6 de março de 2013 | nenhum comentário »

Cientistas descobrem fóssil de camelo gigante em região do Ártico

Restos foram encontrados na Ilha de Ellesmere, pertencente ao Canadá.
Animal pré-histórico teria vivido na região há 3,5 milhões de anos.

Paleontólogos descobriram fósseis de um camelo gigante na Ilha de Ellesmere, na porção do Canadá no Ártico, informaram agências internacionais nesta quarta-feira (6). Os 30 fragmentos de osso encontrados representam o registro mais ao norte que se tem de animais do gênero Paracamelus, que teriam vivido há 3,5 milhões de anos no extremo norte canadense, segundo os pesquisadores.

Os camelos primitivos habitaram a região quando havia no local uma floresta boreal, durante um período de aquecimento do planeta, de acordo com os pesquisadores. Os antecessores destes animais surgiram há 45 milhões de anos na América do Norte, de acordo com os cientistas.

O estudo com os detalhes da descoberta foi publicado nesta semana no site científico “Nature Communications”. Ele foi realizado por pesquisadores do Museu Canadense de Natureza.

“Esta é uma descoberta importante porque representa a primeira evidência de camelos na região do alto Ártico”, afirmou uma das responsáveis pelo estudo, a pesquisadora Natalia Rybczynski.

Segundo a cientista, a descoberta também “sugere que a linhagem à qual pertencem os camelos modernos originalmente se adaptou para viver em torno de uma floresta boreal”.

Algumas características dos camelos modernos, “como seus pés largos e planos, seus grandes olhos e suas corcovas de gordura, podem ter sido adaptações derivadas da vida em uma região polar”, afirmou Natalia.

Parte dos fósseis encontrados pelos pesquisadores (Foto: Divulgação/Martin Lipmani/Museu Canadense de Natureza)

Parte dos fósseis encontrados pelos cientistas (Foto: Divulgação/Museu Canadense de Natureza)

Fósseis
Fósseis do camelo foram encontrados durante escavações de campo nos verões de 2006, 2008 e 2010 em um pequeno monte em Fyles Leaf Bed, um depósito de areia em uma região da Ilha de Ellesmere, onde já foram encontrados restos de plantas pré-históricas, mas nunca de um mamífero.

Segundo os pesquisadores, os fragmentos pertencem a uma tíbia, osso que em seres humanos é um dos maiores do organismo. Eles afirmam, no estudo, não terem sido capazes de fazer uma medição precisa do tamanho do camelo, mas ressaltam que a característica é identificável devido às grandes proporções do fóssil.

Anteriormente, em um lugar próximo conhecido como Beaver Pond, foram descobertos fósseis de mamíferos datando da mesma época.

A confirmação de que os fósseis descobertos são de um camelo exigiu que os cientistas recorressem a uma nova técnica de análise, que permite determinar o perfil de colágeno nos ossos descobertos.

Os dados anatômicos dos fósseis, junto com a comparação de seu perfil de colágeno com o de 37 mamíferos atuais e com o do camelo gigante de Yukon (noroeste do Canadá) – o antecessor dos camelos modernos – que se encontra no Museu Canadense de Natureza, confirmaram que os fósseis da Ilha de Ellesmere pertencem a um camelo.

Seguramente, o animal era da mesmo gênero Paracamelus que habitou a América do Norte durante milhões de anos, disseram os cientistas.

Ilustração mostra camelo pré-histórico que teria vivido na Ilha de Ellesmere, na região do Ártico (Foto: Divulgação/Julius Csotonyi/Museu Canadense de Natureza)

Ilustração mostra camelo pré-histórico que teria vivido na Ilha de Ellesmere, na região do Ártico (Foto: Divulgação/Julius Csotonyi/Museu Canadense de Natureza)

Fonte: Globo Natureza


11 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Todos os dinossauros carnívoros tinham penas, diz estudo

Fóssil encontrado na Alemanha está mais próximo da base da evolução dos predadores e mais distante daquela que originou as aves, e mesmo assim era coberto de penas

Um fóssil extremamente bem preservado (como pode se perceber na foto acima) encontrado na Alemanha pode mudar tudo o que sabemos sobre os dinossauros carnívoros predadores, como os Tiranossauros. O fóssil foi apresentado nesta segunda-feira em um estudo publicado no periódico científico PNAS (Proceedings of National Academy of Sciences) e a partir dele pesquisadores alemães sugerem mudanças profundas no modo como acreditamos ser o aspecto dos grandes predadores do Jurássico, período de 199 a 145 milhões de anos atrás, no qual os dinossauros dominaram o planeta.

“Todos os dinossauros predadores tinham penas”, afirma categoricamente Oliver Rauhut, coautor do estudo e paleontólogo do Museu de Paleontologia e Geologia do Estado da Baviera. “Não seria nenhuma surpresa descobrir que as penas estavam presentes em todos os ancestrais dos dinossauros”, disse Mark Norell, co-autor do estudo e presidente da Divisão de Paleontologia do Museu Americano de História Natural, instituição que ajudou a financiar a pesquisa.

Já se sabe que ‘primos’ dos dinossauros, como os pterossauros, tinham estruturas parecidas com pelos cobrindo o corpo. Já os celurossauros, dinossauros terópodos que viveram em quase todos os continentes, na metade final do período Jurássico, tinham penas multicoloridas.

É aqui que entra em cena o fóssil descoberto pelos alemães, um jovem megalossauro batizadoSciurumimus albersdoerferi. Foi encontrado com as mandíbulas abertas e o rabo estendido acima da cabeça em uma laje de calcário em uma pedreira da Baviera, na mesma região da Alemanha onde, há 150 anos, outra amostra de um dino com penas havia sido descoberta, oArchaeopteryx lithographica.

Sciurumimus ganhou o nome em homenagem ao esquilo (que pertence ao gênero Sciurus) em função de sua cauda. O dinossauro tinha o crânio grande, patas traseiras curtas, a pele lisa e — esta é a descoberta mais importante do estudo — estava coberto de penas. A estimativa é de que ele tenha vivido há 150 milhões de anos, no período Jurássico.

Mas o Sciurumimus, mesmo cheio de penas, foi identificado como um megalossauro, mais próximo da base da linha evolutiva dos terópodos do que dos celurossauros. E isso pode mudar a percepção da aparência de tiranossauros e megalossauros, tidos até hoje (inclusive em filmes como Jurassic Park) como grandes lagartos ou parecidos com grandes crocodilos no que se refere à pele.

“Tudo o que encontramos nesses dias nos mostram o quão antiga são as características dos pássaros modernos na linha evolutiva e como esses animais eram parecidos com pássaros”, disse Mark Norell. As aves modernas são consideradas descendentes diretos dos celurossauros.

Fósseis completos como o do Sciurumimus são extremamente raros, ainda mais sendo provavelmente de um recém-nascido. Segundo os pesquisadores, esta espécie deveria se alimentar de pequenas presas e insetos. Mas o tamanho reduzido do fóssil não quer dizer que ele fosse um pequeno dinossauro carnívoro. “Sabemos, a partir de outras descobertas, que os dinossauros podiam ter um ritmo de crescimento lento”, disse Rauhut. “O Sciurumimus adulto podia chegar a quase dois metros de comprimento. Os grandes predadores podiam ser cheios de penas, mas isso não muda o fato de que estavam no topo da pirâmide alimentar.”

Fóssil do Sciurumimus

Descoberta: Fóssil de dinossauro com penas, o Sciurumimus, encontrado em uma laje de calcário no Sul da Alemanha (Divulgação/Museu Americano de História Natural)

Saiba mais

DIAPSIDA
Grupo de tetrápodes (vertebrados de quatro membros: répteis, aves e mamíferos são os maiores grupos). O grupo diapsida reúne todos os répteis, com exceção das tartarugas, cágados e jabutis.

ARCOSSAUROS
Grupo surgido por volta de 240 milhões de anos atrás, no período Triássico. No grupo estão os dinossauros,pterossauros, os atuais crocodilos e jacarés e as aves (que são considerados descendentes diretos dos dinossauros, portanto, são répteis também).

DINOSSAUROS
Grupo de répteis gigantes extintos que surgiu por volta de 225 milhões de anos atrás e viveu até cerca de 65 milhões de anos atrás, quando todos os dinossauros não avianos (ou seja, exceto as aves) foram extintos. Apresentavam pernas dispostas como colunas abaixo do corpo (e não voltadas para os lados, como nos jacarés). Os dinossauros são descendentes do grupo archosauria e podem ser reunidos em dois grandes ramos: saurísquios e ornitísquios (tão diferentes quanto os mamíferos marsupiais e os placentários entre eles). Apesar de seus fósseis serem conhecidos há milhares de anos (a lenda dos dragões veio daí), o termo dinossauro (deinos=terrível saurus=lagarto) só foi criado em 1842, pelo primeiro curador do Museu de História Natural de Londres, Richard Owen.

ORNITÍSQUIOS
O nome do grupo significa ‘cintura de ave’, embora as aves tenham se originado de outra linhagem dos dinossauros. Eram tanto quadrúpedes (como o Triceratops e o Stegosaurus) quanto bípedes (Lesothosaurus).

SAURÍSQUIOS
Grande grupo de dinossauros herbívoros caracterizados pelo pela pata anterior alongada e pelo pescoço comprido, muitas vezes com o leve formato de ‘S’. Fazem parte do grupo dos saurísquios os gigantescos saurópodes (os dinossauros que apareciam usados como guindastes no desenho animado Flintstones) e terápodes. Os dinossauros mais antigos são saurísquios e foram encontrados na América do Sul.

PTEROSSAURO
Répteis voadores enormes, que viveram na mesma época dos dinossauros. Alguns chegaram a ter 20 metros de envergadura de uma asa à outra. Nenhum outro animal voador foi tão grande.

TERÓPODOS
Os terápodos eram todos predadores carnívoros bípedes, e tinham aqueles ‘bracinhos’ característicos dos Tiranossauros, e, geralmente, garras e dentes afiados. Apesar do tiranossauro estar extinto, tecnicamente os terápodos ainda existem, já que as aves são descendentes de pequenos terópodos, como o Archaeopteryx, um pequeno dinossauro emplumado do tamanho de um pombo. “Acredite: o beija-flor é um dinossauro terápode tanto quanto um Tiranossauro rex”, afirma o paleontólogo Luiz Eduardo Anelli em seu livro O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil.

MEGALOSSAURO
Grandes predadores terópodos que abatiam saurópodes e até o Stegosaurus. Viviam na região onde hoje fica a Europa e a América do Norte.

CELUROSSAURO
Os celurossauros reúnem os terópodos mais aparentados com as aves. Todos tinham várias semelhanças morfológicas com as aves.

MANIRAPTORA
Grupo dos celurossauros dos quais, acredita-se, evoluíram diretamente as aves, por volta de 150 milhões de anos atrás, no período Jurássico. Faziam parte do grupo dinossauros predadores carnívoros como o Velociraptor (aparecem no filme Jurassic Park em várias cenas, como na que perseguem as crianças na cozinha do parque). Tecnicamente as aves são do grupo maniraptora.

 

Fontes: Veja Ciência, O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil, Luiz Eduardo Anelli, The Princeton Field Guide To Dinosaurs, University of California Museum of Paleontology


29 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Animal mais antigo viveu 30 milhões de anos antes do previsto, diz estudo

Canadenses acharam rastros de ‘lesma’ de 585 milhões de anos no Uruguai.
Bicho mais antigo do mundo até agora havia sido encontrado na Rússia.

Pesquisadores da Universidade de Alberta, no Canadá, descobriram no Uruguai uma prova física de que animais existiram há 585 milhões de anos, 30 milhões de anos antes que as evidências científicas mostravam até agora. Os resultados do estudo estão publicados na edição da revista “Science” desta quinta-feira (28).

Até então, o fóssil mais antigo do mundo tinha 555 milhões de anos e havia sido localizado na Rússia.

O achado foi por geólogos da equipe de Ernesto Pecoits e Natalie Aubet, que encontraram trilhas fossilizadas de um animal semelhante a uma lesma, com cerca de 1 centímetro de comprimento. O rastro foi deixado em um terreno sedimentar com lodo.

A equipe chegou à conclusão de que as trilhas foram feitas por um bicho primitivo bilateral, que se diferencia de outras formas de vida simples por ter uma simetria superior diferente da parte inferior, além de um conjunto único de “pegadas”.

Os pesquisadores dizem que as faixas fossilizadas indicam que a musculatura desse animal mole lhe permitia mover-se pelo solo raso do oceano. O padrão de movimento da “lesma” indica uma adaptação evolutiva para buscar comida – o material orgânico do sedimento.

A idade precisa dos rastros foi calculada pela datação de uma rocha vulcânica que se “intrometeu” na rocha sedimentar onde os caminhos foram achados. O processo incluiu um retorno ao Uruguai para coletar mais amostras da rocha fossilizada e várias sessões de análise por um método chamado espectrometria de massa, que identifica diferentes átomos presentes em uma mesma substância.

Ao todo, os autores do estudo levaram mais de dois anos para ficarem satisfeitos com a precisão da idade de 585 milhões de anos.

Segundo o paleontógo Murray Gingras, da mesma equipe, é comum que animais de corpo mole desapareçam, mas suas trilhas virem fósseis. O geomicrobiólogo Kurt Konhauser diz que a descoberta abre novas questões sobre a evolução desses animais – como foram capazes de se mover e procurar alimento – e as condições ambientais envolvidas. Além desses pesquisadores, o trabalho contou com a participação de Larry Heaman e Richard Stern.

Rastro lesma science (Foto: Richard Siemens/Universidade de Alberta)

Rastros de animal são comparados ao tamanho de uma moeda canadense, para dar a dimensão do tamanho das 'pegadas' deixadas por 'lesma' primitiva (Foto: Richard Siemens/Universidade de Alberta)

Fonte: Globo Natureza


5 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Antigos primatas colonizaram a África há 37 milhões de anos, sugere estudo

Fóssil descoberto em Mianmar ajuda a resolver o mistério de quando ocorreu a migração dos primeiros símios para o continente africano

Os antigos primatas colonizaram a África há 37 milhões de anos, vindos da Ásia. A descoberta representa um avanço importante para entender a evolução dos seres humanos e de outros primatas. O estudo foi publicado nesta segunda-feira no periódico americano PNAS.

Por décadas os cientistas pensaram que os antepassados dos humanos surgiram na África. Uma série de descobertas nos últimos anos, porém, atestam que os primeiros símios vieram da Ásia e posteriormente colonizaram o continente africano. Contudo, os paleontólogos ainda não conseguiram decidir como e quando isso aconteceu. Agora, parece que há uma resposta para pelo menos uma das perguntas.

A mais recente descoberta que dá suporte à teoria de que os primeiros símios vieram da Ásia é o fóssil Afrasia djijidae, encontrado em Mianmar por pesquisadores Museu de História Natural de Carnegie, dos Estados Unidos. É sobre esse fóssil o estudo publicado no PNAS. O que torna o achado asiático de 37 milhões de anos digno de nota é sua similaridade com outro, encontrado recentemente no Deserto do Saara, na África.

Questão de tempo - Os dentes doAfrasia são muito parecidos com os doAfrotarsius libycus, um fóssil norte-africano que data da mesma época do asiático. Por sua estrutura complexa, os dentes de mamíferos são usados como ‘impressões digitais’ para reconstruir relações de parentesco entre espécies extintas e modernas.

A grande similaridade entre os dois fósseis, um da África e outro da Ásia, tem muito a dizer sobre quando a colonização do continente africano ocorreu. Os cientistas acreditam que ela aconteceu pouco antes da data em que viveu o animal que deu origem ao fóssil asiático, ou seja, há 37 milhões de anos.

Se os símios asiáticos tivessem chegado ao Norte da África antes, teria havido mais tempo para a diversificação entre o Afrasia e o Afrotarsius. “Por muito tempo pensávamos que o registro de fósseis da África era ruim”, disse Jean-Jacques Jaeger, chefe da pesquisa. “O fato de que símios semelhantes viveram ao mesmo tempo na Líbia e em Mianmar sugere que eles não chegaram à África até pouco antes do fóssil que encontramos no norte africano.”

Agora, os paleontólogos tem uma forte indicação de quando a colonização do continente africano ocorreu. Falta saber como. A viagem provavelmente foi muito dura. Naquela época, uma versão maior do Mar Mediterrâneo, chamada Mar de Tétis, separava a África e a Eurásia. A descoberta do Afrasia não resolve a questão da rota nem de como ocorreu a colonização, mas pelo menos crava um ponto de partida na linha do tempo da evolução dos antigos primatas na África.

Reconstrução do 'Afrotarsius libycus', espécie que viveu há mais de 37 milhões de anos no Norte da África e que é muito parecida com o 'Afrasia djijidae', um fóssil encontrado na Ásia com praticamente a mesma idade. As semelhanças indicam que a colonização da África ocorreu há 37 milhões de anos, informação que faltava aos paleontólogos que reconstroem a linha do tempo da evolução humana

Reconstrução do 'Afrotarsius libycus', espécie que viveu há mais de 37 milhões de anos no Norte da África e que é muito parecida com o 'Afrasia djijidae', um fóssil encontrado na Ásia com praticamente a mesma idade. As semelhanças indicam que a colonização da África ocorreu há 37 milhões de anos, informação que faltava aos paleontólogos que reconstroem a linha do tempo da evolução humana (Mark A. Klingler/Carnegie Museum of Natural History)

Fonte: Veja Ciência


5 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Evolução dos pássaros encerrou era dos insetos gigantes, diz estudo

Corpo menor ajudou insetos a fugir de pássaros predadores.
Maior inseto chegou a ter 70 centímetros há 300 milhões de anos.

Um novo estudo da Universidade da Califórnia sugere que a evolução dos pássaros foi determinante para o fim da era dos insetos gigantes na Terra. Segundo os cientistas, a época em que as aves começaram a estabelecer seu lugar nos céus é a mesma na qual os insetos grandalhões perderam espaço, há 150 milhões de anos. A pesquisa foi divulgada nesta semana na edição online da revista científica “PNAS”, da Academia Americana de Ciências.

Insetos gigantes viveram nos céus pré-históricos em uma época em que a atmosfera da Terra era rica em oxigênio. Pesquisas anteriores já tinham sugerido que o tamanho dos insetos tinha relação com altas concentrações de oxigênio – cerca de 30%, comparada aos atuais 21%, em média.

Há 300 milhões de anos, os insetos gigantes chegaram ao maior tamanho já documentado: 70 centímetros.

Mas à medida que os pássaros surgiram, os insetos se tornaram menores mesmo com o aumento de oxigênio na atmosfera, diz a pesquisa.

Segundo o autor do estudo, Matthew Clapham, professor de Terra e Ciências Planetárias da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, com os pássaros predatórios na ‘cola’, necessidade de ter mais mobilidade foi a base da evolução do voo desses insetos, favorecendo o tamanho mais reduzido do corpo.

A equipe da Clapham comparou o tamanho das asas de mais de 10.500 fósseis de insetos com níveis de oxigênio do planeta em centenas de milhares de anos.

O pesquisador enfatiza, no entanto, que o estudo focou as mudanças a partir dos maiores insetos já conhecidos.

“Em torno do final do período Jurássico e início do Cretáceo, cerca de 150 milhões de anos atrás, de repente o nível de oxigênio sobe, mas o tamanho do inseto diminui. E isso coincide de forma impressionante com a evolução dos pássaros”, diz Clapham.

Fóssil de insetos gigantes pré-históricos (Foto: Wolfgang Zessin/UCSC/Divulgação)

Fóssil de insetos gigantes pré-históricos (Foto: Wolfgang Zessin/UCSC/Divulgação)

Fonte: G1


28 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Mecanismo de defesa de cefalópodes é usado há 160 milhões de anos

Descoberta de melanina em bolsas de tinta de antepassados da lula leva pesquisadores a concluir que a produção dessa substância existe desde o período Jurássico

Um grupo internacional de cientistas descobriu a presença de melanina em duas bolsas de tinta pertencentes a fósseis de cefalópodes de 160 milhões de anos. O pigmento encontrado é praticamente idêntico ao de linhagens descendentes do animal pré-histórico estudado: lulas, sépias e polvos. O estudo envolveu pesquisadores dos Estados Unidos, Índia, Japão e Reino Unido e foi publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Para chegar a esses resultados, os cientistas analisaram um fóssil encontrado há dois anos no Sudoeste da Inglaterra. A descoberta indica que o mecanismo de defesa usado por cefalópodes — como sépias, polvos e lulas — que consiste na liberação de tinta para confundir e assustar seus predadores, é a mesma desde o período Jurássico (compreendido entre 199 milhões e 145 milhões de anos atrás).

“Embora os outros componentes orgânicos dos cefalópode que estudamos já tenham se esvaído há muito tempo, nós descobrimos através de vários métodos de pesquisa que a melanina se manteve em uma situação em que conseguimos estudá-la com um detalhamento profundo”, disse John Simon, químico e professor da Universidade de Virginia e um dos autores do estudo.

Uma das bolsas de tinta estudada é única intacta já descoberta. Phillip Wilby, do Centro Britânico de Pesquisa Geológica encontrou as bolsas em Christian Malford, Wiltshire, oeste de Londres, perto de Bristol. As amostras foram analisadas por um grupo de especialistas em melanina que, usando avançados métodos químicos, concluiu que a melanina foi preservada ao longo do tempo.

Em uma segunda etapa, os pesquisadores compararam a composição química da melanina do fóssil ao pigmento de sépias contemporâneas, Sepia officinalis, molusco encontrado nos mares Mediterrâneo, Norte e Báltico.

A análise mostrou que as substâncias são bastante semelhantes. “A aproximação entre elas é suficiente para que eu argumente que a pigmentação nessa classe de animais não sofreu evoluções em um período de 160 milhões de anos”, disse Simon.

“É muito curioso que esta poderosa arma de defesa não tenha ainda se tornado obsoleta, tendo sido preservada e utilizada provavelmente por toda esta imensidão temporal. Talvez, do ponto de vista evolutivo, este equipamento tenha sido o grande responsável pela longa existência destes animais nos oceanos”, afirma Luiz Eduardo Anelli, paleontólogo da Universidade de São Paulo (USP), que não participou do estudo.

Exceção — Cientistas explicam que geralmente o tecido animal se degrada rapidamente, já que é composto em sua maioria por proteína. Passados milhões de anos, tudo que se pode encontrar de um animal são os restos de esqueleto ou uma impressão da forma do material em rochas da região onde ele estava. Muito se pode descobrir sobre um animal através de seus ossos e suas impressões, mas na ausência de matéria orgânica, muitas questões permanecem sem resposta.

Os autores explicam que a melanina é uma exceção. Embora seja orgânica, ela é altamente resistente à degradação ao longo do tempo.

“De todos os pigmentos orgânicos encontrados em seres vivos, a melanina é a que possui maiores condições de ser encontrada em fósseis”, explica Simon. “Esse atributo também traz um desafio ao estudo. Nós tivemos que usar métodos inovadores da química, da biologia e da física para separar a melanina do material inorgânico.”

Saiba mais

MELANINA
Melanina é um pigmento biológico encontrado em bactérias, fungos, plantas e animais que tem uma série de funções ecológicas e bioquímicas: ajuda animais a se proteger contra predadores, raios solares nocivos, causadores de doenças e também compõem a aparência física que alguns animais usam como atração de seus pares para reprodução, como é o caso nas penas coloridas de algumas aves.

CEFALÓPODES
Classe de moluscos invertebrados ao qual pertencem a lula, o polvo e a sépia. Esses animais produzem uma tinta escura que é usada como mecanismo de defesa: ao se sentirem ameaçados, contraem a glândula de tinta e lançam na água uma grande nuvem negra que assusta e distrai um possível predador. Essa classe leva esse nome porque uma de suas características é a presença de tentáculos – espécie de patas – ligados à cabeça do animal.

bolsa de tinta

Cientistas encontraram melanina preservada em bolsas de tinta de fóssil de 160 milhões de anos (British Geological Society)

Fonte: Veja Ciência


17 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Répteis marinhos que viveram há 150 milhões de anos sofriam de artrite, diz estudo

Pesquisadores da Universidade de Bristol descobriram desgaste em fóssil de um pliossauro encontrado no Sul da Inglaterra

Paleontólogos da Universidade de Bristol, na Inglaterra, identificaram pela primeira vez sinais de uma doença semelhante à artrite humana em um fóssil de um réptil marinho pré-histórico. A pesquisa, publicada nesta quarta-feira na revista Palaeontology, foi feita a partir de um crânio de dois metros de um pliossauro fêmea que habitou as águas do Sul da Inglaterra, há 150 milhões de anos.

Desde sua descoberta até a realização do estudo, o fóssil vinha sendo mantido na coleção do Museu e Galeria de Arte da cidade de Bristol.

A análise do fóssil permitiu aos pesquisadores descobrir sinais de uma degeneração similar à artrite humana, que corroeu a articulação da mandíbula esquerda e provocou o seu deslocamento da parte inferior para um lado.

Judyth Sassoon, autora do artigo e pesquisadora da Universidade de Bristol, acredita que o animal tenha vivido com a mandíbula torta por muitos anos. Ela faz essa afirmação com base nas marcas encontradas na mandíbula inferior, que, provavelmente, foram causadas pelos dentes superiores durante a alimentação.

“Da mesma forma que seres humanos com idade avançada desenvolvem artrite nos quadris, essa ‘senhora’ desenvolveu artrite em sua mandíbula e sobreviveu com esse problema por algum tempo. Mas a fratura não curada indica que em algum momento a mandíbula enfraqueceu e eventualmente quebrou. Com a mandíbula quebrada, o pliossauro não seria capaz de se alimentar e isso provavelmente a levou à morte”, explica Sassoon.

Mike Benton, coautor da pesquisa, explica que doenças semelhantes são encontradas em animais de hoje. “É possível ver esse tipo de deformidades em animais vivos, como crocodilos e em baleias cachalotes. Deve ser doloroso, mas esses animais podem sobreviver por anos com esse tipo de desgaste.”

Para os pesquisadores, o caso desse pliossauro é um raro exemplo de como o estudo de doenças em fósseis de animais, ciência chamada de paleopatologia, pode ajudar os cientistas a reconstruir a história de vida e o comportamento de animais extintos e mostrar que “mesmo um jurássico matador pode sucumbir por doenças causadas pela idade avançada.”

info-pliossauro

Imagem: Veja Ciência

PLIOSSAURO
Os pliossauros são animais parentes de cobras e lagartos. Temidos predadores, os pliossauros ocupavam o topo da cadeia alimentar marinha durante o período jurássico (entre 199 milhões e 145 milhões de anos atrás). Com mandíbulas gigantes e dentes de 20 centímetros de comprimento, esse animal era capaz de estraçalhar suas presas, geralmente lulas, peixes e outros répteis marinhos. Chegavam a ter oito metros de comprimento. Tinham uma cabeça parecida com a dos crocodilos atuais, pescoço curto, corpo similar ao de uma baleia e quatro barbatanas para se movimentar na água.

ARTRITE
Doença provocada por uma reação do próprio corpo que faz as articulações, as junções entre os ossos, se inflamarem, causando dor e inchaço. Mais frequente nas mulheres que nos homens, a artrite atinge 1% da população mundial e aproximadamente 1,5 milhão de brasileiros.

 

 

pliossauro

Autora principal do estudo, Judyth Sassoon, identificou desgastes semelhantes à artrite humana em fóssil de réptil aquático que viveu há 150 milhões de anos (Divulgação/Universidade de Bristol)

Fonte: Veja Ciência


14 de maio de 2012 | nenhum comentário »

‘Primo’ mais antigo dos pandas viveu há 11 milhões de anos na Espanha

Pesquisadores encontraram fósseis dos ursos ‘Agriarctos beatrix’, parentes dos pandas gigantes da atualidade, na Península Ibérica

A análise de fósseis de dentes encontrados no nordeste da Espanha indica que ‘parentes’ do panda gigante, espécie que hoje habita a China, viveram na região há 11 milhões de anos. Essa foi a primeira evidência encontrada de um urso semelhante aos pandas na Península Ibérica.

O fóssil analisado no estudo é de uma nova espécie de urso, Agriarctos beatrix, que foi descoberta no sítio arqueológico de Nombrevilla, na província de Saragoça, na Espanha. “Nós encontramos esse fóssil em escavações feitas há muito tempo, na década de 1980. Nós pensávamos que era de um tipo de urso qualquer, ele estava lá em uma caixa esperando alguém estudá-lo”, explica Jorge Morales, do Museu Nacional de Ciências Naturais e um dos autores do trabalho.

Os resultados da análise do fóssil foram publicados na edição do segundo semestre de 2011 do periódico Estudios Geológicos, mas apenas agora foram divulgados pelos cientistas.

Ainda que a espécie encontrada seja parecia ao panda gigante em aspectos alimentares e de formato dos dentes, as duas espécies diferem bastante em tamanho. “Essa espécie era ainda menor do que o urso malaio [que tem cerca de 1,5 metro de altura e pesa pouco mais de 60 quilos, em média], considerada atualmente a menor espécie de ursos. Ele não deveria pesar mais do que 60 quilos”, afirma Juan Abella, pesquisador do Departamento de Paleobiologia do Museu Nacional de Ciências Naturais e principal autor do estudo. Os pandas gigantes da atualidade pesam cerca de 100 quilos e medem em média 3,5 metros.

Embora seja difícil determinar sua aparência típica, já que foram encontrados apenas fósseis de dentes, os cientistas acreditam que o animal tinha pelo escuro com manchas brancas, principalmente no peito, em volta dos olhos e provavelmente próximas à cauda. “Esse é considerado o padrão de pelo em ursos primitivos”, explica Abella.

Os ursos Agriarctos beatrix teriam vivido na floresta e seriam menos nômades do que espécies que costumam caçar, como os ursos marrom e polar. De acordo com os pesquisadores, esse urso extinto deveria fugir de grandes carnívoros escalando árvores. Segundo Abella, a dieta do animal “deveria ser similar à do urso malaio ou do urso-de-óculos, que come vegetais, frutas, e pouca carne”.

Formato dos dentes — Jorge Morales explica que uma das principais características que aproxima a nova espécie descoberta dos pandas gigantes é a morfologia dos dentes. “Os dentes encontrados tinham formato mais arredondado, característica de animais que quase não se alimentam de carne. Os dentes dos pandas de hoje são menos pontiagudos, já que eles são herbívoros e não precisam ter dentes afiados para cortar carne.”

“Nós sabemos que é uma espécie diferente daquelas documentadas até agora devido a suas diferenças morfológicas e o tamanho de seus dentes”, diz Abella. Para chegar a essas conclusões, os cientistas compararam os fósseis encontrados com dentes de espécies atuais, como ursos marrons e polares.

Ainda que não se possa saber com certeza quais razões levaram essa espécie à extinção, para Abella a causa mais provável é que “a vegetação florestal tenha dado espaço para locais mais secos e abertos que proporcionaram o surgimento de espécies similares, maiores e mais competitivas.”

panda espanha

Cientistas acreditam que o urso do fóssil encontado tinha pelo escuro e manchas brancas em algumas regiões do corpo como na região dos olhos, no peito e na cauda (Ilustração do SINC)

Fonte: Veja Ciência


4 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Brasil e Uruguai abrigam embriões de réptil mais antigos já vistos

Os embriões de réptil mais antigos já vistos, com 280 milhões de anos e pertencentes ao grupo dos mesossauros, foram descobertos na América do Sul, especificamente em Brasil e Uruguai, por uma equipe internacional de paleontólogos, anunciou nesta terça-feira o CNRS, centro nacional de pesquisa científica francês.

Os fósseis indicam que os mesossauros, répteis aquáticos, eram vivíparos, ou seja, pariam crias bem desenvolvidas.

Um “espécime em gestação”, descoberto no Brasil, revela que os mesossauros que povoavam esse território “retinham os embriões no útero durante a maior parte de seu desenvolvimento”, destacou o CNRS em um comunicado.

No Uruguai, Michel Laurin, do CNRS, e seus colegas escavaram 26 espécimes de mesossauros adultos, todos associados a embriões ou a exemplares muito jovens, da mesma época do fóssil brasileiro.

“Estes espécimes, mais ou menos desarticulados, são difíceis de interpretar, mas provavelmente se trata, na maioria, de embriões no útero”, acrescentou o comunicado.

No mesmo local foi encontrado um “ovo isolado de mesossauro”, o que traz uma incógnita, uma vez que os seres vivíparos, a princípio, não se reproduzem em ovos.

Segundo os paleontólogos, que publicaram sua descoberta na revista britânica Historical Biology, os mesossauros do Uruguai punham ovos em um estágio avançado de desenvolvimento do feto e estes ovos deviam eclodir entre vários minutos e vários dias mais tarde.

Em qualquer caso, estes fósseis de embriões são os exemplares mais antigos conhecidos até agora e antecipam “em 60 milhões de anos o aparecimento deste modo de reprodução” vivípara, segundo o CNRS.

 

Fonte: Veja Ciência


28 de março de 2012 | nenhum comentário »

Brasileiro ajuda a descobrir espécie de crocodilo pré-histórico

Animal teria vivido na Terra há 130 milhões de anos, junto com dinossauros.
Crânio com um metro de comprimento foi encontrado no Reino Unido.

Foto do fóssil de crocodilo encontrado por pesquisadores na Inglaterra (Foto: Divulgação)

Foto do fóssil de crocodilo encontrado por pesquisadores na Inglaterra (Foto: Divulgação)

Um brasileiro é um dos responsáveis pela descoberta e descrição de uma nova espécie de crocodilo que teria vivido na Terra há 130 milhões de anos, juntamente com os dinossauros.

A pesquisa se baseou em um crânio fossilizado, com um metro de comprimento, encontrado ao acaso em 2007, nos arredores dos pântanos de Swanage, uma vila litorânea de Dorset, no Sul da Inglaterra.

A espécie batizada de Goniopholis kiplingi foi examinada durante cinco anos por cientistas da Universidade de Bristol, que compararam o fóssil com amostras de outras espécies.

De acordo com Marco Brandalise de Andrade, pós-doutor pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) — e um líder da descoberta, feita em parceria com outros cientistas britânicos — a nova espécie tem parentesco com outros crocodilianos.

“Foi uma experiência fantástica, porque este é provavelmente o exemplar de Goniopholis com melhor preservação já encontrado e eu o tive à disposição por um longo tempo. Foi então que pude verificar o parentesco estreito com outros Goniopholis europeus, mas também suas diferenças, como ossos lacrimais muito mais alongados”, disse Andrade ao G1.

Escritor inspirou nome da espécie
Ainda segundo Andrade, as diferenças permitiram reconhecer a nova espécie. O nome G. kiplingi foi em homenagem ao autor Rudyard Kipling, que escreveu a obra “O Livro da Selva” (a história no Brasil é conhecida como “Mogli, o menino lobo”).

“O autor influenciou um grande número de pessoas, eu inclusive, a gostar das ciências naturais”, disse Andrade.

O réptil media entre quatro e cinco metros do nariz à ponta da cauda, se alimentava de peixes, tartarugas e, provavelmente, de pequenos dinossauros que habitavam os pântanos e lagos das florestas tropicais.

Embora outros restos do Goniopholis já tenham sido encontrados na Inglaterra há mais de um século, os ossos do crânio descoberto são mais alongados, além de apresentarem outras diferenças sutis em sua mandíbula superior.

Tecnologias avançadas de scanner e reconstrução por computador foram utilizadas na análise do fóssil para elaborar um modelo em 3D. A descoberta deve ajudar os pesquisadores a calcular o número de espécies, já que esta espécie teria vivido apenas na Inglaterra.

AEu (esquerda), Ray Barnet (Royal Vet College London) e Remmert Schouten (co-autor, Univ. de Bristol) no Royal Veterinary College London, quando fomos fazer a tomografia do espécime.  (Foto: Divulgação)

O pesquisador brasileiro Marco de Andrade, junto com Ray Barnet e Remmert Schoutenm co-autores do estudo científico, no dia em que foram realizar a tomografia do crânio do crocodilo pré-histórico. (Foto: Divulgação)

Fonte:G1


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6 de março de 2013 | nenhum comentário »

Cientistas descobrem fóssil de camelo gigante em região do Ártico

Restos foram encontrados na Ilha de Ellesmere, pertencente ao Canadá.
Animal pré-histórico teria vivido na região há 3,5 milhões de anos.

Paleontólogos descobriram fósseis de um camelo gigante na Ilha de Ellesmere, na porção do Canadá no Ártico, informaram agências internacionais nesta quarta-feira (6). Os 30 fragmentos de osso encontrados representam o registro mais ao norte que se tem de animais do gênero Paracamelus, que teriam vivido há 3,5 milhões de anos no extremo norte canadense, segundo os pesquisadores.

Os camelos primitivos habitaram a região quando havia no local uma floresta boreal, durante um período de aquecimento do planeta, de acordo com os pesquisadores. Os antecessores destes animais surgiram há 45 milhões de anos na América do Norte, de acordo com os cientistas.

O estudo com os detalhes da descoberta foi publicado nesta semana no site científico “Nature Communications”. Ele foi realizado por pesquisadores do Museu Canadense de Natureza.

“Esta é uma descoberta importante porque representa a primeira evidência de camelos na região do alto Ártico”, afirmou uma das responsáveis pelo estudo, a pesquisadora Natalia Rybczynski.

Segundo a cientista, a descoberta também “sugere que a linhagem à qual pertencem os camelos modernos originalmente se adaptou para viver em torno de uma floresta boreal”.

Algumas características dos camelos modernos, “como seus pés largos e planos, seus grandes olhos e suas corcovas de gordura, podem ter sido adaptações derivadas da vida em uma região polar”, afirmou Natalia.

Parte dos fósseis encontrados pelos pesquisadores (Foto: Divulgação/Martin Lipmani/Museu Canadense de Natureza)

Parte dos fósseis encontrados pelos cientistas (Foto: Divulgação/Museu Canadense de Natureza)

Fósseis
Fósseis do camelo foram encontrados durante escavações de campo nos verões de 2006, 2008 e 2010 em um pequeno monte em Fyles Leaf Bed, um depósito de areia em uma região da Ilha de Ellesmere, onde já foram encontrados restos de plantas pré-históricas, mas nunca de um mamífero.

Segundo os pesquisadores, os fragmentos pertencem a uma tíbia, osso que em seres humanos é um dos maiores do organismo. Eles afirmam, no estudo, não terem sido capazes de fazer uma medição precisa do tamanho do camelo, mas ressaltam que a característica é identificável devido às grandes proporções do fóssil.

Anteriormente, em um lugar próximo conhecido como Beaver Pond, foram descobertos fósseis de mamíferos datando da mesma época.

A confirmação de que os fósseis descobertos são de um camelo exigiu que os cientistas recorressem a uma nova técnica de análise, que permite determinar o perfil de colágeno nos ossos descobertos.

Os dados anatômicos dos fósseis, junto com a comparação de seu perfil de colágeno com o de 37 mamíferos atuais e com o do camelo gigante de Yukon (noroeste do Canadá) – o antecessor dos camelos modernos – que se encontra no Museu Canadense de Natureza, confirmaram que os fósseis da Ilha de Ellesmere pertencem a um camelo.

Seguramente, o animal era da mesmo gênero Paracamelus que habitou a América do Norte durante milhões de anos, disseram os cientistas.

Ilustração mostra camelo pré-histórico que teria vivido na Ilha de Ellesmere, na região do Ártico (Foto: Divulgação/Julius Csotonyi/Museu Canadense de Natureza)

Ilustração mostra camelo pré-histórico que teria vivido na Ilha de Ellesmere, na região do Ártico (Foto: Divulgação/Julius Csotonyi/Museu Canadense de Natureza)

Fonte: Globo Natureza


11 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Todos os dinossauros carnívoros tinham penas, diz estudo

Fóssil encontrado na Alemanha está mais próximo da base da evolução dos predadores e mais distante daquela que originou as aves, e mesmo assim era coberto de penas

Um fóssil extremamente bem preservado (como pode se perceber na foto acima) encontrado na Alemanha pode mudar tudo o que sabemos sobre os dinossauros carnívoros predadores, como os Tiranossauros. O fóssil foi apresentado nesta segunda-feira em um estudo publicado no periódico científico PNAS (Proceedings of National Academy of Sciences) e a partir dele pesquisadores alemães sugerem mudanças profundas no modo como acreditamos ser o aspecto dos grandes predadores do Jurássico, período de 199 a 145 milhões de anos atrás, no qual os dinossauros dominaram o planeta.

“Todos os dinossauros predadores tinham penas”, afirma categoricamente Oliver Rauhut, coautor do estudo e paleontólogo do Museu de Paleontologia e Geologia do Estado da Baviera. “Não seria nenhuma surpresa descobrir que as penas estavam presentes em todos os ancestrais dos dinossauros”, disse Mark Norell, co-autor do estudo e presidente da Divisão de Paleontologia do Museu Americano de História Natural, instituição que ajudou a financiar a pesquisa.

Já se sabe que ‘primos’ dos dinossauros, como os pterossauros, tinham estruturas parecidas com pelos cobrindo o corpo. Já os celurossauros, dinossauros terópodos que viveram em quase todos os continentes, na metade final do período Jurássico, tinham penas multicoloridas.

É aqui que entra em cena o fóssil descoberto pelos alemães, um jovem megalossauro batizadoSciurumimus albersdoerferi. Foi encontrado com as mandíbulas abertas e o rabo estendido acima da cabeça em uma laje de calcário em uma pedreira da Baviera, na mesma região da Alemanha onde, há 150 anos, outra amostra de um dino com penas havia sido descoberta, oArchaeopteryx lithographica.

Sciurumimus ganhou o nome em homenagem ao esquilo (que pertence ao gênero Sciurus) em função de sua cauda. O dinossauro tinha o crânio grande, patas traseiras curtas, a pele lisa e — esta é a descoberta mais importante do estudo — estava coberto de penas. A estimativa é de que ele tenha vivido há 150 milhões de anos, no período Jurássico.

Mas o Sciurumimus, mesmo cheio de penas, foi identificado como um megalossauro, mais próximo da base da linha evolutiva dos terópodos do que dos celurossauros. E isso pode mudar a percepção da aparência de tiranossauros e megalossauros, tidos até hoje (inclusive em filmes como Jurassic Park) como grandes lagartos ou parecidos com grandes crocodilos no que se refere à pele.

“Tudo o que encontramos nesses dias nos mostram o quão antiga são as características dos pássaros modernos na linha evolutiva e como esses animais eram parecidos com pássaros”, disse Mark Norell. As aves modernas são consideradas descendentes diretos dos celurossauros.

Fósseis completos como o do Sciurumimus são extremamente raros, ainda mais sendo provavelmente de um recém-nascido. Segundo os pesquisadores, esta espécie deveria se alimentar de pequenas presas e insetos. Mas o tamanho reduzido do fóssil não quer dizer que ele fosse um pequeno dinossauro carnívoro. “Sabemos, a partir de outras descobertas, que os dinossauros podiam ter um ritmo de crescimento lento”, disse Rauhut. “O Sciurumimus adulto podia chegar a quase dois metros de comprimento. Os grandes predadores podiam ser cheios de penas, mas isso não muda o fato de que estavam no topo da pirâmide alimentar.”

Fóssil do Sciurumimus

Descoberta: Fóssil de dinossauro com penas, o Sciurumimus, encontrado em uma laje de calcário no Sul da Alemanha (Divulgação/Museu Americano de História Natural)

Saiba mais

DIAPSIDA
Grupo de tetrápodes (vertebrados de quatro membros: répteis, aves e mamíferos são os maiores grupos). O grupo diapsida reúne todos os répteis, com exceção das tartarugas, cágados e jabutis.

ARCOSSAUROS
Grupo surgido por volta de 240 milhões de anos atrás, no período Triássico. No grupo estão os dinossauros,pterossauros, os atuais crocodilos e jacarés e as aves (que são considerados descendentes diretos dos dinossauros, portanto, são répteis também).

DINOSSAUROS
Grupo de répteis gigantes extintos que surgiu por volta de 225 milhões de anos atrás e viveu até cerca de 65 milhões de anos atrás, quando todos os dinossauros não avianos (ou seja, exceto as aves) foram extintos. Apresentavam pernas dispostas como colunas abaixo do corpo (e não voltadas para os lados, como nos jacarés). Os dinossauros são descendentes do grupo archosauria e podem ser reunidos em dois grandes ramos: saurísquios e ornitísquios (tão diferentes quanto os mamíferos marsupiais e os placentários entre eles). Apesar de seus fósseis serem conhecidos há milhares de anos (a lenda dos dragões veio daí), o termo dinossauro (deinos=terrível saurus=lagarto) só foi criado em 1842, pelo primeiro curador do Museu de História Natural de Londres, Richard Owen.

ORNITÍSQUIOS
O nome do grupo significa ‘cintura de ave’, embora as aves tenham se originado de outra linhagem dos dinossauros. Eram tanto quadrúpedes (como o Triceratops e o Stegosaurus) quanto bípedes (Lesothosaurus).

SAURÍSQUIOS
Grande grupo de dinossauros herbívoros caracterizados pelo pela pata anterior alongada e pelo pescoço comprido, muitas vezes com o leve formato de ‘S’. Fazem parte do grupo dos saurísquios os gigantescos saurópodes (os dinossauros que apareciam usados como guindastes no desenho animado Flintstones) e terápodes. Os dinossauros mais antigos são saurísquios e foram encontrados na América do Sul.

PTEROSSAURO
Répteis voadores enormes, que viveram na mesma época dos dinossauros. Alguns chegaram a ter 20 metros de envergadura de uma asa à outra. Nenhum outro animal voador foi tão grande.

TERÓPODOS
Os terápodos eram todos predadores carnívoros bípedes, e tinham aqueles ‘bracinhos’ característicos dos Tiranossauros, e, geralmente, garras e dentes afiados. Apesar do tiranossauro estar extinto, tecnicamente os terápodos ainda existem, já que as aves são descendentes de pequenos terópodos, como o Archaeopteryx, um pequeno dinossauro emplumado do tamanho de um pombo. “Acredite: o beija-flor é um dinossauro terápode tanto quanto um Tiranossauro rex”, afirma o paleontólogo Luiz Eduardo Anelli em seu livro O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil.

MEGALOSSAURO
Grandes predadores terópodos que abatiam saurópodes e até o Stegosaurus. Viviam na região onde hoje fica a Europa e a América do Norte.

CELUROSSAURO
Os celurossauros reúnem os terópodos mais aparentados com as aves. Todos tinham várias semelhanças morfológicas com as aves.

MANIRAPTORA
Grupo dos celurossauros dos quais, acredita-se, evoluíram diretamente as aves, por volta de 150 milhões de anos atrás, no período Jurássico. Faziam parte do grupo dinossauros predadores carnívoros como o Velociraptor (aparecem no filme Jurassic Park em várias cenas, como na que perseguem as crianças na cozinha do parque). Tecnicamente as aves são do grupo maniraptora.

 

Fontes: Veja Ciência, O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil, Luiz Eduardo Anelli, The Princeton Field Guide To Dinosaurs, University of California Museum of Paleontology


29 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Animal mais antigo viveu 30 milhões de anos antes do previsto, diz estudo

Canadenses acharam rastros de ‘lesma’ de 585 milhões de anos no Uruguai.
Bicho mais antigo do mundo até agora havia sido encontrado na Rússia.

Pesquisadores da Universidade de Alberta, no Canadá, descobriram no Uruguai uma prova física de que animais existiram há 585 milhões de anos, 30 milhões de anos antes que as evidências científicas mostravam até agora. Os resultados do estudo estão publicados na edição da revista “Science” desta quinta-feira (28).

Até então, o fóssil mais antigo do mundo tinha 555 milhões de anos e havia sido localizado na Rússia.

O achado foi por geólogos da equipe de Ernesto Pecoits e Natalie Aubet, que encontraram trilhas fossilizadas de um animal semelhante a uma lesma, com cerca de 1 centímetro de comprimento. O rastro foi deixado em um terreno sedimentar com lodo.

A equipe chegou à conclusão de que as trilhas foram feitas por um bicho primitivo bilateral, que se diferencia de outras formas de vida simples por ter uma simetria superior diferente da parte inferior, além de um conjunto único de “pegadas”.

Os pesquisadores dizem que as faixas fossilizadas indicam que a musculatura desse animal mole lhe permitia mover-se pelo solo raso do oceano. O padrão de movimento da “lesma” indica uma adaptação evolutiva para buscar comida – o material orgânico do sedimento.

A idade precisa dos rastros foi calculada pela datação de uma rocha vulcânica que se “intrometeu” na rocha sedimentar onde os caminhos foram achados. O processo incluiu um retorno ao Uruguai para coletar mais amostras da rocha fossilizada e várias sessões de análise por um método chamado espectrometria de massa, que identifica diferentes átomos presentes em uma mesma substância.

Ao todo, os autores do estudo levaram mais de dois anos para ficarem satisfeitos com a precisão da idade de 585 milhões de anos.

Segundo o paleontógo Murray Gingras, da mesma equipe, é comum que animais de corpo mole desapareçam, mas suas trilhas virem fósseis. O geomicrobiólogo Kurt Konhauser diz que a descoberta abre novas questões sobre a evolução desses animais – como foram capazes de se mover e procurar alimento – e as condições ambientais envolvidas. Além desses pesquisadores, o trabalho contou com a participação de Larry Heaman e Richard Stern.

Rastro lesma science (Foto: Richard Siemens/Universidade de Alberta)

Rastros de animal são comparados ao tamanho de uma moeda canadense, para dar a dimensão do tamanho das 'pegadas' deixadas por 'lesma' primitiva (Foto: Richard Siemens/Universidade de Alberta)

Fonte: Globo Natureza


5 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Antigos primatas colonizaram a África há 37 milhões de anos, sugere estudo

Fóssil descoberto em Mianmar ajuda a resolver o mistério de quando ocorreu a migração dos primeiros símios para o continente africano

Os antigos primatas colonizaram a África há 37 milhões de anos, vindos da Ásia. A descoberta representa um avanço importante para entender a evolução dos seres humanos e de outros primatas. O estudo foi publicado nesta segunda-feira no periódico americano PNAS.

Por décadas os cientistas pensaram que os antepassados dos humanos surgiram na África. Uma série de descobertas nos últimos anos, porém, atestam que os primeiros símios vieram da Ásia e posteriormente colonizaram o continente africano. Contudo, os paleontólogos ainda não conseguiram decidir como e quando isso aconteceu. Agora, parece que há uma resposta para pelo menos uma das perguntas.

A mais recente descoberta que dá suporte à teoria de que os primeiros símios vieram da Ásia é o fóssil Afrasia djijidae, encontrado em Mianmar por pesquisadores Museu de História Natural de Carnegie, dos Estados Unidos. É sobre esse fóssil o estudo publicado no PNAS. O que torna o achado asiático de 37 milhões de anos digno de nota é sua similaridade com outro, encontrado recentemente no Deserto do Saara, na África.

Questão de tempo - Os dentes doAfrasia são muito parecidos com os doAfrotarsius libycus, um fóssil norte-africano que data da mesma época do asiático. Por sua estrutura complexa, os dentes de mamíferos são usados como ‘impressões digitais’ para reconstruir relações de parentesco entre espécies extintas e modernas.

A grande similaridade entre os dois fósseis, um da África e outro da Ásia, tem muito a dizer sobre quando a colonização do continente africano ocorreu. Os cientistas acreditam que ela aconteceu pouco antes da data em que viveu o animal que deu origem ao fóssil asiático, ou seja, há 37 milhões de anos.

Se os símios asiáticos tivessem chegado ao Norte da África antes, teria havido mais tempo para a diversificação entre o Afrasia e o Afrotarsius. “Por muito tempo pensávamos que o registro de fósseis da África era ruim”, disse Jean-Jacques Jaeger, chefe da pesquisa. “O fato de que símios semelhantes viveram ao mesmo tempo na Líbia e em Mianmar sugere que eles não chegaram à África até pouco antes do fóssil que encontramos no norte africano.”

Agora, os paleontólogos tem uma forte indicação de quando a colonização do continente africano ocorreu. Falta saber como. A viagem provavelmente foi muito dura. Naquela época, uma versão maior do Mar Mediterrâneo, chamada Mar de Tétis, separava a África e a Eurásia. A descoberta do Afrasia não resolve a questão da rota nem de como ocorreu a colonização, mas pelo menos crava um ponto de partida na linha do tempo da evolução dos antigos primatas na África.

Reconstrução do 'Afrotarsius libycus', espécie que viveu há mais de 37 milhões de anos no Norte da África e que é muito parecida com o 'Afrasia djijidae', um fóssil encontrado na Ásia com praticamente a mesma idade. As semelhanças indicam que a colonização da África ocorreu há 37 milhões de anos, informação que faltava aos paleontólogos que reconstroem a linha do tempo da evolução humana

Reconstrução do 'Afrotarsius libycus', espécie que viveu há mais de 37 milhões de anos no Norte da África e que é muito parecida com o 'Afrasia djijidae', um fóssil encontrado na Ásia com praticamente a mesma idade. As semelhanças indicam que a colonização da África ocorreu há 37 milhões de anos, informação que faltava aos paleontólogos que reconstroem a linha do tempo da evolução humana (Mark A. Klingler/Carnegie Museum of Natural History)

Fonte: Veja Ciência


5 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Evolução dos pássaros encerrou era dos insetos gigantes, diz estudo

Corpo menor ajudou insetos a fugir de pássaros predadores.
Maior inseto chegou a ter 70 centímetros há 300 milhões de anos.

Um novo estudo da Universidade da Califórnia sugere que a evolução dos pássaros foi determinante para o fim da era dos insetos gigantes na Terra. Segundo os cientistas, a época em que as aves começaram a estabelecer seu lugar nos céus é a mesma na qual os insetos grandalhões perderam espaço, há 150 milhões de anos. A pesquisa foi divulgada nesta semana na edição online da revista científica “PNAS”, da Academia Americana de Ciências.

Insetos gigantes viveram nos céus pré-históricos em uma época em que a atmosfera da Terra era rica em oxigênio. Pesquisas anteriores já tinham sugerido que o tamanho dos insetos tinha relação com altas concentrações de oxigênio – cerca de 30%, comparada aos atuais 21%, em média.

Há 300 milhões de anos, os insetos gigantes chegaram ao maior tamanho já documentado: 70 centímetros.

Mas à medida que os pássaros surgiram, os insetos se tornaram menores mesmo com o aumento de oxigênio na atmosfera, diz a pesquisa.

Segundo o autor do estudo, Matthew Clapham, professor de Terra e Ciências Planetárias da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, com os pássaros predatórios na ‘cola’, necessidade de ter mais mobilidade foi a base da evolução do voo desses insetos, favorecendo o tamanho mais reduzido do corpo.

A equipe da Clapham comparou o tamanho das asas de mais de 10.500 fósseis de insetos com níveis de oxigênio do planeta em centenas de milhares de anos.

O pesquisador enfatiza, no entanto, que o estudo focou as mudanças a partir dos maiores insetos já conhecidos.

“Em torno do final do período Jurássico e início do Cretáceo, cerca de 150 milhões de anos atrás, de repente o nível de oxigênio sobe, mas o tamanho do inseto diminui. E isso coincide de forma impressionante com a evolução dos pássaros”, diz Clapham.

Fóssil de insetos gigantes pré-históricos (Foto: Wolfgang Zessin/UCSC/Divulgação)

Fóssil de insetos gigantes pré-históricos (Foto: Wolfgang Zessin/UCSC/Divulgação)

Fonte: G1


28 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Mecanismo de defesa de cefalópodes é usado há 160 milhões de anos

Descoberta de melanina em bolsas de tinta de antepassados da lula leva pesquisadores a concluir que a produção dessa substância existe desde o período Jurássico

Um grupo internacional de cientistas descobriu a presença de melanina em duas bolsas de tinta pertencentes a fósseis de cefalópodes de 160 milhões de anos. O pigmento encontrado é praticamente idêntico ao de linhagens descendentes do animal pré-histórico estudado: lulas, sépias e polvos. O estudo envolveu pesquisadores dos Estados Unidos, Índia, Japão e Reino Unido e foi publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Para chegar a esses resultados, os cientistas analisaram um fóssil encontrado há dois anos no Sudoeste da Inglaterra. A descoberta indica que o mecanismo de defesa usado por cefalópodes — como sépias, polvos e lulas — que consiste na liberação de tinta para confundir e assustar seus predadores, é a mesma desde o período Jurássico (compreendido entre 199 milhões e 145 milhões de anos atrás).

“Embora os outros componentes orgânicos dos cefalópode que estudamos já tenham se esvaído há muito tempo, nós descobrimos através de vários métodos de pesquisa que a melanina se manteve em uma situação em que conseguimos estudá-la com um detalhamento profundo”, disse John Simon, químico e professor da Universidade de Virginia e um dos autores do estudo.

Uma das bolsas de tinta estudada é única intacta já descoberta. Phillip Wilby, do Centro Britânico de Pesquisa Geológica encontrou as bolsas em Christian Malford, Wiltshire, oeste de Londres, perto de Bristol. As amostras foram analisadas por um grupo de especialistas em melanina que, usando avançados métodos químicos, concluiu que a melanina foi preservada ao longo do tempo.

Em uma segunda etapa, os pesquisadores compararam a composição química da melanina do fóssil ao pigmento de sépias contemporâneas, Sepia officinalis, molusco encontrado nos mares Mediterrâneo, Norte e Báltico.

A análise mostrou que as substâncias são bastante semelhantes. “A aproximação entre elas é suficiente para que eu argumente que a pigmentação nessa classe de animais não sofreu evoluções em um período de 160 milhões de anos”, disse Simon.

“É muito curioso que esta poderosa arma de defesa não tenha ainda se tornado obsoleta, tendo sido preservada e utilizada provavelmente por toda esta imensidão temporal. Talvez, do ponto de vista evolutivo, este equipamento tenha sido o grande responsável pela longa existência destes animais nos oceanos”, afirma Luiz Eduardo Anelli, paleontólogo da Universidade de São Paulo (USP), que não participou do estudo.

Exceção — Cientistas explicam que geralmente o tecido animal se degrada rapidamente, já que é composto em sua maioria por proteína. Passados milhões de anos, tudo que se pode encontrar de um animal são os restos de esqueleto ou uma impressão da forma do material em rochas da região onde ele estava. Muito se pode descobrir sobre um animal através de seus ossos e suas impressões, mas na ausência de matéria orgânica, muitas questões permanecem sem resposta.

Os autores explicam que a melanina é uma exceção. Embora seja orgânica, ela é altamente resistente à degradação ao longo do tempo.

“De todos os pigmentos orgânicos encontrados em seres vivos, a melanina é a que possui maiores condições de ser encontrada em fósseis”, explica Simon. “Esse atributo também traz um desafio ao estudo. Nós tivemos que usar métodos inovadores da química, da biologia e da física para separar a melanina do material inorgânico.”

Saiba mais

MELANINA
Melanina é um pigmento biológico encontrado em bactérias, fungos, plantas e animais que tem uma série de funções ecológicas e bioquímicas: ajuda animais a se proteger contra predadores, raios solares nocivos, causadores de doenças e também compõem a aparência física que alguns animais usam como atração de seus pares para reprodução, como é o caso nas penas coloridas de algumas aves.

CEFALÓPODES
Classe de moluscos invertebrados ao qual pertencem a lula, o polvo e a sépia. Esses animais produzem uma tinta escura que é usada como mecanismo de defesa: ao se sentirem ameaçados, contraem a glândula de tinta e lançam na água uma grande nuvem negra que assusta e distrai um possível predador. Essa classe leva esse nome porque uma de suas características é a presença de tentáculos – espécie de patas – ligados à cabeça do animal.

bolsa de tinta

Cientistas encontraram melanina preservada em bolsas de tinta de fóssil de 160 milhões de anos (British Geological Society)

Fonte: Veja Ciência


17 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Répteis marinhos que viveram há 150 milhões de anos sofriam de artrite, diz estudo

Pesquisadores da Universidade de Bristol descobriram desgaste em fóssil de um pliossauro encontrado no Sul da Inglaterra

Paleontólogos da Universidade de Bristol, na Inglaterra, identificaram pela primeira vez sinais de uma doença semelhante à artrite humana em um fóssil de um réptil marinho pré-histórico. A pesquisa, publicada nesta quarta-feira na revista Palaeontology, foi feita a partir de um crânio de dois metros de um pliossauro fêmea que habitou as águas do Sul da Inglaterra, há 150 milhões de anos.

Desde sua descoberta até a realização do estudo, o fóssil vinha sendo mantido na coleção do Museu e Galeria de Arte da cidade de Bristol.

A análise do fóssil permitiu aos pesquisadores descobrir sinais de uma degeneração similar à artrite humana, que corroeu a articulação da mandíbula esquerda e provocou o seu deslocamento da parte inferior para um lado.

Judyth Sassoon, autora do artigo e pesquisadora da Universidade de Bristol, acredita que o animal tenha vivido com a mandíbula torta por muitos anos. Ela faz essa afirmação com base nas marcas encontradas na mandíbula inferior, que, provavelmente, foram causadas pelos dentes superiores durante a alimentação.

“Da mesma forma que seres humanos com idade avançada desenvolvem artrite nos quadris, essa ‘senhora’ desenvolveu artrite em sua mandíbula e sobreviveu com esse problema por algum tempo. Mas a fratura não curada indica que em algum momento a mandíbula enfraqueceu e eventualmente quebrou. Com a mandíbula quebrada, o pliossauro não seria capaz de se alimentar e isso provavelmente a levou à morte”, explica Sassoon.

Mike Benton, coautor da pesquisa, explica que doenças semelhantes são encontradas em animais de hoje. “É possível ver esse tipo de deformidades em animais vivos, como crocodilos e em baleias cachalotes. Deve ser doloroso, mas esses animais podem sobreviver por anos com esse tipo de desgaste.”

Para os pesquisadores, o caso desse pliossauro é um raro exemplo de como o estudo de doenças em fósseis de animais, ciência chamada de paleopatologia, pode ajudar os cientistas a reconstruir a história de vida e o comportamento de animais extintos e mostrar que “mesmo um jurássico matador pode sucumbir por doenças causadas pela idade avançada.”

info-pliossauro

Imagem: Veja Ciência

PLIOSSAURO
Os pliossauros são animais parentes de cobras e lagartos. Temidos predadores, os pliossauros ocupavam o topo da cadeia alimentar marinha durante o período jurássico (entre 199 milhões e 145 milhões de anos atrás). Com mandíbulas gigantes e dentes de 20 centímetros de comprimento, esse animal era capaz de estraçalhar suas presas, geralmente lulas, peixes e outros répteis marinhos. Chegavam a ter oito metros de comprimento. Tinham uma cabeça parecida com a dos crocodilos atuais, pescoço curto, corpo similar ao de uma baleia e quatro barbatanas para se movimentar na água.

ARTRITE
Doença provocada por uma reação do próprio corpo que faz as articulações, as junções entre os ossos, se inflamarem, causando dor e inchaço. Mais frequente nas mulheres que nos homens, a artrite atinge 1% da população mundial e aproximadamente 1,5 milhão de brasileiros.

 

 

pliossauro

Autora principal do estudo, Judyth Sassoon, identificou desgastes semelhantes à artrite humana em fóssil de réptil aquático que viveu há 150 milhões de anos (Divulgação/Universidade de Bristol)

Fonte: Veja Ciência


14 de maio de 2012 | nenhum comentário »

‘Primo’ mais antigo dos pandas viveu há 11 milhões de anos na Espanha

Pesquisadores encontraram fósseis dos ursos ‘Agriarctos beatrix’, parentes dos pandas gigantes da atualidade, na Península Ibérica

A análise de fósseis de dentes encontrados no nordeste da Espanha indica que ‘parentes’ do panda gigante, espécie que hoje habita a China, viveram na região há 11 milhões de anos. Essa foi a primeira evidência encontrada de um urso semelhante aos pandas na Península Ibérica.

O fóssil analisado no estudo é de uma nova espécie de urso, Agriarctos beatrix, que foi descoberta no sítio arqueológico de Nombrevilla, na província de Saragoça, na Espanha. “Nós encontramos esse fóssil em escavações feitas há muito tempo, na década de 1980. Nós pensávamos que era de um tipo de urso qualquer, ele estava lá em uma caixa esperando alguém estudá-lo”, explica Jorge Morales, do Museu Nacional de Ciências Naturais e um dos autores do trabalho.

Os resultados da análise do fóssil foram publicados na edição do segundo semestre de 2011 do periódico Estudios Geológicos, mas apenas agora foram divulgados pelos cientistas.

Ainda que a espécie encontrada seja parecia ao panda gigante em aspectos alimentares e de formato dos dentes, as duas espécies diferem bastante em tamanho. “Essa espécie era ainda menor do que o urso malaio [que tem cerca de 1,5 metro de altura e pesa pouco mais de 60 quilos, em média], considerada atualmente a menor espécie de ursos. Ele não deveria pesar mais do que 60 quilos”, afirma Juan Abella, pesquisador do Departamento de Paleobiologia do Museu Nacional de Ciências Naturais e principal autor do estudo. Os pandas gigantes da atualidade pesam cerca de 100 quilos e medem em média 3,5 metros.

Embora seja difícil determinar sua aparência típica, já que foram encontrados apenas fósseis de dentes, os cientistas acreditam que o animal tinha pelo escuro com manchas brancas, principalmente no peito, em volta dos olhos e provavelmente próximas à cauda. “Esse é considerado o padrão de pelo em ursos primitivos”, explica Abella.

Os ursos Agriarctos beatrix teriam vivido na floresta e seriam menos nômades do que espécies que costumam caçar, como os ursos marrom e polar. De acordo com os pesquisadores, esse urso extinto deveria fugir de grandes carnívoros escalando árvores. Segundo Abella, a dieta do animal “deveria ser similar à do urso malaio ou do urso-de-óculos, que come vegetais, frutas, e pouca carne”.

Formato dos dentes — Jorge Morales explica que uma das principais características que aproxima a nova espécie descoberta dos pandas gigantes é a morfologia dos dentes. “Os dentes encontrados tinham formato mais arredondado, característica de animais que quase não se alimentam de carne. Os dentes dos pandas de hoje são menos pontiagudos, já que eles são herbívoros e não precisam ter dentes afiados para cortar carne.”

“Nós sabemos que é uma espécie diferente daquelas documentadas até agora devido a suas diferenças morfológicas e o tamanho de seus dentes”, diz Abella. Para chegar a essas conclusões, os cientistas compararam os fósseis encontrados com dentes de espécies atuais, como ursos marrons e polares.

Ainda que não se possa saber com certeza quais razões levaram essa espécie à extinção, para Abella a causa mais provável é que “a vegetação florestal tenha dado espaço para locais mais secos e abertos que proporcionaram o surgimento de espécies similares, maiores e mais competitivas.”

panda espanha

Cientistas acreditam que o urso do fóssil encontado tinha pelo escuro e manchas brancas em algumas regiões do corpo como na região dos olhos, no peito e na cauda (Ilustração do SINC)

Fonte: Veja Ciência


4 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Brasil e Uruguai abrigam embriões de réptil mais antigos já vistos

Os embriões de réptil mais antigos já vistos, com 280 milhões de anos e pertencentes ao grupo dos mesossauros, foram descobertos na América do Sul, especificamente em Brasil e Uruguai, por uma equipe internacional de paleontólogos, anunciou nesta terça-feira o CNRS, centro nacional de pesquisa científica francês.

Os fósseis indicam que os mesossauros, répteis aquáticos, eram vivíparos, ou seja, pariam crias bem desenvolvidas.

Um “espécime em gestação”, descoberto no Brasil, revela que os mesossauros que povoavam esse território “retinham os embriões no útero durante a maior parte de seu desenvolvimento”, destacou o CNRS em um comunicado.

No Uruguai, Michel Laurin, do CNRS, e seus colegas escavaram 26 espécimes de mesossauros adultos, todos associados a embriões ou a exemplares muito jovens, da mesma época do fóssil brasileiro.

“Estes espécimes, mais ou menos desarticulados, são difíceis de interpretar, mas provavelmente se trata, na maioria, de embriões no útero”, acrescentou o comunicado.

No mesmo local foi encontrado um “ovo isolado de mesossauro”, o que traz uma incógnita, uma vez que os seres vivíparos, a princípio, não se reproduzem em ovos.

Segundo os paleontólogos, que publicaram sua descoberta na revista britânica Historical Biology, os mesossauros do Uruguai punham ovos em um estágio avançado de desenvolvimento do feto e estes ovos deviam eclodir entre vários minutos e vários dias mais tarde.

Em qualquer caso, estes fósseis de embriões são os exemplares mais antigos conhecidos até agora e antecipam “em 60 milhões de anos o aparecimento deste modo de reprodução” vivípara, segundo o CNRS.

 

Fonte: Veja Ciência


28 de março de 2012 | nenhum comentário »

Brasileiro ajuda a descobrir espécie de crocodilo pré-histórico

Animal teria vivido na Terra há 130 milhões de anos, junto com dinossauros.
Crânio com um metro de comprimento foi encontrado no Reino Unido.

Foto do fóssil de crocodilo encontrado por pesquisadores na Inglaterra (Foto: Divulgação)

Foto do fóssil de crocodilo encontrado por pesquisadores na Inglaterra (Foto: Divulgação)

Um brasileiro é um dos responsáveis pela descoberta e descrição de uma nova espécie de crocodilo que teria vivido na Terra há 130 milhões de anos, juntamente com os dinossauros.

A pesquisa se baseou em um crânio fossilizado, com um metro de comprimento, encontrado ao acaso em 2007, nos arredores dos pântanos de Swanage, uma vila litorânea de Dorset, no Sul da Inglaterra.

A espécie batizada de Goniopholis kiplingi foi examinada durante cinco anos por cientistas da Universidade de Bristol, que compararam o fóssil com amostras de outras espécies.

De acordo com Marco Brandalise de Andrade, pós-doutor pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) — e um líder da descoberta, feita em parceria com outros cientistas britânicos — a nova espécie tem parentesco com outros crocodilianos.

“Foi uma experiência fantástica, porque este é provavelmente o exemplar de Goniopholis com melhor preservação já encontrado e eu o tive à disposição por um longo tempo. Foi então que pude verificar o parentesco estreito com outros Goniopholis europeus, mas também suas diferenças, como ossos lacrimais muito mais alongados”, disse Andrade ao G1.

Escritor inspirou nome da espécie
Ainda segundo Andrade, as diferenças permitiram reconhecer a nova espécie. O nome G. kiplingi foi em homenagem ao autor Rudyard Kipling, que escreveu a obra “O Livro da Selva” (a história no Brasil é conhecida como “Mogli, o menino lobo”).

“O autor influenciou um grande número de pessoas, eu inclusive, a gostar das ciências naturais”, disse Andrade.

O réptil media entre quatro e cinco metros do nariz à ponta da cauda, se alimentava de peixes, tartarugas e, provavelmente, de pequenos dinossauros que habitavam os pântanos e lagos das florestas tropicais.

Embora outros restos do Goniopholis já tenham sido encontrados na Inglaterra há mais de um século, os ossos do crânio descoberto são mais alongados, além de apresentarem outras diferenças sutis em sua mandíbula superior.

Tecnologias avançadas de scanner e reconstrução por computador foram utilizadas na análise do fóssil para elaborar um modelo em 3D. A descoberta deve ajudar os pesquisadores a calcular o número de espécies, já que esta espécie teria vivido apenas na Inglaterra.

AEu (esquerda), Ray Barnet (Royal Vet College London) e Remmert Schouten (co-autor, Univ. de Bristol) no Royal Veterinary College London, quando fomos fazer a tomografia do espécime.  (Foto: Divulgação)

O pesquisador brasileiro Marco de Andrade, junto com Ray Barnet e Remmert Schoutenm co-autores do estudo científico, no dia em que foram realizar a tomografia do crânio do crocodilo pré-histórico. (Foto: Divulgação)

Fonte:G1


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