17 de dezembro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas usam imagens 3D para avaliar habitat de morsas no Ártico

Sistema de câmeras foi instalado em barco durante expedição.
Blocos de gelo precisam ter tamanho correto para servir de habitat.

Cientistas da Universidade de Delaware, nos Estados Unidos, desenvolveram um sistema de câmeras para mapear a superfície congelada do Oceano Ártico, em um esforço para avaliar o tamanho do habitat natural das morsas na região.

As imagens foram capturadas durante uma expedição de dois meses, iniciada em outubro. Elas foram feitas pelo pesquisador Scott Sorensen, que viajou em um navio de pesquisa alemão, o Polarstern. Foram instaladas três câmeras na embarcação para fazer os vídeos, que agora estão sendo reconstruídos em 3D para medir a topografia dos blocos de gelo no oceano, de acordo com o site da universidade.

As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (14). Imagens do gelo são difíceis de serem reconstruídas em três dimensões, porque são brancas e não possuem textura visual. Fotos de satélite poderiam ser úteis mas dão uma resolução de três metros por pixel, o que é ruim, na avaliação do pesquisador.

Já o sistema instalado pela universidade oferece uma precisão de 10 a 20 centímetros e permite uma melhor reconstrução da superfície de gelo, segundo o professor Chandra Kambhamettu, um dos idealizadores da pesquisa.

“O sistema utilizado no navio de expedição foi uma boa forma de obter imagens em 3D”, disse o docente, que leciona na Universidade de Delaware.

Para os pesquisadores, o trabalho pode criar uma base de dados para calcular o tamanho do habitat das morsas e dar outras informações que poderão no futuro ser usadas por cientistas e engenheiros.

Blocos de gelo
Sorensen explica que os blocos de gelo precisam ter uma medida equilibrada para que sirvam como habitat para as morsas. Se forem muito grandes, há risco de aparecerem predadores, como os ursos polares. Se forem pequenos, não aguentam o peso dos animais.

“Sem uma medida certa sobre os blocos de gelo e a espessura do gelo do mar, entre outras coisas, não podemos chamar uma certa região de habitat”, disse o cientista. As morsas usam estes blocos no oceano para se reproduzir, para descansar e até com propósitos migratórios, afirma o estudo.

Morsa descansa com filhote sobre bloco de gelo (Foto: Divulgação/University of Alaska Anchorage)

Morsa descansa com filhote sobre bloco de gelo (Foto: Divulgação/University of Alaska Anchorage)

Fonte: Globo Natureza


17 de dezembro de 2012 | nenhum comentário »

Mata tropical tem 18 mil espécies de artrópodes por hectare

Um esforço sem precedentes, reunindo mais de uma centena de cientistas, esquadrinhou uma floresta tropical do Panamá de alto a baixo na tentativa de responder uma pergunta aparentemente simples: quantas espécies de artrópodes (o grupo dos insetos e aranhas, entre outros bichos) existem ali?

O resultado -nada menos que 18 mil tipos de artrópodes em apenas meio hectare de mata- é a estimativa mais precisa já obtida a respeito da diversidade desses seres, que correspondem a mais de 80% dos animais da Terra.

“Até onde sabemos, conseguimos amostrar todos os habitats, do solo da floresta ao alto das árvores, e todos os principais grupos de artrópodes”, diz o brasileiro Sérvio Pontes Ribeiro, da Universidade Federal de Ouro Preto, coautor do estudo na edição de hoje da revista “Science”.

Ribeiro é especialista na diversidade de bichos no chamado dossel superior, a área mais alta da floresta.

Paradoxalmente, diz ele, o ambiente nessa região lembra o do cerrado: muita luz solar, pouca umidade e nutrientes mais escassos.

As condições especiais favoreceram a evolução de insetos que põem seus ovos dentro das folhas e formam uma espécie de tumor vegetal nelas -um abrigo mais úmido e nutritivo para elas.

Mapeando esse e outros ambientes com vários tipos de armadilhas e redes, os cientistas estimam que, em toda a floresta de San Lorenzo, com seus 6.000 hectares, há cerca de 25 mil espécies.

Curiosamente, um único hectare é suficiente para abrigar dois terços desse total.

“Essa é a grande mudança trazida pelo nosso estudo”, afirma Ribeiro.

“Achava-se que a maioria das espécies de artrópodes existia em espaços muito pequenos. O que nós estamos vendo é que elas ocorrem em áreas amplas e provavelmente precisam de territórios grandes.”

A equipe está replicando a metodologia em outros lugares, como a Austrália e Vanuatu, na Polinésia.

Com mais dados, a expectativa é que seja possível ter uma ideia mais clara sobre outro número misterioso: quantas espécies, no total, existem na Terra toda.

Cientistas em guindaste recolhem amostras de insetos no alto das arvores em floresta do Panama

Cientistas em guindaste recolhem amostras de insetos no alto das arvores em floresta do Panama. Foto:Divulgação

Fonte: Folha.com


26 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Biodiversidade cai em metade das florestas tropicais, aponta estudo

Análise publicada na revista ‘Nature’ avaliou 60 reservas em 20 a 30 anos.
Perturbação do habitat, caça e exploração são maiores fatores para declínio.

Metade das áreas protegidas de florestas tropicais do mundo está sofrendo um declínio na biodiversidade, segundo uma análise feita em 60 reservas e publicada na edição desta semana da revista “Nature”.

Para avaliar como esses locais estão funcionando, o pesquisador William Laurance e outros autores estudaram um grande conjunto de dados sobre as mudanças ocorridas ao longo dos últimos 20 a 30 anos.

A avaliação revela uma grande variação no estado dessas reservas, e 50% vivenciam perdas substanciais na variedade de animais e plantas. Perturbação do habitat natural, caça e exploração das florestas são os maiores fatores para esse declínio.

As reservas tropicais representam um último refúgio para espécies ameaçadas e processos naturais dos ecossistemas, em uma época que cresce a preocupação quanto ao impacto do homem sobre o crescimento da biodiversidade.

O estudo indica que, muitas vezes, áreas protegidas estão ecologicamente ligadas aos habitats ao redor, razão pela qual o destino delas é determinado por mudanças ambientais internas e externas.

Portanto, os pesquisadores afirmam que os esforços para manter a biodiversidade não devem se limitar a reduzir os problemas dentro das reservas, mas promover mudanças também fora dessas áreas.

Biodiversidade (Foto: Christian Ziegler/ZieglerPhotos.com/Nature)

Reservas são o último refúgio de espécies ameaçadas (Foto: Christian Ziegler/ZieglerPhotos.com/Nature)

Fonte: Globo Natureza


16 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Nova espécie de cobra é identificada no sudoeste do Camboja

‘Kukri Cambojana’ vive na região tropical das Montanhas Cardamomo.
Réptil de cor escarlate tem habitat ameaçado, diz organização ambiental.

Cobra (Foto: Neang Thy/FFI/AFP)

Nova espécie de cobra é identificada no sudoeste do Camboja, em uma região tropical conhecida como Montanhas Cardamomo. O réptil escarlate com anéis pretos e marrons foi chamado de 'Kukri Cambojana' e tem seu habitat ameaçado, disse a organização Fauna e Flora Internacional (FFI) (Foto: Neang Thy/FFI/AFP)

Fonte: Globo Natureza


29 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Aranha viúva-marrom toma o lugar da viúva-negra nos EUA, diz estudo

Espécie marrom só passou a viver no sul da Califórnia a partir de 2003.
Estudo coletou amostras em 72 locais e viu que animais brigam por habitat.

 

Cientistas americanos analisaram a presença de aranhas na Califórnia e perceberam que as viúvas-marrons podem estar ocupando o lugar das viúvas-negras no sul do estado. A conclusão do estudo será publicada na edição de julho da revista científica “Journal of Medical Entomology”.

A espécie marrom é relativamente nova na América do Norte: foi documentada na Flórida pela primeira vez em 1935, mas na Califórnia só apareceu em 2003. No entanto, na última década tem ocorrido uma grande proliferação desses artrópodes.

Se essa substituição se comprovar, o perigo para os donos das casas pode diminuir, já que a picada da viúva-marrom é menos tóxica que a da viúva-negra, nativa do oeste dos EUA e capaz de provocar sintomas como suor excessivo, dor local intensa e no abdômen, choque anafilático e até a morte em muitos casos.

Os autores analisaram a presença desses animais em 72 locais, como imóveis urbanos, terrenos agrícolas, parques e áreas naturais. Assim, puderam comparar a abundância e a seleção de habitat das duas espécies.

Em quase 97 horas de coleta, os cientistas encontraram 20 vezes mais viúvas-marrons que negras fora das casas, especialmente embaixo de mesas e cadeiras ao ar livre e em pequenos espaços de muros, paredes e objetos. Nenhuma aranha foi encontrada no interior das casas.

Segundo Richard Vetter, da Universidade da Califórnia em Riverside, as viúvas-marrons realmente se multiplicaram em um tempo muito curto, sendo detectadas em locais onde era esperado haver viúvas-negras. Isso revela uma concorrência e uma certa sobreposição de habitat.

Havia lugares onde somente as viúvas-marrons eram capazes de fazer casas, mas em outros as negras ainda predominavam. Segundo os pesquisadores, os proprietários das casas precisam conhecer os esconderijos das viúvas-marrons e ter mais cuidado ao colocar as mãos em cantos desconhecidos.

Viúva marrom (Foto: Richard S. Vetter/Centro de Pesquisa de Viúva-Marrom/Universidade da Califórnia)

Viúva-marrom (foto) está tomando o lugar da viúva-negra no sul da Califórnia. Picada da espécie marrom é menos tóxica que a da negra, segundo os pesquisadores (Foto: Richard S. Vetter/Universidade da Califórnia)

Fonte: Globo Natureza


17 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Coalas podem desaparecer em cinquenta anos, diz WWF

Destruição das florestas de eucaliptos e doenças levariam a espécie à extinção

A organização não governamental WWF alertou nesta terça-feira que a população de coalasda Austrália corre o risco de extinguir-se nos próximos 50 anos. O representante da ONG na Austrália, Martin Taylor, anunciou que nas últimas duas décadas a população de coalas diminuiu 42%. Segundo Taylor, se a tendência continuar, o marsupial pode desaparecer.

Ameaças - Os ecologistas atribuem a queda do número de coalas à destruição de seu habitat – provocado, segundo a WWF, pelo desenvolvimento humano e pelas alterações climáticas. A espécie vive em florestas naturais de eucaliptos e se alimenta principalmente das folhas frescas das árvores. Outra ameaça aos marsupiais são os surtos da doença clamídia. Essa bactéria, contra a qual os cientistas estão pesquisando uma vacina, produz lesões nos genitais e nos olhos dos coalas, causando infertilidade, cegueira e, posteriormente, a morte.

O número de coalas na Austrália oscila entre 40 mil e 250 mil exemplares, segundo estimativas. No mês passado, o governo australiano catalogou os coalas como “espécie vulnerável” na lista de animais ameaçados no país.

Folhas de eucalipto são o principal alimento dos coalas

Folhas de eucalipto são o principal alimento dos coalas (Reuters)

Fonte: Veja Ciência


2 de abril de 2012 | nenhum comentário »

União Europeia terá que proteger 29 espécies de borboletas ameaçadas

Relatório de organização ambiental lista formas de conservar insetos.
Em 15 anos, houve queda de 70% na população de 17 diferentes espécies.

Grande-borboleta-azul (Europa) (Foto: Divulgação/Chris van Swaay)

Grande-borboleta-azul (Phengaris arion), uma das espécies ameaçadas de extinção na Europa (Foto: Divulgação/Chris van Swaay)

Uma organização ambiental da Europa lançou um guia com orientações sobre como preservar espécies de borboletas que vivem no continente e são consideradas  ameaçadas de extinção.

O relatório, que teve destaque na edição desta semana da revista “Nature Conservation”, aponta 29 espécies listadas pela União Europeia.

Os países-membros terão a partir do lançamento do guia a responsabilidade de fornecer informações sobre como proteger os insetos e definir (além de cumprir) metas internacionais de biodiversidade.

O documento detalha informações sobre cada inseto, as exigências para conservar seus habitats e plantas utilizadas pelas borboletas como local para desova e alimentação.

Em declínio
De acordo com o relatório, as borboletas europeias estão sob ameaça constante. Cerca de 10% de todas as espécies correm risco de desaparecer. Indicadores mostram que houve queda de 70% na população de 17 diferentes espécies nos últimos 15 anos.

Entre as principais causas desta diminuição estão a destruição de áreas, transformadas pela agricultura — algumas delas abandonadas posteriormente.

Segundo a publicação, as borboletas são importantes indicadores do meio ambiente, já que respondem rapidamente a possíveis alterações do habitat. A gestão desses insetos garante a sobrevivência de outros seres, que fazem parte da biodiversidade europeia.

 

Fonte: Globo Natureza

 

 


27 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Confinados a espaços menores, coalas enfrentam doença fatal

Cientistas afirmam que infecção bacteriana tem capacidade de acabar com a espécie na Austrália

Uma das criaturas mais apreciadas da Austrália, o coala enfrenta sérios problemas. Em face da perda de seu habitat, das alterações climáticas e de doenças causadas por bactérias, ele está sendo forçado a ocupar regiões cada vez menores do país. No vasto estado de Queensland, que fica no extremo nordeste do país, pesquisas sugerem que de 2001 a 2008 o número de coalas diminuiu até 45 por cento nas áreas urbanas e 15 por cento no cerrado.

Além disso, embora as mudanças climáticas e a perda de habitat também afetem muitos outros animais exclusivos da Austrália – de pássaros e rãs a marsupiais como os vombates, pequenos cangurus e bandicoots – o que vem preocupando vários cientistas em relação ao destino dos coalas é uma infecção bacteriana.

“A doença é uma assassina de certa forma silenciosa e possui potencial bastante real para acabar com a população de coalas de Queensland”, afirmou a Dra. Amber Gillett, veterinária do Hospital da Vida Selvagem do Zoológico da Austrália, em Beerwah, Queensland.

A culpada pelas mortes é a clamídia, gênero de bactérias muito mais conhecido por causar doenças venéreas em humanos do que por devastar populações de coalas. Pesquisas recentes em Queensland mostraram o desenvolvimento de sintomas da doença em até 50 por cento dos coalas selvagens do estado, e muitos outros provavelmente estão infectados, mas sem apresentar os sintomas.

A bactéria é transmitida durante o nascimento, através do acasalamento e talvez em disputas, e as duas cepas encontradas são diferentes das causadoras da forma humana da doença. A primeira éChlamydia pecorum, que vem causando a maior parte dos problemas de saúde dos coalas do estado de Queensland, e a segunda e menos comum é a C. pneumoniae.

Ao contrário da C. pecorum, a cepa pneumoniae pode ser transmitida a outras espécies, mas até agora não há evidências de que tenha passado dos coalas para os seres humanos ou vice-versa.

A clamídia causa diversos sintomas nos coalas, incluindo infecção nos olhos, que pode levar à cegueira, tornando difícil a procura pelas escassas folhas de eucalipto, sua principal fonte de alimentação. A bactéria também pode produzir infecções respiratórias, junto com cistos que podem tornar as fêmeas de coalas inférteis.

A epidemia tem sido particularmente grave em Queensland, onde quase todos os animais estão infectados por um retrovírus, afirmou Gillett. O retrovírus que atinge os coalas é uma infecção semelhante ao HIV, que suprime o sistema imunológico e interfere na capacidade de lutar contra a clamídia.

“Nas populações de coalas do sul do país, onde a predominância do retrovírus é bem menor, funções imunes normais tendem a resultar em poucos casos de clamídia”, afirmou Gillett.

Tratar a clamídia em coalas selvagens é um desafio, afirmou Gillett. A doença é tão devastadora que apenas uma porcentagem pequena de animais pode ser tratada com sucesso e devolvida à natureza. Além disso, as fêmeas infectadas ficam muitas vezes inférteis – como a condição é irreversível, o crescimento futuro das populações também é afetado.

Não há tratamento disponível para o retrovírus dos coalas, contudo, pesquisadores estão trabalhando para testar uma vacina que ajudaria a evitar uma maior propagação da infecção por clamídia nos coalas de Queensland.

Um estudo publicado em 2010 no The American Journal of Reproductive Immunology descobriu que a vacina é segura e eficaz no tratamento de fêmeas de coala saudáveis. Mais trabalhos estão sendo realizados para testá-la em coalas infectados.

Professor de microbiologia da Universidade de Tecnologia de Queensland, Peter Timms está na liderança dos esforços para testar a vacina contra a clamídia em coalas, e tem esperanças de que outros testes da vacina sejam realizados este ano em coalas machos em cativeiro e posteriormente em coalas selvagens. Se tudo correr bem, os planos de distribuir a vacina mais amplamente podem ser postos em ação.

“Será impossível vacinar todos os coalas da natureza”, afirmou.

Não há um plano para salvar os coalas na Austrália. Cabe a cada região estabelecer planos de manejo para a sua população de coalas. Por isso, assim que for demonstrado que a vacina é totalmente segura e eficaz, Timms sugere a aplicação em populações específicas e ameaçadas, de locais que facilitem a captura e a soltura dos animais, como as populações cujas áreas estão totalmente delimitadas por estradas e empreendimentos habitacionais.

Timms também está trabalhando em uma vacina de dose única, para tornar mais viável a vacinação dos coalas selvagens.

Outra possibilidade seria tornar a distribuição da vacina parte da rotina no tratamento dos milhares de coalas trazidos aos centros de assistência todos os anos, após terem sido atropelados ou atacados por cães, afirmou Timms.

Embora seja uma combinação de problemas o que aflige a população de coalas selvagens, para muitos especialistas a vacina seria um passo importante a fim de contribuir para que sobrevivam por mais tempo. Ela pode proporcionar ganho de tempo suficiente para fornecer aos pesquisadores a oportunidade de resolver alguns dos outros problemas que os coalas enfrentam na Austrália.

“Nas situações em que estão associadas diminuição de habitat, ataques de cães domésticos e atropelamentos à infecção grave por clamídia, as consequências podem ser devastadoras”, afirmou Gillett.

Foto: National Geographic

Fonte: The New York Times


24 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Mais de 12% de espécies de área do Pacífico estão ameaçadas, diz IUCN

Pesca predatória, destruição de habitat e El Niño seriam principais causas.
Fauna e flora estudadas estão no Golfo da Califórnia, Panamá e Costa Rica.

Mais de 12% das espécies marinhas, animais ou vegetais, da região tropical leste do Oceano Pacífico estão ameaçadas de extinção devido à pesca predatória, à destruição de seu habitat e ao impacto do El Niño, segundo um estudo da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).

A investigação científica, primeira do tipo conduzido pela IUCN no Golfo da Califórnia, na costa do Panamá e da Costa Rica, além das cinco ilhas e arquipélagos, engloba toda a fauna e flora da região — peixes, mamíferos marinhos, tartarugas-marinhas, aves marinhas, corais, manguezais e algas. As zonas de maior risco são a entrada do Golfo da Califórnia a as costas do Panamá e da Costa Rica.

“Identificar espécies ameaçadas e as causas desta ameaça pode ajudar a definir as prioridades de conservação marinha na região”, afirmou Beth Polidoro, autora principal do estudo, enquanto Scott Henderson, coautor, acredita que “salvar espécies ameaçadas é a coisa mais importante que podemos fazer para proteger a saúde do oceano, necessária para o bem-estar de milhões de pessoas”.

Zona de proteção
A IUCN considera, ao final do relatório, que a criação de uma zona protegida em torno do atol de Clipperton — lponto localizado a mais de 2.500 km da costa dos EUA — deverá ser uma prioridade, assim como uma legislação para limitar a destruição de manguezais ao longo da costa do Panamá e da Costa Rica.

Nos últimos anos, pelo menos 20 espécies marinhas desapareceram no mundo, além de outros 133 grupos locais de espécies marinhas.

Dessa forma desapareceram espécies de peixes das Ilhas Galápagos durante a passagem do El Niño entre 1982 e 1983. Outrora abundante nas águas do sul da Califórnia e do Golfo da Califórnia, o peixe Totoaba e o bagre-gigante são considerados “criticamente ameaçados” devido à pesca predatória.

 

Fonte: Da France Presse


23 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Austrália irrita ambientalistas ao adiar proteção a coalas

O governo australiano irritou ambientalistas após adiar novamente a decisão sobre a possibilidade de adicionar o coala,  um símbolo nacional, na lista das espécies ameaçadas de extinção no país. Em 2011, uma investigação do Senado apontou que existem apenas 43 mil exemplares da espécie na Austrália. As informações são da rede CNN.

Milhões de coalas foram mortos desde a chegada dos colonos europeus no século 18. No início do século 20, a caça liberada também ajudou a dizimar a espécie e, nas últimas décadas, muitos animais morreram em decorrência da destruição do habitat natural e por doenças. Muitos ainda são vulneráveis a incêndios florestais e secas.

No entanto, o ministro do Ambiente, Tony Burke, disse que precisa de dez semanas para considerar novas informações do Comitê Científico de Espécies Ameaçadas (TSSC). É a segunda vez que a decisão foi atrasada, já que estava inicialmente prevista para outubro. “Eu não posso definir uma lista de espécies ameaçadas em toda a Austrália quando há muitos lugares onde o número coalas permanece elevado”, afirmou o ministro em comunicado.

Atualmente, os coalas são listadas como “vulneráveis” na legislação estadual de Queensland e New South Wales, e como “raros” no sul da Austrália. No entanto, não foi concedida nenhuma proteção adicional na legislação federal. Ativistas afirmam que uma lista nacional é necessária porque os governos estaduais não têm conseguido atuar frente ao declínio da população.

Ícone da Austrália, o coala teve sua população reduzida nos últimos anos. Foto: AFP

Ícone da Austrália, o coala teve sua população reduzida nos últimos anos Foto: AFP

Fonte: Portal Terra


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17 de dezembro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas usam imagens 3D para avaliar habitat de morsas no Ártico

Sistema de câmeras foi instalado em barco durante expedição.
Blocos de gelo precisam ter tamanho correto para servir de habitat.

Cientistas da Universidade de Delaware, nos Estados Unidos, desenvolveram um sistema de câmeras para mapear a superfície congelada do Oceano Ártico, em um esforço para avaliar o tamanho do habitat natural das morsas na região.

As imagens foram capturadas durante uma expedição de dois meses, iniciada em outubro. Elas foram feitas pelo pesquisador Scott Sorensen, que viajou em um navio de pesquisa alemão, o Polarstern. Foram instaladas três câmeras na embarcação para fazer os vídeos, que agora estão sendo reconstruídos em 3D para medir a topografia dos blocos de gelo no oceano, de acordo com o site da universidade.

As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (14). Imagens do gelo são difíceis de serem reconstruídas em três dimensões, porque são brancas e não possuem textura visual. Fotos de satélite poderiam ser úteis mas dão uma resolução de três metros por pixel, o que é ruim, na avaliação do pesquisador.

Já o sistema instalado pela universidade oferece uma precisão de 10 a 20 centímetros e permite uma melhor reconstrução da superfície de gelo, segundo o professor Chandra Kambhamettu, um dos idealizadores da pesquisa.

“O sistema utilizado no navio de expedição foi uma boa forma de obter imagens em 3D”, disse o docente, que leciona na Universidade de Delaware.

Para os pesquisadores, o trabalho pode criar uma base de dados para calcular o tamanho do habitat das morsas e dar outras informações que poderão no futuro ser usadas por cientistas e engenheiros.

Blocos de gelo
Sorensen explica que os blocos de gelo precisam ter uma medida equilibrada para que sirvam como habitat para as morsas. Se forem muito grandes, há risco de aparecerem predadores, como os ursos polares. Se forem pequenos, não aguentam o peso dos animais.

“Sem uma medida certa sobre os blocos de gelo e a espessura do gelo do mar, entre outras coisas, não podemos chamar uma certa região de habitat”, disse o cientista. As morsas usam estes blocos no oceano para se reproduzir, para descansar e até com propósitos migratórios, afirma o estudo.

Morsa descansa com filhote sobre bloco de gelo (Foto: Divulgação/University of Alaska Anchorage)

Morsa descansa com filhote sobre bloco de gelo (Foto: Divulgação/University of Alaska Anchorage)

Fonte: Globo Natureza


17 de dezembro de 2012 | nenhum comentário »

Mata tropical tem 18 mil espécies de artrópodes por hectare

Um esforço sem precedentes, reunindo mais de uma centena de cientistas, esquadrinhou uma floresta tropical do Panamá de alto a baixo na tentativa de responder uma pergunta aparentemente simples: quantas espécies de artrópodes (o grupo dos insetos e aranhas, entre outros bichos) existem ali?

O resultado -nada menos que 18 mil tipos de artrópodes em apenas meio hectare de mata- é a estimativa mais precisa já obtida a respeito da diversidade desses seres, que correspondem a mais de 80% dos animais da Terra.

“Até onde sabemos, conseguimos amostrar todos os habitats, do solo da floresta ao alto das árvores, e todos os principais grupos de artrópodes”, diz o brasileiro Sérvio Pontes Ribeiro, da Universidade Federal de Ouro Preto, coautor do estudo na edição de hoje da revista “Science”.

Ribeiro é especialista na diversidade de bichos no chamado dossel superior, a área mais alta da floresta.

Paradoxalmente, diz ele, o ambiente nessa região lembra o do cerrado: muita luz solar, pouca umidade e nutrientes mais escassos.

As condições especiais favoreceram a evolução de insetos que põem seus ovos dentro das folhas e formam uma espécie de tumor vegetal nelas -um abrigo mais úmido e nutritivo para elas.

Mapeando esse e outros ambientes com vários tipos de armadilhas e redes, os cientistas estimam que, em toda a floresta de San Lorenzo, com seus 6.000 hectares, há cerca de 25 mil espécies.

Curiosamente, um único hectare é suficiente para abrigar dois terços desse total.

“Essa é a grande mudança trazida pelo nosso estudo”, afirma Ribeiro.

“Achava-se que a maioria das espécies de artrópodes existia em espaços muito pequenos. O que nós estamos vendo é que elas ocorrem em áreas amplas e provavelmente precisam de territórios grandes.”

A equipe está replicando a metodologia em outros lugares, como a Austrália e Vanuatu, na Polinésia.

Com mais dados, a expectativa é que seja possível ter uma ideia mais clara sobre outro número misterioso: quantas espécies, no total, existem na Terra toda.

Cientistas em guindaste recolhem amostras de insetos no alto das arvores em floresta do Panama

Cientistas em guindaste recolhem amostras de insetos no alto das arvores em floresta do Panama. Foto:Divulgação

Fonte: Folha.com


26 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Biodiversidade cai em metade das florestas tropicais, aponta estudo

Análise publicada na revista ‘Nature’ avaliou 60 reservas em 20 a 30 anos.
Perturbação do habitat, caça e exploração são maiores fatores para declínio.

Metade das áreas protegidas de florestas tropicais do mundo está sofrendo um declínio na biodiversidade, segundo uma análise feita em 60 reservas e publicada na edição desta semana da revista “Nature”.

Para avaliar como esses locais estão funcionando, o pesquisador William Laurance e outros autores estudaram um grande conjunto de dados sobre as mudanças ocorridas ao longo dos últimos 20 a 30 anos.

A avaliação revela uma grande variação no estado dessas reservas, e 50% vivenciam perdas substanciais na variedade de animais e plantas. Perturbação do habitat natural, caça e exploração das florestas são os maiores fatores para esse declínio.

As reservas tropicais representam um último refúgio para espécies ameaçadas e processos naturais dos ecossistemas, em uma época que cresce a preocupação quanto ao impacto do homem sobre o crescimento da biodiversidade.

O estudo indica que, muitas vezes, áreas protegidas estão ecologicamente ligadas aos habitats ao redor, razão pela qual o destino delas é determinado por mudanças ambientais internas e externas.

Portanto, os pesquisadores afirmam que os esforços para manter a biodiversidade não devem se limitar a reduzir os problemas dentro das reservas, mas promover mudanças também fora dessas áreas.

Biodiversidade (Foto: Christian Ziegler/ZieglerPhotos.com/Nature)

Reservas são o último refúgio de espécies ameaçadas (Foto: Christian Ziegler/ZieglerPhotos.com/Nature)

Fonte: Globo Natureza


16 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Nova espécie de cobra é identificada no sudoeste do Camboja

‘Kukri Cambojana’ vive na região tropical das Montanhas Cardamomo.
Réptil de cor escarlate tem habitat ameaçado, diz organização ambiental.

Cobra (Foto: Neang Thy/FFI/AFP)

Nova espécie de cobra é identificada no sudoeste do Camboja, em uma região tropical conhecida como Montanhas Cardamomo. O réptil escarlate com anéis pretos e marrons foi chamado de 'Kukri Cambojana' e tem seu habitat ameaçado, disse a organização Fauna e Flora Internacional (FFI) (Foto: Neang Thy/FFI/AFP)

Fonte: Globo Natureza


29 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Aranha viúva-marrom toma o lugar da viúva-negra nos EUA, diz estudo

Espécie marrom só passou a viver no sul da Califórnia a partir de 2003.
Estudo coletou amostras em 72 locais e viu que animais brigam por habitat.

 

Cientistas americanos analisaram a presença de aranhas na Califórnia e perceberam que as viúvas-marrons podem estar ocupando o lugar das viúvas-negras no sul do estado. A conclusão do estudo será publicada na edição de julho da revista científica “Journal of Medical Entomology”.

A espécie marrom é relativamente nova na América do Norte: foi documentada na Flórida pela primeira vez em 1935, mas na Califórnia só apareceu em 2003. No entanto, na última década tem ocorrido uma grande proliferação desses artrópodes.

Se essa substituição se comprovar, o perigo para os donos das casas pode diminuir, já que a picada da viúva-marrom é menos tóxica que a da viúva-negra, nativa do oeste dos EUA e capaz de provocar sintomas como suor excessivo, dor local intensa e no abdômen, choque anafilático e até a morte em muitos casos.

Os autores analisaram a presença desses animais em 72 locais, como imóveis urbanos, terrenos agrícolas, parques e áreas naturais. Assim, puderam comparar a abundância e a seleção de habitat das duas espécies.

Em quase 97 horas de coleta, os cientistas encontraram 20 vezes mais viúvas-marrons que negras fora das casas, especialmente embaixo de mesas e cadeiras ao ar livre e em pequenos espaços de muros, paredes e objetos. Nenhuma aranha foi encontrada no interior das casas.

Segundo Richard Vetter, da Universidade da Califórnia em Riverside, as viúvas-marrons realmente se multiplicaram em um tempo muito curto, sendo detectadas em locais onde era esperado haver viúvas-negras. Isso revela uma concorrência e uma certa sobreposição de habitat.

Havia lugares onde somente as viúvas-marrons eram capazes de fazer casas, mas em outros as negras ainda predominavam. Segundo os pesquisadores, os proprietários das casas precisam conhecer os esconderijos das viúvas-marrons e ter mais cuidado ao colocar as mãos em cantos desconhecidos.

Viúva marrom (Foto: Richard S. Vetter/Centro de Pesquisa de Viúva-Marrom/Universidade da Califórnia)

Viúva-marrom (foto) está tomando o lugar da viúva-negra no sul da Califórnia. Picada da espécie marrom é menos tóxica que a da negra, segundo os pesquisadores (Foto: Richard S. Vetter/Universidade da Califórnia)

Fonte: Globo Natureza


17 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Coalas podem desaparecer em cinquenta anos, diz WWF

Destruição das florestas de eucaliptos e doenças levariam a espécie à extinção

A organização não governamental WWF alertou nesta terça-feira que a população de coalasda Austrália corre o risco de extinguir-se nos próximos 50 anos. O representante da ONG na Austrália, Martin Taylor, anunciou que nas últimas duas décadas a população de coalas diminuiu 42%. Segundo Taylor, se a tendência continuar, o marsupial pode desaparecer.

Ameaças - Os ecologistas atribuem a queda do número de coalas à destruição de seu habitat – provocado, segundo a WWF, pelo desenvolvimento humano e pelas alterações climáticas. A espécie vive em florestas naturais de eucaliptos e se alimenta principalmente das folhas frescas das árvores. Outra ameaça aos marsupiais são os surtos da doença clamídia. Essa bactéria, contra a qual os cientistas estão pesquisando uma vacina, produz lesões nos genitais e nos olhos dos coalas, causando infertilidade, cegueira e, posteriormente, a morte.

O número de coalas na Austrália oscila entre 40 mil e 250 mil exemplares, segundo estimativas. No mês passado, o governo australiano catalogou os coalas como “espécie vulnerável” na lista de animais ameaçados no país.

Folhas de eucalipto são o principal alimento dos coalas

Folhas de eucalipto são o principal alimento dos coalas (Reuters)

Fonte: Veja Ciência


2 de abril de 2012 | nenhum comentário »

União Europeia terá que proteger 29 espécies de borboletas ameaçadas

Relatório de organização ambiental lista formas de conservar insetos.
Em 15 anos, houve queda de 70% na população de 17 diferentes espécies.

Grande-borboleta-azul (Europa) (Foto: Divulgação/Chris van Swaay)

Grande-borboleta-azul (Phengaris arion), uma das espécies ameaçadas de extinção na Europa (Foto: Divulgação/Chris van Swaay)

Uma organização ambiental da Europa lançou um guia com orientações sobre como preservar espécies de borboletas que vivem no continente e são consideradas  ameaçadas de extinção.

O relatório, que teve destaque na edição desta semana da revista “Nature Conservation”, aponta 29 espécies listadas pela União Europeia.

Os países-membros terão a partir do lançamento do guia a responsabilidade de fornecer informações sobre como proteger os insetos e definir (além de cumprir) metas internacionais de biodiversidade.

O documento detalha informações sobre cada inseto, as exigências para conservar seus habitats e plantas utilizadas pelas borboletas como local para desova e alimentação.

Em declínio
De acordo com o relatório, as borboletas europeias estão sob ameaça constante. Cerca de 10% de todas as espécies correm risco de desaparecer. Indicadores mostram que houve queda de 70% na população de 17 diferentes espécies nos últimos 15 anos.

Entre as principais causas desta diminuição estão a destruição de áreas, transformadas pela agricultura — algumas delas abandonadas posteriormente.

Segundo a publicação, as borboletas são importantes indicadores do meio ambiente, já que respondem rapidamente a possíveis alterações do habitat. A gestão desses insetos garante a sobrevivência de outros seres, que fazem parte da biodiversidade europeia.

 

Fonte: Globo Natureza

 

 


27 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Confinados a espaços menores, coalas enfrentam doença fatal

Cientistas afirmam que infecção bacteriana tem capacidade de acabar com a espécie na Austrália

Uma das criaturas mais apreciadas da Austrália, o coala enfrenta sérios problemas. Em face da perda de seu habitat, das alterações climáticas e de doenças causadas por bactérias, ele está sendo forçado a ocupar regiões cada vez menores do país. No vasto estado de Queensland, que fica no extremo nordeste do país, pesquisas sugerem que de 2001 a 2008 o número de coalas diminuiu até 45 por cento nas áreas urbanas e 15 por cento no cerrado.

Além disso, embora as mudanças climáticas e a perda de habitat também afetem muitos outros animais exclusivos da Austrália – de pássaros e rãs a marsupiais como os vombates, pequenos cangurus e bandicoots – o que vem preocupando vários cientistas em relação ao destino dos coalas é uma infecção bacteriana.

“A doença é uma assassina de certa forma silenciosa e possui potencial bastante real para acabar com a população de coalas de Queensland”, afirmou a Dra. Amber Gillett, veterinária do Hospital da Vida Selvagem do Zoológico da Austrália, em Beerwah, Queensland.

A culpada pelas mortes é a clamídia, gênero de bactérias muito mais conhecido por causar doenças venéreas em humanos do que por devastar populações de coalas. Pesquisas recentes em Queensland mostraram o desenvolvimento de sintomas da doença em até 50 por cento dos coalas selvagens do estado, e muitos outros provavelmente estão infectados, mas sem apresentar os sintomas.

A bactéria é transmitida durante o nascimento, através do acasalamento e talvez em disputas, e as duas cepas encontradas são diferentes das causadoras da forma humana da doença. A primeira éChlamydia pecorum, que vem causando a maior parte dos problemas de saúde dos coalas do estado de Queensland, e a segunda e menos comum é a C. pneumoniae.

Ao contrário da C. pecorum, a cepa pneumoniae pode ser transmitida a outras espécies, mas até agora não há evidências de que tenha passado dos coalas para os seres humanos ou vice-versa.

A clamídia causa diversos sintomas nos coalas, incluindo infecção nos olhos, que pode levar à cegueira, tornando difícil a procura pelas escassas folhas de eucalipto, sua principal fonte de alimentação. A bactéria também pode produzir infecções respiratórias, junto com cistos que podem tornar as fêmeas de coalas inférteis.

A epidemia tem sido particularmente grave em Queensland, onde quase todos os animais estão infectados por um retrovírus, afirmou Gillett. O retrovírus que atinge os coalas é uma infecção semelhante ao HIV, que suprime o sistema imunológico e interfere na capacidade de lutar contra a clamídia.

“Nas populações de coalas do sul do país, onde a predominância do retrovírus é bem menor, funções imunes normais tendem a resultar em poucos casos de clamídia”, afirmou Gillett.

Tratar a clamídia em coalas selvagens é um desafio, afirmou Gillett. A doença é tão devastadora que apenas uma porcentagem pequena de animais pode ser tratada com sucesso e devolvida à natureza. Além disso, as fêmeas infectadas ficam muitas vezes inférteis – como a condição é irreversível, o crescimento futuro das populações também é afetado.

Não há tratamento disponível para o retrovírus dos coalas, contudo, pesquisadores estão trabalhando para testar uma vacina que ajudaria a evitar uma maior propagação da infecção por clamídia nos coalas de Queensland.

Um estudo publicado em 2010 no The American Journal of Reproductive Immunology descobriu que a vacina é segura e eficaz no tratamento de fêmeas de coala saudáveis. Mais trabalhos estão sendo realizados para testá-la em coalas infectados.

Professor de microbiologia da Universidade de Tecnologia de Queensland, Peter Timms está na liderança dos esforços para testar a vacina contra a clamídia em coalas, e tem esperanças de que outros testes da vacina sejam realizados este ano em coalas machos em cativeiro e posteriormente em coalas selvagens. Se tudo correr bem, os planos de distribuir a vacina mais amplamente podem ser postos em ação.

“Será impossível vacinar todos os coalas da natureza”, afirmou.

Não há um plano para salvar os coalas na Austrália. Cabe a cada região estabelecer planos de manejo para a sua população de coalas. Por isso, assim que for demonstrado que a vacina é totalmente segura e eficaz, Timms sugere a aplicação em populações específicas e ameaçadas, de locais que facilitem a captura e a soltura dos animais, como as populações cujas áreas estão totalmente delimitadas por estradas e empreendimentos habitacionais.

Timms também está trabalhando em uma vacina de dose única, para tornar mais viável a vacinação dos coalas selvagens.

Outra possibilidade seria tornar a distribuição da vacina parte da rotina no tratamento dos milhares de coalas trazidos aos centros de assistência todos os anos, após terem sido atropelados ou atacados por cães, afirmou Timms.

Embora seja uma combinação de problemas o que aflige a população de coalas selvagens, para muitos especialistas a vacina seria um passo importante a fim de contribuir para que sobrevivam por mais tempo. Ela pode proporcionar ganho de tempo suficiente para fornecer aos pesquisadores a oportunidade de resolver alguns dos outros problemas que os coalas enfrentam na Austrália.

“Nas situações em que estão associadas diminuição de habitat, ataques de cães domésticos e atropelamentos à infecção grave por clamídia, as consequências podem ser devastadoras”, afirmou Gillett.

Foto: National Geographic

Fonte: The New York Times


24 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Mais de 12% de espécies de área do Pacífico estão ameaçadas, diz IUCN

Pesca predatória, destruição de habitat e El Niño seriam principais causas.
Fauna e flora estudadas estão no Golfo da Califórnia, Panamá e Costa Rica.

Mais de 12% das espécies marinhas, animais ou vegetais, da região tropical leste do Oceano Pacífico estão ameaçadas de extinção devido à pesca predatória, à destruição de seu habitat e ao impacto do El Niño, segundo um estudo da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).

A investigação científica, primeira do tipo conduzido pela IUCN no Golfo da Califórnia, na costa do Panamá e da Costa Rica, além das cinco ilhas e arquipélagos, engloba toda a fauna e flora da região — peixes, mamíferos marinhos, tartarugas-marinhas, aves marinhas, corais, manguezais e algas. As zonas de maior risco são a entrada do Golfo da Califórnia a as costas do Panamá e da Costa Rica.

“Identificar espécies ameaçadas e as causas desta ameaça pode ajudar a definir as prioridades de conservação marinha na região”, afirmou Beth Polidoro, autora principal do estudo, enquanto Scott Henderson, coautor, acredita que “salvar espécies ameaçadas é a coisa mais importante que podemos fazer para proteger a saúde do oceano, necessária para o bem-estar de milhões de pessoas”.

Zona de proteção
A IUCN considera, ao final do relatório, que a criação de uma zona protegida em torno do atol de Clipperton — lponto localizado a mais de 2.500 km da costa dos EUA — deverá ser uma prioridade, assim como uma legislação para limitar a destruição de manguezais ao longo da costa do Panamá e da Costa Rica.

Nos últimos anos, pelo menos 20 espécies marinhas desapareceram no mundo, além de outros 133 grupos locais de espécies marinhas.

Dessa forma desapareceram espécies de peixes das Ilhas Galápagos durante a passagem do El Niño entre 1982 e 1983. Outrora abundante nas águas do sul da Califórnia e do Golfo da Califórnia, o peixe Totoaba e o bagre-gigante são considerados “criticamente ameaçados” devido à pesca predatória.

 

Fonte: Da France Presse


23 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Austrália irrita ambientalistas ao adiar proteção a coalas

O governo australiano irritou ambientalistas após adiar novamente a decisão sobre a possibilidade de adicionar o coala,  um símbolo nacional, na lista das espécies ameaçadas de extinção no país. Em 2011, uma investigação do Senado apontou que existem apenas 43 mil exemplares da espécie na Austrália. As informações são da rede CNN.

Milhões de coalas foram mortos desde a chegada dos colonos europeus no século 18. No início do século 20, a caça liberada também ajudou a dizimar a espécie e, nas últimas décadas, muitos animais morreram em decorrência da destruição do habitat natural e por doenças. Muitos ainda são vulneráveis a incêndios florestais e secas.

No entanto, o ministro do Ambiente, Tony Burke, disse que precisa de dez semanas para considerar novas informações do Comitê Científico de Espécies Ameaçadas (TSSC). É a segunda vez que a decisão foi atrasada, já que estava inicialmente prevista para outubro. “Eu não posso definir uma lista de espécies ameaçadas em toda a Austrália quando há muitos lugares onde o número coalas permanece elevado”, afirmou o ministro em comunicado.

Atualmente, os coalas são listadas como “vulneráveis” na legislação estadual de Queensland e New South Wales, e como “raros” no sul da Austrália. No entanto, não foi concedida nenhuma proteção adicional na legislação federal. Ativistas afirmam que uma lista nacional é necessária porque os governos estaduais não têm conseguido atuar frente ao declínio da população.

Ícone da Austrália, o coala teve sua população reduzida nos últimos anos. Foto: AFP

Ícone da Austrália, o coala teve sua população reduzida nos últimos anos Foto: AFP

Fonte: Portal Terra


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