23 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Grandes macacos surgiram há 25 milhões de anos, indicam fósseis

Reconstrução artística do _Rukwapithecus_ (à esq.) e do _Nsungwepithecus_ (à dir.)

Reconstrução artística do Rukwapithecus fleaglei (à esq.) e do Nsungwepithecus gunnelli (à dir.). Ilustração Mauricio Antón/Divulgação

Dois fósseis aparentemente insignificantes –uma mandíbula e um único dente– acabam de ajudar os cientistas a traçar um quadro mais claro da origem do grupo de primatas ao qual pertence o homem.

Ambos os fósseis têm 25 milhões de anos. O primeiro representa o mais antigo hominoide, ou grande macaco –animais como chimpanzés, gorilas, orangotangos e o Homo sapiens. Já o segundo é o mais velho entre os macacos com rabo do Velho Mundo, animais como babuínos e resos, por exemplo.

A pesquisa descrevendo os fósseis está na revista científica “Nature” e tem como primeira autora Nancy Stevens, da Universidade de Ohio (EUA). Os dois bichos viviam na Tanzânia, na África Oriental –região que já é famosa por outros fósseis importantes para entender a evolução humana.

Para quem acha estranho que cacos tão diminutos sejam usados para batizar duas espécies, é importante lembrar que, no caso dos mamíferos, as características da mandíbula e dos dentes são muito típicas de cada animal, ajudando a inferir não apenas sua dieta como também, em geral, suas relações de parentesco.

Em entrevista à Folha, Stevens contou que o maior dos bichos, o hominoideRukwapithecus fleaglei, devia ter uns 12 kg. É mais difícil estimar o tamanho do outro macaco, o Nsungwepithecus gunnelli, já que ele é só conhecido com base num dente, mas ele devia ter um pouco menos do que isso.

Os bichos viviam num ambiente um tanto apocalíptico: montanhas vulcânicas ladeavam uma região semiárida, na qual também havia pântanos e lagos. Na época, já estava começando a surgir o imenso vale que caracteriza a África Oriental de hoje, formado pelo afastamento de duas placas tectônicas –era isso o que gerava o vulcanismo na região.

E essa pode ser uma das peças do quebra-cabeças para explicar por que, afinal, os macacões ancestrais do homem surgiram nesse momento, separando-se dos macacos com cauda.

“Antes, havia ali inúmeros primatas relativamente pequenos”, conta Stevens. “Milhões de anos mais tarde, quando a África se encontra com a Ásia [antes, o continente era uma ilha], surgem primatas de maior tamanho, e uma das ideias é que eles tivessem evoluído para se adaptar à competição com a fauna asiática que invadiu a África.”

No entanto, o notável a respeito das novas espécies é que elas já são grandinhas. “Isso pode indicar que a formação do vale e dos vulcões na região criou ambientes heterogêneos, que favoreceram a diversificação dessas espécies”, diz o australiano Eric Roberts, geólogo da Universidade James Cook que é coautor do estudo. “Mas ainda não temos certeza disso.”

 

Fonte: Folha.com


26 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Missão tenta salvar gorilas ameaçados em meio a conflito no Congo

Acordo entre governo e rebeldes permitirá que patrulheiros possam monitorar espécie.

Um grupo de patrulheiros no Congo se prepara para uma missão que tentará salvar famílias de gorilas que desapareceram após uma intensificação do conflito entre forças do governo e rebeldes no país. O governo fez um acordo com o grupo rebelde M23, para permitir que os patrulheiros possam rastrear seis famílias de gorilas-de-montanha.

Os cerca de 200 mamíferos vivem no parque nacional de Virungo, localizado ao leste do país, e representam um quarto da população da espécie. O diretor do parque, Emmanuel de Merode, comemorou a decisão: “Nós estamos satisfeitos e aliviados que todas as partes do conflito reconheceram a necessidade de proteger os únicos gorilas-de-montanha do Congo”.

Os combates na região se intensificaram em abril, quando a área de conservação fechou as portas ao público. Desde o dia 8 de maio, as equipes responsáveis por acompanhar os gorilas evacuaram a área, que sofreu com intensos conflitos de artilharia pesada e, até mesmo, helicópteros de combate.

‘Os gorilas são muito espertos. Eles, sem dúvida, ao ouvir as explosões, se afastaram dos locais de conflito. O importante, agora, é localizá-los’, disse à BBC Brasil Lu Anne Cadd, assessora de imprensa do parque.

As famílias de gorilas-de-montanha não são vistos há mais de dez semanas. Os patrulheiros do parque são, no momento, os únicos membros do governo autorizados a circular na região. Eles irão se dividir em sete grupos e trabalhar em conjunto com a população local para localizar os gorilas.

O trabalho, que estava marcado para ter início nesta semana, será de encontrar os gorilas, identificar cada um deles e checar sua situação de saúde, já que a espécie é muito vulnerável a doenças.

Eles vão ainda remover armadilhas e fazer rondas constantes para evitar a atuação de traficantes de animais. O trabalho é considerado de alto risco. Nos últimos 15 anos, 130 deles morreram em serviço.

Eles fazem a segurança do parque mais antigo da África. O parque nacional de Virunga tem 7.800 km² e é considerado patrimônio mundial da humanidade pela Unesco.

A República Democrática do Congo está em guerra civil há 12 anos e, desde o acirramento dos conflitos, mais de 200 mil pessoas foram desabrigadas.

Resgate gorila1 (Foto: Virunga National Park/BBC)

Exemplar de gorila resgatado em parque do Congo. (Foto: Virunga National Park/BBC)

Filhote de gorila (Foto: Virunga National Park/BBC)

Filhote de gorila que vive em parque do Congo e deverá ser resgatado. (Foto: Virunga National Park/BBC)

gorila (Foto: Virunga National Park/BBC)

Objetivo da missão é evitar que ataques atinjam primatas. (Foto: Virunga National Park/BBC)

Resgate gorila1 (Foto: Virunga National Park/BBC)

Parque Nacional de Virunga é considerado patrimônio mundial da humanidade. (Foto: Virunga National Park/BBC)

Fonte: Globo Natureza


15 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas decodificam código genético do bonobo

Com o sequenciamento genético de um dos parentes mais próximos do homem, os cientistas esperam descobrir como era o ancestral comum entre o ser humano e outros primatas

Um grupo internacional de cientistas decodificou o código genético do bonobo. Entre os símios – grupo de primatas formado por orangotangos, chimpanzés, gorilas e bonobos -, esse é o último a ter seu genoma decodificado. O sequenciamento genético do bonobo foi publicado nesta terça-feira na revista Nature.

Para realizar a pesquisa, os cientistas obtiveram dados de Ulindi, uma fêmea de bonobo do zoológico de Leipzig, na Alemanha. Com essa informação genética, os cientistas esperam conhecer melhor a linhagem humana.

Semelhanças e diferenças — A comparação entre os genomas do bonobo, do chimpanzé e do homem mostrou que os humanos têm uma diferenciação de 1,3% de ambos. Chimpanzés e bonobos são mais próximos: a diferença genética entre eles é de apenas 0,4%

Embora sejam similares em muitos aspectos, os símios africanos diferem em comportamentos sociais e sexuais importantes e alguns demonstram mais similaridade com os humanos do que entre si.

Para o cientista Kay Pruefer, biólogo do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva (Alemanha), a pesquisa forneceu mais informações sobre bonobos e chimpanzés do que sobre os humanos.

Em busca do ancestral comum — “Esperamos que o entendimento das diferenças entre bonobos e chimpanzés nos ajude, um dia, a entender como era o ancestral comum (de humanos, chimpanzés e bonobos)”, disse Pruefer. ”Seria muito interessante descobrir qual foi o traço que os humanos adquiriram em sua evolução ao longo de milhões de anos”, concluiu.

Os cientistas explicaram que o sequenciamento genético demonstrou que bonobos e chimpanzés não se misturaram ou cruzaram entre si depois que seus caminhos se separaram geograficamente, cerca de dois milhões de anos atrás, provavelmente na época da formação do Rio Congo.

Chimpanzés

Os machos competem agressivamente por domínio e sexo e unem forças para defender seu território atacando outros grupos.

Esses animais se espalham ao longo da África equatorial.

Bonobos

Os machos costumam ser subordinados às fêmeas, não competem por hierarquia e não tomam parte em confrontos. São animais brincalhões e fazem sexo por diversão, não apenas para se reproduzir.

Estão restritos ao sul do Rio Congo, na República Democrática do Congo. Devido ao seu hábitat pequeno e remoto, os bonobos foram a última espécie de símios “descoberta” nos 1920, e são os mais raros de todos os símios em cativeiro.

Espécie de chimpanzé banobo

Cientistas divulgaram nesta terça-feira o sequenciamento genético dos bonobos, um dos parentes mais próximos do homem (Issouf Sanogo/AFP)

Fonte: Veja Ciência


8 de março de 2012 | nenhum comentário »

Genes de macacos mostram que temos gorilas entre nós

Nossos ancestrais passaram pela divisão evolutiva com os gorilas há cerca de 10 milhões de anos, mas ainda compartilhamos um notável número de genes com o grande macaco, de acordo com um inovador estudo publicado nesta quarta-feira.

Um consórcio mundial de cientistas sequenciou o genoma do gorila da planície ocidental e comparou mais de 11.000 de seus genes com os dos humanos modernos, Homo sapiens, e os dos chimpanzés.

Os gorilas se separaram da linhagem humano-chimpanzé há cerca de 10 milhões de anos, e cerca de quatro milhões de anos depois homens e chimpanzés emergiram como espécies diferentes, uma ideia que coincide com as evidências fósseis.

A comparação também derruba convicções sobre similaridades entre os principais primatas, dizem os pesquisadores.

Como era esperado, humanos e chimpanzés compartilhavam a maior parte dos genes.

Mas 15% do genoma humano é mais próximo ao genoma do gorila do que ao do chimpanzé – e 15% do genoma do chimpanzé é mais próximo ao genoma do gorila do que ao do humano.

“Nossas descobertas mais significativas revelam não apenas diferenças entre as espécies refletindo milhões de anos de divergências evolutivas, mas também similaridades nas mudanças em paralelo ao longo do tempo desde seu ancestral comum”, disse Chris Tyler-Smith, do Britain’s Wellcome Trust Sanger Institute.

“Descobrimos que gorilas compartilham muitas mudanças genéticas paralelas com humanos – incluindo a evolução de nossa audição”.

“Cientistas sugeriram que a rápida evolução dos genes de audição dos humanos estava ligada à evolução da linguagem. Nossos resultados colocam isso em questão, já que os genes de audição evoluíram em gorilas na mesma proporção que nos humanos”.

Os próprios gorilas começaram a se dividir em dois grupos, o gorila da planície oriental e o gorila da planície ocidental, cerca de um milhão de anos atrás.

O estudo joga um balde de água fria naqueles que defendem a noção de que a separação entre espécies de primatas ocorreu de maneira abrupta, em um período relativamente curto.

Na verdade, o processo foi longo e muito gradual.

Havia provavelmente uma quantidade razoável de “fluxo gênico”, ou um cruzamento entre linhagens genéticas levemente diferentes, os dois antes que os gorilas se separassem dos outros macacos e antes que os próprios gorilas se dividissem em duas espécies.

Poderia haver um paralelo na separação entre chimpanzés e bonomos, ou entre humanos modernos e Neanderthais, afirmam os autores.

Uma nova teoria sobre Neanderthais é que eles eram mais do que primos próximos – o H. sapiens ocasionalmente cruzava com eles e incorporou alguns de seus genes nos humanos modernos.

Os próprios Neandherthais se extinguiram como uma espécie separada há cerca de 40 mil anos, dizimados quer por uma mudança climática ou devido ao próprio H. sapiens, de acordo com algumas hipóteses.

A amostra de DNA foi retirada de uma gorila da planície ocidental chamada Kamilah.

Depois de prosperar por milhões de anos, os gorilas sobrevivem hoje em apenas algumas poucas populações ameaçadas da África central, e sua quantidade diminui devido à caça e à perda de habitat.

“Bem como nos ensinar sobre evolução humana, o estudo dos grandes macacos nos conecta a um tempo no qual nossa existência era mais tênue, e, ao fazer isso, ressalta a importância de proteger e conservar estas espécies notáveis”, afirma o estudo.

Fonte: Veja Ciência


8 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Casamento ‘arranjado’ de gorilas em zoo tem fim trágico nos EUA

Morte de bebê gorila ilustra dificuldades enfrentadas por biólogos na luta para preservar espécies ameaçadas.

Biólogos que trabalham em zoológicos usam análise genética, dados demográficos e um conhecimento íntimo dos animais para planejar sua reprodução.

A ideia é evitar procriações consanguíneas e assegurar o nascimento de bebês saudáveis. Às vezes, no entanto, toda a ciência e o cuidado atento dos funcionários do zoológico não são suficientes para evitar uma tragédia.

O gorila Kwan, de 22 anos, e a fêmea Bana, de 16, foram apresentados um ao outro no Lincoln Park Zoo, em Chicago, e pareciam formar um bom par.

Kwan já tinha um filho pequeno. Bana, apesar de mais nova, parecia pronta para a maternidade.

Análises feitas por computador mostraram que o casal, cuja espécie é original das planícies ocidentais africanas, não possuía ancestrais recentes em comum – ou seja, do ponto de vista genético, os dois formavam um bom par.

Bana foi trazida do zoológico onde vivia, em Brookfield, no mesmo Estado de Illinois, a cerca de 30 km de distância. Meses depois, no dia 16 de novembro, ela teve um bebê fêmea. No entanto, pouco mais de uma semana depois, o bebê apareceu morto.

Casos de infanticídio não são raros entre gorilas. Em maio último, no London Zoo (o zoológico de Londres), um gorila de sete meses cujo pai havia morrido foi morto por um macho adulto introduzido no grupo pela equipe do zoológico.

Os especialistas do Lincoln Park Zoo não sabem ao certo o que aconteceu no caso da bebê gorila. Mas a diretora de comunicações do zoológico, Sharon Dewar, disse que a equipe não acredita que tenha havido infanticídio e, sim, um trágico acidente.

Controle sexual
A união de Kwan e Bana resultou de um sofisticado plano de reprodução criado por uma equipe de biólogos para assegurar a futura saúde genética da população de gorilas dos Estados Unidos.

Os gorilas das planícies ocidentais estão entre cerca de 300 espécies de animais em zoológicos nos Estados Unidos cujas vidas sexuais são cuidadosamente controladas pelo Population Management Center – centro de administração de populações – do Lincoln Park Zoo.

No centro, especialistas em diversas espécies assumem o papel de cupidos, formando casais de tamanduás, ocapis, papagaios e muitos outros animais. O centro tem mais de 80 mil criaturas sob seu controle.

A diretora do centro, Sarah Long, disse que o processo é parecido com sites que intermedeiam namoros, para pessoas que procuram parceiros pela internet.

‘Usamos computadores e bancos de dados para juntar um macho com uma fêmea – e às vezes produzir filhos’, disse Long.

Ela explicou que o objetivo dos zoológicos hoje em dia não é trazer animais selvagens para o cativeiro. ‘Hoje, os zoológicos estão mais focados em preservar o que já têm’.O programa de computador compara as linhagens dos machos e das fêmeas, muitas vezes traçando sua árvore genealógica até o tempo em que viviam livres, para determinar se formam um bom par do ponto de vista genético.

O que eles querem são dois animais cujos genes são raros naquela população – ou seja, que tenham poucos parentes vivendo nos zoológicos americanos.

Outros fatores considerados são idade, distância entre os zoológicos onde os animais vivem e se o zoológico tem recursos para cuidar de mais um animal.

‘Analisamos a idade daquela girafa. Ela é valiosa ou não?’, exemplificou Long.

‘Queremos que ela se reproduza? Ela está em idade de reproduzir? Existe um macho por aí, tão valioso quanto ela, com quem ela poderia se acasalar? Ele tem a idade correta?’

Bana e Kwan
No ano passado, havia 342 gorilas das planícies ocidentais distribuídos por 52 zoológicos nos Estados Unidos.

Kwan estava maduro do ponto de vista sexual e social, e Bana vivia a poucos quilômetros de distância.A equipe do Lincoln Park Zoo achava que Bana se encaixaria bem na irmandade de gorilas fêmeas que já vivia com Kwan e com seu filho Amare, de seis anos.A jovem gorila foi transportada para seu novo lar em um veículo com condições climáticas controladas.

Bana e Kwan foram apresentados e começou a paquera. Bana olhava insistentemente para Kwan, muitas vezes durante uma hora inteira.

‘Demos pílulas anticoncepcionais a ela para assegurar que estaria socialmente integrada no grupo antes de ficar grávida’, disse Long.

Embora estivesse tomando a pílula, Bana entrava no cio e o casal ‘convidava um ao outro para o acasalamento’, explicou Maureen Leahy, curadora de primatas do Lincoln Park Zoo.

Bebê saudável
Nesse meio-tempo, Bana ia se adaptando à sua posição baixa na hierarquia social do grupo.

Muitas vezes, isso requeria que ela mantivesse distância de Kwan, que na sua condição de macho de lombo prateado, ocupava o topo da hierarquia social. (Nessa espécie, a pelagem nas costas do macho dominante, no pico de sua maturidade sexual, ganha a cor prateada.)

Finalmente, os especialistas do zoológico decidiram que Bana estava pronta para ser mãe e pararam de lhe dar a pílula.

O bebê nasceu saudável.

Para se certificar de que tudo corria bem, a equipe manteve mãe e filha sob observação durante 24 horas por dia nos sete primeiros dias de vida da criança.

Bana aprendia rápido a cuidar da bebê. Seu status social se elevou. Ela começou a comer junto com Kwan, que reconheceu a filha como sua e a protegia quando outros gorilas brincavam nas redondezas.

Mas na manhã do dia 25 de novembro, nove dias após o nascimento, a equipe do zoológico notou que a bebê parecia sem vida nos braços da mãe. Logo, os especialistas se deram conta de que ela havia morrido durante a noite.

Investigações revelaram que a bebê havia morrido por causa de uma fratura no crânio.

A equipe enfatizou, no entanto, que não houve violência: uma autópsia constatou que não havia outros ferimentos, arranhões, pancadas ou sinais de pelos arrancados. O bebê estava em saúde perfeita.

‘A única coisa que parece ser causa determinante da morte parece ser um traumatismo na parte de trás da cabeça’, disse Leahy. ‘Foi um acidente’.

‘Não há sinais de que o grupo (tenha se comportado de forma) inapropriada’.

Luto
Leahy disse que a morte da bebê gorila não levou a equipe do Population Management Center a questionar sua decisão de emparelhar Kwan e Bana.

‘Bana vinha demonstrando comportamento maternal totalmente apropriado e o próprio grupo social vinha demonstrando comportamento apropriado (em relação) a um novo bebê’, disse. ‘No meu entendimento, esses eram sinais de sucesso’.

No momento, os gorilas aparentam estar de luto.

‘O grupo como um todo definitivamente reconheceu a perda dessa criança’, disse Leahy.

‘Houve muitas fungadas e contato físico (de) algumas das fêmeas que em outras situações não teriam necessariamente interagido com Bana. O grupo todo realmente deu atenção a ela durante vários dias após o bebê ter partido. Em termos de comportamento, o grupo estava um pouco apático’.

Kwan e Bana vêm passando tempo juntos e Leahy disse esperar que ainda possa haver um final feliz para essa história.

‘Vamos continuar a manter nossa recomendação de que ela se reproduza’, disse. ‘Vamos continuar a deixar que a natureza siga seu curso natural.’

Casamento 'arranjado' de gorilas em zoo tem fim trágico nos EUA (Foto: BBC)

Casamento 'arranjado' de gorilas em zoo tem fim trágico nos EUA (Foto: BBC)

Fonte: BBC


15 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Gorila encontra na proteína segredo para se manter em forma

Ao contrário do que acontece com os humanos, os gorilas não estão enfrentando uma epidemia de obesidade. O motivo é que os primatas seguem uma dieta sem gordura supérflua.

A concentrações de proteína são similares às recomendadas pela Associação Americana de Cardiologia para os humanos, afirma a antropóloga Jessica Rothman, do Hunter College, da Universidade de Nova York.

Rothman e colegas estudaram os gorilas das montanhas de Uganda e descobriram que eles têm uma dieta rica em proteína, complementada com frutas.

Quase 17% do total consumido diariamente é constituído de proteína, porcentagem que se aproxima dos 15% recomendados pela associação.

O estudo, que está na edição atual da revista “Biology Letters”, constatou que, em certas épocas do ano, quando as frutas não estão disponíveis, as folhas ricas em proteína predominam na dieta dos gorilas.

Nesse período, a proteína corresponde a cerca de 31% da ingestão de energia deles –quantidade semelhante ao conteúdo dos regimes alimentares de perda de peso, ricos em proteína, como a dieta Atkins (dieta criada por Robert Atkins que enfatiza o baixo consumo de carboidrato).

“Nesse período eles consomem proteína em excesso para atender às suas necessidades energéticas”, afirma Rothman.

Compreendendo a dieta dos gorilas, os pesquisadores podem entender melhor a evolução da dieta humana, segundo David Raubenheimer, coautor do estudo e ecólogo nutricional da Universidade Massey, na Nova Zelândia.

ALIMENTOS EM ABUNDÂNCIA

Os alimentos ricos em açúcares, amido e gorduras, difíceis de obter em outros tempos, hoje existem em abundância.

Raubenheimer diz: “[As sociedades modernas] estão diminuindo a concentração de proteína de sua dieta. Contudo, nós nos alimentamos para obter a mesma quantidade de proteínas de que necessitávamos antes e, ao fazer isso, estamos comendo em excesso.”

O estudo também ajudou a preservar e criar um habitat perfeito para os gorilas-da-montanha, que estão em risco de extinção. Atualmente, existem cerca de 800.

Rothman está em Uganda realizando um estudo nutricional semelhante em outros primatas, entre eles o macaco-do-rabo-vermelho e o babuíno.

Fonte: DO “NEW YORK TIMES”






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23 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Grandes macacos surgiram há 25 milhões de anos, indicam fósseis

Reconstrução artística do _Rukwapithecus_ (à esq.) e do _Nsungwepithecus_ (à dir.)

Reconstrução artística do Rukwapithecus fleaglei (à esq.) e do Nsungwepithecus gunnelli (à dir.). Ilustração Mauricio Antón/Divulgação

Dois fósseis aparentemente insignificantes –uma mandíbula e um único dente– acabam de ajudar os cientistas a traçar um quadro mais claro da origem do grupo de primatas ao qual pertence o homem.

Ambos os fósseis têm 25 milhões de anos. O primeiro representa o mais antigo hominoide, ou grande macaco –animais como chimpanzés, gorilas, orangotangos e o Homo sapiens. Já o segundo é o mais velho entre os macacos com rabo do Velho Mundo, animais como babuínos e resos, por exemplo.

A pesquisa descrevendo os fósseis está na revista científica “Nature” e tem como primeira autora Nancy Stevens, da Universidade de Ohio (EUA). Os dois bichos viviam na Tanzânia, na África Oriental –região que já é famosa por outros fósseis importantes para entender a evolução humana.

Para quem acha estranho que cacos tão diminutos sejam usados para batizar duas espécies, é importante lembrar que, no caso dos mamíferos, as características da mandíbula e dos dentes são muito típicas de cada animal, ajudando a inferir não apenas sua dieta como também, em geral, suas relações de parentesco.

Em entrevista à Folha, Stevens contou que o maior dos bichos, o hominoideRukwapithecus fleaglei, devia ter uns 12 kg. É mais difícil estimar o tamanho do outro macaco, o Nsungwepithecus gunnelli, já que ele é só conhecido com base num dente, mas ele devia ter um pouco menos do que isso.

Os bichos viviam num ambiente um tanto apocalíptico: montanhas vulcânicas ladeavam uma região semiárida, na qual também havia pântanos e lagos. Na época, já estava começando a surgir o imenso vale que caracteriza a África Oriental de hoje, formado pelo afastamento de duas placas tectônicas –era isso o que gerava o vulcanismo na região.

E essa pode ser uma das peças do quebra-cabeças para explicar por que, afinal, os macacões ancestrais do homem surgiram nesse momento, separando-se dos macacos com cauda.

“Antes, havia ali inúmeros primatas relativamente pequenos”, conta Stevens. “Milhões de anos mais tarde, quando a África se encontra com a Ásia [antes, o continente era uma ilha], surgem primatas de maior tamanho, e uma das ideias é que eles tivessem evoluído para se adaptar à competição com a fauna asiática que invadiu a África.”

No entanto, o notável a respeito das novas espécies é que elas já são grandinhas. “Isso pode indicar que a formação do vale e dos vulcões na região criou ambientes heterogêneos, que favoreceram a diversificação dessas espécies”, diz o australiano Eric Roberts, geólogo da Universidade James Cook que é coautor do estudo. “Mas ainda não temos certeza disso.”

 

Fonte: Folha.com


26 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Missão tenta salvar gorilas ameaçados em meio a conflito no Congo

Acordo entre governo e rebeldes permitirá que patrulheiros possam monitorar espécie.

Um grupo de patrulheiros no Congo se prepara para uma missão que tentará salvar famílias de gorilas que desapareceram após uma intensificação do conflito entre forças do governo e rebeldes no país. O governo fez um acordo com o grupo rebelde M23, para permitir que os patrulheiros possam rastrear seis famílias de gorilas-de-montanha.

Os cerca de 200 mamíferos vivem no parque nacional de Virungo, localizado ao leste do país, e representam um quarto da população da espécie. O diretor do parque, Emmanuel de Merode, comemorou a decisão: “Nós estamos satisfeitos e aliviados que todas as partes do conflito reconheceram a necessidade de proteger os únicos gorilas-de-montanha do Congo”.

Os combates na região se intensificaram em abril, quando a área de conservação fechou as portas ao público. Desde o dia 8 de maio, as equipes responsáveis por acompanhar os gorilas evacuaram a área, que sofreu com intensos conflitos de artilharia pesada e, até mesmo, helicópteros de combate.

‘Os gorilas são muito espertos. Eles, sem dúvida, ao ouvir as explosões, se afastaram dos locais de conflito. O importante, agora, é localizá-los’, disse à BBC Brasil Lu Anne Cadd, assessora de imprensa do parque.

As famílias de gorilas-de-montanha não são vistos há mais de dez semanas. Os patrulheiros do parque são, no momento, os únicos membros do governo autorizados a circular na região. Eles irão se dividir em sete grupos e trabalhar em conjunto com a população local para localizar os gorilas.

O trabalho, que estava marcado para ter início nesta semana, será de encontrar os gorilas, identificar cada um deles e checar sua situação de saúde, já que a espécie é muito vulnerável a doenças.

Eles vão ainda remover armadilhas e fazer rondas constantes para evitar a atuação de traficantes de animais. O trabalho é considerado de alto risco. Nos últimos 15 anos, 130 deles morreram em serviço.

Eles fazem a segurança do parque mais antigo da África. O parque nacional de Virunga tem 7.800 km² e é considerado patrimônio mundial da humanidade pela Unesco.

A República Democrática do Congo está em guerra civil há 12 anos e, desde o acirramento dos conflitos, mais de 200 mil pessoas foram desabrigadas.

Resgate gorila1 (Foto: Virunga National Park/BBC)

Exemplar de gorila resgatado em parque do Congo. (Foto: Virunga National Park/BBC)

Filhote de gorila (Foto: Virunga National Park/BBC)

Filhote de gorila que vive em parque do Congo e deverá ser resgatado. (Foto: Virunga National Park/BBC)

gorila (Foto: Virunga National Park/BBC)

Objetivo da missão é evitar que ataques atinjam primatas. (Foto: Virunga National Park/BBC)

Resgate gorila1 (Foto: Virunga National Park/BBC)

Parque Nacional de Virunga é considerado patrimônio mundial da humanidade. (Foto: Virunga National Park/BBC)

Fonte: Globo Natureza


15 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas decodificam código genético do bonobo

Com o sequenciamento genético de um dos parentes mais próximos do homem, os cientistas esperam descobrir como era o ancestral comum entre o ser humano e outros primatas

Um grupo internacional de cientistas decodificou o código genético do bonobo. Entre os símios – grupo de primatas formado por orangotangos, chimpanzés, gorilas e bonobos -, esse é o último a ter seu genoma decodificado. O sequenciamento genético do bonobo foi publicado nesta terça-feira na revista Nature.

Para realizar a pesquisa, os cientistas obtiveram dados de Ulindi, uma fêmea de bonobo do zoológico de Leipzig, na Alemanha. Com essa informação genética, os cientistas esperam conhecer melhor a linhagem humana.

Semelhanças e diferenças — A comparação entre os genomas do bonobo, do chimpanzé e do homem mostrou que os humanos têm uma diferenciação de 1,3% de ambos. Chimpanzés e bonobos são mais próximos: a diferença genética entre eles é de apenas 0,4%

Embora sejam similares em muitos aspectos, os símios africanos diferem em comportamentos sociais e sexuais importantes e alguns demonstram mais similaridade com os humanos do que entre si.

Para o cientista Kay Pruefer, biólogo do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva (Alemanha), a pesquisa forneceu mais informações sobre bonobos e chimpanzés do que sobre os humanos.

Em busca do ancestral comum — “Esperamos que o entendimento das diferenças entre bonobos e chimpanzés nos ajude, um dia, a entender como era o ancestral comum (de humanos, chimpanzés e bonobos)”, disse Pruefer. ”Seria muito interessante descobrir qual foi o traço que os humanos adquiriram em sua evolução ao longo de milhões de anos”, concluiu.

Os cientistas explicaram que o sequenciamento genético demonstrou que bonobos e chimpanzés não se misturaram ou cruzaram entre si depois que seus caminhos se separaram geograficamente, cerca de dois milhões de anos atrás, provavelmente na época da formação do Rio Congo.

Chimpanzés

Os machos competem agressivamente por domínio e sexo e unem forças para defender seu território atacando outros grupos.

Esses animais se espalham ao longo da África equatorial.

Bonobos

Os machos costumam ser subordinados às fêmeas, não competem por hierarquia e não tomam parte em confrontos. São animais brincalhões e fazem sexo por diversão, não apenas para se reproduzir.

Estão restritos ao sul do Rio Congo, na República Democrática do Congo. Devido ao seu hábitat pequeno e remoto, os bonobos foram a última espécie de símios “descoberta” nos 1920, e são os mais raros de todos os símios em cativeiro.

Espécie de chimpanzé banobo

Cientistas divulgaram nesta terça-feira o sequenciamento genético dos bonobos, um dos parentes mais próximos do homem (Issouf Sanogo/AFP)

Fonte: Veja Ciência


8 de março de 2012 | nenhum comentário »

Genes de macacos mostram que temos gorilas entre nós

Nossos ancestrais passaram pela divisão evolutiva com os gorilas há cerca de 10 milhões de anos, mas ainda compartilhamos um notável número de genes com o grande macaco, de acordo com um inovador estudo publicado nesta quarta-feira.

Um consórcio mundial de cientistas sequenciou o genoma do gorila da planície ocidental e comparou mais de 11.000 de seus genes com os dos humanos modernos, Homo sapiens, e os dos chimpanzés.

Os gorilas se separaram da linhagem humano-chimpanzé há cerca de 10 milhões de anos, e cerca de quatro milhões de anos depois homens e chimpanzés emergiram como espécies diferentes, uma ideia que coincide com as evidências fósseis.

A comparação também derruba convicções sobre similaridades entre os principais primatas, dizem os pesquisadores.

Como era esperado, humanos e chimpanzés compartilhavam a maior parte dos genes.

Mas 15% do genoma humano é mais próximo ao genoma do gorila do que ao do chimpanzé – e 15% do genoma do chimpanzé é mais próximo ao genoma do gorila do que ao do humano.

“Nossas descobertas mais significativas revelam não apenas diferenças entre as espécies refletindo milhões de anos de divergências evolutivas, mas também similaridades nas mudanças em paralelo ao longo do tempo desde seu ancestral comum”, disse Chris Tyler-Smith, do Britain’s Wellcome Trust Sanger Institute.

“Descobrimos que gorilas compartilham muitas mudanças genéticas paralelas com humanos – incluindo a evolução de nossa audição”.

“Cientistas sugeriram que a rápida evolução dos genes de audição dos humanos estava ligada à evolução da linguagem. Nossos resultados colocam isso em questão, já que os genes de audição evoluíram em gorilas na mesma proporção que nos humanos”.

Os próprios gorilas começaram a se dividir em dois grupos, o gorila da planície oriental e o gorila da planície ocidental, cerca de um milhão de anos atrás.

O estudo joga um balde de água fria naqueles que defendem a noção de que a separação entre espécies de primatas ocorreu de maneira abrupta, em um período relativamente curto.

Na verdade, o processo foi longo e muito gradual.

Havia provavelmente uma quantidade razoável de “fluxo gênico”, ou um cruzamento entre linhagens genéticas levemente diferentes, os dois antes que os gorilas se separassem dos outros macacos e antes que os próprios gorilas se dividissem em duas espécies.

Poderia haver um paralelo na separação entre chimpanzés e bonomos, ou entre humanos modernos e Neanderthais, afirmam os autores.

Uma nova teoria sobre Neanderthais é que eles eram mais do que primos próximos – o H. sapiens ocasionalmente cruzava com eles e incorporou alguns de seus genes nos humanos modernos.

Os próprios Neandherthais se extinguiram como uma espécie separada há cerca de 40 mil anos, dizimados quer por uma mudança climática ou devido ao próprio H. sapiens, de acordo com algumas hipóteses.

A amostra de DNA foi retirada de uma gorila da planície ocidental chamada Kamilah.

Depois de prosperar por milhões de anos, os gorilas sobrevivem hoje em apenas algumas poucas populações ameaçadas da África central, e sua quantidade diminui devido à caça e à perda de habitat.

“Bem como nos ensinar sobre evolução humana, o estudo dos grandes macacos nos conecta a um tempo no qual nossa existência era mais tênue, e, ao fazer isso, ressalta a importância de proteger e conservar estas espécies notáveis”, afirma o estudo.

Fonte: Veja Ciência


8 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Casamento ‘arranjado’ de gorilas em zoo tem fim trágico nos EUA

Morte de bebê gorila ilustra dificuldades enfrentadas por biólogos na luta para preservar espécies ameaçadas.

Biólogos que trabalham em zoológicos usam análise genética, dados demográficos e um conhecimento íntimo dos animais para planejar sua reprodução.

A ideia é evitar procriações consanguíneas e assegurar o nascimento de bebês saudáveis. Às vezes, no entanto, toda a ciência e o cuidado atento dos funcionários do zoológico não são suficientes para evitar uma tragédia.

O gorila Kwan, de 22 anos, e a fêmea Bana, de 16, foram apresentados um ao outro no Lincoln Park Zoo, em Chicago, e pareciam formar um bom par.

Kwan já tinha um filho pequeno. Bana, apesar de mais nova, parecia pronta para a maternidade.

Análises feitas por computador mostraram que o casal, cuja espécie é original das planícies ocidentais africanas, não possuía ancestrais recentes em comum – ou seja, do ponto de vista genético, os dois formavam um bom par.

Bana foi trazida do zoológico onde vivia, em Brookfield, no mesmo Estado de Illinois, a cerca de 30 km de distância. Meses depois, no dia 16 de novembro, ela teve um bebê fêmea. No entanto, pouco mais de uma semana depois, o bebê apareceu morto.

Casos de infanticídio não são raros entre gorilas. Em maio último, no London Zoo (o zoológico de Londres), um gorila de sete meses cujo pai havia morrido foi morto por um macho adulto introduzido no grupo pela equipe do zoológico.

Os especialistas do Lincoln Park Zoo não sabem ao certo o que aconteceu no caso da bebê gorila. Mas a diretora de comunicações do zoológico, Sharon Dewar, disse que a equipe não acredita que tenha havido infanticídio e, sim, um trágico acidente.

Controle sexual
A união de Kwan e Bana resultou de um sofisticado plano de reprodução criado por uma equipe de biólogos para assegurar a futura saúde genética da população de gorilas dos Estados Unidos.

Os gorilas das planícies ocidentais estão entre cerca de 300 espécies de animais em zoológicos nos Estados Unidos cujas vidas sexuais são cuidadosamente controladas pelo Population Management Center – centro de administração de populações – do Lincoln Park Zoo.

No centro, especialistas em diversas espécies assumem o papel de cupidos, formando casais de tamanduás, ocapis, papagaios e muitos outros animais. O centro tem mais de 80 mil criaturas sob seu controle.

A diretora do centro, Sarah Long, disse que o processo é parecido com sites que intermedeiam namoros, para pessoas que procuram parceiros pela internet.

‘Usamos computadores e bancos de dados para juntar um macho com uma fêmea – e às vezes produzir filhos’, disse Long.

Ela explicou que o objetivo dos zoológicos hoje em dia não é trazer animais selvagens para o cativeiro. ‘Hoje, os zoológicos estão mais focados em preservar o que já têm’.O programa de computador compara as linhagens dos machos e das fêmeas, muitas vezes traçando sua árvore genealógica até o tempo em que viviam livres, para determinar se formam um bom par do ponto de vista genético.

O que eles querem são dois animais cujos genes são raros naquela população – ou seja, que tenham poucos parentes vivendo nos zoológicos americanos.

Outros fatores considerados são idade, distância entre os zoológicos onde os animais vivem e se o zoológico tem recursos para cuidar de mais um animal.

‘Analisamos a idade daquela girafa. Ela é valiosa ou não?’, exemplificou Long.

‘Queremos que ela se reproduza? Ela está em idade de reproduzir? Existe um macho por aí, tão valioso quanto ela, com quem ela poderia se acasalar? Ele tem a idade correta?’

Bana e Kwan
No ano passado, havia 342 gorilas das planícies ocidentais distribuídos por 52 zoológicos nos Estados Unidos.

Kwan estava maduro do ponto de vista sexual e social, e Bana vivia a poucos quilômetros de distância.A equipe do Lincoln Park Zoo achava que Bana se encaixaria bem na irmandade de gorilas fêmeas que já vivia com Kwan e com seu filho Amare, de seis anos.A jovem gorila foi transportada para seu novo lar em um veículo com condições climáticas controladas.

Bana e Kwan foram apresentados e começou a paquera. Bana olhava insistentemente para Kwan, muitas vezes durante uma hora inteira.

‘Demos pílulas anticoncepcionais a ela para assegurar que estaria socialmente integrada no grupo antes de ficar grávida’, disse Long.

Embora estivesse tomando a pílula, Bana entrava no cio e o casal ‘convidava um ao outro para o acasalamento’, explicou Maureen Leahy, curadora de primatas do Lincoln Park Zoo.

Bebê saudável
Nesse meio-tempo, Bana ia se adaptando à sua posição baixa na hierarquia social do grupo.

Muitas vezes, isso requeria que ela mantivesse distância de Kwan, que na sua condição de macho de lombo prateado, ocupava o topo da hierarquia social. (Nessa espécie, a pelagem nas costas do macho dominante, no pico de sua maturidade sexual, ganha a cor prateada.)

Finalmente, os especialistas do zoológico decidiram que Bana estava pronta para ser mãe e pararam de lhe dar a pílula.

O bebê nasceu saudável.

Para se certificar de que tudo corria bem, a equipe manteve mãe e filha sob observação durante 24 horas por dia nos sete primeiros dias de vida da criança.

Bana aprendia rápido a cuidar da bebê. Seu status social se elevou. Ela começou a comer junto com Kwan, que reconheceu a filha como sua e a protegia quando outros gorilas brincavam nas redondezas.

Mas na manhã do dia 25 de novembro, nove dias após o nascimento, a equipe do zoológico notou que a bebê parecia sem vida nos braços da mãe. Logo, os especialistas se deram conta de que ela havia morrido durante a noite.

Investigações revelaram que a bebê havia morrido por causa de uma fratura no crânio.

A equipe enfatizou, no entanto, que não houve violência: uma autópsia constatou que não havia outros ferimentos, arranhões, pancadas ou sinais de pelos arrancados. O bebê estava em saúde perfeita.

‘A única coisa que parece ser causa determinante da morte parece ser um traumatismo na parte de trás da cabeça’, disse Leahy. ‘Foi um acidente’.

‘Não há sinais de que o grupo (tenha se comportado de forma) inapropriada’.

Luto
Leahy disse que a morte da bebê gorila não levou a equipe do Population Management Center a questionar sua decisão de emparelhar Kwan e Bana.

‘Bana vinha demonstrando comportamento maternal totalmente apropriado e o próprio grupo social vinha demonstrando comportamento apropriado (em relação) a um novo bebê’, disse. ‘No meu entendimento, esses eram sinais de sucesso’.

No momento, os gorilas aparentam estar de luto.

‘O grupo como um todo definitivamente reconheceu a perda dessa criança’, disse Leahy.

‘Houve muitas fungadas e contato físico (de) algumas das fêmeas que em outras situações não teriam necessariamente interagido com Bana. O grupo todo realmente deu atenção a ela durante vários dias após o bebê ter partido. Em termos de comportamento, o grupo estava um pouco apático’.

Kwan e Bana vêm passando tempo juntos e Leahy disse esperar que ainda possa haver um final feliz para essa história.

‘Vamos continuar a manter nossa recomendação de que ela se reproduza’, disse. ‘Vamos continuar a deixar que a natureza siga seu curso natural.’

Casamento 'arranjado' de gorilas em zoo tem fim trágico nos EUA (Foto: BBC)

Casamento 'arranjado' de gorilas em zoo tem fim trágico nos EUA (Foto: BBC)

Fonte: BBC


15 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Gorila encontra na proteína segredo para se manter em forma

Ao contrário do que acontece com os humanos, os gorilas não estão enfrentando uma epidemia de obesidade. O motivo é que os primatas seguem uma dieta sem gordura supérflua.

A concentrações de proteína são similares às recomendadas pela Associação Americana de Cardiologia para os humanos, afirma a antropóloga Jessica Rothman, do Hunter College, da Universidade de Nova York.

Rothman e colegas estudaram os gorilas das montanhas de Uganda e descobriram que eles têm uma dieta rica em proteína, complementada com frutas.

Quase 17% do total consumido diariamente é constituído de proteína, porcentagem que se aproxima dos 15% recomendados pela associação.

O estudo, que está na edição atual da revista “Biology Letters”, constatou que, em certas épocas do ano, quando as frutas não estão disponíveis, as folhas ricas em proteína predominam na dieta dos gorilas.

Nesse período, a proteína corresponde a cerca de 31% da ingestão de energia deles –quantidade semelhante ao conteúdo dos regimes alimentares de perda de peso, ricos em proteína, como a dieta Atkins (dieta criada por Robert Atkins que enfatiza o baixo consumo de carboidrato).

“Nesse período eles consomem proteína em excesso para atender às suas necessidades energéticas”, afirma Rothman.

Compreendendo a dieta dos gorilas, os pesquisadores podem entender melhor a evolução da dieta humana, segundo David Raubenheimer, coautor do estudo e ecólogo nutricional da Universidade Massey, na Nova Zelândia.

ALIMENTOS EM ABUNDÂNCIA

Os alimentos ricos em açúcares, amido e gorduras, difíceis de obter em outros tempos, hoje existem em abundância.

Raubenheimer diz: “[As sociedades modernas] estão diminuindo a concentração de proteína de sua dieta. Contudo, nós nos alimentamos para obter a mesma quantidade de proteínas de que necessitávamos antes e, ao fazer isso, estamos comendo em excesso.”

O estudo também ajudou a preservar e criar um habitat perfeito para os gorilas-da-montanha, que estão em risco de extinção. Atualmente, existem cerca de 800.

Rothman está em Uganda realizando um estudo nutricional semelhante em outros primatas, entre eles o macaco-do-rabo-vermelho e o babuíno.

Fonte: DO “NEW YORK TIMES”