17 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Mudanças climáticas podem ser mais rápidas que a capacidade de migração de alguns mamíferos

Estudo indica que pelo menos 9% dos mamíferos do continente americano não vão conseguir migrar a tempo para novos habitats

Um estudo publicado nesta segunda-feira na revista PNAS conclui que muitos mamíferos não conseguirão migrar para outras regiões a tempo de escapar dos efeitos trazidos pelas mudanças climáticas sobre seus habitats.

O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Washington, em Seattle, mostrou que, ao longo do continente americano, pelo menos 9% dos mamíferos não vão conseguir acompanhar a velocidade das mudanças climáticas. Em algumas regiões, esta taxa chega a 40%. A variação se deve ao fato de que certas paisagens são mais difíceis de vencer. Os animais que vivem nos trópicos, por exemplo, geralmente têm que percorrer distâncias maiores para chegar a um território com clima mais adequado do que aqueles que vivem em regiões de montanha.

A migração de animais já aconteceu em outros episódios em que a Terra sofreu alterações climáticas. Neste estudo, os autores buscam verificar se algumas espécies serão capazes de encontrar a tempo locais adequados para sobreviver, considerando a velocidade das mudanças climáticas e as alterações da paisagem provocadas pelo homem.

“Eu acho que é importante verificar que, quando o clima mudou no passado, entre períodos glaciares e interglaciares e o alcance das espécies expandiu e contraiu, a paisagem não estava coberta por campos de agricultura, estradas imensas e estacionamentos. Então as espécies podiam se locomover mais livremente pela paisagem”, diz Josh Lawler, coautor do estudo e professor da Universidade de Washington.

“Nós subestimamos a vulnerabilidade dos mamíferos às mudanças climáticas quando olhamos as projeções de áreas com climas adequados sem incluir também a capacidade dos mamíferos de se locomoverem”, explica Carrie Schloss, principal autora do estudo.

Grupos afetados — O estudo mostrou que primatas – micos, macacos-aranhas, saguis e bugios, alguns já ameaçados de extinção – terão mais dificuldades para migrar. Já o grupo dos vencedores da corrida contra a mudança climática será formado por coiotes, lobos, veados, renas, tatus e tamanduás.

“Os primatas do continente americano, por exemplo, levam anos para se tornarem sexualmente ativos. Isso contribui para sua baixa taxa de dispersão e uma razão para eles se tornarem vulneráveis”, diz Schloss. “Esses fatores indicam que quase todos os primatas desse continente terão uma redução de 75% de sua distribuição territorial”, explica Schloss.

Redução de hábitat  —  Cientistas calculam que 87% das espécies de mamíferos deverão sofrer reduções de seus territórios e que 20% dessas reduções serão provocadas pela limitação da capacidade de dispersão desses animais, já que o número de áreas com climas apropriados vai ser reduzido.

O estudo foi feito com análise de 493 espécies de mamíferos de diversos tamanhos ao longo do continente americano.  É o primeiro estudo a avaliar não só a existência de habitats adequados no futuro, mas a capacidade de espécies de mamíferos alcançá-los a tempo.

Cálculo das velocidades —  A velocidade de migração de cada espécie foi calculada considerando massa, tipo de dieta, intervalo entre gerações e as distâncias a serem percorridas. Nos mamíferos, a migração acontece geralmente uma vez a cada geração.

Os autores compararam esses dados com a velocidade das mudanças climáticas para as próximas décadas baseada em 10 modelos climáticos globais e com a emissão de gases causadores do efeito estufa apontados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

O estudo considerou apenas mudanças climáticas como causadores da migração de animais – a competição entre espécies não foi levada em conta. A ocupação humana do território também foi levada em conta como um impeditivo para migração de algumas espécies.

“Nossas previsões são bastante conservadoras, ou até otimistas, visto o que pode acontecer. Nossas aproximações assumem que os animais vão na direção necessária para evitar ao máximo as mudanças climáticas”, conclui Lawer.

Saiba mais

IPCC
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (em inglês, Intergovernmental Panel on Climate Change) foi criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a fim de produzir informações relevantes para a compreensão das mudanças climáticas. Por sua contribuição ao tema, o IPCC ganhou o Nobel da Paz em 2007. Entre os 831 especialistas do Painel que vão redigir seu quinto relatório de avaliação climática, a ser publicado em 2014, 25 são brasileiros.

Fonte: Veja Ciência


12 de março de 2012 | nenhum comentário »

Descobertas na Índia novas espécies de anfíbios sem patas

Pesquisadores suspeitam que a área de distribuição desses anfíbios se estenda até Mianmar, Butão e Nepal

Foto: S.D. Biju via The New York Times - Pesquisadores identificaram cinco espécies de anfíbios sem patas em 250 localidades do território indiano

Uma nova família de anfíbios, sem membros ou cauda, foi descoberta no nordeste da Índia. No decorrer de cinco anos, os pesquisadores identificaram cinco espécies pertencentes a essa família em 250 localidades de todo o vasto território.

Os anfíbios são escavadores e passam toda a vida debaixo da terra.

“O ciclo de vida completo, tudo ocorre debaixo do solo”, afirmou S.D. Biju, cientista ambiental da Universidade de Déli, que liderou o estudo. “Até o momento não temos muitas informações sobre a alimentação. Acreditamos que se alimentem de minhocas.”

Biju e seus colegas chamaram a nova família deChikilidae e a descreveram no periódico The Proceedings of the Royal Society B.

Os próprios anfíbios se parecem com minhocas ou cobras pequenas, embora não sejam venenosos. Ao contrário das minhocas, eles possuem também uma espinha dorsal resistente.

Os pesquisadores suspeitam que a área de distribuição desses anfíbios se estenda até Mianmar, Butão e Nepal, afirmou Biju. Eles também parecem ter parentesco com outra família de anfíbios desprovidos de membros da África, que se separou da família indiana há 140 milhões de anos.

Biju afirmou que a descoberta enfatizou a necessidade de preservação dos anfíbios da Índia, onde espécies maiores e carismáticas como tigres e elefantes recebem muito mais atenção.

“A região nordeste da Índia vem sofrendo uma enorme destruição de habitats que se deve unicamente à indiferença dos seres humanos”, afirmou Biju. “Essa área é um grande foco de biodiversidade.”

Fonte: The New York Times


16 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Nova espécie de inseto em miniatura é encontrada na América Central

Parente do gafanhoto, “Ripipteryx” mede apenas 5 mm e tem pernas longas.
Pouco é conhecido sobre o inseto e não existem muitas espécies catalogadas.

Ripipteryx mopana, parente do gafanhoto, mede apenas 5 mm de comprimento (Foto: Sam W. Heads, Steven J. Taylor)

Ripipteryx mopana, parente do gafanhoto, mede só 5 mm (Foto: Sam W. Heads, Steven J. Taylor)

Uma espécie de inseto em miniatura foi encontrada no Belize, na América Central. Nomeado de Ripipteryx mopana, ele é parente do gafanhoto e mede apenas 5 mm de comprimento. Tem pernas longas, que usa para pular e escapar de predadores, e cores preto, branco e laranja.

A descoberta foi feita por cientistas da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, e publicada no jornal científico “Zookeys”.

“Considerando a quantidade de habitats de alta qualidade na região, não é uma surpresa que existam novas espécies para serem descobertas, especialmente nas áreas menos exploradas”, disse Sam Heads, coordenador da pesquisa que encontrou o inseto, em material de divulgação.

De acordo com o cientista, muito pouco é conhecido sobre esse tipo de inseto e ainda há um longo caminho a percorrer. Apenas raramente ele seria coletado pelos cientistas. Na América Latina existem apenas 44 espécies catalogadas e este é o primeiro parente em miniatura do gafanhoto encontrado no Belize.

O nome “mopana” foi dado em homenagem ao povo maia “Mopan”, que vivia no sul do Belize, onde o inseto foi encontrado.

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


17 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Estudo com armadilhas fotográficas flagra animais em 7 países

Pesquisa pioneira resultou em 52 mil fotos de 105 espécies de mamíferos.
Imagens permitiram comparar conservação em diferentes partes do globo.

A última edição da revista  “Philosophical Transactions of the Royal Society” traz o primeiro estudo mundial com uso de armadilhas fotográficas para registrar a passagem de mamíferos. Na pesquisa, foram documentadas 105 espécies em cerca de 52 mil imagens em sete áreas protegidas nas Américas, África e Ásia. Entre os animais flagrados há de um pequenino rato até um elefante africano, passando por gorilas, pumas, tamanduás – além de caçadores armados.

Armadilhas fotográficas são câmeras que, acionadas por um sensor, disparam na presença de um animal. O trabalho durou mais de dois anos e fez uso de 420 câmeras ocultas em diferentes habitats do mundo.  A análise dos dados fotográficos ajudou os cientistas a confirmarem que a destruição do habitat tem um impacto direto e negativo sobre a diversidade e a sobrevivência dos mamíferos.

O estudo, dirigido pelo cientista colombiano Jorge Ahumada, ecologista do grupo Tropical Ecology, Assessment and Monitoring (Team, na sigla em inglês) Network, da Conservação Internacional.

Para realizar a pesquisa, foram colocadas 420 câmeras em áreas protegidas do Brasil, Costa Rica, Indonésia, Laos, Suriname, Tanzânia e Uganda, sendo 60 em cada local estudado, que permitiram documentar 105 espécies.

Após analisar as fotos feitas entre 2008 e 2010, os cientistas classificaram os animais por espécie, tamanho corporal e dieta, entre outras características.

Em seguida, determinaram que as áreas protegidas de maior extensão e as regiões de selva têm uma maior diversidade de espécies, tamanhos mais variados e animais que mantêm dietas mais diversas (insetívoros, herbívoros, carnívoros e onívoros).

“Os resultados do estudo são importantes, já que confirmam o que já suspeitávamos: a destruição dos habitats está matando – de forma lenta, mas sem dúvida – a diversidade de mamíferos de nosso planeta”, afirmou Ahumada em comunicado divulgado pela organização.

A Conservação Internacional ressalta que 25% do total das espécies de mamíferos está em perigo e, por isso, a pesquisa contribui de forma bastante significativa para o conhecimento científico a respeito de como as ameaças locais como a caça excessiva, a conversão de terras para a agricultura e a mudança climática afetam os mamíferos.

“O que faz com que este estudo seja cientificamente pioneiro é que criamos pela primeira vez informação coerente e comparável dos mamíferos em escala global e estabelecemos assim uma linha de referência eficaz para avaliar a mudança”, explicou o comunicado.

O uso contínuo desta metodologia permitirá comparar as transformações na natureza e tomar medidas específicas para salvar os mamíferos.

Desde 2010, foram instaladas câmeras em novos lugares, o que ampliou a rede de acompanhamento a 17 pontos do Brasil, Panamá, Equador, Peru, Madagascar, Congo, Camarões, Malásia e Índia.

Anta flagrada perto de Manaus no primeiro estudo global de armadilhas fotográficas para mamíferos. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Anta flagrada perto de Manaus no primeiro estudo global de armadilhas fotográficas para mamíferos. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Gorila com filhote na floresta de Uganda. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Gorila com filhote na floresta de Uganda. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Espécie ameaçada de macaco na Indonésia. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Espécie ameaçada de macaco na Indonésia. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

O estudo também flagrou caçadores, como este homem armado no Laos. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

O estudo também flagrou caçadores, como este homem armado no Laos. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Fonte: Do Globo Natureza, com informações de agências






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17 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Mudanças climáticas podem ser mais rápidas que a capacidade de migração de alguns mamíferos

Estudo indica que pelo menos 9% dos mamíferos do continente americano não vão conseguir migrar a tempo para novos habitats

Um estudo publicado nesta segunda-feira na revista PNAS conclui que muitos mamíferos não conseguirão migrar para outras regiões a tempo de escapar dos efeitos trazidos pelas mudanças climáticas sobre seus habitats.

O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Washington, em Seattle, mostrou que, ao longo do continente americano, pelo menos 9% dos mamíferos não vão conseguir acompanhar a velocidade das mudanças climáticas. Em algumas regiões, esta taxa chega a 40%. A variação se deve ao fato de que certas paisagens são mais difíceis de vencer. Os animais que vivem nos trópicos, por exemplo, geralmente têm que percorrer distâncias maiores para chegar a um território com clima mais adequado do que aqueles que vivem em regiões de montanha.

A migração de animais já aconteceu em outros episódios em que a Terra sofreu alterações climáticas. Neste estudo, os autores buscam verificar se algumas espécies serão capazes de encontrar a tempo locais adequados para sobreviver, considerando a velocidade das mudanças climáticas e as alterações da paisagem provocadas pelo homem.

“Eu acho que é importante verificar que, quando o clima mudou no passado, entre períodos glaciares e interglaciares e o alcance das espécies expandiu e contraiu, a paisagem não estava coberta por campos de agricultura, estradas imensas e estacionamentos. Então as espécies podiam se locomover mais livremente pela paisagem”, diz Josh Lawler, coautor do estudo e professor da Universidade de Washington.

“Nós subestimamos a vulnerabilidade dos mamíferos às mudanças climáticas quando olhamos as projeções de áreas com climas adequados sem incluir também a capacidade dos mamíferos de se locomoverem”, explica Carrie Schloss, principal autora do estudo.

Grupos afetados — O estudo mostrou que primatas – micos, macacos-aranhas, saguis e bugios, alguns já ameaçados de extinção – terão mais dificuldades para migrar. Já o grupo dos vencedores da corrida contra a mudança climática será formado por coiotes, lobos, veados, renas, tatus e tamanduás.

“Os primatas do continente americano, por exemplo, levam anos para se tornarem sexualmente ativos. Isso contribui para sua baixa taxa de dispersão e uma razão para eles se tornarem vulneráveis”, diz Schloss. “Esses fatores indicam que quase todos os primatas desse continente terão uma redução de 75% de sua distribuição territorial”, explica Schloss.

Redução de hábitat  —  Cientistas calculam que 87% das espécies de mamíferos deverão sofrer reduções de seus territórios e que 20% dessas reduções serão provocadas pela limitação da capacidade de dispersão desses animais, já que o número de áreas com climas apropriados vai ser reduzido.

O estudo foi feito com análise de 493 espécies de mamíferos de diversos tamanhos ao longo do continente americano.  É o primeiro estudo a avaliar não só a existência de habitats adequados no futuro, mas a capacidade de espécies de mamíferos alcançá-los a tempo.

Cálculo das velocidades —  A velocidade de migração de cada espécie foi calculada considerando massa, tipo de dieta, intervalo entre gerações e as distâncias a serem percorridas. Nos mamíferos, a migração acontece geralmente uma vez a cada geração.

Os autores compararam esses dados com a velocidade das mudanças climáticas para as próximas décadas baseada em 10 modelos climáticos globais e com a emissão de gases causadores do efeito estufa apontados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

O estudo considerou apenas mudanças climáticas como causadores da migração de animais – a competição entre espécies não foi levada em conta. A ocupação humana do território também foi levada em conta como um impeditivo para migração de algumas espécies.

“Nossas previsões são bastante conservadoras, ou até otimistas, visto o que pode acontecer. Nossas aproximações assumem que os animais vão na direção necessária para evitar ao máximo as mudanças climáticas”, conclui Lawer.

Saiba mais

IPCC
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (em inglês, Intergovernmental Panel on Climate Change) foi criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a fim de produzir informações relevantes para a compreensão das mudanças climáticas. Por sua contribuição ao tema, o IPCC ganhou o Nobel da Paz em 2007. Entre os 831 especialistas do Painel que vão redigir seu quinto relatório de avaliação climática, a ser publicado em 2014, 25 são brasileiros.

Fonte: Veja Ciência


12 de março de 2012 | nenhum comentário »

Descobertas na Índia novas espécies de anfíbios sem patas

Pesquisadores suspeitam que a área de distribuição desses anfíbios se estenda até Mianmar, Butão e Nepal

Foto: S.D. Biju via The New York Times - Pesquisadores identificaram cinco espécies de anfíbios sem patas em 250 localidades do território indiano

Uma nova família de anfíbios, sem membros ou cauda, foi descoberta no nordeste da Índia. No decorrer de cinco anos, os pesquisadores identificaram cinco espécies pertencentes a essa família em 250 localidades de todo o vasto território.

Os anfíbios são escavadores e passam toda a vida debaixo da terra.

“O ciclo de vida completo, tudo ocorre debaixo do solo”, afirmou S.D. Biju, cientista ambiental da Universidade de Déli, que liderou o estudo. “Até o momento não temos muitas informações sobre a alimentação. Acreditamos que se alimentem de minhocas.”

Biju e seus colegas chamaram a nova família deChikilidae e a descreveram no periódico The Proceedings of the Royal Society B.

Os próprios anfíbios se parecem com minhocas ou cobras pequenas, embora não sejam venenosos. Ao contrário das minhocas, eles possuem também uma espinha dorsal resistente.

Os pesquisadores suspeitam que a área de distribuição desses anfíbios se estenda até Mianmar, Butão e Nepal, afirmou Biju. Eles também parecem ter parentesco com outra família de anfíbios desprovidos de membros da África, que se separou da família indiana há 140 milhões de anos.

Biju afirmou que a descoberta enfatizou a necessidade de preservação dos anfíbios da Índia, onde espécies maiores e carismáticas como tigres e elefantes recebem muito mais atenção.

“A região nordeste da Índia vem sofrendo uma enorme destruição de habitats que se deve unicamente à indiferença dos seres humanos”, afirmou Biju. “Essa área é um grande foco de biodiversidade.”

Fonte: The New York Times


16 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Nova espécie de inseto em miniatura é encontrada na América Central

Parente do gafanhoto, “Ripipteryx” mede apenas 5 mm e tem pernas longas.
Pouco é conhecido sobre o inseto e não existem muitas espécies catalogadas.

Ripipteryx mopana, parente do gafanhoto, mede apenas 5 mm de comprimento (Foto: Sam W. Heads, Steven J. Taylor)

Ripipteryx mopana, parente do gafanhoto, mede só 5 mm (Foto: Sam W. Heads, Steven J. Taylor)

Uma espécie de inseto em miniatura foi encontrada no Belize, na América Central. Nomeado de Ripipteryx mopana, ele é parente do gafanhoto e mede apenas 5 mm de comprimento. Tem pernas longas, que usa para pular e escapar de predadores, e cores preto, branco e laranja.

A descoberta foi feita por cientistas da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, e publicada no jornal científico “Zookeys”.

“Considerando a quantidade de habitats de alta qualidade na região, não é uma surpresa que existam novas espécies para serem descobertas, especialmente nas áreas menos exploradas”, disse Sam Heads, coordenador da pesquisa que encontrou o inseto, em material de divulgação.

De acordo com o cientista, muito pouco é conhecido sobre esse tipo de inseto e ainda há um longo caminho a percorrer. Apenas raramente ele seria coletado pelos cientistas. Na América Latina existem apenas 44 espécies catalogadas e este é o primeiro parente em miniatura do gafanhoto encontrado no Belize.

O nome “mopana” foi dado em homenagem ao povo maia “Mopan”, que vivia no sul do Belize, onde o inseto foi encontrado.

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


17 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Estudo com armadilhas fotográficas flagra animais em 7 países

Pesquisa pioneira resultou em 52 mil fotos de 105 espécies de mamíferos.
Imagens permitiram comparar conservação em diferentes partes do globo.

A última edição da revista  “Philosophical Transactions of the Royal Society” traz o primeiro estudo mundial com uso de armadilhas fotográficas para registrar a passagem de mamíferos. Na pesquisa, foram documentadas 105 espécies em cerca de 52 mil imagens em sete áreas protegidas nas Américas, África e Ásia. Entre os animais flagrados há de um pequenino rato até um elefante africano, passando por gorilas, pumas, tamanduás – além de caçadores armados.

Armadilhas fotográficas são câmeras que, acionadas por um sensor, disparam na presença de um animal. O trabalho durou mais de dois anos e fez uso de 420 câmeras ocultas em diferentes habitats do mundo.  A análise dos dados fotográficos ajudou os cientistas a confirmarem que a destruição do habitat tem um impacto direto e negativo sobre a diversidade e a sobrevivência dos mamíferos.

O estudo, dirigido pelo cientista colombiano Jorge Ahumada, ecologista do grupo Tropical Ecology, Assessment and Monitoring (Team, na sigla em inglês) Network, da Conservação Internacional.

Para realizar a pesquisa, foram colocadas 420 câmeras em áreas protegidas do Brasil, Costa Rica, Indonésia, Laos, Suriname, Tanzânia e Uganda, sendo 60 em cada local estudado, que permitiram documentar 105 espécies.

Após analisar as fotos feitas entre 2008 e 2010, os cientistas classificaram os animais por espécie, tamanho corporal e dieta, entre outras características.

Em seguida, determinaram que as áreas protegidas de maior extensão e as regiões de selva têm uma maior diversidade de espécies, tamanhos mais variados e animais que mantêm dietas mais diversas (insetívoros, herbívoros, carnívoros e onívoros).

“Os resultados do estudo são importantes, já que confirmam o que já suspeitávamos: a destruição dos habitats está matando – de forma lenta, mas sem dúvida – a diversidade de mamíferos de nosso planeta”, afirmou Ahumada em comunicado divulgado pela organização.

A Conservação Internacional ressalta que 25% do total das espécies de mamíferos está em perigo e, por isso, a pesquisa contribui de forma bastante significativa para o conhecimento científico a respeito de como as ameaças locais como a caça excessiva, a conversão de terras para a agricultura e a mudança climática afetam os mamíferos.

“O que faz com que este estudo seja cientificamente pioneiro é que criamos pela primeira vez informação coerente e comparável dos mamíferos em escala global e estabelecemos assim uma linha de referência eficaz para avaliar a mudança”, explicou o comunicado.

O uso contínuo desta metodologia permitirá comparar as transformações na natureza e tomar medidas específicas para salvar os mamíferos.

Desde 2010, foram instaladas câmeras em novos lugares, o que ampliou a rede de acompanhamento a 17 pontos do Brasil, Panamá, Equador, Peru, Madagascar, Congo, Camarões, Malásia e Índia.

Anta flagrada perto de Manaus no primeiro estudo global de armadilhas fotográficas para mamíferos. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Anta flagrada perto de Manaus no primeiro estudo global de armadilhas fotográficas para mamíferos. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Gorila com filhote na floresta de Uganda. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Gorila com filhote na floresta de Uganda. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Espécie ameaçada de macaco na Indonésia. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Espécie ameaçada de macaco na Indonésia. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

O estudo também flagrou caçadores, como este homem armado no Laos. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

O estudo também flagrou caçadores, como este homem armado no Laos. (Foto: TEAM Network/Divulgação)

Fonte: Do Globo Natureza, com informações de agências