresas do setor madeireiro também foram autuadas porque apresentavam diferença no saldo de madeira, exerciam atividade sem licenciamento ambiental ou por estarem descumprindo determinações do instituto. De acordo com o Ibama, na ocasião foram três empresas embargadas e lacradas. Ao todo, apreendidos 2.533 m³ de madeira em toras e 470 m³ de madeira serrada.

Amazônia Legal
No começo de dezembro, um balanço apresentado pelo Inpe mostrou que o desmatamento na Amazônia Legal atingiu 6.238 quilômetros quadrados entre agosto de 2010 e julho de 2011. O número equivale a uma queda de 11% frente ao mesmo período de agosto de 2009 a julho de 2010.

Conforme o instituto, essa foi a menor área desde que se passou a monitorar o desmatamento na região, em 1988. Os dados foram mensurados a partir do sistema Prodes (Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal).

Além do Pará e Mato Grosso, que figuraram nas primeiras posições do ranking que mediu o desmatamento na Amazônia Legal no respectivo intervalo, o Inpe aponta que em Rondônia um total de 869 quilômetros quadrados foram destruídos entre agosto de 2010 e julho de 2011. O número foi o terceiro maior dentre os estados membros da Amazônia Legal.

Desmatamento foi flagrado por agentes do Ibama durante operação (Foto: Assessoria/Ibama)

Desmatamento foi flagrado por agentes do Ibama durante operação (Foto: Assessoria/Ibama)

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Fonte: Leandro J. Nascimento, G1, São Paulo


8 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Incêndio em floresta da USP foi criminoso, diz Ibama

O fogo que destruiu grande parte do maior banco genético de mata atlântica de interior da USP em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) foi criminoso, de acordo com o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente).

A conclusão é de uma análise feita por Celso Luiz Ambrósio, técnico do instituto em Ribeirão, depois de 15 dias de estudos no local. O relatório detalhado sobre as causas da queima será apresentado na quinta-feira (8).

O incêndio na floresta da USP em Ribeirão Preto aconteceu em 16 de agosto e consumiu 82 hectares de área verde. No local, haviam sido plantadas 44 mil mudas de árvores a partir de sementes de 3.375 árvores matrizes.

As coletas e plantio do banco genético aconteceram de 1998 a 2002, de acordo com Elenice Mouro Varanda, coordenadora do Ceeflor (Centro de Estudos e Extensão Florestal) da USP em Ribeirão Preto.

Segundo Varanda, será preciso esperar as chuvas e a recuperação natural das árvores para saber quais foram totalmente queimadas pelo fogo e quais vão rebrotar. As espécies replantadas levarão ao menos dez anos para atingir a maturidade.

O incêndio, ocorrido em Ribeirão Preto, acabou com 60% do banco genético, que tem um total de 3.375 árvores

O incêndio, ocorrido em Ribeirão Preto, acabou com 60% do banco genético, que tem um total de 3.375 árvores. Foto: Silva Junior/Folhapress

Fonte: Elida Oliveira, Ribeirão Preto, Folha.com


6 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Reflorestamento: ‘A floresta provê serviços ecológicos para sociedade’

De acordo com coordenador do Programa da Amazônia do WWF-Brasil, Mauro Armelin, maior obstáculo para o replantio é a falta de incentivo

Coordenador do Programa da Amazônia do WWF-Brasil, Mauro Armelin (Foto: Divulgação)

Mauro Armelin fala sobre reflorestamento (Foto: Divulgação)

Houve uma época em que não se falava sobre os perigos para o meio ambiente de se extrair madeira, plantar culturas como o café e a cana-de-açúcar e abrir pastos sem antes se fazer um estudo sobre a região, ou melhor, sobre o bioma no qual se desejava atuar. Com a popularização do termo, ou melhor, do processo chamado Reflorestamento, muitos hectares de áreas devastadas estão sendo recuperadas em todo o Brasil. De acordo com coordenador do Programa da Amazônia do WWF-Brasil, Mauro Armelin, o maior obstáculo ainda é a falta de incentivo do Governo Federal:

“Um dos maiores obstáculos é o licenciamento. Para fazer a revegetação, não dá para plantar qualquer coisa em qualquer pedaço de terra. Tem que ter um projeto para fazer uma recuperação baseada no que existia antes naquela área. Por isso é necessário um processo, que custa caro. Também não é fácil encontrar disponibilidade de mudas de espécies nativas. E o maior problema é a falta de incentivo. Não vejo políticas governamentais que apóiem ou iniciativas”, afirma Mauro.

O reflorestamento nada mais é do que recuperar florestas que foram desmatadas ou inserir espécies para que a área de onde a floresta foi retirada fique parecida com a original. Isso pode levar meses ou anos, dependendo da área, da quantidade de pessoas atuando nela e do tempo de trabalho dedicado por cada um.

“A floresta provê serviços ecológicos para sociedade como a produção de água, por exemplo. Áreas prioritárias para fazer reflorestamento são as margens dos rios e os morros desmatados. E há também o reflorestamento que tem como objetivo aumentar a população de algum animal, como foi feito no litoral do Rio de Janeiro, com a intenção de aumentar o número de mico-leão-dourado, que estava em extinção”, diz Mauro.

A recuperação da vegetação é feita em fases. Primeiro, são plantadas árvores pioneiras, aquelas que crescem sob o sol e protegem as árvores secundárias, as segundas a serem inseridas na floresta que está no processo. É necessário estudar as espécies típicas da região e seguir a vontade de proprietário da terra que está sendo reflorestada. Com elas, é possível recuperar a biodiversidade que existia no local.

“Pode ser que ele queira ambiente mais fresco em sua fazenda ou uma floresta que ofereça produtos, como borracha, palmito ou frutas. O sistema de vegetação é selecionado de acordo com o gosto, mas com base na sucessão florestal”, comenta Mauro.

Apesar da experiência na área, a WWF-Brasil não trabalha atualmente em nenhum projeto de reflorestamento. A organização não-governamental vem trabalhando em políticas, tentando encorajar a recuperação de áreas e brigando pelas áreas protegidas e pela precaução com elas.

“Nosso objetivo hoje não é reflorestar, mas criar formas para que isso seja possível. E também para que não seja necessário. Estamos trabalhando junto ao governo do Estado do Acre no projeto Conservando Um Bilhão de Árvores, um processo de certificação das propriedades agrícolas para que as famílias tenham produção agrícola ou melhorem a pastagem sem destruir a vegetação. O objetivo é que aqueles 80% de área que não são de Reserva Legal sejam utilizados, porém, conservados como florestas. Assim, os donos daquela propriedade podem tirar renda da floresta e melhorar sua própria qualidade de vida”.

Fonte: Globo Ecologia


22 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Queimadas no estado do Amazonas aumentam 91% em 2011

Tempo seco contribui para incêndios na floresta amazônica.
Baixa quantidade de brigadistas dificulta combate de focos no estado.

A baixa umidade do ar do Amazonas e o aumento na quantidade de queimadas na floresta no estado preocupa o governo. A falta de brigadistas dificulta os trabalhos de contenção dos incêndios.

Dados do sistema de monitoramento de queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de São José dos Campos, mostram que entre 1º de janeiro até 19 de agosto houve crescimento de 91% nas ocorrências de queimada no estado.

Em 2010 foram registrados 136 focos de calor, enquanto neste ano já são 261. O índice vai na contramão dos demais estados, que apresentam queda na quantidade de queimadas no comparativo com o ano passado.

Entre as regiões mais afetadas no Amazonas estão o Parque Nacional Campos Amazônicos, que teve queimada entre o fim de julho e início de agosto uma área de 330 km² (equivalente a 206 vezes o tamanho do Parque Ibirapuera, em São Paulo).

Alerta
Segundo informações do Sistema Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o risco de novos focos de incêndio na floresta é alto devido à forte estiagem na região.

“Estamos enfrentando este calor inédito. A umidade do ar não deveria ficar tão baixa. Estamos pedindo para a população evitar a queima em propriedades, principalmente no sul do Amazonas”, disse Agenor Vicente da Silva, coordenador estadual do Prevfogo.

Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontam que a umidade relativa do ar na região está em 34%, mesmo índice registrado durante o auge da seca na Amazônia em 2010, considerada a segunda pior da história.

“O normal é a umidade do ar no estado ficar em cerca de 80%. A redução é consequência de um fenômeno climático que deixou a atmosfera seca em várias partes do país. Esta situação deverá continuar até meados de setembro”, comenta o meteorologista Francisco de Assis Diniz.

Para Bernardo Flores, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, quanto mais frequente for o fogo em trechos da floresta, mais suscetível o bioma ficará às queimadas. “Teria que ocorrer uma conscientização da população, para evitar o uso do fogo na limpeza de terrenos, por exemplo. Mas é complicado, porque a população mais pobre não tem como utilizar formas mais caras para isto”, disse.

Estrutura
Segundo Silva, em todo o estado existem 60 brigadistas do Ibama, número insuficiente para controlar as ocorrências do estado. “O Corpo de Bombeiros está somente nas cidades mais distantes”, afirma.

De acordo com Rômulo Mello, presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ao menos cem unidades de conservação concentradas nas regiões Centro-Oeste, sul do Amazonas e parte do Pará têm risco alto de incêndio.

“Nós já temos aviões preparados para utilizar no combate às queimadas, além dos funcionários do instituto. Não queremos que este ano alcance o total de 1,5 milhão de hectares queimados (15.000 km²) em 2010. Em 2011 já houve registro de 200 mil hectares (2.000 km²) devastados pelo fogo”, desse.

Unidades de Conservação
O Parque Nacional dos Campos Amazônicos foi uma das unidades de conservação da Amazônia que tiveram seus limites modificados por Medida Provisória publicada no Diário Oficial da União desta semana.

A UC perdeu 340 km² para viabilizar a construção da usina hidrelétrica de Tabajara e o aproveitamento energético do Rio Roosevelt, que corta a unidade. Além disso, a área amortizada poderá ser utilizada em atividades mineradoras. Outros dois parques nacionais (Amazônia e Mapinguari) também foram afetados pela MP.

“Estamos fazendo uma correção nas zonas dos parques para evitar conflitos fundiários e proporcionar ganhos no setor energético e na preservação. Essas unidades de conservação receberam áreas anteriormente, portanto, não houve perdas. Até se chegar a esta conclusão foram feitos estudos técnicos, nada foi decidido num estalar de dedos. As medidas são positivas”, afirmou o presidente do ICMBio, Romulo Mello.

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Parque Nacional Campos Amazônicos teve área afetada por incêndio entre julho e agosto (Foto: Divulgação/Prevfogo AM)

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Imagem aérea do Parque Nacional Campos Amazônicos, que perdeu área equivalente a 206 Parques do Ibirapuera devido às queimadas em 2011 (Foto: Divulgação/Prevfogo AM)

Fonte: Eduardo Carvalho, São Paulo, Globo Natureza


18 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Mais de 350 espécies dadas como extintas são ‘redescobertas’

Extinção é para sempre? Está mais para “eterna enquanto dura”, segundo uma nova pesquisa.

Centenas de espécies atuais dadas por extintas já foram redescobertas na natureza, principalmente nas regiões tropicais. A conclusão está em artigo no periódico “PLoS One”.

Os autores, pesquisadores de Cingapura, da Austrália e dos EUA, vasculharam a literatura científica em busca de casos de espécies que pareciam ter sumido, mas foram “ressuscitadas” mais tarde.

Eles concluíram que, no período de 120 anos, 351 espécies foram redescobertas: 104 anfíbios, 144 aves e 103 mamíferos – o estudo só abordou esses três grupos. Em média, um animal ficava sumido por 61 anos.

As redescobertas se concentram no hemisfério Sul, nas matas tropicais e subtropicais da América do Sul, da África, de Madagáscar, da Índia e da Nova Guiné.

Boa ou má notícia? – Os cientistas se surpreenderam com o aumento da taxa de redescobertas ao longo dos anos. “Ficamos surpresos, especificamente por ver que a taxa de espécies ameaçadas é exponencialmente crescente, enquanto que poucas espécies que são redescobertas não são ameaçadas”, diz à Folha o primeiro autor Brett Scheffers do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Nacional de Cingapura.

O lado bom disso é que “redescobrir espécies consideradas extintas demonstra um aumento no esforço e na área coberta por expedições de coleta e observação”, disse à Folha Carlos Joly, professor da Unicamp e coordenador geral do Programa Biota, financiado pela Fapesp.

Por outro lado, os autores da pesquisa alertam: “Isso [o dado sobre redescobertas] pode fazer o público achar que a crise da biodiversidade não é tão grande como se fala ou causar uma perda de credibilidade dos cientistas”.

Para eles, pode-se dizer até que as redescobertas também cresceram devido ao aumento do número de espécies ameaçadas e consideradas extintas -quanto maior a lista, maior também a chance de algum bicho ainda viver.

O fato é que a crise de extinção é bem real. Calcula-se que a biodiversidade da Terra está sendo perdida a uma taxa até mil vezes mais rápida do que o ritmo natural.

Hoje, 30% de todos os anfíbios, 12% das aves e 21% dos mamíferos estão extintos ou ameaçados de extinção. O Brasil tem hoje 486 espécies na chamada Lista Vermelha de animais em risco.

“Existem provavelmente muitas espécies ainda esperando para serem redescobertas, no entanto, encontrá-las é uma corrida contra o tempo” diz Scheffers à Folha.

Segunda extinção – Nem bem ressuscitadas, a maioria das espécies redescobertas já está com o pé na cova. Mais de 90% dos anfíbios, 86% das aves e 86% dos mamíferos reencontrados estão altamente ameaçados, têm distribuição restrita e populações pequenas.

Muitas das 351 espécies “salvas” da extinção irão sumir de vez sem medidas agressivas de conservação.

“Para melhorar a conservação dessas espécies altamente ameaçadas e pouco estudadas, temos que promover e continuar a apoiar estudos ecológicos básicos e pesquisas biológicas. Isto pode ser feito através do maior financiamento ou simplificação do processo para a autorização de pesquisas em áreas pouco conhecidas, especialmente nos trópicos. Só assim podemos reprimir extinções futuras”, segundo Scheffers.

Para os autores, o Brasil foi um dos países com mais redescobertas para todos os grupo estudados –anfíbios, aves e mamíferos.

“Isto era esperado, já que o Brasil é um país rico em biodiversidade, mas também um país com uma história de alta perda de habitat e degradação. Isto faz do Brasil um candidato principal para muitas redescobertas de qualquer espécie que não tenha sido vista por muitos anos ou espécies tidas por extintas e, mais tarde redescobertas”, comentou Scheffers.

Em território brasileiro, umas das espécies da lista é o macaco-prego-galego (Cebus flavius). Esse primata loiro tinha sido visto pela última vez em 1774, por naturalistas europeus, e redescoberto apenas em 2006.

A situação atual dele é de risco extremamente alto de extinção. Estima-se que existam oito populações, com um total de até 300 indivíduos, sobrevivendo apenas em alguns poucos fragmentos de mata atlântica dos Estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Scheffers aponta que a “perda de floresta diminuiu no Brasil, especialmente nos últimos anos, no entanto os sucessos de conservação no futuro exigirá ao Brasil manter uma atitude positiva frente à conservação, fornecendo apoio contínuo (por exemplo, através de financiamento e aprovação de autorizações de pesquisa) para inventários biológicos”.

Fonte: Marco Varella/ Folha.com


8 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Recuperação da 2ª maior floresta tropical do mundo custa R$ 4,1 bi

O governo da República do Congo disse que precisa de um fundo do valor de US$ 2,6 bilhões (cerca de R$ 4,1 bilhões) para recuperar as florestas tropicais do país –a segunda maior do mundo, atrás apenas da Amazônia, segundo as Nações Unidas.

O plano é reflorestar e também regularizar, nos próximos dez anos, a produção local –madeira, mel e óleo de palma, entre outros produtos– de uma área do tamanho de 1 milhão de hectares.

Para cumprir a meta, o Congo terá de buscar a colaboração de doadores e investidores para pagar a maior parte da conta. Como contrapartida, o governo do país entrará com R$ 684 milhões.

Fonte: Da Reuters


4 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Homem primitivo vivia em áreas de savana, diz estudo

Cientistas da Universidade de Utah acreditam que a savana, vegetação rasteira e de árvores baixas, foi a paisagem dominante na maior parte do leste africano durante 6 milhões de anos de evolução humana, refutando estudos anteriores de que as florestas teriam diminuído após o aparecimento do homem. Os estudiosos analisaram isótopos em solo primitivo para medir a cobertura vegetal pré-histórica.

“Nós conseguimos quantificar o quanto de sombra estava disponível”, diz o geoquímico Thure Cerling University of Utah scientists, autor do estudo, publicado nesta quarta-feira (4) na revista Nature. “E isso mostra que havia habitats abertos para todos nos últimos 6 milhões de anos nessa região, onde a parte mais significativa dos fósseis humanos foi encontrada.”

“No mesmo lugar onde encontramos ancestrais humanos, encontramos também evidências para hábitats abertos similares às savanas, e não às florestas”, acrescenta Cerling.

Cientistas discutem há décadas sobre a importância da vegetação na evolução humana, incluindo o desenvolvimento da postura ereta, o aumento do cérebro e o uso de ferramentas primitivas.

Para os hominídeos primitivos, a sombra das árvores pode ter influenciado na adaptação da regulação da temperatura corporal e hábitos de caça. Já a savana teria influenciado na adaptação em busca de novos tipos de alimento e no bipedalismo.

No novo estudo, Cerling afirma que a equipe desenvolveu um “novo modo de quantificar a abertura de paisagens tropicais”.

Os pesquisadores utilizaram isótopos de carbono de solos primitivos que, segundo Cerling, serve para determinar a cobertura vegetal existente em determinada região.

“Este é o primeiro método que realmente quantifica a cobertura florestal, que é a base para decidir se tratar de uma savana.”

Para o pesquisador, a par de as savanas terem se tornado mais extensas nos últimos 2 milhões de anos, o estudo indica que elas prevaleceram nos 6 milhões de anos com uma cobertura de árvores inferior a 40% em sua grande parte.

“Muitos cientistas acreditam que 2 milhões de anos atrás havia florestas [ao leste da África] e que a savana esteve presente apenas depois disso”, diz Cerling.

Fonte: G1


3 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Inpe registra desmatamento de 312,7 km² em junho na Amazônia Legal

Número é 28,3% maior que o do mesmo mês no ano passado.
Pará, com 119,6 km², é o estado que mais desmatou na região.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou nesta terça-feira (2) o relatório de seu sistema de monitoramento de Desmatamento em Tempo Real da Amazônia Legal (Deter) para o mês de junho. Foram detectados 312,7 km² de floresta derrubada na região no período – área equivalente a 195 vezes o Parque Ibirapuera.

O número é 28,3% maior que o de junho do ano passado, quando o Inpe registrou 243,7 km² de derrubadas. É também 16,7% maior que o de maio deste ano, quando o índice foi de 267,9 km².

Em junho, o Pará assumiu a liderança entre os estados que mais desmatam. Sozinho, ele respondeu por 119,6 km² do total desmatado, mais de um terço do total. Em relação a maio, houve um aumento de 82,5% na área de desmatamento detectada. Parte deste salto, no entanto, pode se dever à diminuição na cobertura de nuvens na região. Em maio, cerca de 40% do estado estavam encobertos e, em junho, este índice caiu para menos de 20%.

Mato Grosso, que vinha registrando as maiores áreas de devastação, teve 81,5 km² de florestas derrubadas detectadas em junho, contra 93,7 km² em maio. Assim, é o segundo estado com mais derrubadas.

O instituto sediado em São José dos Campos (SP) sempre ressalta, que em função da cobertura de nuvens variável de um mês para outro e, também, da resolução dos satélites, os dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) não representam medição exata do desmatamento mensal na região.

A função principal do sistema é gerar alertas para orientação da fiscalização ambiental.

Desmatamento de 12 km² foi aberto rapidamente. (Foto: Divulgação/Ibama)

Desmatamento de 12 km² flagrado em junho em Altamira, no Pará. (Foto: Divulgação/Ibama)

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


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