23 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Grandes macacos surgiram há 25 milhões de anos, indicam fósseis

Reconstrução artística do _Rukwapithecus_ (à esq.) e do _Nsungwepithecus_ (à dir.)

Reconstrução artística do Rukwapithecus fleaglei (à esq.) e do Nsungwepithecus gunnelli (à dir.). Ilustração Mauricio Antón/Divulgação

Dois fósseis aparentemente insignificantes –uma mandíbula e um único dente– acabam de ajudar os cientistas a traçar um quadro mais claro da origem do grupo de primatas ao qual pertence o homem.

Ambos os fósseis têm 25 milhões de anos. O primeiro representa o mais antigo hominoide, ou grande macaco –animais como chimpanzés, gorilas, orangotangos e o Homo sapiens. Já o segundo é o mais velho entre os macacos com rabo do Velho Mundo, animais como babuínos e resos, por exemplo.

A pesquisa descrevendo os fósseis está na revista científica “Nature” e tem como primeira autora Nancy Stevens, da Universidade de Ohio (EUA). Os dois bichos viviam na Tanzânia, na África Oriental –região que já é famosa por outros fósseis importantes para entender a evolução humana.

Para quem acha estranho que cacos tão diminutos sejam usados para batizar duas espécies, é importante lembrar que, no caso dos mamíferos, as características da mandíbula e dos dentes são muito típicas de cada animal, ajudando a inferir não apenas sua dieta como também, em geral, suas relações de parentesco.

Em entrevista à Folha, Stevens contou que o maior dos bichos, o hominoideRukwapithecus fleaglei, devia ter uns 12 kg. É mais difícil estimar o tamanho do outro macaco, o Nsungwepithecus gunnelli, já que ele é só conhecido com base num dente, mas ele devia ter um pouco menos do que isso.

Os bichos viviam num ambiente um tanto apocalíptico: montanhas vulcânicas ladeavam uma região semiárida, na qual também havia pântanos e lagos. Na época, já estava começando a surgir o imenso vale que caracteriza a África Oriental de hoje, formado pelo afastamento de duas placas tectônicas –era isso o que gerava o vulcanismo na região.

E essa pode ser uma das peças do quebra-cabeças para explicar por que, afinal, os macacões ancestrais do homem surgiram nesse momento, separando-se dos macacos com cauda.

“Antes, havia ali inúmeros primatas relativamente pequenos”, conta Stevens. “Milhões de anos mais tarde, quando a África se encontra com a Ásia [antes, o continente era uma ilha], surgem primatas de maior tamanho, e uma das ideias é que eles tivessem evoluído para se adaptar à competição com a fauna asiática que invadiu a África.”

No entanto, o notável a respeito das novas espécies é que elas já são grandinhas. “Isso pode indicar que a formação do vale e dos vulcões na região criou ambientes heterogêneos, que favoreceram a diversificação dessas espécies”, diz o australiano Eric Roberts, geólogo da Universidade James Cook que é coautor do estudo. “Mas ainda não temos certeza disso.”

 

Fonte: Folha.com


10 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Homem da América conviveu com mamíferos gigantes

Datações de fósseis encontrados na Flórida indicam que homens e mamíferos gigantes, como mamutes, conviveram no continente americano na Era do Gelo

Um estudo publicado na última quinta-feira no periódico Journal of Vertebrate Paleontologyreúne evidências de que humanos alcançaram o continente americano durante a última Era do Gelo e conviveram com mamíferos gigantes que hoje estão extintos.

O trabalho, desenvolvido por pesquisadores das Universidades da Flórida (EUA) e de Copenhagen (Dinamarca), traz novas descobertas para um antigo debate entre cientistas: se os restos de humanos e animais encontrados no início do século XX em Vero Beach, sítio arqueológico da Flórida, são da mesma época.

Os pesquisadores analisaram amostras de 24 ossos humanos e 48 fósseis animais da coleção do Museu da Flórida e concluíram que eram todos do final do Pleistoceno, por volta de 13.000 anos atrás.

“O sítio arqueológico de Vero é o único onde há abundância de ossos de seres humanos, não apenas de artefatos, associados a fósseis de animais”, explica a coautora do estudo, Barbara Purdy, professora de antropologia da Universidade da Flórida e curadora de arqueologia do Museu de História Natural da Flórida. “Os cientistas que discutiam no início do século XX a idade dos restos de humanos não queriam acreditar que o homem chegou tão cedo à América.”

 

A fauna da última Era do Gelo continha desde mamutes e tigres dente-de-sabre, já extintos, até ratos e esquilos que ainda podem ser encontrados na Flórida.

A pouca informação que se tem sobre os primeiros humanos que apareceram na América do Norte é baseada em fragmentos de ossos e artefatos, como pontas de pedras usadas para caçar. “Nós sabemos como eram algumas de suas ferramentas e que eles caçavam animais que hoje estão extintos, mas não sabemos praticamente nada sobre sua vida familiar”, diz Purdy.

Saiba mais

ERA DO GELO
Por Era do Gelo ou Era Glacial entende-se todo período geológico em que ocorre significativa diminuição na temperatura da Terra. Mantos de gelo se expandem pelos continentes e glaciações — períodos extremamente frios — atingem a superfície e a atmosfera do planeta. Nos últimos milhões de anos, a Terra viveu várias eras glaciais, ocorrendo a intervalos de 10 mil a 100 mil anos. A última grande era glacial teve seu pico há 25.000 anos e terminou 11.000 anos atrás, aproximadamente.

PLEISTOCENO
O pleistoceno corresponde ao intervalo entre 1,8 milhão e 11.500 anos atrás. Na escala geológica, faz parte do período Quaternário da era Cenozoica. Pássaros e mamíferos gigantes, como mamutes e búfalos, caracterizam essa época. No pleistoceno ocorreram as mais recentes Eras do Gelo.

Mamute-lanoso

Pesquisadores da Universidade da Flórida indicam que homens conviveram com mamíferos gigantes, como o mamute, na Era do Gelo (Photoresearchers/Latinstock)

 Fonte: Veja Ciência


22 de março de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisa dá pistas sobre como ancestrais do homem se tornaram bípedes

Experimento com chimpanzés mostra que competição por alimentos pode ter forçado antepassados do homem a andar sobre duas pernas

Cientistas da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e da Universidade de Kyoto, no Japão, estudaram o comportamento de chimpanzés e a forma como eles competem entre si por recursos alimentares, a fim de entender por que os ancestrais do homem se tornaram bípedes. A pesquisa foi publicada no periódico Current Biology.

Os resultados sugerem que esses ancestrais passaram a se locomover sobre duas pernas, em vez de quatro, em situações e localidades em que eles precisavam monopolizar as fontes de alimentação, geralmente porque elas não se encontravam em abundância em seu habitat, e eles não podiam prever quando as teriam novamente. Ficar em pé sobre duas pernas permitia aos indivíduos carregar mais alimentos de cada vez, já que suas mãos ficavam livres.

Os antropólogos concluíram que os ancestrais mais antigos do homem podem ter vivido em constante mudança de condições ambientais, em que determinadas fontes de alimentos não eram sempre fáceis de encontrar. Se a competição por comida era forte, o costume de andar sobre duas pernas pode ter levado a mudanças anatômicas ao longo do tempo, já que indivíduos bípedes tinham mais vantagem sobre os outros quadrúpedes.

Para chegar a esses resultados, os cientistas fizeram uma série de experimentos em laboratórios ao ar livre, monitorando o comportamento de chimpanzés e determinando quando e por que eles recorriam ao andar bípede. Eles observaram que os animais tendiam a andar sobre duas pernas quando deparados com alimentos escassos, já que era possível carregar mais deles de uma só vez. Se a comida era abundante, eles agiam na maior parte das vezes como quadrúpedes.

Faltas de evidências fósseis deixam os pesquisadores em dúvida sobre quando exatamente os ancestrais humanos se tornaram bípedes. Acredita-se, porém, que isso aconteceu por conta de mudanças climáticas ocorridas em algum período da história, que reduziram as áreas de floresta e forçaram os animais a se movimentar por longas distâncias em terrenos abertos.

Chimpanzé anda sobre duas pernas durante experimento: vantagem em tempos de comida escassa

Chimpanzé anda sobre duas pernas durante experimento: vantagem em tempos de comida escassa (Universidade de Cambridge)

Fonte: Veja Ciência


8 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Primeiro grande predador da história tinha visão privilegiada, diz estudo

Olho do ‘Anomalocaris’ tinha cerca de 16 mil lentes.
Parente dos atuais camarões viveu no mar há mais de 500 milhões de anos.

O primeiro grande predador da história tinha como grande trunfo sua visão, superior à dos outros animais que habitavam nossos mares há mais de 500 milhões de anos. OAnomalocaris, cujo nome significa “camarão estranho” em latim, tinha um metro de comprimento e ocupava o topo da cadeia alimentar em sua época.

A descoberta de como funcionava a visão desse animal aparece na edição desta quinta-feira (8) da revista científica “Nature”. Ela se baseia em fósseis descobertos na Ilha do Canguru, na costa da Austrália, de um animal que viveu 515 milhões de anos atrás.

O artigo é assinado por uma equipe internacional de cientistas, liderada por John Paterson, da Universidade da Nova Inglaterra, nos EUA.

O olho deste animal media entre 2 e 3 centímetros e era composto por cerca de 16 mil lentes – segundo os pesquisadores, é um dos olhos com mais lentes que já existiram. A estrutura se assemelha à das atuais libélulas.

Também por isso, a descoberta fortalece a teoria de que o Anomalocaris era um parente dos artrópodes – grupo que inclui desde insetos a caranguejos e lagostas, passando pelas aranhas.

Os cientistas disseram também que a visão desse animal era precisa e sofisticada, e serviu como uma arma para que ele se mantivesse no topo da cadeia alimentar.

Ilustração de como seria o 'Anomalocaris' (Foto: Katrina Kenny / University of Adelaide)

Ilustração de como seria o 'Anomalocaris' (Foto: Katrina Kenny / University of Adelaide)

Fonte: G1, São Paulo

 


5 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Descoberta de fóssil revela travessia de formigas gigantes pré-históricas

Cientistas encontraram, nos Estados Unidos, restos fossilizados de uma das maiores espécies de formiga que já habitaram a Terra e descobriram que elas devem ter atravessado o Ártico durante picos de calor, há cerca de 50 milhões de anos.

A espécie Titanomyma lubei, com mais de cinco centímetros de comprimento, teria conseguido viajar entre a Europa e a América do Norte quando os continentes estavam mais próximos.

Os fósseis dos animais foram encontrados em sedimentos de um antigo lago no estado norte-americano do Wyoming.

Em texto publicado no periódico especializado “Proceedings B”, o grupo de cientistas norte-americanos e canadenses mostram que as formigas gigantes quase sempre viveram em climas quentes.

A espécie recém-descoberta parece similar a fósseis do mesmo período geológico encontrados na Alemanha e no sul da Inglaterra.

“Não temos (fósseis) de formigas operárias desta nova espécie, apenas a rainha”, disse o cientista Bruce Archibald, da Universidade Simon Fraser, na Colúmbia Britânica, Canadá.

Altas temperaturas – Ele acredita que as formigas gigantes tenham dimensões semelhantes às de seus pares encontrados na Alemanha. Isso significa que seu tamanho pode ser parecido ao de um pequeno pássaro, como um beija-flor, disse Archibald.

Até agora, pouco se sabe sobre os hábitos da nova espécie, mas os fósseis tinham asas. Todos eles foram encontrados próximos a plantas que vivem em temperaturas acima dos 20 graus centígrados.

Na época em que a espécie viveu, entre 56 e 34 milhões de anos atrás, houve períodos de “eventos hipertermais”, em que as temperaturas na Terra subiam para níveis mais altos que os atuais, provavelmente por causa da liberação de gases como o metano na atmosfera.

Travessia – Os pesquisadores acreditam que as formigas gigantes devam ter feito sua jornada da Europa à América do Norte – ou vice-versa – durante um desses picos de calor.

“Havia muita vida cruzando os continentes, como mamíferos e plantas”, disse Archibald. “E há muitos insetos parecidos no Canadá e na Dinamarca, mas eles viviam em um clima mais frio e poderiam ter feito a travessia a qualquer momento.”

“Este é o primeiro exemplo de uma espécie que precisaria de mais calor para fazer a travessia”, explica o cientista.

As “pontes” pelo Ártico tinham normalmente clima temperado, a não ser durante os eventos hipertermais. Ao longo de sua pesquisa, o grupo de cientistas mapeou as localizações de todas as espécies de formigas, extintas ou contemporâneas, que crescem mais de 3 centímetros.

Eles descobriram que praticamente todas estão associadas a temperaturas tropicais, por algum motivo ainda desconhecido.

Formigas gigantes 1 (Foto: Bruce Archibald / via BBC)

Fóssil é do tamanho de um beija-flor. (Foto: Bruce Archibald / via BBC)

Fonte: G1






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23 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Grandes macacos surgiram há 25 milhões de anos, indicam fósseis

Reconstrução artística do _Rukwapithecus_ (à esq.) e do _Nsungwepithecus_ (à dir.)

Reconstrução artística do Rukwapithecus fleaglei (à esq.) e do Nsungwepithecus gunnelli (à dir.). Ilustração Mauricio Antón/Divulgação

Dois fósseis aparentemente insignificantes –uma mandíbula e um único dente– acabam de ajudar os cientistas a traçar um quadro mais claro da origem do grupo de primatas ao qual pertence o homem.

Ambos os fósseis têm 25 milhões de anos. O primeiro representa o mais antigo hominoide, ou grande macaco –animais como chimpanzés, gorilas, orangotangos e o Homo sapiens. Já o segundo é o mais velho entre os macacos com rabo do Velho Mundo, animais como babuínos e resos, por exemplo.

A pesquisa descrevendo os fósseis está na revista científica “Nature” e tem como primeira autora Nancy Stevens, da Universidade de Ohio (EUA). Os dois bichos viviam na Tanzânia, na África Oriental –região que já é famosa por outros fósseis importantes para entender a evolução humana.

Para quem acha estranho que cacos tão diminutos sejam usados para batizar duas espécies, é importante lembrar que, no caso dos mamíferos, as características da mandíbula e dos dentes são muito típicas de cada animal, ajudando a inferir não apenas sua dieta como também, em geral, suas relações de parentesco.

Em entrevista à Folha, Stevens contou que o maior dos bichos, o hominoideRukwapithecus fleaglei, devia ter uns 12 kg. É mais difícil estimar o tamanho do outro macaco, o Nsungwepithecus gunnelli, já que ele é só conhecido com base num dente, mas ele devia ter um pouco menos do que isso.

Os bichos viviam num ambiente um tanto apocalíptico: montanhas vulcânicas ladeavam uma região semiárida, na qual também havia pântanos e lagos. Na época, já estava começando a surgir o imenso vale que caracteriza a África Oriental de hoje, formado pelo afastamento de duas placas tectônicas –era isso o que gerava o vulcanismo na região.

E essa pode ser uma das peças do quebra-cabeças para explicar por que, afinal, os macacões ancestrais do homem surgiram nesse momento, separando-se dos macacos com cauda.

“Antes, havia ali inúmeros primatas relativamente pequenos”, conta Stevens. “Milhões de anos mais tarde, quando a África se encontra com a Ásia [antes, o continente era uma ilha], surgem primatas de maior tamanho, e uma das ideias é que eles tivessem evoluído para se adaptar à competição com a fauna asiática que invadiu a África.”

No entanto, o notável a respeito das novas espécies é que elas já são grandinhas. “Isso pode indicar que a formação do vale e dos vulcões na região criou ambientes heterogêneos, que favoreceram a diversificação dessas espécies”, diz o australiano Eric Roberts, geólogo da Universidade James Cook que é coautor do estudo. “Mas ainda não temos certeza disso.”

 

Fonte: Folha.com


10 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Homem da América conviveu com mamíferos gigantes

Datações de fósseis encontrados na Flórida indicam que homens e mamíferos gigantes, como mamutes, conviveram no continente americano na Era do Gelo

Um estudo publicado na última quinta-feira no periódico Journal of Vertebrate Paleontologyreúne evidências de que humanos alcançaram o continente americano durante a última Era do Gelo e conviveram com mamíferos gigantes que hoje estão extintos.

O trabalho, desenvolvido por pesquisadores das Universidades da Flórida (EUA) e de Copenhagen (Dinamarca), traz novas descobertas para um antigo debate entre cientistas: se os restos de humanos e animais encontrados no início do século XX em Vero Beach, sítio arqueológico da Flórida, são da mesma época.

Os pesquisadores analisaram amostras de 24 ossos humanos e 48 fósseis animais da coleção do Museu da Flórida e concluíram que eram todos do final do Pleistoceno, por volta de 13.000 anos atrás.

“O sítio arqueológico de Vero é o único onde há abundância de ossos de seres humanos, não apenas de artefatos, associados a fósseis de animais”, explica a coautora do estudo, Barbara Purdy, professora de antropologia da Universidade da Flórida e curadora de arqueologia do Museu de História Natural da Flórida. “Os cientistas que discutiam no início do século XX a idade dos restos de humanos não queriam acreditar que o homem chegou tão cedo à América.”

 

A fauna da última Era do Gelo continha desde mamutes e tigres dente-de-sabre, já extintos, até ratos e esquilos que ainda podem ser encontrados na Flórida.

A pouca informação que se tem sobre os primeiros humanos que apareceram na América do Norte é baseada em fragmentos de ossos e artefatos, como pontas de pedras usadas para caçar. “Nós sabemos como eram algumas de suas ferramentas e que eles caçavam animais que hoje estão extintos, mas não sabemos praticamente nada sobre sua vida familiar”, diz Purdy.

Saiba mais

ERA DO GELO
Por Era do Gelo ou Era Glacial entende-se todo período geológico em que ocorre significativa diminuição na temperatura da Terra. Mantos de gelo se expandem pelos continentes e glaciações — períodos extremamente frios — atingem a superfície e a atmosfera do planeta. Nos últimos milhões de anos, a Terra viveu várias eras glaciais, ocorrendo a intervalos de 10 mil a 100 mil anos. A última grande era glacial teve seu pico há 25.000 anos e terminou 11.000 anos atrás, aproximadamente.

PLEISTOCENO
O pleistoceno corresponde ao intervalo entre 1,8 milhão e 11.500 anos atrás. Na escala geológica, faz parte do período Quaternário da era Cenozoica. Pássaros e mamíferos gigantes, como mamutes e búfalos, caracterizam essa época. No pleistoceno ocorreram as mais recentes Eras do Gelo.

Mamute-lanoso

Pesquisadores da Universidade da Flórida indicam que homens conviveram com mamíferos gigantes, como o mamute, na Era do Gelo (Photoresearchers/Latinstock)

 Fonte: Veja Ciência


22 de março de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisa dá pistas sobre como ancestrais do homem se tornaram bípedes

Experimento com chimpanzés mostra que competição por alimentos pode ter forçado antepassados do homem a andar sobre duas pernas

Cientistas da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e da Universidade de Kyoto, no Japão, estudaram o comportamento de chimpanzés e a forma como eles competem entre si por recursos alimentares, a fim de entender por que os ancestrais do homem se tornaram bípedes. A pesquisa foi publicada no periódico Current Biology.

Os resultados sugerem que esses ancestrais passaram a se locomover sobre duas pernas, em vez de quatro, em situações e localidades em que eles precisavam monopolizar as fontes de alimentação, geralmente porque elas não se encontravam em abundância em seu habitat, e eles não podiam prever quando as teriam novamente. Ficar em pé sobre duas pernas permitia aos indivíduos carregar mais alimentos de cada vez, já que suas mãos ficavam livres.

Os antropólogos concluíram que os ancestrais mais antigos do homem podem ter vivido em constante mudança de condições ambientais, em que determinadas fontes de alimentos não eram sempre fáceis de encontrar. Se a competição por comida era forte, o costume de andar sobre duas pernas pode ter levado a mudanças anatômicas ao longo do tempo, já que indivíduos bípedes tinham mais vantagem sobre os outros quadrúpedes.

Para chegar a esses resultados, os cientistas fizeram uma série de experimentos em laboratórios ao ar livre, monitorando o comportamento de chimpanzés e determinando quando e por que eles recorriam ao andar bípede. Eles observaram que os animais tendiam a andar sobre duas pernas quando deparados com alimentos escassos, já que era possível carregar mais deles de uma só vez. Se a comida era abundante, eles agiam na maior parte das vezes como quadrúpedes.

Faltas de evidências fósseis deixam os pesquisadores em dúvida sobre quando exatamente os ancestrais humanos se tornaram bípedes. Acredita-se, porém, que isso aconteceu por conta de mudanças climáticas ocorridas em algum período da história, que reduziram as áreas de floresta e forçaram os animais a se movimentar por longas distâncias em terrenos abertos.

Chimpanzé anda sobre duas pernas durante experimento: vantagem em tempos de comida escassa

Chimpanzé anda sobre duas pernas durante experimento: vantagem em tempos de comida escassa (Universidade de Cambridge)

Fonte: Veja Ciência


8 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Primeiro grande predador da história tinha visão privilegiada, diz estudo

Olho do ‘Anomalocaris’ tinha cerca de 16 mil lentes.
Parente dos atuais camarões viveu no mar há mais de 500 milhões de anos.

O primeiro grande predador da história tinha como grande trunfo sua visão, superior à dos outros animais que habitavam nossos mares há mais de 500 milhões de anos. OAnomalocaris, cujo nome significa “camarão estranho” em latim, tinha um metro de comprimento e ocupava o topo da cadeia alimentar em sua época.

A descoberta de como funcionava a visão desse animal aparece na edição desta quinta-feira (8) da revista científica “Nature”. Ela se baseia em fósseis descobertos na Ilha do Canguru, na costa da Austrália, de um animal que viveu 515 milhões de anos atrás.

O artigo é assinado por uma equipe internacional de cientistas, liderada por John Paterson, da Universidade da Nova Inglaterra, nos EUA.

O olho deste animal media entre 2 e 3 centímetros e era composto por cerca de 16 mil lentes – segundo os pesquisadores, é um dos olhos com mais lentes que já existiram. A estrutura se assemelha à das atuais libélulas.

Também por isso, a descoberta fortalece a teoria de que o Anomalocaris era um parente dos artrópodes – grupo que inclui desde insetos a caranguejos e lagostas, passando pelas aranhas.

Os cientistas disseram também que a visão desse animal era precisa e sofisticada, e serviu como uma arma para que ele se mantivesse no topo da cadeia alimentar.

Ilustração de como seria o 'Anomalocaris' (Foto: Katrina Kenny / University of Adelaide)

Ilustração de como seria o 'Anomalocaris' (Foto: Katrina Kenny / University of Adelaide)

Fonte: G1, São Paulo

 


5 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Descoberta de fóssil revela travessia de formigas gigantes pré-históricas

Cientistas encontraram, nos Estados Unidos, restos fossilizados de uma das maiores espécies de formiga que já habitaram a Terra e descobriram que elas devem ter atravessado o Ártico durante picos de calor, há cerca de 50 milhões de anos.

A espécie Titanomyma lubei, com mais de cinco centímetros de comprimento, teria conseguido viajar entre a Europa e a América do Norte quando os continentes estavam mais próximos.

Os fósseis dos animais foram encontrados em sedimentos de um antigo lago no estado norte-americano do Wyoming.

Em texto publicado no periódico especializado “Proceedings B”, o grupo de cientistas norte-americanos e canadenses mostram que as formigas gigantes quase sempre viveram em climas quentes.

A espécie recém-descoberta parece similar a fósseis do mesmo período geológico encontrados na Alemanha e no sul da Inglaterra.

“Não temos (fósseis) de formigas operárias desta nova espécie, apenas a rainha”, disse o cientista Bruce Archibald, da Universidade Simon Fraser, na Colúmbia Britânica, Canadá.

Altas temperaturas – Ele acredita que as formigas gigantes tenham dimensões semelhantes às de seus pares encontrados na Alemanha. Isso significa que seu tamanho pode ser parecido ao de um pequeno pássaro, como um beija-flor, disse Archibald.

Até agora, pouco se sabe sobre os hábitos da nova espécie, mas os fósseis tinham asas. Todos eles foram encontrados próximos a plantas que vivem em temperaturas acima dos 20 graus centígrados.

Na época em que a espécie viveu, entre 56 e 34 milhões de anos atrás, houve períodos de “eventos hipertermais”, em que as temperaturas na Terra subiam para níveis mais altos que os atuais, provavelmente por causa da liberação de gases como o metano na atmosfera.

Travessia – Os pesquisadores acreditam que as formigas gigantes devam ter feito sua jornada da Europa à América do Norte – ou vice-versa – durante um desses picos de calor.

“Havia muita vida cruzando os continentes, como mamíferos e plantas”, disse Archibald. “E há muitos insetos parecidos no Canadá e na Dinamarca, mas eles viviam em um clima mais frio e poderiam ter feito a travessia a qualquer momento.”

“Este é o primeiro exemplo de uma espécie que precisaria de mais calor para fazer a travessia”, explica o cientista.

As “pontes” pelo Ártico tinham normalmente clima temperado, a não ser durante os eventos hipertermais. Ao longo de sua pesquisa, o grupo de cientistas mapeou as localizações de todas as espécies de formigas, extintas ou contemporâneas, que crescem mais de 3 centímetros.

Eles descobriram que praticamente todas estão associadas a temperaturas tropicais, por algum motivo ainda desconhecido.

Formigas gigantes 1 (Foto: Bruce Archibald / via BBC)

Fóssil é do tamanho de um beija-flor. (Foto: Bruce Archibald / via BBC)

Fonte: G1