14 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas decifram DNA de espécie de camelo ameaçado de extinção

Pesquisa quer saber como animal sobrevive a temperaturas extremas.
Estudo foi publicado na revista científica ‘Nature Communications’.

Uma equipe de cientistas chineses anunciou nesta terça-feira (13) ter decifrado o DNA do camelo-bactriano (Camelus bactrianus), considerado passo fundamental para conhecer o metabolismo deste animal emblemático dos desertos da Mongólia e que corre risco de desaparecer da natureza.

O estudo, publicado na revista “Nature Communications”, foi feito por geneticistas da Universidade de Jiatong, em Xangai. Eles analisaram o genoma dos camelos-bactrianos e viram que esses animais possuem 28.821 codificados, sendo que 2.730 desses genes evoluem mais rapidamente se comparado ao de outros animais ruminantes.

Para se adaptar às condições do Deserto de Gobi, que encobre parte da China e da Mongólia e registra temperaturas extremas, o camelo-bactriano desenvolveu a capacidade de sobreviver muito mais tempo sem comida e água, armazenando gordura em seu abdômen e nas duas corcovas.

Organismo resistente
O organismo desta espécie é capaz de suportar uma temperatura interna que oscila entre 34 ºC e 41 °C ao longo do dia, seu nível de açúcar no sangue é duas vezes mais elevado que nos demais ruminantes e ele pode consumir oito vezes mais sal, sem sofrer de diabetes ou hipertensão.

Os geneticistas descobriram no DNA do camelo numerosos genes envolvidos nos mecanismos do diabetes tipo 2 e da insulina. Também encontraram onze cópias do gene CYP2J, relacionado à tensão arterial e a uma alimentação muito salgada. O cavalo e o homem têm apenas um exemplar deste gene.

Os pesquisadores também identificaram neste animal uma série de genes que poderão explicar a presença de anticorpos de alta eficiência: uma forma de imunoglobulina, menor e mais estável, que apenas os camelídeos possuem.

Exemplares de camelo-bactriano são vistos na cidade de Khanbogd, na Mongólia (Foto: Mark Ralston/AFP)

Exemplares de camelo-bactriano são vistos na cidade de Khanbogd, na Mongólia (Foto: Mark Ralston/AFP)

Fonte: Globo Natureza


26 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Brasileiros vão decifrar genomas do papagaio e do sabiá-laranjeira

Não é todo dia que uma imagem de Zé Carioca ilustra uma apresentação sobre genômica, mas o malandro arquetípico da Disney tinha um bom motivo para figurar no Powerpoint de Francisco Prosdocimi, da UFMG (Universidade Federal de Minas): o tema era o genoma “dele”.

Ou melhor, o do papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), que está entre as espécies mais comuns do bicho em cativeiro. O objetivo de Prosdocimi e seus colegas é vasculhar o DNA da ave em busca de pistas que ajudem a explicar sua proverbial tagarelice.

Para atingir esse objetivo, o papagaio-verdadeiro não é o único alvo. O grupo de cientistas, batizado de Sisbioaves, pretende sequenciar (grosso modo, “soletrar”) o genoma de outras espécies tipicamente brasileiras, como o sabiá-laranjeira e o bem-te-vi.

Em comum, esses bichos possuem o chamado aprendizado vocal -a capacidade, similar à dos seres humanos, de aprender padrões de vocalização ao longo da vida.

Detalhes sobre o projeto foram apresentados durante o 58º Congresso Brasileiro de Genética, em Foz do Iguaçu.

“A gente sabe que o aprendizado vocal é polifilético [ou seja, evoluiu mais de uma vez em linhagens sem parentesco próximo]“, explica Claudio Mello, brasileiro que trabalha na Universidade de Saúde e Ciência do Oregon (Estados Unidos).

“Portanto, se a gente encontrar genes relevantes para esse comportamento que são compartilhados entre os vários grupos de aves e os humanos, provavelmente isso quer dizer que eles representam a base do aprendizado vocal”, diz Mello.

Na maioria das aves, afirma Mello, existe o chamado período crítico de aprendizado — uma fase da “infância” do bicho na qual ele precisa ser exposto ao canto de outro animal para que ele aprenda a cantar de forma apropriada, coisa que também se verifica no caso da fala humana. Já os papagaios parecem ser mais versáteis, sendo capazes de aprender a imitar sons humanos em praticamente qualquer fase de sua vida.

A estimativa de Prosdocimi e de sua colega Maria Paula Schneider, da UFPA (Universidade Federal do Pará), é que a leitura dos genomas do papagaio e do sabiá-laranjeira esteja concluída em meados do ano que vem.

Segundo o pesquisador da UFMG, que é bioinformata (especialista na análise computacional de dados biológicos), espera-se que os bichos tenham genomas relativamente compactos, com menos da metade do tamanho do genoma humano.

Os pesquisadores ainda não encontraram, nos papagaios, o equivalente ao gene FOXP2, hoje um dos grandes candidatos a influenciar a capacidade humana para a fala. Mas não é só o lado vocal que interessa aos cientistas.

Prosdocimi destaca que os papagaios são inteligentes de modo geral. E vivem muito, passando dos 70 anos, o que traria pistas sobre as bases genéticas da longevidade.

Editoria de Arte/Folhapress

Fonte: Folha.com


26 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Mudanças no DNA podem afetar comportamento de abelhas

Pesquisadores mostram que a alteração de alguns genes pode levar insetos a trocar de função dentro da colmeia

Cientistas da Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, descobriram a primeira evidência de que o comportamento das abelhas — e possivelmente de outros animais — pode ser alterado por mudanças epigenéticas em seus genes. A pesquisa, publicada neste domingo no site da revista Nature Neuroscience, mostrou que essas mudanças podem alterar a função desempenhada pela abelha na colmeia — e podem ser revertidas a fim de trazer o comportamento original de volta.

Os cientistas procuraram no DNA das abelhas alterações químicas conhecidas como metilações, que podem ser introduzidas e retiradas sem alterar a sequência genética original. A metilação de trechos do DNA já havia se mostrado importante na regulação da atividade genética. Pesquisas anteriores haviam mostrado que ela pode agir, por exemplo, na determinação de qual o destino de uma célula-tronco e no surgimento de células tumorais.

Neste estudo, a intenção dos pesquisadores foi descobrir se a metilação, ao alterar a forma como os genes se expressam, poderia afetar o comportamento de um animal. Para isso, eles analisaram o DNA do cérebro de abelhas operárias de duas “profissões” diferentes.

Todas as abelhas operárias são fêmeas e, dentro da mesma colmeia, todas são geneticamente idênticas. Mesmo assim, elas podem realizar trabalhos diferentes. As abelhas nutrizes, por exemplo, permanecem na colmeia para cuidar da rainha e das larvas. Quando ficam mais velhas, elas podem se tornar abelhas campeiras, que saem em busca de pólen e outros suprimentos para a comunidade.

“Os genes não são capazes de explicar as diferenças entre os dois tipos de comportamento”, diz Andy Feinberg, professor de medicina molecular e diretor do Centro de Epigenética do Instituto de Ciências Biomédicas Básicas da Universidade Johns Hopkins. “Mas a epigenética – e seu controle sobre os genes – pode.”

Teste vocacional — Os pesquisadores realizaram a experiência em uma colmeia nova, habitada por abelhas da mesma idade. Desse modo, eles evitaram a possibilidade de as diferenças entre os insetos ocorrerem por conta da idade. “Quando abelhas de mesma idade entram em uma nova colmeia, elas dividem suas tarefas de modo a manter uma proporção correta de nutrizes e campeiras”, diz Gro Amdam, especialista em abelhas da Universidade Estadual do Arizona e um dos autores do estudo.

Ao analisar os padrões de metilação do DNA no cérebro de 21 abelhas nutrizes e 21 campeiras, os pesquisadores encontraram 155 regiões que haviam sofrido alteração. Os genes alterados eram em sua maioria regulatórios, conhecidos por afetar o funcionamento de outros genes.

Em seguida, os cientistas quiseram descobrir se essas mudanças epigenéticas eram permanentes. Para isso, retiraram todas as abelhas nutrizes da colmeia. “Quando há poucas abelhas nutrizes, as campeiras podem tomar seu lugar, voltando à sua profissão anterior”, diz Gro Amdam.

Depois de algumas semanas, os pesquisadores voltaram a procurar diferenças nos padrões de metilação de seu DNA. Dessa vez, encontraram 107 regiões diferentes entre as campeiras e as que haviam se tornado nutrizes, sugerindo que as marcações epigenéticas não eram permanentes, mas podiam ser revertidas no dia a dia da colmeia.

Dessas 107 regiões, 57 já haviam sido identificadas entre as 155 que se alteram quando as nutrizes amadurecem para campeiras. Segundo os pesquisadores, essas 57 regiões parecem decisivas para diferenciar o comportamento das campeiras e nutrizes. Os cientistas dizem que o resultado pode ajudar a compreender questões comportamentais complexas em seres humanos, como o aprendizado, memória, respostas ao estresse e desordens de comportamento, que também envolvem interações entre componentes genéticos e a epigenéticos.

Saiba mais

EPIGENÉTICA
É o nome que se dá para as mudanças que acontecem nos genes sem, no entanto, alterar o código genético de um indivíduo. É diferente de uma mutação. Em uma mutação, o código genético é alterado. Já a mudança epigenética só altera a forma como um gene funciona. Essa mudança pode ser causada por fatores ambientais, como poluição ou mesmo pela prática de exercícios, e pode ser passada para as gerações seguintes.

CÉLULAS-TRONCO
Também chamadas de células-mãe, podem se transformar em qualquer um dos tipos de células do corpo humano e dar origens a outros tecidos, como ossos, nervos, músculos e sangue. Por essa versatilidade, elas vêm sendo testadas na regeneração de tecidos e órgãos de pessoas doentes.

abelhas

As abelhas operárias podem trabalhar dentro da colmeia ou fora, recolhendo pólen. O estudo mostrou que as tarefas desempenhadas são decididas pela metilação do DNA (Thinkstock)

Fonte: Veja Ciência


26 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Análise genética aponta cruzamento entre ursos-polares e pardos

Estudo diz ainda que separação das espécies remonta a 5 milhões de anos.
Mudanças climáticas influenciaram distribuição dos ursos-polares.

Um novo estudo com análise de genomas de ursos-polares sugere que a história dessa espécie está relacionada às mudanças climáticas no planeta e ao intercâmbio genético com os ursos-pardos. A pesquisa indica que os ursos-polares se tornaram uma espécie distinta cerca de 4 milhões ou 5 milhões de anos atrás – e não apenas há 600 mil anos, como sugeria uma trabalho anterior -, mas os animais podem ter continuado cruzando com ursos-pardos até muito mais recentemente.

Liderado pela Penn State University e pela Universidade de Buffalo, ambas dos EUA, o estudo encontrou evidências de que o tamanho da população de ursos-polares acompanhou os principais eventos climáticos nos últimos milhões de anos – crescendo durante os períodos de resfriamento e diminuindo em épocas mais quentes.

Esses cruzamentos com os “primos” pardos pode ter ocorrido em consequência de mudanças climáticas ao longo do tempo, já que, de acordo com as temperaturas médias do planeta, as populações desses dois tipos de mamíferos viveram em regiões mais próximas ou mais distantes.

“Talvez nós tenhamos um indício de que em tempos muito quentes, ursos polares mudaram seu estilo de vida, entraram em contato e cruzaram com ursos-pardos”, disse Stephan Schuster, coautor da pesquisa. O estudo saiu nesta segunda-feira (23) na edição online da revista “PNAS”, da Academia Nacional de Ciências, dos EUA.

Urso-polar e urso-pardo. (Foto: Hansruedi Weyrich/Science e Bernd Wuestneck/AFP)

Urso-polar e urso-pardo. (Foto: Hansruedi Weyrich/Science e Bernd Wuestneck/AFP)

Fonte: G1


15 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas decodificam código genético do bonobo

Com o sequenciamento genético de um dos parentes mais próximos do homem, os cientistas esperam descobrir como era o ancestral comum entre o ser humano e outros primatas

Um grupo internacional de cientistas decodificou o código genético do bonobo. Entre os símios – grupo de primatas formado por orangotangos, chimpanzés, gorilas e bonobos -, esse é o último a ter seu genoma decodificado. O sequenciamento genético do bonobo foi publicado nesta terça-feira na revista Nature.

Para realizar a pesquisa, os cientistas obtiveram dados de Ulindi, uma fêmea de bonobo do zoológico de Leipzig, na Alemanha. Com essa informação genética, os cientistas esperam conhecer melhor a linhagem humana.

Semelhanças e diferenças — A comparação entre os genomas do bonobo, do chimpanzé e do homem mostrou que os humanos têm uma diferenciação de 1,3% de ambos. Chimpanzés e bonobos são mais próximos: a diferença genética entre eles é de apenas 0,4%

Embora sejam similares em muitos aspectos, os símios africanos diferem em comportamentos sociais e sexuais importantes e alguns demonstram mais similaridade com os humanos do que entre si.

Para o cientista Kay Pruefer, biólogo do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva (Alemanha), a pesquisa forneceu mais informações sobre bonobos e chimpanzés do que sobre os humanos.

Em busca do ancestral comum — “Esperamos que o entendimento das diferenças entre bonobos e chimpanzés nos ajude, um dia, a entender como era o ancestral comum (de humanos, chimpanzés e bonobos)”, disse Pruefer. ”Seria muito interessante descobrir qual foi o traço que os humanos adquiriram em sua evolução ao longo de milhões de anos”, concluiu.

Os cientistas explicaram que o sequenciamento genético demonstrou que bonobos e chimpanzés não se misturaram ou cruzaram entre si depois que seus caminhos se separaram geograficamente, cerca de dois milhões de anos atrás, provavelmente na época da formação do Rio Congo.

Chimpanzés

Os machos competem agressivamente por domínio e sexo e unem forças para defender seu território atacando outros grupos.

Esses animais se espalham ao longo da África equatorial.

Bonobos

Os machos costumam ser subordinados às fêmeas, não competem por hierarquia e não tomam parte em confrontos. São animais brincalhões e fazem sexo por diversão, não apenas para se reproduzir.

Estão restritos ao sul do Rio Congo, na República Democrática do Congo. Devido ao seu hábitat pequeno e remoto, os bonobos foram a última espécie de símios “descoberta” nos 1920, e são os mais raros de todos os símios em cativeiro.

Espécie de chimpanzé banobo

Cientistas divulgaram nesta terça-feira o sequenciamento genético dos bonobos, um dos parentes mais próximos do homem (Issouf Sanogo/AFP)

Fonte: Veja Ciência


4 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Embate entre conservacionistas define futuro de cavalos selvagens

Com a chegada do verão, as praias da ilha Corolla, na Carolina do Sul, Estados Unidos, ficarão repletas de carros e banhistas, mas na baixa estação o terreno é deixado para os cavalos selvagens. Pequenos, com uma coloração que varia entre o castanho e o preto, eles passeiam por entre as casas de veraneio em manadas de cinco ou seis.

Milhares desses cavalos já perambularam por todos os Outer Banks da Carolina do Norte, e eles são os prováveis descendentes das montarias que pertenceram aos exploradores espanhóis, cinco séculos atrás. Mas, agora, seu número diminuiu para umas poucas centenas de animais, das quais os mais conhecidos vivem na reserva federal de Shackleford Banks.

Contudo, a maior manada, que recentemente chegou a quase 140 garanhões, ocupa mais de 3.000 hectares de um terreno estreito que se estende do fim da Rodovia 12, em Corolla, até a divisa com a Virgínia, 11 quilômetros ao norte. Sem predadores naturais e presos pelas cercas que se lançam sobre o Atlântico agitado, o endocruzamento da manada é tão intenso que seus defensores temem que um colapso genético ocorra em questão de algumas gerações.

Seus apoiadores estão realizando uma campanha para salvar a manada de Corolla, e eles têm aliados poderosos no Congresso. Em fevereiro, a Câmara aprovou uma lei que mantêm a manada em cerca de 120 indivíduos e que permite a importação de novas éguas de Shackleford para introduzir genes frescos.

Conservacionistas da vida selvagem afirmam que a questão não é tão simples. As praias, pântanos, pradarias e florestas próximas de Corolla são uma parada para bandos de aves migratórias ameaçadas de extinção, e são o lugar onde as tartarugas marinhas põem seus ovos. Grande parte da área ocupada pelos cavalos pertence ao Refúgio Nacional de Vida Selvagem Currituck, e os defensores do habitat nativo temem que o atual tamanho das manadas sobrecarregue o ecossistema.

O futuro dos cavalos levanta questões mais amplas, como a de se um animal pode ser preservado em detrimento de outro – e quem deve decidir isso.

“Estamos falando sobre valores”, afirmou Michael Hutchins, diretor executivo da Wildlife Society, que representa biólogos e gestores da vida selvagem que se opõem à medida aprovada pela Câmara. “Eu gosto de cavalos; acredito que eles sejam animais fascinantes. Mas eu também valorizo profundamente o pouco que restou de nossas espécies nativas e de seus habitats.”

Ambos os lados invocam a ciência para defender sua causa. Mas os dados são esparsos e um estudo amplo sobre o impacto dos cavalos não deve ficar pronto antes do ano que vem.

Na arena dos sentimentos públicos e políticos, os cavalos ganham com facilidade. A ligação entre cavalos e seres humanos existe há séculos; esse é o animal que puxou os arados, que carregou os exércitos e os colonos em nome da civilização.

“Deus colocou essa coisa tão linda aqui – como podemos não querer protegê-la?”, afirmou Betty Lane, de 70 anos, que vive na região há mais de 40 anos, enquanto dirigia seu furgão como parte da patrulha civil que protege os cavalos. (Ela parou depois de confundir o repórter com um turista que tentava se aproximar demais dos cavalos, contrariando a lei da cidade.) Ela usava um colar com o nome Spec, em homenagem a um garanhão que foi atropelado por um motorista na praia.

A dedicação aos cavalos selvagens é algo tão arraigado nesta e em outras regiões, que muitos de seus apoiadores chegam a se irritar quando dizem que os animais “não são nativos”, citando fósseis que comprovam que cavalos viveram na América do Norte há mais de 11.000 anos, antes de serem extintos juntamente com outras criaturas do Pleistoceno, como os mastodontes.

Os cavalos selvagens de Corolla não surgiram aqui. Eles são animais domesticados que perderam sua domesticidade. Ainda que alguns céticos questionem se os cavalos são realmente espanhóis, uma pesquisa realizada pelo Grupo de Conservação das Raças Pecuárias dos Estados Unidos, além de outros grupos, observou as costas curtas dos cavalos, suas caudas baixas e outras características que os diferenciam dos demais animais norte-americanos. Uma análise de DNA, publicada em fevereiro na revista Animal Genetics, também aponta para uma origem comum entre esses cavalos, sugerindo que eles possam ser uma relíquia viva de uma variedade ibérica que não existe em nenhuma outra parte.

O estudo também confirma os medos de que o endocruzamento entre os cavalos esteja se tornando perigosamente grande. “Há manadas selvagens com pouca diversidade, mas não muitas”, afirmou Gus Cothran, especialista em genética equina na Universidade Texas A&M e principal autor do relatório. Ele afirma que uma manada de 60 animais seria capaz de sobreviver, desde que novas éguas fossem introduzidas no grupo a cada geração (cerca de oito anos). A lei federal estipula manadas de 110 a 130 animais, segundo Cothran, o número mínimo poderia diminuir a velocidade da erosão genética, caso os animais fossem mantidos isolados.

“Não estamos pedindo centenas de cavalos”, afirmou Karen McCalpin, diretora da Fundação Corolla de Cavalos Selvagens, que protege e cuida dos cavalos, realizando projetos de conscientização pública a seu respeito. O cerne do desentendimento com os conservacionistas da vida selvagem está no número de cavalos que o habitat é capaz de suportar. “Caso eles fossem prejudiciais ao meio ambiente”, afirmou, “isso já não seria evidente a essa altura?”.

Se não fosse pelas pessoas, essa questão seria mais fácil de responder. Outras manadas de cavalos dos Outer Banks vivem em áreas praticamente livres da presença humana. Mas os cavalos de Corolla vivem quase exclusivamente das terras e das paisagens humanas. Promotores de turismo gostam de mostrar cavalos brincando na areia e na arrebentação, com suas crinas balançando majestosamente ao vento. Contudo, é igualmente provável que esses animais sejam avistados pastando próximos às calçadas.

Além da genética, os turistas representam um perigo para as manadas: seja por colisões com motoristas distraídos, ou porque visitantes em busca de boas fotos burlam as regras do local, que criminalizam o ato de alimentar ou de se aproximar a menos de 15 metros de um cavalo, No último verão, um potro de duas semanas morreu por consequência de uma obstrução intestinal após comer cascas de melancia dadas a ele por visitantes.

Conforme Corolla se torna mais desenvolvida, os cavalos podem se afastar cada vez mais para terrenos dos santuários da vida selvagem. Preocupado com uma espécie de pássaro chamada açanã-preta, Mike Hoff, o diretor do refúgio, cercou uma faixa de 55 hectares de terreno pantanoso, no verão passado, depois de notar que o capim estava esgotado há diversas estações. “Isso não significa que queríamos excluir os cavalos porque não gostamos deles”, afirmou.

Um dos poucos estudos que examinam o impacto direto dos cavalos foi publicado em 2004 na revista The Journal of Range Management. Pesquisadores da Universidade da Carolina do Leste escreveram que, em geral, as plantas de Corolla se recuperaram no início do verão seguinte, após servirem de pasto por uma estação. Mas os dados foram colhidos em 1997, quando a população de cavalos estava estimada em 43 animais espalhados por 4.600 hectares. Atualmente, a área é quase 1.600 hectares menor, e a manada mais que triplicou de tamanho.

Os atuais estudos a respeito dos animais selvagens, financiados pelo Serviço de Peixes e Vida Selvagem e pela Universidade Estadual da Carolina do Norte, têm o objetivo de medir os efeitos causados por suínos e veados, além dos cavalos. Destacar o impacto dos cavalos “é uma questão difícil”, segundo o líder da pesquisa, Chris DePerno, mas ele acrescentou que “acreditamos que compusemos um estudo excepcional”.

Nesse caso, a política e a ciência podem estar funcionando em ritmos diferentes. O senado pode aprovar a lei antes que o estudo de DePerno esteja completo. McCalpin lamentou o fato de que os cavalos já estejam apresentando sinais de falência genética, com potros que nascem esporadicamente com um tamanho incrivelmente pequeno, ou com joelhos traseiros que travam, ao invés de dobrar.

“O tempo está se esgotando”, afirmou, acrescentando: “Eles estiveram aqui nos últimos cinco séculos. Eu fico triste em pensar que não estarão aqui nos próximos”.

Fonte: Portal iG


14 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Aves multicoloridas se dividem mais rápido em novas espécies, diz estudo

Mudança na cor de penas não ocorre apenas devido à interação sexual.
Variação ocorreria devido a interrupção na formação de uma espécie.

Estudo publicado na revista “Nature” desta semana aponta que a existência de variedades nas cores das penas de aves – uma característica chamada de “polimorfismo” — está associada à geração acelerada de novas espécies.

De acordo com cientistas do Departamento de Zoologia da Universidade de Melbourne, da Austrália, as mudanças de coloração nas penas ocorreriam por fatores ecológicos, geográficos e genéticos — e não apenas por seleção sexual.

Os pesquisadores analisaram cinco diferentes grupos de aves: Accipitridae (abutres e águias), a combinação de Striginae e Surniinae (dois sub-tipos de corujas), Caprimulgidae(caprimulgídeos), Falconidae (falcões) e Phasianidae (faisões). Os cinco grupos contêm 7% de espécies de aves e 47% de espécies com cores polimórficas.

Segundo o estudo, aves com maior prevalência de polimorfismo de cor tendem a se dividir em novas espécies com o tempo. Esta associação parece estar ligada à quantidade e diversidade dos ambientes ocupados e padrões comportamentais.

Os autores sugerem que a coexistência de várias cores nessas populações resulta da interrupção na formação de uma espécie – ou seja, quando um processo de formação genética é interrompido.

Espécie de coruja com coloração variada. Aves com polimorfismo se dividem em novas espécies com o tempo, apontam cientistas. (Foto: Divulgação)

Espécie de coruja com coloração variada. Aves com polimorfismo se dividem em novas espécies com o tempo, apontam cientistas. (Foto: Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


22 de março de 2012 | nenhum comentário »

Inseto mau ator também consegue o que quer, segundo pesquisa

Mosca-das-flores imita vespa e abelha, mas não fica muito parecida com elas.
A fraca imitação não prejudica a espécie, que continua abundante.

As chamadas moscas-das-flores tentam imitar outros insetos, como abelhas e vespas, para despistar predadores. Más atrizes, elas não conseguem ficar tão parecidas com os insetos que tentam copiar, mas não são prejudicadas pela fraca atuação, segundo um estudo publicado na revista “Nature” nesta quinta-feira (22).

A falta de fidelidade na imitação já motivou um intenso debate científico, na tentativa de descobrir porque os insetos que são maus atores não foram eliminados pela seleção natural. O estudo publicado na “Nature” analisou pela primeira vez diversas hipóteses e afirma que encontrou uma resposta plausível.

As moscas-das-frutas não aperfeiçoaram as técnicas de imitação porque isto não foi necessário para a sobrevivência da espécie, dizem os pesquisadores. Elas não seriam uma presa tão vantajosa para os predadores e por isso enfrentaram uma seleção natural menos intensa, conhecida como “seleção relaxada”.

Método
Para chegar a esta hipótese, os pesquisadores compararam diversas características físicas de 35 espécies de moscas-das-flores, como tamanho de diferentes partes do corpo e cores. Baseados nestas informações, eles calcularam uma primeira medida de fidelidade de mimetismo (quando um ser vivo copia características de outro). A segunda medida foi obtida com a ajuda de voluntários, que tiveram acesso a fotos das diferentes espécies e votaram sobre a qualidade da imitação.

Além de criar estas duas medidas, os cientistas calcularam a abundância das espécies. Após comparar os indicadores, eles verificaram que as moscas-das-flores que eram piores atrizes não eram prejudicadas e continuavam abundantes na natureza.

Imagem mostra uma mosca-das-flores e a vespa que ela tenta imitar.  (Foto: Divulgação / Steve Marshall )

Imagem mostra uma mosca-das-flores e a vespa que ela tenta imitar. (Foto: Divulgação / Steve Marshall )

Fonte: Globo Natureza


8 de março de 2012 | nenhum comentário »

Genes de macacos mostram que temos gorilas entre nós

Nossos ancestrais passaram pela divisão evolutiva com os gorilas há cerca de 10 milhões de anos, mas ainda compartilhamos um notável número de genes com o grande macaco, de acordo com um inovador estudo publicado nesta quarta-feira.

Um consórcio mundial de cientistas sequenciou o genoma do gorila da planície ocidental e comparou mais de 11.000 de seus genes com os dos humanos modernos, Homo sapiens, e os dos chimpanzés.

Os gorilas se separaram da linhagem humano-chimpanzé há cerca de 10 milhões de anos, e cerca de quatro milhões de anos depois homens e chimpanzés emergiram como espécies diferentes, uma ideia que coincide com as evidências fósseis.

A comparação também derruba convicções sobre similaridades entre os principais primatas, dizem os pesquisadores.

Como era esperado, humanos e chimpanzés compartilhavam a maior parte dos genes.

Mas 15% do genoma humano é mais próximo ao genoma do gorila do que ao do chimpanzé – e 15% do genoma do chimpanzé é mais próximo ao genoma do gorila do que ao do humano.

“Nossas descobertas mais significativas revelam não apenas diferenças entre as espécies refletindo milhões de anos de divergências evolutivas, mas também similaridades nas mudanças em paralelo ao longo do tempo desde seu ancestral comum”, disse Chris Tyler-Smith, do Britain’s Wellcome Trust Sanger Institute.

“Descobrimos que gorilas compartilham muitas mudanças genéticas paralelas com humanos – incluindo a evolução de nossa audição”.

“Cientistas sugeriram que a rápida evolução dos genes de audição dos humanos estava ligada à evolução da linguagem. Nossos resultados colocam isso em questão, já que os genes de audição evoluíram em gorilas na mesma proporção que nos humanos”.

Os próprios gorilas começaram a se dividir em dois grupos, o gorila da planície oriental e o gorila da planície ocidental, cerca de um milhão de anos atrás.

O estudo joga um balde de água fria naqueles que defendem a noção de que a separação entre espécies de primatas ocorreu de maneira abrupta, em um período relativamente curto.

Na verdade, o processo foi longo e muito gradual.

Havia provavelmente uma quantidade razoável de “fluxo gênico”, ou um cruzamento entre linhagens genéticas levemente diferentes, os dois antes que os gorilas se separassem dos outros macacos e antes que os próprios gorilas se dividissem em duas espécies.

Poderia haver um paralelo na separação entre chimpanzés e bonomos, ou entre humanos modernos e Neanderthais, afirmam os autores.

Uma nova teoria sobre Neanderthais é que eles eram mais do que primos próximos – o H. sapiens ocasionalmente cruzava com eles e incorporou alguns de seus genes nos humanos modernos.

Os próprios Neandherthais se extinguiram como uma espécie separada há cerca de 40 mil anos, dizimados quer por uma mudança climática ou devido ao próprio H. sapiens, de acordo com algumas hipóteses.

A amostra de DNA foi retirada de uma gorila da planície ocidental chamada Kamilah.

Depois de prosperar por milhões de anos, os gorilas sobrevivem hoje em apenas algumas poucas populações ameaçadas da África central, e sua quantidade diminui devido à caça e à perda de habitat.

“Bem como nos ensinar sobre evolução humana, o estudo dos grandes macacos nos conecta a um tempo no qual nossa existência era mais tênue, e, ao fazer isso, ressalta a importância de proteger e conservar estas espécies notáveis”, afirma o estudo.

Fonte: Veja Ciência


2 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Grupo encontra caracol albino em parque nacional da Nova Zelândia

Foi a segunda ocorrência de albinismo neste molusco registrada no país.
Primeiro caso ocorreu em 1988, segundo Departamento de Conservação.

Um raro caracol albino da espéciePowelliphanta hockstetteri foi descoberto recentemente por um grupo no Parque Nacional Kahurangi, na Nova Zelândia. De acordo com o Departamento de Conservação do país, o caracol encontrado continha a casca marrom-dourada em espiral, mas seu corpo era branco brilhante.

Segundo Kath Walker, especialista do departamento ambiental neozeolandês, em 30 anos de estudos sobre a espécie é o segundo caso de um caracol com corpo parcial ou totalmente albino. O primeiro registro ocorreu em 1988, há 23 anos, quando um exemplar da espéciePowelliphanta gilliesi gilliesi foi visto com parte do corpo branco.

O albinismo é um distúrbio genético em que o indivíduo fica sem pigmentação na pele. Animais albinos não costumam sobreviver por muito na natureza porque não têm proteção natural contra o sol e porque a cor clara os torna presa mais fácil.

Grupo encontrou exemplar raro de caracol albino em parque nacional da Nova Zelândia (Foto: Divulgação/Departamento de Conservação da Nova Zelândia)

Grupo encontrou exemplar raro de caracol albino em parque nacional da Nova Zelândia (Foto: Divulgação/Departamento de Conservação da Nova Zelândia)

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


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14 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas decifram DNA de espécie de camelo ameaçado de extinção

Pesquisa quer saber como animal sobrevive a temperaturas extremas.
Estudo foi publicado na revista científica ‘Nature Communications’.

Uma equipe de cientistas chineses anunciou nesta terça-feira (13) ter decifrado o DNA do camelo-bactriano (Camelus bactrianus), considerado passo fundamental para conhecer o metabolismo deste animal emblemático dos desertos da Mongólia e que corre risco de desaparecer da natureza.

O estudo, publicado na revista “Nature Communications”, foi feito por geneticistas da Universidade de Jiatong, em Xangai. Eles analisaram o genoma dos camelos-bactrianos e viram que esses animais possuem 28.821 codificados, sendo que 2.730 desses genes evoluem mais rapidamente se comparado ao de outros animais ruminantes.

Para se adaptar às condições do Deserto de Gobi, que encobre parte da China e da Mongólia e registra temperaturas extremas, o camelo-bactriano desenvolveu a capacidade de sobreviver muito mais tempo sem comida e água, armazenando gordura em seu abdômen e nas duas corcovas.

Organismo resistente
O organismo desta espécie é capaz de suportar uma temperatura interna que oscila entre 34 ºC e 41 °C ao longo do dia, seu nível de açúcar no sangue é duas vezes mais elevado que nos demais ruminantes e ele pode consumir oito vezes mais sal, sem sofrer de diabetes ou hipertensão.

Os geneticistas descobriram no DNA do camelo numerosos genes envolvidos nos mecanismos do diabetes tipo 2 e da insulina. Também encontraram onze cópias do gene CYP2J, relacionado à tensão arterial e a uma alimentação muito salgada. O cavalo e o homem têm apenas um exemplar deste gene.

Os pesquisadores também identificaram neste animal uma série de genes que poderão explicar a presença de anticorpos de alta eficiência: uma forma de imunoglobulina, menor e mais estável, que apenas os camelídeos possuem.

Exemplares de camelo-bactriano são vistos na cidade de Khanbogd, na Mongólia (Foto: Mark Ralston/AFP)

Exemplares de camelo-bactriano são vistos na cidade de Khanbogd, na Mongólia (Foto: Mark Ralston/AFP)

Fonte: Globo Natureza


26 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Brasileiros vão decifrar genomas do papagaio e do sabiá-laranjeira

Não é todo dia que uma imagem de Zé Carioca ilustra uma apresentação sobre genômica, mas o malandro arquetípico da Disney tinha um bom motivo para figurar no Powerpoint de Francisco Prosdocimi, da UFMG (Universidade Federal de Minas): o tema era o genoma “dele”.

Ou melhor, o do papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), que está entre as espécies mais comuns do bicho em cativeiro. O objetivo de Prosdocimi e seus colegas é vasculhar o DNA da ave em busca de pistas que ajudem a explicar sua proverbial tagarelice.

Para atingir esse objetivo, o papagaio-verdadeiro não é o único alvo. O grupo de cientistas, batizado de Sisbioaves, pretende sequenciar (grosso modo, “soletrar”) o genoma de outras espécies tipicamente brasileiras, como o sabiá-laranjeira e o bem-te-vi.

Em comum, esses bichos possuem o chamado aprendizado vocal -a capacidade, similar à dos seres humanos, de aprender padrões de vocalização ao longo da vida.

Detalhes sobre o projeto foram apresentados durante o 58º Congresso Brasileiro de Genética, em Foz do Iguaçu.

“A gente sabe que o aprendizado vocal é polifilético [ou seja, evoluiu mais de uma vez em linhagens sem parentesco próximo]“, explica Claudio Mello, brasileiro que trabalha na Universidade de Saúde e Ciência do Oregon (Estados Unidos).

“Portanto, se a gente encontrar genes relevantes para esse comportamento que são compartilhados entre os vários grupos de aves e os humanos, provavelmente isso quer dizer que eles representam a base do aprendizado vocal”, diz Mello.

Na maioria das aves, afirma Mello, existe o chamado período crítico de aprendizado — uma fase da “infância” do bicho na qual ele precisa ser exposto ao canto de outro animal para que ele aprenda a cantar de forma apropriada, coisa que também se verifica no caso da fala humana. Já os papagaios parecem ser mais versáteis, sendo capazes de aprender a imitar sons humanos em praticamente qualquer fase de sua vida.

A estimativa de Prosdocimi e de sua colega Maria Paula Schneider, da UFPA (Universidade Federal do Pará), é que a leitura dos genomas do papagaio e do sabiá-laranjeira esteja concluída em meados do ano que vem.

Segundo o pesquisador da UFMG, que é bioinformata (especialista na análise computacional de dados biológicos), espera-se que os bichos tenham genomas relativamente compactos, com menos da metade do tamanho do genoma humano.

Os pesquisadores ainda não encontraram, nos papagaios, o equivalente ao gene FOXP2, hoje um dos grandes candidatos a influenciar a capacidade humana para a fala. Mas não é só o lado vocal que interessa aos cientistas.

Prosdocimi destaca que os papagaios são inteligentes de modo geral. E vivem muito, passando dos 70 anos, o que traria pistas sobre as bases genéticas da longevidade.

Editoria de Arte/Folhapress

Fonte: Folha.com


26 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Mudanças no DNA podem afetar comportamento de abelhas

Pesquisadores mostram que a alteração de alguns genes pode levar insetos a trocar de função dentro da colmeia

Cientistas da Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, descobriram a primeira evidência de que o comportamento das abelhas — e possivelmente de outros animais — pode ser alterado por mudanças epigenéticas em seus genes. A pesquisa, publicada neste domingo no site da revista Nature Neuroscience, mostrou que essas mudanças podem alterar a função desempenhada pela abelha na colmeia — e podem ser revertidas a fim de trazer o comportamento original de volta.

Os cientistas procuraram no DNA das abelhas alterações químicas conhecidas como metilações, que podem ser introduzidas e retiradas sem alterar a sequência genética original. A metilação de trechos do DNA já havia se mostrado importante na regulação da atividade genética. Pesquisas anteriores haviam mostrado que ela pode agir, por exemplo, na determinação de qual o destino de uma célula-tronco e no surgimento de células tumorais.

Neste estudo, a intenção dos pesquisadores foi descobrir se a metilação, ao alterar a forma como os genes se expressam, poderia afetar o comportamento de um animal. Para isso, eles analisaram o DNA do cérebro de abelhas operárias de duas “profissões” diferentes.

Todas as abelhas operárias são fêmeas e, dentro da mesma colmeia, todas são geneticamente idênticas. Mesmo assim, elas podem realizar trabalhos diferentes. As abelhas nutrizes, por exemplo, permanecem na colmeia para cuidar da rainha e das larvas. Quando ficam mais velhas, elas podem se tornar abelhas campeiras, que saem em busca de pólen e outros suprimentos para a comunidade.

“Os genes não são capazes de explicar as diferenças entre os dois tipos de comportamento”, diz Andy Feinberg, professor de medicina molecular e diretor do Centro de Epigenética do Instituto de Ciências Biomédicas Básicas da Universidade Johns Hopkins. “Mas a epigenética – e seu controle sobre os genes – pode.”

Teste vocacional — Os pesquisadores realizaram a experiência em uma colmeia nova, habitada por abelhas da mesma idade. Desse modo, eles evitaram a possibilidade de as diferenças entre os insetos ocorrerem por conta da idade. “Quando abelhas de mesma idade entram em uma nova colmeia, elas dividem suas tarefas de modo a manter uma proporção correta de nutrizes e campeiras”, diz Gro Amdam, especialista em abelhas da Universidade Estadual do Arizona e um dos autores do estudo.

Ao analisar os padrões de metilação do DNA no cérebro de 21 abelhas nutrizes e 21 campeiras, os pesquisadores encontraram 155 regiões que haviam sofrido alteração. Os genes alterados eram em sua maioria regulatórios, conhecidos por afetar o funcionamento de outros genes.

Em seguida, os cientistas quiseram descobrir se essas mudanças epigenéticas eram permanentes. Para isso, retiraram todas as abelhas nutrizes da colmeia. “Quando há poucas abelhas nutrizes, as campeiras podem tomar seu lugar, voltando à sua profissão anterior”, diz Gro Amdam.

Depois de algumas semanas, os pesquisadores voltaram a procurar diferenças nos padrões de metilação de seu DNA. Dessa vez, encontraram 107 regiões diferentes entre as campeiras e as que haviam se tornado nutrizes, sugerindo que as marcações epigenéticas não eram permanentes, mas podiam ser revertidas no dia a dia da colmeia.

Dessas 107 regiões, 57 já haviam sido identificadas entre as 155 que se alteram quando as nutrizes amadurecem para campeiras. Segundo os pesquisadores, essas 57 regiões parecem decisivas para diferenciar o comportamento das campeiras e nutrizes. Os cientistas dizem que o resultado pode ajudar a compreender questões comportamentais complexas em seres humanos, como o aprendizado, memória, respostas ao estresse e desordens de comportamento, que também envolvem interações entre componentes genéticos e a epigenéticos.

Saiba mais

EPIGENÉTICA
É o nome que se dá para as mudanças que acontecem nos genes sem, no entanto, alterar o código genético de um indivíduo. É diferente de uma mutação. Em uma mutação, o código genético é alterado. Já a mudança epigenética só altera a forma como um gene funciona. Essa mudança pode ser causada por fatores ambientais, como poluição ou mesmo pela prática de exercícios, e pode ser passada para as gerações seguintes.

CÉLULAS-TRONCO
Também chamadas de células-mãe, podem se transformar em qualquer um dos tipos de células do corpo humano e dar origens a outros tecidos, como ossos, nervos, músculos e sangue. Por essa versatilidade, elas vêm sendo testadas na regeneração de tecidos e órgãos de pessoas doentes.

abelhas

As abelhas operárias podem trabalhar dentro da colmeia ou fora, recolhendo pólen. O estudo mostrou que as tarefas desempenhadas são decididas pela metilação do DNA (Thinkstock)

Fonte: Veja Ciência


26 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Análise genética aponta cruzamento entre ursos-polares e pardos

Estudo diz ainda que separação das espécies remonta a 5 milhões de anos.
Mudanças climáticas influenciaram distribuição dos ursos-polares.

Um novo estudo com análise de genomas de ursos-polares sugere que a história dessa espécie está relacionada às mudanças climáticas no planeta e ao intercâmbio genético com os ursos-pardos. A pesquisa indica que os ursos-polares se tornaram uma espécie distinta cerca de 4 milhões ou 5 milhões de anos atrás – e não apenas há 600 mil anos, como sugeria uma trabalho anterior -, mas os animais podem ter continuado cruzando com ursos-pardos até muito mais recentemente.

Liderado pela Penn State University e pela Universidade de Buffalo, ambas dos EUA, o estudo encontrou evidências de que o tamanho da população de ursos-polares acompanhou os principais eventos climáticos nos últimos milhões de anos – crescendo durante os períodos de resfriamento e diminuindo em épocas mais quentes.

Esses cruzamentos com os “primos” pardos pode ter ocorrido em consequência de mudanças climáticas ao longo do tempo, já que, de acordo com as temperaturas médias do planeta, as populações desses dois tipos de mamíferos viveram em regiões mais próximas ou mais distantes.

“Talvez nós tenhamos um indício de que em tempos muito quentes, ursos polares mudaram seu estilo de vida, entraram em contato e cruzaram com ursos-pardos”, disse Stephan Schuster, coautor da pesquisa. O estudo saiu nesta segunda-feira (23) na edição online da revista “PNAS”, da Academia Nacional de Ciências, dos EUA.

Urso-polar e urso-pardo. (Foto: Hansruedi Weyrich/Science e Bernd Wuestneck/AFP)

Urso-polar e urso-pardo. (Foto: Hansruedi Weyrich/Science e Bernd Wuestneck/AFP)

Fonte: G1


15 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas decodificam código genético do bonobo

Com o sequenciamento genético de um dos parentes mais próximos do homem, os cientistas esperam descobrir como era o ancestral comum entre o ser humano e outros primatas

Um grupo internacional de cientistas decodificou o código genético do bonobo. Entre os símios – grupo de primatas formado por orangotangos, chimpanzés, gorilas e bonobos -, esse é o último a ter seu genoma decodificado. O sequenciamento genético do bonobo foi publicado nesta terça-feira na revista Nature.

Para realizar a pesquisa, os cientistas obtiveram dados de Ulindi, uma fêmea de bonobo do zoológico de Leipzig, na Alemanha. Com essa informação genética, os cientistas esperam conhecer melhor a linhagem humana.

Semelhanças e diferenças — A comparação entre os genomas do bonobo, do chimpanzé e do homem mostrou que os humanos têm uma diferenciação de 1,3% de ambos. Chimpanzés e bonobos são mais próximos: a diferença genética entre eles é de apenas 0,4%

Embora sejam similares em muitos aspectos, os símios africanos diferem em comportamentos sociais e sexuais importantes e alguns demonstram mais similaridade com os humanos do que entre si.

Para o cientista Kay Pruefer, biólogo do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva (Alemanha), a pesquisa forneceu mais informações sobre bonobos e chimpanzés do que sobre os humanos.

Em busca do ancestral comum — “Esperamos que o entendimento das diferenças entre bonobos e chimpanzés nos ajude, um dia, a entender como era o ancestral comum (de humanos, chimpanzés e bonobos)”, disse Pruefer. ”Seria muito interessante descobrir qual foi o traço que os humanos adquiriram em sua evolução ao longo de milhões de anos”, concluiu.

Os cientistas explicaram que o sequenciamento genético demonstrou que bonobos e chimpanzés não se misturaram ou cruzaram entre si depois que seus caminhos se separaram geograficamente, cerca de dois milhões de anos atrás, provavelmente na época da formação do Rio Congo.

Chimpanzés

Os machos competem agressivamente por domínio e sexo e unem forças para defender seu território atacando outros grupos.

Esses animais se espalham ao longo da África equatorial.

Bonobos

Os machos costumam ser subordinados às fêmeas, não competem por hierarquia e não tomam parte em confrontos. São animais brincalhões e fazem sexo por diversão, não apenas para se reproduzir.

Estão restritos ao sul do Rio Congo, na República Democrática do Congo. Devido ao seu hábitat pequeno e remoto, os bonobos foram a última espécie de símios “descoberta” nos 1920, e são os mais raros de todos os símios em cativeiro.

Espécie de chimpanzé banobo

Cientistas divulgaram nesta terça-feira o sequenciamento genético dos bonobos, um dos parentes mais próximos do homem (Issouf Sanogo/AFP)

Fonte: Veja Ciência


4 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Embate entre conservacionistas define futuro de cavalos selvagens

Com a chegada do verão, as praias da ilha Corolla, na Carolina do Sul, Estados Unidos, ficarão repletas de carros e banhistas, mas na baixa estação o terreno é deixado para os cavalos selvagens. Pequenos, com uma coloração que varia entre o castanho e o preto, eles passeiam por entre as casas de veraneio em manadas de cinco ou seis.

Milhares desses cavalos já perambularam por todos os Outer Banks da Carolina do Norte, e eles são os prováveis descendentes das montarias que pertenceram aos exploradores espanhóis, cinco séculos atrás. Mas, agora, seu número diminuiu para umas poucas centenas de animais, das quais os mais conhecidos vivem na reserva federal de Shackleford Banks.

Contudo, a maior manada, que recentemente chegou a quase 140 garanhões, ocupa mais de 3.000 hectares de um terreno estreito que se estende do fim da Rodovia 12, em Corolla, até a divisa com a Virgínia, 11 quilômetros ao norte. Sem predadores naturais e presos pelas cercas que se lançam sobre o Atlântico agitado, o endocruzamento da manada é tão intenso que seus defensores temem que um colapso genético ocorra em questão de algumas gerações.

Seus apoiadores estão realizando uma campanha para salvar a manada de Corolla, e eles têm aliados poderosos no Congresso. Em fevereiro, a Câmara aprovou uma lei que mantêm a manada em cerca de 120 indivíduos e que permite a importação de novas éguas de Shackleford para introduzir genes frescos.

Conservacionistas da vida selvagem afirmam que a questão não é tão simples. As praias, pântanos, pradarias e florestas próximas de Corolla são uma parada para bandos de aves migratórias ameaçadas de extinção, e são o lugar onde as tartarugas marinhas põem seus ovos. Grande parte da área ocupada pelos cavalos pertence ao Refúgio Nacional de Vida Selvagem Currituck, e os defensores do habitat nativo temem que o atual tamanho das manadas sobrecarregue o ecossistema.

O futuro dos cavalos levanta questões mais amplas, como a de se um animal pode ser preservado em detrimento de outro – e quem deve decidir isso.

“Estamos falando sobre valores”, afirmou Michael Hutchins, diretor executivo da Wildlife Society, que representa biólogos e gestores da vida selvagem que se opõem à medida aprovada pela Câmara. “Eu gosto de cavalos; acredito que eles sejam animais fascinantes. Mas eu também valorizo profundamente o pouco que restou de nossas espécies nativas e de seus habitats.”

Ambos os lados invocam a ciência para defender sua causa. Mas os dados são esparsos e um estudo amplo sobre o impacto dos cavalos não deve ficar pronto antes do ano que vem.

Na arena dos sentimentos públicos e políticos, os cavalos ganham com facilidade. A ligação entre cavalos e seres humanos existe há séculos; esse é o animal que puxou os arados, que carregou os exércitos e os colonos em nome da civilização.

“Deus colocou essa coisa tão linda aqui – como podemos não querer protegê-la?”, afirmou Betty Lane, de 70 anos, que vive na região há mais de 40 anos, enquanto dirigia seu furgão como parte da patrulha civil que protege os cavalos. (Ela parou depois de confundir o repórter com um turista que tentava se aproximar demais dos cavalos, contrariando a lei da cidade.) Ela usava um colar com o nome Spec, em homenagem a um garanhão que foi atropelado por um motorista na praia.

A dedicação aos cavalos selvagens é algo tão arraigado nesta e em outras regiões, que muitos de seus apoiadores chegam a se irritar quando dizem que os animais “não são nativos”, citando fósseis que comprovam que cavalos viveram na América do Norte há mais de 11.000 anos, antes de serem extintos juntamente com outras criaturas do Pleistoceno, como os mastodontes.

Os cavalos selvagens de Corolla não surgiram aqui. Eles são animais domesticados que perderam sua domesticidade. Ainda que alguns céticos questionem se os cavalos são realmente espanhóis, uma pesquisa realizada pelo Grupo de Conservação das Raças Pecuárias dos Estados Unidos, além de outros grupos, observou as costas curtas dos cavalos, suas caudas baixas e outras características que os diferenciam dos demais animais norte-americanos. Uma análise de DNA, publicada em fevereiro na revista Animal Genetics, também aponta para uma origem comum entre esses cavalos, sugerindo que eles possam ser uma relíquia viva de uma variedade ibérica que não existe em nenhuma outra parte.

O estudo também confirma os medos de que o endocruzamento entre os cavalos esteja se tornando perigosamente grande. “Há manadas selvagens com pouca diversidade, mas não muitas”, afirmou Gus Cothran, especialista em genética equina na Universidade Texas A&M e principal autor do relatório. Ele afirma que uma manada de 60 animais seria capaz de sobreviver, desde que novas éguas fossem introduzidas no grupo a cada geração (cerca de oito anos). A lei federal estipula manadas de 110 a 130 animais, segundo Cothran, o número mínimo poderia diminuir a velocidade da erosão genética, caso os animais fossem mantidos isolados.

“Não estamos pedindo centenas de cavalos”, afirmou Karen McCalpin, diretora da Fundação Corolla de Cavalos Selvagens, que protege e cuida dos cavalos, realizando projetos de conscientização pública a seu respeito. O cerne do desentendimento com os conservacionistas da vida selvagem está no número de cavalos que o habitat é capaz de suportar. “Caso eles fossem prejudiciais ao meio ambiente”, afirmou, “isso já não seria evidente a essa altura?”.

Se não fosse pelas pessoas, essa questão seria mais fácil de responder. Outras manadas de cavalos dos Outer Banks vivem em áreas praticamente livres da presença humana. Mas os cavalos de Corolla vivem quase exclusivamente das terras e das paisagens humanas. Promotores de turismo gostam de mostrar cavalos brincando na areia e na arrebentação, com suas crinas balançando majestosamente ao vento. Contudo, é igualmente provável que esses animais sejam avistados pastando próximos às calçadas.

Além da genética, os turistas representam um perigo para as manadas: seja por colisões com motoristas distraídos, ou porque visitantes em busca de boas fotos burlam as regras do local, que criminalizam o ato de alimentar ou de se aproximar a menos de 15 metros de um cavalo, No último verão, um potro de duas semanas morreu por consequência de uma obstrução intestinal após comer cascas de melancia dadas a ele por visitantes.

Conforme Corolla se torna mais desenvolvida, os cavalos podem se afastar cada vez mais para terrenos dos santuários da vida selvagem. Preocupado com uma espécie de pássaro chamada açanã-preta, Mike Hoff, o diretor do refúgio, cercou uma faixa de 55 hectares de terreno pantanoso, no verão passado, depois de notar que o capim estava esgotado há diversas estações. “Isso não significa que queríamos excluir os cavalos porque não gostamos deles”, afirmou.

Um dos poucos estudos que examinam o impacto direto dos cavalos foi publicado em 2004 na revista The Journal of Range Management. Pesquisadores da Universidade da Carolina do Leste escreveram que, em geral, as plantas de Corolla se recuperaram no início do verão seguinte, após servirem de pasto por uma estação. Mas os dados foram colhidos em 1997, quando a população de cavalos estava estimada em 43 animais espalhados por 4.600 hectares. Atualmente, a área é quase 1.600 hectares menor, e a manada mais que triplicou de tamanho.

Os atuais estudos a respeito dos animais selvagens, financiados pelo Serviço de Peixes e Vida Selvagem e pela Universidade Estadual da Carolina do Norte, têm o objetivo de medir os efeitos causados por suínos e veados, além dos cavalos. Destacar o impacto dos cavalos “é uma questão difícil”, segundo o líder da pesquisa, Chris DePerno, mas ele acrescentou que “acreditamos que compusemos um estudo excepcional”.

Nesse caso, a política e a ciência podem estar funcionando em ritmos diferentes. O senado pode aprovar a lei antes que o estudo de DePerno esteja completo. McCalpin lamentou o fato de que os cavalos já estejam apresentando sinais de falência genética, com potros que nascem esporadicamente com um tamanho incrivelmente pequeno, ou com joelhos traseiros que travam, ao invés de dobrar.

“O tempo está se esgotando”, afirmou, acrescentando: “Eles estiveram aqui nos últimos cinco séculos. Eu fico triste em pensar que não estarão aqui nos próximos”.

Fonte: Portal iG


14 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Aves multicoloridas se dividem mais rápido em novas espécies, diz estudo

Mudança na cor de penas não ocorre apenas devido à interação sexual.
Variação ocorreria devido a interrupção na formação de uma espécie.

Estudo publicado na revista “Nature” desta semana aponta que a existência de variedades nas cores das penas de aves – uma característica chamada de “polimorfismo” — está associada à geração acelerada de novas espécies.

De acordo com cientistas do Departamento de Zoologia da Universidade de Melbourne, da Austrália, as mudanças de coloração nas penas ocorreriam por fatores ecológicos, geográficos e genéticos — e não apenas por seleção sexual.

Os pesquisadores analisaram cinco diferentes grupos de aves: Accipitridae (abutres e águias), a combinação de Striginae e Surniinae (dois sub-tipos de corujas), Caprimulgidae(caprimulgídeos), Falconidae (falcões) e Phasianidae (faisões). Os cinco grupos contêm 7% de espécies de aves e 47% de espécies com cores polimórficas.

Segundo o estudo, aves com maior prevalência de polimorfismo de cor tendem a se dividir em novas espécies com o tempo. Esta associação parece estar ligada à quantidade e diversidade dos ambientes ocupados e padrões comportamentais.

Os autores sugerem que a coexistência de várias cores nessas populações resulta da interrupção na formação de uma espécie – ou seja, quando um processo de formação genética é interrompido.

Espécie de coruja com coloração variada. Aves com polimorfismo se dividem em novas espécies com o tempo, apontam cientistas. (Foto: Divulgação)

Espécie de coruja com coloração variada. Aves com polimorfismo se dividem em novas espécies com o tempo, apontam cientistas. (Foto: Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


22 de março de 2012 | nenhum comentário »

Inseto mau ator também consegue o que quer, segundo pesquisa

Mosca-das-flores imita vespa e abelha, mas não fica muito parecida com elas.
A fraca imitação não prejudica a espécie, que continua abundante.

As chamadas moscas-das-flores tentam imitar outros insetos, como abelhas e vespas, para despistar predadores. Más atrizes, elas não conseguem ficar tão parecidas com os insetos que tentam copiar, mas não são prejudicadas pela fraca atuação, segundo um estudo publicado na revista “Nature” nesta quinta-feira (22).

A falta de fidelidade na imitação já motivou um intenso debate científico, na tentativa de descobrir porque os insetos que são maus atores não foram eliminados pela seleção natural. O estudo publicado na “Nature” analisou pela primeira vez diversas hipóteses e afirma que encontrou uma resposta plausível.

As moscas-das-frutas não aperfeiçoaram as técnicas de imitação porque isto não foi necessário para a sobrevivência da espécie, dizem os pesquisadores. Elas não seriam uma presa tão vantajosa para os predadores e por isso enfrentaram uma seleção natural menos intensa, conhecida como “seleção relaxada”.

Método
Para chegar a esta hipótese, os pesquisadores compararam diversas características físicas de 35 espécies de moscas-das-flores, como tamanho de diferentes partes do corpo e cores. Baseados nestas informações, eles calcularam uma primeira medida de fidelidade de mimetismo (quando um ser vivo copia características de outro). A segunda medida foi obtida com a ajuda de voluntários, que tiveram acesso a fotos das diferentes espécies e votaram sobre a qualidade da imitação.

Além de criar estas duas medidas, os cientistas calcularam a abundância das espécies. Após comparar os indicadores, eles verificaram que as moscas-das-flores que eram piores atrizes não eram prejudicadas e continuavam abundantes na natureza.

Imagem mostra uma mosca-das-flores e a vespa que ela tenta imitar.  (Foto: Divulgação / Steve Marshall )

Imagem mostra uma mosca-das-flores e a vespa que ela tenta imitar. (Foto: Divulgação / Steve Marshall )

Fonte: Globo Natureza


8 de março de 2012 | nenhum comentário »

Genes de macacos mostram que temos gorilas entre nós

Nossos ancestrais passaram pela divisão evolutiva com os gorilas há cerca de 10 milhões de anos, mas ainda compartilhamos um notável número de genes com o grande macaco, de acordo com um inovador estudo publicado nesta quarta-feira.

Um consórcio mundial de cientistas sequenciou o genoma do gorila da planície ocidental e comparou mais de 11.000 de seus genes com os dos humanos modernos, Homo sapiens, e os dos chimpanzés.

Os gorilas se separaram da linhagem humano-chimpanzé há cerca de 10 milhões de anos, e cerca de quatro milhões de anos depois homens e chimpanzés emergiram como espécies diferentes, uma ideia que coincide com as evidências fósseis.

A comparação também derruba convicções sobre similaridades entre os principais primatas, dizem os pesquisadores.

Como era esperado, humanos e chimpanzés compartilhavam a maior parte dos genes.

Mas 15% do genoma humano é mais próximo ao genoma do gorila do que ao do chimpanzé – e 15% do genoma do chimpanzé é mais próximo ao genoma do gorila do que ao do humano.

“Nossas descobertas mais significativas revelam não apenas diferenças entre as espécies refletindo milhões de anos de divergências evolutivas, mas também similaridades nas mudanças em paralelo ao longo do tempo desde seu ancestral comum”, disse Chris Tyler-Smith, do Britain’s Wellcome Trust Sanger Institute.

“Descobrimos que gorilas compartilham muitas mudanças genéticas paralelas com humanos – incluindo a evolução de nossa audição”.

“Cientistas sugeriram que a rápida evolução dos genes de audição dos humanos estava ligada à evolução da linguagem. Nossos resultados colocam isso em questão, já que os genes de audição evoluíram em gorilas na mesma proporção que nos humanos”.

Os próprios gorilas começaram a se dividir em dois grupos, o gorila da planície oriental e o gorila da planície ocidental, cerca de um milhão de anos atrás.

O estudo joga um balde de água fria naqueles que defendem a noção de que a separação entre espécies de primatas ocorreu de maneira abrupta, em um período relativamente curto.

Na verdade, o processo foi longo e muito gradual.

Havia provavelmente uma quantidade razoável de “fluxo gênico”, ou um cruzamento entre linhagens genéticas levemente diferentes, os dois antes que os gorilas se separassem dos outros macacos e antes que os próprios gorilas se dividissem em duas espécies.

Poderia haver um paralelo na separação entre chimpanzés e bonomos, ou entre humanos modernos e Neanderthais, afirmam os autores.

Uma nova teoria sobre Neanderthais é que eles eram mais do que primos próximos – o H. sapiens ocasionalmente cruzava com eles e incorporou alguns de seus genes nos humanos modernos.

Os próprios Neandherthais se extinguiram como uma espécie separada há cerca de 40 mil anos, dizimados quer por uma mudança climática ou devido ao próprio H. sapiens, de acordo com algumas hipóteses.

A amostra de DNA foi retirada de uma gorila da planície ocidental chamada Kamilah.

Depois de prosperar por milhões de anos, os gorilas sobrevivem hoje em apenas algumas poucas populações ameaçadas da África central, e sua quantidade diminui devido à caça e à perda de habitat.

“Bem como nos ensinar sobre evolução humana, o estudo dos grandes macacos nos conecta a um tempo no qual nossa existência era mais tênue, e, ao fazer isso, ressalta a importância de proteger e conservar estas espécies notáveis”, afirma o estudo.

Fonte: Veja Ciência


2 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Grupo encontra caracol albino em parque nacional da Nova Zelândia

Foi a segunda ocorrência de albinismo neste molusco registrada no país.
Primeiro caso ocorreu em 1988, segundo Departamento de Conservação.

Um raro caracol albino da espéciePowelliphanta hockstetteri foi descoberto recentemente por um grupo no Parque Nacional Kahurangi, na Nova Zelândia. De acordo com o Departamento de Conservação do país, o caracol encontrado continha a casca marrom-dourada em espiral, mas seu corpo era branco brilhante.

Segundo Kath Walker, especialista do departamento ambiental neozeolandês, em 30 anos de estudos sobre a espécie é o segundo caso de um caracol com corpo parcial ou totalmente albino. O primeiro registro ocorreu em 1988, há 23 anos, quando um exemplar da espéciePowelliphanta gilliesi gilliesi foi visto com parte do corpo branco.

O albinismo é um distúrbio genético em que o indivíduo fica sem pigmentação na pele. Animais albinos não costumam sobreviver por muito na natureza porque não têm proteção natural contra o sol e porque a cor clara os torna presa mais fácil.

Grupo encontrou exemplar raro de caracol albino em parque nacional da Nova Zelândia (Foto: Divulgação/Departamento de Conservação da Nova Zelândia)

Grupo encontrou exemplar raro de caracol albino em parque nacional da Nova Zelândia (Foto: Divulgação/Departamento de Conservação da Nova Zelândia)

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


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