14 de janeiro de 2012 | nenhum comentário »

Funai vê indícios de tribo isolada perto de área de construção de usinas

Vestígios de povos indígenas isolados foram encontrados no sul da Amazônia, entre os estados do Amazonas e Rondônia, segundo um relatório que está sendo preparado pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e que deve ser concluído em breve.

Pegadas e galhos quebrados (que indicam sinalização dentro da floresta) foram encontrados em outubro por integrantes da Expedição da Frente de Proteção Etnoambiental do Madeira, que percorre a Terra Indígena Jacareúba Katauixi, uma área de 4.530 km² (quase três vezes o tamanho da cidade de São Paulo) nas proximidades do Rio Madeira. Na época, o grupo também ouviu vozes.

Caso o encontro desta população seja confirmado, a aldeia estará localizada a 30 km da área onde são construídos os complexos hidrelétricos de Jirau e Santo Antônio, em Porto Velho (RO), usinas que utilizarão as águas do Rio Madeira. A Terra Indígena compreende ainda as cidades de Humaitá, Lábrea e Canutama, todas no Amazonas.

“A presença de índios isolados nesta região é histórica. Essa informação consta em nosso banco de dados há pelo menos 20 anos e também aparece nos estudos feitos pelos empreendedores antes do início da construção”, disse Carlos Travassos, coordenador geral do Departamento de índios isolados da Funai.

Posição das hidrelétricas – Segundo Antônio Luiz Abreu Jorge, diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da empresa Energia Sustentável do Brasil, responsável pela administração de Jirau, existe um convênio firmado entre a Funai, a companhia e o empreendedor responsável pela usina de Santo Antônio que repassou R$ 12 milhões à Fundação para intensificar os trabalhos com índios e ações emergenciais.

“O encontro desta população é resultado deste trabalho e a usina está bem distante do possível local onde eles devem estar, ou seja, não há risco da obra impactá-los”, afirma. A usina deve iniciar sua operação comercial em outubro deste ano.

A assessoria de imprensa da Santo Antônio Energia, concessionária responsável pela futura operação e comercialização da outra usina, informou que aguarda um posicionamento oficial da Funai sobre a existência desse grupo.

Proteção – Para o representante da Funai, a possibilidade da existência de povos indígenas nesta região fez o governo federal criar uma portaria que restringe o uso da área, até que a confirmação fosse feita pela Fundação. Novas expedições serão realizadas por equipes da Funai ao longo de 2012.

“A partir da comprovação, vamos tomar medidas cautelares. Um novo desenho será realizado para demarcar a terra. Eles precisam de um território intacto, com água limpa. Não pode ter gente por lá, porque isso afeta a condição física dessas pessoas”, complementa.

“Mantemos a localização exata sob sigilo, pois sabemos da presença de especuladores de terra, de exploradores ilegais do meio ambiente e a divulgação de onde exatamente eles (índios isolados) estão pode colocá-los em risco”, disse Travassos. Imagens dos vestígios não foram divulgadas para proteção da aldeia.

Ele afirma que a existência da tribo aumentaria a fiscalização sobre as obras das usinas hidrelétricas no Rio Madeira. “O regimento (de fiscalização) terá de ser mais atencioso sobre as questão dos impactos ambientais”, disse.

Fonte: Eduardo Carvalho/ Glauco Araújo/ Globo Natureza


25 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Onça é abatida após atacar cadela em base da Funai no Acre

Sertanista que estuda índios isolados registrou o ocorrido nesta terça-feira.
Região é a mesma onde PF prendeu traficante português no início do mês.

Uma onça pintada foi abatiada por homens da Força Nacional de Segurança e da Fundação Nacional do Índio (Funai), na noite desta terça-feira (24), após invadir e matar uma cadela da Frente de Proteção Etnoambiental da fundação, em Feijó (AC), perto da fronteira do Brasil com o Peru.

“E depois acham que nós que trabalhamos na mata devemos andar desarmados. Vejam quem matou um cachorro na porta de casa aqui na base, nesta terça-feira. Além dos traficantes, ainda tem desses bichinhos. Alguém em sã consciência quer morar aqui sem arma? Ou devemos ligar para o Ibama ou para a Funai quando ela entrar em casa?”, disse o sertanista José Carlos dos Reis Meirelles.

A região é a mesma onde a Polícia Federal (PF) prendeu um traficante português no começo deste mês. A Funai havia denunciado a que um grupo armado vindo do Peru estaria rondando região onde habitam indígenas isolados, no entorno do Rio Envira, no oeste do Acre.

Onça tinha acabado de atacar uma cadela em base da Funai, no Acre (Foto: Arquivo pessoal/José Carlos dos Reis Meirelles)

Onça tinha acabado de atacar uma cadela em base da Funai, no Acre (Foto: Arquivo pessoal/José Carlos dos Reis Meirelles)

Rastro de sangue deixado por onça pintada após atacar cadela da Funai (Foto: Arquivo pessoal/José Carlos dos Reis Meirelles)

Rastro de sangue deixado por onça pintada após atacar cadela da Funai (Foto: Arquivo pessoal/José Carlos dos Reis Meirelles)

Fonte: Do G1, São Paulo


24 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Funai identifica novo povo isolado em terra indígena no Amazonas

Malocas avistadas em sobrevoo confirmaram existência de povo indígena. (Foto: Funai/Divulgação)

Malocas avistadas em sobrevoo confirmaram existência de povo indígena. (Foto: Funai/Divulgação)

Estima-se que haja 200 pessoas vivendo no local, no sudoeste do estado.
Exploração da floresta ameaça grupos sem contato com mundo exterior.

Um novo grupo de índios isolados – ou seja, sem contato com o “homem branco” – foi identificado pela Funai na Terra Indígena Vale do Javari, no sudoeste do Amazonas.

Em sobrevoo, foram avistadas três clareiras com quatro grandes malocas. As clareiras já haviam sido localizadas por satélite anteriormente, mas a existência do povo desconhecido só se confirmou na expedição, realizada em abril.

Estima-se que haja 200 pessoas vivendo no local, segundo comunicado da fundação responsável por zelar pelos indígenas no Brasil divulgado nesta segunda (20).

De acordo com a Funai, a roça que há no local, bem como as malocas, são novas – datam de, no máximo, um ano. O estado da palha usada na construção e a plantação de milho indicam isso. Além do milho, há banana e uma vegetação rasteira que parece ser amendoim, entre outras culturas. As observações preliminares da Funai indicam que o grupo pode pertencer à família linguística pano, que se estende pela Amazônia brasileira, peruana e boliviana.

Ameaças ambientais
A Terra Indígena Vale do Javari é considerada a maior concentração de grupos isolados no mundo, de acordo com a Funai. Entre as principais ameaças a esses grupos estão a pesca ilegal, a caça, a exploração madeireira, o garimpo, atividades agropastoris com grandes desmatamentos, ações missionárias e problemas fronteiriços, como o narcotráfico.

A Funai reconhece a existência de 14 grupos de isolados no Vale do Javari. Esse levantamento, contudo, está em reformulação, e o número pode aumentar. Atualmente há oito grupos de índios isolados identificados concretamente por sobrevoo ou por expedições terrestres.

Indígenas isolados cultivam banana e milho. (Foto: Funai/Divulgação)

Indígenas isolados cultivam banana e milho. (Foto: Funai/Divulgação)

Entre 2006 e 2010, foram localizados mais de 90 indícios da ocupação territorial desses grupos, como roças e malocas. Por isso, acredita-se que haja uma população de aproximadamente 2 mil pessoas na Terra Indígena do Vale do Javari.

Sem contato
Ao contrário do que ocorreu ao longo de toda a história brasileira, desde 1987 a Funai decidiu não fazer mais contato com tribos que ainda estavam isoladas. Chegou-se à conclusão de que o contato sempre foi prejudicial e que se eles sabem onde está o “branco” e os outros índios e não os procuram, é porque não querem se aproximar. Desde então, muitas tribos passaram a viver, sem saber, dentro de reservas indígenas.

620x454-javari

Fonte: Globo Natureza, em São Paulo.






Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

novembro 2018
S T Q Q S S D
« mar    
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  

14 de janeiro de 2012 | nenhum comentário »

Funai vê indícios de tribo isolada perto de área de construção de usinas

Vestígios de povos indígenas isolados foram encontrados no sul da Amazônia, entre os estados do Amazonas e Rondônia, segundo um relatório que está sendo preparado pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e que deve ser concluído em breve.

Pegadas e galhos quebrados (que indicam sinalização dentro da floresta) foram encontrados em outubro por integrantes da Expedição da Frente de Proteção Etnoambiental do Madeira, que percorre a Terra Indígena Jacareúba Katauixi, uma área de 4.530 km² (quase três vezes o tamanho da cidade de São Paulo) nas proximidades do Rio Madeira. Na época, o grupo também ouviu vozes.

Caso o encontro desta população seja confirmado, a aldeia estará localizada a 30 km da área onde são construídos os complexos hidrelétricos de Jirau e Santo Antônio, em Porto Velho (RO), usinas que utilizarão as águas do Rio Madeira. A Terra Indígena compreende ainda as cidades de Humaitá, Lábrea e Canutama, todas no Amazonas.

“A presença de índios isolados nesta região é histórica. Essa informação consta em nosso banco de dados há pelo menos 20 anos e também aparece nos estudos feitos pelos empreendedores antes do início da construção”, disse Carlos Travassos, coordenador geral do Departamento de índios isolados da Funai.

Posição das hidrelétricas – Segundo Antônio Luiz Abreu Jorge, diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da empresa Energia Sustentável do Brasil, responsável pela administração de Jirau, existe um convênio firmado entre a Funai, a companhia e o empreendedor responsável pela usina de Santo Antônio que repassou R$ 12 milhões à Fundação para intensificar os trabalhos com índios e ações emergenciais.

“O encontro desta população é resultado deste trabalho e a usina está bem distante do possível local onde eles devem estar, ou seja, não há risco da obra impactá-los”, afirma. A usina deve iniciar sua operação comercial em outubro deste ano.

A assessoria de imprensa da Santo Antônio Energia, concessionária responsável pela futura operação e comercialização da outra usina, informou que aguarda um posicionamento oficial da Funai sobre a existência desse grupo.

Proteção – Para o representante da Funai, a possibilidade da existência de povos indígenas nesta região fez o governo federal criar uma portaria que restringe o uso da área, até que a confirmação fosse feita pela Fundação. Novas expedições serão realizadas por equipes da Funai ao longo de 2012.

“A partir da comprovação, vamos tomar medidas cautelares. Um novo desenho será realizado para demarcar a terra. Eles precisam de um território intacto, com água limpa. Não pode ter gente por lá, porque isso afeta a condição física dessas pessoas”, complementa.

“Mantemos a localização exata sob sigilo, pois sabemos da presença de especuladores de terra, de exploradores ilegais do meio ambiente e a divulgação de onde exatamente eles (índios isolados) estão pode colocá-los em risco”, disse Travassos. Imagens dos vestígios não foram divulgadas para proteção da aldeia.

Ele afirma que a existência da tribo aumentaria a fiscalização sobre as obras das usinas hidrelétricas no Rio Madeira. “O regimento (de fiscalização) terá de ser mais atencioso sobre as questão dos impactos ambientais”, disse.

Fonte: Eduardo Carvalho/ Glauco Araújo/ Globo Natureza


25 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Onça é abatida após atacar cadela em base da Funai no Acre

Sertanista que estuda índios isolados registrou o ocorrido nesta terça-feira.
Região é a mesma onde PF prendeu traficante português no início do mês.

Uma onça pintada foi abatiada por homens da Força Nacional de Segurança e da Fundação Nacional do Índio (Funai), na noite desta terça-feira (24), após invadir e matar uma cadela da Frente de Proteção Etnoambiental da fundação, em Feijó (AC), perto da fronteira do Brasil com o Peru.

“E depois acham que nós que trabalhamos na mata devemos andar desarmados. Vejam quem matou um cachorro na porta de casa aqui na base, nesta terça-feira. Além dos traficantes, ainda tem desses bichinhos. Alguém em sã consciência quer morar aqui sem arma? Ou devemos ligar para o Ibama ou para a Funai quando ela entrar em casa?”, disse o sertanista José Carlos dos Reis Meirelles.

A região é a mesma onde a Polícia Federal (PF) prendeu um traficante português no começo deste mês. A Funai havia denunciado a que um grupo armado vindo do Peru estaria rondando região onde habitam indígenas isolados, no entorno do Rio Envira, no oeste do Acre.

Onça tinha acabado de atacar uma cadela em base da Funai, no Acre (Foto: Arquivo pessoal/José Carlos dos Reis Meirelles)

Onça tinha acabado de atacar uma cadela em base da Funai, no Acre (Foto: Arquivo pessoal/José Carlos dos Reis Meirelles)

Rastro de sangue deixado por onça pintada após atacar cadela da Funai (Foto: Arquivo pessoal/José Carlos dos Reis Meirelles)

Rastro de sangue deixado por onça pintada após atacar cadela da Funai (Foto: Arquivo pessoal/José Carlos dos Reis Meirelles)

Fonte: Do G1, São Paulo


24 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Funai identifica novo povo isolado em terra indígena no Amazonas

Malocas avistadas em sobrevoo confirmaram existência de povo indígena. (Foto: Funai/Divulgação)

Malocas avistadas em sobrevoo confirmaram existência de povo indígena. (Foto: Funai/Divulgação)

Estima-se que haja 200 pessoas vivendo no local, no sudoeste do estado.
Exploração da floresta ameaça grupos sem contato com mundo exterior.

Um novo grupo de índios isolados – ou seja, sem contato com o “homem branco” – foi identificado pela Funai na Terra Indígena Vale do Javari, no sudoeste do Amazonas.

Em sobrevoo, foram avistadas três clareiras com quatro grandes malocas. As clareiras já haviam sido localizadas por satélite anteriormente, mas a existência do povo desconhecido só se confirmou na expedição, realizada em abril.

Estima-se que haja 200 pessoas vivendo no local, segundo comunicado da fundação responsável por zelar pelos indígenas no Brasil divulgado nesta segunda (20).

De acordo com a Funai, a roça que há no local, bem como as malocas, são novas – datam de, no máximo, um ano. O estado da palha usada na construção e a plantação de milho indicam isso. Além do milho, há banana e uma vegetação rasteira que parece ser amendoim, entre outras culturas. As observações preliminares da Funai indicam que o grupo pode pertencer à família linguística pano, que se estende pela Amazônia brasileira, peruana e boliviana.

Ameaças ambientais
A Terra Indígena Vale do Javari é considerada a maior concentração de grupos isolados no mundo, de acordo com a Funai. Entre as principais ameaças a esses grupos estão a pesca ilegal, a caça, a exploração madeireira, o garimpo, atividades agropastoris com grandes desmatamentos, ações missionárias e problemas fronteiriços, como o narcotráfico.

A Funai reconhece a existência de 14 grupos de isolados no Vale do Javari. Esse levantamento, contudo, está em reformulação, e o número pode aumentar. Atualmente há oito grupos de índios isolados identificados concretamente por sobrevoo ou por expedições terrestres.

Indígenas isolados cultivam banana e milho. (Foto: Funai/Divulgação)

Indígenas isolados cultivam banana e milho. (Foto: Funai/Divulgação)

Entre 2006 e 2010, foram localizados mais de 90 indícios da ocupação territorial desses grupos, como roças e malocas. Por isso, acredita-se que haja uma população de aproximadamente 2 mil pessoas na Terra Indígena do Vale do Javari.

Sem contato
Ao contrário do que ocorreu ao longo de toda a história brasileira, desde 1987 a Funai decidiu não fazer mais contato com tribos que ainda estavam isoladas. Chegou-se à conclusão de que o contato sempre foi prejudicial e que se eles sabem onde está o “branco” e os outros índios e não os procuram, é porque não querem se aproximar. Desde então, muitas tribos passaram a viver, sem saber, dentro de reservas indígenas.

620x454-javari

Fonte: Globo Natureza, em São Paulo.